Sheila Cretina destila seu veneno rocker enquanto prepara seu segundo disco

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Sheila Cretina

A banda Sheila Cretina está desde 2008 na ativa misturando todo tipo de rock que possa vir a influenciar Gustavo McNair (voz e guitarra), Rodrigo Ramos (guitarra e voz), Jairo Fajersztajn (baixo e voz) e Caio Casemiro da Rocha (bateria). “Todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo”, explica Jairo. “Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa”.

A banda lançou em 2011 seu primeiro álbum, “Vol I”, gravado no Red Mob Studio por Gianni Dias e Piettro Torchio entre 2009 e 2010 com masterização por Michael Fossenkemper, no Turtle Tone Studios, em Nova Iorque. As 7 faixas do disco mostram um pouco da mistureba rocker que a banda representa, com letras em português e a quantidade ideal de barulho para ser ouvida no último volume. Para este ano eles estão preparando o segundo trabalho, gravado no Estúdio Aurora, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre.

Conversei com Jairo sobre a carreira da banda, o primeiro disco, a cena independente e a dicotomia da música nos tempos de internet e streaming:

– Como começou a banda?

A banda começou, se não em engano, em 2008… Estávamos na faculdade. Eu tocava com Caio (batera) desde criança e estávamos sem banda, conheci o Gustavo na facu e resolvemos montar uma, chamamos o Caio que já estava afim de tocar e começamos assim. Rodrigo entrou dois ensaios depois na segunda guitarra e assim estamos até hoje.

– De onde surgiu o nome Sheila Cretina?

O nome surgiu a partir na necessidade de uma banda ter um nome (risos). A gente precisava de um nome e Sheila Cretina veio naturalmente como se soasse como a sonoridade que fazemos.

– E o que significa?

Não tem significado. Sheila Cretina é uma banda desesperada de São Paulo, que grita em português o rock que quer ouvir.

– Quais as principais influências da banda?

Cada um tem sua linha de som, influência e inspiração A gente não se prende a rótulos ou estilos. Todo mundo gosta de rock, todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo. No nosso som você vai encontrar influências de Ramones, Mudhoney, Sonic Youth, Black Flag, Dead Kennedys, Nick Cave, Stooges, MC5, Led, Nirvana, Sabbath, Jards Macalé, Cólera, Humble Pie… Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa.

Sheila Cretina

– Me fala um pouco mais sobre o que vocês já lançaram.

Lançar é uma novela nessa banda (risos). Temos um álbum lançado chamado “Vol. I”. Foi lançado em 2011, se não me engano. Lançamos um clipe oficial desse álbum, e um clipe ao vivo. Fizemos bastante shows por aí, divulgamos bastante esse álbum, que está quase esgotado, e agora finalmente depois de muito trabalho estamos perto de lançar o segundo álbum.

– E como é o “Vol I”? Como foi a gravação dele e o que temos no disco?

O “Vol. I” a gente gravou no extinto Estudio RedMob. Foi uma experiência bem bacana. Gianni Dias ficou a cargo da gravação, e como é nosso amigo, foi tudo muito engraçado e tranquilo de fazer. No disco tem apenas músicas autorais, todas as letras do Gustavo, cada uma de um estilo de rock sem muito rótulo. Cada música a sua maneira. Ele é bem urgente, enérgico, juvenil, excitante, explosivo, sujo… Eu acho que é rock do bom (risos). Ah! super chique, foi masterizado em NYC nos Esteites.

– E como está sendo essa preparação pro segundo disco? O que podemos esperar?

Está sendo uma grande novela, mas finalmente conseguimos entrar no eixos. Fechamos com o Estúdio Aurora e estamos sendo produzidos pelo Billy Comodoro, um cara que conseguiu nos dar um norte dentro do estúdio, clarear nossas ideias e facilitar os arranjos das músicas. Podemos esperar coisa boa, pra quem gosta, claro. Rock autêntico, sujo, com atitude e aquela pitada de barulho de sempre.

– Já tem previsão para lançamento?

Olha, previsão exata assim não tem. Mas tenho muita fé que vai sair ainda esse semestre.

– Como você vê a cena independente do rock hoje em dia?

Cara, isso é uma coisa muito complicada. A gente sempre ouve que “no meu tempo era melhor”. e eu acho que realmente era. Vejo muita gente falando que a cena é desunida, só tem vaidade. E eu até concordo. Mas eu to cheio de camarada que faz a cena acontecer, ta cheio de gente querendo se unir, dando o sangue pela cena. Seja no hardcore, no punk rock, no hard rock, no ska, no instrumental, surf music. Acho que o que fodeu com a cena foi a internet e a forma de consumir musica. Banalizaram a musica, por isso acredito não termos mais espaços que tínhamos antes. A cena independente sempre vai existir. Acho que temos uma herança dos anos 90 onde o mainstream comprou o underground. Você tinha programas na TV aberta durante a tarde em dias de semana ou domingos, com bandas autorais ao vivo. Hoje isso já diminuiu bastante… Mas como disse, o underground sempre existe, cheio de banda fazendo corre ha milianos, tipo Cólera, RDP, Dead Fish, Dance of Days, o próprio Autoramas, Hurtmold… E tem muita coisa nova boa com gente que corre atrás, tipo Não Há Mais Volta, Der Baum, Horace Green, Emicaeli, Chalk Outlines, Poltergat, Rakta, Fingerfingerrr, entre TANTAS outras… Acho que estamos num momento diferente, mas que sempre devemos nos unir e nos ajudar. Nunca separar, segregar.

Sheila Cretina

– Mas a internet ao mesmo tempo criou uma facilidade para as bandas independentes divulgarem seu trabalho… Ou não?

Facilidade pra divulgar sim… Mas com a facilidade em baixar músicas, ouvir no Youtube, a música virou algo descartável. Uma capa não é algo mais totalmente importante. Guardar o CD nao é mais importante, é só baixar. E nunca mais ouve. Quando eu era moleque, o cara mais legal do rolê era aquele que tinha fitinha demo da banda que ninguém conhecia, essa banda ia tocar 4 bandas antes do Dead Fish e neguinho sabia cantar a música. Hoje não existe mais demo quase. Hoje não existe mais muito público pra ver banda de abertura em show underground. Assim como a cena é ruim, mas é boa. A internet faz bem, mas fez mal… Faca de dois gumes.

– Quais os próximos passos da banda?

Difícil prever, mas queremos trabalhar esse disco novo, fazer algum material legal com ele e já partir para novas composições e produções.

– Pra finalizar: recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamara sua atenção nos últimos tempos!

Tem MUITA coisa boa por aí. Já citei alguns em outra resposta nessa entrevista: Emicaeli, FingerFingerrr, Futuro, BloodMary Una Chica Band, Gogo Boy From Alabama, Repeat Repeat, Otoboke Beaver, Chalk Outlines, Der Baum, Câimbra, Faca Preta, disco solo do Saico, Combover, Rakta, Comodoro, Lloyd, O Inimigo, Twist Connection, Winteryard e tem a Desiree do Harmônicos do Universo, ela também faz participações em outros shows. Mas meu preferido hoje é a carreira solo do Lee Ranaldo e Human Trash. Muita coisa mesmo!

– Aliás, deixa eu estender a pergunta: já que você tem viajado bastante, tem algumas do exterior que você recomenda?

Les Deuxluxes (Canadá), Otoboke Beaver (Japão), Ninet Tayeb (Israel), Tokyo Ska Paradise Orchestra (Japão) e tem duas que não consigo lembrar o nome (risos). Ah, e Novedades Carmiña (Espanha)!

O duo de Brighton Skinny Milk prepara-se para dominar o mundo com seu terceiro EP, “Creature”

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O Skinny Milk, de Brighton, segue o formato consagrado por bandas como Black Keys e White Stripes, com apenas duas pessoas e muita emoção, mas com um porém: eles substituem a guitarra por um baixo cheio de distorção. Formada em 2016 e com dois EPs na bagagem (um auto-intitulado, de 2016, e “Daydream”, lançado em fevereiro deste ano), a banda agora trabalha em seu próximo EP, “Creature”, a ser lançado no verão inglês.

Com influências de garage punk, psicodelia, fuzz e até metal, o duo formado por Johnny Hart (baixo e vocais) e Tim Cox (bateria) é selvagem ao vivo. Esta é a descrição de uma apresentação da banda pelo jornal “The News”, de Portsmouth: “O baixista/cantor Johnny Hart oferece sozinho um som de rock psicodélico repleto de reverb, digno de cinco músicos em um nível feroz. Enquanto isso, o baterista Tim Cox complementa com um ataque forte e poderoso em seu kit. Músicas rápidas e furiosas como “Creatures” colocam o pequeno público a se enfiar ainda mais fundo na escuridão cavernosa. Despidos da cintura para cima e visualmente deslumbrantes sob as luzes em espiral, o Skinny Milk é certamente destinado a deixar uma multidão maior de boca aberta. Beberei a isso”.

Conversei com Johnny sobre a carreira da banda recém-formada, seus EPs, influências e o que podemos esperar de “Creature”:

– Como a banda começou?

Formamos quando nossa banda anterior, The Vril, implodiu. O Skinny Milk começou em janeiro de 2016 comigo, Johnny Hart, no baixo e vocais, e Tim Cox na bateria.

– Como vocês chegaram no nome Skinny Milk?

Criamos o nome puramente por acidente. Estávamos brincando com palavras diferentes e gostamos da maneira como elas soavam juntas. Foi assim, na verdade…

– Quais são suas principais influências musicais?

Bem, temos uma gama muito ampla de influências. Eu definitivamente sou mais influenciado pelas bandas de psych/garage/punk, como os Stooges, os Ramones, o Black Sabbath, bem como bandas de garagem dos anos 60 como The Litter e The Shag, bem como as mais modernas como a Coachwhips e Thee Oh Sees. Tim definitivamente é mais inspirado pelo lado hardcore e metal de coisas como Pantera, Slayer e hardcore como Sick of it All e Kid Dynamite.

– Conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Até agora lançamos um Single (“YGD”), gravado por Andy Robinson, um EP auto-intitulado e o nosso segundo EP, “Daydream”, ambos gravados por Rob Quickenden no Ford Lane Studios. Estamos prestes a lançar o nosso terceiro, chamado “Creature”, gravado por Eric Tormey da Gang. Deve sair neste verão!

Skinny Milk

– Como você se sente sobre a cena independente hoje em dia?

Há tantas boas bandas na cena underground agora, é muito saudável em Brighton. Há tanta concorrência!

– A queda das gravadoras foi boa ou má para artistas independentes?

Bem, obviamente, a forma como a música funciona mudou muito de como era quando era mais fácil ganhar a vida com a música. A queda de grandes gravadoras pode trazer mais selos decentes, que são mais direcionados para as bandas e música, em vez de puramente para o lucro.

– Como é seu processo de composição?

Nós escrevemos de forma muito diferente do que seria numa situação de banda normal. Às vezes Tim tem um loop de bateria legal ou eu tenho um riff sólido, então normalmente nós apenas ficamos presos até que algo sai. Eu uso o meu vocal como outro instrumento, adicionando camadas ao nosso som.

– Vocês está trabalhando atualmente em novo material?

Sim, estamos atualmente trabalhando no lançamento de nosso terceiro EP, “Creature”, que deve estar pronto no verão, e temos outro single que estamos gravando em julho.

Skinny Milk

– Quais são os próximos passos da banda?

Os próximos passos são lançar o próximo EP e continuar a fazer bons shows para multidões crescentes. Queremos tocar em mais festivais e fazer uma turnê novamente no verão. Temos uma mini-tour no início de maio com a dupla francesa The Mirrors e as gatas de Londres Dolls. Vai ser muito legal.

– Recomende bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Uau! São muitas para mencionar! Vamos ver… Nossos bons amigos Fuoco, Gang, Atlas Wynd, The Get Rids, Buddha Blood, Inevitable Daydream, Bigman Solution, Scab Hand, Clever Thing, Dirty. Tem muitas, isso é apenas o que saiu de bate pronto de nossas cabeças!

The Darts, o supergrupo do underground que aposta no Do It Yourself em seu estado mais puro

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The Darts

The Darts é uma banda de garage-psych-rock formada por Nicole Laurenne (The Love Me Nots, Motobunny, Zero Zero), Rikki Styxx (The Two Tens, The Dollyrots, Thee Outta Sites), Christina Nunez (The Love Me Nots, Casual Encounters, The Madcaps) e Michelle Balderrama (Brainspoon) que desde o ano passado está detonando com seu som único e barulhento. Depois de assistirem às bandas umas das outras por anos, Nicole e Michelle perceberam que seria ótimo começarem a compor juntas. Com seis músicas na bagagem, chamaram Rikki e Christina e os resultados podem ser conferidos no primeiro EP da banda, cheios de garage rock com o fuzz ligado no máximo e o órgão farfisa dando o tom, sempre com a bateria animalesca acompanhando.

Os singles que saíram deste trabalho, “Running Through Your Lies”, “Revolution” e “Take What I Need”, começaram a tocar bastante nas rádios americanas, com a última sendo nomeada “Coolest Song In The World” pela rádio Sirius e um veredito de “very cool” em um tweet do grande autor Stephen King. Agora parte do cast da Dirty Water Records de Londres, o quarteto prepara seu primeiro álbum, que deve sair ainda este ano, com turnê já agendada pelos Estados Unidos e Europa.

Conversei com Michelle sobre a carreira da banda, a influência dos outros trabalhos no som do quarteto, suas influências e a cena independente atual:

– Como a banda começou?

Somos grandes fãs das habilidades musicais umas das outras faz anos. Um dia nós apenas decidimos: ‘hey, vamos escrever algumas músicas juntos, gravá-las e cair na estrada!’ Imediatamente houve uma grande química musical entre nós quatro e isso só tem crescido desde então.

– Como vocês decidiram pelo nome The Darts?

Estávamos à procura de algo que só as meninas estão acostumadas a ouvir sobre, ou lidar com, que não fosse muito repugnante ou inapropriado, é claro… Aí percebemos que apenas as meninas têm as costuras do busto em suas camisas, que são chamadas de “darts” nos Estados Unidos. Parecia um bom jogo de palavras.

– Quais são suas principais influências musicais?

Tem tantas influências nesta banda! Mas apenas para citar algumas: Thee Tsunamis, Ty Segall, Wavves, The Trashwomen, Bleached, The Cramps, Billy Childish, The Headcoatees, Nick Cave, The Stooges, The Chesterfield Kings, The Ventures, Q65

– A banda é como um supergrupo do underground, com membros de bandas incríveis como The Two Tens, The Love Me Nots e Brainspoon. Como suas bandas refletem sobre o som do The Darts?

Essa é uma excelente pergunta! Nossas outras bandas estabeleceram uma base sólida para o som do The Darts. Na verdade, várias das músicas de nossos dois primeiros EPs foram faixas que escrevemos para nossas outras bandas ao mesmo tempo, mas nunca foram usadas. Então você definitivamente tem um gosto dos sons de nossas outras bandas combinadas em um único disco – o que nós achamos muito legal.

The Darts

– Conta mais sobre o primeiro álbum da banda.

Bem, o nosso primeiro EP de seis canções quase aconteceu por acidente, quase como uma gravidez inesperada (risos)… Mas muito melhor do que isso! Começou com Nicole e eu escrevendo algumas músicas juntas, “Revolution” e “Running Through Your Lies”, e então nós duas criamos mais músicas nos próximos meses porque estava tudo indo muito bem. Enviamos as demos para a banda para que todas gravassem suas partes (em duas cidades diferentes, nunca todas na mesma sala). O que conseguimos foi um EP de seis músicas, chamado de ‘The Darts”. Recebemos uma tonelada de atenção inesperada de lugares realmente legais, como o rádio Sirius XM e a Dirty Water Records.

– Como você descreveria a cena independente do rock hoje em dia?

Bem, nos últimos 20 anos, a tecnologia mudou imensamente o negócio da música, eu descreveria a cena rock independente com um tipo de abordagem “vai lá e faça sozinho”. E você agora realmente tem a liberdade de gravar um registro completamente em seu próprio país, se gerenciar e pegar a estrada, sem qualquer outra pessoa precisando se intrometer ou aprovar. É muito punk rock! Nós amamos isso. Descobrimos tantas bandas e pessoas e ideias em nossas carreiras musicais por causa de todos os DIY-ers por aí. Não queremos isso de nenhuma outra maneira.

The Darts

– Vocês são uma banda de garotas. O sexismo ainda está forte no mundo musical? Isso atrapalha para que mais mulheres formem bandas?

Eu diria que ser um bom músico tocando rock’n’roll é uma abordagem de marketing mais forte hoje em dia do que ser um homem, embora eu nunca tenha categorizado músicos por gênero. Mas para aqueles que o fazem, The Darts não são portadoras dos típicos estereótipos da música pop feminina. Nosso som não é o que o público espera ouvir quando vê as quatro entrarem no palco de vestidos e batom. Nós amamos apenas ser quem somos, e trazendo um pouco de mistério – para que as pessoas não sejam capazes de prever o que vem de nós.

– Vocês estão trabalhando em material novo?

Sim, estamos sempre trabalhando em material novo! Na verdade nós acabamos de gravar seis novas músicas para o nosso novo álbum e vamos gravar mais seis no início de maio! Definitivamente muito material quente chegando! Nicole e eu estamos constantemente escrevendo, é uma doença. Estamos sempre olhando para o próximo projeto.

– Quais são os próximos passos da banda?

Somos abelhas ocupadas! Além de gravar outro disco completo que estamos criando nesta primavera, temos um novo lançamento oficial de clipe e uma turnê européia começando no final de maio, seguido por mais viagens pelos EUA no verão e outono com algumas grandes bandas. Estamos esperando ter o novo álbum lançado pela Dirty Water Records em setembro. Gostaríamos de chegar ao Japão de alguma forma, mas ainda não sei como, ainda. Está vindo, entretanto!

– Recomendem bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Playboy Manbaby, Mean Motor Scooter, White Hills, Death Valley Girls, Shovel, Escobar, Wand, Holy Wave, Temples, Weird Omen, Electric Children, The Two Tens, The Dollyrots, Fu Manchu, Fat White Family e The Sold And Bones.

Days of Dahmer prepara seu primeiro (e último) disco – e tem data para acabar

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Days of Dahmer

Vocês têm até o dia 9 de maio para assistir o Days of Dahmer se apresentar. Depois disso, a banda se dissolverá e ficaremos apenas com o registro do seu primeiro (e último disco), que foi gravado no Estúdio Costella. Nascida em Milwaukee, Samara St. John (vocal e guitarra) é a líder e responsável pelas letras da banda, formada por Gabriel (baixo), Layon (guitarra, vocal), Gilberto (guitarra, vocal) e Gabi Lima (bateria).

“This is it. Debut e fim”, explica Samara. “Eu vou para uma fazenda, casando com o baixista vamos cuidar dos animais em troca de lugar para morar e comida, até que eu ache um trabalho sério em Seattle. Na verdade é transitório esse projeto”. Ou seja: se você quer conferir a energia punk crua do grupo, tem até o dia 9 de maio para fazê-lo. “Tipo um cara que pegou câncer e sabe que tem ate X data para viver. Acho que por isso também os shows vão ser divertidos, intensos. Esse é nosso clímax!”, afirma.

Conversei com Samara sobre o disco que está por vir, a cena independente, as influências da banda e seu fim iminente:

– Como a banda começou?

Cheguei aqui em julho 2015 e fui procurando com quem tocar. Comecei a sair o com Gabriel Bivanco, da banda DVCO, e o cantor deles, Norton Bell, tinha montado uma banda, The Factory, e me pediu cantar o parte da Nico. Então fiz e tocamos uns shows. Um dia tocamos na Livraria Martins Fontes, eu estava conversando com os fãs de Velvet Underground e conheci o Gilberto. Ele estava com camisa de Sonic Youth… Sonic Youth é desproporcionalmente popular no Brasil, comparado com fora! Mas ele gosta da banda, eu também… Falou que tinha banda nos anos noventa e perguntou se eu queria fazer um som com ele. Naquela época estava ensaiando também com uma banda, do Carlos Reis, a Fraude, mas também ficava ensaiando sozinha minha músicas. Então falei, sim, OK, vamos tentar com minhas músicas. Ele conheceu o baterista também e começamos ensaiar no Luhmen, na Vila Mariana, em Agosto de 2016. Depois conheci o Layon no OK Cupid, transamos uma vez no julho, antes que eu pudesse aprender a falar português. Viramos amigos e ele tem uma banda, Maru, e às vezes ensaiava comigo. Sabia das minhas músicas, ele toca muito bem, então convidamos ele pra fazer o baixo. Logo depois mandamos o baterista embora porque ele furou em um show da gente que ia ser na Casa da Luz. Eu conhecia o Raul (Retrigger, DJ), que toca theremin, de Minas Gerais, e ele me apresentou a Gabi Lima, que é de Pelotas – e é musica de verdade, faz produção a sério. Então o Layon mudou para lead guitar, o Gil noise, a Gabi na batera, meu namorado Gabriel entrou com o baixo e eu faço guitarra base e canto. Temos essa formação desde… hmm… recente… Acho que dezembro. Então ficamos ensaiando – como ela trabalha no Costella – e ficou natural gravar um disco lá com ela como produtora.

– E de onde surgiu o nome da banda? O que significa?

Eu cresci no Milwaukee, Wisconsin, nos anos 90, e quando tinha 8 anos rolou um crime sinistro com um cara chamado Jeffrey Dahmer. Ficou sempre nas notícias, então minha lembrança disso foi quase surreal, porque eu ficava cortando as Barbies e guardando na geladeira, porque estava sempre nas notícias. Depois, quando era adolescente, minha mãe me chamou de psicopata porque eu sou artista, pinto coisas – muito grandes – nas paredes. Como “teenager”, eu tinha que conviver com os caras dela, que tinham muito dinheiro mas eram FDPs, então expressei isso pela arte. As músicas do Days of Dahmer contam dos eventos que rolaram na minha família e como eu me sentia quando adolescente. Eu não sou psicopata como Dahmer, mas expresso a verdade e os meus sentimentos, o que não foi permitido em casa, então coloquei esse nome. Porque o som da musica
é dos anos 90 e eu também sou de Milwaukee, além de expressar os sentimentos e acontecimentos que causam vergonha para algumas pessoas. É tabu como o Dahmer.

– Quais as principais influências musicais da banda?

A gente gosta muito do noise do Sonic Youth, as melodias bonitas do Dinosaur Jr… e punk também, tipo simples, como Mudhoney, Beat Happening, Pixies, Big Black – intenso – poesia como PJ Harvey… Eu gosto de ter uma dinâmica em cada musica. Acho que com as três guitarras conseguimos ter uma fusão de noise e melodia.

– Me conta um pouco mais sobre o material que você lançaram até agora.

Estamos no processo de lançar. Até agora temos 6 músicas pra nosso debut e álbum final, “Defrost”.
Eu tinhas as bases e a letra prontas para 5 delas. A outra, “Apt 213”, o Layon e o Gil compuseram e eu coloquei a letra depois. Essa é explicitamente sobre o Dahmer: conta como ele era criança normal e virou assassino. As outras músicas peguei das minhas experiências.., Escrevi diários desde que tinha 12 anos. Eu viajo muito e não tenho nada comigo, só os diários, então consultei eles para ver de novo as músicas. A Gabi mapeou cada uma comigo e assim conseguimos gravar. Nosso fã Ronaldo Miranda, que trabalhou muito tempo para a Mtv, fez 2 vídeos de “Apt 213” pra gente. Ele também corta o meu cabelo. Ele é legal. Apesar de termos feito Kickstarter, eu não recomendo lançar fundraisers do tipo no Brasil.

– Porque?

Temos 5 pessoas na banda, mas só meus amigos do resto do mundo (França, Suécia, Áustria, Austrália, Alemanha, EUA, Espanha, Holanda) doavam. (Risos) Parece que ninguém que conheço aqui tem dinheiro para doar para arte!

– Você acha que no Brasil hoje em dia as pessoas não estão valorizando a arte? Qual a sua impressão?

Não sei. Ou estou mais conectada do que eles, pois eu pelo menos valorizo muito as artistas que conheci aqui. Eles não tem apoio nenhum. Sim, tem pessoas de família rica que tem banda e todos os membros pagos pra tocar… Mas o som não é autêntico. As pessoas que realmente conseguem fazer arte nesse estado, parabéns – você é autêntico. Você cria não para alguém, mas porque tem que criar. Fora acho mais fácil fingir… Aqui encontrei autenticidade. Mas tem 2 extremos: a arte – e o outro – as cover bands. Lá fora, as pessoas veem as bandas cover como tios velhos tocando num casamento chato músicas do Simply Red. Aqui eu acho que são supervalorizados…

Days of Dahmer

– Como você vê a cena musical independente hoje em dia?

Toda coisa independente é difícil. Acho que depende muito da personalidade do grupo – as conexões deles – e também você tem que querer produzir não só para agradar, para ter um sucesso. Eu vejo o mesmo com meu trabalho de cientista. Sou bióloga molecular, fiz doutorado e tal, por isso cheguei aqui. Mas eu preciso lutar quando quero mostrar resultados que são fora do padrão, fora dos dogmas. Então, eu não estou aqui tempo suficiente para comentar da cena. Às vezes parece para mim meio dividido, como no colegial. Às vezes parece ter mais apoio e ser mais aberto, mas se você é independente tem que ser disposto a procurar o apoio certo, com outras bandas, nos estúdios, nos shows, etc. Não vai aparecer do nada. Acho que desde julho de 2015 eu já tinha tocado com 20 pessoas diferentes antes de achar as pessoas certas. Não é tão mau para alguém que não conhecia nada de SP, não fala português… Acho que por causa do meu foco, insistindo, e também porque estava disposta a arriscar pagando 2000 pela gravação, rolou muito rápido depois de ter achado as pessoas.

– Vocês estão gravando no Estúdio Costella, é isso? Como está sendo?

Gravamos já, em fevereiro, em 2 dias. Durante a gravação foi filmado o Indiegogo. Foi muito trabalho pra Gabi, não podíamos ter feito nada isso sem ela. Ela sacou o melhor de cada um, estamos esperando ela mixar e fazer a master. Acho que vai sair em maio ou junho.

– Como você descreveria um show do Days of Dahmer?

A verdade é que nunca tocamos juntos nessa formação, mas acho que vai ser intenso. Adrenalina. Se estiver como no ensaio… Eu fico arrepiada! Tinha muitos momentos assim com eles durante ensaio. Acho que temos algo bom para compartilhar.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Não. Como falei, this is it. Debut e fim. Eu vou para uma fazenda, casando com o baixista vamos cuidar dos animais em troca de lugar para morar e comida, até que eu ache um trabalho sério em Seattle. Não conheço a área… Faz 10 anos que não moro nos EUA. Mas essa região, o estado de Washington… Sabe, foi o primeiro estado para processar o Trump e o muslim ban. Também o lugar onde nasceu o grunge, um estilo pelo qual sinto um apego. Mas no futuro queria fazer coisas também mais experimentais, com voz, som, tudo. Mas vou ficar super orgulhosa do que a gente atingiu aqui.

– Então o Days of Dahmer já tem data pra acabar?

Sim, 10 de maio. Não fala pro Gilberto, ele vai chorar. Mas na verdade é transitório esse projeto.
Ah, pode falar sim. Mas imagina: banda independente levando 3 músicas pros EUA… Se uma label nos pegar nos EUA, talvez, mas não acho que a música está desenvolvida o suficiente para atingir um próximo nível.

Days of Dahmer

– Então é bom as pessoas irem nos shows que vocês têm marcados, antes que a banda acabe, né?

Sim. Na verdade até 9 de maio estamos disponíveis para tocar. O Gabriel, eu e o trashcat saímos daqui dia 10. Por isso estamos tocando tanto também em abril. Tipo um cara que pegou câncer e sabe que tem ate X data para viver. Acho que por isso também os shows vão ser divertidos, intensos. Queria ter mais músicas… Talvez vamos tocar as 6 duas vezes. Vamos ver. (Risos) Mas sim… isso é nosso clímax!

– Recomende bandas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Deixa eu ver aqui… Gostei muito de Sheila Cretina. Firefriend tem label agora, então nao são mais independentes, mas a Julia e o Yury vamos ver nos EUA. Preciso falar também do DVCO e Maru, bandas do Gabriel e Layon. Color for Shane… But my favorite most recent show was Porno Massacre. Edgar Pererê tem um show interessante também. É artista autêntico na minha opinião. O show do Retrigger também é incrível. E o show da sara não tem nome. Sempre ótimo ver mulher no palco!

Quarteto de Moscou G9 mostra a nova cara do chamado “russian rock”

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G9

Uma transmissão ao vivo no Instagram foi o que me fez conhecer o quarteto de Moscou G9. O ensaio da banda me chamou a atenção, com músicas que grudavam na cabeça instantaneamente e com músicos competentes em seus instrumentos. Formada por Alla Aspidova (vocal), Max Kachinkin (guitarra), Andrew Syusyukov (bateria) e Alexander Drozhzhin (baixo), a banda mistura rock e metal com elementos da música eletrônica e do rap, e mesmo tendo sido influenciada pelo chamado nu-metal, não se parece em nada com os ultrapassados grandes nomes do gênero.

Após sua formação em 2008, o grupo rapidamente começou a colecionar elogios graças à suas energéticas apresentações ao vivo. Depois disso, receberam convites para se apresentar em grandes festivais como Nashestvie, Dobrofest, Maxi Drive e OzROCK, além de abrirem shows para o Fall Out Boy. Com um disco (“Stubborn & Sober”, de 2012) e um EP (“3”, de 2014) na bagagem, o G9 mostra que está em constante evolução musical e prepara seu próximos disco para 2017, já tendo lançado seu primeiro single, “Girl”.

Conversei com a vocalista sobre a carreira da banda, a cena do rock na Rússia, suas influências e muito mais:

– Como a banda começou?

A banda começou com Max, nosso guitarrista. Ele tinha uma banda de metal com vocais masculinos inspirada por Blind Guardian, Metallica, Iron Maiden e In Flames. Uma vez, Max pediu pra mim, Alla (amiga da escola) para ajudá-lo com letras e backing vocals. A parceria deu na banda de rock alternativo G9.

– Como surgiu o nome G9? O que significa?

G9 é uma estrela bonita, como o sol. As estrelas do tipo G são freqüentemente chamadas de anãs amarelas. Além do sol, outros exemplos bem conhecidos de estrelas de sequência principal de tipo G incluem Alpha Centauri A, Tau Ceti e 51 Pegasi. O número 9 é uma classificação espectral da estrela. É considerado a mais fria e bonita dentro de estrelas do tipo G. G9 é algo que você vê no céu à noite, representa a beleza deste mundo, a liberdade e a nossa curiosidade para ir além dos limites conhecidos, como você só vive uma vez.

– Quais são suas principais influências musicais?

G9 é uma mistura de nossas influências musicais. Eu fui influenciada por Linkin Park, POD e até Slipknot. Max (guitarrista) cresceu com Michael Jackson, Metallica, In Flames e Rihanna. Andy (baterista) ama Led Zeppelin, Muse, Rage Against The Machine e alguns synthwave. Alex (baixo) foi influenciado por Korn e Red Hot Chili Peppers, mas também está apaixonado por garotas como Pink e Taylor Momsen do Pretty Reckless.

– Conte-me mais sobre o seu primeiro disco, “Stubborn & Sober”.

Ele foi lançado em 2012 e foi a nossa primeira experiência com um álbum completo. Metade do álbum está em russo e metade está em inglês. Naquela época, já sabíamos que adorávamos fazer músicas em inglês para chegar ao público internacional, mas o público russo prefere rock em russo. Então o álbum foi o compromisso e a primeira tentativa de ir além das fronteiras russas. “Stubborn & Sober” está repleto de letras sociais sensíveis sobre as relações humanas, o crescimento e os problemas sociais. Fomos inspirados por bandas de rock alternativo como Linkin Park, Limp Bizkit e In This Moment, então o álbum ficou agressivo, poderoso e alto.

G9

– E como o EP “3” difere do trabalho anterior?

Bem, nós nos divertimos muito com isso! O EP “3” é muito mais suave e mais diversificado em termos de estilos de música. Temos a poderosa “Break”, com groove incrível e rap freestyle de Philip E Jones, pop-rock funky com “Do Not Fall Apart” e algo bluesy em “5 a.m.”. Aqui nós mudamos totalmente para o inglês e soltamos nosso amor por som enérgico e letras inspiradoras. O G9 é sobre diversão e visão positiva que mostramos em 5 canções incríveis. Não se esqueça de ver o clipe da música “Break” Você vai se divertir muito!

– Estão trabalhando em material novo?

Sim, já gravamos um álbum e lançamos o primeiro single,“Girl’, agora em março de 2017. Já filmamos um clipe para o próximo single, ele será lançado muito Em breve, então fique atento!

– Como é o seu processo de composição?

Nós geralmente temos um conceito em nossa mente: os acordes, uma melodia vocal e um pouco de letras, para começar. A nova idéia normalmente vem de mim ou do Max (guitarra), então este conceito se torna uma canção com um pouco de magia, no ensaio com as habilidades de composição do Max.

– Como você definiria a cena rock na Rússia hoje em dia?

Acho que a música mais popular é o chamado “russian rock”, tocado por bandas mais velhas que se estabeleceram na década de 80. Letras profundas e principalmente tristes em russo são a principal característica desse “rock russo”. A outra parte das bandas é aquele hardcore de 2000, que atraem mais o público jovem. Eu acho que “Stubborn & Sober” pode ser um exemplo remoto deste estilo. A parte mais pequena, mas a mais promissora da cena hoje em dia faz um som puxado para o Fall Out Boy e bandas indie, então o G9 agora permanece nesse grupo.

G9

– Quais são os próximos passos da banda?

Nós vamos lançar vários singles sexy nesta primavera e um álbum completo em setembro de 2017. Também planejamos estar em vários festivais de verão russos e fazer uma turnê no outono. Não paramos com a Rússia e procuramos o público internacional que compartilha da nossa paixão por ir além!

– Recomende bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Ouçam WildWays, uma nova banda incrível da Rússia e dêem uma olhada em Leningrad, uma banda com clipes incríveis!

Jhoão Sobral adiciona criatividade de inventor em suas músicas com a “vassonora”

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Jhoão Sobral

Há algumas semanas eu caminhava pela Avenida Paulista quando vejo um rapaz que iria se apresentar na calçada não uma guitarra, mas uma vassoura. Ao vê-lo tocando a tal “vassonora”, uma mistura de vassoura e violoncelo, não pude deixar de fazer uma entrevista. Lógico que muita gente parou pra ouvir o som do inusitado instrumento musical, e formou-se uma rodinha em volta do cantor e compositor cearense Jhoão Sobral, o inventor da vassoura mágica.

Como começou sua carreira? A resposta padrão é “bem Londres daqui”, segundo ele. Em 2013, o pesquisador musical Gilles Peterson, DJ da rádio BBC de Londres, tocou sua música lá, e a partir daí ele lançou um EP e diversos singles, sendo incluído até em uma coletânea da Fifa junto de nomes como Alceu Valença e Seu Jorge.

Conversei com ele sobre sua carreira, a “vassonora”, as apresentações na rua e suas dificuldades e seu novo single, “Baiano Tororó”:

– Te conheci na Avenida Paulista, tocando uma vassoura-cello. Como rolou isso?

A Vassonora, como apelidei minha invenção, surgiu como uma estrela cadente no céu anunciando a prosperidade. A vassoura é um signo de luta, de trabalho e de limpeza, eu sinto que a dificuldade é a mãe da invenção… Ela apareceu na minha cabeça. Acredito que tenha sido um presente do Universo, a ideia é minha,mas quem me ajudou a fazer foi um amigo luthier, Lauro Sabonge, ele constrói violinos.

– E como foi a construção dela?

Bom, a vassoura já estava pronta ali, ganhei essa vassoura do Tatá Aeroplano, grande artista. A ideia era que tivesse uma corda só e foi isso. Ela tem dois microfones (piezo) de contato, um no cabo justamente para captar o som da corda que foi colocada. Estamos usando uma corda de Cello doada pelo Pery Pane. Repare que essa vassoura o Universo me deu: os microfones ganhei num curso de construção de baixo custo no Sesc Consolação… O outro microfone está nos cabelos da vassoura pra captar esse som mais percussivo e tem uma tarracha de madeira para afinar esculpida pelo luthier Sabonge.

– E como foi a repercussão dela na rua?

Nossa, incrível! As pessoas adoram, as crianças acham mágico, me chamam de bruxo, etc e tal. Essas coisas, a vassoura é um simbolo importante na humanidade, mas agora fiz dela um signo e batizei de Vassonora! Tá um sucesso só, já fui até convidado para ir ao “Domingão do Faustão” no quadro “Se Vira Nos 30” e pretendo fazer mais invenções!

– Como você começou sua carreira?

Através de um sonho. A gente que veio do nordeste com uma mão e outra atrás não tem muita esperança não, mas vou tentar resumir aqui. Começo com 14 anos. Sonhei que tocava violão sem nunca ter encostado a mão num violão. No colégio contei o sonho para meus amigos, estava prestes a fazer 15 anos e meus amigos me deram um violão de presente, brinco que eles investiram no meu sonho. Mas gosto de pensar mesmo que minha carreira começou e é verdade isso, quando o pesquisador musical Gilles Peterson, DJ da rádio BBC de Londres, tocou minha música lá. Sim, eu estreei como compositor na radio BBC de Londres em 2013! Dois produtores musicais aqui de SP, Guilherme Lopes e Junior Deep, meus amigos, toparam produzir 4 faixas, e essas 4 faixas lançadas em 2013 estão rendendo frutos até hoje. Em 2014 entrei numa coletânea da Fifa junto de Alceu Valença e Seu Jorge e outros artistas que admiro.. Isso é o meio!

Jhoão Sobral

– Já que tocou no assunto, pode me falar um pouco mais do material que você já lançou até agora?

Em 2013 saiu o EP “Vai na Fé”, que tem no iTunes, Spotify, Deezer etc… De lá pra cá lancei singles, lancei “Brazilian Drumanbass” em parceria com o Drumagick, dupla de irmãos DJs e produtores musicais, essa faixa tocou na festa Tomorrowland na Inglaterra. Lancei “Lady – Uma Canção para Billie Holiday”, lancei também “Liberdade Mística” em parceria com Kiko Dinucci, e agora em agosto sairá meu próximo single, “Baiano Tororó”, que fiz em homenagem ao Gilberto Gil.

– Quais as suas principais influências musicais?

Gilberto Gil, Bob Marley, Belchior, Luiz Gonzaga e Tom Jobim.

– Pode me falar um pouco mais sobre o single?

“Baiano Tororó” trata-se uma canção em homenagem ao compositor-mor, Gilberto Gil. Fiz essa música após ter assistido seu documentário “Tempo Rei”. É uma singela homenagem, a letra traz também uma atmosfera baiana, negra, brasileira, com arranjos de flauta, uma espécie de “sambossasoul”, eu diria.

– Você toca na rua. Como você vê essa nova gestão em São Paulo, que têm tirado os artistas de rua de circulação?

Bem, ainda não fui retirando da rua, a polícia passa por mim e apenas observa. Mas me parece que o novo prefeito que escolheram (e eu não faço parte dessa escolha) quer tirar os músicos de rua com seu projeto Cidade Linda! Também acho que essa nova gestão… se é que pode chamar de gestão uma coisa dessas, eu chamaria de indigestão. Uma cidade sem orçamento de cultura é uma cidade morta, um país sem investimentos em cultura é um país pobre. E quando falo em cultura é todo um universo de coisas envolvidas…

– Como você vê a cena independente de hoje em dia?

Sinceramente existe muito amadorismo, eu mesmo me sinto amador nesse sentido, mas isso vem de uma cultura já estabelecida. Não estou generalizando, que fique claro. Tem muita coisa a ser feita, São Paulo é uma cidade grande mas tem muito artista desistindo de lutar e de fazer sua arte por conta desse amadorismo que existe na própria politica cultural! Mas de certa forma a cena independente está sim evoluindo e evolui a cada dia. Estamos mais unidos, se autoajudando, mas ainda é muita roubada. Pra fazer um show num boteco qualquer tem gasto, e às vezes mal temos dinheiro pro ônibus, como já aconteceu comigo. A cena independente é também uma armadilha se você não souber gerenciar e planejar. Não da pra fazer tudo sozinho, querer se vender, ensaiar, estudar… Não dá, vai ser tudo meia boca, como está sendo: luz ruim, som ruim, show ruim… Claro que isso é tudo muito relativo e deixo aqui bem claro que não estou generalizando.

– Então essa queda das gravadoras com o aumento do streaming acabou sendo negativo, de certa forma.

Sim e não. Tudo tem dois lados, acredito! Com as gravadoras acredito que você tinha ali uma certa comodidade e se preocupava apenas com a música, com sua execução. Os caras organizavam tudo: turnê, os caras pensavam diferente, planejava… Mas também, você tinha que fazer o que os caras mandassem. Isso é o que dizem, não sou dessa época, talvez nem dessa (risos)… Mesmo assim, todo dia são lançadas músicas e músicas, você baixa 10 discos num dia, grátis… E não ouve nenhum. Por outro lado, você descobre uma penca de artista bom, gente que te inspira, uma facilidade para gravar e divulgar, se lançar no espaço…

– Ou seja, a internet no fim é uma boa ferramenta, mas atinge somente quem realmente está interessado em garimpar.

É por ai. Às vezes navegamos à deriva, eu mesmo já me vi fazendo isso. Estou sempre me policiando, a liberdade às vezes é um labirinto. Eu às vezes sinto que ando em círculos! Precisamos ser mais disciplinados. Não estou aqui querendo colonizar ninguém, só acho que um pouco de disciplina poderia dar um up. Bem, eu tô falando isso pra mim mesmo, pois não tenho disciplina para estudar inglês, por exemplo. Minhas musicas tocam no mundo todo já, ano passado fui pra Europa com um inglês tupiniquim cavernoso.

– Quais são seus próximos passos musicais?

Bem quero continuar lançando singles, até uma cambada de gente falar “Sobral, lança um disco, já ouvi umas 5”. (risos) É pouco… Mas musicalmente falando, falta em mim um amadurecimento que já está se dando ao longo dessa trajetória até aqui… Mas estou estudando percussão corporal, estudando harmonia, sempre compondo. É isso, em agosto sai o single “Baiano Tororó” pelo selo Batucada Records, e talvez no começo do ano outro. Está vendo por que é tudo amador? Como que um artista compositor como eu, que faz música todo dia, lança dois singles por ano, às vezes nenhum, por que falta de grana? Sem grana a gente não faz nada. Ainda bem que tem parceiros que acreditam e fazem na parceria, senão eu ja teria desistido… Eu não to chorando as pitangas não, eu tô é arregaçando as mangas… Por isso toco na rua… em breve farei um show na Paulista, voz e violão!

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Bem não sei se são todos independentes, mas vamos lá: Kiko Dinucci,  CuruminTiganá SantanaTatá Aeroplano, Lenna Bahule. Tem uma penca, mas com esses daí já da pra ver onde quero chegar!

Molotov Conspiracy, de Minas Gerais, injeta a cultura skate em seu punk rock rápido e sem freios

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Molotov Conspiracy

Formada por Gustavo Ottoboni (guitarra), Gabriel Ottoboni (bateria) e Caike Motta (baixo), a Molotov Conspiracy é de Piranguinho, uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Lá, o trio começou em 2012 sua mistura de hardcore, punk, surf music e thrash crossover e chegaram até a ser expulsos de um show ao ar livre por uma igreja das proximidades. Interior, sabe como é.

É claro que o lifestyle interiorano não é poupado nas letras do primeiro disco do trio, “Country Pit”, que mostra um pouco das influências de Suicidal Tendencies, Agent Orange, as trilhas da série de jogos “Tony Hawk’s Pro Skater”, surf music e molecagem. Agora, eles preparam seu segundo trabalho, a ser lançado em breve.

Conversei com eles sobre sua carreira, a vida de banda independente no interior, a influência do skate e sua cultura e mais:

– Como a banda começou?

Caike: A banda começou em 2012. A ideia inicialmente era se ter uma banda pra tocar por diversão nos rolês. Trabalhar numas músicas autorais. Acabou que foram surgindo músicas, ideias, e a gente foi levando. Cada hora trazendo um tipo de influencia diferente, desde que soasse rápido. O projeto foi inicialmente idealizado pelo Gu,
acho que ele pode comentar mais sobre as origens, pré 2012.

Gustavo: Entre 2006 a 2008 mais ou menos eu tinha uma outra banda de HC melódico com o Gabriel e o Yuri, um amigo nosso de Piranguinho, a Fastfood. Não chegamos a gravar nenhum material oficial, além uma demo caseira de um som que se chama “Esse É Um Lugar Feliz”. Foram tempos divertidos, mas a banda não vingou. Se hoje em dia o espaço pro underground é limitado aqui no sul de Minas, imagina há 10 anos atras. Fora outros projetos da adolescência como o The Mente e o Punk Rock 900º que tomaram o mesmo rumo, sem registros. Bom, a partir de 2009 eu comecei a entrar mais na onda do HC oitentista depois de ver o Suicidal Tendencies com o clip de “You Can’t Bring Me Down” na MTV e ter achado a proposta do som fodástica. Na sequencia fui descobrindo os clássicos do HC/skate punk, tipo Black Flag, Dead Kennedys, JFA, Agent Orange, Bad Brains, a Grinders e assim por diante. Nessa pegada fui redescobrindo o punk rock como lifestyle e o skate também. E então, em 2010, rolou em Itajubá, uma cidade vizinha, a segunda edição do Sobrevivência Punk, onde tocaram entre outras bandas o Lo-Fi Punk Rock e o Orgasmo de Porco. E foi nesse caldeirão que tive o insight de voltar a fazer som, com uma pegada mais agressiva e barulhenta, e em meados de 2011 começar a compor “Freedom is my Religion”. Mas o maior problema estava sendo achar um baixista para fechar o power trio, sempre tive preferência por tocar em trio, gosto do desafio de fazer um som legal com menos. Todos que ouviam a proposta achavam o som barulhento demais. Então, em 2012, o Caike me mandou por acaso uma demo tocando baixo, gostei da pegada e então convidei ele pra fazer parte do trio e então começamos a trampar nos sons.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Gustavo: A base de tudo que fazemos é a música veloz em geral, que seja HC punk, crossover e “crássicos” da surf music como “Wipe Out”, “Misrlou”, “Malagueña”. Fora isso, buscamos colocar um pouco das preferências musicais de cada um da banda. A regra é, não temos muitas restrições pra compor desde que saia algo, rápido, visceral e original. Cada som que compomos tem uma cara própria.

Caike: Eu como baixista traria muito a influencia de Suicidal Tendencies, Red Hot Chili Peppers, Municipal Waste, até um pouco de Funkadelic, John Frusciante… mas aí mais pra criação dos riffs e não no estilo que eles são tocados. Pra tocar, é ser rapido e casar com a melodia.

Gabriel: Bom,  como baterista, comecei a tocar aos 11 anos de idade por conta própria, sempre tive vontade de tocar e na primeira oportunidade que me apareceu eu agarrei e não deixei o prazer da música de lado em nenhum momento até agora. Posso acrescentar que minhas influências são as mais distintas em relação aos outros integrantes da Molotov. Sempre tive a influência mais puxada para o lado metal e thrash, e no começo como baterista, uma das maiores influências mais “puxada” para o nosso estilo foi o Travis Barker (da blink-182), mas com a evolução no instrumento, sua cabeça vai abrindo e novas influências acabam que por conta própria cruzando teu caminho. Não poderia com certeza deixar de lado uma das maiores influências da Molotov, o Suicidal Tendencies. O Eric Moore como baterista pra mim foi uma coisa inovadora, pois o cara sabe usar de recursos como viradas totalmente imprevisíveis e muita velocidade, o que me deixou ainda mais surpreso porque eu pude notar que a velocidade com certeza é questão de prática,  se é que vocês me entendem (risos). Enfim, acho que toda essa miscigenação de influências e toda a bagagem que a gente vem carregando nesses anos todos favoreceu demais pra composição geral de um estilo que considero totalmente original.

Gustavo: O Gabriel é o cara das técnica. (risos) Bão demais!

– E de onde surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Gustavo: Sendo bem sincero? Foi coisa de molecagem. Como estava na vibe de fazer um som mais barulhento e agressivo, da mesma forma queria um nome que soasse agressivo, e a primeira coisa que veio a cabeça foi algo que tivesse a ver com bomba e explosões. Foi uma escolha meio pretensiosa? Foi! Mas conforme fomos colando nos rolês e a galera foi acompanhando o som, o nome vingou e se espalhou. Daí ficamos com esse mesmo. (risos)

– Me falem um pouco mais do trabalho que vocês lançaram até agora.

Caike: O nosso primeiro EP é mais um compilado das músicas autorais que a gente vinha coletando entre 2012-2014. Sempre que o Gu surgia com um riff novo, uma letra nova, a gente fazia uma música dali. A ideia foi sempre trazer musicas novas, pra que a gente não ficasse limitado ou tivesse que tocar só cover. Porque a banda começou com uma música autoral, no máximo duas! Como foram músicas que foram surgindo num período de 2 anos, cada uma representa um momento específico. Eu vejo o álbum mais como uma carta de apresentação. Ele foi gravado em Cambuí, no Totem Studio, com a exceção de uma música, “We Are The New Working Class”. Foi um processo longo, caro (custeado pelo Gu) e totalmente no DIY. Mas a intenção era ter um material pra dar um passo à frente, sair das garagens e tentar alcançar novos lugares.

Gustavo: Esse EP é bem nessa vibe mesmo, foram sons feitos entre o início da banda até 2015, mais ou menos. O nosso processo de composição é lento. Esse ano pretendemos lançar material novo e que vai seguir mais ou menos o mesmo processo, mas pode esperar que vem mais pancadaria por aí!

Caike: O que fez a diferença e a gente não quer agora, por exemplo, é gravar cada música em uma época… A gente quer um EP que soe único. Gravar as músicas numa data especifica, pra não soar cada música como se fosse gravada em uma época.

– E como a cultura skate faz parte do som da banda?

Caike: Gustavo vai poder falar melhor sobre isso, mas, de forma resumida… toda a influência de sons pra banda vem do skate. “Tony Hawk’s Pro Skater”, querendo ou não, foi um meio de propagar tanto o skate pra galera, quanto as bandas que rolavam na cena. Tiramos dali boa parte das influencias. Mas o Gu vai poder ir além, porque ele era o skateiro daqui (risos).

Gustavo: Como o Caike disse, o THPS popularizou a contracultura do skate, e foi a partir dos games clássicos que entrei no skate e comprei meu primeiro board vagabundo. Eu tinha uns 14 ou 15 anos, acho, e com o tempo fui tomando conhecimento do que o skate representou na decada de 80 e 90, a transgressão de ambientes, a marginalização, e, claro, a sonoridade que cercavam essa cena, como Grinders, JFA, The Faction, Agent Orange, entre outras coisas que rolam nesse meio. Na banda, especificamente, trazemos a parada da diversão e agressividade e a insatisfação com a questão de o skate ter perdido esse sentimento outsider pra se tornar algo cool nas grandes mídias, ser encarado como esporte e chegar ao ponto de ser inserido nas Olimpíadas, e tudo isso após as grandes corporações se adentrarem nesse meio. Pra nós o skate é diversão, transgressão, integração de tribos, um trabalho de criatividade e roque veloz, somente.

– É, aqui no Brasil normalmente skate aparece meio sempre ligado ao Charlie Brown Jr.

Gustavo: Sim, não que isso seja completamente ruim, o Chorão sempre esteve ligado com o skate e isso é bacana, porém a coisa ferrou quando atingiu as Rede Globo da vida. (risos)

Molotov Conspiracy

– Bom, como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Gustavo: Hoje em dia pra quem gosta de rock, principalmente, a cena independente está em ebulição. Acho que nunca antes fazer uma gravação de boa qualidade foi tão acessível quanto hoje em dia. Somos muito fãs dos 80’s em termos de hardcore, mas hoje em termos de qualidade de gravação a coisa tomou um aspecto mais bem produzido, mas sem ficar fresco e cheio de firulas. Aqui em Minas muita gente diz que não há mais rock, porém eu digo que é falta de buscar se informar. É muito facil conhecer bandas legais hoje em dia, independentemente do seu gosto musical. O lance é que a forma das bandas se articularem hoje em dia é completamente diferente das décadas passadas. E muita gente não se adapta por falta de interesse e caretice mesmo, mas em contrapartida a galera produz mesmo e tem um certo público. Costumamos dizer que o rock voltou pra onde nunca devia ter saído.

– Já que você falou de Minas, como anda a cena por aí?

Gustavo: Ela é espalhada aqui no sul de Minas, em cada canto tem algumas bandas. Tem nós em Piranguinho, Santa Rita tem o Pino de Granada, Pouso Alegre tem o xBicuda do Rastax e o Casca Podre, Cambuí tem o Tumbero e o Monstreze e assim vai, mas é sempre difícil adentrar os festivais grandes da região que focam em bandas cover de classic rock e metal. O nosso movimento se concentra em praças, pistas de skate e no CPB, o rock bar de Cambuí do Manoel (Tumbero).

Caike: Tem mais banda na real, tá surgindo uma levada diferente também, tipo a galera da Galope Discos, que é um selo de Pouso Alegre que até pouco tempo eu desconhecia. https://galopediscos.bandcamp.com/  É uma vibe diferente da nossa, claro, é uma coisa mais experimental. Mas é autoral, e não dá pra negar que é um movimento.
Também tem uma cena de hip hop, mas acho que a galera ainda tá muito presa na ideia de ser o que foi o Bonde da Stronda, por exemplo. Mas só de começar algo autoral na região, onde tudo é consumir mais do mesmo, já é algo bem relevante.

– Quais são os próximos passos da banda?

Caike: Sem dúvidas alcançar públicos e espaços que a gente ainda não chegou. Uma das metas da banda pra esse ano é começar a tocar aqui em SP, quem sabe em outros lugares também. Sair um pouco do ciclo do sul de Minas, começar a levar banda pra lá e a exportar banda de lá. Também estamos querendo gravar um EP novo aí, 4 musicas que já tocamos, mas que estamos dedicando todo o carinho e atenção pra fazer uma coisa grande, bem feita. Quem sabe algum EP de instrumental surf, é uma possibilidade também, mas esse é só plano!

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Caike: Vamos lá: Tumbero, Casca Podre, xBicuda do rastax, The Barber, Water Rats, Lo-Fi, Deb & The Mentals, A Creche, Lomba Raivosa, Aloha Haole, Middlemist Red, Ventre, Dum Brothers… The Barber é muito o que a gente tá esperando pro próximo EP. É uma banda russa, que tem uma pegada bem do jeito que a gente gosta. Mais uma banda: Molho Negro!

Gustavo: Do que ando acompanhando, tenho muito em comum com o Caike!

Lisergia, experimentalismo e minimalismo musical com Raf F. Guimarães e Amigas de Plástico

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Raf. F. Guimarães

A independência prolífica de Raf F. Guimarães rendeu uma discografia diversa e interessante cheia de experimentalismo e lisergia, além de sua paixão pelo minimalismo. Com ou sem a banda Amigas de Plástico, ele continua trabalhando em sua música tratando-a como ela deve ser tratada: como arte.

Seu mais recente trabalho, “Phase 3”, saiu em CD e vinil e mostra um pouco do conceito de desconstrução da música que o artista seguiu, com minimalismo e noise em quase todas as faixas. Agora Raf prepara seu segundo trabalho solo, sucessor de “Lofi em Mono”.

Conversei com ele sobre seus trabalhos, influências e sua desesperança na cena independente:

– Como você começou sua carreira?

Momento viagem no tempo… No início das Amigas de Plástico, a banda estava mais interessada em criar um “caos organizado”, muito orientada pela desconstrução da música que o Einsturzende Neubauten fazia. Isso era ’98. A banda foi meu primeiro projeto musical que foi concebido em não ser “hobby”, mas a ideia girava muito em torno de criações espontâneas… Meia dúzia de “temas/riffs” e muita improvisação… Não havia o menor interesse em gravar nada. Era meio “o que ficar nas nossas cabeças e na memória das pessoas é o que interessa”. Isso explica o porquê do lançamento tardio do primeiro disco. Só após a primeira (de muitas) diluições de formações é que eu comecei a digerir a ideia de gravar. Esse hiato durou alguns anos, enquanto isso eu fiz trilhas, produzi alguns amigos, fiz engenharia de áudio para outros…

– Já que você falou dele, me conta mais sobre o primeiro disco!

Ele tinha tudo para não acontecer! No “Tschüss” (‘adeus’ em alemão, que por um erro de grafia arte da capa virou “Tchuess”) a idéia da gravação final veio de uma conversa minha com o Will Sergeant (do Echo and the Bunnymen) sobre gravar uma música por dia e só voltar para a mesma quando fosse mixar. Foi o que aconteceu: uma música por dia, gravação em rolo, tudo gravado no primeiro take! Várias coisas naquele disco eu não tenho ideia de como apareceram na fita, várias músicas terminaram totalmente diferentes do que eram, pela atmosfera q foi criada na hora… Muita coisa foi improvisada (e errada) na hora também. Era um modo de manter a ideia da espontaneidade viva… Eu acabei voltando a esse “método” de uma música por dia quando gravei meu primeiro solo, o “Lofi em Mono”. Quando todo o instrumental estava pronto, eu estava bem desanimado com o meio musical em si… A ideia de ajudar a todos e ninguém ao menos perguntar como você esta segurando a barra. Eu não tinha a menor força para gravar os vocais, mas o selo que ia distribuir o CD estava super animado. “Não importa, nós vamos lançar ele assim como está, está perfeito…E vamos fazer um poster: the greatest unfinished album ever released!” E foi o que fizeram! (risos). Eu estava imerso em uma psicodelia pesada na época, muita gente fala pra mim que o disco quem algo de shoegaze/dream pop… Mas o que eu acho mais sensacional é como ele involuntariamente conta a estória de um relacionamento. Ele começa por “Oi”, passa por “Este é o meu novo amor”, a coisa desanda em “13 mentiras” e termina com um “Adeus”. Acabou que eu curti bastante o “exercício” que o Will me propôs como solução pra um disco que não saía do mundo das idéias e desde então eu comecei a tratar todos os álbuns como uma relação entre uma conceito de tema e uma metodologia de gravação específica… Acho que tem dado bons resultados até agora.

– Aí depois veio o “Nada”, né. Como foi a produção desse trabalho?

Isso! Na época do “NADA!” o Diego tinha voltado para o projeto… como o “Tschuess” foi bem solto e tem uma atmosfera um pouco, digamos, romântica, eu pensei em ir ao extremo oposto… Em trabalharmos a gravação como control freaks e o conceito seria algo como “o lado sujo/grotesco do amor” (Na época eu, particularmente, estava metendo o pé na jaca com sintéticos em geral)… Acho genial o disco começar daquela forma. Você sabe o que é um “68”? “Você me chupa e eu te devo uma”. E é unissex, nem podem me chamar de misógino. É uma musica sobre sexo oral e dominação.

Raf F. Guimarães

– E depois veio “Ipanema”, já com outra pegada.

Sim… “Ipanema” era uma musica bem do inicio da adp…anos 90, baseada em uma historia real…a ideia era ter um 12″ com o single de “Ipanema” (e umas sobras da gravação do “NADA!”) de um lado e um EP (“Não Existe Fudeca em São Paulo”) do outro. Este era basicamente cordas e sintetizadores, falando sobre relacionamentos à distância. Nessa época estávamos a todo vapor, tínhamos sido convidados pra tocar no programa de entrevistas do Marcelo Yuka… Estávamos já trabalhando o que seria um próximo álbum (“Without Teeth” referencia ao NIN, com o Tião Macalé na capa, óbvio)… Mas o Diego deu uma mega sumida já com bastante material gravado (para depois anunciar seu desligamento), eu já estava sacando que tinha algo errado enquanto não conseguia falar com ele e coloquei a ideia do “Lofi em Mono” em prática, para não ficar parado… Voz e guitarra, só, usando o amplificador como instrumento. Sem pedais, sem pós produção. novamente tudo em fita. Quando o “Lofi…” ficou pronto, eu tive o mesmo grau de realização que tive quando o “Tschuess” saiu. Pra mim foi um disco bem intenso e, em termos, era a semente do que eu desenvolvo hoje.

– E depois veio um EP com poucas músicas.

Depois do “Lofi…” eu ainda não estava totalmente pronto para a ideia de deixar de lado (mesmo que por um tempo) a Amigas de Plástico. Então fiz uma série de 4 singles mensais, e o lado negro da força (digo, do minimalismo) foi tomando conta cada vez mais de mim! (risos)

– E foi daí que surgiu o “Phase 3”, que saiu até em vinil.

Sim sim… Nesta época dos singles eu tinha que bater ponto aí em SP uma vez por mês, basicamente. Conheci o Ricardo Garcia do Fita Crepe e combinamos de fazer uma apresentação lá, que seria um estudo preliminar do que viria a ser o “Phase 3”. Na época eu ainda tinha a mentalidade deadhead de distribuir ácido nos shows, então você pode imaginar… De certa forma, ali eu comecei a desconstruir os elementos da música e trabalhar com cada vez menos variáveis …A ideia de La Monte Young de que o minimalismo é música feita com o mínimo de recursos possíveis foi algo como a interseção entre meu trabalho solo até então e todo o percurso da Amigas de Plástico de apresentar conceitos/práticas do avant garde de forma digerível ao publico “não iniciado”.

– E o “Phase 3” te rendeu um ótimo retorno, né?

Foi surpreendente e ao mesmo tempo desanimador (risos). Mas os bons momentos fazem valer a pena, tipo quando o Rosco (ex-Spacemen 3/The Darkside) veio falar super bem do álbum (ainda rolou um escambo de discos…)

– Desanimador porque?

Então…eu costumo dizer que hoje em dia não existe “cena” em lugar algum. Existe “panela” e existe bastante “fogo amigo”. Sabe, eu não suporto o Renato Russo, mas ele tem uma frase que é sensacional. Ele fala que o problema das pessoas é que elas brigam pela luta errada. Você não pode brigar pelo espaço do outro, você tem que lutar por um espaço para você! Mas a maioria das bandas pensam que realmente é uma competição, e as pessoas te boicotam de 300 formas. Basicamente você acha que tem amigos, mas só tem filhos da puta. Coisas da vida. Mas se você pensar que são males que bem para o bem, é tudo lucro. Mas o álbum vai muito bem em streaming, as pessoas começam a achar que você está em outro nível quando você fala que tem um vinil…

– Então sua opinião geral sobre a cena independente hoje é negativa.

Definitivamente. grande parte das plateias em show independentes/undergrounds são músicos que estão ali por que querem roubar a ideia do set up do seu som e/ou falar que faz melhor… Não existe um apoio fraterno sem um interesse obscuro no que você tem a oferecer.

– E você acha que o vinil está voltando à ativa entre quem realmente gosta de música?

Olha, em números da Associação Internacional as vendas de vinil voltaram ao nível que estavam no início dos anos 90… Acredito que grande parte seja hype, mas levando em conta o fato de que uma boa loja de discos hoje trabalha com LPs, acho que grande parte dos reais fãs consumidores de música, opta por CDs em edições especiais ou pelo vinil… O grande público mesmo não consome música.

– O grande público consome o que a mídia e o mainstream oferecem.

Até mesmo o publico “alternativo”. Eles baixam mp3 mega comprimidas pra escutarem em seus iPhones com fones de ouvido de 5 reais…

– Como você definiria o som do Amigas de Plástico?

Eu tenho duas boas definições. Música para você se sentir bem em ser um merda. Música elegante para pessoas vulgares (ou o contrário). Mas talvez essa segunda se adeque mais aos discos solo.

Raf F. Guimarães

– Quem você citaria como maiores influências pro Amigas de Plástico?

Neubauten, Glide (o projeto solo do Will Sergeant), Death in June, minimalistas em geral (Glass, Cage, Riley, Young), Psychic TV

– Quais os próximos passos da banda?

Bom… A Amigas de Plástico está em um hiato estratégico, como fala o próprio encarte do “Phase 3”, e eu estou seguindo solo… Acabei de lançar um EP “Gitanes et Toréros”, que foi composto e gravado em coisa de uma semana no inicio do ano, vou continuar seguindo em frente como essa espécie de Don Quixote e espero lançar um novo álbum no final do ano. Esse deve sair em uma edição mega limitada, entre 20-50 vinis.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes!) que você ouviu nos últimos tempos e chamaram sua atenção.

Wolvserpent, mono, Boris, Phurpa, Phallus Roi, T.G. Olson

Eu Sou o Gabe: música deprê-cômica feita por um cara cômico-deprê

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Eu Sou o Gabe
Gabe Cielici

Talvez você conheça Gabe Cielici por vê-lo às vezes pelas ruas com sua mesa com a plaquinha “Piadas de Graça”, ou talvez o tenha visto saindo vencedor do Prêmio Multishow de Humor de 2015. Ou, quem sabe, você nunca tenha ouvido falar do rapaz barbado que sempre começa suas apresentações com a alcunha que usa artisticamente: Eu Sou o Gabe.

Em 2015 ele lançou seu EP “Músicas Para Ex-Namoradas”, um disco com algo de folk e muito de histórias de amores desfeitos e ressentimento. Apesar de se tratar de um trabalho humorístico, recebeu diversas críticas pelos retratos de pensamentos violentos (como os Mamonas Assassinas já fizeram em “Uma Arlinda Mulher”). Hoje o próprio compositor acha que são coisas a serem deixadas para trás. “Eu entendi que a maior parte do problema estava sobre eu não saber lidar com os sentimentos, acho que muita gente passa e passou por isso. Hoje eu não conseguiria escrever músicas sobre ex-namoradas, hoje só consigo olhar pros meus próprios fracassos e julgá-los”, explica.

Suas novas músicas tratam de depressão e tristeza de uma forma que pode-se dizer bem-humorada. É algo que fica entre a trilha sonora para o suicídio e um álbum de humor. Em músicas como “Gabeer” e “Cáries e um Cupido” dá pra notar que a comédia auto-depreciativa é o foco do trabalho de Gabe atualmente. Em breve ele lançará seu próximo EP, “Bueiro das Barganhas”, em homenagem à boêmia Rua Augusta e seus frequentadores.

Conversei com ele sobre sua carreira, o EP “Músicas Para Ex-Namoradas” e sua recepção, a influência do punk rock e seu futuro:

– Como você começou sua carreira musical?

Eu comecei em 1998 influenciando pelo álbum “Nimrod” do Green Day. Meu pai me levou na extinta W&K Music em Santos e me comprou uma Epiphone Special Sunburst pra que eu treinasse ao invés de ficar tocando guitarra virtual na frente do espelho enquanto meus irmãos me zoavam. Aí eu comecei a fazer aulas de guitarra com um grande música da Baixada Santista, o Reinaldo Andrade. 1 mês depois eu já tinha uma banda chamada Memphis (o nome dos prédio onde eu morava e ensaiava no salão de festas).

– E como era o som da Memphis?

Um punk rock melódico bem simples 4/4, como ainda é hoje. O meu animal interior é uma música de punk rock melódico simples.

– E como esse som se transformou no projeto Eu Sou o Gabe?

Desde sempre continuei tendo bandas e tocando. E as partes que eu mais gostava dos shows, era no intervalo entre uma música e outra que eu falava alguma coisa, algum pensamento ou só apenas besteira no microfone. Aí quando teve o boom do Stand Up Comedy no Brasil eu 2009-2011, eu já tinha morado no Texas com minha tia e primos, e lá eu consumia muito Stand Up. E nessa época eu tava parado com banda, deprimido, sem emprego, então me joguei pra SP pra tentar a vida autoral na comédia. Passei 1 ano dormindo na rodoviária da Barra Funda todos os dias, tomava banho na casa de amigos, fazia show e ia pra rodoviária. Aí desenvolvendo as piadas em palcos, não demorou pra eu abrir meu hardcase do violão, o empunhar e tentar escrever canções pra compor meus sets de piadas e musicáliza-las.

– E foi aí que surgiu o EP “Músicas Para Ex-Namoradas”?

Sim sim, falei dos meus relacionamentos e da maneira como eu não sabia lidar com sentimentos, eu era imaturo, ainda sou, mas hoje prefiro ficar sozinho pra não atrapalhar a vida de ninguém. Nunca fiz nada grave e nem traía, mas eu sempre projetava algo que eu não era pra me sentir aceito e isso eventualmente acarretava problemas, eu vivia fugindo de uma bola de neve que ia crescendo e eu era bola de neve.

Eu Sou o Gabe

– Seu EP chegou a receber acusações de ser machista por causa das letras.

Sim, chegou. O que é normal ao se ouvir uma música sobre trancar sua ex na geladeira, é uma visão bem psicótica. Mas eu nunca falei de todas as mulheres em geral, e a música falava da ideia de congelar o sentimento, o momento, eu não tranquei ninguém em frigorífico algum. E com certeza minha visão mudou desde a época que eu compus o EP, eu entendi que a maior parte do problema estava sobre eu não saber lidar com os sentimentos, acho que muita gente passa e passou por isso. Hoje eu não conseguiria escrever músicas sobre ex namoradas, hoje só consigo olhar pros meus próprios fracassos e julgá-los.

– Ganhar o prêmio Multishow de humor te deu mais força pra continuar fazendo música?

Deu sim, foi nele que eu voltei a me apegar a minha música mais do que nunca. Foi quando eu descobri o câncer da minha mãe, e eu estava numa depressão pesada, e durante o Prêmio Multishow eu me uni de uma maneira com meu violão e minhas piadas como nunca tinha feito antes, como se fosse a última vez que eu estivesse fazendo aquilo. E estou assim desde então.

– As suas músicas são todas autobiográficas ou você se inspira em coisas que acontecem com outras pessoas também?

São todas autobiográficas de coisas que aconteceram ou eu senti. Eu tava passando por um bloqueio criativo recentemente, pois ando passando por situações mais tristes do que o comum, e não tava querendo falar sobre isso pra não me expor no fundo do poço, mas eu lembrei que eu estou aqui pra cantar sobre minha vida, não importa onde eu estiver. E foi daí que veio minha última música “Gabeer – Cerveja & Solidão”. É a realidade que eu tenho vivido, madrugadas nos bares da Augusta depois de sair dos meus shows de Comédia, pensando com o copo na mão e o cotovelo apoiado no balcão. Eu tava querendo emagrecer e viver novas histórias saudáveis pra contar, e dizer que eu saí da Depressão e vai ficar tudo bem, mas pelo jeito esse tipo de composição não vai sair tão cedo.

– Você já pensou em fazer algo com banda novamente?

Penso todas vezes que eu empunho o violão, penso o como seria bom um baixo pesado pra me arrepiar e uma bateria pra fazer minha cabeça sacudir, mas eu tô pra montar uma banda com uma galera, vamos ver.

Eu Sou o Gabe

– Já está compondo para um novo EP?

Sim, o “Bueiro das Barganhas” (apelido carinhoso que dou pra Augusta) sai no dia 11/05. Vai ser produzido pelo Tavares.

– Opa, me fala mais sobre ele! Como foi a composição desse EP? Por que usar a Augusta como tema?

Esse EP é uma crônica musical sobre a minha relação com a Augusta. Eu moro no centro no pé da Augusta, tudo que eu faço, pela Augusta eu passo. Quando vou contar piadas de graça na Paulista, eu subo pela Augusta. Os dois bares que eu me apresento faz 3 anos, ficam na Augusta, eu vou andando pros meus locais de trabalho, pra rua contar piadas e pros bares pra tocar e musicalizar as piadas. Tem madrugadas eu sou tomado por uma inquietação dentro meu kitinete, e então eu calço meus sapatos e vou caminhar na Augusta pra pensar, parar no Bar do Bahia e uma cerveja tomar, a Augusta tem sido a rua da minha vida nos últimos anos. E então, desde que tudo aconteceu, minha carreira de comédia em SP, o Prêmio Multishow, a Comedy Central, desde antes, durante e depois, eu já estava subindo e descendo a Augusta, colando cartazes de shows na ruas, entregando panfletos de shows, conversando com donos de bares pra conseguir fechar shows, os mesmos proprietários de bares que hoje são meus colegas de trabalho e amigos. E é sobre isso que eu estou escrevendo pra poder cantar.

– Quais as suas maiores influências musicais?

The Get Up Kids, Laura Stevenson, Millencolin e Chuck Ragan.

– Você já fez apresentações só musicais, sem stand-up junto?

Não desde que não tenho mais banda.

– Quais os seus próximos passos em 2017?

Emagrecer.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Bomb The Music Industry e Title Fight, da gringa, e BaySide Kings e BlackJaw de Santos!

Duda Henklein, de 7 anos, desce a mão na bateria e deixa todo mundo de boca aberta

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Duda Henklein

Nas últimas semanas as redes sociais pipocaram diversos vídeos que deixaram qualquer fã de música de boca aberta: uma menina de apenas 7 anos tocando “Toxicity” do System of a Down no Programa Raul Gil e no programa americano Little Big Shots, com “Wipe Out”. Eduarda Henklein toca bateria com a competência de uma profissional e ao mesmo tempo parece que está brincando, pois se diverte como ninguém. Quer uma prova? Basta ver os gritos de “wooo yeeeeeeeah” durante sua apresentação do clássico da surf music nos Estados Unidos. Até de olhos vendados ela já tocou, no Faustão, no popular quadro “Se Vira Nos 30”, fazendo um solo complexo e estruturado que deixa muito batera por aí no chinelo.

Conversei um pouco com sua mãe Mel Plens, que contou sobre como surgiu o interesse pela percussão e dá a dica de que em breve pode surgir uma banda mirim por aí!

– Como a Duda começou a tocar? O que a fez se interessar pela bateria?

A Eduarda começou a tocar bateria em fevereiro de 2014, nós demos uma bateria a ela quando ela ainda tinha 2 aninhos, porém só aos 4 anos e meio ela resolveu pegar e daí sim disse ‘vou tocar bateria’. Ficamos surpresos e então o pai dizia ‘faça assim’ e ela repetia cada movimento. E assim foi, ficamos abismados com a desenvoltura precoce. Sendo assim, pesquisamos por qual música seria mais fácil para iniciantes e então surgiu o AC/DC, daí o rock. Bom, ela destruiu as peles da bateria de brinquedo e compramos uma bateria de jazz, que é um pouco menor. Tentamos matricular ela em uma escola para aprender corretamente, mas nenhuma escola aceitava pois ela só tinha 4 anos. Enviamos um vídeo e imediatamente ela foi aceita em um escola de bateria. Depois disso, em maio, ela já estava se apresentando como convidada no Programa Mais Você da Ana Maria Braga na Rede Globo e depois não parou mais, e esta aí, como todos podem ver, conquistando o mundo.

– E de onde surgiu o gosto pelo rock?

Quando o pai pesquisou qual música era mais fácil para iniciantes surgiu o AC/DC, depois disso a maioria das musicas do repertório dela são rock.

– Ela faz shows solo ou acompanhada de uma banda?

Solo e com banda também, mas faz mais solo.

– Quais músicas estão sempre no repertório da Duda?

Isso varia, pois quando ela é convidado para programas nacionais, eles mandam a musica e ela aprende para estar acompanhando o artista. Porém, ela tem uma playlist de mais de 30 musicas que ela costuma tocar em suas apresentações. Entre elas tem AC/DC, com “Back In Black” e “Highway To Hell”Deep Purple com “Black Night”Guns’N’Roses com “Sweet Child O’ Mine”, “You Could Be Mine” e “Welcome To The Jungle”Metallica com “Enter Sandman” e “Master Of Puppets”Pearl Jam com “Last Kiss”Pink Floyd com “Hey You”Rush com “Tom Sawyer”Survivor com “Eye Of The Tiger”Beatles com “Don’t Let Me Down”“Help”“Jump” do Van Halen, “Toxicity” e “Chop Suey” do System of a Down e “Black Dog”, do Led Zeppelin, entre outras.

– Ela já têm mostrado interesse em fazer algum trabalho autoral, formar uma banda?

Sim, formamos uma banda de crianças no final de 2016, fizeram algumas apresentações, porém como não eram da mesma cidade, preferimos parar e esperar um pouco.

– Como foram essas aparições no exterior?

Foram convites, todos os programas, de Los Angeles, Bogotá, México, Milão, Alemanha…

– Como foi a recepção no exterior?

Muito boa! Na Colômbia os fãs a reconheceram no aeroporto e nas ruas de Bogotá. Na Alemanha tinha fãs esperando ela na chegada do aeroporto com presentes e no hotel, fãs foram conhecê-la pessoalmente e levar presentes…

– Ela tem alguma banda preferida?

Varia muito, pois ela é criança e de acordo com o que ela esta tocando no momento é o que ela diz gostar, mas gosta muito do Metallica e do Kiss.

– Interessante você citar o Kiss. Mesmo sendo uma banda antiga, ela ainda atrai as crianças, talvez pelas maquiagens e tal. Ela já se maquiou de Kiss?

Verdade! Pois é, ainda não, mas tem um projeto de um vídeo dela maquiada e com uma roupa parecida.

Duda Henklein

– Por falar nisso, ela mesma que escolhe as roupas? O figurino dela de vestido de princesa e botas de cowboy detonando na bateria é incrível!

Eu que escolho o figurino dela para todas as apresentações… As botas são estilo rock e não cowboy! (risos)

– Quais são os próximos planos da Duda musicalmente?

Ela continua estudando bateria, inglês e teatro. Temos convite para mais um país mas não posso revelar ainda. Em breve! Continuaremos a fazer programas nacionais e estamos aguardando contato de um empresário que queira realmente trabalhar com a nossa filha Eduarda.