O som do Fita reinventa as trilhas sonoras dos anos 80 com um pé no futuro

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Fita

Quando o filme “Drive”, com Ryan Gosling, foi lançado, todo mundo ficou impressionado com a trilha sonora oitentista de Cliff Martinez, ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers. Uma das pessoas que ficou de boca aberta com o som do filme foi André Luiz Souza Silva, que a usou como influência para o projeto Fita. No EP “Stick The Crazy” mostra um pouco das músicas eletronicamente roqueiras e trilhas sonoras instrumentais do projeto, que tem influências de Justice, Daft Punk, New Order e m83. Isso não significa que o Fita vá ficar apenas nos anos 80: “O Fita nasceu da vontade e necessidade de compor, criar e tocar da maneira mais independente possível. O único método de composição e estilo é a liberdade de não ter rótulo e nem opiniões divergentes”, conta. “Posso fazer musicas instrumentais, canções, trilhas, barulho… eu decido”.

– Como surgiu o projeto Fita?

Ano passado a banda que eu tocava acabou, aí peguei bode de banda. Não tava afim de cantar, mais criar letras e tal. Mas queria compor, fazer umas músicas diferentes… Aí pensei em fazer umas músicas sozinho mesmo e comecei a pensar em como tocar ao vivo sozinho. Peguei umas músicas que eu já tinha e não dava pra usar na banda e comecei a fazer a parada. Tava de saco cheio da dinâmica de banda: ensaio, tretas, dificuldade pra marcar show e casar as agendas…

– Então esse projeto foi meio que uma válvula de escape de tudo o que a banda trazia e você não queria mais.

Sim. Foi uma terapia. Agora eu sei q eu tenho q fazer tudo do meu jeito e assim eu fico mais satisfeito. Faço tudo no meu tempo e dentro das minhas prioridades.

– E porque o nome “Fita”?

Putz! Dar um nome é um lance muito difícil. Achei que Fita seria legal, pode ser uma gíria que muita gente usa e pode ser fita cassete, fita VHS, fita de videogame, cartucho. Coisas velhas. Eu gosto de coisas velhas. E ainda dava pra fazer as fitas K7 do meu trampo, Aí fica esse trocadilho infame de fita do Fita (risos).

Fita

– Sim, a capa do EP ficou sensacional, me levou direto de volta pra frente do aparelho de VHS do meu vô lá em 1992!

(Risos) Da hora! Eu que fiz. Fiquei horas procurando uma imagem legal de alguma capa de VHS. Aí procurei uma fonte q lembrasse um pouco o logo da SEGA… (Risos) E Fita tá sendo legal por isso. Eu controlo tudo o que dá.
Tento fazer o máximo de coisas por conta própria. Tem coisas que ficam toscas, mas faz parte (risos). As fitas eu gravo em casa. Comprei um duplo deck quebrado por 70 reais, arrumei ele e gravo em casa as fitinhas. Tipo gravar Mtv das antigas em VHS, ou disco em cassete. Sempre rolou esse lance de fita K7 em casa. Meu pai tinha uma coleção da hora. Várias coleções com as capas feitas à mão… Hoje é só fazer uma playlist no Spotify e já era.

– E você gosta desse novo formato de hoje em dia, em que a mídia física ficou obsoleta?

Eu gosto, é muito prático, a qualidade é boa. Eu não tenho paciência, por exemplo, com iTunes. Nem sei onde tá meu iPod! Nunca mais vou ficar sincronizando milhares de músicas. Por outro lado, nem tudo tá no Spotify, nem tudo tá na Netflix, nem tudo tá online… Mídia física é pra quem gosta mesmo, quer garimpar, quer ter uma experiência diferente.

– Voltando ao disco: me fala um pouco mais das músicas que estão nele. Elas têm uma pegada mais oitentista…

Sim. Culpa da trilha sonora do “Drive”. Quando eu vi o filme senti que aquelas músicas eram muito mais a minha vibe do que o que eu tava fazendo. As músicas da trilha não são 80, mas são influenciadas pelos anos 80. New romamtic, synth pop… Você pega os caras da trilha, Kavinsky com a Lovefoxxx… New retro wave e electro
(Risos). College… É muito trilha de filme anos 80. E aí junta a vontade de criar uns sons, tipo Justice e Daft Punk, New Order antes de Ibiza.

– Eu ia perguntas quem influenciou você pra esse disco, mas acho que você já respondeu… Ou será que não?

Isso tudo mais m83 e acho que só. Eu tenho ouvido muito electro, acho que de 10 em 10 vem umas nostalgia (risos).

– Você acha que hoje em dia muito do som que é apresentado na cena independente remete à nostalgia, seja voluntaria ou involuntariamente?

Sim! Acho que sim, de certa forma. Mas acho que faz parte do processo criativo normal. Pegar uma coisa que você gosta, criar em cima disso tentando deixar a sua assinatura. Nem digo que tudo é nostalgia, mas é repertório, gosto pessoal. Daqui 20 anos vai ter gente que vai querer fazer um funk roots estilo Furacão 2000, e vai falar que naquela época é que era da hora (risos). Doideira. Galera era autêntica e tal. (Risos) Acho normal, dificil é criar uma coisa totalmente nova, ou que pareça diferente de tudo.

Fita

– E você tá fazendo shows com o projeto Fita? Sozinho?

Sim, fiz uns 4. Aí eu toco e chamo a Cintia do In Venus e a Adriana do HungryGilli pra cantar. Aliás, preciso pensar num formato melhor e maior de show,  porque os que eu fiz até agora foram curtos, tipo pocket show. Minha ideia é começar a testar as musicas do disco full e colocar uns covers pra aumentar o set.

– Que tipo de cover cê pretende colocar?

Alguma do Chromatics, New Order, fazer alguma versão inusitada, sei não.

– E quais são os planos para esse álbum completo?

Vão entrar as 4 do EP, com mais 6 numa ordem diferente. Vão ter umas músicas instrumentais mais tranquilas, mas pauladas e uma esquisitice ou outra.

– Aliás, você falou do “Drive”… O EP lembra uma trilha sonora, mesmo. Você pensa em algum enredo quando compõe as músicas?

Em algumas delas sim, cara. Outras são só piração. Tem música que eu já faço pensando num filme, num curta, num clipe. A ideia do disco vai ser criar uma história entrelaçando todas as músicas. Não se se vai dar certo
Ate lá eu invento algo convincente (risos).

– Ou seja: se alguém se interessar em criar um curta pra acompanhar os sons, é só falar com você?

Claro! (Risos) Outra coisa que impulsionou o Fita foi o lance da minha mulher sempre dizer que as minhas músicas instrumentais eram bem melhores do que as canções. Aí falei “porra, vou fazer um disco instrumental!”. As duas canções do EP são puro.acidente. Uma letra eu tinha e queria usar, e achei q casava direitinho com o estilo da Cintia. A outra tava pronta e ai o produtor falou “Coloca uma letra nessa música”, aí chamei a mulher dele pra escrever e cantar e rolou. Música pra tocar na novela (risos). Tocar em filme. “Drive 2”.

– E finalmente: recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Cara, sem dúvida nenhuma o In Venus, Sky Down… Gosto muito de uma banda instrumental que chama Shröeder, os caras são de São Paulo, uma música pirada. Gosto de Bode Preto, de Teresina. É death metal! Gosto da Muff Burn Grace do ABC. Tem uma porrada de banda do role que são legais, mas tão meio paradonas: Blear, Moita… Essa banda de mina é foda, porrada mesmo. Punkzão foda!

O que é “bossa nova shoegaze mp3”? A banda morena morena pode te explicar (ou não)

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morena morena
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Apesar do clipe de “Abre Alas” ter sido gravado nos bloquinhos de Carnaval do Rio de Janeiro, não espere nada com uma pegada “Los Hermanos” vindo do morena morena. Formado por Matheus Morena, João Lucchese e Thiago Fernandes, o grupo até tem algo em comum com o quarteto de barbudos: o gosto pela bossa nova. Mas além disso, também apresentam em seu som influências bem diversas, como Frank Ocean, Joy Division e American Football. “Mas, a galera em si, está ouvindo bastante trap e rap, e isso tem entrado em grande peso nas estruturas das músicas”, conta Matheus.

Ao serem questionados sobre como definiriam o som do trio, eles me surpreenderam com uma nomenclatura até então nunca ouvida: “Bossa Nova Shoegaze MP3”. “Mas que diabos é isso?”, você deve estar se perguntando. Pois é, eu também, até ouvir o som do morena morena. Confira a entrevista com eles:

– Como a banda começou?

Então, a banda começou com um projeto solo meu, produzido inteiramente em casa, de forma bem humilde. Eu lancei um EP, e depois disso comecei a marcar apresentações, em razão do bom reconhecimento do material. Foi nesse momento, que senti a necessidade de uma banda para apresentar as músicas. Chamei então João e Thiago. Já tinham uma determinada estrutura para se fazer música, além de uma opinião sobre arte em si bem semelhante. Com isso, a coisa foi se construindo quase que organicamente.

– E como surgiu o nome da banda?

Cara, foi de maneira bem paradoxal. Como eu era um projeto solo eu tinha que colocar algum nome que se interligasse ao meu nome, mas não queria o meu nome em si. Aí, teve um dia que eu estava mexendo no Facebook, e de repente meu amigo me chama de forma urgente, “morena morena”! Aí eu me toquei que seria um bom nome para um projeto mais underground. A letra minúscula é essencial para dar esse caráter mais “sei lá” ao nome, que tem a ver com o conceito do trabalho em si. Então, foi de maneira metódica e ao mesmo tempo, meio que natural.

– Quais as principais influências do som da banda?

Então, o som que estamos produzindo atualmente tem muito influência de artistas como Frank Ocean, João Gilberto, Joy Division e American Football. Mas, a galera em si, está ouvindo bastante trap e rap, e isso tem entrado em grande peso nas estruturas das músicas. Nas canções em si, existe uma influência grande da bossa nova e seus remanescentes.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Isso é algo que gera bastante conversa na banda. Mas, já temos um.norte que bolamos : Bossa Nova Shoegaze MP3 .

morena morena
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– Me fala um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Lançamos o EP “Como Uma Bússola Orbitando Um Espaço Vazio”, que tem um caráter bem.melancólico e intimista, mas que expressava bem cirurgicamente o momento que social que se passava, a tristeza e desesperança se refletindo nas relações de afeto. Eu escrevi e gravei tudo em julho de 2016, então tem todo um âmbito relacionado a perda e compreensão. Os acordes se repetem por todas as músicas em razão justamente disto, quase um mantra, na linha tênue para a loucura. Lançamos também um single chamado “Abre Alas”, que fala sobre superar um obstáculo e permanecer vivo. Sabe? Fazendo que a multidão do Carnaval se assemelhe a um momento de desespero e angústia. O bloco que não acaba. A fantasia que te esconde. Uma coisa meio paranoica e lúdica.

– Então o próximo trabalho pode não ter nada a ver com o que foi lançado.

Em essência as canções possuem a mesma onda. Mas a estrutura das músicas será um tanto diferente sim.

morena morena
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– Já estão trabalhando nesse novo som?

Já sim! Em muito pouco tempo já estará disponível pra ser ouvido pela galera. Já estamos trabalhando nisso.

– Como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Muito rica nesse sentido. A melhor acessibilidade às pessoas em relação a equipamentos de gravação facilitou o processo criativo. Isso fez com que houvessem mais oportunidades a determinados indivíduos de demonstrarem sua percepção musical. É revigorante e muito motivante ver isso rolando.

– O alcance acaba sendo maior, apesar de ter menos entrada no circuito mainstream?

Não sei, o nível de reconhecimento depende menos de uma meritocracia aplicada por gravadoras e mídias televisivas. Mas, de fato essas bandas alcançam bem mais gente justamente pelo fato dessa abertura que a internet proporcionou a música independente, sem dúvida.

– Quais os próximos passos da banda?

Produzir o nosso primeiro disco, procurar novos meios para divulgar nosso trabalho, buscando sempre novos lugares para tocar e conhecer, que é a melhor coisa, né.

– Recomendem bandas e artistas independentes que conheceram nos últimos tempos e todos deveriam ouvir!

Cara, temos ouvido bastante bandas independentes como Mahmed, que fizeram um álbum genial, Ventre, gorduratrans, que acabou de lançar um álbum, El Toro Fuerte, que faz um trabalho belíssimo… Def também é bem interessante, tem muito som bom sendo feito por aqui, e que precisa muito ser notado, são belíssimos!

Trio do Brooklyn Vaureen prepara seu primeiro e barulhento disco, “Extraterra”, e pode trazer seu “grungegaze” para o Bananada em 2018

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Vaureen
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Foi da amizade de duas colegas de trabalho que nasceu a fagulha que viria a se tornar o trio Vaureen, do Brooklyn. Em 2011, as conversas sobre música de Andrea Horne (guitarra e vocal) e Marianne Do (baixo) se transformaram em música. Em 2015 elas lançaram seu primeiro EP, “Dirty Room”, e no mesmo ano o baterista Cale Hand entrou definitivamente na banda. Em novembro de 2016 saiu o segundo EP, “Violence”, refinando seu som e deixando ainda mais aparentes suas influências de rock alternativo noventista, psych, stoner rock e shoegaze.

Ainda este ano acontecerá o lançamento do primeiro disco completo da banda, “Extraterra”. “As composições são uma investigação sobre a natureza da consciência além do mundo da matéria e da percepção”, conta Andrea. “Em ‘Extraterra’, estamos indo mais longe e preenchendo as lacunas. É material que escrevemos ao longo dos últimos 5 anos, incluindo uma versão de uma jam que se tornou a música “Albatross”. Nós amamos essa música, mas sempre sentimos que a versão original era especial por conta própria. Toda vez que tocamos, nos olhamos tipo “você sentiu isso?”… Esse sentimento especial”, explica.

Conversei com o trio sobre sua carreira, os dois EPs, o rock no mainstream, o disco “Extraterra” e mais:

– Como a banda começou?

Marianne: Andrea é uma designer incrível, e eu crio sites. Nós costumávamos trabalhar juntas na mesma empresa em Nova York. De alguma forma começamos a falar sobre música. Lembro de um dos primeiros e-mails da Andrea para mim sobre música: era um link do Hanson fazendo cover de Radiohead.

Andrea: (Risos) Sim, eu curti tanto o jeito que aqueles caras estavam tocando “Optimistic”, com tanta reverência … Você podia ouvir que eles cresceram ouvindo Radiohead, assim como nós. Durante anos, eu compartilhei canções ridículas com Marianne, às vezes a mesma música várias vezes porque eu continuava me apaixonando pela mesma faixa repetidamente e esquecia que já tinha mandado! Em torno de 2010, a música era minha principal fonte de sanidade e satisfação. Eu queria fazer música desesperadamente, em vez de trabalhar na minha vocação. Eu tinha um violão desde que eu era adolescente, mas não percebi o que isso significava para mim até aquele momento. Eu senti que formar uma banda era algo que eu precisava fazer na minha vida. Tornei-me dedicada a me ensinar a tocar e a cantar, geralmente acordando horas antes do trabalho e gravando um monte de loops pra tocar em cima. Parecia que algo estava tentando sair de mim, o que parecia assustador compartilhar com outra pessoa. Eu tinha tanto medo do julgamento de outras pessoas. Marianne foi a primeira pessoa com a qual me senti confortável tentar fazer uma jam. Nós simplesmente mantivemos isso, eventualmente convidando amigos a tocar bateria com a gente até encontrarmos um que ficou.

Marianne: E essa pessoa foi Cale!

Cale: Eu entrei no início de 2015. Conheci o parceiro da Marianne que me procurou perguntando se eu estava tocando. Eu não estava e estava curioso sobre sua música. Gostei, entrei, aprendi algumas partes e criei algumas minhas.

– O que significa Vaureen?

Andrea: Existe este termo francês, le vaurien, que significa algo como “desviante”. Marianne me contou isso porque estávamos falando sobre vilões do filme. Quão interessante é ver uma luz em um personagem sombrio em um filme e pensar “ele não é ruim – ninguém é … ou será que são”? Eu criei a nova ortografia da palavra.

Marianne: Não importa o quão boa seja uma pessoa, acho que todos são capazes de sucumbir aos piores instintos, então eu estava explorando palavras que tinham a ver com isso, e le vaurien ficou na cabeça. Nós também gostamos que “Vaureen”, soa um pouco como o nome de uma menina, e que tem uma pegada anos 90.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Andrea: Nirvana, Sonic Youth, o som de Seattle dos anos 90, PJ Harvey, The Breeders, Siouxsie & The Banshees, My Bloody Valentine, além de bandas pesadas como Melvins, Torche, Witch. Às vezes, chamamos nosso som “grungegaze”. Cada um de nós tem diferentes influências individuais para o nosso som. Mas as bandas listadas acima têm elementos que a banda considera como um todo.

– Conte-me mais sobre o EP “Violence”.

Marianne: Depois que o EP “Dirty Floor” saiu, inscrevi a Vaureen para um dia de estúdio gratuito na Converse Rubber Tracks no Brooklyn, e eles nos aceitaram em janeiro de 2016. Gravamos “Tough Guys” lá, e isso funcionou tão bem que tivemos que decidir o que viria a seguir! Tínhamos algumas outras músicas prontas para gravar, então fizemos aquelas (“Evil” e “Before The Rectangles Take Over”) no Spaceman Sound em Greenpoint, Brooklyn, um mês ou dois depois. Eu adoro o nosso EP “Violence” porque as três músicas são tão diferentes. “Tough Guys” tem um gancho de refrão grudento, “Evil” é direto e pesado com um doce solo de guitarra no final, e “Before the Rectangles Take Over” é uma cheia em camadas lentas com harmonias vocais em tudo.

Vaureen

– Como o EP atual é diferente de “Dirty Floor”?

Marianne: “Dirty Floor” foi a nossa primeira gravação, e acho que parece assim. Também tínhamos um baterista diferente na época. Nós entramos naquela sessão de gravação com a intenção de gravar 9 músicas. Duas delas não foram terminadas, e mais duas nós sentimos que não eram suficientemente boas para o EP, então as 5 músicas restantes são o que está em “Dirty Floor”. Nós nos tornamos melhores músicos desde que o EP foi lançado, mas as pessoas ainda nos dizem que adoram a música “Slip”, e Cale adora “Anastasis” e fica super feliz quando tocamos essa ao vivo.

Cale: Embora eu não estivesse presente no “Dirty Floor”, sinto-me à vontade dizendo que tudo agora parece muito mais completo e tem muito mais profundidade. E “Dirty Floor” é muito legal. Mas acho que é seguro dizer que o som evoluiu.

– Vocês estão atualmente trabalhando no seu primeiro álbum completo. Podem me contar mais?

Andrea: Uma coisa que me deixa realmente entusiasmada com esse trabalho é o quão pesado vai ser. Você vai ver. O título é “Extraterra”, ou “além da Terra”. As composições são uma investigação sobre a natureza da consciência além do mundo da matéria e da percepção. Se o disco fosse uma pessoa, seria olhar para o céu com tantas perguntas, sentir-se preso entre reinos e não capaz de viver completamente em qualquer domínio. Aqueles que gostam do “Violence” não ficarão desapontados. Em “Extraterra”, estamos indo mais longe e preenchendo as lacunas. É material que escrevemos ao longo dos últimos 5 anos, incluindo uma versão de uma jam que se tornou a música “Albatross”. Nós amamos essa música, mas sempre sentimos que a versão original era especial por conta própria. Toda vez que tocamos, nos olhamos tipo “você sentiu isso?”… Esse sentimento especial. O Aaron Bastinelli está produzindo esse registro. Nós tocamos com ele quando ele gravou “Tough Guys” para nós no Converse Rubber Tracks no Brooklyn (agora fechado). Não havia dúvidas sobre trabalhar novamente com ele, ele entendeu o nosso som sem que precisássemos explicar. É um relacionamento muito harmonioso, somos tão sortudos!

Cale: Fiquei surpreso com o quanto estou tocando – o que significa que eu acho que haverá um pouco de bateria mais rápida, o que normalmente não é exatamente minha pegada. Eu estava ansioso por gravar o álbum mais pesado na bateria da minha carreira. Também acho que este álbum terá um pouco de novos sons que a Vaureen não explorou no passado.

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– Como é a cena musical independente em Brooklyn hoje em dia?

Andrea: Está viva e bem! A cena da música pesada em particular é próspera, centrada em torno de um local chamado Saint Vitus em Greenpoint, Brooklyn. Este local tornou-se realmente central para a cena em geral, já que muitos locais fecharam nos últimos 5 anos. Há tanto talento e criatividade acontecendo na engenharia de música e som. O Shea Stadium e o The Silent Barn também foram grandes centros para a cena musical independente. Esses lugares continuam expandindo de novas maneiras. Por exemplo, acho que Shea grava seus shows ao vivo e The Silent Barn estabeleceu um esquema sem fins lucrativos e lançou uma tonelada de incríveis programas de rádio independentes.

– Qual a sua opinião sobre o mundo da música hoje em dia? O rock morreu para o mainstream?

Andrea: Assim como o antigo pessoal estabelecido nos EUA (velhos caras brancos) está ultrapassado, a música deles também está. É fácil parodiar artistas como Neil Young, Bob Dylan, Jim Morrison. A paródia geralmente é um sinal de que algo está se tornando culturalmente irrelevante. Dito isso, eu só posso dar minha opinião sobre o mainstream de uma perspectiva externa. Nós (a banda) estamos começando a conhecer “o mundo da música”, pois ele está se transformando em algo novo. Não consigo entender totalmente o que é, e ninguém consegue! Pessoalmente, acho que essa área intermediária, essa área cinza, é realmente emocionante. Na minha opinião, o rock não pode morrer. O verdadeiro “rock” não é apenas um gênero, é um estado de ser. Usando guitarras e outros instrumentos para ser cru e emocional de uma forma que é conflituosa e… ALTA! É atemporal. Vejo que a música se torna algo tão nicho. Como todos têm um dispositivo em suas mãos, cada pessoa está conectada ao seu pequeno mundo. Eles podem escolher o que está lá e, simultaneamente, entrar em contato diretamente com os artistas que conhecem e amam nas mídias sociais, o que é realmente ótimo para artistas independentes como nós.

– Quais são os próximos passos do Vaureen?

Andrea: Terminar o “Extraterra”. Fazer alguns vídeos. Eventualmente, cair na estrada. Há alguém no Brasil que nos disse que poderíamos (talvez) entrar na programação do festival Bananada em 2018. Não é oficial, mas … vamos sonhar!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Andrea: Meatbodies (o disco chama “Alice”).

Marianne: Eu tenho curtido Part Chimp ultimamente. Eles lançaram um álbum chamado “IV” no início deste ano, que é demais.

Cale: Hand Habits é legal. Beverly também é uma boa banda.

Miêta promete seu primeiro e alucinante álbum, “Dive”, para o segundo semestre deste ano

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Miêta
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Quem foi que disse que o Facebook só serve para compartilhamento de memes e brigas políticas? Foi um post nessa rede social que gerou a banda Miêta, de Belo Horizonte. A banda traz em seu rock alternativo influências que passam pelo dream pop, shoegaze e indie, com toques de Beach Fossils, Yo La Tengo, Stereolab, Sleater Kinney e Pixies na mistura sonora.

Formado por Marcela Lopes (baixo/vocal), Célia Regina (guitarra/backing vocal), Bruna Vilela (guitarra/backing vocal) e Luiz Ramos (vateria), o quarteto lançou seu primeiro single, “Room” em outubro de 2016, seguido por “Pet”, em março desse ano e “I like You So Much Better When I’m Down”, que saiu em julho como parte da coletânea “C’mon Feel The Noize”, do The Blog That Celebrates Itself. A banda mineira prepara para os próximos meses seu primeiro álbum, “Dive”. “Estamos tentando criar uma experiência auditiva que complemente a experiência já conhecida nesse um ano que estivemos na estrada”, explicam.

A banda bateu um papo coletivamente comigo no chat do Facebook (já que este foi indiretamente o responsável pela formação do grupo, porque não?). Falamos sobre a carreira da banda, seu processo de criação, o machismo no mundo musical, o formato álbum nos dias de hoje e muito mais:

– Como a banda começou?

Bom, Célia e Bruna tocavam juntas numa banda de cover, até que a Célia resolveu começar uma banda autoral e postou num grupo aqui de BH sobre meninas interessadas em começar esse projeto. A Marcela respondeu e a Bruna foi convidada também. As 3 são as integrantes originais da banda, que já teve outras duas baixistas e bateristas antes de o Luiz entrar e a Marcela assumir o baixo também.

– E de onde surgiu o nome Miêta?

Miêtta Santiago foi uma sufragista mineira pioneira na luta pelos direitos civis igualitários nos anos 20. Como somos uma banda com 3 mulheres em posição de protagonismo, achamos que o nome representa bem essa luta diária, principalmente, no nosso caso, dentro da música, que é ainda muito machista, excludente e objetificante.

– Porque a música continua sendo um meio machista? Muitos ainda falam do funk como o único estilo machista, quando sabemos que isso acontece em qualquer estilo.

Sim, todas as cenas de modo geral reproduzem o machismo da sociedade patriarcal em que estamos inseridxs
Não é exclusividade do funk de jeito nenhum. Acho que algumas cenas de funk tem isso mais escrachado nas letras, tratando de sexualidade sem muita massagem, por ex, mas o machismo tá em todo rolê inclusive no meio independente. Acho que o fato é que ocorrem reproduções de discurso e postura machistas qur permeiam nossa vida em sociedade, porque seria diferente no âmbito das artes? Principalmente no rock, que perdeu seu caráter questionador há muito tempo.

– Quais as suas principais influências musicais?

São bem variadas. Do shoegaze ao pop, 80’s, 90’s, rap… cada um trouxe uma carga bem variada pra banda. Acho que nossas figurinhas em comum são bandas como Diiv, Beach Fossils, Melody’s Echo Chamber, Brvnks, My Magical Glowing Lens, El Toro Fuerte, Raça, Chico de Barro, Ventre, Def… Das classiqueiras tem Sonic Youth, Dinosaur Jr, American Football, Pixies, Sleater Kinney.

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– Por falar nisso, vocês veem um levante feminino na música acontecendo nos últimos tempos? Até no sertanejo isso pode ser visto, com o “feminejo”

Acho que o que está acontecendo, graças a um corre de empoderamento das minas pelas minas, é que elas tem se sentido mais seguras para tocar pra frente seus projetos sem aquele peso do silenciamento que nos diz que não somos boas o suficiente. Rompendo estereótipos de gênero e ocupando espaços que nos foram negados, como os palcos, em que sempre fomos reduzidas a estereótipos que diziam do.local que nos foi delegado historicamente. Achamos incrível que isso esteja acontecendo e lutamos para que se amplie cada vez mais, em todo e qualquer cenário, porque produzimos e somos igualmente capazes, qualidade de trampo n diz respeito a genitália. A gente tá dando o grito, parando de ser conivente com a ideia que nos foi vendida historicamente de que existe um lugar de mulher. Lugar de mulher é onde ela quiser!

– Me falem um pouco sobre o material que vocês já lançaram!

Lançamos os singles “Room”, em outubro do ano passado, “Pet”, em março desse ano e “I like You So Much Better When I’m Down”, que saiu em julho como parte da coletânea “C’mon Feel The Noize”, do The Blog That Celebrates Itself.

– E estão planejando um disco completo?

“Pet” foi lançada com clipe, nosso primeiro, dirigido pelo Jonathan Tadeu, e fala justamente da importância de nos desvencilharmos de relacionamentos tóxicos, seja amoroso, familiar, de amizade etc. Sim. Nosso disco já foi todo gravado e estamos trabalhando no processo de mixagem agora. Ele deve sair assim que a gente conseguir considerar ele pronto pro mundo. O que é bem difícil. Mas de agostyo não passa. (Risos) O nome é “Dive”.

– E o que dá pra adiantar do “Dive”?

Bom, as músicas são composições que fizemos desde quando éramos só Marcela, Bruna e Célia, até composições mais recentes que fizemos junto com o Luiz. Então, é realmente um caldeirão de influências, baseado na barulheira e vigor que já são conhecidos dos shows. Estamos tentando criar uma experiência auditiva que complemente a experiência já conhecida nesse um ano que estivemos na estrada, fazendo shows!

– E como é o processo de composição da banda?

Geralmente criamos ideias em casa, trabalhamos juntxs também em casa numa estrutura básica e evoluímos essas ideias em estúdio.

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– Vocês acreditam no formato disco? Hoje em dia percebemos que o formato álbum tem caído, com as pessoas preferindo músicas soltas nos serviços de streaming. Como vocês veem isso?

O streaming possibilitou que uma vasta produção independente realmente tivesse escoamento. Porque o lançamento físico, afinal, requer um orçamento de qualquer forma. Além disso, é a forma de consumir música que tem tomado mais espaço. É o que consegue chegar nas pessoas de forma mais eficiente. Mas, de toda forma, sendo uma banda independente, não dá pra abdicar de qualquer opção de merchandising que seja interessante. então talvez o formato padrão com caixinha de acrílico e encarte esteja mesmo ultrapassado, mas se a gente explora uma apresentação diferente, ou agrega o disco num outro tipo de produto, pode ficar interessante. o fã da música independente ainda vê valor nesse tipo de produto e sabe que a venda é uma forma de manter a banda funcionando. então o pessoal acaba comprando alguma coisa. E em relação à disco X música solta:
acho que o disco apresenta um produto mais amplo e formatado do que a banda pode apresentar. É uma carta de apresentação em que acreditamos por ser concisa e, ao mesmo tempo, mostrar a capacidade de pluralidade sonora da banda.

– Quais os próximos passos da banda?

Vamos sair em turnê nessa sexta agora e vamos passar pelos quatro estados do sudeste em quase uma semana e meia. Estamos bem animados com isso. Além disso, nossa preocupação tem sido voltada para a finalização do disco e o seu lançamento. A partir daí, vamos focar em divulgação, novos projetos, novos contatos com outras bandas e novos shows para manter tudo em movimento. 😉

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Nossa. É muita coisa (Risos). Vamos acabar esquecendo de alguém. Mas vamos lá: In Venus, My Magical Glowing Lens, Loomer, Ventre, Lava Divers, Justine Never Knew The Rules, Katze Sounds, Papisa, Lari Pádua, El Toro Fuerte, Fernando Motta, Fábio de Carvalho, Chico de Barro, Não-Não Eu… Calma, tem mais (Risos). Young Lights, Sky Down, KKFOS, Leões de Marte, Sick, Soft MariaMusa Híbrida, Leões de Marte, Canto Cego, SUPERVÃO, Raça, The Outs, Hierofante Púrpura, Marrakesh, The Us, Sabine Holler, Conjunto Vacio, Roboto, Rebelde Sem Calça, Billy Negra… Gomalakka, Valciãn Calixto, TheuzitzO Mar Cobrindo O SolTerno Rei, The Junkie DogsKill Moves, ReadymadesPelosDV TriboCarmem FemSubversa, BrvnksSci-Fi, Luv Bugs, Old Stove, Vulgar GodsSLVDRRoger DeffBertha LutzPapisamaquinas, Wry, Pin Ups, ZonbizarroLava DiversConfeitaria, Grupo Porco de Grindcore Interpretativo… Nossa, quer apostar o que que a gente ainda vai esquecer gente? Rio Sem Nome, Marcelo TofaniEma Stoned

 

“Saddest Summer” mostra que Teen Vice é a irmã mais nova pirralha e barulhenta do Sonic Youth

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Teen Vice

O disco “Saddest Summer”, da banda novaiorquina Teen Vice, poderia perfeitamente ter saído no meio dos anos 90. E isso é um elogio. As influências de Sonic Youth, Hole e The Breeders são fáceis de pegar, além de toques de Angel Olsen, Big Thief, Sharkmuffin, Sunflower Bean… O quarteto define seu som como post punk, grunge e “punk de shopping” e estraçalha qualquer um que estiver pela frente em suas apresentações ao vivo.

Formada por Josh Ackley (baixo e vocais), Tammy Hart (guitarra e vocais), Derek Pippin (bateria) e a brasileira May Dantas (guitarra e vocais), a banda do Brooklyn só tem gente que sabe muito bem o que está fazendo: Tammy começou sua carreira no colegial, quando assinou com o selo Mr. Lady Records e fez turnê com o Le Tigre, lançando aos 18 anos seu primeiro disco “No Light In August”, indicado pelo NY Times como um dos melhores álbuns de 2000. Depois ela formou a banda GangWay em São Francisco, e em Nova York as bandas Winning Looks e Making Frienz. Em 2009 ela acabou entrando também na icônica banda MEN. Já Josh começou junto com Derek na banda punk The Dead Betties, que assinou com a Warner Music após o lançamento de seu disco “Summer or 93” e teve seu single “Hellevator” exibido com frequência na Mtv e VH1. Derek não ficou só nessa, tendo tocado diversos instrumentos também com as bandas Fur Cups for Teeth, Boogie Brains, Sped, The Kickstarts, The Baddicts, Tight Chocolate, The Buybacks e muitas outras. A brasileira May era a frontwoman da seminal banda paulistana The Fingerprints, onde dominava o palco como poucos na cena independente brasileira.

Toda a energia e experiência desses quatro integrantes é notável no disco lançado em julho pela Commission Music. Em faixas como “How Does It Feel?” dá pra sentir que Kim Deal tem um altar garantido na sala de ensaios da banda, enquanto “Y U WNT 2?” mostra que bandas como AC/DC e ZZ Top também fazem parte da discoteca inspiradora do Teen Vice. Vale a pena conferir a obra do começo ao fim, pois, segundo o baixista Josh, “se a cultura do disco está morta, vamos trazê-la de volta à vida”.

Conversei com ele sobre a carreira da banda, o novo disco, a falta de rock nas paradas de sucesso e muito mais:

– Como a banda começou?

Eu joguei um feitiço neles.

– Como surgiu o nome Teen Vice?

Ele tem um som legal, somente. E é “TV” se você abreviar. Somos a irmã mais nova, mais barulhenta e mais pirracenta do Sonic Youth, e estamos sempre de castigo.

– Quais são suas maiores influências musicais?

ZZ Top, Deee-Lite, Madonna, Hole, U.S. Girls.

– Como vocês definiriam o som da banda pra quem nunca ouviu?

Eu diria que uma filha acelerada de uma relação entre o The Breeders e o The Cars.

– Me contem mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Estamos muito entusiasmados com nosso álbum de estréia, “Saddest Summer”, que saiu pela Comission Music no dia 14 de julho. Fora disso, lançamos algumas músicas, “Cry for You” e uma cover de “Aneurysm”, do Nirvana.

Teen Vice

– Como anda a cena independente de Nova York hoje em dia?

Está viva e bem, and the kids are alright. De qualquer forma, somos uma das poucas bandas tocando música vibrante e acelerada. Fora o Fruits and Flowers e The Hellbirds, ambas fantásticas, o pessoal ainda está empacado naquele negócio nada a ver de drone synth.

– Porque nos últimos tempos o rock ficou tão excluído das paradas de sucesso?

Porque as bandas estão tentando se conformar em vez de se destacar. O que só torna o rock chato. Uma tonelada de pessoas culpa o hip-hop, ou o país, mas isso é besteira. A culpa é dos rockers lançando álbuns ruins que ninguém quer comprar. E também, há um pouco de um problema de diversidade no rock.

– A cultura do disco, do álbum completo, está definitivamente morta com o crescimento do streaming?

“Saddest Summer” fala de amor, inadequação, corações partidos e identidade. Se a cultura do disco está morta, vamos trazê-la de volta à vida. É trabalho do artista fazer questão de que sua arte floresça, não trabalho da sociedade.

  • – Quais são os próximos passos da banda?

Lançamos o álbum e planejamos lançar um monte de clipes. E fazer turnê pela Espanha e beber Spritz na Riviera Francesa.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

U.S. Girls, Jay Som, Fruits and Flowers.

Ouça “Saddest Summer” aqui:

Duo de Fortaleza Intuición mostra sua selvageria frenética cheia de raiva e deboche no EP “Drugui”

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Intuición
Intuición

Os drugues estão à solta! Utilizando a linguagem nadsat criada por Anthony Burgess no clássico “Laranja Mecânica”, o duo de Fortaleza Intuición batizou seu mais recente EP, lançado em 2016, de “Drugui”. Formada por Clapt Bloom (vocais) e Lua Underwood (synths, guitarra e eletrônicos), a banda faz shows arrebatadores e é impossível não ser impactado depois de ver uma de suas alucinadas e viscerais apresentações ao vivo.

A atitude grrrl power de Clapt no electropunk da dupla já rendeu muitos comentários. Os que entendem o que o rock significa ficam maravilhados e batem palmas para a atitude selvagem da vocalista no palco. Já os conservadores com mentalidade antiquada, que corariam ao ver Iggy Pop se jogando no chão, enchem (e muito) o saco da banda. “Estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte…”, lamenta. Mesmo com essas pedras retrógradas no caminho, o duo segue sua selvageria punk e prepara seu primeiro disco, que deve ser lançado em breve mostrando um pouco de influências setentistas no alucinado som da banda.

Conversei com Clapt sobre a carreira do duo, o disco “Drugui”, as impressionantes e desenfreadas apresentações ao vivo, a cena independente de Fortaleza e muito mais:

– Como a banda começou?

Eu tinha acabado com minha primeira banda e tava sem saber o que fazer. Eu e o Lua já éramos amigos desde o colégio, na época ele tava produzindo uns remixes muito bons, ouvi e perguntei a ele se não dava pra compor pelo programa que ele usava, ele disse que sim e aí decidimos formar esse duo eletrônico.

– Quando foi esse início?

No final de 2012, ai logo no comecinho de 2013 começamos a divulgar o som que a gente tava fazendo/experimentando.

– Quais as maiores influências musicais de vocês para este projeto?

Eu sempre fui inspirada na cena riot grrrl dos anos 90, desde a minha primeira banda. Acho que independente do projeto que eu esteja, sempre vai transparecer essa minha influência… Em relação à música/composição, eu e o Lua temos praticamente as mesmas influências e ideias pro Intuición, a gente se baseia em bandas como Sonic Youth, Le Tigre, Vive La Fête, David Bowie, CSS, entre outros.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem ainda não conhece?

Electropunk… é uma definição vaga mas acho que é a que mais se encaixa!

– Me contem um pouco mais sobre o material que você já lançaram.

O último material que a gente lançou foi o “DRUGUI”, em fevereiro de 2016. Fizemos o mesmo esquema de sempre: gravação caseira, com um PC fodido e um celular. A gente queria fazer músicas que dessem uma energia maior nos lives, e esse EP foi praticamente todo pensado pra funcionar ao vivo. Acho que isso se encaixa na temática do EP também, que foi inspirado na comunidade/estética nadsat criada no Laranja Mecânica.

– Por falar em shows ao vivo, este ano vocês tiveram que bater de frente com pessoas conservadoras e retrógadas que ficaram irritadas por sua performance em shows. Como rolou isso?

Na hora em que estávamos tocando rolou tudo de boa, nenhuma reclamação aparente, foi OK. Eu só cheguei a ver esse “linchamento” virtualmente: estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte… Tive que ir até a delegacia da mulher por medo. Fiz o B.O., mas eles não tratam esses casos pela delegacia da mulher e eu fiquei completamente desconfortável de saber que eu teria que contar com policiais homens pra “resolver” essa situação, então desisti de levar o processo adiante.

Intuición

– Esse tipo de comportamento virtual ainda acontece constantemente com bandas com mulheres na formação, ou com integrantes LGBTQ. Como as bandas podem lutar contra este tipo de agressão?

Batendo de frente, não tem muito o que fazer… O lance é mostrar o seu trabalho a qualquer custo e passar a vida toda se esquivando dessas barreiras, gritar o mais alto que puder, ninguém vai querer te ouvir, nem te dar credibilidade por nada.

– Como está a cena independente de Fortaleza hoje em dia?

Tem um tempinho que começou ressurgir bandas com uma identidade autoral muito massa, sem medo de experimentar. Eu acho a cena independente hoje em dia bem representada aqui em Fortaleza.

– Porque o formato duo, antes raro no rock, se tornou tão popular?

Não sei… Acho que com o avanço da tecnologia, as pessoas optaram trabalhar umas com as outras cada vez menos. Eu prefiro trabalhar com o mínimo de gente possível, quando tem muitas ideias surge uma confusão… Enfim, lidar com gente é bem complicado!

– Aliás, deixa eu voltar um pouco: como surgiu o nome da banda?

Foi do nada… Fiquei escrevendo uns nomes aleatórios num papel até que pensei em Intuición, o Lua gostou e deixamos assim mesmo!

Intuición

– E antes do “Drugui” vocês lançaram bastante coisa. Me conta mais dessa trajetória!

No começo a gente só soltava umas músicas aleatórias, até que a gente decidiu dar uma revisada no nosso set e se focar em fazer um EP. Então em 2014 a gente lançou o “Desperate | Silver Lining” e começamos a fazer shows (nosso primeiro show foi em 2013, na verdade, mas depois disso passamos um tempo parados), era muito ruim na época (na verdade hoje em dia não mudou muita coisa). Ninguém entendia como funcionava o nosso live e a gente também não tinha equipamento… Pra completar na época o PC que a gente usou pra construir o EP inteiro pifou e perdemos todos os projetos das músicas. Acabou que trabalhamos num EP e nunca tivemos a chance de tocar ele ao vivo. Então no final de 2014 a gente começou a fazer um segundo EP, o Lua tava ganhando mais experiência como produtor e conseguiu fazer nosso EP soar bem profissional pra pouca coisa que tínhamos na época. Acabou que uma galera gostou do “Sad Frequencies” e começamos a fazer mais shows, algumas pessoas apostaram na gente e a nossa estrutura como banda tava pegando maturidade. Em 2016 lançamos o “DRUGUI”.

– Os shows de vocês são conhecidos por serem inesquecíveis. Como você descreveria um show da banda para quem ainda não viu?

(Risos) Eu nao sabia disso, massa. Pra quem ainda não viu o show, acho que posso descrever como frenético, cheio de raiva e deboche, eu e o Lua nos sentimos assim a maioria das vezes que pisamos no palco.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende lançar um single ainda esse ano e começar a trabalhar no nosso primeiro álbum.

– Pode adiantar algo sobre o que vem no álbum?

Humm… Pelas experimentações que a gente vem fazendo, creio que o álbum vá vir com uma vibe setentista, é a única coisa que posso afirmar!

– Recomende bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vou citar a galera daqui, que a gente sempre cita nas entrevistas, bandas como Monquiboy-Boo, Miss Jane, Lascaux, são bandas independentes que fazem um som muito massa aqui por Fortaleza!

Maíra Baldaia mostra afrobrasilidade à flor da pele em seu primeiro disco, “Poente e Outras Paisagens”

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Maíra Baldaia

No final de 2016 a cantora Maíra Baldaia lançou seu primeiro disco, “Poente e Outras Paisagens”, recheado de influências da afro-mineiridade e da cultura brasileira. Formada em música pela Bituca – Universidade de Música Popular e em teatro pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela inclui sempre que possível elementos cênicos e teatrais em suas apresentações ao vivo.

Com influências que vão do jazz ao congado, Maíra começou sua carreira cedo, com 5 anos de idade, cantando no disco do mineiro Tony Primo. Em sua carreira solo, investe na inclusão de sonoridades africanas, já que tem contato com religiões de matriz africana desde criança. “Mais que uma questão musical, é uma questão de identidade, filosofia de vida, de onda toca a minha verdade. Também o contato com o congado e os tambores de Minas Gerais sempre me envolveram e me tocaram de forma muito forte. As africanidades influenciam meu modo de compor, de me comportar e posicionar no palco e na vida, de olhar e vivenciar o mundo”, explica.

Conversei com ela sobre o disco “Poente e Outras Paisagens”, sua carreira desde a infância até hoje, a vida de cantora independente e um pouco sobre o próximo álbum:

– Como você começou sua carreira?

Minha primeira participação na música foi aos cinco anos de idade em que cantei no disco do compositor mineiro Tony Primo, na ocasião participei dos shows de lançamento e das gravações em estúdio. Desde então, fui brincando com arte, seja no teatro ou na música. Inclusive, foi no teatro que aos 12 anos eu descobri (ou redescobri) que cantava de verdade. Fazíamos um espetáculo que começava comigo cantando “Rosa” do Pixinguinha. Até que aos 15 anos participei da minha primeira banda em Itabira, minha cidade natal, era uma banda de rock autoral chamada Phado. Paralelamente à banda de rock autoral eu cantava e ouvia muito também um vasto e diverso repertório da Música Popular Brasileira. Aos 16, através da enRede – Rede Internacional de Municípios pela Cultura, viajei para Serpa/ Portugal para participar do Concerto enRede (shows com artistas de diversos países) e o Mineirada – projeto idealizado pelo produtor Cleber Camargo (meu pai). Apesar de já estar em atividade há algum tempo, considero essa viagem para Portugal a primeira oportunidade profissional que tive na música. E desde então, segui nessa estrada…

– Quais as suas principais influências musicais em seu trabalho solo?

O meu trabalho solo traz um repertório autoral carregado de influências e isso deságua no meu primeiro disco “Poente” e outras paisagens e nos meus shows. Desde criança minha mãe e meu pai ouviam muita música, eram produtores culturais e isso me possibilitou conhecer muito de perto a música mineira e brasileira. Em meio à tantas referências eu acho até difícil essa tarefa de separar as principais influências, mas vamos lá… Em Minas Titane, Maurício Tizumba, Marku Ribas, Déa Trancoso e Milton Nascimento me influenciaram com um som que traz identidade e uma veia ancestral. Ainda ouvia quase todos os dias eternos Bethânia, Caetano, Gal, Gil, Cássia Eller. Tinha ainda os internacionais Michael Jackson e Janis Joplin. Essas artistas são influências fortes no meu trabalho solo que se mistura ainda à minha vivência desde criança em religiões de matriz africana, à poesia e dramaturgia que influenciam nas texturas e letras, ao meu olhar feminino, poético e crítico de uma sociedade, às mulheres e matriarcas da minha caminhada, às ruas e aos encontros pelo caminho.

– Já que você falou nele, vamos falar um pouco sobre seu primeiro disco, “Poente”. Como foi a produção deste álbum?

Gravado por mim e pelas parceiras Débora Costa, Larissa Horta e Verônica Zanella, com as participações especiais de Alysson Salvador, Bia Nogueira, Caetano Brasil, Nath Rodrigues e do mestre Maurício Tizumba, “Poente” e outras paisagens cumpre o papel de um primeiro disco e traz uma coletânea de composições minhas que abrangem influências e experiências diversas, algumas mais antigas feitas a seis anos/ três anos e outras feitas um mês antes de entrarmos pro estúdio. É uma produção totalmente independente em que conto com a direção musical de Clayton Neri, com arranjos de Verônica Zanella, Alysson Salvador, Clayton Neri e assino a direção artística. Eu trago no disco um conceito dramatúrgico presente nas letras principalmente, todas as músicas são minhas composições e há algumas das parcerias com cantautoras mineiras. Foi gravado, mixado e masterizado pelo mago Andre Cabelo no Estúdio Engenho em Belo Horizonte. Fizemos muitos ensaios e preparamos tudo na pré-produção, assim o processo em estúdio foi bem leve e rápido. Ainda estiveram na equipe desse álbum Camila França, que assina a produção executiva comigo, Gabriela Brasileiro e Matheus Fleming no projeto gráfico e Jenfs Martins na fotografia.

– No disco dá pra perceber muita inspiração de ritmos africanos. Como esse tipo de som te influencia?

A afro brasilidade é algo muito forte em minha vida. Como falei anteriormente, isso vem de vivências pessoais em religiões de matriz africana desde criança, mais que uma questão musical é uma questão de identidade, filosofia de vida, de onda toca a minha verdade. Também o contato com o congado e os tambores de Minas Gerais sempre me envolveram e me tocaram de forma muito forte até que fui trabalhar Maurício Tizumba, Titane e João das Neves e mergulhei mais profundamente na cultura afro mineira. As africanidades influenciam meu modo de compor, de me comportar e posicionar no palco e na vida, de olhar e vivenciar o mundo.

Maíra Baldaia

– Como você definiria o seu som?

Meu som é bastante eclético, devido às diversas influências presentes nele, no meu disco tem Canto Afro, tem Tambor Mineiro, tem Jazz, tem Samba, tem Blues e tudo isso vem numa costura pela MPB e pela World Music.

– Como você vê a vida de artista independente hoje em dia? Quais os maiores desafios?

Falo a partir do cenário em que vivo e trabalho: Belo Horizonte/MG. Ser artista independente no Brasil é sinônimo de muito trabalho, ainda mais dobrado agora no atual cenário político do país. Pra mim, o grande desafio é não perder o brilho no olho e a sensibilidade que a arte necessita devido a ser uma caminhada árdua e às vezes inconstante, mas não impossível. Temos que batalhar por nosso espaço, pela sobrevivência e pela valorização da arte independente e ainda temos que ser, além de artista, uma equipe inteira muitas vezes… entender de produção, de social media, de assessoria de imprensa, de audiovisual, de formatação de projetos e por aí vai. Ser empreendedora, pensar e planejar a carreira, estabelecer metas, executar múltiplas funções e buscar as parcerias certas ajudam muito nessa caminhada e eu sigo nessa busca.

– Como você acha que esse cenário pode melhorar no futuro?

Com trabalho, com união da classe artística, com pensamento de gestão de carreiras, com espaços e oportunidades, com ações da classe e também com a valorização por parte de quem nos contrata e do governo. É preciso mais investimento na cultura e na educação, investimentos que gerem resultados duradouros, pois a arte tem a qualidade de trazer pensamento crítico através do conteúdo ou do sensorial, a arte pode transformar as pessoas em seres mais empoderados, pensadores, criativos, motivados e transforma também nas questões da representatividade e quebra de preconceitos e padrões.

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Eu tenho trabalhado em novas músicas sim! Na verdade estou em processo de seleção do repertório do meu próximo álbum. Já tenho canções que dariam mais dois discos, algumas incompletas e outras já arranjadas. Sempre que crio uma música vem uma ansiedade de vê-la nascer, de colocar nos shows, mas ainda estou estudando e planejando o caminho a percorrer nos novos projetos.

Maíra Baldaia

– Pode adiantar algo sobre o próximo disco?

Ainda não (risos)! Estou trabalhando no conceito do disco, mas posso adiantar que será um trabalho mais carregado das influências afro brasileira do que o primeiro, com essas referências um pouco mais na cara e com mais momentos swingados!

– Recomende bandas ou artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Aqui em Minas tem muita gente boa e contemporânea fazendo arte independente de muita qualidade e que, acima de tudo, me tocam como Alysson Salvador, Guilherme Ventura, Bia Nogueira, Rodrigo Jerônimo, Raphael Sales, Natália Avelar, Nath Rodrigues, Negras Autoras, Flávia Ellen, Deh Mussulini, Octávio Cardozzo, Izza, Amorina, Josi Lopes, Cristiano Cunha, Graveola, Meninos de Minas, entre outros tantos… E ainda adentrando pelo Brasil tem muito mais como Anna Tréa, Nina Oliveira, Luedji Luna, LaBaq, Camila Garófalo. Sandyalê, François Muleka e tantos mais. Eu poderia ficar aqui horas escrevendo e pensando em artistas dessa cena que me chamam atenção, é muito rica a criação brasileira.

Her Name Was Fire mostra que o stoner rock também vive em terras lusitanas

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Her Name Was Fire
Her Name Was Fire

2016 foi o ano do primeiro grito stoner lisboeta do duo Her Name Was Fire. Das mentes de João Campos (Gula, ex-Rejects United, ex-Summer of Damien) e Tiago Lopes (ex-Rejects United, ex-Witchbreed, ex-Parasomnia Noise) surgiu o duo que enche seu stoner rock de groove, grunge e pitadas de blues em seu som garageiro.

Em fevereiro deste ano eles lançaram seu primeiro disco, “Road Antics”, que gerou dois belíssimos clipes: “Way To Control” e “Gone In A Haze”. Gravado, mixado e masterizado no G Spot Studios por Miguel Camilo, o disco tem 10 faixas que geraram na página do bandcamp da banda comentários como “uma paulada bluesy Black Keys-meets-QOTSA absolutamente incrível. Esta dupla absolutamente manda ver!”.

Conversei com a dupla sobre seu primeiro trabalho, sua carreira, a vida de banda independente hoje em dia e não traduzi nenhuma das expressões lusitanas utilizadas:

– Como a banda começou?

Eu andava com vontade de fazer um projecto diferente de tudo o que tinha feito até ao momento, porque não tentar fazer uma banda de rock só com um baterista? Numa noite de copos perguntei ao Tiago se ele estaria interessado em experimentar e passado uns dias fizemos a primeira jam sem compromissos. A química foi imediata, tanto é que algumas das ideias que saíram dessa primeira jam viriam a ser músicas do “Road Antics”.

– De onde surgiu o nome da banda?

Tínhamos varias possibilidades em cima da mesa mas Her Name Was Fire foi o nome que transmitia mais o que queríamos passar com a música…aquele lado sexy, sleazy e perigoso. No fundo o nome é uma homenagem à femme fatale, intensa e destrutiva, o tipo de mulher que todos nós numa altura ou outra já tivemos na nossa vida.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Bem entre nós os dois há uma panóplia gigante de influências, mas falando das influências comuns penso que será justo falarmos de bandas como Queens of the Stone Age, Alice in Chains, Led Zeppelin, Black Sabbath, All The Witches, Rival Sons, Sleepy Sun…só para falar de algumas.

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Em fevereiro de 2016 lançamos o nosso EP de apresentação com 3 músicas que nos permitiu dar vários concertos de Norte a Sul de Portugal inclusive festivais, este ano em Fevereiro lançamos o nosso longa duração, “Road Antics”, do qual estamos bastante orgulhosos pois foi fruto de muito trabalho e que pensamos ter ficado como queríamos. Com o álbum também lançamos 2 videos que revelam o universo da banda, o primeiro para o tema “Gone In A Haze” e o segundo video lançado à uns dias que é um misto de curta e videoclip para o tema “Way To Control” sendo uma verdadeira tripe visual, que pode ser visualizado no nosso canal de youtube.

Her Name Was Fire

– Como vocês definiriam o som da banda?

Bem isso é sempre uma pergunta ingrata que provavelmente alguém externo à banda poderá responder melhor, mas tentando dar uma resposta simples, somos um duo de rock, que se move entre o stoner rock, grunge e algum psicadelismo.

– A internet ajudou a unir a cena independente mundial ou atrapalha por oferecer muitas opções para quem quer ouvir música?

Penso que é exactamente essa moeda com 2 lados, por um lado as bandas hoje em dia não precisam das antigas estruturas colossais que eram as gravadoras para mostrar o seu trabalho, por outro lado com a “liberalização” de lançamentos, acaba por haver tanta coisa a sair ao mesmo tempo que às vezes, é mais difícil de encontrar as bandas que realmente valem a pena no meio de tanto “ruído”. Para mim pessoalmente, com todos os prós e contras acho que a internet veio ajudar a cena independente sem dúvida.

– A mudança na forma das pessoas ouvirem música, preferindo serviços de streaming à discos físicos, ajuda ou atrapalha a música, na sua opinião?

Tendo eu crescido na época pré-internet, penso que se perdeu algo no sentido de apreciar um álbum como um todo, realmente dedicar tempo para ouvi-lo duma ponta à outra. Parece que demos a volta completa e voltamos à era do single como era nos anos 50, mas duma forma digital e ainda mais efêmera. Outra coisa que se perdeu a meu ver (e este ponto a mim toca-me bastante pois sou designer e ilustrador de formação) foi a importância do artwork. Já não se passa horas a tentar decifrar o artwork, ler a letras etc…para mim os álbuns são esses os 2 mundos, a parte musical e a parte visual. Felizmente parece-me que a recente re-aparição do culto ao vinil está a balançar isso.

– Como a mídia poderia ajudar a dar mais força para a cena independente hoje em dia, com a queda das grandes gravadoras?

Penso que quando falas de mídia, falas dos novos meios possíveis através da internet (blogs, facebook, instagram) pois os meios tradicionais como a tv e imprensa ainda continuam apenas acessíveis a bandas e estruturas (gravadoras) com poder monetário…Penso que até nisso a internet proporcionou às bandas a possibilidade de se promoverem de forma autônoma, sem precisar de gravadoras ou agências.

Her Name Was Fire

– Quais os próximos passos da banda?

Assim no topo da lista é tocar o máximo possível fora e dentro de Portugal para mostrar a nossa música…a nossa ambição é tornar-nos realmente uma banda internacional e quem sabe um dia se não iremos tocar uns shows no Brasil? seria ótimo. De resto é continuar a fazer a música que nós gostamos, esperamos em 2018 estarmos a lançar um novo trabalho assim como novos videos.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Podemos falar de de algumas bandas portuguesas, dos nossos amigos e excelente banda Souq, do irmãos Correia ou dos L Mina que acabaram de lançar um excelente álbum, procurem todos eles porque vale a pena!

My Magical Glowing Lens se destaca com seu “pop místico, neo-Tropicália, prog-lisérgico”

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My Magical Glowing Lens

A capixaba Gabriela Deptulski é a mente e força motriz do My Magical Glowing Lens, projeto que começou compondo e gravando sozinha todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo todas as músicas que renderam um EP auto intitulado em 2013. Em 2015, ela, que toca guitarra, baixo, bateria e sintetizador, se uniu a Gil Mello (baixo), Henrique Paoli (bateria) e Pedro Moscardi (sintetizador) para firmar a atual formação da banda, responsável por seu primeiro disco, “Cosmos”, lançado este ano pela Honey Bomb Records.

As 11 faixas do álbum mostram um pouco do que ela define como “pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico” e “Pink Floyd com beats”: uma viagem psicodélica com muitas influências de música brasileira, bandas de rock progressivo e um pouco de pop eletrônico para dar o toque final. “A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo”, explica a líder do grupo.

Conversei com ela sobre a recente passagem da banda por São Paulo, sua carreira, influências, o disco “Cosmos” e a cena independente do Espírito Santo:

– Como a banda começou?

O My Magical começou comigo gravando todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo sozinha também. Em 2015 que a estrutura de banda começou a se formar. Desde lá passamos por várias formações, até chegar nessa.

– E em que ano você começou esse trampo solo? Como foi essa transição para o formato banda?

Comecei a compor e gravar para o MMGL em meados de 2013. A transição para o formato banda começou quando eu comecei a querer algo mais abrangente e coletivo na estrutura do My Magical. Estou numa fase de desapego com relação às coisas do ego, gostando muito de trabalhar em conjunto, isso me fez ter vontade de montar uma banda, para podermos reinterpretar em conjunto as composições e termos uma variedade maior de ideias na hora dos arranjos.

– E de onde surgiu o nome da banda?

O nome da banda surgiu de uma vontade de mudar o mundo, de tirar toda a monotonia e mesmice que existe nas imposições e comodismos que vão aparecendo pra gente. É uma lente transformadora, que nos tira da zona de conforto e nos leva além!

– Vocês acabaram de fazer uma mini turnê aqui em São Paulo, né? Como foi?

Foi incrível, o público paulista é sempre muito atento. Prestam muita atenção em tudo. e ao mesmo tempo são muito livres, entendem com uma facilidade absurda as coisas que queremos passar. São Paulo é uma cidade incrível.

My Magical Glowing Lens

– Quais as principais influências musicais da banda?

Flaming Lips, M.I.A, Rihanna, Lorde, Mutantes, Secos e Molhados, Melody’s Echo Chamber, Tame Impala, Son House, Sonic Youth…. Muita coisa, viu! (Risos) Alceu Valença, Pink Floyd e Beatles também!

– Me conta um pouco mais sobre o “Cosmos”. Como foi criado este álbum?

A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo… muita coisa, viu. Difícil citar tudo, mas talvez tenha a ver principalmente com o fato de que acredito que somente o amor e a compreensão pode nos salvar da depressão e do egoísmo que estamos nos enclausurando cada vez mais.

– E como foi a gravação desse trabalho?

O primeiro EP gravei completamente sozinha, em casa, talvez volte a gravar sozinha no futuro, não sei, é tudo muito incerto. O My Magical é projeto muito livre, a atuação dele como banda agora não determina em nada seu futuro, ele é um projeto mutante e fluido, nenhuma imposição social vai tirar a liberdade que ele necessita. Mas Cosmos foi gravado como banda, na Casa Verde, sede da gravadora e produtora Subtrópico, em Vitória-ES. Eu tinha 11 demos, algumas com arranjos prontos, outras apenas voz e violão. Isso foi levado para os meninos e começamos a trabalhar nessas músicas, rearranjando, criando arranjos e fazendo partes novas para as músicas. Foi um processo lindo, estávamos no início do outono quando começamos a gravar, céu azul, vento por toda parte, folhas secas despencando da árvores. Houve muita união e trabalho duro.

– Como você definiria o som da banda pra quem ainda não conhece?

Pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico, Pink Floyd com beats 🙂

– Como anda a cena independente do Espírito Santo?

Acontecendo, mas acho que tem que rolar mais coisa. A Casa Verde tem ajudado muito no processo de evolução da cena, trazendo referências diversificadas para a cidade e ajudando o fortalecimento da pluralidade de ideias. Mas infelizmente ainda acho a cena de Vitória muito tradicionalista e fechada. Os artistas se mantém muito em posição de conforto, não enfrentam a condição do artista com a toda a coragem que poderiam enfrentar (falo de mim também). Temos que entrar mais em contato com coisas que nos transformem de verdade e nos façam sair da posição de conforto que estamos há anos e anos enclausuradas. Me sinto muito sortuda por ter encontrado a equipe que formamos para o My Magical! Todo mundo que se envolveu nisso é absurdamente corajoso e livre! Os artistas que mais me identifico fora a galera que tá comigo são o Kevin Fraisleben e o Caio Moré, que são muito novos, ainda muito escondidos. Me sinto bastante sozinha na cena capixaba, meio extra-terrestre, sabe? Mas sei também que há ali um grande potencial criativo e faço de tudo para fomentar isso. E tem muita gente fazendo o mesmo. Existem poucas mulheres fazendo música também, estou atuando intensamente para mudar isso.

My Magical Glowing Lens

– Isso você acha que se deve ao machismo que permanece vivo no mundo da música? Ou acha que aos poucos isto está melhorando?

As duas coisas, os homens ainda são muito privilegiados na música e em também em outras instâncias. Mas sinto de verdade que estamos com mais espaço!

– Quais os próximos passos da banda?

Começar a compor novas músicas, fazer dois vídeos para álbum, tirar o “Piper at The Gates of Dawn” inteiro, fazer parcerias com artistas que amamos, amar, amar a tudo e todos incondicionalmente 😉

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Pensando… Catavento, Bike, OkLou, Hierofante Púrpura, Antiprisma, Tagore, VentreBoogarins. Boogarins mãe e pai de todos, né? Melhor banda. O TernoKatze. Ah, Supervão e Musa Híbrida, são bandas muito boas!!

Venus Café traz seu rock ultrajante e vigoroso pela primeira vez para São Paulo neste final de semana

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Eu sei que pode parecer preguiçoso colocar parte do release da banda na abertura da matéria, mas é impossível não reproduzir este texto que define muito bem a orgia musical cheia de bom humor que é o Venus Café: “Com palhaçadas ultrajantes que incluem um figurino roubado do guarda-roupa de Steven Tyler, pulos e trejeitos emprestados de David Lee Roth e uma voz estridente apanhada do próprio Freddie Mercury, o irresponsável vocalista Dangerous Dan tem liderado o quarteto que vem há anos batalhando no circuito alternativo carioca. A conjunção de alta energia, refrões cativantes e culto sem remorso do rock clássico gradualmente tem lhes valido seguidores fanáticos simplesmente no boca-a-boca. Afinal de contas, pra quê pedir um bolo sem cobertura se ele pode vir cheio de glacê, cerejas e enfeites?”, diz o texto da página dos cariocas.

Formada por Dangerous Dan (vocal), Captain Love (baixo), Frankie Goes (guitarra) e Jules Brasa (bateria), a banda lançou em 2016 o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, que segundo Dan define bem o som da banda. Juntando quatro faixas compostas desde os primórdios da banda, o disquinho é apenas um aperitivo do que vem por aí no começo de 2017, quando lançarão um novo trabalho. Nos dias 23 e 24 de junho o quarteto carioca invadirá a selva de pedra paulistana com quatro shows, sendo três deles em uma maratona hercúlea no sábado, Dia da Música.

Conversei com Dan sobre a carreira da banda, o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, o duvidoso nome anterior do grupo, a cena musical independente e muito mais:

– Como a banda começou?

A banda vem da infância. Eu e o Gabriel (Captain Love, baixista) somos primos, e fazemos isso desde que nos entendemos por gente. Começamos fazendo videos engraçados dublando nossas bandas favoritas. Depois, na adolescência, começamos a aprender música e compor nossas primeiras canções (algumas que tocamos até hoje!). Isso tudo foi em Volta Redonda, interior do RJ. Mais tarde, viemos pro Rio de Janeiro ganhar a vida, e a banda naturalmente veio junto. Começamos a levar a parada mais a sério, correr atrás de shows e etc.

– E como surgiu o nome Vênus Café?

Pô, vou me permitir uma rara sinceridade aqui. Nos primeiros a primeira fase da banda era bem esculachada, e atendia pelo jocoso nome de Dakocaga. Para bons entendedores, dá pra sacar. Horrível, né? (Risos). Daí vimos que isso era um empecilho para o crescimento da banda, e eu e Captain ficamos um mês insanos até chegarmos a este nome. Legal, soa bem, passou bem o conceito que redesenhamos para a banda. E funciona bem em qualquer idioma! 😛

– Mas ele tem alguma inspiração em específico ou foi nos testes mesmo? Como ele se liga com o conceito da banda?

Seu curioso…. Eu querendo fazer um misterinho aqui (risos). Levantamos umas 50 hipóteses, refinamos pra 5
daí numa bela noite, comendo um podrão na esquina após um ensaio, eu chego para o Captain e falo “cara, já sei: um puteiro!”. Fala um nome bom, mas que não dê na pinta e pelamordedeus não seja politicamente incorreto – já havíamos gasto dez vezes esta cota com o nome anterior. Um, dois, três palpites e aí veio o Venus Café
que se alia às keywords da banda, que são basicamente o Rock e o Tupiniquim. E ainda mantém um claro elo com amor e/ou safadeza, que é outra temática favorita nossa! Colei até uma Venus de Botticelli na minha guitarra (risos)!

– Agora me conta qual é o conceito da banda. O lado do humor continua em pauta ou foi embora junto com o nome fecal?

(Risos) lembrando que “Caga” era a parte mais leve do nome antigo… Anyway: sobre o humor, demos uma filtrada sim. Pra tornar o projeto mais vendável, sim 😊 Ao mesmo tempo em que a gente foi desenvolvendo em laboratório o nosso que, modéstia às favas, é explosivo. Daí demos uma bandeada do “pastelão + Jackass” para uma coisa “rockão pressão + amor”, mas isso funciona mais no conceito mesmo. A parada é que somos primos e melhores amigos infantilóides que veneram toda a filmografia do Will Ferrell. Então o lance da piada continua forte mesmo
nos shows, sobretudo. É o meu lado entertainer, stand up comedian (sei lá se já te falei desse trampo). Não dá pra correr disso, afinal.

Venus Café

– Então vamos fazer um parênteses e falar desse negócio de stand up comedian. Explica isso aí.

Digamos q eu tenha uma formação de “curioso” em artes cênicas. Fiz um cursinho de interpretação aqui, uma oficina ali. Não manjo nada, num põe aí q eu sou ator não, pelamordedeus! Entre um trampo e outro, o mais massa que tem rolado é com o Rock in Real, que começou como um evento da banda Balba, aqui do RJ. Daí o David Obadia, baterista da Balba e um completo gênio do audiovisual + amante latino vegano, me chamou pra fazer os teasers do evento. E esses teasers bombam no FB, a produção cresceu, os eventos lotam. Daí eu entrei pra produção com ele também, e a última ideia do patrão Dave foi fazer um canal do YouTube. Que eu não to nem um pouco à vontade ainda, admito. Mas vamos apurando o produto… Ah, eu faço os intervalos do evento também. É fácil: quanto mais bêbado eu fico, mais eu falo merda, mais a galera ri. É irado 😛

– Voltando à banda: me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

‘Rock n’ Roll Tupiniquim’ é de certa forma um símbolo desta primeira fase nossa. Tem músicas que foram feitas ao longo de dez anos, em VR (as mais adolescentes) e no RJ (as mais “rock n’ roll pra dançar”) a gravação foi uma obra de igreja, se estendeu de 2014 até 2016. Passaram uma três formações da banda lá. A mix trocou de mãos algumas vezes até parar no Celo Oliveira, um cara fabuloso e um belo pai de família. Gravamos umas 15 músicas, mas a real é eu sou tão exigente que só fiquei feliz com as quatro que publicamos. Então saiu como EP mesmo, porque depois de tanto tempo tinha que sair alguma coisa, né? E essas que saíram eu sou MUITO orgulhoso delas. Estão exatamente do jeito que estavam na minha cabeça neste tempo todo. O que eu nunca imaginei q seria possível (risos)! Outra parada de que eu me orgulho é que nessas mudanças, eu é que gravei a bateria! Outro fun fact: bateria é o meu instrumento predileto, o primeiro que aprendi a tocar aos 9 anos (quando eu ouço uma música pela primeira vez, é o q eu presto atenção e começo a fazer air drums). Fechando o lance do EP, a repercussão foi ótima, fizemos um PUTA show de lançamento no Imperator, uma casa gigante aqui do RJ onde já tocaram Ramones, Pantera, Megadeth e Mara Maravilha (true story!)

– Como você vê a cena independente hoje em dia, especialmente aí no RJ?

Cara….. Pra essa dá pra ser mais sintético. Obviamente sou um insider na cena, mas sempre tento olhar com o viés de público ou um businessman de fora. Existem zilhões de bandas, muitas muito boas, muitas são talentos desperdiçados, porque se perdem nos mais variados motivos. Muita porcaria genérica-carioca-filho-bastardo-do-Barão-Vermelho-com-o-Emerson-Nogueira, zero criatividade e relevância. Mas a minha opinião sintética é: pra se configurar de fato uma cena, falta apenas uma componente, só que é a fundamental: PÚ-BLI-CO. Todo e qualquer movimento artístico que se prezou, que se sustentou em algum lugar ou em alguma época, era eminentemente um movimento de massa. É puxado pelo público, e não empurrado. Pensa aí em qualquer um: Manchester nos 80, o britpop, o punk, Seattle, os Beatles, o iê-iê-iê, o funk, o renascimento, a pop art do Warhol, o indie sem sangue de NYC que virou o indie britânico dos Arctic Monkeys e as cenas brasileiras, porque não? BR Rock nos 80, Brasilia, punk xixi em SP… Enfim, tudo sempre teve como base o público, e essa componente infelizmente falta aqui, e é com pesar que eu te digo isso. É uma solução que eu não sei, se eu soubesse eu aplicaria imediatamente à minha banda. Adicione a isso alguns fatos como: pessoal aqui no RJ não tem cultura, o hábito de sair de casa pra consumir cultura, e muito menos de pagar por isso. Pra ir de chinelo na praça vagabundo vai e gasta 100 reais num chopp com sobrepreço nas alturas, agora pra pagar 20 contos e ver uma banda fuderosa que investiu pra caralho, ou uma peça independente de um grupo que estudou pra caramba, uma mostra de artes plásticas… Enfim. Apesar destes pesares, eu vou morrer um entusiasta e tentando. Tem mil pessoas boas, talentosas e de coração muito bom trabalhando muito pelos seus projetos. Isso faz tudo valer a pena.

– Quais são os próximos passos da banda?

Em agosto lançamos um single + video desse EP. Na virada do ano sai o álbum novo, já em fase avançada de pré-produção. Ou melhor, joguei ele pra janeiro/fevereiro pra aproveitar o buzz do Carnaval, que tem de tudo pra ser novamente os nossos 15 milissegundos de fama. Daí dá um boost na divulgação do trabalho.

Venus Café

– Dá pra adiantar algo sobre o novo disco?

Pooooooô, esse aí tá meio segredo! (Risos) Só te digo que tem de tudo pra ser maior e melhor. E que eu não vou descansar até essa parada fazer um barulho bacana. É o crescimento do projeto, em todos os sentidos: produção, composição, execução, novos temas. E também comunicação e marketing, por supuesto 😉

– Aliás, cês vão fazer uma passagem relâmpago por São Paulo agora, né?

Hell yeah! Estaremos aí entre os dias 23 e 25/06, inicialmente iríamos para tocar no Dia Da Música, mas algumas gigs caíram, outras surgiram. Teremos: sexta, 23/06, na Golden Line Tattoo, um rolé na Zona Leste. Dizem que é massa, rock n’ roll pra caramba. Sábado, 24/06, é jornada tripla (e heróica): começamos no palco que o coletivo Voz do Undergound monta na Praça Eugene Bodin, em Pinheiros. Punk porrada. Depois descemos a Rebouças até o Ouvidor 63, estou doido pra ver como é essa ocupação que rola lá. Daí partimos pra Santo André, onde tocaremos num Pub rockão de lá, o Jailhouse 2. Em todos estes rolés, só fiz contato com gente maravilhosa
estou impressionado com o profissionalismo e o bom caráter da galera aí de SP. Como sempre digo, SP é primeiro mundo. (Se isso for uma opinião distorcida, por favor não tira ela da minha cabeça! (Risos) Eu adoro pensar e sentir isso)

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos e todo mundo devia ouvir!

Hmmm, tarefa árdua! Vou me ater ao RJ pra conseguir fechar uma lista: Mobile Drink, um rockão forte, alto e bom, Balba, indie rock pra dançar com refrões de hino, pra cantarolar amarradão, Ricochet, anos 90 na veia, vai direto no coração, Carbo, stoner pesado de Volta Redonda. Molecada novinha mas parece q eles já nasceram sabendo TUDO! The Bunker Band, um britpop mais bem-feito que 90% das bandas da Inglaterra hoje em dia fazem. Detalhe: eu simplesmente não os conheço pessoalmente, nunca fui a um show, mas ouvi e pirei.
é isso. Um top five (risos)!