Construindo Old Books Room: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Old Books Room

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quinteto de Fortaleza Old Books Room indicando as músicas que mais influenciaram seu som.

Nirvana“Pennyroyal Tea”
Ricardo: Meu primeiro contato com o gênero rock and roll foi ainda criança botar para tocar um antigo disco de 94 do meu irmão mais velho. Pra sorte minha e ruína dos meus pais, ao ouvir pela primeira vez aqueles gritos derretendo pregos, foi paixão por aquele tipo de música que eu nunca tinha ouvido antes. Depois daí Nirvana se tornou influência pra uma vida, que logicamente é refletida nas nossas músicas.

Smashing Pumpkins“Soma”
Ricardo: Como não citar a música que leva meu solo favorito de guitarra. É impossível não se render a essa odisseia sonora que os Abóboras construíram e que culminam num dos solos mais incríveis de guitarra se puxamos pro feeling. Essa música mexe com a gente até hoje e com certeza SP também é parte fundamental no meu crescimento como apreciador de música.

Silverchair“Emotion Sickness”
Ricardo: Lembro de muuuitas tardes de sábado ou sexta que passei a tarde gastando e corroendo o mais foda disco do Silverchair, “Neon Ballroom”. Na época em que alugávamos discos pra piratear e ouvir, esse com certeza rendeu muita grana ao dono da locadora que tinha cadastro. E “Emotion Sickness” é o carro chefe forte pra sintetizar a beleza que esse disco mostrou ao mundo. Um dedilhado forte e comovente, teclados e synths incríveis, ele te transporta pra uma atmosfera sombria que descreveu muito bem aquela agonia que a gente não sabia descrever.

Placebo“Follow The Cops Back Home”
Ricardo: Conheci Placebo pelo último disco lançado por eles até aquele momento. Foi todo um caminho reverso onde só tive mais certeza que aquela voz blasé anasalada cheia de ironia e aqueles riffs de guitarras diferentões iriam marcar a minha maneira de escrever músicas e letras. A atmosfera mergulhada em delay que essa música traz te deixa paralisado e é uma das melhores pedidas para um pôr- do – sol e um suicídio coletivo, brincadeira sobre a parte do pôr-do- sol.

Ride “Dreams Burn Down”
Ricardo: Ride e My Bloody Valentine foram as bandas que nos introduziram ao shoegaze e “Dreams Burn Down” foi a primeira música do gênero que eu e o Reinaldo escutamos. Se nos nos intitulamos uma banda com o som puxado pro estilo, tenha certeza que “Dreams Burn Down” contribuiu pra isso.

My Bloody Valentine “Sometimes”
Ricardo: Depois de Ride veio My Bloody Valentine e como não cair de amores pela linda e incrível Bilinda Butcher e seus comparsas. Nós, virjões que éramos. Brincadeira, mas o violão maroto na frente dessa parede imensa de efeitos de guitarra acalma qualquer espírito.

Slowdive“Mellon Yellow”
Ricardo: Pra fechar a tríade shoegaziana não se podia deixar de fora Slowdive. “Mellon Yellow” também sintetiza o que a atmosfera barulhenta e melancólica pode causar se você não tomar cuidado e fugir. Caímos em um posso de melancolia que atinge nossa música até hoje.

Interpol“The New”
Ricardo: Interpol influenciou profundamente a nossa maneira de ouvir e entender música. Uma das nossas bandas favoritas sem dúvida alguma. “The New” traz poder e suavidade impossíveis de ser separados, onde no começo é um mar de calmaria, e no fim vem à tempestade. Paul Banks e cia escreveram músicas e letras que marcaram nossas vidas.

Verdena“Luna”
Ricardo: Graças a uma prima italiana que sempre passou as férias por aqui, tivemos acesso a essa fantástica banda de rock italiano. Me lembro da minha prima mostrando o videoclipe de “Luna” pra gente, um dedilhado que vai crescendo e ganhando força a medida que os pedais são pisados que posteriormente saberíamos que era marca registrada da banda. Foi um vício de meses, mesmo sem entendermos muito as letras. Mas música às vezes nem precisa de entendimento.

Jeff Buckley“I Woke Up In Strange Place”
Ricardo: Conhecemos o Jeff lá pras bandas de 2007 e desde lá o cara é presença marcante nas nossas playlists de cada dia. Com a voz incrível e um lirismo fodido o cara foi único e essa música é um hino pra galera que gostar de encher a cara e acordar em lugares desconhecidos.

Foals“Red Socks Pugie”
Ricardo: Foals é uma das maiores influências da Old Books Room. O domínio que essas caras têm e a construção das músicas é quase como lapidar um diamante. “Red Socks Pugie” não foge a dessa construção e o casamento perfeito que bateria, guitarradas delayzadas e baixo fazem tornam essa música incrível, um dia a gente chega lá, né…

Sonic Youth“JC”
Ricardo: “JC” é a valsa mais desafinada da história, e isso a torna diferente e barulhentamente linda. Acho que todos que valorizam um pouco de noise já viajaram bastante na voz envolvente da Kim, nós não somos exceção.

Queens Of the Stone Age“Make It Wit Chu”
Ricardo: Um vício que toda vez que toca faz o teu corpo mexer bastante. “Make It Wit Chu” traz uma das levadas mais sensuais da história com um puta solo que de jeito algum poderia ficar fora dessa lista.

Tame Impala“Apocalypse Dreams”
Ricardo: Tame Impala é uma das maiores bandas da atualidade e tem influenciado bastante nosso som, acho que dá pra dizer isso eles se tornaram um porto seguro pra muitas bandas que estão adentrando na nova psicodelia. Cito “Apocalypse Dreams” porque foi onde tudo começou pra gente.

Violins“Sinais de Trânsito”
Ricardo: Muito enganados aqueles que acham que nós não temos influências nacionais. Pra começar, cito a música que me fez conhecer uma das melhores bandas brasileiras. Com letras incríveis e bastante diferentes da maioria das letras clichês que vemos por aí, Violins é um dos principais motivos pra fazermos música em português (spoilers do próximo disco).

Red Run“Hard Shine”
Ricardo: Red Run talvez tenha sido a banda que me colocou no mundo do rock. Por quê? Foi um dos primeiros shows que presenciei e que curti tanto que tive certeza que também gostaria de fazer aquilo que aquele quarteto fazia. Talvez uma das maiores bandas que surgiram em Fortaleza, ficou sendo uma das minhas favoritas. “Hard Shine” é a música que cansei de berrar junto nos becos sujos e quentes da cidade.

2Fuzz“My Device”
Ricardo: Assim como Red Run, 2Fuzz era de Fortaleza City e também foi essencial para começarmos a colocar nossos projetos pra frente. Com uma forte influência de Soundgarden e das outras bandas de Seattle, 2Fuzz fazia shows incríveis. Fica o registro de “My Device” como primeiro e favorito hit que ouvi dos caras.

Bombay Bicycle Club“Always Like This”
Ricardo: Assim como Foals, BBC é uma das bandas prioriza gigantescamente a qualidade do instrumental, e isso nós mostrou bastante o esmero que se tem que ter ao compor os arranjos pra cada canção. Fica aí “Always Like This”, música que embalou muita vibe boa.

Dinosaur Jr. “Out There”
Ricardo: Uma das lendas dos anos 90 que tão nos corres até hoje, não tínhamos como deixar de lado a mágica que o J.(esus) Mascis faz com suas fenders. Que domínio de fuzz e wah wah meus amigos. “Out There” acelera loucamente o peito.

Nine Inch Nails“We’re In This Together”
Ricardo: Pra finalizar a “escuridão” envolvente desses caras é fundamental pra mostrar o caminho que nos synths planejam percorrer. Trent é um gênio que a gente curtiu demais. “We’re in This Together” traz uma energia que não consigo descrever, tente ouvir e ficar parada se puder.

Construindo Felappi: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Felappi

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo Felappi, do Rio de Janeiro.

Nirvana“In Bloom”
Victor Cumplido: Lembro de ouvir essa música repetidamente no máximo em um discman no Natal da família, devia ter uns 11 anos.

Paulinho da Viola“Os 5 Companheiros”
Victor Cumplido: Foi a música que me fez começar a estudar bandolim e passar uma época escutando basicamente choro.

Charley Patton – “The Prayer of Death”
Victor Cumplido: Me vejo no barco seguindo para a margem oposta, um remo de duas mãos, remando na água tranquila da morte.

Miles Davis“On the Corner/New York Girl/Thinkin One Thing and Doin Another/Vote for Miles”
Victor Cumplido: Vote for Miles! Me sugou pro jazz.

Binário“Contrapartida”
Victor Cumplido: Ia todo domingo assistir esses caras tocarem, gosto de quase todos os outros projetos dos integrantes.

Portishead“Humming”
Victor Cumplido: Bruxaria forte!

Adoniran Barbosa“Vide Verso Meu Endereço”
Victor Cumplido: Essa música me lacrimeja, choro por dentro.

Cat Power“Colors and the Kids”
Victor Cumplido: Esse disco todo parece que você está dentro dele, um convite de alguém para se sentar na sala, olhar a janela…

Luiz Gonzaga“Súplica Cearense”
Victor Cumplido: Luiz Gonzaga é gigante, tal qual o Nordeste e seus ramos.

Mozart“Rex Tremendae Majestatis”
Victor Cumplido: É uma das músicas em que sempre fico arrepiado na mesma parte, de uma gravação específica.

Tom Waits“God Away From Business”
Fela Montparnasse: Amo a forma rústica que o Tom Waits trabalho o vocal dele nessa música. A impressão que eu tenho é que ele perdeu a voz com o passar dos anos, e tentou adaptar o timbre dele à sua nova realidade artistica. Talvez essa seja a canção mais percussiva que o Waits produziu, por causa desse timbre errático.

Pin Ups“Loneliness”
Fela Montparnasse: Talvez seja a canção mais cosmopolita que eu ja tenha ouvido. Quando eu era adolescente, e morava em Niterói, o mais próximo da cidade grande que eu cheguei até então, foi ouvindo esse álbum. Eu realizei o meu sonho platônico, de me tornar um cidadão do mundo, ouvindo esse álbum.

Jair Naves“Araguari”
Fela Montparnasse: O Jair Naves vem de um background bem pesado e errático. O cara começou a carreira como músico do Okotô, que foi uma das bandas mais pesadas de SP. Achei justo ele se submeter a
gravar uma música “rancheira”, meio caipira, pra expressar a saudade. Acho que essa canção é sobre envelhecer.

Can“Vitamin C”
Fela Montparnasse: uma das canções mais modernas que eu já ouvi. Pra mim, essa canção tem o refrão dos mais sinceros: “Ei você, você está perdendo a sua vitamina”;

De Leve“Pra Bombar no seu Estéreo”
Fela Montparnasse: Essa canção é um verdadeiro suicidio comercial. Em apenas 3 minutos, o De Leve consegue detonar o Djavan, DJ Patife, Max de Castro, Sandy, KLB, e proclama: Carlinhos Brown manda mal e o Zeca Baleiro é presepeito; Não sei se concordo com ele, porém, começar o primeiro disco da carreira, já tacando merda no ventilador dessa forma…

Suicide“Ghost Rider”
Fela Montparnasse: Eu poderia morar nessa música. Não tem guitarra, nem bateria, e mesmo assim, consegue expressar uma violência inclassificável. Conhecia essa canção quando me separei de minha primeira esposa. Belo trauma, né não?!

Cibelle “Lightworks”
Fela Montparnasse: Outra artista cosmopolita. Acho incrível a forma em que a Cibelle trabalha a voz dela nessa versão, tem muito de Gal Costa aí, mas tem muito de artista que mete o pé na estrada, caçando vivência.

Serge Gainsbourg“New York U.S.A.”
Fela Montparnasse: Gainsbourg é meu herói musical e esse som remete a Babatunde Olatunji (sim, ele chupou o disco inteiro do Babatunde), porém é esse cinismo que me interessa do Gainsbourg.

Walter Franco“Feito Gente”
Fela Montparnasse: Mais hip-hop do que hip-hop. É sério, eu acho essa canção, uma grande música de rap psicodélico, composto em 1970 e blau.

Arrigo Barnabé“Clara Crocodilo”
Fela Montparnasse: A única vez que eu chorei assistindo a um show na minha vida. Nunca vou entender como o Arrigo teve essa iluminação (e visivelmente, nem ele)…

Construindo Naissius: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do artista

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Construindo Naissius

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a participação do Naissius, que se apresentará nessa sexta-feira na Sensorial Discos com o repertório de seu disco de estreia, “Síndrome do Pânico”, além de músicas inéditas que estarão em seu próximo álbum. 

The Beatles“Hello Goodbye” (do disco “Magical Mistery Tour”, 1967)
Quando era criança, vi o clipe desta música e não entendi nada; foi a primeira que lembro ter sentido vontade de me tornar músico.

Jeff Buckley“Lover, You Should’ve Come Over” (do disco “Grace”, 1994)
O Jeff Buckley me mostrou que não havia problema algum em adorar Nina Simone e MC5 numa época em que eu ainda era um tanto ‘purista’.

Screamin’ Jay Hawkins“I Put a Spell On You” (do disco “I Put A Spell On You”, 1977)
Eu já adorava essa música quando criança, na versão do Creedence – meu pai tinha uma coletânea do Creedence e eu sempre escutava. Fui descobrir a versão original muitos anos depois e hoje tenho o estranho hábito de procurar versões dela na internet. São inúmeras, por diversos artistas, mas nenhuma supera a original.

Raul Seixas“A Maçã” (do disco “Novo Aeon”, 1975)
Aos 13 anos de idade interpretei o Raul Seixas no teatro e, para pegar o ‘sotaque’, fui ouvir toda a discografia dele. ‘A Maçã’ é sobre esse conceito de monogamia e traição que somos submetidos desde o nascimento e o qual nunca questionamos – além de ser uma das melhores músicas do Raul.

The Clash“Know Your Rights” (do disco “Combat Rock”, 1982)
O The Clash foi a primeira banda de punk rock que eu me apaixonei. O ‘Combat Rock’ foi um dos primeiros discos que eu comprei na vida e teve grande influência na minha formação.

Minor Threat“Guilty of Being White” (do disco “Complete Recordings”, 1988)
Eu já fui menosprezado por estar em lugares que não eram para ‘pessoas como eu’; o engraçado é que isso já aconteceu tanto por eu ser ‘muito branco’ quanto por ser ‘muito preto’.

Titãs“Desordem” (do disco “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”, 1987)
Ainda me pergunto como os Titãs conseguiram fazer músicas com letras tão fortes se tornarem hits nacionais.

Chemical X“What’s Your Problem?” (da demo “What Ever Happened?”, 2003)
Trio de irmãs que tocam um punk rock de primeiro nível. Na minha adolescência era um alívio vê-las tocando entre tantas bandas que soavam iguais. Através delas eu passei a me interessar por feminismo, o movimento riot grrl e bandas como o Bikini Kill.

Nirvana“Sappy” (do box “With The Lights Out”, 2004)
As primeiras vezes que vim para São Paulo foram de trem, descendo na Luz, para passar a tarde na Galeria do Rock atrás de bootlegs. Quando ouvi essa música do Nirvana num CD de raridades, percebi que ela fugia do padrão ao relatar a vivência de uma mulher que leva uma vida de abusos e não se dá conta disso.

MC5“Kick Out The Jams” (do disco “Kick Out The Jams”, 1969)
Provavelmente uma das melhores músicas já escritas até hoje.

The Monks“Monk Time” (do disco “Black Monk Time”, 1966)
São ‘os Beatles do mal’. Não vou resumir a história pois vale muito a pena ir atrás dessa banda e desse disco. É pop com caos numa medida que nunca havia sido feita e provavelmente nunca mais será.

John Lennon“God” (do disco “Plastic Ono Band”, 1971)
Lennon usou seu primeiro disco para lavar a roupa suja com todo mundo, inclusive com o todo-poderoso, que ele se refere como ‘um conceito pelo qual medimos nossa dor’. Sigo o conselho de um amigo e sempre que escuto esse disco o faço ‘com muito cuidado’.

Chico Buarque“Construção” (do disco “Construção”, 1971)
Meus pais sempre ouviram muito Chico e ainda criança lembro que essa música me assustava: a crescente dos arranjos; a letra; a ideia da morte inevitável e repentina… É uma música que me impactou muito.

Nick Drake“Saturday Sun” (do disco “Five Leaves Left”, 1969)
Quando estava escrevendo o ‘Síndrome do Pânico’ eu ouvi muito os discos do Nick Drake. São de uma simplicidade e beleza tão raros… Nada é forçado ou exagerado.

New York Dolls“Personality Crisis” (do disco homônimo, 1973)
O New York Dolls me deu um nó no cérebro: usar calças rasgadas não parecia nada audacioso depois de ver caras vestidos de mulher tocando um rock sujo e minimalista. Ao conhecer a banda eu finalmente passei a tentar (des)construir minha própria imagem.

Fagner“Canteiros” (do disco “Manera Fru Fru Manera”, 1973)
É a música que eu canto no karaokê.

Chris Bell“I Am The Cosmos” (do disco “I Am The Cosmos”, 1992)
Se a discografia do Big Star é desconhecida e subestimada, esse disco solo de um dos integrantes é um tesouro perdido (lançado 15 anos após sua gravação). A música é a que dá nome ao disco e é daquelas que sempre me pega pelo nervo.

Ryan Adams“Afraid Not Scared” (do disco “Love Is Hell”, 2004)
O ‘Love Is Hell’ é um disco maravilhoso e essa é uma das minhas favoritas desse disco e de toda a discografia do Ryan Adams.

Rodriguez“Sandrevan Lullaby Lifestyles” (do disco “Coming From Reality”, 1971)
Uma das minhas letras e música favoritas. Conheci o Rodriguez uns anos antes de sair o documentário sobre sua obra e desde então seus dois discos que servem como uma espécie de bússola.

Mark Lanegan Band“Bombed” (do disco “Bubblegun”, 2003)
Ouvi esse disco quando saiu. Me fez entender que não é necessário ter guitarras ou gritos para ser rock.

Kurt Cobain, 50 Anos de Música (Uma Eulogia)

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Kurt Cobain

Poptopia!, por Daniel Feltrin

Poptopia
Morre uma lenda.

Há exatos 50 anos nascia Kurt Donald Cobain na cidade de Aberdeen, Washington, no noroeste americano. Kurt cresceria nos arredores de Seattle para se tornar um dos expoentes do chamado Seattle Sound, também conhecido como grunge. Há menos de 23 anos, em 5 de abril de 1994, o frontman do Nirvana era encontrado sem vida em sua casa num bairro de Seattle. Morto aos 27 anos de idade, Cobain acabou se tornando uma das últimas lendas do rock.
A morte de Cobain, assim como sua vida, se traduz não só pela brusquidão da brevidade, mas sim pela longevidade do seu impacto. Uma época em que o rock cresceu se desenvolveu e morreu.

O grunge, encabeçado pelo Nirvana de Kurt foi uma retomada do hard rock dos anos 70, dos cabelos compridos e da filosofia humanista oprimida na violência das suas letras e raiva de suas guitarras. A banda de Seattle, com as letras amargas, muitas vezes sem sentido e o instrumental mais simplista beirando o punk rock denotavam uma espécie de deboche à tudo que o rock criou e exauriu.

Fede a espírito adolescente.

Exemplo de contracultura desde seu início nos anos 50, o rock tinha se tornado justamente o contrário do que pregava. Um estilo formatado e representante do status quo no final dos anos 80. O hard rock e o metal não traziam nada de novo e o punk dependia muito da cena política conservadora que já vinha soltando as amarras com a decadência das Thatchers e Reagans.

Nesse contexto, o grunge floresceu nas partes mais frias da América e com o Nirvana explodiu mundialmente. O já citado deboche e as canções com refrões nervosos e contagiantes conquistaram o público de uma forma inesperada. O sucesso foi imediato. O clipe de “Smells Like Teen Spirit” começou a passar continuamente na MTV e de um dia para o outro todo mundo conhecia o Nirvana e o grunge com seu estilo icônico de calças jeans rasgadas no joelho e camisas flanela.

Essa talvez tenha sido a perdição de Cobain, pois, nunca soube lidar com o status de celebridade e as exigências impostas pela viciada indústria musical inflada da indústria da qual fazia parte agora. O peso da sua própria persona o esmagava e seu vício em heroína, que usava para fugir de si mesmo, aumentava.

Muito se tenta explicar sua personalidade conturbada. Há documentários (entre os mais famosos o recente “Montage of Heck” e o clássico “Kurt & Courtney”) e biografias (a mais famosa “Heavier Than Heaven”), pois é claro que o sucesso e atenção teve um peso enorme na saúde mental do músico. Mas é sempre visível uma dualidade de trevas e luz na vida de Kurt.

Luz e Trevas

O ano de 1967 foi marcado como o ano da psicodelia na música. No lado iluminado da força “Sgt Peppers” dos Beatles. No lado negro da força, “Piper at the Gates of Dawn” do Pink Floyd. O mundo precisava dizer algo através da quebra de convenções, da liberdade da imaginação e do uso do rock e das drogas. Seja pelo lado otimista e inspirado da melhor fase de Paul McCartney ou pela já decadente genialidade de Syd Barrett, a contracultura que bateria forte no mundo no ano seguinte já se levantava pela voz jovem da cultura pop.

Essa dualidade é traduzida perfeitamente no primeiro disco de um cantor que se lançaria ao mundo nesse mesmo ano de 1967. David Bowie que, apenas três anos depois, lançaria um dos discos que mudariam a vida de Cobain exibindo suas longas madeixas da capa de “The Man Who Sold the World” cuja canção título seria gravada e imortalizada por Kurt no acústico do Nirvana em 1993.

A ambiguidade de Bowie sempre foi reconhecida na própria ambiguidade de Kurt. Pessoa gentil e que possuía tanto amor e compreensão do mundo ao mesmo tempo em que essa vontade enorme de abraçar o mundo o levou a autodestruição antes mesmo da fama.

Bowie seria o exemplo de artista perfeito para Kurt, decisivo e de personalidade forte, o cantor inglês demonstra sem medo toda a gama de criatividade refletida na sua ambiguidade sexual, musical e artística.

Há o mesmo tour de force criativo na personalidade de Cobain. Uma mistura de luz e trevas através do viés potente da música pop e distorcida do rock. De certa forma, Cobain é uma espécie de Bowie do fim dos tempos, com a mesma verve pela inquietude artística, mas oprimido pela sua própria limitação auto-sabotadora.

Terminal

Em 5 de abril de 1994 para muitos morreu o rock com Kurt. O grunge teve todo o seu poder, pois evocava tudo aquilo que o rock tinha sido até então num movimento poderoso, mas fadado ao fim. Estava tudo ali: punk, metal, progressivo, pop, gótico, folk, indie, etc. Como numa convulsão o grunge explodiu para o mundo e rapidamente esvaneceu após a morte de Cobain. Como o próprio diz em sua carta de despedida: “É melhor queimar do que desaparecer”.

O grunge explodiu com o Nirvana e morreu com ele, mas o que morreu de fato foi o rock no mainstream. O rock como estilo de massas, como grande lotador de estádios. Das cinzas restaram as bases mais fundadas com o rock alternativo que por si só é a contracultura em essência. As bandas que influenciaram Kurt como Sonic Youth, Pixies e Meat Puppets solidificaram-se ainda mais como representantes do que rock significava de verdade, e delas todo um conceito de música alternativa e independente (o famigerado indie) se consolidou e cresceu de forma multifacetada.
Seria muito fácil terminar esta eulogia reforçando a imagem de mártir de Kurt Cobain, porém, dificilmente essa seria sua vontade. Não consigo imaginar um Kurt de 50 anos se preocupando com mártires e ícones que são utilizados como capital ao vender uma imagem estacionária e irreal dos músicos que representam. Prefiro pensar num jovem senhor cuja vontade de se reinventar permaneceria, mesmo depois de crises e crises, assim como a contracultura que se fortalecia quando ele nasceu.

Prefiro celebrar os 50 anos de Kurt celebrando a contracultura de qual ele fez parte e se criou, celebrando 50 anos de música que fez de Cobain um dos maiores artistas dos nossos tempos.

1991: o ano em que o Nirvana (e “Nevermind”) mudou as leis da música

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No Walkman, por Luis Bortotti

Há 25 anos atrás, 1991 ficava marcado como o ano em que o rock mudou. O cenário musical passava por mudanças extremas, principalmente com a chegada do CD e a consolidação da MTV e sua promoção de artistas e videoclipes. Entretanto, o cenário rock’n’roll não apresentava sinais de que acompanharia essa evolução, vivendo uma fase tomada por artistas pop e por roqueiros cheios de laquê no cabelo que se arrastavam para permanecerem nas paradas. Tudo mudou em setembro daquele ano, quando Nevermind, o segundo disco de um trio desconhecido vindo de Seattle, foi lançado, e então, os Estados Unidos abraçaram o punk rock mais uma vez.

O Nirvana nunca foi a banda mais importante daquele movimento, denominado pela mídia como grunge. Aliás, era uma banda pequena e que ninguém apostava uma mísera camisa de flanela, afinal, bandas como Soundgarden, Alice In Chains e Mudhoney dominavam o cenário há anos e alguns até já possuíam contrato com gravadoras maiores. Entretanto, foi “Nevermind” quem colocou Seattle no mapa e junto, toda uma revolução grunge de adolescentes, talvez cansados da forma como o entretenimento e o “sonho americano noventista” caminhavam, recheados de sobras da década anterior.

Muito do sucesso do disco deve-se aos vários elementos do rock ali presentes. Temos o peso e a obscuridade vindos da influência do Black Sabbath, a simplicidade e a ira punk dos Sex Pistols, a melodia suave dos The Beatles e muito do lema “faça você mesmo”, vindo de bandas de rock alternativo dos anos 80, como Pixies e REM. O segundo disco do Nirvana tinha tudo para se tornar um clássico.

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Clássico desde a sua capa. Afinal, quem não conhece a imagem do bebê nadando pelado atrás da nota de um dólar? A gravadora logicamente tentou uma censura, mas Kurt Cobain falou que a única opção seria de inserir um adesivo escrito “se você se ofende com isso, é um pedófilo enrustido”. A gravadora voltou atrás e a imagem se tornou uma obra da arte contemporânea.

Em seguida, quatro acordes: F Bb G# C#, repetidos tristemente duas vezes até a explosão da bateria e a inclusão da distorção. “Smells Like Teen Spirit” abre com maestria o disco, nos injetando suavemente tudo o que teríamos pela frente. Muito da fórmula do Nirvana realmente está aí. Versos calmos e refrão pesado. O próprio Cobain citou que tentava soar como Pixies, mas ele foi muito além. Sua letra genial, tomada por passagens das dores de Cobain, atingiu o público, que ouvia ali o reflexo dos problemas adolescentes comuns no mundo inteiro.

Bom, não vou falar de todas as músicas aqui. Todas são boas, pode acreditar! O trabalho de Bucth Vig foi essencial, mas a genialidade de Cobain em suas composições, somada a desenvoltura do baixo de Krits Novoselic e a atitude hardcore agressiva de Dave Grohl (que definiu a formação clássica e ideal da banda), também foram essenciais para a composição desse clássico. Citarei então, as canções mais importantes de um ponto de vista para a banda e relativamente para a história do rock.

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“Lithium” é a quinta faixa do disco. Seus versos depressivos casam perfeitamente com o título, um antidepressivo utilizado em tratamentos psiquiátricos para controle de alternância de humor. E na letra essa alteração é visível. Kurt canta uma falsa felicidade de apoio de amigos e da religião, ele busca uma justificativa de seu fracasso (ele estava deprimido na época, graças ao caminho que a banda seguia e 2 relacionamentos amorosos falhos). Em seguida, volta à sanidade e diz que não irá enlouquecer. E na própria música temos isso, versos calmos, intercalados por refrões gritados e pesados. Uma perfeita alteração de musicalidade em uma das mais belas canções já compostas.

“Polly” é a canção seguinte. Engraçado como ela foi aclamada pela mídia e virou uma sensação das rodinhas de violão. Isso, pelos que se dizem fãs da banda, mas não tem o mínimo de esforço em analisar o trabalho de um artista e apenas acompanham a moda. A canção é baseada em um fato real, em que uma garota saiu de um clube punk rock em Seattle, foi sequestrada e estuprada, porém escapou, graças a um descuido do maníaco. Kurt ficou tão vidrado na história que compôs a canção após ler a matéria e, é claro, colocou suas opiniões em toda letra. Com total crítica ao machismo, a Polly da letra se mostra muito mais inteligente em relação ao molestador, enganando-o e escapando. Kurt mesmo viria a declarar: “se você é racista, sexista e homofóbico, por favor, não venham aos nossos shows, nem compre nossos discos, não queremos vocês como fãs!”, uma clara crítica aos falsos fãs modistas, muitos com os quais Cobain presenciou o estilo em toda a sua adolescência.

E para fechar, texto e disco, temos “Something In The Way”. Canção que retrata o abandono pelo qual Cobain sofreu de seus familiares. Calma, suave e perturbadora, a canção cita como é morar solitariamente debaixo de uma ponte (uma das histórias de Cobain inventadas para brincar com a mídia). Kurt só a apresentou aos companheiros de bandas dias antes das gravações do álbum. Um curinga em sua manga, afinal, ele já conhecia a incrível força dessa música. Durante as gravações, ela não soava como Kurt queria, e então, entrou na sala de Butch Vig e mostrou como ela deveria ser. Vig trancou as portas, desligou o telefone e gravou os tristes sussurros de Cobain. Em seguida, acrescentou todos os outros instrumentos que, com extrema dificuldade, conseguiram acompanhar o desafinado violão de cinco cordas de Cobain.

Volto a recomendar o álbum inteiro. Nevermind é uma jovem obra-prima, não só do rock’n’roll, mas de toda a música mundial. Item obrigatório em qualquer coleção de discos. Se você ainda não o conhece por inteiro, não perca tempo(!!), e veja como é possível fazer um rock simples, pesado e genial. O rock de três cabeludos sujos de Seattle que mudaram a cara do rock, ajudaram no reconhecimento de artistas alternativos e desbancaram Michael Jackson do primeiro lugar das paradas.

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Nirvana – Nevermind | #temqueouvir!

– O DISCO INTEIRO!

Nirvana – Nevermind | #singles

“Smells Like Teen Spirit” | 10 de Setembro de 1991

“Come as You Are” | 2 de Março de 1992

“Lithium” | 13 de Julho de 1992

“In Bloom” | 30 de Novembro de 1992

Nirvana – Nevermind | #ouçaagora!

A fita K7 com “No Alternative” e uma das melhores introduções ao rock alternativo

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No Walkman, por Luis Bortotti

“No Alternative” é uma compilação lançada em 1993 em prol da luta de combate à AIDS, da Red Hot Organization, pelo selo Arista. Idealizada por Paul Heck e Chris Mundy, que passaram 2 anos montando o projeto todo, a obra trouxe grandes nomes do rock alternativo que dominava as paradas mundiais no começo da década de 90.

Meu primeiro contato com o álbum foi totalmente inconsciente, afinal, emprestei de um amigo a fita K7 que tinha uma música inédita do Nirvana. Era apenas uma música que eu queria escutar (ainda mais porque na época eu praticamente só escutava o trio de Aberdeen), entretanto, acabei recebendo de bandeja uma dezena de músicas sensacionais de bandas e artistas que passaria a escutar nos anos seguintes.

A tal música do Nirvana, de fato, é uma das principais do disco. Não creditada na versão original da compilação, “Sappy” é uma sobra de estúdio do In Utero” (também de 1993). Entretanto, já era tocada pela banda desde 1989, tendo versões rejeitadas pré-Nevermind”. Na época do lançamento do disco, ela ficou conhecida pelos fãs como “Verse Chorus Verse”, que viria ser o nome dado a outra canção da banda.

Claro que escutei à exaustão a música, afinal, era uma música inédita da minha banda preferida. Ainda mais em uma época em que a internet ainda caminhava em downloads lentos e com poucas fontes de B-sides e raridades. Mas, com o tempo, arrisquei conhecer o que aquela pequena fita tinha a me oferecer. E foi amor à primeira ouvida de várias músicas.

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Entre faixas inéditas, sobras de estúdios e versões ao vivo, “No Alternative” se mostrou um disco incrível. Mesmo eu mal conhecendo quem estava ali.

Uma das primeiras que fez eu viciar o botão de rewind foi “Iris”, do The Breeders, em uma poderosa versão ao vivo. Com ela, os caminhos para se viciar em The Breeders e Pixies estavam mais do que abertos.

O mesmo com o Pavement, que aqui marca presença com “Unseen Power of The Picket Fence”, b-side do single, que ainda seria lançado, “Shady Lane”, em plena declaração ao REM. Mal havia parado de ouvir e logo ganhei o Wowee Zowee” (sem encarte ou caixinha) de um ex namorado da minha irmã.

“No Alternative” é realmente um passeio por grandes ápices dos anos 90. A fita K7, com ele gravado, me apresentou o mundo do The Smashing Pumpkins, de Billy Corgan, graças a “Glynis”, “Zero” e “Bullet with Butterfly Wings”, que também estavam gravadas com o disco, e reforçou as primeiras escutadas de Soundgarden, afinal, eu estava descobrindo o grunge. O baixista doidão, Ben Shepherd, assina “Show Me”.

Do rock ao hip hop alternativo, com “It’s The New Style” dos Beastie Boys, de quem eu sempre adorava os clipes e depois iria pirar com o punk hop (???) do Licensed to Ill”, indo até o folk canadense de Sarah McLachlan, que me lembrava muito Alanis.

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O disco ainda conta com um dos pais do rock alternativo, Bob Mould, com “Cant Fight It”, Buffalo Tom, com “For All To See” e até Goo Goo Dolls fazendo cover de “Bitch” do Rolling Stones.

No total, são 19 fantásticas faixas lançadas no dia 26 de outubro de 1993, ou seja, na explosão da cena alternativa. No ano seguinte foi lançado um VHS, em parceria com a MTV, com videoclipes e performances ao vivo de algumas canções da compilação e de apresentações de outras dos artistas participantes e apoiadores da causa. O home video também vinha com informações sobre o combate à AIDS.

E fica a minha oferta de você adentrar aos anos 90 ao som da excelente compilação “No Alternative”, da Red Hot AIDS Benefit Series, uma coleção de compilações dos mais diversos gêneros musicais que arrecada, anualmente, importantíssimos apoios aos portadores de AIDS, além de conscientizar toda uma sociedade através da cultura pop.

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NO ALTERNATIVE 1993 | CURIOSIDADES

– O disco possui duas versões de capas diferentes. A versão com o garoto censurado não possui a faixa do Nirvana listada, já algumas versões do CD com a garota censurada na capa, possuem o nome gravado como “Verse Chorus Verse”.

– No Record Store Day 2013, “No Alternative” foi relançada pela primeira vez em vinil, em uma edição especial comemorativa de 20 anos. Curiosamente, algumas dessas versões também saíram sem os créditos ao Nirvana, mantendo assim a arte das primeiras prensagens.

– A versão em K7 possui duas músicas adicionais: “Burning Spear”, do Sonic Youth, e “Hot Nights”(live), de Jonathan Richman.

NO ALTERNATIVE 1993 | #TEMQUEOUVIR

1. “Superdermormed” (Matthew Sweet)
2. “For All to See” (Buffalo Tom)
7. “Unseen Power of the Picket Fence” (Pavement)
8. “Glynis” (The Smashing Pumpkins)
9. “Can’t Fight It” (Bob Mould)
10. “Hold On” (Sarah McLachlan)
11. “Show Me” (Soundgarden)
16. “It’s The New Style” (Beastie Boys and DJ Hurricane)
17. “Iris” (The Breeders)
19. “Sappy” (Nirvana)

NO ALTERNATIVE | OUÇA AGORA!

Sub Pop 200: a compilação que deu o pontapé inicial do grunge

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No Walkman, por Luis Bortotti

Hoje, começo a assinar a coluna No Walkman aqui no Crush em Hi-Fi e nela irei comentar sobre os principais, os melhores e alguns desconhecidos discos de rock alternativo dos anos 90. Lembrando que essa década engloba final dos 80 e início dos 2000. E para inaugurar a coluna, trouxe a compilação Sub Pop 200.

O ano é 1988. O quê futuramente viria a ser conhecido como grunge dava os seus primeiros passos. Na verdade, uma fértil leva de bandas de rock alternativo já existia em Seattle, porém, sem apoio de grandes gravadoras e selos comerciais.

Com a visão da força daquele cena musical que se criava, Bruce Pavitt e Jonathan Ponemam transformaram seu fanzine, Subterranean Pop, na gravadora Sub Pop, sendo esse o selo que abraçaria todas as bandas da região e permitiria que elas lançassem os seus discos.

Um dos primeiros discos lançados pela Sub Pop foi o Sub Pop 200, uma compilação que reunia as principais bandas da gravadora. Na lista, nomes bem conhecidos da noite de Seattle, como: Beat Happening, Soundgarden, Green River, Mudhoney e TAD.

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O disco é um repertório de microfonias, fuzz e barulho ao melhor estilo grunge. Logo de cara temos a injeção do medo em forma de notas, com o peso do TAD em “Sex God Missy”. Em seguida, “Is It Day I’m Seeing”, do The Fluid, mostra o quanto diferente cada banda de Seattle soava, uma verdadeira mistura de punk rock e heavy metal com palhetadas de rock clássico e barulheiras do rock alternativo de 80.

A terceira faixa pode ser considerada a cereja do bolo, afinal, “Spank Thru” é considerada a primeira música do Nirvana. Na época em que Sub Pop 200 foi lançado, a banda de Kurt Cobain era o patinho feio da cena, porém, a situação iria mudar nos meses seguintes com as gravações de “Bleach”, o primeiro disco do Nirvana.

Os grandes nomes eram o Mudhoney e Soundgarden, que no disco marcam presença com “The Rose” e “Sub Pop Rock City”, respectivamente. A primeira, uma dose misturada de fuzz e esteira da caixa de bateria, a segunda, uma sátira ao clássico do Kiss “Detroit Rock City”, que tenta traduzir o que rolava em Seattle na época, principalmente, com a pequena Sub Pop.

O disco vai tocando e as boas faixas continuam. “Swallow My Pride”, talvez o primeiro hino grunge (original do Green River e que já foi tocada por Soundgarden e Pearl Jam), ganha uma versão menos agressiva com os longos vocais de Kim Warnick dos punks do The Fastbacks, um verdadeiro cruzamento da velha e nova geração de bandas de Seattle.

O Green River, considerada a primeira banda do movimento e que originou o Mudhoney e o Mother Love Bone, figuram com a hipnótica “Hangin’ Tree”, e o Screaming Trees, liderados por Mark Lanegan, dão rouquidão a “Love Or Confusion” de Jimi Hendrix, até então, um dos poucos ídolos da cidade de Seattle.

O disco, que no formato original foi lançado em 3 EP’s, é uma excelente terapia para quem deseja se aprofundar no estilo grunge. Bandas boas que pouca gente conhece estão ali, como por exemplo: Beat Happening, Blood Circus e Girl Trouble.

Sub Pop 200 é uma compilação obrigatória para fãs do bom rock alternativo e apresenta bandas que marcariam presença diária na MTV nos anos 90 em seus melhores momentos embrionários. Apenas, ESCUTE!

sub pop 200 produção

SUB POP 200 | Curiosidades

– A ilustração da capa foi feita pelo cartunista Charles Burns, que frequentemente realizava trabalhos para a Sub Pop, como capas e posters.

– Apenas 5000 cópias foram feitas do set com 3 EP’s que ainda incluía um pequeno livro de 20 páginas.

– A versão de “Spank Thru” foi gravada no dia 11 de Julho de 1988 no Reciprocal Recordings, em Seattle, e conta com Chad Channing na bateria e os backing vocals do produtor Jack Endino.

SUB POP 200 | OUÇA AGORA!

Jack Daniel’s Saloon, ou Lynchburg a duas quadras do metrô Pinheiros

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Jack Daniel's Salloon
foto da página oficial do Jack Daniel's Salloon

Lemmy Kilmister, Keith Richards, Frank Sinatra. Os três apreciavam um bom gole de Jack Daniel’s, cada um a sua maneira. Além do gosto pelo legítimo whiskey de tennessee, o trio possuía em comum a sede pela essência, mesmo que em diferentes gerações e abordagens.

Pelo segundo ano em São Paulo, o Jack Daniel’s criou um bar temático, dessa vez instalado em frente ao Largo da Batata, em Pinheiros. Ao sair da estação Pinheiros de metrô e caminhar até o Jack Daniel’s Saloon, o trecho é um passeio turístico, talvez inusitado. Um bar com música voz e violão, outro com jukebox do melhor da música brega, enquanto uma lanchonete durante o dia vira uma boate ao anoitecer, com grupo formado por violão, bateria eletrônica e um vocalista que se apresenta como se estivesse em um estádio. Respeitável.

foto por Pedro Couto
foto por Pedro Couto

Ao adentrar no Jack Daniel’s Saloon, entra-se no universo de Jack Daniel’s, jarros de milho, centeio e cevada ganham foco de luz; frases de efeitos, típicas do Velho Jack, ficam expostas por todo o bar; pedaços de carvão – ingrediente para a filtragem que garante o selo de “tennessee whiskey” ao invés de bourbon – ganham a forma de cortina para que a imersão à marca seja tão precisa quanto sua receita.

O cardápio, obviamente, é centrado no Jack, com drinks clássicos como Jack & Cola até outros exclusivos. Além da linha padrão deles – Old Nº7, Honey, Gentleman… até o modelo em homenagem a Sinatra está à venda -, cervejas importadas e outras opções também estavam a disposição.

Até o momento, tudo parece fazer sentido: uma viagem direto para Lynchburg… a duas quadras do metrô. Mas…

A grande maioria do público não parecia querer estar lá pelo significado do local. A geração pós-‘Eu Fui!’ honrava a frase. Estava lá pelo registro de estar e não pela memória de viver. A banda, Leite Paterno, que infelizmente focou o show no “Nevermind” do Nirvana, fingia um rock que soava tão irônico quanto pasteurizado. O público gostava das radiofônicas, ignorando o significado da obra. O vocalista mencionou Krist Novoselic como “o baixista lá…”. Resumindo: o que o bar oferecia de imersão e significados se transformava em pasteurização de estilo harmonizado com um molho ralo de gente escrota.

O show do Leite Paterno talvez tenha ficado íntegro e honesto quando eles começaram a tocar as músicas próprias. Porém, neste momento, metade da pista já não via utilidade para estar lá. Relembrar, então, muito menos. Já estava tudo no Instagram.

Playlist do ódio: confira as músicas que os DJs não suportam mais tocar (mas as pessoas ainda pedem)

Quando você está na balada e as caixas de som começam a disparar aquele megahit que toca em todo lugar, o público pode estar gritando, falando ~é minha músicaaaaaaaa~, dançando e se descabelando. Mas do lado de lá da cabine do DJ, alguém pode estar contemplando um suicídio a la Didi Mocó mentalmente.

Os DJs, lógico, tocam as músicas que agradam o público. Mas será que eles gostam de tocá-las? A resposta é óbvia: muitas vezes, NÃO. Conheça agora algumas das músicas mais odiadas pelos DJs (Arctic Monkeys está em primeiro lugar disparado):

Leo Buccia Rock Bits (Tex Bar)/Combo Hits (Lab Club)
“Psycho Killer”, Talking Heads
Não aguento mais tocar/ouvir/lembrar que existe: “Psycho Killer” do Talking Heads. Porque tocou em todas as festas que fui nos últimos 7 anos. Mas o que não aguento mais ouvir pedido é outra música da mesma banda que está tocando.

Lorenna Santos LA (Mono Club)
“Psycho Killer”, Talking Heads
psycho killer, porque é uma música que há 5 anos já toco, em 80% dos meus sets rockers, e já ” abusei “. Amo a tal e sei que ela levanta qualquer pista, mas chega uma hora que você toca tanto uma musica que cria um abusinho. Mas logo passa e eu volto a tocar ela com todo prazer desse mundo.

Elijah Hatem #PartyHard/Trends (Blitz Haus)
“Turn Down For What”, DJ Snake feat. Lil Jon
“Porque JÁ DEU! (risos). Mas continuo tocando, porque a explosão da pista é incrivel”

Naty Monteiro Indie Party (Cine Joia)
“Do I Wanna Know”, Arctic Monkeys
“Gosto da banda e do álbum AM, mas pra pista ela é muito chata. E talvez seja a música do AM que a galera mais pede.
Gente, música boa pra dançar do Arctic Monkeys tem de monte. Mas as pessoas só lembram do AM…”

Marcos Paiola Bagaço da Laranja (Inferno)/Manda Nudes Party (Squat)
“Boys Don’t Cry”, The Cure
“Eu nunca fui fã dessa música, embora já tenha dançado muito, e na minha primeira discotecagem, pra não fazer feio, ela tava lá e se manteve por alguns meses. E sempre elogiavam ela, ou vinham me pedir. Eu tenho um certo trauma com essa música. E eu gosto muito dos indies farofas que não podem faltar nas festas, embora eu ache um saco ter que ter sempre “Somebody Told Me” e “Take Me Out”, acho que são músicas saturadas, mas eu ainda gosto e gosto do efeito que elas causam. Agora, “Boys Don’t Cry” eu não aguento mais, porque sempre pedem em 80% das festas e eu nunca quero tocar e sempre acabo tocando ou passando a bola pra outro DJ tocar… Aí eu acabo ouvindo ela msm sem ter tocado!”

Debbie Hell No FUN (Clube Outs)/Gimme Danger (Squat)
“R U Mine”, Arctic Monkeys
“Eu até gosto bastante, só me dá um bodinho a obrigação de ter que tocar. Mas sinceramente, nem levo no case coisas que não suporto mais”

Adan Stokinger Yank (Tex)
“Do I Wanna Know”, Arctic Monkeys
“Porque tem muita musica do Arctic Monkeys BEM MELHOR, mas a galera só conhece essa!”

Raphinha Lucchesi Tiger Robocop 90 (Lab Club)/Rock Bits (Tex)
Todas do Arctic Monkeys
“Eu acho que não é uma música específica, e que fique claro que eu gosto da banda, mas enche o saco toda hora pedirem pra tocar Arctic Monkeys. Sério, pedem quando você tá tocando música black, pedem quando você tá tocando pop, pedem até quando você já tá tocando Arctic Monkeys!”

Dani Cruz Sapatômica (Sambarylove)
“Show das Poderosas”, Anitta
“Não aguento mais, e olha que eu nem odeio a Anitta! Outro dia toquei a música nova dela e vieram pedir pra tocar “Show das Poderosas” TAMBÉM! Eu super rebolo, danço e tudo mais, mas só de ouvir aquela buzina do começo já me dá enjôo…não aguento mais!”

João Alberto Kolling Cucko/Anexo B – Porto Alegre
“Mr. Brightside”, The Killers
“Porque toda festa tem no mínimo 3 pessoas pedindo e no minimo 3 vezes é tocada. Eu até gosto da música”

Beto Artista Veneno e Crush (Casa da Matriz)/Wake Up! (Fosfobox)/Funfarra
“Mr. Brightside”, The Killers
“Quando eu comecei a tocar, a música mais pedida… ou melhor, a banda mais pedida era The Killers. Eu adorava! A pista explodia e muita gente ainda vinha perguntar o que era aquilo! Que som foda! Passou-se alguns anos, e eu percebi que mesmo depois do boom, a galera continuava pedindo a mesma música da mesma banda, ‘Mr. Brightside’ – The Killers. Outro dia aconteceu algo engraçado. Uma moça me pediu a música e respondi “Posso escolher outra música do Killers?” e a pessoa respondia “Aaaaa, tá bem. Mas toca The Killers”. Mandei um Spaceman, a menina me olhou no final da música e falou “É a próxima?” e eu fiquei sem respostas. Então, desde então eu evito tocar ‘Mr. Brightside’, mesmo sendo de longe a música que mais me pedem até hoje”

Julia Bueno Neon Party, Baby (Inferno)
“Smells Like Teen Spirit”, Nirvana e “Bitch Better Have My Money”, Rihanna
“No segmento de rock é uma batalha acirrada. Tem “Smells Like Teen Spirit”: nego não conhece nada do Nirvana que não seja essa e “Rape Me”. Você toca “In Bloom” e chega alguém e “Ow toca Nirvana”. E esse som é Gameshark de pista: tocou bombou, sadly. No segmento de trap/edm é “Bitch Better Have My Money”. Sou apaixonada por Rihanna, mas em 3 meses gastaram tanto nossos ouvidinhos com ela tocando 2, 3, 4 vezes na mesma noite que só de ouvir a intro já me dá vontade de arrancar os cabelos”

Elissa Cirino SuicideGirls Party Brasil
“Smells Like Teen Spirit”, Nirvana
“Não aguento mais tocar ‘Smells Like Teen Spirit’, porque a galera vira ~roqueirona~ do nada e quer fazer mosh onde não dá!”

Geovani Santos Lab Project (Lab Club)/ Please Come to Brazil (Inferno Club)
“I Love It”, Icona Pop
“I Love It” do Icona Pop foi um hit e tudo mais, só que todo lugar toca umas 10 vezes na mesma noite!”

Romani Tiger Robocop 90 e Combo Hits (Lab Club)
“Pretty Fly (For a White Guy), The Offspring e “Song 2”, Blur
“Ao contrário da maioria, eu ainda me divirto tocando uns clichês como “Psycho Killer”, “Killing In The Name” e “Mr. Brightside”, mas por fazer uma festa de anos 90 há quase 5 anos, eu não consigo mais ouvir “Pretty Fly” do Offspring e “Song 2” do Blur. As duas bandas tem muitas outras músicas bem melhores, mas essas são sempre as mais pedidas, e as que acabam agitando mais a pista.

Vanessa Porto Caos Augusta
“Losing My Religion”, R.E.M.
“‘Losing My Religion’ do R.E.M. O motivo é que não curto tanto, apesar da banda ser excelente. Muitos tocam por ser hit, mas tem muitas músicas mais agitadas e interessantes nos álbuns deles!”

Caio Neiva College (Blitz)/Tereza (Tex)
“Mr. Brightside”, The Killers e “R U Mine”, Arctic Monkeys
“Na College, por ser uma festa de indie, parece que a galera acha que vamos tocar todas as músicas do The Killers e Arctic Monkeys pelo menos 5 vezes na noite. (risos) NÃO AGUENTO QUANDO ME PEDEM ‘R U MINE’, SOCORRO”

T-Shirtaholic: De Falla, Rihanna e Johnny Cash

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Edu K passou por diversos estilos musicais à frente do De Falla, uma das bandas mais criativas que o Brasil já teve. Que tal ostentar uma bela camiseta da trupe responsável por clássicos como “Repelente” e “It’s Fucking Boring to Death”?

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Quanto? R$ 30
Como comprar? https://www.facebook.com/CoffinFangStore/
Onde tem mais disso? CoffinFangStore


Junte Rihanna com o logo clássico do Nirvana e você tem um mashup digno de João Brasil.

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Quanto? R$ 66,66
Como comprar? http://www.vandal.com.br/products/38959-ri-ri
Onde tem mais disso? Vandal


Usar camiseta do Johnny Cash é sinal de bom gosto. Não importa a estampa. Ah, e tem que ser preta. Camiseta do Johnny Cash que não seja preta perde automaticamente o direito de ser uma camiseta do Johnny Cash.

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Quanto? R$ 49.90
Como comprar? http://www.siamese.com.br/pd-10fc34-cash-feminina.html?ct=&p=1&s=1
Onde tem mais disso? Siamese Shirts