My Magical Glowing Lens se destaca com seu “pop místico, neo-Tropicália, prog-lisérgico”

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My Magical Glowing Lens

A capixaba Gabriela Deptulski é a mente e força motriz do My Magical Glowing Lens, projeto que começou compondo e gravando sozinha todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo todas as músicas que renderam um EP auto intitulado em 2013. Em 2015, ela, que toca guitarra, baixo, bateria e sintetizador, se uniu a Gil Mello (baixo), Henrique Paoli (bateria) e Pedro Moscardi (sintetizador) para firmar a atual formação da banda, responsável por seu primeiro disco, “Cosmos”, lançado este ano pela Honey Bomb Records.

As 11 faixas do álbum mostram um pouco do que ela define como “pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico” e “Pink Floyd com beats”: uma viagem psicodélica com muitas influências de música brasileira, bandas de rock progressivo e um pouco de pop eletrônico para dar o toque final. “A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo”, explica a líder do grupo.

Conversei com ela sobre a recente passagem da banda por São Paulo, sua carreira, influências, o disco “Cosmos” e a cena independente do Espírito Santo:

– Como a banda começou?

O My Magical começou comigo gravando todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo sozinha também. Em 2015 que a estrutura de banda começou a se formar. Desde lá passamos por várias formações, até chegar nessa.

– E em que ano você começou esse trampo solo? Como foi essa transição para o formato banda?

Comecei a compor e gravar para o MMGL em meados de 2013. A transição para o formato banda começou quando eu comecei a querer algo mais abrangente e coletivo na estrutura do My Magical. Estou numa fase de desapego com relação às coisas do ego, gostando muito de trabalhar em conjunto, isso me fez ter vontade de montar uma banda, para podermos reinterpretar em conjunto as composições e termos uma variedade maior de ideias na hora dos arranjos.

– E de onde surgiu o nome da banda?

O nome da banda surgiu de uma vontade de mudar o mundo, de tirar toda a monotonia e mesmice que existe nas imposições e comodismos que vão aparecendo pra gente. É uma lente transformadora, que nos tira da zona de conforto e nos leva além!

– Vocês acabaram de fazer uma mini turnê aqui em São Paulo, né? Como foi?

Foi incrível, o público paulista é sempre muito atento. Prestam muita atenção em tudo. e ao mesmo tempo são muito livres, entendem com uma facilidade absurda as coisas que queremos passar. São Paulo é uma cidade incrível.

My Magical Glowing Lens

– Quais as principais influências musicais da banda?

Flaming Lips, M.I.A, Rihanna, Lorde, Mutantes, Secos e Molhados, Melody’s Echo Chamber, Tame Impala, Son House, Sonic Youth…. Muita coisa, viu! (Risos) Alceu Valença, Pink Floyd e Beatles também!

– Me conta um pouco mais sobre o “Cosmos”. Como foi criado este álbum?

A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo… muita coisa, viu. Difícil citar tudo, mas talvez tenha a ver principalmente com o fato de que acredito que somente o amor e a compreensão pode nos salvar da depressão e do egoísmo que estamos nos enclausurando cada vez mais.

– E como foi a gravação desse trabalho?

O primeiro EP gravei completamente sozinha, em casa, talvez volte a gravar sozinha no futuro, não sei, é tudo muito incerto. O My Magical é projeto muito livre, a atuação dele como banda agora não determina em nada seu futuro, ele é um projeto mutante e fluido, nenhuma imposição social vai tirar a liberdade que ele necessita. Mas Cosmos foi gravado como banda, na Casa Verde, sede da gravadora e produtora Subtrópico, em Vitória-ES. Eu tinha 11 demos, algumas com arranjos prontos, outras apenas voz e violão. Isso foi levado para os meninos e começamos a trabalhar nessas músicas, rearranjando, criando arranjos e fazendo partes novas para as músicas. Foi um processo lindo, estávamos no início do outono quando começamos a gravar, céu azul, vento por toda parte, folhas secas despencando da árvores. Houve muita união e trabalho duro.

– Como você definiria o som da banda pra quem ainda não conhece?

Pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico, Pink Floyd com beats 🙂

– Como anda a cena independente do Espírito Santo?

Acontecendo, mas acho que tem que rolar mais coisa. A Casa Verde tem ajudado muito no processo de evolução da cena, trazendo referências diversificadas para a cidade e ajudando o fortalecimento da pluralidade de ideias. Mas infelizmente ainda acho a cena de Vitória muito tradicionalista e fechada. Os artistas se mantém muito em posição de conforto, não enfrentam a condição do artista com a toda a coragem que poderiam enfrentar (falo de mim também). Temos que entrar mais em contato com coisas que nos transformem de verdade e nos façam sair da posição de conforto que estamos há anos e anos enclausuradas. Me sinto muito sortuda por ter encontrado a equipe que formamos para o My Magical! Todo mundo que se envolveu nisso é absurdamente corajoso e livre! Os artistas que mais me identifico fora a galera que tá comigo são o Kevin Fraisleben e o Caio Moré, que são muito novos, ainda muito escondidos. Me sinto bastante sozinha na cena capixaba, meio extra-terrestre, sabe? Mas sei também que há ali um grande potencial criativo e faço de tudo para fomentar isso. E tem muita gente fazendo o mesmo. Existem poucas mulheres fazendo música também, estou atuando intensamente para mudar isso.

My Magical Glowing Lens

– Isso você acha que se deve ao machismo que permanece vivo no mundo da música? Ou acha que aos poucos isto está melhorando?

As duas coisas, os homens ainda são muito privilegiados na música e em também em outras instâncias. Mas sinto de verdade que estamos com mais espaço!

– Quais os próximos passos da banda?

Começar a compor novas músicas, fazer dois vídeos para álbum, tirar o “Piper at The Gates of Dawn” inteiro, fazer parcerias com artistas que amamos, amar, amar a tudo e todos incondicionalmente 😉

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Pensando… Catavento, Bike, OkLou, Hierofante Púrpura, Antiprisma, Tagore, VentreBoogarins. Boogarins mãe e pai de todos, né? Melhor banda. O TernoKatze. Ah, Supervão e Musa Híbrida, são bandas muito boas!!

Venus Café traz seu rock ultrajante e vigoroso pela primeira vez para São Paulo neste final de semana

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Eu sei que pode parecer preguiçoso colocar parte do release da banda na abertura da matéria, mas é impossível não reproduzir este texto que define muito bem a orgia musical cheia de bom humor que é o Venus Café: “Com palhaçadas ultrajantes que incluem um figurino roubado do guarda-roupa de Steven Tyler, pulos e trejeitos emprestados de David Lee Roth e uma voz estridente apanhada do próprio Freddie Mercury, o irresponsável vocalista Dangerous Dan tem liderado o quarteto que vem há anos batalhando no circuito alternativo carioca. A conjunção de alta energia, refrões cativantes e culto sem remorso do rock clássico gradualmente tem lhes valido seguidores fanáticos simplesmente no boca-a-boca. Afinal de contas, pra quê pedir um bolo sem cobertura se ele pode vir cheio de glacê, cerejas e enfeites?”, diz o texto da página dos cariocas.

Formada por Dangerous Dan (vocal), Captain Love (baixo), Frankie Goes (guitarra) e Jules Brasa (bateria), a banda lançou em 2016 o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, que segundo Dan define bem o som da banda. Juntando quatro faixas compostas desde os primórdios da banda, o disquinho é apenas um aperitivo do que vem por aí no começo de 2017, quando lançarão um novo trabalho. Nos dias 23 e 24 de junho o quarteto carioca invadirá a selva de pedra paulistana com quatro shows, sendo três deles em uma maratona hercúlea no sábado, Dia da Música.

Conversei com Dan sobre a carreira da banda, o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, o duvidoso nome anterior do grupo, a cena musical independente e muito mais:

– Como a banda começou?

A banda vem da infância. Eu e o Gabriel (Captain Love, baixista) somos primos, e fazemos isso desde que nos entendemos por gente. Começamos fazendo videos engraçados dublando nossas bandas favoritas. Depois, na adolescência, começamos a aprender música e compor nossas primeiras canções (algumas que tocamos até hoje!). Isso tudo foi em Volta Redonda, interior do RJ. Mais tarde, viemos pro Rio de Janeiro ganhar a vida, e a banda naturalmente veio junto. Começamos a levar a parada mais a sério, correr atrás de shows e etc.

– E como surgiu o nome Vênus Café?

Pô, vou me permitir uma rara sinceridade aqui. Nos primeiros a primeira fase da banda era bem esculachada, e atendia pelo jocoso nome de Dakocaga. Para bons entendedores, dá pra sacar. Horrível, né? (Risos). Daí vimos que isso era um empecilho para o crescimento da banda, e eu e Captain ficamos um mês insanos até chegarmos a este nome. Legal, soa bem, passou bem o conceito que redesenhamos para a banda. E funciona bem em qualquer idioma! 😛

– Mas ele tem alguma inspiração em específico ou foi nos testes mesmo? Como ele se liga com o conceito da banda?

Seu curioso…. Eu querendo fazer um misterinho aqui (risos). Levantamos umas 50 hipóteses, refinamos pra 5
daí numa bela noite, comendo um podrão na esquina após um ensaio, eu chego para o Captain e falo “cara, já sei: um puteiro!”. Fala um nome bom, mas que não dê na pinta e pelamordedeus não seja politicamente incorreto – já havíamos gasto dez vezes esta cota com o nome anterior. Um, dois, três palpites e aí veio o Venus Café
que se alia às keywords da banda, que são basicamente o Rock e o Tupiniquim. E ainda mantém um claro elo com amor e/ou safadeza, que é outra temática favorita nossa! Colei até uma Venus de Botticelli na minha guitarra (risos)!

– Agora me conta qual é o conceito da banda. O lado do humor continua em pauta ou foi embora junto com o nome fecal?

(Risos) lembrando que “Caga” era a parte mais leve do nome antigo… Anyway: sobre o humor, demos uma filtrada sim. Pra tornar o projeto mais vendável, sim 😊 Ao mesmo tempo em que a gente foi desenvolvendo em laboratório o nosso que, modéstia às favas, é explosivo. Daí demos uma bandeada do “pastelão + Jackass” para uma coisa “rockão pressão + amor”, mas isso funciona mais no conceito mesmo. A parada é que somos primos e melhores amigos infantilóides que veneram toda a filmografia do Will Ferrell. Então o lance da piada continua forte mesmo
nos shows, sobretudo. É o meu lado entertainer, stand up comedian (sei lá se já te falei desse trampo). Não dá pra correr disso, afinal.

Venus Café

– Então vamos fazer um parênteses e falar desse negócio de stand up comedian. Explica isso aí.

Digamos q eu tenha uma formação de “curioso” em artes cênicas. Fiz um cursinho de interpretação aqui, uma oficina ali. Não manjo nada, num põe aí q eu sou ator não, pelamordedeus! Entre um trampo e outro, o mais massa que tem rolado é com o Rock in Real, que começou como um evento da banda Balba, aqui do RJ. Daí o David Obadia, baterista da Balba e um completo gênio do audiovisual + amante latino vegano, me chamou pra fazer os teasers do evento. E esses teasers bombam no FB, a produção cresceu, os eventos lotam. Daí eu entrei pra produção com ele também, e a última ideia do patrão Dave foi fazer um canal do YouTube. Que eu não to nem um pouco à vontade ainda, admito. Mas vamos apurando o produto… Ah, eu faço os intervalos do evento também. É fácil: quanto mais bêbado eu fico, mais eu falo merda, mais a galera ri. É irado 😛

– Voltando à banda: me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

‘Rock n’ Roll Tupiniquim’ é de certa forma um símbolo desta primeira fase nossa. Tem músicas que foram feitas ao longo de dez anos, em VR (as mais adolescentes) e no RJ (as mais “rock n’ roll pra dançar”) a gravação foi uma obra de igreja, se estendeu de 2014 até 2016. Passaram uma três formações da banda lá. A mix trocou de mãos algumas vezes até parar no Celo Oliveira, um cara fabuloso e um belo pai de família. Gravamos umas 15 músicas, mas a real é eu sou tão exigente que só fiquei feliz com as quatro que publicamos. Então saiu como EP mesmo, porque depois de tanto tempo tinha que sair alguma coisa, né? E essas que saíram eu sou MUITO orgulhoso delas. Estão exatamente do jeito que estavam na minha cabeça neste tempo todo. O que eu nunca imaginei q seria possível (risos)! Outra parada de que eu me orgulho é que nessas mudanças, eu é que gravei a bateria! Outro fun fact: bateria é o meu instrumento predileto, o primeiro que aprendi a tocar aos 9 anos (quando eu ouço uma música pela primeira vez, é o q eu presto atenção e começo a fazer air drums). Fechando o lance do EP, a repercussão foi ótima, fizemos um PUTA show de lançamento no Imperator, uma casa gigante aqui do RJ onde já tocaram Ramones, Pantera, Megadeth e Mara Maravilha (true story!)

– Como você vê a cena independente hoje em dia, especialmente aí no RJ?

Cara….. Pra essa dá pra ser mais sintético. Obviamente sou um insider na cena, mas sempre tento olhar com o viés de público ou um businessman de fora. Existem zilhões de bandas, muitas muito boas, muitas são talentos desperdiçados, porque se perdem nos mais variados motivos. Muita porcaria genérica-carioca-filho-bastardo-do-Barão-Vermelho-com-o-Emerson-Nogueira, zero criatividade e relevância. Mas a minha opinião sintética é: pra se configurar de fato uma cena, falta apenas uma componente, só que é a fundamental: PÚ-BLI-CO. Todo e qualquer movimento artístico que se prezou, que se sustentou em algum lugar ou em alguma época, era eminentemente um movimento de massa. É puxado pelo público, e não empurrado. Pensa aí em qualquer um: Manchester nos 80, o britpop, o punk, Seattle, os Beatles, o iê-iê-iê, o funk, o renascimento, a pop art do Warhol, o indie sem sangue de NYC que virou o indie britânico dos Arctic Monkeys e as cenas brasileiras, porque não? BR Rock nos 80, Brasilia, punk xixi em SP… Enfim, tudo sempre teve como base o público, e essa componente infelizmente falta aqui, e é com pesar que eu te digo isso. É uma solução que eu não sei, se eu soubesse eu aplicaria imediatamente à minha banda. Adicione a isso alguns fatos como: pessoal aqui no RJ não tem cultura, o hábito de sair de casa pra consumir cultura, e muito menos de pagar por isso. Pra ir de chinelo na praça vagabundo vai e gasta 100 reais num chopp com sobrepreço nas alturas, agora pra pagar 20 contos e ver uma banda fuderosa que investiu pra caralho, ou uma peça independente de um grupo que estudou pra caramba, uma mostra de artes plásticas… Enfim. Apesar destes pesares, eu vou morrer um entusiasta e tentando. Tem mil pessoas boas, talentosas e de coração muito bom trabalhando muito pelos seus projetos. Isso faz tudo valer a pena.

– Quais são os próximos passos da banda?

Em agosto lançamos um single + video desse EP. Na virada do ano sai o álbum novo, já em fase avançada de pré-produção. Ou melhor, joguei ele pra janeiro/fevereiro pra aproveitar o buzz do Carnaval, que tem de tudo pra ser novamente os nossos 15 milissegundos de fama. Daí dá um boost na divulgação do trabalho.

Venus Café

– Dá pra adiantar algo sobre o novo disco?

Pooooooô, esse aí tá meio segredo! (Risos) Só te digo que tem de tudo pra ser maior e melhor. E que eu não vou descansar até essa parada fazer um barulho bacana. É o crescimento do projeto, em todos os sentidos: produção, composição, execução, novos temas. E também comunicação e marketing, por supuesto 😉

– Aliás, cês vão fazer uma passagem relâmpago por São Paulo agora, né?

Hell yeah! Estaremos aí entre os dias 23 e 25/06, inicialmente iríamos para tocar no Dia Da Música, mas algumas gigs caíram, outras surgiram. Teremos: sexta, 23/06, na Golden Line Tattoo, um rolé na Zona Leste. Dizem que é massa, rock n’ roll pra caramba. Sábado, 24/06, é jornada tripla (e heróica): começamos no palco que o coletivo Voz do Undergound monta na Praça Eugene Bodin, em Pinheiros. Punk porrada. Depois descemos a Rebouças até o Ouvidor 63, estou doido pra ver como é essa ocupação que rola lá. Daí partimos pra Santo André, onde tocaremos num Pub rockão de lá, o Jailhouse 2. Em todos estes rolés, só fiz contato com gente maravilhosa
estou impressionado com o profissionalismo e o bom caráter da galera aí de SP. Como sempre digo, SP é primeiro mundo. (Se isso for uma opinião distorcida, por favor não tira ela da minha cabeça! (Risos) Eu adoro pensar e sentir isso)

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos e todo mundo devia ouvir!

Hmmm, tarefa árdua! Vou me ater ao RJ pra conseguir fechar uma lista: Mobile Drink, um rockão forte, alto e bom, Balba, indie rock pra dançar com refrões de hino, pra cantarolar amarradão, Ricochet, anos 90 na veia, vai direto no coração, Carbo, stoner pesado de Volta Redonda. Molecada novinha mas parece q eles já nasceram sabendo TUDO! The Bunker Band, um britpop mais bem-feito que 90% das bandas da Inglaterra hoje em dia fazem. Detalhe: eu simplesmente não os conheço pessoalmente, nunca fui a um show, mas ouvi e pirei.
é isso. Um top five (risos)!

Zav estreia seu projeto solo mostrando influências de Lana Del Rey no clipe de “Música Esquecida”

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Zav

Victória Zav começou a cantar quando era ainda criança, e graças à um show de talentos na escola nunca mais parou. Além de fazer parte da banda Serapicos, agora Zav lança o primeiro single de sua carreira solo, “Música Esquecida”, com influências de Lana Del ReyHiatus Kaiyote, Chet Faker e “um pouco de rap”, segundo ela. A música, com pegada eletrônica e indie, ganhou um videoclipe cheio de colagens. “Me inspirei faz tempo com esse conceito com o clipe “Video Games” da Lana Del Rey. Inclusive quando eu tava buscando stock footage pra colagem achei a fonte de alguns excertos que ela usou (risos)”, conta.

Conversei com a cantora sobre o primeiro single, suas influências, o EP que vem por aí, a carreira solo e a cena independente atual:

– Bom, primeiro, me fala um pouco mais sobre este single que você acabou de lançar!

Esse som de início eu gravei bem acusticão, home-studio! Ele tinha linhas de tarka, uma flauta boliviana (ainda tem na introdução), gravei pau de chuva também, umas coisas bem étnicas. Depois fui formando esse conceito de timbre que eu queria e acabou numa pegada eletrônica. O clipe é uma video colagem, me inspirei faz tempo com esse conceito com o clipe “Video Games” da Lana Del Rey. Inclusive quando eu tava buscando stock footage pra colagem achei a fonte de alguns excertos que ela usou (risos).

– E vem um disco completo por aí?

De início estou preparando alguns singles, mas pretendo lançar um EP em breve.

– E o que podemos esperar nesse EP?

Serão músicas bem diferentes entre si, mas com um contexto em comum. Nele eu pretendo seguir nessa pegada eletrônica.

– Qual a diferença do seu trampo solo com o que você faz no Serapicos?

Eu poderia dizer que todas possíveis! (risos) O Serapicos tem um formato banda, enquanto meu projeto tem essa coisa de eu como frontwoman e um backing track rolando. As músicas do Serapicos são compostas pelo Gabriel e eu entro como intérprete. Pra Zav eu tô ali a compôr, arranjar e idealizar meu próprio projeto. A única coisa que vejo em comum é que são ambos projetos independentes de música autoral.

– Quais as suas principais influências musicais nesse trabalho solo?

Eu ando altamente interessada numa influência lo-fi, trip-hop, mas gostaria de manter minha matriz brasileira na linha, se é que me entende. Falando em bandas, não diria pelo gênero em si (pela mistura que pretendo), mas talvez pela timbragem eu diria: Hiatus Kaiyote, Chet Faker, Lana Del Rey, Gorillaz, um tanto de Jamiroquai e algumas batidas pontuais de rap.

– Como você começou sua carreira?

Comecei bem cedo, com 14 anos, num show de talentos da escola. Já tinha alguma noção musical mas jamais havia subido num palco até então. Fiz uma apresentação com meu pai (que também é músico) e no backstage conheci o Phillip Nutt, o qual me iniciou nos palcos e estúdios. Ele compunha, eramos um duo folk autoral.
Por meio desse projeto conheci a Serapicos, também.

Zav

– Conta mais desse projeto folk do começo!

Esse projeto era incrível! Tive oportunidade de tocar em lugares como o Café da Mata, que já recebeu vários artistas bacanas do MPB. Também fizemos um programa especial pro circuito Sesc onde interpretamos repertórios clássicos do Folk como Joan Baez e Bob Dylan, com uma formação de banda absurda. Além de todo o circuito underground onde fazíamos apresentações acústicas intimistas. Também gravamos um disco, “To Whom it May Concern”, com produção do Luiz de Boni, d’O Terço, que faleceu recentemente. Ele chegou a tocar teclado conosco em algumas apresentações, foi meu primeiro produtor. Agradeço até hoje pela honra de ter trampado com ele, ainda mais nova que eu era.

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Pô, tem uma galera incrível nela. E ainda tem gente que tem a coragem de me dizer que “não existe mais música boa, estacionou nos anos 90”. Existe sim, mas tá todo mundo no independente, tocando no underground e precisando do apoio do público. Mas esse apoio tá crescendo e eu vejo um futuro promissor pro cenário independente, até por isso que boto fé em fazer parte dele. A galera se une e faz um som, e a internet fortalece isso. Tá começando a ficar obsoleta essa ligação com gravadora que existia antigamente.

– E como você acha que essa cena independente pode crescer e atingir mais público?

É duro dizer e pode até ser mal interpretado como chatice de músico, mas costumo dizer que existem algumas verdades nas chatices que os músicos tentam te dizer: Precisamos que as pessoas consumam música com mais consciência. Consciência de que aquilo é uma obra de arte pensada e estruturada com muito sentimento e trabalho árduo pra você escutar. Não tenho nada contra música produto, contra quem toca na rádio, na TV; mas as pessoas precisam saber que existe vida musical pulsando além disso. Vá em shows de artistas independentes, aprecie e fale sobre o trabalho de quem ainda não pertence a grande mídia. Acredite em quem está tentando mostrar algo novo em termos musicais.

– Ou seja: não adianta ficar reclamando que a música boa parou nos anos 90 se você não prestigia quem faz música boa fora do radar do mainstream hoje em dia.

Exato. Amém, brother! A música precisa parar de ser vista como um produto a ser consumido e mais como uma manifestação artística.

Zav

– Quais são seus próximos passos musicais?

Me trancar no estúdio, gravar mais alguns singles e depois idealizar meu EP. Depois do EP acredito que haverá um show de lançamento. E em breve sai mais um clipe! Eu prometo aparecer nesse. 😛

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vamos lá: Marina Melo, Cynthia Luz, Lay Dirty, Camila Garófalo, Luiza Lian, Molodoys, Picanha de Chernobill, Malli, Rafael Castro, Viratempo.

“Sou e continuarei sendo resistência no rap e na música, campo minado de machista”, brada a rapper BrisaFlow

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BrisaFlow
BrisaFlow

Filha de chilenos e nascida em Belo Horizonte, Brisa De La Cordillera é conhecida como Brisa Flow e apesar de se focar no hip hop, tem uma musicalidade livre, misturando em seu caldeirão sonoro música latinoamericana, rap, reggae, eletrônica e até pitadas de punk rock. Sua carreira começou em 2010, participando da cena cultural mineira, mudando-se em 2012 para São Paulo, onde participou de diversos projetos e eventos relacionados a música e aos direitos das mulheres. Sua música “As de Cem” ficou entre as virais do Spotify em 2015 e ela recebeu o prêmio Olga “Mulheres Inspiradoras”.

Em 2016 lançou seu primeiro disco completo, “Newen”, de forma independente. O trabalho, com direção musical de Dia Chocolate Studio, mixagem de Givnt e masterização de Luis, da Flapc4, apareceu nas listas de melhores discos do ano do Estadão, Brasileiríssimos e Noticiário Periférico. Agora, Brisa prepara um novo projeto para os próximos meses. “Quero misturar os instrumentos que toco com meu som e mais uns parceiros”, conta. “Quero usar o que estou aprendendo na facul pra mesclar com o rap”.

Conversei com ela sobre a mulher no universo do hip hop, o disco “Newen”, o rap no topo das paradas e mais:

– Como você começou sua carreira?

Comecei cantar pequena como diversão, transformava umas músicas em rap e gostava de pegar os rap e cantarolar. Aos 13 me envolvi com a cena underground de BH, punk e rap. Tive uma banda, fiz parte de grupo e coletivo. Comecei a cantar rap sozinha aos 19. Passei por várias quebradas pelo Brasil e aos poucos minha carreira solo criou asas.

– Quais as suas principais influências musicais?

Minhas influências são diversas e mutantes. Escuto muita música latinoamericana de protesto: fui criada ouvindo Mercedes Sosa, Silvio Rodriguez, Violeta Parra, Victor Jara, Bob Marley, The Doors, Janis Joplin. Lauryn Hill, Badu e Sade fizeram minha cabeça e ainda fazem desde a adolescência. Atualmente tô viajando ouvindo o novo do Kendrick, o disco “Djonga”, a Sza, psicodelia e uns discos de jazz. Amo muito a Alice Coltrane, ela pra mim é uma grande inspiração, compositora braba e infelizmente pouco conhecida por ter sido casada com o Coltrane. Recomendo o “Journey to Satchidananda”, discaço!

– Me fala mais sobre o trampo que você já lançou.

Ano passado lancei o “Newen”, disco com referências ameríndias e bases que misturam boom bap trap e música eletrônica. O Dia Chocolatee Studio foi o diretor musical, o Givnt fez a mix e o Luis da Flapc4 a master. Eu tentei juntar beatmakers que eu curtia espalhados pelo Brasil e minhas letras sobre a liberdade de poder ser quem somos, sendo mulheres e sendo plurais. O disco está disponível para download gratuito no site do One Rpm e pra ouvir em todas plataformas digitais.

– A internet hoje em dia é uma grande força para MCs e rappers independentes. Como você vê isso?

Acredito que com a internet podemos divulgar melhor nosso trabalho e nossa luta não é tão censurada e barrada por macho como antigamente, quando não tínhamos internet.

BrisaFlow

– Tenho visto um levante feminino no rap, um estilo que, como muitos outros, é conhecido por ter uma grande carga de machismo. Como é isso pra você?

Fui, sou e continuarei sendo resistência no rap e na música em geral, campo minado de machista!

– Como é seu processo de composição?

Depende do tipo de composição. Quando tô com a energia em baixa e sinto que preciso escrever, me fecho um pouco na minha casa, passo o dia na quebrada, ligo uns beats, instrumentos, briso na brisa. Tem dia que a música já vem com a bala na agulha, é só começar escrever que sai umas letras loucas, às vezes a beat no meio da rua ou no metrô/busão…

– Porque as letras mais politizadas e com posição não chegam tanto ao mainstream?

Letras politizadas fazem as pessoas refletirem. Imagina a rádio e a TV propagando discurso de desconstrução contra algo que eles mesmos construíram. Revolução pero no mucho. Porque será que eles não tão afim que essa mensagem chegue muito?

– Como você vê o rap voltando ao topo das paradas nos últimos anos?

Rap merece o topo. Música completa pelo tráfico de informação, fácil comunicação, cultura ao mesclar samples de outros estilos musicais e por aí vai. Fico feliz, a cultura hip hop tem muito a conquistar.

BrisaFlow

– Quais seus próximos passos?

Músicas novas estão pra sair logo mais no Spotify e tô com um projeto de misturar os instrumentos que toco com meu som e mais uns parceiros. Logo mais, novidades! Quero usar o que estou aprendendo na facul pra mesclar com o rap. Sigam o Instagram que lá rola vários livros desse projeto no embrião!

– Recomende artistas e bandas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Gosto de manas atuais da nossa cena que estão fazendo um lindo trabalho: Anna Trea e Tati Botelho!

“Mulheres do mundo do rock, uni-vos!”, proclama o trio paulistano The Zasters

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The Zasters

O power trio paulistano The Zasters foi formado em 2015 por Juliana Altoé (guitarra, voz), Barbara Chela (baixo e voz) e Nabila Sukrieh (bateria e voz). O grupo acaba de lançar seu primeiro EP ‘This is a Disaster’, produzido por Alexandre Capilé (Sugar Kane e Water Rats) no Estúdio Costella. Agora, a banda ainda prepara-se para lançar o clipe de seu primeiro single “Awesome Dance Moves”.

Conversei com elas sobre a carreira da banda, o primeiro lançamento e o machismo recorrente no mundo da música e fora dele:

  • – Como a banda começou?

Juliana: Eu e a Barbara (Babs pros íntimos) nos conhecemos praticamente desde sempre, e sempre gostamos de música e desde a sexta série decidimos formar uma banda na escola, porém faltavam mais pessoas que quisessem o mesmo. No ensino médio, formamos uma banda para tocar nos eventos da escola e continuamos com esse hobby por mais um tempo, até que decidimos que queríamos algo mais sério. Nesse ponto a formação mudou e a The Zasters que conhecemos hoje foi formada com a entrada da Nabila na batera!

– De onde surgiu o nome da banda?

Babs: É um trocadilho sonoro com a palavra ‘disaster’, desastre em inglês… Claramente o contrário do que somos. 😉

– Quais são as suas principais influências musicais?

Juliana: Sempre tivemos influências bem distintas (risos). Eu, particularmente, gosto de rock dos anos 70, e a Babs e a Na curtem mais sons atuais. Mas algumas bandas que ouvimos em comum são Arctic Monkeys, The Kills, Franz Ferdinand, entre outras do indie dos anos 2000.

– Me contem um pouco mais sobre o material que já lançaram.

Nabila: Já lançamos nosso EP ‘This is a Disaster’ em abril/2017 nas plataformas digitais (Spotify, Apple Music, Deezer, etc.) e também no Soundcloud, Bandcamp e YouTube! É o nosso primeiro EP e estamos muito animadas em fazer mais músicas e tocar por aí. 🙂

– Como é seu processo criativo?

Babs: Normalmente, escolhemos qual o estilo que cada música vai seguir, buscamos algumas referências, e vamos para o estúdio testar (e testamos muitas possibilidades até sair do jeito que a gente quer). Em relação às letras, é comum montarmos toda a estrutura instrumental, depois colocamos letra e melodia.

The Zasters

– Como vocês veem a cena independente autoral hoje em dia? Como é a vida de uma banda independente?

Nabila: A cena independente, como o nome já diz, depende muito dos próprios artistas para sobreviver. Por um lado, cada vez menos pessoas estão interessadas em descobrir músicas novas indo a shows, mas por outro está tudo na disponível na internet, então acontece uma certa divulgação, mesmo que pequena, principalmente por parte dos blogs. Mas ainda assim, o investimento é muito alto e é difícil ver bandas que tenham algum retorno financeiro. Uma banda atualmente tem que ter muita perseverança para tentar conseguir divulgar o seu trabalho e tem que correr atrás, promovendo os próprios eventos, pois poucos produtores acreditam no potencial a longo prazo que uma banda independente pode gerar.

– O machismo continua muito forte no meio musical? Vocês já sofreram com isso?

Babs: Infelizmente, sim. É comum subirmos no palco e encontrar pessoas que acham que estamos pra brincadeira. A parte boa é que, no final, essas pessoas saem do show com outra impressão.

– Vocês acreditam que o número de bandas formadas somente por mulheres têm aumentado? Aquele negócio de “rock é só para meninos” já passou (finalmente)?

Juliana: Estamos vendo, sim, um aumento das bandas formadas por mulheres, mas uma banda exclusivamente de mulheres está muito longe de ser 5% de todo o cenário musical atual. O preconceito de que mulher não sabe fazer rock ainda é muito forte. Existem vocalistas muito boas na cena, mas ainda vemos poucas instrumentistas por aí. MULHERES DO NOSSO ROCK, UNI-VOS! Vamos mostrar que mulher sabe SIM fazer rock!

The Zasters

– Quais os próximos passos da banda?

Nabila: Estamos programando uma festa de lançamento do EP em julho (fiquem atentos nas mídias sociais da banda para mais infos). Depois da festa faremos um clipe de uma das tracks do EP, e quem sabe mais pra frente tenham mais clipes por aí e gravar um CD! Vamos também tentar buscar mais shows para nos estabelecermos na cena.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Todas: Como as bandas independentes tem cada vez menos espaço nas casas de show e na mídia em geral, é bem difícil indicar artistas independentes (no sentido literal da palavra) aqui. Até mesmo os menores artistas que ouvimos, principalmente de fora, tem uma gravadora por trás, acreditando no trabalho deles. Indicamos então a Grimes, uma musicista muito interessante que sempre grava suas músicas no estilo DIY, a banda Franklyn e a Der Baum.

Zebu ajuda a reconstruir artistas populares como Belo, Kelly Key e Sandy e Junior em seus remixes

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Guilherme Pereira, de São José dos Campos, é o cara por trás do projeto Zebu. Com a ideia de criar “música feita para embalar seu coração”, o DJ faz covers remixados de sucessos que podem ser chamados de bregas ou popularescos, como “Olha O Que O Amor Me Faz”, de Sandy e Júnior, “Essa Tal Liberdade”, do Só Pra Contrariar, e “Direito de Te Amar”, do Belo. Até o popular “Rock do Ronald”, jingle do McDonald’s, ganhou uma versão trap que faria qualquer pista de dança balançar sem ao menos pensar em Big Macs.

“A não ser que as pessoas sejam muito eruditas, quem xinga esse tipo de música falando que é absurdamente pobre está provavelmente errado. Escrever uma melodia pop é uma coisa difícil, uma letra catchy também”, explica. “E nem precisa ir tão longe: um monte de produtor “fã de música eletrônica de grave forte” xingando funk pra caramba e não conseguem fazer um sub pesado que bate forte igual o DJ R7“.

Conversei com ele sobre estes covers remixados, suas inspirações e seus futuros projetos autorais:

– Como você começou sua carreira musical?

Eu tive uma banda em 2008 de pop/rock internacional, tinha uns 15 anos, e depois fui pra outra banda que tocava mais as paradas no naipe Raimundos, assim. Foi gravando as coisas com as bandas que eu vi que eu gostava muito do estúdio em si, gostava muito de editar, mixar, arranjar as coisas. Aí fui pra Inglaterra estudar som em 2015, mais focado pra banda, infelizmente meu curso lá faliu e eu tive que voltar no meio do ano, então de brincadeira comecei a fazer alguns mashups, foi meu primeiro contato com a música eletrônica em si.

– E como foram esses primeiros mashups?

Era bem mais voltado pro humor, misturando artistas pop gringas com MC Carol e uns videos brisa, Stranger Things com “Passinho do Romano”, músicas bestas sobre temas tipo temaki…

– E como você se desenvolveu disso para o projeto atual?

Eu comecei a ouvir muito Flume Gill Chang e tava um pouco com medo de fazer uma parada mais séria e não ser aceito, aí meio que um dia assistindo um DVD do Belo eu pensei em fazer uma coisa que fosse visualmente/conceitualmente zoeira mas musicalmente sério…foi como eu fiz “Direito de te Amar” que foi meu primeiro remix pra valer mesmo.

– Sim! Aí você começou a pegar artistas ditos “bregas” ou populares e remixá-los. Quais você já fez?

(Risos) Não sei se usaria a palavra brega… Talvez inusitado, eu gosto bastante desse tipo de música. Já fiz remix de Belo, Maiara e Maraísa, Só Pra Contrariar, Kelly Key, Sandy e Junior, Matheus e Kauan, e mais recentemente (hoje!) Kasino.

– E você teve alguma resposta dos artistas que remixou? Alguém se pronunciou?

Cara eu meio que sei que o Belo já escutou e gostou do dele, mas não por fontes muito oficiais…O da Maiara e Maraísa a Universal Music gostou e licenciou, não sei se passou por elas…

– Porque você escolheu fazer remixes de artistas mais populares?

Eu nunca fui muito fã de coisas underground, acho síndrome de underground uma chatice sem fim. Sempre fui muito fascinado por música popular mesmo… Quando era novo com 13, 14 anos, mesmo na minha fase mais roquista, fãzaço de Led Zeppelin, Beatles, eu ainda escutava muito Tchakabum, N*Sync, Backstreet Boys… Já tive uma banda que fazia covers dessas coisas tipo Kelly Key em versões meio Raimundos e tal, sempre foi minha pegada escutar muita música pop. Então acho que é por aí, é meio que “eu” fazer isso (risos).

– Então a ideia é também tirar um pouco desse preconceito que essa galera “cool” têm dos artistas populares.

Sim, cara, a não ser que as pessoas sejam muito eruditas, quem xinga esse tipo de música falando que é absurdamente pobre está provavelmente errado. Escrever uma melodia pop é uma coisa difícil, uma letra catchy também. Uma pessoa que quer mexer com música eletrônica e renega a qualidade de um álbum tipo “ArtPop” da Lady Gaga está provavelmente fechando os olhos pra algo que poderia ser uma referência foda, de artistas fodas. E nem precisa ir tão longe: um monte de produtor “fã de música eletrônica de grave forte” xingando funk pra caramba e não conseguem fazer um sub pesado que bate forte igual o DJ R7.

– Quais são suas maiores influências musicais?

Dos brasileiros sou muito fã de Toquinho, Tom Jobim… Na parte eletrônica gosto muito de OMULU, do TIN , João Brasil (risos). Da gringa sempre escutei muito Daft Punk, mais recentemente tenho ouvido artistas tipo San Holo, Gill Chang e Flume.

– Você pretende lançar trampo mais “autoral”?

Cara, eu enrolei, pois tive que resolver a história do Kasino. Pretendo sim! lançar 2 ou 3 faixas autorais ate o fim do ano!

– Pode adiantar algo sobre elas?

Basicamente tenho a ideia de manter o meu estilo, com letras em português e ser brega/pop no estilo “Future Sertanejo” mesmo. Talvez algo instrumental, mas basicamente quero fazer algo pop!

– Você acha que mesmo os cantores de funk e sertanejo estão pendendo para o pop, como aconteceu com a Anitta e o Luan Santana?

Se eu acho que eles estão migrando? Acredito que sim, muitos artistas de funk e de sertanejo tem colocado elementos mais mainstream pra deixar as coisas mais “digeríveis” pra um público menos de nicho, na minha opinião. Acho que não é nem questão de abandonar seus estilos, sinceramente…ainda tem uma essência do original ali. É só tentar ser menos de nicho eu acho…

– Quais seus próximos passos musicalmente?

Tentar consolidar minhas músicas originais, fazer cada vez mais remixes oficiais e lançar mais remixes 🙂

– Recomende bandas, artistas e DJs independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nos últimos tempos quem me chamou atenção foi um duo gringo de Future Bass chamado DROELOE, além do brasileiro e meu amigo Vhoor, que tem feito umas beats muito inovadoras!

A força motriz dos Capotes Pretos na Terra Marfim está na mistura de ritmos sem pudores

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Capotes Pretos na Terra Marfim

Com uma base de fãs construída com talento e muitos shows em calçadas e espaços públicos, os cearenses do Capotes Pretos na Terra Marfim lançaram em 2015 seu primeiro disco, auto-intitulado, explorando todas as misturas de sonoridades que lhes vem à cabeça em 10 faixas. O sucessor do primeiro EP, “A Casa”, foi produzido pela Mocker Studio e é totalmente orgânico, com sons inusitados como o do charango, instrumento de cordas andino.

A banda, formada pelos multi-instrumentistas Moisés “Zéis” Filipe, Freddy Costa, Eudenia Barros, Marcelo Freitas e Artur Mendonça, possui uma personalidade musical que se alterna entre o rock e a MPB, com pitadas de alt-country. “Percebo que nós estamos sentindo também uma vontade maior de fazer referência a produção musical nordestina. Os caminhos melódicos dos arranjos”, explica Zéis.

Conversei com a banda sobre seu primeiro disco, o som eclético e denso que produzem, a cena independente nordestina e muito mais:

– Como a banda começou?

Zéis: A banda começou em 2012. Eu tinha umas composições e tinha ideias de arranjos pra elas, mas num tinha banda. Na época eu tava envolvido em dois projetos no teatro, fazendo trilha sonora. Nesses projetos conheci o Marcelo Freitas e o Freddy Costa. Então falei com eles sobre as composições e eles decidiram se juntar. Dentre as ideias de arranjo tinhas composições que a gente vislumbrava a presença de um violoncelo. Daí eu lembrei da Eudenia Magalhães, que eu tinha conhecido num curso de Francês e a gente convidou ela pro fazer participação nessas musicas. Acabou que ela ficou de vez. E o Artur entrou quando fomos fazer o primeiro show em palco aberto e precisávamos de de bateria, era numa mostra de bandas universitárias. E ai pensei nele que tinha conhecido dentro do curso de música da UFC (Universidade Federal do Ceará).

– E como surgiu o nome da banda? O que ele significa?

Eudenia: Cara, esse nome é uma grande figuração de como funciona o clima da banda: uma mistura de nomes e significados que deixa livre pra qualquer interpretação (risos). Na realidade, nessa mesma época que nós estávamos nos reunindo pra formar o grupo, viajamos pra um interior do Ceará pra casa do tio do Marcelo Freitas, em São Luis do Curú. Era um sítio isolado das outras casas, e nos dias que ficamos por lá, arranjamos praticamente todo o primeiro trabalho da gente (o EP “A Casa”). Lá tinha muitos animais, incluindo capotes (galinha da angola). Tentamos uma brincadeira com o nome do bichinho e o próprio lugar, que era meio cor de terra seca, como marfim… misturamos as coisas, como acontece com as músicas também (risos).

– Quais as principais influências musicais da banda?

Artur: Bem, esse assunto é fácil e difícil ao mesmo tempo. Cada um do grupo possui diferentes influências e tipos de formação musical. Temos desde ex-integrantes de orquestras e bandas de fanfarra, passando por outras bandas independentes que já participávamos, dentre outras coisas. Assim, cada um trouxe um pouquinho pra dentro do grupo, suas bandas preferidas, sonoridades, dando uma cara muito diversa ao grupo, e que ao mesmo tempo consegue ter uma sintonia – não sei como, mas conseguimos. Dai, em cada produção usamos como referências vários grupos, dependendo do conceito, da cara que queremos dar a composição. Já passamos por Los Hermanos, Beirut, Legião, Raul Seixas, Coldplay… A lista não tem fim, até porque o som do grupo também se atualiza.

– Como vocês definiriam o som da banda atualmente?

Zéis: Pois é, já ia falar sobre isso quando o Artur falou essa coisa de usar referências que servem pros momento da banda e pra estamos buscando naquele momento. Acho que atualmente a gente é uma banda que soa mais elétrica, a primeiras composições tinham uma pegada bem acústica. Percebo que nós estamos sentindo também uma vontade maior de fazer referência a produção musical nordestina. Os caminhos melódicos dos arranjos.

Marcelo: Era isso que ia complementar.Acho que incluímos a pegada elétrica, mas ainda mantemos referências que nos remetem a instrumentos essencialmente acústicos, como a sanfona.

Zéis: Na própria música que gravamos pro tributo ao Pato Fu, essas características ja aparecem. Inclusive tivemos a liberdade de usar um trechinho duma musica do Ednardo, que é um compositor muito importante aqui do Ceará.

Capotes Pretos na Terra Marfim

– Já que vocês falaram do Nordeste, me falem um pouco mais de como vocês veem a cena independente do Nordeste hoje em dia.

Marcelo: Creio que ele apresenta-se bem diversificada, porém essa diversificação, infelizmente não a torna tão fortalecida.Tomando como exemplo o Ceará, temos excelentes bandas autorais que estão fora do eixo de apresentações até mesmo dentro do estado. O circuito de apresentações que pode ser percorrido por bandas independentes dentro do estado do CE é pequeno e esgota-se rápido e a busca por um novo nicho muitas vezes é um obstáculo e faz com que muitas bandas desistam. Por isso achoo que a cena independente no NE é bem eclética mas ainda há obstáculos quase intransponíveis de acesso a locais para tocar, incentivo e principalmente um circuito musical específico para bandas independentes que a tornam não tão fortalecida.

– E vocês acham que isso é algo que ocorre pelo país inteiro?

Marcelo: Acredito que a dificuldade para as bandas independentes é geral, seja uma banda do NE ou de qualquer outra parte do país, no entanto as oportunidades são maiores para o famoso eixo Rio – SP ,mas também precisamos ver que a concorrência se torna maior nesse ambiente. É , como dizemos por aqui”cobrir a cabeça e descobrir os pés”. Projetos como esse do tributo ao Pato Fu tornam-se excelentes pontes entre as bandas independentes de toda parte do país. E o fortalecimento das bandas independentes perpassa por isso, a comunhão e a ajuda mútua de quem faz parte do movimento.

Capotes Pretos na Terra Marfim

– Me falem um pouco mais sobre o disco que vocês lançaram!

Eudenia: Lançamos um álbum homônimo em fevereiro de 2015, com a Mocker Discos, no qual revisitamos a versão de uma música do EP (“Traços Simples”), e apostamos em arranjos que envolvia sopros, cello, charango… Foi um projeto bacana, e com ele lançamos, inclusive, dois clipes (“Terra Marfim” e “O Que Você Espera”)
A música “Adro” foi uma invenção de laboratório que extrapolou as nossas expectativas: nunca tínhamos tocado ela ao vivo (nem em ensaio).. fomos configurando o seu arranjo em estúdio, e pra mim (particularmente) é uma das músicas mais massa que gravamos. Lançamos o disco em um show no SESC, e a receptividade foi positiva… algumas das músicas desse album tocam nas rádios locais, e vez ou outra a galera manda mensagem “ouvi o capotes hoje no rádio!”… Acho bem bacana isso.

Marcelo: O álbum em si é bastante dotado da essência dos capotes, preocupação com os arranjos e sonoridades diversas.Não é à toa que ele leva o nome da banda (risos).

Zéis: O clipe da gente da música “Terra Marfim” foi o que teve mais alcance e tal. as pessoas que conhecem a gente aqui em fortaleza, é sobretudo por conta dessa musica. Uma vez numa conversa de bar me foi questionado o forma como a palavra revolução é colocada na música, como se essa palavra estivesse sido colocada com desdém. Como se nós não precisássemos de revoluções.

Eudenia: E ai, o que tu respondeu? Até eu tou curiosa! (risos)

Zéis: Pois bem, na verdade, como na maioria das musicas do álbum, as questões aparecem como indagações e não como resposta. na música terra marfim a frase aparece com uma interrogação: “Quem precisa de revolução”, “Quem precisa que digam amém?”. Outra indagação é o próprio título do faixa “O que você espera?”. Em outra faixa diz: “Qual é a cor do amor, do cuidado, de um filho que ainda nem nasceu?” Enfim só pra salientar que as pessoas as vezes esperam dos artistas uma postura de quem tem uma resposta pra dar mas que nesse disco a preocupação maior era com as perguntas.

Marcelo: A própria musica “Adro”, que a Denia tanto gosta, é cheia de indagações indiretas. Aquelas que não possuem um ponto de interrogação ao final.

– Aliás, me contem um pouco mais sobre os clipes! Mesmo com o fim da Mtv Brasil como a conhecíamos, eles ainda são importantes para a música?

Marcelo: Artur é o nosso garoto MTV (risos).

Eudenia: Verdade (risos)!

Marcelo: Sempre comenta sobre os clipes que ele via por lá…

Artur: (Risos). Hoje em dia a produção de clipes e a alimentação de mídias sociais estão intimamente ligados
Um disco físico partilha de vários aspectos musicais-sonoros e também estéticos. Contudo, o meio virtual para esta divulgação da arte do álbum, do conceito da banda e do enredo abordado pelo grupo se dá através dos clipes que tem um grande poder de divulgação nas mídias sociais. Apesar da MTV – minha amada – não ser o foco
Os clipes continuam tendo produções grandiosas e influenciando não somente bandas, mas dialogando com outras linguagens. Acho que é isso. Compartilhar, compartilhar e compartilhar!

– Quais os próximos passos da banda?

Eudenia: Estamos com planos de gravar um EP de músicas que já tocamos em shows. Estamos decidindo se lançamos em formato de single, ou duas por EP.

Artur: Durante a divulgação do disco novas composições foram surgindo e temos planos para a gravação e divulgação, muito em breve.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Eudenia: Ahhh! 😀 O Berg Menezes, certamente!

Artur: Berg Menezes (CE), Djambê (BH), Forria (CE), Zéis (CE)…

Eudenia: Descendentes da Índia Piaba

Artur: Mad Monkees (CE), Projeto Rivera (CE)!

Marcelo: Casa de Velho (CE)!

Artur: Andrezão GDS (CE)!

Eudenia: Erivan Produtos do Morro (CE)

Artur: Subcelebs (CE) ❤

Caio Bars lança a 100ª canção de seu projeto “100 Dias De Canções” hoje

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Caio Bars
Caio Bars

O vocalista da banda 5PRAStANtAS e apresentador do programa Outra Frequência da USP FM, Caio Bars, começou este ano seu projeto #100DiasdeCanções, onde munido apenas de um violão e um ocasional teclado, apresenta 100 canções de sua autoria. Hoje será lançada a última, criada especialmente para fechar o projeto. O nome da música, claro, é “100 Dias de Canções”, e foi gravada no Estúdio Espaço Som, em São Paulo. O vídeo da canção irá ao ar hoje (25 de maio) às 22h em sua fanpage no endereço: https://www.facebook.com/CaioBarsOficial

Conversei com ele sobre o projeto:

– Como surgiu a ideia desse projeto?

Bom, começou quando eu estava quebrando a cabeça pensando em como dar uma agitada na minha fanpage do Facebook sem ter que gastar muito (ou quase nada) com impulsionamentos pagos. A ideia de postar um vídeo por dia veio daí. Minha intenção também era que as pessoas me conhecessem como compositor, além de cantor. Na verdade, sou bem mais compositor do que cantor… Canto mais para mostrar minhas músicas.

– E como conseguiu material para 100 dias de música? De onde saíram as músicas?

Acho que 98 delas já existiam. Se não me engano, compus uma durante esse tempo! Além da 100, que tive a ideia de fazer enquanto o projeto já rolava, eu tenho umas 200 canções escritas, mas acho que metade delas são mais estudos do que canções boas e prontas mesmo. As outras 100 coloquei no projeto!

– Como será a comemoração da música de número 100?

Farei duas lives: às 20h30 no meu Instagram @barscaio e das 21h às 22h o esquenta oficial na fanpage para aguardar junto com o pessoal o encerramento do projeto com o lançamento da canção “100 Dias De Canções” às 22h. Depois quero montar um show com as mais bem recebidas pelo público. Então, irei investir em vídeos mais bem produzidos das mais bem recebidas para colocar no meu canal no Youtube. Por fim, a reação do pessoal também deve nortear o repertório do meu próximo disco!

O paulistano Limonge mistura doses de grunge em seu folk rock de um homem só

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Limonge

O paulista Limonge começou sua carreira musical como quase todos: fazendo parte de diversas bandas de garagem. Como em todos projetos havia as tradicionais discussões entre membros, sua paciência se esgotou e ele resolveu, então, que a carreira solo seria seu melhor caminho. O cantor, compositor e multi-instrumentista de 29 anos leva o conceito de “one man band” ao extremo, assinando a produção total de todos os seus trabalhos lançados até hoje (da gravação de todos os instrumentos até a concepção artística dos álbuns). Para facilitar o processo de criação musical, montou um pequeno estúdio em casa para produzir e lançar seu primeiro álbum completo intitulado “É A Nossa Voz (Éramos Nós, Sempre Seremos)”, sucessor dos EPs “Tão Normal” (2015) e “O Tempo” (2016).

Ao vivo, ele é acompanhado por PC na guitarra e Mau na bateria e percussão, tendo se apresentado em festivais independentes como NIG Time 4 Music, Ponto Pro Rock e chegando à final do concurso “Energia Me Ouve” da rádio Energia 97. Com influências de Pearl Jam, Neil Young, Oasis, Beatles, The Who, Gin Blossoms, Foo Fighters, Nirvana, Soundgarden, Dave Matthews Band, Alanis Morissette, Bruce Springsteen, KT Tunstall, Lenine, Lulu Santos, Legião Urbana e Cazuza, ele define seu som como um folk rock com um pouco de grunge, um de seus estilos preferidos. Conversei um pouco com ele sobre sua carreira, os trabalhos já lançados e a sempre polêmica cena independente atual:

– Como começou sua carreira?

Foi algo bem natural. Música é algo que me mantem de pé desde que me conheço por gente, então o objetivo de ter uma carreira é sonho de criança. Tive algumas bandas no meio do caminho mas acabei me encontrando mesmo na carreira solo, que pouco a pouco vem crescendo muito bem!

– E como decidiu sair da vida de bandas e seguir solo?

Engraçado que não foi algo muito “pensado”; as bandas sempre acabaram naquele chavão de ” horários não batem” ou “idéias não batem”… Como minha rotina apertou também, resolvi montar um home studio pra produzir minhas coisas sozinho, no meu tempo, acabei gostando do resultado e publiquei algumas músicas. A aceitação foi muito boa, tanto que me fez assumir essa faceta e querer cada vez mais…

– Me conta mais sobre o trabalho que você já lançou.

Esse primeiro álbum nasceu da junção de 2 EPs que lancei anteriormente mais algumas músicas que deixei na gaveta por algum tempo. Como gravei todos os instrumentos, voz, editei, produzi, mixei e masterizei, não foi tão difícil fazer soar uniforme (risos). E tentei ser coeso também ao explorar um tema central que passa de forma direta e indireta por todas as faixas, que é a percepção da passagem do tempo. Sou fã de LPs, então esse lance de ter um álbum com uma historia por trás é uma necessidade latente.

– Algo que não anda tão em alta hoje em dia, né. A cultura do álbum. Com o streaming o povo tem a tendência a ouvir mais músicas soltas.

Exato, hoje existe a supervalorização do single. Pouca gente da valor a uma obra completa, degustar uma ideia de cabo a rabo, e algumas bandas já seguem essa tendencia. Eu insisto em remar contra essa maré, acho que a música pode ser muito mais do que algo supérfluo, e um single também é muito mais do que uma música solta, mas uma degustação do que você pode consumir do artista como um todo

Limonge

– Quais as suas principais influências musicais para sua carreira solo?

Diria que eu bebo muito de muitos lugares. Pra citar alguns exemplos, os solos de Eddie Vedder, Noel Gallagher, Chris Cornell (um dos meus maiores ídolos, que nos deixou há pouco, infelizmente), Dave Matthews, Bob Dylan e muito de pop/rock nacional, de Lulu Santos a Skank.

– E como você definiria seu som pra quem nunca ouviu?

Diria que um MPB pop/rock grunge com pitadas de folk talvez (risos).

– Como você vê a cena independente hoje em dia? Como você se desdobra nesse cenário atual?

Tem muita vertente, muita gente boa, muita opção pro público, mas ao meu ver, falta um pouco de união entre as bandas. Isso inclusive é uma das minhas conversas recorrentes com a Pri da Geração Y, como fazer para criar um movimento em que as bandas se abracem e não comecem a competir umas com as outras.

– Você acha que ainda existe essa mentalidade de que uma banda tira espaço da outra?

Confesso até pouco tempo achava isso babaquice, mas senti na pele alguns casos bem bizarros, então me soa como um preconceito velado. não é algo que ocorre a todo instante, mas temos 2 pontos pra explorar nisso:
1. Bandas que querem surfar na carona das outras mas não necessariamente agregam em algo.
2. Bandas que realmente acham que público é dividido e entendem gosto como competição.
Nos dois casos, precisamos buscar soluções pois, no fim, os prejudicados somos nós mesmos.

– Então uma das maneiras de fazer essa cena crescer seria uma maior união entre as bandas, na sua opinião. Como isso pode ser alcançado?

A criação de uma cena acho que passa por inúmeros pontos. Desde a aproximação para eventos como um auxílio para a expansão mútua do som. Você fazer o público rodar entre as bandas através de eventos em diversas partes do país já é algo que pode estimular um alcance maior pra todos, e de quebra, aumentar as chances de expansão. Mas tudo isso começa em uma cena, uma união, que até existe, mas de forma bem segmentada… dá pra ser muito mais.

Limonge

– Você já está trabalhando em novas músicas?

Sim, iniciei o processo pra um novo álbum há cerca de um mês… tenho já demos das músicas fechadas, em breve vou entrar em estúdio (dessa vez terá produção e será um pouco mais rebuscado) pra começar as gravações, acredito que até agosto deva pintar algo por aí.

– Pode adiantar alguma coisa sobre esse novo trabalho? 

Diria que é uma evolução/continuação do primeiro trabalho, mais maduro, um tema ainda mais firme, to bem feliz com o que rolou até aqui. Posso adiantar que serão 9 músicas, mas ainda tem um bom caminho até mostrar algo mais concreto… assim que tiver prometo que solto pra você com exclusividade (risos)!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer!

Gosto muito de Zimbra, Capela, BTRX, Caike Falcão, Supercolisor, Gabi e os Supersônicos, Guilherme Eddino, LTDA… ufa… tem muita gente boa, acho que essa nova leva tá incrível, temos muito o que conhecer ainda!

Zé Bigode trabalha sem parar em seu jazz alternativo com influências de ritmos nordestinos, americanos e até marroquinos

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Zé Bigode

José Roberto Rocha é um quase nômade entre a boemia desvairada da Vila Isabel e do esfumaçado Grajaú. Estes dois locais foram apenas algumas das inspirações para que o músico e compositor idealizasse o projeto Zé Bigode, que conta com repertório de música instrumental que passeia entre diversos estilos, indo do afrobeat ao jazz, passando por ritmos brasileiros como maracatu e baião. “É um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!”, tenta definir.

Em 2016, a banda lançou seu primeiro EP, auto-intitulado, que se desenrolou no primeiro disco da banda, “Fluxo”, lançado este ano. No disco, José Roberto toca guitarra acompanhado por Daniel Bento (baixo), Eric Brandão (bateria), Jayant Victor (guitarra), Victor Lemos (sax alto e tenor), Thiago Garcia (trompete), Rodrigo Maré (timbal, percussão), Bruno Durans (bongas) e Pedro Guinu (Rhodes, piano, clavinete, moog, orgão). O álbum também conta com a participação de Belle Nascimento, Alexandre Berreldi, Eduardo Rezende, Reubem Neto, Ingra da Rosa e Victor Hugo e foi gravado no Estúdio Cia dos Técnicos, no Rio de Janeiro. O prolífico grupo já está trabalhando em novas faixas, que devem sair em breve.

Conversei com o líder do Zé Bigode sobre a banda, a cena instrumental, a dificuldade em definir um gênero para sua música e o disco “Fluxo”:

– Como a banda começou?

Surgiu no final de 2015, eu estava cansado de sempre entrar em projetos e eles não irem pra frente por motivos diversos… Mas sempre esbarrando naquele problema de que não rolava concordância entre as partes e as coisas não andavam. Me cansei disso e resolvi montar um projeto “solo” em que eu fosse a principal cabeça. Aí fui reunindo uns amigos e gravamos um EP, lançado em maio de 2016.

– Me fala mais desse EP. Como ele foi composto e criado?

Algumas idéias eu já tinha pra esse EP, de temas que havia escrito, como de “7 Caminhos”, que deve ser o tema mais antigo que tenho. O conceito desse EP foi mais de apresentar o projeto ao mundo, ter algum material pra poder dialogar com as pessoas, foi algo mais “solitário” e menos coletivo que o Fluxo”. No EP não era uma banda fixa, e sim convidados, rolou até uma galera boa na gravação como o Carlos Malta, Leandro Joaquim, que tocava na Abayomy e o Pedro Selector, que toca com o Bnegão.

  • – Como rolou o disco “Fluxo”?
  • Assim que lancei o EP no ano passado formei a banda e começamos a ensaiar e fazer shows, fui adicionando temas novos ao repertório. No fim de 2016 decidi que era uma boa hora de registrar esses temas e fomos para o Cia Dos Técnicos em Copacabana no RJ. Minha ideia foi de fazer algo mais próximo da experiência ao vivo, então basicamente 80% do disco foi gravado ao vivo. Como este estúdio é grande, rolou de conseguir botar cada musico em uma sala e gravar ao vivo, mas sem vazamento. O nome “Fluxo” vem basicamente desse contexto, de deixar fluir as coisas. Vejo que as gravações atualmente estão cada vez mais frias, e música é feita pra ser tocada em conjunto e ao vivo.

– E porque investir em música instrumental?

A forma que me expresso melhor é com a guitarra, some a isso o fator que canto terrivelmente mal (risos). Mas acho que a música instrumental virou algo elitista ou técnica demais, música pra músico, música gourmet, e isso é coisa do mercado. O mercado inventou isso e acabou ficando… Mas eu discordo: música instrumental é música, pode entrar na cabeça do ouvinte tão facilmente quanto uma canção.

– Nos últimos tempos muitas bandas independentes instrumentais têm aparecido e feito barulho, como o Mescalines, por exemplo. Essa é uma tendência que deve crescer?

Acredito que sim, o publico tem se mostrado afim de curtir música instrumental, vendo que nem sempre música com letra tem algo a dizer e que é possível passar uma mensagem com o instrumental. E essa turma nova tem uma linguagem mais democrática, não repete os clichês nem quer fazer música só pra músico.

Zé Bigode

– Mas porque esse tipo de música não chega ao mainstream, na sua opinião? Porque o instrumental é praticamente ignorado, salvo casos como “Misrlou” do Dick Dale, que estourou graças à Pulp Fiction?

Indústria, musica instrumental já foi mainstream, vide o jazz, o bebop… Mas acredito que um dos motivos é o padrão radiofônico que foi inventado de música de curta duração, 3 minutos e meio em média, e a música instrumental foi cada vez mais ficando complexa e com longa duração… Mas o instrumental sempre esteve aí, Pink Floyd apesar de ter voz tem mais instrumental que canto (risos). “Weather Report”… Claro que não na mesma proporção, mas se garimpar ela esteve presente.

– Esse projeto você considera como solo ou tem membros fixos na banda?

Um pouco dos dois, os membros são fixos mas como tem meu nome e eu que escrevo os temas, acaba tendo mais a minha cara. Mas rola uma democracia, pessoal opina também, e somos bem amigos, quase uma família, numerosa e barulhenta por sinal (risos)!

– Como você definiria o som da banda para quem ainda não conhece?

Vixe… Um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!

– World music?

Isso é que os gringos inventaram, né (risos). Jazz alternativo?

– Quais suas principais influências musicais para esse projeto?

Nação Zumbi, Wayne Shorter, Miles Davis, Daymé Arocena, Heraldo Do Monte, Criolo, Fela Kuti, Kamasi Washington, Elza Soares, bastante coisa que as vezes nem esta diretamente no som…

Zé Bigode

– Já estão trabalhando em novos sons?

Sim, lançamos o “Fluxo” agora em maio, mas já estamos com novos temas. A produção não para (risos)!

– Dá pra adiantar alguma coisa?

Em breve uma das musicas novas vai entrar no set do show, uma rumba com influências de jazz modal.

– Quais os próximos passos da banda?

Iremos prensar o disco em CD, e iremos circular por ai com o disco.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Hmm… Tem o Bixiga 70, Nômade Orquestra, Metá Metá, Mahmed, Negro Leo… Tem uma galera boa aqui do Rio também: Os Camelos, Foli Griô Orquestra, Kosmo Coletivo UrbanoRelógio de Dali