Construindo O Apátrida: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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O Apátrida

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano O Apátrida, que indica suas 20 canções indispensáveis. A banda é formada por Santiago Laranjeira (voz/teclado), Dija Dijones (guitarra/backing vocal), Luciano Portela (baixo) e Bruno Duarte (bateria) e está trabalhando em seu primeiro disco.

Sisters Of Mercy“Amphetamine Logic”
Poderíamos dizer que é praticamente impossível para uma banda de pós-punk, gótico, coldwave, darkwave, deathrock ou qualquer gênero ou subgênero musical do tipo não ser influenciada por Andrew Eldritch, Doktor Avalanche (a bateria eletrônica mais famosa do rock) e companhia. Nós não fugimos da regra.

Fellini“História do Fogo”
O “Adeus de Fellini” é um disco de valor sacro no nosso acervo de influências. Além de toda a musicalidade presente no disco, tem um fator muito positivo de ser um disco de pós-punk que só faria sentido cantado em português da maneira como ele foi feito. Como temos uma forte influência literária, era importante ter este tipo de trabalho como referência na hora de produzir nosso trabalho.

Joy Division“Disorder”
Podemos dizer que Joy Division está no mesmo panteão de referências do Sisters Of Mercy: como ouvir “Unknown Pleasures” e “Closer” e não tê-los como discos relevantes na vida? No começo da banda, tocávamos esta música. No entanto, ela tem um caráter tão valioso que resolvemos parar de tocá-la, pois parecia um pecado imperdoável executá-la. É, literalmente, uma canção intocável para nós.

Mercenárias“Inimigo”
Facilmente, uma das bandas brasileiras dos anos 80 e, ao nosso ver, ainda muito subestimada, por mais que sua importância histórica seja reconhecida por muitas das bandas atuantes por aí hoje em dia. Pouco depois que começamos a tocar juntos, fomos todos a um show delas, em um ritual de agradecimento.

The Smiths“Handsome Devil”
Tanto quanto o lirismo das letras de Morrissey, quanto às linhas de baixo de Andy Rourke, a técnica de guitarra que Johnny Marr empregou nas guitarras das canções dos Smiths é uma referência definitiva na hora em que compomos. Os temas, os arpejos e as harmonias inspiradíssimas fazem muito a nossa cabeça.

Magazine“Motorcade”
Também gostamos do Magazine brasileiro (descanse em paz, Kid!), porém o Magazine que é referência para gente é este aqui. Howard Devoto precisava de fato sair do Buzzcocks para nos brindar com este trabalho primoroso. Esta é uma das favoritas por conta da maneira como a banda se diverte com o andamento da música, assim como com os solos tortos e fora da escala da guitarra. Tocar com banda é isso: se divertir, mesmo em um contexto aparentemente sombrio.

Killing Joke “European Super Estate”
Killing Joke é uma das bandas mais fascinantes surgidas nas últimas 4 décadas: seus discos dos anos 80 são pedras fundamentais do pós-punk; mantiveram sua relevância quando migraram para o industrial e flertaram com o metal; retornaram nos anos 2010 com sua formação original, lançando discos excelentes; e o Jaz Coleman continua desaparecendo e aparecendo no deserto, escrevendo ótimas letras e fazendo shows insanos. Um exemplo a ser seguido.

Echo And The Bunnymen “Villiers Terrace”
Falar-se em pós-punk e letras de forte inspiração literária e não citar os homens-coelho é demonstrar pouco conhecimento de causa. Em um mundo ideal, “Crocodiles”, “Heaven Up Here”, “Porcupine” e “Ocean Rain” seriam mais ouvidos do que Cid Moreira fazendo locução de salmos.

Depeche Mode“A Question Of Time”
Certo dia, o Santiago chegou e disse: “eu quero uma música para dançar”. Para ele, nossas músicas não permitiriam este tipo de coisa. No mesmo dia, conversávamos sobre como Depeche Mode é bom e tal… E ficamos com esta música na cabeça, pensando, como seria bom ter uma música como esta em um repertório. Esperamos poder estar neste show, cantando junto com o Dave Gahan. E dançando muito, obviamente.

Gang Of Four“I Love A Man In Uniform”
Nós até tentamos fazer algo dançante inspirados no Depeche Mode, mas nosso fanatismo por Asylum Party (que não está nessa lista por não ter música no Spotify) e outras obscuridades não nos permite algo neste nível. É nessas horas que Gang Of Four acaba soando como a referência ideal de algo para se tocar numa pista de dança. Não sabemos se as pessoas dançam ouvindo-os, mas aqui se dança.

Christian Death“Romeo Distress”
A bíblia do deathrock, “Only Theatre Of Pain”, é disco de alta rotação na nossa discoteca básica. Junto com “Pure Joy In My Heart”, do Asylum Party, e “Disorder”, do Joy Division, “Romeo Distress” era uma das músicas que escolhemos para tocar nos primeiros ensaios para nos entrosarmos. Destas três, paramos de tocar apenas “Disorder”, por motivos já declarados. Agora esta é uma daquelas que é sempre bom poder tocar.

The Cleaners From Venus“Only A Shadow”
Pérola perdida dos anos 80 que aqueles mais antenados que acompanham esta atual geração de bandas revivalistas dos anos 80, sobretudo as bandas da Captured Tracks, já devem ter redescoberto. Mac DeMarco e uma galera de bandas como DIIV, Beach Fossils e Wild Nothing até formaram um grupo, o Shitfather, só para tocar este e outros tesouros desconhecidos dos anos 80.

Finis Africae“Armadilha”
Para alguns, é apenas mais uma banda de um hit só dos anos 80. Para nós, é uma das melhores bandas da geração de Brasília que sucedeu aquela turma que todo mundo conhece (Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, etc.). Infelizmente, lançaram apenas um full-length, em 1987. Quem puder, ouça-o.

R.E.M.“Feeling Gravitys Pull”
Para 50% da banda, Santiago (vocal/teclado) e Dija (guitarra/backing vocal), R.E.M. é um item essencial no conjunto de influências d’O Apátrida. Tanto que eles até têm um projeto paralelo, onde tocam principalmente músicas da fase pré-Green do quarteto americano do estado da Geórgia.

Holograms“Meditations”
Junto com os americanos do Protomartyr, os suecos do Holograms é destas bandas gringas mais atuais de pós-punk que nós mais ouvimos. Tanto é que, no começo da banda, nós tínhamos incluído “Meditations” numa playlist que usamos como referência para o que tínhamos em mente para constituir uma sonoridade para nossa banda.

The Cure“All I Want”
Seria um tremendo sacrilégio não ter uma música do The Cure nesta lista. No entanto, escolher algo da famosa “trilogia gótica” (“Pornography”, “Disintegration” e “Bloodflowers”) poderia ser um tanto óbvio numa playlist como esta. Por isso, escolhemos uma faixa do “Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me”, um disco que muito fã de primeira hora não entende e que os fãs mais ardorosos colocam um pouco de lado. Ambos deveriam rever seus conceitos sobre este disco.

Fields Of The Nephilim“Slow Kill”
O roteiro para quem conhece esta banda inglesa costuma ser o seguinte: você conheceu o Sisters Of Mercy e adorou; então o Fields Of The Nephilim é a banda que te indicam como a mais apropriada para este momento trevoso da sua vida. De fato, até é o vocal é muito parecido com o do Andrew Eldritch, um cara que já tem um estilo bem particular de cantar, mas não devemos tirar os méritos destes alunos tão aplicados da escola gótica.

She Past Away “Asimilasyon”
Este duo turco é mais uma banda que bebe e muito da fonte inesgotável de referências típicas do pós-punk e do gótico que é o Sisters Of Mercy. No entanto, o She Past Away cumpre bem também a tarefa de revisitar a coldwave francesa e outras obscuridades dos anos 80. O fato de cantarem em sua língua nativa dá ainda um charme especial às canções.

Kafka “Gregor”
O nome da banda e da música escolhida deixam bem clara a importância da referência: o Luciano Portela (baixo) é escritor (lançou “Carolina Foi Para o Bar Exibir Seus Lindos Pés” em 2014 e agora, em 2017, está lançando seu primeiro romance, “Tudo Que Afeta O Movimento”) e a ideia de formar a banda partiu dele. Daí a simbiose presente entre literatura e música que representa a banda. Kafka, a banda, apesar de não ter emplacado ao menos um grande hit como seus contemporâneos do Finis Africae, tem em “Musikanervosa” uma estreia marcante e influente para nós.

Cocteau Twins“Cicely” 
Das bandas mais instigantes dos anos 80. Os climas ímpares, a sonoridade etérea e até a métrica das letras feitas com as palavras inventadas por Elizabeth Fraser são fascinantes e servem de referência e lição: para fazer música, não é necessária seguir regras ou receitas, basta exteriorizar o que tem em mente e colocar sentimento nisso para que ela tenha significado para você; ter significado para mais alguém é mera consequência.

Construindo La Burca: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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La Burca

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo La Burca, que indica suas 20 canções indispensáveis.

L7“Andreas”
Amanda: Um marco na minha pequena vida musical, nunca mais fui a mesma depois que comecei a escutar essas mulheres e as vi pela tela da TV esfregando um modess na cara da sociedade no Hollywood Rock. Tinha uns 12 anos quando comprei o CD “Hungry for Stink”, deixava no repeat sempre. L7 foi uma referência forte na minha construção sonora. Uma tatuagem sonora. Acho que a música “Similar” é um exemplo.

Come“Hurricane”
Amanda: As linhas de guitarra preguiçosas/nervosas e vocal largado-chapado de Thalia Zedek me arrebataram nos anos 2000, época que descobri a banda. Inebriante essa canção. Tem um som inédito “El Topo”, que foi bem influenciado por essa fase, lembro que estava viciada no disco “Near Life Experience” quando compus.

Ramones“53rd e 3rd”
Amanda: Os Ramones construíram toda a minha base para fazer música. Eu pensava, também posso criar, caramba! Esse som é um deles, um épico punk e tem todo o contexto junkie psicótico do Dee Dee. Eu sempre racho o bico na última estrofe porque é absurda e lembro que não podemos nos levar a sério o tempo todo com nossas letras. Bom, tomara que ele não tenha puxado a navalha de fato, né. “Gonzo Truth”, que é uma canção relativamente calma nossa, tem uma batida da bateria em “slow motion” inspirada nesse som, por exemplo.

Wipers“Soul’s Tongue”
Amanda: Esse som me leva para passear por dunas sonoras da alma e me inspira em vários momentos, Greg Sage é uma escola foda. Tem umas linhas de som instrumental livres que faço pra me soltar e que formam sons depois que vem dessa linguagem, bom, pelo menos eu tento e vou continuar tentando! (risos)

Patti Smith“Wings”
Amanda: O que falar dessa mulher e da sua importância na nossa (r)existência musical/ artística como como ser humana? She is a benediction. Obrigada pelas asas & baladas, Patti ❤

Mercenárias“Imagem”
Amanda: Esse som é fantástico e ímpar, gosto muito do tom da voz da Rosália. Aos poucos começo a cantar uns trechos dos sons em português, e Mercenárias me “ajudam” nessa transição. Sempre escuto pra dar um gás no pt/br e lembrar das origens também (risos)!

Durutti Column“Sketch for a Dawn I”
Amanda: Esses dias coloquei pra Duda (nova batera) escutar, e ela falou: “É daí que vem os graves que vc sempre pede”! Os tum-dum-dum dos tons, sempre marcantes na hora de construir as minhas baterias mentais…(risos). Na real, o álbum “LC” do Durutti Column é o meu preferido de todos os tempos. Me pega de um jeito atemporal, adoro a “fragilidade” tão intensa dos sons desse magrinho querido.

The Index“Israeli Blue”
Amanda: Quando decidi assumir o violão folk e esboçava formar a La Burca, vinha escutando incessantemente essa banda psych-garageira. Puta som visceralzão, só lançaram 2 discos no final dos 60´s. Me apaixonei por eles e sempre retorno pra me revigorar no violão, embora o som deles seja com guitarra. Mas faço essa conexão sempre entre Index e violão.

Hazel“Day Glo”
Amanda: Som que me abraça e faz eu voltar no tempo de descobertas sonoras: melódico, pungente e grunge. Puta-que-o-pariu, que trio, ou melhor, que quarteto com o louco dançarino! As linhas de vocal intercaladas entre a baita batera Jody e do guitarrista Pete são fodas demais pro meu coração, muita criação grungística veio daí. Banda muito querida na minha vida.

Dead Moon“Clouds of Dawn”
Amanda: Essas bandas de Portland, vou falar, viu (Wipers e Hazel too)! Passava horas nas tardes distraídas e descompromissadas de minha adolescência ouvindo esse trio maravilhoso! Vi eles no doc “Hype” e chapei no som meio garageiro tosco bem tocado. Gosto muito dos vocais do casal, é muito emocionante. Esse som me acompanha há muito tempo e não abro mão.

The Slits“Dub Beat”
Jiulian Regine: O que me agrada na pesquisa rítmica de Palmolive é a experimentação dentro do gênero post-punk, a cada disco percebe-se fisicamente a liberdade de investigação, rompendo todas as limitações e queimando todas as bandeiras com gosto e bruxaria.

Autolux – “Listen To The Order”
Jiulian Regine: Os grooves de Carla Azar são verdadeiras fontes de inspiração e pegada, muita dinâmica, notas fantasmas e muita precisão. Escuto sempre com a alma toda, com segurança e alegria nas composições dela.

Babes In Toyland – “Hello”
Jiulian Regine: Lori Barbero trás uma pegada que é muito natural pra mim, tanto nos timbres quanto no estilo, que é um flerte ao metal.

Blood Mary Una Chica Band“Take Me”
Jiulian Regine: A Mari me trás uma mistura de influências que vem do blues ao garage fuzz, se decupar o trabalho dela você encontra muita influência que se atravessa e resulta sempre em trabalhos fantásticos. Absorvo sempre a riqueza da simplicidade do que é possível fazer para acompanhar um beat predominante que é o da guitarra, ou violão, no caso da La Burca. E não confunda simplicidade com facilidade!

Deap Vally“Baby Can I Hell”
Jiulian Regine: Julie Edwards me faz investigar a postura corporal, acima de tudo. Uma potência performática!

The Coathangers“Hurricane”
Jiulian Regine: Essa música me faz pensar no timbre, com cadência rápida e suja sem perder a nitidez, chimbal aberto no groove todo com dinâmica sucinta. Tenho a impressão de que Rusty adoraria conhecer La Burca (risos).

Carangi“Seven”
Jiulian Regine: A Carol Doro é um orgulho, além de ser aquariana do mesmo dia que eu (risos) temos muito em comum, incluindo nosso amor pelos batuques. Gosto de como ela soa na bateria, com essa pegada de grunge delicioso que ela trouxe para o Carangi, com essa banda eu fecho os olhos e mergulho nas cores dos timbres dos pratos que ela tanto escolhe com atenção. Em todos os níveis a La Burca me proporciona investigar esses timbres mais abertos de pratos e chimbal, com a caixa mais seca e precisa. A relação é direta.

Sleater-Kinney“Steep Air”
Jiulian Regine: Bom, a Janet me faz querer rudimentos e mais rudimentos, amo a forma como ela traz as viradas pra dentro dos grooves, não só como delimitação das partes mas como composição das frases.

Lava Divers“Done”
Jiulian Regine: A Zump me encanta, quando você a vê tocando você sente todo o amor e toda a forma de expressão através da bateria, eu costumo fechar os olhos e viajar.

Hangovers“V de Vinagre”
Jiulian Regine: Ai ai, Liege. Determinação (se for pra definir e olha que definições não me convém). Pegada forte, dança de bumbos, sempre atenta aos timbres. Poderosa!

10 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Prix Overkill e Rogério Ucraman, o duo Horror Deluxe

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Horror Deluxe

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, os convidados são o casal Rogério Ucraman e Prix Overkill, do duo Horror Deluxe. Cada um escolheu 5 pérolas incríveis pra você degustar com muito prazer:

Prix Overkill:

Little Richard –  “The Grirl Can’t Help It”
“Música cheia de energia. Um exemplo pra seguir”.

The Cramps “Wrong Way Ticket”
“Dançante. Música boa é assim: faz vibrar e tira o fôlego!”

Motörhead – “Love Me Like a Reptile”
“Sem o ingrediente sexo não é rock’n’roll”.

As Mercenárias“Me Perco Nesse Tempo”
“Trilha sonora pra vida”.

Titãs – “Fazer O Quê”
“Gosto de punk ‘foda-se’. Liberta”.

Rogério Ucraman

Arrigo Barnabé – “Acapulco Drive-In”
“Quadrinhos de ficção científica de bolso em forma de música”.

Secos e Molhados –  “O Vira”
“A Cripta do Terror transa com a MPB e diverte”.

Os Replicantes – “O Futuro é Vortex”
“Faz acreditar no Sol virando Lua. Faz imaginar muita situação fantástica”.

Deep Purple – “Stormbringer”
“Stormbringer is coming! Time to die, porra!”

White Zombie –  “Thunder Kiss 65”
J. Yuenger (my man) apresenta o mellhor riff ever. Música pra strip tease com bambolê”.

A dupla Horror Deluxe mistura The Cramps e José Mojica Marins com B-52’s em seu psychobilly apunkalhado

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Dupla Horror Deluxe

O Horror Deluxe junta a crueza do punk, o ritmo do rockabilly e as deliciosas histórias de terror que inspiraram tantas músicas incríveis pelo mundo. A dupla faz um som poderoso repleto de fuzz e com uma bateria primal dançante cheia de energia.

Prix Overkill (bateria e voz) e Rogerio Ucra (guitarra e voz) são de Pouso Alto e começaram como uma marca de roupas e acessórios. Depois de um convite para participar de um tributo ao The Cramps, a dupla começou a tocar e nunca mais parou. Seus trabalhos ganharam muitos elogios, inclusive do Examiner. “Sabe quando às vezes você descobre uma banda e quer ouvir tudo o que eles têm a oferecer? Isso aconteceu comigo quando conheci o Horror Deluxe”, escreveram na resenha do disco “Bikini e Coturno”, de 2014.

Conversei com Prix e Ucra sobre sua carreira, a música pop atual (que eles não ouvem) e a vida de uma banda independente:

– Como a banda começou?

Prix: A Deluxe começou como marca de roupas e acessórios. Um produtor fonográfico viu nosso visual e nos chamou pra participar de um tributo ao Cramps. Aceitamos e gravamos sem nunca ter gravado nada antes. Inventamos o som na marra. O tributo foi cancelado. Melhor assim (risos)!

– De onde surgiu o nome da banda?

Prix: Fizemos uma lista de nomes que tinham a ver com o tema e estética que gostamos. E somamos essas duas palavras.

A dupla Horror Deluxe

Ucra: Um encontro de Zé Mojica Marins com The B-52’s.

– Quais são suas principais influências musicais?

Ucra: Replicantes. A demo ‘Pirata’ é meu ‘disco’ favorito.

Prix: The Cramps, Ramones, Motörhead, Toy Dolls, Mercenárias e Garotos Podres. Gosto do The Cure. Gosto de Dark e New Wave. Gosto das 5,6,7,8’s. Todos esses nos influenciam.

– Como é o processo de composição?

Prix: Varia. Algumas músicas vêm de uma base de bateria. Outras partem de letras que escrevemos juntos nos ensaios. A guitarra dita o começo de ideias ou às vezes é a última a falar.

– Se pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?

Ucra: Gravamos um disco com versões de tracks que amamos. Tocamos algumas delas ao vivo. Bons exemplos são ‘Zombi B. Good’, ‘Prix Zombie’ e ‘Hanky Panky’.

Prix: Esse disco se chama ‘Bikini e Coturno’ e tem uma versão da ‘The Girl Can’t Help it’. Fazemos versões. Covers, creio que não vamos fazer.

A dupla Horror Deluxe

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma artista independente?

Prix: Não temos dificuldades. Somos livres. Gostamos dos desafios.

Ucra: Desconheço esquemas de grandes gravadoras. A Horror Deluxe nasceu fora disso. Temos parceria com selos fantásticos. Vamos continuar investindo nesse formato.

– Existem espaços suficientes para bandas autorais hoje em dia no Brasil? O que vocês acham da proliferação de bandas covers?

Ucra: Existe muito espaço. Toda banda encontra um público à altura do que propõe. A banda faz seu caminho pois existe tecnologia pra isso. Acho o cover preguiçoso.

– Qual a sua opinião sobre a música pop que está nas paradas hoje em dia?

Ucra: Desconheço. Ouço o ‘Loco Live’ sem parar (risos)!

Prix: Só ouço punk.

Prix, baterista do Horror Deluxe

– Quais são os próximos passos da banda?

Prix: Somos parte de uma coletânea que saiu a pouco e vamos tocar mais algumas datas em São Paulo divulgando. O disco se chama ‘Weirdo Fervo’ e traz um monte de banda legal.

Ucra: Gravamos um show em K7 com uma sessão de estúdio no lado B que deve sair em setembro.

– Indiquem algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes!

Prix: Tenho ouvindo a demo de ’83 das Mercenárias. Tem punk rock ativo no Brasil. Muita banda boa. Não quero que isso pare.

Ucra: Indico Os Pontas, Os Hitchcocks, Os Asteróides, The Mullet Monster Mafia, Surfing Bones e Mary ‘O’ and The Pink Flamingos. A lista seria imensa. Mas essas são as que mais escuto no momento.