Construindo Limonge: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o cantor e compositor Limonge, que recentemente lançou seu disco “Nem Todos São Como Astronautas”.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Foo Fighters“Walk”
Apesar de amar toda a discografia da banda, essa música em especial me fez refletir muito sobre levantar e caminhar novamente, diria que foi a primeira a surgir na minha mente quando comecei a compor esse novo álbum em todos os aspectos, arranjos, letra, temática e emoção, obrigado Dave Grohl.

Pearl Jam“Sirens”
Pearl Jam é a banda da minha vida, diria que praticamente tudo que o Eddie Vedder escreve me guia de alguma forma, mas foi “Sirens” que me ajudou a entender a passagem do tempo e perceber que somos frágeis a ponto de assumir nossos medos e expor o que pensamos, valorizando o que temos hoje, como se não houvesse amanhã.

David Bowie“Space Oddity”
Minha música “Astronautas”, primeira do álbum, foi feita com “Space Oddity” tocando em loop… é incrível se imaginar na pele de um astronauta, com o espaço ao seu redor e vendo o que se passa na Terra, aquela bolinha azul flutuando na imensidão, como algo tão pequeno.

Oasis“D’yer Wanna Be a Spaceman”
Também serviu muito de referência pra tematizar o álbum, os sonhos de criança gritando frente a realidade do mundo adulto.

Los Bunkers“La Velocidade de la Luz”
Pouca gente conhece essa banda chilena por aqui, mas essa música merece uma degustação especial, letra e música doces com uma temática similar ao que o “Nem Todos São Como Astronautas” quer passar, o tempo passa, é inevitável, tem muita coisa por aí que nos machuca, mas também há muito o que fazer pra amenizar a dor e olhar pra frente.

Coldplay“Clocks”
Adoro essa fase do Coldplay entre o “Parachutes” e o “Rush of Blood to the Head”, os arranjos e composições são sensacionais, usei “Clocks” como referência pra muita coisa desse álbum, é uma das que mais tocam na minha playlist quando penso na banda.

Semisonic“Closing Time”
Muita gente torce o nariz pra Semisonic, mas acho esse álbum “Feeling Strangely Fine” uma coisa linda… usei muitas músicas como guia quando comecei a compor, apesar de não ter quase relação com o álbum, acho justo estar na lista pois me guiou de alguma forma até aqui.

Florence & the Machine“Dog Days Are Over”
A crescente dessa música é uma das coisas mais lindas, viciei nisso quando comecei a compor e praticamente todas as minhas músicas tem algo desse tipo desde então.

Lulu Santos“Tempo/Espaço”
Lulu foi minha primeira grande referência musical, desde os 3 anos sou fã incondicional desse cara… quando ouvi essa música do álbum “Liga Lá” pela primeira vez, comecei a me encantar pelo espaço, olhar pro céu a noite ouvindo isso é incrível.

Skank“As Noites”
Outra banda de cabeceira… “Cosmotron” diria que foi o álbum que me fez parar de gostar de Skank e começar a amar… “são milhares de estrelas, singulares letras vivas no céu”, precisa dizer mais? Obrigado por isso Samuel Rosa.

Zimbra“Missão Apollo”
Ainda na temática espacial, essa em especial cruza com muitas músicas que escrevi pro álbum, principalmente “Estrelas Caindo Sob o Pôr do Sol”.

Skank“Seus Passos”
Segunda do Skank na lista e acho bem justo (risos), diria que é o momento em que o Skank encontra com o Oasis na esquina e fez nascer uma das músicas mais lindas da sua discografia… me influenciou muito ao escrever “Quebra-Cabeça”.

Foo Fighters“Best of You”
Sempre sonhei em ter uma música como “Best of You”, o questionamento, a força, a emoção em cada compasso… tentei fazer de “São” essa música, espero ter chegado ao menos no mindinho do Grohl com isso.

Paul McCartney“The Songs We Were Singing”
Meu Beatle favorito, com a música que abre meu álbum favorito dele… ouvi demais isso no processo de composição, acho a delicadeza com que ela começa algo maravilhoso, até explodir em um refrão forte, que celebra o passado, apesar de olhar pro futuro.

Travis“Boxes”
Porque não falar sobre a morte também? É a única certeza da vida. Temos tantos questionamentos, dúvidas, medos, sonhos, mas tudo pode acabar em um piscar de olhos. Essa música me fez enxergar que o amanhã pode ser hoje.

O Teatro Mágico“Reticências”
“Se lembrar de celebrar muito mais”, essa frase ainda ecoa na minha cabeça desde que ouvi a música pela primeira vez. A forma com que a música cresce no fim é incrível e também me fez querer evoluir no processo de composição como um todo. Tem um pouco dela em “Tudo Vai Passar”.

Beatles“Hey Jude”
Assim como “Best of You”, sempre quis ter alguma música que lembrasse, mesmo que como um eco, “Hey Jude”… “Tudo vai Passar” caminhou pra isso de forma natural, como homenagem bem clara, espero que Paul um dia se orgulhe de mim (risos).

Supercombo“Se Eu Quiser”
Depois de ouvir isso, comecei a questionar o que fazia. Diria que foi Supercombo que me deu o estalo pra largar um emprego “normal” e apostar na música pra seguir em frente, esse álbum talvez nem existisse se não fosse por isso.

Stereophonics“Dakota”
Aquele tipo de música que você coloca no som do carro pra viajar, me inspirou muito em alguns aspectos pra arranjo de algumas músicas, principalmente com os pequenos riffs com eco que entram ao longo dos versos.

Pearl Jam“Present Tense”
Pra finalizar, essa música me manteve vivo no pior momento da minha vida. Sem ela, eu não estaria aqui.

O paulistano Limonge mistura doses de grunge em seu folk rock de um homem só

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Limonge

O paulista Limonge começou sua carreira musical como quase todos: fazendo parte de diversas bandas de garagem. Como em todos projetos havia as tradicionais discussões entre membros, sua paciência se esgotou e ele resolveu, então, que a carreira solo seria seu melhor caminho. O cantor, compositor e multi-instrumentista de 29 anos leva o conceito de “one man band” ao extremo, assinando a produção total de todos os seus trabalhos lançados até hoje (da gravação de todos os instrumentos até a concepção artística dos álbuns). Para facilitar o processo de criação musical, montou um pequeno estúdio em casa para produzir e lançar seu primeiro álbum completo intitulado “É A Nossa Voz (Éramos Nós, Sempre Seremos)”, sucessor dos EPs “Tão Normal” (2015) e “O Tempo” (2016).

Ao vivo, ele é acompanhado por PC na guitarra e Mau na bateria e percussão, tendo se apresentado em festivais independentes como NIG Time 4 Music, Ponto Pro Rock e chegando à final do concurso “Energia Me Ouve” da rádio Energia 97. Com influências de Pearl Jam, Neil Young, Oasis, Beatles, The Who, Gin Blossoms, Foo Fighters, Nirvana, Soundgarden, Dave Matthews Band, Alanis Morissette, Bruce Springsteen, KT Tunstall, Lenine, Lulu Santos, Legião Urbana e Cazuza, ele define seu som como um folk rock com um pouco de grunge, um de seus estilos preferidos. Conversei um pouco com ele sobre sua carreira, os trabalhos já lançados e a sempre polêmica cena independente atual:

– Como começou sua carreira?

Foi algo bem natural. Música é algo que me mantem de pé desde que me conheço por gente, então o objetivo de ter uma carreira é sonho de criança. Tive algumas bandas no meio do caminho mas acabei me encontrando mesmo na carreira solo, que pouco a pouco vem crescendo muito bem!

– E como decidiu sair da vida de bandas e seguir solo?

Engraçado que não foi algo muito “pensado”; as bandas sempre acabaram naquele chavão de ” horários não batem” ou “idéias não batem”… Como minha rotina apertou também, resolvi montar um home studio pra produzir minhas coisas sozinho, no meu tempo, acabei gostando do resultado e publiquei algumas músicas. A aceitação foi muito boa, tanto que me fez assumir essa faceta e querer cada vez mais…

– Me conta mais sobre o trabalho que você já lançou.

Esse primeiro álbum nasceu da junção de 2 EPs que lancei anteriormente mais algumas músicas que deixei na gaveta por algum tempo. Como gravei todos os instrumentos, voz, editei, produzi, mixei e masterizei, não foi tão difícil fazer soar uniforme (risos). E tentei ser coeso também ao explorar um tema central que passa de forma direta e indireta por todas as faixas, que é a percepção da passagem do tempo. Sou fã de LPs, então esse lance de ter um álbum com uma historia por trás é uma necessidade latente.

– Algo que não anda tão em alta hoje em dia, né. A cultura do álbum. Com o streaming o povo tem a tendência a ouvir mais músicas soltas.

Exato, hoje existe a supervalorização do single. Pouca gente da valor a uma obra completa, degustar uma ideia de cabo a rabo, e algumas bandas já seguem essa tendencia. Eu insisto em remar contra essa maré, acho que a música pode ser muito mais do que algo supérfluo, e um single também é muito mais do que uma música solta, mas uma degustação do que você pode consumir do artista como um todo

Limonge

– Quais as suas principais influências musicais para sua carreira solo?

Diria que eu bebo muito de muitos lugares. Pra citar alguns exemplos, os solos de Eddie Vedder, Noel Gallagher, Chris Cornell (um dos meus maiores ídolos, que nos deixou há pouco, infelizmente), Dave Matthews, Bob Dylan e muito de pop/rock nacional, de Lulu Santos a Skank.

– E como você definiria seu som pra quem nunca ouviu?

Diria que um MPB pop/rock grunge com pitadas de folk talvez (risos).

– Como você vê a cena independente hoje em dia? Como você se desdobra nesse cenário atual?

Tem muita vertente, muita gente boa, muita opção pro público, mas ao meu ver, falta um pouco de união entre as bandas. Isso inclusive é uma das minhas conversas recorrentes com a Pri da Geração Y, como fazer para criar um movimento em que as bandas se abracem e não comecem a competir umas com as outras.

– Você acha que ainda existe essa mentalidade de que uma banda tira espaço da outra?

Confesso até pouco tempo achava isso babaquice, mas senti na pele alguns casos bem bizarros, então me soa como um preconceito velado. não é algo que ocorre a todo instante, mas temos 2 pontos pra explorar nisso:
1. Bandas que querem surfar na carona das outras mas não necessariamente agregam em algo.
2. Bandas que realmente acham que público é dividido e entendem gosto como competição.
Nos dois casos, precisamos buscar soluções pois, no fim, os prejudicados somos nós mesmos.

– Então uma das maneiras de fazer essa cena crescer seria uma maior união entre as bandas, na sua opinião. Como isso pode ser alcançado?

A criação de uma cena acho que passa por inúmeros pontos. Desde a aproximação para eventos como um auxílio para a expansão mútua do som. Você fazer o público rodar entre as bandas através de eventos em diversas partes do país já é algo que pode estimular um alcance maior pra todos, e de quebra, aumentar as chances de expansão. Mas tudo isso começa em uma cena, uma união, que até existe, mas de forma bem segmentada… dá pra ser muito mais.

Limonge

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Sim, iniciei o processo pra um novo álbum há cerca de um mês… tenho já demos das músicas fechadas, em breve vou entrar em estúdio (dessa vez terá produção e será um pouco mais rebuscado) pra começar as gravações, acredito que até agosto deva pintar algo por aí.

– Pode adiantar alguma coisa sobre esse novo trabalho? 

Diria que é uma evolução/continuação do primeiro trabalho, mais maduro, um tema ainda mais firme, to bem feliz com o que rolou até aqui. Posso adiantar que serão 9 músicas, mas ainda tem um bom caminho até mostrar algo mais concreto… assim que tiver prometo que solto pra você com exclusividade (risos)!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer!

Gosto muito de Zimbra, Capela, BTRX, Caike Falcão, Supercolisor, Gabi e os Supersônicos, Guilherme Eddino, LTDA… ufa… tem muita gente boa, acho que essa nova leva tá incrível, temos muito o que conhecer ainda!