Construindo La Burca: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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La Burca

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo La Burca, que indica suas 20 canções indispensáveis.

L7“Andreas”
Amanda: Um marco na minha pequena vida musical, nunca mais fui a mesma depois que comecei a escutar essas mulheres e as vi pela tela da TV esfregando um modess na cara da sociedade no Hollywood Rock. Tinha uns 12 anos quando comprei o CD “Hungry for Stink”, deixava no repeat sempre. L7 foi uma referência forte na minha construção sonora. Uma tatuagem sonora. Acho que a música “Similar” é um exemplo.

Come“Hurricane”
Amanda: As linhas de guitarra preguiçosas/nervosas e vocal largado-chapado de Thalia Zedek me arrebataram nos anos 2000, época que descobri a banda. Inebriante essa canção. Tem um som inédito “El Topo”, que foi bem influenciado por essa fase, lembro que estava viciada no disco “Near Life Experience” quando compus.

Ramones“53rd e 3rd”
Amanda: Os Ramones construíram toda a minha base para fazer música. Eu pensava, também posso criar, caramba! Esse som é um deles, um épico punk e tem todo o contexto junkie psicótico do Dee Dee. Eu sempre racho o bico na última estrofe porque é absurda e lembro que não podemos nos levar a sério o tempo todo com nossas letras. Bom, tomara que ele não tenha puxado a navalha de fato, né. “Gonzo Truth”, que é uma canção relativamente calma nossa, tem uma batida da bateria em “slow motion” inspirada nesse som, por exemplo.

Wipers“Soul’s Tongue”
Amanda: Esse som me leva para passear por dunas sonoras da alma e me inspira em vários momentos, Greg Sage é uma escola foda. Tem umas linhas de som instrumental livres que faço pra me soltar e que formam sons depois que vem dessa linguagem, bom, pelo menos eu tento e vou continuar tentando! (risos)

Patti Smith“Wings”
Amanda: O que falar dessa mulher e da sua importância na nossa (r)existência musical/ artística como como ser humana? She is a benediction. Obrigada pelas asas & baladas, Patti ❤

Mercenárias“Imagem”
Amanda: Esse som é fantástico e ímpar, gosto muito do tom da voz da Rosália. Aos poucos começo a cantar uns trechos dos sons em português, e Mercenárias me “ajudam” nessa transição. Sempre escuto pra dar um gás no pt/br e lembrar das origens também (risos)!

Durutti Column“Sketch for a Dawn I”
Amanda: Esses dias coloquei pra Duda (nova batera) escutar, e ela falou: “É daí que vem os graves que vc sempre pede”! Os tum-dum-dum dos tons, sempre marcantes na hora de construir as minhas baterias mentais…(risos). Na real, o álbum “LC” do Durutti Column é o meu preferido de todos os tempos. Me pega de um jeito atemporal, adoro a “fragilidade” tão intensa dos sons desse magrinho querido.

The Index“Israeli Blue”
Amanda: Quando decidi assumir o violão folk e esboçava formar a La Burca, vinha escutando incessantemente essa banda psych-garageira. Puta som visceralzão, só lançaram 2 discos no final dos 60´s. Me apaixonei por eles e sempre retorno pra me revigorar no violão, embora o som deles seja com guitarra. Mas faço essa conexão sempre entre Index e violão.

Hazel“Day Glo”
Amanda: Som que me abraça e faz eu voltar no tempo de descobertas sonoras: melódico, pungente e grunge. Puta-que-o-pariu, que trio, ou melhor, que quarteto com o louco dançarino! As linhas de vocal intercaladas entre a baita batera Jody e do guitarrista Pete são fodas demais pro meu coração, muita criação grungística veio daí. Banda muito querida na minha vida.

Dead Moon“Clouds of Dawn”
Amanda: Essas bandas de Portland, vou falar, viu (Wipers e Hazel too)! Passava horas nas tardes distraídas e descompromissadas de minha adolescência ouvindo esse trio maravilhoso! Vi eles no doc “Hype” e chapei no som meio garageiro tosco bem tocado. Gosto muito dos vocais do casal, é muito emocionante. Esse som me acompanha há muito tempo e não abro mão.

The Slits“Dub Beat”
Jiulian Regine: O que me agrada na pesquisa rítmica de Palmolive é a experimentação dentro do gênero post-punk, a cada disco percebe-se fisicamente a liberdade de investigação, rompendo todas as limitações e queimando todas as bandeiras com gosto e bruxaria.

Autolux – “Listen To The Order”
Jiulian Regine: Os grooves de Carla Azar são verdadeiras fontes de inspiração e pegada, muita dinâmica, notas fantasmas e muita precisão. Escuto sempre com a alma toda, com segurança e alegria nas composições dela.

Babes In Toyland – “Hello”
Jiulian Regine: Lori Barbero trás uma pegada que é muito natural pra mim, tanto nos timbres quanto no estilo, que é um flerte ao metal.

Blood Mary Una Chica Band“Take Me”
Jiulian Regine: A Mari me trás uma mistura de influências que vem do blues ao garage fuzz, se decupar o trabalho dela você encontra muita influência que se atravessa e resulta sempre em trabalhos fantásticos. Absorvo sempre a riqueza da simplicidade do que é possível fazer para acompanhar um beat predominante que é o da guitarra, ou violão, no caso da La Burca. E não confunda simplicidade com facilidade!

Deap Vally“Baby Can I Hell”
Jiulian Regine: Julie Edwards me faz investigar a postura corporal, acima de tudo. Uma potência performática!

The Coathangers“Hurricane”
Jiulian Regine: Essa música me faz pensar no timbre, com cadência rápida e suja sem perder a nitidez, chimbal aberto no groove todo com dinâmica sucinta. Tenho a impressão de que Rusty adoraria conhecer La Burca (risos).

Carangi“Seven”
Jiulian Regine: A Carol Doro é um orgulho, além de ser aquariana do mesmo dia que eu (risos) temos muito em comum, incluindo nosso amor pelos batuques. Gosto de como ela soa na bateria, com essa pegada de grunge delicioso que ela trouxe para o Carangi, com essa banda eu fecho os olhos e mergulho nas cores dos timbres dos pratos que ela tanto escolhe com atenção. Em todos os níveis a La Burca me proporciona investigar esses timbres mais abertos de pratos e chimbal, com a caixa mais seca e precisa. A relação é direta.

Sleater-Kinney“Steep Air”
Jiulian Regine: Bom, a Janet me faz querer rudimentos e mais rudimentos, amo a forma como ela traz as viradas pra dentro dos grooves, não só como delimitação das partes mas como composição das frases.

Lava Divers“Done”
Jiulian Regine: A Zump me encanta, quando você a vê tocando você sente todo o amor e toda a forma de expressão através da bateria, eu costumo fechar os olhos e viajar.

Hangovers“V de Vinagre”
Jiulian Regine: Ai ai, Liege. Determinação (se for pra definir e olha que definições não me convém). Pegada forte, dança de bumbos, sempre atenta aos timbres. Poderosa!

Conheça as jovens irmãs do Skating Polly, o duo que encantou o Babes In Toyland

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Skating Polly

O duo Skating Polly é formado por duas irmãs de Oklahoma, Kelli MayoPeyton Bighorse, que se alternam na bateria, vocais, guitarra, baixo, teclados e tudo mais que a cabeça delas permitirem. Inspiradas pelo punk dos anos 70 e o rock alternativo dos anos 90, Kelli, de 15 anos, e Peyton, de 19, já lançaram três ótimos discos (“Taking Over The World” (2012), “Lost Wonderfuls” (2013) e “Fuzz Steilacoom” (2014)) e estão trabalhando no próximo, com produção de  Paul Kolderie (Dresden Dolls) e Jim Vollentine (Spoon, The Breeders).

As composições são criadas “fuçando nos instrumentos e descobrindo como fazer barulhos legais”, de acordo com Bighorse. Estes barulhos legais já receberam elogios de gente como Rosanne Cash, Kat Bjelland e Lori Barbero (Babes in Toyland, com quem as irmãs estão em turnê), Sean Lennon, Donita Sparks (L7), Kate Nash, John Doe (X), DJ Rodney Bingenheimer e até do ator Viggo Mortensen. A intenção da dupla é fugir dos sons que “estão na moda” e continuar fazendo música barulhenta, pura e autêntica, sem ligar para o que as rádios FM colocam nas paradas de sucesso.

“Os músicos que mais nos inspiram são aqueles que continuam trabalhando, que devotam suas vidas inteiras a criarem coisas novas e diferentes”, diz Kelli. “Muitas vezes vezes nos shows as pessoas falam pra gente ‘continuem fazendo o que estão fazendo, nunca parem’, e nós ficamos, tipo, ‘bom, nós não estamos planejando parar nunca'”.

Conversei com Kelli e Peyton sobre a carreira da banda, sua discografia, influências, o machismo no mundo da música e os constantes comentários sobre suas idades:

– Como a banda começou?

Kelli – Formamos a banda em uma festa de Halloween nós fizemos em 2009. Peyton e eu comecamos apenas fazendo jams e compondo músicas improvisadas para todos em nossa casa sem ficar pensando muito. Depois percebemos, “hey, a gente poderia realmente fazer isso!” e começamos a escrever canções e praticar todos os dias.

– Como surgiu o nome Skating Polly?

Kelli – Não sabemos ao certo de onde veio o nome, foi apenas um pensamento que passou pela minha cabeça. Queríamos um nome pelo qual ambas se sentissem representadas, de modo que originalmente iríamos colocar maiúsculas no K de “Skating”, de Kelli, e o P em “Polly”, para Peyton. Na minha cabeça eu sonhava com uma menina muito frágil chamada Polly, que em um instante colocava seus patins e saía chutando bundas em um roller derby.

Skating Polly

– Vocês são um duo. Porque esse formato é tão popular hoje em dia?

Kelli – Acho que está ficando mais e mais popular hoje em dia porque a tecnologia está tornando mais fácil para bandas com duas pessoas soarem tão grandes quanto elas gostariam. E não é fácil de encontrar 4 ou 5 pessoas que compartilham a mesma paixão e idéias sobre onde eles querem levar sua banda. Para nós, isso fazia sentido porque já éramos muito próximas, vivemos juntas em uma casa cheia de instrumentos, que eram músicas igualmente qualificadas, e amamos a mesma música. Nós nunca consideramos ter outro membro quando começamos, porque nós dois estávamos tão em sintonia uma com a outra e não nos importamos que nosso som seja nu e cru.

– Você se revezam nas guitarra, bateria e vocais. Como é que isso funciona para vocês?

Kelli – Nós dois amamos a escrever canções e cantar, então nos auto-ensinamos a tocar um baixo extremamente minimalista, guitarra e teclado, para que pudéssemos começar a escrever nossas próprias músicas o mais rapidamente possível. Geralmente quem escreveu a canção iria cantar e tocar o baixo, guitarra ou teclado nela e a outra iria escrever uma parte da bateria e backing vocals para a música. Quando começamos, eu odiava tocar bateria, porque achava que era o instrumento menos melódico possível, mas conforme fui ficando melhor no instrumento, comecei a gostar muito e apreciar a bateria em minhas músicas favoritas e escrever partes de bateria que não apenas mantivessem o ritmo, mas acrescentassem outra camada melódica para a música, para que ela fluísse e tivesse uma transição melhor na canção. Então, agora eu amo cada instrumento e parte que eu toco no Skating Polly e tenho certeza que Peyton também. Nós dois estamos tão envolvidas no processo de composição das canções de cada uma que cada música que criamos é muito pessoal para nós duas.

– Vocês acreditam que o machismo continua forte na indústria musical?

Kelli – Ah, definitivamente. Se você olhar para o fato de que todas as bandas com membros do sexo feminino são aglomeradas no gênero de “Bandas de Garotas”, o que não é um gênero de som. O fato de ser mulher não torna o som das bandas iguais. É só a cultura de homens brancos colocando uma barreira entre homens e mulheres por tratar com condescendência e chamando suas bandas de “bandas de garotas”, o que é o contrário de “bandas”. Ou bandas como Babes in Toyland e L7 – não importa quantas vezes eles digam que não são bandas riot grrrl, são chamadas de bandas riot grrrl em matérias ou entrevistas, porque são mulheres fazendo música alta. Ou se você olhar para o fato de que as maiores estrelas pop feminino são famosas por tirar a roupa, porque sua música não tem substância ou emoção e que as pessoas não querem substância, eles querem símbolos sexuais.

– Vocês tinham 9 e 14 anos quando a banda começou. Como é que as pessoas respondiam a uma banda tão jovem?

Kelli – Isso realmente nos ajudou, era uma coisa onde, quando as pessoas gostavam da música e, em seguida, descobriam o quão jovem éramos, elas gostavam ainda mais. Mas eu nunca quis vender a nossa banda pela nossa idade. Eu queria que as pessoas gostassem da nossa música pela música, e não porque éramos jovens. E eu realmente não acho que as jovens brancas têm tantas dificuldades na indústria da música quanto as bandas que estiveram por aí faz tempo, mas as pessoas não vão para seus shows, pois supõem que são velhos e sem graça. Ou as pessoas que querem começar bandas em seus 30 ou 40 anos ou mais e fazem música REALMENTE ótima, autêntica e pura, mas os selos não acham vendável porque a indústria da música gosta de juventude. Isso é absolutamente ridículo, a música não é sobre ser jovem e sexy, é sobre a porra da música!

Skating Polly

– Quais são suas principais influências musicais?

Kelli – Minhas maiores influências, que tem sido minhas influências por um bom tempo, são Nirvana, Babes in Toyland, Sleater-Kinney, Fiona Apple, Kimya Dawson, L7 e X. Recentemente eu tenho curtido muito Neil Young, Nina Nastasia, St. Vincent, Sonic Youth, Perfume Genius e Swans.

Peyton – Eu amo Elliott Smith e Neutral Milk Hotel, que são minhas duas maiores influências, mas também estou curtindo muito Big Star e Perfume Genius. Agora estou começando a curtir The Replacements e eu amo muito o segundo disco do Foxygen. É com certeza um disco muito legal do começo ao fim.

– Eu gostei muito de seus clipes. Quais são seus preferidos?

Peyton – Meu vídeo preferido de gravar foi “A Little Late”. Tivemos que dirigir para Los Angeles e filmar pedaços de vídeo pelo caminho, aí chegamos em casa e limpamos a nossa sala de estar para filmar a Kelli tocando piano. Foi muito divertido fazer a viagem. Também gostei muito de gravar “Blue Obvious”. Foi um vídeo de um só take, e apesar de ter sido um take, fizemos várias vezes, então Kelli acabou enchendo meu rosto de tinta várias vezes.

– Podem me falar um pouco do material que já lançaram?

Peyton – Lançamos três álbuns até agora. “Taking Over The World” foi o primeiro, em 2010. Gravamos ele quase completamente em casa, e aí levamos pro estúdio para registrar as baterias. Em 2013 lançamos “Lost Wonderfuls” e Exene Cervenka da banda X produziu. Para nosso terceiro, “Fuzz Steilacoom”, fomos até Washington para gravar com Calvin Johnson do Beat Happening em seu estúdio, Dub Narcotic, e lançamos o disco em 2014.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Peyton – Pode ser um desafio para turismo. Se não estamos sendo apoiadas por um artista maior, temos de tentar arduamente promover o nosso show e divulgar para o maior número de pessoas possível.

Skating Polly

– O que vocês acham do rock “sem guitarras” que tem sido lançado ultimamente?

Peyton – Eu acho que a música sem guitarras pode ser ótimo! Guitarras não são o que fazem uma música ser muito boa para mim. Enquanto há uma boa melodia, eu posso curtir.

– Quais são os próximos passos de Skating Polly?

Peyton – Estamos trabalhando em um novo álbum. Estamos mixando com dois caras diferentes agora, e ambos são muito, muito bons. Paul Kolderie está trabalhando em algumas faixas lá de Boston. Ele trabalhou em alguns de nossos discos preferidos, como “No, Virginia” dos Dresden Dolls. E também fomos até Austin para trabalhar com Jim Vollentine, que já trabalhou com o Spoon e The Breeders. As músicas estão ficando incríveis, mal podemos esperar para que todo mundo possa ouví-las!

– Recomendem algumas bandas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)

PeytonPerfume Genius é uma banda relativamente nova pela qual estou apaixonada desde que lançaram seu primeiro álbum, “Learning”. Eles são uma das melhores novas bandas nos últimos anos, na minha opinião. Nós tocamos com um monte de bandas independentes legais desde que começamos a turnê. Nós viajamos com Babes in Toyland por todo o Reino Unido em maio e Lauren, da Hands Off Gretel, nos deu seu CD e adoramos. Tyson Meade é um cara local, que estava no Chainsaw Kitten e Defenestration, e ele lançou um disco solo alguns anos atrás, que era simplesmente estelar. Nossos amigos de Lawrence, Major Games, lançaram um registro muito legal este ano, também.

 

Garotas do Girlie Hell lutam contra o machismo no rock e planejam novo disco e DVD para 2015

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Girlie Hell

Vocais rasgados e riffs marcantes criados por quatro garotas vindas diretamente de Goiânia. Na ativa desde 2007, as meninas do Girlie Hell lançaram em junho o clipe para “My Best” e prometem ainda para 2015 um novo disco e DVD cheios de peso e criatividade. Formada por Bullas Attekita (Voz e Guitarra), Júlia Stoppa (Guitarra e voz), Carol Pasquali (Bateria) e Fernanda Simmonds (Baixo), a banda prepara o sucessor de “Get Hard” (2012), lançado pela Monstro Discos.

Enquanto isso, a banda continua em turnê pelo país. Elas já tocaram com bandas de alto calibre como Bad Religion, Kyuss Lives, Biohazard, Sepultura, Red Fang, Motossierra, Crucified Barbara, Claustrofobia, Krizium e Dominatrix e prometem continuar fazendo muito barulho.

Conversei com a baterista Carol Pasquali sobre a carreira do Girlie Hell, bandas femininas e o machismo que insiste em continuar vivo no mundo do rock:

– Como a banda começou?
A banda começou em meados de 2007, quando juntamos meninas para tocar e se divertir. A diversão foi ficando séria e desde o começo já nos preocupávamos em compor nossas próprias músicas. Foi em 2011 que a banda se fechou na atual formação e, então, caminhos diferentes foram trilhados. O estilo mudou – ficamos mais pesadas – e o trabalho ficou ainda mais sério, saindo, então, o disco, singles, clipes e vinil.

– Quais são suas principais influências musicais?
As referências musicais são bem distintas individualmente. Cada uma bebe de uma fonte diferente, o que agrega muito na hora de compormos nossas músicas. Em comum, posso citar Mastodon, Deftones, Kittie, L7, Girlschool

– Como é o processo de composição?
Nosso processo de composição é variado e bem aberto. Quem tem uma ideia, um riff, uma letra ou uma música traz pra roda e então cada uma coloca sua pitada, dá seu palpite, até chegarmos a um formato consensual. Quem colabora mais é a Bullas (vocal e guitarra), que é responsável pelos arranjos e linhas de vocais. Ela têm trazido muita coisa boa!

– Porque é tão difícil ver bandas formadas só por garotas no Brasil hoje em dia?
O número de bandas femininas têm crescido, mas ainda é pequeno em comparação à bandas formadas apenas por homens. O acesso à informação, cultura e aos próprios equipamentos está cada vez maior. Podemos ver muitas meninas em escolas aprendendo seus instrumentos. Talvez o que esteja faltando seja um empurrãozinho para que mais garotas se juntem em um projeto e que a mídia dê cada vez mais espaço para que esses trabalhos sejam expostos. Nós estamos aqui pra isso: incentivar para que o medo e o preconceitos sejam deixados para trás!

– O machismo ainda é forte no meio musical? Vocês já sofreram com isso?
O preconceito ainda existe, infelizmente. Não temos nenhum caso muito chocante ou perturbador para dividir. O que vivemos é um preconceito encrustado nas pessoas, algo cultural, como se fosse “normal” mesmo. Muitas pessoas chegam ingenuamente em nós empolgadas e dizem “pô, eu vim no show achando que vocês não davam conta de fazer um rock de qualidade e eu me surpreendi”. O que a pessoa quis, na verdade, era elogiar. E isso nos assusta muito. De onde vem essa ideia de que alguém não daria conta de fazer algo apenas pelo seu gênero? Hoje entendemos o elogio e tentamos levar as pessoas à essa auto crítica. Quais são os pequenos preconceitos que você vive todos os dias? São neles que nós queremos pegar. É isso que queremos mudar.

Girlie Hell

– Se vocês pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?
Xi…. Cover? (risos) Focamos tanto no trabalho autoral há tanto tempo que essa é uma pergunta difícil… Mas já tocamos uma vez, em um show, um cover de Pantera, “Walk”.

– Parece que hoje em dia poucas bandas de rock novas estão cantando em português. Porque a preferência pelo inglês?
O inglês em nossa música foi algo muito natural. Não foi nada premeditado pensando em mercado ou público. Para nós, nossa música soa melhor em inglês. Mas não temos amarras em relação a isso. Pode ser que em um trabalho futuro surjam músicas em português. Porque não?

– O rock pode voltar ao topo das paradas no Brasil?
Tudo pode acontecer nesse universo da música e cultura em geral. Modas vêm e vão. Se eu acredito que o rock seja main stream no Brasil, tal como vivemos hoje o sertanejo? Acho muito improvável. Mas eu acredito num crescimento da cena independente. Muitas bandas gringas têm pisado por terras tupiniquins, longe dos estádios e grandes arenas. Têm feito tours longas por várias cidades e subindo em médios e pequenos palcos. Talvez isso seja um reflexo de uma chama que está inquieta no público. Vamos torcer pra ela vire um grande incêndio e que se valorize as bandas nacionais também.

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma banda independente?
A independência por si só é uma dificuldade. Ter sempre que lutar “sozinho”. Algumas vezes as forças se esvaem. É quando as amizades e o público são importantes para dar aquela animada. Mas a dificuldade de ter que estar sempre administrando tudo na banda – administrativo, financeiro, logístico, etc. – nos faz crescer muito e traz o lado bom: nos faz independentes. Pra fazer a coisa acontecer, dependemos apenas de nós (e da resposta do público em relação ao trabalho, claro). Ficamos sem amarras. Estamos livres para defender nossas ideias, nossas músicas e tudo aquilo no qual acreditamos.

Girlie Hell

– O que podemos esperar de Girlie Hell em 2015? 🙂
Muuuuuita produção! Acabamos de lançar o single “My Best” e já temos um CD e um DVD engatilhado. Também temos planos para mais clipes, claro.

– Indique algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes! 🙂
Estamos sempre acompanhando de perto o trabalho da Nervosa, Indiscipline, Confronto, Far From Alaska, The Galo Power, Coletivo Sui Generis e Damn Stoned Birds (essas últimas 3, goianas).