Baby Budas investe no rock gaúcho com psicodelia e “Jovem Guarda de expansão” no disco “Baby Budas No Jardim da Infância”

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Foto: Fábio Alt

Sonoro e meigo, brincalhão e lúdico. Inspirados pela música “Buda Baby” da Graforreia Xilarmônica e unindo o profano com o sagrado, os Baby Budas fazem algo chamado pop rock psicodélico de retaguarda, ou, segundo Plato Dvorak, “Jovem Guarda de expansão”. Qualquer que deja a denominação do som do quarteto, ele pode ser ouvido em “Baby Budas no Jardim da Infância”, o primeiro álbum dos gaúchos, gravado em diversos estúdios, sempre rodeado de amigos. O disco tem a produção de Pedro Petracco (Cartolas e Ian Ramil) e foi lançado em formato fanzine pelo 180 Selo Fonográfico.

Formada por Henrique Bordini (baixo e voz), Henrique Cardoni (teclado, violão e voz), Bruno Ruffier (guitarra e voz) e Humberto Mohr (bateria), a banda de Porto Alegre mostra influências do rock gaúcho, além de incursões pelo brega, rockabilly, psicodelia e até o kraut rock, segundo eles. Conversei com o tecladista sobre a carreira da banda, o primeiro álbum e a música independente:

– Como a banda começou?

Originalmente, a banda surgiu de um desejo meu e do meu primo (Bruno Cardoni). Sempre tivemos o hábito de tocar e compor. Já tínhamos umas 3 ou 4 canções bem estruturadas quando percebemos que era hora de buscar uma baterista e um baixista para fazer essa canções acontecerem de fato. Nisso surgiu o Bordini, o baixista, que não só se dispôs a tocar baixo como também entrou junto (e muito bem) nas composições. O rapaz é d’ouro. Quanto ao baterista, apareceu numa festa, quando o Bruno e o Bordini falavam sobre música com um cara desconhecido que veio a ser o Richter, o primeiro baterista dos Baby Budas. Estava formada a banda.

– Como chegaram no nome Baby Budas? O que significa para vocês?

Baby Budas surgiu em um brainstorm e pegamos o nome por várias razões. Primeiro, porque gostamos, achamos sonoro e meigo, meio brincalhão e lúdico. Segundo, porque remete à música “Buda Baby”, da Graforreia Xilarmônica, banda gaúcha que crescemos ouvindo. Por último, construímos um sentido filosófico para o nome. É uma espécie de amalgama entre o profano (Baby) e o sagrado (Buda), é esse meio do caminho entre o kitsch do Baby, um termo pop, e a elevação do Buda. Baby Budas seria cantar este desencontro, esse lugar limítrofe entre a sociedade do espetáculo e o além mundo.

– Quais as suas principais influências musicais?

Buscando entender esse mosaico doido de influências, dá para dizer que me criei ouvindo Beatles, dei uma bandinha pelo rock mais pesado através de Led e de uma adolescência de metal melódico, depois descobri Tom Jobim e isso liberou a Caixa de Pandora do som Brasil, depois fui viciado em Bob Dylan, ano passo fiquei obcecado por Gilberto Gil. Nesse momento estou escutando Mac Demarco, Erasmo Carlos, Fleet Foxes, Paul Simon, Zombies. É muita coisa mesmo. Vou ficar por aqui, ok?

– Como você definiria o som da banda?

Pop rock psicodélico de retaguarda. “Jovem Guarda de expansão”, disse Plato Dvorak sobre os Baby Budas. Indie espertalhão. Rock gaúcho tentando fugir de ser rock gaúcho (e não conseguindo). Algo nessa onda.

– Como é seu processo de criação?

Antes de qualquer coisa eu passo um café bem forte. Daí eu escuto uma música que gosto muito e penso como eu poderia fazer algo parecido. A partir daí eu faço plágio dessa música, mas, já que minha musicalidade é muito baixa, meu plágio fica tão ruim que não parece a música original. Meu processo criativo é basicamente tirar músicas mal. Esse sou eu, o resto da banda faz diferente e melhor (mas não muito).

Foto: Gustavo Borges

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

A banda já tem 2 clipes, “Aloha Marciano” e “Pardais”. O primeiro, “Aloha”, é a gente tocando o som no estúdio Thomas Dreher, um lugar afudê de Porto Alegre. Júpiter Maçã e uma pá de gente boa gravou lá, então é legal pegar o espírito do lugar. Nesse dia, eu gravei minha voz num microfone especializado em captar bumbo de bateria, mas ficou bom, sabe? Aí tem “Pardais” que é o clipe mais fofinho que você respeita, porque é só uns cara meio deprê com quase 30 anos brincando no campo. Entre esses dois clipes, tem o nosso disquíneo de oito sons. Grande demais pra ser um EP e curto demais para ser um álbum propriamente dito, mas no nosso coração é um álbum, sim, é o “Baby Budas no Jardim de Infância” e foi todo feito com a ajuda de amigos muito competentes, como o Pedro Petracco e os guris do estúdio Casinha. O disco é um Frankenstein, feito pedaço num quarto, pedaço num sótão, pedaço em Canela, pedaço no Thomas, pedaço na Casinha, mas o resultado foi um troço querido, legítimo. A gente é aquele disco ali mesmo, que custou o que podíamos pagar e que ficou o melhor que deu graças às pessoas competentes que estão ao nosso redor.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?

A cena é feita de gente muito boa e muito corajosa. Fazer da música autoral o centro da sua vida é algo que requer realmente muito esforço, dedicação, capacidade de lidar com incertezas, o cara tem que conseguir lidar com não saber quanto vai tirar no fim do mês ou, na maioria dos casos, trampar de dia e tocar na noite, ou ter uma fonte de renda além da música. É uma pena que seja assim, mas é como vejo. Claro, rola gente boa e profissional que manja de viver disso, faz mais sucesso, sei lá. Os Baby Budas colocam muita elã vital no projeto musical, mas ninguém se vê vivendo disso. Eu trabalhei no IBGE nos últimos 2 anos, o Bruno escreve apostilas pra concurso, o Bordini tá se formando em Direito e também tá aí na batalha pra viver com dignidade.

– Como vocês veem o mundo em que o streaming é a principal forma de ouvir música? Isso é bom ou ruim?

Parafraseando Glória Prires: “não sou capaz de opinar”. Brincadeira, mas realmente entendo pouco da questão mercadológica da música. Basicamente, eu tenho uma banda e toco porque… preciso. Mas creio que a discussão se é bom ou ruim é meio infrutífera, porque essencialmente achar bom ou ruim não vai mudar o que está dado; a música hoje em dia é assim e ponto. Tem que ver o que, dentro do jogo, dá pra construir. A gente tem um arranjo que a arrecadação do Spotify vai para o 180 Selo Fonográfico. O esquema é que a gente não entende nada disso, mas o Garras, dono do Selo, curtiu nosso som e deu um apoio pra banda, pôs o disco no site pra vender, nos dá uma força nos contatos pra shows. Assim, o arranjo ficou com ele.

– Quais os seus próximos passos?

Fazer mestrado em Letras e esperar minha namorada passar no concurso pra diplomata, o que faria com que eu me tornasse Embaixatriz.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Dingo Bells, Ian Ramil, Bordines, Bife Simples, Supervão, Paquetá, Fantomáticos, Sterea, As Aventuras, Karma Dharma, Guto Leite, Croquetes, Grand Bazaar, Charlie e os Marretas, O Terno, Pedro Pastoriz, Renascentes, Ventre, Boogarins, Carne Doce, Akeem, TEM, Plato Dvorak, Os Torto, Ganapo, Gustavo Telles, Allseeone e provavelmente eu esqueci alguém.

Lâmina mostra que o movimento riot grrrl continua com os dois pés na porta no disco “Manifest”

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foto: Vini Bock

Graças à Kathleen Hannah e seu Bikini Kill o quarteto Lâmina surgiu. A banda coloca para fora seus ideais e protestos, falando sobre feminismo, política e questões sociais em suas letras e discurso. As principais influências, além da banda que simboliza o movimento riot grrrl, são L7, Runaways, Babes In Toyland, Sonic Youth e Nirvana. Em meados de 2003, Pryka Almeida (vocal) e Thais Regina (guitarra) começaram o grupo, que se estabilizou na formação atual em 2005, com Dailla Facchini no baixo e Vanessa Ribeiro na bateria. Em 2008, o quarteto entrou em hiato, voltando em 2014 e gravando 2 anos depois seu primeiro EP, “Roll”.

Neste ano lançaram mais um trabalho, “Manifest”, com sete músicas, iniciado com uma gravação no estúdio Family Mob durante o Converse Rubber Tracks e finalizado com uma nova gravação em um estúdio por canal realizada ao vivo e masterizadas por Hugo Silva. Agora, a banda prepara clipes para as músicas “Entertain You” e “Magazines” e a gravação de 5 outras músicas que já estão prontas. Conversei com a vocalista Pryka sobre a carreira da banda, sua ideologia, o disco “Manifest” e os planos para o futuro:

– Como começou a banda?

Por volta dos 13 anos, quando eu comecei minhas primeiras aulas de bateria, formei a banda Princesas Podres com colegas da escola e amigas do prédio, mas a banda não durou muito. Já começando a frequentar festivais e shows, queria muito montar uma banda que participasse dos rolês que eu curtia. Em 2003, juntamos um pessoal para fazer um som na Choque Cultural (que na época ainda estava virando a Choque Cultural. Ensaiávamos lá pois o Jotape, filho dos donos, tinha uma bateria) entre amigos, cada um tocando um instrumento, eu ainda na bateria, e mais ou menos alguns possíveis integrantes pra virar Lâmina. Nessa jam, em um momento assumi o microfone em alguma música do Bikini Kill, e eu nem nunca tinha cantado (risos). Mas todos insistiram que eu tinha que cantar também, porque a minha voz tinha tudo a ver com as músicas que queria fazer. Já tínhamos uma vocalista, então ficamos com duas, eu e a Livia. Daí nosso amigo Henrique assumiu a bateria. Tínhamos a Giuliana no baixo e Pedro e Renata nas guitarras. Uma big band (risos)!

– E de onde surgiu o nome Lâmina? Aliás, adorei o nome Princesas Podres!

Olha, não sei direito, viu (risos). Mas como eu estava atrás de nomes com a pegada punk, me veio Lâmina como algo que cortasse , que ferisse a sociedade sabe? Tipo mostrando as verdades (risos). E sim! Quem sabe um dia remonto uma banda com esse nome!

– Quais são as principais influências da Lâmina? (Além do Bikini Kill, que quase que foi a força propulsora, né.)

Sim, Bikini Kill foi o princípio de tudo (risos). Mas tem muito de Babes in Toyland, Lunachicks, L7, Runaways, Nirvana (que foi onde eu cheguei no Bikini Kill).

– Vocês já tem um trabalho lançado, é isso mesmo?

Isso, levou anos! Mas saiu finalmente nosso primeiro CD, “Manifest”.

– Me conta mais sobre ele!

Quando a banda voltou a se reunir em 2014, o intuito era gravar um CD, mas mil coisas rolaram e não conseguimos. Daí em 2016 conseguimos um dia de estúdio no Family Mob através da Converse Rubber Tracks. Como fazia parte da “promoção”, essa parte durou 1 dia de gravação, que nos rendeu 3 músicas: “My Air”, “How About” e “8 de Março”. Lançamos como o EP e corremos atrás pra gravar mais músicas para poder completar e fazer um CD. Daí só em abril desse ano conseguimos uma graninha pra fazer uma gravação que “cabia no nosso bolso” ao vivo e por canal. Gravamos mais 9 músicas, porém a qualidade que o estúdio nos entregou mixada não foi satisfatória, o que fez com que selecionássemos 4 músicas para o engenheiro musical Hugo Silva, da Family Mob, finalizar. Então tem mais 5 músicas aqui na gaveta pra assim que tivermos uma graninha extra finalizarmos.

– Opa! E o que pode adiantar sobre essas 5 músicas que ainda vão sair?

Temos 3 músicas antigas e 2 músicas que fizemos nesse nosso retorno. Mas elas são tocadas nos shows sempre.

– E como estão sendo os shows? Como está sendo a recepção desse trabalho?

Eu tive um imprevisto que foi quebrar o tornozelo, o que nos deixou de molho já tem 3 meses. Mas que também foram necessários pras meninas da banda que estão em trabalhos de conclusão de curso ou na correria de trampo de fim de ano. Como ainda não tô 100% estamos preferindo esperar um pouco… Porque não adianta, na hora da música a gente se empolga, pula… E pra quem quebrou tornozelo agora não é uma boa (risos). E nós mesmo não temos a proposta de fazer muitos shows quando voltamos, pois com os outros afazeres da vida, embola um pouco tudo. Deixamos o lançamento ser um tanto mais orgânico, mas está tendo um alcance bacana, as próprias meninas inseridas no riot grrrl nos ajudam a divulgar e isso vai fazendo o CD chegar pro nosso público.

– Como você vê essa ascensão conservadora e misógina que tem acontecido nos últimos tempos?

A gente fica chocada como as coisas não vão pra frente. Eu comecei com banda em 2003, tem bandas com integrantes mulheres que tão na estrada antes disso e que não pararam de tocar e ainda assim a gente sofre preconceito. O rock é mega machista, começando no rótulo de colocar mulher como groupie. Mas tamo aí sempre mostrando que a mulher pode ser protagonista da história e que a música não é esse bicho de 7 cabeças. É foda ser chamada pra evento e se tem banda de cara, ter que estudar as outras bandas e o público, porque a gente não quer ir em lugar pra passar raiva e ser a minoria que é apedrejada e sacaneada, sabe. Acho super válido tocar em festivais que não sejam só de minas, mas a gente sabe que tem rolês que pode ser que vá pra passar dor de cabeça.

Pryka Almeida, do Lâmina
foto: Bruno Dicolla

– Essa luta feminina na música permanece forte faz tempo. Dá pra ver que nos últimos tempos, mesmo com todo esse povo misógino, a luta tá sendo ganha cada vez mais, não? 🙂

Tá super! Hoje em dia temos muita banda com mulheres, uma super diversificada. Lá atrás, quando comecei, tinha bastante banda, mas sempre as mesmas. Hoje a gente faz festival e dá uma super diversificada no line up, isso é incrível. Muita menina tocando e aprendendo a tocar. Hoje em dia tem o Girls Rock Camp também, que faz esse movimento se fortalecer e tanto voluntárias quanto campistas se empoderarem.

– Quais os próximos passos da banda?

Nós estamos com 2 roteiros de vídeos mais ou menos prontos que gostaríamos de filmar e esse CDzinho que dá continuidade pra lançar, mas não temos nem prazo pra isso, tudo no papel ainda.

– Clipes do primeiro disco?

Isso! Tem dias músicas desse cd que tão com roteirinhos sendo trabalhados, a “Entertain You” e “Magazines”. Vamos ver se vai rolar sair do papel, né. Mas a ideia é que role!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Tem a Charlotte Matou Um Cara e In Venus que estão com CDs recém lançados. O The Biggs de Sorocaba que tá faz tempo na estrada, que faz um rockão maravilhoso. A Bloody Mary Una Chica Band, que toca sozinha bateria, guitarra e ainda canta. Katze Sound de Curitiba. Miêta de BH, que faz um rockão maravilhoso. Las Fantásticas Pupés da Argentina que faz um som psycho/garagem sensacional.
Ema Stoned que faz um som experimental incrível. Ah, tem a Weedra também, que é a junção da banda Wee com a Hidra, das antigas, e voltou a tocar após uns 10 anos parada. E tem muito mais (risos), então desculpa, que não ter banda com mulheres não existe!

“Fluxo” mostra a força orgânica e colaborativa do som instrumental jazzístico de Zé Bigode

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Zé Bigode
Zé Bigode

“Fluxo”, novo trabalho da banda Zé Bigode, é uma divertida e orgânica junção de jazz com música brasileira pelas mãos de diversos músicos comandados pelo compositor e instrumentista José Roberto Rocha, guitarrista e mentor do projeto. Além dele, a formação atual da big band conta com Daniel Bento (baixo), Thiago DaGotta (bateria), Victor Hugo (percussão), Rodrigo Maré (percussão), Victor Lemos  (saxofone), Thiago Garcia (trompete), Tiago Torres (trombone), Ingra da Rosa (poesia e spoken word), Pedro Guinu (teclados) e Jayan Vitor (guitarra). Ufa!

O disco foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana ao vivo, para capturar toda a essência da banda, que é o trabalho musical em grupo, utilizando a cooperação entre os membros e seus instrumentos se entrelaçando de forma fluida. “O nome do álbum veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo”, explica José. Conversei com ele sobre o trabalho, a carreira da banda, a cena musical hoje em dia e muito mais:

– Me contem um pouco mais sobre “Fluxo”, que vocês lançaram este ano!

José Roberto: “Fluxo” foi o marco inicial da banda, o primeiro trabalho já com a formação que dura até hoje. O nome dele veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo.

– Como foi a gravação desse trabalho?

José Roberto: Foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana. Pegamos duas sessões de 6 horas e gravamos as músicas. Foi tudo ao vivo, pra captar melhor a energia das musicas ao vivo, no nosso caso música instrumental mais voltada ao jazz e raízes populares. A energia está muito concentrada na troca de se tocar junto e isso influencia muito o som final, então era inviável fazer do jeito que a indústria tem feito nos últimos anos, que é um grava de cada vez depois junta tudo e está pronta a música.

– E como foi a criação das músicas que estão no disco?

Victor: O Zé chegava nos ensaios e nos apresentava a ideia inicial da composição, o esqueleto dela e então nós juntos trabalhávamos nela, no arranjo. Acho que todas elas foram feitas mais ou menos dessa maneira. E além disso tem os improvisos que saíram na hora da gravação mesmo.

– E como estão sendo os shows?

Victor: Tão sendo bem maneiros. O repertório é basicamente as músicas do “Fluxo”, quase todas, e algumas novas!

José Roberto: Os shows tem como base de repertório o disco “Fluxo”, porém tem rolado algumas musicas novas que sairão no formado de single no ano que vem. Ao vivo contamos também com a Ingra da Rosa que faz intervenções poéticas.

– Me contem como a banda começou.

José Roberto: A ideia do projeto veio comigo, no final de 2015 numa viagem a Recife, quando senti que era hora de fazer um trabalho que fosse mais na onda das coisas que eu vinha ouvindo e não tentar entrar em uma outra gig ou coisa do tipo. Assim que cheguei no Rio comecei a trabalhar em algumas músicas e gravei um EP chamado “Zé Bigode”, que foi basicamente feito todo por mim e contou com algumas participações como o Lucas Barata, o Rodrigo Maré e o Victor Caldas. Não sabia como o EP ia ser aceito, então deixei pra montar a banda depois do lançamento, e aí fui chamando os amigos dos quais tinha afinidade e vontade de trabalhar. As coisas foram acontecendo, mais gente foi chegando pra somar, até que a banda se formou.

– E como é a dinâmica em uma banda que tem tantos integrantes?

José Roberto: De uma forma geral é tranquila. Nós temos as coisas bem definidas, como dia e hora de ensaio. A grande maioria é parceira de sair pra beber e essas coisas, e todos tem interesses similares em relação ao que a música representa. De um tempo pra cá tem rolado uma formação reduzida pra alguns eventos que se constitui em um quinteto, mas é só quando o local em que vamos tocar não comporta todos da banda, ou caso role alguma viagem que seja mais na correria e dependa de um esforço financeiro maior dos músicos. O famoso “tirar do bolso” (risos).

– Hoje em dia vemos que existe um crescimento das bandas instrumentais no meio independente. Como esse formato foi redescoberto?

José Roberto: É, não sei se redescoberto é a palavra certa, porque sempre rolou som instrumental, só que agora a galera tem investido mais em outras coisas além da música, numa arte legal, num conceito, em como fazer a musica instrumental ser algo rentável… Muita gente tem na cabeça que música sem voz é apenas pra músico, o que às vezes tem um certo fundo de verdade. Muito músico se preocupa apenas em ser um bom músico tecnicamente e afins, e esquece que a música instrumental é também uma forma de expressão. Dá pra você fazer um som instrumental e estar inserido no contexto, afinal é tudo música. Quem vem com esse papo aí de separar as coisas por etiqueta é o mercado, né…

– Quais as principais influências da banda?

José Roberto: Acredito que não tem uma influência soberana, todos procuram escutar bastante música e coisas novas, então as referências estão sempre mudando. Mas rolam os pontos em comum, que é o lance de cultura popular como Maracatu, o Fela Kuti, Miles Davis, Rumpilezz, Moacir Santos, Lauryn Hill, e essa galera que tem feito o som contemporâneo, Abayomi, Nômade Orquestra, Bixiga 70

– Como vocês veem o mundo da música hoje em dia, especialmente no meio independente?

José Roberto: Tem muita coisa rolando, muita coisa boa, o que é ótimo. Hoje qualquer pessoa pode gravar suas musicas, não precisa de uma gravadora nem nada. Democratizou nesse sentido, mas o que acaba rolando é que o fluxo de novos artistas é tão intenso que muitos passam batido e acabam não sendo “visualizados”. Aí volta um pouco a antiga lógica: quem tem grana pra investir é quem aparece mais, ou quem tem os contatos. Se todo dia tem uma pá de disco novo, como é que tu vai aparecer? Claro que a musica é fundamental nesse processo, o independente é mais sincero nesse sentido, mas ainda vale um pouco daquela lógica quem tem grana sai uns passos na frente de quem não tem.

– Ou seja: mesmo sem as gravadoras, ainda continua do mesmo jeito. Quem tem o bom e velho apoio de alguém grande segue uns degraus acima.

José Roberto: Sim, sem contar os filhos de fulano e beltrano que automaticamente já elevam o status a algo que vale a pena, sendo que muitas vezes a pessoa nem tem um trabalho pronto. É complicado, mas acho que faz parte, né? É nesse sistema que nós vivemos, mas da galera que eu tenho visto aí circulando a grande maioria tem uma boa música e uma boa mensagem pra passar. Então, a balança equilibra, coisa que no mainstream é raro encontrar.

– Quais os próximos passos da banda?

José Roberto: Estamos finalizando as datas de show aqui no Rio, iremos participar de uma coletânea em homenagem ao Guilherme Arantes no inicio de 2018, e irão vir uns 2 singles com clipe um no primeiro semestre e outro no segundo semestre e tocar fora do Rio. Alô Recife, alô Nordeste: chama nóis! (risos)

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

José Roberto: Tem o pessoal do O Quadro da Bahia, IFÁ, da Bahia também, Orquestra Contemporânea de Olinda em Pernambuco… Aqui no Rio tem a Foli Griô Orquestra, Relogio de Dali, Amplexos… Em Sampa tem a Nômade Orquestra, a Xenia França, Luedji Luna, Rincon Sapiência, em BH o pessoal do Zimun… Como eu disse, muita coisa rolando.

https://open.spotify.com/album/1ksBypufTDA6n88DP9ZT3U

Um biscoito da sorte foi a faísca do disco “Good Fortune”, do trio The Forty Nineteens

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Um verdadeiro liquidificador que mistura Dramarama, Elvis Costello, Smithereens e Iggy and the Stooges. Este é o The Forty Nineteens, da California, que lançou recentemente seu disco “Good Fortune”, produzido por David Newton do Mighty Lemon Drops, praticamente um membro não-oficial da banda.

Formada por John (vocais), Chuck (guitarra e vocais) e Nick (bateria e vocais), a banda começou sua carreira lançando “No Expiration Date” em 2012, seguido por “Spin It” em 2014 e finalmente “Rebooted” em 2016. A música “I’m Free”, deste último, chegou a ser nomeada a “Música Mais Legal do Mundo” pelo programa de rádio Little Steven’s Underground Garage. Agora, a banda prepare-se para uma turnê em apoio ao lançamento de “Good Fortune” e sonha em vir ao Brasil. “Nos falem mais sobre agentes de ou promotores para irmos atrás!”, falou Nick, com quem conversei um pouco.

– Como você começou sua carreira?
Eu comecei a tocar bateria com 14 anos, depois de assistir bandas tocarem na minha comunidade local em dias de piquenique. Polka, country, rock’n’roll. Fui atraído pela bateria e me sentava atrás dos bateristas observando como eles se apresentavam. Com 10 a 12 anos, juntei-me à banda do ensino médio e aprendi o controle do pescoço e leitura da vista. Nosso professor era o irmão de Henry Mancini. Ele foi paciente e fez com que a música fosse divertida. Nós só tocávamos em almofadas de prática, então, infelizmente, fiquei entediado e encerrei a banda. Dois anos depois, veio a coceira novamente e comprei uma bateria de baixo custo. Eu tocava 3 horas por dia, sete dias por semana. Mamãe e papai saíam de casa por uma hora ou duas para eu poder praticar. Minha família era muito solidária, e também músicos. Papai tocava gaita e bateria, minha mãe e meu irmão tocaram guitarra, minha irmã tocava violão. A música sempre estava em volta da casa. Meu cachorro acabou se acalmando depois de alguns meses e me observava praticar. Aparentemente, me tornei um baterista melhor, e comecei a tocar com bandas pela cidade. Uma coisa levou a outra e me mudei para Los Angeles para começar minha carreira musical.

– Como surgiu o nome The Forty Nineteens?
O vocalista John e o Chuck trabalham no campo legal, e 4019 é o código legal da Califórnia para créditos de bom comportamento. Exemplo: digamos que alguém está cumprindo uma pena de 6 meses por fazer bebidas ilegamente, você recebe um dia de folga em sua sentença por todos os dias que você fica sem problemas. É o nosso lema. “Todo mundo merece algum tempo por bom comportamento”.

– Quais são as maiores influências da banda?
O John curte Graham Parker, The Beatles, The Romantics. Já o Chuck gosta de bandas californianas de punk como Social Distortion. Eu gosto de The Who, rock’n’roll dos 1950s e garage rock.

– Me contem um pouco mais sobre “Good Fortune”.
John estava comendo em um restaurante chinês e seu biscoito da sorte dizia “seu talento musical será exibido em breve”. Com uma mensagem tão positiva, ele sugeriu que “Good Fortune” fosse o título do novo disco. Nós concordamos. A banda não é política, mas promovemos a positividade com nossas músicas e perspectivas em geral. Você não pode esperar que as pessoas mudem, mas você tem a capacidade de se mudar para melhor. Como sugere a faixa 7, “se você deixar amor, o amor ganhará”. O disco tem sido tocando por Genya Ravan e Rodney Bingenheimer na Little Steven’s Underground Garage Sirius XM e no programa de Bill Kelly na WFMU Jersey City.

– E o que vocês já tinham lançado antes desse trabalho, como foi?
Todos os nossos discos foram produzidos por David Newton, do The Mighty Lemon Drops. Ele é um ótimo produtor/engenheiro, além de um grande cara. Ele nos ajuda tremendamente. No ano passado, lançamos “Rebooted”, com 12 músicas que entraram nas paradas das college radios e nas rádios comerciais. Little Steven’s Undergound Garage escolheu “I’m Free” como “Música Mais Legal do Mundo” na semana de 3 de junho de 2016. Nós tocamos no Yankee Stadium neste ano e nos divertimos muito. Em 2014 lançamos “Spin It”, com 8 faixas que também tocaram nas rádios. “No Expiration Date”, de 2012, tem 11 faixas. Este disco é o que fez a bola rolar para nós. Foi nossa primeira gravação com Dave Newton, e também nosso tecladista Kevin McCourt. Ele fez turnês com Stevie Wonder, entre outros. Paul du Greis fez a masterização dos discos. Ele começou sua carreira trabalhando com X, Bruce Springsteen, The Blasters e muitos outros artistas de destaque. Nós sempre estivemos com ele.

– Como é seu processo de composição?
John geralmente vem com os riffs ou ideias de música. Eu costumo levar as músicas e organizá-las. Chuck também acrescenta muito. Nós descobrimos acordes ou arranjos juntos também. Depende apenas de quando a idéia flui. Todos nós tentamos fazemos o melhor que podemos. Dave traz seus muitos anos de experiência e nos oferece essa experiência de uma forma muito fácil e divertida. Nós adoramos gravar com ele, e estamos ansiosos para o próximo projeto.

– O que você acha da a cena musical independente hoje em dia?
As bandas têm ferramentas incríveis disponíveis para a sua criação de música, promoção e outros. A(s) cena(s) são brilhantes. Eu, por exemplo, curto muito os sons indie que saem de Cleveland. Muitas grandes bandas, que espero que sejam ouvidas fora de Cleveland.

– Qual é a sua opinião sobre a era de streaming em que vivemos?
Eu gosto. No passado, fazíamos mixtapes e passávamos para amigos ou vice-versa. Agora você pode chegar ao mundo e ouvir mil bandas diferentes em apenas um dia, se você tiver tempo. É muito legal isso!

– Descreva um show do Forty Nineteens para alguém que nunca viu. Talvez possamos nos ver no Brasil algum dia?
Aprendemos a fazer shows abrindo para bandas como Red Hot Chili Peppers, Bash and Pop, The Blasters, Beat Farmers e muitos outros. Nós tentamos mostrar esse espírito de curtição em nossos shows. A vida é muito curta para se preocupar com as coisas em um show de rock. Só queremos que todos se divirtam, dancem e esqueçam um pouco do mundo. Gostaríamos de apresentar no Brasil, nos falem sobre agentes de ou promotores para irmos atrás. Nós tocamos no Double Nueve no Peru também, então espero que possamos chegar ao seu lindo país! Esperamos em um futuro muito próximo, obrigado por perguntar!

– Quais são os seus próximos passos musicais?
A banda está nos estágios iniciais de escrever o próximo disco. Nós também planejamos fazer uma turnê de nosso novo álbum, e estamos nos preparando para estar em fevereiro para a costa oeste, e abril para o leste dos Estados Unidos e, possivelmente, o Brasil!

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Eu realmente gosto de uma banda de Pittsburgh chamada The Gothees. Eles são um cruzamento entre The Monkees e Joy Division. Vão atrás de ouvir.

Os Chás oferece uma xícara bem cheia de lisergia em seu primeiro disco, “Já Delírio”

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Os Chás
Os Chás

“Já Delírio” é o disco de estreia da banda Os Chás, formada em 2016 em Mogi das Cruzes, em São Paulo. Formada em 2016 por Gabriel Mattos (guitarra e voz), Diogo Menichelli (bateria e percussão) – ambos ex-Hierofante Púrpura, Thiago Fernandes (baixo e voz) e Wesley Franco (baixo), a banda oferece generosas colheradas de lisergia e psicodelia no álbum, gravado e mixado por Taian Cavalca e masterizado por Hugo Falcão no estúdio Mono Mono. O disco, lançado pela Transfusão Noise Records, traz as participações especiais de Priscila Ynoue (piano, órgão e sintetizador) e Mário Gascó (sitar indiano e didgeridoo), colocando mais pitadas alucinógenas nas seis faixas.

– Como a banda começou?
A banda começou com uma idéia que tive com o Thiago Gal de voltarmos a fazer um som juntos, pois tivemos nossa primeira banda, que foi o Agentes, ativa entre 2002 e 2005. Sentimos essa necessidade de voltar a tocar e realmente começar a compor, pensar nas pessoas que podiam fazer parte e de fato começar o projeto novo. O Wesley (guitarra) era um parceiro próximo que naturalmente foi convocado e o Diogo (bateria) é um parceiro que toquei junto no Hierofante Púrpura entre 2005 quando montamos a banda até mais ou menos 2012 quando ele saiu da banda. Assim nasceu a banda, mais ou menos em abril de 2016.

– E como essas bandas anteriores influenciaram o som d’Os Chás?
Acredito que cada banda influencia cada um de nós de formas diferentes. O Agentes eu acredito que seja a base daquele lance de amizade criada a partir de banda, uma coisa descompromissada e isso que nos fez voltar a fazer um som juntos, eu e meu irmão Thiago Gal. Depois do Agentes o Thiago montou uma banda chamada Conte-me Uma Mentira que também faz um som influenciado por anos 60 e isso acaba pegando nas composições que ele apresenta pra gente trabalhar. O Diogo antes do Hierofante Púrpura veio de uma banda de hardcore chamada Noupe, o som em especial que ele fazia creio que hoje em dia não tenha influenciado, já o Hierofante sim, influencia a gente fortemente, já que eu pelo menos estive praticamente 12 anos tocando e isso acaba se mostrando nas composições. O Wesley veio de uma banda chamada Luzco, uma turma mais nova da cidade, já que estamos todos na casa dos 33, 35 anos e Wesley é nosso garotão com seus 25 anos (risos).

– Me fala mais do disco que vocês lançaram este ano!
Até hoje pra ser sincero eu não sei se é um disco de 25 minutos ou um EP (risos). Mas enfim, ele se chama “Já Delírio”, foi gravado nos dias 28 e 29 de janeiro no MonoMono Estudio pelo parceiro Taian Cavalca. O processo de mixagem foi feito por ele também e a masterização, que foi feita pelo Hugo Falcão, rolou entre fevereiro e maio de 2017, então acertamos com a Transfusão Noise Records do RJ pra lançarmos em julho de 2017. O disco tem 6 músicas com letras escritas em parceria entre nós todos, praticamente, e os arranjos também todos feitos entre abril e dezembro de 2016. Esse disco foi concebido em versão física (CD) graças ao edital municipal de prensagem de CD pronto, então recebemos 500 CDs com encarte e tal, é um material bem bonito mesmo que teve toda arte gráfica desenvolvida pelo Thiago Gal. O disco tem participação fundamental nas teclas da Priscila Ynoue em pelo menos 4 músicas e o amigo Mario Gascó também participou na musica “Morocco” tocando didgeridoo e sitar indiano.

– Quais as principais influências musicais da banda?
Basicamente influencia dos anos 60/70 mas também temos nossa escola forte que foi o punk dos anos 80 e toda febre que foi os anos 90. O que acontece agora é maravilhoso também, não somos aqueles caras que só ouvem coisas antigas, estamos sempre ligados no que esta rolando. Eu adoro essa onda de sintetizadores (coisas sempre usadas no Hierofante Púrpura) que está rolando por agora.
Não ficamos presos numa coisa tipo “nosso som só vai ter aquela pegada psicodélica anos 60″, não, nós vamos compondo e naturalmente as coisas vão acontecendo.

Os Chás

– Como vocês veem esse retorno da psicodelia que está rolando nos últimos anos?
Eu vejo como um rótulo, até pra ser bem sincero já me sinto um pouco cansado de tanto falar em psicodelia. Quando começamos o Hierofante em 2005 falávamos em “psicodelia rural” já que somos do interior e aqui você ainda vê charrete e outras coisas bem psicodélicas que só o interior te proporciona. Então convivo com esse rótulo já tem um tempo, mas realmente acho que o Tame Impala é uma banda que trouxe isso de volta com força total. De qualquer forma rótulos aparecem, desaparecem, surgem outros e assim caminhamos. O importante é não parar de produzir discos e boas canções.

– Então em breve podemos esperar a volta de novos rótulos, talvez?
A volta não sei, mas a criação pode ter certeza que sim (risos)!

– Então essa “queda” do rock no mainstream pode ser passageira? Ou você acha que o lugar do rock não é nas paradas de sucesso?
Eu adoraria que o rock fosse o centro das atenções, mas sou bem ciente que nosso país valoriza muito mais outros gêneros musicais (em termos de “mainstream”, como você escreveu). Vou te falar que eu não sei muito bem o que acontece no mainstream brasileiro, essa é a real, eu sou bem alienado em relação a isso. Eu acompanho nosso universo paralelo underground (que nem é tão underground assim hoje em dia, levando em consideração tanta banda que hoje tem assessoria de imprensa, de mídia, produtor exclusivo e afins).

– Já que falamos nisso, como você vê o cenário independente hoje em dia?
Vejo como o mainstream do rock brasileiro (risos). O termo independente é ótimo esta na moda!
Vejo bons discos, boas ideias, bons clipes e a quantidade de disco e de banda que tem por aí é o que mais me impressiona. Como os trabalhos são deixados de lado num piscar de olhos, pois a quantidade de coisa aparecendo é tão grande que praticamente ninguém consegue acompanhar tudo que esta acontecendo. Acredito que a capital poderia ter muito mas muito mais casas de shows abrindo espaço pra bandas que lançam discos autorais, pois enxergo São Paulo como algo muito gigantesco em comparação aos espaços já conhecidos.

– Já estão trabalhando em novas músicas? Dá pra adiantar alguma coisa?
Sim, fechadas temos mais duas músicas e milhares de outras idéias para serem arranjadas.
Estivemos no Rio de Janeiro nos dias 17,18,19 e 20 e fizemos 3 shows e a gravação de uma musica inédita no “Escritório” da Transfusão Noise Records para o projeto “Cassete Club”, que consiste em gravar em fitas cassete faixas inéditas de bandas do selo para, no futuro, organizar tudo num grande disco compilado.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos!
Giovani Cidreira pra mim lançou o disco do ano que é o “Japanese Food”, gosto muito do disco “Vida Ventureira” da Barbara Eugênia/Tatá Aeroplano, o disco de estréia do Oruã chamado “Sem Bênção / Sem Crença” é viajandão também. Tem o disco do meu amigo Gevard do ABC Love que também gostei muito, tem o Leza que é uma banda de SP que em breve vai lançar um disco bem legal também.
Curumin lançou um disco maravilhoso, Kiko Dinucci (“Cortes Curtos”), tem Ema Stoned que é aquela viagem, tem o Bratislava, tem o Negro Leo, O Terno, Boogarins e mais uma porrada de coisa legal.

Uma viagem ao desconhecido: Barba Ruiva lança disco homônimo com influências de jazz e rock alternativo

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foto: Tai Fonseca

A banda carioca Barba Ruiva lançou recentemente seu primeiro álbum homônimo, que faz um panorama do trabalho em progresso desde sua formação, em 2005, até hoje. O trio Rafael Figueira (lead vocal e guitarra), Leonardo de Castro (baixo e voz) e Aline Vivas (bateria e voz) selecionou algumas canções que criaram desde o começo e que ainda dialogam com o atual momento do grupo, fazendo a gravação em duas etapas.

Primeiro, no Estúdio Superfuzz, em 2013, com Lisciel Franco, eles registraram bateria, vozes e algumas guitarras. Posteriormente, em 2017, com o produtor musical Maurício Negão (Marcelo D2, Frejat) e produtor executivo Dudu Oliveira, que colaboraram na regravação, remixagem e masterização das faixas, e junto do técnico de som Pedro Montano, do Estúdio Kultrix, onde foram gravados o baixo e as demais guitarras. O resultado é um disco diversificado e cheio de personalidade, com influências notáveis de rock alternativo, o popular rock oitentista, com uma pitada de jazz e blues, estilos que a banda adora. Conversei com o trio sobre o primeiro trabalho, a história da banda e suas influências:

– Vocês acabaram de lançar um disco. Podem me contar um pouco mais sobre ele?

Aline: As músicas foram criadas a partir de poesias do Rafael. As composições também são dele. Somente uma música foi em parceria comigo, “Praia”. Gravamos a bateria e vozes no estúdio Superfuzz, com Lisciel Franco e Elton Bozza, depois gravamos baixo e guitarras no estúdio Kultrix, sob a produção musical de Maurício Negão. A mixagem e masterização foram de Pedro Montano.

Leon: As composições são do Rafael e os arranjos e desenvolvimento foi um processo coletivo. Esse álbum é uma compilação de músicas que tocamos desde 2005. Isso faz com que tenhamos um vasto repertório gritando pra ser gravado já!

Aline: A gente compôs muitas músicas nesses anos de banda. Acabamos selecionando essas canções de uma forma bem orgânica. Eu acho que elas são bem diferentes entre si, mas de certa forma têm conexão e afinidade. Ah, tivemos também a produção executiva do Dudu Oliveira, na segunda etapa da gravação do álbum e assessorando nossa divulgação.

– E como vocês descreveriam esse disco pra quem ainda não ouviu?

Aline: Uma viagem pra dentro de si. Difícil essa pergunta! (risos) Eu colocaria para ouvir no carro… Talvez durante uma viagem. Tem momentos bem humorados e outros de introspecção.

– Quais as maiores influências musicais da banda?

Aline: É legal perceber algumas influências de estilos diferentes que se misturam ao rock
nas músicas do álbum. Elas têm uma influência do jazz, blues, samba, rock psicodélico, entre outras.

Leon: Influências bem diversas: eu, por exemplo, me alimento muito mais da MPB raiz, do blues e jazz, do que do rock em si.

Aline: Podemos citar aqui alguns artistas bandas e estilos. Bob Dylan, Nirvana, Doors

Rafael: Sim, minhas influências são bem próximas às da banda, pois também tem o fato de sermos uma “familia”, bebermos nas mesmas fontes.

Aline: Miles Davis!

Leon: Tenho ouvido muita coisa meio rural… Xangai, Marlui Miranda, coisa de índio, João Bosco (risos).

Aline: John Coltrane, Milton Nascimento, Smiths

Leon: Mas eu bebi MUITO da fonte do jazz instrumental.

Aline: Janis Joplin, Nina Simone

Tai Fonseca

– De onde surgiu o nome Barba Ruiva?

Leon: Estávamos procurando um nome quando descobrimos que a BARBA do meu irmão (Rafael) e a minha era RUIVA. Foi uma surpresa. Tava começando a ter barba.

Aline: Quando resolvemos montar uma banda, há muito muito tempo (risos), fizemos uma longa viagem citando nomes possíveis.  Quando eles falaram barba ruiva, acabou a conversa! (risos) Não conseguimos pensar em mais nada! Encaixou como uma luva. Foi amor à primeira ouvida. Tem uma imagem de pirata nesse nome que a gente curte muito. Tem a ver com essa jornada que estamos fazendo na vida rumo ao desconhecido. E também a um certo aspecto bruto que tem a ver com nosso som.

– Então a banda começou faz tempo. Como foi esse começo?

Aline: Nós dividimos uma casa nos Estados Unidos, há muitos anos. Lá mesmo, eu e Rafael estávamos imaginando como seria legal criar uma banda de rock no Brasil. Num impulso, voltamos para o Brasil pra correr atrás de realizar esse sonho. Naquele momento, não podíamos imaginar como seria difícil! (risos) Doideira.

– Me contem um pouco mais sobre o que vocês já lançaram antes do primeiro disco.

Leon: Já havíamos gravado algumas demos que ajudaram a gente a amadurecer musicalmente e em todo o processo de gravação, composição e atitudes de uma banda perante o mercado/cenário musical.

– Então vocês estudaram bastante o cenário independente antes de se jogar de cabeça.

Leon: Não. A gente viveu o cenário independente, um bom tempo, antes de perceber algumas coisas que são necessárias pra de profissionalizar.

Aline: Foi uma imersão mesmo. Estamos vivendo toda a luta de ser uma banda independente.

– E como vocês veem essa cena hoje em dia?

Leon: No Rio de Janeiro rola uma escassez de espaços pra tocar. Falta remuneração. Falta reconhecimento da música autoral como fonte de entretenimento. Por outro lado, vejo bandas e artistas movimentando os próprios eventos, formando coletivos e alguns até conseguindo se bancar com isso, dando mil piruetas. Tocando na rua, dando aulas… Além do mais, estamos vivendo um período de dificuldades, com o prefeito e Governo vetando a cultura.

– Porque vocês acham que isso tem acontecido e como pode melhorar?

Leon: Acredito na profissionalização do trabalho. Acredito que possamos ser valorizados como arte e entretenimento. Mas tenho certeza que isso não pode ser concentrado no Rio de Janeiro somente. Tem que haver um planejamento legal de circulação. Acredito que no mundo inteiro tem gente que se interessaria pelo nosso trabalho. Temos que chegar neles.

– Vocês já estão em turnê do novo disco? O que o público pode esperar de uma apresentação do Barba Ruiva?

Leon: Estamos preparando um novo show e começando a planejar a turnê. O novo show será surpresa, mas certamente esperamos causar emoções, sensações de prazer e reflexão. Nosso show costuma ser bem visceral em termos de interpretação, e até hipnótico em certos pontos. Estamos desenvolvendo essa questão do show, pra tentar seduzir o público e tentar atingir não somente os ouvidos. Assim como eu espero ser arrebatado quando vou a algum espetáculo.

Rafael: Ainda não estamos em turnê. Podem esperar cada dia um novo show, com bastante espontaneidade e muito suor, sempre há muita entrega da banda nos shows. Procuramos não deixar um show muito “fechado” , sempre com possibilidade do inusitado e do imponderável.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Rafael: Apanhador Só, Astrovenga, Facção Caipira, Wagner José.

Leon: Amplexos, Duda Brack.

Aline: Whipallas, Sound Bullet, Taranta, Gabriel Gerszti, Negro Leo, Chico Chico, Ventre, Tacy de Campos

Kera and the Lesbians tenta ver o mundo com otimismo no single “Bright Future Ahead”

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Quando Kera Armendariz ganhou seu primeiro violão e começou a arranhar o instrumento no seu quarto, com 13 anos de idade, o embrião da banda californiana Kera and the Lesbians já estava formado. Em sua adolescência em San Diego, procurava criar uma banda punk só de mulheres, mas quem cruzou seu caminho foi Phil MacNitt, que começou imediatamente a trabalhar em músicas junto com ela. Logo apareceu Michael Delaney, um baterista que além de destruir na percussão ainda ajudou a criar os clipes e o logo da banda. E assim, estava formada a banda, que a líder descreve como “bipolar folk”.

 

O trio já lançou um EP em 2014, “Year Past 23”e um disco, auto-intitulado, em 2016. Agora, a banda prepara um curta-metragem, “Fall. Apart” para o começo do ano que vem, com três novas músicas. A LA Weekly chegou a falar que a banda era uma das principais da cena de Los Angeles para ficar de olho em 2015, o que catapultou Kera para shows dividindo o palco com Heathers, Girlpool e Devendra Banhart, que ela diz ser seu “guru”. Conversei com ela sobre a carreira da banda, o novo single “Bright Future Ahead” e os planos para o futuro:

 

 

– Como você começou sua carreira?
Eu acho que poderia dizer que começou no dia em que meus pais me compraram meu primeiro violão de Natal, daí eu tive meu começo precoce em vários projetos. Na verdade não existe dinheiro na música, então eu acho que você poderia dizer que este é meu projeto de paixão por enquanto. No entanto, estou esperando fazer mais turnês sob meu nome em um futuro próximo!

– Quais são suas principais influências musicais?
Isso varia e é muito difícil para mim escolher em um gênero. O que encontrei com artistas que admiro não é necessariamente a música, mas mais do que eles representam e como eles optam por expressá-la.

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?
No passado descrevi minha música como bi-polar folk, mas sinto que meu som ainda está evoluindo. É tudo subjetivo, então deixarei o indivíduo decidir.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até agora.
Eu lancei muito poucas coisas, mas tudo o que lancei me deixam muito orgulhosa. Eu nunca quero me sentir obrigada a escrever uma música. Até agora, eu lancei o EP “Year Past 23”, um disco completo e no início do próximo ano vou lançar meu primeiro curta, intitulado “Fall. Apart”, com três músicas novas!

– Você acabou de lançar “Bright Future Ahead”. O que você pode nos contar sobre essa música?
Eu escrevi essa música em um momento em que me senti mais vulnerável e sem esperança. Eu posso ser muito difícil para mim mesma, e de certa forma me lembrou de ter mais auto-compaixão para mim e para os outros. Eu escrevi isso como uma lembrança do empoderamento, especialmente nestes tempos sombrios.

– Você vê um futuro brilhante à nossa frente?
É tudo uma escolha de acreditar ou não na esperança ou sucumbir a ela. Eu escolho acreditar na esperança e no futuro brilhante.

– O mundo está mostrando aos poucos sua pior face e vemos muito preconceito se espalhando hoje em dia. Como você luta contra isso?
Esses preconceitos sempre existiram, e a retórica do racismo neste país, especialmente, nunca foi abordada diretamente. Eu tive que me perguntar em qual moral escolho viver, e como eu acho que os outros devem ser tratados. Eu não sou perfeita. É tudo um processo, mas eu escolho lutar contra isso tudo tentando o meu melhor para viver apaixonada.

– O que você acha sobre a indústria musical hoje em dia?
Uma piada.

– Quais são os seus próximos passos?
Eu adoro tocar com os outros, então vou fazer mais disso, e também lançar alguns singles novos.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Miya Folick, Molly Burch, Szalt (Companhia de Dança) e Jackie Shane.

Quinteto paulistano Grená apresenta ecos de rock e ritmos brasileiros em seu primeiro EP, “Azul”

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Grená

A Grená – formada por Uirá Ozzetti (violão, guitarra e vocal), Rodrigo Lavorato (baixo e vocal), Dau Morelli (teclado e efeitos), Thiago Boemeke (violão, guitarra e vocais) e Leandro Amorim (bateria e percussão) – é o fruto de uma amizade transformada em música. Formada em 2012, a banda lançou seu primeiro trabalho, o EP ‘Azul’ em 2016 e desde então tem se apresentado incansavelmente, levando sua mistura de rock, MPB e ritmos brasileiros a toda e qualquer plateia que esteja disposta a abrir seus ouvidos.

O Grená apareceu nas listas ‘Os Discos de Abril de 2016’ do site Criado Mundo e ‘Melhores Discos’ do Hominis Canidae e já começou a preparar seu primeiro disco. “Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias”, contam.

– Como a banda começou?
A Grená surgiu através da amizade do Rodrigo e Uirá e começou a se tornar projeto nos idos de 2012.

– Porque o nome Grená?
A história é super engraçada! O Uirá e o Rodrigo estavam reunidos, pensando numas músicas mas ainda não tinham um nome e não sabiam o que fazer. Com esses problema nas mãos tiveram uma ideal genial: Abrir o dicionário, numa página aleatória, e o nome da banda seria o primeiro nome que surgisse no canto superior esquerdo. Assim o nome da banda surgiu, a gente jura! (risos). Óbvio que se fosse um nome muito ruim nós não teríamos levado à frente, porém, à partir desse nome muito do universo que criamos para o projeto foi sendo definido.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem nunca ouviu?
Misturamos sons do baião até o rock progressivo, onde elementos timbrísticos que tenham uma personalidade própria são muito bem vindos.

– Quais as principais influências musicais de vocês?
No geral, a música que a gente compõe, enquanto arranjo compartilhado, é ampla e que não estão, as vezes, completamente ligadas a música de forma idiomática. O Dau estuda Engenharia Civil na Politécnica da USP, o Rodrigo é cineasta e já tocou em grupos de jazz, o Thiago é designer e também já tocou em grupos instrumentais, o Leandro além de tocar bateria é percussionista contemporâneo e toca em orquestras, o Uirá é violinista e também já tocou em orquestras. Enfim, talvez a gente veja essa nossa relação com a composição de forma mais ampla, onde a relação do que chega ao público em forma de linguagem musical é essencialmente composta por uma infinitude de interações com outras áreas que podem ou não ser artísticas e, claro, tudo que a gente ouve está inserido nesse ambiente.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
O EP teve um processo natural de criação enquanto foi tomando forma no estúdio. Muito do que foi gravado lá e hoje compõe o que a gente apresenta como resultado do nosso trabalho foi acontecendo durante o tempo de gravação. Nós contamos muito com a ajuda do Bruno Prado na hora de inserir novas relações timbrísticas como as guitarras e a percussão e isso foi fundamental para que ele assinasse também a produção. Quando fizemos o lançamento em 2016, o Lê tinha acabado de entrar na banda e trouxe mais um elemento, a bateria.

– Vocês estão trabalhando em novos sons, é verdade?
Sim, estamos aumentando nosso repertório autoral e estamos com projeto para gravar nosso primeiro disco. Acreditamos que é um processo natural que lateja em meio a esse momento de criação que vem rolando desde o EP até o que estamos compondo agora.

Grená

– Vocês hoje em dia estão em turnê, fazendo shows em vários lugares. Como tá sendo?
Esse ano tem sido bastante especial, estamos rodando bastante com o show que contém as músicas do EP e as canções novas que vão pro disco e, tem sido bastante intenso trabalhar em função de cada show. Agora queremos expandir um pouco, tentar sair das fronteiras de São Paulo e continuar trabalhando.

– Como vocês veem o desenvolvimento da cena independente?
Depois dos anos 2000 essa é a cena que mais se fortaleceu em diversas regiões do País. Muito disso, sem dúvidas, faz parte da conexão imediata que a internet trás. É um percurso natural.

– Qual a opinião de vocês sobre a música mainstream hoje em dia? Porque ela se descolou tanto dos novos artistas que o mundo independente vem lançando?
O mainstream funciona como sempre foi, porém, sem tanto impulso de gravadoras. Ele tá aí e ainda é muito forte, no entanto os artistas que ainda despontam num mercado global são aqueles que trouxeram pra si o papel dessas gravadoras. É difícil definir porque se descolou mas quem já estava no mainstream antes da dissolução das gravadoras soube lidar com um caminho muito particular. Aparentemente, quem tá vindo precisa lidar com a escolha desse caminho e traçar um planejamento para que isso aconteça, não é nada tão de outro mundo assim, basta lembrar de uma entrevista do Cesinha (baterista e produtor de vários artistas independentes) há uns 4 anos atrás, ele falava algo como “faça você mesmo”, o cara fez cursos, se aperfeiçoou, aprendeu a gravar, montou um estúdio e foi seguindo o trabalho dele. A gente vai aprendendo com o mercado porque ele não é estático, ele é composto por todos nós.

Grená

– Quais os próximos passos da banda?
Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Essa é uma bem difícil, e já deu para perceber que nós temos várias direções. Mas ouçam Divina Supernova, Marinho, Necro, Papisa, Versos que Compomos na Estrada, Amanticidas.

O punk nu e cru de Sloppy Jane atinge níveis de selvageria que deixariam Iggy Pop orgulhoso

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Sloppy Jane

Sloppy Jane é a persona selvagem e sem nenhuma amarra de Haley Dahl, guitarrista, vocalista e compositora. Na banda, Haley mostra que aprendeu direitinho todas as lições de liberdade musical e estripulias que o punk rock ensinou desde seu início. Em tempos cada vez mais conservadores, Sloppy Jane tira a roupa e demonstra que a arte não tem medo de se mostrar nua e crua. O merchandising da banda conta com camisetas como “Haley Dahl is a mean mean whore”, o que a cantora considera um grande elogio. 

A banda de apoio é constituída por Sara Cath, Kathleen Adams e Vyvyan, multiinstrumentistas que tocam punk cru e sem firulas. A banda acaba de completar seu novo disco com Joel Jerome e lançou recentemente clipes para “Mindy” e “La Cluster”. Na bagagem, Sloppy Jane conta com o EP “Totally Limbless” (2014) os discos “Burger Radio” (2014) e “Sure Tuff” (2015).

Sloppy Jane by Josh Allen

Sloppy Jane por Josh Allen

– Como você começou sua carreira?
Foi em algum momento entre ficar trancada no porão com um piano quando criança e cumprimentar Kim Fowley (com um high five) no Sunset Strip quando adolescente.

– Quais são suas principais influências musicais?
Em uma análise mais recente, sigo o roteiro que Deus desenha para mim. Tento manter meus olhos bem abertos e meus ouvidos bem abertos. Recentemente me falaram que nem todas as minhas ideias são boas e que eu preciso ser contida, e que há muita insegurança ao não conseguir ficar quieta enquanto toco ao vivo. Eu acho que há muito mérito para essa crítica, mas que tudo o que tenho é mais tempo para me tornar mais velha e mais parada. Eu acho que é importante se mover enquanto seus membros te deixam, e enquanto isso é honesto. Estou ansiosa por um dia querer ficar sentada. Da mídia, tenho influência de “The Missing Piece” de Shel Silverstein, tudo do Dr. Seuss, O Pequeno Príncipe e The Point. Também fui muito influenciada pelo Ike para a minha Tina Turner, que também sou eu. Tina Inturnal..

– Conte mais sobre o material que você lançou até agora.
Recentemente lancei o uma música e clipe novos chamados “Mindy”, e estou muito orgulhosa do disco que vou lançar. Não tenho ideia de quando vai sair, e toda vez que alguém me pergunta coloco fogo em todos meus móveis de casa. Tenho outro clipe sendo lançado, “La Cluster”, também.

– Seus shows são selvagens e impressionantes. Como o público reage?
As reações variam, e eu adoraria que elas variassem mais ainda. Acho que o que fazemos é afetado fortemente pela forma do lugar que estamos tocando. Tocando em um porão suado ou em um palco iluminado, o que fazemos é basicamente o mesmo, mas fica bem diferente com a mudança de som e iluminação.

– Em seus shows, às vezes você arranca a roupa e vai pro meio da galera, uma atitude mais “selvagem” que costumava ser mais comum em shows de rock, mas hoje em dia é mais incomum. O rock and roll está ficando “domado”?
Não sei e não me importo com o rock and roll. Eu apenas estou tentando me expressar. Eu adoraria ser domada. Eu quero que alguém me segure e me force a colocar a roupa..

– Como você descreveria seu som para quem nunca ouviu?
Música que está implorando para ser ouvida.

– O que você acha da indústria musical hoje em dia
No que se refere à negócios, eu cuido dos meus! (“As far as business is concerned, I mind my own!”)

Sloppy Jane
– Como você vê a cena norte-americana independente e undergound hoje em dia? O que está acontecendo por aí e o que você acha disso?
Em todo lugar é diferente. Eu realmente passei muito tempo aqui em Nova York e em Los Angeles, mas eles são como noite e dia. Los Angeles tem uma cena insana de todas as idades (Penniback, The Smell, etc). Os shows são totalmente desengonçados, às vezes é impossível tocar porque todos estão pirando. Nova York é mais adulto, os shows são menos loucos, mas há muito trabalho magistral sendo feito, tenho muita admiração por meus colegas aqui. Quando toco aqui, sinto que as pessoas estão prestando atenção. Ambos são especiais a seus próprios modos. Uma coisa que vou dizer é que eu acho que o formato em que a música ao vivo é apresentada precisa ser alterado em geral. O fato de que ainda estamos fazendo shows da mesma maneira que eles fizeram desde o início dos tempos, quando o mundo mudou tanto, é completamente odioso para mim. É chato. Ninguém gosta, se gostam é porque têm síndrome de estocolmo. Eu não tenho uma solução, mas talvez eu pense em uma. Os shows de rock são chatos, os festivais são chatos.Cerveja não é bom e eu odeio o jeito que me faz sentir quando todos os que bebem agem como se tivessem inventado isso.

Sloppy Jane
– Quando você vem para o Brasil fazer shows e “rock our socks off”?
Eu estive esperando por essas palavras toda minha vida. Assim que alguém me financiar, estarei aí. Mas por favor, fiquem de meias. Eu sou tímida. Eu me mostro, mas fico de olhos fechados. Não estou pronta para ver outras pessoas.

– Quais os seus próximos passos?
Eu quero um ônibus escolar, ser melhor no piano e ser paga. Temos esse disco para lançar, mas ele precisa estar perfeito, e eu estou escrevendo um novo!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Dog, MOURN, Shimmer, Animal Show, Tredicci Bacci, The Cradle, Eyes of Love, Palberta, Matter Room, Insecure Men, Clit Kat, Girl Pusher, Loko Ono, Machine Girl, Trona.

McGee and the Lost Hope reverencia os deuses do rock com o pé na porta no EP “Sensitive Woman”

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McGee and the Lost Hope
McGee and the Lost Hope

Mezzo-carioca, mezzo-norte americana, McGee and the Lost Hope surgiu da união de dois músicos apaixonados pelas raízes do rock and roll e do blues, a vocalista de Seattle Mauren McGee e o guitarrista Bernardo Barbosa, ou B.B, como prefere ser creditado, que já rodou a Europa tocando com o bluesman Gwyn Ashton. Com muitas afinidades musicais, como o amor por Led Zeppelin, The Doors, Creedence Clearwater Revival e Suzi Quatro, entre muitos outros deuses do rock, a dupla firmou a banda no começo deste ano e já saiu em turnê para mostrar seu som em alto volume. O som é uma mistura do classic rock com momentos blueseiros e influências notáveis de psicodelia e stoner rock.

O EP “Sensitive Woman” mostra um pouco disso, com quatro faixas que pisam fundo na melancolia blueseira sem deixar de lado o peso dos pedais do rock e do stoner. A voz de McGee casa perfeitamente com o estilo, transparecendo todo o sentimento que um verdadeiro blues deve ter. A banda já prepara seu segundo trabalho, que deve ser lançado ainda este ano.

– Como a banda começou?

McGee: A banda começou quando nos conhecemos em um show de rock e percebemos instantaneamente a conexão musical entre nós. De lá pra cá fizemos músicas, gravamos e fizemos muitos shows juntos.

– Como surgiu o nome da banda?

McGee: Essa parte do nome da banda foi sugerida pelo B.B, e estou fazendo o meu melhor para que a sua esperança realmente não seja perdida (risos). Mas tenho certeza de que nada está perdido por aqui, muito pelo contrário, estamos embarcando em uma longa estrada cheia de surpresas e conquistas!

BB: Pode ter vários significados, inclusive pra nós que criamos. Mas particularmente pra mim tem um significado muito forte, que remete a quando nos conhecemos, de alguma forma eu sabia que havia encontrado a minha esperança perdida em achar uma grande vocalista capaz de interpretar e representar tão bem essas canções.

– Quais as suas principais influências?

McGee: Os clássicos do rock’n’roll não podem ficar de fora nessa lista: Neil Young, Hendrix, Janis Joplin, Led Zeppelin, Suzi Quatro, The Doors, você sabe… Mas também estamos bem antenados em bandas contemporâneas como os Spiders, Blues Pills, Wucan, Electric Citizen

– Como vocês definiriam o som da banda pra alguém que nunca ouviu?

McGee: Rock and roll, baby! Com umas pitadas de stoner, psicodelia e blues, é o som perfeito pra se divertir. 🙂

McGee and the Lost Hope

– Contem mais sobre o material que vocês já lançaram.

McGee: O EP “Sensitive Woman” foi nosso pontapé inicial, através dele mostramos ao público nossas composições e influências. É um convite para os shows ao vivo, onde todos podem conhecer mais e curtir altas jams com a gente, nenhum show é igual ao outro!

– O que vocês acham da cena independente hoje em dia?

McGee: É demais! Conhecemos ótimas bandas, tocamos em lugares que nos acolhem muito bem e o público sempre se deixa envolver pela atmosfera de rock’n’roll presente nos nossos shows. É claro que poderia ser maior e movimentar mais grana, mas estrutura vem com o tempo.

– Porque o rock está tão fora das paradas de sucesso hoje em dia?

McGee: O eock incomoda. É muito passional, muito agressivo e sempre passa uma mensagem de liberdade e rebeldia e isso não é muito bom para a manutenção do status quo. O que o mainstream prego é justamente o oposto do eock, não nos surpreende que ele esteja longe do mainstream atualmente.

– Vocês estão planejando lançar um disco completo em breve? Vocês acham que a cultura do disco morreu com a chegada dos serviços de streaming?

McGee: Nosso próximo lançamento será um EP. Álbuns ainda são relevantes, mas precisam ser especiais, devem fazer sentido como um todo e não apenas um punhado de canções – queremos lançar um album que faça as pessoas quererem ouvir aquelas músicas como um álbum, seja lá como elas escolherem o formato físico ou serviço de streaming. Independente disso, nossos shows continuarão cheios de energia rock’n’roll e visceralidade, como sempre fazemos!

McGee and the Lost Hope

– Quais os próximos passos da banda?

McGee: O lançamento do nosso próximo single e o nosso próximo EP, que sairá em breve!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos.

McGee: Carbo, Old Shack Band, Blind Horse, LoFi, Deb and The Mentals, Hammerhead Blues, Stone House on Fire, Gods and Punks e todas as outras bandas que trombamos pela estrada, essa galera é demais – pode confiar!