“Crooked Rain, Crooked Rain” (ou Quando a MTV finalmente reconheceu o Pavement)

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No Walkman, por Luis Bortotti

O Pavement havia feito um pouco de barulho (literalmente) na indústria musical com o seu primeiro disco, o aclamado Slanted And Enchanted”. Porém, em 1994, já com uma boa quantia de fãs e alterações em seus membros, a banda lançava Crooked Rain, Crooked Rain”.

O disco apresentava uma tradicional sonoridade tomada pelas belas excentricidades de guitarras e barulhos que se encaixavam perfeitamente nas estruturas quebradas das canções, guiadas pelo vocal preguiçoso e cortante de Stephen Malkmus. Mas a banda havia evoluído, e o ouvinte percebia isso. As letras, assinadas por Malkmus, expressavam ideias um pouco aleatórias, mas que tocavam e representavam bem o cotidiano passado pelos jovens dos anos 90.

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Mesmo sendo um som com passagens experimentais e gravado com técnicas lo-fi, a banda conseguiu firmar um sucesso comercial, com execuções de suas músicas em rádios e TV. A MTV abraçou o vídeo da descomplicada “Cut Your Hair”, que impulsionou a consagração de canções com a mesma estrutura simples, direta e sarcástica, como “Gold Soundz” e “Range Life”, com sua pequena crítica ao Smashing Pumpkins e Stone Temple Pilots.

O segundo álbum do Pavement, “Crooked Rain, Crooked Rain”, pode não ser considerado tão influenciador como o seu antecessor, mas atingiu um grau de sonoridade maior, sendo a base para a expansão do rock alternativo na década de 90 e das bandas de indie rock da primeira década do século XXI.

 

Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain | Curiosidades

– O disco foi relançado em 2004 pela Matador Records com o título Crooked Rain, Crooked Rain: LA’s Desert Origins”, no formato duplo, com a inclusão de B-sides, demos e outras raridades.

– Esse foi o primeiro disco do baterista Steve West, que entrou no lugar de Gary Young, e do baixista Mark Ibold e do percussionista Bob Nastanovich.

– A canção “Silence Kid” aparece na contracapa do álbum com um erro de grafia, sendo nomeada como “Silence Kit”.

Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain | #temqueouvir

01. “Silence Kid”
03. “Stop Breathin”
04. “Cut Your Hair”
06. “Unfair”
09. “Range Life”

Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain | Singles

“Cut Your Hair” | February 1994

“Haunt You Down” | February 1994

“Gold Soundz” | June 1994

“Range Life” | January 1995

OUÇA: Pavement – “Crooked Rain, Crooked Rain”

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Franco Fanti, do Hermes e Renato

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Franco Fanti, do Hermes e Renato
Franco Fanti, do Hermes e Renato

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Franco Fanti, roteirista e membro dos sacanageiros Hermes e Renato, que estão no ar às quintas-feiras, às 22h, no Canal FX, e no Youtube em seu Canal Oficial.

Van Morrison“Madame George”

“Muita gente conhece a música “Brown Eyed Girl” dessa fera, mas tanto essa música como esse álbum inteiro (“Astral Weeks”) é bem fodalhão, e parece que não fez nenhum sucesso comercial na época. Essa música me dá saudade… E nem sei do que. Acho isso foda”.

Air“Talisman”

“Não sei muito dessa banda, sei que são franceses e que essa música e todas as outras desse álbum me dão uma puuuta de uma vontade de andar de bike por essa Paulicéia paulistana paulistada, meu”.

Rocket Juice & The Moon“Poison”

“Não me interessam muito nomes e formações de bandas. Não por despeito ou por não valorizar os artistas, somente por preguiça, meu HD já tá cheio de informação e porque antes de nomes de músicos, datas de álbums e formações, me interessa se a música que me toca. Essa me tocou. Eu achei o baixo muito foda, a voz me parecia familiar e a letra achei fuderenta. Não por coincidência. Não tinha como dar errado. Sendo contraditório, mas formação é o Damon Albarn do Blur e Gorillaz, o Flea (!!) do Red Hot Chili Peppers e um cara que esqueci o nome, mas que é do Fela Kuti“.

Funkadelic“Maggot Brain”

“Já ouviu alguém esmerilhando uma guitarra por dez minutos? Ouça e chore. Essa música e “Little Wing” me fizeram sentir que era uma obrigação começar a aprender a tocar guitarra”.

Los Sebozos Postizos “Vou Andando”

“Outra combinação que seria difícil de dar errado. Jorge Ben Jor + Nação Zumbi. Esse é um projeto paralelo de músicos da Nação Zumbi, e eles esculacham ao vivo também, já fui a 3 shows. Pra melhorar os caras escolheram evitar os hits mais manjados e deram um jeito louco, mas que ficou muito foda, de imprimir a personalidade deles sem perder a essência do Jorjão”.

André Whoong faz sucesso com o divertido clipe “Vou Parar de Beber”, de seu primeiro disco, “1985”

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André Whoong

Quando as pessoas assistem ao clipe de “Vou Parar de Beber”, de André Whoong, costumam comentar: “Se a Mtv Brasil ainda estivesse viva como era, esse vídeo ganharia um VMB, com certeza”. Não dá pra discordar, afinal, o clipe dirigido por Deco Farkas tinha tudo para ser vencedor de diversos prêmios do extinto canal musical UHF: é divertido, bem produzido, tem ótima fotografia e faz os olhos brilharem com seu stop motion amalucado.

A música faz parte de “1985”, primeiro trabalho de Whoong, que foi lançado neste ano e está sendo apontado por críticos e veículos especializados como um dos melhores do ano. Na estrada desde 2003, Whoong nem sempre foi artista solo: é o responsável pelos arranjos de cordas e sopros para o disco “Esmeraldas” da cantora Tiê, pelas trilhas sonoras de alguns curtas da diretora Tata Amaral, já compôs em parceria com David Byrne (ex-Talking Heads)…

Conversei com André sobre sua carreira, o clipe de “Vou Parar de Beber”, o disco “1985”, as redes sociais na vida de um músico e muito mais:

– Quando você começou sua carreira?
Comecei em 2003. Que foi pra valer mesmo. Até então eu tocava em casa e nas salas de casa de amigos. Comecei tocando baixo em banda de baile que meu pai era maestro e tecladista. Eu tocava em casamento, bar mitzvah e etc. Foi um baita aprendizado pois tocava coisas que eu não conhecia. Meu pai contava 1,2,3 vai! Eu tinha que ir atrás olhando na mão esquerda dela. Depois entrei pra faculdade onde conheci gente que trabalho até hoje. Ia pra faculdade pra ficar tocando no saguão e conversando com os amigos. Isso valeu muito a pena. Os amigos. Dois deles estão na minha banda desses shows do disco “1985”.

– As redes sociais são essenciais para um músico hoje em dia?
Sim, se souber usar! Eu ainda tô me entendo com elas. Tem que achar o seu público e saber como direcionar. É quase uma empresa o seu trabalho autoral hoje em dia. Tem vários detalhes que tem que ser trabalhados. Não adianta nada também você ter 284949 likes na página do Facebook mas seu som ser vazio e sazonal. A combinação dos dois é importantíssimo. Digo, ser criativo na música e obstinado na divulgação. E tem o fator sorte também, né?

– Me fale mais sobre o clipe de “Vou Parar de Beber”.
Foi um clipe difícil de fazer mas lindo de ver! O Deco Farkas é foda e tem uma percepção incrível de fotografia. saímos sem roteiro. Ideia na cabeça e câmera na mão. Ele ia desenvolvendo tudo no caminho. A parte em que eu me arrasto na Pedroso de Moraes foi horrível. Tinha que deitar, tirar foto, levantar, andar um passo, deitar de novo e tirar foto. Mas precisávamos de 300 fotos pra animação ficar legal. Ou seja… Baita malhação infernal. Mas valeu todo o esforço.

– Este clipe, se a Mtv Brasil ainda estivesse viva, provavelmente seria indicado a algum VMB. Você acredita que a emissora em seu formato anterior faz falta à música brasileira?
Faz sim! Mas sei que ela continua ativa com outro conceito mas que tem espaço para artistas novos. Claro que pelo fato de antigamente ela ter feito parte da TV aberta, era mais abrangente. Aliás , muita gente disso isso quando viu o clipe. “Faria sucesso na Mtv antiga”. Achei lindo porque quando acabou a Mtv eu fiquei muito triste por nunca ter visto um clipe meu lá. Mesmo que não tinha música pra fazer um clipe na época. Descobri muita banda nos anos 90 pela Mtv. Era o Spotify da época. Só que com indicações e VJ’s com os pés no banquinho! Amava assistir Beavis And Butthead xoxando os clipes. E o Cazé desligando “na caaaaaaara” Se eu revirar as coisas na casa da minha mãe, devo achar uns VHS com gravações dos clipes da época.

– Quais são suas principais influências musicais?
Enya, Duncan Browne e Mulheres Negras.

– Você está lançando seu primeiro álbum. Pode me falar mais sobre ele?
Ele é um disco sobre as coisas que passo no dia a dia e sobre estar com 30 anos. Por isso ele chama “1985”. Abordo de forma leve o lance e o encargo de virar adulto. Cada um amadurece numa hora.  Mas tento sempre ser honesto e sem me perder muito no lado mais lúdico. Gosto de ser sentimental no jeito bruto, sólido e descontraído. São 12 músicas. É um disco de canção, pop e rock.

André Whoong

– O show de lançamento já teve participações muito bacanas, como a de Tiê. Como rolou esse contato?
Ela é minha amiga e minha parceira. Começamos a trabalhar em 2011 e não paramos mais desde então. Temos uma facilidade incrível pra fazer coisas juntos e ter ideia. Fazemos musicas juntos de um jeito bem fácil. Gosto do jeito que ela pensa na música de uma forma simples. Ela gosta de ser direta e simples e isso é difícil de fazer. E eu lancei meu disco pelo selo/gravadora dela, que chama Rosa Flamingo.

– Quais as suas inspirações para criar?
As coisas que me acontecem no dia a dia. Brigas do Facebook, ressacas, meu bairro, as pessoas que moram nele, badtrip, uma menina que estou afim, outra que nem tanto. Coisas que todos passamos.

– Quais são seus próximos passos?
Fazer show em todo o lugar que der e fazer vários clipes. Fiz um clipe da “Vou Parar de Beber” com o Deco Farkas que ficou lindo. Adorei a ideia de fazer a imagem da música de forma despretensiosa. Precisamos nos levar menos a sério.

André Whoong e Roberta Martinelli
André Whoong e Roberta Martinelli, do Cultura Livre

– Quais são as principais dificuldades de ser um artista independente? E as vantagens?
A vantagem é a auto gestão. Você se promove e decide as coisas do seu jeito. E existe um interesse grande em bandas independentes. As pessoas gostam de bandas independentes pois tem muita personalidade nisso. Geralmente as bandas fazem o rolê de tudo. Vai na Galeria do Rock fazer camiseta, faz adesivo, faz o escambau pra divulgar e faz com muito amor. Isso fica impresso no produto final e acaba sendo um lance atraente. As dificuldades são coisas que só existe se você não conseguir ser obstinado e levar a parada a sério. Tudo tem que ser resolvido. Ser independente é isso. Resolva seus problemas.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Gosto muito da Luiza Lian que tá com um disco lindo e novo, do Fingerfingerrr que tem um show explosivo e festivo e estão pra lançar seu primeiro disco e do Rafael Castro que tem uns 9 discos e todos geniais.

Ouça o disco “1985” completo aqui:

Ex-VJs da Mtv Brasil Kenia e Keila Boaventura, as KSis, preparam trabalho independente “mais autoral”

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KSis

As gêmeas Kenia e Keila Boaventura ficaram famosas ao entrar com o pé na porta na Mtv Brasil e ir direto apresentar de forma anárquica o maior programa da casa, o Disk Mtv. Lá, as duas falavam o que queriam, “brigavam” como todo irmão e apresentavam a parada musical da emissora. Além disso, seus próprios clipes da dupla KSis também estavam em alta, com faixas como “Beijos, Blues e Poesia” e “Tem Dias”.

Depois de um longo hiato, as irmãs Boaventura se reuniram no ano passado para trabalhar em novas músicas, clipes e até um provável disco, desta vez mais focado em trabalho autoral e sem a influência de gravadoras. Conversei com Kenia e Keila sobre o novo trabalho, o período na Mtv Brasil e trabalhos solo:

– Vocês estão produzindo um novo álbum. Podem me falar um pouco mais sobre esse trabalho?

Keila Boaventura – Sim, estamos com um novo projeto, gravando os novos singles sem pressão e prazo para entrega. Um trabalho mais maduro, uma linguagem mais nossa, porque o novo trabalho é mais autoral.

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– Como foi esse período de “hiato” das KSis?

Kenia Boaventura – Foi de muita reflexão e muita pesquisa. Um tempo muito importante para o amadurecimento do novo trabalho. Amadurecimento pessoal também. Voltamos mais certas do que queremos e mais verdadeiras ainda com o nosso trabalho.

– Muita gente conhece vocês graças à Mtv Brasil. O quanto o canal mudou a vida de vocês?

Keila Boaventura – Sim, a MTV teve grande importância na nossa carreira até aqui, embora tenha tido o interesse em divulgar apenas as apresentadoras Kenia e Keila Boaventura e não nosso som. Somos muito gratas às pessoas que nos possibilitaram essa entrada no canal. Vivemos momentos muito bons na casa e sentimos saudades de muitos dali. É uma marca muito forte que vamos levar pra sempre na nossa história e coração.

– Como foi apresentar o Disk Mtv, um dos programas de maior sucesso na época?

Kenia Boaventura – Apresentar o Disk foi uma grande surpresa e um desafio grande, já que esse era o carro-chefe da emissora. Tivemos que enfrentar alguns leões que queriam estar ali no nosso lugar mas tínhamos uma galera muito bacana que nos dava força para seguir em frente. Nós amávamos aquele programa e toda equipe que trabalhava com a gente. Foi uma linda fase da nossa trajetória.

– Quais são suas maiores influências musicais?

Keila Boaventura – Ouvíamos de tudo pois desde a infância nós já trabalhávamos com música. Essa será sempre uma pergunta difícil para responder mas podemos começar com Lô Borges, Milton Nascimento, Tavito, Skank, Paul Simon and Garfunkel, Carly Simon, Marina Lima, Almir Sater, Irmãs Galvão, Cascatinha e Inhana, entre outros.

– Como vocês definiriam o som de vocês?

Kenia Boaventura – Através do processo de produção, aquele que flui de ordem e forma natural, podemos definir como pop, aquele que vem do popular mesmo. Das frases simples, dos arranjos diretos sem muito rodeio. Sabemos o que queremos dizer e tentamos passar para as nossas músicas o que vivenciados no cotidiano. Numa pegada anos 80 com convenções e arranjos da época. Futuramente pode ser que façamos alguma releitura ou grave algum som de algum parceiro mas o som até agora é autoral.

– Vocês chegaram a pensar em seguir carreira solo?

Kenia Boaventura – Já pensamos e temos projetos paralelos que são solo.Um deles a gente até brinca dizendo que vai se chamar – KSÓS.

– Como é o processo de composição de vocês?

Kenia Boaventura – Começamos com a ideia da mensagem, o que queremos dizer e depois trabalhamos os arranjos. Algumas músicas levam meses para serem concluídas e outras fluem de forma mais rápida.

KSis
Kenia e Keila gravando os novos singles

– Quais são os próximos passos das KSis em 2015?

Kenia Boaventura – O trabalho independente é muito incerto e bem mais difícil, tem muitas barreiras para derrubar e não sabemos onde podemos chegar, por isso vamos dando um passo de cada vez. Agora temos alguns singles em mãos e vamos para a gravação dos videoclipes, sempre procurando alguém que se interesse pelo nosso projeto e nos ajude a seguir em frente.

Saudades da MTV Brasil? Enxugue as lágrimas e crie a sua própria versão 2015 da finada emissora

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Ex-VJs da Mtv

A MTV Brasil como a conhecemos viveu entre outubro de 1990 e o fatídico 30 de setembro de 2013, quando os sinais da emissora que revelou talentos, apresentou artistas e músicas que dominaram o Brasil e ajudou toda uma geração a crescer e se conscientizar sobre assuntos como a prevenção da Aids parou de funcionar e deu lugar a um daqueles infomerciais safados (que depois virou mais um canal com as famigeradas transmissões de cultos evangélicos). Não vou nem comentar sobre a ~nova~ MTV, em que a música não fica em segundo plano: fica em décimo oitavo, atrás de reality shows de namoro em todos os formatos possíveis. Eca.

De uma coisa podemos ter certeza: o legado ficou. E mais do que isso, com o Youtube (um dos meios que ajudou a matar o canal da Alfonso Bovero), você pode criar a sua própria programação da emissora. Sim, a MTV que você sempre amou vive, fragmentada em diversos canais e vídeos do Youtube. E é por isso que montei uma pequena lista de canais que podem ajudar você a montar uma playlist e simular a SUA MTV Brasil do jeito que preferir. Ligue no 32 UHF e vamos lá:

República do Kazagastão, de Gastão Moreira

Gastão Moreira, um dos melhores e mais bem informados musicalmente que já passaram pela Mtv Brasil, sempre foi responsável por manter o rock vivo e atual na emissora brasileira (com programas como o Gás Total e o Fúria Metal). Pois o ex-VJ agora tem um canal no Youtube onde faz o Heavy Lero (junto com Clemente, dos Inocentes), programa onde destrincha alguma banda ou cena específica, e lança vídeos com entrevistas e matérias que fez na finada Mtv.

Panelaço, com João Gordo

Um punk que não tinha talento nenhum pra apresentar clipes, mas que se mostrou um ótimo apresentador e entrevistador em programas como Garganta e Torcicolo, Gordo a Go-go e Gordo Visita (além de anarquizar o que era aceitável ser exibido na programação da TV em seu Gordo Freak Show). Hoje, João Gordo tem um ótimo canal no Youtube chamado Panelaço, onde entrevista personalidades e amigos em sua cozinha enquanto cozinha um rango vegano. Vale a pena conferir as receitas e as entrevistas, já que ele dá um pau em muito apresentadorzinho de talk show que se preocupa mais em fazer piadinhas do que conversar…

Hermes e Renato

O grupo de humor que era a cara da Mtv Brasil, com perucas esdrúxulas, piadas que ultrapassavam o limite do politicamente correto e criavam bordões que não pareciam bordões. O grupo continua na ativa após a morte de seu fundador e cabeça, Fausto Fanti, em 2014. Hoje em dia estão prestes a começar uma nova temporada (ainda com cenas de Fausto) no Canal FX e possuem um canal no Youtube onde pouco a pouco disponibilizam suas sketchs em boa qualidade. Ah, você também pode encontrar vídeos deles (muitos!) no canal Pérolas Hermes e Renato.

Piores Clipes do Mundo, com Marcos Mion

Lembram quando Marcos Mion era um rapaz magrelo e desengonçado que destrinchava com louvor as tosquices que muitos dos clipes da Mtv tinham? Pois é: com o Youtube, você pode viajar no tempo e reviver o clássico programa Os Piores Clipes do Mundo, com pérolas videoclípticas como “Mama África”.

Fudêncio e Seus Amigos

Desenho baseado no boneco que João Gordo criou durante o programa Garganta e Torcicolo, contava com personagens incríveis e críticas ácidas a tudo e a todos. O mais próximo que o Brasil já teve de um South Park ou Family Guy. Criado por Thiago Martins, Marco Pavão e Flávia Boggio, o desenho não tem um canal oficial no Youtube, mas quase todos os episódios estão por lá:

Amada Foca, com Bruno Sutter, Daniel Furlan, Bento Ribeiro e Paulinho Serra

Pra quem gostava dos últimos dias do Furo Mtv, o programa que juntou a raspa do tacho do humor da Mtv formou o grupo Amada Foca, que posta sketchs e uma versão do finado Furo em seu canal:

Gato & Gata, com Chuck Hipolitho e Gaía Passarelli

Os últimos conhecedores de música a apresentarem programas na Mtv Brasil em seus últimos dias (e responsáveis por eu ter assistido um belo clipe dos Pixies antes de ir pro trabalho em um dia de 2014), o ex-casal teve esse belo canal que em muito lembrava os bons momentos dos momentos finais da emissora UHF. O canal, como a Mtv, já ficou pra trás, mas os vídeos continuam disponíveis.

Clipes

Quanto aos clipes, eu não preciso nem falar nada, né? O Youtube tem um acervo muito maior do que a própria Mtv jamais teve, incluindo inclusive bandas independentes (que na época eram chamados de “democlipes” e já revelaram bandas como Raimundos e Pato Fu) e os clipes de grandes bandas que a Mtv Brasil nunca passou (ou até passou, mas nunca conseguiram pegar o lugar do Hanson no topo do Disk Mtv). Exemplo? “Stripsearch”, do Faith No More, que eu nem sabia que tinha clipe.

Além disso, o Youtube é cheio de canais com shows completos e documentários musicais e outros ex-VJs prometem novidades no Youtube em breve (como Luiz Thunderbird prometeu na entrevista que deu para o Crush em Hi-Fi Luiz Thunderbird). Conhece algum outro canal que entraria na programação da SUA Mtv? Conte pra nós nos comentários!

T-Shirtaholic: “Hendrix”, “Music Festival” e “Tonight, Tonight”

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A primeira camiseta de hoje ilustra um dos maiores guitar heros de todos os tempos (senão O guitar hero por definição): a marca Verso fez uma bela ilustração mostrando Jimi Hendrix em toda sua glória como um super-herói das seis cordas. Em chamas, como ele bem canta em “Fire”.

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Onde tem mais disso? Verso

Foi no Lollapalooza? Vai no Monsters Of Rock? Mal pode esperar pelo Rock In Rio? Já foi ao Wacken? Tá superafim de ir num SXSW? You couldn’t wait for the summer and the Warped Tour? Bom, esta camiseta é pra você:

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Onde tem mais disso? Original Music Shirt

Se você é fã da banda de Billy (desculpa, William) Corgan e principalmente de um dos melhores clipes de todos os tempos, encontrou a camiseta ideal pra você. Aposto que em 1997 você estava grudado na Mtv pra gravar o clipe de “Tonight, Tonight” em VHS. É, velhos tempos sem Youtube, né…

tonight-tonight_cam_estampa_ec tonight-tonight_cam_masc_foto_ecQuanto? R$ 69,00
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Onde tem mais disso? El Cabriton

“As rádios estão acomodadas com música de fácil assimilação”, explica o jornalista e apresentador Gastão Moreira

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A Mtv revelou diversos talentos em sua primeira fase, com jornalistas musicais incríveis, apresentadores diferentes de tudo que a TV já mostrou e apresentadores que fugiam do lugar comum. Entre os destaques da saudosa Mtv Brasil estava Gastão Moreira, o cara que mais falava de rock (com muita propriedade) na emissora, apresentando programas como “Gás Total” e “Fúria Metal”, tendo trabalhado na emissora musical de 1990 a 1999.

Ao sair da Mtv, em 1999, Gastão fez história com o programa Musikaos na TV Cultura, onde apresentava bandas ao vivo com platéia e muito rock, apostando em bandas novas e na cena underground brasileira. Com o fim do programa, o jornalista (advogado de formação) mudou-se para Florianópolis, onde apresentou o programa Gasômetro na Rádio Atlântida. O mesmo programa agora está na Kiss FM de São Paulo, para onde o ex-VJ voltou, sendo apresentado às segundas-feiras ao meio-dia.

Além do programa Gasômetro, Gastão também possui o projeto República do Kazagastão, canal no Youtube onde junto com Clemente apresenta a segunda temporada o programa Heavy Lero, que fala de rock em todas suas vertentes e apresenta discos e histórias incríveis para quem gosta de música.

Conversei um pouco com Gastão sobre sua carreira, o mundo do rock nos dias de hoje e os novos rumos do jornalismo musical no Brasil:

– O Heavy Lero está em sua segunda temporada no Youtube. Como você definiria o programa?

Um dos últimos focos de resistência da música sem prazo de validade.

– Você acha que o Youtube é o novo canal para programas que não atingem o “grande público” atingirem seu público-alvo?

Hoje em dia o Youtube é a única possibilidade de ter um programa para falar de rock com liberdade de conteúdo.

– O República do Kazagastão não é só o Heavy Lero, estou certo? Teremos outros quadros?

Também temos vídeos históricos tirados dos meus arquivos, entrevistas e sugestões de bandas novas.

– Saiu Bento Araújo, entrou Clemente. Qual será o peso dessa mudança de escalação para o Heavy Lero?

O programa ficou menos teórico e mais informal.

– Fale um pouco sobre o Gasômetro, seu programa na Kiss FM.

Faço um programa caótico que prioriza a música tocada. Tocar as coisas que eu toco é uma missão musical.

– Falta um pouco disso nas rádios FM hoje em dia? Você acha que a programação das rádios está saturada apenas com hits repetidos e dá pouco espaço ao novo e ao diferente?

As rádios, em geral, estão acomodadas com música de fácil assimilação. O público está cada vez menos exigente.

– O Musikaos era um programa que colocava bandas pra tocar ao vivo e dava espaço também para bandas do circuito alternativo e underground, como o Matéria Prima fazia no passado. Porque esse tipo de programa sumiu da TV brasileira?

Talvez o grande público tenha perdido interesse na arte autoral e se satisfaça com o popularesco…

– Você voltaria a fazer algum projeto para a TV?

Só se tivesse controle sobre o conteúdo.

– Vi sua participação no programa “Todo Seu”, do Ronnie Von, comentando o Grammy. Podia ser colunista fixo de música lá, hein?

(Risos) Tenho andado muito ocupado, não consigo nem dar conta dos meus projetos…

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– Existe espaço para uma nova cena rocker no Brasil?

Sim, mas se encontra nas entrelinhas. e garanto que tem muita banda boa, de norte a sul!

– O rock atual está fadado a permanecer no underground ou você acha que pode voltar às paradas de sucesso? Existe um ciclo?

Acho pouco provável que o rock volte a figurar nas paradas nos próximos 5 anos.

– Quais foram suas entrevistas preferidas dos tempos de Mtv?

Angus Young, Aerosmith, Sabbath e Liv Tyler (por motivos óbvios)! (risos)

– E as piores entrevistas?

Acho que foi o the Cult.

– Qual o seu programa preferido dos tempos em que trabalhou na Mtv?

Gostava muito do Lado B.

– A influência da Mtv Brasil faz falta à cena musical de hoje em dia?

Falta um veículo que trate a música com dignidade.

– Qual a sua opinião sobre a febre de reality shows musicais cheios de firulas vocais?

A maioria dos candidatos parece ter saído da mesma fôrma! falta muita sarjeta para chegar lá…

– Recomende algumas bandas que você descobriu recentemente e que todo mundo deveria ouvir.

Sleepy Sun, Black Mountain, Howlin Rain, Graveyard, Blues Pills…

Hank & Cupcakes, o casal insraelense que injeta muita arte em seu som provocador e pop

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Foto por Storey Condos

Marido e mulher formando uma dupla pop com som sujo e criativo vinda diretamente do Oriente Médio. Hank & Cupcakes são uma dupla de electropop do Brooklyn formada em 2008, em Tel Aviv, Israel. Sagit “Cupcakes” Shir (bateria, vocais, piano) e Ariel “Hank” Scherbacovsky (guitarra baixo) lançaram seu primeiro EP, “Ain’t No Love”, em 2012, e o primeiro disco completo da carreira, “Naked!”, em 2013, sendo seguido no ano seguinte por “Money 4 Gold”.

O casal se conheceu com 19 anos de idade, quando tocavam em uma banda do exército israelense, em 1999. Shir era cantora na banda, enquanto Scherbacovsky era técnico de som. O casal continuou a tocar juntos em diferentes projetos, começando com uma banda cover dos Beatles, Suzanne Vega, Tori Amos e Paul Simon.

O embrião de Hank & Cupcakes começou em uma banda chamada Maim Shketim (hebraico para “água silenciosa”) com o guitarrista Ronnie Reshef em 2002, quando começaram a escrever canções originais e desenvolver seu próprio estilo musical. O trio se separou quatro anos depois, quando o guitarrista Reshef mudou-se para New York. Shir e Scherbacovsky se casaram naquele verão, em Tel Aviv, e decidiram estudar música cubana em Havana, Cuba. Começaram a trabalhar no projeto Hank & Cupcakes na volta da viagem, 6 meses depois, quando resolveram se estabelecer em Nova York, lar do som criativo e divertido da dupla.

Falei com Hank sobre a trajetória da banda, seus sensacionais videoclipes e arte em geral.

– Li que o nome Hank & Cupcakes apareceu por influência de Charles Bukowski. É isso mesmo?
Sim, o nome é uma referência ao lendário Charles Bukowski que em suas histórias refere-se a si mesmo como “Hank Chinaski” e uma de suas amantes na vida real tinha o apelido de “Cupcakes”.

– Vocês são de Israel. Como sua terra natal influencia o som da dupla?
Há ocasionalmente algumas referências ao Oriente Médio em nossa música, como na música ‘Jimmy’, por exemplo, mas somos bastante influenciados pela cena musical dos EUA, onde nós criamos e tocamos.

Foto por Javier Ortega
Foto por Javier Ortega

– Vocês são casados. Como é trabalhar com seu marido/esposa o tempo todo? A intimidade ajuda na criação das músicas?
Não facilita, necessariamente, e existem muitos desafios devido ao fato de que muitas vezes questões da vida pessoal aparecem no contexto dos ensaios, criação e apresentação, inevitavelmente. Também é uma grande parte da nossa magia e química, já que oferece uma abertura e confiança entre nós como banda. Acredito que você certamente pode ver isso nos nossos shows.

Estar em uma banda, especialmente uma que faz turnês, é sempre desafiador, no sentido de que é uma experiência extrema e intensa e de que não oferece muito tempo pessoal e espaço fora do grupo. Se eu tivesse que escolher uma pessoa para passar por essa insanidade comigo, seria Sagit (Cupcakes). Depois de todos momentos bons e ruins, é sempre bom ir dormir nos braços de alguém que você realmente ama e não algum cara bêbado e fedido…

– Vocês são uma dupla. Quais as funções de cada um na banda?
Cupcakes é a vocalista e toca bateria em pé e eu (Hank) toco baixo com um setup de pedais de efeitos e amp splits.

– Como vocês acham que um videoclipe ajuda a promover uma música, especialmente hoje em dia, quando a Mtv não é mais o que já foi e o Youtube é o maior canal de clipes musicais?
Videoclipes são um meio divertido e artístico no qual nós realmente gostamos de trabalhar. Tivemos a sorte de colaborar com muitos artistas incríveis que realmente gostamos em algum de nossos clipes e criamos nossos últimos 3 vídeos completamente sozinhos. Nós não criamos os clipes para nos promover, só gostamos de criá-los da mesma forma que gostamos de fazer música. Em relação à Mtv e Youtube, não sei o que dizer. Acredito que é apenas a forma que as coisas são hoje em dia, o que também fez ficar relativamente simples a criação de videoclipes independentes.

– Dá pra perceber nos clipes que a arte é uma grande parte do projeto Hank & Cupcakes.
Acho que todas as artes estão de uma forma ou outra concectadas no que se refere a inspiração e beleza se cruzam e podem refletir e enfatizar coisas entre si. O visual muda a forma que a música é percebida e vice-versa. A trilha sonora é uma parte que define um filme assim como uma frase pode dar uma nova luz a uma foto, etc. Em termos de conteúdo, Nova York e os Estados Unidos em geral oferecem uma fonte infinita de inspiração e gostamos de absorver e canalizá-la no que fazemos.

– Que artistas você diria que inspiraram o som de vocês?
É difícil dizer. Crescemos ouvindo músicas muito diferentes do que tocamos. Atualmente estamos ouvindo na van a um show do Doors e antes disso um pouco de Elvis, Spoon, Neil Young e Bob Dylan. Moramos em Cuba por 6 meses e isso foi muito inspirador e como eu disse antes, também há algumas referências do Oriente Médio no meio, em algum lugar. Eu pessoalmente fui muito inspirado por músicos com quem toquei em bandas quando vivia em Israel, especialmente guitarristas.

Foto por Storey Condos
Foto por Storey Condos

– Se vocês pudessem tocar QUALQUER cover, qual seria?
Recentemente alguém sugeriu “Around The World” do Red Hot Chili Peppers e ontem à noite no show eu ouvi alguém pedindo “Transmission” do Joy Division e pensei nessa… Muda o tempo todo…

– Falando em covers e Joy Division, vocês fizeram uma versão de “She’s Lost Control”. Como os fãs de Joy Division reagiram?
Reações de todas formas: algumas pessoas amaram, e algumas, especialmente as que são fãs “religiosos” de Joy Division, não gostam muito quando outras bandas brincam e mudam a versão da música que eles conhecem.

– Como vocês definiriam seu som?
Cru, provocador, pop.

– Que novas bandas chamaram sua atenção recentemente?
Recentemente tocamos com o Of Montreal e eles foram absolutamente incríveis. Além deles: Lucius, Spoon, Die Antwoord, Em and The Mother Superiors, BF/GF, AMFM’s e muito outras bandas que trombamos quando estamos em turnê, mas eu não consigo lembrar dos nomes no momento…

– Quais são os próximos passos de Hank & Cupcakes? 
Disco novo em 2016 e mais turnê!

– Podemos esperar uma visita de vocês no Brasil?
Esperamos que as estrelas se alinhem para isso logo!

Thrills and The Chase lança seu novo clipe, “Jesus Is a Woman”, com apresentação em pub de SP

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O Thrills & The Chase é um respiro de ar puro (ou sujo, se você preferir) no rock independente nacional. O quinteto apresenta um som cru e dançante, com riffs que grudam na memória e uma bateria especialmente hipnótica. Com dois EPs lançados (“Introducing Thrills (And The Chase)”“Women, Fire and Dangerous Things”), a banda é figurinha carimbada nas boas casas que ainda recebem bandas autorais de rock na noite paulistana.

Formada por Calvin Kilivitz, Louis Daher, Guilherme Di Lascio, Zé Menezes e Cláudio Guidugli, a banda existe desde 2010 e lança amanhã seu segundo clipe, “Jesus Is A Woman”, em apresentação no pub Gillian’s Inn, em São Paulo. Conversei um pouco com o vocalista Calvin Kilivitz e o batera Zé Menezes sobre a banda, sua trajetória, a apresentação de amanhã e a importância do videoclipe hoje em dia:

Quando a banda se formou?
Calvin: Eu e o Louis (guitarra) tocamos juntos desde 2001. Tivemos 3 ou 4 bandas diferentes e tocamos com vários músicos diferentes, inclusive o Zé, que está no Thrills desde o final de 2010, quando fundamos a banda. Nessa época nosso baixista era um cara que hoje atende por Lance Lynx. O Guilherme substituiu ele em 2011 e no ano passado, viramos um quinteto com a entrada do Claudio.

De onde veio o nome Thrills and The Chase?
Calvin: O nome é uma corruptela de uma expressão em inglês, “it’s the thrill of the chase”, cuja tradução literal seria “é a emoção da perseguição”. Soa meio besta, eu sei, mas tem a ver com a sabedoria popular de que às vezes perseguir um objetivo é mais excitante do que atingi-lo.

Dito isso, o nome não tem nenhum significado em especial. Escolhemos esse porque soa legal e invoca aquele cliché de bandas que nomeiam um integrante principal e sua gangue (Paul McCartney & The Wings, Bruce Springsteen & The E Street Band, Josie & The Pussycats, Ronaldo & Os Impedidos, etc.), sem precisar eleger um de nós como membro principal.

Como vocês definem o som da banda?
Calvin: Essa é sempre uma pergunta difícil, mas a julgar pelo que andamos compondo, eu diria que somos “21st Century Motown Rock”. Não tenho certeza que essa definição pode ser levada a sério.

Quais são as maiores influências musicais de vocês?
Calvin: Além de várias bandas de rock (que é nosso estilo por definição), buscamos inspiração em blues, jazz, motown, pop, folk, eletrônico… soa meio vago, mas acreditamos que ser eclético é essencial para qualquer músico. Em qualquer faculdade, um especialista precisa de uma base de conhecimentos gerais daquela área, não teria porque ser diferente com música. Uma banda que só ouve ou só bebe de um gênero ou subgênero está condenada a ser pastiche de seja lá qual for sua influência, não acha? Então eu poderia fazer uma lista exaustiva que vai ter de Adele até The Zutons, passando por Helloween.

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Quais os maiores desafios de ser uma banda nova de rock no Brasil?
Calvin: Lidar com o fato de que já faz tempo que o rock não está no topo da cadeia alimentar da música popular. Das 100 músicas mais tocadas nas rádios brasileiras em 2014, de rock só tinha o Skank. E o som deles (que eu acho sensacional, diga-se de passagem) é muito mais maleável, muito menos caricato que o da maioria das bandas. O público daqui não tem uma cultura de descobrir bandas novas, acho que ainda faz-se necessária uma certa curadoria, mas mesmo esses canais já não tem a força de antigamente. O rock aqui não é música popular, a não ser que você considere as bandas que estão no mainstream, que vem de outra época, outro paradigma de indústria.

Existe espaço para uma cena rock no Brasil? O estilo pode voltar a dominar as paradas?
Calvin: A cena rock existe, ela só não tem o alcance (ou a presença) que nós gostaríamos. Os motivos disso são uma discussão longa que daria um outro artigo, até. Quanto à segunda pergunta, duvido muito. Não sei nem se isso é necessário.

O que vocês acham da ascenção do chamado “indie rock”?
Calvin: Quanto ao indie, bem… entendo por indie rock as bandas que surgiram na virada do século e que não se encaixavam automaticamente em um dos subgêneros que já existiam. Nunca entendi muito bem a necessidade de separar essas bandas do resto do gênero, a não ser um certo conservadorismo por parte dos fãs mais antigos. A real é que bandas como The Strokes, The Killers, Kings of Leon, Franz Ferdinand e etc. não só trouxeram um pouco de ar fresco mantiveram um estilo musical meio caducante presente na vida de muita gente que era nova demais pra ouvir Guns N’ Roses e Nirvana na época em que eles eram novidade. Ou no mínimo, impediram que as pistas de dança das festas rock atuais não soassem como uma coletânea da Som Livre. Algumas dessas bandas são sensacionais (Franz Ferdinand é a minha predileta), e outras são chatas que dói, mesmo. Mas isso é verdade em qualquer gênero, né?

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O pop domina as paradas internacionais, o sertanejo as nacionais. Onde está o rock?
Calvin: O rock está por aí, onde sempre esteve. Mas como eu disse antes, já não é o estilo que domina o mainstream. E isso é natural, tem a ver com a passagem do tempo, com a evolução tecnológica… há 40 anos atrás não era possível fazer música eletrônica, por exemplo.

Também pesa o fato de que todo movimento cultural que é de certa maneira rebelde (ou anti estabilishment) cedo ou tarde se dilui, ou perde relevância, ou é cooptado mesmo. Há 60 anos atrás o Elvis dançando era considerado obsceno. Hoje você tem a Nicki Minaj.

Isso não é necessariamente ruim. O mundo muda, a cultura muda, e o rock ainda tem espaço. O quão limitado (ou segmentado) é o alcance de uma banda nova depende de vários fatores – com quem a sua música ressoa, ou então o quão criativo você é. Hoje vejo muita gente, bem nova até, inconformada com o fato de que o rock já não tem mais a relevância de 20, 30, 40 anos atrás e repudiando o que se faz de novo por aí – como falei agora a pouco, ironia das ironias, o rock virou um estilo conservador.

Quais bandas dividiram palco com vocês e merecem ser ouvidas?
Calvin: Não posso responder pela banda toda, mas que eu ouço direto e recomendaria sem pensar duas vezes são o Martiataka, o Psicotropicais e o Pousatigres. Nunca toquei junto do Star 61, mas também adoro o trabalho deles.

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Se vocês pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?
Calvin: De novo, não posso responder pela banda toda, mas eu adoraria fechar um show com “That’s Life”, do Frank Sinatra.

Quais são os próximos passos do Thrills and The Chase?
Calvin: Estamos compondo um álbum que será lançado (a princípio, de forma independente) até o final de 2015. Nesse meio tempo, além do videoclipe novo, temos mais algumas faixas do projeto The Naked Sessions pra lançar. Talvez lancemos um EP com todas essas faixas.

Vocês estão prestes a lançar o clipe para “Jesus Is A Woman”.
Calvin: Esse é o primeiro clipe da banda em 3 anos. Foi dirigido pela Roberta Fabruzzi e assim como o primeiro (“Damsel In Distress”), o vídeo é menos focado na banda e mais numa estrela convidada. No caso de “Jesus”, temos uma pole dancer (Deborah Rizzo). O resultado final ficou muito bonito e estamos orgulhosos de participarmos de um clipe diferente do básico (colocar a banda tocando e fazendo pose), considerando os recursos um tanto limitados. Pole dancing ainda é uma arte/esporte um tanto estigmatizado em meios mais conservadores. Eu diria até que hoje em dia uma pole dancer é mais rock & roll do que muita banda de rock, se é que você me entende.

Vai rolar um evento de lançamento, certo?
Calvin: Dia 13 de fevereiro nós faremos um show aqui em São Paulo/SP, no Gillan’s Inn. O projeto se chama Ponto Pro Rock e é capitaneado pelo nosso amigo Ricardo Lopes. Dividiremos o palco com as bandas Chains e Slot e no meio do nosso show, o clipe será exibido, antes até de ir pro YouTube. Prometemos um show divertido pra quem quiser aparecer por lá.

Qual a importância da gravação de um clipe agora que a Mtv Brasil perdeu as forças?
Calvin: Maior do que nunca, graças ao YouTube. A MTV, brasileira ou internacional, nunca foi um lugar pra revelar novos talentos que já não tivessem sido descobertos por selos que possuam capital pra tentar forçar a entrada de alguém no mainstream. Sim, pelo menos a MTV Brasil na era Abril passava algumas bandas independentes (e o Midnight Sisters, banda minha e do Louis antes do Thrills, conseguiu até colocar um clipe por lá), mas isso não serviu de trampolim para nós e duvido muito que tenha servido para outras bandas.

A real é que não existe aparição em canal de TV, reality show ou programa de auditório que cause uma ascenção meteórica na carreira de um artista se isso não for parte de um esforço coordenado de marketing que envolve diversos canais de mídia que só são acessíveis com muita grana. Isso é outra realidade, uma que bandas como a nossa não vivem e na maioria absoluta dos casos, nunca vão viver. Não que eu esteja repudiando o mainstream – adoraria fazer parte do mesmo.

Hoje felizmente existe vida fora do mainstream. É possível ter uma carreira sem depender dos meios de comunicação de massa. A internet (e o YouTube em especial) estão aí pra isso. A competição ainda é acirrada (maior, até) porque com essa democratização (qualquer um pode gravar um vídeo e mostrar pro mundo, não há curadoria ou barreira entre você e o público) a oferta aumentou exponencialmente enquanto a demanda, nem tanto. Há um excesso de opções, excesso de bandas, pra não dizer uma cacofonia.

Mas isso não deve impedir ninguém de tentar. O negócio é manter uma perspectiva realista das coisas – do jeito que a indústria vai provavelmente não haverá outra banda que lote estádios durante décadas a fio. Mas o público está lá – jogar o jogo e merecer a atenção desse pessoal é parte disso.

Quais bandas novas que só vocês conhecem acham que todo mundo deveria estar ouvindo?
Zé: As últimas “safras” de bandas independentes têm me chamado atenção, coisa que não acontecia há alguns anos. Três em especial me chamam mais a atenção: Grindhouse Hotel, Faca Preta e Mundo Alto.

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Thrills & The Chase, Slot e Chains
Gillans ‘ Inn English Rock Bar – 23h
Rua Marquês de Itu, 284 Vila Buarque, São Paulo

Ouça os EPs do Thrills and The Chase completos aqui:

Os melhores clipes que usam apenas um take

Pra quem gosta de clipes e pira nas pirações que os diretores conseguem imaginar para ilustrar uma música, um dos artifícios mais utilizados e que podem deixar um vídeo incrível ou levá-lo para o Piores Clipes do Mundo é o “one take”. Ou seja: clipes que não possuem cortes (pelo menos não aparentes).

Um exemplo de clipe de um take só feito aqui no Brasil é “La Bella Luna”, sucesso dos Paralamas (do Sucesso).

O sempre incrível canal do Youtube WatchMojo.com, que publica principalmente vídeos com Top 10 dos mais variados assuntos, fez uma lista dos melhores vídeos com um só take. Dá uma olhada.