Construindo Giovanna Moraes: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

Read More

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Giovanna Moraes, que está trabalhando atualmente seu mais recente disco, ‘Àchromatics’

“20 músicas que inspiraram ‘Àchromatics’? Queria ter mais do que só 20! É engraçado – de certa forma essas são músicas e pessoas que me inspiram ou inspiraram criativamente – algumas trago comigo desde criança da época quando não escolhia muito o que ouvir, já outras entraram em cena enquanto eu estava gravando o disco e procurando referências pra ajudar a criar meu som. Tem muitos outros sons que entraram em cena desde então – tudo é inspiração! De qualquer forma aqui vai minha tentativa”, diz.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Ella Fitzgerald“Perdido” (“Live at Mister Kelly’s”)

Impossível não falar de Ella Fitzgerald. Amo a natureza com que ela canta, fazendo qualquer coisa parecer fácil. Essa música já escutei tanto que transcrevi o solo dela quase inteiro (risos). Tem um tom de felicidade e bom humor nela – acho impossível não sorrir ouvindo.

Esperanza Spalding“Good Lava” (“Emily’s D+ Evolution”)

Amo como a Esperanza mesclou jazz com rock nesse CD, mas, especialmente nessa musica, gosto muito dos slides vocais que ela usa. É um recurso que também utilizei no meu álbum e eu não conhecia antes de ouvi-la.

Hiatus Kayote“Molasses” (“Choose Your Weapon”)

Amo Nai Palm, acho que a voz dela incrível e essa música maravilhosa com uma pegada bem rítmica. Parece que tem uma novidade a cada compasso.

Fiona Apple“Hot Knife” (“Idler Wheel”)

Fiona arrasa, canta com uma emoção de um jeito que eu sinto o que ela quer dizer, mesmo se não escutei a letra. A música faz com que o idioma no qual ela canta não faça diferença.

Aurora“Murder Song (5, 4, 3, 2, 1)” (“All My Demons Greeting Me As A Friend”)

Admiro muito a voz da Aurora e suas linhas melódicas. Acho o trabalho dela lindo, uma referência para meu trabalho visual também. Aurora é das minhas, deixa você achar que entendeu o que está acontecendo e aí joga algo que você não esperava.

Gilberto Gil“Refazenda” (“Refazenda”)

Acredite ou não, mas acho que tem uma pegada de baião na parte C da minha canção “Dark”. Escutei muito à “Refazenda” treinando a rítmica para conseguir gravar.

Tom Zé“Toc” (“Estudando o Samba”)

Amo essa música doida. Escutando ela sinto que tem um mundo de coisas, pensamentos acontecendo em paralelo, em ciclo – variações do mesmo problema, pingando pela música até que acaba, do nada.

Gal Costa“Cultura e Civilização” (“Gal Costa”)

Adoro a Gal e sua flexibilidade vocal e acho que tem uma pegada de se arriscar no jeito que canta, adoro. Ela não tem medo de errar, porque ela sabe errar, e sabe que no erro vem algo de inédito, honesto e bonito. Acho que nesse sentido tenho algo de Gal também.

White Stripes“Seven Nation Army” (“Elephant”)

Amo White Stripes! Não é nenhum segredo (risos). Desde a estética e o “branding” do vermelho-preto-branco do Jack White, ao som e a química entre ele e Meg, me encanta a confiança de fazer um som tão grande com dois integrantes somente.

Jimi Hendrix“Foxey Lady” (“Are You Experienced”)

Amo essa música e amo Jimi. Já passei altos micos cantando e dançando essa música quando pensei que estava sozinha, rs. Para mim, Jimi tem uma pegada amarga e um som pesado, delicia, gravado em afinação 432Hz.

Patti Smith“Gloria: In Excelsis Deo” (“Horses”)

Acho a Patti incrível! Ela começa seu álbum de estreia, Horses, com essa musica, já deixando claro que ela se responsabiliza por tudo na sua vida, inclusive seus pecados. Uma mulher que canta pra caralho e que abriu mil portas mostrando que mulher pode ser e cantar do jeito que quiser. Mil brincadeiras de timbre, escuto muito como estudo.

Sepultura“Roots Bloody Roots” (“Roots”)

Eu adoro esse álbum todo – acho muito incrível a historia por trás desses brasileiros fazendo metal pesado em inglês e arrasando. Pelo que conheço da história, um deles teve um sonho tribal onde o índio chefe voltou irritado com o homem civilizado pela coisas completamente irracionais que ele fez sobre a terra. Adoro isso, de um álbum conceitual, acredito que o meu seja também. Descobri o que é “Drive Vocal” ouvindo Sepultura também.

Beach Boys“Wouldn’t It Be Nice” (“Pet Sounds”)

Falando de álbum conceitual, impossível não falar de Pet Sounds. Sinto que entendo a pegada de Brian Wilson, isso de querer usar tudo como instrumento – de fazer coisas que muitos poderiam achar estranho e feio, mas como num todo funciona de um jeito lindo.

Blondie“Hanging on the Telephone” (Blondie – Parallel Lines)

Mulher bandleader com cara de meiguinha (risos), já adorei. Foi um dos primeiros CDs que comprei, adoro sua mescla entre rock e pop.

The Runaways“Cherry Bomb” (“The Runaways”)

Meio riot grrrl, mulheres fodas, cansadas de ter que fazer o papel de menininha, quebrando tudo e ao mesmo tempo tirando um sarro. Adoro.

Talking Heads“Psycho Killer” (“Talking Heads 77”)

Gosto dessa pegada da letra, de não ser só significado, mas também uma sonorização. Um de minhas músicas também traz isso, no caso, “Dark”, onde no lugar de um “Fa Fa Fa” vem um “D-D-D”, mas com esse recurso.

Frank Zappa“The Walking Zombie Music

Sons mais experimentais e com essa pegada de improviso que eu adoro. Fora que ele é um performer maravilhoso! Gosto muito, tanto que fui ver a banda do filho dele, Zappa plays Zappa, sozinha, porque não achei ninguém pra ir comigo e me diverti pacas (acho uma delicia ir sozinha em show, aliás).

Queen“The Show Must Go On” (“Innuendo”)

Freddie Mercury não tem comparação. Gravada em um take, no final da vida dele, quando ele já estava bem mal e mesmo assim uma das músicas que ele canta com mais recursos vocais. Acho essa música treta.

Beatles“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”)

Não só a música, o álbum como um todo redefiniu o que são os Beatles pra mim e o que é música popular. Mostrando que dá pra fazer algo complexo e conceitual, mas que ainda tenha um apelo popular ao mesmo tempo. Adoro o aspecto performático também, com o álbum sendo a peça toda.

Hermeto Paschoal“Quebrando Tudo”

Hermeto não pode faltar – meu compositor favorito! Inclusive tive o prazer de conhecê-lo enquanto estava gravando o disco em uma apresentação/bate papo dele na UNICAMP. Acho ele vital para qualquer um que tente fazer música de um jeito diferente. Para mim o Hermeto é um símbolo de inovação musical – mostra que existe muitos mais sons e instrumentos para descobrir. O projeto dele, de melodias inspiradas em sons falados, acho incrível também. Quando fui falar com ele, ele respondeu com a mesma melodia e rítmica que eu falei com ele (risos). Doidão, adoro ele.

Construindo Serapicos: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Construindo Serapicos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo se baseia: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Serapicos, que indica suas 20 canções indispensáveis.

The Magnetic Fields“The Nun’s Litany”
‘Considero o Stephin Merrit, compositor do Magnetic Fields, o melhor letrista de todos os tempos. Sua obra deveria estar ao lado de Shakespeare, Camões e Cervantes. Essa canção é só uma amostra do que esse desgraçado é capaz de fazer.’

Leonard Cohen“Bird on a Wire”
‘Muito difícil escolher apenas uma música do Cohen. Mas se tivesse que apresentar apenas uma música dele para os alienígenas seria “Bird on a Wire”. Essa música é um soco no estômago, a síntese da vida de um poeta.’

Rufus Wainwright“Going to a Town”
‘O Rufus é incrível. Letrista fudido, baita cantor e uns arranjos muito cabeçudos e lindos.’

Nina Simone“Sinner Man”
‘Essa música veio de um espiritual tradicional americano. E a Nina Simone é ridícula. Que artista catártica!

Judy Garland“Somewhere Over The Rainbow”
‘O salto de oitava entre as duas primeiras notas já dá toda vibe dessa masterpiece cinematográfica. Depois fizeram aquela versão no ukulelê tirando esse salto e estragaram a música. Escrita por Harold Arlen, que também compôs “Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive”, outra pérola.’

System of a Down“B.Y.O.B.”
‘System é uma das bandas mais criativas dos últimos 150 anos. Adoro o ritmo frenéticos de melodias diferentes, quebradas ritmicas e berros ensandecidos. Influencia muito meu pensamento de forma musical e como estruturar canções sem seguir a fórmula óbvia verso-refrão.’

Green Day“Basket Case”
‘Talvez a música que mais tenha mudado minha vida. A primeira frase da melodia acompanhada pela guitarra mutada de power-chord foi minha obsessão dos 11 aos 27 anos, quando comecei a compor.’

Tuva Semmingsen“Lascia ch’io pianga”
‘Essa é uma ária de Handel que toca na abertura do filme “Anti-Cristo” do Lars Von Trier. É uma melodia devastadora e essa música resume bem minha adoração pela música sacra.’

Bajaga“Muzika na struju”
‘Esse é um rock iogulsavo com um refrão super-catchy embora seja impossível cantar junto. Gosto bastante do sotaque musical de melodias do leste europeu. Os caras mandam bem.’

Ella Fitzgerald“Let’s Do It”
‘A Ella é uma das grandes intérpretes da obra do Cole Porter, talvez o maior compositor e letrista da primeira leva Broadway. Essa música é uma aula de como falar de putaria sem ser nada vulgar.’

Linda Scott“I’ve Told Every Little Star”
‘Essa música toca no filme “Mulholland Drive” do David Lynch. Gosto músicas que tocam em um filme e conseguem resumir toda a atmosfera da história. Escrita por Jerome Kern, outro monstro do Early Broadway.’

Adoniran Barbosa“Iracema”
‘Pra não escolher “Trem das Onze”, vou de Iracema. Melodia linda e melancólica. E o que dizer desses backings femininos que entram harmonizando em coro? Fudido.’

Rogério Skylab“Você Vai Continuar Fazendo Música”
‘Skylab é o maior poeta vivo que temos nesse país. Essa música é um super desincentivo pra quem quer ser artista.

Cérebro Eletrônico“Cama”
‘Conheci essa música ao vivo em um show do Cérebro e assim que veio o refrão pensei ‘Caralho’.

Júpiter Maçã“Um Lugar do Caralho”
‘O Júpiter foi um dos primeiros cancioneiros da música brasileira que me identifiquei. Essa música é um hino negligenciado pela grande mídia.’

“Se Essa Rua Fosse Minha”
‘Essa canção é de autoria anônima, tem cara de ser portuguesa. Que melodia assombrosa e atemporal.’

Jefferson Airplane“White Rabbit”
‘Essa música foi escrita pela Grace Slick, frontgirl do Jefferson Airplane. É a minha favorita da fase psicodélica do rock. Muito melhor que Rolling Stones.’

Johnny Cash“The Man Comes Around”
‘Nessa canção, Cash descreve o Apocalipse. Lembro de ouvir nos créditos de um filme de zumbi antes de saber quem era Johnny Cash. Esse foi o último disco dele antes de morrer e dá pra ouvir o sopro da morte saindo de voz sussurrada e salivada.’

4 Non Blondes“What’s Up?”
‘Todo mundo que nasceu em 1990 foi influenciado por essa música. Refrão grudento demais, quebrada pro falsete de eriçar os pelos da nuca. Escrita por Linda Perry.’

Enya“Orinoco Flow”
‘Essa é uma obra-prima da World Music. Melodia e arranjo hipnóticas. Parabéns para Enya.’

Frank Sinatra“My Way”
‘Essa música foi traduzida do francês pelo grande Paul Anka. Tudo é perfeito nesse arranjo cantando pelo Frank Sinatra. E é dessas canções que exemplificam perfeitamente um pensamento e uma sensação universal.’