Duo português Fingertips prepara novo EP seguindo seu caminho eletro pop alternativo

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Fingertips

O duo português Fingertips está conseguindo cada vez mais tocar o coração de seu público com a ponta dos dedos. Com apresentações no Rock in Rio Lisboa, Shanghai West Bund Music Festival e Eurogym 2012, além de abrir para bandas como Queen e Paul Rodgers, The Corrs, George Michael, Nelly Furtado e The Cure, a banda leva seu eletro-pop alternativo a novas alturas e está trabalhando em um novo EP que será lançado ainda este ano.

Formada por Rui (guitarra e synths) e Joana (vocal e synths), a banda se inspira em artistas como David Bowie, U2, Muse e Depeche Mode, caminhando pela música eletrônica com pitadas e rock em um som criativo e desafiador. Conversei com Joana sobre a carreira do duo, a cena independente portuguesa e sua recente visita ao Brasil:

*as respostas foram mantidas na gramática portuguesa.

– Como começou a banda?

A história dos Fingertips é bastante engraçada!! Tem o seu início em 2003 e, por essa altura, eu era apenas uma grande fã da banda. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que os ouvi e vi ao vivo. Em 2010, com a saída do vocalista, os Fingertips lançaram um desafio por todo o país, em busca de uma nova voz para a banda. No meio de centenas e centenas de concorrentes, eu venci o desafio! Foi um momento muito emocionante, não é todos os dias que te tornas o vocalista de uma das tuas bandas favoritas! E não é, também, todos os dias que começas a ouvir a tua voz na rádio ou sobes ao palco do Rock in Rio Lisboa! Foi de arrepiar!

– De onde surgiu o nome The Fingertips?

Do facto de querermos tocar o público com as nossas músicas, do mesmo jeito que tocamos o mundo com a ponta dos dedos (fingertips).

– Quais são as principais influências da banda?

Temos muitas e de variados estilos, desde artistas mais antigos a mais recentes. Alguns exemplos são os Depeche Mode, Queen, Pink Floyd, Joy Division, David Bowie, Muse, Arctic Monkeys, Lorde, entre outros.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Como algo mais posicionado no Pop-Alternativo.

Fingertips

– Me contem um pouco mais sobre “Out Of Control”.

A “Out of Control” é um grito de revolta contra todas as normas pré-estabelecidas da sociedade. Parece que quando nasces já tens que ser qualquer coisa que alguém pensou para ti. Mas, na verdade, tu tens que ser tu, porque só assim és feliz. Não tens que ser o crânio da tua turma ou a miúda 86-60- 86. É ok seres quem és! Compusemos e gravámos a canção no nosso estúdio aqui em Portugal. Mas, por alguma razão, sentíamos que precisava de algo mais. Um outro tipo de energia que só alguém que tivesse estado fora do processo iria conseguir dar. Foi então que conhecemos o Mark Needham. Fizemos as malas e viajámos para Los Angeles. Foi incrível trabalhar com o Mark!

– Contem um pouco mais sobre a visita de vocês ao Brasil!

Visitamos o Brasil em Setembro de 2014, para dois concertos e vários showcases privados, direccionados para a indústria musical, quer em São Paulo, quer no Rio de Janeiro. Foi bastante produtivo e divertido ao mesmo tempo. Conhecemos novas pessoas, rimos muito, visitámos lugares fantásticos e, acima de tudo, partilhámos as novas canções com um público muito especial. Tivémos um feedback super positivo e, confesso, gostaríamos de voltar. Quem sabe, subir ao palco do Rock in Rio no próximo ano!

– Como está a cena musical independente de Portugal hoje em dia?

Bastante interessante. Mas, acima de tudo, desafiante, pois há imensas bandas e artistas a surgir neste momento em Portugal, numa área mais independente, com imensa qualidade. Acabamos por ter de nos reinventar a todo o momento para conseguir destaque, o que acaba por ser muito positivo ao nível da criatividade.

– Porque cantar em inglês, e não em português?

Por várias razões! Em primeiro lugar, a música, por si só, já fala uma linguagem universal. É como se a melodia contasse histórias sem ter que falar. Em segundo lugar, nós crescemos a ouvir o rock cantado em inglês. As nossas influências, como partilhámos há pouco, expressam-se maioritariamente através da língua inglesa. Logo, isso ficou debaixo da nossa pele ao longo dos anos. Para além disso, com o estilo de música que produzimos e, tendo em vista a sua expansão ao nível mundial, fez sempre mais sentido para nos cantar numa língua que possa chegar a mais gente. O que não quer dizer, no entanto, que não sejamos apaixonados pela língua portuguesa. Porque, de facto, somos!!

Fingertips

– Quais os próximos passos do The Fingertips em 2016?

Depois de termos chegado da Califórnia, onde demos concertos em lugares emblemáticos como o Roosevelt Hotel, regressamos ao estúdio para continuar a compor e produzir canções – a inspiração não tem prazo de validade não é? – e estamos a projectar dois concertos de apresentação das novas canções da banda aqui em Portugal, aquando do lançamento do novo E.P.. Entretanto, vamos dando mais novidades e partilhando o nosso dia-a- dia com os fãs através do Facebook, Twitter e Instagram.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Troye Sivan, Amber Run, Gavin James, Oh Wonder e Best Youth!

A cantora Yoyo Borobia lança em fevereiro seu primeiro disco autoral, financiado por crowdfunding

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Yoyo Borobia

Yoyo Borobia é uma cantora com tantas influências que fica difícil definir o sem som. Influenciada pelo jazz, rock, salsa, soul e bossa nova, ela canta o que vier. Nascida na Venezuela, viveu metade da sua vida em Caracas, outra parte em Madri, Espanha, além de ter morado em Paris e agora, São Paulo.

Seu projeto autoral começou em 2014, participando de eventos em diversas cidades do Brasil (Recife, Caxias do Sul no Festival Brasileiro de Musica de Rua) e também fez em 2015 uma turnê na Europa, se apresentando na Espanha, Portugal, França e Bélgica. Logo depois, rolou o crowdfunding de seu primeiro disco com produção do DJ DeepLick, a ser lançado em fevereiro deste ano. A data do evento de lançamento já está marcada: dia 03 de março, no Armarzém Cultural, aqui em São Paulo.  Confira a entrevista com a artista:

– Como você começou sua carreira?
Comecei tocando cuatro, instrumento venezuelano, e cantando aos 7 anos na Venezuela. Posteriormente meus pais se trasladaram para Espanha comigo e teve alguns anos sem tocar o instrumento. Entre tanto, começando a faculdade comecei a cantar em diversas bandas e a intensidade de música e da vontade de viver de música cresceu até ganhar uma bolsa de estudos no Brasil, quando resolvi me dar essa oportunidade.

– Quais as suas principais influências musicais?
Inspiro e expiro música, escuto um pouco de tudo, isto me levou a participar de projetos diversos, desde jazz, até salsa passando pelo rock, pelo soul, pela bossa nova.

– Como você definiria seu som?
É a eterna questão sem resposta. Meu som é uma mistura das influências de todos os lugares nos quais morei, aonde eu viajei. Não sou muito fã de colocar etiquetas na coisas nem nas pessoas, então acho que não devo colocar na minha música.

– Me fale um pouco mais sobre o material que você já lançou.
Até agora tenho lançado dois clipes de musicas minhas e tenho produzido meu primeiro CD que está pronto para ser lançado digital (janeiro) e fisicamente (ao longo do ano em várias cidades, em março em São Paulo).

Yoyo Borobia

– Como é ser artista independente no Brasil? Quais são as maiores vantagens e desvantagens?
Acredito que vantagem é que você faz para você, por você, você que colhe, você que pega seus frutos. A desvantagem e… Exatamente a mesma, é uma luta consigo mesmo, de perseverança, tudo depende de você, vejo nisso um lado bom e ruim, tudo depende do ponto de vista.

– Você já passou por tantos países, sempre se apresentando. O que você vê de diferença entre cada um deles?
Me apresentando na verdade foi em São Paulo, Recife, Florianopolis e Caxias do Sul e serra gaúcha no Brasil, e depois na Europa esse ano em mais cidades. Não acredito na diferença dos países/cidades para diferenciar as apresentações, mas sim na diferença dos locais, já toquei em bares mega alternativos em Madri, ou mega chics em Sampa, ou incríveis arquiteturas em Porto, Portugal, tudo depende saindo você consegue vender um espetáculo, no final das contas, são experiências diferentes e todas elas ricas de alguma maneira.

– A internet é um aliado ou vilão na vida dos artistas independentes no Brasil?
Internet é um grande aliado na minha vida, divulgação, comunicação, contatos, e sempre útil para crescer, e te brinda a possibilidade de chegar a milhões de ouvidos sem precisar de uma outra distribuição, isso há algumas décadas era impossível. Também violão, mas isso na minha vida pessoal que sempre acho que me invade muito e não me deixa viver o mundo real, até escrevi uma música ao respeito.

– Você está trabalhando em algum lançamento?
Sim, para esse ano, meu primeiro CD autoral que foi financiado por um crowdfunding feito no primeiro semestre do ano e tem sido um projeto intenso e um sonho feito realidade dos últimos meses…. Fazia só um ano que resolvi que queria gravar um CD, acredito que foi rápido pela eficácia e a determinação em fazer o projeto tomar vida.

Yoyo Borobia

– Quais os seus planos para 2016?
Por em quanto, o lançamento do disco. Atualmente Uruguai e Argentina, posteriormente de volta no Brasil, São Paulo e Recife com certeza e ainda confirmando outras cidades. Posteriormente, começando a primavera da Europa irei para apresentá-lo lá ! Estão aparecendo alguns convites que vão deixar a muitos boquiabertos, mas, ainda não posso divulgar nada, logo logo saberão mais.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção ultimamente.
Justamente estou ouvindo agora o trabalho do Gavilan, artista de Montevidéu, gostei pra caramba!

Kathryn Dearborn lança a faixa “Drum Machine”, com gritos enviados por fãs de todos os cantos do mundo

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Kathryn Dearborn

Kathryn Dearborn define seu somo como “trilha sonora para histórias em quadrinhos assustadoras”. Talvez essa seja uma boa forma de descrever o som eletrônico, pop e soturno da moça, que acaba de lançar o single “Drum Machine” com samples de gritos que ela pediu em sua página do Facebook. “Chegaram gritos incríveis de todo o planeta”, ela diz. “A música ficou incrível”.

Dearborn, ao contrário do que possa parecer, é uma artista reclusa: escreve e grava todas as suas músicas diretamente do seu quarto, no Brooklyn. Sua música foi descrita como “Meio Nine Inch Nails” por Amanda Palmer (duas de suas maiores influências) e “psicologicamente elevada” pelo site Earmilk.com

Conversei com Kathryn sobre sua carreira, influências e todos os gritos e berros recebidos para “Drum Machine”:

– Como você começou sua carreira?

Eu comecei a fazer minha própria música no colégio. A minha família tinha um velho piano vertical que eu aprendi sozinha a tocar e em pouco tempo eu estava inventando canções para mim. Eu escutei uma grande variedade de músicas e me apaixonei por pessoas tão variadas como Trent Reznor, Amanda Palmer e Max Martin, então eu decidi participar Berklee College of Music para aprender a produzir e projetar o meu próprio material. Tudo começou a partir daí.

– Diga-me um pouco mais sobre o material que você já lançou até o momento.

Meu primeiro EP, “The Temptress”, foi lançado em 2010 e recebeu bastante atenção na rádio Pandora. Eu o chamei de “Temptress” como uma piada sobre o modo como artistas solo femininos são comercializados através de apelo sexual e realmente segui isso para a foto da capa. Eu já lancei alguns singles como “Nocturne For Neverland”, uma canção de ninar que eu escrevi durante uma separação, e “Endgame” – uma colaboração com meu amigo Broken Bit.

“Dither”, um álbum lançado pelo meu amigo escocês Sefiros, foi outro grande projeto para mim. Escrevi e gravei os vocais para 5 canções desse álbum, e eu estou realmente orgulhosa de todas e espero que vocês ouçam no Spotify ou qualquer outro serviço de streaming.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Eu tive monte de formação clássica desde jovem, então sou muito influenciada por aquilo que eu considero serem as raízes do pop – eu amo John Dowland e canções de Brahms, Rachmaninoff e Faure, para citar alguns dos que eu estudei.

Quanto a artistas contemporâneos, eu sou incrivelmente influenciada por todo o trabalho de Trent Reznor. Eu amo tudo que ele faz e todos os belos sons que ele e aqueles que trabalham com ele criam. Ele é a razão pela qual estou tão interessada em criar meus próprios timbres com a síntese. A canção “Drowning” do How To Destroy Angels é uma obra-prima para mim, se você quiser ter uma ideia do que estou falando.

Também sou muito influenciada pela obra de Max Martin – um dos maiores produtores pop do nosso tempo, e Amanda Palmer por sua capacidade de dar uma olhada mais de perto para a vida como ela realmente é, com seu trabalho e sua recusa em curvar para o status quo como uma mulher.

– Qual é o melhor lugar em que você já tocou?

Minha apresentação favorita foi em um pequeno teatro em Williamsburg, Brooklyn chamado The Brick onde eu tive que usar um dançarino masculino como um banco do piano! Ele ficou de quatro e eu me sentei em cima dele como uma peça de mobiliário e fiz o show dessa maneira.

Kathryn Dearborn

– Você pediu recentemente as pessoas lhe enviassem gritos. Diga-me mais sobre isso. Você recebeu alguma coisa boa?

O projeto dos grito é para uma canção pop/dance chamada “Drum Machine”. Pedi os gritos na internet para que eu pudesse ter alguma participação do público e promover o meu último projeto com o Patreon. O resultado final é incrível!

Eu recebi muitos grandes gritos! Uma mulher usou suas habilidades de trabalhar em uma casa mal assombrada e os resultados foram realmente de fazer o sangue gelar. Outra pessoa percorreu todo o caminho até um cemitério para ter o clima apropriado e me enviar uma enorme quantidade de gritos assustadores!

– Se você pudesse tocar ou gravar com qualquer artista, quem seria?

Essa é uma pergunta difícil. Trent Reznor, Amanda Palmer ou Big Data.

– Como você define o seu som?

Meu som é como a trilha sonora de uma história em quadrinhos assustadora.

– A internet é amiga ou um inimiga dos artistas independentes?

Tudo o que posso fazer é falar por mim e eu tenho que dizer – eu adoro a internet e não iria abandoná-lo por qualquer outra coisa. Há muita inovação acontecendo quando se trata de marketing. É um admirável mundo novo e eu adoro isso.

Kathryn Dearborn

– O sexismo ainda está vivo no mundo do rock and roll?

Mais uma vez, só posso falar por mim mesma. Eu recebo algumas observações bastante rudes de pessoas, mas no geral é ok. Eu não tive problemas com isso. Eu sugiro fortemente, no entanto, que todas as mulheres leiam o fórum Red Pill do reddit. Eu acredito que a maioria dos homens usam uma quantidade variável de técnicas escrotas no dia-a-dia e um monte de mulheres precisam ler isso para ficar sabendo. É aqui: https://www.reddit.com/r/TheRedPill/

– Recomende algumas bandas (especialmente se são independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Há tantas… Alguns são uma mulher chinesa, Emika, Nicole Dollanganger e Big Data.

Ouça “Drum Machine” aqui, no soundcloud do Crush em Hi-Fi:

Paula Cavalciuk fala sobre agruras da vida das domésticas em “Maria Invisível” e prepara “Mapeia”, seu primeiro EP

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Por uma feliz coincidência ou algo tramado pelo destino, o primeiro single de Paula Cavalciuk, “Maria Invisível”, saiu quase simultaneamente ao filme candidato ao Oscar “Que Horas Ela Volta”, de Anna Muylaert. Ambos tratam do mesmo assunto: o tratamento que as domésticas e diaristas “quase da família” recebem, sendo rebaixadas diariamente mesmo que seus contratantes não percebam. Com um kazoo marcado e um ar ~divertido~, ” a canção acaba ganhando um ar de tragicomédia, passa a mensagem, mas ao mesmo tempo é dançante, isso faz com que cada um tenha uma impressão diferente”, explica Paula. “Cantei uma coisa que veio do coração e entrou pelos ouvidos da pessoa. Se um dia isso vai se transformar num tapa na cara, depende só da consciência de cada um”, completa a cantora e compositora.

Em outubro, a sorocabana lança seu primeiro EP, “Mapeia”, que contará com quatro faixas e será produzido pelo estreante Ítalo Ribeiro, ex-Vilania, com co-produção de Bruno Buarque e Gustavo Ruiz e estará disponível em breve para download no site da cantora. Conversei com Paula sobre sua carreira, o novo EP, “Maria Invisível”, feminismo, o filme “Que Horas Ela Volta” e o Girls Rock Camp, projeto de que participa:

– Me fale mais sobre “Maria Invisível”. Como foi a composição desta música?
Eu tava tirando o lixo daqui de casa (inclusive hoje passa o caminhão do lixo… só um minuto!) Pois então, estava realizando essa tarefa doméstica tão chata e xexelenta, quando pensei “mina, você tá achando ruim organizar seu próprio lixo? Imagina quem precisa fazer isso com o lixo dos outros e ainda é tratado como lixo?” Foi assim, botei o lixo pra fora e na volta ela saiu quase que inteira, duma vez só.

– “Maria Invisível” foi lançada praticamente ao mesmo tempo que o filme “Que Horas Ela Volta”, sobre o mesmo assunto. Qual a sua opinião sobre isso?
Eu tive a ideia primeiro! Brinks (risos) Foi uma feliz coincidência! A gente toca essa música desde o ano passado, aí muitas pessoas se identificaram com ela, antes mesmo de ser lançada. Uma amiga me mandou o link do trailer e eu fiquei besta! Assisti ao filme na semana passada e ainda estou “passada”. Tenho muitos pontos a considerar sobre o filme, mas vou resumir em dois: o tema ser o mesmo da minha música e o fato de a Anna Muylaert ser uma mulher maravilhosa, talentosa, ganhando visibilidade e metendo o dedo na ferida que muitos não querem ver, mas nesse momento, sentem.

– O kazoo dá um ar “divertido” à música. Você acha que desta forma uma mensagem tão forte pode ser passada de forma mais “leve”?
A canção acaba ganhando um ar de tragicomédia, passa a mensagem, mas ao mesmo tempo é dançante, isso faz com que cada um tenha uma impressão diferente. Gosto de passar a bola para o público. Ontem tocamos essa música num projeto social que trabalha com crianças e adolescentes, posso dizer que o kazoo foi o grande trunfo, foi muito divertido ver a criançada rindo do som de “peido” que eu fazia, o foco nem foi a letra. Assim como já a tocamos em lugares onde você imagina que não terá adesão nenhuma, e no final tem uma enorme surpresa. Por mais que alguém que se enquadre no papel de “vilão” da música, acho que a sementinha foi plantada. Cantei uma coisa que veio do coração e entrou pelos ouvidos da pessoa. Se um dia isso vai se transformar num tapa na cara, depende só da consciência de cada um.

Paula Cavalciuk
foto por Camila Fontenele

– Como você definiria o seu som?
Coisa difícil de responder. Tem gente que cria termos novos pra fazer mais do mesmo. Tem gente que não fala nada e só faz. Eu não sei o que fazer (risos). Meu som é muito diverso, eu faço samba, tango, moda de viola, blues. Acho que é um “pop planetário”, pq eu me sinto apta pra tocar minhas músicas em qualquer lugar do planeta. A vontade mesmo, é tocar fora da órbita da Terra, mas definir um som pra chegar lá é pretensão, não vou falar do que não sei. Quando eu souber, te procuro e mudo a definição. 😉

– Quais são suas maiores influências musicais?
Minha mãe, os Beatles, Dolores Duran, Dolores O’Riordan, Alanis Morissette, Milionário e José Rico, Tião Carreiro e Pardinho, Radiohead (e vários outros nomes que só vou lembrar depois que esta entrevista for publicada).

– Como é seu processo criativo?
Normalmente a ideia vem meio que pronta, fico cantarolando uma melodia que considero boa (ou não tão péssima), aí penso em algo que gostaria de dizer e escrevo sobre isso. Se tá tomando um caminho interessante, já pego o violão, ou teclado, ou cavaquinho, ou ukulelê, só pra fingir que toco e faço uns caminhos harmônicos que combinem com o que minha cabeça tá dizendo e vai.
As vezes eu deixo uma música na gaveta por anos, então volto pra ela e lanço o olhar menos preciosista e preconceituoso possível. Se der “liga”, vamo que vamo!

– Você é uma artista independente. Como a divulgação via internet auxilia a fortalecer a cena da música fora de gravadoras e mídia?
A internet é tudo e nada. Se você não está aqui, é considerado nada. Mas tem vez que mesmo você estando aqui, dando seu tudo, ainda é nada para quem você poderia ser alguma coisa. Eu nem vou falar de gravadoras, porque não consigo nem imaginar como seria a vida. Na internet, tudo é muito fugaz, instantâneo, determinista, bombástico e depois, flácido. Isso me irrita, porque surge uma pressão “ah, meu deeeus, preciso ser genial! preciso falar a língua da galera! preciso criar um meme! preciso sair em todos os blogs! ahhh! ahhh!” Penso nas páginas do Facebook que bombam num dia e depois pfff… “Gina Indelicada”, “Conselhos do He-Man”, foram fenômenos e hoje não são nada e acho que nem é por falta de empenho e criatividade, é porque surgiram 37786482 páginas novas e essas foram esquecidas. Não me apego em fazer coisas modernas, pra bombar e viralizar. Eu quero fazer as coisas com calma, carinho. Gosto de abraço, de olhar nos olhos. Eventos no Facebook são apenas para informar uma data, divulgar um evento físico. Gosto de gente que frequenta shows. Gosto de tocar ao vivo! Agora em outubro, vamos lançar o EP “Mapeia” e a ideia é sair por aí mapeando pra tocar onde o carro conseguir chegar. Quero usar a internet como ferramenta para divulgar aquilo que fazemos fora dela, não o contrário.

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foto por Camila Fontenele

– Fale um pouco mais sobre o EP “Mapeia”, que está praticamente saindo do forno.
O EP já uma lenda. Estávamos, no início do ano, gravando tudo em casa, emprestando microfone, placa, tirando leite de pedra. Essa parte toda fica por conta da criatividade e ouvido apurado do Ítalo Ribeiro. Ele sempre teve uma veia de produção, tocou em bandas representativas na cena daqui, que tiveram projeção nacional, como Fast Food Brazil e Vilania. Tocou também com uma galera que faz a cena em SP, como Rafael Castro, Mr. Lúdico e Tulipa Ruiz. Recentemente ele se formou em produção fonográfica e este seria seu primeiro trabalho fechado, como produtor. Acontece que dois dias antes de mandarmos a master pra fábrica, nosso gatinho subiu na mesa e derrubou o computador onde estava tudo. Fuén! O HD já era, então o jeito foi ter calma, respirar e começar tudo de novo. Hoje a sonoridade destas 4 canções está diferente, soa melhor, a gente evolui, com a repetição, mas também fica essa armadilha de querer sempre melhorar e nunca fechar o formato! (Risos) Gravamos algumas coisas aqui, mas também gravamos todas as vozes e uma das músicas no estúdio Minduca, do Bruno Buarque, em SP. Na reta de finalização, Bruno e Gustavo Ruiz compraram a ideia e entraram como co-produtores. Foi muito legal ver os caras que produziram os discos de cantoras brasileiras que eu mais curti, nos últimos tempos, co-produzindo meu primeiro trabalho! O Gustavo também gravou baixo e baixo synth em duas faixas. O EP tb teve participação de João Leopoldo no piano, Barba Marques na percussão, Diego Garbin no trompete e Sergio Miguel no acordeom. Esta semana as 4 faixas serão masterizadas e no início de outubro, o EP “Mapeia” estará disponível para download em nosso site e também para venda em nossos shows e nas melhores lojas do planeta. É só se ligar nas notícias.

– O machismo ainda é forte no mundo da música? Como mudar isso?
O machismo existe em qualquer lugar. Antes de ser cantora, antes de sair da minha casa, eu era tratada diferente dos meus irmão homens, por exemplo. Eles tinham liberdade para ir a festas, viajar, namorar. Comigo foi diferente, então isso te trava quando você se depara com situações de escolha. É muito mais difícil arriscar algo fora dos padrões, como viver de música, por exemplo.
Venho de cidade pequena, vi minhas amigas casando-se cedo, tendo filhos, abandonando os estudos ainda no ensino médio, para cuidarem do lar. Não que seja errado escolher ter família cedo, mas será trata-se unicamente de escolha? Aquilo não combinava comigo. Se eu tivesse seguido essa lógica, certamente não estaria fazendo música agora. As meninas recebem estímulos diferentes desde a infância, ganham bonecas, brincam de casinha, são excluídas dos contrinhas de futebol na rua, são tratadas como “café-com-leite” nos games, na música, nas ciências, nos esportes. Temos hoje, uma Presidenta da República, que invés de receber críticas ao governo, é reduzida a xingamentos machistas, misóginos. Me sinto ofendida toda vez que vejo isso acontecer com qualquer mulher. Todas nós somos deslegitimadas. É preciso trabalhar na raiz, discutir isso nas escolas, mostrar que somos igualmente capazes e podemos ser o que quisermos. Mostrar, também, que o machismo não é um mal que atinge apenas mulheres, é uma doença da sociedade, que prega ideias absurdas e pressões também nos meninos, como “homem não chora”, “homem não pode achar homem bonito”, “homem tem que pegar geral”. Isso cria robôs infelizes que tornarão mais infelizes ainda, as meninas e mulheres que cruzarem seus caminhos, inclusive suas filhas.

– Você acredita que a mulher está conseguindo se empoderar mais pela música? As cantoras e artistas ajudam nisso?
A música é uma ferramenta transformadora de qualquer realidade! A arte em geral, é. Quando você percebe que pode desabafar com arte e pode atingir outras pessoas que precisam daquilo, que se identificam e se inspiram. Bicho! Isso vira um delicioso looping! Representatividade importa e muito, para que possamos nos enxergar, nos projetar e nos fortalecer. Pra você, pode não ter importância a fala da MC Carol, quando ela diz que se acha o máximo, que ninguém manda nela, que ela não baixa a cabeça pra homem nenhum, mas para uma menina negra da periferia, onde o funk tem um diálogo direto, é parte de sua cultura, ouvir uma coisa dessa, pode ser a gota d’água que faltava para ela dar um basta numa situação abusiva, por exemplo, ou pra ela se olhar no espelho e pensar “eu sou o máximo meeeesmo!”

– Você também faz fanzines sobre as músicas que cria. Pode me falar mais sobre isso?
Sim! Fanzine é vida! É quase como tocar as ideias de alguém. Pegar essa ideia com a mão, se identificar, virar a página, sentir o cheiro do papel, dobrar, guardar, e até mesmo fazer um afago com a bochecha?! O EP “Mapeia” era pra ter sido lançado em abril deste ano, mas um acidente doméstico envolvendo um felino aqui de casa, nos impediu de tal. Eu gosto de conversar com as pessoas quando estou no palco, mas eu quero ter assunto, porque eu sou tímida, o EP seria esse ponto que me ligaria ao público que vai a shows. E quando ficamos sem previsão de EP, as zines vieram pra dar essa fortalecida nas ideias. Sou voluntária num projeto de empoderamento de meninas de 7 a 17 anos, o Girls Rock Camp, onde elas montam bandas, compõem uma música, ensaiam, estampam camiseta, fazem fanzine em uma semana! Aí me empoderei e comecei a fazer. O lance do “pague-quanto-quiser” veio pra deixar tudo mais bonito, pois é dar às pessoas o direito de decidir a quantia a se contribuir e também se questionar sobre o valor da arte. Muito interessante essa troca! <3

– Me fale um pouco mais sobre o projeto Girls Rock Camp e sua participação nele.
O Girls Rock Camp mudou minha vida! É um projeto maravilhoso, onde meninas de 7 a 17 anos se encontram durante uma semana e têm instrução de voz ou do instrumento que escolherem, montam uma banda, criam um nome pra essa banda, compõem uma música, ensaiam, participam de oficinas de stencil, fanzine, skate, defesa pessoal, imagem e identidade, para no final de semana, se apresentarem como banda. Este projeto teve origem nos Estados Unidos e a Flavia Biggs (socióloga, educadora e vocal/guitarra da banda The Biggs), depois de ser voluntária lá, trouxe o modelo para o Brasil. Sorocaba é pioneira no Girls Rock Camp na América Latina! Foi e é um tremendo orgulho participar como voluntária de algo tão bonito e transformador! Depois da primeira edição que participei, me empoderei de tal maneira, que tomei coragem de tocar minhas músicas, e sair por aí contando minha verdade para as pessoas. Neste ano também fui voluntária da primeira edição do Ladies Rock Camp, que é o mesmo formato, mas voltado para mulheres acima de 21 anos. Tem tanta beleza quanto o Girls, mas a carga, a desconstrução se dá de um jeito mais intenso. Lindo de ver a mulherada fazendo um som! Atualmente também trabalho num projeto chamado Viva Meninas, que é uma iniciativa da Flavia Biggs, em parceria com a Pastoral do Menor e a Prefeitura de Sorocaba. As mesmas oficinas que tem no Girls Rock Camp, para meninas que frequentam a Pastoral do Menor. É muito amor! <3 E quem quiser saber mais sobre o Girls Rock Camp, pode acessar www.girlsrockcampbrasil.org, existem várias maneiras de ajudar. Vamos lá! 😉

– Qual a sua opinião sobre a música pop atual no Brasil?
Muita coisa boa sendo produzida! Para todos os gostos! Me admira ver artistas e especialistas arranjando tempo pra falar mal daquilo que não gostam. Gente! Tem TANTA coisa sendo produzida! Andaaa! Bora experimentar e espalhar!

– Recomende artistas e bandas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.
Eu gosto de tanta coisa, vou a shows, consumo discos da galera, mas vou citar os 3 primeiros nomes que me vierem, ok?
Francisco, El Hombre, pela energia, verdade no palco e por fazerem o rolê que eu mais acredito: irem pra rua, saírem tocar!
Lupe de Lupe, pela sinceridade, empenho e transparência. Muita gente torce o nariz pro som dos caras, mas eles não tão nem aí, não querem ser ninguém além deles mesmos. Recentemente prestaram contas da turnê genialmente chamada de “Sem sair na Rolling Stone”, onde descrevem exatamente, onde, como e por quanto tocaram. No último prêmio de música que participei, conheci o cantor Diego Moraes. Achei demais! Uma mistura de Billie Holiday com Elza Soares, mas com uma originalidade tremenda! Não é a toa que ele foi o segundo melhor colocado nessa ocasião e eu fui a primeira (risos) Aloooka! Mas brincadeiras à parte, realmente me encantei com o Diego e quero duetar com ele logo! <3

Letuce apresenta seu versátil terceiro disco, “Estilhaça”, produzido por João Brasil. E disponível para download gratuito!

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Letuce

Capitaneado por Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos, o Letuce lançou em julho seu terceiro disco, “Estilhaça”, gravado na YB Music, em São Paulo, com o DJ e produtor de primeira viagem João Brasil. O ex-casal preparou 11 faixas que passeiam entre o folk, o pop, o rock, o lounge e a MPB.

Com os discos “Plano de Fuga pra Cima dos Outros e de Mim” (2009) e “Manja Perene” (2012) na bagagem, o Letuce está na estrada desde 2007, quando Letícia e Lucas se apaixonaram e criaram a banda. Mesmo com a separação dos dois em 2013, a parceria musical permanece, embora um pouco deste fato acabe refletindo em algumas canções.  Em entrevista a’O Globo, Letícia falou que “as músicas novas não estão tão solares, mas também não estão de cortar os pulsos”.

Conversei com Letícia sobre o disco “Estilhaça”, a carreira da banda e o inclassificável som do Letuce:

– Como a banda começou?
Lucas e eu nos conhecemos em 2007, ele tinha a banda Binário, eu tinha uma bandinha de rock e de música eletrônica. Nos apaixonamos e foi muito natural começar a compor, aconteceu. Em 2008 fizemos nosso 1 show, e tudo fez muito sentido, tanto pra mim quanto pra ele. Nossa parceria musical tem um encaixe bem curioso e forte.

– Como vocês definiriam seu som?
O mais legal é quando as pessoas não sabem como definir nosso som. Quando a gente lê “a inclassificável banda Letuce”, a gente vibra. Maravilhoso isso.

Letícia Novaes, do Letuce

– Quais são suas maiores influências musicais?
Puxa, são muitas. Desde Bach, Beethoven até Led Zeppelin. Amo muito PJ Harvey também, Bethânia, existem todos esses grandes, que crescemos com eles, mas não penso neles na hora de compor, do tipo ‘AH, o que PJ faria…”, não é assim. Eles já estão dentro da gente, então flui.

– Me falem um pouco mais sobre o último disco, “Estilhaça”.
Foi um disco que demorou 2 anos para ser feito, desde a composição, até a elaboração, produção, gravação, mixagem. Demorou porque foi necessário, Lucas e eu nos separamos, então foi natural a gente ter colocado a banda um pouco em suspensão, cada um foi viver suas coisas, mas sempre com a ideia do 3 disco, de repente pintou um tempo em comum para todos, o que é bem raro e caímos dentro. Quis chamar o João Brasil, com quem já tinha trabalhado, para produzir, ele nunca tinha produzido um disco, mas isso não importava, porque ele é um DJ e músico maravilhoso. A energia dele foi bem solar, e isso nos ajudou muito. Foi maravilhoso.

– Como a banda evoluiu desde o primeiro álbum, “Plano De Fuga Pra Cima dos Outros e De Mim”?
Falando por mim, evoluí muito e hoje em dia tenho vergonha de ouvir minha voz no primeiro disco. Fui muito audaciosa, não me arrependo pois era um movimento especial e importante para a época, mas não consigo ouvir minha voz. Me desenvolvi muito mais, fiz aula de canto, fono, me descobri por dentro, por fora, estudei minha voz e me sinto bem melhor com ela agora. Cresci, né? Lucas também, virou um grande produtor e agora até bateria ele já toca e está estudando trompete, ele é um monstro, toca tudo. Os músicos também, hoje em dia, a participação deles é bem mais forte, chegam junto total. Somos muito amigos e isso aparece nos shows.

– O que vocês acham da música que faz sucesso atualmente no Brasil?
O que faz sucesso? Sertanejo universitário? Funk? Olha, não consigo generalizar pois rolam uns funks bem legais, e sertanejos idem (tem uma música do Luan Santana que eu gosto (risos)). Claro que já criaram um molde, vira uma máquina, tenho muita pena de uns guris do interior que ficam malhando braço e fazendo tatuagem e dizendo que querem cantar sertanejo universitário. Não é assim, né? Vai estudar violão, vai cantar sozinho num bar pra 6 pessoas, aprende-se muito assim. Vai ouvir músicas que você acha que não tem a ver com você, isso é impressionante também. A mistura, a contaminação que você pode ter, sem querer, com várias influências.Vez ou outra, ouço Paulinho da Viola, não tenho nenhuma música assim no meu disco, mas ouvir aquilo me causa um encontro que deixa marcas.

– Vocês já foram rotulados como “nova MPB”. Vocês acreditam que este rótulo é visto com desdém?
Tentamos não dar trela a isso, mas é meio lamentável a falta de atenção e valor que dão a alguns artistas hoje em dia, e continuam endeusando os deuses (claro) Chico, Caetano. Não há dúvida. Mas a música não parou ali. Tem muita coisa linda acontecendo agora, nesse exato momento.

Letuce

 

– O que vocês acham da explosão dos serviços de streaming e a “morte” das gravadoras?
Acho que tudo tem um ciclo e nada mais normal do que isso acontecer. E daqui a pouco as cias telefônicas também vão ter que rebolar por conta do Whatsapp, (já estão!), o mundo está em constante transformação e quem ficar defendendo o passado, vai se lascar.

– Quais são os próximos passos do Letuce em 2015?
Fazer muitos shows com o “Estilhaça”. A gente nunca conseguiu tocar no Nordeste e isso é muito triste pra gente, pois sabemos, através das redes que rolam vááários pedidos. Mas nunca casa de rolar. Passagens caras, pouco incentivo, muito complicado. Nosso sonho seria mesmo tocar no Brasil todo, mas mini turnê no Nordeste, aliviava minha alma.

 

– Recomendem algumas bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Séculos Apaixonados, Biltre, Mohandas, Duda Brack, Eu você e a Manga, Quarto do L.

Ouça o disco “Estilhaça” aqui. Pra baixar, é só clicar aqui:

Uma entrevista curta, grossa e engraçadinha com a banda londrina de “hairy scary pop” Wolf Girl

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A entrevista com o quarteto Wolf Girl foi rápida, rasteira e sem firulas, meio parecida com o som do quarteto inglês. Os londrinos oferecem uma mistura de garage rock com o rock alternativo dos anos 90 que se auto intitula “hairy scary pop”. “Eles soam como uma caminhada em uma praia ensolarada e com ventania vestido de James Dean. Sabe, uma daquelas praias cheias de pedregulhos. Como Brighton. É, em Brighton. E você está usando óculos escuros. E glitter”, segundo a definição do Queer Punx Podcast.

Formada por Becky Healey (Guitarra e vocais), Carl Farrugia (Guitarra e vocais), Chris Wood (Baixo) e Christabel Williams (Bateria), a banda tem no currículo os discos “Hey, Wolfgirl” (2013), “Magpies” (2013) e “Mama’s Boy” (2014).

A banda contou um pouco mais sobre a carreira, seus sons, próximos passos e o amor pelo disco “The Simpsons Sing The Blues”:

– Como a banda começou?

Somos quadrigêmeos não-idênticos que foram separados no nascimento. Todos temos uma marca de nascença idêntica na forma de Dinamarca.

– Como você veio com o nome Wolf Girl?

Gilmore Girls, 7ª temporada, Episódio 9. Isso e também da música do Magnetic Fields, “Falling In Love With A Wolfboy”.

Os londrinos do Wolf Girl

– Quais são as suas principais influências musicais?

Blondie, Tullycraft, The Cramps e o disco “The Simpsons Sing The Blues”.

– Podem me falar um pouco sobre o material que já lançaram?

Acabamos de lançar uma fita cassete pela Soft Power Records. É um EP chamado “Mama’s Boy” que gravamos em nosso espaço de ensaio. Estamos trabalhando em lançar mais algumas músicas no momento, então fiquem de olho, teremos um novo álbum no futuro.

– Como é o processo criativo da banda?

Nós entregamos um sacrifício para os antigos e eles nos recompensam com canções pop medíocres.

Wolf Girl em ação

– Como você descreveria o seu som “hairy scary pop”?

Soa um pouco como “ahhhhhhh, wooooooo, ahhhhhhh, yeeeah”.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independe hoje em dia?

Promotores exploradores de bandas, viajar para shows quando todos nós estamos com muito medo de dirigir, e sexismo/outras ignorâncias da indústria da música.

– Onde você gostaria de ver sua carreira musical em 10 anos?

[Eles enviaram uma imagem como resposta:]unnamed

 

 

 

 

 

 

 

– Diga-nos quais bandas novas chamaram sua atenção ultimamente.

The Spook School, The Tuts, Charla Fantasma, Daniel Versus The World e No Ditching são todas grandes bandas do Reino Unido.

Ouça o som do Wolf Girl em seu perfil no Bandcamp:

Finalistas do Breakout Brasil, Donna Duo lança primeiro disco e single “Acordei Te Amando”

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Donna Duo

Dani Zan e Naíra Debértolis fazem o que chamam de “pop milongueiro”. Cantoras, compositoras e multi-instrumentistas, as duas formam o Donna Duo, com um repertório que mistura MPB, samba, milongas, rock, pop e o que mais der na telha da dupla. Finalistas do reality show do Canal Sony Breakout Brasil, Dani e Naíra lançam este ano seu primeiro disco, patrocinado por um bem sucedido crowdfunding. O primeiro single é “Acordei Te Amando”, lançado em junho.

Conversei com Dani e Naíra sobre a carreira da dupla, a participação no Breakout Brasil e realities musicais em geral:

– Como a banda começou?

Através de uma fã em comum nos conhecemos, foi coisa de internet. Ela conhecia os trabalhos que as duas tinham na época, a banda da Naíra precisava de composições, e ela nos apresentou via Facebook, com a pretensão de que as minhas composições pudessem agregar naquele trabalho. Mas realmente não sabíamos que esse acaso se transformaria no Donna Duo.

– De onde surgiu o nome Donna Duo?

Boa pergunta, a gente começou com o nome DebertoliZando, mas ninguém entendia que era a mistura dos nossos sobrenomes, e gaguejavam no pronunciar (risos). Pronto, mudamos o nome por livre e espontânea insistência do universo. Passamos a pesquisar o que bem nos definia, em outras línguas, e chegamos a esse conceito bem simples de Donna Duo, duas mulheres. Já que Donna é mulher em italiano.

Donna Duo

– Quais são as maiores influências da banda?

A gente tem várias influências brasileiras, de ritmos brasileiros variados, desde o samba, até a milonga, o afoxé… temos essa tendência e ela flui muito naturalmente, gostamos desse som Brasil. Porém, a gente ao mesmo tempo mergulha no pop e no rock. A Dani tem dessas de escutar Tião Carreiro e Elvis, a Naíra vai da gauchada aos Beatles, e todos esses sons, históricos, nos influenciam, positivamente.

– Como vocês definiriam o som da dupla?

O Donna Duo tem dois anos de vida, e como o duo surgiu sem direcionamento do que íamos fazer, como um hobby, um projeto parelelo das duas, experimentamos muita coisa, fizemos tudo o que queríamos e naturalmente nos tornamos um caldeirão musical. Daí veio o CD, e enfim lacramos quem somos. A mistura, a variação de cor que o álbum vai trazer não foi intencional, ficou a nossa cara, bem como as composições que já nasceram com essa imagem imprimida.

– Quais os maiores desafios de ser uma banda independente no Brasil?

Se comunicar com o público de forma singular. Você precisa aproveitar as oportunidades e as vezes até inventá-las. A produção independente não tem um espaço demarcado na mídia e por conta disso você precisa utilizar-se de todos os recursos que tem. Internet tá aí, e é o território mor de quem faz música autoral independente. Porém, você precisa sair do digital, precisa ter contato com os fãs, eles precisam olhar no teu olho e saber que a tua música tem vida, fora da rede.

– O que vocês acham do sistema de crowdfunding?

Pra nós foi a chance de meter o pé no acelerador. Só que o crowdfunding é uma ferramenta, a banda que se utiliza da crowdfunding é a engrenagem, e pra quem pensa em fazer o seu próprio financiamento coletivo, é preciso ter essa consciência, acreditar em si, trabalhar pra que vejam a banda e vejam o projeto. Com o Donna Duo passamos dois meses de sufoco, de gastrite, de ansiedade, mas hoje a gente ri! E foi ótimo, gratificante.

– Quais bandas foram as preferidas de vocês no Breakout Brasil?

Bom, The Outs nos ajudaram na prova do inglês, emprestaram os seus instrumentos, escutavam nossas versões antes das apresentações, davam sugestões. Eles são o máximo, são de um universo musical diferente do nosso, mas parte de nós uma admiração tamanha pra com esses guris que é difícil explicar. São grandes pessoas e profissionais! Tanto quanto o Capela, que inclusive gravou a música “Amor Gramatical” que era do nosso repertório. Também fizemos apresentações juntos, nos encontramos em São Paulo com uma certa frequência e temos planos futuros. Gostaria de pontuar mais gente por aqui, mas enfim, fica aqui nossa, quase, declaração de amor pro Capela e o The Outs. (risos)

– Como foi participar do Breakout Brasil?

Acho que foi um crescimento pessoal muito grande, nosso maior presente nisso tudo foram os amigos e oportunidades que aconteceram durante e após o programa. E poxa, foi o Breakout que nos uniu mais e nos deu força para iniciar um Catarse e ver as coisas se concretizarem de verdade.

– O que vocês acham da proliferação de realities musicais que rola hoje em dia?

Como eu disse, temos que usar dos recursos disponíveis. Mas é preciso ter uma coisa em mente, reality show é programa de TV, música é arte! Contudo, que a música prevaleça!

– Quais os próximos passos do Donna Duo?

Bom, acabamos de lançar a música “Acordei te Amando” que é um aperitivo pro que vem por aí! Estamos planejando cuidadosamente o que será de nós pós lançamento do CD, já estamos marcando shows do segundo semestre do ano e nosso objetivo é ampliar os estados em que estamos trabalhando, queremos cada vez mais ter esse, olho no olho!

Donna Duo

– Quais bandas novas e desconhecidas vocês acham que todo mundo devia conhecer?

Cada uma vai escolher uma então, hein? Bom, a Naíra vai dos meninos da The Fire Departament de Porto Alegre. E a Dani vai de Confraria da Costa, os piratas de Curitiba.

Conheça o pop de arena bombástico dos suecos do Hurricane Love (que estão loucos para visitar o Brasil!)

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Os suecos do Hurricane Love já se apresentaram no Brasil. Pela internet, é verdade, mas já. Assim, eles conquistaram muitos fãs no país, fazendo um show pela plataforma ClapMe em 2014, sendo a primeira banda a fazer uma apresentação internacional utilizando este formato.

No começo deste ano, eles lançaram seu primeiro EP, auto-intitulado, com cinco músicas (“Free Ticket”, “Blind Deaf & Dumb”, “Paradise”, “You Are The Sun” e “Only Human”). O grupo de Malmö, formado por NinaRasmusJohanna, TobiasMagnus e Robin, atualmente está fazendo shows e compondo músicas para seu próximo lançamento, ainda sem data para acontecer. Pra quem gosta do som do Mumford & Sons, recomendo muito a audição dos singles “Nowhere To Go” e “Free Ticket”, como eles mesmo definem em sua página do Facebook, um “pop de arena” muito bem construído e com múltiplos vocais diferentes, dando mais vida ao som.

Conversei com Rasmus sobre a carreira da banda, as agruras de ser uma banda independente e o amor que eles recebem dos fãs brasileiros:

– Como a banda começou?

A maioria dos membros da Hurricane Love já toca junto faz alguns anos, mas 3 anos atrás, quando eu entrei na banda, sentimos que realmente tínhamos algo interessante! Desde então estamos trabalhando duro em desenvolver nosso som, fazendo shows e ficando melhores juntos.

– Me conte um pouco sobre o EP que vocês acabaram de lançar.

Nós esperamos um tempão para lançar essas músicas e estamos muito felizes que elas finalmente estão disponíveis! O EP contém 5 músicas – “Free Ticket”, “Blind Deaf & Dumb”, “Paradise”, “You Are The Sun” e “Only Human”.

– Quais são suas principais influências musicais?

A vida! Bom, musicalmente, somos influenciados por bandas como Sigur Rós e Coldplay!

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– Vocês são outra banda ótima vinda da Suécia. O que acontece por aí que ajuda tanta bandas incríveis a nascerem?

Essa é difícil de responder, na verdade… A Suécia é um país com invernos muito escuros e verões ensolarados. Quando o inverno chega todos ficamos deprimidos e quando vem o verão nos sentimos incríveis, a música é o alimento que ajuda a expressar estes sentimentos e emoções!

– Me falem um pouco sobre o que vocês já lançaram.

Nossa discografia é muito recente. Lançamos nosso single de estreia, “Nowhere To Go”, no outono de 2014. Este ano lançamos o single “Free Ticket”, que está no nosso EP “Hurricane Love EP”. A maioria das músicas que lançamos foram escritas muitos anos atrás, então estávamos esperando a chance de gravá-las e lançar. E finalmente conseguimos!

– Como é o processo criativo de vocês?

Normalmente começamos com uma melodia e alguns acordes básicos e então construímos a música durante os ensaios. É um processo que pode durar um dia ou semanas (ou até meses). Algumas músicas apenas acontecem e outras precisam ser trabalhadas e batalhadas. Algumas apenas não funcionam e são jogadas fora.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

É difícil atingir novos fãs quando você não tem uma quantia enorme de dinheiro pra colocar em assessoria. Também é muito difícil se manter otimista e com a energia alta quando você não tem dinheiro para pagar as contas vindo da música. Você precisa de outro emprego para pagar as contas e também tem a música, que leva bastante tempo e esforço. Você pode esquecer ter finais de semana de folga ou tirar um para viajar ou descansar.

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– Onde você gostaria de ver a carreira do Hurricane Love em 10 anos?

10 anos é bastante tempo. Muitas bandas nem ficam juntas por tanto tempo, mas espero que nós fiquemos. Queremos muito sucesso viajando e tocando por todo o mundo em grandes palcos. Fazendo shows em Wembley e Copacabana. 😉

– Me diga algumas músicas e bandas novas que chamaram sua atenção recentemente.

Hozier, “Take Me To Church” é algo novo pra mim. Também gosto de artistas suecos como Laleh e The Tallest Man On Earth.

– Podemos esperar uma visita de vocês ao Brasil algum dia?

Adoraríamos. Temos muitos fãs aí no Brasil e seria sensacional fazer um show para eles e retribuir todo o amor que eles nos mandam!

“Don’t Phunk With My Heart”, do Black Eyed Peas, veio diretamente da… Índia? Sim, de Bollywood!

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black-eyed-peasLembram de quando o Black Eyed Peas era uma bandinha pop até que simpática e divertidinha? Nessa época saiu o arrasa-quarteirão “Don’t Phunk With My Heart”, do disco “Monkey Business” (2006) que tocava em TODAS as festas do mundo, em TODAS as baladas, em toda esquina por onde se passava. Fergie era musa, Will.I.am e os outros dois caras (Apl. de Ap e Taboo) que fazem figuração na banda também estavam por lá, fazendo seus versos.

Bom, se eu te contasse que essa música contém dois samples de música indiana, sendo que um deles mostra que a música é praticamente uma versão traduzida? Pois é.

A introdução da música saiu de “Yeh Mera Dil Pyar Ka Diwana”, de Asha Bhosle, música que saiu da trilha de um filme de Bollywood chamado “Don”, de 1978:

A segunda música sampleada, que é a base para o sucesso do BEP, é “Aye Naujawan Hai Sab Kuchch Yahan”, tambem de Asha Bhosle, trilha de outro filme de Bollywood, “Aprahd”, de 1972. Vale a pena ouvir!

Hank & Cupcakes, o casal insraelense que injeta muita arte em seu som provocador e pop

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Foto por Storey Condos

Marido e mulher formando uma dupla pop com som sujo e criativo vinda diretamente do Oriente Médio. Hank & Cupcakes são uma dupla de electropop do Brooklyn formada em 2008, em Tel Aviv, Israel. Sagit “Cupcakes” Shir (bateria, vocais, piano) e Ariel “Hank” Scherbacovsky (guitarra baixo) lançaram seu primeiro EP, “Ain’t No Love”, em 2012, e o primeiro disco completo da carreira, “Naked!”, em 2013, sendo seguido no ano seguinte por “Money 4 Gold”.

O casal se conheceu com 19 anos de idade, quando tocavam em uma banda do exército israelense, em 1999. Shir era cantora na banda, enquanto Scherbacovsky era técnico de som. O casal continuou a tocar juntos em diferentes projetos, começando com uma banda cover dos Beatles, Suzanne Vega, Tori Amos e Paul Simon.

O embrião de Hank & Cupcakes começou em uma banda chamada Maim Shketim (hebraico para “água silenciosa”) com o guitarrista Ronnie Reshef em 2002, quando começaram a escrever canções originais e desenvolver seu próprio estilo musical. O trio se separou quatro anos depois, quando o guitarrista Reshef mudou-se para New York. Shir e Scherbacovsky se casaram naquele verão, em Tel Aviv, e decidiram estudar música cubana em Havana, Cuba. Começaram a trabalhar no projeto Hank & Cupcakes na volta da viagem, 6 meses depois, quando resolveram se estabelecer em Nova York, lar do som criativo e divertido da dupla.

Falei com Hank sobre a trajetória da banda, seus sensacionais videoclipes e arte em geral.

– Li que o nome Hank & Cupcakes apareceu por influência de Charles Bukowski. É isso mesmo?
Sim, o nome é uma referência ao lendário Charles Bukowski que em suas histórias refere-se a si mesmo como “Hank Chinaski” e uma de suas amantes na vida real tinha o apelido de “Cupcakes”.

– Vocês são de Israel. Como sua terra natal influencia o som da dupla?
Há ocasionalmente algumas referências ao Oriente Médio em nossa música, como na música ‘Jimmy’, por exemplo, mas somos bastante influenciados pela cena musical dos EUA, onde nós criamos e tocamos.

Foto por Javier Ortega
Foto por Javier Ortega

– Vocês são casados. Como é trabalhar com seu marido/esposa o tempo todo? A intimidade ajuda na criação das músicas?
Não facilita, necessariamente, e existem muitos desafios devido ao fato de que muitas vezes questões da vida pessoal aparecem no contexto dos ensaios, criação e apresentação, inevitavelmente. Também é uma grande parte da nossa magia e química, já que oferece uma abertura e confiança entre nós como banda. Acredito que você certamente pode ver isso nos nossos shows.

Estar em uma banda, especialmente uma que faz turnês, é sempre desafiador, no sentido de que é uma experiência extrema e intensa e de que não oferece muito tempo pessoal e espaço fora do grupo. Se eu tivesse que escolher uma pessoa para passar por essa insanidade comigo, seria Sagit (Cupcakes). Depois de todos momentos bons e ruins, é sempre bom ir dormir nos braços de alguém que você realmente ama e não algum cara bêbado e fedido…

– Vocês são uma dupla. Quais as funções de cada um na banda?
Cupcakes é a vocalista e toca bateria em pé e eu (Hank) toco baixo com um setup de pedais de efeitos e amp splits.

– Como vocês acham que um videoclipe ajuda a promover uma música, especialmente hoje em dia, quando a Mtv não é mais o que já foi e o Youtube é o maior canal de clipes musicais?
Videoclipes são um meio divertido e artístico no qual nós realmente gostamos de trabalhar. Tivemos a sorte de colaborar com muitos artistas incríveis que realmente gostamos em algum de nossos clipes e criamos nossos últimos 3 vídeos completamente sozinhos. Nós não criamos os clipes para nos promover, só gostamos de criá-los da mesma forma que gostamos de fazer música. Em relação à Mtv e Youtube, não sei o que dizer. Acredito que é apenas a forma que as coisas são hoje em dia, o que também fez ficar relativamente simples a criação de videoclipes independentes.

– Dá pra perceber nos clipes que a arte é uma grande parte do projeto Hank & Cupcakes.
Acho que todas as artes estão de uma forma ou outra concectadas no que se refere a inspiração e beleza se cruzam e podem refletir e enfatizar coisas entre si. O visual muda a forma que a música é percebida e vice-versa. A trilha sonora é uma parte que define um filme assim como uma frase pode dar uma nova luz a uma foto, etc. Em termos de conteúdo, Nova York e os Estados Unidos em geral oferecem uma fonte infinita de inspiração e gostamos de absorver e canalizá-la no que fazemos.

– Que artistas você diria que inspiraram o som de vocês?
É difícil dizer. Crescemos ouvindo músicas muito diferentes do que tocamos. Atualmente estamos ouvindo na van a um show do Doors e antes disso um pouco de Elvis, Spoon, Neil Young e Bob Dylan. Moramos em Cuba por 6 meses e isso foi muito inspirador e como eu disse antes, também há algumas referências do Oriente Médio no meio, em algum lugar. Eu pessoalmente fui muito inspirado por músicos com quem toquei em bandas quando vivia em Israel, especialmente guitarristas.

Foto por Storey Condos
Foto por Storey Condos

– Se vocês pudessem tocar QUALQUER cover, qual seria?
Recentemente alguém sugeriu “Around The World” do Red Hot Chili Peppers e ontem à noite no show eu ouvi alguém pedindo “Transmission” do Joy Division e pensei nessa… Muda o tempo todo…

– Falando em covers e Joy Division, vocês fizeram uma versão de “She’s Lost Control”. Como os fãs de Joy Division reagiram?
Reações de todas formas: algumas pessoas amaram, e algumas, especialmente as que são fãs “religiosos” de Joy Division, não gostam muito quando outras bandas brincam e mudam a versão da música que eles conhecem.

– Como vocês definiriam seu som?
Cru, provocador, pop.

– Que novas bandas chamaram sua atenção recentemente?
Recentemente tocamos com o Of Montreal e eles foram absolutamente incríveis. Além deles: Lucius, Spoon, Die Antwoord, Em and The Mother Superiors, BF/GF, AMFM’s e muito outras bandas que trombamos quando estamos em turnê, mas eu não consigo lembrar dos nomes no momento…

– Quais são os próximos passos de Hank & Cupcakes? 
Disco novo em 2016 e mais turnê!

– Podemos esperar uma visita de vocês no Brasil?
Esperamos que as estrelas se alinhem para isso logo!