Primeira edição da festa do Crush em Hi-Fi na Associação Cultural Cecília traz shows de Pedroluts e Molodoys

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Pedroluts e Molodoys
Pedroluts e Molodoys

No dia 13 de novembro, domingo, estrearemos nossa festa na Associação Cultural Cecília. Para começar com o pé direito, receberemos a one man band Pedroluts com seu folk/blues/rock lo-fi gutural influenciado por Tom Waits, Bob Dylan e Howlin’ Wolf, e os Molodoys, trazendo para o palco toda a mistura quântica de psicodelia lisérgica e brasilidade de seu disco “Tropicaos”, elogiado por gente do cacife de Sérgio Dias, d’Os Mutantes.

A discotecagem fica por conta do editor João Pedro Ramos e dos convidados Helder e Jaison Sampedro (RockALT) tocando o melhor do som independente, rock alternativo, fuzz, lados B e hits obscuros. Durante o evento teremos também venda e troca de discos e CDs com o pessoal da Disco na Vila, merchs e álbuns das bandas, além de pôsteres, CDs e camisetas do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”, realizado em parceria com o Hits Perdidos.

Também vai ter comida deliciosa por um preço justo com a Da Casa Hamburgueria, com opções de carne e vegetarianas, fritas, onion rings e pudim! 😉

Os shows rolam à partir das 19h.

Confirme presença no evento: https://www.facebook.com/events/1764506777120805/

Crush em Hi-Fi

SERVIÇO:

Crush em Hi-Fi #1 recebe Pedroluts e Molodoys
Dia 13 de novembro, domingo, às 17h
Associação Cultural Cecília
Rua Vitorino Carmilo, 449
Santa Cecília – SP (metrô Marechal Deodoro)
Entrada: R$10 (em dinheiro. O bar também aceita débito)

“Paradas de sucesso são um pensamento retrógrado”, brada Pedroluts

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Pedroluts
Pedroluts

Passando longe de qualquer pretensão de atingir os ultrapassados hit parades das rádios FM, a voz gutural de Pedroluts, que remete à Tom Waits e ao Bob Dylan dos últimos tempos, chegou a receber elogios da Ilustrada durante uma apresentação com sua antiga banda Hooker’s Mighty Kick durante a Virada Cultural (em uma sacada de um apartamento próximo ao palco do Arouche). A influência da dupla é inegável também no som do projeto musical, que bebe do folk, blues, rock e soul, tudo regado a Jack Daniels com algumas pedras de improviso aqui e ali.

Com um EP no Soundcloud (“The Chair”) e várias músicas soltas pela internet, Pedroluts ainda não tem planos para o futuro de seu projeto. “Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo”. Por enquanto, ele participou do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”, organizado pelo Crush em Hi-Fi em parceria com o Hits Perdidos, mandando uma versão matadora e elogiada de “Não Vou Me Adaptar”, e fará parte da banda que promete uma jam com versões de clássicos da banda no lançamento do tributo neste domingo na Associação Cultural Cecília.

Conversei com Pedro sobre sua carreira, os projetos por onde já passou, influências e sua versão para “Não Vou Me Adaptar”.

– Como você começou seu trampo musical?

Meu trampo musical como Pedroluts? É uma descoberta e garimpo que já dura uns 15 anos. Acho que o Pedroluts ainda está em formação, mas agora tenho uma noção melhor do que quero e do que não quero… É um processo divertido de ressignificar a si mesmo e encontrar as brechas a serem exploradas, mesmo que dentro do mesmo contexto (atualmente, mais pro folk e blues).

– Você falou que tá “mutando” o projeto Pedroluts há cerca de 15 anos. Como foi essa metamorfose e por quais fases o projeto passou?

Poutz… Nem eu sei ao certo. Acho que é só uma confluência das coisas que fiz ao longo dos anos e dos quais quero ter uma relação mais pessoal. Já toquei em bandas de thrash metal (o que voltarei em breve) e acho isso muito foda, mas não vejo isso atrelado diretamente ao que quero fazer como Pedroluts.

– Quais são as principais influências musicais que você vê refletidas (ou já viu) no trabalho deste projeto? Mesmo que não sejam explícitas no som.

Isso muda de tempos em tempos, mas hoje é basicamente: Bob Dylan, Tom Waits, Ray Bonneville, Sean Rowe, Raul Seixas, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Titãs… Acho que é isso. Mas mais do que as influências de estilo, vejo também influência de perfil… Quase todos esses caras trilharam seu caminho de maneira intuitiva e pessoal. Tem outros que me influenciaram, mas que não estão aí. Glenn Gould é um ótimo exemplo. Ele é um pianista canadense de música erudita, mas cuja abordagem à arte diz muito pra mim.

– Falando em Titãs, como foi a sua participação no tributo “O Pulso Ainda Pulsa”? Como foi a escolha do som e a transformação que você fez nele?

Primeiro, foi uma honra ter participado. O Titãs tem um protagonismo nas minhas escolhas musicais – foi uma das primeiras bandas de rock que eu comecei a ouvir. E o disco “Go Back” foi meu primeiro contato com a banda. Então, apesar de gostar muita coisa dos Titãs, principalmente as mais recentes, sabia que minha escolha tinha que ser algo deste disco. Daí veio “Não Vou Me Adaptar”. Minha versão foi uma humilde releitura da canção. Para mim, ela sempre foi uma visão sobre a adolescência e suas mudanças, mas achei que ela poderia ganhar uma versão mais velha, com ares carrancudos e ranzinzas. Tentei algumas versões até que encontrei a mudança que seria o foco da minha: mudar o tom maior para tom menor. Isto mudou consideravelmente a música e me deu liberdade para dar a abordagem que eu queria. O resto foi consequência de improvisos e experimentações, com esse arranjo “a la polka”, digamos assim.

Pedroluts

– E você vai participar da banda que vai fazer a jam no evento do lançamento, no dia 28. Como vai ser?

Pelos ensaios vejo que vai ser algo bem divertido. Muito mais do que um tributo ou homenagem, é uma celebração a uma banda essencial para a música brasileira. Não será uma continuação do tributo lançado, mas uma extensão… um complemento em carne e osso.

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa flyer

– Fale um pouco do material que você lançou até agora.

O pouco material que lancei é fruto de uma série de coisas: músicas que fiz anos atrás, canções recentes, covers… vejo cada música como uma pessoa – com sentimentos e humores. Então minha ideia é tentar interpretá-la conforme seu momento e minhas intenções.

– Você acha que a internet ajuda ou atrapalha o artista independente?

Os dois. Por um lado é uma maneira única de se conectar com diferentes pessoas – o próprio Tributo aos Titãs é uma prova positiva deste potencial. Aliada à internet, a facilidade em gravar vídeos, sons e afins auxilia na divulgação e na disseminação de algo que seria local e para poucos. Por outro lado, esta coisa sob demanda e individual – ouvindo músicas no fone de ouvido ou assistindo clipes/shows no seu computador ou tablet – torna a experiência menos coletiva. É uma tendência ao carregar seu mundinho dentro do seu celular, mas se paga um preço por esta praticidade, como não se deparar com o inusitado ou curtir o momento de um show – ao invés de apenas querer registrá-lo. Acho que atualmente menos pessoas estão dispostas a ver coisas novas ao vivo, justamente pelo fato de não poderem “zapear” com a mesma rapidez que podem garimpar na internet e no conforto do lar, por exemplo.

Pedroluts

– Qual a melhor e pior parte de ser um artista independente hoje em dia?

Não sei como é não ser, mas ser independente é bom e ruim pelo mesmo motivo: você é seu próprio chefe. Você tem a liberdade de levar sua arte para qual caminho quiser, mas também é preciso ser a pessoa chata a se cobrar para ter algo relevante, sem ter uma equipe ou uma estrutura de produtora por trás.

– Você acredita numa retomada do rock às paradas de sucesso no Brasil?

Eu não acredito mais nas paradas de sucesso. É um pensamento retrógrado.

– O que falta para fortalecer a cena independente brasileira, como já aconteceu nos anos 90 e 2000?

Acho que falta uma mobilidade maior de todos. Atualmente São Paulo está recebendo algumas iniciativas bem legais, com casas que abrem as portas para bandas novas e, principalmente, autorais. Sinto que aquela tendência de bandas covers está diminuindo. Espero, pelo menos, que isto aconteça. Uma coisa é celebrar a música, como fizemos no tributo, outra coisa é se apoiar no sucesso do passado para se assumir como uma comida requentada no microondas – sem gosto ou essência. Com a abertura destes espaços, as pessoas vão começar a mudar o modo de consumir a música – diminuindo as relações com o passado (como é o caso das bandas covers) e ampliando a tendência de assimilar coisas novas.

– Quais os próximos passos do Pedroluts em 2016?

Não sei ainda. Preciso me reunir com meu chefe para isso, mas nossas agendas nunca batem (risos).
Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é uma pergunta muito injusta porque sempre me esqueço de incluir um ou outro. Mas alguns sons que tenho ouvido são: O Terno (cujos clipes são fodaralhásticos), Céu, Elza Soares, Sean Rowe (que lançou um EP pelo Kickstarter recentemente), Cerveblues Band (toda quinta no Cervejazul… mais que necessário para quem está em SP), Nasi, Wander Wildner… acho que é isto que me vem na cabeça agora.

Coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa” traz tributo independente aos Titãs

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O Pulso Ainda Pulsa
Capa por Leo Buccia

Os blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos lançam hoje a coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo com 32 artistas independentes fazendo versões, covers e reconstruções de músicas de uma das maiores bandas que o rock brasileiro já ouviu: os Titãs. Uma das bandas mais camaleônicas de sua geração, o octeto permeou sua carreira indo de canções de amor à duras pauladas políticas, do punk à MPB, do experimentalismo ao rock puro. E, afinal, 30 anos depois do lançamento do clássico disco “Cabeça Dinossauro”, um verdadeiro divisor de águas na música nacional, o rock brasileiro continua vivo. O Pulso Ainda Pulsa.

O projeto é uma homenagem à obra de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Charles Gavin, Sérgio Britto, Branco Mello, Nando Reis e Paulo Miklos. Nas faixas, o grupo paulistano é reverenciado em versões que vão do bluegrass ao electro, passando pelo folk, punk, hard rock e experimentalismo. O pulso ainda pulsa abaixo dos radares da grande mídia musical.

O tributo conta com a participação 33 artistas e bandas: Abacates Valvuldos, Aletrix, All Acaso, BBGG, Camila Garófalo, Cigana, Color For Shane, Danger City, Der Baum, FingerFingerrr, Giallos, Gomalakka, Horror Deluxe, Jéf, Moblins, Mundo Alto, Nãda, Não Há Mais Volta (com participação do Badauí, vocalista do CPM22), Paula Cavalciuk, Pedroluts, Penhasco, Porno Massacre, Ruca Souza, SETI, Sky Down, Subburbia, Subcelebs, The Bombers, Thrills And The Chase, The Hangovern, O Bardo e o Banjo, Ostra Brains e Videocassetes. Cada uma fez a produção de sua faixa de forma independente e mais detalhes sobre cada gravação estão disponíveis no site www.opulsoaindapulsa.com.br

Ouça aqui o tributo “O Pulso Ainda Pulsa”:

Garimpo Sonoro #12 – Estudando Tom Zé: 5 vezes em que Tom Zé foi nota 10!

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Tom Zé

De maneira dolosa, Tom Zé sempre se vendeu como o Vagabundo enquanto seus atos explicitavam seu dom chaplinesco. Em meio século de carreira, o artista vindo da hipercitada Irará-BA se formou em música na renomada Faculdade de Música da UFBA e usufruiu desta base técnica com tanto primor quanto sua abordagem criativa com as palavras e sons.

Precisaria de muitos caracteres para discorrer sobre o caráter artístico do Senhor Zé – incluindo sua relevância na Tropicália – por isso, como de praxe, resumirei em apenas cinco amostras:

“Tô” – Quando se vê toda a carreira de Tom Zé, “Tô” se mostra muito mais do que um manifesto: é uma cartilha que Tom Zé segue à risca.

Plágio – Em 1990, Tom Zé expôs um pouco do tortuoso caminho criativo cheio de dialogismos que ele costuma usar em sua obra. Aqui, ironiza uma acusação de plágio ao fazer uma música em que quase nada é seu.

“Estudando o Pagode” – Há 11 anos, Tom Zé levantava parte da bandeira do feminismo sob o véu de sua releitura sobre o pagode. O álbum, em forma de operetta em três atos, conta a história da opressão à mulher, sua relação com o homem e a distorção do amor. O disco todo vale a pena, mas aqui ilustro com “Proposta de Amor”.

“Tropicalea Jact Est” – Apesar de não incluir na série “Estudando”, Tom Zé revisita a evolução da Bossa Nova em um belíssimo disco que conta com participações atuais, como Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante, Pélico e Emicida.

João da Esquina – No seu livro “Tropicália Lenta Luta”, Tom Zé mistura sua biografia com uma releitura sobre a vida de todos. Ao final, compilou alguns artigos que ele publicou em jornais diversos. Um deles, de 2001, homenageia João Gilberto ao mesmo tempo que consegue traçar um paralelo genial entre a Bossa Nova e a fórmula de Einstein E=MC²

Este não tem vídeo, mas leia o artigo (http://navegandonavanguarda.blogspot.com.br/2009/07/artigos-extraordinarios.html) enquanto ouve a instrumental “Toc”:

Garimpo Sonoro #11 – Engov We Trust: 5 Músicas sobre Ressaca

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Homer Simpson

O Brasil só começa depois do Carnaval, mas dependendo do seu uso do feriado, sua vida parece acabar depois de tanta festividade. Há quem se programe para terminar cedo e curtir uma quarta-feira de cinzas mais tranquila. Contudo, os imprevistos da vida às vezes te chamam para beber numa terça de Carnaval com a desculpa que não é preciso trabalhar na manhã seguinte. E você ainda acredita.

Eis que você acorda sem saber se morreu, sem saber que horas são e tendo que esperar alguns segundos até que seu cérebro acesse sua própria identidade e te diga quem você é.

Para quem se encontrava nesta situação ontem, ou quem ainda não sarou de tanta inconsequência, eis cinco canções que ilustram o pesadelo pós-esbórnia.

Matanza – “Ressaca Sem Fim”: É difícil não falar de álcool sem falar de Matanza. A banda consegue fazer um som foda e uma letra precisa:

Muzzarelas – “I’ll Never Drink Again”: quem nunca falou para Deus, mãe ou a si próprio que nunca mais encostaria em uma bebida? Nem uma semana já tá dando trabalho de novo…

Janis Joplin – “What Good Can Drinkin’ Do”: um blues que questiona os porquês desse mal que ingerimos e que não deixaremos de ingerir.

Johnny Cash – “Sunday Morning Coming Down”: um domingo normal para aqueles desfrutam do prazer de se destruir com uma rotina ébria.

Tom Waits – “Bad Liver & Broken Heart”: impossível deixar Mr. Waits de lado e é mais impossível escolher uma única canção. Mas talvez esta frase seja uma ótima para terminar esta coluna: “Eu não tenho problemas com bebida, apenas quando não consigo uma”.

Garimpo Sonoro #10 – ISCA: 5 amostras de como o Ska te pesca com facilidade

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Estou em uma semana nostálgica. Talvez seja pelo começo do ano; talvez por ciclos naturais da vida; ou seja porque achei uma pasta com fotos do Orkut que eu salvei antes da morte da rede social. O fato é que uma coisa levou a outra e eu relembrei da época em que jogava video-game. Nunca fui um bom ~gamer~, tanto por falta de habilidade, quanto falta de devoção. Mas alguns jogos me fisgaram: Need For Speed, Road Rage e Tony Hawk’s Pro Skater.

Este último, além de ser um divertido jogo de manobras e missões voltadas ao mundo do skate, também trazia uma trilha sonora com coisas bem bacanudas. Daí me lembrei de uma, Goldfinger, que abriu a mente para o tema da semana: SKA!

Ao contrário do que muita gente imagina, o Ska é antecessor do Reggae. Primeiro surgiu o ritmo mais animado e rápido, com a guitarra fazendo os acordes no contratempo. O reggae é uma releitura, com uma abordagem mais vagarosa, criando uma névoa sonora propícia a muitas atividades recreativas.

A seleção abaixo não é pela importância de cada banda, mas uma mescla de coisas mais clássicas a coisas mais famosas que eu fui lembrando ao longo dessa viagem que começou com um jogo de Playstation (sim, o primeiro!).

Voodoo Glow Skulls – “Shoot The Moon”: no disco, a voz da introdução é nada mais, nada menos, do que um trecho de Up In Smoke, da dupla maconheira Cheech & Chong. O Voodoo Glow Skulls fazendo um ska-core agressivo e divertido ao mesmo tempo. Ótimo para dar aquela acordada no meio da tarde de trabalho.

Toots & The Maytals – “Monkey Man”: não, essa música não era da Amy Winehouse. Este grupo jamaicano surgiu nos anos 60, quando o ska começava a esquentas as pistas do país. Ao ouvir, é fácil entender a razão do sucesso. Impossível ficar parado.

Sublime – “Wrong Way”: Aaaah, os anos 90. MTV, clipes divertidos, tardes ociosas… Tão sublime (RÁ!). Quem nunca ouviu “Santeria”, do Sublime?

Skuba – “Não Existe Mulher Feia”: no final dos anos 90, o Brasil produziu uma safra de bandas do estilo com trocadilhos no nome. Skuba, Skamoondongos e Skabong. Skuba foi uma das mais famosas, numa época em que a MTV era um ponto de referência. Assim, uma música divertida com um clipe criativo era uma ótima receita.

The Mighty Might Bosstones – “The Impression that I Get”: ouvindo essa música me vem à cabeça as coletâneas em CD da 89FM. Comprava sempre que as via – um garimpo analógico, apesar de já ser na era do CD.

Lembra de mais algum ska bacanudo? Divida com a gente!

Garimpo Sonoro #8 – O Mito da Caverna: 5 vozes graves que cantam pro eu interior

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Leonard Cohen
Leonard Cohen

A voz grave é um charme desde sempre. Dos cantores de barbershop a Barry White, qualquer um fica impressionado quando ouve um barítono de responsa. Se o tom agudo representa uma técnica impecável, o grave é o controle da essência, tão técnico mas mais intenso – pelo menos quando feito com o âmago.

Abaixo, uma seleção de músicos que tenho ouvido ultimamente – alguns garimpos recentes e outros pérolas clássicas.

Tem alguma indicação? Manda pra cá!

1- Sean Rowe: com uma voz volumosa, a primeira impressão é de que ele está com uma bola na boca. Depois, quando se acostuma com o timbre, a sensação é de tranquilidade, mesmo que com ares melancólicos.

2- Laura Marling: eu nunca me esqueço da primeira vez que a ouvi. Nos primeiros segundos, me impressonei pela habilidade no violão de uma moça tão pura, angelical. Daí veio a voz e tive que me lembrar de respirar. Suas feições pareciam não bater com sua voz. Era como se uma regra fosse quebrada e a partir daí, tudo era possível. E sem regras, no escuro, não nos resta nada a fazer a não ser apreciar e contemplar, sem a necessidade de entender.

3- Bill Callahan: a seneridade na melodia e na letra combinam tanto com o timbre quanto a ambiência criada por todos os outros elementos. Ouvir Bill Callahan é ouvir a si próprio, como se o que ele criasse não fosse música, mas o silêncio necessário para se escutar.

4- Leonard Cohen: não há dúvidas, aqui ouvimos a voz de Deus. Não há espaço nem para ouvir a si mesmo, não há tempo de ficar parado. É necessário sair de si, abraçar-se e transformar-se em um andarilho enquanto a música durar. É ser um peripatético, trilhando um caminho enquanto raciocina sobre a trilha que se forma.

5- Johnny Cash: talvez uma das vozes graves mais famosas e mais influentes. The Man in Black dialoga com os demônios de todos – pois saiba que todos temos um espaço para eles. E ao falar com este lado, o resultado varia. Para alguns é domar os riscos, para outros é acender a faísca do veneno. Seja como for, não há volta.

Garimpo Sonoro #7 – Mete o dedo nesse órgão: 5 sons fodásticos de Hammond

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Booker T Hammond

John Medeski considera o órgão elétrico como “a big band do pobre”. Criado por Laurens Hammond e John M. Hanert nos anos 30, o órgão Hammond tinha como público-alvo igrejas que precisavam de um órgão mais barato do que os gigantes usuais. Nos anos 50, porém, o instrumento ganhou espaço no jazz, sendo depois difundido para outros estilos.

O instrumento hoje ganhou releituras tal qual guitarras, com inserção de efeitos e distorções. Um aliado do Hammond com tanta fama quanto o próprio é a caixa Leslie, com falantes rotativos que criam um som trêmulo muito louco.

Listo aqui 5 músicos fodões que vieram a minha cabeça como referência do Hammond:

1) Jimmy Smith: juntando o jazz com o groove do funk, Jimmy Smith trouxe não só uma nova sonoridade, mas também uma malandragem muito interessante para o jazz. Saca só:

2) Booker T Jones: outra referência fodástica do Hammond. Aqui, temos um Booker T solitário, sem seus MG’s, mostrando boa parte do potencial do Hammond a partir do seu talento. Outra parte foda do vídeo abaixo é ver o instrumento despido, só, e em ótima resolução tanto de som quanto imagem.

3) Não um, mas dois! Orgel Vreten é o mais recente que conheci. Como são alemães, não sei se são um duo ou uma banda completa, mas o resultado sonoro é uma porrada instrumental com groove, peso e malandragem, espalhados em dois órgãos, baixo, bateria e até trombone.

4) Ari Borger: a parcela brazuca é muito bem representada por Ari Borger e seu quarteto, que misturam jazz, samba e soul para fazer um instrumental fodástico, mesmo que sem usar um Hammond original.

5) Medeski, Martin & Wood é um trio que experimenta sons, ritmos e riffs a partir de um groove sem igual. Eles já se juntaram com o guitarrista John Scofield, produzindo algo tão bom quanto quando são trio.

Tem alguma dica de “organeiros” bons? Manda pra cá!

Garimpo Sonoro #6 – Porque os bootlegs oficiais de Bob Dylan são mais que caça-níqueis

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Bob Dylan

Tenho um certo apreço pela obra de Bob Dylan. Talvez eu goste um pouco mais do que qualquer outra pessoa que você conheça. Talvez eu até tenha um blog chamado Dylanesco, focado apenas no universo deste senhor. E talvez eu cometa algumas loucuras financeiras em decorrência dos lançamentos fonográficos deste ser. Mas gostaria de contextualizar e até te convidar a entrar em parte deste universo: o da arqueologia musical.

Desde 1991 a equipe de Bob Dylan faz uma verdadeira limpa no porão fonográfico do músico e presenteia o público, e o bolso de Dylan, com boas pérolas desse verdadeiro garimpo. O próprio cantor não parece ter qualquer influência nessa coleção de discos, lançada paralelo à produção de Bob e intitulada ironicamente de Bootleg Series.

Por que ironia? Porque o termo bootleg está relacionado à produção e distribuição de whiskey ilegal (na Lei Seca dos EUA). No mundo da música, os bootlegs são os discos piratas de gravações de shows, sobras de estúdios que não foram lançadas e coisas não autorizadas pela gravadora que escapam e acabam entrando neste mercado paralelo.

Bob Dylan e sua trupe, malandros que são, institucionalizaram esta cultura. Contudo, a artimanha é realmente boa, vai muito além de um mero caça-níquel e tem se aprimorado a cada edição. Já existem 12 volumes dessa Bootleg Series e os mais recentes se especializaram em períodos específicos.

E mesmo com o fortíssimo mercado de bootlegs “reais”, essas compilações conseguem tirar leite de pedra e sempre apresentam coisas novas, que nem os bootlegers tinham. E é aí que a coisa começa a ficar interessante…

Existem dezenas de livros sobre Bob Dylan e todos se baseiam em informações oficiais e não-oficiais para tirar suas conclusões. Porém, nessas revisitações dylanescas, muitas coisas são apresentadas ao público pela primeira vez, podendo abrir espaço para uma nova interpretação da história.

São músicas que ninguém sabia que existiam; versões primitivas que mostram um novo horizonte para a canção e sua intenção; sobras de estúdio que ilustram um apreço muito maior do que se imaginava do artista. Cada volume da Bootleg Series cria um enredo próprio, que se mistura ao mesmo tempo que reescreve parte da história. E Bob Dylan talvez seja um dos poucos que possa fazer isso, por conta principalmente de seu formato de criação no estúdio.

Okay, talvez a afirmação acima seja um pouco tendenciosa. Mas deixa eu tentar explicar de um jeito didático que não pareça um físico espumando para te fazer entender sobre as teorias de Einstein. Bob Dylan trata sua obra como algo tão mutável quanto o próprio sentimento, a vida, o mundo. Uma vez, ao ser questionado porque ele não interpretava uma determinada canção do jeito que gravou, ele respondeu algo como: “Aquela gravação é só o registro daquela música, naquele dia. Você não gostaria de viver o mesmo dia mais de uma vez, gostaria?”.

E ele nem está sendo tão sincero. Seus discos não são apenas registros do dia, mas registros daquele exato momento. Uma música rápida e raivosa em um take pode se transformar em algo melancólico e suave no take seguinte. A letra pode mudar, o andamento pode mudar, os acordes podem mudar. Tudo a favor de uma Musa que não só possui sentimento, como também humor.

Para Bob Dylan, a música é um ser vivo com vida própria, que escolhe suas trilhas enquanto reconta seu enredo. E os Bootleg Series são os manuscritos das histórias registradas nos discos. Com eles, temos acesso aos bastidores da criação, vivenciamos a mutação da canção como um time-lapse da criança para o adolescente.

Tá, talvez eu tenha me empolgado.

Para terminar, meu jabá: quem quiser saber mais sobre o recente Bootleg Series do Dylan e minhas observações sobre, só acessar: http://dylanesco.com/resenha-cutting-egde-observando-o-big-bang/

Garimpo Sonoro #5 – 5th of November: 5 músicas que inspiram revolução

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fawkes

Quinto Garimpo, numa quinta, no dia 5… Mais coincidência ainda é ter um tema tão bom para falar hoje. Não vou entrar nos méritos históricos, mas hoje é o dia do Guy Fawkes, para alguns um personagem real, para outros apenas um anti-herói fodástico. O fato é que ele ainda inspira muita gente e não poderia ser diferente aqui, certo?

Portanto, eis cinco músicas que inspiram a revolução, cada uma a sua maneira.

1) Bob Dylan – When The Ship Comes In

Bob Dylan usou como base “Pirate Jenny”, de Brecht, para falar de uma revolução iminente, que se vinga de quem sempre esteve no controle. Direta e poética ao mesmo tempo. Típico de Dylan.

2) Tom Waits – What Keeps Mankind Alive

Uma argumentação forte e embasada: o que mantem a humanidade viva são os inúmeros atos bestiais, e não a comida ou, HAHAHA que inocência, a moral.

3) Nina Simone – I Wish How Would Feel To Be Free

Apesar de muitas vezes espumar raiva e incitar a violência, Nina também soube abordar a revolução com certa doçura, mesmo que rara. Este é um ótimo exemplo, com uma introdução clássica e jazzy, ela não indica o caminho, mas te sugere pensar: e se não houvesse essa diferença imposta? Como seria ser livre das amarras?

4) Chico Buarque e Gilberto Gil – Cálice

Apesar da liberdade ser linda quando desenhada, pouco se sabe como ela é na vida real. E alguns arriscam experimentá-la nas horas mais oportunas – e malandras. Chico e Gil, em 1973, combinam de apenas balbuciar as palavras ácidas de “Cálice”. Chico, contudo, decide mudar o caminho e passa a cantar com todas as letras. O resultado? É cortado seu microfone, simples assim. Mais instigante, impossível.

5) Michael Jackson – Man In the Mirror

Sim, é isso mesmo. Michael Jackson fechará esta lista, que poderia perdurar por muito mais tempo (e, quem sabe, ela não perdure em breve?). Michael fala o óbvio, mas que às vezes precisamos nos lembrar: se você quer fazer do mundo um lugar melhor, olhe para si mesmo e faça uma mudança.

Quer sugerir mais canções assim? Manda pra cá!