Existia alguma treta entre Frank Zappa e The Beatles?

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Se você começar superficialmente analisando, a capa de We’re Only In It For The Money” (1968), terceiro álbum do The Mothers of Invention e uma paródia do vinil do The Beatles, o famoso Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), nasce uma dúvida. Era apenas ironia ou uma crítica política?

Mas mergulhando um pouco mais e entendendo melhor a coexistência destes IMENSOS nomes, podemos encontrar declarações que mostram uma admiração mútua com pitadas de discordância política. No próprio lançamento do Sgt., Paul McCartney afirmou que o álbum era o “Freak Out”, álbum de 1966 do The Mothers of Invention, dos garotos de Liverpool.

A paródia da capa foi consensual, Paul autorizou mesmo com ressalvas sobre a gravadora e afins. Obviamente, isso aconteceu, e as primeiras edições foram censuradas, publicadas apenas no interior do álbum, até Frank Zappa criar sua própria gravadora e criar o formato independente. Mas isso não impede de acharmos que sim, o título critica a forma como a música estava sendo produzida na época, e de como Zappa queria talvez deixar claro que ele fazia o que queria como queria porque ele gostava, mas isso não anula seu interesse por capital. “As pessoas achavam que os Beatles eram deus! Isso não é correto” é uma das frases dele que mais vi sendo reproduzidas.

A imagem é de autoria de um parceiro de outras diversas capas que envolvem Zappa: Carl Schenkel. Este que era não só fotógrafo, como ilustrador, animador, designer e finalmente: especializado em capas de álbuns. Ele e Zappa eram muito parceiros, e outros diversos álbuns como Lumpy Gravy”, “Cruising with Ruben & the Jets”, “Hot Rats”, “Cheap Thrills” e “Mystery Disc” também são dele.

A capa não era uma provocação, mas se você escutar “Oh No” logo depois de ouvir “All You Need Is Love”, bem, a sua dúvida tende a retornar:

E a versão do The Mothers Of Invention:

A canção “Oh No”, que critica de maneira satírica “All You Need Is Love”, não é deste álbum. Ela foi escrita em 1967, mesmo ano que a “original”, mas lançada apenas em 1970, quando Weasels Ripped My Flesh” saiu nas lojas.

“Oh no
I don’t believe it
You say that you think you know
The meaning of love
You say love is all we need
You say
With your love you can change
All of the fools
All of the hate
I think you’re probably
Out to lunch”

Existem comentários de que em 1988 em shows, Zappa tenha feito misturas de “Norwegian Wood” / “Lucy In the Sky With Diamonds” / “Strawberry Fields”, e algumas gravações no Youtube que comprovam superficialmente:

Há registros também de que John e Yoko tenham participado de um dos shows do novo Mother em 1971 e depois usaram a performance como material para o disco deles em 72, de nome Some Time In New York City”, que foram deixadas de lado na reedição do álbum.

Bem, depois de tudo isso, muitas leituras do Reddit e Zappa Wiki Jawaka, não existia treta até segunda prova, apenas uma coexistência em uma época onde a efervescência cultural era gigantesca, amém.

Então é Natal! E o que a Simone te fez?

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Tá chegando o Natal e com ele aquele ódio gratuito contra a cantora Simone e seu hit natalino. “25 de Dezembro” é um disco maravilhoso. Foi lançado em 1995, e eu, uma criança viciada em SBT (naquela época não tinha noção de realidade e não percebia o quão machista e escroto o Silvio Santos pode ser) ficava intrigado com um comercial que anunciava “faltam XX dias para 25 de Dezembro”. Só que pelas contas é quando seria 10 de Dezembro.

Achava aquilo meio louco. O comercial passava em todos os intervalos e se bobear eu nem dormi de ansiedade para saber o que significava essa palhaçada. Eis que chegou o dia e foi anunciado do que se tratava: o disco natalino da Simone.

As rádios tocavam exaustivamente “Então é Natal” e eu ficava bem emotivo. Sempre considerei, não sei exatamente o porquê, o Natal uma data triste. A música é uma versão em português de “Happy Xmas (War Is Over)” do beatle John Lennon, e também foi gravada por nomes como Maroon 5, Sérgio Reis, Padre Marcelo Rossi, Roupa Nova e Luan Santana.

Logo em seguida, comprei a fita K7 piratona (meu amor, eram tempos difíceis antes da internet facilitar a nossa vida) e fiquei apaixonado. É tão brega e tão lindo. Decorei todas aquelas músicas e por um bom tempo convivi com o espírito natalino. O disco fez tanto sucesso que vendeu cerca de 2 milhões de cópias na América Latina e suas vendas aumentam a cada final de ano.

Lembro bem da participação da Simone no programa da Hebe (que saudades, gracinha!) com o coral das Meninas Cantoras de Petrópolis. Todo mundo de branco, aquela coisa linda e tudo mais. Essa imagem sempre me vem na cabeça e lembro do quão impactado fiquei com isso.

Mas o que me levou a escrever esse texto é: esse disco fala de amor, respeito, solidariedade e afins. Só coisas boas e lindas. Reclamamos tanto das palhaçadas da nossa vida, e perdemos tempo criticando gratuitamente um trabalho que só quis levar o amor.

POR FAVOR, PAREM. Porque além de ser um ódio gratuito e desnecessário, é uma piada que já perdeu a graça. O mesmo serve para as piadas sobre a uva-passa e o pavê.

Renascimento doloroso: John Lennon – “Plastic Ono Band” (1970)

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Poucas vezes uma obra foi tão determinante para me fazer entender que a música é, primeiramente, algo de extrema intimidade, pessoal por essência. Fazer dessa qualidade uma reafirmação é muito difícil, ainda mais sendo uma das pessoas mais famosas do mundo e recém ex-beatle. Coragem define este disco.

Seco, extremamente enxugado, quase esvaziado, melancólico, desesperado, reflexivo e redentor. Assim é Plastic Ono Band”, essa obra-prima sem igual.

O que mais me impressiona neste disco é que, ao contrário dos trabalhos mais emblemáticos do início da carreira solo de seus ex-companheiros de banda (como é o caso dos também incríveis Ram” e All Things Must Pass”, de Paul McCartney e George Harrison, respectivamente), John parece não ter feito um enorme esforço para tirar da cabeça essas canções. Tudo parece ser bem natural, espontâneo, de coração e em um nível genial. Claro que houve ajuda para fazer este disco sair do papel. Phil Spector, que assina a produção, foi esperto e manteve seu temperamento musical discreto. Ou seja, em “Plastic Ono Band” você não terá nada de “wall of sound” e aquela porrada de músicos tocando em mono. O LP é extremamente básico, porém de um modo original. Pegue como exemplo “Hold On”: guitarra, baixo, bateria e voz embalados por uma letra claramente voltada para o próprio autor. A temática do trabalho é John Lennon, do início ao fim.

Na comovente “Mother”, Lennon exorciza seus traumas de infância e chega a partir nosso coração com versos como “Mama don’t go, daddy come home”. Não restam dúvidas de que John vivia um período muito complicado. Mesmo que ele não quisesse dar o braço a torcer (algo que ficou muito claro na lendária entrevista publicada na revista Rolling Stone em 1970), o fim dos Beatles foi uma verdadeira porrada na alma daquele que fundou o maior fenômeno da história da cultura pop.

Beirando os 30 anos, Lennon atravessou essa difícil fase como pôde. Até que acabou embarcando numa espécie de terapia alternativa chamada “grito primal”, onde o paciente é encorajado a reviver e a expressar seus sentimentos básicos e que o terapeuta considera que podem ter sido reprimidos. O psicanalista americano Arthur Janov, criador dessa terapia, teve Lennon como paciente, e sobre isso disse certa vez: “Nunca vi tanta dor em toda a minha vida! Toda a dor de não ter sido amado fica gravada no cérebro, nos músculos, nos ossos das pessoas”. Agora, voltando para “Mother”, podemos perceber como tudo isso se encaixa: observe como é descarnado de qualquer tipo de filtro de ego aqueles berros no final da canção… se ainda estivesse nos Beatles muito provavelmente essa música não seria gravada.

Em “Isolation”, outra canção de apertar o coração, mostra Lennon guiado por poucas notas do seu piano enquanto observa o comportamento das pessoas em geral. E a letra é tão honesta que não há como fugir da mensagem. Pouca gente nesse mundo é capaz disso, esse incrível dom de saber abrir a cabeça das pessoas com poucas palavras.

Em tempo, vale ressaltar o trabalho impecável de Ringo Starr e Klaus Voormann na bateria e no baixo, respectivamente. Sem a simplicidade dos dois amigos de longa data de John (Ringo não precisa apresentar, já o alemão Klaus é o sujeito que fez a capa do LP Revolver” (1966), camarada de Lennon e dos Beatles desde os tempos de Hamburgo), talvez “Plastic Ono Band” teria resultado em “apenas” um excelente disco.

Em dois momentos cruciais do LP não é Lennon quem pilota o piano. Em “Love”, uma canção absurdamente linda sobre o que é o amor, é Spector quem guia John. Um dos clássicos do catálogo de sua carreira solo, “Love” é limítrofe: alguns podem achar piegas, outros podem passar despercebido por esse adjetivo fácil e notar que afinal, o que ele canta ali é fundamental. Algo tão certeiro quanto a letra de “Imagine”. Como ele conseguia fazer isso?

Em “God”, com Billy Preston no piano, John joga o famoso balde de água fria nos fãs dos fab four: “I don’t believe in Beatles/ I just believe in me/ Yoko and me/ And that’s reality/ The dream is over… Na verdade, é uma letra duríssima que não deixa passar despercebido nem Dylan, nem a Yoga, nem Elvis, nem Jesus e tampouco Deus. Nem precisa mencionar o tipo de discussão que essa música gerou, ainda mais vindo de um cara que quatro anos antes havia dito que “os Beatles são mais populares que Jesus Cristo”.

A pegada iconoclasta também dá as caras em “I Found Out”, com um jeito mais rock ‘n’ roll, o que ele sentia mais a vontade de fazer. A faixa pode ser considerada o resultado de uma década na qual o compositor passou por diversos gurus em busca da iluminação, com meditação, drogas e a Terapia Primal. Na música ele deixa de lado esta série de falsos ídolos que ele tinha acumulado ao longo dos anos e os rejeita. A guitarra de John soa excelente, assim como em “Well Well Well”, outro rock mais direto e com direito a berros que chegam a parecer Kurt Cobain em seus melhores momentos.

“Look At Me” tem aquele dedilhado tão característico que pinta as faixas “Julia” e “Dear Prudence”, do White Album” (1968), e a melodia é de uma melancolia verdadeiramente dolorida. Esta poderia estar em um hipotético trabalho dos Beatles, assim como “Remember”, que de certa forma traz a pulsação de “I Found Out” e a reflexão de todo o resto do trabalho. Um belo registro.

“Working Class Hero” é um dos melhores momentos da carreira de John. Um simples folk onde ele destila todo seu lado amargo de ver o mundo em uma letra espetacular e atemporal. Apenas por essa já valeria a pena dar uma chance para esse disco, mas “Plastic Ono Band” é um desfile de clássicos geniais.

O disco acaba com a triste “My Mummy’s Dead”, uma quase vinheta lo-fi, sem pretensão alguma de soar maior que aquilo. É apenas um adorno.

O LP foi recebido com elogios. No começo de 1971 o álbum chegou ao número oito no Reino Unido e foi para o número seis nos Estados Unidos, passando 18 semanas no Top 100.

“Plastic Ono Band” é figura presente em praticamente todas as listas de melhores discos.

Em 2000 a revista Q colocou o trabalho no 62º lugar na sua lista dos 100 Maiores Álbuns Britânicos de todos os tempos. Em 1987, foi classificado como o 4º na lista da Rolling Stone dos 100 melhores álbuns do período entre 1967 e 1987. Em 2003, ele foi colocado no 22º posto na lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos, também da Rolling Stone. Em 2006 “Plastic Ono Band” foi escolhido pela Time como um dos 100 melhores de todos os tempos.

Este é um trabalho irretocável de um dos maiores artistas da História. Sempre que alguém questionar a importância dos Beatles ou a qualidade de Lennon como compositor, diga apenas: “Plastic Ono Band”.

Construindo Naissius: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do artista

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Construindo Naissius

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a participação do Naissius, que se apresentará nessa sexta-feira na Sensorial Discos com o repertório de seu disco de estreia, “Síndrome do Pânico”, além de músicas inéditas que estarão em seu próximo álbum. 

The Beatles“Hello Goodbye” (do disco “Magical Mistery Tour”, 1967)
Quando era criança, vi o clipe desta música e não entendi nada; foi a primeira que lembro ter sentido vontade de me tornar músico.

Jeff Buckley“Lover, You Should’ve Come Over” (do disco “Grace”, 1994)
O Jeff Buckley me mostrou que não havia problema algum em adorar Nina Simone e MC5 numa época em que eu ainda era um tanto ‘purista’.

Screamin’ Jay Hawkins“I Put a Spell On You” (do disco “I Put A Spell On You”, 1977)
Eu já adorava essa música quando criança, na versão do Creedence – meu pai tinha uma coletânea do Creedence e eu sempre escutava. Fui descobrir a versão original muitos anos depois e hoje tenho o estranho hábito de procurar versões dela na internet. São inúmeras, por diversos artistas, mas nenhuma supera a original.

Raul Seixas“A Maçã” (do disco “Novo Aeon”, 1975)
Aos 13 anos de idade interpretei o Raul Seixas no teatro e, para pegar o ‘sotaque’, fui ouvir toda a discografia dele. ‘A Maçã’ é sobre esse conceito de monogamia e traição que somos submetidos desde o nascimento e o qual nunca questionamos – além de ser uma das melhores músicas do Raul.

The Clash“Know Your Rights” (do disco “Combat Rock”, 1982)
O The Clash foi a primeira banda de punk rock que eu me apaixonei. O ‘Combat Rock’ foi um dos primeiros discos que eu comprei na vida e teve grande influência na minha formação.

Minor Threat“Guilty of Being White” (do disco “Complete Recordings”, 1988)
Eu já fui menosprezado por estar em lugares que não eram para ‘pessoas como eu’; o engraçado é que isso já aconteceu tanto por eu ser ‘muito branco’ quanto por ser ‘muito preto’.

Titãs“Desordem” (do disco “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”, 1987)
Ainda me pergunto como os Titãs conseguiram fazer músicas com letras tão fortes se tornarem hits nacionais.

Chemical X“What’s Your Problem?” (da demo “What Ever Happened?”, 2003)
Trio de irmãs que tocam um punk rock de primeiro nível. Na minha adolescência era um alívio vê-las tocando entre tantas bandas que soavam iguais. Através delas eu passei a me interessar por feminismo, o movimento riot grrl e bandas como o Bikini Kill.

Nirvana“Sappy” (do box “With The Lights Out”, 2004)
As primeiras vezes que vim para São Paulo foram de trem, descendo na Luz, para passar a tarde na Galeria do Rock atrás de bootlegs. Quando ouvi essa música do Nirvana num CD de raridades, percebi que ela fugia do padrão ao relatar a vivência de uma mulher que leva uma vida de abusos e não se dá conta disso.

MC5“Kick Out The Jams” (do disco “Kick Out The Jams”, 1969)
Provavelmente uma das melhores músicas já escritas até hoje.

The Monks“Monk Time” (do disco “Black Monk Time”, 1966)
São ‘os Beatles do mal’. Não vou resumir a história pois vale muito a pena ir atrás dessa banda e desse disco. É pop com caos numa medida que nunca havia sido feita e provavelmente nunca mais será.

John Lennon“God” (do disco “Plastic Ono Band”, 1971)
Lennon usou seu primeiro disco para lavar a roupa suja com todo mundo, inclusive com o todo-poderoso, que ele se refere como ‘um conceito pelo qual medimos nossa dor’. Sigo o conselho de um amigo e sempre que escuto esse disco o faço ‘com muito cuidado’.

Chico Buarque“Construção” (do disco “Construção”, 1971)
Meus pais sempre ouviram muito Chico e ainda criança lembro que essa música me assustava: a crescente dos arranjos; a letra; a ideia da morte inevitável e repentina… É uma música que me impactou muito.

Nick Drake“Saturday Sun” (do disco “Five Leaves Left”, 1969)
Quando estava escrevendo o ‘Síndrome do Pânico’ eu ouvi muito os discos do Nick Drake. São de uma simplicidade e beleza tão raros… Nada é forçado ou exagerado.

New York Dolls“Personality Crisis” (do disco homônimo, 1973)
O New York Dolls me deu um nó no cérebro: usar calças rasgadas não parecia nada audacioso depois de ver caras vestidos de mulher tocando um rock sujo e minimalista. Ao conhecer a banda eu finalmente passei a tentar (des)construir minha própria imagem.

Fagner“Canteiros” (do disco “Manera Fru Fru Manera”, 1973)
É a música que eu canto no karaokê.

Chris Bell“I Am The Cosmos” (do disco “I Am The Cosmos”, 1992)
Se a discografia do Big Star é desconhecida e subestimada, esse disco solo de um dos integrantes é um tesouro perdido (lançado 15 anos após sua gravação). A música é a que dá nome ao disco e é daquelas que sempre me pega pelo nervo.

Ryan Adams“Afraid Not Scared” (do disco “Love Is Hell”, 2004)
O ‘Love Is Hell’ é um disco maravilhoso e essa é uma das minhas favoritas desse disco e de toda a discografia do Ryan Adams.

Rodriguez“Sandrevan Lullaby Lifestyles” (do disco “Coming From Reality”, 1971)
Uma das minhas letras e música favoritas. Conheci o Rodriguez uns anos antes de sair o documentário sobre sua obra e desde então seus dois discos que servem como uma espécie de bússola.

Mark Lanegan Band“Bombed” (do disco “Bubblegun”, 2003)
Ouvi esse disco quando saiu. Me fez entender que não é necessário ter guitarras ou gritos para ser rock.

Construindo HL Arguments: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo HL Arguments

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda HL Arguments, que indica suas 20 canções indispensáveis.

George Harrison“Isn’t it A Pity”
Helio Lima: Essa música e todo o álbum da qual ela faz parte é referência máxima para várias das músicas e composições, como “I Dont’ Need To Go”, “New Direction” e “Fixing My Words”.

John Lennon“Jealous Guy”
Helio Lima: “Hook” nasceu dessa canção do Lennon. Absolutamente linda, absolutamente triste.

Radiohead“Fake Plastic Trees”
Helio Lima: Uma das músicas mais belas e sensíveis que eu já ouvi na vida. Radiohead compõe muito do meu estilo de escrita em letras e arranjos.

Queen“Spread Your Wings”
Helio Lima: Queen é minha banda de conceito. E “Spread Your Wings” (sobretudo a versão ao vivo do álbum “Live Killers” é sensivelmente linda e tocante. O lado mais emotivo da HL Arguments bebe muito nessa escola.

Dream Theater“Six Degrees of Inner Turbulence”
Wesley Lima: A busca pela técnica e perfeição dessa banda deveria empolgar a todo o músico que quer trazer o melhor ao seu público.

Metallica“(Anesthesia) Pulling Teeth”
Wesley Lima: Não há como negar a influência empolgante do Metallica em alguns dos nossos arranjos, sobretudo ao vivo.

U2“I Still Haven’t Found What I’m Looking For”
Wesley Lima: Essa é clássica! Acho que ninguém pode negar que trata-se de um clássico do rock. Melodia linda que inspira muito de minhas linhas na HL Arguments.

The Smiths“There is a Light That Never Goes Out”
Wesley Lima: Outra música e banda que não poderia faltar na lista. Eles são enigmáticos e isso nos inspira.

Oasis“Don’t Look Back In Anger”
Fernando Silvestre: Clássico britânico que constrói em si boa parte dos arranjos da HL Arguments, que tem no britpop uma enorme referência.

Travis“As You Are”
Fernando Silvestre: As melodias do Travis são lindíssimas. Essa música tem uma das melodias mais bonitas da banda. Enorme referência para a HL Arguments.

Beatles“While My Guitar Gently Weeps”
Fernando Silvestre: Eis a escola máxima para todo o guitarrista. Procuro trazer solos para as nossas canções que contenham certa magia. Não se trata apenas de técnica. Se trata de magia.

Foo Fighters“The Pretender”
Fernando Silvestre: Somos muito enérgicos ao vivo e essa canção e banda mostra muito disso. Tem a ver com o nosso lado mais enérgico.

Amy Winehouse“Tears Dry On Their Own”
Amanda Labruna: Amo soul e blues e trago isso para as nossas canções. Com toda certeza.

Cake“Never There”
Amanda Labruna: A HL Arguments é uma banda de temas sérios, densos, dançantes e divertidos. Temos algo de Cake em algumas de nossas canções.

Queen“Another One Bites The Dust”
Amanda Labruna: Outra música que mostra o nosso lado mais dançante e divertido. E eu amo essa parte no Queen.

Michael Jackson“Heal the World”
Amanda Labruna: Michael foi um dos vocalistas mais importantes da história do pop. Reconhecemos nele um artista completo, cheio de alegria em seu trabalho. Isso nos inspira.

Dream Theater“The Great Debate”
Marcos Cesar: O som cristalino das músicas do Dream Theater é algo que me agrada muito. Procuro trazer uma linha de riquezas e detalhes para as baterias que foi no Dream Theater que eu aprendi.

Metallica“Welcome Home Sanitarium”
Marcos Cesar: Explosão e força compõem as músicas do Metallica. Isso tem muito de nosso som.

Metallica“All Nightmare Long”
Marcos Cesar: Mais uma dessa banda que é a minha banda de conceito. Temos a nossa vertical mais roqueira “também” e eu vejo essa versatilidade nossa como algo muito positivo.

Porcupine Tree“Blackest Eyes”
Marcos Cesar: Música de variações e proposta versátil, componente muito presente em nosso trabalho.

Ouça a playlist e siga o Crush em Hi-Fi no Spotify:

Ocupar e resistir: 10 músicas para inspirar os estudantes que lutam por educação em São Paulo

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PM agride estudante

Em setembro, o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin anunciou um projeto de reforma (ou “reorganização”) que fecharia por volta de 100 escolas no estado, teoricamente para adequar alunos de séries diferentes e corpo docente. Tudo muito mal explicado e vago. Isso gerou a revolta de muitos estudantes, que ocuparam suas escolas a partir do dia 9 de novembro, com o EE Diadema, no ABC Paulista. Hoje, são 199 escolas estão ocupadas, sendo 173 na capital paulista.

Nesta semana, um áudio de uma reunião do chefe de gabinete da Secretaria da Educação Fernando Padula Novaes, braço direito do secretário Herman Voorwald, com dirigentes de ensino, mostrou que a reação será “adotar táticas de guerrilha” contra os estudantes.  “Nessas questões de manipular tem uma estratégia, tem método. O que vocês precisam fazer é informar, fazer a guerra de informação, porque isso que desmobiliza o pessoal”, declarou no áudio.

Em protestos realizados pela educação, os estudantes já foram agredidos e presos arbitrariamente pela Polícia Militar de São Paulo, sendo ameaçados com armas e recebendo golpes de cacetete, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio, algo terrivelmente impensável realizado exatamente por quem deveria, na teoria, “servir e proteger” a população. Hoje, o Ministério Público de São Paulo prometeu entrar com um pedido de liminar para suspender a tal “reorganização” proposta.

Abaixo, uma lista com 10 músicas que podem inspirar os estudantes que se mantém firmes no intuito de defender seus direitos e manter suas escolas abertas e funcionando. Toda a força aos estudantes. Continuem firmes!

  • Patti Smith“People Have The Power”

“The power to dream/to rule
To wrestle the world from fools
It’s decreed the people rule
It’s decreed the people rule
Listen
I believe everything we dream
Can come to pass through our union
We can turn the world around
We can turn the earth’s revolution
We have the power
People have the power”

  • Bob Marley“Get Up, Stand Up”

“Get up, stand up: stand up for your rights!
Get up, stand up: don’t give up the fight!
Preacherman, don’t tell me
Heaven is under the earth
I know you don’t know
What life is really worth
It’s not all that glitters is gold
‘Alf the story has never been told
So now you see the light, eh!
Stand up for your rights, come on!”

  • The Clash“Know Your Rights”

“You have the right to remain silent
You are warned that anything you say
Can and will be taken down
And used as evidence against you
Listen to this: run”

  • Sepultura“Refuse/Resist”

“Chaos A.D.
Disorder unleashed
Starting to burn
Starting to lynch
Silence means death
Stand on your feet
Inner fear
Your worst enemy
Refuse, resist”

  • Gil Scott Heron“The Revolution Will Not Be Televised”

“The revolution will not be right back
after a message about a white tornado, white lightning, or white people.
You will not have to worry about a dove in your
bedroom, a tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl.
The revolution will not go better with Coke.
The revolution will not fight the germs that may cause bad breath.
The revolution will put you in the driver’s seat.
The revolution will not be televised, will not be televised”

  • Titãs“Estado Violência”

“Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
Futuro da nação
Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
Futuro da nação…
Estado Violência
Deixem-me querer
Estado Violência
Deixem-me pensar
Estado Violência
Deixem-me sentir
Estado Violência
Deixem-me em paz”

  • Public Enemy“Fight The Power”

“It’s a start, a work of art
To revolutionize make a change nothin’s strange
People, people we are the same
No, we’re not the same:
Cause we don’t know the game
What we need is awareness, we can’t get careless
You say what is this?
My beloved lets get down to business
Mental self defensive fitness
(Yo) bum rush the show
You gotta go for what you know
Make everybody see, in order to fight the powers that be
Lemme hear you say…
Fight the Power”

  • John Lennon“Power To The People”

“Power to the people
Power to the people, right on
Say you want a revolution
We better get on right away
Well you get on your feet
And out on the street”

  • Ratos de Porão“Conflito Violento”

“Gás lacrimogêneo
Bomba de efeito moral
Bala de borracha na cara
Repressão policial
No conflito violento
Desobediência civil
Caminhando contra o vento
Patriotada varonil
Vai, cubra sua cara e sai
Linha de frente e vai
Grite com ódio e vai
Não perca o foco”

  • Periferia S/A “Devemos Protestar”

“Todos devemos protestar
Não podemos nos intimidar
A terra nunca foi lugar de amor e paz
E quem está aqui tem que lutar
Devemos protestar queremos revolução”

 

Tributos e homenagens: confira 18 músicas que são inspiradas em outros artistas e bandas

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Kurt Cobain e Flea

Homenagens e tributos são comuns no mundo da música, já que entre os artistas sempre surgem influências, amizades e a admiração à grandes músicos. São comuns os tributos aos que já se foram, como no clássico single de Elton John “Candle In The Wind”, que já foi lançada como homenagem à Marilyn Monroe e Princesa Diana. Mas também existem as canções que se originam da mais pura admiração. Reuni 18 canções que prestam homenagens a outras bandas e artistas:

Queen – “Life Is Real”
Homenagem a John Lennon

A música do disco “Hot Space” foi composta em homenagem a John Lennon. Ela emula diferentes estilos de música de Lennon, e as letras são principalmente sobre quando Freddie Mercury soube que John havia morrido.

Motörhead – “R.A.M.O.N.E.S.”
Homenagem aos Ramones

“R.A.M.O.N.E.S.” é uma homenagem do Motörhead aos Ramones. Presente no álbum de 1991 “1916”, a música cita nominalmente todos os membros da banda novaiorquina, inclusive Dee Dee Ramone e Tommy Ramone,  que já haviam saído do grupo na época. Os próprios Ramones regravaram a música depois, em uma “auto-homenagem”.

Zé Ramalho – “Para Raul”
Homenagem a Raul Seixas

Zé Ramalho queria ter gravado um disco junto de Raul quando este estava vivo, mas infelizmente não rolou. Quando ele foi gravar o disco-tributo “Zé Ramalho canta Raul Seixas”, fez “Para Raul”, a última faixa do disco, em homenagem ao cantor. A escolha de músicas para o disco foi bem difícil, já que Paulo Coelho não permitiu que nenhum das músicas em que ele fazia parceria com Raulzito entrassem. “Achei grotesco, sem elegância nenhuma. Mas não há como uma pessoa me interromper“, comentou Zé.

Yes – “The Messenger”
Homenagem a Bob Marley

Sim, é isso mesmo: o Yes gravou reggae. No disco “The Ladder”, de 1999, saiu a música “The Messenger”, uma homenagem do grupo de rock progressivo ao nome mais conhecido do reggae: Bob Marley.

Raimundos – “Joey”
Homenagem a Joey Ramone

Os Raimundos sempre prestaram todas as reverências possíveis aos Ramones, seus mestres e maior inspiração musical. Quando Joey Ramone morreu, em 2001, inspirou os discípulos (em seu primeiro disco sem Rodolfo Abrantes nos vocais, “Kavookavala”) a gravar “Joey”, uma canção ramônica que homenageava o vocalista da banda punk.

Puff Daddy (ou Diddy, ou qualquer que seja o nome que ele usa hoje) – “I’ll Be Missing You”
Homenagem a Notorious B.I.G.

Sean “Puffy” Combs aproveitou um sample de The Police e a perda de um de seus melhores amigos pra criar uma homenagem que o colocou no topo das paradas do Disk Mtv em 1997 . Detalhe: Sting não cobrou nada pelo sample, e Faith Evans, que canta o refrão, é exposa do falecido Notorious B.I.G.

Titãs – “As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal”
Homenagem a Marcelo Fromer

No primeiro disco sem nenhuma participação do guitarrista Marcelo Fromer, falecido em 2001, os Titãs gravaram uma música bonita e melancólica para homenageá-lo. Cantada por Paulo Miklos, ela fecha o disco “Como Estão Vocês”, de 2003.

Red Hot Chili Peppers – “Tearjerker”
Homenagem a Kurt Cobain

O Red Hot Chili Peppers fez turnê com o Nirvana em 1992, logo depois que seu guitarrista John Frusciante saiu da banda e caiu em um vício em heroína. A música homenageia Kurt Cobain, que se suicidou em parte graças ao vício e saiu no disco “One Hot Minute”.

Green Day – “Amy”
Homenagem a Amy Winehouse

“Eu não a conheci, só achei que foi uma perda muito trágica. O interessante é que como o disco tem um clima de festa, ‘Amy’ vem com um gostinho do que são as consequências dessa farra”, disse o vocalista Billie Joe Armstrong sobre a música para a revista Rolling Stone.

Ben Folds – “Late”
Homenagem a Elliott Smith

Ben Folds fez turnê com Elliott Smith em 1998, quando ainda estava com o Ben Folds Five. A letra fala de Smith e cita até suas habilidades no basquete. “Joguei com ele e o Beck uma vez”, disse, “e Elliott estava fazendo cestas como se não houvesse amanhã.”

Roger Daltrey – “Under a Raging Moon”
Homenagem a Keith Moon

“Under A Raging Moon” é um tributo de Roger Daltrey a Keith Moon, baterista do The Who que morreu em 1978. John Entwistle, baixista da banda, queria tocar esta canção em vez de “Won’t Get Fooled Again” no Live Aid de 1985. Como Pete Townshend discordou, Entwistle gravou sua própria versão da música em seu disco “Left For Live”.

Roberto Carlos – “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”
Homenagem a Caetano Veloso

A letra desta música é uma homenagem a Caetano Veloso feita por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Foi composta quando Caetano encontrava-se no exílio, em Londres, para onde foi deportado em 1969 pela Ditadura Militar.

U2 – “Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of”
Homenagem a Michael Hutchence

Bono escreveu esta sobre o suícidio de seu amigo Michael Hutchence, vocalista do INXS. A música é escrita na perspectiva do autor tendo uma discussão sobre o suícidio, em que ele tenta convencer Hutchence a não fazê-lo.

R.E.M. – “Let Me In”
Homenagem a Kurt Cobain

Esta música do disco “Monster” foi escrita após a morte de Cobain, que era fã do R.E.M. A banda ganhou muitas das guitarras do líder do Nirvana em 1994, dadas de presente por Courtney Love, e eles as usaram nesta música.

The Who – “Old Red Wine”
Homenagem a John Entwistle

Foi lançada na coletânea “Then and Now”, e usa um riff que chegou a ser tocado por Entwistle em seus últimos shows com o Who. Outra música que foi lançada na coletânea foi “Real Good Looking Boy”, uma homenagem à Elvis Presley.

The Queers – “Brian Wilson”
Homenagem a Brian Wilson

A música leva o nome de seu homenageado, o  maluquinho líder criativo dos melhores anos dos Beach Boys. “It’s a good thing, Brian Wilson / It’s a good thing we’ve got you around / It’s a good thing, Brian Wilson / ‘Cause you’ve got your feet on the ground”, diz a letra do grupo punk.

Só Pra Contrariar – “Tributo aos Mamonas”
Homenagem aos Mamonas Assassinas

Logo que os Mamonas Assassinas morreram no trágico acidente de 1996, surgiu esta homenagem de um grupo que não poderia ter menos a ver com o quinteto de Guarulhos: o Só Pra Contrariar. A música chora a perda dos Mamonas em uma balada triste.

Foo Fighters – “Friend Of a Friend”
Homenagem a Kurt Cobain

Escrita primeiramente quando Kurt Cobain ainda estava vivo, em sua demo com o codinome Pocketwatch “Late!”, Dave Grohl fala sobre Cobain e Krist Novoselic e suas impressões ao entrar no Nirvana. Mais tarde, ele gravou a música novamente no disco “In Your Honor”, dos Foo Fighters.

E se os Beatles não tivessem acabado? Conheça os discos que o Fab Four podia ter lançado nos anos 70

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The Beatles 70s

O blog Albums That Never Were, cujo blogueiro usa o pseudônimo soniclovenoise, tenta criar versões reais para discos que nunca saíram do papel ou mesmo da imaginação dos fãs. Discos como “Sheep” (a versão “tru” de “Nevermind”, do Nirvana, imaginada e rascunhada por Kurt Cobain) ou “Smile”, dos Beach Boys (a obra maluca de Brian Wilson que deveria ter saído logo após a explosão de “Sgt Pepper Lonely Hearts Club Band” dos Beatles) são criados por ele, que compila as músicas e explica como o álbum “imaginário” foi criado. Uma de suas experiências mais interessantes foi a criação de cinco discos que mostram uma realidade alternativa onde os Beatles continuaram juntos como banda nos anos 70.

O criador uniu as músicas solo que mais condizem com o “espírito Beatle” em suas versões que mais soam como um disco completo e ajustou volume, pitch e etc. para deixar tudo o mais correto, coeso e próximo possível de um disco real. Nesse clima de “What If”, confira os cinco álbuns que os rapazes de Liverpool poderiam ter criado se o sonho não tivesse acabado:

(post traduzido do blog Albums That Never Were)

The Beatles – Instant Karma! (1970)

The Beatles Instant Karma

 

Lado A
1. Instant Karma! (We All Shine On) (Lennon)
2. All Things Must Pass (Harrison)
3. Every Night (McCartney)
4. I Found Out (Lennon)
5. Beware of Darkness (Harrison)
6. Working Class Hero (Lennon)
7. Momma Miss America (McCartney)

Lado B
8. It Don’t Come Easy (Starr)
9. Isolation (Lennon)
10. Junk (McCartney)
11. My Sweet Lord (Harrison)
12. Maybe I’m Amazed (McCartney)
13. Love (Lennon)
14. Hear Me Lord (Harrison)

Nesta realidade alternativa, em 1970 os quatro lançariam um álbum chamado “Instant Karma!”, um disco introspectivo e sombrio, cheio de canções enxutas de John e Paul e as músicas grandiosas e produzidas de George e Ringo. Sonoramente, ele ficaria em algum lugar entre o “White Album” em seus contrastes e “Abbey Road” em a sua majestade épica. Todas as músicas são de diferentes perspectivas, ainda que sugiram a mesma coisa: um desejo para a compreensão das essências da natureza humana básica e a busca pela própria alma. As músicas parecem criar uma narrativa especial: os membros da banda engajando-se em seu próprio diálogo com eles mesmos, tentando recuperar o vínculo entre eles que tinha se perdido ao longo dos 4 anos anteriores.

Então, imaginem que, nesta linha de tempo alternativa, em algum momento de 1970, os Beatles demitiram Allen Klein e de alguma forma entraram em um acordo de como gerenciar a Apple Records, permitindo que os membros da banda separassem a música do negócio, evitando a destruição da banda. Com o sucesso de “Here Comes The Sun” e “Something” e seu incrível catálogo de músicas não utilizadas e novas, George finalmente conseguiria uma parcela igual de suas próprias canções sendo apresentadas juntamente com as de Lennon/McCartney (com a garantia de que Linda e Yoko fossem permitidas no círculo íntimo dos Beatles, se necessário). Satisfeito com o trabalho de Phil Spector em “Let It Be”, os Beatles optariam por tê-lo produzindo a maior parte de suas gravações em toda a década de 1970 (apesar da relutância de McCartney). John concordaria, mas gostaria de usar o som despojado de banda ao vivo, como nas sessões de “Get Back” no ano anterior, pelo menos em suas próprias composições escritas em suas sessões de terapia de grito primal. Ringo, como sempre, estaria apenas feliz por estar lá.

“Instant Karma!” faria sucesso comercial e de crítica, restabelecendo os Beatles como uma força musical dominante na década de 70. Três singles seriam lançados a partir deste álbum em 1970 e início de 1971: “Instant Karma”, com o B-side “That Would Be Something”, “Maybe I’m Amazed” com o B-side “Apple Scruffs” e “My Sweet Lord”, com o B-side “Well Well Well”. O sucesso de “Instant Karma!” daria uma nova confiança para a banda que estava tão perto de terminar, especialmente com um novo produtor, um papel mais forte para o seu guitarrista como compositor e a incerteza da relevância da banda em uma nova década. Reagrupando no verão de 1971 com um novo conjunto de canções e um novo sentido de unidade, os Beatles tentariam gravar seu segundo álbum da década de 1970. Você pode imaginar?

(Baixe “Instant Karma” em Mp3 320kps aqui)

The Beatles – Imagine Clouds Dripping (1971)

The Beatles Imagine Clouds Dripping

 

Lado A:
1. Power To The People (Lennon)
2. What is Life (Harrison)
3. Dear Boy (McCartney)
4. Bangla Desh (Harrison)
5. Jealous Guy (Lennon)
6. The Back Seat of My Car (McCartney)

Lado B:
7. Imagine (Lennon)
8. Another Day (McCartney)
9. Art of Dying (Harrison)
10. Oh My Love (Lennon)
11. Uncle Albert/Admiral Halsey (McCartney)
12. Isn’t It A Pity? (Harrison)

O segundo disco é “Imagine Clouds Dripping”, uma citação surreal de Yoko Ono que  John achou foi particularmente inspiradora e define o tom para um álbum bastante colorido. As músicas foram escolhidos não só pela qualidade, mas para o que poderia continuar a levar “a tocha Beatles ‘. Musicalmente, o disco abandonaria a sonoridade mais crua do anterior e re-imaginaria os luxuosos arranjos que George pedia a Phil Spector para suas canções.

Então sente-se, relaxe e imagine o seguinte: depois do sucesso de seu primeiro álbum dos anos 1970, “Instant Karma!”, os Beatles se reuniriam e concentrariam-se em um novo álbum com alguns dos suas mais fortes canções desde “Abbey Road”, muitas vezes com arranjos grandiosos do produtor Phil Spector. Em meio à gravação do álbum, George fica sabendo da tragédia em Bangla Desh e rapidamente escreve uma canção em homenagem, que os Beatles gravariam e lançariam como single. George organizaria o Concerto para Bangladesh, onde os Beatles fariam sua primeira apresentação ao vivo em dois anos, A experiência positiva do show daria aos Beatles, particularmente George e John, a coragem de começar uma turnê européia no final de 1971. Na turnê, haveria também a participação dos velhos amigos Billy Preston nos teclados e Klaus Voormann tocando baixo quando Paul estivesse tocando guitarra ou piano.

A crítica citaria “Imagine Clouds Dripping” como um dos pontos mais altos da carreira dos Beatles, comparando-o a um segundo “Sgt. Peppers”. Há uma série de singles de sucesso durante 1971, incluindo “Imagine” com o B-side “Monkberry Moon Delight”, “Another Day” com o B-side “Crippled Inside” e “Jealous Guy” com o B-side “I Dig Love”. E, como já mencionado, “Bangla Desh” seria lançada como um single para promover o seu concerto, com o B-side sendo a única contribuição de Ringo para as sessões do disco, “Choochy Coochy”. Enquanto “Bangla Desh” entraria no álbum, “Coochy Coochy” não. O sucesso dos Beatles na turnê européia de 1971 os estimularia a planejar uma turnê americana em 1972, e uma necessidade de novo material – no mundo material …

(Baixe “Imagine Clouds Dripping” em Mp3 320kps aqui)

The Beatles – Living In The Material World (1972)

The Beatles Living In The Material World

 

Lado A:
1. Back Off Boogaloo (Starr)
2. Hi, Hi, Hi (McCartney)
3. John Sinclair (Lennon)
4. Get On The Right Thing (McCartney)
5. Who Can See It (Harrison)
6. Woman Is The Nigger Of The World (Lennon)

Lado B:
7. Live and Let Die (McCartney)
8. New York City (Lennon)
9. Living In The Material World (Harrison)
10. Single Pigeon (McCartney)
11. Happy Xmas (War Is Over) (Lennon)
12. My Love (McCartney)

“Living In The Material World” seria o azarão desta pós-vida dos Beatles. Algo como um primo do “Magical Mistery Tour”. Um disco menor, mas agradável. Bote a imaginação pra funcionar novamente: depois do sucesso dos Beatles em sua turnê européia no final de 1971, eles planejam uma nos Estados Unidos no início de 1972. As primeiras datas da tour são um sucesso tão imediato e tão agradável para os Beatles que os quatro membros e suas famílias encontram-se em uma residência temporária em Nova York e planejam uma “interminável” tour no continente durante o resto do ano. O Fab Four então é tomado por um desejo imediato de novo material e elabora rapidamente e registram “Living In The Material World”, novamente com Phil Spector produzindo. A demanda para o produto de forma que coincidisse com a tour “interminável” de 1972 pelos EUA obriga a gravadora a incluir muitos B-Sides e canções dos Beatles que já estavam encaminhadas, junto com o material recém-gravado.

O único single das novas canções gravadas em New York do álbum seria “Back Off Boogaloo”, de Ringo, com o B-side “Big Bard Bed”, recebendo críticas mistas, muitos se perguntando por que a superior “My Love” de Paul não era lançada como single. O próprio Lennon afirmou que “Woman Is The Nigger of The World” deveria ter sido o primeiro single, mas o resto da banda se recusou, por razões óbvias. Paul alegou que era suicídio comercial e nem queria incluí-la no álbum. Um acordo foi feito quando Lennon permitiu “Live and Let Die”, no álbum, uma canção que ele detestava e executada puramente por razões contratuais (embora ele entendesse que era importante do ponto de vista da venda do álbum e até mesmo admitido gostar de James Bond). Phil Spector sugeriria o hino feministade Lennon para o final do lado A no LP, para que os ouvintes sensíveis poderia simplesmente parar e mudar de lado se eles se sentissem ofendidos. Os DJs pareciam fazer exatamente isso.

Os críticos seriam muito duros com “Living In The Material World”, chamando-o de caça-níqueis e simplesmente uma desculpa para estender sua turnê da América (em vez de o contrário). Seria observado que o álbum parecia ser principalmente para a tour em si do que um disco de verdade, e a orientação política das canções de Lennon. Os críticos também apontariam a inclusão de músicas mais pop para completar o álbum fraco, como “Live and Let Die” e o single de dezembro de 1971 “Merry Xmas (War is Over)” com o B-Side “C Moon”. A Rolling Stone até mesmo apelidaria o álbum de “Filler In The Material World”. Os Beatles levariam a crítica muito mal, refletindo em sua tour e suas suposta cada vez mais excessivas festas no backstage e abuso de drogas. Encerrando sua turnê norte-americana no final de 1972, os Beatles ponderariam o próximo passo: como manter sua banda em fuga?

The Beatles – Band On The Run (1973)

The Beatles Band On The Run

 

Lado A:
1. Mind Games (Lennon)
2. Jet (McCartney)
3. One Day At A Time (Lennon)
4. Mrs. Vanderbilt (McCartney)
5. Photograph (Ringo)
6. Be Here Now (Harrison)

Lado B:
7. Band On The Run (McCartney)
8. I Know, I Know (Lennon)
9. No Words (McCartney)
10. Out Of The Blue (Lennon)
11. The Day The Earth Gets Round (Harrison)
12. Let Me Roll It (McCartney)

Este seria provavelmente um dos melhores discos desta vida setentista dos quatro rapazes de Liverpool. O álbum resultante desta experiência do Albums That Never Were foi tão coesa que metade das músicas parecia estar no mesmo tom, o que permitiu que a primeira metade do lado B tivesse um crossfade continuamente! Note que a faixa-título é irmã de canções como “I Know, I Know” e “No Words” com ela conduzindo o lado B em vez do lado A, pois o álbum parecia precisar de um soco dinâmico de esquerda e direita de “Mind Games” e “Jet” para iniciar o registro.

Após a longa tour norte-americana em 1972, os Beatles fariam um retiro em um estúdio nigeriano isolado para escrever e gravar músicas para seu próximo álbum. A serenidade após uma turnê agitada e cheia de festas tornaria a banda mais focada e unida em seus esforços. o single não incluso no disco “Give Me Love (Give Me Peace On Earth)” com “Picasso’s Last Words (Drink To Me)”, gravado durante estas sessões, tornaria-se um hit número um, enquanto os Beatles terminariam o restante do álbum em Londres. “Band On The Run” seria finalmente lançado em 1973, para enorme aclamação crítica e comercial, saudado como o “novo Abbey Road”.

Visto não apenas como seu melhor álbum na década de 1970, mas um dos melhores álbuns da carreira dos Beatles, “Band On The Run” recuperaria qualquer força perdida a partir do ano anterior com “Living In The Material World”. Dois singles de sucesso viriam com “Band On The Run”: “Mind Games”, com o B-side “Helen Wheels” e “Jet” com o B-side “Meat City”. Eles então embarcariam em uma turnê mundial em setembro de 1973. Seria agridoce, porém, como na conclusão das sessões de gravação de “Band on the Run” quando John entrou no que ficou conhecido como seu “fim de semana perdido”, que se estendeu durante toda a tour e para o próximo ano. Exasperado pelo comportamento selvagem e deslealdade eminente durante a turnê de 1972 da América do Norte de John, Yoko Ono se separaria do cantor, presumivelmente para permitir-lhe uma “despedida de solteiro estendida” para exorcizar seus demônios. John abraçou sua liberdade recém-descoberta com entusiasmo, e o sucesso comercial de “Band On The Run” e da turnê mundial resultante era um palco para isso. Apenas em 1974 Paul reconheceria a espiral descendente de John, e esperaria que houvesse uma maneira de impedir que os Beatles dissessem boa noite…

(Baixe “Band On The Run” em Mp3 320kps aqui)

The Beatles – Good Night Vienna (1974)

The Beatles Good Night Vienna

 

Lado A:
1. Venus and Mars/Rock Show (McCartney)
2. Whatever Gets You Thru The Night (Lennon)
3. Love In Song (McCartney)
4. So Sad (Harrison)
5. Steel and Glass (Lennon)

Lado B:
6. Junior’s Farm (McCartney)
7. (It’s All Down To) Good Night Vienna (Lennon/Starr)
8. Dark Horse (Harrison)
9. #9 Dream (Lennon)
10. You Gave Me The Answer (McCartney)
11. Nobody Loves You (When You’re Down and Out) (Lennon)
12. Venus and Mars (reprise) (McCartney)

Como todos poderiam supor, em certo ponto a vida da banda já não seria possível, já que Lennon deixou de fazer (lançar comercialmente) música em 1975, aposentando-se para se tornar um pai/dono de casa. Teríamos três opções para continuar a série de álbuns dos Beatles de 1970: 1) continuar sem John Lennon; 2) continuar esta série com contribuições de Lennon sendo suas “Dakota demos” acústicas emparelhando com o material de Paul, George e Ringo; 3) interromper a série por completo. Por mais que isso possa ser uma decepção para você, o editor do Albums That Never Were optou pela opção 3, presumindo que os Beatles teriam um hiato indefinido em 1975, permitindo aos outros três para perseguir suas carreiras solo. Terminaria com a aposentadoria de John Lennon. Além disso, após este ponto, Paul e os álbuns solo de George diminuíram em qualidade.

Use a imaginação e vamos lá: Após o sucesso do álbum de 1973 “Band On The Run”, John continuaria o que é chamado de seu “fim de semana perdido”. Depois de uma turnê mundial no início de 1974, os Beatles fariam um retiro para gravar outro álbum naquele verão, mas as sessões seriam conturbadas graças a um Lennon desajustado, preocupado apenas com festas ao lado de suas celebridades-amigas, isso sem mencionar um súbito ataque de laringite para George, impedindo-o de contribuir em qualquer número de novas canções que ele havia escrito para o álbum. A liderança de Paul vê a banda com dificuldades para completar o álbum, incentivando um disco gravado principalmente ao vivo, com “Venus and Mars” abrindo e fechando o álbum. A capa contaria com Linda McCartney e os Beatles representando a letra de “Junior’s Farm”.

A resposta seria geralmente positiva para “Good Night Viena”, tanto crítica quanto comercialmente. Definitivamente não é o seu álbum mais forte até agora, mas não seria uma decepção como “Living In The Material World”. “Junior’s Farm” seria o single, junto com o B-side “Ding Dong, Ding Dong”, um sucesso em 1974. Uma breve turnê européia seria planejada junto com algumas datas americanas. A queda, em torno da época do lançamento do single de “Whatever Gets Você Thru The Night”, foi quando Paul previu a  destruição eminente do colega de banda e querido amigo pelo seu excesso de alegria turbulenta. Talvez os Beatles haviam vivido mais tempo do que deveriam? Paul perceberia que John estava simplesmente mascarando sua solidão e a perda de Yoko, a pessoa que criou o equilíbrio em sua vida. O título de seu álbum- aparentemente uma gíria para “está tudo acabado” – seria profético, sendo que Paul sabia que a única maneira de salvar John era parar a loucura dos Beatles, a entidade que tinha permitido a destruição de John.

Ao tocar as datas nos EUA, Paul orquestrou uma reunião de John e Yoko para conciliação, esperando deixar John reencontrar o equilíbrio que faltava na sua vida. O plano de Paul daria certo, e John e Yoko mais uma vez encontrariam os pedaços de si mesmos desaparecidos um no outro. O show final dos Beatles aconteceria no Madison Square Garden em 28 de novembro de 1974 (com Elton John abrindo). John e Paul decidiriam juntos que era hora de os Beatles entrarem em hiato indefinido para salvar John e libertar os outros. Vendo uma oportunidade de redenção para o seu abandono da família anterior, John, posteriormente, se aposentou da música para se concentrar em uma vida familiar e doméstica para participar mais da vida de seu segundo filho. O resto dos Beatles estaria livre para prosseguir suas próprias carreiras solo. O resto é história … Ou poderia ter sido, de qualquer maneira.

(Baixe “Good Night Vienna” em Mp3 320kps aqui)

T-Shirtaholic – Autoramas, Give Pizza Chance e Fifty Shades of Bey

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Nada pode pará-los. Os Autoramas mudaram de formação, agora são um quarteto e estão produzindo o novo trabalho, “O Futuro dos Autoramas”. A HeartBleedsBlue fez duas camisetas bonitonas para a incansável banda de Gabriel Thomaz.

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Tudo que estamos dizendo é: dê uma chance à pizza. Afinal, até John Lennon sabe que o pessoal dar uma chance à paz tá difícil de acontecer…

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Quanto? US$ 6,00
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Para os fãs de Beyoncé, 50 tons da ex-Destiny’s Child pra você estampar no peito.

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