A importância do sampling: como ele nasceu e os processos envolvendo Kraftwerk

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Como vimos semana passada, o ato de samplear uma música sempre existiu, apesar de só ter recebido este nome lá pela década de 80, quando o processo explodiu de forma tão maluca com a popularização do hip-hop e outros ritmos que “pegavam emprestado” loops de bateria, ou guitarra, ou voz, ou qualquer coisa proveniente de alguma música lançada há alguns anos, para se criar uma nova música.

Em 2010, Adam “Ad-Rock” Horovitz, dos Beastie Boys, deu uma entrevista à Propellerhead onde ele conta como que ele criou seu processo de sampling. “Pause tapes é basicamente quando você possui aqueles rádios com dois toca-fitas, e aquilo era o equipamento mais avançado que você tinha, ao menos era o que eu tinha, que eu podia comprar. Você basicamente fazia loops com a batida tocando do lado esquerdo, o lado que tocava, e gravando no lado direito, o lado que gravava. Você precisava apertar o botão de pausa exatamente no momento que a batida começava e apertava pausa de novo quando a batida terminava, exatamente antes da música começar. Então você voltava a fita esquerda e fazia de novo, repetidamente, e você tinha pequenos loops rolando na fita cassete. É um negócio de homem das cavernas.”

Dentre as histórias engraçadas, há uma de quando ele chegou na casa de outro beastie boy, Adam “MCA” Yauch, e viu uma fita literalmente rodando pela sala, usando pedestais de microfone como suporte, para que essa fita ficasse esticada, numa posição que fosse possível ser tocada infinitamente, com um loop da batida inicial de “When The Levee Breaks”, do Led Zeppelin. “Quem sabia? Quem sabia que você podia fazer aquilo? Eu não sabia!” Segundo Ad-Rock, Yauch ainda exemplificou: “Jimi Hendrix fazia isso! Sly Stone fazia isso!” Até que ele encontra dois grandes problemas: direitos autorais e processos legais.

Adam acredita que o Beastie Boys foi a primeira banda a sofrer um processo judical por sampling. Jimmy Castor Bunch foi um dos artistas que entrou com processo contra ele. Jimmy e outros artistas queriam receber parte dos lucros das músicas. Assim sendo, os Beastie Boys descobriram que, pagando, você pode samplear o que quiser.

Voltando um pouquinho no tempo, em 1977 o Kraftwerk seguia um caminho com um petardo atrás do outro ao lançar “Trans-Europe Express”. O quarteto alemão vinha ganhando um destaque mundial, chegando a ter a música “The Hall of Mirrors” no comercial dos calçados Starsax, tanto nos EUA, quanto no Brasil. No ano seguinte lançavam “The Man Machine” e, em 1982, “Computer Love”, que permaneciam com a mesma criatividade iniciada em “Autobahn”, de 1974.

Em 1982, Afrika BambaataaArthur Baker recriaram trechos das faixas “Trans-Europe Express” e “Numbers”, ambas dos alemães, para compor seu maior hit até os dias de hoje: “Planet Rock”. Esta faixa se tornou pioneira por juntar o hip-hop à música eletrônica, rompendo barreiras entre estilos que não conversavam. Pouco tempo depois era acionado um processo contra a dupla, por não dar créditos e nem dinheiro, ao Kraftwerk.

Maxime Schmitt, da gravadora EMI, e Karl Bartos, do Kraftwerk, comentam sobre o episódio no livro Creative License: The Law and Culture of Digital Sampling, dos autores Kembrew McLeod e Peter DiCola. “Ele [Bambaataa] sabia muito bem o que estava fazendo” diz Schmitt, “ele não colocou os nomes dos autores e não declarou nada”. Bartos adiciona: “era perfeitamente a melodia de ‘Trans-Europe Express’ e a batida de ‘Numbers’. A gente se sentiu muito irritado com isso. Se você lê um livro e copia algo dele, você faz como um cientista, você tem que citar de onde tirou aquilo, qual era a fonte.”

O caso se arrastou por anos, com a vitória dos alemães. Porém, este foi só um dos processos que o Kraftwerk moveu contra outros artistas. A decisão mais recente aconteceu em 2016 onde, desta vez, eles perderam. Este processo se arrastou durante 19 anos e foi contra o produtor de hip-hop Moses Pelham, pelo uso de um sample em “Nur Mir”, single da rapper Sabrina Setlur, lançado em 1997. A corte entendeu que “a liberdade artística se sobrepõe ao interesse dos donos do direito autoral” e que “samplear é um aspecto essencial para a expressão artística de músicos de hip hop”.

Pra não falar só de processos envolvendo samples, Ralf Hütter, co-fundador do Kraftwerk, recentemente entrou com um processo judicial contra uma campanha no Kickstarter de um carregador de baterias que promete ser uma “usina de energia”. “Usina de energia”, em alemão, é “Kraftwerk”. A palavra, que consta no dicionário, é registrada e pertence ao grupo de música eletrônica. A campanha se encontra atualmente suspensa devido ao processo judicial, mesmo após ter arrecadado mais de U$ 1,5 milhão.

Construindo Não Não Eu: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo Não Não Eu

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o trio de Belo Horizonte Não, Não Eu falando sobre as 20 músicas que mais influenciaram seu som. Não deixe de conferir a playlist com as músicas no Spotify no final do post!

Boy Harsher – “Morphine”
É um dos duos de eletrônico mais dark, intenso e visceral que já conhecemos. Foi uma grande inspiração mórbida e ao mesmo tempo dançante.

Clans Cassino“I’m God”
Devo ter visto esse clipe pelo menos umas 100 vezes durante o processo de composição do disco. Acho que é a música mais sublime e transcendental que já ouvi. Uma pulsão de morte e um desejo pela vida. E esse clipe com mais de 19 milhões de visualizações foi feito por um fã com cenas do filme “Lost in New York” (1989).

Lucas Santtana“Cira, Regina e Nana”
É um dos artistas brasileiros que mais nos influenciaram. Ele transita pelo eletrônico numa brasilidade, sensualidade e minimalismo com caídas precisas e sempre muito profundo. As melodias são simplesmente sensacionais. O show dele é incrível também! Maravilhosoooooo.

Cidadão Instigado “Besouros e Borboletas”
Eles nos estimularam a pensar no rock de novas maneiras, a fugir do óbvio.

Karina Buhr“Eu Sou Um Monstro”
Ela é uma referência de poder da mulher na música e abriu muitos caminhos para toda uma discussão do papel da mulher da música. Essa relação do feminismo foi uma grande inspiração para o disco também.

Jonathan Tadeu“Quase”
Nosso brother que sempre foi uma inspiração sobre como colocar emoções e muita verdade no som que faz.

CAN“Vitamin C”
Não dá para imaginar que eles faziam esse tipo de som já na década de 70. Eu descobri a banda recentemente e fiquei impressionada.

Kraftwerk“Computer World 2”
Não tem como deixar essa clássico de lado. Suas músicas ainda soam muito contemporâneas e tem uma magia que o tempo não é capaz de apagar

The Organ“Love, Love, Love”
É uma banda de mulheres que me fascina muito. Eu descobri o som no início dos anos 00 e desde então nunca parei de ouvir.

Interpol“Obstacle 1”
Quem nunca chorou ouvindo essa música que atire a primeira pedra!

Portishead“Machine Gun”
Me fascina muito a leveza da voz junto ao beat minimalista. Essa música nos ajudou a assumir e a lançar a música “Máquina”, que soa muito estranha ao mesmo tempo em que o vocal mantem uma linha melódica.

Nico“These Days”
É uma das vozes que eu mais amo e uma inspiração para assumir minha própria forma de cantar e fazer com que respirações, erros, desafinações façam parte de todo o conceito do disco.

Alceu Valença“Punhal de Prata”
Essa música traz novas perspectivas para a música brasileira que transcende o tradicional para uma poética visceral e envolvente. Me marcou principalmente a poesia e a relação com a música.

Siba“Preparando o Salto”
É outra grande inspiração para a poesia, a emoção e a visceralidade dos versos. Foi o disco que eu mais escutei em 2014.

Crim3s“Lost”
Como se fosse uma vertente punk do eletrônico, eles foram uma inspiração para explorar sons “estourados”. O que seria um erro foi incorporado como potência estética.

PJ Harvey“Down By The Water”
Ela é minha musa inspiradora principalmente por cantar sobre desejos, obscuridades e subjetividades que muitas vezes tentamos esconder.

Sofi Tukker“Drinkee”
Essa música é muito dançante, com uma guitarra super minimalista e uns beats muito envolventes. Foi uma descoberta recente muito interessante.

Night Drive“Part Time”
Fico chocada o quanto essa música é simples e maravilhosa.

Céu“Perfume do Invisível”
O “Tropix” ganhou vários prêmios e não foi à toa. Muita sensibilidade e muita precisão de arranjos, letra e melodia.

The Dø“Anita No!”
A Olivia Merilahti é maravilhosa e se reinventou no último lançamento da dupla. Vale muito a pena assistir os vídeos ao vivo.

15 artistas e bandas que mudaram seu som da água para o vinho (ou vice-versa)

Hair Pantera e Thrash Pantera / Katy Hudson e Katy Perry
Hair Pantera e Thrash Pantera / Katy Hudson e Katy Perry

Nem sempre o som de um artista se mantém o mesmo por muito tempo. Afinal, nem todo mundo consegue ser o AC/DC ou o Motörhead, que mantém o mesmo som desde o começo e continuam enlouquecendo seus fãs sem grandes surpresas. Se isso é bom ou ruim, cabe a você julgar, mas muitos artistas mudam completamente seu som em uma transformação radical que pode ou não incluir seu visual.

Listei 15 exemplos de bandas e artistas que mudaram da água para o vinho. Evitei artistas e bandas que sempre estão em mutação (e esse é o estilo deles) como Madonna ou David Bowie, já que a cada disco eles assumem um som, persona e estilo diferente (e conseguem ser geniais, na maioria das vezes).

Bee Gees
Antes: Rock psicodélico doido
Depois: A maior banda de disco music com voz fina

Antes de tocarem em todo lugar com a trilha sonora do filme de Tony Manero “Os Embalos de Sábado à Noite” e virarem os reis da disco music, o trio Bee Gees usava as vozes dos irmãos Gibb a favor da psicodelia sessentista. Ouça por exemplo “Turn Of The Century”, do primeiro disco do trio, e compare com “Night Fever”.

Roberto Carlos
Antes: O roqueiro mais famoso do Brasil
Depois: O cantor romântico que não usa marrom e come carne Friboi, se pagarem bem

No começo, Roberto Carlos bebia da fonte da british invasion do rock de terninho, e junto com Erasmo Carlos e Wanderléa foi um dos responsáveis pela criação do termo “Jovem Guarda”. Lá pelos anos 70, enveredou (muito bem, diga-se de passagem) pelo funk e soul, com o auxílio de Tim Maia, e a partir daí foi apostando cada vez mais nas baladas e menos no som rocker ou no swing do funk. Uma pena.

Katy Perry
Antes: A loirinha cristã que tocava violão
Depois: A cantor pop multicolorida das multidões

Em 2001, Katy Perry ainda se apresentava como Katy Hudson. Na época, o som se aproximava mais do rock cristão e do gospel, com músicas como “Faith Won’t Fail” e afins. Depois se tornou um dos maiores sucessos do pop atual com o disco “One Of The Boys” e a mudança completa de direção musical com “I Kissed A Girl”, que a levou ao estrelato. Fez o caminho contrário de Rodolfo Abrantes, se pensarmos bem.

Beastie Boys
Antes: O grupo de punk anárquico desafinado
Depois: O trio de rap branquelo cheio de criatividade

Antes de serem um dos grupos mais mais respeitados do rap (e do rock), Mike D, MCA e AdRock faziam um som bem punk sujo e desordenado. Contavam com Kate Schellenbach na bateria, que depois foi para o Luscious Jackson. Em 1994, os Beastie lançaram o disco “Some Old Bullshit”, uma compilação que mostrava como eram seus anos de punk gritado e cheio de barulho.

Nelly Furtado
Antes: Cantora que misturava pop, rock e folk
Depois: Cantora rebolativa com batidas Timbaland

Nelly Furtado estourou com “Like A Bird”, uma boa música pop que dominou as rádios e levou o disco “Whoa, Nelly” ao topo das paradas com sua mistura de hip hop, rock, folk e até fado português. Quando o segundo disco, “Folklore”, não foi tão bem, veio a hora de render-se ao que vende: o pop com produtores de sucesso. Deu certo: a virada pop de Mtv de Nelly gerou “Promiscuous Girl” parceria com Timbaland, seu maior sucesso.

Pantera
Antes: Hair metal pufante
Depois: Thrash metal porrada

Sim, é verdade: antes de serem os “Cowboys From Hell”, o Pantera adotava um visual meio Poison, com músicas mais direcionadas ao hair metal do que ao thrash machão que os levou ao estrelato. Sim, até Dimebag Darrell (R.I.P.) lotava o cabelo de laquê no comecinho do Pantera.

Genesis
Antes: Rock progressivo artsy-fartsy
Depois: Pop rock chumbrega para as rádios

O Genesis começou como uma banda de rock progressivo que inseria arte e teatro em seus shows, com Peter Gabriel nos vocais. Fez muito sucesso, até que Gabriel resolveu pedir as contas e o baterista Phil Collins assumiu os vocais. A partir daí a banda foi caminhando para o “jeito Collins”, ficando bem mais pop e pronta para as FMs de Adult Oriented Rock.

Kraftwerk
Antes: Experimental, avantgarde e kraut rock
Depois: Os robôs pais da música eletrônica

Sim, os robots alemães do Kraftwerk já fizeram um rock bem do hippongo! Sim, o negócio dos caras já era bem experimental e inovador desde o começo, mas antes puxava mais para a psicodelia do que para a música eletrônica (que eles ajudaram a criar).

NXZero
Antes: Hardcore melódico (ou emo, vai)
Depois: Um sub-Charlie Brown Jr.

O NXZero começou como qualquer banda de hardcore melódico: músicas rapidinhas, letras convencionais, nada de diferente. O público comprou a ideia e a gravadora os convenceu que o caminho era apostar nas baladas. Depois de algum tempo fora da mídia, a banda voltou este ano com um som que… bom, parece MUITO com Charlie Brown Jr.

Os Mutantes
Antes: Uma das bandas mais importantes do tropicalismo
Depois: Tentativa de ser o Pink Floyd brasileiro

O trio Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias foi um dos mais geniais do rock brasileiro. Ajudaram a revolucionar a música feita no Brasil e foram reconhecidos internacionalmente por sua música experimental e divertidíssima. Com a saída de Rita Lee, a banda enveredou por um caminho mais progressivo. Arnaldo Baptista também acabou saindo, e o negócio ficou mais prog ainda, com longos solos de teclado e virtuosidade máxima. Não é ruim, mas não chega aos pés do ápice criativo da banda.

Alanis Morissette
Antes: A Hannah Montana do Canadá
Depois: A garota raivosa com violão em punho

Você acha que “Jagged Little Pill” é o disco de estreia de Alanis Morissette? Nananinanão. Antes de surgir como uma garota que botava a boca no mundo com letras confessionais cheias de raiva e paixão, Alanis era apenas uma cantora de dance pop. Dois discos foram gravados com essa persona dançante: “Alanis” e “Now Is The Time”.

Shakira
Antes: A Alanis colombiana
Depois: A cantora rebolativa cujos quadris não mentem

Shakira começou com o violão sempre em mãos e letras confessionais como “Pies Descalzos”. Para as rádios, o interessante eram os remixes das músicas da morena colombiana. De repente, tudo mudou: Shakira ficou loira, aderiu ao pop dançante (com um ~quê~ colombiano, é verdade) e deixou o violão de lado, mostrando mais sua habilidade na dança do ventre do que nas cordas. Resultado: sucesso, sucesso e Waka Waka.

Vanilla Ice
Antes: Uma enganação do hip hop
Depois: Uma enganação do nu metal

Robbie Van Winkle foi uma enganação desde o começo. “Ice Ice Baby” é um rap com um sample de Queen que não empolga, mas fez grande sucesso em 1991. O ~rapper~ então fez um sofrível filme autobiográfico (“Cool As Ice”, horrendo) e apareceu no filme “As Tartarugas Ninja 2 – O Segredo do Ooze”, cantando “Ninja Rap”. Desapareceu por alguns anos, voltando no auge do nu metal tentando enganar novamente o público como um rocker angustiado que imitava Fred Durst no disco “Hard To Swallow” (o título define bem o disco). Não colou, novamente, e Ice tá sumido desde então (e todo dia a gente agradece ao Senhor por isso).

http://www.youtube.com/watch?v=wgFbSJg4XD4

Avril Lavigne
Antes: A nova aposta do punk rock para as rádios
Depois: Pop desesperado para vender (sem sucesso)

Avril Lavigne apareceu como uma “roqueirinha” para as massas, com músicas como “Sk8er Boi”, um roquinho safado que encantou todos adolescentes da época, que saíram dançando e usando gravatinhas e etc, além das baladas ao violão, que nem eram tão ruins quanto os críticos chatos falavam. Mas aí veio “Girlfriend”, uma chupada violenta de “Hey Mickey” da Toni Basil, e a partir daí Avril passou a ser a cantora pop que não consegue emplacar um sucesso pop. Taí a última tentativa, a vergonhosa “Hello Kitty”, que não me deixa mentir.

Goo Goo Dolls
Antes: Punk rock divertido e porradeiro
Depois: Rock baladeiro pronto para as rádios

Se você conheceu o Goo Goo Dolls na trilha de “Cidade dos Anjos” com “Iris” vai se surpreender, assim como os fãs de Goo Goo Dolls antes dessa música se surpreenderam quando ela saiu. No começo, a banda mandava um punk rock bem descompromissado e muito divertido, sem baladas ou violões. Fazia a cabeça do povo do skate e dos punks dos anos 90. Aí veio “Iris”… e o som mudou completamente. Os fãs punks choraram, desconsolados, enquanto o Goo Goo Dolls passou a embalar casais apaixonados e a embolsar milhões.