Portugueses do Dirty Coal Train deixam ouvidos de público de turnê brasileira zunindo

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The Dirty Coal Train

Os lisboetas Conchita de Aragón Coltrane (ou Beatriz) (responsável pela jinx guitar, refrões possuídos, leitura de mãos) e Reverend Jesse Coltrane (ou Ricardo) (titular do baixo do Velho Testamento, guitarra exorcizada, bateria do capeta e pregação) formam o duo The Dirty Coal Train, que sempre conta com um baterista convidado durante suas turnês pelo mundo. Em sua recente segunda passagem pelo Brasil, o convidado foi Marky Wildstone, responsável também pela Wildstone Records e Wildstone Productions, que trouxe a banda para terras tupiniquins.

Donos de uma bagagem musical respeitável (os EPs e singles “Killer Brains From Venus” (2012, Monotone), “The Beast of Boliqueime” (2014, Zip-a-Dee-Doo-Dah), “Invasion Of The Tiki Men” (2015, Zip-a-Dee-Doo-Dah), “Weird” (2015, Zip-a-Dee-Doo-Dah) e “Spaceship to Cucujães” (Wildstone Records) e os discos “The Dirty Coal Train” (2013, Independente), “Dirty Shake” (2014, Monotone) e “Super Scum” ‎(2016, Groovie Records)), os portugueses mostraram o poder de seu garage rock do submundo com o fuzz pegando fogo em uma turnê brasileira que passou por São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Piracicaba, Porto Alegre, São Carlos, Poços de Caldas, Franca, Serrana, Americana, Vila Velha, Goiânia, Sorocaba, Botucatu, Passo Fundo e Gravataí. Para eles, a diferença entre o Brasil e Portugal é meramente de tamanho. “Tirando isso, o habitat é o mesmo. Tem bicho bom e bicho ruim como em todo o lado! (risos) O que sentimos no Brasil foi coisas que também sentimos lá: sítios mais competitivos e fechados e outros em que mal chegamos fazemos logo amigos para a vida toda. É só mesmo o facto do Brasil ser do tamanho da Europa e não só de Portugal! (risos)”

Conversei com a dupla (e mantive o português de Portugal nas respostas!) sobre a turnê brasileira, sua carreira, o trocadilho com Coltrane, a cena independente portuguesa e mais:

– Como a banda começou?

A banda começou como projecto de Reverend Jesse (Ricardo) que gravou a 1ª demo sozinho. Depois disso evoluiu para duo, trio, quarteto,.. sempre a variar até estabilizar no trio: Ricardo, Beatriz e mais um baterista convidado.

– De onde surgiu o nome Dirty Coal Train?

O nome apareceu por influencia de um imaginário blues e rockabilly (onde povoam referencias a comboios e linhas de trem), misturado com o amor ao som sujo lo-fi (dirty) e a brincadeira com o nome de John Coltrane.

– Me falem um pouco mais sobre o material que já lançaram.

Ora vamos lá fazer um mini guia das edição então (risos): o primeiro single “Killer Brains from Venus” (edição limitada Monotone Discos, ligada à Groovie Records) foi gravado com Nick Nicotine tal como o primeiro LP. O single esgotou rapidamente e permitiu fazer dinheiro para lançarmos o primeiro álbum. O álbum reúne os primeiros temas, na sua maioria resultantes de demos de Rev. Jesse, mas com as primeiras colaborações com Old Rod (em temas como “Redin”, “Cabrona” ou “Lupus Hell-Oh-Vee” e Marie Laveaux (em “Zombie Bunny”)  Depois gravámos o 2º single, “Beast of Boliqueime” (também no estúdio King e com Nick Nicotine) com um cheirinho a surf sujo e o segundo LP “Dirty Shake” mostra já os primeiros temas com Conchita (Beatriz) como “Malasuerte” e “A Rock to the Muzzle”, temas ainda hoje tocados ao vivo com bastantes bons resultados. Foi totalmente gravado de forma lo-fi DIY numa tentativa de captar o som mais visceral de uma sala de ensaio. Depois da saída de Lena da bateria é lançada a compilação com os últimos temas inéditos gravados com ela e algumas demos: “Same old Lo-fi Shit” e logo de seguida “Invasion of the Tiki Men”, novamente gravado em casa pelo duo Ricardo e Beatriz com alguns amigos convidados. Em “Weird” a gravação caseira e estética lo-fi é levada ainda mais longe pois o duo assumidamente decide brincar ainda mais com a fórmula garage punk, usando por exemplo baterias com latas em vez de tarola na bateria (em “Stay Hungry”) e teclados de brincar (em “Skull”). “Super Scum” marca o 3º album e o regresso da banda a estúdio, ajudada pelo grande baterista Carlos Mendes (que tocou em bandas como Tedio Boys, Parkinsons... e hoje toca em Twist Connection) que ainda toca com a banda pontualmente. Finalmente “Spaceship to Cucujães” é um single gravado na tour Brasileira de 2015 com Marky Wildstone e foi lançado para coincidir com a tour Brasileira de 2016.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Muitas, mas juntamos num caldeirão o garage dos anos 60 (bandas como Sonics, Troggs, Standells, Stooges…), o blues mais antigo (Skip James, Blind Willie Johnson…), algum surf (Dick Dale, Link Wray, Davie Allan…) e passamos tudo pela trituradora do punk rock (desde Ramones a Crass).

– Como foi a recente turnê pelo Brasil?

Excelente! Sabe muito bem acabar uma tour e para além de bons momentos musicais haver um grande número de pessoas com que trabalhámos e tocámos a que passámos de chamar amigos! Demais para referir! Vamos só sublinhar a importância da Wildstone, que apesar de algumas adversidades e pessoal que teima em que não dá para fazer de facto… fez! E mais que fazer, conseguiu arrastar público para ver uma banda autoral que (a maioria) não conheciam. Esta luta de trazer pessoas mais novas da imediatez da promoção da TV e internet para ver ao vivo uma banda que mal conhecem é algo muito louvável e é por aqui que passa a nova musica. Não em programas de TV para eleger novos cantores e novas bandas. Isso é bom para menininhos da mamã, mas não acreditamos que o público fique bem servido nesses programas, seja qual for o estilo da banda ou artista!

The Dirty Coal Train
No Brasil, com Marky Wildstone

– Contem um pouco sobre a cena independente portuguesa para nós. Como estão as coisas por lá? Quais bandas vocês destacariam?

A cena portuguesa é pequena mas está bem dinâmica e é muito rica! Desde bandas essenciais como The Parkinsons e The Act-ups a bandas com gente velha guarda do rock como o caso de Fast Eddie Nelson, Twist Connection, Subway Riders, Volcano Skin, Planeta Quadrado e nomes novos como Conan Castro & the moonshine Pinãtas, O Quarto Fantasma, Thee Brooms, Postcards from Wonderland… muita coisa boa diversificada dentro do independente.

– Quais as principais diferenças entre as cenas underground de Portugal e do Brasil?

O tamanho, tirando isso o habitat é o mesmo. Tem bicho bom e bicho ruim como em todo o lado! (risos) Mas como é sitio mais pequeno tem em muito menor quantidade até porque na cena independente/underground as bandas e outros interessados ou se unem ou acabam por desaparecer (diluídos numa normalidade obsoleta? quem sabe…) O que sentimos no Brasil foi coisas que também sentimos lá: sítios mais competitivos e fechados e outros em que mal chegamos fazemos logo amigos para a vida toda. É só mesmo o facto do Brasil ser do tamanho da Europa e não só de Portugal! (risos)

The Dirty Coal Train

– Acreditam que a internet ajudou a aproximar bandas de outros países de forma mais simples? A internet ajuda o artista independente?

A internet é uma ferramenta enorme para divulgação e fazer contactos. Claro que nesse sentido ajuda. Por outro não podemos esquecer a evolução que a livre circulação de informação trouxe sobretudo na imediatez com que se consome tudo e também no quão rápido algo se torna obsoleto e ultrapassado. Isso acontece também com bandas. A imprensa está sempre à procura da banda nova para vender/promover. Essa pressão também chega ao underground mas aí vemos quem está mesmo de coração e quem estava para tirar foto e aparecer na revista. Quem está de coração fica e continua a tocar depois de levar chute no cu da revista, não é? (Risos)

– Quais os próximos passos da banda?

Tocar mais e lançar gravações de uma demo caseira gravada em 2012 com uma temática muito especial.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Para além dos nomes portugueses que dissémos? Nós só ouvimos banda velha! (risos) Mas vamos tentar disparar uns recentes também misturados: Goggs, Cheater Slicks, Chain & the Gang, Oblivians, Thee Headcoats, Mummies, Gories, 13th Floor Elevators, The Seeds, The Music Machine, The Electras… e não deixem de ouvir as 2 melhores bandas de rock de sempre: Cramps e Dead Moon!

Duo português Fingertips prepara novo EP seguindo seu caminho eletro pop alternativo

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Fingertips

O duo português Fingertips está conseguindo cada vez mais tocar o coração de seu público com a ponta dos dedos. Com apresentações no Rock in Rio Lisboa, Shanghai West Bund Music Festival e Eurogym 2012, além de abrir para bandas como Queen e Paul Rodgers, The Corrs, George Michael, Nelly Furtado e The Cure, a banda leva seu eletro-pop alternativo a novas alturas e está trabalhando em um novo EP que será lançado ainda este ano.

Formada por Rui (guitarra e synths) e Joana (vocal e synths), a banda se inspira em artistas como David Bowie, U2, Muse e Depeche Mode, caminhando pela música eletrônica com pitadas e rock em um som criativo e desafiador. Conversei com Joana sobre a carreira do duo, a cena independente portuguesa e sua recente visita ao Brasil:

*as respostas foram mantidas na gramática portuguesa.

– Como começou a banda?

A história dos Fingertips é bastante engraçada!! Tem o seu início em 2003 e, por essa altura, eu era apenas uma grande fã da banda. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que os ouvi e vi ao vivo. Em 2010, com a saída do vocalista, os Fingertips lançaram um desafio por todo o país, em busca de uma nova voz para a banda. No meio de centenas e centenas de concorrentes, eu venci o desafio! Foi um momento muito emocionante, não é todos os dias que te tornas o vocalista de uma das tuas bandas favoritas! E não é, também, todos os dias que começas a ouvir a tua voz na rádio ou sobes ao palco do Rock in Rio Lisboa! Foi de arrepiar!

– De onde surgiu o nome The Fingertips?

Do facto de querermos tocar o público com as nossas músicas, do mesmo jeito que tocamos o mundo com a ponta dos dedos (fingertips).

– Quais são as principais influências da banda?

Temos muitas e de variados estilos, desde artistas mais antigos a mais recentes. Alguns exemplos são os Depeche Mode, Queen, Pink Floyd, Joy Division, David Bowie, Muse, Arctic Monkeys, Lorde, entre outros.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Como algo mais posicionado no Pop-Alternativo.

Fingertips

– Me contem um pouco mais sobre “Out Of Control”.

A “Out of Control” é um grito de revolta contra todas as normas pré-estabelecidas da sociedade. Parece que quando nasces já tens que ser qualquer coisa que alguém pensou para ti. Mas, na verdade, tu tens que ser tu, porque só assim és feliz. Não tens que ser o crânio da tua turma ou a miúda 86-60- 86. É ok seres quem és! Compusemos e gravámos a canção no nosso estúdio aqui em Portugal. Mas, por alguma razão, sentíamos que precisava de algo mais. Um outro tipo de energia que só alguém que tivesse estado fora do processo iria conseguir dar. Foi então que conhecemos o Mark Needham. Fizemos as malas e viajámos para Los Angeles. Foi incrível trabalhar com o Mark!

– Contem um pouco mais sobre a visita de vocês ao Brasil!

Visitamos o Brasil em Setembro de 2014, para dois concertos e vários showcases privados, direccionados para a indústria musical, quer em São Paulo, quer no Rio de Janeiro. Foi bastante produtivo e divertido ao mesmo tempo. Conhecemos novas pessoas, rimos muito, visitámos lugares fantásticos e, acima de tudo, partilhámos as novas canções com um público muito especial. Tivémos um feedback super positivo e, confesso, gostaríamos de voltar. Quem sabe, subir ao palco do Rock in Rio no próximo ano!

– Como está a cena musical independente de Portugal hoje em dia?

Bastante interessante. Mas, acima de tudo, desafiante, pois há imensas bandas e artistas a surgir neste momento em Portugal, numa área mais independente, com imensa qualidade. Acabamos por ter de nos reinventar a todo o momento para conseguir destaque, o que acaba por ser muito positivo ao nível da criatividade.

– Porque cantar em inglês, e não em português?

Por várias razões! Em primeiro lugar, a música, por si só, já fala uma linguagem universal. É como se a melodia contasse histórias sem ter que falar. Em segundo lugar, nós crescemos a ouvir o rock cantado em inglês. As nossas influências, como partilhámos há pouco, expressam-se maioritariamente através da língua inglesa. Logo, isso ficou debaixo da nossa pele ao longo dos anos. Para além disso, com o estilo de música que produzimos e, tendo em vista a sua expansão ao nível mundial, fez sempre mais sentido para nos cantar numa língua que possa chegar a mais gente. O que não quer dizer, no entanto, que não sejamos apaixonados pela língua portuguesa. Porque, de facto, somos!!

Fingertips

– Quais os próximos passos do The Fingertips em 2016?

Depois de termos chegado da Califórnia, onde demos concertos em lugares emblemáticos como o Roosevelt Hotel, regressamos ao estúdio para continuar a compor e produzir canções – a inspiração não tem prazo de validade não é? – e estamos a projectar dois concertos de apresentação das novas canções da banda aqui em Portugal, aquando do lançamento do novo E.P.. Entretanto, vamos dando mais novidades e partilhando o nosso dia-a- dia com os fãs através do Facebook, Twitter e Instagram.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Troye Sivan, Amber Run, Gavin James, Oh Wonder e Best Youth!

Irmãos Archie and the Bunkers mostram como um órgão pode trazer a energia de volta ao garage punk

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Archie and The Bunkers
Archie and The Bunkers

O “hi-fi organ punk” de garagem de Archie and the Bunkers me pegou logo na primeira audição. Como pode um duo formado apenas por bateria e órgão ser tão punk sem nenhum instrumento de cordas ali? E, por incrível que pareça, guitarra e baixo não fazem falta ao som da dupla de Ohio. Emmett O’Connor (16 anos, bateria) e Cullen O’Connor (13 anos, órgão e vocais) começaram a banda em 2013 e já lançaram dois EPs gravados no porão da família. No final do ano passado, saiu “Archie and The Bunkers”, seu primeiro disco completo, produzido por Jim Diamond nos estúdios Ghetto Recorders.

“Não começamos com essa formação”, diz Emmett. “Meu irmão tocava baixo e estávamos procurando um guitarrista para começar a banda. Fizemos testes com alguns, mas nunca deu muito certo, pois eles eram sempre muito ocupados ou não estavam de acordo com o som que estávamos procurando”, diz. Foi aí que Cullen deu a ideia do órgão. Emmett não foi lá muito favorável com a ideia até que conheceu a banda setentista The Screamers, formada por um vocalista, um baterista e alguns organistas. E foi aí que a banda ainda sem nome dos irmãos se tornou Archie and The Bunkers, um duo sem baixo e sem guitarra cheio da crueza e atitude que só o punk tem.

Archie and the Bunkers

Emmett cita como influências para sua animalesca bateria pessoas como Keith Moon e Buddy Rich. Já para Cullen, a grande influência no órgão é Jimmy Smith. “Gosto de seu swing, seu soul”. Entre as maiores influências para as composições da banda, eles citam The Damned, Dead Boys e The Stooges. Apesar da pouca idade da dupla, a banda está em constante ascenção na cena de Cleveland. O duo já dividiu o palco com nomes como The Detroit Cobras, Obnox, The Sonics, The Fleshtones, The Woggles, King Khan and the BBQ Show, The Rezillos e até Cheetah Chrome, ex-membro de uma das bandas preferidas de Emmet e Cullen, os Dead Boys.

A crítica já está babando no auto-intitulado primeiro disco da dupla, lançado no segundo semestre do ano passado. “Para simplificar, o ‘Hi-Fi Organ Punk’ do Archie and The Bunkers é uma incrível mistura de garage punk com rock’n’roll puro que deixa seus ouvidos e imaginação desorientados”, disse o Ringmaster Review. “Essa dupla de irmãos adolescentes fez um dos melhores discos de 2015”, carimbou o The Durango Herald. “Puta merda, esse disco é foda! Com um grande nome e capa icônica, este duo de irmãos cativa sua atenção desde o início. O órgão Farfisa soa gigantesco e funciona perfeitamente com a bateria. Como se Keith Moon parasse com a anfetamina para uma batida mais estável e James Taylor e Booker T. fossem adolescentes fãs de garage punk”, define o Voix De Garage.

Archie and The Bunkers

Ouça o primeiro disco do Archie and The Bunkers aqui e apaixone-se. Afaste os móveis e tente não quebrar tudo:

Conheça as jovens irmãs do Skating Polly, o duo que encantou o Babes In Toyland

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Skating Polly

O duo Skating Polly é formado por duas irmãs de Oklahoma, Kelli MayoPeyton Bighorse, que se alternam na bateria, vocais, guitarra, baixo, teclados e tudo mais que a cabeça delas permitirem. Inspiradas pelo punk dos anos 70 e o rock alternativo dos anos 90, Kelli, de 15 anos, e Peyton, de 19, já lançaram três ótimos discos (“Taking Over The World” (2012), “Lost Wonderfuls” (2013) e “Fuzz Steilacoom” (2014)) e estão trabalhando no próximo, com produção de  Paul Kolderie (Dresden Dolls) e Jim Vollentine (Spoon, The Breeders).

As composições são criadas “fuçando nos instrumentos e descobrindo como fazer barulhos legais”, de acordo com Bighorse. Estes barulhos legais já receberam elogios de gente como Rosanne Cash, Kat Bjelland e Lori Barbero (Babes in Toyland, com quem as irmãs estão em turnê), Sean Lennon, Donita Sparks (L7), Kate Nash, John Doe (X), DJ Rodney Bingenheimer e até do ator Viggo Mortensen. A intenção da dupla é fugir dos sons que “estão na moda” e continuar fazendo música barulhenta, pura e autêntica, sem ligar para o que as rádios FM colocam nas paradas de sucesso.

“Os músicos que mais nos inspiram são aqueles que continuam trabalhando, que devotam suas vidas inteiras a criarem coisas novas e diferentes”, diz Kelli. “Muitas vezes vezes nos shows as pessoas falam pra gente ‘continuem fazendo o que estão fazendo, nunca parem’, e nós ficamos, tipo, ‘bom, nós não estamos planejando parar nunca'”.

Conversei com Kelli e Peyton sobre a carreira da banda, sua discografia, influências, o machismo no mundo da música e os constantes comentários sobre suas idades:

– Como a banda começou?

Kelli – Formamos a banda em uma festa de Halloween nós fizemos em 2009. Peyton e eu comecamos apenas fazendo jams e compondo músicas improvisadas para todos em nossa casa sem ficar pensando muito. Depois percebemos, “hey, a gente poderia realmente fazer isso!” e começamos a escrever canções e praticar todos os dias.

– Como surgiu o nome Skating Polly?

Kelli – Não sabemos ao certo de onde veio o nome, foi apenas um pensamento que passou pela minha cabeça. Queríamos um nome pelo qual ambas se sentissem representadas, de modo que originalmente iríamos colocar maiúsculas no K de “Skating”, de Kelli, e o P em “Polly”, para Peyton. Na minha cabeça eu sonhava com uma menina muito frágil chamada Polly, que em um instante colocava seus patins e saía chutando bundas em um roller derby.

Skating Polly

– Vocês são um duo. Porque esse formato é tão popular hoje em dia?

Kelli – Acho que está ficando mais e mais popular hoje em dia porque a tecnologia está tornando mais fácil para bandas com duas pessoas soarem tão grandes quanto elas gostariam. E não é fácil de encontrar 4 ou 5 pessoas que compartilham a mesma paixão e idéias sobre onde eles querem levar sua banda. Para nós, isso fazia sentido porque já éramos muito próximas, vivemos juntas em uma casa cheia de instrumentos, que eram músicas igualmente qualificadas, e amamos a mesma música. Nós nunca consideramos ter outro membro quando começamos, porque nós dois estávamos tão em sintonia uma com a outra e não nos importamos que nosso som seja nu e cru.

– Você se revezam nas guitarra, bateria e vocais. Como é que isso funciona para vocês?

Kelli – Nós dois amamos a escrever canções e cantar, então nos auto-ensinamos a tocar um baixo extremamente minimalista, guitarra e teclado, para que pudéssemos começar a escrever nossas próprias músicas o mais rapidamente possível. Geralmente quem escreveu a canção iria cantar e tocar o baixo, guitarra ou teclado nela e a outra iria escrever uma parte da bateria e backing vocals para a música. Quando começamos, eu odiava tocar bateria, porque achava que era o instrumento menos melódico possível, mas conforme fui ficando melhor no instrumento, comecei a gostar muito e apreciar a bateria em minhas músicas favoritas e escrever partes de bateria que não apenas mantivessem o ritmo, mas acrescentassem outra camada melódica para a música, para que ela fluísse e tivesse uma transição melhor na canção. Então, agora eu amo cada instrumento e parte que eu toco no Skating Polly e tenho certeza que Peyton também. Nós dois estamos tão envolvidas no processo de composição das canções de cada uma que cada música que criamos é muito pessoal para nós duas.

– Vocês acreditam que o machismo continua forte na indústria musical?

Kelli – Ah, definitivamente. Se você olhar para o fato de que todas as bandas com membros do sexo feminino são aglomeradas no gênero de “Bandas de Garotas”, o que não é um gênero de som. O fato de ser mulher não torna o som das bandas iguais. É só a cultura de homens brancos colocando uma barreira entre homens e mulheres por tratar com condescendência e chamando suas bandas de “bandas de garotas”, o que é o contrário de “bandas”. Ou bandas como Babes in Toyland e L7 – não importa quantas vezes eles digam que não são bandas riot grrrl, são chamadas de bandas riot grrrl em matérias ou entrevistas, porque são mulheres fazendo música alta. Ou se você olhar para o fato de que as maiores estrelas pop feminino são famosas por tirar a roupa, porque sua música não tem substância ou emoção e que as pessoas não querem substância, eles querem símbolos sexuais.

– Vocês tinham 9 e 14 anos quando a banda começou. Como é que as pessoas respondiam a uma banda tão jovem?

Kelli – Isso realmente nos ajudou, era uma coisa onde, quando as pessoas gostavam da música e, em seguida, descobriam o quão jovem éramos, elas gostavam ainda mais. Mas eu nunca quis vender a nossa banda pela nossa idade. Eu queria que as pessoas gostassem da nossa música pela música, e não porque éramos jovens. E eu realmente não acho que as jovens brancas têm tantas dificuldades na indústria da música quanto as bandas que estiveram por aí faz tempo, mas as pessoas não vão para seus shows, pois supõem que são velhos e sem graça. Ou as pessoas que querem começar bandas em seus 30 ou 40 anos ou mais e fazem música REALMENTE ótima, autêntica e pura, mas os selos não acham vendável porque a indústria da música gosta de juventude. Isso é absolutamente ridículo, a música não é sobre ser jovem e sexy, é sobre a porra da música!

Skating Polly

– Quais são suas principais influências musicais?

Kelli – Minhas maiores influências, que tem sido minhas influências por um bom tempo, são Nirvana, Babes in Toyland, Sleater-Kinney, Fiona Apple, Kimya Dawson, L7 e X. Recentemente eu tenho curtido muito Neil Young, Nina Nastasia, St. Vincent, Sonic Youth, Perfume Genius e Swans.

Peyton – Eu amo Elliott Smith e Neutral Milk Hotel, que são minhas duas maiores influências, mas também estou curtindo muito Big Star e Perfume Genius. Agora estou começando a curtir The Replacements e eu amo muito o segundo disco do Foxygen. É com certeza um disco muito legal do começo ao fim.

– Eu gostei muito de seus clipes. Quais são seus preferidos?

Peyton – Meu vídeo preferido de gravar foi “A Little Late”. Tivemos que dirigir para Los Angeles e filmar pedaços de vídeo pelo caminho, aí chegamos em casa e limpamos a nossa sala de estar para filmar a Kelli tocando piano. Foi muito divertido fazer a viagem. Também gostei muito de gravar “Blue Obvious”. Foi um vídeo de um só take, e apesar de ter sido um take, fizemos várias vezes, então Kelli acabou enchendo meu rosto de tinta várias vezes.

– Podem me falar um pouco do material que já lançaram?

Peyton – Lançamos três álbuns até agora. “Taking Over The World” foi o primeiro, em 2010. Gravamos ele quase completamente em casa, e aí levamos pro estúdio para registrar as baterias. Em 2013 lançamos “Lost Wonderfuls” e Exene Cervenka da banda X produziu. Para nosso terceiro, “Fuzz Steilacoom”, fomos até Washington para gravar com Calvin Johnson do Beat Happening em seu estúdio, Dub Narcotic, e lançamos o disco em 2014.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Peyton – Pode ser um desafio para turismo. Se não estamos sendo apoiadas por um artista maior, temos de tentar arduamente promover o nosso show e divulgar para o maior número de pessoas possível.

Skating Polly

– O que vocês acham do rock “sem guitarras” que tem sido lançado ultimamente?

Peyton – Eu acho que a música sem guitarras pode ser ótimo! Guitarras não são o que fazem uma música ser muito boa para mim. Enquanto há uma boa melodia, eu posso curtir.

– Quais são os próximos passos de Skating Polly?

Peyton – Estamos trabalhando em um novo álbum. Estamos mixando com dois caras diferentes agora, e ambos são muito, muito bons. Paul Kolderie está trabalhando em algumas faixas lá de Boston. Ele trabalhou em alguns de nossos discos preferidos, como “No, Virginia” dos Dresden Dolls. E também fomos até Austin para trabalhar com Jim Vollentine, que já trabalhou com o Spoon e The Breeders. As músicas estão ficando incríveis, mal podemos esperar para que todo mundo possa ouví-las!

– Recomendem algumas bandas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)

PeytonPerfume Genius é uma banda relativamente nova pela qual estou apaixonada desde que lançaram seu primeiro álbum, “Learning”. Eles são uma das melhores novas bandas nos últimos anos, na minha opinião. Nós tocamos com um monte de bandas independentes legais desde que começamos a turnê. Nós viajamos com Babes in Toyland por todo o Reino Unido em maio e Lauren, da Hands Off Gretel, nos deu seu CD e adoramos. Tyson Meade é um cara local, que estava no Chainsaw Kitten e Defenestration, e ele lançou um disco solo alguns anos atrás, que era simplesmente estelar. Nossos amigos de Lawrence, Major Games, lançaram um registro muito legal este ano, também.

 

“O rock vive, mas você precisa ir a shows e festivais para senti-lo 100%”, diz o duo The Monday Project

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The Monday Project se irrita constantemente pois, por ser um duo,  ouve comparações com o Royal Blood e tantas outras bandas que apostam no formato enxuto com apenas guitarra e bateria. “Não somos um clone pegando o rabo do cometa. Somos rockers com um som e personalidade próprias”, dizem. Formada em 2013 em Londres, a banda era originalmente um trio, mas com o tempo perceberam que três era demais e somente com Darius (aka Mr. D) (voz e guitarra) e Luka (aka Duck Face) (bateria e backing vocal) já tinham o som cru, simples e barulhento que queriam.

“O garage blues pesado do TMP, guiado por ótimos riffs, ritmos pesados e batidas retumbantes fala por si só” disse a revista The Blues Mag, sobre as comparações com Black Keys e White Stripes. Com os singles “The Waiting Game” e “London Samba” e o EP “Small Talk” (2015) no currículo, a banda tem tocado “por cervejas” e está louca para trazer sua barulheira para o Brasil.

Conversei com Darius sobre a carreira da banda, a proliferação de duos e a popular morte do rock:

– Como a banda começou?
A banda começou como um trio. Alain (o ex-baterista) deixou o projeto assim que marcamos alguns shows. Luka tomou seu lugar como um favor. Depois de alguns shows e ensaios, ele disse: por que não ficamos como um duo? Foi uma boa idéia… E apostamos nela.

– Qual o significado do nome “The Monday Project”?
O nome The Monday Project é o resultado de meses sem encontrar um nome bom. Nós costumávamos ensaiar toda segunda-feira… Simples assim!

– Porque o formato duo é tão popular no rock hoje em dia?
É popular, mas ainda bastante incomum, nós achamos. Não são muitos os músicos que são “corajosos” o suficiente para pular em um palco sem o terceiro ou o quarto membro da banda. Ser um duo é um equilíbrio muito bom e é muito difícil encontrar esse equilíbrio. A música de um duo é geralmente crua e simples, a gente acha… E os ouvintes gostam.

– Então, vocês estão atualmente tocando por cervejas, segundo sua página do Facebook. Quantas cervejas seria necessário para trazê-los para o Brasil?
Sim, estamos tocando por paixão e cervejas. Clubes em Londres querem trazer a banda para uma multidão e se certificar de que eles tomem umas cervejas com você. Nós adoraríamos ir para o Brasil … só precisamos de alguns shows agendados e começar a economizar 🙂

The Monday Project

 

– Como é seu processo criativo?
O processo criativo do TMP é muito fácil … Nós fazemos uma jam até chegarmos alguns riffs juntos. Decidimos o que é o verso, refrão, ponte e blá blá blá… Vamos para casa ouvir o novo material e criar uma melodia para as letras e, finalmente, as letras no fim! Nossa música “We Are” foi feita em poucos minutos, por exemplo.

– Se vocês pudessem trabalhar com QUALQUER músico, quem seria?
Nós definitivamente gostaríamos de colaborar com The Bloody Beetroots. Ótima mistura de electro e rock.

– O pop matou o rock’n’roll?
Não, o rock’n’roll ainda está muito vivo, está apenas se escondendo por trás do enorme poder da mídia. Rock é a música que você tem que chegar e descobrir… Não é na TV, não é pelas principais rádios… Você tem que levantar a bunda da cadeira e ir a shows e festivais para senti-lo 100%.

– Como você definiria o som da banda?
Nosso som é simplesmente sólido e groovy no estúdio e ao vivo. Fácil!

The Monday Project

 

– Quais são suas maiores influências musicais?
Nós dois gostamos dos grandes riffs de guitarra de Tom Morello e Black Sabbath, a bateria alta e sólida de Tommy Lee e da criatividade dos QOTSA.

– Recomende bandas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)
Definitivamente Twin Creator (Irlanda) e Gonzo Morales (Dinamarca). Você pode ouví-los no soundcloud!

Um é pouco, mas dois pode ser sensacional: conheça 20 duos que você deveria estar ouvindo agora

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The Pack A.D.

Desde que o White Stripes apareceu, o terceiro (e quarto, quinto, sexto) elemento em uma banda de rock foi jogado para o escanteio por diversas bandas. Afinal, o rock requer simplicidade, certo? E isso não significa ausência de baixo na mistura, taí o Royal Blood e os Black Keys que não nos deixam mentir.

Pois bem: nem só dessas bandas que lotam estádios que vive o mundo dos duos. Eles estão por todo o mundo e merecem ser ouvidos. Conheça 20 destas duplas que não deixam pedra sobre pedra. Afinal, três é demais:

Skating Polly

A dupla é formada por Kelli Mayo e Peyton Bighorse, duas meias-irmãs de Oklahoma que começaram a tocar em 2009, com 9 e 14 anos, respectivamente. Kelli e Peyton se revezam no vocal, bateria e guitarras. Vale a pena ouvir os gritos riot grrrl das meninas que deixam as garotas do L7 cheias de orgulho:

The Hunted Crows

O duo da Austrália conta com o baterista Jacob Linnett no vocal e o guitarrista Luy Amiel dando também aquela força nos backing vocals. “Sniff You Out” já nasceu clássica e não faria feio em nenhuma playlist de melhores músicas de 2014. O EP “Hunted Crows” de 2014 está disponível no Soundcloud e no Spotify. Recomendo muito:

Siamese Spots

A dupla formada em dezembro de 2014 por Sidney Chase e Tahlia Tinkham, o Siamese Spots está trabalhando em seu primeiro disco, que deve ser lançado ainda este ano. Pena que pelo clipe de “Biteback”, elas incorporaram um baterista contratado… Ainda assim: vamos considerar que é duo e pronto!

3ÉD+

O nome diz tudo, não? Formado por Dom Orione e Leandro Lima, o 3ÉD+ está na estrada desde 2005 e lançou no ano passado o EP “Meteóros no meu Sangue”, disponível no Soundcloud. Conversei com eles aqui no blog, também.

The Pack a.d.

O garage porradeiro de Becky Black (Guitarra e vocal) e Maya Miller (Bateria e backing vocal) é coisa de louco. A dupla de Vancouver já tem 5 discos na bagagem, sendo o mais recente “Do Not Engage”, de 2014:

Horror Deluxe

Um duo que começou como uma marca de roupas e acessórios. Prix e Ucra são devotos de São Lux Interior e Santa Poison Ivy e se baseiam em psychobilly, punk rock e garage para compor suas músicas cheias de filmes B e Ed Wood. Eles já falaram com o blog também.

Black Pistol Fire

Os canadenses Kevin McKeown (guitarra e vocal) e Eric Owen (bateria), do Black Pistol Fire, misturam southern rock e garage punk e fazem um som alto, agressivo e cheio de blues na mistura. Vale a pena ouvir o disco “Hush or Howl”, último lançamento do duo, de 2014.

Crushed Out

Rock & Roll, Surf, Proto-Punk, Country Blues. Franklin Russell Hoier (Guitarra e vocal) e Moselle Spiller (bateria e vocal) bebem de diversas fontes para criar a mistureba que é o som do Crushed Out. Cada música é uma aventura sonora diferente:

Hyena Kill

A especialidade de Steven Dobb (Vocal e Guitarra) e Lorna Blundell (bateria) é fazer rock barulhento em sem medo de estourar volume, tímpanos e pele da bateria. O duo de Manchester cita como influência coisas tão diferentes entre si quanto Helmet, Tori Amos, Smashing Pumpkins e Skunk Anansie. Conversamos com eles no começo deste ano.

Los Chicos Problema

Um duo do México que mostra que quando se tem um baixo cheio de fuzz, não precisa de guitarra pra criar um som bem fuderengo. Na ativa desde 2001, Ana (bateria e voz) e Geo (baixo e voz) tem dois discos no currículo (“Los Chicos Problema”, de 2012, e “Estremécete y Rueda”, de 2013), além da participação em diversas coletâneas. Já passaram pelo Brasil e falaram com a gente! \o/

Blood Red Shoes

Um dos melhores duos que ouvi nos últimos tempos. Os ingleses Laura-Mary Carter (vocal e guitarra) e Steven Ansell (vocal e bateria) começaram em 2004 e já lançaram quatro discos, sendo o último, “Blood Red Shoes”, de 2014. Recomendo todos!

FingerFingerrr

Flávio Juliano (baixo e vocal) e Ricardo Cifas (bateria e vocal) estão na estrada desde 2008, quando a banda ainda era um quarteto. São um duo faz mais ou menos um ano, e com esta formação lançaram o single “Buck You”. Entrevistamos a dupla aqui no blog em abril.

Prinzhorn Dance School

Desde 2007, o duo Tobin Prinz Suzi Horn se revezam entre baixo, guitarra e bateria no Prinzhorn Dance School. O nome da banda vem do médico Dr. Hans Prinzhorn, que colecionava obras de arte criadas por seus pacientes com deficiência mental. O som fica entre o pós-punk e o rock alternativo.

Donna Duo

Um dos destaques do Breakout Brasil na Sony foi o Donna Duo. Formada por Dani Zan e Naíra Debértolis, a dupla faz um “pop milongueiro” puxado para a MPB, com uma pitada de samba e rock. O primeiro disco das garotas sai ainda este ano. Dani e Naíra conversaram com o blog em junho.

Moriaty

O Moriaty é um duo de Devon que se inspira em Sherlock Holmes, serial killers e teoria de cordas para criar seu “filthy indie blues”. Matthew Partridge (bateria, vocais) e Jordan West (guitarra, vocais) mostram serviço e o som é nada menos que sensacional. Confira minha entrevista com eles aqui no blog.

The Courettes

Flávia Couri (guitarra e vocal) e Martin (bateria) agitam a cena rocker da Dinamarca com o projeto The Courettes. O primeiro disco da dupla “Here are The Courettes“! saiu este ano e está fazendo um grande sucesso por lá. Falei com Flávia sobre o projeto.

Hank & Cupcakes

A doideira pop provocadora de Hank & Cupcakes está rolando desde 2008. Os israelenses Sagit “Cupcakes” Shir (bateria, vocais, piano) e Ariel “Hank” Scherbacovsky (guitarra baixo) investem bastante em seus video clipes malucos e artísticos e prometeram disco novo em 2016 na entrevista que fiz com eles.

E aí, conhece algum outro duo que faltou na lista? Recomende suas duplas preferidas aqui nos comentários! (E, lógico, não precisam ser só de rock…)

Duo suíço WolfWolf mostra seu “trash’n’roll” cheio de blues e punk inspirado em filmes B

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WolfWolf

WolfWolf

Em sua página do Facebook, o duo WolfWolf diz que seu blues é “tão limpo quanto uma lixeira de São Paulo”.

Formada em Grünenwald, na Suíça, em 2011, a banda mistura blues e punk gerando um som sujo e white trash (e, segundo eles, tem até alguns elementos de new wave do começo dos anos 80). Vindos “da floresta”, Mr. Wolf e Mr. Wolf (eles não revelam os nomes verdadeiros) só precisam de uma bateria (tocada em pé) e uma guitarra pra criar uma barulheira infernal cheia de personalidade e coesão.

Conversei com Mr. Wolf (é, pode ser qualquer um deles) sobre a carreira da banda, a cena rocker da Europa e o aumento do número de bandas com dois membros no mundo do rock:

– Como a banda começou?

Tocávamos em uma banda de stoner rock chamada The Toenails. Quando a banda terminou, decidimos seguir em frente como um duo (baterista e guitarrista) em um novo projeto. We grew up in the Swiss mountains in the forest. So we wanted a name that connects with the wilderness. And we are two band members. Mr. Wolf and Mr. Wolf.

– Como surgiu o nome WolfWolf?

Nós crescemos nas montanhas suíças, na floresta. Então, queríamos um nome que se conecta com a natureza selvagem. E nós somos dois membros da banda. Mr. Wolf e Mr. Wolf.

– Vocês são uma dupla. Por que este formato é tão popular no rock hoje em dia?

Não tenho certeza. Mas para nós faz sentido porque é simples de trabalhar. Muito mais fácil do que com quatro ou cinco membros.

– Vocês descrevem seu som como “trash’n’roll”. Por quê?

Bom, gostamos de mantê-lo simples e cru. Mas eu realmente não sei se é a descrição correta. Há também uma grande quantidade de punk nele. E Blues, é claro.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Na verdade, gostamos de um monte de diferentes tipos de música. Cada década teve grandes bandas e músicas fantásticas. Todos boa música é uma influência e inspiração. Mas é claro que preferimos música com guitarra e bateria.

– Você pode falar um pouco sobre “Homo Homini Lupus”?

Nós gravamos o álbum ao longo dos últimos 4 anos em muitas sessões de gravação de curta duração. Nós geralmente tentávamos gravar duas músicas em um dia, assim tínhamos a certeza de que nenhuma das canções fosse superproduzida e todas fossem bem diretas. Gravamos cerca de 30 músicas para o álbum. As que nós e o público mais gostavam nos shows acabaram entrando no álbum. Tematicamente, é principalmente sobre as coisas estranhas que acontecem na vida.

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– Vocês são muito inspirados por filmes de terror e que tipo de coisa. Quais são seus favoritos?

Todos os tipos de Filmes B dos anos 50 até agora. Desde os filmes de Ed Wood até “Machete”. Nós dois somos grandes fãs de filmes independentes. Para escolher talvez um de muitos favoritos: “The Wolf Man” (de 1941).

– Como é que os filmes de terror se relacionam com sua música?

Bem, eu acho que nossas músicas são sobre os momentos estranhos na vida. O lado escuro e louco de pessoas. Provavelmente é uma maneira similar de mostrar isso com a nossa forma de arte.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Eu acho que para ganhar a vida trabalhando em um emprego regular e ainda encontrar tempo para fazer música. Nós temos um selo pequeno e eles fazem um excelente trabalho. Mas ainda é preciso muito tempo para construir conexões e promover turnês, música e assim por diante. Não é fácil, mas eu acho que nunca foi fácil para os artistas que tentam ficar longe do mainstream.

– A cena rock é mais forte na Europa? Eu vejo um monte de bandas novas que vêm de lá, muito mais do que dos EUA …

Sempre existiu uma grande cena subcultural na Europa. Especialmente na Alemanha. E o rock é muito maior do que o hip hop ou soul ou outro tipo de música moderna americana. Então, sim, eu acho que a cena do rock é muito forte. A Europa é definitivamente um bom lugar para ter uma banda de rock.

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– Diga quais novas bandas chamaram sua atenção ultimamente. (Especialmente se forem independentes!)

The Ghost Wolves, do Texas, são uma ótima banda. Parecida com o WolfWolf, mas com vocal feminino. Outra é the Dirty Fences. Óóóóóótima banda! E nós dois somos grandes fãs da cantora suíça Sophie Hunger. Ela provavelmente não conta como artista independente, mas é absolutamente fantástica!

Moriaty, o duo de Devon que se inspira em Sherlock Holmes, serial killers e teoria de cordas para criar seu “filthy indie blues”

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“Eu vou quebrar você, Holmes. Eu vou trazer para bem debaixo do seu nariz o mais incrível crime do século, e você nunca vai suspeitar até que seja tarde demais. Esse será o fim de você, Sr. Sherlock Holmes. E quando eu o tiver derrotado e arruinado, poderei me aposentar em paz. Eu gostaria de me aposentar, o crime já não me diverte. Eu gostaria de dedicar meus anos restantes para a ciência abstrata”. O lado sombrio e nonsense de Professor Moriarty, um dos grandes inimigos de Sherlock Holmes, é a inspiração para o nome do duo Moriaty. “Percebemos que nossa música era pesada e sombria liricamente… essa combinação de escuridão e intelecto gritava Moriarty – além disso, soa muito bem!” diz Jordan West, vocalista e guitarrista da dupla, que também conta com Matthew Partridge na bateria, vocais e “ruivice”, segundo a página deles no Facebook.

A energia bruta da dupla tem atraído a atenção de grandes festivais, organizadores de shows e, claro, muitos fãs. “Se eu fosse de uma banda, que fosse o Moriaty”, disse James Santer, da BBC. Já o resenha da Revista 247 para o disco “The Devil’s Child”, de 2014, diz que a dupla “não está aqui para agradar estereótipos. A dupla está claramente se divertindo, desprovida de agenda e pura de propósito. Bravo!”

O Moriaty acabou de lançar seu novo single, “Bones” e já planeja outros singles, um EP, disco ao vivo e documentário ainda em 2015. Conversei com Jordan sobre a carreira da dupla, suas inspirações e como o Professor Moriarty entra no som do Moriaty:

– Como a banda começou?

Fomos juntos a um festival na Escócia alguns anos atrás. Nos conhecíamos de algumas bandas em que tocamos e apenas decidimos fazer barulho… antes que pudéssemos perceber, as coisas já estavam começando a decolar.

– O nome da banda veio do Professor Moriarty, um personagem das histórias de Sherlock Holmes. Como o personagem e o universo de Holmes influenciou vocês?

Eu amo Sherlock, acho que Moriarty é o perfeito inimigo dele. Quando começamos a escrever música, percebemos que era pesada e sombria liricamente. Eu gosto de escrever sobre coisas que acho interessantes, como serial killers, teoria das cordas, literatura… então essa combinação de escuridão e intelecto gritava Moriarty – além disso, soa muito bem!

– Quais são suas maiores influências musicais?

Blues, todos de Son House a Chuck Berry. Rage Against the Machine. Muse. Black Sabbath. Supergrass. Oasis. Led Zeppelin. Hendrix. Johnny Cash. Dylan… Esse tipo de coisa…

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– Vocês fazem um som alto e sujo. Acham que esse tipo de música está em falta hoje em dia?

Acho que está voltando. A energia que toda a indústria musical está colocando no Royal Blood atualmente prova isso.

– O que você acha das músicas que estão sendo lançadas hoje em dia?

A música de hoje é ótima. Há uma infinidade de músicos criando coisas incríveis por todo o mundo. A internet fez do mundo inteiro uma loja de discos e tem muita coisa por aí. As paradas pop não são um indicativo do que está rolando, e pessoas estão ganhando dinheiro com música sem terem um “contrato”. É uma nova era.

– Vocês são um power duo. Porque o baixista é tão “desnecessário” no mundo do rock hoje em dia?

O baixo sempre tem seu espaço. O motivo de tantas duplas de rock estarem começando é que é mais fácil. Todo mundo está sempre ocupado… Bandas com duas pessoas precisam de menos equipamento, menos organização, têm mais liberdade e ganham mais dinheiro – faz sentido!

– Chris Wolstenholme, do Muse, é seu baixista “não-oficial”. Ele dá apenas uma ajuda ou você pretendem incorporá-lo de vez no Moriaty?

Na verdade ele apenas gostou das faixas que pariticipou. Ele se ofereceu pra ajudar e nós agradecemos muito por isso. Sempre vai haver um lugar no Moriaty se ele quiser, mas ele nos ajudou porque é um cara bacana, um amigo e um fã da banda. Ele na verdade não é nosso baixista “não oficial” ou algo assim, ele é do Muse!

– Você disse que já trabalharam com vários rappers, cantores, poetas, baixistas… Pode me contar um pouco dessas colaborações?

Fizemos algumas coisas com a banda The Scribes. Eles são um grupo incrível de hip hop do sudoeste da Inglaterra. Estamos planejando gravar um EP com eles este ano, o que vai ser bem legal. Nosso disco tem participações de Kelly Naish e Mark Tam cantando e em algumas falas. Esperamos fazer muito mais no futuro.

– Você pode me contar um pouco mais sobre sua discografia? Adorei o que ouvi no EP “Esperanza” e em “The Devil’s Child”.

Nós também lançamos alguns outros EP’s, “The Lord Blackwood EP” foi o nosso primeiro e “Never Too Heavy” o segundo, além de dois singles, “Mindsweeper” e, claro, “Bones”. Também temos o “Jealous MF” 7”, uma música que saiu apenas em vinil que gravamos com Chris Wolstenholme.

– A cultura do álbum está morta? As pessoas preferem ouvir apenas os singles atualmente?

Os discos não estão mortos nem nunca morrerão. Mas têm diminuído e continuam diminuindo. Spotify, iTunes, Youtube e afins estão tirando a necessidade de se ouvir a obra inteira para ter o que se quer. Então as crianças idiotas de hoje que escutam música idiota e repetitiva sobre sexo sem pratos podem baixar ou ouvir por streaming músicas soltas. Agora, as crianças que que realmente gostam de música vão comprar o disco de suas bandas preferidas e ouví-lo repetidamente. Sempre o farão… são apenas menos pessoas, agora!

– O site da banda diz que vocês “se inspiram na história, não em babacas com óculos falsos”. Esse cutucão é pra quem?

Sim, para as pessoas de Londres aproximadamente 5 anos atrás… hoje em dia eles têm skates, barbas e tatuagens também!

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– Vocês acabaram de lançar o single “Bones”. Quais são os próximos passos do Moriaty?

O próximo single está quase sendo finalizado e depois teremos mais alguns singles, um EP com The Scribes, algo ao vivo e outro documentário.

– Que bandas chamaram a sua atenção atualmente?

Patrons!

– Podemos esperar a visita do Moriaty no Brasil em breve?

Nós adoraríamos, nunca se sabe o que vai acontecer a seguir…

Ouça o EP “Esperanza” completo aqui:

A sujeira ressurge em Manchester com The Hyena Kill, banda com os dois pés na cultura Do It Yourself

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A dupla The Hyena Kill não mede esforços pra mostrar que o rock continua vivo e tão sujo quanto o banheiro do CBGB’sSteven Dobb (vocal e guitarra) e Lorna Blundell (bateria) são especialistas em riffs ganchudos, grooves incríveis e batidas imundas.

Vindos de Manchester, cidade famosa por sua cena musical e berço de bandas como Oasis, The Stone Roses e The Smiths, a banda foi formada em 2011 e já lançou dois EPs: “Gush” em 2012 e “Scrape My Bones”, em 2013, ambos muito bem recebidos por fãs e críticos

Conversei com a dupla sobre sua trajetória, a falta de sujeira no rock atual, música pop e a popular “Madchester”:

– Como a banda começou?
Começamos como um trio, baixo bateria e guitarra. Éramos todos amigos na cena musical de Manchester. Estávamos todos em diferentes bandas e decidimos que seria divertido fazer uma jam e escrever algumas músicas e as coisas se desenvolveram muito naturalmente. Depois que lançamos o nosso primeiro EP, “Gush”, o baixista deixou a banda e nós decidimos continuar como dupla.

– De onde surgiu o nome “The Hyena Kill”?
Eu estava apenas colocando palavras juntas e depois de um monte de nomes estúpidos esse meio que ficou. Estávamos quase chamando Proudcow, graças a Deus esse não durou…

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– Quais são as suas principais influências musicais?
Bandas como Deftones, Helmet, Tool, Melvins. Mais recentemente Kill It Kid e The virginmarys.

– Vocês fazem um som sujo e barulhento. Você sente que tipo de som está em falta hoje em dia?
Na verdade não. É só de olhar para as bandas com que tocamos na cena DIY. Algumas dessas bandas são ainda mais sujas que nós, especialmente no departamento “riff”. Nos últimos dois anos, tem havido uma insurgência maciça de de bandas sujas e barulhentas realmente impressionantes. É um grande momento para a cena do rock no Reino Unido.

– Como você se sente sobre a música que está sendo lançada hoje em dia?
Depende do gênero a que você refere. Em termos de rock e música com guitarras é a melhor dos últimos anos. Mais e mais promotores DIY estão surgindo e organizando grandes shows e isso está ajudando bandas menos conhecidas a ganhar uma base de fãs. Parece que mais bandas estão recebendo exposição comercial também, mas eu ainda acho que as estações de rádio maiores poderiam estar fazendo muito mais para ajudar bandas independentes. Com relação ao que está nas paradas de sucesso que eu tô cagando, já que 90% é merda pura.

– A banda diz no release que é “qualquer coisa, menos indie”. Uma cutucada no cenário do rock atual?
(Risos) Na verdade queremos dizer que não somos nada parecidos com o estilo de música pelo qual Manchester é tão famosa. Manchester está estourando de bandas talentosas de todos os gêneros, mas a cena do rock está realmente viva no momento, especialmente a cena rock pesado.

– Vocês são da popular “Madchester”. Manchester pode ser considerada um grande ninho de novas bandas e música?
Sem dúvidas, Manchester sempre foi e continua a ser uma cidade fantástica para bandas e músicos. Ela tem uma das melhores heranças musicais no país (se não do mundo) e tem uma abundância de bons espaços e casas noturnas para novas bandas tocarem.

– Vocês já lançaram dois EPs. Planejam lançar um álbum completo?
Estamos voltando ao estúdio em junho para gravar material novo, seria bom fazer um álbum, mas nós não conseguimos ter o orçamento para isso. No entanto, vamos ver como será a próxima sessão de estúdio e partiremos daí.

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– A cultura do “álbum” está morta? As pessoas só querem ouvir singles hoje em dia?
Eu acho que depende do indivíduo. Eu, pessoalmente, ainda amo a experiência de um álbum, aproveitar a viagem de tudo.

– Eu li que vocês lançarão algo em março.
Sim, um double A-Side “Still Sick”/”Blisters”, a ser lançado dia 21 de março!

– Por que o formato “power duo” é tão alardeado nos dias de hoje?
Há um monte de duos de rock surgindo, o tempo todo. Eu acho que é um grande formato e quando bem feito pode ser realmente eficaz e poderoso. Pessoalmente, para nós, era apenas mais prático ficar como uma dupla. Nós decidimos que não seríamos capaz de substituir facilmente nosso ex-baixista e gostamos da dinâmica que tivemos juntos. Eu acho que se duas pessoas têm uma ligação musical e química e não sente a necessidade de adicionar um outro membro, isso é legal, desde que a música seja pura e de coração. Porém, baixo é um puta instrumento fodão, tocaremos com um baixista novamente se a pessoa certa aparecer.

– Quais novas bandas chamaram a atenção de vocês recentemente?
Estamos curtindo muito Kill it kid, FALLS e Alpha Male Tea Part no momento. The New Hawk Eyes também é uma banda do caralho!

Ouça os EPs “Gush” e “Scrape My Bones” do The Hyena Kill aqui:

The Hunted Crows fala sobre seu som, bandas de dois integrantes e promete novos singles

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Acho que o The Hunted Crows foi a minha primeira descoberta do final de 2014/começo de 2015 que realmente me deixou impressionado. Quando dei o play em “Sniff You Out” pela primeira vez, jurei que era alguma banda que já estava nas paradas de sucesso. Afinal, o barulho dos australianos não deve nada ao do Royal Blood, que ganhou notoriedade após um elogio de Dave Grohl.
Com o EP “The Hunted Crows” esbanjando riffs vigorosos e bateria violenta, o duo de Melbourne promete dominar o mundo em breve. Por enquanto, tocam toda quinta-feira no bar Yah Yahs, na Austrália.
A dupla Luy Amiel e Jacob Linnett me deu uma entrevista e falou um pouco sobre o início da banda, as duplas de rock que estão surgindo e as dores e delícias de se começar uma banda de rock em um mundo dominado pelo pop.

– Como a banda começou?
Tocávamos juntos em outras bandas e sempre sentimos que havia uma cerca química entre nós. Pouco mais de um ano atrás, decidimos ver o que podíamos fazer sozinhos, e desde então não olhamos pra trás!
– Eu sei que essa é a pergunta mais clichês de todos os tempos, mas… como surgiu o nome The Hunted Crows?
Na verdade nós tiramos as palavras de dentro de um chapéu! Inclusive, o engraçado é que as primeiras palavras que saíram foram “Deep” e “Purple”. Por questões óbvias, tiramos novas palavras!
– Li alguns artigos que comparavam seu som com “as faixas mais raivosas dos White Stripes”. Vocês concordam?
Sim e não! Eu acho que definitivamente existem elementos do nosso som que podem ser comparados ao do White Stripes, e acho que qualquer banda com uma formação como a nossa será fatalmente comparada com eles. Mas nós não temos muita influência de outros duos – achamos que se olharmos as músicas que amamos (sejam de duplas ou não!) e nos inspirarmos nelas, podemos começar a criar coisas novas que outros duos ainda não exploraram!
Capa do EP "The Hunted Crows"
Capa do EP “The Hunted Crows”
– Quem vocês diriam que são as maiores influências musicais da banda?
 Rage Against the Machine, Queens of the Stone Age, Red Hot Chili Peppers, James Brown, Britney Spears
– Vocês são uma dupla. O “power duo” é uma coisa “cool” nos dias de hoje, com o sucesso de bandas como o White Stripes, The Kills, Black Keys e Royal Blood. Porque o terceiro membro está tão obsoleto?
Bom, na nossa situação, foi por acaso – achamos que seria uma ideia divertida tocar só nós dois depois de tocarmos juntos em algumas bandas de quatro integrantes. Somos bons, amigos, então saiu algo meio orgânico. Na verdade não importa quantas pessoas estão na banda – contanto que a música seja boa! Mas acredito que existem algumas vantagens de se tocar em um duo. Duas pessoas interagindo entre si é algo muito mais fácil para se trabalhar do que com cinco pessoas. Também facilita em tomar decisões – mesmo que sejam apenas definir datas de ensaio e etc.
Ao mesmo tempo, existem limitações – e não apenas musicais. Uma limitação grande (especialmente neste momento, em que a banda nos custa dinheiro) é quando temos que economizar para gravar ou algo assim – dividir os custos entre duas pessoas pode ser bem difícil. Mas também temos apenas dois vôos pra pagar, então alguns custos são reduzidos, neste caso! Então, tudo depende do estágio financeiro em que a banda está. Tenho certeza que o Royal Blood está muito feliz que está dividindo os lucros entre apenas duas pessoas!
– Que outros aspectos do mundo inspiram vocês?
 De certa forma, política. Nenhum de nós é super informado sobre os prós e contras do sistema político – mas isso não significa que você não pode ficar irritado ou frustrado quando ouve sobre coisas horríveis que o governo pode estar planejando. “Hungry Wolves” foi escrita quando nosso primeiro ministro, Tony Abbott, estava tentando devastar um grande lote de mata virgem. Porém, não queríamos escrever uma música sobre essa situação especificamente – é mais algo que espero que pode desencadear algum sentimento em outras pessoas, para se impor pelo que acreditam.
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– Qual o maior desafio para uma banda nova?
Trabalhar com as limitações de uma banda com duas pessoas, ganhar reconhecimento local e global (o que agora é possível graças à internet!) e o principal deles: DINHEIRO! Quem sabe um dia nós poderemos trabalhar duro para fazer música e não ter que nos preocuparmos em PAGAR por isso!
– Que bandas novas impressionaram vocês ultimamente?
Redcoats // Clowns // Lurch & Chief // Alice Ivy – todas bandas de Melbourne, Austrália!
– Quais serão os próximos passos do The Hunted Crows?
Gravaremos algumas músicas para o primeiro semestre de 2015 e estamos planejando fazer alguns shows maiores e tocar em lugares para onde ainda não fomos.
– O que vocês acham da música que está sendo lançada hoje em dia?
Se você está perguntando no que se refere à música pop, não temos muita opinião, mas existe uma cena de funk e groove voltando (pelo menos aqui na Austrália), e isso é uma coisa incrível. Tem muita coisa ótima acontecendo e está começando a chegar no mainstream, acredito que porque muitas pessoas estão cansadas da música pop monótona que nos empurram garganta abaixo. A cena punk aqui também está indo muito bem. Tem muito rock fermentando por aqui no momento e nós não poderíamos estar mais felizes.
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– Se vocês pudessem fazer cover de QUALQUER música, qual seria?
“Zebra”, do John Butler Trio. Nós dois crescemos ouvindo o JBT, e estamos tocando essa nos últimos  shows – em uma versão bem mais pesada. É bem divertido!
– Vocês estão gravando coisas novas? Podemos esperar um disco completo em breve?
Talvez não um disco completo – mas lançaremos pelo menos dois novos singles este ano. Se tudo der certo, poderemos financeiramente produzir ainda mais – quem sabe um EP! Nós preferimos gastar um monte de dinheiro em algumas poucas músicas, mas ter a certeza de que a qualidade da gravação é realmente profissional – porque uma vez que está online, está lá pra sempre!
– Podemos esperar uma visita dos Hunted Crows no Brasil? 
A gente ia amar! Se existir demanda o suficiente pra isso, adoraríamos – o blog Crush em Hi-Fi fez um trabalho incrível em espalhar nosso som por aí – então quanto mais pessoas compartilhando nossa música no maravilhoso Brasil, melhor!
Ouça o EP “The Hunted Crows”: