Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

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Imagine-se no final dos anos 90/começo dos 2000, quando bandas de punk rock divertidas como Blink-182, Sum 41 e Forfun estavam tomando conta da cabeça da juventude roqueira com o chamado “pop punk”. É exatamente nesta época e clima que você se sente ao ouvir “Selfie Entitled”, primeiro trabalho do trio de Curitiba Crazy Bastards, formada por TT (Tiago Oliveira – Vocal/Guitarra), Ge (Geanine Inglat – Vocal/Baixo) e Kiko (Leandro Sousa – Bateria).
O clipe de “Nostalgia”, single do álbum, atesta que a diversão é o principal fator que os três levam em consideração para sua música. Quer coisa mais divertida e cheia de molecagem que gravar em um daqueles parques de diversões de shopping, com direito à pulo na piscina de bolinhas? “A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir”, conta TT.
  • Como a banda começou?

Ti: Minhas outras bandas estavam paradas por vários motivos externos à mim, aí como não consigo ficar sem fazer som acabei montando esse projeto com a ideia de fazer um som que é o meu natural, pop punk divertido. Aí fui atrás de pessoas que tinham a mesma pira aí chamei esses dois arrombados e deu tudo certo.

Quais as maiores influências da banda?

Ti: Cada um tem uma, mas acho que em comum temos Blink 182, Green Day, Sum 41, Neck Deep principalmente. Bandas pop punk zoeira em suma.

Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!

Ge: É o album mais fofinho ever, a capa é um desenho de uma foto nossa e cada música tem uma tirinha com uma interpretação gráfica da música, bem diver. São só 18 minutos de pop punk maloqueiro, super rápido de ouvir. Apostamos nas músicas curtinhas, fica tudo mais fácil (risos). Mais fácil de ouvir, de gravar, de fazer clipe…

Kiko: Tanto as musicas quanto os vídeos foram feitas sem pensar em consequências ou “o que as pessoas vão pensar”. Simples ou trabalhado, cada detalhe veio do coração. O que achamos que ficou legal ou que nos agradou, a gente gravou/fez e fim. Um CD de 18 minutos. As pessoas ironicamente se perguntam “porque?”. Simples: A gente optou pelo diferente… pelo simples.. o suficiente para transmitir uma mensagem da forma direta.

Ti: Inicialmente era pra ser um EP com 6 músicas, mas aí como ia ficar muito curto achamos melhor fazer um CD full de uma vez. Esse álbum a gente focou no “mal uso de celular” pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim.

Como é o processo de composição da banda?

Ge: Normalmente eu ou o Ti (na maioria das vezes o Ti) aparecemos com uma ideia meio pronta, gravamos umas demos na casa do Ti e depois tocamos juntos no ensaio para ver o feeling, se ficar boa levamos pra frente, se não, partimos pra próxima.

Kiko: O Tiago e a Ge são as máquinas de composição da banda. Sendo assim, me resta então entrar com as idéias mais idiotas ou sem sentido. Quanto a parte mais “séria” da composição das músicas, apenas complemento e ajudo na composição das melodias, o que é faácil com esses 2 arrombados visto que o gosto e a sintonia entre a gente é perfeita.

Ti: A músicas são sempre uma expressão de alguma coisa, um sentimento, uma ideia, enfim. Tento ser positivo nas letras, “reclamar” um pouco dos problemas da vida mas com uma atitude positiva e resiliente de “a vida é foda mesmo, mas bola pra frente”.

Como anda o público pop punk hoje em dia?

Kiko: Não só no pop-punk mas em todo estilo rock generalizado, infelizmente as pessoas estão mais preocupadas em ouvir covers ou bandas megamente conhecidas ao invés de abrir a cabeça e dar atenção pra quem compõe o autoral. O novo, o autoral, a novidade é sempre vista como “lixo de garagem, portanto não merece atenção”. De forma natural, o Crazy Bastards procura não se apegar a isso. Afinal, fazemos por amor, por nos divertirmos em trio! Nossos ensaios são recreativos e nos complementa em termos de alegria… as pessoas gostarem é um lucro!

Ti: Eu vejo que tem um publico sim, não a toa começou a rolar vários shows gringos de pop punk aqui ultimamente. Mas concordo que no geral o público dá mais atenção ao cover e tem pouca paciência pra coisa nova, espero estar errado!

Ge: Pop punk’s not dead! Apesar de ter sumido um pouco, a galera true que curte pop punk ta por aí, é só olhar nos lugares certos (risos).

O rock ainda é relevante como antes? Ele tem chances de voltar ao mainstream?

Ge: Relevante como antes não, mas eu acho que é só uma fase, logo volta… Tem bastante banda da hora vindo pro Brasil, bastante banda daqui voltando, fazendo show, album novo, se tudo der certo é só questão de tempo pro rock voltar.

Ti: Acho que rock dificilmente vai ser mainstream como é em outros países, questão de cultura mesmo. O pop punk em Curitiba nunca chegou a explodir, ele começou mas logo na sequencia já veio o emo exagerado que acabou dominando, aí a galera ficou meio órfã de pop punk, pouquíssimas bandas seguiram nessa linha. A gente vai seguir o trabalho, sem muita expectativa, pela diversão mesmo, se voltar a ser mainstream estaremos aqui já.

Como foi a produção do clipe de “Nostalgia”?

Ti: A coisa mais divertida do sul do universo (risos), brincar na piscina de bolinha gigante e fliperama não tem como não ser. A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir. Já fiz muitas coisas com banda e as vezes era chato e maçante, com a Crazy a gente tenta fazer bem feito mas não levando tão a sério também.

Kiko: Simples e pouco planejado. Nada de câmeras sofisticadas, roteiros ou “idéias para conquistar as pessoas”. Uma simples GoPro, rolé no shopping com amigos, cerveja e idéias espontâneas que nossos corações mandaram resumem as filmagens.

Ge: DIVER. Foi bem simples e true na real, pegamos a GoPro do Kiko e partimos pra um shopping aqui em Curitiba. Ficamos brincando junto com as crianças na piscina de bolinhas, jogando nos fliperamas, sendo julgados pelos “adultos” (risos). A banda toda é bem 5a série, então esse clipe saiu bem natural.

O pop punk deve amadurecer ou isso vai contra o que esse estilo representa?

Ti: Acho que as pessoas confundem o conceito de “não levar tão a sério” com ser irresponsável e infantil. O pop punk tem um “lado” que é mais maduro sim, mas a ideia geral é ser divertido mesmo, mas não necessariamente imaturo, apesar de as vezes ser um pouco hehe. É só um momento pra vc não se levar tão a sério, esquecer um pouco dos problemas da vida e “have some fun”.

Kiko: Acho o tema meio confuso.. Cada banda deve falar ou fazer o que quer.. cabe às pessoas gostarem ou não. O Crazy Bastards fala besteira, fala coisa séria e etc.. Mas fala pq quer e não pra se adaptar a um estilo.. Gostamos do estilo do som, as letras são nossa forma de expressar o que realmente pensamos e foda-se.

Ge: Não vejo problemas em amadurecer desde que seja uma coisa natural da banda, as pessoas mudam e tudo bem. Sem graça é quando a galera se leva muito a sério e fica uma parada claramente forçada. Eu sempre achei pop punk divertido pra caralho. Já tem merda o suficiente rolando no mundo, então ensaiar com a banda, tocar músicas divertidas e falar besteira por umas três horinhas é uma das minhas coisas favoritas. Mas essa é minha visão do pop punk, tem galera aí querendo ser madura e séria, deixa eles (risos). Se a música for boa vou ouvir de qualquer forma.

Quais os próximos passos da banda?

Kiko: A vida e a estrada me ensinaram a não criar expectativas… Mas também ensinaram a não cometer erros. É a primeira banda onde me sinto em casa. Onde decidimos fazer ou não um clipe, gravar ou não.. etc. Se todos estão afim, a gente vai la e faz. Pronto! Por hora, a idéia é seguir como sempre fazemos: Criar musicas, ensaiar bêbado, falar muita merda e etc.

Ti e Ge: Em resumo é isso, fazer show, divulgar o CD, comer pizza, fazer clipe, tomar bera, músicas novas pro próximo album.

Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Ge: Crowning Animals, post hardcore de Curitiba, da pesada essa. Phone Trio voltou ano passado, pop punk diver também. Never Too Late abriu pro Four Year aqui em Curitiba e foi tesão. Várias bandas legais aparecendo mais ultimamente.

Kiko: Tenho ouvido bastante Between You and Me e We were Sharks.

Ti: De mais recente tem os amigos do Out in Style, HC melódico de primeiríssima.

Mattiel investe no visual com seu rock and roll cru e prepara segundo álbum pela Burger Records

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Em setembro de 2017 a Burger Records lançou “Mattiel”, o primeiro disco da banda de Atlanta capitaneada por Mattiel Brown. Além de cantora e compositora, Mattiel também é designer, algo que pode ser notado na parte visual de sua arte, com capas, fotos de divulgação e clipes que chamam a atenção e trazem muito do trabalho diário dela. “Design sempre foi uma parte de tudo”, ela contou em entrevista ao site Immersive Atlanta. “Se eu não tiver controle do visual de um projeto com a minha cara, me sinto muito insegura. Então eu realmente preciso ter a palavra de como tudo fica”.

Seu álbum de 12 faixas foi produzido por Randy Michael e Jonah Swilley e traz basicamente rock and roll básico e cru com influências da música sulista norte-americana, indo do gospel ao folk e blues, tudo com riffs grudentos e a voz potente de Mattiel. Em breve será lançado seu terceiro clipe, “Bye Bye”, novamente em parceria com o videomaker/fotógrafo Jason Travis, que também trabalhou em “Count Your Blessings” e “White Of Their Eyes”. “Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar”, conta Mattiel.

– Como você começou sua carreira na música?
Eu cresci ouvindo discos clássicos dos anos 60/70 da coleção de discos da minha mãe (Peter Paul and Mary, Bob Dylan, Rolling Stones, Joan Baez), mas não comecei a fazer minha própria música até encontrar as pessoas certas para trabalhar comigo. Seus nomes são Randy Michael e Jonah Swilley, e eles produziram o primeiro álbum, “Mattiel”. Eles também são músicos incríveis que viajam comigo na estrada.

– Como você definiria seu som?
Basicamente é rock’n’roll. Mas é melhor as pessoas ouvirem pra definir.

– Conte mais sobre o material que vocês já lançaram!
O disco auto-intitulado, “Mattiel”, traz material que escrevemos há cerca de 3 anos. Demorou bastante para um selo pegar e promover o álbum, mas estamos bem felizes com a recepção do público no ano passado. Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar.

– Eu adorei os clipes da banda. Como seu trabalho com design influencia esse tipo de trabalho?
Obrigada! Eu passei os últimos 5 anos trabalhando em um estúdio de design para uma empresa de tecnologia chamada MailChimp. Pude trabalhar com gente muito talentosa e inteligente que sempre está cuspindo ideias inteligentes, então o treinamento que tive naquela área foi de grande ajuda. Nesse trabalho, eu faço e construo peças, faço o design de propaganda impressa e faço ilustrações. O videomaker/fotógrafo Jason Travis e eu nos conhecemos quando estávamos os dois trabalhando lá (agora ele está em Los Angeles), e trabalhamos juntos nos clipes agora. Acabamos de gravar um novo clipe em LA para “Bye Bye”, estamos muito animados com ele.

– Quais as suas principais influências musicais?
Poeticamente, eu amo Donovan, Bob Dylan, The White Stripes, Lou Reed, Blind Willie McTell, entre muitos outros. No sentido puramente musical, eu amo música gospel sulista – The Staple Singers, Mahalia Jackson, e o bluegrass sulista – Earl Scruggs / Foggy Mountain Boys. Tendo crescido na Georgia, a música sulista americana definitivamente cavou o seu espaço bem fundo no meu coração.

– Como você vê o mundo da música hoje em dia?
É uma paisagem muito vasta e imprevisível de onde estamos hoje em dia. Acho que muito hip hop ótimo está saindo agora, o Kendrick Lamar em particular chamou minha atenção. Sua escrita é incrivelmente boa.

– O rock and roll pode voltar ao topo das paradas algum dia?
Não tenho certeza. Não passo muito tempo olhando as paradas de sucesso. Só tento escrever material interessante o melhor que posso.

– Você conhece algo de música brasileira? Gostaria de tocar no Brasil?
Não! Eu realmente não conheço, mas eu amo trabalhar e ia adorar passar um tempo na América do Sul. O Brasil, pelo que vi e li, parece ter uma cultura enormemente vibrante.

– Quais os seus próximos passos musicais?
Tour, fazer alguns bons contratos, tour, tour, tour.

– Recomende artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Weyes Blood, Juan Wauters, King Krule, Sunflower Bean, The Lemon Twigs, Starcrawler, Tall Juan. Tenho certeza que estou esquecendo algumas. Mas essas são ótimas.

The Knickers reforça todo o poder feminino no mundo do rock em novo clipe

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Formado em 2007, o quinteto de Fortaleza The Knickers se formou com uma proposta de empoderamento feminino e atitude em seu som, calcado no hard rock e heavy metal com influências de bandas como Girlschool e Runaways.
Em 2009 gravaram seu primeiro disco, “Motherfucker”, o que as levou a fazer diversos shows e participar em 2010 de um dos maiores festivais de rock de Fortaleza, o Forcaos. Em 2016, já como quinteto, a banda lançou o EP “Figth For The Life”, que busca traduzir todo o machismo e feminicídio contra os quais lutam todos os dias, em nome de todas as mulheres.

Formada por Alline Madelon (vocal), Paloma Oliveira (guitarra), Tina Paulo (guitarra), Alessandra Castro (baixo) e Crilainy Aposam (bateria), a banda participou da Seletiva Wacken Open Air (2011), do IV Rock Cordel em Juazeiro do Norte (2012) e fizeram a abertura dos shows da banda Crucified Barbara, da Suécia, em 2012, e da banda Steelwing (também da Suécia), em 2014.

– Como rolou esse novo clipe, “Rock and Roll”?
Tina: Lançamos o EP “Fight For The Life” ano passado, e o clipe é importante pra divulgar e essa música, que é uma bônus track. Falamos com o Maurício e conseguimos o teatro do Cuca Mondubim (equipamento cultural de Fortaleza). Contamos com ajuda dos técnicos e produtores do equipamento. Gravamos o clipe em 3 horas e 1 hora para arrumar equipamento e amamos!

– Vocês são uma banda puramente rock. Como vocês veem o estilo hoje em dia?
Tina: Como sempre foi visto, o que muda é que hoje as pessoas tem mais acesso, mais informações sobre bandas e as próprias bandas são mais independentes. Também acho que muitas bandas hoje em dia se preocupam muito com as mensagens que estão passando. Algumas, né?

– Me falem mais sobre o material que vocês já lançaram.
Tina: Temos dois EPs, O “Motherfucker”, lançado em 2010, quando tínhamos outra formação, e em 2017 foi lançado o Ep “Fight For The Life”, com uma pegada mais pesada e com 5 integrantes, formada somente por mulheres. As letras basicamente falam sobre machismos e rock n’roll.

– Como a banda começou?
Paloma: O inicio propriamente dito foi quando eu e a Aline (vocalista) nos encontramos e conversando, descobrimos que tínhamos a mesma ideia. Montar uma banda de heavy metal composta por meninas. Como desde o inicio, nosso foco era ter um projeto de musicas autorais, começamos a buscar outras garotas interessadas na proposta, como é normal em todas as bandas, até chegar nesta formação sólida atual, mudamos de integrantes pelos mais variados motivos.

– De onde surgiu o nome The Knickers?
Paloma: Sendo fã da banda americana Kiss, vi que em alguns shows haviam lingeries jogadas no palco. Então me veio a ideia de usar o nome The Knickers, que também faz uma alusão a uma banda formada por garotas.

– Como é a cena rock da região? Vocês comentaram que ela anda bem em alta…
Tina: Aqui tem muita banda autoral boa ,com trabalhos legais e bem produzidos, mas o investimento das casas e festivais acabam sendo ainda das bandas covers. Elas estão mais nos bares ganhando cachês. Muitas bandas autorais ainda fazem o fluxo de ir para o Sul, pois sabemos que o mercado é outro, então muitos deles são reconhecidos lá primeiro, mesmo estando muito tempo no mercado da música da nossa região.

– Quais as principais influências da banda?
Tina: Vixen, Crucified Barbara, Girlschool, The Runaways.

– Como vocês veem a globalização da cena independente, com o uso das redes sociais? Ela ajuda a tirar o nicho regional?
Tina: Sim, ajuda bastante. Fazer contatos e manter a comunicação ativa com que curte o som é importante, pois mantém a banda em atividade. Com as plataformas digitais, isso está cada vez mais forte (sobre tirar o nicho regional), e estamos passando por um processo de transição sobre a forma que estamos nos dando com tanta informação.

– Já estão trabalhando em novas músicas?
Tina: Sim, estamos trabalhando músicas inéditas que devem estar no nosso primeiro full-lenght, junto a outras musicas que estão no nosso último EP.

– Recomendem bandas e artista independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Tina: Damn Youth, Facada, Manger Cadaver.

Como se os Ramones tocassem sons dos Beatles: Muck and the Mires invade o Brasil

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O Muck and the Mires começou como uma banda fictícia de Evan Shore, que gravou “All Mucked Up” de brincadeira, registrando todos os instrumentos. Após o sucesso do trabalho, ele recrutou o resto da banda e transformou a brincadeira em coisa séria. Garage rock de qualidade, com um pouco de punk rock e o título (dado pelo manager das Runaways Kim Fowley) de “uma mistura de Beatles e Ramones“.

Formada por Muck (Evan) no vocal e guitarra, John Quincy Mire no baixo, Pedro Mire na guitarra e
Jessie Best na bateria, a banda já lançou All Mucked Up (
2001)Beginer’s Muck (2004), 1-2-3-4 (2006), Garage Mayhem (2007), I’m Down With That (2007), Hypnotic (2009), 2day You Love Me (2010), Doreen (2011), Cellarful of Muck (2011), Double White Line (2014), Dial M For Muck (2014) e Creature Double Feature (2016) e prepara um novo disco para 2018.

A banda está no Brasil nos próximos meses e se apresentará em 04 de maio no Villa Blues, em Botucatú, 05 de maio no Garagera, em São Paulo, e dia 06 de maio no Campus 6 Rock Bar, em Mogi das Cruzes, e promete apresentações bem divertidas e barulhentas. Conversei com Evan (ou Muck) sobre a carreira da banda e sua vinda ao Brasil:

– A banda começou com um álbum do Greatest Hits, com um pé na porta com uma série de hits em potencial. Como rolou esse começo?

O Muck and the Mires começou como um divertido projeto paralelo de estúdio. Em 2000, gravei algumas demos caseiras (tocando todos os instrumentos) tentando criar um álbum de sucessos perdidos de uma banda desconhecida dos anos 60 que eu chamei de “Muck and the Mires”. Quando terminei, dei a fita para alguns amigos e eles adoraram, disseram que eu deveria mandar para gravadoras. Eventualmente a AMP Records no Canadá e a Soundflat Records na Alemanha lançaram as demos como “All Mucked Up – The Best of Muck and the Mires”. De repente eu estava recebendo ofertas de turnê, mas não havia banda! Então recrutei Pedro e Jessie Best e um baixista, formando a real Muck and the Mires, e continuamos fortes desde então. John Quincy Mire entrou como baixista permanente em 2006. Pedro deixou o grupo, mas voltou há três anos. Sentimos falta um do outro!

– E como surgiu o nome Muck and the Mires?

Eu estava procurando por um nome que soasse como algo da década de 1960. Como deveria ser uma banda falsa, decidi fazer algo engraçado. “Muck and Mire” significa “sujeira e lama”. Agora que a banda existe realmente, estamos presos ao nome, mas todo mundo gosta dele. Todos pegaram os nomes dos membros da banda que estavam impressos na capa do disco “falso”. Demorou um pouco para me acostumar com as pessoas me chamando de “Muck”, mas eu gosto agora (risos).

– Ei, é um apelido bem legal. Então, vocês foram descritos como uma “mistura de Beatles e Ramones”. Como você se sente sobre isso e como isso acontece?

Bem, são meus dois grupos favoritos, então eu acho que isso aparecen em nossa música. (O manager das Runaways) Kim Fowley que veio com essa descrição. Ele produziu alguns dos nossos discos. Nós escrevemos músicas como os Beatles de 1964 e cantamos a harmonia em três partes, mas tocamos alto e rápido como os Ramones. Punk Rock Beatles!

– Bem, se você pensar, nos dias de Hamburgo, os Beatles eram de fato meio punk rock … De certa forma.

Sim. Acho que somos mais parecidos com os Beatles de 1962 do que com os Beatles de 1964!
Mas nós não usamos as calças de couro. Muito quente!

Muck and the Mires

– Sim, e no Brasil … você derreteria! Então, vocês estão no nosso país para fazer alguns shows. O que está achando do Brasil?

Estamos muito animados em vir ao Brasil. Já fizemos turnê por todo o mundo, Canadá, EUA, Europa, Japão, mas nunca fomos à América do Sul antes. Nós vimos os filmes dos Ramones na América do Sul e dissemos: “Isso é para nós!”

– O que podemos esperar dos shows que vocês farão aqui?

Bem, eles vão ser divertidos! Uma explosão de 18 músicas em 40 minutos. Garage Rock and Roll, Power Pop, um pouco de punk. Tem algo para todos! Adoramos tocar para novas pessoas e a América do Sul sempre foi um lugar que queríamos tocar.

– Além de Ramones e Beatles, quais são suas principais influências musicais?

Realmente qualquer grande compositor, desde Harold Arlen e Cole Porter. Mas para o nosso som, são definitivamente os grupos da Invasão Britânica, como The Dave Clark 5, The Early Three (Beatles), bandas como The Big Three e Gerry and The Pacemakers, bandas de garagem dos anos 60 como The Sonics e The Remains (de Boston) e punk Pop como os Buzzcocks e os Heartbreakers. Nós amamos os anos 60 batendo música, mas gostamos de misturá-lo com a energia e emoção do punk rock.

– Vocês ouvem músicas que tenha sido lançada ultimamente? Tipo de 2000 em diante?

Principalmente rock’n’roll, mas com certeza. O início dos anos 2000 assistiu a um grande renascimento em nosso estilo de rock garage, com bandas como The Hives e The Strokes e ótimas composições de artistas como Amy Winehouse. A internet facilitou a busca de músicas incríveis, mas muitas vezes você precisa mergulhar fundo para encontrar a melhor música. Vá à periferia de qualquer cidade em qualquer final de semana e, se tiver sorte, você encontrará uma grande banda tocando em um palco em um porão escuro em algum lugar. Bandas como Los Chicos, da Espanha, ou Ugly Beats, de Austin, The Real Kids, em Boston, The Ogres, em São Francisco. Você pode não encontrá-los no rádio (pelo menos nos EUA), mas eles estão todos lá esperando para serem descobertos.

– O que você acha do rock and roll hoje? É melhor continuar longe do mainstream?

Eu sinto falta dos dias em que o rock and roll governava as ondas do rádio e fazia parte da cultura mainstream, mas ao mesmo tempo, quando acontecia, havia muito rock ruim rolando, então você ainda tinha que cavar fundo para encontrar as coisas boas. Ainda assim, não importa em que época estamos falando, grandes canções sempre aparecem no mainstream de vez em quando e nos lembram que ainda há esperança!

Muck and the Mires

– Conte-me um pouco mais sobre o material que o Muck and the Mires lançou até agora

Sem contar “All Mucked Up”, a banda gravou 5 álbuns e vários singles de 45RPM. Vários estão fora de catálogo agora, mas graças ao iTunes, eles ainda estão por aí. Acabamos de fazer um novo álbum com o produtor Jim Diamond, que esperamos lançar ainda este ano ou no início do próximo ano. Nós tentamos tocar músicas de cada um dos nossos discos durante os nossos shows, mas há tantas músicas e tão pouco tempo!

– Me conte mais sobre esse novo álbum!

Top secret por enquanto! Mas estamos muito animados para lançar o novo álbum. O produtor Jim Diamond mora na França agora, então, em vez de voar para a França, trouxemos Jim para Boston, já que somos quatro e ele é apenas um. Nós estaremos tocando algumas das músicas na América do Sul. “#Loneliness” ou “Hashtag Loneliness” é uma faixa que apresenta Josh Kantor, o cara que toca órgão do Fenway Park (onde o Red Sox joga) no órgão Farfisa! Há alguns power-pop, alguns garage rock, algumas músicas cantadas e escritas pelo guitarrista Pedro. E claro, nenhum álbum estaria completo sem um bom e velho merseybeat. Eu acho que uma ou duas de nossas músicas realmente quebram a marca de três minutos, mas na maior parte das vezes nós tentamos ficar por volta de 2:07 por música. Tivemos uma daquelas nevascas de Boston no fim de semana em que gravamos, e o avião de Jim foi o último antes de fecharem o aeroporto! Então outra tempestade chegou e seu avião foi o último a sair quando chegou a hora de partir! Nós acabamos gravando 14 músicas em um dia e depois passamos o resto do fim de semana fazendo overdub. Era selvagem, divertido e exaustivo.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Hmmm … Bem, eu já mencionei The Ugly Beats. Os Tiger Bomb de Portland Maine (Ex Fabulous Disaster e The Brood) são bastante surpreendentes. Miriam and Nobodies Babies de NY, The Fleshtones, The Woggles, e praticamente todas as bandas da Dirty Water Records de Londres são ótimas. Ouçam!

Petit Mort comemora 10 anos de carreira em novo formato duo com crueza e peso extra no seu som

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A banda argentina radicada no Brasil Petit Mort está comemorando nada menos que 10 anos de carreira dedicada ao rock, sempre independente e vigoroso. Para celebrar, mudanças na formação da banda, que virou um duo (Juan Racio foi do baixo para a bateria), a aposentadoria do figurino clássico de peruca rosa e vestido da vocalista e guitarrista Michelle Mendez e um som ainda mais pesado e distorcido. “A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo, conta Michu. “O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições”. Conversei com ela sobre a nova formação da banda e as novas músicas que virão no novo trabalho da banda e já estão aparecendo nos shows:

– Como está essa nova fase do Petit Mort, como uma dupla?

Tá muito massa! A gente na real queria ir mais devagarzinho, ficar mais tempo no estúdio testando o duo e ensaiando antes de sair e tocar ao vivo… Mas apareceram muitos convites massa, então estamos nos conhecendo como duo ao vivo mesmo. A gente toca junto há 10 anos, então aquela conexão tá intacta, quem tem mais desafios é o Juan, que mudou do baixo pra bateria, mas ele tá tocando muito e se sentindo muito bem com o novo instrumento. A galera tá nos motivando muito ao vivo!

– E porque você aposentou a peruca rosa, que era uma marca meio “registrada” da banda?

Porque tava me derretendo de calor nos shows! (Risos) Cachoeira de suor! Mas também para acompanhar essa mudança na banda.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas? Vai sair disco ou EP novo?

Sim, compondo muito, muitas musicas novas. A maioria das músicas nos shows são novas. Muita vontade de lançar disco novo este ano, a vida bota muitas dificuldades no meio, mas vamos achar o jeito de fazer!

– O que pode me falar sobre as músicas novas? Conta mais!

Muita energia. Tentamos compor nos ensaios do mesmo jeito que faríamos a música na hora do show, sentindo o que ela vai precisando pra aumentar a energia de nossos corpos ao vivo. A prioridade é fazer músicas pra nos divertir, e pular, rebolar, descarregar as traves do som e toda a raiva e todos os sentimentos fortes que temos dentro por morar neste mundo injusto. A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo. O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições.

– E como o som mudou com essa mudança pro formato duo?

O som virou um só, tudo pra frente, pesado, baixo forte, guita forte, bateria forte, unificado. É muito envolvente.

– Pode falar do nome de algumas músicas novas? Tipo, o nome das músicas, do que elas falam?

As músicas novas que estamos fazendo ao vivo são “Right Now”, “Through the Hill”, “Last Stop”, “Surprise”, “The Sixth Time “, “Breaking Legs”, “Good Days”, “So Deep”, “Get On the Road” e “To My Neighbors”.
Falam de buscas, falta de ar, opressões injustas, a necessidade de fugir para algum lugar e salvar a todos, a resistência, a luta, o desamor, a vida, o mundo. Muitas imagens e paisagens, atmosferas.

– Como o Brasil influenciou o som e as letras da banda?

O Brasil vem mudando a minha vida desde a primeira turnê, lá em 2012. A gente é muito fã das bandas daqui, então com certeza são parte importante da nossa influência no som. Quem vive a cena autoral no dia a dia absorve muito. Admiramos muitas bandas e músicos. O Macaco Bong mudou o meu jeito de sentir a música, me abriu muitos novos universos. A cena stoner e instrumental daqui também. Mas, principalmente o Brasil me mudou como mulher. O machismo aqui é extremamente forte, e isso me fez repensar muitas coisas. O Brasil tem um monte de mulher foda fazendo música que admiro, me empoderam todo dia. Fizemos 135 shows aqui, em 12 estados, e isso tem influenciado em praticamente tudo nas nossas vidas. Ver os contrastes de realidades, ter vivenciado o golpe, o assassinato da Marielle, a luta dos índios em defesa da suas terras e sua identidade, o assassinato de milhões de espécies no Amazonas pela mineração/soja/gado, a tragédia ambiental de Mariana, a intervenção no Rio, etc… Tudo isso influencia na nossa ira, na nossa personalidade, na nossa profunda tristeza e raiva. A gente tá com muita dor do caminho em que o mundo tá indo e é tudo isso é refletido no som, nas letras e na energia do show.

The Mönic surge como uma fênix barulhenta das cinzas do BBGG no clipe de “High”

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O quarteto paulista The Mönic nasceu assim que o BBGG parou de respirar, uma verdadeira reencarnação imediata. Da ex-banda, Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (voz e baixo) e Ale Labelle (voz e guitarra) trazem sua garra, competência e aquela vontade de tocar seu som o mais alto possível. E agora, com a entrada de Daniely Simões (bateria), o volume está cada vez mais ensurdecedor.

A primeira amostra do que o The Mönic tem a oferecer vem no clipe de “High”, lançado pela Deckdisc, uma produção 100% feminina. “A ideia de ser um clipe nosso tocando surgiu da consciência de que esse é um ponto forte nosso, o ao vivo, a estética, então quisemos aproveitar isso pra divulgar a novidade que é The Mönic”, conta Ale. Agora, a banda está compondo loucamente e está mais entrosada do que nunca. “Em menos de 2 meses após a entrada da Dani na batera tínhamos um set de show 100% com composições nossas e novas. Aí veio a ideia de zerar o jogo e começar a partida de novo”, explica Dani. “Já temos nosso próximo single gravado. Ele se chama “Buda”, é em português e também será lançado pela Deckdisc. Estamos com um monte de músicas prontinhas pra gravar um álbum e esperamos que isso role em breve”, adianta.

– Me contem mais sobre esse renascimento como The Mönic. 

Dani Buarque: A entrada da Dani foi crucial pra acontecer o que já achávamos que ia acontecer: mudar de nome e começar tudo do zero. A gente não sentia mais como BBGG, virou outra vibe, outra coisa. A gente passou a se ver muito mais e consequentemente compor juntas. Isso deu uma força muito grande pra gente e uma vontade maior ainda de criar uma coisa totalmente nossa. Em menos de 2 meses após a entrada da Dani na batera tínhamos um set de show 100% com composições nossas e novas. Aí veio a ideia de zerar o jogo e começar a partida de novo.

– Vocês já estão trabalhando em um disco ou EP?

Dani B: Nós ainda não gravamos um disco. Temos 12 músicas prontinhas mas gravamos apenas 2 faixas. A “High”, que lançou agora, e muito em breve sai nosso segundo single, chamado “Buda”. Foi muito natural a composição de tudo. A gente nunca olhou uma pra cara da outra e disse: vamos fazer muitas músicas? Com a saída do Mairena a gente começou a compor, já que antes nossas composições não entravam na banda. Então tivemos mais liberdade. Acho que a vontade de ter as músicas na banda eram tão grandes pra todas que em 1 mês tínhamos 9 músicas redondinhas e mais 1 mês só estávamos com o set de show 100% com músicas só nossas. Eu posso dizer que foi totalmente do coração. Na demo que mandamos pro Rafael Ramos, tinha música de todas as integrantes da banda, e coincidentemente quando ele escolheu as músicas com maior potencial, era uma música de cada e uma que fizemos todas juntas.

Joan: A gente começou a criar juntas, fato que ainda não tinha ocorrido antes na BBGG e em pouco tempo já havíamos gravado uma demo com um monte de músicas novas. Mais pesadas e mais nossa cara. O álbum ainda não rolou, mas não deve demorar pra sair, já que temos muitas músicas.

– Como apareceu o novo nome da banda?

Joan: Dar nome a uma banda é realmente difícil, ainda mais quando as quatros tem que concordar (risos).

Dani B: Foi a coisa mais difícil do mundo. Ficamos 4 meses sem um único nome que agradece a todas.Era muito frustrante não ter um nome. Aos 45 do segundo tempo eu postei uma foto com a minha irmãzinha no meu aniverário. As duas estavam com chifrinhos de diabinho, coloquei na legenda “The Monias”. Dai joguei pra banda e no brainstorm se tornou “The Mönic” (que foi ideia na real do meu marido Lincoln). A gente achou o nome bom pelo trocadalho do carilho e por ser divers (risos). Eu particularmente queria um outro nome pra banda que gosto mais, na real eu e a Daniely ainda vamos montar outra banda só pra usar esse outro nome. Mas agora a banda acredita em democracia então ficou esse mesmo (risos).

Daniely: Eu e a Dani ainda temos muita fé nesse nome, porque é insuperável e as pessoas precisam saber disso (risos).

Ale: Eu queria que fosse “The Monicas” (risos).

– Como foi a composição das novas músicas?

Joan: Eu acho que pelo motivo de agora a gente estar compondo juntas, todas as nossas músicas ganharam mais força, não só as músicas, mas a banda mesmo ganhou mais energia. Estamos aprendendo muito com a criação, muito mesmo.

Dani B: Foi incrível e natural. Eu acordava com algo na cabeça, gravava no celular mandava no grupo e a gente ia trabalhando juntas do início ao fim. Foi algo que nunca tinha vivido. Uma mandava ideia pra outra e mesmo que algumas músicas fizemos separadas, tem o toque de todas em todas as músicas. Acho que ninguém na banda sabia que seria tão natural e fácil fazer algo que nunca tínhamos feito antes. A gente ficava no estúdio horas e mais horas arranjando cada pedacinho das músicas, uma ouvindo e respeitando a opinião da outra, uma ajudando a outra. Isso com certeza nos uniu ainda mais. Aprendi mais nesse período de 5 meses com a banda do que aprendi na minha vida inteira tocando.

Ale: Foi leve e divertido. Cada uma somou com alguma coisa. Pros encontros de composição, a gente passava várias horas em estúdio e mal percebia o tempo passar.

Daniely: A partir do momento que cada uma encaminhou suas ideias em áudio e em estúdio, colocamos em prática. Aconteceu de uma maneira tão fácil que parecia que eu e elas nos conhecíamos por anos. Foi ali que, acho que posso dizer pro todas, descobrimos que estávamos fazendo a coisa certa.

– O que vocês trazem do BBGG para o The Mönic?

Joan: Foi o começo de tudo, sou muito grata por ter feito parte da BBGG. Foi uma puta base pra gente do que é ter uma banda, da correria, da persistência… Pra chegar com os dois pés agora.

Dani B: Maturidade. Acho que todas nós sabemos da importância que a BBGG teve, não só na nossa formação musical e vivência de palco, como também pra definir se a gente quer isso mesmo. Todo mundo sabe o quão difícil é ter banda que só toca som autoral. Fora que graças a BBGG que conheci essas minas fodas que respeito e admiro infinitamente.

Ale: Muita experiência e prática. Todas nós mudamos e crescemos muito como artistas ao longos dos anos na BBGG.

– Como foi a entrada da Dani na bateria?

Joan: Chegou descendo a mão, quebrando tudo. <3

Dani B: Eu amo contar essa história. Fizemos uma audição com 5 bateristas e todas arregaçaram. Ficamos em dúvida entre a Dani e a Sarah. Era um páreo dificílimo. A primeira audição era elas tocando BBGG… No primeiro teste, lembro da Dani errando algo que a gente não percebeu, mas ela ficou tão nervosa que levantou da bateria e jogou a baqueta longe (risos). Enfim, no segundo teste, queríamos ver como elas eram na hora de compor, então gravamos 3 sons nossos, apenas voz e violão, e elas precisavam criar uma bateria do zero. No teste as duas arregaçaram de novo, mas acabamos escolhendo a Dani. Lembro que na minha primeira conversa com ela, perguntei que bateria ela tinha e ela disse “nenhuma”. Eu perguntei onde ela praticava e ela respondeu que na cabeça e nos travesseiros dela. Eu fiquei engasgada e disse “tá, mas essas bateras novas das musicas que você criou, você tocou onde?”. Ela respondeu que nunca havia tocado elas, a não ser na cabeça dela. E que no dia do primeiro teste dela, ela não sentava na bateria há 6 anos. Eu tenho um puta orgulho dela. É uma mina que não toca pra caralho porque ela quer ser a melhor baterista, ela toca pra caralho porque é automático, ela ama isso, e se dedica nisso 24 horas por dia, mesmo não tendo uma bateria, o tempo livre dela é sempre ouvindo musica e assistindo video de show e prestando atenção a cada detalhe. É uma honra ter ela com a gente. Eu chamo ela de Demogorgon, porque a cada ensaio a bicha cresce uns 20 metros.

Daniely: Eu quero aproveitar para agradecer a Sarah, porque se não fosse por ela eu não teria encontrado o estúdio no dia do primeiro teste. Eu já estava com o celular na mão pra gravar um vídeo pra mandar pras meninas dizendo que eu fui mas não tinha encontrado o lugar, sendo que eu estava de frente (risos). Assim ela saiu desse lugar que magicamente apareceu ali e eu consegui participar. Estava bem receosa porque não me sentia segura em nenhuma música que acabei tendo que improvisar mas deu certo, então tá bom.

– Quais são as principais influências da banda?

Dani B: Eu só percebo as influências depois que a música tá pronta. É bem inconsciente, mas acho que essas músicas novas tem elementos de bastante coisas diferentes por exemplo: Hole, Queens of The Stone Age, The Kills, Nirvana, Garbage.

Ale: Eu cresci tocando The Distillers, então acho que é meio inevitável passar um pouco dessa base pra músicas. E não podemos esquecer de L7 também, que é a banda que mais dizem que se compara o som.

– Como foi a produção do clipe para “High”?

Ale: 100% feminina. Surgiu de um contato da Mari, que conheci trabalhando na PlayTV, querendo produzir um clipe nosso junto com a parceira dela, Carol. Depois disso nos encontramos pra bater o martelo na ideia do clipe e praticamente uma semana depois já estávamos filmando. A equipe contou também com a Carol que brilhou na maquiagem. A ideia de ser um clipe nosso tocando surgiu da consciência de que esse é um ponto forte nosso, o ao vivo, a estética, então quisemos aproveitar isso pra divulgar a novidade que é The Mönic.

– Quais os próximos passos da banda?

Dani B: Já temos nosso próximo single gravado. Ele se chama “Buda” e é em português e também será lançado pela Deckdisc. Estamos com um monte de músicas prontinhas pra gravar um álbum e esperamos que isso role em breve. Em abril também temos nossa primeira tour e será no Sul <3

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos.

Joan: SixKicks, The Biggs, Water Rats, Overfuzz, Sky Down

Dani: Vixi, tem tantos… Nessa lista tem desde samba até rock: The Biggs, Ekena, SixKicks, Cat Vids, Autoral, Overfuzz, Water Rats, Der Baum, Batuque de Lara, Sky Down, Corona Kings, Obinrin Trio.

Daniely: SixKicks, Karen Dió, Der Baum, Muff Burn Grace.

Ale: Todos esses artistas maravilhosos que já citaram, mais Karen Dió, Odradek, Devilish, Marrakesh, Raça, Musa Híbrida, Young Lights, Carne Doce, Lava Divers, Brvnks, FingerFingerrr, Cinnamon Tapes, Trombone de Frutas, e a lista vai longe!

Lennon Fernandes tira seus diversos sons da gaveta em primeiro trabalho solo, “Abstrato Sensível”

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Lennon Fernandes já passou por bandas que fizeram barulho no cenário independente, como Tomada, Os Skywalkers, Andeor, Baleia Mutante e diversas outras. Em 2017, chegou a hora do músico e compositor navegar pela primeira vez em caminhos solo, tirando da gaveta tudo o que produziu desde o início de sua carreira musical. Desta escavação musical saiu “Abstrato Sensível”, álbum em que gravou todos os instrumentos.

“Eu fiz os arranjos, gravei os instrumentos e mixei tudo sozinho. E pensei bastante nessa questão de “unidade”. Tinha essa preocupação, de vibrar como um álbum de uma banda”, conta. “Fui até o técnico de gravação! Engraçado que eu estava no processo de me “aceitar” como artista solo que eu nem falei nada pra ninguém”.

Conversei com ele sobre sua carreira e a investida solo:

– Quando você começou sua carreira e como começou?

Em 2017 lancei meu primeiro trabalho solo, meio sem querer, gravando umas músicas que estavam “na gaveta”. Mas desde 97… 98 toco em bandas. Nesse meio tempo toquei nas bandas Tomada, Os Skywalkers, Andeor, Baleia Mutante entre outras.

– E como foi a transição das bandas pro trabalho solo?

Teve dois momentos. Primeiro vi que eu tinha muitas músicas paradas, que não cabiam nas bandas que eu participava. Segundo tive que me “aceitar” como artista solo. Quando entendi isso foi escolher algumas composições e começar a gravar.

– E como rolou esse mais recente disco? Ele tem muitos estilos diferentes condensados em uma só obra, e mesmo assim tem uma unidade…

Costumo falar que o “Abstrato Sensível” teve um processo de criação parecido com de um pintor em seu atelier, produzindo sozinho uma tela. Eu fiz os arranjos, gravei os instrumentos e mixei tudo sozinho. E pensei bastante nessa questão de “unidade”. Tinha essa preocupação, de vibrar como um álbum de uma banda.

– Mas então ele é realmente um álbum solo literalmente, né. Você fez tudo praticamente sozinho!

Isso. Fui até o técnico de gravação! Engraçado que eu estava no processo de me “aceitar” como artista solo que eu nem falei nada pra ninguém. Minha família, meus amigos, sabiam que eu passava horas no estúdio mas nem imaginavam que eu estava gravando um álbum. Quando ficou pronto foi uma surpresa pra todos.

– Me conta mais sobre o processo de composição desse disco.

Pra mim é como uma coletânea. Cada composição é de uma fase da minha vida. Por exemplo “Viajante do tempo” e “Sempre” são de 2006 e 2008. “Fios elétricos” é de 2015. Mas todas foram compostas num formato simples violão e voz.

– E as influências também são bem variadas, pelo que notei. De Hendrix a MPB…

Sim! Gosto muito do rock entre 67 e 72. Gosto muito de Clube da Esquina também. Eu, quando estava selecionando o repertório pro disco, pensei nessas influências que queria mostrar. Mas tem outras que gosto muito como Neil Young e Arrigo Barnabé que não consegui colocar dessa vez, quem sabe no próximo.

– Ou seja: já está pensando no próximo! Pode adiantar um pouco do que está pensando para ele?

Então, estou pensando mesmo (risos)… Dessa vez estou escolhendo poucas músicas que estão na gaveta. Meu objetivo é fazer um álbum com temas que estejam mais atuais na minha vida. Retratar mais o que eu acredito no momento.

– Como você definiria sua vida como artista independente hoje em dia?

O artista independente tem que aprender a fazer tudo. E se meter em todos lugares. Eu estou nesse aprendizado. Ano passado criei o selo Parafuseta Records, convidei outros amigos para participar, hoje somos oito artistas, por enquanto, e a ideia é crescer. Fazemos constantes apresentações na Avenida Paulista e algumas praças de São Paulo e do interior de São Paulo.

– Isso está acontecendo bastante, pelo que vejo: a criação de selos, os shows nas ruas…

Então, precisamos disso. O cenário de música autoral estava num declínio. Não por falta de compositores ou bandas. Acredito que mais por falta de espaços e oportunidades. A rua é ótima porque o público que quer ouvir um som novo encontra ali, fácil, acessível, não escondido dentro de um barzinho.

– E como tem sido a recepção do disco?

A galera tem gostado bastante do álbum, da arte, do encarte do cd físico e do show. Principalmente da “Fios Elétricos” por conta do videoclipe também. E esse é um feedback importante porque motiva na continuação do trabalho.

– Quais seus próximos passos?

Atualmente estou compondo as faixas do meu segundo álbum. O objetivo é começar pensar nos arranjos e gravar ainda no primeiro semestre de 2018. E incluir algumas dessas faixas novas nos shows. Paralelamente expandir meu trabalho de produtor no selo, trazendo mais artistas pra gravar.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é a pergunta mais difícil (risos) porque existem tantos nomes bons atualmente que não caberia aqui, mas vou sugerir o que tenho escutado mais e de alguma forma me inspiram:

2 de 1 (álbum “Transe”)
Bratislava (álbum “Fogo”)
Daniel Zé (álbum “Calma Karma”)
Ekena (álbum “Nó”)
Marina e os Dias (single “Can we go?”)
Marina Melo (álbum “Soft Apocalipse”)
Strawberry Licor (EP “Pupsy”)

Trio de Los Angeles Fragile Gang quer trazer seu shoegaze com toques de pop para o Brasil

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Formada por Aisling Cormack (guitarra e voz), Arlo Klahr (baixo e voz) e Jessica Perelman (bateria), a Fragile Gang é uma banda de Los Angeles que está na ativa desde 2003 e em cada trabalho mostra influências diferentes: dos momentos acústicos ao puro punk rock, o atual trio faz o que der na telha, desde que faça sentido para todos os membros. “Bandas são como gangues”, conta Arlo, “eles precisam uns dos outros para serem fortes”.

O mais recente trabalho do trio, “For Esme”, é um tributo a Esme Barrera, um ícone da cena musical underground de LA que trabalhava incansavelmente nos bastidores, seja em projetos como o Girls Rock Austin ou simplesmente sendo uma figura que levantava o moral dos músicos locais com seu bom humor e otimismo. O disco traz canções emocionais e doces e é um bom cartão de visitar. Agora, eles trabalham no novo disco, que será lançando em 2018. Conversei com um pouco com Arlo sobre a carreira da banda:

– Contem um pouco mais sobre seu novo álbum!

O novo disco! Estamos tocando com a Jessica (na bateria) por cerca de um ano e meio agora. Muito do novo álbum sai de uma formação sólida e ensaios todas semanas e fazer vários shows. Também tem a influência de eu tocar mais baixo (eu costumo tocar guitarra) e Aisling tocando mais a guitarra principal. Gravamos ele principalmente em novembro, no estúdio de um amigo, e estamos terminando pequenas partes agora. Tem também algumas surpresas, esperamos, com os novos instrumentos que estamos experimentando. Nós colocamos muita emoção nisso e estamos ansiosos para ver o que sai disso.

– Como surgiu o nome Fragile Gang?

“Fragile Gang” é o nome de uma música da banda escocesa The Pastels. Escute a música e eles. Nós os amamos, mas além da música em si, que é ótima e  gentil – e parte de um ótimo álbum – o nome significou algo para nós e ainda o faz.

– Quais são suas principais influências musicais?

Se eu tivesse que escolher apenas por quantidade de horas ouvidas, provavelmente os Beatles, Bob Dylan, Neil Young, Bob Marley, talvez Fela Kuti, graças aos meus pais, e coisas como Carter Family, música tradicional irlandesa, Leadbelly, Miles Davis. Ah, e Lungfish. Ouvimos eles por horas e horas por muitos anos e vimos muitos dos seus shows e eles são definitivamente uma grande influência para mim e Aisling. Falando em outras bandas, David Bowie, Velvet Underground, The Clash, The Smiths, Wire, Galaxie 500, Fugazi, Unwound, Blonde Redhead, Pastels, Replacements, Big Star, Bikini Kill/Le Tigre, Nation of Ulysses/Makeup, Otis Redding, My Bloody Valentine, Public Enemy, Metallica do começo, the Clean, soul music… Basicamente qualquer coisa e tudo, e está sempre crescendo, então sinto que essa longa lista está diluindo a força de qualquer coisa que eu tenha a dizer, então vou ficar quieto agora…

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?

Este é difícil: agora as pessoas dizem algo como “pop-gaze” de nossas performances ao vivo, ou algo no espírito de Yo La Tengo… E isso poderia ser bom o suficiente, mas eu realmente nunca sei o que somos. E isso também pode ser uma coisa boa: somos uma banda que sempre está olhando, espero que continuemos sempre crescendo, mudando e sendo inspirados! Tentando ouvir nossos sentimentos, bem como olhar para o exterior para nos surpreender e inspirar.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós lançamos o que eles podem chamar nos EUA de “uma bagunça total” de álbuns. Muitos, e talvez não sejam suficientemente bagunçados. Os favoritos de algumas pessoas são o nosso primeiro, “Valley of Static”, que é muito lo-fi, gravado em uma antiga fábrica de alimentos para cães e em um gravador de cassetes de 4 pistas em nosso banheiro, etc. Eles também gostam de um chamado, apropriadamente o suficiente, “Aisling & Arlo”. É tudo violão acústico e violão basicamente, e a gente cantando, tão simples e puro quanto pudemos. E então, nossos dois últimos, “For Esme” e “Twister in the Ocean”, que são mais uma banda de rock.

– O que você pensa da cena independente musical hoje em dia?

Nós amamos a cena musical independente. Pode ser tão emocionante, íntima, crua e próxima, e basicamente é o único tipo de cena que já conhecemos. Quero dizer, vamos a shows de todos os tamanhos e escutamos todos os tipos de bandas, mas os shows que fazemos e as pessoas de que estamos perto são quase todos parte das comunidades independentes e DIY.

– Você acha que o rock alcançará o mainstream novamente como antes?

É difícil saber onde o rock irá como um gênero. A música popular sempre está mudando e “hibridando”, então pode acontecer de alguma forma. Aposto que o Nirvana e essa época foram uma grande surpresa e você nunca sabe quais surpresas estão sendo preparadas nas comunidades subterrâneas neste momento.

– A era do streaming é boa ou ruim para o artista independente?

O streaming parece ser uma benção mista: nos permitiu encontrar muitas bandas e cenas e selos e até nos ajudou a fazer nossa turnê no Japão (e conhecer grandes bandas e amigos lá) e encontrar shows no Canadá para tocar. Todos podem encontrar todos. As pessoas podem ouvir nossa música no Brasil, por exemplo! Ou ao lado de nós. Isso é incrível. É uma merda que geralmente é na plataforma de outra pessoa (grandes conglomerados de tecnologia). Isso não parece tão independente. Também é verdade que os pequenos artistas ainda estão e sempre acham dificuldade se sustentar. Mas talvez haja um equilíbrio que o mundo da música vai encontrar em algum momento. Enquanto isso, ainda podemos vender nossas fitas, CDs, camisas e shows e fazê-lo dessa forma.

– Los Angeles sempre foi conhecida por ser um bom lugar musicalmente. Como está hoje em dia?

LA é um lugar emocionante para a música. Muitas bandas surgem aqui, então é bom. E pessoas de diferentes culturas e origens se inspiram. As culturas da indústria cinematográfica e da mídia às vezes permeiam as cenas menores e vice-versa. Pode ser surpreendente saber quem conhece quem e quem vai aos shows. Mas tudo isso sendo dito, alguns de nossos shows favoritos foram muito semelhantes aos que teríamos feito em El Paso, um bom grupo de bandas e pessoas em um espaço de tamanho médio a pequeno, apenas tocando música e curtindo. É mais sobre como se juntar.

– Quais são os seus próximos passos?

Queremos ir ao Brasil! Sério, mande uma mensagem para nós se você pode nos ajudar a fazer um show ou recomendar alguém para conversar ou qualquer lugar por aí para tocar! Foi assim que tocamos no Japão e foi ótimo. Além disso, queremos levar o nosso novo álbum para o maior número possível de pessoas e depois fazer outro álbum e nos surpreender. Fazer mais shows. Talvez construir um pequeno estúdio em casa?

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Alguns de nossos amigos daqui: Young Jesus, Joe Gutierrez do Steady Lean, Young Lovers, Pastel Felt, Nick Flessa, Pig Pen, Ryan Reidy, Total Heat… Alguns de nossos amigos com quem  tocamos no Japão: Boyfriend’s Dead, Yukino Chaos, Vanellope. Alguns amigos de longa data com bandas: Kid Congo and the Pink Monkey Birds, Knife in the Water, the Crack Pipes, Hairy Sands. Também curtimos novas bandas como Jo Passed, RL Kelly, Ian Sweet. E bandas com quem fizemos turnê: Clarke and the Himselfs, Little Star, Didi e muitas, muitas outras!

Tupimasala encontra sua personalidade cheia de synths e mensagem forte no disco “Vênus”

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Tupimasala

Na ativa desde 2014, o Tupimasala se encontrou definitivamente com seu som em “Vênus”, disco de 2017 recheado de synths e sonoridade oitentista, mas sem perder a brasilidade latente da masala tupiniquim do quarteto. Formada por Samantha Machado (voz), Sabrina Homrich (bateria e voz), Adam Esteves (guitarra, voz e sintetizadores) e Hector de Paula (baixo e sintetizador), a banda teve seu álbum considerado um dos melhores de 2017 pela Billboard Brasil.

Criado como uma ópera-rock, o trabalho se divide em três atos: “Eclipse”, que compreende o entender-se mulher e suas implicações sociais, sendo introspectivo e contemplativo, e tendo como enfoque o eclipsamento feminino, “Trânsito de Vênus”, que propõe o levante e a libertação feminina através da imperatividade, com canções fortes e agressivas, e “Estrela D’Alva”, mais festivo, com exaltação ao autoconhecimento do corpo. Todas as faixas do disco possuem nomes de mulheres e falam de questões que infelizmente ainda são consideradas tabu na sociedade, como depressão (“Branca”), masturbação (“Gabriela”), violência policial (“Graça da Sé”) e a liberação da maconha (“Joana Paraná”), por exemplo.

No dia 07/02 (quarta-feira) a banda se apresenta na Contramão Gig, no Bar da Avareza, juntamente do quarteto Der Baum, que lança o single “Pra Inglês Ver”. Conversei com Samantha e Adam sobre a carreira da Tupimasala e o encontro com a nova sonoridade em “Vênus”:

– Me contem primeiro um pouco mais sobre o disco “Vênus”!

Samantha: O “Vênus” foi o resultado de bastante tempo olhando pra dentro da gente… Estética e criativamente
O ano de 2016 inteiro a gente se dedicou a entender a nossa linguagem e o que a gente queria com esse trampo novo. A gente tem um trabalho anterior muito diferente, que a gente fez quando ainda tava se entendendo enquanto músico. O “Vênus” é um trabalho mais consciente da nossa estética e da nossa mensagem.

– E como foi a composição e gravação desse álbum?

Adam: A gente viajou pra Salvador com a ideia de passar um tempo lá pra compor. Ficamos um mês por lá, bem internalizados mesmo, e voltamos com umas 12 músicas.

Samantha: A gente tava bem nesse momento de encontrar nosso espaço enquanto músicos, e isso me fez esbarrar em uma porrada de questões de gênero, como toda mina que faz música esbarra em algum momento.

Adam: Chegando em São Paulo, fizemos um tempo de pré-produção com a banda e depois entramos no estúdio para fazer a pré-produção com o produtor também.

Samantha: Por ser a principal compositora, isso acabou refletindo no conceito do trampo de um modo geral.

Adam: Sobre o processo da gravação especificamente, nos reunimos pra fazer a pré-produção com o Pipo Pegoraro (da Aláfia) e as gravações foram no Navegantes, estúdio onde foi gravado o Francisco El Hombre, Luisa Maita, etc

– Como vocês definiriam o som da banda?

Samantha: Comé que cê define o som da banda, bucha?

Adam: Ah, eu definiria como eletropop! Mas é uma definição que limita um pouco

Samantha: É, então.

Adam: Pois também temos influência de rock, de música brasileira (na “Graça da Sé”, “Janaína” e na “Joana Paraná” isso fica bem evidente).

Samantha: Mesmo porque eu acho o som mais rock que pop. Synth-rock-pop-dream-samba-electro-funk!

Adam: Isso! Seria o rótulo ideal (risos)

– Como a banda começou?

Adam: Começamos eu e a Samy como um duo, ironicamente, de voz e violão, em 2014. E cada vez mais fomos sentindo necessidade de dar mais corpo ao nosso som. Foi aí que entrou o Hector, no contra-baixo e bass synth. Nesse meio tempo algumas pessoas passaram pela banda e depois de fazer muita experimentação a gente encontrou nosso lugar no som mais sintético. Acreditamos que aí é um lugar onde conseguimos fazer a diferença. Quando encontramos essa personalidade no nosso som, lançamos o “Vênus”, em 2017.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Samantha: Acho que da banda, de modo geral, Tame Impala, Metronomy, MGMT, Novos Baianos, Lady Gaga, The Dø, Jungle, General Elektrik.

Adam: Daft Punk, super importante (risos)!

Samantha: SIIIIM! FKA Twigs

– Vocês se consideram uma banda política?

Adam: Considero que qualquer ato é politico. O ato de se colocar como apolítico é político.

Samantha: Fazer música é político, falando de política ou não.

Adam: Então, sim, somos uma banda política, assim como a Disney e a Coca-Cola também fazem política, enfim.

– Como vocês veem a atual cena musical independente hoje em dia?

Adam: Acho que é uma das cenas mais incríveis que já tivemos. A cena independente conseguiu subir muito a qualidade da música. Tem bandas como Aláfia, As Bahias e a Cozinha Mineira, Mdnght Mdnght, Geo, que tem uma qualidade incrível de som e show. Isso é muito importante, pois antes um bom show com som e estrutura de qualidade era relegado somente a bandas do mainstream e acho que o cenário independente tem provocado até mesmo mudanças no mainstream.

Samantha: Tenho uma imensa admiração pelo cenário independente atual, porque o nível de qualidade sempre sobe, tem uma galera altamente criativa, além de mobilizações de grupos femininos, LGBTs, gordos, pretos, periféricos pra marcar presença no mercado musical, que é tão branco e masculino.

– Mas o objetivo ainda é chegar ao mainstream e “estourar” ou com a queda da indústria musical isso mudou?

Adam: O objetivo e ter o trabalho reconhecido e com um nível de visibilidade que permita a banda conseguir viver de maneira sustentável. Às vezes o mainstream facilita esse caminho, mas nem sempre. Como por exemplo em casos em que as grandes gravadoras assinam com um artista “pequeno”, mas não colocam o disco dele no mercado, não impulsionam a carreira e inviabilizam parcerias desse artista. Ou seja, acabam deixando estagnada a carreira desse artista.

– Me contem mais sobre como é um show da Tupimasala.

Samantha: A gente tem um rolê com artistas performáticos, como a Lady Gaga, o Kiss, o Ney Matogrosso. A gente acredita que um show tem que preencher a audiência não só auditivamente, mas visualmente também.

Adam: Temos vários formatos. Mas sem dúvida, meus favoritos são o trio eletrônico, em que tocamos eu a Samy e o Hector. A energia é bem forte com uma performance bem gostosa e que é um formato mais intimista. E o “Espetáculo Vênus” que é a leitura do disco “Vênus” para o teatro. Ou seja, levamos a experiência sonora do disco, que é uma opereta, para o palco.

– O que podemos esperar da apresentação de vocês na Contramão Gig?

Samantha: Vários timbrão loko, muita energia na performance e a gente bem brilhosa.

– Aliás, uma curiosidade minha: de onde surgiu o nome Tupimasala?

Samantha: Surgiu quando a gente morava na Índia. Masala é um tempero de lá, e eles colocam esse tempero nas coisas pra dar um Spice it up. Então surgiu daí: música brasileira com um temperinho!

Adam: É uma música feita por brasileiros porém, com um tempero apimentado em cima.

Samantha: Com uma apimentadeenha!

Adam: É mais uma dessas misturas clássicas, tipo Brasil com Egito, sushi com feijoada.

– Chiclete com Banana!

Adam: (risos) Isso!

– Vocês acham que realmente existe um levante conservador no nosso país ou é apenas algo que rola na internet?

Adam: Rola sim! As minorias começaram a ganhar espaço e a ter seus direitos reconhecidos (ainda que de maneira bem sutil) e isso vem incomodando muita gente, infelizmente. É uma fase meio Reagan né? muito conservadorismo e muito sintetizador ao mesmo tempo

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Adam: Sim! lançaremos um novo single entre abril e maio. Vai ter muita novidade sobre a banda nesses meses. Ainda estamos fechando alguns detalhes mas em breve divulgamos tudo tudinho.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Adam: A Geo com o EP que ela lançou recentemente, o “Salva-Vidas”. A Marcelle com o disco “Equivocada”. A Olympyc, banda que tem um som bem oitentão gostoso. Mdnght Mdght, que é uma galera lá de Brasília que faz um som bem bacana também. A banda irmã dela que é a Cabra Guaraná.

Samantha: Marina Melo que tá lançando o “Nuvem”. A Trouble and the New Brazilians, que tá com um trampo folk bem interessante e bem diferente do que se vem fazendo no gênero aqui no Brasa. A Labaq, que tem uma sonoridade dream bem linda, que ela tira sozinha em alguns shows.

Adam: A própria Der Baum que vai fazer o som com a gente no dia 7, é ótima! Tem uma pegada muito gostosa também.

Samantha: Obirin Trio, que tem um trampo de arranjo de vozes que é a coisa mais linda desse mundo.

Adam: Se deixar a gente fica até amanhã aqui! (risos) É muita coisa boa!

– Podem continuar!

Samantha: Tem a Black Cold Bottles, que é uma banda de rock bem maravilhosa. Tem quem mais? O projeto Sauna, que é uma banda de internet…

Adam: Rodrigo Alarcon e Abacaxepa, o primeiro numa pegada mais MPB, já a banda numa pegada que me lembra uma mistura de Novos Baianos, Barão Vermelho com Itamar Assumpção.

Samantha: Bem 80’s com uma vibe bem engraçada. Tem a MANA, que é um duo de meninas que cantam sua vida doméstica…

Sit’n’Spin: o programa de rádio universitário de Nova Jérsei que virou banda

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Sit'n'Spin

A banda Sit ‘n’ Spin começou sua carreira da forma mais noventista possível: em uma rádio universitária em New Brunswick, Nova Jérsei. O programa de Heidi Lieb (guitarra e vocal) e Sue Stanley (baixo) chamava Sit ‘n’ Spin e como cada uma tocava um instrumento, chamaram a baterista Poot McKenna e a guitarrista Mony Falcone, reuniram suas infuências de RamonesRonettes, Link Wray e Chuck Berry e seguiram em frente com sua versão de carne e osso de Josie e as Gatinhas, fazendo um som que já foi descrito como “a epítome da diversão”.

Com três discos na bagagem (“Pappy’s Corn Squeezin” (1997), “Enjoy the Ride” (2000), e “Doin ‘Time with Sit n’ Spin” (2004)) e diversos singles, a banda agora faz shows quando dá na telha e não planeja o futuro. “Nenhum plano específico”, contou Heidi. Veja mais de minha conversa com a líder da banda:

– Como começou a banda?
A Sit n ‘Spin começou na cidade universitária de New Brunswick, Nova Jérsei, onde todos estavam em uma banda. Eu costumava fazer um programa de rádio com minha amiga Sue, que estava aprendendo baixo enquanto eu estava aprendendo guitarra. Sua colega de quarto era baterista. Nós três decidimos tentar escrever músicas, e assim fomos!

– E de onde surgiu o nome da banda, Sit n’ Spin?
Nosso programa de rádio na rádio da faculdade chamava Sit n ‘Spin. Uma de nós “sentava” e a outra “girava” os discos. Assim, Sit n ‘Spin. Sit n ‘Spin também é um brinquedo de criança no qual você se senta e gira. É incrível e divertido, como a nossa música.

Sit ‘n’ Spin

– Quais são as principais influências da banda?
São tantas. British invasion (The Kinks, The Who), rock’n’roll dos 50’s (Chuck Berry, Eddie Cochran), girl groups (Shangri-las, Ronettes) e um pouco de punk dos anos 70, como Ramones.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês já gravaram.
Temos três discos: “Pappy’s Corn Squeezin” (1997), “Enjoy the Ride” (2000), e “Doin ‘Time with Sit n’ Spin” (2004). Além disso, temos um monte de singles e estamos em muitas compilações.

– E já estão trabalhando em novos sons?
Não, no momento não. Acabamos de voltar a nos reunir para comemorar o 20º aniversário do nosso primeiro CD, então estamos nos concentrando no nosso catálogo existente.

– Como é o processo de composição da banda?
Principalmente as letras primeiro, mas às vezes a melodia vem primeiro. Eu sugiro uma ideia, faço uma demo, trago para a banda, e então todos ajustamos juntos.

Sit ‘n’ Spin

– Qual é a sua opinião sobre a era de streaming em que vivemos?
Ótimo para os fãs de música! Bom para as bandas serem ouvidas sem precisar de uma gravadora. Ruim para bandas que não estão vendo dinheiro de downloads/streaming. O processo parece tão misterioso. Nós temos música para venda, mas não tenho idéia de quem está recebendo o dinheiro quando as pessoas compram do iTunes, Spotify, etc.

– Descreva um show para alguém que nunca viu.
O objetivo é se divertir – para nós e para o público. Principalmente para nós, aliás.

– Talvez possamos ver vocês no Brasil algum dia?
Se alguém quiser nos levar, gostaríamos de ir!

– Quais são os seus próximos passos musicais?
Nós estamos fazendo shows ocasionais. Nenhum plano específico.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Acabamos de ir para Atlanta para tocar com duas das nossas bandas favoritas, Tiger! Tiger! e Subsonics, ambos incríveis e também as pessoas mais bonitas da Terra.