HL Arguments volta mais pesado e introspectivo com composições de toda sua carreira em seu disco “Honten”

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A banda HL Arguments lançou recentemente seu terceiro disco, “Honten”, levando suas composições para um lado mais pesado, introspectivo e até um pouco triste. As músicas do disco foram criadas em diversos pontos da carreira da banda, com destaque para a faixa “Você”, composta há cerca de 13 anos. Com muita influência do rock alternativo noventista e pitadas prog rock e psicodelia, a banda é formada por Helio Lima (Vocal, Guitarra), Marcos Cesar (Bateria), Amanda Labruna (Vocal), Fernando Silvestre (Guitarra) e Wesley Lima (Baixo) e está na estrada promovendo o disco. Hélio diz que prefere não adiantar nenhum plano para o futuro, porém, já que a vida de artista independente exige um trabalho descomunal. “Não tenho energia nesse momento para falar em um próximo álbum. Estou esgotado. Ocorre que uma banda como a nossa, exige uma auto gestão imensa, que passa pelo financeiro, administração, venda de shows, engajamento do nosso publico, gravações, ensaios e afins e afins”, conta.

– Primeiro, uma curiosidade minha: porque o nome “Honten”?

Começou com algo sobre falar do nosso passado, no sentido de experiências como coletivo. Já brigamos muito, até nos entendermos de fato como banda. São cinco pessoas, estilos, ideias e emoções. Não é fácil. Então, partiu disso. Depois alguém achou essa palavra no idioma japonês acho….e ela significa “Sede”. Então as duas interpretações nos agradam. Claro que o h no ontem tem relação com o HL do nome da banda…(risos)

– Esse disco na real é feito de músicas criadas em vários momentos diferentes, certo?

Sim…inclusive a “Você” tem inacreditáveis 13 anos. Ela apareceu em um álbum que eu gravei em 2005… Sumiu, e reapareceu agora com uma nova abordagem, proposta pelo Marcos (baterista). “The Far West” tem alguns bons anos também…e por fim, esse trabalho traz musicas de todas as nossas épocas, inclusive claro as escritas muito recente, como “A Home is Not Made of Wills”.

– E como foi a escolha de quais músicas entrariam? Apesar de ser bem diversificado musicalmente, ele tem uma unidade.

O tema proposto de revisitar nossas próprias experiências. As musicas que não traziam essa premissa, ficaram de fora, ao passo que as que entraram, trazem essa unidade. Isso era muito importante para nós.

– Quais são as principais influências musicais que você vê nesse disco?

O Fernando anda meio psicodélico em suas melodias. O Marcos e o Wesley sempre gostaram muito de algo progressivo, o que também esta presente nesse álbum. E eu permaneço nos temas mais introspectivos, contando com as harmonias vocais da Amanda. Estamos mais tristes, mais difíceis (musicas longas) e menos práticos. Acho que esse e um cenário que explica um pouco as influências para esse álbum.

– Explica esse “mais tristes” aí. (Risos)

No sentido de coletivo de canções. O álbum 1 teve temas como “Só Não Me Faça Dizer Não” ou “Like a Crazy Magic”, além de “Standing Firm” ou “Hopes and Dreams”, todos temas bem enérgicos ou agitados. No álbum II estávamos bem roqueiros…“#JC1”, “Who Can Wait For This”, “A Girl And Her Posts” ou “Our Goodbye To All” também mostram isso. Já nesse álbum, tirando as duas musicas iniciais que são mais pesadas, temos no restante temas mais introspectivos.

– E já têm material para um próximo trabalho ou ainda estão focando nesse?

Não tenho energia nesse momento para falar em um próximo álbum. Estou esgotado. Ocorre que uma banda como a nossa, exige uma auto gestão imensa, que passa pelo financeiro, administração, venda de shows, engajamento do nosso publico, gravações, ensaios e afins e afins. Ter um trabalho musical e definitivamente ser empreendedor sem descanso. Então, eu preciso descansar um pouco. Vamos claro promover bem esse álbum, sem fazermos muitos planos alem disso.

– Como você definiria este disco?

Minha definição para esse álbum: Maduro, sério…. retrata bem tudo o que aprendemos até então e sinaliza bem que nosso maior compromisso é com as nossa música. Não e muito confortável lançar algo que você perceba que está desconexo com o que vc quer passar, e esse album mostra exatamente o que queremos passar. Exatamente. Mérito nosso e do nosso produtor Marcelo Santos.

HL Arguments lança o single “Trust Me” e prepara terceiro álbum com influências do rock alternativo noventista

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HL Arguments

Formada por Helio Lima (vocal e guitarra), Marcos Cesar (bateria), Amanda Labruna (vocal), Fernando Silvestre (guitarra) e Wesley Lima (baixo), a banda HL Arguments começou sua carreira lançando em 2011 seu álbum auto-intitulado lançado de maneira independente e com uma proposta mais plural de som. Com o tempo o grupo começou a lapidar e dar um novo direcionamento, mais coeso, a seu trabalho, o que pode ser notado em “HL Arguments II”, de 2013, em canções como “Hook”.

Agora, após o lançamento de um disco e DVD ao vivo com reinterpretações de quase todas músicas de sua carreira, a banda trabalha em um novo disco e acaba de lançar o primeiro single do trabalho, “Trust Me”, que mostra um direcionamento para o rock alternativo dos anos 90. Confira o bate papo que tive com Helio sobre a banda e o novo álbum:

– Como a banda começou?
Entre 2007 e 2009 eu trabalhei com a banda Flat’n Sharp. Lançamos o álbum “Change a Plan” e foi ótimo. Ao término da temporada de shows, eu segui com a HL Arguments, que já tinha em época uma proposta mais plural.
A chegada do Marcos Fernando e Amanda foram naturais já que todos eles de alguma forma já tinham passado pela Flat’n Sharp, em shows pontuais. Só decidimos seguir em frente e fazermos a banda, que ficou um bom tempo sem baixista fixo, até chegar o Wesley, depois de uns 2 anos.

– E porque o nome HL Arguments?
Desde o início gostamos da fonética. Da possibilidade de dar ênfase ao que estamos dizendo, como argumentos.
O HL que outrora era algo sobre meu nome, nem é mais. Ficou algo institucional.

HL Arguments

– Mas ele significa alguma coisa ainda?
Gostaria que significasse várias variáveis, e que todas elas levassem ao que temos por mensagem, como argumentos. Posso dizer que inicialmente, eram as iniciais do meu nome. Já não gosto de pensar assim. A banda ou as músicas já possuem a personalidade de todos os envolvidos. Mas seria definitivamente estranho seguir com Our Arguments (risos).

– Agora me fala um pouco desse single que vocês acabaram de lançar!
Essa música foi um pesadelo pessoal. Mas não só pra mim, para o Fernando também. Ela existe há uns três anos. Tocamos em alguns shows. Jamais, em tempo algum, gostávamos dos resultados. O Fernando não gostava do solo e eu da letra. Ficamos anos nisso. E honestamente, a dúvida permaneceu até o último momento, quando finalmente ela chegou já masterizada e com um trabalho notável do Marcelo (produtor) nas guitarras finais, teclados e trompete. E aí, aconteceu. A recepção dela foi incrível. Ainda estamos comemorando os elogios múltiplos, plurais…
Foi uma grande surpresa. Até pra nós.

– Ela já mostra um pouco o que podemos esperar do novo disco?
Sim, absolutamente! À exemplo dos dois anteriores, ainda variamos em temas mais introspectivos e agressivos. E ela representa bem essa alternância.

– E como vai ser esse novo disco?
Denso. Intenso. Ele olha pra tudo o que nos trouxe até aqui. Foram muitas brigas, momentos muito dificeis, ao passo que foram muitos momentos incríveis e inesquecíveis. Tocamos e levamos nosso show exatamente onde queríamos. E essa bonita história está nessas canções. Seria uma bonita despedida.

– Quais as principais influências musicais da banda?
Somos uma banda grande, no número de integrantes. E definitivamente, cada um olha pra uma direção.
Mas não seria possível montar um quebra cabeça com peças iguais, certo? Então eu olho pra Queen, Simon And Garfunkel, FacesRadiohead. Entre Marcos, Wesley e Fernando há Metallica, OasisDream Theater… A Amanda é mais Motown. E assim vai.

– Me fala um pouco dos trabalhos que vocês já lançaram.
“HL Arguments” em 2011 e “HL Arguments II” em 2013. Do primeiro trabalho, “Hopes and Dreams” e “New Direction” Foram destaques absolutos…. E no segundo, “#JC1”, “Who Can Wait For This” e “Hook”, sendo “Hook” um clássico definitivo em nosso repertório. Em 2015 lançamos um DVD com shows que trouxeram 90% dessas músicas ao vivo em vários shows que fizemos por são Paulo.

– Como você vê a cena independente hoje em dia?
Bem plural, ativa, importante e rica. Acho completamente limitado o papo que “o rock morreu” ou “não há mais bandas como antigamente”. Isso é completamente preguiçoso. A própria HL Arguments é uma das provas que você pode fazer um trabalho honesto, sem querer o tempo todo ser uma banda de massa. E não quer dizer que não queremos que nossa música seja conhecida, só quer dizer que não somos afetados por isso. E eu vejo as bandas unidas também. Eu mesmo participo de festivais organizados por outras bandas, assim como já organizamos o nosso.

– Essa união entre as bandas é a chave para o fortalecimento que tem acontecido? Hoje em dia vejo muito mais shows independentes rolando aqui por SP, todo dia tem algum acontecendo…
Absolutamente. E não é uma questão passageira. É definitiva. São Paulo é uma força da música independente, assim como Rio, Curitiba e outros e outros exemplos. E também é preguiçoso pensar em aproximações por aderência de estilo. Eu já produzi um show com bandas acústicas, eletrônicas e roqueiras, na mesma edição.

– Então hoje em dia essas barreiras de “cena rock”, “cena rap” e etc estão sendo derrubadas.
Com absoluta certeza! Musica é música e acabou. Anos atrás alguém com muitíssima preguiça nos perguntou porque cantamos em inglês, sendo que temos músicas em português, citações em italiano e instrumentais.
Nós fazemos música. Não fazemos estilo ou cena. E de um modo geral, tenho visto esse tipo de movimento.

– E você acha que faz sentido essa cena se tornar algo mais mainstream?
Acho que o que é bom merece espaço. Porque não colocar a música de uma banda independente como um tema de uma novela, uma série, ou um comercial? Acho que os produtores e grandes empresas, podem usar muito mais a cena independente e todos são beneficiados. O problema pra mim é quando o motivo pelo qual a banda existe é esse resultado. Quando o motivo não é a arte e sim a massa. Aí você compromete tudo. E vira uma bosta.

HL Arguments

– Quais são os próximos passos da banda?
Depois de lançar o álbum em poucas semanas, começarmos a produção de um vídeo para o YouTube que traremos todos os temas do álbum em versões ao vivo. Queremos tocar o álbum completo. E em 2018 divulgá-lo nos shows novos, com foco nesse repertório.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Louye, que é a banda do nosso produtor. O Fernando também participa. Ossos de Marfim tem um som mais pesado, enérgico. Eu mesmo (se me permite) indico a Critical Soul Band, que é um projeto que eu tenho com um show mais ao estilo southern rock…. E algumas outras loucuras…. E uma banda que eu gosto muito, que é a UDJC. Som foda!

Construindo HL Arguments: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo HL Arguments

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda HL Arguments, que indica suas 20 canções indispensáveis.

George Harrison“Isn’t it A Pity”
Helio Lima: Essa música e todo o álbum da qual ela faz parte é referência máxima para várias das músicas e composições, como “I Dont’ Need To Go”, “New Direction” e “Fixing My Words”.

John Lennon“Jealous Guy”
Helio Lima: “Hook” nasceu dessa canção do Lennon. Absolutamente linda, absolutamente triste.

Radiohead“Fake Plastic Trees”
Helio Lima: Uma das músicas mais belas e sensíveis que eu já ouvi na vida. Radiohead compõe muito do meu estilo de escrita em letras e arranjos.

Queen“Spread Your Wings”
Helio Lima: Queen é minha banda de conceito. E “Spread Your Wings” (sobretudo a versão ao vivo do álbum “Live Killers” é sensivelmente linda e tocante. O lado mais emotivo da HL Arguments bebe muito nessa escola.

Dream Theater“Six Degrees of Inner Turbulence”
Wesley Lima: A busca pela técnica e perfeição dessa banda deveria empolgar a todo o músico que quer trazer o melhor ao seu público.

Metallica“(Anesthesia) Pulling Teeth”
Wesley Lima: Não há como negar a influência empolgante do Metallica em alguns dos nossos arranjos, sobretudo ao vivo.

U2“I Still Haven’t Found What I’m Looking For”
Wesley Lima: Essa é clássica! Acho que ninguém pode negar que trata-se de um clássico do rock. Melodia linda que inspira muito de minhas linhas na HL Arguments.

The Smiths“There is a Light That Never Goes Out”
Wesley Lima: Outra música e banda que não poderia faltar na lista. Eles são enigmáticos e isso nos inspira.

Oasis“Don’t Look Back In Anger”
Fernando Silvestre: Clássico britânico que constrói em si boa parte dos arranjos da HL Arguments, que tem no britpop uma enorme referência.

Travis“As You Are”
Fernando Silvestre: As melodias do Travis são lindíssimas. Essa música tem uma das melodias mais bonitas da banda. Enorme referência para a HL Arguments.

Beatles“While My Guitar Gently Weeps”
Fernando Silvestre: Eis a escola máxima para todo o guitarrista. Procuro trazer solos para as nossas canções que contenham certa magia. Não se trata apenas de técnica. Se trata de magia.

Foo Fighters“The Pretender”
Fernando Silvestre: Somos muito enérgicos ao vivo e essa canção e banda mostra muito disso. Tem a ver com o nosso lado mais enérgico.

Amy Winehouse“Tears Dry On Their Own”
Amanda Labruna: Amo soul e blues e trago isso para as nossas canções. Com toda certeza.

Cake“Never There”
Amanda Labruna: A HL Arguments é uma banda de temas sérios, densos, dançantes e divertidos. Temos algo de Cake em algumas de nossas canções.

Queen“Another One Bites The Dust”
Amanda Labruna: Outra música que mostra o nosso lado mais dançante e divertido. E eu amo essa parte no Queen.

Michael Jackson“Heal the World”
Amanda Labruna: Michael foi um dos vocalistas mais importantes da história do pop. Reconhecemos nele um artista completo, cheio de alegria em seu trabalho. Isso nos inspira.

Dream Theater“The Great Debate”
Marcos Cesar: O som cristalino das músicas do Dream Theater é algo que me agrada muito. Procuro trazer uma linha de riquezas e detalhes para as baterias que foi no Dream Theater que eu aprendi.

Metallica“Welcome Home Sanitarium”
Marcos Cesar: Explosão e força compõem as músicas do Metallica. Isso tem muito de nosso som.

Metallica“All Nightmare Long”
Marcos Cesar: Mais uma dessa banda que é a minha banda de conceito. Temos a nossa vertical mais roqueira “também” e eu vejo essa versatilidade nossa como algo muito positivo.

Porcupine Tree“Blackest Eyes”
Marcos Cesar: Música de variações e proposta versátil, componente muito presente em nosso trabalho.

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