Construindo The Bombers: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
The Bombers

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto de punk rock santista The Bombers, que indica suas 20 canções indispensáveis. A banda, que surgiu em 1995, se apresenta neste domingo (26) no SESC Santos. Não perca!

Social Distortion“Winners And Losers”
Mick Six: Social Distortion é uma das minhas bandas prediletas a muito tempo, a escolha dessa musica, devido a letra dessa canção, para mim ser sempre algo atual.

Johnny Cash“I Walk The Line”
Mick Six: A canção que faz com que lembre-se a se segurar, em diversas situações… Na família, trabalho, na rua… ao menos tentar, andar na linha, ali no limite, para não arrumar confusão.

The Slackers“Make Me Smile”
Mick Six: Pra mim é uma musica que muda o meu humor, aquela que eu fecho os olhos e me teletransporto para uma manhã ensolarada numa bela praia.

Flogging Molly“Drunken Lullabies”
Mick Six: Aquela trilha sonora para beber a noite inteira com os amigos.

Hank Williams“I Saw The Light”
Mick Six: Escolhi essa canção também, porque numa daquelas fases tensas da vida me deu forças para dar a volta por cima, aceitar novos desafios, recomeçar tudo do zero, aprender uma nova profissão… E eu sabia que aquela seria uma fase nebulosa. E coincidência ou não, quando essa fase nebulosa passou, eu iniciei uma nova fase em minha nova profissão, trabalhando em um local chamado Barbearia Luz. (Risos) É, de certa forma eu vi a Luz (risos).

Legião Urbana“Faroeste Caboclo”
Trivela: A música tem nove minutos, não tem refrão e é o hit de qualquer luau na praia, com todas as pessoas cantando a letra inteira do começo ao fim.

Ramones“Blitzkrieg Bop”
Trivela: Por mais que os Ramones tenham criado diversos clássicos, nada supera o impacto dessa música.

Robert Johnson“Cross Road Blues”
Trivela: Um dos pioneiros do Blues. O blues da encruzilhada. Com essa música veio a lenda de que o Robert Johnson havia feito um pacto com o diabo em troca de habilidades musicais.

Led Zeppelin“Stairway to Heaven”
Trivela: Mais uma música com supostas mensagens subliminares endereçadas ao obscuro. Uma grande besteira, essa é na verdade apenas uma das canções mais bonita da música contemporânea.

Bob Marley“Redemption Song”
Trivela: O canto do cisne do Bob Marley. A beleza dela esta na simplicidade. Violão, voz e alma.

Iggy and the Stooges“Search and Destroy”
Matheus Krempel: I’m a streetwalking cheetah with a heart full of napalm! Quando eu escuto essa música, sinto uma coisa tão forte, que seria capaz de botar um prédio abaixo.

Guns n’ Roses“Coma”
Matheus Krempel: Uma viagem extremamente pesada, com dez minutos de duração, relatando uma experiência de overdose. Guitarras pra caralho, vocal esgoelado ao extremo e um belo jeito de encerrar um álbum.

Rolling Stones“Rocks Off”
Matheus Krempel: Apenas a música que abre o melhor disco dos Rolling Stones. Urbana para caralho, suja e com uma letra que faz referência, o tempo todo, ao uso de heroína. A parte em que ela desacelera, é uma brisa incrível.

Capital Inicial“Conexão Amazônica”
Matheus Krempel: Coube ao Capital Inicial a missão de resgatar as músicas (as perdidas e as não) da banda mais influente do cerrado, o Aborto Elétrico. Renato Russo era um jovem punk quando escreveu “Estou cansado de ouvir falar em Freud, Jung, Engels, Marx / Intrigas intelectuais rodando em mesa de bar”. Me parece bem atual.

Hey! Hello!“How I Survived The Punk Wars”
Matheus Krempel: Muito simples de explicar a escolha dessa. Se toda porra de banda underground, decorasse essa letra e seguisse a cartilha do que ela prega, não teríamos tanta gente babaca nesse meio.

The Clash“Clampdown”
Daniel Bock: Umas das minhas bandas favoritas de todos  os tempos. Acho que risquei o “London Calling” de tanto ouvir. Posso falar do Clash por horas. Mas o que me marca nessa música foi a vez que eu vi um vídeo VHS deles tocando. Eu era moleque e ver aquilo, foi quase indescritível. Literalmente mudou minha vida.

Marky Ramone and The Intruders“One Way Ride”
Daniel Bock: Eu amo o Ramones e Rancid, mas são bandas que eu nunca vi ao vivo (ainda) e sempre me pareceram distantes. O “Don’t Blame Me” do Intruders me atingiu na hora certa. O álbum todo é incrível, essa música em especial, a mensagem, o instrumental e a produção do Lars.

Shooter Jennings“4th of July”
Daniel Bock: Descobri o Shooter Jennings assistindo o filme “Johnny e June” onde ele aparece em uma cena,  interpretando o pai Waylon Jennings, cantando uma música que compôs para o filme. Essa música é a minha favorita dele. A letra é linda, perfeita para ouvir pegando a estrada.

The Supersuckers“Roadworn & Weary (6/6/6 version)”
Daniel Bock: Lembro de colecionar reportagens sobre o Supersuckers nas revistas de rock. Essa música é uma regravação de uma música deles mesmos, que pra mim, representa a melhor fase dessa que com certeza é uma das minhas bandas favoritas.

Os Excluídos“Plano Perfeito”
Daniel Bock: Para mim, Os Excluídos estão entre as melhores bandas brasileiras. Essa música não foi a primeira que ouvi deles mas foi uma das que mais me marcou pela letra e arranjo.

Cantarolando: “Black Waterside”, Bert Jansch (1967)

Read More
Bert Jansch
Bert Jansch

Cantarolando, por Elisa Oieno

No mundo da música folk, muitas canções tradicionais de origem desconhecida são regravadas, alteradas ou transformadas em novas. Especialmente quando se fala em folk britânico, em que as músicas tradicionais podem surgir desde a Idade Média, e ter fortes influências de música dos povos celtas da região.

Ao longo da história, especialmente a partir do século 18, houve diversos movimentos na música e nas artes com a intenção de preservar e manter vivas as peças culturais tradicionais. Traçando um paralelo aqui no Brasil, por exemplo, isso foi muito forte no início Modernismo, em que se buscava trazer as raízes indígenas para as artes plásticas, música e literatura.

Porém, hoje em dia quando se fala em “folk”, estamos nos referindo ao fenômeno de transportar a música tradicional britânica para o mundo pop, como começou a acontecer nos no final da década de 1940 e teve seu auge nos anos 60.

Isso ficou conhecido como “folk revival” (ou renascimento folk) e teve diversos expoentes importantes nos EUA, como Woody Guthrie, Pete Seeger, Odetta e, claro, Bob Dylan. A maioria dos artistas deste estilo tinham um discurso engajado anti-guerra, anti-racismo e eram tidos como representantes da classe operária. Isso acabou continuando nos anos seguintes e foi posteriormente incorporado pelo movimento hippie.

Acompanhando esta tendência, artistas britânicos também se tornaram expoentes do “folk revival”, entre eles o escocês Bert Jansch, a inglesa Anne Briggs, sem contar as bandas como Pentangle, Fairport Convention e Incredible String Band.

É nesse contexto que “Black Water Side” saiu da esfera somente tradicional e tomou forma de canção pop, gravada por Bert Jansch e lançada no disco – discaço, aliás –  “Jack Orion” (1967). O arranjo feito por ele, nada tradicional e típico de seu estilo, remete ao jazz e a improvisações livres intercaladas a um riff marcante. Tão marcante que um rapaz chamado Jimmy Page, sabidamente um fã do estilo de Bert, resolveu chamar de seu e gravou a faixa “Black Mountain Side” do disco de estreia do Led Zeppelin, de 1969. Os arranjos da versão de Bert e da “Black Mountain Side” são praticamente idênticos.

Aliás, os “empréstimos” criativos de Jimmy Page sem dar o devido crédito são muito mais frequentes do que nós, fãs de Led Zeppelin, gostaríamos. Lembremos do caso de “Dazed and Confused”, na verdade escrita pelo cantor Jake Holmes: houve processo, que terminou em um acordo extrajudicial – hoje a canção é creditada como escrita por Page e inspirada em Jake Holmes. Sem contar o mais recente e controverso caso da “Stairway to Heaven”, cuja sequencia de acordes seria plágio da música “Taurus” do Spirit, já decidido nos tribunais a favor de Page.

Obviamente, Bert Jansch não ficou feliz com a “homenagem”. Foi desencorajado pela gravadora a processar Page por plágio, por falta de interesse e possibilidade de arcar com os custos de um litígio judicial. Porém, “Black Water Side”, o velho cântico sobre uma moça que foi ludibriada por um rapaz irlandês que na verdade só queria transar e pular fora, permanece. E é isso que importa para uma canção folk.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura (parte 2)

Read More
"O Hobbit", de Tolkien
"O Hobbit", de Tolkien

Sinestesia, por Rafael Chiocarello


livros

Na semana passada a SINESTESIA trouxe uma lista com 7 músicas que foram inspiradas em livros. Muitas canções ficaram de fora, claro. Vocês pediram e o pedido de vocês é uma ordem: teremos parte 2.

O Senhor Dos Anéis

ring

Em 1988, no primeiro álbum da banda de speed metal alemão Blind Guardian, já tivemos homenagem a um dos livros preferidos dos nerds: “O Senhor dos Anéis” de Tolkien. O disco Battalions of Fear” (1988)  conta com quatro faixas que fazem referências diretas a lenda épica. São elas: “Battalions of Fear“, “Run For The Night”. Já “By the Gates of Moria” e “Gandalf’s Rebirth”, que são canções instrumentais, têm a referência no próprio nome.

Dois anos depois eles lançaram o disco Tales from the Twilight” (1990) que contém  “Lost in the Twilight Hall” esta que detalha de uma maneira um tanto quanto poética: a épica batalha entre Gandalf e o Balrog.

Confira os trechos que não deixam dúvidas sobre a inspiração:

“Caçado pelos Orcs, sem Gandalf para ajudar com as espadas da noite
Oh! A última parte do jogo, decisão de morte e vida, 
sangue de Souron eles pedirão esta noite

O grito da batalha final.” – “Battalions of Fear”Blind Guardian

“Eu vejo a colina mas ela está tão longe, eu sei que não posso alcança-la
Mas eu tento várias vezes em meus sonhos sombrios
Ele está destruindo minha última vontade, até quando eu poderei ficar aqui?
Quando o mais poderoso de todos chegar”  – “Run For The Night”Blind Guardian

 Mas não foi só o Blind Guardian que trouxe o tema “O Senhor dos Anéis” a suas letras. Temos um fã de Tolkien que não cansou de citar referências a ele em sua obra, e esse senhor atende pelo nome de Robert Plant. Sim, Led Zeppelin tem uma porção de letras com referências a “O Hobbit”, algumas são teorias de fãs após ele ter admitido a inspiração. Porém vamos falar de uma que deixou isso um tanto quanto claro: “Ramble On”:

“Foi nas profundezas mais obscuras de Mordor,
Eu conheci uma garota tão atraente
Mas Gollum, e o maligno se aproximaram
sorrateiramente e fugiu com ela, ela, ela, yeah”“Ramble On”Led Zeppelin
O Hobbit

hooo

Os temas épicos e aventuras épicas se repetem nas obra do Blind Guardian com inspirações em outros escritores como Stephen King, mas eles nos provam ser devotos de Tolkien. Dessa vez, o livro muda. Sai de cena “O Senhor dos Anéis” e entra “O Hobbit”.

Assim temos  “The Bard’s Song – The Hobbit” (Somewhere Far Beyond” – 1992) que fala sobre as aventuras de Bilbo Bolseiro do Tolkien.

“O amanhã nos levará embora, longe do ar, ninguém jamais saberá o nosso nome, mas as canções do Bardo permanecerão, o amanhã o levará embora, o medo de hoje, ele desaparecerá em nossas canções mágicas.” –“The Bard’s Song – The Hobbit”Blind Guardian

Mas de nerds o rock está repleto, afirmação que é mais verdadeira do que parece. O Rush é mais um exemplo de banda que deixou claro sua preferência pela literatura épica de Tolkien. Em “The Necromancer” do disco Caress Of Steel” (1975) temos referência a épica aventura de Frodo, Sam e Gollum em Mordor.
“…Os três viajantes, homens de Willowdale,
Surgem da sobra da floresta.
Passando pelo Rio Dawn, eles se viram para o sul, entrando
Nas escuras e proibidas terras do Necromante…””…O silêncio encobre a floresta
Enquanto os pássaros anunciam a alvorada
Três viajantes passaram pelo rio
E continuaram viajando para sul
A estrada é forrada de perigos
O ar é carregado com medo
A sombra de sua proximidade
Pesa como lágrimas de ferro”
“….O Necromante continua observando com olhos mágicos de prisma.Ele vê toda sua terra e já tem conhecimento
Dos três desamparados invasores presos em seu covil…
Meditando em sua torre
Observando toda a sua terra
Segurando cada criatura
Sem esperanças eles ficam
Olham destro dos prismas
Sabendo que estão perto
Leva-os até as masmorras
Espectros tomados pelo medo
Eles se curvam, derrotados” – “The Necromancer” – Rush

The Forbidden (“O Proibido”)

candcandyman
Talvez esse livro seja mais conhecido dos amantes da literatura de terror do que dos fãs da literatura em geral. E foi em “The Forbidden” (de Clive Barker), um livro de “terror”, que Paul Weller se inspirou para escrever “Dreams Of Children”. A faixa entrou no disco Compact SNAP!” (1983).

Em 1992, o livro ganhou uma adaptação para cinema “Candyman” (“O Mistério de Candyman”), um filme que tem todos elementos do terror slasher/thriller. O filme, que completou 14 anos no último dia 11/09, no site do IMDB está avaliado com um 6,5.

Na história do livro, um vendedor de doces mata criancinhas para ter a reputação de assombrar os sonhos delas.

“Sentei-me sozinho com os sonhos das crianças
salgueiros e alto edifício escuro
Eu peguei uma forma de os sonhos das crianças
Mas acordei suando deste pesadelo moderno e
eu estava sozinho, não havia ninguém lá

 Tive um vislumbre dos sonhos das crianças
 Eu tenho um sentimento de otimismo
 Mas acordei com uma imagem cinzenta e solitária
 As ruas abaixo me fazem sentir sujo,
 eu estava sozinho, não tinha ninguém ali” – “Dreams Of Children” – The Jam

Yertle The Turtle

turtle

O livro “Yertle The Turtle” (1958) de Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel) é um livro repleto de ilustrações, mas nem por isso fez com que os Red Hot Chili Peppers deixassem passar batido. Em 1985, os californianos lançaram em “Freaky Styley” uma faixa de mesmo nome da obra de Dr. Seuss.

A história do livro é simples e a personagem é um pouco digamos “do mal”. A tartaruga macho Yertle não fica contente com a sua posição e então instrui as outras tartarugas para que virem seu trono para que assim ele possa ver melhor. Claramente com essa ideia de jerico ele acaba machucando as outras tartarugas… Só que ele não dá a mínima. Como uma boa fábula, ele tem seu revés. Uma hora a tartaruga que está na base – sobrecarregada com o peso de todas as outras – se cansa e começa a se mexer para sair lá debaixo. Nisso, Yertle é arremessado para longe do trono… Caindo literalmente na lama. Assim ele se torna Yertle, o “rei da lama”.

O Senhor das Moscas

flies

Acredite se quiser, mas até o Offspring tem letras com referências literárias. Em 2008 eles lançaram o disco Rise and Fall, Rage and Grace” e ele continha uma canção que pode ser considerada um hit menor dentro da discografia do conjunto californiano, “You Gonna Go Far, Kid”.

Poucos sabem, mas a canção tem referências a um livro vencedor de prêmio Nobel – da edição de 1983 – “O Senhor das Moscas” (1954) de William Golding. Uma curiosidade é que neste sábado (17) a obra completa 52 anos de sua primeira publicação. A obra de ficção juvenil inclusive teve duas adaptações para o cinema, a primeira em 1963 e a segunda em 1990.
Além da referência estar presente logo no nome com uma das principais linhas do livro temos outras frases que são transcritas diretamente da obra para a canção. “Álibis espertos / Senhor das moscas“, “Virando todos contra um” que se refere a todas crianças virando as costas para Piggy e Simon. Já “Com mil mentiras / E um bom disfarce / Acerte ela bem no meio dos olhos” se refere ao plot do livro por si só, sendo um breve resumo da obra.
Mas claro que o refrão que ia ser o trecho mais significativo: “E agora você foca o caminho / Mostre a luz do dia / Fez um bom trabalho / Você vai longe, garoto

O Jogo do Exterminador

enders

Se começamos a lista com o pesado do metal, vamos terminar com algo mais leve, acústico e bastante emotivo. Quem desta vez apelou para o recurso literário como influência direta em sua criação foi o Dashboard Confessional em “Ender Will Save Us All”.

No título em inglês, o livro chama “Ender’s Game” e foi publicado em 1985 por Orson Scott Card. Tendo anteriormente se originado como o conto “Ender’s Game”, publicado em 1977 na edição de agosto de revista de ficção científica Analog Science Fiction and Fact.

Na saga, Ender tem supostamente a missão de salvar o mundo acabando com uma espécie inteira. A letra da canção em sua maioria interpreta o sentimento conflitivo de Ender tem enquanto lutava para o  “salvar o mundo”.

Afinal de contas, durante esta solitária batalha, ele está sendo completamente rejeitado por ele.Tudo isso se traduz nessa linha com certa intensidade: “Um olhar de esperança envolto em desprezo”. Uma outra referência que fica divertida de saber é que Ender é o nome do meio de um dos membros do Dashboard, então fica de certa forma uma letra um pouco “ambígua” e confessional.

“Almost Famous”: o espírito sexo, drogas e rock’n’roll à flor da pele

Read More
Almost Famous, Quase Famosos

Depois de duas longas semanas sem posts por aqui, quem volta com tudo é a Sinestesia. Tem sido tudo muito louco desde que O Pulso Ainda Pulsa, um projeto elaborado pelo Hits Perdidos e o Crush em Hi-Fi, ganhou vida. Mas voltemos ao que interessa nesta coluna!

Nada como um filme que tenta – e consegue – nos levar direto para os anos 70, mais precisamente no “boom” da indústria fonográfica. Cheio de rock stars, jornalistas e chairmans de gravadoras nadando literalmente em dinheiro.

O funk ostentação é troco de pinga perto do que estes junkies, rockers e groupies viveram 24/7 durante aqueles anos de ouro. “Almost Famous” (“Quase Famosos”, de 2000tem o papel de retratar toda essa loucura rock’n’roll e todo seu entorno de maneira criativa e envolvente.

ALMOST BUS

“Um fã ávido por rock’n’roll consegue um trabalho na revista americana Rolling Stone para acompanhar a banda Stillwater em sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Porém, quanto mais ele vai se envolvendo com a banda, mais vai perdendo a objetividade de seu trabalho e logo estará fazendo parte do cenário rock dos anos 70″ – Sinopse por Adoro Cinema

O que as pessoas muitas vezes deixam de saber são curiosidades sobre este filme que chegou a ganhar até Oscar. Primeiramente, o filme é praticamente autobiográfico – com uma dose de fantasia, claro – sobre as histórias e experiências pessoais como jornalista juvenil na revista Rolling Stone do diretor, Cameron Crowe, que contou para o site The Uncool sobre nomes terríveis que ele pensou antes de chegar ao “Almost Famous”“My Back Pages” foi o primeiro e convenhamos seria um título um quanto óbvio. “The Uncool” foi outro um pouco melhorzinho, mas ainda fraco, baseado numa fala de Lester Bangs – lendário crítico da revista. Alguns outros já caíram no contexto musical, como “Tangerine”, uma canção do Led Zeppelin – que inclusive toca nos letreiros finais do filme – e “A Thousand Words”: título do primeiro artigo escrito pelo protagonista, William Miller, em resenha feita sobre um show do Black Sabbath.

Guita

Mas vamos à trilha sonora – e que baita trilha, diga-se de passagem.

O pontapé inicial da soundtrack lançada no dia 12 de setembro de 2000 via Dream Works é com “America” do Simon & Garfunkel. A canção foi composta para o álbum Brokends” (1968) e produzida pelo duo e Rory Halee. Assim como o livro “On The Road”, a canção fala sobre dois jovens apaixonados cruzando os Estados Unidos à procura da “América” nos sentidos literal e figurativo.  A inspiração é genuína, visto que em 1964, Simon fez esta viagem com sua namorada, Kathy Chitty. O amor é lindo, não é mesmo?

TOMMY

Logo na segunda faixa já vem um petardo com selo Tommy” (1969) de qualidade. Sim, The Who para ninguém botar defeito com um dos maiores discos de ópera rock de todos os tempos. A densidade de “Sparks” te faz viajar por outras dimensões e poderia ter entrado até na trilha de “Stranger Things”.

A próxima canção é uma das queridinhas do pessoal da Rolling Stone: Todd Rundgren com It Wouldn’t Have Made Any Difference”, faixa título do álbum duplo lançado em 1972. As ondas do rock progressivo a la Yes dão o tom da batida. Este som foi gravado no ano anterior em Los Angeles, Nova Iorque e em Woodstock. Todd toca as guitarras e os teclados no álbum. Sucesso na crítica e aclamado pela Billboard, além de conseguir posição 173 entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos na lista da Rolling Stone.

E já que falamos em Yes, adivinhem quem aparece na próxima faixa? Eles mesmo com “I’ve See All Good People: Your Move”. Sua primeira aparição foi no The Yes Album” (1971) e originalmente foi lançada apenas a segunda parte da canção como “single”, o que fez alcançar um número significativo no top 40 da Billboard. A canção usa a metáfora de comparar os relacionamentos com jogos de xadrez, tendo seu destaque nas harmonias de um rock progressivo viajante e sem freios. Em 1991, quando todos integrantes originais se reuniram para o DVD da turnê “The Union”, a canção não ficou de fora do set!

Saindo do progressivo e encontrando as ondas da praia temos uma das maiores bandas injustiçadas do rock sessentista – sim, pelo episódio The Pet Sounds” (1966) x Beatles – os Beach Boys com uma canção lançada para o disco Surf’s Up” (1971), “Feel Flows”. A música flerta com a surf music, psicodelia e flautinhas folclóricas.

A próxima canção é simplesmente genial por um fator ímpar: é de uma banda ficcional feita especialmente para o filme. A Stillwater, banda com quem o protagonista viaja e realiza suas desaventuras rock’n’roll – e serve como mote – consegue imprimir em sua faixa “Fever Dog” uma energia similar a do Led Zeppelin. E sinceramente eu acredito que se o Led estivesse na ativa, o diretor teria convidado eles para se auto-interpretar.

Inclusive em sua história original, o jornalista acompanhou o Led, The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd, Poco The Eagles em turnês. Eu imagino que por impasse de “ficar em cima do muro” e facilitar as gravações ele optou por montar uma banda especialmente para o longa – como registro de um tempo rock’n’roll que não volta mais.

O single “Every Picture Tells A Story” do inglês Rod Steward não fica de fora da trilha. Gravada em 1971 para um álbum de mesmo nome em parceria com Ron Wood, a canção foi lançada como single na Espanha tendo como lado B “Reason To Believe”.

Em sua letra, “Every Picture Tells A Story” conta suas aventuras com mulheres ao redor do mundo – tão rock’n’roll este lado mulherengo – e fala sobre o retorno para casa após aprender diversas lições de moral.

A próxima banda deveria ter mais atenção porque é APAIXONANTE. The Seeds é mais uma daquelas que vieram para chacoalhar tudo, destruir os quartos de hotel e sair após atear fogo. O espírito rock’n’roll mais destruidor vive em sua essência de uma maneira que a música que entrou na soundtrack  tem até polêmica envolvida em sua história.

DRUGS

Enquanto o mundo tava naquele clima paz e amor dos Beatles, eles estavam sendo BANIDOS da rádio com o single “Mr. Farmer”. Muito mais garageiro e sujo que os meninos de Liverpool. Lançada em 1967, a razão pela repressão foram as menções à drogas nas letras. Alguns interpretam o nome como “apologia aos fazendeiros plantadores de maconha”.

A canção foi escrita por Sonny Boy Williamson II e outra lenda do R&B, Elmore James, e foi lançada originalmente abaixo do nome G.L. Crockett. Porém quem fez esta pérola da música mundial ganhar a atenção que merecia foi o The Allman Brothers Band.

Uma banda que não poderia ficar de fora da trilha do filme é o Lynyrd Skynyrd. Tanto por Crowe ter se atirado na estrada com eles na década de 70, como por sua importância no cenário pós-Woodstock no contexto da história do rock americano.

A canção escolhida para a trilha foi “Simple Man”, uma das preferidas dos fãs. Tanto que não é de se surpreender que ela foi escolhida para entrar no jogo “Rock Band”, na série “Supernatural” e ter ganhado versões do Deftones e do Shinedown.

A próxima é uma pedrada na cara, afinal se trata de um hit do Led Zeppelin. Escrita por duas lendas do rock, Jimmy Page e Robert Plant, ela entrou no clássico “Led Zeppelin III” (1970). Com uma levada mais folk/rock, violão e voz é uma das mais melosas da carreira da banda.

Segundo Page a canção foi escrita no País de Gales naqueles dias após uma longa caminhada de volta para casa vindo do campo. “Tínhamos uma guitarra conosco, estávamos cansados da caminhada, e paramos para nos sentar. Eu toquei um acorde e Robert cantou o primeiro verso ‘na lata’. Nós tínhamos um gravador de fita conosco, e gravamos aquele esboço ali mesmo.”

O mestre do piano vermelho, Elton John, também não fica de fora de “Almost Famous”. A canção escolhida desta vez inicialmente não era um single inicialmente, porém depois de ganhar certa popularidade se tornou um.

tiny

“Tiny Dancer”, que viria a se tornar um dos maiores clássicos do Elton John, foi escrita por Bernie Taupin. Nela, Bernie captou o espírito dos anos 70 na Califórnia no qual ele conheceu muitas mulheres bonitas. Nos créditos do álbum Madman Across The Water” (1971), Bernie dedicou a música a sua primeira mulher, Maxine Feibelman.

Dave Grohl e Red Hot Chilli Peppers já fizeram versões deste clássico. No vídeo abaixo, Dave Grohl inclusive conta que conheceu a canção através da trilha sonora de “Almost Famous” e agradece ao diretor Cameron Crowe por isto. Além de comentar algumas cenas no vídeo, vale a pena ver o vídeo inteiro.

Nancy Wilson, que também foi a compositora das canções da Stillwater – banda de mentirinha do filme – também tem uma canção própria na trilha sonora: “Lucky Trumble”, composição instrumental de violão flertando com teclados.

Para quem viu o filme sabe que David Bowie aparece “fugindo dos jornalistas”, e claro que ia ter Bowie na trilha sonora do filme de uma forma ou de outra. A “sacada” genial foi a escolha de uma canção escrita por Lou Reed (Velvet Underground), “Waiting For The Man” para a trilha.

A versão que toca no filme é ao vivo em Santa Mônica (Califórnia) em 1972.  “Por coincidência”, naquele ano Lou Reed lançava um dos seus discos solos mais aclamados: Transformer”.

A próxima canção é de Cat Stevens, mais precisamente do álbum Teaser And The Firecat” (1971). Mas erra quem pensa que a canção está entre os três considerados hits do disco. Porém o crítico da Rolling Stone Timothy Crouse gostou do aspecto distinto e introspectivo de “The Wind”. Uma outra curiosidade é que o álbum foi lançado juntamente com um livro infantil escrito e ilustrado pelo próprio Cat Stevens.

Quem vem em seguida é Clarence Carter com “Slip Away” (1968), um dos grandes sucessos da carreira do artista que se destaca dentro do blues/soul. O músico de 80 anos – que lançou seu primeiro disco em 1968 – ainda está na ativa tendo lançado o álbum Dance To The Blues” no ano passado.

Para fechar com chave de ouro essa incrível trilha sonora nada como um pouco mais de Pete Townshend. Mas não estamos falando de uma canção do The Who, e sim de seu outro projeto “One Hit Wonder”, Thunderclap Newman.

O projeto ainda conta em sua formação o “manager” do The Who, Kit Lambert, e Jimmy McCulloch, músico do projeto The Wings do Paul McCartneyJohn David Percy “Speedy” Keen, que ficou mais conhecido por este projeto paralelo do líder do Who.

O sucesso da faixa “Something in the Air” (1969) foi tão enorme que a faixa além de alcançar o primeiro lugar das paradas no UK, recheou diversas coletâneas, comerciais e trilhas sonoras. Quem canta a faixa não é Pete Townshend e sim Speedy Keen. O grupo lançou apenas um álbum em sua curta carreira: Holllywood Dream” (1969).

Jimmy veio a falecer em 1979 através de uma overdose de heroína aos 26 anos de idade. Nada mais sexo, drogas e rock’n’roll do que esse desfecho, não é mesmo?

Dread Zeppelin: mais de 25 anos misturando Led Zeppelin com reggae e imitações de Elvis Presley

Read More
Dread Zeppelin

Quem pensaria em misturar Elvis em sua fase mais rechonchuda com Led Zeppelin e reggae? Pois essa salada mista é a fórmula do Dread Zeppelin, uma das maiores bizarrices musicais já registradas no planeta.

Sempre capitaneada por Tortelvis, ou Greg Tortell, uma canhestra e divertida versão de Mr. Presley, a banda toca covers de Led Zeppelin e classic rock em uma versão jamaicana e chegou a fazer certo sucesso nos anos 90. Seu primeiro disco, “Un-Led-Ed”, de 1990, saiu pela IRS Records e vendeu muito mais que o esperado, gerando rapidamente seu sucessor, “5.000.000 Tortelvis Fans Can’t Be Wrong”, e a banda saiu em turnê com seu circo Elvis-Zeppeliano.

As versões para clássicos do Zep como “Black Dog”, “Immigrant Song” e “Black Dog” ficam hilárias (e muito bem feitas) com o grupo esquizofrênico, que também faz covers de Elvis Presley (lógico), Bob Marley, The Who, The Doors, The Righteous Brothers e muitos outros artistas do rock clássico. Até um disco com canções de Natal eles já lançaram!

Desde então, depois de diversas mudanças de formação, o grupo hoje conta com Tortelvis (que chegou a sair e voltar), Butt-Boy (baixo), Spice (teclado e percussão), Bob Knarley (guitarra), Ziggy Knarley (guitarra) e Charlie Haj (bateria), e continua na ativa. Seu 16° disco, “Soso”, saiu em 2011.

A banda Metalachi é exatamente o que parece: Metal + Mariachis!

Read More
Metalachi

Pegue heavy metal em uma mão, música tradicional mariachi em outra, e você tem o Metalachi, banda de Ciudad Juárez, no México, que faz covers de músicas do metal e hard rock e incorporam instrumentos e ritmos típicos mariachis, como trompete, violino, guitarrón, vihuela e cowbell. Mas será que metal e música mariachi combinam? La respuesta es SÍ!

A banda já lançou um disco, e ~por supuesto~ que o nome do primogênito é “Uno”, lançado em 2014. O álbum conta com covers de Judas Priest (“Breaking The Law”), Ozzy Osbourne (“Crazy Train”), Led Zeppelin (“Immigrant Song”) e até Bon Jovi (“Livin’ On A Prayer”). Formada por Vega De La Rockha (vocais), Maximilian “Dirty” Sanchez (violino), Poncho Rockafeller (guitarrón), Ramon Holiday (guitarra), El Cucuy (trompete), a banda também conta com a presença em seus shows do “misterioso empresário” Warren Moscow.

Para quem gosta de versões bem humoradas de músicas e curte “Weird Al” Yankovic e suas polkas e o lounge rock do Richard Cheese, dê uma olhada no Metalachi. Arriba!

Metalachi

 

Com influências de pós-punk e rock alternativo, Pure prepara novo EP com letras em português

Read More
Pure

Com influências que vão do pós-punk ao rock alternativo dos anos 90, os paulistanos do Pure estão na ativa há relativamente pouco tempo (desde 2014), mas já fazem barulho na cena independente. Formado por Bela Fern (vocal), Icaro Scagliusi (guitarra), Fernando Freire (baixo), Ricardo Shalom (bateria) e Mauro Chevis (teclados), o grupo luta para manter o rock vivo e tomar de volta o lugar que hoje é dominado por bandas covers na noite paulistana.

“Fazemos por puro amor ao rock. Ruim com ele desse jeito, pior sem ele. Não dá pra levar a vida sem, independente se estiver aqui, Londres ou no Iêmen”, disse Icaro em entrevista ao blog de Luiz Cesar Pimentel no R7. “Não vale a pena ser músico no Brasil do ponto de vista financeiro, mas isso é o que temos pra oferecer, nossa verdade. Se vale a pena ou não, você que me diz”, completou Bela. Conversei com Icaro sobre a carreira da banda, a cena independente brasileira, a proliferação das bandas cover na cena e o novo EP do grupo, a ser lançado em breve:

– Como a banda começou?
A banda surgiu no estúdio de um nosso amigo, tínhamos a ideia de gravar algumas músicas, acabamos nos empolgando e fizemos o disco todo.

– De onde surgiu o nome Pure?
O nome Pure vem de uma musica da Siouxsie, que é uma grande influencia pra banda e a Isabela, nossa cantora.

Pure

 

– Quais são suas principais influências musicais?
Muitas , mas basicamente todas vem do rock. De bandas clássicas como The Who, Led, Stones, bandas do pós-punk como Siouxsie, Joy Division e os “alternativas” como Pixies e Smashing Pumpkins.

– Como é o processo de composição?
Geralmente tenho riffs e mando pra Isabela e ela completa com as melodias e letra. Mas às vezes pode ser diferente, às vezes eu venho com uma melodia pré definida e ela muda a harmonia…

Pure

 

– Se pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?
Fizemos quatro mas gravamos apenas duas. “The Message” do Grandmaster Flash ,“Waiting for the Sirens Call” do New Order, “Personal Jesus” do Depeche Mode e “Queen Bitch” do David Bowie.

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma artista independente?
Todas! Entrar nas rádios é muito difícil se você não tem na mão um produtor filiado a uma grande gravadora. Internet é bom mas muito disperso. Tem poucas casas de shows de bandas com musicas próprias, isso acabou acostumando o publico que já não quer mais ouvir coisas novas. Sem falar na grana que é zero e você tem pagar tudo

– Existem espaços suficientes para bandas autorais hoje em dia no Brasil? O que vocês acham da proliferação de bandas covers?
Muito poucos lugares, mas não é o suficiente e você não consegue viver disso, tirando algumas poucas. É por isso que muitos entram nesse universo das bandas cover, as pessoas precisam pagar as contas e acabam indo pra esse lado porque preferem tocar do que arrumar um emprego normal. E como disse antes, a maioria das casas noturnas querem que toque cover porque é o que as pessoas conhecem. Não existe interesse de divulgar nada, apenas agitar a noite. É uma bola de neve…

– Qual a sua opinião sobre a música pop que está nas paradas hoje em dia?
Um horror. A música parece que não é mais feita por músicos!

– Quais são os próximos passos do Pure?
Vamos gravar um EP até o fim do ano, alguma coisa em português também.

– Indiquem algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes!
Gosto dos meninos do Racons!

Ouça o disco “Control” completo aqui:

Quando os Beastie Boys juntaram “Sweet Leaf” do Sabbath com “When The Levee Breaks” do Zeppelin

Read More

Beastie-Boys-Beer_610

O primeiro disco dos Beastie Boys, “Licensed To Ill’, colocou o trio em um pedestal. Os três rappers foram alçados à condição de estrelas e fizeram o maior sucesso com clássicos como “No Sleep ‘Til Brooklyn” e a paródia dos headbangers “Fight For Your Right To Party”, além da festeira “Brass Monkey”. O disco vendeu que nem água e a música que abre o álbum com os dois pés na porta amassando latinha de cerveja na testa é “Rhymin and Stealin'”.

Se você reparar bem, conseguirá desvendar os dois samples que, unidos, fizeram desta música uma das melhores aberturas de discos de rap de todos os tempos.

A primeira é a bateria destruidora de John Bonham em “When The Levee Breaks”, do Led Zeppelin. Uma das grandes forças do Zep sempre foi a bateria firme e pesada de Bonham, que deixava qualquer música mais completa. É o caso dessa, do disco “Led Zeppelin IV”, em que a introdução feita pelo baterista é reconhecível na hora. Ah, inclusive essa bateria foi sampleada por mais de 100 artistas, entre eles Eminem, Björk, Dr. Dre, Alphex Twin

Pra deixar a música ainda mais incrível, que tal misturá-la com outros deuses do rock? A segunda música que criou “Rhymin’ and Stealin'” é um clássico do disco “Master Of Reality”, do Black Sabbath. A ode do quarteto inglês à maconha contém os sempre criativos e grudentos riffs sombrios de Tony Iommi, que casaram incrivelmente com a bateria de Bonham. Ou seja: o som dos Beastie Boys é quase um precursor do mashup!

As grandes chupadas do Led Zeppelin (e não, não me refiro às peripécias sexuais do grupo)

Read More

2515782770_a0dc971a09_z

O Led Zeppelin é uma banda incrível. Page, Plant, Jones e Bonham eram um puta quarteto, especialmente pela cozinha Bonham/Jones, que não deixava pedra sobre pedra com uma mistura perfeita de peso e ritmo. Só que o quarteto tinha em suas música incríveis algumas… hm, digamos “inspirações” não declaradas. Ou seja: chupava muita coisa sem dar crédito aos verdadeiros autores.

Por isso, o Led Zeppelin é um dos campeões dos processos por plágio. Sem brincadeira: MUITAS músicas do Zep são consideradas “emprestadas” de outros artistas, e tem algumas que não dá pra negar. O crítico musical Richard Meltzer chegou a dizer que “não há NADA original no Led Zeppelin”. Será?

“Babe, I’m Gonna Leave You” (1969) x “Babe, I’m Gonna Leave You”, de Anne Bredon (1960)

Nesse caso, a letra foi praticamente xerocada da versão original do The Plebs, apesar da música em si ser completamente diferente.

“Dazed and Confused” (1969) x “Dazed and Confused”, de Jake Holmes (1967)

Essa aqui Page já tinha feito cover quando era dos Yardbirds. Com o Zeppelin, chupou o riff, o ritmo e muito mais.

“Black Montain Side” (1969) x “Blackwaterside”, de Bert Jansch (1966)

Page chupinhou total a versão de Bert Jansch para a música tradicional irlandesa “Blackwaterside”. Pra não deixar tão na cara, deixou o negócio instrumental e mudou (um pouquinho) o nome.

“How Many More Times” (1959) x “No Place to Go”, de Howlin Wolf (1959)

O Led Zeppelin só eletrificou a música do Howlin Wolf, mudou umas coisinhas aqui e acolá e deu o toque Zeppeliniano. Pronto, chupada concluída.

“Whole Lotta Love” (1969) x “You Need Love”, de Willie Dixon (1962)

Sim, até um dos maiores sucessos da banda tem seus momentos “inspirados” em outras músicas. Essa eu nem preciso explicar: tem partes da letra que são diretamente chupinhados. Ouça na sequência a música do Zeppelin e a versão de Muddy Waters pra música de Willie Dixon.

“The Lemon Song” (1969) x “Killing Floor”, de Howlin’ Wolf (1966)

Mais uma “inspiração divina” do Zeppelin que veio de Howlin’ Wolf. Riffs e letras similares, novamente

“Bring It On Home” (1970) x “Bring It On Home”, de Sonny Boy Williamson (1963)

“Bring It On Home” é dividida em duas partes. O final é um… cof cof… “tributo” para a música de Sonny Boy Williamson. Adivinha de quem é a música? Willie Dixon, que em 1972 foi incluído nos créditos junto com Page e Plant.

“Hats Off to (Roy) Harper” (1970) x “Shake ‘Em On Down”, de Bukka White (1937)

A música do Led Zeppelin foi bastante… hmmm… “influenciada” pelo bluesman Bukka White.

“Since I’ve Been Loving You” (1970) x “Never”, de Moby Grape (1968)

Essa aqui acho que até dá pra perdoar o Zeppelin e pode ser que nem seja um plágio, afinal, é apenas um ritmo de blues clássico… Vai saber.

“Custard Pie” (1975) x “Drop Down Mama”, de Sleepy John Estes (1935)

As letras têm um pouco da música de 1935 e também de “Shake ‘Em On Down” de Bukka White (sim, outra vez), e “I Want Some Of Your Pie” de Blind Boy Fuller.

“In My Time Of Dying” (1975) x “In My Time Of Dying”, canção gospel

Por essa aqui é meio incrível que o Led Zeppelin nunca tenha levado um processo. É uma versão de uma música gospel conhecidíssima, que ganhou diversas covers (entre elas, uma versão feita por Bob Dylan). Na versão Zeppelin, é creditada aos quatro membros da banda.

“Stairway to Heaven” (1971) x “Taurus”, do Spirit (1968)

O comporisitor de “Taurus” Randy California, tá até hoje tentando tirar grana do Zeppelin pelo suposto plágio ao Spirit. Aliás, o Led Zeppelin abriu shows para o Spirit em sua turnê americana no começo da carreira. Será?

Os velhinhos se divertem com o The Zimmers, banda formada somente por idosos no Reino Unido

the_7 Uma banda de rock do Reino Unido que tem os membros mais idosos do mundo. Não, não estou falando dos Rolling Stones. O grupo de velhinho que continuam mandando ver é o The Zimmers, formado em 2007.

Formada apenas por membros que possuem mais de 70 anos, a banda se uniu para um documentário da BBC que mostrava a formação da banda e a gravação de um single para levar ao público o sentimento de isolamento e solidão que acomete muitos idosos. A música escolhida? “My Generation”, do The Who, que tem a clássica frase “I hope I die before I get old”. Ah, o bom humor dos ingleses…

the_zimmers

Em 2008, saiu o primeiro disco do grupo, “Lust For Life”, com covers de Beatles, Frank Sinatra, Eric Clapton, Prodigy e, lógico, a música de Iggy Pop que dá nome ao álbum.

Já que os integrantes são velhinhos, aconteceram alguns falecimentos, infelizmentes. Buster Martin, nascido em 1906, se foi em 2011, e o primeiro vocalista, Alf Carretta, que faleceu aos 93 anos, em 2010. Além deles, os membros Jack Beers, Joan Bonham (mãe do ex-baterista do Led Zeppelin John Bonham), Frank Morrissey, Peter Oakley e Winifred Warburton também já se foram.

http://www.youtube.com/watch?v=zqfFrCUrEbY

Mesmo com estas baixas, a banda segue firme e forte, tendo inclusive participado do reality show Britain’s Got Talent em 2012 com “(You Gotta) Fight For Your Right (To Party!)”, dos Beastie Boys, chegando inclusive às semifinais do programa com uma apresentação da música do LMFAO “Sexy And I Know It”. Sim, é inacreditável o vigor dos velhinhos!

They’re firestarters! O senhorzinho vestido de Keith Flynt é algo impagável.