RockALT #20 – Rua Augusta, Contramão Gig, In Venus e The Bombers

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RockALT, por Jaison Sampedro

Cada dia que passa a Rua Augusta está deixando de ser o que era, ou pelo menos, o que foi por 15 anos. Bares e botecos fecharam, puteiros fecharam, casas noturnas abriram, algumas mudaram de endereço e agora estão definitivamente fechando as portas.

A Rua Augusta não foi sempre uma rua de vida noturna. Nos anos sessenta e setenta foi uma rua movimentada e cheia de lojas, durante a noite era frequentada por jovens de classe média/alta que saiam a noite para exibir as suas carangas. Durante os anos oitenta e noventa o centro foi ficando cada vez mais vazio e abandonado, os shopping centers forçaram as lojas fecharem as suas portas ou mudarem de endereço. Os imóveis vazios e degradados viraram bordeis e bares. Somente no inicio dos anos 2000 que casas como Outs e Funhouse começaram a surgir na região, depois veio Inferno, Vegas, Milo e tantos outros que marcaram a noite e a cena independente. Inúmeras bandas de rock alternativo surgiram na Rua Augusta, ou pelo menos fizeram o seu nome lá, como Rock Rocket, Forgotten Boys, Faichecleres, Cachorro Grande, Vivendo do Ócio e tantas outras tocaram lá. Hoje já não é bem assim.

Graças a especulação imobiliária varias casas noturnas fecharam dando lugar para condomínios residenciais. O Outs continua na ativa, já a Funhouse fechará as suas portas no dia 29 de julho. Infelizmente a rua não proporciona mais casas noturnas que dão espaço para a cena alternativa e isso é uma pena porque eu vejo muitas bandas legais que deveriam ter mais visibilidade e não tem.

A Augusta foi um lugar especial pra mim durante os meus vinte e poucos anos. Conheci muita gente legal subindo e descendo a rua procurando o que fazer ou qual balada entrar. Pra ser sincero eu nunca fui muito fã de baladas, mas todo fim de semana eu batia ponto na “Augustinha”, adorava beber na rua, principalmente porque eu tinha um amigo que vendia cerveja por lá. E pra um muquirana como eu não existe nada melhor do que beber cerveja barato e conversar a noite inteira.

Sinceramente fico triste, não porque a rua está mudando, e sim porque na verdade quem mudou fui eu. Eu poderia passar o resto da minha vida reclamando, mas eu tenho muita sorte de fazer parte de um projeto que quer trazer a musica alternativa de volta pro Baixo Augusta. Os blogs Crush em Hi-Fi, Hits Perdidos, Cansei do Mainstream e o RockALT se juntaram para virar a pagina e criar um novo espaço para a musica alternativa.

Nesta quarta feira, a segunda edição do Contramão Gig vai trazer duas bandas sensacionais para o Bar da Avazera: In Venus e The Bombers. Os dois grupos, que estão com álbuns fresquinhos, com certeza farão um grande show e eu gostaria de convidar você meu caro leitor para comparecer hoje, dia 12 de julho, às 19h no Bar da Avareza, que fica na Rua Augusta, 591. Já pode ir se aquecendo escutando os dois álbuns na integra aqui embaixo:

In Venus“Ruína”

The Bombers“Embacing The Sun”

RockALT #18 – BBGG, Far From Alaska, gorduratrans e Sheer Mag

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RockALT, por Jaison Sampedro

Caros leitores do Crush em Hi-Fi, me perdoem mas essa semana me atolei de trabalho e tive pouco tempo para me dedicar a está querida coluna semanal. Porém, não é porque eu tive pouco tempo que eu deixei de pesquisar algumas coisas ali e acolá. Sábado passado foi Dia da Música e teve tanta atração legal que não deu nem pra contar nos dedos. Teve Ludovic, BRVNKS, Miêta, Macaco Bong, Sky Down e muitos outros. Nosso querido apresentador do RockALT, o queridíssimo Helder Sampedro quase perdeu a voz e mal consegui gravar o programa dessa semana. Mas vamos ao que interessa! Essa semana eu quero recomendar 4 bandas para vocês começando com:

BBGG
O grupo formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria), lançou um clipe novo na semana passada chamado “Caixa de Comentários” que foi dirigido pela própria banda. Por favor, não banque o cuzão e assista, preste atenção na letra você vai me entender.

Far From Alaska
O pessoal do Rio Grande do Norte está com a corda toda! Tocaram na edição francesa do Download Festival, gravaram o seu novo disco nos Estados Unidos e na semana passada mostraram um pouco do que está por vir com a musica “Cobra” do álbum “Unlikely” que será lançado provavelmente nos próximos meses.

gorduratrans
A cena autoral está passando por uma efervescência incrível. A prova disso é que a banda carioca de noise rock/shoegaze formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz) também lançou material semana passada. Ao escutar o álbum “paroxismos” eu fico pensando: como é que eu vou conseguir acompanhar tanta banda foda lançando disco quase que toda semana?

Sheer Mag
Acho que não é a primeira vez que eu falo dessa banda, mas não vá pensar que eu estou repetindo banda porque eu estou sem tempo. Não meu amigo, a razão de voltar a falar da querida banda punk da Filadélfia é que eles vão lançar o seu primeiro álbum no dia 14 de julho! E já tem duas musicas disponíveis pra ouvir no bandcamp do grupo, que são “Need to Feel Your Love” e “Just Can’t Get Enough”. Gosto demais dessa banda e mal vejo a hora de escutar esse disco na integra.

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RockALT #16 – Stolen Byrds, Flecha Discos e The Amazon

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RockALT, por Jaison Sampedro

Nas ultimas semanas viajei para fora do Brasil aproveitando umas férias que tirei na marra com o propósito buscar inspiração, referencias e equipamentos novos para melhorar a qualidade de gravação do RockALT. O destino escolhido foi a cidade de Nova York, cidade que foi berço para diversas bandas das quais eu gosto como Ramones, Dead Boys, Blondie, Beastie Boys, Sonic Youth, Strokes… a lista é gigantesca.

A cidade, assim como São Paulo, tem uma cena extremamente efervescente e inúmeros jovens saem de suas cidades em busca de uma carreira musical de sucesso. O sonho é lindo, mas poucos conseguem realiza-lo, e o que vi durante os 11 dias que passei na cidade é bem parecido com o que acontece no Brasil. Uma coisa que me impressionou é que quase todo bar tem um espacinho para os artistas fazerem shows, algumas casas tem até dois palcos para tocar gêneros diferentes. Em uma área do bairro de Lower East Side tem um bar do lado do outro, e aí vai de acordo com o freguês que tipo de som ele quer escutar.

Pena que o tempo passou muito rápido e mal tive tempo de ir nos bares que planejei e nos últimos dias de viagem descobri que Charles Bradley iria tocar em uma casa de shows no Brooklyn, apesar do esforço não consegui os ingressos e fiquei chupando o dedo, fui embora pra casa com os equipamentos na mala e a cabeça cheia de ideias, que espero por em prática o quanto antes.

Mas essa coluna não é só pra falar sobre essa breve experiência de férias, tenho a obrigação de falar sobre algumas coisas que escutei recentemente e quero recomendar para você, caro leitor.

Stolen Byrds
O grupo de Maringá/PR acabou de lança um álbum maravilhoso! A primeira vez que escutei estava no trabalho e assim que a primeira musica chamada “Jetplane” começou a tocar vi as cabeças dos meu companheiros de trabalho virando para a tela do meu computador e me perguntando o que eu estava escutando. Sem duvidas esse é um dos melhores álbuns que escutei esse ano!

Flecha Discos, Vol. 1
Não existe forma melhor de conhecer novos trabalhos e bandas como em coletâneas! Foi assim com “Grito Suburbano”, “SUB” e outras coletâneas que marcaram a cena musical. Foi assim que conheci a banda carioca menores atos, que faz parte da coletânea “Flecha Discos, Vol.1” junto com outras bandas como Zander, Chuva Negra e Bullet Bane. A Flecha Discos assim como diz o site é “uma gravadora independente e um coletivo de bandas que mira seu alvo em produção e distribuição de música, organização de shows e turnês, além de estimular a atividade cultural em suas diversas formas”. Espero que mais coletivos como esses floresçam e que venham mais coletâneas pra fazer história.

The Amazons
Outra banda que lançou álbum recentemente foram os britânicos do The Amazons. O disco homônimo foi lançado no dia 26 de maio e a imprensa do Reino Unido até agora tem reagido bem ao disco de estreia. O site da famosa revista NME e o jornal The Independent e até a BBC Radio 1 colocaram o grupo nas lista do que se deve escutar em 2017. E agora eu tenho a obrigação de lhe pedir o mesmo!

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RockALT #14 – Unbelievable Things, The Ed Sons, Garotas Suecas e Starcrawler

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RockALT, por Jaison Sampedro

Na coluna de hoje eu quero fazer uma prévia para o RockALT que vai ao ar nesta quinta-feira na rádio Planet Music Brasil. Quero apresentar quatro bandas que chamaram a minha atenção essa semana.

Unbelievable Things
Quero começar com este power trio de Maringá formado por Tim Fleming (guitarra e vocais), Jun Hirota (bateria) e Fernando Parreira (baixo) que está com trabalho recente, o EP “Wasted Time”. Este lançamento da Nap Nap Records conta com apenas três músicas com direito a videoclipe da faixa “Cansadão”. Confesso que esta é a minha faixa favorita do EP e me identifico com a letra, principalmente no trecho “A cada dia mais perdido / A cada dia mais fudido”.

The Ed Sons
Os filhos de Ed estão na estrada desde 2010. E esta é mais uma banda com um EP de três músicas lançado recentemente. O quinteto formado por Victor Palmero (Vocal), Igor Paulini (Guitarra), Renato “Tumolto” (Guitarra), Fernando Anastácio (Baixo) e Diego Rinaldi (Bateria) já havia lançado um EP em 2013, o “Last Cigarette”. O que me chamou atenção do grupo de Araraquara foi a mistura inusitada do Indie Rock com Stoner Rock e isso fica claro escutando a primeira música do disco “Find Me”.

Garotas Suecas
Neste momento você deve estar se perguntando. Jaison, você não conhece “Garotas Suecas”? A resposta é: Sim, conheço. Mas a razão da atenção dada a banda paulistana é o lançamento do divertido clipe “Me Erra”. O vídeo tem um aspecto sessentista e relata um relacionamento abusivo de um namorado/marido “mala” e um produto milagroso, o removedor multi-abuso “Me Erra”. A música faz parte do EP “Mal Educado” lançado em 2015 pela gravadora Tratore. Confira o clipe aí na telinha.

Starcrawler
Até um tempo atrás eu achava que a banda californiana Starcrawler já tinha acabado antes mesmo de começar. Topei com a banda em uma pesquisa para o RockALT, me deparei com a música “Ants” e fiquei impressionado. Senti uma combinação de The Cramps com Joan Jett, graças a forte presença de palco da vocalista Autumn de Wilde. Confesso que fiquei empolgado e quis saber mais da banda, mas não achei nada. A página do Soundcloud estava vazia, o Spotify indisponível e Facebook desatualizado me levaram a crer que a banda tinha morrido. Mas tudo isso mudou no começo de maio quando o grupo lançou seu trabalho oficialmente no Spotify com o single “Ants” acompanhado de outra música “Used To Know”. Fiquei feliz com a notícia, e tenho certeza que você também vai ficar logo após ouvir esses jovens talentosos.

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RockALT #12 – Johnny Cash, The Jesus and Mary Chain, Charles Bradley e Porno Massacre

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RockALT, por Jaison Sampedro

Hoje eu gostaria de falar sobre covers. Algumas bandas, quando estão no começo de carreira tem uma certa resistência para tocar covers de bandas mais famosas. Mas o que acontece quando você já é um artista com uma carreira longa ou então já tem um nome forte? As vezes o resultado pode ser um “meh” ou então quando a musica certa cair na mão do artista certo, pode-se conseguir um novo significado para a obra eleita.

Johnny Cash“Rusty Cage”
Senhoras e senhores, Johnny Cash teve uma carreira cheia de altos e baixos. Sem sombra de duvidas o seu auge foi durante a época da Sun Records entre os anos 50 e 60, onde ele compôs obras como “Cry, Cry, Cry”, “I Walk The Line” e “Guess Things Happen That Way”. Mas depois de alguns sucessos Cash viu sua carreira despencar entre meados dos anos 70 e 80. A redenção do “Homem de Preto” veio com o “American Recordings” em 1994 produzido pelo selo Def American do guru musical Rick Rubin. Foram seis discos lançados, sendo os dois últimos álbuns póstumos. Eu poderia colocar nessa lista vários títulos de covers como “Hurt”, que aliás, na minha opinião, não existe mais a versão do Nine Inche Nails. Johnny Cash tomou essa musica pra si e a ressignificou. Escutar a “versão” de Trent Reznor hoje parece ser um cover malfeito de sua própria composição. Entretanto, mesmo amando Hurt de Johnny Cash eu escolhi outro cover sensacional: “Rusty Cage” do Soundgarden. Este cover não é tão significativo como “Hurt”, mas mostra o talento indescritível de Cash dominando vários estilos musicais.

The Jesus and Mary Chain“My Girl”
Não sei exatamente quando os irmão Reid resolveram fazer um cover do clássico “My Girl” do Temptations. Tudo indica que foi em uma gravação para a Radio BBC no programa do DJ John Peel, que depois foi compilado e lançado em fevereiro do ano 2000. Diferente da versão composta por Smokey Robinson e Ronald White, que ao escutar realmente nos faz sentir um raio de sol no céu nublado, a versão de Jim e William Reid é mais melancólica assim como a maioria de suas composições. Assim como Johnny Cash, os irmãos Reid pegaram uma musica e trouxeram quase que outro significado. “My Girl” nos passa a sensação do amor recém adquirido, ou da sensação de um primeiro beijo. Na versão do Jesus And Mary Chain o amor é o mesmo, mas talvez um tanto platônico, distante e melancólico, mas ainda assim é um amor admirável.

Charles Bradley“Changes”
De Black Velvet para The Screaming Eagle of Soul, ou simplesmente Charles Bradley. Desde muito cedo o sr. Bradley teve que enfrentar a pobreza e o abandono. Aos 14 fugiu de casa, por dois anos morou na rua, graças a um programa educacional do governo americano conseguiu trabalho como cozinheiro e por incrível que pareça foi ai que começou a sua trajetória musical. Desde de muito cedo Bradley era fã de James Brown, e por 20 anos Charles realizou shows cantando musicas do pai do Soul e ao mesmo tempo fazia bicos e realizava os mais diversos tipos de trabalho. O sucesso veio, tardio mas veio. Em 2011, aos 63 anos Charles Bradley lançava o álbum “No Time For Dreaming”. O disco trazia composições próprias e covers como “Heart of Gold” de Neil Young e “Stay Away” do Nirvana. Para a coluna de hoje eu resolvi escolher “Changes”, do álbum de 2016. Sim, “Changes” do Black Sabbath em uma belíssima e talentosíssima versão Soul.

Porno Massacre“Isso Para Mim é Perfume”
A banda paulistana recebeu o convite do nosso querido amigo, parceiro e proprietário do blog Crush em Hi-Fi João Pedro e também do nosso igualmente amigo e parceiro Rafael López Chioccarello do blog Hits Perdidos para a gravação da musica “Isso Para Mim é Perfume” para compor a coletânea em homenagem aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”. A escolha dessa musica foi certeira: se eu não conhecesse a musica, poderia dizer que sem sombra de duvidas essa musica é do Porno Massacre. A escatologia e a anarquia da música combinam perfeitamente com o estilo transgressor e performático do grupo paulistano. Está aí mais um belo exemplo de um artista que toma a musica para a si e a entrega com outro significado como se fosse sua.

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RockALT #10 – Porcas Borboletas, Ween, O Terno e Pissed Jeans

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RockALT, por Jaison Sampedro

Eu admiro bandas que conseguem injetar humor em suas composições. É reconfortante ver bandas que não se levam a sério o tempo todo, ainda mais nesta época de redes sociais que a imagem é tudo. No rock o que mais se vê são bandas cheias de pose ou então de vocalistas que ficam bancando os sedutores e etc… Meu querido Alex Turner, quem o senhor pensa que é? Wando? Olha, falta muito raio, estrela e luar para o senhor chegar ao nível do nosso saudoso Wanderley Alves dos Reis. O humor é uma ferramenta poderosíssima para a crítica e a reflexão. Entretanto o humor pode ser descompromissado, isso não significa que ele precisa ser bobo, e sim espontâneo e original. Nesta coluna vou citar algumas bandas que fazem isso com maestria.

Porcas Borboletas
A primeira vez que escutei o sexteto de Uberlândia foi com a música “Tudo Que Tentei Falhou”. Com um título como este, é praticamente impossível não gostar da banda. O humor desta faixa é certeiro e confesso que vários itens citados na letra da música fazem parte da minha lista pessoal de fracassos. Mas o álbum “Porcas Borboletas” lançado em 2013 não se trata apenas de músicas engraçadas, a sexta faixa, “Only Life”, é um poema de Paulo Leminski musicado. E é neste momento que percebemos a complexidade do álbum que começa leve e aos poucos vai ficando mais denso e interessante, tanto nas letras como em sua musicalidade.

Ween
A criação dessa banda já começa com uma brincadeira: os falsos irmãos Gene and Dean Ween (alter ego de Aaron Freeman e Mickey Melchiondo) fundaram o Ween em 1984, mas só foram lançar o seu primeiro álbum em 1990 com “GodWeenSatan: The Oneness”. O meu primeiro contato com o banda foi com seu trabalho mais “acessível”, o sexto álbum chamado “The Mollusk”. Este disco é um pastiche musical dos anos 90, e a banda não perdoa nem a si mesma: em “Polka Dot Tail” fica claro que a música é uma referência satírica ao segundo álbum da dupla, o “The Pod”. Pra finalizar, o exemplo mais claro do escracho dos Ween é o título da décima primeira faixa do “The Mollusk”, a maravilhosa “Waving My Dick in the Wind”. Vale a pena conferir este belo trabalho! Lisérgico, cômico, pirado, despretensioso e inteligente. Ween, senhoras e senhores.

O Terno
Lá na introdução da coluna eu disse que tem um monte de banda que é cheia de pose. Esse não é o caso dos paulistanos d’O Terno. A não ser que você considere bom humor como um dos passos de bancar pose. O álbum “66”, primeiro do grupo de SP, tem ao mesmo tempo uma certa musicalidade sessentista e contemporânea, e o mesmo pode-se dizer da faixa título. A minha faixa favorita é “Zé, Assassino Compulsivo”. Esta música conta a história de um psicopata desde sua infância até o momento que se apaixona por outra psicopata. Juntos eles cometem vários assassinatos ao som do descontraído refrão “laralarala tchop tchop tchop tchop / como gostamos de matar / nada nos deixa mais contentes / e felizes a saltitar”. Brilhante!

Pissed Jeans
Tenho alguns amigos que iriam se sentir contemplados com a tradução direta do nome dessa banda, principalmente aqueles que bebem até cair. Nem sempre o humor é engraçadinho e divertido. Dito isto, não se deixe enganar pela brutalidade sonora do Pissed Jeans. Em seu mais recente álbum, “Why Love Now” lançado em fevereiro deste ano, o grupo americano de Allentown na Pennsylvania, faz uma crítica pesada à personificação do macho alpha e ridiculariza seus comportamentos machistas. A cereja do bolo está na sexta faixa do disco, em “I’m a Man” o grupo resolveu colocar a escritora Lindsay Hunter para fazer um monólogo musicado ridicularizando pérolas machistas comumente faladas no ambiente de trabalho. Embora o grupo tenha uma sonoridade punk dos anos 80, sua formação aconteceu no ano de 2005 e todos os seus cinco álbuns foram lançados pelo lendário selo da Sub Pop. Pissed Jeans é a representação perfeita de um humor ácido e bruto. E bota bruto nisso.

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RockALT #8 – Radkey, Sheer Mag, Dag Nasty e Senseless Things

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RockALT, por Jaison Sampedro

Esta quinta-feira o RockALT vai lançar o seu centésimo programa! Mas antes de falar das bandas que conheci durante as pesquisas para os 100 episódios produzidos, preciso confessar que sou um indivíduo que teve uma introdução tardia ao rock alternativo. Quando tinha lá os meus 15 pra 16 anos eu escutava pouca música, e quando escutava era heavy metal. Isso mudou depois que eu comecei a frequentar a Rua Augusta, por volta dos 25 anos, mais outro quesito que iniciei de maneira tardia. Acho que foi por isso que eu resolvi fazer esse programa, essa foi a maneira que eu encontrei pra tentar compensar o tempo perdido. Confesso que escutei muita coisa nesses dois anos de programa, e por isso quero aproveitar essa coluna para falar de bandas que me marcaram e não saem do meu celular e playlists por aí.

Radkey
Vamos começar com Radkey, que é uma banda de punk formada por três irmãos, Isaiah Radke (baixo), Solomon Radke (bateria) e Dee Radke (vocalista e guitarrista), que formaram o seu trio com o título da família em 2010 e tocaram o seu primeiro show em 2011 quando abriram para o grupo californiano de ska Fishbone. Depois de lançar um par de EPs bem recebidos pelo público e pela crítica em 2013, o grupo travou uma batalha vigorosa para permanecer em turnê, já que os irmãos ainda estão em idade escolar e estudam no ônibus ou em quartos de hotel entre um show e outro. Turnê concluída e o trio de St. Joseph, Missouri, dirigiu-se ao estúdio e começou a trabalhar em seu novo álbum com o produtor Ross Orton (Arctic Monkeys, The Fall, Jarvis Cocker). O resultado foi o “Delicious Rock Noise”, que foi originalmente lançado em 2015 como “Dark Black Makeup”, é uma explosão da velha escola de Punk com uma dose tripla de juventude, que é entregue com agressividade e estilo.

Sheer Mag
Sheer Mag é uma banda de rock da Filadélfia formada em 2014, com Tina Halladay nos vocais, Kyle Seely e Matt Palmer nas guitarras, Hart Seely no baixo e Ian Dykstra na bateria. O grupo apresenta uma combinação de punk com rock dos anos 70. Confesso que a primeira vez que eu escutei me apaixonei imediatamente. Ao longo dos últimos três anos, o Sheer Mag lançou 3 EPs, e no começo de 2017 a banda anunciou o lançamento de uma compilação com todos os seus trabalhos. Também é interessante falar do método usado para a gravação dos EPs, todos foram gravados usando a mesma máquina de fita vintage, a banda leva muito a sério a parada do faça você mesmo! O Sheer Mag vai entrar em turnê pela Europa e Reino Unido este ano com a promessa de um disco de músicas inéditas para os meados de 2017, e eu espero que isso aconteça. Faça um favor a você mesmo e escute essa banda.

Dag Nasty
Vou repetir o mantra dessa coluna, “meu conhecimento musical é tardio”. Demorei pra cacete pra escutar Dag Nasty. A banda do cenário hardcore de Washington, D.C. fez parte do panteão da Dischord Records e foi formada por Brian Baker, ex-guitarrista do Minor Threat, o baterista Colin Sears e o baixista Roger Marbury, com Shawn Brown nos vocais. Conheci a banda em uma pesquisa para um especial punk do RockALT, graças a uma coletânea de 20 anos da Dischord. A primeira música que escutei foi “Circles” do álbum clássico “Can I Say” de 1986, e quando cheguei na faixa “Under You Influence” eu me odiei amargamente por não ter escutado esses caras quando tinha uns 15 anos de idade. O único consolo que eu tenho é que graças ao “meu conhecimento musical tardio” é que pude criar o RockALT, com certeza eu me odiaria ainda mais se nunca tivesse escutado Dag Nasty.

Senseless Things
Às vezes na vida uma coisa leva a outra. Você escuta uma banda, curte uma música, descobre que essa música é cover e por fim você corre atrás da versão original. Foi exatamente assim com os londrinos do Senseless Things. A primeira vez que escutei uma obra desses caras foi através de um álbum, o “Here, I Made This For You Vol.1” do Beach Slang (aliás, banda também recomendadíssima) em outra produção para o RockALT. Travei uma batalha monstruosa para baixar o álbum (me desculpe, Spotify, mas eu ainda gosto de baixar as músicas para escutá-las no conforto da minha casa ou na minha sofrida locomoção pelo transporte público de São Paulo). Depois do trabalho hercúleo, consegui baixar o “Postcard C.V” de 1989 e o “Empire Of The Senseless” de 1993. Infelizmente no perfil do Spotify da banda consta apenas um álbum de compilações e isso é uma pena, o Senseless Things é uma banda de indie que merecia um pouco de atenção. Mancada, Spotify, mancada!

Espero que tenham gostado da coluna de hoje, só lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais:
https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT o nosso centésimo programa vai ao ar quinta-feira dia 06/04 às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 99 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

RockALT #6 – Mudhill, Moonlandingz, Diet Cig, The Real McKenzies e Cloud Nothings

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RockALT

RockALT, por Jaison Sampedro

Em julho deste ano eu faço 33 anos. Nasci no dia 10 de julho de 1984, isso significa que passei parte da minha adolescência nos anos 90. Assim como todo jovem daquela época eu passava parte do meu dia na frente da TV, e havia um canal que provocou uma forte influência na minha vida: a MTV. Quem não se lembra de Fabio Massari, Gastão Moreira, Luiz Thunderbird, entre tantos outros? Esses VJs faziam qualquer moleque morrer de inveja de tanta gente legal que esse povo da MTV conhecia e entrevistava. Fora isso tinha os clipes, algo que se você que está lendo essa coluna nasceu depois dos anos 2000 não vai entender a importância que um videoclipe de uma banda tinha. Nos anos 90 até o programa dominical da Globo, o Fantástico, dedicava um espaço de seu conteúdo para a divulgação de clipes de artistas como Madonna e Michael Jackson. Mas tudo isso mudou depois que uma ferramenta chamada Youtube apareceu na internet. No dia 30 de setembro de 2013 a MTV Brasil saiu do ar e o resto é história. Mas isso não significa que os videoclipes de banda perderam a força: hoje eles ainda são uma forma vital das bandas divulgarem o seu conteúdo e se comunicarem com o seu público. Por isso, a coluna do RockALT de hoje resolveu selecionar 5 videoclipes lançados recentemente de bandas nacionais e internacionais. Confira a nosso lista:

Mudhill – “Expectations”

A banda que tem uma extensa experiência no cenário underground, o vocalista e guitarrista Zeek Underwood fundou e liderou o Shed, participou do Ludovic, Single Parents e Fire Driven. O baixista Ali Zaher Jr já passou pelo Eletrofan e Reffer. E por último, o baterista Rodrigo Montorso foi membro do Smalls. O Mudhill tem gravado dois EPs, um Split e um álbum lançado em 2016, o “Expectations”, que aliás é o nome da musica do clipe lançado essa semana no Youtube, confira abaixo:

Moonlandingz“The Strange Of Anna”

É uma banda, é uma brincadeira, é um conceito? Há algo muito meta sobre o Moonlandingz, um grupo que começou a vida como uma construção ficcional. O grupo foi idealizado pelo Eccentronic Research Council, é liderado por dois integrantes da Fat White Family, e obcecado por um vídeo da atriz Maxine Peake – agora os Moonlandingz estão tocando como uma banda real e lançaram um clipe excelente com a participação de Rebecca Lucy Taylor do Slow Club. Se continuar nessa pegada a brincadeira pode ter vida longa.

Diet Cig“Tummy Ache”

Dupla pop-punk foi formada em Nova York no ano de 2015 pela guitarrista e vocalista Alex Luciano e o baterista Noah Bowman. Seu primeiro EP, “Over Easy”, foi lançado em fevereiro de 2015. O clipe “Tummy Ache” é o single escolhido para a divulgação do seu álbum de estréia “Swear I’m Good At This” que será lançado no dia 7 de abril.

The Real McKenzies“Seafarers”

Nem só de Dropkick Murphys vive a cena que mistura punk rock com música tradicional escocesa, aliás o grupo canadense The Real McKenzies está na estrada desde 1992 e o seu trabalho mais recente “Two Devils Will Talk” foi lançado no dia 3 de março marcando os 25 anos de existência da banda que se manteve ativa graças a Fat Wreck Chords selo de Fat Mike líder da banda NOFX. Confira abaixo o clipe da música “Seafarers”.

Cloud Nothings“Internal World”

Essa daqui é uma das bandas que eu mais gosto no cenário alternativo internacional. O grupo de Cleveland, Ohio começou sua carreira com um estilo mais lo-fi/noise rock com o seu primeiro álbum, o homônimo “Cloud Nothings” de 2011. Já o seu mais recente trabalho “Life Without Sound” lançado em janeiro de 2017, mostra que o grupo está no caminho de um indie rock mais contemplativo. Mesmo com essa mudança de estilo que a banda vem mostrando gradativamente a cada disco lançado eu digo sem dúvidas, o ano de 2017 começou muito bem!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 97 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

RockALT #4 – BBGG, Moxine, Letty and The Goos, Winteryard e X-Ray Spex

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RockALT, por Jaison Sampedro

Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e a coluna do RockALT gostaria de homenagear e demonstrar todo o nosso respeito por esta data tão importante. Poderíamos citar inúmeras mulheres que pavimentaram o cenário musical e conquistaram um espaço merecido no panteão do rock como Patti Smith, Debbie Harry, Kim Gordon, Kathleen Hanna, Joan Jett, entre outras. Vou fazer um pouco diferente: na coluna de hoje eu vou falar de uma grande mulher que merece ser lembrada e também gostaria de apresentar algumas bandas recentes compostas ou lideradas por mulheres que estão carregando a tocha que foi acesa por essas grandes lendas citadas acima. Então vamos lá!

BBGG
Eu gostaria de começar as minhas recomendações com uma banda já mencionada aqui no blog Crush em Hi-Fi, BBGG é uma mistura de riot grrrl com grunge e um estilo vocal que me lembrou um pouco as britânicas do Girlschool. O grupo formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria) já tem 4 singles lançados e um cover de “Comida” dos Titãs lançado para a coletânea “O Pulso Ainda Pulsa”. BBGG me conquistou logo de cara e espero que a banda lance um álbum logo porque esse singles me deixaram com um gosto de quero mais.

Moxine
Mesmo tendo feito carreira e tocado um bom tempo em uma banda de reggae, Mônica Agena, ex-guitarrista do Natiruts, se juntou com Fabiana Lugli e formou o Moxine. Mônica aprendeu a tocar guitarra com Iron Maiden e Black Sabbath, e em seus trabalhos mais recentes pode-se perceber a incorporação de estilos variados como MPB, dub e até Motown. No ano passado a banda lançou o single “Marlon” com a participação de Marietta e tem um som bem dançante, diferente do álbum “Hot December” de 2013, que é puxado um pouco mais pro rock e indie. Moxine é uma grande banda e o talento de Mônica Agena é indiscutível, se você não conhece a banda, fica aí a nossa dica ;).

Letty and The Goos
Banda que já teve passagens recentes pelo RockALT e também no Crush em Hi-Fi, Letty começou sua carreira musical sozinha lançando vários covers de Beatles, Lou Reed e até Fugazi em sua página do Soundcloud. Agora Letty conta com Lívia Tellini (bateria) e Arian Nogueira (guitarra) formando o trio Letty and The Goos. Essa semana eles lançaram o single “No One Else” no Spotify, o trabalho foi gravado pela Dinamite Records. Gostei do single, gostei da forma que a música trabalha o vocal delicado com uma guitarra e bateria cheia de atitude, é mais uma banda pra ficar na expectativa e aguardar mais singles e espero em breve um EP ou álbum.

Winteryard
Até agora falamos de bandas inspiradas na atitude punk e movimento Riot Grrrl, mas também queremos falar de bandas que expressam o lado mais delicado, sensível e sincero das mulheres. E uma dessas bandas é o trio Winteryard, formado por Priscila Castro (Guitarras/Vocal), Rafael Fumagali (Bateria) e Brunella Martina (Baixo). A primeira vez que escutei o EP “Endless Winter”, especialmente a música “Gray Skies”, foi um completo e total deleite, a voz suave e os acordes minimalistas me cativaram instantaneamente e me fez lembrar um pouco dos trabalhos de PJ Harvey e Sharon Van Etten. Assim que eu terminei de escutar o EP a primeira coisa que fiz foi mandar uma mensagem para o meu irmão dizendo “Mano, escuta esse som aqui. Que coisa mais linda”. Sugiro a você, querido leitor, fazer a mesma coisa: escute o EP e mande uma mensagem para um amigo dizendo como o som de Winteryard é lindo.

X-Ray Spex
Como eu disse no começo da coluna, hoje quero homenagear e lembrar de uma grande mulher que sem sombra de dúvidas foi um grande ícone feminino na música. Me refiro a Marianne Elliot-Said, mais conhecida como Poly Styrene. A líder do X-Ray Spex foi um dos primeiros ícones femininos do punk, cujo estilo pouco ortodoxo ainda infeccioso foi altamente influente. Poly Styrene formou sua banda depois de assistir a um show do Sex Pistols em Hastings Pier no seu aniversário de 18 anos. A banda se tornou conhecida por seus vocais crus e gritos de mobilização energética contra o consumismo e a destruição ambiental. Ao escutar “Oh Bondage Up Yours!” é possível até afirmar que ela foi Riot Grrrl muito antes da criação do movimento. O X-Ray Spex teve curta duração e Poly seguiu carreira solo com “Translucence” em 1980. Seu último trabalho foi “Generation Indigo” em março de 2011, com Poly falecendo um mês depois do lançamento devido a um câncer na coluna. Poly Styrene e o X-Ray Spex marcaram uma geração e sem dúvida o grito de liberdade contra o sexismo. A atitude e coragem de Poly marcaram presença em um estilo musical formado, em sua maioria, por homens e influenciou muitas mulheres a seguirem o mesmo caminho.

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RockALT #2 – Lo-Fi, Miami Tiger, Stvz, The Replacements e Wipers

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RockALT #2

RockALT, por Jaison Sampedro

Esta semana o RockALT faz dois anos. Por causa deste fato e a necessidade de escrever uma coluna para o blog do Crush em Hi Fi, passei horas conferindo a seleção de musicas que toquei nos programa anteriores pensando quais musicas eu poderia recomendar. Assim como na coluna da semana passada, selecionei algumas bandas do cenário alternativo nacional pra apresentar, mas também resolvi separar duas bandas antigas que talvez você conheça e saiba que elas influenciaram muito um certo individuo chamado Kurt Cobain.

Lo-Fi
Sem dúvida essa é uma das bandas mais pesadas que já tocamos no RockALT, punk-rock hardcore de primeira, feroz, sujo e rápido. O trio de São José dos Campos foi formado em 2008 por Rogério (baixo), Thiago (guitarra e voz) e Marcelo (bateria) já tem um trabalho extenso e recentemente lançaram o EP “With Doubts on the Ways of God” e tem uma duração menor do que quatro minutos. Feroz, sujo e rápido levado ao pé da letra.

Miami Tiger
Ano passado a banda de São Paulo, Miami Tiger lançou seu primeiro EP “Amblose”, nós já tocamos musica “Meu Lugar” no programa 92. Gostei bastante das cinco músicas, a voz suave da vocalista Carox demostra ao mesmo tempo atitude e firmeza nas letras cheias de empoderamento. O grupo ainda conta com Pha Bemol (guitarra), Henrique Almeida (guitarra), André Oliveira (baixo), Franco Milane (bateria) e ainda teve a participação de Rodrigo Lima do Dead Fish na ultima faixa “Ali”.

Stvz
Enquanto fazia uma pesquisa pelo bandcamp procurando por musicas novas, trombei com Stvz, um som instrumental com uma pegada meio grunge meio indie. Não dá pra dizer muito sobre o “pequenas tragédias” porque até o presente momento só há uma musica disponível para escutar, a faixa “mad lex sed lex” me impressionou bastante. Vamos ver se o resto do álbum será nesse mesmo caminho, até porque os álbuns anteriores tinham uma pegada mais eletrônica. “Pequenas Tragédias” foi lançado dia 21 de fevereiro.

The Replacements
Uma das bandas antigas que selecionei é The Replacements, com certeza você os conhece pelos hits “Bastards of Young” e “Unsatisfied”, mas eu lhes asseguro, a banda é muito mais do que isso. Além de todo o mito do grupo de Minnesota, a história de sucesso que poderia ter e não teve, as inúmeras bandas que influenciou, essa é uma daquelas bandas dos anos 80 e que não parece ser dessa época. Dos quatro álbuns produzidos pela banda, sem dúvida, o melhor é “Let It Be” de 1984, por isso a música que vou selecionar é a segunda faixa, “Favorite Thing”. E sim, essa é minha musica favorita do disco (perdão pelo trocadilho)!

Wipers
Se você curte o cenário musical de Seattle, então fique sabendo que esse movimento musical dos anos 90 deve muito ao Wipers, e sem dúvida eles são o link perdido entre The Sonics e Nirvana. O líder do grupo Greg Sage era mais velho do que a maioria dos punks quando formou a banda: em 1977 ele tinha 25 anos. Sage era fã de Jimi Hendrix e obviamente ele não possuía o virtuosismo do ídolo, mas carregava praticamente a mesma intensidade em seus shows e rejeitava a aura amadora do punk. Pode-se dizer que Wipers é punk e ao mesmo tempo não é, por ter sido formado em Portland e não em grandes centros musicais como Nova Iorque e Los Angeles. Greg Sage criou um som único e forjaram o seu próprio caminho. Recomendo muito os três primeiros álbuns, o primeiro “Is This Real” de 1980 é daqueles discos que você escuta de cabo a rabo e a minha faixa favorita é “Mistery”. Se você não conhece a banda pare agora mesmo pra escutar e se você já conhece, faça o mesmo.

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