Trio de Los Angeles Fragile Gang quer trazer seu shoegaze com toques de pop para o Brasil

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Formada por Aisling Cormack (guitarra e voz), Arlo Klahr (baixo e voz) e Jessica Perelman (bateria), a Fragile Gang é uma banda de Los Angeles que está na ativa desde 2003 e em cada trabalho mostra influências diferentes: dos momentos acústicos ao puro punk rock, o atual trio faz o que der na telha, desde que faça sentido para todos os membros. “Bandas são como gangues”, conta Arlo, “eles precisam uns dos outros para serem fortes”.

O mais recente trabalho do trio, “For Esme”, é um tributo a Esme Barrera, um ícone da cena musical underground de LA que trabalhava incansavelmente nos bastidores, seja em projetos como o Girls Rock Austin ou simplesmente sendo uma figura que levantava o moral dos músicos locais com seu bom humor e otimismo. O disco traz canções emocionais e doces e é um bom cartão de visitar. Agora, eles trabalham no novo disco, que será lançando em 2018. Conversei com um pouco com Arlo sobre a carreira da banda:

– Contem um pouco mais sobre seu novo álbum!

O novo disco! Estamos tocando com a Jessica (na bateria) por cerca de um ano e meio agora. Muito do novo álbum sai de uma formação sólida e ensaios todas semanas e fazer vários shows. Também tem a influência de eu tocar mais baixo (eu costumo tocar guitarra) e Aisling tocando mais a guitarra principal. Gravamos ele principalmente em novembro, no estúdio de um amigo, e estamos terminando pequenas partes agora. Tem também algumas surpresas, esperamos, com os novos instrumentos que estamos experimentando. Nós colocamos muita emoção nisso e estamos ansiosos para ver o que sai disso.

– Como surgiu o nome Fragile Gang?

“Fragile Gang” é o nome de uma música da banda escocesa The Pastels. Escute a música e eles. Nós os amamos, mas além da música em si, que é ótima e  gentil – e parte de um ótimo álbum – o nome significou algo para nós e ainda o faz.

– Quais são suas principais influências musicais?

Se eu tivesse que escolher apenas por quantidade de horas ouvidas, provavelmente os Beatles, Bob Dylan, Neil Young, Bob Marley, talvez Fela Kuti, graças aos meus pais, e coisas como Carter Family, música tradicional irlandesa, Leadbelly, Miles Davis. Ah, e Lungfish. Ouvimos eles por horas e horas por muitos anos e vimos muitos dos seus shows e eles são definitivamente uma grande influência para mim e Aisling. Falando em outras bandas, David Bowie, Velvet Underground, The Clash, The Smiths, Wire, Galaxie 500, Fugazi, Unwound, Blonde Redhead, Pastels, Replacements, Big Star, Bikini Kill/Le Tigre, Nation of Ulysses/Makeup, Otis Redding, My Bloody Valentine, Public Enemy, Metallica do começo, the Clean, soul music… Basicamente qualquer coisa e tudo, e está sempre crescendo, então sinto que essa longa lista está diluindo a força de qualquer coisa que eu tenha a dizer, então vou ficar quieto agora…

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?

Este é difícil: agora as pessoas dizem algo como “pop-gaze” de nossas performances ao vivo, ou algo no espírito de Yo La Tengo… E isso poderia ser bom o suficiente, mas eu realmente nunca sei o que somos. E isso também pode ser uma coisa boa: somos uma banda que sempre está olhando, espero que continuemos sempre crescendo, mudando e sendo inspirados! Tentando ouvir nossos sentimentos, bem como olhar para o exterior para nos surpreender e inspirar.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós lançamos o que eles podem chamar nos EUA de “uma bagunça total” de álbuns. Muitos, e talvez não sejam suficientemente bagunçados. Os favoritos de algumas pessoas são o nosso primeiro, “Valley of Static”, que é muito lo-fi, gravado em uma antiga fábrica de alimentos para cães e em um gravador de cassetes de 4 pistas em nosso banheiro, etc. Eles também gostam de um chamado, apropriadamente o suficiente, “Aisling & Arlo”. É tudo violão acústico e violão basicamente, e a gente cantando, tão simples e puro quanto pudemos. E então, nossos dois últimos, “For Esme” e “Twister in the Ocean”, que são mais uma banda de rock.

– O que você pensa da cena independente musical hoje em dia?

Nós amamos a cena musical independente. Pode ser tão emocionante, íntima, crua e próxima, e basicamente é o único tipo de cena que já conhecemos. Quero dizer, vamos a shows de todos os tamanhos e escutamos todos os tipos de bandas, mas os shows que fazemos e as pessoas de que estamos perto são quase todos parte das comunidades independentes e DIY.

– Você acha que o rock alcançará o mainstream novamente como antes?

É difícil saber onde o rock irá como um gênero. A música popular sempre está mudando e “hibridando”, então pode acontecer de alguma forma. Aposto que o Nirvana e essa época foram uma grande surpresa e você nunca sabe quais surpresas estão sendo preparadas nas comunidades subterrâneas neste momento.

– A era do streaming é boa ou ruim para o artista independente?

O streaming parece ser uma benção mista: nos permitiu encontrar muitas bandas e cenas e selos e até nos ajudou a fazer nossa turnê no Japão (e conhecer grandes bandas e amigos lá) e encontrar shows no Canadá para tocar. Todos podem encontrar todos. As pessoas podem ouvir nossa música no Brasil, por exemplo! Ou ao lado de nós. Isso é incrível. É uma merda que geralmente é na plataforma de outra pessoa (grandes conglomerados de tecnologia). Isso não parece tão independente. Também é verdade que os pequenos artistas ainda estão e sempre acham dificuldade se sustentar. Mas talvez haja um equilíbrio que o mundo da música vai encontrar em algum momento. Enquanto isso, ainda podemos vender nossas fitas, CDs, camisas e shows e fazê-lo dessa forma.

– Los Angeles sempre foi conhecida por ser um bom lugar musicalmente. Como está hoje em dia?

LA é um lugar emocionante para a música. Muitas bandas surgem aqui, então é bom. E pessoas de diferentes culturas e origens se inspiram. As culturas da indústria cinematográfica e da mídia às vezes permeiam as cenas menores e vice-versa. Pode ser surpreendente saber quem conhece quem e quem vai aos shows. Mas tudo isso sendo dito, alguns de nossos shows favoritos foram muito semelhantes aos que teríamos feito em El Paso, um bom grupo de bandas e pessoas em um espaço de tamanho médio a pequeno, apenas tocando música e curtindo. É mais sobre como se juntar.

– Quais são os seus próximos passos?

Queremos ir ao Brasil! Sério, mande uma mensagem para nós se você pode nos ajudar a fazer um show ou recomendar alguém para conversar ou qualquer lugar por aí para tocar! Foi assim que tocamos no Japão e foi ótimo. Além disso, queremos levar o nosso novo álbum para o maior número possível de pessoas e depois fazer outro álbum e nos surpreender. Fazer mais shows. Talvez construir um pequeno estúdio em casa?

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Alguns de nossos amigos daqui: Young Jesus, Joe Gutierrez do Steady Lean, Young Lovers, Pastel Felt, Nick Flessa, Pig Pen, Ryan Reidy, Total Heat… Alguns de nossos amigos com quem  tocamos no Japão: Boyfriend’s Dead, Yukino Chaos, Vanellope. Alguns amigos de longa data com bandas: Kid Congo and the Pink Monkey Birds, Knife in the Water, the Crack Pipes, Hairy Sands. Também curtimos novas bandas como Jo Passed, RL Kelly, Ian Sweet. E bandas com quem fizemos turnê: Clarke and the Himselfs, Little Star, Didi e muitas, muitas outras!

Tupimasala encontra sua personalidade cheia de synths e mensagem forte no disco “Vênus”

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Tupimasala

Na ativa desde 2014, o Tupimasala se encontrou definitivamente com seu som em “Vênus”, disco de 2017 recheado de synths e sonoridade oitentista, mas sem perder a brasilidade latente da masala tupiniquim do quarteto. Formada por Samantha Machado (voz), Sabrina Homrich (bateria e voz), Adam Esteves (guitarra, voz e sintetizadores) e Hector de Paula (baixo e sintetizador), a banda teve seu álbum considerado um dos melhores de 2017 pela Billboard Brasil.

Criado como uma ópera-rock, o trabalho se divide em três atos: “Eclipse”, que compreende o entender-se mulher e suas implicações sociais, sendo introspectivo e contemplativo, e tendo como enfoque o eclipsamento feminino, “Trânsito de Vênus”, que propõe o levante e a libertação feminina através da imperatividade, com canções fortes e agressivas, e “Estrela D’Alva”, mais festivo, com exaltação ao autoconhecimento do corpo. Todas as faixas do disco possuem nomes de mulheres e falam de questões que infelizmente ainda são consideradas tabu na sociedade, como depressão (“Branca”), masturbação (“Gabriela”), violência policial (“Graça da Sé”) e a liberação da maconha (“Joana Paraná”), por exemplo.

No dia 07/02 (quarta-feira) a banda se apresenta na Contramão Gig, no Bar da Avareza, juntamente do quarteto Der Baum, que lança o single “Pra Inglês Ver”. Conversei com Samantha e Adam sobre a carreira da Tupimasala e o encontro com a nova sonoridade em “Vênus”:

– Me contem primeiro um pouco mais sobre o disco “Vênus”!

Samantha: O “Vênus” foi o resultado de bastante tempo olhando pra dentro da gente… Estética e criativamente
O ano de 2016 inteiro a gente se dedicou a entender a nossa linguagem e o que a gente queria com esse trampo novo. A gente tem um trabalho anterior muito diferente, que a gente fez quando ainda tava se entendendo enquanto músico. O “Vênus” é um trabalho mais consciente da nossa estética e da nossa mensagem.

– E como foi a composição e gravação desse álbum?

Adam: A gente viajou pra Salvador com a ideia de passar um tempo lá pra compor. Ficamos um mês por lá, bem internalizados mesmo, e voltamos com umas 12 músicas.

Samantha: A gente tava bem nesse momento de encontrar nosso espaço enquanto músicos, e isso me fez esbarrar em uma porrada de questões de gênero, como toda mina que faz música esbarra em algum momento.

Adam: Chegando em São Paulo, fizemos um tempo de pré-produção com a banda e depois entramos no estúdio para fazer a pré-produção com o produtor também.

Samantha: Por ser a principal compositora, isso acabou refletindo no conceito do trampo de um modo geral.

Adam: Sobre o processo da gravação especificamente, nos reunimos pra fazer a pré-produção com o Pipo Pegoraro (da Aláfia) e as gravações foram no Navegantes, estúdio onde foi gravado o Francisco El Hombre, Luisa Maita, etc

– Como vocês definiriam o som da banda?

Samantha: Comé que cê define o som da banda, bucha?

Adam: Ah, eu definiria como eletropop! Mas é uma definição que limita um pouco

Samantha: É, então.

Adam: Pois também temos influência de rock, de música brasileira (na “Graça da Sé”, “Janaína” e na “Joana Paraná” isso fica bem evidente).

Samantha: Mesmo porque eu acho o som mais rock que pop. Synth-rock-pop-dream-samba-electro-funk!

Adam: Isso! Seria o rótulo ideal (risos)

– Como a banda começou?

Adam: Começamos eu e a Samy como um duo, ironicamente, de voz e violão, em 2014. E cada vez mais fomos sentindo necessidade de dar mais corpo ao nosso som. Foi aí que entrou o Hector, no contra-baixo e bass synth. Nesse meio tempo algumas pessoas passaram pela banda e depois de fazer muita experimentação a gente encontrou nosso lugar no som mais sintético. Acreditamos que aí é um lugar onde conseguimos fazer a diferença. Quando encontramos essa personalidade no nosso som, lançamos o “Vênus”, em 2017.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Samantha: Acho que da banda, de modo geral, Tame Impala, Metronomy, MGMT, Novos Baianos, Lady Gaga, The Dø, Jungle, General Elektrik.

Adam: Daft Punk, super importante (risos)!

Samantha: SIIIIM! FKA Twigs

– Vocês se consideram uma banda política?

Adam: Considero que qualquer ato é politico. O ato de se colocar como apolítico é político.

Samantha: Fazer música é político, falando de política ou não.

Adam: Então, sim, somos uma banda política, assim como a Disney e a Coca-Cola também fazem política, enfim.

– Como vocês veem a atual cena musical independente hoje em dia?

Adam: Acho que é uma das cenas mais incríveis que já tivemos. A cena independente conseguiu subir muito a qualidade da música. Tem bandas como Aláfia, As Bahias e a Cozinha Mineira, Mdnght Mdnght, Geo, que tem uma qualidade incrível de som e show. Isso é muito importante, pois antes um bom show com som e estrutura de qualidade era relegado somente a bandas do mainstream e acho que o cenário independente tem provocado até mesmo mudanças no mainstream.

Samantha: Tenho uma imensa admiração pelo cenário independente atual, porque o nível de qualidade sempre sobe, tem uma galera altamente criativa, além de mobilizações de grupos femininos, LGBTs, gordos, pretos, periféricos pra marcar presença no mercado musical, que é tão branco e masculino.

– Mas o objetivo ainda é chegar ao mainstream e “estourar” ou com a queda da indústria musical isso mudou?

Adam: O objetivo e ter o trabalho reconhecido e com um nível de visibilidade que permita a banda conseguir viver de maneira sustentável. Às vezes o mainstream facilita esse caminho, mas nem sempre. Como por exemplo em casos em que as grandes gravadoras assinam com um artista “pequeno”, mas não colocam o disco dele no mercado, não impulsionam a carreira e inviabilizam parcerias desse artista. Ou seja, acabam deixando estagnada a carreira desse artista.

– Me contem mais sobre como é um show da Tupimasala.

Samantha: A gente tem um rolê com artistas performáticos, como a Lady Gaga, o Kiss, o Ney Matogrosso. A gente acredita que um show tem que preencher a audiência não só auditivamente, mas visualmente também.

Adam: Temos vários formatos. Mas sem dúvida, meus favoritos são o trio eletrônico, em que tocamos eu a Samy e o Hector. A energia é bem forte com uma performance bem gostosa e que é um formato mais intimista. E o “Espetáculo Vênus” que é a leitura do disco “Vênus” para o teatro. Ou seja, levamos a experiência sonora do disco, que é uma opereta, para o palco.

– O que podemos esperar da apresentação de vocês na Contramão Gig?

Samantha: Vários timbrão loko, muita energia na performance e a gente bem brilhosa.

– Aliás, uma curiosidade minha: de onde surgiu o nome Tupimasala?

Samantha: Surgiu quando a gente morava na Índia. Masala é um tempero de lá, e eles colocam esse tempero nas coisas pra dar um Spice it up. Então surgiu daí: música brasileira com um temperinho!

Adam: É uma música feita por brasileiros porém, com um tempero apimentado em cima.

Samantha: Com uma apimentadeenha!

Adam: É mais uma dessas misturas clássicas, tipo Brasil com Egito, sushi com feijoada.

– Chiclete com Banana!

Adam: (risos) Isso!

– Vocês acham que realmente existe um levante conservador no nosso país ou é apenas algo que rola na internet?

Adam: Rola sim! As minorias começaram a ganhar espaço e a ter seus direitos reconhecidos (ainda que de maneira bem sutil) e isso vem incomodando muita gente, infelizmente. É uma fase meio Reagan né? muito conservadorismo e muito sintetizador ao mesmo tempo

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Adam: Sim! lançaremos um novo single entre abril e maio. Vai ter muita novidade sobre a banda nesses meses. Ainda estamos fechando alguns detalhes mas em breve divulgamos tudo tudinho.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Adam: A Geo com o EP que ela lançou recentemente, o “Salva-Vidas”. A Marcelle com o disco “Equivocada”. A Olympyc, banda que tem um som bem oitentão gostoso. Mdnght Mdght, que é uma galera lá de Brasília que faz um som bem bacana também. A banda irmã dela que é a Cabra Guaraná.

Samantha: Marina Melo que tá lançando o “Nuvem”. A Trouble and the New Brazilians, que tá com um trampo folk bem interessante e bem diferente do que se vem fazendo no gênero aqui no Brasa. A Labaq, que tem uma sonoridade dream bem linda, que ela tira sozinha em alguns shows.

Adam: A própria Der Baum que vai fazer o som com a gente no dia 7, é ótima! Tem uma pegada muito gostosa também.

Samantha: Obirin Trio, que tem um trampo de arranjo de vozes que é a coisa mais linda desse mundo.

Adam: Se deixar a gente fica até amanhã aqui! (risos) É muita coisa boa!

– Podem continuar!

Samantha: Tem a Black Cold Bottles, que é uma banda de rock bem maravilhosa. Tem quem mais? O projeto Sauna, que é uma banda de internet…

Adam: Rodrigo Alarcon e Abacaxepa, o primeiro numa pegada mais MPB, já a banda numa pegada que me lembra uma mistura de Novos Baianos, Barão Vermelho com Itamar Assumpção.

Samantha: Bem 80’s com uma vibe bem engraçada. Tem a MANA, que é um duo de meninas que cantam sua vida doméstica…

Sit’n’Spin: o programa de rádio universitário de Nova Jérsei que virou banda

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Sit'n'Spin

A banda Sit ‘n’ Spin começou sua carreira da forma mais noventista possível: em uma rádio universitária em New Brunswick, Nova Jérsei. O programa de Heidi Lieb (guitarra e vocal) e Sue Stanley (baixo) chamava Sit ‘n’ Spin e como cada uma tocava um instrumento, chamaram a baterista Poot McKenna e a guitarrista Mony Falcone, reuniram suas infuências de RamonesRonettes, Link Wray e Chuck Berry e seguiram em frente com sua versão de carne e osso de Josie e as Gatinhas, fazendo um som que já foi descrito como “a epítome da diversão”.

Com três discos na bagagem (“Pappy’s Corn Squeezin” (1997), “Enjoy the Ride” (2000), e “Doin ‘Time with Sit n’ Spin” (2004)) e diversos singles, a banda agora faz shows quando dá na telha e não planeja o futuro. “Nenhum plano específico”, contou Heidi. Veja mais de minha conversa com a líder da banda:

– Como começou a banda?
A Sit n ‘Spin começou na cidade universitária de New Brunswick, Nova Jérsei, onde todos estavam em uma banda. Eu costumava fazer um programa de rádio com minha amiga Sue, que estava aprendendo baixo enquanto eu estava aprendendo guitarra. Sua colega de quarto era baterista. Nós três decidimos tentar escrever músicas, e assim fomos!

– E de onde surgiu o nome da banda, Sit n’ Spin?
Nosso programa de rádio na rádio da faculdade chamava Sit n ‘Spin. Uma de nós “sentava” e a outra “girava” os discos. Assim, Sit n ‘Spin. Sit n ‘Spin também é um brinquedo de criança no qual você se senta e gira. É incrível e divertido, como a nossa música.

Sit ‘n’ Spin

– Quais são as principais influências da banda?
São tantas. British invasion (The Kinks, The Who), rock’n’roll dos 50’s (Chuck Berry, Eddie Cochran), girl groups (Shangri-las, Ronettes) e um pouco de punk dos anos 70, como Ramones.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês já gravaram.
Temos três discos: “Pappy’s Corn Squeezin” (1997), “Enjoy the Ride” (2000), e “Doin ‘Time with Sit n’ Spin” (2004). Além disso, temos um monte de singles e estamos em muitas compilações.

– E já estão trabalhando em novos sons?
Não, no momento não. Acabamos de voltar a nos reunir para comemorar o 20º aniversário do nosso primeiro CD, então estamos nos concentrando no nosso catálogo existente.

– Como é o processo de composição da banda?
Principalmente as letras primeiro, mas às vezes a melodia vem primeiro. Eu sugiro uma ideia, faço uma demo, trago para a banda, e então todos ajustamos juntos.

Sit ‘n’ Spin

– Qual é a sua opinião sobre a era de streaming em que vivemos?
Ótimo para os fãs de música! Bom para as bandas serem ouvidas sem precisar de uma gravadora. Ruim para bandas que não estão vendo dinheiro de downloads/streaming. O processo parece tão misterioso. Nós temos música para venda, mas não tenho idéia de quem está recebendo o dinheiro quando as pessoas compram do iTunes, Spotify, etc.

– Descreva um show para alguém que nunca viu.
O objetivo é se divertir – para nós e para o público. Principalmente para nós, aliás.

– Talvez possamos ver vocês no Brasil algum dia?
Se alguém quiser nos levar, gostaríamos de ir!

– Quais são os seus próximos passos musicais?
Nós estamos fazendo shows ocasionais. Nenhum plano específico.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Acabamos de ir para Atlanta para tocar com duas das nossas bandas favoritas, Tiger! Tiger! e Subsonics, ambos incríveis e também as pessoas mais bonitas da Terra.

Gwyn Ashton faz blues de raiz e deixa sua paixão pela guitarra ser a guia em seus diversos projetos

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O guitarrista e compositor galês Gwyn Ashton foi para Adelaide, Austrália do Sul, na década de 1960, e logo começou sua jornada musical. Passou por diversas bandas, gravou muitos discos solo e dividiu o palco com gente como Mick Fleetwood, Hubert Sumlin, Marc Ford e Canned Heat e abriu para Rory Gallagher, Ray Charles, Robin Trower, Vanilla Fudge, Wishbone Ash, Van Morrison, Jeff Healey, Tony Joe White, Johnny Winter Mick Taylor, Peter Green, John Hammond e Pat Travers.

Este ano, Gwyn lançou “Solo Elektro”, seu primeiro disco como one man band, além de já estar trabalhando em muitos outros projetos, indo da psicodelia ao blues de raiz, passando pelo garage rock e muitos outros estilos. Conversei com ele sobre sua carreira, a paixão pelo blues e como ele vê a música nos dias de hoje:

 

– Como começou sua carreira?
Eu tinha cerca de 16 anos e entrei na minha primeira banda em Adelaide, Austrália do Sul. Não gostava de escola e tudo o que queria era tocar violão. Eu respondi um anúncio para um guitarrista no jornal local e conheci essas pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu. Comecei a escrever músicas e eventualmente me mudei para Sydney, onde entrei em outra banda. Depois de alguns anos tocando com várias bandas, acabei mudando-me para Melbourne e gravando meus dois primeiros álbuns. Sou obcecado com música e a guitarra e isso é tudo o que sempre quis fazer. Eu não queria estar em uma banda cover, o que às vezes significa que sua área local nem sempre é o melhor lugar para trabalhar, então você precisa estar preparado para se mudar um pouco. Foi o que eu fiz e ainda faço.

– Você toca blues e rock old school. Como você se sente sobre o futuro desses gêneros?
Eu tento não apenas ser só um artista retro, é importante manter-se fresco e desenvolver novas idéias. Não é tão saudável como já foi, tantos locais estão fechando em todo o mundo. A internet paralisou muitas coisas, incluindo o valor das pessoas na música. Todo mundo quer isso de graça, então precisamos criar maneiras de ganhar dinheiro com isso. É um negócio difícil de entrar. Eu tento escrever e tocar música que é relevante para os dias de hoje e ainda há pessoas que querem boa música honesta. Você normalmente precisa viajar e levar a música para eles.

– Quais as suas principais influências musicais?
Basicamente todo mundo que toca ou tocou guitarra e gravou discos. Gosto de Son House, Lightnin’ Hopkins, Muddy Waters, Hank Marvin, mas também dos Beatles e muita coisa das bandas de pop e rock dos anos 60. Hendrix, Gallagher, Marriott – Gosto de músicas com melodia e poder. Gosto de compositores como Tom Petty, Steve Earle, Lennon/McCartney. Também gosto de Kenny Burrell, Miles Davis, Buddy Guy e Bob Dylan. É tudo música para mim.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até hoje.
Sempre fiz rock com forte influência de blues, embora eu também tenha gravado dois álbuns acústicos, meio “raízes”. Meus dois primeiros álbuns foram feitos com músicos australianos locais, mas aí me mudei para a Inglaterra e me juntei a um grupo de instrumentistas que estiveram em alguns dos meus discos favoritos e já tocaram em meus álbuns. Eu sou extremamente sortudo por ter gravado com músicos das bandas de Rory Gallagher e Robert Plant e junto com caras do The Fabulous Thunderbirds, Deep Purple, Whitesnake e Rainbow.

– Está trabalhando em novas músicas?
Estou sempre escrevendo e gravando e muito preocupado em manter minha música atual. Meu último projeto é meu álbum de one man band ‘Solo Elektro’ e eu estou tocando esse projeto na Europa e Austrália por cerca de cinco anos. Eu toco violão e canto enquanto toco as linhas de baixo com o meu polegar e piso em um kick drum. Eu desenvolvi um show em torno das limitações de ser solo, mas acho mais gratificante e satisfatório fazer isso do que ter uma banda. Eu posso ser mais experimental e porque escutei muita música diferente, posso misturar elementos de muitos estilos e lugares, incluindo dança e música psicodélica com blues e criar algo mais contemporâneo do que se eu ficasse mais em um ambiente de banda tradicional. Estou vendo muito mais jovens indo aos meus shows e isso é bom.

– Como é seu processo criativo?
Varia. Normalmente eu tenho um riff de guitarra e começo a escrever a partir daí. As letras são importantes. Eu tento não ser muito previsível, mas ainda mantê-las simples o suficiente para as pessoas se relacionarem, especialmente porque muito da minha audiência não fala inglês ou é uma segunda ou terceira língua para eles. Eu tenho um parceiro de composição (Garry Allen) em Melbourne e jogamos muitas idéias no mesmo quarto quando estou na Austrália ou pela internet.

– O que você acha da cena musical independente hoje em dia?
Há música excelente por aí, e na superfície parece saudável, mas muitas bandas jovens são forçadas a fazer muitos shows de graça ou “pagar para tocar”, então a realidade é que eles estão sendo roubados. Isso também não ajuda todos nós que estamos na estrada tentando sobreviver, quando o lugar sabe que eles podem conseguir uma banda de graça. Por sorte, eu tenho um bom público em muitos países, que eu tenho desenvolvido lentamente por muitos anos, mas não ajuda as jovens bandas que querem ganhar a vida com a música deles. Existem mais estações de rádio comunitárias que tocam músicas não convencionais e acho que mais pessoas estão dispostas a aceitar diferentes estilos de música do que no passado. Eu acho que as pessoas estão se tornando mais abertas à música e à arte.

– O que você acha da explosão do streaming no mundo da música?
É um mal necessário. Se você não estiver nos servidores de streaming ninguém vai descobrir você, mas eles não pagam bem. Os principais selos controlam o que todos escutam de qualquer maneira, então as chances de se tornar viral são pequenas se você não estiver sendo promovido por um selo.

– Conta pra gente como é o seu show.
O mais importante é ter uma boa música que as pessoas vão embora cantando em suas cabeças. Eu também sou influenciado por tantas músicas baseadas em guitarra e gosto de pensar que isso está nas minhas músicas, seja um som de slide no estilo delta blues ou um  rock and roll mais pesado. O tom de guitarra e os efeitos sonoros também são importantes para mim. Eu gosto de mexer em alguns sons para se encaixar no material, então meu pedalboard tem uma montagem bastante divertida. As raízes do meu show são blues, mas eu passo através de música elétrica psicodélica com um segmento acústico. Eu uso um monte de guitarras no palco em diferentes afinações. Eu tenho guitarras elétricas, algumas slide, acústicas, 12 cordas, lap slide Weissenborn e instrumentos de ressonância. Eu quero manter as raízes intactas e expandi-las, conhecendo as regras antes de quebrá-las. Eu tento manter as coisas interessantes, seja pensando em Son House, Ry Cooder ou em Black Sabbath no momento.

– Quais os seus próximos passos?
Meu foco principal agora é no meu álbum “Solo Elektro”. Estou trabalhando em alguns projetos, incluindo um álbum novo deste projeto. Eu também tenho um álbum acústico como compositor na minha cabeça agora. Garry e eu temos tantas músicas, estamos apenas ensaiando para ver qual formato elas soam melhor – solo ou como banda. Estou prestes a lançar um álbum acústico de world music que gravei com alguns amigos na Austrália, além de ter um álbum de blues e garage bem bacana pronto pra sair, com Garry Allen nos vocais e o baterista que tocou com o Bon Scott em 1970, John Freeman. Não há escassez de música aqui.

 – Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Eu não vou atrás de ouvir muitos artistas modernos hoje em dia, já que minhas influências são realmente das décadas de 30 a 60, então me vejo mais ouvindo músicas antigas para evitar copiar mais escritores e artistas contemporâneos. Eu tenho que roubar da fonte! Para blues puro, há vários artistas ótimos por aí. Na Califórnia, eu realmente gosto dos The 44s, Kid Ramos, Junior Watson, Chris Cain. Ledfoot (Tim Scott McConnell) é um artista poderoso, meu amigo e ocasional parceiro de jams, e Marc Ford é um monstro. Há tantos grandes compositores e guitarristas em toda a América do Norte, tocando em bares e clubes que ninguém provavelmente nunca ouvirá, o que é um crime. Na Austrália, temos muitos grandes artistas – Chris Finnen, Jeff Lang, Kevin Borich, Ian Moss, Shannon Bourne, Dusty Lee Stephenson, Stefan Hauk podem escrever uma ótima música e tocar para caramba.

Italianos The Devils não economizam na blasfêmia e no rock’n’roll sujo no disco “Iron Butt”

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A ala conservadora e recatada que têm ganhado as ruas do Brasil ia ficar bem brava caso o duo italiano The Devils realmente viesse para cá, como dizem querer. Formada por Erica Toraldo (voz e bateria) e Gianni Pregadio (voz e guitarra), a banda faz shows cheios de esculacho, vestidos de freira e padre, com um nada discreto consolo gigantesco preso à bateria, além de às vezes darem uns amassos nada comportados entre as músicas. Tudo isso ao som de muito rock’n’roll clássico, psychobilly e o fuzz abençoando o barulho.

Recentemente a dupla de Nápoles lançou seu mais novo disco, “Iron Butt”, pela Voodoo Rhythm Records. Produzido por Jim Diamond (The Dirtbombs, White Stripes), o disco mostra a parede monstruosa de fuzz, vocais primitivos e maldosos e uma barulheira que não deixa ninguém sentir falta de um baixo. O duo pecaminoso já tocou em festivais como Azkena Rock Festival, Cosmic Trip Festival, Munster Raving Looney Party, Subsonica Women In Rock, Beaches Brew e Clanx Festival, entre outros, e atualmente está em turnê, além de começando a maquina músicas para seu terceiro álbum. Quem se habilita a trazer os capetas italianos para o país tropical para chocar a família brasileira, hein?

– Me contem sobre o single que vocês lançaram recentemente, “Red Grave”!

Erica: “Red Grave” é nossa homenagem a Vanessa Redgrave, a linda estrela do filme “The Devils” de 1971, de Ken Russell, de onde tiramos o nome da banda. Ele fala dos eventos reais ocorridos em 1634, é um filme que faz você se perguntar como poderia ser possível que em 400 anos nada tenha mudado. Realmente nos impressionou porque é definitivamente realista, e ainda hoje um terço da população do mundo é manipulado por um estado soberano de 605 habitantes que usa um espantalho chamado Satanás para pegar todos pelas bolas e gerenciar seu poder. Sendo ateus e desprezando a educação católica depois de assistir a este filme, não poderíamos deixar de ficar muito animados com o single.

– E o último disco, “Iron Butt”?

Erica: O novo álbum é muito mais selvagem, alto, insano e bem tocado. É uma imagem mais clara do que fazemos, o primeiro registro foi mais uma “wild card”. Não foi tão difícil de conseguir… Na verdade, veio naturalmente. Nós tocamos tanto que as músicas surgiram facilmente. Durante passagens de som ou na estrada, escrevemos muitas idéias. Na verdade, já estamos fazendo algumas músicas para um terceiro álbum.

– E como começou a história do The Devils?

Erica: Nós crescemos em um orfanato católico, então um dia encontramos no porão o filme “The Devils” e desde então começamos a infernizar as irmãs. Então fomos enviados para um colégio interno, mas também fomos expulsos, então eles nos trancaram por muitos anos em uma câmara secreta do Vaticano, mas em 2015 nós saímos e decidimos que não queríamos trabalhar em uma Apple Store ou um bar para sobreviver, então nós apenas roubamos um violão e uma bateria.

– Quais são as principais influências musicais da banda?

Gianni: Sou muito influenciado por blues e pornografia, a Erica é mais influenciada pelo rock’n’roll e pela violência deste mundo.

– Conte-me mais sobre o material que você lançou até agora.

Erica: No início, ‘Sin You Sinners’, nosso primeiro disco, foi mais uma demo registrada em nossa garagem com apenas dois microfones. Então decidimos fazer um álbum real, conhecemos Jim Diamond e, depois de o subornar com algumas garrafas de vinho, ele aceitou trabalhar conosco.

– Como é seu processo de composição?

Gianni: Não temos um processo de composição definido, é algo mágico. Às vezes, apenas assistimos a um filme, lemos um poema, olhamos desenhos ou ouvimos a Radio Maria da Itália ou, obviamente, ouvimos mais músicas. A melhor faísca para criar algo vem quando menos esperamos.

– O que vocês acham da cena musical independente hoje em dia?

Gianni: Somos muito sortudos porque temos o prazer de trabalhar com pessoas que dedicaram todo o seu tempo ao rock’n’roll, ao custo de suas próprias vidas. É autêntico, porque não há negócios de grande dinheiro, então é uma cena feita por pessoas com uma grande paixão por rock’n’roll.

– Qual a sua opinião sobre o mundo musical baseado em streaming?

Gianni: Streaming é uma merda, é o pior áudio de todos os tempos. Mas é útil na estrada, durante a turnê, para que possamos ouvir tudo o que queremos durante algumas viagens infinitas.

– Conte como é um show da banda pra quem ainda não viu. Talvez algum dia possamos ver vocês no Brasil?

Erica: Nosso show consiste em 2 caras que gritam da maneira mais violenta possível seus problemas psicológicos para o universo, até que suas cabeças explodam. Definitivamente, não podemos esperar para ir ao Brasil! Também porque ouvimos dizer que os homens brasileiros são bem dotados e as mulheres brasileiras possuem as bundas mais bonitas do mundo…

– Quais os próximos passos da banda?

Gianni: Estamos fazendo uma turnê européia para o lançamento do próximo álbum e quando ninguém mais quiser entrar em contato para shows e acabarmos sem dinheiro, faremos nossos votos de verdade para que o Vaticano providencie a nossa manutenção.

– Recomendem bandas ou artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Erica: Eu estou apaixonada por uma banda espanhola chamada Guadalupe Plata. Eles são tão maus, um som incrível!

Para os goianenses do Two Wolves, a palavra “pop” não deve ser mais um palavrão

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Two Wolves

Formada por Mauricius Wolf (guitarra) e Lineker Lancellote (vocal), a Two Wolves é uma banda de Senador Canedo, em Goiás. Foi formada em 2011, quando o vocalista compunha em inglês mesmo sem dominar muito bem o idioma. Após uma temporada na Europa, esse obstáculo ficou para trás e a banda se solidificou, deixando de ser um duo e lançando seu primeiro disco, “Just Listen To”, de 2014, pela Monstro Discos.

No final de 2017, agora com o reforço de Sérgio na guitarra, Miguel nos teclados, André na bateria e David no contrabaixo, a Two Wolves lançou o single “Howl”, que fará parte de seu próximo álbum, a ser concluído este ano. “A música é sobre uma pessoa a observar um lobo e sua família. Criando ali uma conexão extra-sensorial com o animal. Mas na verdade, talvez não seja um lobo e talvez não seja uma pessoa que a observa. Cada um vai entender de uma forma”, conta Lineker. O próximo trabalho promete trazer mais da “música triste pra dançar”, como o som do grupo já foi definido, sem medo nenhum de soar pop. “Espero ainda poder tocar no programa da Fátima Bernardes (risos)”.

– Como a banda começou?

A banda começou a partir da aposta de um produtor local, Mauricius Wolf, em um adolescente que compunha letras em inglês, mas não falava inglês, cantava, mas não muito bem, e tocava violão na praça, mas era terrível nisso. De alguma forma, Mauricius, viu potencial no garoto e o ofereceu a gravação de uma música. Com isso se iniciou uma amizade entre Mauricius Wolf e Lineker Lancellote que decidiram fundar a banda com o nome de Two Wolves. Após um ano juntos, Lineker teve a a oportunidade de se mudar para a Europa e se mudou com o intuito de se aperfeiçoar musicalmente e também aprender de verdade a língua que ele gostava de escrever suas músicas. O vocalista viveu alguns anos por lá, tocou em festivais, bares e ruas de alguns países como: Alemanha, França, Bélgica e Holanda, então decidiu-se voltar e tentar algo por aqui. No primeiro ano de volta, a dupla adicionou mais alguns integrantes à banda e gravaram seu primeiro álbum que já foi lançado em parceria com o selo Monstro Discos.

– Você costuma falar de si mesmo na terceira pessoa, assim? (Risos)

Nunca falo assim, mas estou tão acostumado a falar dos outros (meu trabalho é esse) que acabei falando assim (Risos). Esqueci que era uma entrevista (risos).

Two Wolves

– E porque o nome da banda? De onde surgiu?

(Agora falarei na primeira pessoa) Eu, desde criança, fui encantado com lobos. Passava horas desenhando lobos. Meu X-Men favorito era o Wolverine. Assim, quando chegou o momento de escolher o nome para o duo, veio em minha mente aquele ensinamento indígena sobre os dois lobos que vivem em cada um de nós e a importância de saber lidar com isso e escolher bem qual dos dois iremos alimentar. Então escolhemos o nome Two Wolves por causa da minha afinidade com a espécie, por causa do ensinamento e por sermos dois.

– Essa formação de duo ficou bem popular no mundo do rock nos últimos anos… Porque isso aconteceu? Antigamente isso era quase inimaginável!

Na verdade eu acho que não existe um plano por trás disso. Simplesmente acontece. No nosso caso foi o fato de que não conhecíamos ninguém que se encaixasse em nossa proposta. Pois, principalmente antes dessa era hipster, todo adolescente do rock só gostava de metal. O que não era o meu caso. O Mauricius é um músico extremamente virtuoso, mas nunca foi do metal. Ele gostava muito de música instrumental. Eu sempre gostei de algo mais pro lado de pop, post punk e muita música deprê.

– A banda realmente faz uma mistura de diversos estilos. Como você definiria o som do Two Wolves pra quem nunca ouviu?

Então, até hoje, ainda não fiz algo que eu gostasse de verdade. Existe uma música nova a ser lançada dia 20 que acredito ser mais próximo do que eu gostaria de fazer, mas não tenho certeza. É muito difícil definir um estilo, até porque isso acaba limitando a banda, mas baseado na mistura do que já foi feito. Acho que podemos nos chamar de pop. Pop é aquilo que poderia estar no mainstream e que ninguém sabe definir bem o que é, mas que acaba abrangendo um público de vários gostos. É como diria o grupo de rap SPFunk: “bota o nosso CD pra tocar que ele agrada até sua vó.” Estou ansioso por 2018, pois acho que agora eu acertarei a mão nas composições.

– E eu vejo que pra muita gente da dita cena independente, o nome “pop” é praticamente um palavrão, né.

Sim, concordo, por isso gosto de usar (risos). Na verdade eu passei da fase de tentar ser o diferentão da música. Também, acho que é mais fácil definir assim do que ficar procurando vertentes musicais com 6 palavras.

– Me fala mais do trabalho que vocês já lançaram, “Just Listen To”.

“Just Listen To” é a coletânea das músicas que compus enquanto estava na Europa, produzidas de forma diferente do que era pra ser. Eu compus as músicas em uma longa fase de depressão, tanto que a maioria das letras não são das mais felizes, porém, quando decidimos gravar, achamos que seria melhor deixá-las mais pra cima, assim o show seria mais divertido. Além do fato de que eu amo dançar. Isso virou uma mistura de sentimentos, o que já até foi definido por um jornal como: “Two Wolves! Tristeza para dançar.” Eu só posso dizer que adorei essa definição.

– Esse negócio de misturar letras tristes com melodias alegres sempre é interessante… 😃

Sim! Está aí o The Smiths pra não nos deixar mentir.

– E muitas outras, né. E como rola esse processo de composição da banda?

Até hoje, tem partido de mim. Começo com a harmonia, melodia e letra, daí os meninos adicionam os arranjos de acordo com suas identidades e com a proposta que imaginamos. Eu tenho pegado no pé deles para que isso mude, para que tenha mais uma proposta inicial deles, talvez assim a gente faça algo melhor.

– Mas a banda na verdade não é um duo.

É, mas não é, depois que começamos a tocar com banda completa, aceitamos muito as ideias de cada um que faz a banda com a gente. Porém, ainda é originalmente um duo, pois os outros integrantes acabam sendo passageiros. São amigos de outras bandas que fazem uma parceria, ficam por um tempo, depois se vão com seus projetos.
Mudamos de integrantes frequentemente. Só fica mesmo eu e o Mauricius.

– É uma banda transitória.

No momento estamos com Sérgio na guitarra, Miguel nos teclados, André na bateria e David no contra-baixo.
Acredito que esses ficarão um bom tempo com a gente, já que foram realmente selecionados por bons motivos, entre eles o fato de estarem na faixa etária dos 50 anos. Diferente de mim que tenho 23.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Sim, além desse novo single, tem um álbum sendo produzido.

– Me conta mais do single.

O single se chama “Howl” como o uivo de um lobo. A música é sobre uma pessoa a observar um lobo e sua família. Criando ali uma conexão extra-sensorial com o animal. Mas na verdade, talvez não seja um lobo e talvez não seja uma pessoa que a observa. Cada um vai entender de uma forma. Escrevi essa música me baseando ja forma que vejo o mundo. Sou uma pessoa que sofre com TDAH, ansiedade e depressão. Isso fez com que eu nunca visse as coisas e o mundo da forma que a maioria das pessoas o veem. Para esse single, está sendo produzido um videoclipe onde todas as pessoas participantes sofrem com as mesmas condições que eu. Foi feita uma postagem sobre o assunto e com isso recebi mais de cem mensagens de pessoas se voluntariando para participar e também me relatando sobre suas vidas.

– E esse single fará parte do álbum? Como será esse álbum?

Sim, o single fará parte do álbum. O álbum está na fase de produção e ainda pode sofrer algumas mudanças, mas de antemão posso adiantar o uso de muitos elementos eletrônicos e boas batidas.

– Uma coisa que eu normalmente pergunto para as bandas: quais as principais influências musicais do Two Wolves?

Isso também é muito difícil de definir. Eu gosto muito de cantores solos como: Matt Corby, Bon Iver e James V. Mcmorrow. O Mauricius gosta de guitarristas solo como Steve Vai, Satriani e outros. Porém, a banda já foi comparada com U2, Two Door Cinema Club, Kings of Leon, 1975… Então fica por isso aí. Não sei. (risos)

– Como você vê a cena independente hoje em dia e como a banda se encaixa nela (ou não se encaixa)?

Acho que a cena está cada vez mais fraca. Hoje, os jovens se tornam velhos muito rápidos, então já perderam o pique de ir em shows apoiar as bandas locais, já os novos jovens, os que deveriam substituir os que se cansaram, estes já mudaram de gosto musical. Os adolescentes estão ligados nessa cena nova do rap e do funk. Então não existe um público novo para o rock. Também, o independente está se tornando muito parecido com o mainstream. Aparece quem tem recursos e influência seja onde for. O que exclui muita banda boa da quebrada e levanta muita banda ruim de playboy. Eu acho que a gente não se encaixa em lugar nenhum.

– E o mainstream ainda é o objetivo para as bandas independentes ou isso já não faz sentido?

Bom, para mim, ainda é. Mas acho que não é para todos. Hoje eu tenho músicas em três grandes rádios. Gosto disso. Espero ainda poder tocar no programa da Fátima Bernardes (risos). Além do fato de que eu sinto que o mainstream me abraçaria mais do que a cena independente o fez.

– Existe um preconceito dos independentes com essa mídia tradicional?

Acaba que sim. Na verdade, eu acho que todos gostariam de estar lá, mas como não estão, preferem manter a postura de que não gostam. É meio paradoxal. Seria interessante chegar em uma banda e perguntar o que eles acham de tocar em rádio e depois de uma resposta negativa os dizer: que pena, a Jovem Pan quer tocar sua música. Assim, saberíamos por suas reações a verdadeira opinião. Ou talvez seja só eu que gosto de rádio e televisão (risos). Apesar que sempre que participo de programas em rádios ou televisão local, aparecem uma ou duas bandas me pedindo ajuda para participarem também. Com isso, acho que ainda existe quem queira estar na mídia tradicional.

– Recomendem bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Hmmm… Gosto de uma banda nova que se chama Templates. Fazem um rock em português que me agradou muito. Gosto de Almost Down de Goiânia. Também tem a sumida Cambriana que está prestes a lançar um álbum e voltará com tudo. Tive a chance de ouvir o novo disco e garanto que é pedrada. Também gosto de artistas solo como o Caio e o Danny Queiroz. Indico todos esses!

Siso põe pra fora todas suas ideias musicais e devaneios em “Saturno Casa 4”

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Siso

O mineiro Siso lançou em novembro do ano passado seu primeiro disco, “Saturno Casa 4”, mostrando uma mistura sonora que inclui pop, rock, MPB, ritmos regionais e o que mais desse em sua cabeça. “Era muita ideia musical acumulada e muito assunto guardado, e o inconsciente me guiou pra algo muito pessoal e autobiográfico”, conta. Eleito uma das revelações do ano pelo Google, o compositor lançou um álbum que conta com participações de Letrux e Paula Cavalciuk e foi produzido pelo artista ao lado de Christopher Mathi, Lasyten, Alexis Gotsis e Mettabbana.

Natural de Belo Horizonte, Siso subiu no palco pela primeira vez aos 10 anos de idade, continuando na cena independente mineira a partir da adolescência. Além do trabalho solo, que também conta com o EP “Terceiro Molar”, lançado em 2016, ele também integra a banda Cabezas Flutuantes. Conversei com ele sobre o seu primeiro álbum, o EP, a cena independente e as participações e amizades musicais:

– Vamos começar então falando um pouco de “Saturno Casa 4”. Como rolou esse trabalho?

“Saturno Casa 4” foi uma explosão. O álbum foi produzido em 5 meses, que é menos da metade do tempo que levei pra fazer o “Terceiro Molar”, EP do ano passado. Era muita ideia musical acumulada e muito assunto guardado, e o inconsciente me guiou pra algo muito pessoal e autobiográfico. Acaba que fala muito sobre as estruturas que nos guardam/restringem/oprimem diariamente e como a gente pode lidar com elas de uma forma mais leve. A maior parte do repertório compus sozinho, mas também tem uma faixa do Leonardo Onerio, uma parceria minha com ele e uma faixa inédita da Letrux. A produção foi minha em parceria com o Christopher Mathi, com quem já havia feito o “Terceiro Molar”, o Lasyten (que também toca baixo comigo ao vivo), o Alexis Gotsis (grego radicado no Brasil, membro d’Os Amantes Invisíveis e produtor dos dois discos do Ruspô) e do Mettabbana, um produtor do Kosovo radicado nos EUA que desenvolve pesquisas com ritmos brasileiros, como a rasteirinha.

– Me fala mais sobre essas participações. Também teve a Paula Cavalciuk, né?

Sim! Todos os envolvidos, exceto o Mettabana, já eram amigos antes de o disco ser feito. Como é um trabalho muito pessoal, quis chamar só gente cuja afinidade fosse não só musical, mas também da ordem do afeto. Paula foi assim. Ouvi “Morte e Vida” quando saiu e pirei com a voz e as letras dela. Pouco depois a conheci pessoalmente e, quando fiz “Onde Termina a Calçada”, sabia que ela precisava ser participação especial. É uma canção sobre perda e aceitação na leveza, e eu sabia que ela conhecia aquela verdade. Já com a Letrux, eu a conheci em 2015 e, no ano seguinte, ela se mudou por um tempo pra SP e nós fizemos shows juntos. Nessa época ouvi “185 Centímetros” pela primeira vez e pedi pra gravar, colocando minha altura no título da minha versão. Depois, quando fiz “O Amor é 1 Arma de Destruição em Massa”, sabia que a voz dela encaixaria igual a uma luva na canção e na narrativa. E tanto ela quanto a Paula aceitaram de cara, assim que ouviram as canções.

– Como você definiria seu som?

Eu diria que é música pop atravessada por várias coisas. O pop é o centro do que faço – a estrutura, a melodia – e é das coisas que mais ouço desde a infância. Mas é um som que também se deixa influenciar pelo ambiente, pelas coisas, pelas pessoas. Nesse disco essas influências vão desde o funk melody dos anos 1990 até cumbia, ijexá, highlife, folk… Nesse aspecto, eu sou um alvo em movimento, criativamente.

– Uma metamorfose ambulante, se formos ser clichê pra definir.

Sim, certamente. A pessoa é geminiana, tem trocentos planetas em Gêmeos, não tem jeito (risos).

Siso

– Quais as suas principais influências musicais (e não-musicais)?

Tanta coisa já me provocou nessa vida que nem sei mais direito. David Bowie, certamente, muito por esse senso natural de transformação. Patti Smith, Depeche Mode, M.I.A., Alceu Valença, Anohni, Karine Alexandrino, Bruce Springsteen… Num âmbito não-musical, diria que Kubrick, Joan Didion, Jodorowsky, Glauber e David Lynch também. Minhas experiências com budismo acabam pautando muito da minha perspectiva de autor também, assim como o fato de ter crescido num ambiente de grande dificuldade financeira, mas num núcleo que investia pra cacete na minha educação e me incentivava a imergir em toda forma de cultura, além de serem pessoas muito afetuosas e generosas.

– Agora, voltando um pouco: como foi o “Terceiro Molar” e como o novo disco evoluiu dele?

O “Terceiro Molar” foi o resultado de um processo longo de experimentações, afirmações pessoais e reorientações depois de um período bem confuso, quando mudei pra SP. Caí de paraquedas por aqui, sem conhecer ninguém e imergi em experiências artísticas de todo tipo, do teatro à performance, com a música no stand-by. Era eu basicamente entendendo por onde podia transitar, sabendo onde ficavam as paredes, o chão e o teto desse lugar mental e criativo em que eu estava. Fiquei muito feliz com a forma com que ele foi recebido, mas comecei a sentir falta de exercitar narrativa nas minhas canções. As letras eram muito mais sensoriais e filosóficas do que contavam uma história tangível, daí resolvi seguir por esse caminho. De resto, a memória e os desafios grandes e pequenos que a gente precisa encarar pra resolver foram ditando o caminho das coisas.

– Como você vê esse novo formato de divulgação musical, especialmente no meio independente, usando o streaming e as redes sociais?

Gosto do fato de que os independentes têm mais voz e liberdade de ação nesse contexto do que nos anteriores. O modelo do streaming como é hoje, apesar de estar longe de ser perfeito, é satisfatório. Você está chegando a um público potencial enorme e sendo remunerado por isso. E também é uma lógica de consumo de música que me agrada como ouvinte.

– E o mainstream, ainda é um objetivo para os artistas independentes?

Pode ser. O interessante é que hoje é possível dar um bypass em algumas das circunstâncias e chegar a um grande público mesmo assim. No que diz respeito a mim, não tenho nenhuma regra pré-definida quanto a isso. Mas, neste momento em que estou, acredito que é bem melhor permanecer independente. E ver até onde sou levado. Mas não torço o nariz pro mainstream, não. É bom ser escutado por muitas pessoas.

– E como você vê a dita “cena” independente hoje em dia?

Do lado humano da história, tá tudo muito bem – as pessoas dispostas a arregaçar as mangas, fazer e acontecer, trabalhos maravilhosos sendo lançados a todo momento, enfim. O fato de os selos estarem ressurgindo como iniciativas coletivas e haver marcas interessadas em incentivar trabalhos artísticos também é ótimo. A aresta a ser repensada e corrigida agora é a da frente dos shows, penso eu. Cada vez mais casas pequenas e médias têm fechado pelo país por uma crise no modelo, o que torna mais difícil a circulação dos artistas. Claro que a boa vontade contorna muita coisa, mas não cria estruturas que deveriam ser sólidas, preferencialmente. Então taí um ponto que todo o meio independente precisa pensar em como trabalhar melhor. Além da questão dos incentivos públicos para a cultura que vêm minguando nos últimos tempos, mas isso é conjuntura da nossa terrível situação política.

Siso

– Voltando ao seu com: como é seu processo de composição?

Ando sempre com um caderninho, em que anoto impressões, frases, ideias. E volta e meia sento com o computador, o violão ou o teclado e começo a desenvolver harmonias e letras. Uma sequência musical pode me sugerir uma palavra e aí pego o caderninho como guia no desenvolvimento da letra. Tento julgar o mínimo possível o que rola nesse primeiro momento criativo. Se a ideia geral vale a pena, aí sim eu sento, burilo a letra e começo a desenvolver a produção do jeito que ela precisa ficar.

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Sim, constantemente. Mas ainda é cedo pra saber quais delas serão lançadas e quando.

– Quais são seus próximos passos musicalmente?

Quero tocar por tudo quanto é lugar com o repertório do “Saturno Casa 4” em 2018, lançando algumas coisas ao longo do ano também. Devo participar do próximo EP da Letrux, que vai ser só de remixes do “Letrux em Noite de Climão”. Tem umas colaborações alinhadas também, coisas boas hão de rolar muito em breve.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nossa, isso é o que mais tem. Ekena, Natália Matos (tá com um disco novo incrível), Luiza Lian, Baco Exu do Blues, Harmônicos do Universo, GEO, Aloizio, Miêta, Alambradas, Yangos, Quartabê, Renata Rosa, Bruno Vetz, Sessa

Quarteto sorocabano Medrar aposta em novos caminhos para seu “rock torto” em “Luzia”, EP gravado por Guilherme Kastrup

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A criatividade e a evolução do quarteto Medrar é inegável quando se ouve os dois EPs que a banda já lançou, com duas músicas cada. A banda sorocabana, formada por Ari Holtz (baixo), Mya Machado (vocal e guitarra), Zé Aquiles (bateria) e Rafael Ferraz (guitarra), define-se como uma produtora de “rock torto”, que apesar de tentar fugir dos esteriótipos do estilo, continua fazendo rock com muita qualidade e personalidade.

Os primeiros sons, “Labirinto” e “Pai Horácio”, lançados em 2014 são ótimas cartas de intenções da banda, mostrando bem as influências de John Frusciante, Gal Costa, Jair Naves e La Carne e gravadas por João Antunes (John), que já gravou bandas como Wry e Incesto Andar. Já o novo EP, lançado este ano com as músicas “Alarde” e “Luzia”, mostra que o quarteto investe um pouco mais na ambiência e na construção dos climas nas músicas, que aparecem mais soturnas e quebradas (“Luzia” tem quebras de ritmo de tirar o fôlego, aliás), sem deixar de lado o belo trabalho de guitarras e a cozinha poderosa. As canções foram gravadas por Guilherme Kastrup, produtor do elogiado disco “A Mulher Do Fim do Mundo” de Elza Soares.

Conversei um pouco com Ari sobre a carreira da banda, o processo de composição e sua evolução musical:

– Como a banda começou?

Cara, começou de uns encontros meio despretensiosos entre a gente, em 2013… Todo mundo já tocava separado, a Mya tava começando a se aventurar na música, o Zé acabado de chegar em Sorocaba. Mas bastou a gente começar a apresentar uns riffs e as coisas começaram a acontecer… A gente já se conhecia da cena, o Zé mesmo não estando aqui já tocava no Malditas Ovelhas e a gente já tinha se trombado…

– E de onde surgiu o nome da banda? O que significa?

Significa “desenvolver” em catalão. Veio de um trabalho com uma moça grávida de um artista de lá, amigo nosso, chamado Fofonski… ele estava expondo o trampo dele na Mansão Sede do Rasgada Coletiva e a gente ensaiava lá. Num dos trampos estava escrito “Quiero Medrar Las Unas” ou algo assim… Adotamos o Medrar e ele fez também o trampo da capa do nosso primeiro EP!

– E como foi esse primeiro EP?

Ele tem 2 músicas e é de outra fase da banda, mas um recorte que a gente curte bastante também. Nós gravamos e mixamos na casa do Zé, na unha, e depois o Peu Ribeiro (produtor e amigo aqui da cidade) masterizou. Nesse EP tá “Labirinto” e “Pai Horácio”, ambas também tem clipes no YouTube, também gravados em parceria com artistas locais. Nosso trabalho sempre esteve bem vinculado com a produção artista de Sorocaba. A gente sempre teve rodeado de gente que admiramos, na música é em outras linguagens. Por ter participado do Rasgada Coletiva também deu um panorama massa de artistas e produções locais.

– Por falar nisso, quais as maiores influências musicais da banda?

São muitas. A gente tem um gosto bem variado, acho que das minhas referências que mais se refletem na Medrar são os trampos do Kiko Dinucci e Metá Metá, Mars Volta, Ludovic… A gente gosta bastante de Queens of the Stone Age, Patti Smith, Gal, Ventre, La Carne, Hierofante Púrpura… Tanta coisa que vai do rap, samba, rock…

– Como você definiria o som da banda?

Putz (risos). Difícil, né. Rock torto, talvez? Confesso que rola uma dificuldade com o termo rock, é um conceito pesado já, né. Cheio de signos que a gente tenta se afastar… Mas acho que seria injusto a gente falar que nosso som é algo que não seja rock.

– Bom, depois dessa pergunta, vamos voltar: como rolou o desenvolvimento da banda depois desse primeiro EP?

A gente teve umas mudanças, nessa época nos tornamos um trio com a saída do Sidan e depois voltamos a ser quarteto com a entrada do Ferraz… Ficamos num trabalho de composição, de onde acabaram saindo os sons que trabalhamos nesse último EP. AMya também assumiu uma guitarra nesse tempo, que apesar de nos segurar um tempo, abriu diversas possibilidades. Principalmente para a entrada do Ferraz com linhas e desdobramentos novos para as músicas. Daí fomos escolhidos pelo Kastrup no projeto Demorô do Sesc Sorocaba que abriu outras portas, tocamos também no Circadélica aqui em Sorocaba que foi outro momento de celebração dessa cena da cidade e o que permeia esse meio.

E como rolou esse mais recente EP? Pode me falar mais sobre ele?

Ele veio desse projeto Demorô do Sesc, que convidou o Kastrup para produzir e gravar 2 músicas de 2 bandas da cidade, encaminhamos nosso material e fomos escolhidos. Tivemos 2 ensaios com ele, onde apresentamos nossos sons e acabamos por escolher “Luzia” e “Alarde”. “Luzia” ainda era um embrião, um riff é uma letra e acabamos terminando ela nesse processo. Por isso acho que “Luzia” é a música que mais reflete essa parceria pois construimos ela junto com o Kastrup. O processo de gravação foi no Sesc mesmo, no teatro e a finalização no estúdio do Kastrup em São Paulo. Foi louco ter sido escolhido por ele, sacar que nossa estranheza pode ser potencial… Foi tipo uma chancela para experimentar!

– Me fala um pouco mais sobre a composição dessas músicas!

A gente compõe de forma bem variada, geralmente partindo de um riff, uma melodia, uma letra e vamos construindo e desconstruindo em uma jam. Assim nasceram nossos sons: “Luzia” nasceu em um formato que já veio dessa parceria, ela foi montada e concebida antes da gente executar, foi meio o inverso do que estamos acostumados, mas foi importante pra gente se conhecer como músicos… As letras partem muito de uma perspectiva feminina da vida, é sempre de uma relação dúbia com a cidade, a poesia e violência, as relações de poder e todas as contradições dessa relação…

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Não, a gente tá dando um tempo… No início do ano pretendemos gravar nossos outros sons e estamos articulando um clipe de “Alarde” ou “Luzia” para o primeiro trimestre. Estamos também tentando armar alguns shows no início de 2018, vamos ver se rola essa agenda… Em 2018 também pretendemos nos juntar para começar a compor coisas novas. Mas acaba que a gente sempre subverte o planejamento e, pela pilha que a gente tá, capaz de nos encontrarmos para colocar composições no papel já logo no início de 2018. A gente quer muito tocar, sempre, nossa pira é tá no palco, na troca que rola, na catarse e no risco!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Olha, eu gosto bastante do Terno Rei, Ventre, Quasar, Azul Celeste, Rua, Aquasarge (França)… Tenho ouvido isso bastante.

Moxine abraça o pop e continua transpirando influências oitentistas no EP “Passion Pie”

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Moxine

Após participar do Rock In Rio 2017 com sua mistura de rock, ritmos oitentistas, Mônica Agena (vocalista e guitarrista) e Fabiana Lugli (baixista) lançaram em novembro o novo EP do Moxine, “Passion Pie”, abraçando ainda mais as influências da música pop e dos Top 40 da Billboard em seu som, sem deixar de lado as guitarras e o peso característicos da banda.

O EP de quatro faixas conta com a participação de Mario Camelo (Fresno), Paulo Kishimoto (Rivera Gas/Pitty), Luccas Villela (E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante/INKY), entre outros. A produção é da própria Mônica, que já acompanhou artistas como Natiruts, Emicida, Fernanda Takai, Arrigo Barnabé e muitos outros. Após um EP (“Eletric Kiss”, de 2009), um álbum (“Hot December”, de 2013) e uma sequência de singles (“Drive Me Somewhere” (2014), “Marlon” (2015) e “Dois Estranhos” (2016), o duo está atualmente em turnê apresentando as novas músicas, tendo passado por festivais como Liverpool Sound City (Inglaterra) e SxSW (EUA) e nacionais como o Se Rasgum (Belém/PA), Tendencies Rock (Palmas/TO) e MADA (Natal/RN).

– Me contem mais sobre “Passion Pie”! Como foi a composição desse EP?
Fabi: O nome diz muito sobre o processo e as referências. Feito com muita paixão e uma grande mistura de sonoridades, o resultado foi essa torta colorida na capa. A gente compõe o tempo todo, o que fizemos foi peneirar ali na pasta de demos o que ia ou não pro EP.

– E como rolou o processo de gravação? Como foi se desdobrar entre a execução e a produção?
Mônica: Como temos estúdio em casa, a gente fez tudo com muita tranquilidade e a maior parte foi gravada aqui na minha casa mesmo. Já trabalhamos com diversos produtores participando de discos de outros artistas, então acabamos aprendendo muito com toda essa experiência. Se auto produzir é um trabalho dobrado, por outro lado você consegue ter mais controle sobre suas músicas, sobre a estética que você busca, etc.

– Tem uma galera participando do EP. Como rolou esse contato?
Fabi: A maioria são amigos que sempre estiveram de alguma forma envolvidos com a gente. O Paulo Kishimoto, por exemplo, já fez vários shows do Moxine e outras gravações, então ele sempre foi o cara pra quem a gente mostrava as demos e pré-produções, tê-lo no EP foi algo muito natural. Bem no momento quando estávamos pensando em um baterista pra gravar as faixas do EP, vimos o Luccas Villela em uma jam no Bar Secreto, achamos que tinha tudo a ver com a vibe das músicas e fizemos o convite.

– Como o EP se diferencia dos trabalhos anteriores?
Fabi: Em relação a sonoridade, a gente utilizou mais elementos eletrônicos, principalmente nos beats, misturamos bastante bateria acústica com a eletrônica. As composições estão mais darks com melodias mais dramáticas.

Moxine

– Como a banda começou?
Mônica: Eu sempre toquei guitarra com outros artistas e nas minhas bandas, mas eu percebi que a gente sempre dependia muito dos vocalistas (risos), o processo natural foi começar a cantar, assim surgiu o Moxine em 2009 com o EP “Electric Kiss”.

– De onde surgiu o nome Moxine?
Mônica: Eu queria um nome que não remetesse a nada, como o nome de uma pessoa qualquer, um alter ego divertido.

– Quais as principais influências da banda em geral e quais foram as principais desse EP?
Fabi: A gente gosta muito de música pop, aqueles que bombam nas listas da Billboard, MPB e indie. No processo de produção do EP a gente se inspirou em referências bem distintas uma das outras, mas estávamos nesse momento mergulhadas na sonoridade de álbuns recentes das nossas referências indies, como Arcade Fire e The Kills, além da estética 80 de Marina Lima e Kavinsky.

– Como serão as apresentações ao vivo deste EP?
Mônica: Estamos preparando um formato totalmente novo dentro do Moxine, mas os shows que temos até o fim do ano, faremos no formato visceral, baixo, bateria e guitarra.

Moxine

– Quais os próximos passos da banda após o lançamento?
Muitos shows, clipes e muita música nova.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Letrux, Carne Doce, Deb and The Mentals, BTRX, Der Baum, Camila Garófalo…. a lista não acaba!

Baby Budas investe no rock gaúcho com psicodelia e “Jovem Guarda de expansão” no disco “Baby Budas No Jardim da Infância”

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Foto: Fábio Alt

Sonoro e meigo, brincalhão e lúdico. Inspirados pela música “Buda Baby” da Graforreia Xilarmônica e unindo o profano com o sagrado, os Baby Budas fazem algo chamado pop rock psicodélico de retaguarda, ou, segundo Plato Dvorak, “Jovem Guarda de expansão”. Qualquer que deja a denominação do som do quarteto, ele pode ser ouvido em “Baby Budas no Jardim da Infância”, o primeiro álbum dos gaúchos, gravado em diversos estúdios, sempre rodeado de amigos. O disco tem a produção de Pedro Petracco (Cartolas e Ian Ramil) e foi lançado em formato fanzine pelo 180 Selo Fonográfico.

Formada por Henrique Bordini (baixo e voz), Henrique Cardoni (teclado, violão e voz), Bruno Ruffier (guitarra e voz) e Humberto Mohr (bateria), a banda de Porto Alegre mostra influências do rock gaúcho, além de incursões pelo brega, rockabilly, psicodelia e até o kraut rock, segundo eles. Conversei com o tecladista sobre a carreira da banda, o primeiro álbum e a música independente:

– Como a banda começou?

Originalmente, a banda surgiu de um desejo meu e do meu primo (Bruno Cardoni). Sempre tivemos o hábito de tocar e compor. Já tínhamos umas 3 ou 4 canções bem estruturadas quando percebemos que era hora de buscar uma baterista e um baixista para fazer essa canções acontecerem de fato. Nisso surgiu o Bordini, o baixista, que não só se dispôs a tocar baixo como também entrou junto (e muito bem) nas composições. O rapaz é d’ouro. Quanto ao baterista, apareceu numa festa, quando o Bruno e o Bordini falavam sobre música com um cara desconhecido que veio a ser o Richter, o primeiro baterista dos Baby Budas. Estava formada a banda.

– Como chegaram no nome Baby Budas? O que significa para vocês?

Baby Budas surgiu em um brainstorm e pegamos o nome por várias razões. Primeiro, porque gostamos, achamos sonoro e meigo, meio brincalhão e lúdico. Segundo, porque remete à música “Buda Baby”, da Graforreia Xilarmônica, banda gaúcha que crescemos ouvindo. Por último, construímos um sentido filosófico para o nome. É uma espécie de amalgama entre o profano (Baby) e o sagrado (Buda), é esse meio do caminho entre o kitsch do Baby, um termo pop, e a elevação do Buda. Baby Budas seria cantar este desencontro, esse lugar limítrofe entre a sociedade do espetáculo e o além mundo.

– Quais as suas principais influências musicais?

Buscando entender esse mosaico doido de influências, dá para dizer que me criei ouvindo Beatles, dei uma bandinha pelo rock mais pesado através de Led e de uma adolescência de metal melódico, depois descobri Tom Jobim e isso liberou a Caixa de Pandora do som Brasil, depois fui viciado em Bob Dylan, ano passo fiquei obcecado por Gilberto Gil. Nesse momento estou escutando Mac Demarco, Erasmo Carlos, Fleet Foxes, Paul Simon, Zombies. É muita coisa mesmo. Vou ficar por aqui, ok?

– Como você definiria o som da banda?

Pop rock psicodélico de retaguarda. “Jovem Guarda de expansão”, disse Plato Dvorak sobre os Baby Budas. Indie espertalhão. Rock gaúcho tentando fugir de ser rock gaúcho (e não conseguindo). Algo nessa onda.

– Como é seu processo de criação?

Antes de qualquer coisa eu passo um café bem forte. Daí eu escuto uma música que gosto muito e penso como eu poderia fazer algo parecido. A partir daí eu faço plágio dessa música, mas, já que minha musicalidade é muito baixa, meu plágio fica tão ruim que não parece a música original. Meu processo criativo é basicamente tirar músicas mal. Esse sou eu, o resto da banda faz diferente e melhor (mas não muito).

Foto: Gustavo Borges

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

A banda já tem 2 clipes, “Aloha Marciano” e “Pardais”. O primeiro, “Aloha”, é a gente tocando o som no estúdio Thomas Dreher, um lugar afudê de Porto Alegre. Júpiter Maçã e uma pá de gente boa gravou lá, então é legal pegar o espírito do lugar. Nesse dia, eu gravei minha voz num microfone especializado em captar bumbo de bateria, mas ficou bom, sabe? Aí tem “Pardais” que é o clipe mais fofinho que você respeita, porque é só uns cara meio deprê com quase 30 anos brincando no campo. Entre esses dois clipes, tem o nosso disquíneo de oito sons. Grande demais pra ser um EP e curto demais para ser um álbum propriamente dito, mas no nosso coração é um álbum, sim, é o “Baby Budas no Jardim de Infância” e foi todo feito com a ajuda de amigos muito competentes, como o Pedro Petracco e os guris do estúdio Casinha. O disco é um Frankenstein, feito pedaço num quarto, pedaço num sótão, pedaço em Canela, pedaço no Thomas, pedaço na Casinha, mas o resultado foi um troço querido, legítimo. A gente é aquele disco ali mesmo, que custou o que podíamos pagar e que ficou o melhor que deu graças às pessoas competentes que estão ao nosso redor.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?

A cena é feita de gente muito boa e muito corajosa. Fazer da música autoral o centro da sua vida é algo que requer realmente muito esforço, dedicação, capacidade de lidar com incertezas, o cara tem que conseguir lidar com não saber quanto vai tirar no fim do mês ou, na maioria dos casos, trampar de dia e tocar na noite, ou ter uma fonte de renda além da música. É uma pena que seja assim, mas é como vejo. Claro, rola gente boa e profissional que manja de viver disso, faz mais sucesso, sei lá. Os Baby Budas colocam muita elã vital no projeto musical, mas ninguém se vê vivendo disso. Eu trabalhei no IBGE nos últimos 2 anos, o Bruno escreve apostilas pra concurso, o Bordini tá se formando em Direito e também tá aí na batalha pra viver com dignidade.

– Como vocês veem o mundo em que o streaming é a principal forma de ouvir música? Isso é bom ou ruim?

Parafraseando Glória Prires: “não sou capaz de opinar”. Brincadeira, mas realmente entendo pouco da questão mercadológica da música. Basicamente, eu tenho uma banda e toco porque… preciso. Mas creio que a discussão se é bom ou ruim é meio infrutífera, porque essencialmente achar bom ou ruim não vai mudar o que está dado; a música hoje em dia é assim e ponto. Tem que ver o que, dentro do jogo, dá pra construir. A gente tem um arranjo que a arrecadação do Spotify vai para o 180 Selo Fonográfico. O esquema é que a gente não entende nada disso, mas o Garras, dono do Selo, curtiu nosso som e deu um apoio pra banda, pôs o disco no site pra vender, nos dá uma força nos contatos pra shows. Assim, o arranjo ficou com ele.

– Quais os seus próximos passos?

Fazer mestrado em Letras e esperar minha namorada passar no concurso pra diplomata, o que faria com que eu me tornasse Embaixatriz.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Dingo Bells, Ian Ramil, Bordines, Bife Simples, Supervão, Paquetá, Fantomáticos, Sterea, As Aventuras, Karma Dharma, Guto Leite, Croquetes, Grand Bazaar, Charlie e os Marretas, O Terno, Pedro Pastoriz, Renascentes, Ventre, Boogarins, Carne Doce, Akeem, TEM, Plato Dvorak, Os Torto, Ganapo, Gustavo Telles, Allseeone e provavelmente eu esqueci alguém.