Construindo Arnaldo Tifu: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o rapper Arnaldo Tifu, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Pepeu“Nome de Meninas”
Foi um dos primeiros rap que escutei na vida, e pelo fato das rimas serem genuínas é simples incentivou a brincar de fazer rima e estimulou, uma grande referência.

Racionais MCs“Fim de Semana no Parque”
Esse som veio como as vozes das periferias, narrando características fortes do cotidiano. Quando eu escutava essa música e olhava pro bairro, eu via tudo que a música falava: a descrição, a base e a poesia forte, representatividade.

Consciência Humana“Tá na Hora”
Esse rap me ensinou que eu poderia falar do meu bairro, foi uma referência que incentivou fazer rap também, me influenciou a escrever meus primeiros versos.

MC Cidinho e Doca – “Rap da Felicidade”
Esse funk, além da batida miami bass que parece um sampler do Afrika Bambaata da música “Planet Rock”, tem a voz forte que clamava por paz nas favelas. Na época em que foi lançado a linguagem simples e batida dançante contagiou a juventude das favelas do Brasil, e pra nós não poderia ser diferente.

Kool Moe Dee“Go See the Doctor”
Lembro das festinhas de garagem, da casa de máquina do Dudu tocando os flashback e os flash raps que bombavam… O Dudu me deixava limpar os discos em troca de uma ficha e uma Tubaína e ficava me falando como eram os bailes do Clube House e ensinando como eles dançavam em passinhos.

Tim Maia“Ela Partiu”
Música que me ensinou o que era o sampler, por que a primeira vez que ouvi os arranjos desse som foi na música “Homem na Estrada” dos Racionais. Depois que eu escutei Tim Maia entendi como podia se fazer rap através do sample e a importância que o rap tem em resgatar músicas através da arte de samplear.

Raul Seixas“Maluco Beleza”
Meu pai curtia bastante as músicas do Raul, ele tinha várias fitas K7 e sempre colocava essa música em alto e bom som pra gente escutar e cantar, e depois usei as fitinhas tudo pra gravar rap (risos).

Fundo de Quintal“Amor dos Deuses”
Vim do berço do samba e essa música a gente já tocava desde pivetinho nas rodas de samba com meus primos e lideradas pelo meu tio avô, o Tio Cido, que já fazia a gente empunhar um balde, um prato ou uma frigideira pá tocar um samba. Já naquela época a gente ficava encantado com a poesia desse samba.

Facção Central“Artista ou Não?”
Rap de mensagem forte me ensinou desde a primeira vez que eu escutei a identificar o rap como arte.

Rage Against the Machine“Killing In The Name”
Vixi! Essa música marcou meus circuitos de skate, quando tava na febre e ia correr os campeonatinho, já pedia pro DJ tocar essa. Já até me aventurei em cantar numa banda cover do Rage e Beastie Boys (risos).

Planet Hemp“Mantenha o Respeito”
Teve uma época que o hardcore ficou bem forte na minha vida, principalmente com o surgimento de bandas nacionais com a pegada do rap e do rock. O Planet foi muito significante nesta época, foi a época que comecei a ficar mais cabeção no skate e sair mais do bairro pra curtir com outras quebradas e dialogar com diferentes tribos.

Fugees“Killing Me Softly”
A voz feminina do rap/R&B forte e representativa demais, marcou minha vida apaixonado em escutar as música dessa mulher.

Wu Tang Clan“Triumph”
Abriu minha mente pra prestar atenção nos diversos modos de se versar num rap, cada um rimando nessa banca com suas peculiaridades e o boom que foi quando surgiu o Wu Tang, nós curtimos muito.

Criolo“Ainda Há Tempo”
Ainda quando o Criolo era doido, vi um show dele e quando ele cantou essa música ele se emocionou e comoveu o público que estava presente no evento, cerca de umas 70 pessoas. Mas o sentimento e a verdade versados nessa música foi impactante, foi um hino pra minha vida.

Cassiano“Onda”
Música que hipnotiza, mais instrumental e realmente parece que a música é o oceano em movimento, uma das música que me trazem paz.

Herbie Hancock“Chameleon”
Original funk, este groove me inspirou a criar vários versos, levadas e flows, pra mim uma aula. É inspiração e toda vez que escuto fico com vontade de criar.

Arnaldo Tifu“Simplicidade”
Essa música minha é uma obra pela qual eu tenho muito carinho, acho que eu consegui transmitir a simplicidade que vivo no meu cotidiano e que eu almejo para as pessoas do mundo.

Thaíde e DJ Hum“Afro Brasileiro”
Tá aí uma música que me ensinou sobre a minha descendência, orgulho, alto estima e luta.

John Coltrane“Blue Train”
Essa música é sensacional, tipo um teletransporte. Me inspirou a criar alguns personagens, uma nova maneira de explorar a música e introduzir isto no meu universo criativo.

Emicida“Triunfo”
Esse som foi as vozes das ruas da minha geração no rap. Quando Emicida lançou e estourou com este som, me mostrou a possibilidade de fazer a parada acontecer de verdade, pela vitória e pelo triunfo. E como vivíamos todos bem próximos nas rodas de rima de freestyle, esse som foi um hino pra nós. Emicida provou que é possível. E essa música marcou!

10 fitas demo de bandas de rock brasileiro que acabaram virando sucesso nacional

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Fitas Demo
Imagem: UOL Música

Até o começo dos anos 2000, as bandas que estavam começando gravavam fitas demo, mostrando um pouco de seu material em um formato que era mais fácil de se copiar e enviar, inclusive para gravadoras, nas práticas e baratas fitas K7. Nesta imensa lista de demos registradas temos o embrião musical de várias bandas que acabaram estourando e virando sucesso em todo o país, muitas delas ainda fazendo um som bem diferente do que viria a consagrá-los na boca do povo. Confira 10 fitas demo de bandas que viraram sucesso nacional:

CPM22 (na demo, ainda “CPM”)

Uma das demos do CPM 22 mostra que no início a banda investia um pouco em sons um pouco mais “engraçadinhos” do que as músicas que viriam a definir o grupo. Dois exemplos na fita de 1996 (também conhecida como “Como Por Moral”) são “Garrafada do Norte” (“Doutor Deus criou a natureza / E também as belezas dessa vida / O Planet Hemp quer saber por que é essa erva é proibida”) e “Viva o Colorado” (com a singela letra “Pau no cu da Barbie / Viva o Chapolin Colorado”) .

01. Tente
02. Mudança de Personalidade
03. Garrafada do Norte
04. Eu Prometo
05. Viva o Colorado

– Raimundos

Esta demo dos Raimundos já mostra um pouco do que seria lapidado por Carlos Eduardo Miranda no primeiro disco do quarteto candango, lançado pela Banguela Records em 1994. A única exceção é “Sanidade”, já cantada por Digão e lançada oficialmente no disco “Éramos Quatro”, logo após a saída de Rodolfo.

01. Nêga Jurema
02. Marujo
03. Palhas do Coqueiro
04. Sanidade (Digão no vocal)
05. Carro Forte (Bônus)

Charlie Brown Jr.

O Charlie Brown Jr. é quase irreconhecível na fita demo de 1995, a não ser pela voz de Chorão. Com três músicas em inglês, a fita mostra uma banda muito mais calcada no Suicidal Tendencies e com porradas mais violentas do que veríamos em “Transpiração Contínua Prolongada”, quando a banda resolveu cantar em português. Algo ótimo, já que a intimidade do Chorão com a língua inglesa era mínima.

1- Someone to Call
2- Rude Boy
3- Born in the Shit

Planet Hemp

Todas as músicas da rara fita demo de 1993 do Planet Hemp acabaram indo para o primeiro disco da banda, lançado em 1994, com uma grande diferença: a presença de Skunk, fundador do grupo, que infelizmente morreu em decorrência da Aids antes do lançamento do álbum.

01 – Puta Disfarçada
02 – Porcos Fardados
03 – Muthafuckin’ Racists
04 – Futuro do País
05 – Mary Jane
06 – Phunky Buddha
07 – Rappers Reais
08 – A Culpa É de Quem?

Pato Fu

A demo do trio mineiro (hoje em dia quinteto) mostra aquela faceta mais esquizofrênica e divertida capitaneada por John Ulhôa e que lembra o lado mais descompromissado e experimental dos Mutantes. As músicas entraram no “Rotomusic de Liquidificapum”, de 1993, e em “Gol de Quem”, de 1995.

01 – Meu Coração É Uma Privada
02 – Eu Sou O Umbigo Do Mundo
03 – Minhas Férias
04 – G.R.E.S.
05 – Aerosmiths
06 – Obladi – Oblada
07 – Hino Nacional Do Pato Fu
08 – Meet The Flintstones
09 – Vida De Operário
10 – Céreblo
11 – Spoc
12 – O Mundo Ainda Não Está Pronto
13 – Sítio Do Picapau Amarelo

Los Hermanos

Antes do estouro de “Anna Julia”, o quarteto carioca lançou duas demos investindo no hardcore com um quê de marchinhas de Carnaval. Aliás, com o lançamento do primeiro disco com o hit, a banda continuava afirmando “somos uma banda de hardcore!” Depois acabaram assumindo seu lado indie misturado com MPB e estouraram mais ainda.

01 – Descoberta
02 – Azedume
03 – Eu te Dei
04 – Vai Embora

Paralamas do Sucesso

As demos dos Paralamas mostram muito do embrião da banda. Músicas um pouco mais “bobinhas” com letras escritas em sua época de faculdade, como “Rodei De Novo” e “Solidariedade Não”, são citadas no livro que conta a história do trio. “Patrulha Noturna”, presente aqui, chegou a virar hit no primeiro disco da banda.

01 – Verão
02 – Mandingas De Amor
03 – Solidariedade Não
04 – Os Reis Da 49
05 – Encruzilhada Agro-Industrial
06 – Patrulha Noturna
07 – Rodei De Novo
08 – Vital E Sua Moto
09 – Vovó Ondina É Gente Fina
10 – Shopstake

Legião Urbana (na época, Aborto Elétrico)

Outra banda que criou um verdadeiro culto ao seu redor, o Legião Urbana foi em seus primórdios o seminal grupo punk brasiliense Aborto Elétrico. Na época, Renato Russo mirava mais no Johnny Rotten e no Joe Strummer do que no Morrissey em sua performance. Muitas das músicas acabaram sendo adaptadas no Legião Urbana, e todas ganharam versões do Capital Inicial em um disco tributo, já que e Flávio Lemos faziam parte da banda.

01 – Anúncio de Refrigerantes
02 – Boomerang Blues
03 – Dado Viciado
04 – Marcianos Invadem a Terra
05 – Medo
06 – O Reggae
07 – Pensamentos Tão Completos

Autoramas

A demo dos Autoramas mostra que o balanço da banda já nasceu quase pronto. As três canções do trio, ainda com Nervoso na bateria, acabaram entrando no primeiro disco do grupo, “Stress, Depressão e Síndrome do Pânico”, e são pedradas certeiras que continuam nos sets do grupo em shows até hoje.

01. Eu Não Morri
02. Catchy Chorus
03. Tudo Errado

Pitty (na época, vocalista do Inkoma)

Antes de ficar famosa no Brasil inteiro com “Máscara” e seu primeiro disco, Pitty era vocalista da banda punk Inkoma. Na demo dá pra reparar a diferença: um hardcore rápido e a vocalista gritando como a escola do punk rock gosta. As letras fogem bastante do que ela fez em sua carreira solo em sons como “Pirigulino Babilake”.

01 – Mundo Imperfeito
02 – Inquadrado
03 – Naquela da Social
04 – Introporco
05 – Pirigulino Babilake
06 – Pilha Pura

O sample de “Cachimbo da Paz”, de Gabriel, o Pensador, veio diretamente de um clássico da Alpha FM. Duvida?

hugovalente749

Esse sample é um dos que eu mais fiquei de boca aberta ao descobrir. Afinal, meus pais sempre foram adeptos da Antena 1 e da Alpha FM, rádios populares por apostarem em músicas mais “românticas” e até ~bregas~ (que eu, aliás, adoro ouvir). Por isso, eu conheço a música sampleada de cabeça e mesmo assim não tinha juntado ela ao rap “Cachimbo da Paz”, sucesso de Gabriel, o Pensador.

Em 1997, Gabriel, o Pensador voltou ao topo das paradas com seu disco “Quebra-Cabeça”. A música “2345meia78” foi uma das mais tocadas no ano e recuperou o sucesso do rapper, que havia caído com o disco “Ainda É Só o Começo”, que não continha nada como “Lôraburra” ou “Retrato de Um Playboy”, hits de seus disco de estreia, lançado com grande estardalhaço em 1992.

Com participação de Lulu Santos no refrão, “Cachimbo da Paz” falava sobre a legalização da maconha de forma mais “leve” que o Planet Hemp fazia (talvez por isso tenha acontecido uma richa entre Marcelo D2 e Pensador na época). A música conta a história de um índio que fumava o tal (cof, cof) “cachimbo da paz” e quando trouxe o tal produto para a cidade, acabou preso e morto. Sente a maresia:

Primeiro, vamos falar da batida que permeia a música: vieram direto do funk soul “Don’t Change Your Love”, dos Five Stairsteps, a “primeira família do soul”, alcunha que depois foi passada para o Jackson 5.

Agora, vamos à música da Antena 1 que eu citei no título e começo do post. O sample que permeia toda a música de Gabriel e seu índio maconheiro é de Hall and Oates. A dupla, formada por Daryl Hall e John Oates fez muito sucesso nos anos 80 com canções como “Maneater”.

A música “One on One” é uma das mais tocadas no famigerado programa “Alpha By Night”. Com certeza você já ouviu no consultório de seu dentista:

“Kabaluerê”, a música que trouxe toda a ginga samba rock funky de “Qual É”, de Marcelo D2

Quando Marcelo D2 lançou “Qual É”, estava carimbada sua passagem para o mundo do pop (mesmo ele se auto-referenciando como “Pesadelo do Pop”) e a consequente queda do Planet Hemp. Muitos samples brasileiros, um balanço que até então o rap brasileiro ainda não havia explorado com força e as letras malandras e cheias de referências à maconha (se bem que mais comedidas do que no Planet) reforçaram o sucesso com público e crítica.

Em “Qual É”, D2 já começa utilizando uma frase inteira de “Voz Ativa”, dos Racionais MC’s (“Eu tenho algo a dizer / Explicar pra você / Mas não garanto, porém / Que engraçado eu serei dessa vez”), algo que é comum no rap lá de fora, mas aqui causou um certo mal-estar entre o grupo de Mano Brown e o rapper carioca.

Porém, o sample que dá todo o balanço e “dançabilidade” da música vem de Antonio Carlos e Jocafi, com “Kabaluerê”. A música vem do disco “Mudei de Idéia”, de 1971. A dupla, nascida na Bahia, começou a carreira em 1969, no Festival Internacional da canção. Muitas de suas músicas fizeram parte de trilhas sonoras de telenovelas. Entre os outros sucessos estão “Você Abusou”, que ficou conhecida na voz de Maria Creuza.

“Kabaluerê” também foi sampleada em “Comin Thru” por Charli 2na, rapper americano que fez parte dos grupos Jurassic 5 e Ozomatti. Ficou diferente do que D2 fez com a música e usa bem o refrão e título da música.