“More” (1969) – Pink Floyd entre o prog e o heavy metal

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Lançamento: 1969
Direção: Barbet Schroeder
Roteiro: Paul Gégauff e Barbet Schroeder
Elenco Principal: Mismy Farmer, Klaus Grünberg e Heinz Engelmann

Esse é um que pra mim é antes a música que filme. Tendo conhecido já há anos o som metal pesado do Pink FloydThe Nile Song”, fui só bem mais tarde descobrir que fazia parte da trilha sonora dum filme e ainda mais tarde assistir o tal filme. Devo dizer contudo, que o longa tá no nível da soundtrack.

Essencialmente sobre drogas, sobre seus efeitos e sobre como alteram o comportamento social dos indivíduos, o filme “More” de 1969, conta a história do jovem Stefan, recém formado em matemática, em “busca do sol” e do seu relacionamento com uma menina parisiense na praia de Ibiza. Em algum tipo de relação com um velho alemão (Wolf), a moça (Estelle) não se permite ficar junto do matemático e esconde mil coisas que não ficam muito claras, mas que parecem ter ligações com o tráfico de drogas pesadas. O Stefan por outro lado, apresenta um comportamento possessivo ridículo, exigindo dela uma submissão absurda e sem entender nada do que se passa na relação que ela tem com o velhinho.

Com um passado embrulhado em heroína, Estelle acaba fugindo do Wolf com o jovem Stefan, pra levar uma vida mais calma. Contudo, leva junto de si alguns pacotes de “cavalo” roubados do velho e aí dão várias merdas.

Cena do filme que ilustra a capa do disco

Acompanhando toda essa exposição da realidade da contracultura hippie da época com seus prós e contras, aparece a trilha sonora. Feitas especialmente para o filme, as músicas do Pink Floyd embalam o ritmo psicodélico das viagens com sons que variam entre o prog, o jazz e o metal.

Já tendo feito a trilha deTonite Let’s All Make Love in London em 67, a do filme de 69 foi a segunda da banda, já marcada por um estilo que seria o dos discos dos próximos anos, como o Obscured By Clouds e o Meddle, com um prog bastante experimental.

Mas apesar do forte progressivo, há uma música que foge um pouco desse estilo e pra qual cabe uma atenção mais que especial. “The Nile Song” é um heavy metal heavy mesmo, com uma puta letra genial e que foi lançada junto com o filme, um ano depois da formação do Black Sabbath (que teriam sido os primeiros do gênero) e um ano antes do lançamento do primeiro disco do Black Sabbath. Ainda fugindo um pouco do prog clássico pinkfloydiano, mas cheia de sintetizadores, tem “Up The Khyber”, um jazz com uma bateria bastante à la Thelonious Monk.

Tendo já dado o destaque pra genialidade “prafrentex” da banda, voltemos ao prog. “Cymbaline”, que foi tocada depois em muitos shows e que parece ser a mais famosa do filme, mistura o estilo que viria a se tornar a marca do Pink Floyd com a influência “barretiana” do “Saucerful of Secrets” criando uma viagem muito única! “Cirrus Minor“, num estilo parecido, mas mais instrumental, é outra que traz uma carga excelente pra deitar no chão e entrar numa trip muito loka!

De resto, assistam/ouçam pra descobrir!

Segue em link o trailer e a trilha sonora:

Trailer:

Trilha Sonora:

Quem sampleou os Beatles? Dica: vai de Frank Ocean a Pink Floyd!

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Beatles

Você pode ou não gostar de Beatles, mas uma coisa não dá pra negar: eles mudaram a música popular pra sempre. Apesar de existirem conspirações que dizem que, se uma pessoa não fizer nada, outra faz, na realidade em que vivemos, no universo em que nos encontramos, na realidade à qual pertencemos, John, Paul, Ringo e George fizeram história. Então, em comemoração ao 54º aniversário do EP “The Beatles (No. 1)” resolvemos listar alguns dos samples mais populares do quarteto inglês, de acordo com o site WhoSampled. Alguns pela sua popularidade, outros pela sua peculiaridade.

1) Frank Ocean – “White Ferrari” (2017)

A baladinha, lançada em junho deste ano pelo cantor, possui sample da música Here, There and Everywhere“. Ocean já havia sampleado Beatles anteriormente na música “Seigfried”. O sample em “White Ferrari” começa exatamente aos 1:25 do vídeo abaixo:

2) Gary Clark Jr. – “Numb” (2013)

Este caso não é apenas de um sample, mas sim é usado apenas o baixo de Come Together com a guitarra por cima cima. O resultado pode ser percebido, com o som do baixo limpinho de Paul McCartney acompanhado de uma guitarra suja com um timbre meio Black Keys.

3) Pink Floyd – “Let There Be More Light” (1968)

Essa é um dos samples que mais me chamou atenção. Primeiro, como falo desde me conheço por gente, o Placebo plagiou essa música do Pink Floyd na sua Taste In Men, isso é algo que ninguém me tira da cabeça. Segundo, eu escuto essa música desde sempre e nunca tinha percebido que existia um sample de “Lucy in the Sky with Diamonds” exatamente aos 2:51. Clique abaixo e ouça com seus próprios ouvidos.

4) Wu-Tang Clan + Erykah Badu, Dhani Harrison e John Frusciante – “The Heart Gently Weeps” (2007)

O nome já entrega que a música sampleada é While My Guitar Gently Weeps, do famoso Álbum Branco lançado em 1968. O curioso é que, assim como a faixa do Gary Clark Jr. citada acima, aqui foram usados elementos apenas das vozes da música original e a batida que marca a entrada do rappers.

5) The Beatles – “I Saw Her Standing There” (1963)

Pra ficar uma parada mais justa, vai rolar uma inversão no quinto lugar. Os Beatles, em 1963, lançaram seu primeiro álbum, “Please Please Me”, com músicas originais e covers. Uma das originais é “I Saw Her Standing There”, que abre o disco. Se você ouvir esta música e depois I’m Talking About You, de Chuck Berry, vai perceber que a linha de baixo é… idêntica! Sample ou Paul McCarntey encarnou Reggie Boyd?

Construindo Stringbreaker and the Stuff Breakers: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Stringbreaker and the Stuff Breakers, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Led Zeppelin“Communication Breakdown”
Guilherme: Foi a música que me fez querer tocar guitarra, lembro de ouvi-la e travar na frente do rádio. Depois disso, nada mais foi como antes. Se não fosse por “Communication Breakdow”, não estaríamos tendo essa conversa agora.

Jeff Beck“You Know What I Mean”
Guilherme: É a faixa que abre o “Blow by Blow”, uma demonstração de que é possível fazer Rock com balanço, peso, pegada e instrumental! Foi uma paixão a primeira audição e também a influencia definitiva na composição do nosso primeiro álbum.

Rival Sons“Pressure and Time”
Guilherme: Rock’n’Roll à moda dos 70’s com uma mix forte, clara e atual. Sem dúvida uma referencia de como queria que os nossos discos soassem. Linguagem oldschool e gravação contemporânea.

Joe Bonamassa“Slow Train”
Guilherme: O que esse cara faz com a guitarra é coisa de outro mundo! Sem dúvida é uma grande influencia e uma grande inspiração! Além disso, acredito que ele também tem grande importância ao trazer o blues e o blues rock de volta aos holofotes!

Blackberry Smoke“Up In Smoke”
Guilherme: Descobri o Blackberry através da banda onde conheci o Sérgio, Hellbilly Rebels, eles tocavam “Up in Smoke” nos shows e pirava no som. Além da descoberta de uma das bandas que certamente, hoje é uma das minhas favoritas, ainda tem essa coisa de marcar o começo do nosso trabalho juntos.

Hellbilly Rebels“Motor Heart”
Guilherme: Eu produzi o primeiro disco da Hellbilly, banda em que o Sérgio é baterista também. Foi trabalhando nessa música que encontramos uma enorme semelhança de referencias e gostos musicais. Acho que foi por aí que começou a parceira que virou o StringBreaker & the StuffBreakers.

Jimi Hendrix“Little Wing”
Guilherme: Outra aula de guitarra! Tem muito dela no jeito de conduzir as bases do StringBreaker. Aliás, não só no String… Nem precisa procurar bem pra ouvir o estilo do Hendrix conduzir as bases em vários guitarristas, de SRV a John Mayer.

Philip Sayce“Save Me From Myself”
Guilherme: Mais uma referencia de linguagem, fraseado, composição e som de guitarra! Blues Rock da pesada com vibrações dos anos 70! Destaque para o riff principal e para solo!

Camel“Nimrodel – The Procession – The White Rider”
Guilherme: Essa música é uma viagem musical incrível! Trocas de clima, andamentos, timbres e tudo mais. Progressivo de primeira! Estava ouvindo muito Camel na época em que trabalhavamos no “Re-Breaker” e acho que tem um pouco dessa vibe em algumas músicas. “Área 78” representa bem essa influencia.

Led Zeppelin“Bron-Yr-Aur”
Guilherme: Belíssima faixa acústica do “Physical Graffiti”, que é um dos meus discos preferidos do Led Zeppelin. Gosto muito das composições acústicas do Page e de fato elas me influenciaram muito nas faixas “Rainy Afternoon In Gonçalves” do nosso primeiro álbum e tanto em “Freedom Walk” como no “Requiem in F#m” que estão no “Re-Breaker”.

Deep Purple“Burn”
Sérgio: Uma faixa literalmente QUENTE! Ela traz com maestria a sensação da correria e do caos da invasão de uma bruxa numa vila pacífica como se fosse um filme. Vale a pena conferir a versão do California Jam de 1974. Menção mais do que honrosa para a faixa “You Fool no One”, do mesmo álbum “Burn” e presente no mesmo show! Deep Purple foi uma das bandas que quando eu ouvi pela primeira vez sabia que estaria comigo pelo resto da vida. A sensação de “é isso que eu quero” foi imediata e permanece.

Led Zeppelin“Achilles Last Stand”
Sérgio: Essa é música avassaladora, instigante e empolgante da primeira à última nota, e que te deixa órfão quando acaba querendo mais rock. Uma música de 10 minutos que quando você se dá conta acabou e você está boquiaberto se perguntando o que houve. Led é um ponto comum pra nós, definitivamente uma das pedras de fundação do String.

Rush“Tom Sawyer”
Sérgio: Grande faixa da banda canadense! Fazemos inclusive uma homenagem na versão ao vivo da “Travel at the Southern Lands” incluindo o solo de bateria original do Rush. Tem diversas aparições das levadas de condução Peartianas em sons do string, e a clássica virada de caixa na “Rock’n’Roll CAPO”!

The Who“We Won´t Get Fooled Again”
Sérgio: Definir “Pedrada rock”? Está aí, só ouvir! O Who é INTENSO! Tentamos trazer elementos dessa energia em diversas músicas nossas. Destaque para as linhas de baixo que são espetaculares.

Beatles“Strawberry Fields Forever”
Sérgio: Beatles tem bastante coisa muito interessante na carreira inteira, mas esta música é da fase da carreira deles que me soa mais densa e mais interessante. Ela mostra como um acorde triste na progressão muda o clima tão bruscamente que parece que o céu escurece e vai chover na hora.

Pink Floyd“Shine on You Crazy Diamond”
Sérgio: Pink Floyd é uma banda mestre em climas e texturas, e em algumas músicas traz um crescendo do mood mais tranquilo para um rock mais forte, sempre se apoiando em riffs marcantes quando sobe o peso. Este é um elemento genial, que procuramos aproveitar no nosso som também, a exemplo da nossa música “Eventide”.

Styx“One With Everything”
Sérgio: Uma música que está presente em um dos shows que abriu meus horizontes. “Styx Live with the CYO Orchestra” é uma verdadeira aula de rock. O baterista do Styx é o genial Todd Suchermann, autor de um dos melhores métodos de bateria e uma grande influência pra mim.

Kansas“Carry on my Wayward Son”
Sérgio: Uma das primeiras músicas que eu ouvi no universo do rock. Basicamente minha cabeça explodiu com os coros, os hammonds, o solo de guitarra, mudança de ritmo no final, solos, etc. Essa é uma música completa, uma das melhores já gravadas na história do Rock, na minha humilde opinião (junto com “Easy Lover” do Phil Collins, mas estou ficando apertado de músicas (risos)).

Dave Matthews Band“#41”
Sérgio: Apesar dessa banda ser do universo mais country/pop, ela conta com um baterista genial, o grande Carter Beauford, e um ponto chave: o bom gosto. A grande contribuição dele pro meu play é justamente a preocupação com o bom gosto, sem deixar de colocar detalhes muito interessantes nas músicas, mas que não se sobressaiam demasiadamente. Minha filosofia de boa composição é o “fácil de ouvir, bonito de ver e difícil de tocar”, e esse cara é MESTRE nisso! Tem umas coisas bem na linha dele na “Pigeon Turn On” e na música nova “Take 25”.

Queen“Bohemian Rhapsody”
Sérgio: Impossível começar e não terminar. E não cantar junto também! As trocas de partes, mudanças de climas e o modo como a história é contada é surreal. Tentamos fazer isso nas histórias do String como “Railroad Aboosin´” e “Area 78” por exemplo, mas com o agravante de não termos letras.. e nem o Freddie (boa sorte pra gente (risos)).

Pink Floyd sampleou a voz de Stephen Hawking em “Keep Talking” (1994)

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Em 1994, o Pink Floyd, grupo inglês de rock progressivo, terminava de gravar o que seria seu último registro de estúdio, o aclamado “The Division Bell”. Assim como todos os discos dos ingleses, esse possui músicas que marcam a criatividade de uma banda, mesmo após quase 30 anos de existência. “High Hopes”, a última música do disco, cuja letra deu nome a “The Endless River”, disco de sobras lançado em 2014, é um dos pontos altos não apenas do disco, mas também da extensa discografia da banda. Outras músicas que fizeram bastante sucesso foram “Take it Back”, “What Do You Want From Me” e “Keep Talking”.

Também em 1994, a British Telecom lançou uma peça publicitária que tinha a participação do físico teórico e cosmólogo Stephen Hawking, então com 54 anos. No anúncio, feito pela agência Saatchi & Saatchi, Hawking começa falando: “por milhões de anos a humanidade viveu como os animais. E alguma coisa aconteceu, que permitiu usarmos o poder da nossa imaginação: nós aprendemos a falar”. Com aproximadamente 1 minuto e meio, a mensagem foi tão forte que fez David Gilmour, vocalista, guitarrista e principal compositor do grupo, considerar como uma das melhores peças publicitárias já feitas.

Em uma entrevista de rádio, o músico contou que “ele [Hawking] sofre de uma doença degenerativa, está numa cadeira de rodas, não pode falar, e sua voz é sintetizada por uma coisa computadorizada feita especialmente pra ele. Eu acho que ele só consegue mover um dedo, bem pouquinho, e seu trabalho é feito apenas com isso”. O comercial foca no poder da fala, de como ela possibilitou fazermos o impossível, também de como a falta dela causa destruição, guerras e sofrimento, e da importância de continuarmos conversando. “Sua voz estava no anúncio, e esse anúncio quase me fez chorar. Eu nunca senti isso antes”, prossegue, “[esse] foi o comercial de televisão mais poderoso que eu já vi na minha vida. Eu achei fascinante.”

Após este choque inicial, Gilmour achou interessante usar a voz de Hawking em uma de suas novas músicas. Entrou em contato com a agência de publicidade e perguntou se ela poderia disponibilizar a voz usada no comercial. Com o material em mãos, a voz foi modificada, para encaixar no tempo da música, e a música foi adaptada, para que tudo fizesse sentido. O resultado é simplesmente uma música belíssima que fala muito sobre um problema bastante atual: a falta de comunicação entre as pessoas, entre os povos, entre países. Precisamos conversar mais, pois só o poder da conversa pode construir o impossível.

“The Wall” (1982) – O mal estar da civilização numa perspectiva Floydiana

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The Wall

Pink Floyd – The Wall
Lançamento: 1982
Diretor: Allan Parker
Roteiro: Roger Waters
Elenco Principal: Bob Geldof, Christine Hargreaves e James Laurenson

Antes de tudo, queria dizer que foi extremamente trabalhoso fazer esse texto. Além da minha conexão com o filme em questão ser muito forte, toda vez que punha Pink Floyd pra me inspirar, só entrava numa brisa intensa e absurdamente profunda (porque é isso que Pink Floyd faz). Foi ainda bastante desafiador fazer isso sem ficar muito intelectualóide, mas nisso já acho que não tive tanto sucesso… Enfim, fica aí o texto sobre o que é pra mim, a maior obra de todos os tempos. Valeu! Curtam aê!

Imagético, sensitivo e alucinado, o filme faz a partir do disco “The Wall” do Pink Floyd de 1979, uma grande reflexão sobre os muros que nos cercam (individual e socialmente) e suas construções numa perspectiva claustrofóbica que só soma mais tijolos no muro. Contando com o Bob Geldof (vocalista do Boomtown Rats) no papel do protagonista, o musical que é um amontoado de clipes, se constrói como sendo as alucinações dum músico famoso (Pink) em uma viagem lisérgica no seu quarto de hotel antes dum show, misturando lembranças de sua infância com as do seu casamento e paranoias de todo o tipo, criando imagens oníricas dignas das mais intensas interpretações freudianas. As animações do Gerald Scarfe que transfiguram os desenhos do artista, reforçam a potência sonhadora da obra além de darem uma baita ajuda na decodificação das alucinações do cara.

O álbum que inspira o filme é por si só já uma ópera (obviamente sem a parte visual). Bastante auto-biográfico e marcando, junto com o “Final Cut” de 83, o momento da banda de discos DO ROGER WATERS (o que, com razão, deixou os outros membros meio putos), o disco conta a história dum músico famoso que cresceu sem o pai morto na guerra, com uma super proteção da mãe, uma repressão bizarra na escola e por fim já em sua fase adulta, uma uma decadência em drogas que “faz parte do trabalho”.

Sobre o disco, ainda, vale ressaltar o trabalho do produtor e engenheiro de som Bob Ezrin, responsável pelas falas que acompanham as músicas, introduzindo-as e conectando-as, reforçando o caráter operesco do álbum.

Voltando à questão temática, o muro são milhares de muros. São os que construímos ao redor de nós mesmos, mas é também o muro de Berlim (o filme é de 82, a tensão pra queda já tava bem forte) são os muros impostos socialmente que dizem “estes aqui, aqueles ali”, são os muros feitos de carros de luxo que erguemos pra nos defender de nós mesmos (o filme trabalha durante toda sua extensão com a tensão que existe entre o eu e o cara do espelho) e ainda mais uma série de outros que eu ainda na décima vez em que assisto não percebi. O que vai ficando cada vez mais claro pra mim, são as maneiras como o Pink (o cantor personagem no filme) se desespera constantemente com os tijolos que o cercam e tenta quebrá-los em atos de loucura exacerbados e destrutivos (é necessário destruir a si mesmo pra destruir o muro?).

Is there anybody out there?

Esse tal desespero que é meio que a marca duma boa gama de músicas do grupo, e que é marcado sempre com os solos psicodélicos e as letras apocalípticas que indicam “dissociação de identidade”, aparece na “ópera” com os surtos do Bob Geldof pulando e quebrando tudo, xingando o mundo da janela do quarto.

O filme é ainda cheio de referências à banda, como o momento em que o professor lê a poesia escrita pelo Pink criança e a tal poesia é um trecho de money (“New car, caviar, four star daydream/ Think I’ll buy me a football team“). Também quando o cantor entra no banheiro do quarto, raspa a sobrancelha, corta curto o cabelo, raspa os pelos do peito e deixa sangrar umas gotas pelo corpo, é uma referência ao Syd Barrett (fundador do Pink Floyd) que uma vez abandonou um jantar, foi pra casa, raspou a cabeça e voltou ao jantar como se nada tivesse acontecido.

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

Construindo Van Der Vous: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Van Der Vous, banda de rock psicodélico de Salvador, Bahia, mostrando quais sons influenciaram suas composições.

The Doors“Break on Through (To The Otherside)” (1967)
A banda The Doors é uma grande influência para o disco “La Fuga”, principalmente pela vocalização. Influenciado especialmente pela poesia de Jim Morrison, as improvisações e em algumas baterias que foram criadas para o disco, como a questão da bateria latina com influências da bossa-nova, claramente exposta na música “Break On Through (To The Other Side)”.

The Doors“People Are Strange” (1964)
Entre as grandes músicas do Doors que influenciou nossas composições estão “The End”, “When the Music’s Over” e “People Are Strange”. No nosso disco enxerga-se essa influência marcante nas músicas: “What You Need”, “You Know”, “Cirque de Júlia”, “Back to Reality”.

Cream “Sunshine of Your Love” (1968)
O Cream, com as longas improvisações blueseiras e os louváveis solos de Eric Clapton, é maior influência com relação às improvisações de guitarra.

Cream“Strange Brew” (1968)
O Cream misturava a psicodelia com o blues e ao vivo transcendia os ouvintes com longas e magníficas improvisações.

The Beatles“I Want you (She’s So Heavy)” (1968)
Em algumas músicas percebe-se a nuance psicodélica do Beatles, principalmente na música “Cirque de Júlia” do nosso disco, na caída que lembra a música “I Want you (She’s So Heavy)”.

The Beatles“Being For The Benefit of Mr. Kite!” (1968)
Incríveis efeitos sonoros.

Pink Floyd“Bike” (1967)
O primeiro disco do Pink Floyd, “The Piper At The Gates of Dawn”, teve profunda influência na decisão de entrar na psicodelia de cabeça.

Pink Floyd“Astronomy Domine” (1997)
O disco mostra a criatividade de Syd Barrett em suas composições cósmicas e ácidas, como em “Astronomy Domine”. Ouvir a música “I Get High” do nosso disco.

Os Mutantes“Mágica” (1969)
A música mais viajante dos Mutantes.

Os Mutantes“A Hora e a Vez do Cabelo Nascer” (1972)
Incrível riff e solos.

Black Sabbath“Wicked World” (1973)
O peso do Black Sabbath é uma das nossas inspirações, não apenas nos improvisos (uma das influências do Black Sabbath é o Cream!), mas nas músicas também.

Black Sabbath“N.I.B” (1973)
O disco “Live At Last” teve profunda influência na minha forma de solar e de compor algumas músicas, como em “Behind The Wall Of Your Pain”, que apesar de ter o nome parecido com uma música do Sabbath, é totalmente original. Algo como se o The Doors e o Sabbath tivessem tido um filho.

Nirvana“Territorial Pissings” (1991)
Eu mesmo fiz a mixagem do disco “La Fuga” e fui influenciado pela compressão utilizada no “Nevermind”.

Nirvana “Breed” (1991)
Podemos perceber algumas influências como em “Come Alone and Play”, que traz uma pegada mais grunge ao nosso disco.

Tame Impala“Its Not Meant To Be” (2011)
Quando ouvi essa banda pela primeira vez eu pirei. Um rock psicodélico atual e ao mesmo tempo sessentista, com improvisações fodas, principalmente no disco “Innerspeaker” (o primeiro deles).

Tame Impala“Sundown Syndrome” (2010)
Ouvir a música “Mind Changes’ do nosso disco “La Fuga”.

Mac Demarco“Chamber Of Reflection” (2012)
Influencia para o novo disco da banda, dá para escutar no novo single “Poesia Lunática” lançado em 2016.

Caribou“Melody Day” (2007)
Buena sonoridade psicodélica com influenciou a música “Somehow” do disco “La Fuga”.

Dungen“Fredag” (2008)
Influencia direta do Tame Impala que acabei usando como influencia para música “Somehow” do disco “La Fuga”.

Lô Borges“Homem da Rua” (1972)
“Sonho no chão
E a festa não apaga
O estranho silêncio na rua.”

Ouça a playlist com as escolhas da banda:

Construindo GRITO: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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GRITO

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto de Barretos GRITO apresentando os 20 sons que mais influenciaram o som da banda.

Jimi Hendrix“Spanish Castle Magic”
Rock Bruno: O maior presente que a minha mãe me deu foi me apresentar a esse cara. O cara. A urgência é tão grande que você consegue sentir que as músicas são tocadas por necessidade: se elas não forem tocadas, o mundo vai acabar. Sem ele, o rock seria diferente, menor.

Pink Floyd“Time”
Rock Bruno: Aqui se deu a primeira viagem pelo mundo dos álbuns conceituais. A riqueza sonora é tão grande que a imersão acontece muito facilmente. Sem falar que a música “Time” contém o meu solo favorito do David Gilmour.

Mercyful Fate“The Uninvited Guest”
Rock Bruno: Me lembro como se fosse ontem. Eu estava na frente de casa. Meu irmão e alguns amigos nossos estavam vendo um VHS com clipes de heavy metal na sala. Começou a tocar uma música que imediatamente prendeu minha atenção. “Que p**** é essa que tá tocando?!”. Aí eu vi a cara pintada que me fez entrar na minha fase metaleira. Guilherme e eu tocamos muito essa música quando moleques.

King Diamond“The Jonah”
Rock Bruno: Olha o rei aí de novo. E outra música que tocamos bastante. Pouco tempo após conhecer o Mercyful Fate, conferi os trampos da banda King Diamond. Fiquei extasiado com seus álbuns que contavam histórias, com cada música sendo como que um capítulo de um livro de terror. A influência desse trabalho de narrativa no GRITO não poderia ser mais óbvia.

Bathory“The Lake”
Guilherme Silveira: Bathory é um nome muito marcante, por mostrar a união entre aspectos tidos como extremos e outros rebuscados e minuciosos. Quando se tem 15 anos, esses aspectos tendem a ser entendidos como antagônicos. O álbum “Blood on Ice” traz tudo isso e a música “The Lake” carrega em si todo o poder épico de uma canção, grandiosa e fora dos padrões para a música pesada. Cada detalhe ficou marcado para sempre na minha cabeça, dos violões delicados à bateria pesadíssima que conduzem até o longo e maravilhoso refrão, ensinou o que é construção em música, para além da canção.

Alice In Chains“Rain When I Die”
Weverton Valini: Na minha opinião, Jerry Cantrell é um dos guitarristas mais subestimados de todos. Ainda que ele seja um bom solista, a atmosfera densa e pesada de cada arranjo desse cara é algo assustador. E nessa música não é diferente. A primeira vez que ouvi ‘‘Rain When I Die” só pude pensar em uma coisa, “eu queria ter composto essa música”.

Black Cobra“Interceptor”
Rock Bruno: Eu adoro ouvir músicas que me dão vontade de quebrar coisas à minha volta e essa música causa exatamente isso. Lá no começo dos anos 2000, eu tinha dificuldade de encaixar minhas músicas no estilo da minha banda da época, que fazia um heavy metal tradicional, e eu não sabia pra que lado guiá-las. O Black Cobra me trouxe um tipo de música que eu, até então, nunca tinha ouvido e que foi o primeiro sinal de que havia esperança pras minhas músicas.

Kekal“Isolated I”
Rock Bruno: Surgido da improvável Indonésia, o Kekal foi o responsável pelo meu maior choque na música. Existe o Rock Bruno antes do Kekal e o depois do Kekal. Conhecer o álbum “The Habit of Fire” me ajudou a quebrar tantos paradigmas que eu nem consigo enumerar. O álbum simplesmente tem tudo e de uma forma que funciona, sinal de que entre os membros, sobretudo o líder Jeff Arwadi, há um extremo bom gosto musical. É realmente uma pena que a banda não receba o devido reconhecimento.

Lento“Need”
Rock Bruno: Temos grandes bandas por aí capazes de soar pesadíssimas, mas só o Lento consegue tanto peso com tão pouco. Mesmo não usando guitarras superdistorcidas, ao ouvir a banda você sente o peso de montanhas sobre as costas e ao mesmo tempo é capaz de voar sobre elas. Esquizofrenizante.

Stinking Lizaveta“Indomitable Will”
Guilherme Silveira: Crua e viajante, essa música do Stinking Lizaveta expressa exatamente isso, uma vontade indomável de expor, de gritar de forma urgente, ainda que não desesperada. Não é necessária uma grande orquestra ou muitos instrumentos para fazer algo grandioso. Desde a primeira vez que ouvi esses poucos 2 minutos e 50 segundos me tomaram e falaram algo com muito mais propriedade do que qualquer letra poderia falar. A cadência e a cama formada pela base cavalgada, com certeza são influências diretas para as composições das quais participo.

Cloudkicker“From the Balcony”
Rock Bruno: Ao ouvir o Cloudkicker, banda “de quarto” de Ben Sharp, eu finalmente fui capaz de dizer: é isso! Apesar do GRITO soar bem diferente, vários dos seus elementos sonoros estão presentes aqui, de uma forma ou de outra. A cada lançamento ele demonstra mais maturidade. Após anos de terreno semeado, o Cloudkicker forneceu a energia que faria o GRITO nascer pouco tempo depois.

Macaco Bong“Amendoim”
Gui Pereira: Foi a primeira música instrumental que ouvi e me chamou atenção, ela é a responsável por hoje minha playlist ser 95% instrumental, me apaixonei logo de cara! Desde a introdução até o último riff da guitarra, essa música tem tudo perfeito, o tempo, a guita, batera, baixo, é tudo milimetricamente encaixado!! Graças ao álbum “Artista Igual Pedreiro” hoje sou um amante do rock instrumental.

sgt.“Apollo Program”
Rock Bruno: Foi através dessa música que conheci a cena japonesa de post-rock, pela qual tenho profunda admiração. Além disso, a verve minimalista das harmonias e arranjos, assim como algumas características da “cozinha” da banda, fazem o sgt. uma grande influência na sonoridade do GRITO.

Russian Circles“Youngblood”
Gui Pereira: É a música perfeita, na minha opinião! É pesada, tensa e tem uma profundidade sem igual! Foi outra das músicas que me trouxeram ao instrumental. O que mais me chama atenção na “Youngblood” com certeza é performance do baixista Colin DeKuiper, sem dúvida o timbre pesado do seu baixo é o meu favorito.

“Schakles”
Rock Bruno: É uma das músicas mais lindas e originais que já ouvi, pois através de uma levada de batera nada usual você de repente se vê alvo de uma violência musical inacreditavelmente agradável. Uma das melhores bandas de sempre.

Intronaut“Killing Birds With Stones”
Weverton Valini: O Intronaut me ajudou a amadurecer muito como guitarrista, principalmente depois da minha entrada no GRITO. Saindo um pouco do 4/4 e entrando compassos mais complexos, suas músicas fizeram com que eu me empenhasse mais como músico, mas não tecnicamente e sim como ouvinte, percebendo que às vezes do mais simples arranjo pode ganhar mais força o mais bem elaborado e complicado riff ou solo de guitarra.

Ronald Jenkees“From the Arrow Loop”
Rock Bruno: Um cara que faz música eletrônica instrumental também no seu quarto, principalmente hip hop, de maneira criativa e divertida. Muito legal ver a evolução do trabalho dele, que no início era fortemente calcado em improvisações. Em seus trabalhos mais recentes, no entanto, suas composições evoluíram bastante na forma, ganhando muito em senso de unidade e capacidade de diálogo.

Boris“Feedbacker”
Guilherme Silveira: Conhecer Boris foi um salto musical para mim. Já ouvia alguns sons nessa linha, como o Sunn O))), mas foi com o Boris, na música “Feedbacker”, que pude ter uma compreensão maior desse gênero. Quando misturam grandes períodos de paredes sonoras, intercalando outros momentos com voz e base lamacenta, criam um todo muito instigante. Passei dias deixando essa música no repeat enquanto desenhava. Sempre me levou a outros mundos e moldou não só a minha forma de pensar e compor música, mas também o desenho e as histórias em quadrinhos que faço. Influência direta e total.

Sleeping in Gethsemane“Of Giants”
Rock Bruno: O último álbum do SiG, “When The Landscape Is Quiet Again”, é uma obra-prima. Não há nenhum momento de baixa, todas as músicas são marcantes. A banda, na época, estava no seu auge, exibindo muita energia e melodia, oferecendo um estilo único que aliava ao post-rock uma série de influências de outros gêneros musicais. Além de tudo, a música “Of Giants” é uma das minhas favoritas de todos os tempos. Uma pena a banda ter acabado, pois tinha força pra ir muito longe.

Képzelt Varos“Kepler”
Rock Bruno: Eu não me lembro como foi que conheci essa banda húngara, mas a sua música se destaca naquilo que pra mim, como compositor, é o mais importante – não a técnica, nem a complexidade, mas a forma. Suas músicas trazem ideias simples, porém encaixadas da melhor maneira possível. Um exemplo para o GRITO quanto ao aproveitamento de ideias musicais simples para conseguir grandes efeitos.

Construindo Amphères: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Amphères

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o trio Amphères que indica suas 20 canções indispensáveis.

Joe Cocker“With a Little Help From My Friends”
Jota Amaral: A versão 1969 de Joe Cocker naquele Woodstock foi a primeira vez que vi a música sair dos poros de alguém.

Pixies“Gigantic”
Jota Amaral: O dia que conheci a Paula ela estava se preparando para ensaiar com uma banda, timbrando o baixo e dedilhando esta música.  “Você gosta de Pixies?”, perguntei… Um mês depois estávamos com uma banda montada e mandando vários covers de Pixies. Era uma banda de fãs. Foi muito maneiro irmos todos juntos num show que teve no Lollapalooza anos depois.
Pink Floyd“Echoes”
Jota Amaral: Comecei a tocar com o Thiago numa banda que ele já tinha, substituindo nosso grande amigo Luizão. O nome da banda era Echoes. Em meados dos anos 90 eles, junto com o baixista e compositor Sansei, gravaram um EP que eu adoro. Uma pena não ter nada disso no Spotify. Posso dizer que esse som me influenciou muito, já que tive que tirar as linhasdoidas de batera do Luiz. As músicas próprias não tinham tanto a ver com essa música do Floyd, mas sempre tinha o momento de tocarmos Echoes nos ensaios.

Caetano Veloso“Jokerman”
Jota Amaral: É muita camada sonora numa única música. O arranjo é construído de forma progressiva. Um entra-e-sai de instrumentos diversos … Vários elementos percussivos somados a textura de um flatless com timbrão de avião mono motor passando longe no céu. Tem características brasileiras mas é universal. Poderia fazer uma dissertação sobre essa versão do Caetano pra canção de mister Bob Dylan.


John Zorn
“You will be Shot”
Jota Amaral: Sempre brincamos nos ensaios com essa coisa da tempestade e calmaria. Da mudança brusca de climas sonoros que John Zorn explora em níveis de insanidade bem altos.

Jorge Drexler“Tres Mil Millones de Latidos”
Jota Amaral: Como baterista, a ideia de subverter o instrumento é um desafio. Tocar pela busca do som que se deseja e não pelas convenções…Se estamos nesse mundo de passagem, porque o chimbal tem que ficar onde fica? porque a caixa tem que ter a esteira sempre ligada? E se meu coração bater apenas três bilhões de vezes? O que me impede de substituir as baquetas pelas mãos? Foda-se! Vou montar uma percuteria e morar em São Tomé.

Astor Piazzolla“Libertango”
Jota Amaral: Pode não parecer, mas isso é uma música de rock com um “vocal” triste e sexy. O bandoneón fala uma língua própria. Ele tem essa propriedade que alguns instrumentos de sopro tem, de conseguir expressar quase que literalmente os sentimentos. O casal batera & baixo vai muito bem, obrigado.

Sex Pistols“Bodies”
Thiago Santos: Se o rock bateu em mim quando pré adolescente, começou mesmo pela simplicidade e agressividade de Pistols e Ramones.
Pink Floyd“Remember a Day”
Thiago Santos: Ainda moleque, depois de ouvir muita música pesada, descobrir o Floyd foi abrir uma nova dimensão sonora e sentimental. Crescendo no fim dos 80, começo dos 90, fiz o caminho inverso do rock, e enjoei da crueza do punk/heavy pra descobrir a psicodelia dos 70.
Sonic Youth“Cinderella’s Big Score”
Thiago Santos: a primeira vez que ouvi achei que tinham me dado a fita por engano, tamanha estranheza… depois de compreender as dissonâncias, Sonic Youth (junto com Pixies) expandiram bem os horizontes.
Chico Buarque“Construção”
Thiago Santos: Ao admitir ouvir samba novamente e redescobrir esse arranjo, imaginava se John e Paul tivessem escutado essa música o que eles comentariam lá em Abbey Road.
Novos Baianos“Tinindo Trincando”
Thiago Santos: Junção perfeita do samba rock, antes dos anos 80 separarem Pepeu, Baby, Moraes e detonar eles individualmente…
Deerhunter“Helicopter”
Thiago Santos: um nova abordagem de efeitos sonoros sobre uma melancolia a la Syd Barrett.
Nação Zumbi“Um Sonho”
Thiago Santos: O Lucio Maia é um dos mais inventivos guitarristas brasileiros e nessa música, num estilo mais balada que o de costume, junto com uma puta letra e o clipe (com a filha do Chico Science e o filho do Jorge Du Peixe), ficaram melhor que nunca.
 

Siouxsie & The Banshees“Happy House”
Paula Martins: Cresci ouvindo o som de bandas inglesas dos anos 80 e essa foi uma das que mais teve influência na minha formação desde muito cedo. Nessa música, uma sonoridade muito particular vem do encontro da voz poderosa da Siouxsie com a cozinha incrível do Steve Severin e do Budgie e ainda,  na versão ao vivo, do álbum “Nocturne”, da guitarra do Robert Smith (The Cure) que é outra influência central dessa época.

Slowdive“Souvlaki Space Station”
Paula Martins: Se fosse para escolher uma só seria essa! Eu costumava ouvir com um amigo querido que morava no último andar de um prédio na Av. Paulista, contemplando a vista e as estrelas que desse para ver. O álbum todo é incrível mas aqui tem uma atmosfera espacial produzida por muito delay e reverb e conduzida por uma linha de baixo hipnótica que faz dela uma influência bem marcante.

Breeders“Cannonball”
Paula Martins: Kim Deal. Não precisa dizer mais nada. O baixo das músicas do Pixies sempre foram uma referência importante, mas essa música, que me fazia pular nas pistas da Der Temple e do Cais, tem pra mim a identidade cativante das composições dela. O baixo icônico aqui é da Josephine Wiggs.

Radiohead“How to Disappear Completely”
Paula Martins: Tem dias que eu chego a pensar que o Thom Yorke tem acesso a informações de um microchip instalado na minha cabeça. Quando ouço essa música é um desses momentos. A melancolia dela é definitivamente uma influência.

Warpaint“Biggy”
Paula Martins: Adoro tudo nessa música, o baixo é maravilhoso, gostaria muito de fazer uma linha um dia que tivesse efeito nas pessoas que essa tem mim! Tudo nela é sexy, em especial letra e vocais.

Jennifer Lo Fi“Bacon”
Paula Martins: Essa é uma descoberta bem recente, mas certamente já tem impacto na produção do nosso som. Em primeiro lugar pela decisão de passar a escrever em português. Mas principalmente por me fazer lembrar onde é possível chegar quando músicos loucos se encontram.

Construindo Molodoys: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Contruindo Molodoys
Molodoys

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Molodoys, que indica suas 20 canções indispensáveis. ” São músicas que me influenciam bastante no modo como são criadas e no que elas conseguem atingir na questão de criatividade e inovação seja em letra ou em melodia”, explicou Leo Fazio, guitarrista e vocalista. “Eu não uso músicas em especifico para me influenciar na hora de compor pra Molodoys, mas ultimamente quando to compondo to tentando pensar nessas, mais na questão de como se é feita a música do que na sonoridade em si”, esclareceu Vitor Marsula, tecladista .Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Cartola“Preciso Me Encontrar”
Leonardo: Música do Candeia gravada por Cartola em seu segundo disco. Eu a considero uma das músicas mais belas já feitas, seja em arranjo, progressão, letra ou melodia. A primeira vez que a ouvi fiquei completamente obcecado, seu lirismo e todo o sentimento que a letra passa em conjunto com a música já me serviram muito de inspiração quando ela está em falta, minha meta de vida é fazer algo comparável a essa música, (que é algo quase impossível, eu sei).

Pink Floyd“Take Up Thy Stethoscope And Walk”
Leonardo: Talvez minha preferida do Pink Floyd, já bebi muito dessa fonte e acho que dá pra perceber em algumas músicas do “Tropicaos”, nosso primeiro disco. Todo o peso e toda a visceralidade que essa música carrega me influenciam bastante dependendo do que eu estou criando, essas são características que eu gosto muito de trabalhar. E eu também sou apaixonado pela guitarrada do Syd Barrett, acho um estilo único e muito subestimado.

Bob Dylan“It’s Alright Ma (I’m Only Bleeding)”
Leonardo: Uma obra prima, seu lirismo é algo que me influencia profundamente, me inspiro muito em como o Dylan desenvolve a poesia das suas músicas, em como ele consegue usar de temas e fonemas pra te tranportar pra outro lugar enquanto a musica toca.

Chico Buarque“Construção”
Leonardo: O modo como a música vai crescendo e se desenvolvendo envolta dela mesma é genial, ando bebendo muito dessa fonte na hora de criar, atualmente tenho escrito bastante e essa é uma música que sempre me vem à cabeça quando procuro inspiração, tanto em letra quanto em arranjos.

The Velvet Underground“Heroin”
Leonardo: Acho que a Molodoys busca muito por uma boa ambientação nas músicas e a gente tenta trabalhar bastante no modo como elas transmitem as sensações ao ouvinte, e, pelo menos da minha parte, isso tem muita influência desse som do Velvet, totalmente visceral e criativo.

Arctic Monkeys“Still Take You Home”
Jairo: Acho a bateria do Matt Helders incrível, todo o peso e técnica que ela carrega me inspiram muito, e principalmente o fato de ele saber o que usar em diferentes partes da música para passar diferentes sensações, procuro muito isso em minhas baterias.

Queen“Melancholy Blues”
Jairo: Queen tem uma forte influência em mim há anos, acho que em toda bateria que eu crio tem um pouco deles. E esse som mais especificamente mostra como um drama pode ser perfeitamente passado à uma música. Essa em específico me inspira em todo o drama que ela carrega, acho sensacional como ela é trabalhada, é uma grande referência pra mim.

Beatles“A Day In The Life”
Jairo: Eu aprendi a tocar bateria acompanhando os discos dos Beatles, assim como o Queen, acho que é algo que está dentro de mim e das baterias que crio pra Molodoys, Ringo é um dos bateristas mais subestimados que existem, mas pra mim ele é inigualável. Além de que os Beatles servem de inspiração para eu criar em vários campos da música, eles são mestres em diversidade de estilo e sonoridades, foram pioneiros em muita coisa.

Miles Davis“All Blues”
Jairo: Uma das baterias mais lindas e suaves na minha opinião, e ao mesmo tempo carrega um peso tremendo, mas de outra forma, a bateria caminha e dança junto com outros os instrumentos, e isso é algo que eu procuro fazer em minhas composições pra bateria.

Muse“Uprising”
Jairo: Ouvi-la remete a algo importante pra mim, saber compor uma música forte e marcante sem perder a qualidade, acho que é uma grande preocupação pra mim na hora de compor pra Molodoys.

Chico Science e Nação Zumbi“Coco Dub”
Camilla: Eu e Léo somos muito fãs de Nação Zumbi e por isso essa referência partiu de nós, ficamos meses pirando horrores na grande maior parte da discografia, mas a “Coco Dub” tem uma essência experimental e livre. Foi a música que tínhamos como referência para a música “Tropicaos”. Lembro de ter ouvido ela a viagem toda repetidamente, quando fomos gravar em Amparo (interior de São Paulo).

Jupiter Maçã“Act Not Surprised”
Camilla: O baixo dessa musica é uma das minhas maiores referências de arranjo da vida. Eu gosto do jeito que ele é executado, é muito peculiar e até meio bruto, com um groove único. A psicodelia do Júpiter num geral também foi uma referência muito forte para nossas musicas, principalmente as do disco.

Som Imaginário“A3”
Camilla: Baita música dessa banda maravilhosa! Som imaginário é uma baita referência pra nós em questão de misturas de ritmos. Nessa musica, eles criam uma atmosfera tão brasileira mas de uma sonoridade tão futurista e cheia de groove e elementos não convencionais, é uma mistura de elementos muito bonita ❤

Tom Zé“Menina Jesus”
Camilla: Eu e Leo ficamos viciados nela pouco antes de gravarmos nosso segundo single. Acredito que ele se inspirou na letra e no fluxo dela para escrever a letra de “Ácido”. E Tom Zé continuará sendo o maior roqueiro da historia do MPB e maravilhoso.

Mutantes“Ave, Lucifer”
Camilla: Além de Pink Floyd, a mixagem dos Mutantes influenciou muuuito a mixagem do “Tropicaos”, uma pegada mais stereo. A “Ave Lucifer” é um belo exemplo de uma mix que fica perambulando sua cabeça (risos). PS: Use fones de ouvido para uma experiência mais completa!

Moving Gelatine Plates“Breakdown”
Vitor: Do álbum “Removing”, ela consegue ter tudo que uma música completa precisa, tanto na questão da estrutura, do começo, meio e fim, clímax e essas coisas, quanto pela questão do arranjo instrumental e de como eles conseguem conversar com o vocal e com os outros instrumentos.

Vangelis“Movement 1”
Vitor: Pois é uma das músicas que acho que chegou ao ápice do que é necessário para uma ambientação, que é algo que prezo muito.

Los Jaivas“La Poderosa Muerte”
Vitor: Pelo “feeling” que ela passa e por conseguir apresentar uma série de mudanças sem perder a característica principal.

Pink Floyd“Echoes”
Vitor: Por motivos de forças maiores agindo sobre mim.

Nine Feet Underground“Caravan”
Vitor: Pois ela é outra música que considero que tem tudo que uma música precisa.

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Construindo Antiprisma: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do duo

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Construindo: Antiprisma

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Para começar, temos o duo Antiprisma, de Victor José e Elisa Oieno, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

The Rolling Stones“Street Fighting Man”
Victor: É a minha banda de coração desde criança, e desse tipo de coisa você não se livra nunca, e nem quero me livrar! Acho que para o Antiprisma o disco “Beggar’s Banquet” tem sido uma referência desde o início. A sonoridade acústica que produziram em boa parte desse álbum soa áspera, gasta, meio envelhecida… Ali não tem frescura e nem fofura, e de certa forma é um pouco desse caminho que a gente procura seguir.

The Byrds“Going Back”
Victor: Várias vezes a gente conversa sobre como fazer soar uma música e quase sempre resvalamos em Byrds. Talvez seja nossa influência mais gritante. Não me conformo como é que tem gente que não liga pra essa banda… The Notorious Byrd Brothers” é uma referência muito forte para o Antiprisma.

Stone Roses“Waterfall”
Elisa: Aqui está o representante britpop da nossa lista. Gostamos muito de Stone Roses, especialmente o primeiro álbum, que nos lembra muito o Byrds. Para nós, é um bom exemplo de como fazer coisas novas a partir de suas influências. Nós gravamos e lançamos uma versão desta música “Waterfall”, junto com nosso EP.

Big Star“The Ballad Of El Goodo”
Victor: As melodias te conquistam na primeira escutada. O som é redondinho, com harmonias bonitas, violões e guitarras legais. Parece uma fórmula simples, mas não é. Essa faixa do primeiro álbum explica bem o que é essa banda. Big Star tem um som bonito, e mesmo no terceiro disco, que é meio esquisitão, você reconhece essa qualidade.

Love“Andmoreagain”
Victor: O Love chama atenção porque mescla essa vibe de folk rock com pop barroco com uma capacidade absurda, e Forever Changes é uma obra-prima perfeita de cabo a rabo, não tem como melhorar aquilo. Se conseguisse fazer uma música dessa categoria algum dia me dava por satisfeito. Além disso, a banda sabia impor o peso do rock quando precisava soar agressiva. Arthur Lee foi um baita compositor de música pop.

Bert Jansch “Poison”
Elisa: Esse é daqueles caras que dá até um orgulhinho de ouvir. As músicas dele são essencialmente folk, várias delas muito calcadas na música tradicional escocesa, e com melodias lindas. Isso junto com o violão típico de Bert Jansch e sua pegada blues e jazz, solto e ‘cool’. Me lembro de ter lido em algum lugar que o Bert Jansch está para o violão assim como o Jimi Hendrix está para a guitarra elétrica. Ouvir Bert Jansch com certeza é uma escola para o Antiprisma.

Velvet Underground “All Tomorrow´s Parties”
Elisa: Velvet é uma banda muito importante para o Antiprisma. Acho que o nosso lado mais experimental, o estilo que procuramos em algumas músicas, a liberdade artística que nunca podemos nos esquecer… isso vem muito do Velvet Underground.

Grateful Dead“St Stephen”
Victor: A liberdade que a gente percebe na música do Grateful Dead é inspiradora. Sem contar a capacidade para improvisos e a versatilidade que eles têm para saltar de um gênero para outro. Poucas bandas têm essa personalidade tão forte quanto eles. A cena de São Francisco dos anos 1960 no geral é muito cativante, é algo que sempre escutamos hora ou outra.

Milton Nascimento“San Vicente”
Victor: Essa a gente até já se aventurou a tocar em alguns shows. Milton Nascimento é uma coisa que não dá pra definir. Principalmente na fase dos anos 1970, ele fez discos misturando rock com jazz, música latinoamericana, caipira, progressivo e mais um monte de coisas, mas sempre soando autêntico, sem se perder. É legal quando não dá pra classificar algo coeso, e ele é único.

Kurt Vile“Baby´s Arms”
Elisa: Quando conhecemos Kurt Vile, acabamos nos identificando muito com o som que ele faz. O disco “Smoke Ring For My Halo”, parece ter referências muito parecidas com as nossas, seja nas canções em si ou na escolha de timbres, que passa pelo folk dos anos 60 e pelo pós-punk e anos 90. Aliás, foi por causa de uma entrevista que vi do Kurt Vile, em que ele estava em uma loja escolhendo alguns discos e falando sobre eles, que conheci Bert Jansch e Fairport Convention. A partir disso, eu e o Victor entramos em um período em que descobrimos e ouvimos muita, mas muita coisa mesmo de folk britânico, o que acabou sendo um dos embriões para a formação do nosso som.

John Fahey“On The Sunny Side Of The Ocean”
Victor: Quando a gente começou a tocar junto entramos nessa fase de moldar nosso estilo próprio escutando tudo quanto é referência. E foi daí que veio John Fahey. Desde então me inspiro muito no seu modo de tocar, e por incrível que pareça ele foi um dos motivos para acrescentarmos a viola caipira em algumas canções. Parece estranho, mas muito do que ele faz no violão soa extremamente brasileiro, tipo aqueles violeiros das antigas. Aí existe uma conexão bem estranha.

Bert Jansch – “Winter is Blue”
Elisa: Quando eu conheci o som da Vashti Bunyan, me identifiquei imediatamente. O vocal tranquilo, meio envergonhado e quase sussurrado me inspira bastante, e as canções dela têm melodias fortes e bonitas. O disco “Just Another Diamond Day” é lindo, intimista e sincero, um belo exemplo de álbum folk, se quiser chamar assim. Ela lançou também uma compilação de singles (“Some Things Just Stick in Your Mind”) onde está a “Winter is Blue”, em que as canções têm uma roupagem até mais pop do que folk, muito bom.

Beatles“Norwegian Wood”
Victor: Se você faz música com algum viés pop e valoriza muito as melodias é praticamente impossível não pensar em Beatles em alguma parte do processo de compor. Beatles é uma escola, né. Todas as fases da banda são importantes pra nós, e estudar as gravações também nos ajudou muito desde o comecinho.

Siouxsie and The Banshees“Israel”
Victor: A referência pode não aparecer muito no nosso álbum ou no EP, mas pós-punk é uma coisa bastante forte nas nossas influências. Essa fase que chamam toscamente de “gótica” é muito criativa. Vários discos são realmente muito artísticos, e Siouxsie é uma baita banda foda. É legal ver como uma composição essencialmente punk, de estrutura simples, ganha outro aspecto quando se pensa em arranjos estranhos e sons inusitados. Acho que aprendemos muito com isso.

Cat Power“Nude as The News”
Elisa: O que mais gostamos nas músicas da Cat Power é o fato de elas parecerem super básicas, mesmo não sendo, e isso acaba refletindo talvez na maneira de estruturarmos criações do Antiprisma. Essa canção “Nude As The News” é foda. Tem uma base simples de guitarra que permeia a música inteira, mas mesmo assim a Chan Marshall consegue trazer várias partes diferentes e muita dinâmica.

Simon and Garfunkel“Scarborough Fair”
Elisa: Simon & Garfunkel é uma referência muito importante para o Antiprisma, principalmente o jogo de harmonias vocais que eles fazem. Acabamos sempre tendo eles meio que como um paradigma de qualidade, um ideal a ser alcançado e para nós é muito divertido “estudar” o que eles fazem nas músicas.

Sonic Youth“I Love You Golden Blue”
Elisa: Talvez não apareça tanto no Antiprisma, apesar de muita gente já ter perguntado se gostamos de Sonic Youth. Para mim, é uma inspiração constante. Desde a maneira de tocar, os arranjos e até o estilo dos vocais. Eu adoro esse jeito meio blasé, meio displicente de cantar da Kim Gordon.

Secos e Molhados“Fala”
Victor: Aquele primeiro disco é uma coisa que não tem como evitar. As letras são ótimas, a proposta visual eu acho que nunca vai morrer por completo e as músicas por si só sobreviverão pra sempre. O fato de ser do Brasil algo assim faz a gente lembrar como nosso país é foda na música.

Fairport Convention“Percy´s Song”
Elisa: Essa é uma banda que gostamos muito. O som do Fairport Convention é bastante único, sendo uma banda de rock com identidade forte na música tradicional britânica. As melodias inspiradas no estilo folk tradicional britânico e o uso de guitarras e violões com o efeito “drone” (em que fica soando uma nota constante na música), muito presentes no Fairport, são coisas que gostamos de usar no Antiprisma. Essa música “Percy´s Song”, na verdade é do Bob Dylan, mas gostamos muito dessa versão deles e do jeito de cantar da Sandy Denny (vocalista da banda).

Pink Floyd “Echoes”
Elisa: Escolher só 20 músicas é difícil. Era para ter entrado nesta lista também o Syd Barrett. Afinal, tanto as canções dele solo quanto as do começo do Pink Floyd são influências fortes para nós. Mas tudo bem, escolhemos a “Echoes”, cuja melodia lembra muito o Pink Floyd com o Syd, mas já tem a estrutura “espaçada” e melancólica, típica dos anos seguintes da banda. Com certeza, mesmo sem perceber, acabamos sempre colocando algo de Pink Floyd no nosso som.

Ouça aqui a playlist do Antiprisma e siga o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify: