Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura

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Kate Bush
Kate Bush

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O mais lindo do mundo das artes talvez seja como o olhar clínico de seu receptor altera toda a perspectiva sobre algum fato, ato ou história. Isso é mágico e de certa forma quando alguém com um repertório significativo e um universo imaginativo livre de limites e preconceitos compartilha esse conhecimento: se transforma em mais arte.

Hoje vamos viajar pelo mundo fantástico das entrelinhas, não necessariamente no realismo fantástico de Neil Gaiman ou Gabriel Garcia Marquez mas em como o mundo da literatura – na mão de bons compositores – ganha uma nova página na história da música. Nada mais propício após o encerramento da vigésima quarta edição da Bienal do Livro de São Paulo.

literatura

A canção “Killing An Arab” do The Cure foi escrita em 1978 e inspirada pelo livro “O Estrangeiro” (1942) da fase filosófica “absurdista”/existencialista do escritor francês Albert Camus.

A história é simples porém intrigante e atual de certa forma, se vermos os recorrentes conflitos entre França e o mundo árabe. Para quem não sabe, a Argélia é um país onde aconteceu uma dominação/colonização francesa e seus colonizados se tornaram súditos do reino francês. No roteiro, um homem franco-argelino é o protagonista. E dias após o funeral de sua mãe, mata um árabe que estava em um conflito com um amigo.

O personagem, que atende pelo nome de Meursault, é preso e sentenciado a pena de morte. O autor utiliza de um recurso literário interessante – e intrigante – em que a história é a subdividida em duas partes. A primeira contando sua perspectiva e pensamentos em primeira pessoa dos ocorridos antes e outra depois do assassinato.

Um fato interessante é que o livro inicialmente não foi um sucesso comercial, tendo vendido apenas cerca de 4 mil cópias. Mas nada como o livro cair na mão da pessoa certa, não é mesmo?  No caso foi ninguém mais ninguém menos que Jean-Paul Sartre, que escreveu um artigo explicando o livro com suas interpretações pessoais. Depois disso, o livro teve seu sucesso por assim dizer, sendo considerado um clássico da literatura do século XX.

A canção do The Cure é polêmica e gerou certa dor de cabeça para Robert Smith. Tudo isso por pura ignorância de quem leva a canção literalmente ao pé da letra. Alguns alegaram que a faixa promove violência contra os árabes, chegando ao disco de singles, Standing On The Beach” (1986) a ser comercializado com um adesivo alertando sobre o conteúdo “racista”.

Ao saber desse fato ~queima filme~ Smith mandou descontinuar essa prensagem com medo de que as vendas do álbum se tornassem um grande fracasso. Após anos colecionando polêmicas pós-acontecimentos midiáticos como a guerra do golfo e o 11 de setembro, em 2005 eles voltaram a incluir a canção em seus sets porém com a letra modificada para “Kissing An Arab”. Por essa Albert Camus jamais sonharia.

Após o sucesso da trajetória meteórica de Ziggy Stardust por esse planeta e um dos mais incríveis álbuns da carreira de David Bowie, chegávamos ao ano de 1973. E ele continuava na crista da onda, numa fase regada de excessos, purpurina e viagens psicodélicas, a ponto de, conectado ao art rock nova iorquino, se aventurar a fazer um álbum inteiro baseado em um dos maiores clássicos da literatura mundial: 1984″ (1948) de George Orwell.

Claro que este só foi o ponto de partida para Diamond Dogs” (1973), pois ele reimaginou a versão glam pós apocalíptica dos temas totalitários da obra do escritor. Como a maioria das pessoas sabe, Bowie era um artista completo e moda, cinema, teatro e música eram extensões de sua arte. A ideia inicial era fazer uma produção teatral do livro, porém Orwell barrou. Sério gente, que ERRO! Teria com certeza ficado incrível, algo na linha “Rocky Horror Picture Show de 1984.

O álbum também marca o fim da era do personagem Ziggy Stardust. Em seu lugar entra Halloween Jack e teve como um dos primeiros singles a ser lançados “Rebel Rebel”. Preciso descrever o visual de Bowie nessa nova fase? Acho que todos já mentalizaram.

Um detalhe interessante é que a prensagem original do disco termina com o barulho: “Bruh/bruh/bruh/bruh/bruh“, que para quem já leu o livro ou viu o filme do 1984 logo identifica como primeira sílaba de “(Big) Brother” sendo repetida incessantemente. Tão o jeito Bowie de perturbar.

Com certeza você já ouviu “Sympathy for the Devil”, sendo fã dos Rolling Stones ou não. Mas poucos sabem a origem da canção: alguns mais preconceituosos cravam como Jagger vendendo a alma para diabo ou algo do tipo, pois desconhecem a real inspiração para a canção que vem diretamente do mundo da literatura.

A faixa que integra o disco Beggars Banquet” (1968) foi composta pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. Originalmente, a canção chamava – durante o período de composição – “The Devil In Me” e Jagger cantava seus versos sendo o diabo em pessoa e se gabava do seu controle sobre os eventos da humanidade. Não sei o que seria do mundo se essa versão tivesse sido a final, mas o caos estaria instaurado, já que na versão mais “light” deu toda a polêmica satanista que temos conhecimento.

Em 2012, Mick Jagger afirmou que na verdade a inspiração para a letra veio de dois escritores: o poeta francês (e tradutor de Edgar Allan Poe) Charles Baudelaire e de “O Mestre e a Margarita” do russo Mikhail Bulgakov, além de creditar o estilo a narrativa do estilo das composições de Bob Dylan. Para deixar a atmosfera mais quebradiça e “torta”, Keith Richards deu a ideia de mudar o tempo da canção e adicionar percussão, assim transformando a antes canção folk em algo perto de um samba feito por britânicos.

O livro russo traz uma curiosidade um tanto quanto diferente. Escrito entre os anos de 1928 e 1940, ele só foi publicado em 1967. Alguns dirão claramente que foi por censura, devido ao teor político bastante forte, já que seu roteiro fala sobre a visita do demônio à URSS durante o período de crescimento do ateísmo na região. Alguns críticos consideram a obra uma das melhores do século XX, muito por conta das sátiras bem humoradas da descrição dos arquétipos soviéticos.

Se você gosta de Florence & The Machine, Cat Power, Bjork, St Vincent, PJ Harvey, Madonna, Ladyhawke, Bat For Lashes e Goldfrapp, deveria agradecer pela existência da Kate Bush. Todas artistas foram influenciadas crucialmente pela artista. A canção “Wuthering Heights” foi o single de estreia da Kate para o mundo em 1978 e foi direto pro topo das paradas do UK.

A composição foi escrita por Kate Bush aos 18 anos e é inspirada num livro de mesmo nome, que em português foi traduzido como “Morro dos Ventos Uivantes”. Mas o que poucos sabem é que até então ela nem tinha tido contato com a obra literária e sim com uma adaptação para mini-série feita pela rede de televisão britânica BBC.

A letra é inspirada nos últimos 10 minutos da adaptação que foi ao ar em 1967. Sim, a letra já tinha 10 anos quando tivemos o lançamento consumado. Depois claro que Kate foi atrás do livro e descobriu um fato: ela faz aniversário no mesmo dia da escritora Emily Brontë, 30 de Julho.

O livro trata-se de um romance do período gótico da literatura, é a única obra da escritora, e foi lançado em 1847. Ou seja: no ano em que Bush assistiu a mini-série na TV a obra estava completando seus 120 anos. Hoje em dia é considerado um dos clássicos da literatura inglesa do século XIX. Em 1993, os metaleiros do Angra regravaram a canção para seu álbum de estreia, Angels Cry”. Repare na apresentadora do programa da Rede Mulher tirando onda com André e Kiko (que fazem um playback  muito do safado, já que o programa não tem nada a ver com a banda).

Vocês com certeza já ouviram falar da Clarice Lispector, mas talvez não da canção “A Hora da Estrela” do Pato Fu. 30 anos depois do lançamento do último livro publicado em vida da escritora, a faixa está presente no álbum, “Daqui pro Futuro” (2007).

Durante entrevista com a banda em 2007 para o portal UOL em que questionaram o fato eles responderam:

“Tem a ver e dá para se fazer uma leitura. Quem conhece a obra dela vai encontrar a história do livro. Mas também tem outra leitura sobre pessoas que querem virar estrelas e fazer sucesso. Elas acham que parece fácil virar a vida em um clique, mas isto exige talento. O livro é uma referência muito preciosa. Sobre a literatura: nós lemos desde Stephen King a Clarice Lispector, de tudo um pouquinho, os temas são muito variados. Como viajamos muito, temos que ter sempre um livro a mão.”

“Epitáfio” dos Titãs teve sua inspiração em um poema de Nadine Stair. O curioso foi que a poetisa americana no momento que escreveu sua prosa tinha 85 anos de idade. Realmente, se pararmos para ler o poema, notamos a similaridade com a composição de Sérgio Britto:

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade
bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria em mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos.

Não percam o agora.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, como sabem, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.” Poema datado de 1935

Um clássico de Marisa Monte, “Amor I Love You” também bebe das fontes literárias. Se você já fez vestibular em algum momento de sua vida provavelmente lembrará do famoso trecho que Marisa homenageia na canção. Afinal de contas, “Primo Basílio” (1878) de Eça de Queiroz é recorrente nas listas de livros obrigatórios para o processo seletivo.

A canção que foi hit no ano 2000 em todo país chegou a ser indicada na categoria de melhor canção brasileira no Grammy Latino, foi tema da novela “Laços de Família” (TV Globo) e teve seu videoclipe premiado na categoria “Melhor Videoclipe de MPB” no VMB.

Na faixa o trecho é recitado pelo Arnaldo Antunes, ex-Titãs, de maneira poética:

“…tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.”

Para fechar escolhi uma música nada óbvia de um dos grandes artistas do Brasil, Zé Ramalho. “Admirável Gado Novo” (1979), consegue fazer a história da agricultura do interior do país dialogar com logo dois clássicos da literatura mundial: “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley) e “1984” (George Orwell).

O romance de Huxley narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.

Assim vemos o tom forte da canção criticando a falta de mobilidade social. A ilusão de que as coisas vão melhorar mesmo trabalhando abaixo de circustâncias sub-humanas. Em “Cidadão”, Zé também mostra o sofrimento e dificuldade da classe operária em conseguir cravar seu espaço na sociedade.

A canção ganhou um fôlego em 1996 quando entrou para a trilha da novela “O Rei do Gado”. Cássia Eller no ano seguinte regravou para o álbum Música Urbana” (1997).

A mistura de MPB, rock psicodélico e jazz dos anos 40 dos mineiros do Mordomo

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Mordomo

“A nossa proposta é de servir as pessoas com a nossa música, assim como fomos e somos servidos pelas músicas de outros artistas”. Esta é a explicação do nome Mordomo, banda formada pelos mineiros Bernardo Dias (guitarra e vocais) e Fernando Persiano (baixo e vocais) em colaboração com compositores e músicos da atual cena belo-horizontina.

A banda lançou em outubro deste ano seu primeiro disco, “Mordomo”, gravado no estúdio Pato Multimídia, em Belo Horizonte, um belo começo para sua carreira: composições cheias de personalidade que alternam momentos mais puxados para  MPB, o rock psicodélico, toques de tropicália e até um pouco de jazz dos anos 40. Em 2016, a banda pretende lançar um novo EP, com duas músicas novas.

Conversei com a banda sobre sua carreira, a cena independente do Brasil e as músicas que habitam as paradas de sucesso hoje em dia:

– Quando e como a banda começou?

A ideia de criar o Mordomo surgiu há dois anos, quando a banda Vitrolas, da qual eu e Bernardo fazemos parte, deu uma pausa após treze anos de trabalho. No momento tínhamos algumas canções feitas e muitas ideais. Entramos no estúdio e registramos tudo, ainda no formato de dupla, neste que foi o período de pré-produção. Depois das ideias visualizadas, partimos para a gravação do álbum, fase que chamamos alguns amigos para participar com a gente.

– Porque o nome “Mordomo”?

Enviamos algumas prévias das gravações para alguns amigos no intuito de recebermos sugestões de nome; Mordomo estava lá. Adoramos a sonoridade do nome e no decorrer da gravação fomos percebendo a ligação com a proposta sonora. O fato do mordomo ser uma figura que serve vai de encontro com a nossa proposta de servir as pessoas com a nossa música, assim como fomos e somos servidos pelas músicas de outros artistas.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Tem um toque de humor e uma maneira de ver o mundo buscando a leveza. É um som dançante, pra cima, que brinca com os aspectos circense e lúdico.

– Quais são suas principais influências musicais?

Beatles, Mutantes, Beach Boys, Tom Jobim, Tropicália, Jazz dançante anos 40.

– Como vocês veem a cena independente musical do Brasil hoje em dia?

Muita gente legal fazendo grandes trabalhos. Não por acaso, 2015 teve muito lançamento bacana. A grande luta vem sendo a criação de público e a circulação de shows pelo país. Mas a boa notícia é que há muita gente trabalhando pelo cenário. Esse ano foi muito profícuo para a cena de Belo horizonte, onde me parece ter tido uma abertura maior para a música autoral. Cito, por exemplo, a casa de shows A Autêntica, o apoio da rádio EloFM, ambos com ações interessantes em prol dos artistas independentes. Enfim, o momento é bom.

– Porque a MPB e o rock autorais estão em baixa nas paradas de sucesso?

Imagino que sejam vários os fatores, desde o desinteresse da grande mídia, gerando com isso a dificuldade desses novos trabalhos chegarem a grande massa, até o próprio momento histórico de ciclos que a música vive.

– O melhor da música brasileira hoje em dia está fadado a permanecer no underground, graças ao investimento da mídia em músicas pop de fácil assimilação?

Acho muito difícil uma afirmação nesse sentido. As tecnologias e as maneiras de consumir música estão mudando muito rápido e não dá pra prever qual será o próximo passo e como será o futuro da música. Espero que essa boa música chegue ao grande público e seja consumida, acredito nisso.

Mordomo
foto: Rodrigo Valente

– Quais os planos do Mordomo para 2016?

Tocar bastante, colocar a banda na estrada mesmo. Já estamos articulando turnês pelo Brasil e planejando tocar fora do país. Estamos atentos aos recursos audiovisuais, por isso, produzindo videoclipes. Está nos planos também o lançamento de um EP com duas músicas já no segundo semestre de 2016.

– Recomendem bandas ou artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer.

Felizmente, tem muito artista bacana ao nosso redor. Aqui em BH esse ano tivemos lançamentos de grandes discos. Nobat, Aldan e Valsa Binária são alguns deles. Tenho notado muita originalidade nesses novos trabalhos, sem repetição de fórmulas ou conceitos. Tem muito músico experimentando e se libertando de paradigmas.

Cigana mostra seu liquidificador de influências e ritmos em “A Torre”, seu segundo EP independente

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A Cigana está misturando rock setentista, música brasileira e pop desde 2013, conseguindo um som cheio de personalidade que aponta para várias direções simultaneamente. Desde então, o grupo de Limeira, interior de São Paulo, já apareceu em listas de melhores do ano de 2014 (no site Novo Rock Nacional e no blog Mochila de Garagem) e tocou em importantes festivais, como a Virada Cultural Paulista e o Grito Rock. Formada por Victoria Groppo (voz), Matheus Pinheiro (guitarra), Caique Redondano (baixo), Felipe Cunha (bateria) e Cláudio Cavalcante (tecláudio/synths), a banda lançou este ano seu segundo EP, “A Torre”, pelo selo independente King Chong.

Conversei com Matheus sobre a carreira da banda, o novo EP, a vida do rock nacional e a internet na vida das bandas independentes:

– Como a banda surgiu?
A banda surgiu em no final de 2013, quando eu (Matheus) estava gravando algumas demos com um antigo parceiro nosso, o Gui Ferraz, e daí surgiu, no meio das ideias, uma que música que gostamos muito e levamos pra frente. Chamamos a Victoria (vocalista da banda) pra cantar nessa demo e alguns meses depois lançamos sobre o nome de ‘Cigana’, e logo depois vieram alguns convites para alguns shows, e eu a Victoria decidimos montar uma banda a “sério” e fomos tocar por aí.

– Porque o nome “Cigana”?
A gente sempre brinca e dá respostas diferentes: uma dizemos que o nome veio por conta de um amigo nosso que me chamou de cigano por ter váaaaarios projetos musicais, e outra por que não estamos presos a nenhum gênero específico do rock, ou do pop como um todo.

– Quais são as principais influências musicais da banda?
Então, as principais influências variam de cada integrante. Tem desde o admirador da nossa velha bossa nova até o quem pire em Run The Jewels. Mas na banda é um pouco de tudo mesmo…mas algo que acho que todos escutamos em comum: As bandas do Jack White (Dead Weather, Raconteurs) e sua carreira solo; Criolo; Led Zeppelin; Caetano Veloso; Black Keys; Far From Alaska; Strokes, Cachorro Grande…tem bem mais, mas não lembro agora.

– Me fale um pouco mais sobre “A Torre”.
“A Torre” é nosso segundo lançamento, e como o primeiro, é um EP produzido de maneira totalmente independente. Gravamos dessa vez em um estúdio tradicional, e não um home studio como foi no primeiro, e gostamos demais do resultado. O nome do trabalho veio de uma carta de tarot que se chama “Torre” e que fala sobre mudanças, rupturas e mudanças bruscas em suas vidas…achamos o tema super legal e que combinava muito com as letras de músicas como “Inconsciente” e “Aclive”, então pegamos essa ideia e esse nome pra nós! Outro fato do disco é que ele foi lançado pelo Selo King Chong, que está trabalhando com vários artistas incríveis da nossa região (Limeira, SP).

Cigana

– Vocês acham que o rock nacional está em uma curva ascendente? Ele pode voltar ás paradas?
Com certeza ele está numa curva ascendente. A galera está curtindo os novos sons nacionais, porque eles realmente estão incríveis. Não é mais o tapinha nas costas do amigo. Bandas como o Far From Alaska e o Boogarins são tão boas quanto quaisquer bandas gringas, e a galera está se ligando nisso. O último disco do Thiago Pethit é ótimo, e tem essa veia rockeira nele né? Eu acho o cenário rockeiro nacional atual incrível e inspirador. Quanto a voltar as paradas, não sei….é difícil voltar as paradas se você considerar as de rádios FM como padrão, por que lá o esquema é outro. Mas se você considerar as paradas de meios mais, digamos, independentes como o Spotity, Deezer, as menções no Twitter e tudo mais, com certeza o novo rock já está com um espaço considerável e vai ganhar cada vez mais.

– Quais são as melhores e piores coisas de ser uma banda independente?
A resposta é clichê, mas é verdadeira. O melhor de ser independente é você estar nessa por amor, é tudo mais sofrido, claro, mas acho que boa parte de grande arte nasce do sofrimento né? Quer dizer, você tem que superar todos os obstáculos possíveis pra produzir e distribuir sua arte…e, como é tudo mais difícil, você se faz um artista melhor a cada dia, pois você tem que vencer a realidade pra poder viver nela. E ao mesmo tempo que esse aprendizado vêm pela dificuldade, que essa arte nasce do nosso empirismo, poderíamos evitar muitos desgates físicos e psicológicos desnecessários que o circuito independente nos traz.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Eu diria que são influencias que ficam vagando por aí, e que hora se fundem e hora se repelem e que em algum lugar dentro desses momentos sai algo que achamos legal e daí usamos no nosso som. Você pode achar de tudo nos nossos EP’s – pop, hard rock, mpb, baião, bossa nova.

– O EP “A Torre” está disponível gratuitamente em muitas plataformas online. Vocês acham que a internet deu mais força para as bandas independentes mostrarem seu trabalho sem precisar de influência da mídia ou das gravadoras?
Ah, com certeza a Internet nos deu força. Quer dizer, eu não conseguiria ouvir nem 30% dos discos que ouço se eu dependesse só dos lançamentos feitos por gravadoras. E esse número cai ainda mais se só contarmos as majors. A internet nos deu quase tudo o que somos, em quesito de música. O mínimo que podemos fazer é retribuir e deixar de todas as maneiras possíveis nossa música disponível pela internet.

Cigana

– Quais são os próximos passos da Cigana?
Divulgar nossos trabalhos o máximo possível. Nosso primeiro clipe sai nos próximos dias e a música escolhida foi “Inconsciente”. Vamos fazer o máximo de shows possíveis também, já que é na estrada que a banda cresce. Além disso, já temos algumas ideias de novas músicas que serão utilizadas em alguns projetos que acertamos e que são bem legais.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Claro! Grandes artistas que merecem MUITO destaque: Laranja Oliva, Diretriz, Vigariztas e Vitex. Chega junto que é muito bom!

Ouça “A Torre” aqui:

“Gênesis de Gênios – #mostreseumelhor” chega à sua décima edição amanhã (10) na Sensorial Discos

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Lucas Adon, o "Gênio da Vez"
Lucas Adon, o "Gênio da Vez"

O projeto “Gênesis de Gênios – #mostreseumelhor” está de volta e chega à sua décima edição amanhã. O projeto, que investe em novos talentos, rola a partir das 18hs na loja de discos e cervejas artesanais Sensorial Discos (localizada na Rua Augusta, 2389, na região dos Jardins, zona sul de São Paulo).

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Lucas Adon, o “Gênio da Vez”

O “Genesis de Gênios” busca descobrir e lapidar novos talentos e desenvolver suas trajetórias musicais. O projeto é desenvolvido pela produtora Plectro, que atua há cerca de seis meses no circuito cultural e musical da capital paulista, inspirado na cultura open-mic de cantores e compositores de Londres e Nova York. No evento, rolam sorteios de vitrola e kit de cerveja (um copo promocional e duas deliciosas cervejas). Como nas edições anteriores, o autor da melhor performance da noite (escolhido pelo público presente e pela equipe da Plectro) será eleito “O Gênio da Vez” e contratado para apresentar um pocket show na edição seguinte. Nesta edição, a apresentação será de Lucas Adon, vencedor da nona edição do evento.

Para participar, basta chegar e se inscrever (são 15 espaços para inscrição). Aqueles que se apresentarem não pagam entrada. São, no máximo, duas obras por artista, podendo ser cover, autoral e até mesmo performances como poemas, esquetes de teatro e etc. As apresentações são filmadas e fotografadas profissionalmente e o melhor material será publicado nos canais da Plectro e de todos os seus parceiros.

Para saber mais sobre o evento, acesse: https://www.facebook.com/plectrop/

“As rádios estão acomodadas com música de fácil assimilação”, explica o jornalista e apresentador Gastão Moreira

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A Mtv revelou diversos talentos em sua primeira fase, com jornalistas musicais incríveis, apresentadores diferentes de tudo que a TV já mostrou e apresentadores que fugiam do lugar comum. Entre os destaques da saudosa Mtv Brasil estava Gastão Moreira, o cara que mais falava de rock (com muita propriedade) na emissora, apresentando programas como “Gás Total” e “Fúria Metal”, tendo trabalhado na emissora musical de 1990 a 1999.

Ao sair da Mtv, em 1999, Gastão fez história com o programa Musikaos na TV Cultura, onde apresentava bandas ao vivo com platéia e muito rock, apostando em bandas novas e na cena underground brasileira. Com o fim do programa, o jornalista (advogado de formação) mudou-se para Florianópolis, onde apresentou o programa Gasômetro na Rádio Atlântida. O mesmo programa agora está na Kiss FM de São Paulo, para onde o ex-VJ voltou, sendo apresentado às segundas-feiras ao meio-dia.

Além do programa Gasômetro, Gastão também possui o projeto República do Kazagastão, canal no Youtube onde junto com Clemente apresenta a segunda temporada o programa Heavy Lero, que fala de rock em todas suas vertentes e apresenta discos e histórias incríveis para quem gosta de música.

Conversei um pouco com Gastão sobre sua carreira, o mundo do rock nos dias de hoje e os novos rumos do jornalismo musical no Brasil:

– O Heavy Lero está em sua segunda temporada no Youtube. Como você definiria o programa?

Um dos últimos focos de resistência da música sem prazo de validade.

– Você acha que o Youtube é o novo canal para programas que não atingem o “grande público” atingirem seu público-alvo?

Hoje em dia o Youtube é a única possibilidade de ter um programa para falar de rock com liberdade de conteúdo.

– O República do Kazagastão não é só o Heavy Lero, estou certo? Teremos outros quadros?

Também temos vídeos históricos tirados dos meus arquivos, entrevistas e sugestões de bandas novas.

– Saiu Bento Araújo, entrou Clemente. Qual será o peso dessa mudança de escalação para o Heavy Lero?

O programa ficou menos teórico e mais informal.

– Fale um pouco sobre o Gasômetro, seu programa na Kiss FM.

Faço um programa caótico que prioriza a música tocada. Tocar as coisas que eu toco é uma missão musical.

– Falta um pouco disso nas rádios FM hoje em dia? Você acha que a programação das rádios está saturada apenas com hits repetidos e dá pouco espaço ao novo e ao diferente?

As rádios, em geral, estão acomodadas com música de fácil assimilação. O público está cada vez menos exigente.

– O Musikaos era um programa que colocava bandas pra tocar ao vivo e dava espaço também para bandas do circuito alternativo e underground, como o Matéria Prima fazia no passado. Porque esse tipo de programa sumiu da TV brasileira?

Talvez o grande público tenha perdido interesse na arte autoral e se satisfaça com o popularesco…

– Você voltaria a fazer algum projeto para a TV?

Só se tivesse controle sobre o conteúdo.

– Vi sua participação no programa “Todo Seu”, do Ronnie Von, comentando o Grammy. Podia ser colunista fixo de música lá, hein?

(Risos) Tenho andado muito ocupado, não consigo nem dar conta dos meus projetos…

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– Existe espaço para uma nova cena rocker no Brasil?

Sim, mas se encontra nas entrelinhas. e garanto que tem muita banda boa, de norte a sul!

– O rock atual está fadado a permanecer no underground ou você acha que pode voltar às paradas de sucesso? Existe um ciclo?

Acho pouco provável que o rock volte a figurar nas paradas nos próximos 5 anos.

– Quais foram suas entrevistas preferidas dos tempos de Mtv?

Angus Young, Aerosmith, Sabbath e Liv Tyler (por motivos óbvios)! (risos)

– E as piores entrevistas?

Acho que foi o the Cult.

– Qual o seu programa preferido dos tempos em que trabalhou na Mtv?

Gostava muito do Lado B.

– A influência da Mtv Brasil faz falta à cena musical de hoje em dia?

Falta um veículo que trate a música com dignidade.

– Qual a sua opinião sobre a febre de reality shows musicais cheios de firulas vocais?

A maioria dos candidatos parece ter saído da mesma fôrma! falta muita sarjeta para chegar lá…

– Recomende algumas bandas que você descobriu recentemente e que todo mundo deveria ouvir.

Sleepy Sun, Black Mountain, Howlin Rain, Graveyard, Blues Pills…

Onde o rock se esconde (ou: Como o One Direction ganhou minha simpatia)

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Aí as bandas de rock estão cada vez mais sumidas das paradas de sucesso e das rádios comerciais. Então você fica reclamando que a música pop matou o rock, e que não existem mais bandas que valham a pena nas paradas de sucesso. Você tem vontade de dar um tiro de bazuca no rádio assim que o liga. Tem saudades de saber cada nota do solo de Eddie Van Halen em “Beat It”, de Michael Jackson, quando esta estava em primeiro lugar nas paradas de sucesso. Diz que “essa criançada não sabe nada de música”.

Tá, muitas das coisas acima podem se aplicar inclusive à mim, que vivo reclamando da música pop atual e da falta que estão fazendo os instrumentos musicais em uma era em que um DJ é mais importante que um baterista ou um baixista. E, principalmente, por não existir nenhuma banda de rock em alta entre o público que não é necessariamente “do rock”.

Será mesmo? Pois eu te digo que não. Assim como Jason Vorhees, o rock pode parecer morto diversas vezes, mas sempre volta, mesmo que horrível (vocês assistiram “Jason Vai Para o Inferno”? Puta filme horrível! É o equivalente ao Simple Plan na história do rock). E uma das bandas que conseguiu fazer uma música bem bacana que é mais rock que muita banda “de rock” que está por aí é o One Direction.

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Sim, você leu direito: o One Direction. Foi do quinteto de Londres que ficou em terceiro lugar no X Factor de 2010 que eu ouvi um bom rock. “Little Black Dress”, do disco “Midnight Memories”, de 2013, é um power pop que remete diretamente ao Cheap Trick e ao Big Star. Uma bela canção pop com um riff chiclete, solo de guitarra bacana e um refrão que fica na cabeça pelas próximas horas à sua audição. E digo mais: muito mais rocker do que os hits de Foster The People e Imagine Dragons que a criançada dita “roqueira” tem ouvido por aí.

Se a ideia de gravar uma música tão “That 70’s Show” veio dos próprios garotos ou do produtor, pra mim tanto faz. E acrescento que não é o primeiro flerte com o rock da galerinha do Harry Styles. Afinal, o cover mais famoso que eles já gravaram é de Blondie e Undertones na mesma música. Isso mesmo: Blondie e Undertones!

Tem também o megahit “What Makes You Beautiful” (que você não consegue cantar sem lembrar de Nissim Ourfali), que é quase uma versão de “Summer Nights”, o clássico tema do filme “Grease”. E é um quase-rock, mesmo com a limpeza e as batidinhas eletrônicas acrescentadas pela produção.

E tem o mega-hit “Best Song Ever”, que chupa com gosto o riff de “Baba O’Ryley” do The Who em sua introdução e refrão. Tô falando sério:

O que eu estou querendo dizer com esse post é principalmente o seguinte: O One Direction tá fazendo rocks melhor do que as bandas de rock de hoje em dia, quando tá afim. Ou seja: One Direction, invista mais em músicas como “Little Black Dress” que eu prometo que ouço mais vocês.

(Ah, e eu aposto que se eu tocar “Little Black Dress” durante uma festa de rock da noite paulistana, ninguém vai se ligar que é One Direction a menos que seja fã do grupo e capaz de dançar como se fosse uma dos Strokes. Duvida?)

Assinoê, discípula de Inri Cristo, fala sobre música, “versões místicas”, heavy metal e rock (e religião, é claro)

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Assinoê Olivier, 38 anos, é discípula de Inri Cristo, o auto-intitulado “reencarnação de Jesus” e criador do SOUST – Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade, visto como piada por uns e divindade por outros. Depois de muitas aparições na TV em programas de entrevistas, variedades e até humor, Inri e seus seguidores ficaram famosos nas redes sociais por seus vídeos publicados periodicamente no Youtube com “versões místicas” para músicas populares, transformando as letras em odes de louvor à Inri. E não pense que as músicas escolhidas foram as mais calmas e sem graça: eles já criaram versões para artistas como Manowar, Bon Jovi, Lady Gaga, Britney Spears, Amy Winehouse e até Judas Priest.

Assinoê assume os vocais em músicas como “Inri Chegou” (de “Breaking The Law”, do Judas Priest) e “INRI – Água, Fogo, Terra e Ar” (de “Warriors Of The World”, do Manowar), entre outras. Falei um pouco com ela sobre música, rock e a relação de Inri Cristo com ritmos ditos “satânicos” como o heavy metal.

– Quando Inri Cristo entrou em sua vida?

Minha relação com Inri Cristo vem de milênios. Reencontrei-o em 1991 na minha cidade natal, Curitiba. Soube dele através de meu genitor, que o ouviu numa rádio (Rádio Capital AM) e como sou bem curiosa, resolvi conhecê-lo a fim de tirar minhas conclusões pessoais. Faz 23 anos que o sigo.

 – E quando o rock entrou em sua vida?

Amo música desde criança, não só o rock, mas aprecio vários estilos musicais, que tenham obviamente conteúdo. A música é um alimento para a alma e para o coração.

– Qual a relação entre os dois: Inri e o rock?

Na verdade não há relação. Inri Cristo é o maior dos revolucionários, o único capaz de dar soluções coerentes às mazelas desta sociedade iníqua, corrupta e moribunda. Para muita gente, Inri é só mais um religioso. Todavia, Inri Cristo não é um religioso, e sim um filósofo, educador de almas; ele é contra todas as religiões alienantes, coerente com que ensinou há dois mil anos, está em Mateus c.6 v.6  “Quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, ora ao teu PAI em segredo. Em segredo Ele vê o que se passa e te abençoa” . Inri ensina que Deus, por ser Onipresente, não necessita que haja alguém para nos religar a Ele. Já que Deus está em cada partícula de nosso ser e não conseguimos fugir d’Ele nem na hora de cometer algum pecado, logo não há necessidade de religião, que, quando não é um embuste, é um equívoco.

O rock é um estilo geralmente revolucionário de expor idéias, que soa mais como um desabafo contra tudo que está errado no planeta. Há os que se fanatizam por falta de um bom direcionamento, pois em geral os jovens anseiam por um grande líder, um líder que os oriente para um bom caminho. Eu encontrei este líder, que é Inri; por essas e outras razões, não estou vinculada a qualquer movimento musical, pois sigo um ideal que está acima de todos os movimentos terrestres.

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– Quais são suas bandas preferidas?

Por motivos éticos, não gostaria de declinar nomes para não cometer injustiça com nenhuma delas.

– Ao contrário da maioria das igrejas cristãs, parece que Inri Cristo não tem problemas com o heavy metal e o rock. É isso mesmo?

Inri é o libertador e está aqui na Terra para reger almas, não importa o ritmo musical que o ser humano ouça, desde que ele mantenha o coração puro e a alma limpa. Inri tão somente ensina que para ouvir música não precisamos ouvir em volume alto estourando nossos tímpanos, isso faz mal à saúde e aos neurônios. Ele ensina que pecado é tudo aquilo que faz mal a ti e aos outros, e o que não faz mal a ti nem aos outros não é pecado; esta é a síntese da lei divina.

– Vocês já fizeram versões para músicas de bandas como Judas Priest, Bon Jovi, Survivor e até Manowar. Normalmente, quando a música é um metal, é você que canta. Vocês mesmas escolhem quem vai cantar cada uma?

Entramos sempre num consenso quanto a isso e a decisão final vem de INRI.

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– Alguma de vocês toca algum instrumento?

Não, nem berimbau (risos).

– Vocês já pensaram em formar uma banda com letras autorais?

Ninguém serve a dois senhores, isso para nós não teria sentido, uma vez que decidimos dedicar nossas vidas a Deus e a Inri Cristo, optamos em aderir a um ideal maior, pouco compreendido pelos demais terráqueos. Tão somente deixamos de cantar embaixo do chuveiro para postar vídeos na web a fim de transmitir a sublime missão de INRI de uma forma descontraída, através de versões místicas.

– Quais bandas/artistas você está ouvindo no momento?

Tenho ouvido muita música instrumental, especialmente música viking, celta. Procuro ter a mente aberta para ouvir uma gama de estilos musicais, de todos os âmbitos, à exceção de funk (risos).

– Quais são suas bandas/artistas preferidos de todos os tempos?

Como são vários, desde compositores clássicos a bandas oitentistas, também não gostaria de declinar nomes, conforme já disse, por motivos éticos.

– Criar versões de músicas pop e até de hits trash como “Friday”, de Rebecca Black, levam algumas pessoas a ver Inri Cristo mais como uma piada?

Acredito que as versões místicas aproximam mais os jovens de Inri Cristo e os fazem compreender melhor sua realidade. Já que Deus escreve direito mesmo que por linhas tortas, então o bom humor é um caminho aparentemente “tortuoso” através do qual expressamos a verdade para quem quiser saber e ouvir. Como disse o saudoso Chaplin“Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que eu insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como um palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria.”

– Como vocês escolhem qual música vai ganhar uma versão do Movimento Eclético Pró Inri Cristo?

Recebemos sugestões de internautas do Brasil inteiro, mostramos ao Inri as melhores, não importa o estilo, e entramos num consenso. Já aconteceu também de algum meio de comunicação sugerir versões, a exemplo da versão de Gangnam Style sugerida e gravada pelo Programa Pânico : ‘Inri é o nosso Pai’ . Atualmente, devido a uma série de tarefas diárias na instituição, não temos mais tempo de gravar versões, afinal, já gravamos várias de diversos estilos para todos os gostos (risos). Para saber mais sobre INRI CRISTO, sugiro que acesse www.inricristo.org.br e o assista ao vivo na TV online www.inricristo.tv, que vai ao ar todos os sábados, 11h da manhã (horário de Brasília). O canal da verdade e liberdade consciencial .

Os famigerados “complete os espaços” da música brasileira

Às vezes, o público se sente no direito de ajudar o compositor. Mesmo com a música pronta, rolando nas rádios, bombando, a galera faz questão de inventar um novo refrão, uma frase, uma palavra de ordem que “encaixe” na música.

Eu explico. Você deve conhecer algumas músicas que, ao vivo, ganham a indefectível participação da plateia. Como os “ô-ô-ô-ô” no começo de “Fear Of The Dark”, do Iron Maiden, ou os “ôôôôô” no refrão de “Pobre Paulista”, do Ira!. Tudo bem, Isso é bacana, promove interação entre músicos e plateia e ajuda a agitar o show. Porém, existe uma forma maligna de participação da plateia: a “frasezinha que completa”. Uma parte da letra que não está no CD, não foi escrita pela banda e que os músicos normalmente odeiam que sejam cantadas, mas que a multidão acha engraçadíssimo gritar nos shows. Entendeu? Não? Seguem alguns dos piores exemplos de músicas que ganham complementos. Entre parênteses, fica o que os renomados menestréis da plateia gritam a plenos pulmões.

– Kid Abelha – “Pintura Íntima
A canção pop açucarada dos anos 80 da trupe de Paula Toller foi sucesso em todo o Brasil. E todo mundo sabe: o que é sucesso ganha paródias e versões. Nesse caso, algum gênio do humor conseguiu deixar a musiquinha mais “divertida” para ser cantada no recreio da 3ª série.

“Fazer amor de madrugada
(Em cima da cama, embaixo da escada)
Amor com jeito de virada
(Primeiro a patroa, depois a empregada)”

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– Skank – “É Proibido Fumar
O Skank reinventou o clássico do rei perneta Roberto Carlos com uma levada meio Apache Indian, lembrando o sucesso “Boom-Shak-A-Lak”. O problema é que a versão chamou a atenção dos adolescentes, que resolveram deixar explícito o que ficava sutilmente subentendido na letra original. Afinal, duplo sentido é coisa de velho.

“É proibido fumar
(MACONHA!)
Diz o aviso que eu li”

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– Tchakabum – “Olha a Onda (Tesouro de Marinheiro)
Baixei o nível aqui, mas foi necessário. Essa tem um dos exemplos mais clássicos de complemento feito por plateia. No caso, a massa enfurecida busca denegrir a imagem da garota citada nessa contagiante canção dos anos 90. Ah, e eu aposto que você sabe a coreografia desta música de cabo a rabo.

“Molhou o seu rostinho
(Cara feia!)
Molhou a barriguinha
(Barriguda!)
Molhou o seu pezinho
(Que chulé!)
Molhou todo o corpinho, deixe que eu vou te enxugar”

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– Legião Urbana – “Que País É Esse

A banda de Renato Russo também recebeu essa homenagem tão desnecessária. Provavelmente o vocalista ficava puto quando a plateia respondia após o refrão, já que ele aparentemente levava muito à sério suas canções. E, realmente, essa respostinha é das mais babacas da lista. Quem manda fazer um refrão interrogativo, doutor Renato?

Que país é esse?
(É a porra do Brasil!)

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– Ira! – “Dias de Luta

Este caso é especialíssimo, por isso vou encerrar com ele. Neste caso, a participação da plateia não responde ao refrão nem complemente a letra. Na verdade, os fãs criaram um refrão para “Dias de Luta”, seguindo o riff de Scandurra. Porém… o refrão que criaram é um lixo e não tem nada a ver com a música. A banda, inclusive, pediu à plateia que não cantasse o verso quando gravaram seu DVD.

“Porra, caralho
Cadê meu baseado”

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P.S. – O Denis Romani me deu o toque de um “complete o espaço” regional. Quando o Skank toca “Garota Nacional” no Sul, o verso “eu quero te provar” é acompanhado de um “Mariana vagabunda!”. “Eu não entendi porra nenhuma quando fui no Planeta Atlântida“, disse ele. Parece que isso acontece em todos os shows do Skank por lá. Veja no vídeo que até Samuel Rosa comenta “a Mariana está processando o Skank, mas é a versão gaúcha, vamos fazer o quê?”.

Say-what

E você, conhece mais alguma música que ganha um “complemento” da plateia quando é apresentada ao vivo? Qual a que você mais odeia? Você curte? Responda nos comentários!

O rock setentista segue vivão e vivendo depois de 2010

Os infinitos garimpos musicais nos trazem surpresas incríveis, para bem ou mal. Nas minhas peregrinações em bandas novas, encontrei (ou me indicaram) algumas que têm o som calcado lá nos anos 70. Cheios de inspirações de Black Sabbath, Led Zeppelin, Rolling Stones e Deep Purple, estes caras mantêm o rockão setentista vivo e chutando bundas depois de 40 anos. Separei três que me chamaram a atenção e não consigo parar de ouvir.

Kadavar – Até o logo da banda é mais anos 70 que calça boca-de-sino e bigode. Vindo da Alemanha, o Kadavar bebe bastante na fonte do Black Sabbath, sendo que algumas músicas não fariam feio dentro de álbuns como “Sabotage” ou “Vol. 4”. A banda de Berlin é formada por Lupus Lindemann na voz e guitarra, Simon “Dragon” Bouteloup no baixo e  Tiger na bateria. O trio começou em 2010 e tem dois discos: Kadavar, de 2012, e Abra Kadavar, de 2013. Tony Iommi e Geezer Butler ficariam orgulhosos.

Horisont – Se você vir alguma foto da banda sueca Horisont, vai jurar que eles vieram diretamente de 1976. Bigodes, cabelos compridos, coletes e jaquetas surradas fazem parte do visual do quinteto, que conta com Axel Söderberg nos vocais, Charlie Van LooKristofer Möller nas guitarras, Magnus Delborg no baixo e Pontus Jordan na bateria. As influências mais aparentes no som são o proto-metal do começo dos 70s e bandas como Thin Lizzy.

Blackberry Smoke – Essa já bebe bem na fonte do AC/DC lá do começo, Lynyrd Skynyrd e ZZ Top. Americanos de Atlanta/Georgia, o quinteto começou em 2004 e tem três discos lançados: Bad Luck Ain’t No Crime (2004), Little Piece of Dixie (2009) e The Whippoorwill (2012). Formada por Charlie Starr (vocal/guitarra), Richard Turner (baixo/backings), Brit Turner (bateria), Paul Jackson (guitarra/backings) e Brandon Still (teclados), o Blackberry Smoke já participou até de um evento beneficiente com  todo o elenco da série Sons of Anarchy em 2012. Fazem parte do elenco da gravadora de Zac Brown, líder da Zac Brown Band.

Wesley Willis, o ex-mendigo popstar esquizofrênico

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Wesley Willis

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Wesley Willis é um caso de artista experimental de estilo peculiar e obras que não são compreendidas tão facilmente. Um ex-mendigo que virou popstar, compositor de letras extraordinárias e bases maravilhosas. Tá, não é bem assim.

Wesley era um mendigo que vendia seus desenhos bizarros e tocava suas músicas com uma base pré-programada em seu tecladinho tosco, cantando qualquer letra que viesse à sua cabeça por cima. Até que o pessoal do Smashing Pumpkins “descobriu” o cara e deu um toque para Jello Biafra, ex-Dead Kennedys. Resultado: os discos do gordinho bizarro foram produzidos e lançados pela Alternative Tentacles.

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Wesley tinha o estranho costume de cumprimentar os outros com uma cabeçada, por isso possuía uma constante mancha preta na testa, consequência do bate-cabeça de “olá”.

As músicas? Bom, todas se pareciam muito umas com as outras, tendo nomes singelos como “Fuck You”, “Eat That Mule Shit” e “Suck A Cheeta’s Dick”, entre outras. Willis dizia que a música “calava a boca dos demônios em sua cabeça”. A estrutura das canções era simples: quatro versos formavam uma estrofe, e em seguida o refrão, que geralmente era o nome da música repetido quatro vezes (sempre quatro vezes). E no final, um comercial de alguma loja, com seu slogan.

Willis tinha a peculiar mania de homenagear quem ele admirava com músicas. Foi daí que saíram canções como “Nirvana”, “Alanis Morissette”, “Alice In Chains”, “Superchunk”, “Arnold Schwarzenegger”, “Dave Grohl”, “Steve Albini” e“Jar Jar Binks”, entre outras. Quase todas praticamente eram iguais, mudando apenas o nome da banda/artista (ou seja, o refrão) e as declarações sobre o homenageado em questão nos versos.

O artista tinha alguns temas recorrentes, como a obesidade (“I’m Slimming Down”, “I’m Sorry That I Got Fat (I Will Slim Down)”), subir no ônibus (“Get On The Bus”, “Get On The City Bus”), bater em super-heróis (“I Whipped Superman’s Ass”, “I Wupped Batman’s Ass”), matar seu pai (“I Killed Your Daddy After Midnight”, ”I Killed Your Daddy Yesterday”), sexo oral (“Suck a Cheetah’s Dick”, “Suck My Dog’s Dick”) e até a auto-referência (“Walter Willis Shabazz”, “Wesley Willis” e “The Wesley Willis Fiasco”).

Em 2002, ele descobriu ter esquizofrenia crônica (e fez uma música sobre isso, “Chronic Schizophrenia”), doença que o matou em 2003, tirando do planeta o talento musical incompreendido e experimental.

Willis teve seu impacto na cultura pop. Por exemplo: o som que vinha junto do Winamp (“It really whips the llama’s ass!”) foi tirado diretamente de sua música “I Wupped a Llama’s Ass”. No filme Super Size Me de Morgan Spurlock, “Rock and Roll McDonald’s” é uma das canções principais, e até Katy Perry o cita nominalmente na canção simple, no trecho “You’re such a poet. I wish I could be Wesley Willis.” Ah, e ele inspirou um personagem, Milan, que apareceu em algumas edições da revista da Mulher Maravilha, da DC Comics, com cabeçada de cumprimento e tudo.

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Vida longa a Wesley Willis!

Rock on in London
Rock on in Chicago
Johnny Rockets
It’s the original hamburger

(texto originalmente publicado no blog Contraversão)