Construindo Psychotria: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Psychotria, que está lançando seu primeiro EP, “Citrus”, e indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!
Novos Baianos“A Menina Dança”
Jean Paz: Por mim, colocava todas dos Novos Baianos.  Aliás, o que eu mais queria na vida era ser um “Novo Baiano”. E o projeto nasceu disso. Dessa vontade de sair da cidade e ir morar em um sítio com uma galera massa, passar o dia todo fazendo um som e jogando bola, sem se preocupar com trânsito, Wi-Fi que não funciona ou ter dinheiro para a condução. Mas já que é uma música, vamos de “A Menina Dança”.  Porque a Baby tem a voz mais linda do mundo.
Planet Hemp“021”
Jean Paz: Essa letra tem a melhor descrição possível sobre a cidade do Rio de Janeiro.  E poucas bandas sabem colocar o dedo na ferida como o Planet Hemp faz. Essa voracidade está presente na segunda música do nosso EP, “Um Tucano Só Não Faz Verão”. Aproveito para confessar que compusemos essa música pensando no B.Negão.
(Se por acaso ele ler essa matéria um dia, é importante que saiba que está convidado a cantar conosco).
Mutantes“A Hora e a Vez do Cabelo Crescer”
Jean Paz: Essa música contém uma das minhas linhas de baixo preferidas. E Liminha é um Deus.  Ele e o Robinho Tavares são os professores que eu nunca tive. Nunca consegui executar nenhuma linha deles, mas aprendo muito. E essa música, em especial, abriu minha mente. Pois comecei ouvindo punk e grunge, e quando me deparei com esse baixo, em especial, foi um choque. E é uma referência nas nossas canções no momento em que o baixo assume o protagonismo.
Rage Against the Machine – “Zapatas Blood”
Jean Paz: Sim, o sangue de Zapata tem poder. E a questão colonização, regimes ditatoriais, latifúndio e distribuição de renda está muito presente na nossa obra. Devemos isso ao escritor uruguaio Eduardo Galeano. Inclusive, cogitamos chamar a banda de “Veias Abertas”, em homenagem a ele. Acabamos homenageando a sua obra, e a de Pedro Juan Gutierrez na canção “Trilogia Suja”. Isso sem falar na importância do Tim Commerford (ouçam Wakrat, outra banda dele que me desgraça as ideias) para meu trabalho e meus estudos (e minhas tentativas de cantar).
Body/Head – “Abstract”
Jean Paz: Body/Head é a banda que a Kim Gordon montou quando o Sonic Youth deixou de existir. A intro da música “Chacrona” é uma referência a esse som e ao Sonic Youth de um modo geral.  Meu primeiro contato com esse trabalho foi através dessa música. E a primeira vez que eu ouvi, pensei: “Bah, eu queria ter escrito isso”.
Zé Geraldo“Como diria Dylan”
Van Batuca: Essa música em especifica me permite sentir uma vitalidade que por sua vez endossa a ideia de que cada um de deve re-construir a própria história. Conhecendo a Banda Psychotria, e hoje fazendo parte da mesma, sinto que as diversas influencias, reunidas permitirá re-construir uma nova história escrita por cada.
Ramones“Blitzkrieg Bop”
Van Batuca: Uma das primeiras inspirações e inclinações internacionais para adentrar no mundo da música. Na minha opinião, essa música se tornou hino e uma das marcas da banda. Acredito que toda banda tem sua marca e sutilmente o seu hino. Desde o primeiro contato com a Banda Psychotria, compreendi que nosso hino e nossa marca
vêm sendo construído, o primeiro encontro foi inusitado, construir com o desconhecido criar a marca e se fazer conhecido.
Jean Paz: O punk está presente no nosso trabalho, seja na sonoridade, na atitude ou na estética.
Plebe Rude “Até Quando Esperar”
Van Batuca: Música que faz refletir e alimentar o pensamento crítico, que por sua vez reforça a ideia de que esperar não é o caminho. Sair da zona de conforto, fazer isso pulsar mais forte na vida de cada um, se encaixa em umas das propostas da banda.
Jean Paz: A Plebe é uma das bandas mais bacanas dessa geração que deixou Brasilia. E esse som é um hino.
“Maraka’anadê” (A festa dos nossos marakás) tradicional do povo Ka’apor – Adaptação Djuena Tikuna
Van Batuca: Ao passo que os povos originários seguem suas vidas com o espirito de luta, tal musica me soa com enorme vitalidade e assim a mesmo propõe a união entre os povos. Assim, acredito que á musica tem esse poder de unir os diversos povos, independente de gênero, raça, credo, com estilos variados, tudo isso e mais um pouco.
A música indígena me inspira, energiza e alimenta o meu espirito criativo.
Van Batuca: Maracatu Ilê Aláfia, Cia Caracaxá, Mucambos Raiz de Nagô e os diversos grupos e nações de Maracatu, que continuam fortalecendo a cultura tradicional de Recife, que ampliou meu olhar e permitiu misturar outros componentes dentro da proposta de musicalidade trazida pela Banda Psycotria.
Captain Beyond – “Myopic Void”

Felipe Nunes: Influenciou a bateria de duas de nossas músicas “mais soltas” (“Chacrona” e “Celofane”), em que conduzo a bateria de uma forma mais livre, sem perder a marcação.

Led Zeppelin – “In The Evening”
Jean Paz: Na verdade, tudo começou com o Led Zeppelin. No início tudo era escuridão… Ai apareceu o Felipe, fã de Led e se juntou comigo, que também sou fã, e nasceu a cozinha da Psychotria. 

Black Sabbath – “Spiral Architect”
Felipe Nunes: Essa música me dá uma brisa e ajuda a aflorar a criatividade.
Raimundos – “Mas Vó” e Zeca Baleiro – “Babylon”
Felipe Santos: Me dão o ímpeto da pegada mais reativa e “raivosa” pra tocar musicas como “Um Tucano Só não Faz Verão” e “On the Road”.
Walter Cruz: Particularmente são exemplos de sons que me influenciam e inspiram em diversos processos criativos devido a suas altas cargas e características históricas de inovação, confluência de elementos étnicos, experimentalismos e psicanálise humano-social. O produto da fusão conceitual desses e outros sons são bases fundamentais para construção do nosso som psychotríaco.
Chico Science e Nação Zumbi“Da Lama Ao Caos”
Walter Cruz: Uma das maiores influências, com certeza. Pesado, Psicodélico. Necessário.
Talking Heads – “Psycho Killer”
Walter Cruz: Outro hino de outra banda que começou tocando no CBGB.
Einstürzende Neubauten – “Sehensucht”
Walter Cruz: Para não dizer que não citamos Pistols, segue uma versão alemã dos garotos do Malcolm McLaren. Com mais ruído e sujeira. E todo o experimentalismo que desejamos para nossas canções.
Gong – “How to Stay Alive”
Walter Cruz: Essa música tem um dos clipes mais inspiradores de todos os tempos. E isso vai de encontro à nossa proposta de estimular a Multisensorialidade e sinestesia durante nossas apresentações.
Fela Kuti – “Sorrow, Tears and Blood”
Walter Cruz: Para fechar a lista e a miscelânea sonora que nos influencia, segue esse som do rei do Afro Beat. Swing na medida certa e uma letra pesada.

Construindo Amphères: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Amphères

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o trio Amphères que indica suas 20 canções indispensáveis.

Joe Cocker“With a Little Help From My Friends”
Jota Amaral: A versão 1969 de Joe Cocker naquele Woodstock foi a primeira vez que vi a música sair dos poros de alguém.

Pixies“Gigantic”
Jota Amaral: O dia que conheci a Paula ela estava se preparando para ensaiar com uma banda, timbrando o baixo e dedilhando esta música.  “Você gosta de Pixies?”, perguntei… Um mês depois estávamos com uma banda montada e mandando vários covers de Pixies. Era uma banda de fãs. Foi muito maneiro irmos todos juntos num show que teve no Lollapalooza anos depois.
Pink Floyd“Echoes”
Jota Amaral: Comecei a tocar com o Thiago numa banda que ele já tinha, substituindo nosso grande amigo Luizão. O nome da banda era Echoes. Em meados dos anos 90 eles, junto com o baixista e compositor Sansei, gravaram um EP que eu adoro. Uma pena não ter nada disso no Spotify. Posso dizer que esse som me influenciou muito, já que tive que tirar as linhasdoidas de batera do Luiz. As músicas próprias não tinham tanto a ver com essa música do Floyd, mas sempre tinha o momento de tocarmos Echoes nos ensaios.

Caetano Veloso“Jokerman”
Jota Amaral: É muita camada sonora numa única música. O arranjo é construído de forma progressiva. Um entra-e-sai de instrumentos diversos … Vários elementos percussivos somados a textura de um flatless com timbrão de avião mono motor passando longe no céu. Tem características brasileiras mas é universal. Poderia fazer uma dissertação sobre essa versão do Caetano pra canção de mister Bob Dylan.


John Zorn
“You will be Shot”
Jota Amaral: Sempre brincamos nos ensaios com essa coisa da tempestade e calmaria. Da mudança brusca de climas sonoros que John Zorn explora em níveis de insanidade bem altos.

Jorge Drexler“Tres Mil Millones de Latidos”
Jota Amaral: Como baterista, a ideia de subverter o instrumento é um desafio. Tocar pela busca do som que se deseja e não pelas convenções…Se estamos nesse mundo de passagem, porque o chimbal tem que ficar onde fica? porque a caixa tem que ter a esteira sempre ligada? E se meu coração bater apenas três bilhões de vezes? O que me impede de substituir as baquetas pelas mãos? Foda-se! Vou montar uma percuteria e morar em São Tomé.

Astor Piazzolla“Libertango”
Jota Amaral: Pode não parecer, mas isso é uma música de rock com um “vocal” triste e sexy. O bandoneón fala uma língua própria. Ele tem essa propriedade que alguns instrumentos de sopro tem, de conseguir expressar quase que literalmente os sentimentos. O casal batera & baixo vai muito bem, obrigado.

Sex Pistols“Bodies”
Thiago Santos: Se o rock bateu em mim quando pré adolescente, começou mesmo pela simplicidade e agressividade de Pistols e Ramones.
Pink Floyd“Remember a Day”
Thiago Santos: Ainda moleque, depois de ouvir muita música pesada, descobrir o Floyd foi abrir uma nova dimensão sonora e sentimental. Crescendo no fim dos 80, começo dos 90, fiz o caminho inverso do rock, e enjoei da crueza do punk/heavy pra descobrir a psicodelia dos 70.
Sonic Youth“Cinderella’s Big Score”
Thiago Santos: a primeira vez que ouvi achei que tinham me dado a fita por engano, tamanha estranheza… depois de compreender as dissonâncias, Sonic Youth (junto com Pixies) expandiram bem os horizontes.
Chico Buarque“Construção”
Thiago Santos: Ao admitir ouvir samba novamente e redescobrir esse arranjo, imaginava se John e Paul tivessem escutado essa música o que eles comentariam lá em Abbey Road.
Novos Baianos“Tinindo Trincando”
Thiago Santos: Junção perfeita do samba rock, antes dos anos 80 separarem Pepeu, Baby, Moraes e detonar eles individualmente…
Deerhunter“Helicopter”
Thiago Santos: um nova abordagem de efeitos sonoros sobre uma melancolia a la Syd Barrett.
Nação Zumbi“Um Sonho”
Thiago Santos: O Lucio Maia é um dos mais inventivos guitarristas brasileiros e nessa música, num estilo mais balada que o de costume, junto com uma puta letra e o clipe (com a filha do Chico Science e o filho do Jorge Du Peixe), ficaram melhor que nunca.
 

Siouxsie & The Banshees“Happy House”
Paula Martins: Cresci ouvindo o som de bandas inglesas dos anos 80 e essa foi uma das que mais teve influência na minha formação desde muito cedo. Nessa música, uma sonoridade muito particular vem do encontro da voz poderosa da Siouxsie com a cozinha incrível do Steve Severin e do Budgie e ainda,  na versão ao vivo, do álbum “Nocturne”, da guitarra do Robert Smith (The Cure) que é outra influência central dessa época.

Slowdive“Souvlaki Space Station”
Paula Martins: Se fosse para escolher uma só seria essa! Eu costumava ouvir com um amigo querido que morava no último andar de um prédio na Av. Paulista, contemplando a vista e as estrelas que desse para ver. O álbum todo é incrível mas aqui tem uma atmosfera espacial produzida por muito delay e reverb e conduzida por uma linha de baixo hipnótica que faz dela uma influência bem marcante.

Breeders“Cannonball”
Paula Martins: Kim Deal. Não precisa dizer mais nada. O baixo das músicas do Pixies sempre foram uma referência importante, mas essa música, que me fazia pular nas pistas da Der Temple e do Cais, tem pra mim a identidade cativante das composições dela. O baixo icônico aqui é da Josephine Wiggs.

Radiohead“How to Disappear Completely”
Paula Martins: Tem dias que eu chego a pensar que o Thom Yorke tem acesso a informações de um microchip instalado na minha cabeça. Quando ouço essa música é um desses momentos. A melancolia dela é definitivamente uma influência.

Warpaint“Biggy”
Paula Martins: Adoro tudo nessa música, o baixo é maravilhoso, gostaria muito de fazer uma linha um dia que tivesse efeito nas pessoas que essa tem mim! Tudo nela é sexy, em especial letra e vocais.

Jennifer Lo Fi“Bacon”
Paula Martins: Essa é uma descoberta bem recente, mas certamente já tem impacto na produção do nosso som. Em primeiro lugar pela decisão de passar a escrever em português. Mas principalmente por me fazer lembrar onde é possível chegar quando músicos loucos se encontram.

Zabelê, ex-SNZ, lança seu primeiro disco solo: “não quis trazer a família para o álbum, queria realizar todo o processo sozinha”

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11117039_477479875737978_1102565398_nDas três irmãs, Zabelê Gomes é a que mais se parece fisicamente com a mãe, Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo). Com uma mãe dessas e um pai como Pepeu Gomes, é claro que ela enveredaria mais cedo ou mais tarde pela carreira musical, o que fez junto com suas irmãs Sarah Shiva e Nãna Shara no projeto pop SNZ em 1997. Com o fim do trio em 2009 e a conversão de suas irmãs pela religião evangélica, Zabelê resolveu enfim seguir seu primeiro voo solo musical.

Seu primeiro disco solo conta com um time de peso: foi produzido por Domenico Lancellotti e conta com músicas de Pedro Sá, Rubinho Jacobina, Alberto Continentino e Kassin, além da participação de Moreno Veloso na música “Cara de Cão”. Em sua primeira investida sem a família, Zabelê mostra seu timbre único e se desprende um pouco do pop que fazia com o SNZ, indo para um lado mais puxado para MPB/alternativo.

Conversei com Zabelê sobre sua carreira, a influência da família em sua música e, claro, sobre o disco “Zabelê”:

– Como você definiria o conceito de seu primeiro álbum solo?

Acho que é um disco solar, leve e positivo.Tem uma mistura de MPB contemporânea e alternativa.

– Você se juntou a nomes de peso para o disco. O que levou você a escolher estas pessoas para te acompanhar nesta nova fase?
Quando convidei o Domenico para produzir, fizemos uma laboratório musical para escolha do repertório e a concepção do disco , achamos que esses músicos traduziriam perfeitamente a nossa ideia e que casariam com o disco, com as músicas e os arranjos, além de serem todos grandes amigos.

– Você está em uma fase de redescobrimento, inclusive vocalmente. Sente que alguma coisa mudou em relação a seus trabalhos anteriores, neste sentido?
Sim, estou em uma fase totalmente diferente, me descobrindo vocalmente e curtindo muito essa busca. É muito gostoso você poder usufruir da sua voz de varias maneiras e formas, é um privilégio. E esse que é o barato de um trabalho novo, o aprendizado a cada nova fase.

– Quais são suas maiores influências musicais?
É dificil rotular e escolher 1 ou 2, prefiro dizer que vai de Novos Baianos a Michael Jackson. Venho de uma geração de muitas influências diferentes, tivemos uma MPB fortíssima e um cenário Pop muito grande.

– Se você pudesse fazer QUALQUER cover, qual seria?
Tem muitos artistas que tenho vontade de cantar e eles estão na minha lista de projetos futuros. Pensamos até em regravar algum nesse disco, mas no final achamos que já tinhamos um repertório redondo que se completava. Mais posso adiantar que Novos Baianos e Caetano já estão na minha lista.

– Você está preparando o primeiro clipe de seu disco. Qual será a música? Pode me falar um pouco mais dele?
Sim, estamos preparando o clipe da música “Nossas Noites” ainda não posso te revelar muitos detalhes, mais o que posso dizer é que esta ficando lindo e tem um clima de “Jazz” dos anos 60, gravado todo em preto e branco!

10995059_803896789689361_1885526457_n– O que você acha das músicas que atualmente estão nas paradas de sucesso no Brasil?
Não me ligo muito nisso, acho que a internet nos deixou mais democráticos e a gente não precisa ficar refém das paradas de sucesso. O nosso Brasil é muito rico musicalmente e temos um leque da nova geração musical super interessante por aí, que necessariamente não estão nas paradas.

– A cultura do álbum ainda existe ou hoje em dia é mais vantajoso lançar apenas singles para que sejam baixados ou tocados em streaming?
Acredito que essa cultura do álbum ainda exista sim, apesar de não ter nada contra as questões de streaming, eu vejo o álbum de forma diferente, mais pelo lado artístico musical, como um trabalho que a cada música, a cada arranjo se completa, e que tem uma linguagem e uma concepção como um disco. Aprecio o encarte, os arranjos, e a visão daquele artista, e para isso precisamos conhecer a sua obra por completo e o que ele quis passar.

– As pessoas ainda associam muito seu nome ao SNZ? Você tem saudades desta época?
Foi uma época muito gostosa e eu aprendi muito com o SNZ, sou muito grata ao tempo que trabalhei com as minhas irmãs. As pessoas ainda me associam ao grupo e isso é muito normal, fizemos muito sucesso e o público tem muito carinho e saudade. Acho que aos poucos eles vão entender quem é a Zabelê e que agora estou seguindo um novo caminho e trilhando a minha carreira solo. Estou apaixonada pelo meu trabalho assim como foi com o SNZ e quero que as pessoas vejam isso.

– Em toda entrevista as pessoas trazem à tona o nome de seus pais. Isso te incomoda? (Se incomoda, desculpe!)
(Risos) Já estou muito acostumada! tenho muito orgulho de ser filha deles e de toda historia que eles viveram. Eles são uma referência para mim, são a minha faculdade musical. Aprendi com eles, assistindo e participando de todos os processos musicais. É claro que somos de outra geração e as pessoas tem um pouco de dificuldade de entender que somos diferentes deles. Nosso som, nossa música não é e nunca será igual a deles, nossa influência está no sangue.

10956710_1417952835180556_1255347333_n Você é uma das poucas de sua família que não se converteu à religião evangélica. Sua mãe e suas irmãs deram alguma opinião sobre seu novo trabalho? Você chegou a mostrar pra elas?
Sim, das irmãs eu sou a única que não sou evangélica e não quis trazer a família para participar desse álbum pois queria realizar todo o processo sozinha e curtir esse tempo de busca pessoal que é totalmente meu. Mostrei o trabalho já pronto para eles.

– Quais artistas desconhecidos você adora e acha que as pessoas deveriam conhecer?
No momento estou ouvindo o som do Stephane San Juan e do Moreno Veloso, eu recomendo!

Ouça a prévia de “Zabelê” aqui: