Festival Guaiamum Treloso ataca de CarnaIndie Feminista e agrada o público

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Cidadão Instigado

Prévia carnavalesca do Recife, a capital do frevo, apostou em artistas da cena independente para o line up e contou com discurso feminista

Fantasias, looks ousados, glitter e muita música boa. Foi assim o Festival Guaiamum Treloso, que aconteceu na Fazendo Bem-ti-vi, em aldeia. A festa, que é uma prévia carnavalesca tradicional em Pernambuco, nesta 18ª edição resolveu apostar em um line up diferenciado, trazendo para a terrinha do frevo sons da cena independente brasileira. Deu certo!

O Festival aconteceu em uma grande fazenda no meio de uma área de mata e armou uma grande estrutura com três palcos, uma tenda, praça de alimentação, bares, lojinhas e muitos banheiros para recepcionar e impressionar bem os seres da mata que habitaram o local. Esse espaço, embora seja distante da cidade e cheio de vibes boas, deu trabalho para a produção conseguir a liberação de alvarás, mas, como dito, além de Treloso, o Guaiamum é teimoso e manteve o endereço, o que acabou afetando um pouco a estrutura do evento. Os palcos acabaram ficando muito distantes e mal ornamentados. O público sentiu.

Festa pronta, os seres da mata chegaram cedo no evento, que estava previsto para começar às 13h. Mas, os shows atrasaram! E muito! Dessincronizou os horários e alguns shows aconteceram simultaneamente. Também aconteceu de não tocar nada por mais de meia hora em nenhum dos palcos principais. Mas, a magia do lugar e o astral da festa não deixou o público abatido.

A banda Marsa, que tocou com mais de 1h de atraso, reuniu um grande número de fãs. Tocaram as músicas do seu disco “Circular Movimento” e levou os Seres da Mata ao estado de êxtase. A voz única, doce, suave e especial de Tiago Martins causou grandes emoções. O show da Marsa foi um dos melhores do festival.

No outro palco, subia Jorge Cabeleira, banda da carrada do manguebeat, que passou muitos anos em stand by. Mas, que está de volta à cena. Esse ano estão com previsão de lançar disco novo. O show estava quente e quem viu gostou. No repertório, Dirceu Melo apresentou as músicas clássicas do Jorge e apresentou uma inédita.

O dia já era noite quando Cidadão Instigado subiu no palco e fez um show impecável. Mas, o público do Recife tem uma certa particularidade de ser difícil de ser conquistado. As bandas sentem isso e as produtoras mais ainda, quando nem sempre podem arriscar trazer nomes diferentes porque o público não comparece. Não tem interesse pelo novo. Um ponto negativo do Recife, que se diz uma capital multicultural. Homem velho, besouros e borboletas e outros sucessos da banda de Fernando Catatau embalou os fãs e os curiosos que lotaram o espaço ao redor do palco Bem-ti-vi.

Metá Metá subiu no Palco Skol e não surpreendeu. A incrível Juçara Maçal fez um show muito tímido, que não empolgou e nem atraiu muita gente. Fizeram uma apresentação curta e deixaram de lado o hit “São Jorge”, que o público tanto esperou. Aqui, não decolou.

Era a vez dela, a mulher do fim do mundo, mostrar porque está em dias com os palcos apesar da avançada idade. Deslumbrante, Elza Soares apareceu no palco como uma verdadeira rainha para apresentar seu show “Elza e a Máquina”. Ela, como sempre, chegou recheada de discursos feministas, e levou público a loucura. O show em particular não empolgou tanto o público no início. Essa versão de Elza remix pegou o público de surpresa e dessa vez não agradou a gregos e troianos. Mas, levou sua mensagem da melhor forma. “Maria de Vila Matilde” foi o ápice da apresentação. Seu show foi um verdadeiro ato de discurso feminista, enquanto embalava os Seres da Mata com as músicas, vídeos eram exibidos falando os dados do feminicídio. O conjunto da obra foi incrível!

Em tempo, a produção foi muito feliz na escolha do line up. Artistas com discursos engajados, fortes e grandes influenciadores. Todo o festival teve uma pegada feminista e é disso que precisamos mais.

Di Melo subiu ao palco Skol e mostrou que ainda vive. Não trouxe a sua banda oficial, mas representou bem. Levou o público a cantar em coro seus grandes clássicos como “Pernalonga” e “Kilariô”, entre outras. Nada de inovador, mas como dito, o público do Recife gosta do que já conhece. E Di Melo acaba sempre agradando.

Chegou a hora do Baco Exú do Blues mostar porque stá estourado. Um show esperadíssimo e que superou às expectativas. ‘Te Amo Desgraça’ levou o público ao delírio. O show foi empolgante e dançante o tempo inteiro. O Baco é realmente incrível e colocou o povo para pular, abrir roda, se tocar, sentir a energia. Por falar em roda e voltando ao discurso feminista, esse Exú abriu uma roda de mulheres. Só mulheres e glitteres. Um momento de reflexão. Uma ideia certa e muitos aplausos! Baco causou e ganhou, apesar de novidade, o carinho do recifense. Ponto altíssimo do festival.

Nação Zumbi chegou e chegou destruindo tudo. Fez um show instigante e afinadíssimo, o que ficou devendo desde a sua apresentação no Réveillon. O clima do carnaval colocou os mangueboys a dar o melhor e lacrar no palco. O batuque das alfaias em sincronia com as batidas do coração. Tocaram poucas músicas do seu último disco “Radiola”, que não empolgou muito. Mas, a versão “Refazenda” de Gilberto Gil ficou sensacional. “Da Lama ao Caos”, “Banditismo Por Uma Questão de Classe”, “Um Sonho”, “A Melhor Hora da Praia” e mais uma sequência de pedradas tirou o público do chão. Um dos melhores shows do dia.

Letrux e Francisco El Hombre, colocados como headliners do festival, acabaram tocando simultaneamente. Letrux, a feminista, rainha do soud out, a musa do climão, subiu incrível no palco e, se não fossem por atrapalhos técnicos no som, teria feito uma apresentação impecável. Ela estava lá, linda e perfomática representando a ala feminista e mandando a real com seus discursos. “Que Estrago”, “Vai Render”, “Ninguém Perguntou por Você” e quase todas do seu disco solo embalaram seu público fiel que estava ali afim de um climão. Que mulier é essa?!

Francisco El Hobre lacrou com chave de ouro. Que apresentação empolgante, feliz, extraordinária e agradável. Eles fizeram um dos melhores shows da noite, quiçá o melhor. “Calor da Rua”, “Bolso Nada”, “Soltas Bruxas”, “Triste, Louca ou Má”. Pera, uma pausa para esse momento. Ju foi incrível cantando esse hino: “Triste, Louca ou Má”. Deu uma aula de feminismo e pediu: “Homens falem menos e escutem mais as mulheres”. Ela foi ovacionada. Sem contar que ela arrasou com o seu gogó! Ápice da festa. Melhores momentos ever. Francisco El Hombre. Um lacre, é um lacre. Aqui, as portas vão estar sempre abertas!

A 18ª edição do Guaiamum Treloso Rural representou como prévia. Apresentaram uma grade de apresentações dignas de um verdadeiro carnaindie. A produção está de parabéns por ter conseguido realizar, apenas das brigas judiciais, o festival, como ter lotado e agraciado o público com uma vibe de paz e alegria. Pequenos ajustes na produção e a certeza de que a 19ª edição vai entrar para a história. Que venha!

Feminismo é revolução e os artistas estão entendendo o recado

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Letrux
Letrux

“Ela desatinou, desatou nós. Vai viver só!” Esse trechinho de “Triste, Louca ou Má” de Francisco El Hombre representa bem a transição social pela qual estamos passando. O feminismo grita, exige e chega aos ouvidos de milhares de pessoas de infinitas formas, seja pelos protestos nas ruas, pelas plataformas digitais e principalmente pelo streaming. Uma voz, doce, suave, encantando e passando seu recado sutilmente. É assim que inúmeros artistas estão chegando nesses espaços e ganhando voz e autonomia.

Elza Soares, grande artista feminista, manda seu recado social desde cedo. Fala abertamente em suas músicas sobre a opressão masculina, violência doméstica, racismo, entre outros temas e convida seu fiel público a dar um basta nisso. “Cadê meu celular, eu vou ligar no 180”. O famoso Disk Denúncia. Em 2016, Elza lançou seu disco “A Mulher do Fim do Mundo”, que lhe rendeu excelentes críticas e prêmios, como Grammy, todo contextualizado no apelo ao fim da violência. Um verdadeiro grito de basta. Em 2017, ela não perde a linha e lança o single ‘Na Pele’, junto com a também feminista Pitty, denunciando a violência física e psicológica. “Se essas são marcas externas, imaginem as de dentro”, questionam.

As mulheres, através de muita luta, têm conquistado seus espaços no campo profissional e a indústria fonográfica vai muito bem representada nesse quesito. Mulamba é um sexteto de meninas paulistas, que também lançou disco 2016 e vem gritando nas playlists o fim do abuso, escancarando o machismo e pedindo a liberdade feminina. “Agora o meu papo vai ser só com a mulherada: Nós não é saco de bosta para levar tanta porrada” e denunciam “Todo dia morrem umas 10, umas 15 são estupradas, fora as que ficaram em casa e por nada são espancadas”. Não à toa, contam com quase 9 mil ouvintes mensais no Spotify, e a música “Mulamba” com mais de 54 mil plays.
A lista de artistas que estão seguindo essa revolução feminista é bem vasta e a Letrux, antes conhecida como Letuce pelo trabalho musical com seu ex marido, jogou tudo para alto e lançou um excelente disco, “Em Noite de Climão”, onde se mostra empoderada, liberta e pronta para um novo jogo. Nesse estilo, Ava Rocha também representa bem a cena indie do Brasil, com sua performance autêntica nos palcos. Uma das suas canções que chama a atenção durante sua a apresentação é Joana D’Arc. Ava foi headliner na abertura da Semana Internacional de Música, que aconteceu em São Paulo.

Mas, nem só mulheres ganham espaço nos fones de ouvidos quando o assunto é feminismo. Francisco El Hombre, grupo misto de paulistanxs e mexicanxs, também pregam o fim do machismo, o empoderamento feminino e a sororidade. Apesar de ser cantada por uma voz feminina, a banda é composta na sua maioria por homens, que carregam essa bandeira. Essa atitude já se trata de um reflexo da revolução feminista, talvez uma lição que ficou após um integrante da banda ser acusado por machismo e manter um relacionamento abusivo.

Com o mercado musical aberto a esses discursos, não só é importante discutir o feminismo, como também é de igual importância desconstruir o machismo. A sociedade já mostrou que não tolera mais. E grandes artistas como Criolo e Mano Brown já aderiram a essa nova regrinha. Não se pode mais denegrir a imagem da mulher, pega mal, mesmo que para um seleto público. Não entraremos aqui no mercado do funk e ramificações.

Mano Brown, que lançou o “Boogie Naipe” em 2017, seu novo trabalho solo, desabafou que os tempos mudaram e tirou do repertório do Racionais MCs as músicas que fazem apologia ao machismo. Essa visão também foi alcançada por Criolo, que relançou em 2016 o disco “Ainda Há Tempo”, com alterações em algumas letras machistas e homofóbicas. Ponto para eles.

O público está de olhos bem abertos quando se refere a esse tema. O grande e intocável Chico Buarque, também lançou um disco em 2017 e foi alvo fortes críticas quando cantou ‘Tua Cantiga”, onde deixaria mulher e filhos por sua amante. É uma letra que vai de encontro à sororidade, mas que passa pela liberdade poética de se cantar uma história.

O fato, é que a tolerância machista está desabando, tanto que foi lançado pelo site Apoie a Cena, uma matéria com o título “Bandas Machistas Que Você Não Deve Ouvir”. Trata-se de relatos de mulheres que foram vítimas de boys bands. O machismo não precisa estar só nas letras. Ele direcionado é mais agressivo.

Em alta, a revolução feminista não pede licença. Ela invade os palcos, as playlists e com sua força conscientiza homens e mulheres. Denuncia violência, chama para a luta. E representa o atual momento de transição.

Reunimos uma porrada de gente pra eleger as melhores músicas nacionais e internacionais de 2017

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Chegou aquele momento do ano em que todo mundo faz suas listas, retrospectivas e tentamos eleger o que aconteceu de melhor nos últimos 365 dias. Aqui no Crush em Hi-Fi eu deixei a tarefa de escolher os grandes sons de 2017 com os próprios colaboradores do blog, músicos, jornalistas, produtores, DJs e apaixonados por música. São mais de 70 pessoas que nos contaram quais foram os grandes sons nacionais e internacionais deste conturbado ano.

Na música nacional, Tim Bernardes, Renato Godá, Molho Negro, Letrux e Far From Alaska foram os mais lembrados pelos entrevistados, enquanto King Gizzard & The Lizard Wizard, Kendrick Lamar, Bjork Liam Gallagher foram os artistas estrangeiros que mais mexeram com o coração das pessoas consultadas. Confira as escolhas e sigam as playlists dos Melhores do Ano 2017 no Spotify do Crush em Hi-Fi!

Nacionais

Luccas Carlos“Neblina”
Rashid: O Luccas é um dos artistas mais talentosos que surgiram nos últimos tempos, na minha opinião. Tem um potencial gigantesco pra bater pesado nas rádios. Gosto bastante desse som, letra boa, refrãozão, melodia da hora. Sou fã.

Jr Black“Arrendado”
Gil Mendes (Baião de Dois/Crush em Hi-Fi): A multiartista pernambucano manda nessa samba bem balançado uma crônica sobre o atual cenário do país abusando das metáforas, fazendo uma analogia de como o Brasil fosse uma grande e abandonado parque de diversões pronto para ser destruído. A faixa ainda conta com a participação de Fred 04, do Mundo Livre S/A.

NP Vocal – “Veja Bem”
Kamau: Com certeza essa é a música que mais ouvi num certo período de tempo em 2017. Veio como uma surpresa, já que conhecia o NP de vista mas não tinha ouvido ainda nada dele. O beat cabuloso do DJ Fire serviu bem pra sua narrativa entrelaçada que nitidamente remete ao Sabotage mas tem seu DNA, suas características próprias. A facilidade com que NP passa do rimado ao melódico também chamou-me bastante a atenção. Talvez não seja o melhor som em nenhuma lista mas, com certeza, deve ser ouvido por quem ainda não teve a oportunidade de fazê-lo.

Far From Alaska “Bear”
Chris Lopo (Crush em Hi-Fi): “Unlikely” soa muito diferente de seu antecessor, “ModeHuman”, mostrando uma evolução tanto na pegada quanto na produção e no vocal de Emmily Barreto. “Cobra”, a música de trabalho, é legal mas, quando chegou “Bear”, a segunda do disco, meu mundo parou. Eu fiquei, sem mentira, uma tarde inteira e amanhã do dia seguinte com essa música no repeat. Sempre que rolava o comecinho de “Flamingo” eu voltava uma faixa. Valeu a pena ter enfrentado a neve, desta vez mais perto do Alasca, para gravar com a Sylvia Massy.
Ian Veiga (Der Baum): Muita coisa de qualidade lançada e se teve algo que marcou foi o álbum do Far From Alaska, “Unlikely”. O single “Cobra” foi matador e manteve muito o estilão do primeiro álbum, mas a música “Bear” mostra a verdadeira faceta atual da banda. Com muito experimentalismo na masterização e sonoridade diferentona, o resultado é incrível e adoro quando a banda se arrisca sem medo assim.

Rimas e Melodias – “Coroação”
Mariângela Carvalho (Supernova): Tava no aguarde do debut do Rimas e assim que ouvi pela primeira vez, no final minha sensação resumida era: uma experiência ultra empoderada. Nunca poderei sentir na pele, literalmente falando, o que elas compartilham e, por isso mesmo, pra mim esse álbum veio acrescentar mais visões sobre o feminismo;  musicalmente a produção é muito fina, várias escolas do ritmo e poesia revisitadas nos 30 e poucos minutos de duração. A segunda faixa, “Coroação”, tem um tema bem forte, o refrão + coro me fazem arrepiar toda vez que ouço.

Francisco El Hombre“Triste, Louca Ou Má”
Alexandre Becker Klein (Lamusia): Acho que “Triste, Louca ou Má”, do Francisco El Hombre, devido a música ter acordes tristes e bonitos, sem falar da letra com uma importância bem grande pro público feminino.

Projeto Rivera“Zeravida”
Caike Falcão (Empire): Além de eu ter achado uma música foda, ela é muito representativa. Projeto Rivera vem em uma crescente linda, e eu consegui ver de perto a luta dos meninos. É uma banda que me orgulha e inspira, e envolve quem tá por perto. E essa música é o ponta-pé inicial do segundo disco deles, que é um novo marco na carreira da banda. O Brasil ainda vai ouvir falar muito deles.

Guilhemoso Wild – “Caos, Caos”
Douglas Mam (Douglas Mam & Os Famigerados): Indico! A letra falado tudo sobre a situação da humanidade.

Figueroas“Boneca Selvagem”
Fabrício Bizu (Psico BR) – Por trazer música pra cima e dançante como flamingos rosas em ponche psicodélico.
Alê Lima (Aletrix): Figueroas tem o vantajoso diferencial de lançar músicas viciantes. O aguardado segundo disco é contagiante e igualmente grudento. “Boneca Selvagem” é uma música para se ouvir várias vezes seguidas, suando e mexendo partes do corpo.

Arnaldo Tifu“O Rap Salva”
Carol Tavares (Jazz House): Acho difícil dizer a melhor de todas. A produção nacional está fervilhando. Muitos estilos, muita gente nova e boa. Eu sempre tive um lance secreto com rap e, trabalhando mais de perto com o Tifu, fiquei arrepiada com “O Rap Salva”. Tem força, letra e aquele pé no peito. Fica minha sugestão.

Merda“O Diabo Está Sempre Ao Meu Lado”
Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula): A gang do Merda e suas cagadas magníficas. Em tempos de Reich evangélico nada melhor que essa bela canção sobre amizade.

Rico Dalasam – “Fogo em Mim”
Guilherme Tintel (It Pop): O Carnaval se foi, mas o fogo de Rico Dalasam não se apagou. No ano em que o pop brasileiro emplacou até hits internacionais, “Fogo em Mim” se garante pela singularidade de sua letra e batida, sob a produção de Mahal Pita, do sempre incrível BaianaSystem.

Deltafoxx “Fade Away”
Diego Veríssimo (Outro Indie): O mais recente lançamento do duo brasiliense que vem crescendo em destaque na cena independente com suas faixas originais e remixes.

Molho Negro“Escrevo Mal”
Pedro Spadoni (Cat Vids): A Molho representa bem demais a cena independente do país em tudo o que fazem, e essa música é a cara deles porque tira sarro deles mesmos e de mim e de você e de qualquer um que se meta a fazer música. Eu vejo esse tipo de proposta como um recado legal pra cena de não se levar tão a sério assim e só, sei lá, se divertir. Sem contar que o João é o cara mais legal do rock (risos).

Bike“A Montanha Sagrada”
Denão Fonseca (3 Olhos Festival): Depois de ouvir esse som, você só tem vontade de subir a montanha para ficar mais perto do céu. Hino da psicodelia moderna.

Letrux“Que Estrago”
Hanilton Medeiros (Crush em Hi-Fi): “Letrux em Noite de Climão” é de longe o melhor álbum de 2017. A canção conta a história e a experiência após um encontro entre duas mulheres. Com letra provocativa e video clipe psicodélico, “Que Estrago” é a faixa perfeita para resumir esse trabalho, premiado como “Melhor Disco do Ano” pelo Prêmio Multishow.

Preta Gil & Gal Costa “Vá Se Benzer”
Hanilton Medeiros (Crush em Hi-Fi): Preta Gil declarou em várias entrevistas a emoção que foi cantar com sua madrinha, a diva da MPB, Gal Costa. A canção tem um teor político, que foi potencializado ao ganhar um clipe manifesto, cuja repercussão na internet garantiu a colocação entre os mais vídeos no YouTube no dia de seu lançamento.

Skrotes“Procissão dos Ossos”
Michelle Mendez (Petit Mort): Melhor banda catarinense, e uma das melhores do brasil sem duvida. Admiro muito o talento dos musicos da banda e as suas composições, musica pra voar a mente, sem limites.

ProjetoNave “Revolução Humana”
Claudio Cox (Giallos): “20 Voltas” celebra os 20 anos de uma das bandas mais importantes aqui do ABC Paulista, o Projetonave. Não bastasse isso (20 ANOS caralho!), o disco também marca a volta de um dos letristas mais importantes da minha geração, um cara que me influenciou, me influencia e me influenciará para todo o sempre, Marcopablo. Escolhi uma porque não posso escolher todas. “Revolução Humana” tem uma frase que define bem essa nova fase da banda e da minha vida também: “amanhece cedo, o sol fortalece”.

Jazz Beat“Loud Owl”
Pedro H. Rabelo (Bang Bang Babies): Delta blues com punk primitivo (isso existe?). Pra mim soa desse jeito.

Quasar“Aurora”
Ari Holtz Neto (Medrar): Tem um caos espontâneo, digno de um ser humano qualquer andando desgovernado pela cidade olhando pra própria nuca. Um recorte que me fisga da produção autoral brasileira, fala comigo na poesia, na melodia, nas distorções, na impertinência e no desacerto.

Renato Godá“Longe Eu Vou”
Calvin Kilivitz (Thrills & the Chase): Quando o Goda surgiu, disseram que ele era o Tom Waits brasileiro. Com esse disco novo, ele também é o Johnny Cash brasileiro, e muito mais.

Ralo“Mais”
André Astro (O Grande Ogro): A banda de São Paulo de rock instrumental Ralo lançou esse ano o disco “Hell is Real” com a música “Mais”, tem tem um belo vídeo da produção do disco.

Hammerhead Blues“Rat”
Rê Becca Tavares: A banda paulistana Hammerhead Blues lançou seu primeiro álbum este ano e “Rat”, uma das faixas mais poderosas, ganhou um clipe sensacional para acompanhar. Rock com pegada setentista para ouvir no máximo!

Tagore“Apocalipse Jeans”
Adriano Eliezer (Pampas Deer): O Tagore só melhora na escrita e na interpretação. É uma lapa de talento. E o João Felipe Cavalcanti, como produtor e realizador da coisa sônica, tem baixos lindos, ambientações e texturas que pra mim são fora de série.

Raquel Reis“Sorte”
Ana Júlia Tolentino (Tenho Mais Discos Que Amigos): Eu esperei por um bom tempo o lançamento desse disco e ele tem uma produção visual impecável (sério, olha no canal dela)! Essa música particularmente me remete a tudo que aconteceu esse ano, 2017 foi um ano de contemplação. No trecho “No seu silêncio, eu escuto o infinito” é como se o silêncio fosse meu, também.

Tim Bernardes“Tanto Faz”
Laura Damasceno (Música Tem Vídeo): Foi a primeira música de trabalho do disco solo do Tim Bernardes e mesmo sendo lentinha, tem aquela letra chiclete à la O Terno que não sai da cabeça por nada. Além disso, chama atenção por retratar bem o Brasil de 2017, com sua população apática diante do mar de problemas políticos e sociais: “Vai ter Copa, vai ter carnaval, mas continua errado / Nada é justo ou injusto se não há justiça de fato / Tanto faz, tanto faz”. Sério, genial.
Bruna Manfre (Shelter): Em meio à apatia e escapismo atuais, Tim Bernardes trouxe seu “Tanto Faz” – música que pode ser interpretada de diversas formas, inclusive como crítica à política. O desassossego lírico, que por si só já garantiria seu posto como melhor do ano, é acompanhado por violão de cordas de aço, surdo e violinos.

Renato Godá“Chegada”
Zé Menezes (Thrills & The Chase): Simplesmente a declaração de amor mais bonita dos últimos tempos. Se não conhece, vá atrás que você não vai se arrepender.

Ludovic“Inexorcizável (Um Zumbido Ensurdecedor)”
Shamil Carlos (Stay Free): Tinha um grande medo do que viria, ainda mais por saber que o Jair passa por uma fase de vida bem diferente da época do “Idioma Morto” mas a música é foda! Letra desesperançosa e melancólica, do jeito que a gente ama.

Luedji Luna“Banho de Folhas”
Bárbara Monteiro (Wabi Sabi): Eu tô completamente apaixonada pela Luedji Luna! Ela é baiana e fica numa ponte Salvador – São Paulo. Acabou de lançar seu primeiro disco, que se chama “Um Corpo no Mundo” e é maravilhoso. Ela é compositora e tem uma voz incrível. Eu já era muito fã quando um dia, do nada, encontrei com ela num boteco em Pinheiros almoçando PF. Não resisti, tietei e ela foi tão simpática que só me fez admirar mais ainda.

Tim Bernardes“Ela”
Carolina Santos (Noize Media/Crush em Hi-Fi): O Tim já vem fazendo um trabalho excelente na banda O Terno, e agora em disco solo, denominado “Recomeçar”, lançado em setembro, pode soltar a mão em composições um pouco mais melancólicas e lindas. Ela é muito suave, quase um abraço para dias difíceis. O álbum todo é lindíssimo, um dos grandes destaques do ano.
Fernando Sanches (CPM22/O Inimigo): Porque é super simples e linda. E toda acústica, nesse mundo eletrônico, né?

Black Cold Bottles“Black Bones Blues”
Alejandro Cadena (The Ash Tre): Mesmo que a letra não fale necessariamente disso, eu sempre ouço essa música e me imagino no velho oeste, andando num cavalo rumo ao horizonte. Os vocais do Bruno Carnovale e da Larissa Lobo derretem e se misturam trazendo uma sensação de paz que se preenche com essas guitarras maravilhosas.

Yesomar“Pra Sempre”
Wendell Pivetta (Metal Etílico/Crush em Hi-Fi): Boa parte dos gigantes aqui é um resgate inovador do Rock Gaúcho da capital. Yesomar vem com o “Vol.2” de um super projeto que merece respeito e ouvidos atentos em um discão! Uma banda que faz uma correria gigante para agitar a cena da capital. Destaco a faixa “Pra Sempre” que para mim, já nasceu clássico! Firme e especial.

Negro Leo“Action Lekking A”
Uiu Lopes: Nacional foi o Negro Léo que eu sempre piro nas ideias dele e esse ano ele lançou um álbum chamado “Action Lekking A” que tá com um time pesado, vale muito a pena escutar no meio de uma multidão na Avenida Paulista ou qualquer outro lugar cheio de gente (risos).

Nevilton“Melhorar”
Millena Kreutzfeld (GDL – Tudo Sobre Música): Esperança e melancolia é o que traduz essa faixa do novo disco do Nevilton lançado recentemente. Apesar da vida caótica que a maioria leva na cidade maluca que é SP, precisamos ser conscientes com o todo pra vida melhorar e pra felicidade vir beber a estante dos vinhos que guardamos. ha-ha.

Paulo Miklos“Vou Te Encontrar”
Jéssica Mar (A Menina Que Colecionava Discos): O cantor fez um mergulho na música brasileira e lançou o que considera, de fato, seu primeiro trabalho individual na música. Gravado entre março e abril de 2017 e lançado oficialmente em agosto, veio após uma série de acontecimentos marcantes na vida do cantor (a morte de seus pais e de sua esposa, além da própria saída dos Titãs) e tem elementos de autobiografia, o álbum é um dos melhores discos brasileiros lançados esse ano.

Sepultura“Phantom Self”
Jéssica Mar (A Menina Que Colecionava Discos): Gravado na Suécia, é o primeiro álbum de estúdio da banda em mais de três anos desde “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013), marcando a maior distância entre dois álbuns de estúdio em sua carreira. Conceito do álbum, segundo a banda: “A principal inspiração em torno de “Machine Messiah” é a robotização da sociedade hoje em dia. O conceito de uma ‘Máquina Divina’ que criou a humanidade e agora parece que este ciclo está se fechando, retornando ao ponto de partida. Nós viemos de máquinas e estamos indo de volta para de onde viemos. O Messias, quando ele voltar, vai ser um robô, ou um humanóide, nosso salvador biomecânico”.

Gagged“Cidade Sem Lugar”
Sérgio Costa (Vinyl Style): Primeiro single do álbum que saí no ano que vem. Hardcore bem tocado, bem gravado e com letras fodas (coisa que tem faltado em boa parte da nova geração de bandas dessa cena).
Não é de hoje que conheço o trabalho da Gagged e aposto muito nesse álbum que vem aí. Não é por acaso que eles vão abrir o aguardado show do Strung Out em Dezembro em São Paulo ao lado do Statues on Fire.

NDR“O Homem Comum”
Thiagones (Wiseman): Soco no estômago! Música rápida e texto agressivo, sem soar “Culto Intangível” ou “Simplista pânque”.

Pitty e Elza Soares“Na Pele”
Carol Marinho (Trilha Sonora da Carol): Como feminista, não poderia deixar de citar esse encontro entre duas mulheres que admiro muito. Elza Soares é a deusa da música brasileira e a letra elaborada da Pitty descreve não só a história de Elza mas a de muitas mulheres: “Se essas são marcas externas / Imagine as de dentro”. Imaginemos juntas!

Letrux“Ninguém Perguntou Por Você”
Siso: Letícia Novaes é pessoa gênia e isso ficou claro pra muita gente com “Letrux em Noite de Climão”. Nessa faixa, ela faz um inventário maravilhoso da intimidade de um casal imaginário, indo do romântico ao hilário sobre uma batida disco.
Lara Aufranc: Essa foi a música escolhida pra gente cantar juntas no meu show, adoro. Me identifico com a letra, que escancara as projeções. Porque às vezes só acontece na minha cabeça mesmo.
Ana Maria Nakaza (Azoofa): A gente ama a Letícia Novaes e tudo o que ela faz, seja na música ou na escrita, ela sempre tem muita coisa pra dizer. “Ninguém Perguntou Por Você” é a cara dela, mostra a potência da sua voz e o poder das palavras. Dá vontade de soltar a voz junto com ela e continuar cantarolando aquele refrão o resto do dia. Ela fez uma versão acústica no nosso live e arrasou!

Maquinamente“Voar Alto”
Crys Gonçalves (Guitar Talks): O Maquinamente colocou essa música na boca de todo mundo em 2017. Música boa, refrão pegajoso e uma qualidade vocal incrível.

Ciro e a Cidade“Lascado”
Karina Moritzen (Brasinha Discos): Ciro e a Cidade é das bandas mais impressionantes do cenário alternativo do RN. letras e melodias envolventes que te fazem sentir coisas que você nem sabia que estavam lá. Vale a pena o EP inteiro, que foi lançado no início de 2017 produzido pelos também potiguares do Mahmed.

Sudário“Baden Powell”
Karina Moritzen (Brasinha Discos): Sudário é o primeiro lançamento da Brasinha Discos. Adriano traz toda a introspectividade e sensibilidade dele e te entrega de bandeja. é como se ele te pegasse pela mão e te mostrasse o quarto dele. o disco foi produzido por Walter Nazário, e demorou anos pra sair, era uma lenda urbana na cidade. ainda bem que saiu, e foi um dos melhores lançamentos potiguares do ano.

Criolo“Menino Mimado”
Bruno Carnovale (Black Cold Bottles): O ano de 2017 nos rendeu muitas reflexões a respeito de vários momentos que o nosso país atravessa. e em “Espiral de Ilusão”, um disco tão bonito quanto inusitado, Criolo diz muito sobre o que se deveria pensar a respeito do que tem sido feito na política do Brasil.

Rincon Sapiência“A Coisa Tá Preta”
Alessandra Braz (Favorite): Para mim, o Rincon fez o melhor disco de 2017 no âmbito nacional, “Galanga Livre”. A grande sacada desse disco é falar de racismo exaltando a beleza negra essa música em específico é genial, porque ela pega uma expressão racista, que ficou conhecida por explicitar que as coisas não vão bem e troca o seu significado. Rincon canta: “Se eu te falar que a coisa tá preta, a coisa tá boa, pode acreditar”.

Boogarins“Foimal”
Sand Lêycia (Supervibe): Enfim, Boogarins é a banda nacional que mais me atrai. “Foimal” segue o tipo de composição simples que tanto gosto, o synth bass casou demais com a textura da banda.

Maglore“Aquela Força”
Raul Zanardo (Dum Brothers): Fui no show de lançamento que rolou no Sesc Pompeia e quando tocaram essa musica a galera, inclusive eu, pirou demais.

Ekena“Todxs Putxs”
Dani Buarque (BBGG): Esse ano se criou um grupo no Whatsapp com as minas da música. Conheci muita coisa foda mas um som que me fez derramar lágrimas e meu coraçãozinho bater mais forte foi o som “Todxs Putxs” da Ekena. A letra é maravilhosa, a voz dela é incrível e a música como um todo umas das melhores coisas que já ouvi no Brasil. Fui DJ de um evento What Design Can Do e a Ekena entrou pra tocar essa música. Me arrepia só de lembrar. Era ela e o violão. As pessoas começaram aplaudir no meio da música e depois no final de novo. Eu nunca vi isso na vida. Que força essa mulher tem, eu tô A-P-A-I–X-O-N-A-D-A pelo som dela. É muito nítido como ela se entrega pra arte e isso inevitavelmente toca a gente.

Cinnamon Tapes“Cinnamon Sea”
Camila Mazzini (Garotas no Poder): Acompanhei o comecinho da carreira da Susan e a delicadeza com que ela cuida de tudo, desde a sonoridade até o visual. Tudo doce e lindo.

Satiro“Flúor”
Bruno Trchmnn (Leila): Dá pra ouvir pelo menos 20 vezes em 1 hora, o que é sempre bom. Esse disco tem duas coisas que eu curto: aquela ponta de Urinals e o Matias Picon (Animal Cracker, Sonora Scotch). Ouvi milhares de vezes (em umas 2 horas e meia).

Miêta“Messenger Bling”
André Luiz Souza Silva (Fita): A “Messenger Bling” do Miêta tem um que de nostalgia pra mim. Tbm é o tipo de som que cria umas cenas na minha cabeça, já imaginei um mega video de downhill numa estrada na Califórnia e a mistura desse baixão e essa voz suave ficaram perfeitas.

Porcas Borboletas“Cara Pra Casar”
Gabriel Serapicos (Serapicos): O álbum todo é a mais pura e sincera poesia. Cadê esses meninos do programa da Fátima Bernardes?

Tati Góis “Mãe Preta”
Tânia Seles (Sopa Alternativa): A líder da banda Útero Punk saiu em carreira solo com o álbum “Negra e Favelada”. O seu primeiro single fala de racismo e violência, denunciando o sofrimento das mães da favela. Essencial para o momento que estamos vivendo.

Deb And The Mentals“Bleeding”
Paula Holanda (Crush em Hi-Fi): Como é bom um som direto, sem firulas, filho do punk, do grunge e do garage. Eu não costumo gostar de bandas brasileiras que compõem em inglês, mas “Mess” foi um dos meus discos nacionais preferidos de 2017 (e Deb And The Mentals, anotem esse nome, um dos melhores shows que vi). “Bleeding” foi uma ótima escolha para a faixa de abertura — é a música mais crua e urgente do disco, ou seja, um excelente cartão de visitas para quem quiser conhecê-lo.

Maglore“Calma”
Alinne Anno (Chuchu): 2017 não foi dos mais fáceis, creio que pra mim e a muitos por ai. Minhas escolhas refletem muito no que eu passei e vi outros passando nesse longo ano. “Calma” da Maglore, virou um mantra que me fez/faz chorar, dançar, refletir… É difícil descrever com poucas palavras, sem contextualizar a parada, sem citar mais do que um ou dois momentos, sem que outras músicas entrem no meio. Vai parecer piegas esse papo todo, mas é real. O Lucas, baixista da Maglore e guitarra/vocais da Vitreaux, tocou pra mim, voz e violão, num momento muito sensível e eu senti toda a emoção. Fez muito sentido naquele momento, mas a bala no peito veio mesmo uns meses depois. Essa música me ajudou sair das fossas desse segundo semestre e a entender coisas que passei no primeiro. Foi uma luta ouvir uma música tão pra cima em momentos que você só quer ouvir uns emo/shoegaze. E de volta a pieguice: eu acredito profundamente no poder da música (gente como eu sou brega).

Whatever Happened to Baby Jane“Deixa Ela em Paz”
Lúcia Vulcano (Pata): Conheci Whatever Happened to Baby Jane esse ano e é uma das bandas que eu mais gostei de descobrir. Essa música é um belo hino de resistência e eu gostaria que cantassem para 2017: Deixa ela em paz!

Marginal Attack“I Want You”
Matheus Krempel (The Bombers): O Marginal Attack resgata aquele sabor do Punk rock do meio dos anos 90 com bastante propriedade. “I Want You” é uma balada punk com um dos refrões mais gostosos do ano.

Muddy Brothers“What I Want”
Bruno Agnoletti (Dum Brothers): Muddy é uma das melhores do cenário nacional e eles tem uma pegada 70’s que eu curto pra caramba sem contar que o vocal, guitarra e batera do Muddy é sensacional.

Old Kitchen“Outra Voz”
Dan Menezes (Vênus Café): Saindo do internacional mainstream para o underground nacional. Essa canção é uma pérola, de ficar cantarolarando por dias. No dia em que foi lançada, fiquei ouvindo ela no repeat umas dez vezes, e fiquei esse tempo todo arrepiado (isso é sério). Disparada a canção que mais ouvi em 2017.

Corazones Muertos“Spikes & Dogs”
Cristiano Vicente (Crasso Records): Apesar de não ser 100% nacional, dá pra considerar. Faixa do disco “Carnival Killers” lançado pela Crasso Records, além de ser uma BAITA faixa e um BAITA refrão, a música e o clipe são uma grande homenagem (em vida) ao ratodeporão/forgottenboy/lobotomizado/porcocego: Fralda!

Baco Exu do Blues – “Te Amo Disgraça”
Amauri Eugênio Jr. (Yahoo): “Esú”, do Baco Exu do Blues, é uma das mais bem-vindas novidades da cena musical brasileira, a começar pela origem, que rompe o eixo Centro-Sul: o cara mostrou que tem rap de qualidade na Bahia. O álbum é coeso, transgressor, erótico e com groove pesado, e tem a faixa “Te Amo Disgraça” como uma espécie de síntese e um de seus melhores momentos. Dá para dizer, parafraseando um verso, que essa música e o álbum são manifestos contra o tédio de domingo e dos demais dias da semana.

Electro Bromance“Supermodel”
Bruno Romani (S.E.T.I.): Esse aqui é o Depeche Mode do Nordeste! Um duo de João Pessoa fazendo synthpop clássico numa região onde o senso comum jamais esperaria que isso fosse possível. Eles lançaram um disco no começo do ano, “We Are Like a Bomb!”, que tem outras vertentes eletrônicas. Mas eu curti muito esse single, que saiu no último mês de setembro mas poderia ser de 1987.

Sereno“Se Tudo Der Errado”
Paloma Vasconcellos (LuvBugs): Os irmãos Victor e Vinícius Damazio arrebentaram com esse lançamento de estreia deles e do selo Violeta Discos. “Adivinhar o Futuro das Estrelas” é lindo do início ao fim. Eu escolhi a faixa de número 4 em particular porque ela transmite uma melancolia e ao mesmo tempo uma alegria gostosa de sentir que remete direto aos anos 90.

Scalene“Cartão Postal”
Ingrid Natalie (Female Rock Squad): Já para o destaque nacional indico a banda Scalene. O quarteto de Brasília fez uma performance impecável no Rock in Rio, provando que o rock brasileiro está mais vivo que nunca e lançou o álbum “Magnetite” que traz novos elementos ao som post-hardcore da banda. A música “Cartão Postal” é uma reflexão linda sobre a carreira da banda.

Matheus Flemming“1985”
Sara Não Tem Nome: Conhecia o trabalho do Matheus no Câmera e esse ano ele lançou seu trabalho solo com o disco “O Estado das Coisas”. As músicas são construídas por meio de várias camadas/ linhas de guitarra, sons sutis e ruídosos. No show do disco, é muito interessante acompanhar a construção das músicas feitas por Matheus. O show é super intimista e conta com projeções lindas.

Tantão e os Fita“Espectro”
Sara Não Tem Nome: Tantão é artista plástico e músico. Nos anos 80 fez parte do Black Future, banda de pós punk da cena no wave. Em 2017 lançou o ‘Espectro’, seu primeiro álbum autoral. Me impressionaram sua performance em palco, a força de sua voz e sua letras impactantes.

Beto Cupertino“Memes”
Dija Dijones (Penhasco, Chabad, Loyal Gun, O Apátrida): Não bastasse o fato de grandes discos como “Grandes Infiéis”, “Tribunal Surdo” e “Greve Das Navalhas”, do Violins, terem tido menos repercussão do que deveriam, “Tudo Arbitrário”, belo disco do Beto Cupertino, a voz e a guitarra da banda goiana, parece trilhar o mesmo caminho. Em tempos de redes sociais como arena para embates, debates e inutilidades mil, esta é uma letra que poderia estar na língua de muita gente por aí. Na minha, pelo menos, está.

Cinnamon Tapes“Sol”
Victor José (Antiprisma/Crush em Hi-Fi): Já falei aqui espontaneamente sobre o álbum de estreia da Susan. E realmente, continuo com a mesma sensação de que esse disco (principalmente este single) tem algo especial. É simples, honesto, melodioso, estético e confessional. Muito difícil entrar três minutos de música essas cinco qualidades juntas e de modo convincente. É óbvio que em “Sol” está uma artista de mão cheia que muito tem a oferecer. A cena alternativa local só tem a comemorar.

Molho Negro“Mainstream”
Helder Sampedro (RockALT/Crush em Hi-Fi): Curto, cru, rápido e direto ao ponto. É o que podemos falar desse som dos Paraenses do Molho Negro. As letras irreverentes e cruelmente verdadeiras dessa música são característica do álbum lançado esse ano, mas não se engane, a banda é bem versátil e as músicas são bem diferentes entre si. Essa variedade musical do álbum foi justamente o que me atraiu e é um dos meus favoritos do ano.

Pablo Vittar“K.O.”
Micaela Alvariza (Micadélica): Acho incrível ver uma drag fazendo um estilo bem tipico daqui, com letra em português e batida brasileira, sem se sentir na necessidade de se regufiar na cultura gringa. Isso faz a mensagem ser mais democrática, afinal, quem fez ela famosa foi o pessoal daqui, e acho legal ela manter esse interesse pela aprovação do povo.

Negro Leo“Lek Lover”
Pedro Pastoriz: Se eu tivesse um minuto para escolher um disco brasileiro feito nesse ano pra lançar em um foguete pra lua, eu acho que seria esse: “Action Lekking” do Negro Leo tem essa tal coisa LEK, arranjos, banda, composições muito boas! “Lek Lover” é uma faixa que ficou na minha cabeça.

Curumim“Boca de Groselha”
Pedro Vivas (Crush em Hi-Fi): Diálogos com o corpo, diálogos com a “Boca”. Diálogos com a GROSELHA – groselha que às vezes é bacana, quiçá necessária, para sair da seriedade do dia-dia, mas, que também é ruim – que enche o saco e estraga nossos dias. “Boca de Groselha” fica no campo da primeira, é groselha boa, da mais alta qualidade, que pode acompanhar tranquilamente bons drinks (risos). Curumin (junto com os aipins) inova mais uma vez. Nacionalmente foi um dos sons, entre vários outros, que mais me chamaram atenção nesse ano. Com certeza merece menção.

LAY –  “Daraxaclan”
Yannick aka Afrosamurai: LAY é uma grande artista, destemida, ousada e explicita. O rap nacional precisa de uma mulher assim.

Bratislava“Enterro”
Lennon Fernandes: O crime ambiental ocorrido em Mariana/MG deveria ser tema de composição para todas as bandas. Parabéns pra Bratislava pela sensibilidade.

Castello Branco“Do Interior” (feat. Verônica Bonfim)
Otavio Cardoso (Carinae): A gente acompanha Castello Branco desde o primeiro lançamento, em 2013. Essa música em especial foi lançada no segundo álbum e tem um ritmo que encaixa muito bem com a melodia forte do refrão. A letra tem uma interpretação mais aberta e passa uma sensação boa, cantada junto com essa melodia.
Marcos Xi (Brasileiríssimos): Num período onde a nova MPB ou desata totalmente para o comercial ou descampa para uma auto provação de genialidade desnecessária, Lucas resolveu se inspirar na sua própria terra para chegar num material que envolve, emociona e liberta. “Sintoma” pode não ter os singles matadores e clássicos instantâneos que seu irmão “Serviço”, mas entrega um material muito mais coeso, conciso e inteligente que seu autor já conseguiu mostrar.

Monstros do Ula Ula“Não Posso Ficar”
Bacalhau (Monstros do Ula Ula): Banda mitológica que voltou com um disco ótimo.

menores atos“Pressa”
Enzo Marco di Berardo (Crush em Hi-Fi): Após 3 anos sem lançar material novo, a banda nos presenteou esse ano com o single “Pressa”. É importante destacar aqui que em nenhum momento a banda soa como um trio. Com a quantidade de riffs, efeitos, mudanças bruscas no andamento e backing vocais das músicas, eles ressoam como um grupo que tem no mínimo dois integrantes a mais. A sonoridade do single permeia simultaneamente a calmaria e o caos. O peso das guitarras de Cyro Sampaio (voz e guitarra) remete melodias de hardcore, ao mesmo tempo, as viagens dos pedais de efeito se assemelha às bandas: Circa Survive e Brand New. O papel do baixo de Celso Lehneman – por se tratar de um power trio — , tem mais presença e linhas consistentes do que normalmente dispõem as bandas de rock. A bateria Ricardo Mello (voz e bateria) além de somar na dosagem final da porrada, também passeia por linhas quebradas e incertas. Além do instrumental devastador, as letras das composições – a maioria discorre sobre relacionamentos — , causam uma identificação sem igual no público que sempre entoa os versos das músicas junto da banda.

Elza Soares“Maria da Vila Matilde” (Remix)
Rodrigo Reis e Bárbara Ribeiro (Crush em Hi-Fi): Elza finalmente recebendo o devido respeito. Artista que melhor representa o país lá fora não é a Anitta não, tá? É a Elza.

Felipe S“Anedota Yanomami”
Cainan Willy (Pacóvios): Depois de tanto tempo admirando de longe o trabalho da Mombojó, fiquei empolgado ao saber que o Felipe divulgaria seu primeiro disco solo. Quando saiu fiquei apaixonado pela forma que ele misturou o samba e pagode ao psicodélico em “Anedota Yanomami”, uma faixa que confronta realidades do imaginário com a realidade. Escutei muito esse ano.

André Whoong“Herói”
Flávio Juliano (FingerFingerrr): No Brasil, a que mais gostei esse ano foi a música ‘Herói’, do André Whoong. Lançada agora em dezembro, foi a que me impactou mais. Tem sentido pessoal, porque ouvi a demo em outubro(?) num momento marcante, e saquei o que ele queria dizer de primeira. Ela é aquela categoria de música que parece que você já ouviu, mas quanto mais elementos debaixo das pedras vão saindo, você se transporta um pouco. Você dá um shift pro lado, e quando uma música faz isso comigo, é especial.

The Bombers“Exodus”
João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi): Eu já gostava muito do “All About Love”, disco anterior dos Bombers, mas o “Embracing The Sun”, deste ano, mostrou a banda abrindo os braços e topando todo tipo de mistura musical que viesse à cabeça. Em “Exodus” eles misturam o punk rock que é a base do som da banda com um forró acelerado e o negócio casa tão bem que fica difícil não amar.

Internacionais

Jay Z“Story Of O.J.”
Rashid: O retorno do Jay Z por si só já é um bom motivo, mas nessa faixa ele vem falando do dinheiro dentro da comunidade negra, usando a situação do O.J Simpson como uma metáfora pro ponto de onde todos partimos nessa corrida, de um jeito (e uma perspectiva) que só ele pode e sabe falar.

Próxima Parada“Errs, Trials & Trials”
Gil Mendes (Baião de Dois/Crush em Hi-Fi): Apesar do nome, a banda é da Califórnia e mescla R&B, jazz e música pop. “Errs Trials & Trials” é uma música que parece harmônica simples, mas é de uma complexidade ímpar. A letra é sobre um belo pé na bunda. Um lindo clichê.

Rapsody– “Black & Ugly”
Kamau: Acompanho a carreira da Rapsody desde o Kooley High, seu primeiro grupo. (O produtor) 9th Wonder tomou como missão apresentar essa mulher pro mundo e o fez de maneira magistral no álbum Laila’s Wisdom. Rapsody rima à sua maneira pra certamente figurar entre os melhores discos desse ano. “Black & Ugly” é um desabafo em grande estilo de quem agora é percebidx por quem antes desprezava. Na minha lista, sem dúvida, é uma das melhores do ano, junto com o restante do álbum.

Depeche Mode“Going Backwards”
Chris Lopo (Crush em Hi-Fi): Se tem uma banda velha, com quase 40 anos de estrada, que consegue se manter criativa nos dias de hoje, esta é o Depeche Mode. “Going Backwards” é a faixa de abertura de “Spirit”, último álbum do trio inglês, e fala muito bem sobre o retrocesso que a sociedade está vivenciando. Tudo é muito redondo e muito bem produzido. O espírito da banda, liderada por Dave Gahan, dá o aviso que todo mundo já sabe: “ainda não chegamos lá / onde precisamos estar / estamos em débito / para com nossas insanidades.”

girlSperm“Theme from girSperm”/”I’m supposed to be alone”
Mariângela Carvalho (Supernova): Essa é a banda nova da Tobi Vail, muito musa e inspiração pra mim. Quem poderia saber que ela voltaria com uma banda f*da em 2017?! O girlSperm me deixou fascinada por condensar um monte de estilos que curto muito: post-punk, noise, tosco, gritado, letras insanas e sarcásticas, com uns agudos de guitarra que deixam uma tensão no ar. Punk no talo, na indumentária e no som. O nome da banda acho simplesmente genial. As músicas são tão rápidas que tive que escolher as duas primeiras do EP porque são complementares, o tema da segunda é bem anárquico e rolam uns gritos bem noventeiros. Indispensável.

At The Drive-In“Hostage Stamps”
Alexandre Becker Klein (Lamusia): No ramo do rock mainstream internacional, acho que é um dos sons mais complexos e bem trampados que saíram esse ano.

Roger Waters“Is This The Life We Really Want?”
Caike Falcão (Empire): Eu sei que o ideal seria falar de uma galera mais nova e tal, mas o Roger veio com uma pancada impossível de deixar passar. Acho que o disco todo veio com um peso reflexivo, que considero super importante com o eterno anos 80 que estamos vivendo hoje.

Lady Gaga“Joanne”
Douglas Mam (Douglas Mam & Os Famigerados): Assisti o documentário sobre a Gaga no Netflix e ela mostra a música para sua avó que perdeu a filha que sofreu de lúpus e morreu.

King Gizzard & The Lizard Wizard“Gamma Knife”
Fabricio Bizu (Psico BR): Por estar criando um inusitado novo gênero: o Medieval Espacial!

Walk The Moon“Kamizake”
Carol Tavares (Jazz House): Eu tenho mania de deixar rolando o flow sem saber ao certo o que está rolando. Mas Walk The Moon, com a faixa “Kamikaze”, tem a minha receita preferida de sucesso, que é esse timbre metalizado em todas as sonoridades. Aquele som a la Lollapalooza.

Cosmic Psychos“Fuckwit City”
Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula): Aussie rock colosso feito por cabras que amam tratores e cervejas. Tiozão Power! Uma aula de como ficar velho sem ser um bunda mole de sapatênis.

J. Balvin“Mi Gente”
Guilherme Tintel (It Pop): Mesmo antes da bênção de Beyoncé, o cantor colombiano já nos fazia dançar sobre diversidade e união dos povos, no que se tornou um dos maiores hits do ano em plena América de Trump. Genial.

Pond“Paint Me Silver”
Diego Veríssimo (Outro Indie): A arte de samplear com maestria e ainda assim criar uma atmosférica cósmica única.

Alex G“Proud”
Pedro Spadoni (Cat Vids): Eu amo o “Trick” e toda a atmosfera meio triste meio bonita do Alex, mas o disco desse ano trouxe um outro lado dele mais otimista, às vezes upbeat, mais “quente” e feliz. Essa música marcou muito o que vem sendo o meu ano, bem pra cima e do lado de gente que eu gosto. A letra é massa também porque toda vez que ouço penso em amigos próximos e pessoas especiais que conheci ultimamente e tenho orgulho demais da conta.

Benjamin Booker“Witness”
Denão Fonseca (3 Olhos Festival): Depois de um belo disco de estréia, o americano nos brindou com um segundo disco maduro e bem produzido. “Witness” foi o primeiro single do disco. O som é cheio de groove e a voz rouca de Benjamin Booker é um caso a parte.

The Black Angels“Comanche Moon”
Claudio Cox (Giallos): Ando meio out de lançamentos gringos (nacionais também), não fico procurando, esperando ansiosamente, essas coisas, geralmente alguém dá um toque quando é uma parada que sabem que eu gosto, enfim. Esse Black Angels é uma dessas, mas fui ouvir o disco por causa do show, não tinha parado ainda para uma audição descente. Deuzépai, que disco bonito! O show foi uma maravilha também, os mano são zica ao vivo. “Comanche Moon” é a minha preferida, fala sobre a invasão da América, coincidência ou não, é um tema que também estou abordando no próximo do Giallos.

Billy Corgan“Aeronaut”
Ari Holtz Neto (Medrar): Billy Corgan é o tipo de gente que é massa ouvir hoje em dia, depois de tudo foi um pouco tocante ouvir essa música e sacar o quanto a incerteza espreita todas pessoas sob o céu, ele soa sincero e selvagem como só uma puta insegurança tremenda pode fazer soar.

Kimbra“Everybody Knows”
Calvin Kilivitz (Thrills & the Chase): Num mundo justo, a Kimbra seria a diva pop do momento. “Everybody Knows” é aquela combinação rara de gema pop com uma personalidade fortíssima. Ela é um gênio.

Tera Melos“System Preferences”
André Astro (O Grande Ogro): O disco “Trash Generator” da bandas Tera Melos, depois dos discos que eram instrumentais a banda incluiu a voz em seu últimos discos, sendo esse disco que conseguiram sincronizar voz com o instrumental da banda.

Greta Van Fleet “Highway Tune”
Rê Becca Tavares: O primeiro EP dos americanos da Greta Van Fleet veio cheio de referências ao hard rock e uma inspiração inegável em Led Zeppelin. Música boa para ouvir na estrada.

Temples“Certainty”

Adriano Eliezer (Pampas Deer): Eu acho que nesse disco inteiro eles conseguiram chegar em sons e melodias com assinaturas muito fortes. Você escuta qualquer instrumento e sabe que sao eles. E essa música parece ser a síntese de onde o disco todo deriva. Além disso, as letras meio rebuscadas do James Bagshaw deixam o pop espacial ainda mais curioso.

Queens Of The Stone Age“Fortress”
Ana Júlia Tolentino (Tenho Mais Discos Que Amigos):  Por eu ter me identificado 100% inteiramente na letra, e o instrumental ser tão bom quanto. Foi a música que mais me tocou esse ano, e por eu ter esperado tanto esse disco depois do “rasga-peito” que foi o “Like Clockwork” pra mim (risos).

Pink“What About Us”
Laura Damasceno (Música Tem Vídeo): Primeiro single do sétimo álbum de estúdio da cantora, “Beautiful Trauma”, a música é oficialmente uma critica ao atual cenário político norte-americano e com seu refrão simples e forte que questiona: “What about love? What about trust? What about us?” consegue ser, ao mesmo tempo, uma canção de protesto e uma canção sobre amor, confiança e responsabilidade.

Noel Gallagher’s High Flying Birds“Holy Mountain”
Zé Menezes (Thrills & The Chase): Absurdo como o Noel consegue se reinventar de um álbum para outro. Composição, produção e timbres incríveis.

Quicksand“Illuminant”
Shamil Carlos (Stay Free): A volta quase de secreta da banda pra mim foi um choque, essa foi a primeira musica que lançaram do discasso novo gravado sem nenhum alarde de midia me bateu em cheio. É pesado, denso e lindo! Walther > Deus

The Regrettes“Hot”
Bárbara Monteiro (Wabi Sabi): Depois de alguns EPs independentes, esse ano a banda californiana The Regrettes assinou com a Warner e lançou seu primeiro álbum cheio, que se chama “Feel Your Feelings, Fool!”. Essa banda foi uma das melhores descobertas musicais que eu tive recentemente. O grupo é formado por 3 garotas e um cara e o que eles não têm de idade, têm de talento. A líder da banda, vocalista e guitarrista Lydia, tem só 16 anos e já escreve canções geniais, com letras feministas e um som que mistura punk, grunge e anos 60. Os clipes também são sensacionais!

Lorde“Liability”
Carolina Santos (Noize Media/Crush em Hi-Fi): Todo o “Melodrama” é incrível, composições muito boas, observar o crescimento da Lorde e como todas as canções parecem ter sido cuidadosamente adicionadas ao álbum. É uma cantora tão diferenciada quanto a Sia, habitando o território do pop e conseguindo se diferenciar pela profundidade das músicas.

Gorillaz“Sleeping Powder”
Alejandro Cadena (The Ash Tre): Depois do lançamento do “Humanz”, por conta da má recepção do público, Damon Albarn e Jamie Hewlett lançaram essa música alegando que 2D, o cantor virtual da banda, não tinha se sentido representado nesse ultimo disco e compôs uma faixa extra. “Sleeping Powder” me saciou como fã doente de Gorillaz. Foi bom ouvir de novo essa vibe antiga da banda.

Kali Uchis“Hit Rewind”
Uiu Lopes: Eu gostei muito de ter conhecido uma cantora colombiana, a Kali Uchis, que pra mim tem uma voz de cantora dos anos 50, repertório dela é ótimo!

Liam Gallagher“Wall Of Glass”
Wendell Pivetta (Metal Etílico/Crush em Hi-Fi): Um dos lados marrentos do rock retorna com um grande álbum. A música “Wall Of Glass” faz parte da nova geração do rock com elementos eletrônicos deste belo 2017.

Vacations“Movin Out”
Millena Kreutzfeld (GDL – Tudo Sobre Música): Música escrita após a saída do vocalista e mais dois amigos da casa dos pais para uma casa deles. Na letra, Campbell (vocalista) diz que teve suas dúvidas na época, mas que um menino tem que se tornar o homem da casa eventualmente e que não podemos ficar pra sempre embaixo das asas dos pais. Traz uma melancolia e uma certa esperança, que apesar das dificuldades enfrentadas, tudo acabará bem. A melodia nos leva aos anos 90, com uma guitarra poderosa e muito reverb, além da voz de Campbell que nos deixa com o refrão na cabeça, por ser uma voz agradável, traquila e ter uma letra franca.

Propagandhi“Failed Imagineer”
Sérgio Costa (Vinyl Style): Depois de 5 anos sem lançar nada, o Propagandhi volta com essa pedrada. Minha música favorita do disco novo (Victory Lap”) que marca a estreia da nova guitarrista da banda Sulynn Hago.

At The Drive-In“Incurably Innocent”
Thiagones (Wiseman): Pegada caótica, guitarras dissonantes e as letras fortes do At the Drive-In, mas somando também a parte melódica (principalmente no refrão) desenvolvida no Mars Volta. Gênios!

Luis Fonsi e Daddy Yankee“Despacito”
Carol Marinho (Trilha Sonora da Carol): Sou obrigada a mencionar “Despacito” por uma série de razões. A música é mais reproduzida em streaming da história, o vídeo tem quase 5 bilhões de visualizações no Youtube e é uma música que escuto em absolutamente todos os lugares a que vou (academia, salão de beleza, restaurante, balada). E ainda tem remix com Justin Bieber!

Lomelda“Thx”
Marcos Xi (Brasileiríssimos): Aquela máxima do ‘pouco é muito’ vale muito neste disco. Dotado de nuances de voz e melodias simples, sem muitos efeitos ou firulas, “Thx” é um chill-indie gostoso e repleto de hits. A promissora banda vai te seduzindo aos poucos com as canções de seu disco de estreia e, automaticamente, você deixa o trabalho repetir por conta do seu gostinho infinito de ‘quero mais’.

Sampha“(No One Knows Me Like) The Piano”
Siso: Sampha cometeu um álbum emocionantíssimo com o “Process”, em que ele lida com perdas e questões de família nas letras. “(No One Knows Me) Like the Piano” é a peça central, em que ele lembra de como o piano na casa da mãe era seu refúgio infantil e de como ele acabou retornando para esse lugar com a doença da mãe, falecida pouco antes do lançamento do disco.

The Killers“Run For Cover”
Crys Gonçalves (Guitar Talks): Depois de um tempo sem lançar algo novo, os Killers apresentaram em 2017 a animada “Run For Cover” e me fez relembrar um pouco os discos mais antigos.

Kendrick Lamar“DNA”
Bruno Carnovale (Black Cold Bottles): Talvez a música mais visceral e mais significativa de “DAMN.”, de abril desse ano. num ano em que a discussão a respeito do racismo esteve tanto em voga como em 2017, essa música se torna ainda mais relevante – não apenas para esse ano, mas também para os próximos.

Khalid“Location”
Alessandra Braz (Favorite): Poderia usar esse espaço para falar do Kendrick Lamar, porque, nossa! Que disco! Mas vou aproveitar para dar uma dica. Uma das coisas que mais gosto na música internacional é como
o R&B vai se renovando e um dos artistas que vem com esse sangue novo e com um discáço é o Khalid. O cara tem apenas 19 anos e já estreou com “American Dream”, álbum cheio de suingue, que inclusive virou aposta da Apple Music e eu só o conheci no programa do Elton “fucking” John! “Location” é uma daquelas canções que são feitas para dançar coladinho, rebolando gostoso, com um vinhozinho, ou seja lá qual for a sua fantasia. Escute!

Twin Peaks“Tossing Tears”
Sand Lêycia (Supervibe): Descobri a banda recentemente (vergonha minha) e me impressionei bastante com a sonoridade e textura dessa música: simples e direta. As vocalizações me agradam muito, junta isso tudo com lindos arranjos de piano e violino, emocionante.

Elder“The Falling Veil”
Raul Zanardo (Dum Brothers): O disco inteiro é foda, mas essa musica saiu primeiro como single ai fiquei ouvindo bastante, tipo varias vezes por dia, até sair o disco, ai ouvia o disco varias vezes por dia.

Nine Inch Nails“Less Than”
Dani Buarque (BBGG): NIN é uma daquelas bandas que não tem nada que já lançou que não me agrade. Toda vez que vejo um lançamento chegando meio que já me preparo pra aceitar caso eu não goste pela primeira vez hahah E esse ano de novo não foi o caso. O EP todo é foda. A faixa que mais curto é “Less Than”. Vida longa ao NIN.

Laura Marling“Nouel”
Camila Mazzini (Garotas no Poder): Voz e melodias encantadoras se unem nessa garota super talentosa e jovem. É muito gostoso de ouvir e de ver.

Arcade Fire“Electric Blue”
Ian Veiga (Der Baum): Pessoalmente esperei muito pelo lançamento do álbum “Everything Now” do Arcade Fire. Depois de toda pirotecnia no lançamento, que teve até sites de notícias fake que a própria banda fez para “vazar” o álbum antes da estreia mundial (risos), no fim pra mim decepcionou, sendo que metade do álbum não me interessou muito. Mas além da faixa que leva o nome do álbum o som “Eletric Blue” que canta sobre a luz que os smartphones emite é incrível. Com uma voz quase angelical e alcance impossível de atingir, a base que me lembrou muito Ton Ton Club a junção das referencias é incrível e apaixonante.

Priests“Lelia 20”
Bruno Trchmnn (Leila): Amo tudo aqui, as guitarras, a voz, as letras (que geralmente eu nem ligo) e é dançante, de um jeito meio B’52’s, sei lá, é agressivo e acolhedor. Queria tocar nessa banda. Ouvi milhares de vezes.

John Maus“The Combine”
André Luiz Souza Silva (Fita): Pra mim a melhor música internacional do ano é “The Combine” do John Maus, porque junto do clipe, a música cria uma atmosfera muito foda. Quando ouvi, queria muito ter sido eu a pessoa que compôs. É um som foda. Épico.

Secret Sisters“Tennessee River Runs Low”
Gabriel Serapicos (Serapicos): Duo vocal feminino bem no estilo country americano. Melodias e harmonias de cortar o coração.

The New Respects“Money”
Tânia Seles (Sopa Alternativa): The New Respects é a nova banda para ficar de olho nos próximos anos. O grupo faz um blues-rock de respeito, a música “Money” fala das armadilhas do dinheiro fácil. E dinheiro é uma coisa que estamos precisando no momento.

Aborted Tortoise“Responsabilities”
Paula Holanda (Crush em Hi-Fi): Eu ouvi muitos lançamentos em 2017 — entre EPs e LPs, posso dizer seguramente que foram mais de 50 — e, sem dúvida alguma, o disco de estreia do Aborted Tortoise, homônimo, foi o melhor deles. “Responsabilities” é seu ápice, por mostrar o melhor dos vários lados da banda
(punk, garage, surf) em uma única faixa. Influenciados pelos célebres Ramones, Black FlagStooges, além de ícones do “lado B” como Sonics, Mummies e Dick Dale (tem como isso dar errado?), os australianos têm também dois EPs em sua discografia.

Ian Sweet“If You’re Crying”
Alinne Anno (Chuchu): Se eu tivesse um disco deles, teria gasto, riscado, com respingo de tinta… Ian Sweet em “If You’re Crying”. Gosto muito do primeiro EP, que leva o mesmo nome da banda, por completo, só que essa música em especial veio com algumas coisas que se desfizeram, por muita teimosia e falta de comunicação, e não no momento que rolaram as tretas, mas quando as coisas fizeram sentido na minha cabeça tempos depois. Fala muito também da minha amizade com o Steve, Moblins, e nossa casa, do meu relacionamento com a família… É uma música sobre relacionamentos próximo, que foi uma das pautas principais desse ano. É esse ano foi treta (risos).

Bjork“The Gate”
Lúcia Vulcano (Pata): Tudo o que a Bjork faz me encanta.

Kasabian“You’re In Love With a Psycho”
Matheus Krempel (The Bombers): O Kasabian com seu disco novo e em especial com essa musica, me ganharam desde os primeiros acordes. Rock com batidas dançantes estreitando os limites entre os gêneros.

Kadavar“Die Baby Die”
Bruno Agnoletti (Dum Brothers): Essa musica eu achei foda desde a primeira vez que ouvir os caras mandam muito.

The Darkness“All the Pretty Girls”
Dan Menezes (Vênus Café): Ano estranho, onde todas as minhas bandas favoritas lançaram álbum, mas todos os álbuns foram uma bosta. O único que se salvou foi o do fabuloso Darkness, com essa canção rápida, divertida e old-fashioned. Ou seja, Darkness.

King Gizzard and the Lizard Wizard“Rattlesnake”
Julito Cavalcante (Bike): É a banda do ano no mundo, lançaram 4 discos, fizeram inúmeras turnês, tem um selo e um festival itinerante na Austrália. É a banda que mais trampa.
Bacalhau (Monstros do Ula Ula): Ouvi esse riff e fiquei hipnotizado.

Salsa Big Band“Nadie Sabe”
Cristiano Vicente (Crasso Records): Do disco que levou o Grammy Latino do ano mas parece que veio de outra época. Nem só de “Despacito” vivem os latinos, mas esse ano, o Salsa Big Band mostrou que o brasileiro “nadie sabe” sobre seus vizinhos…

Liam Gallagher – “For What It’s Worth”
Amauri Eugênio Jr. (Yahoo Brasil): Liam Gallagher dispensa qualquer tipo de apresentação, pompa e circunstância. Assim como nos últimos anos, ele atraiu os holofotes graças às intermináveis brigas e desentendimentos com Noel Gallagher – ele ter colocado um fã para descascar batatas como uma provocação ao irmão, que incluiu sons de tesouras em seu novo trabalho, foi o ápice cômico e galhofeiro dessa história. Mas quando ele decide entrar em estúdio, o resultado é muito bom. O álbum “As You Were” e a faixa “For What It’s Worth”, em particular, são grandes exemplos disso. A música em questão chega a remeter os fãs do Oasis ao auge da banda, mas por causa do DNA de Liam – é algo próximo do que seria o Beady Eye se tivesse melhor sorte. Em defesa do Gallagher caçula, suas intenções musicais foram boas, ao menos. Os fãs reconhecem que a demora e a galhofa valeram a pena no fim das contas.

IAMX “Hysteria”
Bruno Romani (S.E.T.I.): Na minha opinião, Chris Corner, a mente por trás do IAMX, é um dos artistas mais subestimados dos últimos 15 anos. Esse ano, ele resolveu lançar um disco instrumental, no qual valoriza todo o seu trampo com bases eletrônicas. Li por aí que ele criou um disco de techno do inferno. Concordo plenamente. É dark, melancólico, esquisito. E tudo isso é feito sem ele dizer uma única palavra. Gênio. Escolhi esse som para representar o disco, mas poderia ser qualquer uma das 13 faixas.

Courtney Barnett & Kurt Vile – “Over Everything”
Paloma Vasconcellos (LuvBugs): Escolhi a da Courtney & Kurt Vile porque além de já ser fã da carreira dos dois, nesse trabalho juntos, eles conseguiram alcançar um patamar lindo de sutileza e timbres tão perfeitos que ao ouvir a gente reconhece bem a individualidade de cada um ainda mantida.

Hanson“I Was Born”
Ingrid Natalie (Female Rock Squad): Meu lado noventista e saudosista indica a banda Hanson como um dos destaques de 2017. Os irmãos Isaac, Taylor e Zac lançaram no início do ano o single “I Was Born” que encanta com a sua letra positiva e melodia agitada. O vídeo da música já conta com mais de 1 milhão de visualizações no Youtube.

Chicano Batman“Freedom Is Free”
Lara Aufranc: Eu ouvi esse disco compulsivamente esse ano. Essa é a música título. Gosto muito das texturas no som dessa banda. É despretensioso, criativo, vale a pena conhecer.

Partner“Comfort Zone”
Dija Dijones (Penhasco, Chabad, Loyal Gun, O Apátrida): Escolher essa foi bastante difícil, há muitas opções, mas vou ficar com este duo canadense por vários motivos: porque eu sou muito fã de bom pop com guitarras e isto não é lá algo fácil de se fazer; e porque não dá para resistir a uma banda que se descreve como parte banda, parte diário adolescente e 100% queer. Juntar estes elementos e fazer um tremendo disco de estreia não é para quaisquer umas ou uns. Para mim, estas garotas foram das melhores novidades que ouvi da gringa neste ano.

Robert Plant“The May Queen”
Victor José (Antiprisma/Crush em Hi-Fi): Gostaria de ter selecionado alguma banda nova, mas neste caso Plant prova mais uma vez que é um cara foda sem ajuda da gigantesca sombra do Led, e isso nem Page conseguiu. “The May Queen”, faixa que abre o ótimo “Carry Fire”, é um folk totalmente renovado, moderno, com peso e um monte de texturas interessantes. Vale a pena.

Wolf Alice“Don’t Delete The Kisses”
Helder Sampedro (RockALT/Crush em Hi-Fi): Eis uma música que ficou na minha cabeça por muito tempo, o vocal da Ellie Rowsell é angelical nesse som e dá um clima surreal a essa faixa. Esse porém é mais um som que engana, o álbum tem músicas carregadas de peso e energia que deixam qualquer roqueirão no chinelo. Uma das bandas que mais se destacou pra mim no cenário internacional.

Paramore“Rose Colored Boy”
Micaela Alvariza (Micadélica): Além de ser parte de um álbum que considero muito bacana e uma grande surpresa do Paramore, consegue ser um popzinho um pouquinho mais profundo e complicadinho em sua melodia ainda chiclete, que tô ató sentindo um pouco de saudades depois de passar anos escutando coisas mais simples e chicletes. Também porque curto muito a estética dos anos 80, então meio que sou o público target (risos).

Kendrick Lamar“HUMBLE”
Bruna Manfre (Shelter): Não se deixe enganar pelo título, que de “humble” essa música do Kendrick Lamar não tem nada. Ela é o centro de um álbum todo muito bem construído (e com uma veia pop maior, se comparado com os demais de sua discografia) e fez o rapper disparar para o topo das paradas por um bom tempo. Mas talvez o que tenha me pego mesmo é a linha de piano.

King Gizzard and the Lizard Wizard“Flying Microtonal Banana”
Pedro Pastoriz: Dessa banda de nome difícil que eu tive que recorrer ao site wikipedia para escrever (King Gizzard and the Lizard Wizard), também é imprevisível e interessante. Os caras mudaram as afinações das guitarras, foram a algum luthier em alguma quebrada de Melbourne pra recolocar os trastes no lugar e as músicas tem essas escalas microtonais. Até a metade do disco parece tudo desafinado na real, mas é autêntico. Você ouve duas vezes o disco e quando vai ouvir outra coisa parece que tudo fica meio afinadinho demais, meio natalino. “Nuclear Fusion” é uma baita faixa. Essa banda deve ser um exemplo para novas bandas que pensam muito para acertar na escolha do nome, esqueçam! Se for bom as pessoas acham.

Mac DeMarco“Still Beating”
Pedro Vivas (Crush em Hi-Fi): Um álbum em que Mac dialoga mais com a esfera familiar, com os conflitos vividos com o pai e com os tradicionais sintetizadores e instrumentalidade que produzem um som espetacular. “Still Beating”, em especial, é uma das minhas favoritas do disco. Uma das melhores músicas de 2017 na gringa, que gruda na mente, e que se destacou na minha memória entre tantas outras que poderiam merecer menção.

Benjamim Clementine“God Save The Jungle”
Yannick aka Afrosamurai: Benjamim Clementine é um artista único, honesto e extremamente sentimental, ouço todos os dias, queria ser ele por um dia (risos)”

Gov’t Mule“Stone Cold Rage”
Lennon Fernandes: Sem segredo. Timbres clássicos em 2017. Uma aula de seis minutos. Guitarra, baixo, bateria e hammond em perfeita sintonia.

Manchester Orchestra “The Gold”
Otavio Cardoso (Carinae): É uma banda que a gente acompanha há algum tempo. Essa música tem um andamento diferente do comum 4/4. O que mais chamou a atenção foi a presença dos acordes vocais, que fizeram essa música se destacar e se tornar um dos lançamentos mais legais desse ano, dentro dessa proposta de som.

Bjork“Utopia”
Ana Maria Nakaza (Azoofa): Antes, uma confissão: em 2017 a quantidade de música nacional ouvida por aqui foi exponencialmente maior do que a de lançamentos internacionais. Escolhemos a Letrux em 2 minutos e levamos 2 semanas para escolher uma internacional, e finalmente a escolha foi para uma outra mulher, a Björk com a música “Utopia’, tema do seu último álbum de mesmo nome.

Grizzly Bear“Neighbors”
Enzo Marco Di Berardo (Crush em Hi-Fi): Definitivamente 2017 foi o ano do Grizzly Bear com o lançamento de seu aclamado disco “Painted Ruins”. O nível de popularidade dos norte-americanos certamente ultrapassou as
expectativas da banda quando eles se depararam, em agosto, com um enorme outdoor no prédio do Spotify, na cidade de Toronto, divulgando seu novo trabalho de estúdio. Segundo uma publicação do quarteto em seu perfil no Instagram “Nós nunca estivemos em um outdoor”. Não à toa, as paisagens sonoras contidas em “Neighbors” – single do disco que ganhou um belo videoclipe — , sintetiza a evolução sonora do grupo em relação ao álbum antecessor, “Shields” (2012). “Neighbors” é densa e composta por um começo orquestrado seguido de uma camada de vozes em coro. O que traz uma atmosfera celeste à música. A bateria fragmentada aliada a guitarra de Daniel Rossen — que possui um timbre acústico característico — , serve de cama para as viagens psicodélicas dos sintetizadores. Os backing vocais do refrão passeiam pela música de forma intrínseca. Texturas únicas e mudanças de tempo fazem parte da canção que vai do pop ao folk. Lembre-se, quando estiver disposto a conhecer o som do Grizzly Bear, a audição de “Neighbors” é obrigatória.

John Carpenter“The Thing”
Bárbara Ribeiro (Crush em Hi-Fi): O trabalho de John Carpenter em trilhas sonoras aos longos dos anos é abismal e este ano saiu a bela coletânea
“John Carpenter – Anthology: Movie Themes 1974 – 1998”
. Sua turnê deveria vir ao Brasil.

Queens of Stone Age“Villains of Circumstance”
Rodrigo Reis (Crush em Hi-Fi): Música que fecha um álbum bom, de uma banda boa, capitaneada por, ao que tudo indica um idiota, que curiosamente se diz “vilão das circunstâncias”. Talvez a música que mais represente esse ano de 2017.

Arcade Fire“Everything Now”
Cainan Willy (Pacóvios): Eles ficaram um tempão sem novidades, dai lançaram um disco novo que destoa totalmente da discografia. Valorizo essa coragem em inovar, é um registro bem dançante e funciona maravilhosamente bem ao vivo.

Descendents“Who We Are”
Fernando Sanches (CPM22/O Inimigo): Além de eles serem a minha banda favorita da vida, quando vieram aqui no ano passado conversamos muito sobre política e alguns meses depois veio essa música. Acho que de alguma forma contar o que nós sentimos sobre toda a onda Trump inspirou eles.

Circus Devils“Do The Nixon”
Alê Lima (Aletrix): Excelente primeiro single do álbum de despedida do Circus Devils, seu 14. Impressionavam a cada lançamento pelas composições e também pelo sempre notável aprimoramento na produção. É uma pena o fim da banda, o Circus Devils era uma união de mentes brilhantes. A voz, a letra e a forma como as guitarras se comunicam são meus destaques preferidos em “Do the Nixon”.

Jonwayne“Afraid of Us” (feat. Zeroh)
Flavio Juliano (FingerFingerrr): 2017 passou tão rápido e foi tão intenso que tive que lembrar o que saiu e o que ouvi. Foi mais rápido que 2016, acho que pra muita gente! Vou colocar uma descoberta recente que não paro de ouvir. Essa música do Jonwayne não é revolucionária, mas é feel-good e me ajuda a refletir sobre umas coisas na minha vida. Nesses momentos intensos no mundo, curto ouvir coisas que me jogam de volta para mim mesmo. A simplicidade do beat e a letra biográfica é perfeito pra isso.

Skating Polly feat. Louise Post and Nina Gordon “Louder In Outer Space”
João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi): Uma das bandas mais legais que eu descobri graças ao blog e que não cansa de surpreender. As irmãs do Skating Polly agora contam com o irmão na bateria e fizeram esse belo EP em parceria com Louise Post e Nina Gordon (do Veruca Salt). Essa é a primeira música do álbum e já começa maravilhosamente bem. Ano que vem tem disco novo!

Breaking News: 16 clipes independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Toyshop
Toyshop

Boogarins“Tempo”

O Boogarins tá com tudo, não só no Brasil como também no exterior. O clipe de “Tempo”, faixa do disco “Manual”, conta com vídeos feitos por fãs, que foram requisitados a enviarem imagens de dois “climas”: a vida urbana de responsabilidades e trabalho e a vida pessoal, com amigos, música, natureza, arte. O diretor foi Owen Mack da Cobrandit Films.

Blues Pills“Lady In Gold”

“Lady In Gold” é a faixa que dá nome ao novo disco do Blues Pills, uma das melhores bandas dos últimos tempos. O álbum sai dia 5 de agosto pela Nuclear Blast Records. O clipe segue as influências da banda e tem aquela cara de anos 70 sensacional.

The Mozões“Raio de Sol nº 2”

Tá, você pode torcer o nariz pro nome da banda, mas não deixe de assistir e prestar atenção em “Raio de Sol No. 2” do The Mozões. Com belas imagens feitas por  Paulo Silver e Lidiane Bernardino e direção do próprio Paulo, o clipe acompanha a psicodelia existencial da música de um jeito perfeito. Vale a pena.

Alice Bag“He’s So Sorry”

A pioneira latina do punk rock vem da mesma cena que nos trouxe nomes como Black Flag e Germs e acaba de lançar seu disco pela Don Giovanni Records. O clipe fala de violência contra a mulher e foi escrito e dirigido por Marisé Samitier.

francisco, el hombre“Calor da Rua”

Uma das bandas mais faladas do underground brasileiro está preparando seu primeiro disco para agosto de 2016. A música “Calor da Rua” deve fazer parte do trabalho e ganhou um clipe produzido por Ana Moraes e Moviola Midia Livre.

Homeboy Sandman“Eyes”

Um pouco de rap: com um ótimo sample de base e um flow mais lento, Homeboy Sandman apresentou esta semana o clipe de “Eyes”, faixa do disco “Kindness For Weakness”, dirigido por Pace Rivers.

Bárbara Eugênia“Ouvi Dizer”

O novo clipe de Bárbara Eugênia foi dirigido por Juliana Munhoz e é bem intimista, mostrando a cantora interpretando a canção “Ouvi Dizer” com uma ótima fotografia. Não preciso nem citar a bela voz da cantora, né?

Gatherers“Recluse”

“A Recluse (on 8mm film)” é um puta clipe bem feito do Gatherers, faixa do primeiro disco da banda “Quiet World”. O diretor dessa vermelhice toda foi Matt Popowski.

Toyshop “Candy”

O Toyshop está de volta! Você com certeza deve lembrar de “Party Up”, disco da banda que estourou nos anos 90 com a música “Daydream”. Pois bem, a banda está na ativa e acaba de lançar o clipe de “Candy”, música que dará nome ao novo disco.

Moose Blood“Knuckles”

Sim, o clipe do Moose Blood mostra uma família de lobisomens. Meio que da mesma família do Michael J. Fox em “Um Lobisomem Adolescente”, saca? A música faz parte do disco “Blush”, que sai dia 5 de agosto pela Hopeless Records!

Merchandise“Flower Of Sex”

Essa doideira da gravadora 4AD foi dirigida por Carson Cox e é um jogo de luzes, câmeras, efeitos, projeções e muito mais que combina perfeitamente com o som meio post-punk, meio indie do Merchandise.

Tenement“Feral Cat Tribe”

Novo clipe do Tenement, feito “em casa”, da música que faz parte do disco “Predatory Headlights”, lançado pela Don Giovanni Records.

Selector Dub Narcotic“Hotter Than Hott”

Este clipe que muito bem poderia ser um daqueles do Fatboy Slim nos anos 90 é de “Hotter Than Hott”, primeiro single do primeiro disco do Selector Dub Narcotic “This Party Is Just Getting Started”.

Sleep of Monsters “Golden Bough”

Esta superprodução me lembra muito alguma coisa dos anos 80. A direção é de Herra Ylppö.

Mai Lan“Technique”

Clipe hipnótico para a música eletrônica cheia de imperativos de Mai Lain. A maluquice visual foi dirigida por Cédric RicherQuentin Curtat para PANAMÆRA.

The Gotobeds“Cold Gold (LA’s Alright)”

Clipe para a faixa do lindamente nomeado disco novo do The Gotobeds, “Blood // Sugar // Secs // Traffic”

Sim, é uma lista com MAIS 10 casas de São Paulo que também apostam em bandas autorais!

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Travelling Wave ao vivo no 74Club
foto: Fernanda Carrilho Gamarano

A cada dia, novas músicas são compostas, novas bandas são formadas e novas letras são escritas. E mesmo que as bandas covers sejam uma aposta fácil para as casas noturnas que querem atrair público que quer apenas curtir os sons que já fazem sua cabeça, muitos locais ainda apostam em bandas e artistas autorais, fortalecendo a cena da nova música que sempre está efervescendo em todos os cantos do Brasil.

O post com 10 locais de São Paulo que apostam em bandas autorais foi um dos maiores sucessos do Crush em Hi-Fi até hoje. Aí fizemos o segundo pra quem achou pouco, e novamente foi um sucesso. E como muita gente sugeriu ainda mais lugares que tentam bravamente resistir à epidemia de covers, uma Parte 3 do post se fez necessária!

Seja você uma banda, artista ou um amante de música, confira mais 10 lugares que investem em bandas autorais:

Casamarela – R. Alberto da Silva, 386, Santa Teresinha, São Bernardo do Campo

Quem já tocou por lá: Giallos, La Carne, Statues On Fire, Garage Fuzz, Dobro, Tio Che

A Casamarela é uma casa abandonada em São Bernardo do Campo. Lá, além de shows de bandas autorais, rolam também exposições, bazar e etc. “Graças a falta de espaço em nossa cidade decidi fazer eu mesmo”, explica a descrição na página do local no Facebook. Os estilos que tocam por lá são os mais variados, indo do reggae ao hardcore. Tudo depende do evento do dia!

74 Club – Rua Itobí 325 – Santo André

Quem já tocou por lá: Sky Down, Status On Fire, Penhasco, Bufalo, Attöm Dë, Color For Shane, Olho Seco, Der Baum

A casa de Santo André investe no rock alternativo e no punk. Um dos motes do lugar é a igualdade, fugindo de preconceitos e brigas que às vezes rolam em locais mais underground. “If you are, racist, sexist, homophobic or an asshole… Don’t come in!”, dizem logo na entrada. Por lá, os shows rolam no volume máximo no porão do clube.

Centro Cultural Zapata – Rua Riachuelo, 328

Quem já tocou por lá: Malvina (RJ), CHCL, Penhasco, Gomalakka, Chabad, Vapor, Poltergat, Bufalo, Blues Drive Monster

O Centro Cultural Zapata busca ajudar na renovação do centro de são paulo com dedicação total à diversidade artística e à cultura underground. Independente e punk, o local abre espaço para artistas que encontram resistência para mostrar seus trabalhos em outros lugares. Bandas de qualquer estilo – do punk ao indie, do grindcore ao eletrônico, segundo eles. Além disso, também aceitam companhias de teatro interessadas em montar peças, fotógrafos e artistas plásticos em busca de espaço para expor sua arte.

Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 119

Quem já tocou por lá: Twinpine(s), The Soundscapes, Carne Doce, Boogarins, Síntese, Projeto Nave, Rapadura Xique Chico, O Surto

Em uma ruazinha escondida nos arredores da Vila Madalena fica o grande Centro Cultural Rio Verde, que recebe shows de bandas dos mais diversos estilos, além de palestras, peças de teatro e festas. O palco é amplo e a acústica ótima, perfeito para grandes shows e eventos. Vale a pena conhecer o lugar!

CECAC (Centro de Cultura Caipira) – Rua Barão de Rio Branco, Serrana

Quem já tocou por lá: Leso, Pitoresco, Dead Fish, Dias Mortos

O CECAC (Centro de Cultura e Ativismo Caipira) é um espaço autônomo inaugurado em 2005 que busca criar um centro artístico, além de receber shows de bandas autorais de todos os estilos. Por lá tem atividades de formação gratuitas durante todo o ano, como iniciação de teoria musical, aulas de baterias, guitarra, cooperativa de bandas, oficina de reciclagem, viola caipira e artesanato, entre outras.

Casa de Francisca – Rua José Maria Lisboa, 190

Quem já tocou por lá: Blubell, Lurdez da Luz, Criolo, Maurício Pereira, Metá Metá, Siba, O Terno

“A Casa de Francisca é considerada pela classe artística e pelo público especializado um dos espaços mais significativos de música em São Paulo. Trata-se da menor casa de shows da cidade voltada exclusivamente para projetos musicais de relevante comprometimento artístico”, dizem eles no site oficial. Preciso descrever mais?

Bolovo – Rua Fradique Coutinho, 2217

Quem já tocou por lá: Lupe de Lupe, Hala

Como descrever a Bolovo? Difícil. Bom, na real é uma marca. Melhor deixar para eles: “Bolovo é uma marca de espírito livre comprometida em fugir do tédio para experimentar idéias originais. Nosso background vem da estrada, das risadas, das amizades e de viver o presente. “Go Out Make Some Memories” é a bandeira que nos mantém em movimento, que nos tira da zona de conforto e que naturalmente nos aproxima das pessoas que se conectam com esse mesmo ideal, seja a audiência, clientes, equipe ou amigos”. Por lá, às vezes rolam shows de diversos estilos, desde que tenham a ver com a ideologia da marca!

Locomotiva Festival – Engenho Central de Piracicaba

Quem já tocou por lá: Far From Alaska, Odradek, Francisco El Hombre, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, The Baggios, Hellbenders

O primeiro Locomotiva Festival rolou em 2015 em setembro no Engenho Central de Piracicaba, reunindo muita música e arte, além de esporte e gastronomia, em um ponto um pouco fora do comum. O Enganho é um local muito interessante e remete à festivais internacionais. Será que rola uma edição em 2016? Esperamos que sim!

Penha Rock @ Centro Cultural da Penha: Largo do Rosário, 20 – Penha

Quem já tocou por lá: Sky Down, Chabad e Color For Shane

Quem disse que a Zona Leste paulistana não teria rock? Pois tem, e dos bons. O Penha Rock está em atividade desde 2012. Projeto do produtor artístico e cultural Adriano Pacianotto, o negócio é realizado de forma independente e sem fins lucrativos, produzindo eventos de rock gratuitamente em espaços públicos da Penha. O projeto tem parceria com a Subprefeitura Penha e com o Centro Cultural da Penha e os eventos acontecem periodicamente, aos domingos, no Parque Tiquatira e no Centro Cultural. O contato com as bandas e com o público é mantido por meio de um blog (penharock.blogspot.com.br) e pelo Facebook!

Festa Crush em Hi-Fi @ Morfeus Club – Rua Ana Cintra, 110 – Santa Cecília

Quem já tocou por lá: Horror Deluxe, Aletrix

Pra finalizar, é claro que vou fazer um jabazinho da festa que se originou deste blog. A festa Crush em Hi-Fi acontece no Morfeus Club, ali do lado do metrô Santa Cecília. Na estreia, tivemos um puta show do duo Horror Deluxe e amanhã (sim, AMANHÃ, 11/03!) rola a segunda edição, com show do Aletrix, discotecagens fora do padrão hit manjado que a noite paulistana está acostumada, venda e troca de discos… Ah, e o editor do blog (eu) estarei recebendo material de bandas autorais para possíveis apresentações nas próximas edições da festa. Apareça lá! É a partir das 20h, no Morfeus Club. Confirme presença no evento, convide os amigos: https://www.facebook.com/events/533111233536596/

Coletânea Motim Records Vol. 2 traz faixas de Muzzarelas, BBGG, Francisco El Hombre e mais

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Motim Records Vol 2

Para fechar o ano com chave de ouro, a Motim Records preparou um ótimo disco para presentear os amigos do peito neste Natal: a coletânea “Motim Records Volume 2”. Depois do sucesso da coletânea virtual “Motim Records Volume 1”, a segunda edição ganhou versão em disco físico, com todo o dinheiro do projeto foi custeado entre o selo e as bandas. Na capa, mais uma doentia e incrível ilustração do artista Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula).

O Lomba Raivosa abre o disco com “Jovem indomável”, rock sujo e que desce queimando. Na sequência, os cariocas do Zander oferecem um pouco de conforto com “Hortelã”. O punk rock do Labataria ganha seu espaço, com o clássico dos shows “Papa”, com influências de Misfits e alfinetadas certeiras na igreja. O Box47, do selo Motim Records, vem na seguência com a faixa “O Último Aniversário”, pop punk para os fãs de CPM 22 e Blink 182 pré-franjinhas. A seguir, temos o La Makina com o hardcore “Palha no Arraial” e o post-hardcore do CHCL em “Espelho” e uma canção inédita cedida com exclusividade para a coletânea: “1,2-Now”, dos ícones do punk rock campineiro Muzzarelas. O Hurry-Up comparece com “Bad Parents”. O BBGG afirma que “Isso vai doer mais em você do que em mim” na música “It’s Not Me, It’s You”. O Golfo de Vizcaya traz seu som indefinível na sequência, e Francisco, El Hombre se apresenta botando todos para dançar. Para fechar bem a coletânea, a trinca “Geração Zumbi”, do Fast Falling, “Pai”, do No Time, e “All Power To The People”, do Diploma, pra finalizar com a energia lá em cima.

Motim Records Vol 2
Motim Records Vol 2

A coletânea tem o apoio do blog Nada Pop, Sailor Skateboard e Tape Studio. Para adquirir sua cópia, entre em contato com a Motim Records.

Você pode ouvir a coletânea completa aqui:

Paula Cavalciuk fala sobre agruras da vida das domésticas em “Maria Invisível” e prepara “Mapeia”, seu primeiro EP

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Por uma feliz coincidência ou algo tramado pelo destino, o primeiro single de Paula Cavalciuk, “Maria Invisível”, saiu quase simultaneamente ao filme candidato ao Oscar “Que Horas Ela Volta”, de Anna Muylaert. Ambos tratam do mesmo assunto: o tratamento que as domésticas e diaristas “quase da família” recebem, sendo rebaixadas diariamente mesmo que seus contratantes não percebam. Com um kazoo marcado e um ar ~divertido~, ” a canção acaba ganhando um ar de tragicomédia, passa a mensagem, mas ao mesmo tempo é dançante, isso faz com que cada um tenha uma impressão diferente”, explica Paula. “Cantei uma coisa que veio do coração e entrou pelos ouvidos da pessoa. Se um dia isso vai se transformar num tapa na cara, depende só da consciência de cada um”, completa a cantora e compositora.

Em outubro, a sorocabana lança seu primeiro EP, “Mapeia”, que contará com quatro faixas e será produzido pelo estreante Ítalo Ribeiro, ex-Vilania, com co-produção de Bruno Buarque e Gustavo Ruiz e estará disponível em breve para download no site da cantora. Conversei com Paula sobre sua carreira, o novo EP, “Maria Invisível”, feminismo, o filme “Que Horas Ela Volta” e o Girls Rock Camp, projeto de que participa:

– Me fale mais sobre “Maria Invisível”. Como foi a composição desta música?
Eu tava tirando o lixo daqui de casa (inclusive hoje passa o caminhão do lixo… só um minuto!) Pois então, estava realizando essa tarefa doméstica tão chata e xexelenta, quando pensei “mina, você tá achando ruim organizar seu próprio lixo? Imagina quem precisa fazer isso com o lixo dos outros e ainda é tratado como lixo?” Foi assim, botei o lixo pra fora e na volta ela saiu quase que inteira, duma vez só.

– “Maria Invisível” foi lançada praticamente ao mesmo tempo que o filme “Que Horas Ela Volta”, sobre o mesmo assunto. Qual a sua opinião sobre isso?
Eu tive a ideia primeiro! Brinks (risos) Foi uma feliz coincidência! A gente toca essa música desde o ano passado, aí muitas pessoas se identificaram com ela, antes mesmo de ser lançada. Uma amiga me mandou o link do trailer e eu fiquei besta! Assisti ao filme na semana passada e ainda estou “passada”. Tenho muitos pontos a considerar sobre o filme, mas vou resumir em dois: o tema ser o mesmo da minha música e o fato de a Anna Muylaert ser uma mulher maravilhosa, talentosa, ganhando visibilidade e metendo o dedo na ferida que muitos não querem ver, mas nesse momento, sentem.

– O kazoo dá um ar “divertido” à música. Você acha que desta forma uma mensagem tão forte pode ser passada de forma mais “leve”?
A canção acaba ganhando um ar de tragicomédia, passa a mensagem, mas ao mesmo tempo é dançante, isso faz com que cada um tenha uma impressão diferente. Gosto de passar a bola para o público. Ontem tocamos essa música num projeto social que trabalha com crianças e adolescentes, posso dizer que o kazoo foi o grande trunfo, foi muito divertido ver a criançada rindo do som de “peido” que eu fazia, o foco nem foi a letra. Assim como já a tocamos em lugares onde você imagina que não terá adesão nenhuma, e no final tem uma enorme surpresa. Por mais que alguém que se enquadre no papel de “vilão” da música, acho que a sementinha foi plantada. Cantei uma coisa que veio do coração e entrou pelos ouvidos da pessoa. Se um dia isso vai se transformar num tapa na cara, depende só da consciência de cada um.

Paula Cavalciuk
foto por Camila Fontenele

– Como você definiria o seu som?
Coisa difícil de responder. Tem gente que cria termos novos pra fazer mais do mesmo. Tem gente que não fala nada e só faz. Eu não sei o que fazer (risos). Meu som é muito diverso, eu faço samba, tango, moda de viola, blues. Acho que é um “pop planetário”, pq eu me sinto apta pra tocar minhas músicas em qualquer lugar do planeta. A vontade mesmo, é tocar fora da órbita da Terra, mas definir um som pra chegar lá é pretensão, não vou falar do que não sei. Quando eu souber, te procuro e mudo a definição. 😉

– Quais são suas maiores influências musicais?
Minha mãe, os Beatles, Dolores Duran, Dolores O’Riordan, Alanis Morissette, Milionário e José Rico, Tião Carreiro e Pardinho, Radiohead (e vários outros nomes que só vou lembrar depois que esta entrevista for publicada).

– Como é seu processo criativo?
Normalmente a ideia vem meio que pronta, fico cantarolando uma melodia que considero boa (ou não tão péssima), aí penso em algo que gostaria de dizer e escrevo sobre isso. Se tá tomando um caminho interessante, já pego o violão, ou teclado, ou cavaquinho, ou ukulelê, só pra fingir que toco e faço uns caminhos harmônicos que combinem com o que minha cabeça tá dizendo e vai.
As vezes eu deixo uma música na gaveta por anos, então volto pra ela e lanço o olhar menos preciosista e preconceituoso possível. Se der “liga”, vamo que vamo!

– Você é uma artista independente. Como a divulgação via internet auxilia a fortalecer a cena da música fora de gravadoras e mídia?
A internet é tudo e nada. Se você não está aqui, é considerado nada. Mas tem vez que mesmo você estando aqui, dando seu tudo, ainda é nada para quem você poderia ser alguma coisa. Eu nem vou falar de gravadoras, porque não consigo nem imaginar como seria a vida. Na internet, tudo é muito fugaz, instantâneo, determinista, bombástico e depois, flácido. Isso me irrita, porque surge uma pressão “ah, meu deeeus, preciso ser genial! preciso falar a língua da galera! preciso criar um meme! preciso sair em todos os blogs! ahhh! ahhh!” Penso nas páginas do Facebook que bombam num dia e depois pfff… “Gina Indelicada”, “Conselhos do He-Man”, foram fenômenos e hoje não são nada e acho que nem é por falta de empenho e criatividade, é porque surgiram 37786482 páginas novas e essas foram esquecidas. Não me apego em fazer coisas modernas, pra bombar e viralizar. Eu quero fazer as coisas com calma, carinho. Gosto de abraço, de olhar nos olhos. Eventos no Facebook são apenas para informar uma data, divulgar um evento físico. Gosto de gente que frequenta shows. Gosto de tocar ao vivo! Agora em outubro, vamos lançar o EP “Mapeia” e a ideia é sair por aí mapeando pra tocar onde o carro conseguir chegar. Quero usar a internet como ferramenta para divulgar aquilo que fazemos fora dela, não o contrário.

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foto por Camila Fontenele

– Fale um pouco mais sobre o EP “Mapeia”, que está praticamente saindo do forno.
O EP já uma lenda. Estávamos, no início do ano, gravando tudo em casa, emprestando microfone, placa, tirando leite de pedra. Essa parte toda fica por conta da criatividade e ouvido apurado do Ítalo Ribeiro. Ele sempre teve uma veia de produção, tocou em bandas representativas na cena daqui, que tiveram projeção nacional, como Fast Food Brazil e Vilania. Tocou também com uma galera que faz a cena em SP, como Rafael Castro, Mr. Lúdico e Tulipa Ruiz. Recentemente ele se formou em produção fonográfica e este seria seu primeiro trabalho fechado, como produtor. Acontece que dois dias antes de mandarmos a master pra fábrica, nosso gatinho subiu na mesa e derrubou o computador onde estava tudo. Fuén! O HD já era, então o jeito foi ter calma, respirar e começar tudo de novo. Hoje a sonoridade destas 4 canções está diferente, soa melhor, a gente evolui, com a repetição, mas também fica essa armadilha de querer sempre melhorar e nunca fechar o formato! (Risos) Gravamos algumas coisas aqui, mas também gravamos todas as vozes e uma das músicas no estúdio Minduca, do Bruno Buarque, em SP. Na reta de finalização, Bruno e Gustavo Ruiz compraram a ideia e entraram como co-produtores. Foi muito legal ver os caras que produziram os discos de cantoras brasileiras que eu mais curti, nos últimos tempos, co-produzindo meu primeiro trabalho! O Gustavo também gravou baixo e baixo synth em duas faixas. O EP tb teve participação de João Leopoldo no piano, Barba Marques na percussão, Diego Garbin no trompete e Sergio Miguel no acordeom. Esta semana as 4 faixas serão masterizadas e no início de outubro, o EP “Mapeia” estará disponível para download em nosso site e também para venda em nossos shows e nas melhores lojas do planeta. É só se ligar nas notícias.

– O machismo ainda é forte no mundo da música? Como mudar isso?
O machismo existe em qualquer lugar. Antes de ser cantora, antes de sair da minha casa, eu era tratada diferente dos meus irmão homens, por exemplo. Eles tinham liberdade para ir a festas, viajar, namorar. Comigo foi diferente, então isso te trava quando você se depara com situações de escolha. É muito mais difícil arriscar algo fora dos padrões, como viver de música, por exemplo.
Venho de cidade pequena, vi minhas amigas casando-se cedo, tendo filhos, abandonando os estudos ainda no ensino médio, para cuidarem do lar. Não que seja errado escolher ter família cedo, mas será trata-se unicamente de escolha? Aquilo não combinava comigo. Se eu tivesse seguido essa lógica, certamente não estaria fazendo música agora. As meninas recebem estímulos diferentes desde a infância, ganham bonecas, brincam de casinha, são excluídas dos contrinhas de futebol na rua, são tratadas como “café-com-leite” nos games, na música, nas ciências, nos esportes. Temos hoje, uma Presidenta da República, que invés de receber críticas ao governo, é reduzida a xingamentos machistas, misóginos. Me sinto ofendida toda vez que vejo isso acontecer com qualquer mulher. Todas nós somos deslegitimadas. É preciso trabalhar na raiz, discutir isso nas escolas, mostrar que somos igualmente capazes e podemos ser o que quisermos. Mostrar, também, que o machismo não é um mal que atinge apenas mulheres, é uma doença da sociedade, que prega ideias absurdas e pressões também nos meninos, como “homem não chora”, “homem não pode achar homem bonito”, “homem tem que pegar geral”. Isso cria robôs infelizes que tornarão mais infelizes ainda, as meninas e mulheres que cruzarem seus caminhos, inclusive suas filhas.

– Você acredita que a mulher está conseguindo se empoderar mais pela música? As cantoras e artistas ajudam nisso?
A música é uma ferramenta transformadora de qualquer realidade! A arte em geral, é. Quando você percebe que pode desabafar com arte e pode atingir outras pessoas que precisam daquilo, que se identificam e se inspiram. Bicho! Isso vira um delicioso looping! Representatividade importa e muito, para que possamos nos enxergar, nos projetar e nos fortalecer. Pra você, pode não ter importância a fala da MC Carol, quando ela diz que se acha o máximo, que ninguém manda nela, que ela não baixa a cabeça pra homem nenhum, mas para uma menina negra da periferia, onde o funk tem um diálogo direto, é parte de sua cultura, ouvir uma coisa dessa, pode ser a gota d’água que faltava para ela dar um basta numa situação abusiva, por exemplo, ou pra ela se olhar no espelho e pensar “eu sou o máximo meeeesmo!”

– Você também faz fanzines sobre as músicas que cria. Pode me falar mais sobre isso?
Sim! Fanzine é vida! É quase como tocar as ideias de alguém. Pegar essa ideia com a mão, se identificar, virar a página, sentir o cheiro do papel, dobrar, guardar, e até mesmo fazer um afago com a bochecha?! O EP “Mapeia” era pra ter sido lançado em abril deste ano, mas um acidente doméstico envolvendo um felino aqui de casa, nos impediu de tal. Eu gosto de conversar com as pessoas quando estou no palco, mas eu quero ter assunto, porque eu sou tímida, o EP seria esse ponto que me ligaria ao público que vai a shows. E quando ficamos sem previsão de EP, as zines vieram pra dar essa fortalecida nas ideias. Sou voluntária num projeto de empoderamento de meninas de 7 a 17 anos, o Girls Rock Camp, onde elas montam bandas, compõem uma música, ensaiam, estampam camiseta, fazem fanzine em uma semana! Aí me empoderei e comecei a fazer. O lance do “pague-quanto-quiser” veio pra deixar tudo mais bonito, pois é dar às pessoas o direito de decidir a quantia a se contribuir e também se questionar sobre o valor da arte. Muito interessante essa troca! <3

– Me fale um pouco mais sobre o projeto Girls Rock Camp e sua participação nele.
O Girls Rock Camp mudou minha vida! É um projeto maravilhoso, onde meninas de 7 a 17 anos se encontram durante uma semana e têm instrução de voz ou do instrumento que escolherem, montam uma banda, criam um nome pra essa banda, compõem uma música, ensaiam, participam de oficinas de stencil, fanzine, skate, defesa pessoal, imagem e identidade, para no final de semana, se apresentarem como banda. Este projeto teve origem nos Estados Unidos e a Flavia Biggs (socióloga, educadora e vocal/guitarra da banda The Biggs), depois de ser voluntária lá, trouxe o modelo para o Brasil. Sorocaba é pioneira no Girls Rock Camp na América Latina! Foi e é um tremendo orgulho participar como voluntária de algo tão bonito e transformador! Depois da primeira edição que participei, me empoderei de tal maneira, que tomei coragem de tocar minhas músicas, e sair por aí contando minha verdade para as pessoas. Neste ano também fui voluntária da primeira edição do Ladies Rock Camp, que é o mesmo formato, mas voltado para mulheres acima de 21 anos. Tem tanta beleza quanto o Girls, mas a carga, a desconstrução se dá de um jeito mais intenso. Lindo de ver a mulherada fazendo um som! Atualmente também trabalho num projeto chamado Viva Meninas, que é uma iniciativa da Flavia Biggs, em parceria com a Pastoral do Menor e a Prefeitura de Sorocaba. As mesmas oficinas que tem no Girls Rock Camp, para meninas que frequentam a Pastoral do Menor. É muito amor! <3 E quem quiser saber mais sobre o Girls Rock Camp, pode acessar www.girlsrockcampbrasil.org, existem várias maneiras de ajudar. Vamos lá! 😉

– Qual a sua opinião sobre a música pop atual no Brasil?
Muita coisa boa sendo produzida! Para todos os gostos! Me admira ver artistas e especialistas arranjando tempo pra falar mal daquilo que não gostam. Gente! Tem TANTA coisa sendo produzida! Andaaa! Bora experimentar e espalhar!

– Recomende artistas e bandas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.
Eu gosto de tanta coisa, vou a shows, consumo discos da galera, mas vou citar os 3 primeiros nomes que me vierem, ok?
Francisco, El Hombre, pela energia, verdade no palco e por fazerem o rolê que eu mais acredito: irem pra rua, saírem tocar!
Lupe de Lupe, pela sinceridade, empenho e transparência. Muita gente torce o nariz pro som dos caras, mas eles não tão nem aí, não querem ser ninguém além deles mesmos. Recentemente prestaram contas da turnê genialmente chamada de “Sem sair na Rolling Stone”, onde descrevem exatamente, onde, como e por quanto tocaram. No último prêmio de música que participei, conheci o cantor Diego Moraes. Achei demais! Uma mistura de Billie Holiday com Elza Soares, mas com uma originalidade tremenda! Não é a toa que ele foi o segundo melhor colocado nessa ocasião e eu fui a primeira (risos) Aloooka! Mas brincadeiras à parte, realmente me encantei com o Diego e quero duetar com ele logo! <3