Construindo Miêta: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto Miêta, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Diamond Sea”
Bruna: Talvez essa seja a música da minha vida. Ela traz simbolismos muito fortes para mim tanto na letra, quanto nas harmonias, linhas de guitarra e modo de cantar. Acho que Sonic Youth é uma banda unânime para a Miêta inteira e os noises e microfonias que carregamos vieram basicamente deles. Essa música específica representa muito do que eu coloco como ideal de expressão artística. Tem uma subjetividade muito bem trabalhada criativamente, disfarçada de ironia cheia de metáforas. E simplesmente não tem como não gostar da harmonia tortuosa e acessível, recheada com uma sessão rítmica bem simples.

The Durutti Column“Never Know”
Bruna: Todo mundo sabe que eu sou meio louca dos anos 80. Durutti Column é um projeto do Vini Reilly, um dos guitarristas que mais me inspiram. Quando eu ouvi a primeira vez, sendo apresentada por um amigo (também bem fã de post-punk e outras variáveis) que botou uns vinis do Vini pra tocar, eu só tive aquela reação de “meu deus, que guitarra é essa”. É pós-punk, é experimental, é chill out, é um monte de coisa pelas quais você consegue alcançar lugares bem interessantes com o sempre supremo delay. É um dos timbres do sonho. E essa é uma das primeiras músicas que ouvi.

DIIV“Bent (Roi’s Song)”
Bruna: DIIV é outra banda unânime. E um exemplo de guitarras simples e de bom gosto. Os riffs e linhas são geniais de tão minimalistas e complementares uns aos outros. Além da voz soprosa que configura um shoegaze novo e muito bem feito e explorado. Essa música específica talvez seja uma das minhas top 3 da banda e ela consegue criar tensões muito bem colocadas para depois seguir com fluidez e vigor em algumas explosões que são marcadas, principalmente, pelas cordas que o Zach é rei em posicionar nas estruturas da música. A letra é uma poesia à parte também.

Jimi Hendrix“The Wind Cries Mary”
Bruna: Esse homem é um cliché necessário à maioria dos guitarristas. Não tem muito o que falar. Mas desde que conheci, levei pra sempre o aprendizado de riffs em cima de acordes abertos, da brincadeira do acorde maior com o riff blueseiro que segue pro acorde relativo menor e de jogar uma sétimazinha aqui e ali pra deixar a harmonia dinâmica e gostosinha. Não tem como evitar que Jimi saiu dos anos 60 e alcançou até o shoegaze independente hoje.

Courtney Barnett“History Eraser”
Bruna: A Courtney representa muito do que eu considero música honesta, criativa, nova mas com um pézinho, criando lastro histórico, nas referências do passado. A forma dela de tocar guitarra é algo que sempre tive como referência na Miêta também. Os acordes rasgados e bem timbrados, o ritmo e uma ponte entre o noise e o folk/blues fazem ela ser uma guitarrista e compositora monstruosa, mas que mantém a simplicidade da sua expressão e faz música de forma espontânea.

Sonic Youth“100%”
Luiz: Steve Shelley pra mim é o baterista que melhor desconstroi a bateria dentro do rock alternativo, principalmente na fase da banda até o “Washing Machine”. A bateria em “Dive” (nossa música), é totalmente Steve Shelley.

Smashing Pumpkins“1979”
Luiz: “1979” é lição de saber até onde a bateria deve ir numa música simples. Não precisa de mais nada, aqui, sério. Uma virada em qualquer lugar ia estragar tudo. Tanto que as versões ao vivo dela são péssimas (desculpa, Jimmy, ma faltou bom senso (risos)).

Pin Ups“It’s Your Turn”
Luiz: No primeiro show da Miêta a gente fez um cover dessa música, e tirar a bateria dela abriu minha mente pro que o som da banda precisava. Apesar de eu ter entrado com quase todas as baterias já criadas, foi bem esclarecedor pro que a banda ia precisar a partir daquele momento.

Dinosaur Jr.“I Don’t Wanna Go There”
Luiz: As baterias do Murph, pra mim, foram referência nessa fase de entrar pra Miêta e voltar a tocar esse tipo de som onde menos é mais, mas sem ser simplista, mas, principalmente em relação a timbre. Sempre gostei de um som bem orgânico e pra sonoridade da Miêta faz todo o sentido.

Warpaint“Undertow”
Luiz: Stella Mozgawa é, pra mim uma das maiores referências no “menos é mais”. Um set reduzidíssimo como o dela desafia a criatividade e eu tento absorver e me reciclar ritmicamente, área em que ela é impecável. “Undertow” é minha favorita da banda e, se tem alguma música no “Dive” em que eu apliquei muita coisa que aprendi com a Stella, é “Am I Back”.

Ventre“A Parte”
Marcela: A Ventre é uma banda que eu amo e o Hugo é um monstrão do baixo, eu piro muito nas linhas dele! Eu como baixista só existo muito recentemente (risos), e ele foi uma das figuras que me inspiraram e fortaleceram desde o início da banda, quando eu deixei de ser só vocal e peguei o baixo, comecei a estudar e criar. Esse ao vivo no Méier deve ser o trem que eu mais escutei esse ano hehe.

Sabine Holler“The Hanged Woman”
Marcela: Eu adoro a honestidade nas canções da Sabine, sou fã desde a Jeniffer Lo-fi, as linhas de voz e suas letras são grande inspiração pra mim. Tive a oportunidade de assistir a uma apresentação dela no início do ano que me tocou muito – a forma como executa as canções ao vivo sozinha, a entrega…

Marrakesh“Sheer Night”
Marcela: Eu descobri Marrakesh esse ano pela Raça, outra banda que adoro, e fiquei bem apaixonada. Eu adoro o flerte entre indie e elementos elementos eletrônicos e até do R&B no som deles, tem muito a ver com o mix das paradas que gosto de ouvir e que tenho como referência. Essa música pra mim é das melhores lançadas no ano passado.

PJ Harvey“Down By The Water”
Marcela: PJ foi escolinha pra mim em diferentes aspectos, eu lembro que ficava repetindo os bordões no violão quando era mais nova haha, meio que abc do baixo pra mim antes de começar a estudar e tal. O magnetismo dela me inspirou demais também lá atrás quando tive minha primeira banda, a entrega desnuda nas letras e performance.

DIIV“Under the Sun”
Marcela: DIIV foi uma das primeiras coisas que a gente ouviu junta como banda, uma das primeiras bandas que a Célia me apresentou. Por motivos óbvios então uma banda, disco e música muito representativos. Dos discos que mais ouvi quando comecei a pegar os baixos da Miêta e que me ajudaram a meio que abraçar uma simplicidade coesa com os demais elementos, com o todo da música.

Broken Social Scene“7/4 (Shoreline)”
Célia: Essa banda tem alguns maravilhosos hits que me influenciaram e são inesquecíveis pra mim. Vira e mexe, sempre ando ouvindo, e é aquele tipo de coisa que quase sempre acontece comigo, sai algo de influência naturalmente. Nessa música em especial, o tempinho dela me cativa, que inclusive foi uma influência pra criação da guitarrinha de “Dive”. Considero “Shoraline”, “Cause = Time” e “Almost Crime” dos melhores e mais lindos hinos noventistas!

Stereolab“The Noise Of The Carpet”
Célia: Amo Stereolab de paixão, principalmente por ser uma das minhas referências de minas fazendo músicas “esquisitinhas” desde a adolescência. Fugia do padrão punk/hardcore que era mais conhecido no meu meio na época. O que mais me chama atenção e inclusive amo fazer, são os backings. Cada uma tem sua linha diferente, como se fossem 3 músicas diferentes praticamente. Acho isso lindo, e pensei muito nisso na criação dos backings de “Messenger Bling”, por exemplo.

Sonic Youth“Karen Revisited”
Célia: Essa é uma das músicas que mais me rendeu altos arrepios e choradas em ônibus haha. As dissonâncias me comovem muito e ninguém melhor que Sonic Youth pra representar isso. Naturalmente eu sempre vou fazer algo que soe como, pelo tanto que já ouvi/ouço. Tá aqui no subconsciente e nem sai por querer. Amo as guitarras de “Karen Revisited” e vou defendê-las!

My Bloody Valentine“Cupid Come”
Célia: Essas palhetadas tudo pra baixo, rítmicas, quase percussivas me fazem aguar os olhinhos! Fora essa barulheira cheia de efeito saturado e essa impressão de disco empenado. É uma delícia que não me canso de ouvir! Acho que é uma influência geralzão pras músicas da Miêta, essa mistura de peso com suavidade, bruto com delicado. Melodias tranquilas e noise sem fim, amo!

Superchunk“First Part”
Célia: Foi minha porta de entrada pra bandas dissonantes mais pesadas haha. Primeiro que a mina foi uma ENORME referência pra mim, eu achava ela muito foda e queria ser igual a ela quando crescesse! Vi o clipe de “First Part” na MTVLado B, e fiquei fissurada! Arrumei toda a discografia em muito pouco tempo e ouvi toda essa coisa linda loucamente! Os solos infinitos no final da “First Part” e várias outras é o que mais gosto neles e pensando aqui agorinha, pode ter sido influência em “Ages”, novamente aquela questão de absorver e reproduzir algo do tipo, por ter ouvido e continuar ouvindo bastante.

Construindo LuvBugs: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo LuvBugs, do Rio de Janeiro, formado por Paloma Vasconcellos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz) Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Bikini Kill“Girl Soldier”
Paloma: Definitivamente, a Tobi Vail é uma grande baterista/musicista e a minha maior influência Riot Grrrl na LuvBugs e na vida. “Guess you didn’t notice. Why we were dying. I guess you didn’t give a fuck. After all, only women were dying”.

Breeders“No Aloha” (“Last Splash”, 1993).
Rodrigo: Melodia vocal açucarada mergulhada em guitarras distorcidas em amps valvulados, isso é praticamente a base de 80% dos sons da LuvBugs.

Babes In Toyland“Hello” (“Nemesisters”, 1995).
Paloma: Riot Grrrl até a alma, “Hello” introduz esse belo disco de punk rock, dessa banda linda que tenho como grande influência de que as mulheres podem sim fazer rock. Lori Barbero é uma grande referência de baterista.

Nirvana“School” (“Bleach”, 1989).
Rodrigo: Um dos riffs mais contagiantes da história do rock and roll, tem uns 3 riffs da LuvBugs que nasceram daí, Coração Vermelho, Verde Zen e algum outro que não estou lembrando.

Sonic Youth“Becuz” (“Washing Machine”, 1995).
Paloma: O timbre dessa guitarra e seu riff repetitivo somado ao essencial vocal da excêntrica Kim Gordon tornam essa introdução do “Washing Machine” algo que sempre está presente na minha mente.

Wavves“No Hope Kids” (“Wavves”, 2009).
Rodrigo: Um amigo voltou daquele cruzeiro do Weezer uma vez com um vinil do Wavves e disse que queria me mostrar um som de uma banda que ele tinha conhecido os caras na piscina do cruzeiro. Logo que ouvi me liguei que era o som que eu queria fazer e “No Hope Kids” é um punk rock de garagem perfeito, ouvi até entrar no sangue.
Influência nas composições e nas mixagens dos discos, esse som tem uma mix lo-fi referência pra mim.

Nirvana“Dumb” (“In Utero”, 1993).
Paloma: A simplicidade dessa letra consegue demonstrar toda a complexidade da vida em um perfeito paradoxo existencial. “I’m not like them but I can pretend”. As composições da LuvBugs são assim, mais simples possíveis.

Freud And The Suicidal Vampires “It’s Hard To Write A Good Song In 5 Minutes (When You’re So Difficult To Describe)”
Rodrigo: Outro som referência de mix lo-fi. Riff alucinante com uma guitarrinha fazendo um solo de tema. Daí eu percebi que o álbum “Dias em Lo-Fi” poderia ter isso também, som de duas guitarras e não apenas uma como nos outros, até que a gente tem se virado bem ao vivo.

Velvet Underground“Venus in Furs” (“The Velvet Underground and Nico”, 1967).
Paloma: Impactante até a alma, impossível não se afetar com a experiência que essa música passa. “I could sleep for a thousand years. A thousand dreams that would awake me. Different colors made of tears”.

Ronnie Von“Imagem” (“A Máquina Voadora”, 1970).
Rodrigo: Esse som escutei tanto em determinada época da minha vida, que sempre quando escuto novamente reencontro meu jeito de escrever as músicas da LuvBugs e até meu jeito de pensar sobre a vida. Outro dia um amigo me falou em alguma semelhança em alguma melodia de voz minha ou jeito de cantar e eu acabei dando
razão a ele.

John Frusciante“Look On” (“Inside Of Emptiness”, 2004).
Paloma: O John é surreal. Essa música, (e esse disco) é cativante do início ao fim. Melodia, letra e guitarra lindas e totalmente inspiradoras. “When I thought life was terrible, things were going fine… A paper and a pencil are the
best friends I’ve got. Look on”.

Dinosaur Jr“Drawerings” (“Where You Been”, 1993).
Rodrigo: Outro dia eu li “J.esus Mascis é meu pastor e nada me faltará”. Amém.

L7“One More Thing” (“Bricks Are Heavy”, 1992).
Paloma: Esse grunge anos 90 de melodia e guitarra arrastada é perfeito e uma das minhas maiores influências também.

Elliott Smith“Coast To Coast” (“From a Basement on the Hill”, 2004).
Rodrigo: Considero de alguma forma Elliott Smith uma grande influência pro “Dias em Lo-Fi”, sempre o escutei mas até então não considerava muito essa influência à LuvBugs. Nesse álbum a gente acabou deixando umas camadas um pouco mais tristes que nos anteriores e “Coast To Coast” foi grande referência pra canções como por
exemplo “Ela Sabe o que é Certo”, claro que não é uma cópia, assim como todas as influências, a gente acaba fazendo do nosso jeito.

My Bloody Valentine“Only Shallow“ (“Loveless”, 1991).
Paloma: Vocal calmo e delicado mas ao mesmo tempo forte e intenso. É uma das principais influências shoegaze da LuvBugs.

Elastica“Stutter” (“Elastica”, 1995).
Rodrigo: Composição contagiante, batida dançante, “ritmo de acadimia”, fuzz rasgando o refrão, vocal cantarolado, cabelo no rosto, ufa, tudo que eu preciso nessa vida. E tento levar pra LuvBugs.

Oasis“Live Forever” (“Definitely Maybe”, 1994).
Paloma: Oasis é uma banda que apesar de controversa é inspiradora e me influencia na hora de compôr, mesmo que inconscientemente. “Maybe I just want to fly. I want to live. I don’t want to die”.

Lou Reed“Hangin’ Round” (“Transformer”, 1972).
Rodrigo: Lou Reed fez as melhores canções que ouvi na minha vida, ele é a maior referência musical, pode crer. Inventou tudo que eu ouço hoje e se alguma banda do mundo não tem nenhuma influência do Lou ou Velvet Underground eu nem preciso escutar. Essa canção em especial, o jeito dele cantarolar a melodia ao mesmo tempo
que descreve a cena é mágico.

Courtney Barnett“Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party” (“Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit”, 2015).
Paloma: Essa música fala de situações que são reais na vida das pessoas e traduz perfeitamente boa parte do meu cotidiano. É assim com a maioria das composições dessa australiana que veio pra ficar e conquistou o coração da LuvBugs. “I wanna go out but I wanna stay home”.

Titãs“Taxidermia” (“Titanomaquia”, 1993)
Rodrigo: “Se eu tivesse seus olhos não seria famoso, eu não quero ser útil, quero ser utilizado, inutilizado, inutilizado”. Acho que foi meu primeiro contato com poesia dentro do rock’n roll. Esse som é referência pra qualquer coisa que eu faça.

Construindo Loyal Gun: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Loyal Gun

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Loyal Gun, de São Paulo, que conta com Raffa Ap, no baixo, Bruno Duarte (Herod, Penhasco, O Apátrida e Attöm Dë) na bateria, Dija Dijones (O Apátrida, Penhasco, Odair José) na guitarra e voz e André Luiz (Fita e ex-Ronca) na guitarra.

Hum“Stars”
Hum é uma das maiores pérolas perdidas dos anos 90, sobretudo por conta de seus dois últimos discos, o sublime “You’d Prefere An Astronaut” e o irretocável “Downward Is Heavenward”. Talvez se dissermos que o som seja a mais perfeita simbiose entre Smashing Pumpkins e Sunny Day Real Estate não estaríamos mentindo. Se isso for algo difícil de acreditar, mais difícil para nós é acreditar que alguém não tenha ido ouvir Hum depois dessa referência. Nem que seja para nos desmentir.

Hüsker Dü“Chartered Trips”
“Zen Arcade” é, literalmente, uma grande viagem. A ideia é a seguinte: você é um jovem que se revolta (“Something I Learned Today”, “Broken Home, Broken Heart”, “Never Talking To You Again”) e, exatamente na quarta faixa, “Chartered Trips”, você, tomado por frustrações e esperanças, resolve pegar um ônibus e ir embora para um lugar onde você possa encontrar o seu verdadeiro eu e deixe de ser refém da opressão da qual acreditava ser vítima. Porém, a viagem é longa e ainda há muito para viver e aprender. Pode parecer algo muito ambicioso de se contar em um álbum, mas nada melhor do que a imaginação de quem está do lado de cá do falante para que grandes histórias sejam contadas.

The Posies“Solar Sister”
A melhor e mais nostálgica combinação que pode haver para nos levar de volta aos anos 90 é a de guitarras, cheias de feedback e distorção, poluindo belos acordes abertos que servem de sustentação para uma acachapante melodia vocal. E isso, Jon Auer e Ken Stringfellow (que também foi durante muito tempo músico de apoio do R.E.M.) fizeram com uma facilidade impressionante. E ainda continuam cometendo este tipo de canção até hoje, mal dá para acreditar nisso.

Swervedriver“Son Of A Mustang Ford”
Bandas de shoegaze como Ride, My Bloody Valentine, Catherine Wheel, Moose, Venus Beads e muitas outras são importantes na criação das nossas músicas, mas, talvez, a maior referência do estilo para nós seja o Swervedriver. Os acordes e riffs que saem da Jazzmaster de Adam Franklin saem dos discos e ficam permanentemente ressoando em nossos cerebelos, isso explica, por exemplo, alguns de nossos movimentos desengonçados no palco.

Dinosaur Jr.“Out There”
Faixa de abertura do antológico “Where You Been”. J. Mascis é uma referência tão forte para o Loyal Gun que cada um dos dois guitarristas possuíam uma Jazzmaster signature dele antes mesmo de se conhecerem. Não é por causa disso que algum deles venha a ter a destreza com instrumento que o inspirador do modelo tem, mas, sem dúvida alguma, fazem muitas coisas inspiradas no jeito de tocar deste guitarrista tão icônico e influente para os fãs de rock alternativo.

Thin Lizzy“For Those Who Love To Live”
Pode parecer estranho uma banda como esta na lista, mas a verdade é que com a primeira formação com 2 guitarristas (exatamente a que gravou este disco, o “Fighting”), o Thin Lizzy popularizou a ideia de se ter mais de um guitarrista solo numa banda. A ideia se popularizou e é possível notar como isso foi aplicado através dos tempos, de Iron Maiden a Hellacopters, de Judas Priest a A Wilhelm Scream. Adotamos isto ao nosso modo e buscamos aperfeiçoar algumas coisas de guitarra, como pensar em temas com melodias que nos soem interessantes e acordes que fujam um pouco do trivial.

Beezewax“Sign Of Relief”
Esta é uma banda norueguesa dos anos 90 com muita influência de Dinosaur Jr., Hüsker Dü e boa parte dos grupos dos anos 80 e 90 que militaram em favor das guitarras barulhentas e das melodias vocais cativantes. Tiveram um disco produzido pelo Ken Stringfellow (do Posies), para sermos mais precisos o segundo, o ótimo “South Of Boredom”, e seu vocalista, Kenneth Ishak, já esteve no Brasil por 2 vezes. Aliás, precisamos agradecer pelo disco de vinil que ele autografou e deu de presente: obrigado, Kenneth!

Placebo“Burger Queen”
Belíssima balada que encerra oficialmente (considerando que tem uma faixa escondida depois dela chamada “Evil Dildo”) um dos discos favoritos da casa, “Without You I’m Nothing”. O curioso sobre esta música é que, ao contrário do que o título pode expressar, não é sobre uma “rainha do hambúrguer”: é uma expressão para “gay que vive em Luxemburgo”, país onde o líder da banda, Brian Molko, morou na adolescência. No fim, é uma música sobre estar no lugar errado, na hora errada. Letras costumam ser uma preocupação comum para toda e qualquer banda, no entanto, é fascinante o número de formas que você pode empregar para dizer alguma coisa, expressar um sentimento ou contar uma história.

Buffalo Tom“Your Stripes”
Toda a banda tem um sonho, um tanto pueril de certa forma, de lançar discos bem produzidos, arrebanhar fãs, fazer turnês e tocar com seus ídolos. Se fossemos protagonistas de uma história assim, com certeza uma das bandas com a qual gostaríamos de tocar seria o Buffalo Tom, uma das nossas principais influências durante a fase da banda na qual éramos um trio. Uma informação interessante e que faz com que seja possível interligar uma referência em outra desta lista é que o Buffalo Tom, no início da carreira, foi produzido pelo J. Mascis, do Dinosaur Jr., o que rendeu ao trio de Boston o apelido de “Dinosaur Jr. Jr.”.

Superdrag“Do The Vampire”
Em alguns shows que fizemos algumas pessoas, fãs de rock alternativo como nós, costumam apontar 2 bandas como referências latentes nas nossas canções. Uma é o Placebo e a outra é este quarteto do Tennessee. De fato, as canções escritas por John Davis (seja no Superdrag, no Lees Of Memory, solo ou no Epic Ditch – onde toca com Nick Raskulinecz, produtor de bandas como Deftones, Mastodon, Rush e Foo Fighters, só para citar algumas) fazem muito a nossa cabeça, por mais que ele tenha tido uma estranha e inusitada fase que resultou em um disco inteiro dedicado a Jesus Cristo.

Sunny Day Real Estate“Guitar And Video Games”
Assumidamente, uma das nossas maiores influências nos primórdios da banda. Esta é uma das mais bonitas canções dos anos 90. Ela tem uma harmonia que traz uma certa melancolia, mas unida à uma sensibilidade impressionante e a performance vocal de Jeremy Enigk vai revelando uma intensidade no decorrer da música que acreditamos ser quase impossível não se render a tanta entrega e emoção na interpretação. A grande lição que fica aqui é a de que se a canção que você estiver tocando não tem a sua verdade como artista, pode desistir disso e ir fazer outra coisa.

Weezer“I Just Threw Out The Love Of My Dreams”
É bem difícil uma banda formada a partir dos anos 2000 que se dedique a tocar rock alternativo dos anos 90 não ser influenciada por Weezer. Esta é a única canção do Weezer com uma mulher no vocal principal, neste caso, a Rachel Haden (.that dog, Rentals, etc.). No começo do Loyal Gun, a ideia era ter uma vocalista e esta canção era uma das referências para a banda naqueles dias. Havia uma pessoa para tomar o posto, mas semanas antes de confirmarmos o primeiro ensaio com a primeira formação da banda, ela se mudou para a Alemanha. Ou seja, a banda mal começou e já tomou um 7 x 1.

Pin Ups“You Shouldn’t Go Away”
Já que o Spotify ainda não nos dá o prazer de poder ouvir Killing Chainsaw, Shed, Valv e outras bandas importantes que nos mostraram que era possível ter uma banda brasileira cantando em inglês, fazer trabalhos relevantes e ter um público, ainda que bem seleto, nada mais justo do que representar esta ideia e este ideal no Pin Ups. Acreditamos que cantar em outra língua é uma opção que toda e qualquer banda pode usar a seu favor e não há nisso razão para categorizá-la como uma banda menor e/ou desprezível. Para ilustrar isso, vale a pena mencionar que durante as gravações de “Dinner And Breakfast”, do The Hexx, os integrantes de Loyal Gun, Sky Down e Twinpine(s) que aparecem no vídeo estavam na verdade tocando esta música do Pin Ups. A ousadia de cantar em inglês prosperou e alcançou outras gerações.

Hateen“Mr. Oldman”
Ainda que o hardcore, assim como seus congêneres, não seja um estilo presente e/ou perceptível em nossas composições, bandas como Garage Fuzz, Street Bulldogs e Hateen foram importantes em nossa concepção sonora, pois, no começo dos anos 2000, há entre nós quem acompanhasse a fervilhante movimentação de bandas que levavam adolescentes a lotar as dependências do Hangar 110 todos os finais de semana naquele período, reforçando a ideia já perpetrada por Pin Ups, Second Come, Mickey Junkies, Killing Chainsaw, Dash, brincando de deus, Madeixas, Dead Billies, Úteros Em Fúria, Pinheads, Muzzarelas e tantas outras de que, se nós quiséssemos, inglês seria coisa nossa.

Superchunk“Cast Iron”
Patrimônio do rock alternativo dos anos 90, o Superchunk também é um exemplo mostrando um caminho, árduo mas possível, para quem não atende às exigências de mercado e nem quer atender, ao fundar seu próprio selo (a Merge Records) e lançar quase todos os seus discos do jeito que queria através dele. Obviamente, nossa realidade de país subdesenvolvido é diferente e é preciso compreender bem isso, mas sejamos honestos: se é praticamente certo que o rock não vai pagar nossas contas, porque então não tomar as rédeas de tudo e fazer o que der na telha do jeito que conseguimos lidar? Ganhar algum dinheiro é importante para pelo menos uma banda se custear, mas a prioridade tem que ser a música e o prazer que ela proporciona. Para ganhar dinheiro, o melhor é se dedicar paralelamente a outra coisa mesmo e conciliar na medida do possível.

Nada Surf“No Quick Fix”
Pode parecer uma receita um tanto cliché, mas ainda nos fascina esta tentativa de pegar uns 4 ou 5 acordes de guitarra, colocá-los em um compasso simples e tentar balbuciar uma boa melodia vocal para acompanha-los, enquanto se procura palavras que soem interessantes o suficiente para a ocasião. O Nada Surf é das bandas que investem no método e eles costumam se sair bem na esmagadora maioria das vezes.

Heatmiser“Christian Brothers”
Banda que teve Elliott Smith como vocalista. Tanto que a versão mais conhecida desta música é a que está presente em seu disco solo autointitulado, lançado em 1995. A versão solo (que apesar de ser gravada depois, foi lançada antes que a versão do Heatmiser) é tocada ao violão, acompanhada por uma discreta e contida bateria. É interessante ver como no formato com banda a canção muda e isso tem muito a ver com muitas canções que fizemos, pois elas muitas vezes partem de uma ideia feita ao violão e depois se tornam outras quando desenvolvidas com a banda toda.

Teenage Fanclub“Can’t Feel My Soul”
Powerpop é uma das grandes influências da banda, pois, na nossa concepção, um dos caminhos possíveis de se desbravar para se fazer uma boa canção é aquele no qual, entre um riff, um lick ou um acorde aberto cheio de overdrive, um baixo pulsante e uma bateria marcando bem o ritmo, você encontra uma melodia vocal que você, ao ouvir, também sente vontade de cantar. O Teenage Fanclub é um patrimônio do estilo que sabe muito bem como percorrer esta rota.

Wipers“Mystery”
Em um determinado período da banda, durante uma das diversas transições decorrentes de mudanças na formação, decidimos que escolheríamos algumas músicas que gostávamos para tocar em um ou outro show. Esta foi uma delas. Sua curta duração gerava uma dúvida sobre o que era melhor: improvisar e alongá-la ou apenas tocá-la inteira várias vezes seguidas. Acabamos optando pela segunda possibilidade. Mas é tão divertido tocar esta canção que, na verdade, tanto faz.

Nirvana“Sappy”
Foram os b-sides do Nirvana os responsáveis por mostrar uma outra faceta da banda (alguns deles, inclusive, são versões de canções do Wipers) e hoje, passados todos estes anos do furacão grunge e numa era na qual chega-se a falar sobre um revival do estilo, estes b-sides ainda se mostram preciosos. O que se extrai daí é a importância de se insistir procurando uma melhor disposição de acordes, uma linha de baixo mais interessante, uma melodia vocal mais cativante, pois, por mais que você não vá incluí-la em um álbum ou no seu repertório, é importante ter a convicção de que você fez o seu melhor e, mesmo que você consiga se superar em outras ocasiões em outras canções, em um dado momento o valor do que foi deixado para trás se fará perceptível de alguma maneira.

Construindo Old Books Room: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Old Books Room

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quinteto de Fortaleza Old Books Room indicando as músicas que mais influenciaram seu som.

Nirvana“Pennyroyal Tea”
Ricardo: Meu primeiro contato com o gênero rock and roll foi ainda criança botar para tocar um antigo disco de 94 do meu irmão mais velho. Pra sorte minha e ruína dos meus pais, ao ouvir pela primeira vez aqueles gritos derretendo pregos, foi paixão por aquele tipo de música que eu nunca tinha ouvido antes. Depois daí Nirvana se tornou influência pra uma vida, que logicamente é refletida nas nossas músicas.

Smashing Pumpkins“Soma”
Ricardo: Como não citar a música que leva meu solo favorito de guitarra. É impossível não se render a essa odisseia sonora que os Abóboras construíram e que culminam num dos solos mais incríveis de guitarra se puxamos pro feeling. Essa música mexe com a gente até hoje e com certeza SP também é parte fundamental no meu crescimento como apreciador de música.

Silverchair“Emotion Sickness”
Ricardo: Lembro de muuuitas tardes de sábado ou sexta que passei a tarde gastando e corroendo o mais foda disco do Silverchair, “Neon Ballroom”. Na época em que alugávamos discos pra piratear e ouvir, esse com certeza rendeu muita grana ao dono da locadora que tinha cadastro. E “Emotion Sickness” é o carro chefe forte pra sintetizar a beleza que esse disco mostrou ao mundo. Um dedilhado forte e comovente, teclados e synths incríveis, ele te transporta pra uma atmosfera sombria que descreveu muito bem aquela agonia que a gente não sabia descrever.

Placebo“Follow The Cops Back Home”
Ricardo: Conheci Placebo pelo último disco lançado por eles até aquele momento. Foi todo um caminho reverso onde só tive mais certeza que aquela voz blasé anasalada cheia de ironia e aqueles riffs de guitarras diferentões iriam marcar a minha maneira de escrever músicas e letras. A atmosfera mergulhada em delay que essa música traz te deixa paralisado e é uma das melhores pedidas para um pôr- do – sol e um suicídio coletivo, brincadeira sobre a parte do pôr-do- sol.

Ride “Dreams Burn Down”
Ricardo: Ride e My Bloody Valentine foram as bandas que nos introduziram ao shoegaze e “Dreams Burn Down” foi a primeira música do gênero que eu e o Reinaldo escutamos. Se nos nos intitulamos uma banda com o som puxado pro estilo, tenha certeza que “Dreams Burn Down” contribuiu pra isso.

My Bloody Valentine “Sometimes”
Ricardo: Depois de Ride veio My Bloody Valentine e como não cair de amores pela linda e incrível Bilinda Butcher e seus comparsas. Nós, virjões que éramos. Brincadeira, mas o violão maroto na frente dessa parede imensa de efeitos de guitarra acalma qualquer espírito.

Slowdive“Mellon Yellow”
Ricardo: Pra fechar a tríade shoegaziana não se podia deixar de fora Slowdive. “Mellon Yellow” também sintetiza o que a atmosfera barulhenta e melancólica pode causar se você não tomar cuidado e fugir. Caímos em um posso de melancolia que atinge nossa música até hoje.

Interpol“The New”
Ricardo: Interpol influenciou profundamente a nossa maneira de ouvir e entender música. Uma das nossas bandas favoritas sem dúvida alguma. “The New” traz poder e suavidade impossíveis de ser separados, onde no começo é um mar de calmaria, e no fim vem à tempestade. Paul Banks e cia escreveram músicas e letras que marcaram nossas vidas.

Verdena“Luna”
Ricardo: Graças a uma prima italiana que sempre passou as férias por aqui, tivemos acesso a essa fantástica banda de rock italiano. Me lembro da minha prima mostrando o videoclipe de “Luna” pra gente, um dedilhado que vai crescendo e ganhando força a medida que os pedais são pisados que posteriormente saberíamos que era marca registrada da banda. Foi um vício de meses, mesmo sem entendermos muito as letras. Mas música às vezes nem precisa de entendimento.

Jeff Buckley“I Woke Up In Strange Place”
Ricardo: Conhecemos o Jeff lá pras bandas de 2007 e desde lá o cara é presença marcante nas nossas playlists de cada dia. Com a voz incrível e um lirismo fodido o cara foi único e essa música é um hino pra galera que gostar de encher a cara e acordar em lugares desconhecidos.

Foals“Red Socks Pugie”
Ricardo: Foals é uma das maiores influências da Old Books Room. O domínio que essas caras têm e a construção das músicas é quase como lapidar um diamante. “Red Socks Pugie” não foge a dessa construção e o casamento perfeito que bateria, guitarradas delayzadas e baixo fazem tornam essa música incrível, um dia a gente chega lá, né…

Sonic Youth“JC”
Ricardo: “JC” é a valsa mais desafinada da história, e isso a torna diferente e barulhentamente linda. Acho que todos que valorizam um pouco de noise já viajaram bastante na voz envolvente da Kim, nós não somos exceção.

Queens Of the Stone Age“Make It Wit Chu”
Ricardo: Um vício que toda vez que toca faz o teu corpo mexer bastante. “Make It Wit Chu” traz uma das levadas mais sensuais da história com um puta solo que de jeito algum poderia ficar fora dessa lista.

Tame Impala“Apocalypse Dreams”
Ricardo: Tame Impala é uma das maiores bandas da atualidade e tem influenciado bastante nosso som, acho que dá pra dizer isso eles se tornaram um porto seguro pra muitas bandas que estão adentrando na nova psicodelia. Cito “Apocalypse Dreams” porque foi onde tudo começou pra gente.

Violins“Sinais de Trânsito”
Ricardo: Muito enganados aqueles que acham que nós não temos influências nacionais. Pra começar, cito a música que me fez conhecer uma das melhores bandas brasileiras. Com letras incríveis e bastante diferentes da maioria das letras clichês que vemos por aí, Violins é um dos principais motivos pra fazermos música em português (spoilers do próximo disco).

Red Run“Hard Shine”
Ricardo: Red Run talvez tenha sido a banda que me colocou no mundo do rock. Por quê? Foi um dos primeiros shows que presenciei e que curti tanto que tive certeza que também gostaria de fazer aquilo que aquele quarteto fazia. Talvez uma das maiores bandas que surgiram em Fortaleza, ficou sendo uma das minhas favoritas. “Hard Shine” é a música que cansei de berrar junto nos becos sujos e quentes da cidade.

2Fuzz“My Device”
Ricardo: Assim como Red Run, 2Fuzz era de Fortaleza City e também foi essencial para começarmos a colocar nossos projetos pra frente. Com uma forte influência de Soundgarden e das outras bandas de Seattle, 2Fuzz fazia shows incríveis. Fica o registro de “My Device” como primeiro e favorito hit que ouvi dos caras.

Bombay Bicycle Club“Always Like This”
Ricardo: Assim como Foals, BBC é uma das bandas prioriza gigantescamente a qualidade do instrumental, e isso nós mostrou bastante o esmero que se tem que ter ao compor os arranjos pra cada canção. Fica aí “Always Like This”, música que embalou muita vibe boa.

Dinosaur Jr. “Out There”
Ricardo: Uma das lendas dos anos 90 que tão nos corres até hoje, não tínhamos como deixar de lado a mágica que o J.(esus) Mascis faz com suas fenders. Que domínio de fuzz e wah wah meus amigos. “Out There” acelera loucamente o peito.

Nine Inch Nails“We’re In This Together”
Ricardo: Pra finalizar a “escuridão” envolvente desses caras é fundamental pra mostrar o caminho que nos synths planejam percorrer. Trent é um gênio que a gente curtiu demais. “We’re in This Together” traz uma energia que não consigo descrever, tente ouvir e ficar parada se puder.

Construindo Sereno: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Sereno

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda carioca Sereno, que recentemente lançou o EP Adivinhar o Futuro das Estrelas” pela Violeta Records.

Wavves x Cloud Nothings“No Life For Me” (“No Life For Me”, 2015)
Vinícius: A Sereno é uma banda de irmãos, então já era meio que a hora de a gente se juntar e criar algo. Começamos a falar disso por causa de umas fotos que o Nathan Williams tirou das gravações do disco do Wavves com o Cloud Nothings. Eles gravaram tudo em casa e em um esquema simples. Então, foi meio que “se eles fizeram, a gente consegue também”.

American Football“Honestly?” (“American Football”, 1999)
Victor: Os dedilhados do American Football marcaram o jeito que compomos, mas “Honestly?” é uma música bem diferente do resto desse álbum. Eles substituíram o refrão por uma parte instrumental com guitarras distorcidas e o baixo praticamente fazendo um drone. Mostra como conseguiam compor em formatos diferentes sem perder a identidade da banda.

Vivian Girls“Light In Your Eyes” (“Share The Joy”, 2011)
Vinícius: Algumas das letras de “Adivinhar o Futuro das Estrelas” têm influências diretas das Vivian Girls, especialmente a música “Se Tudo Der Errado”. Acabou que a Cassie Ramone, que era a líder das Vivian Girls, desenhou uma estampa de camiseta para a Sereno. Emocionou demais ter alguém tão importante para a gente criando algo especial para a banda.

Modest Mouse“Trailer Trash” (“The Lonesome Crowded West”, 1997)
Victor: Falando em letras, acho que a forma de escrever do Isaac Brock, misturando situações reais com ficção, é uma influência clara nas letras da Sereno. Nessa música, ele fala sobre viver uma infância difícil, morando em trailers e lidando com problemas na escola.

Jay Reatard“My Shadow” (“Blood Visions”, 2006)
Vinícius: Aquele documentário póstumo, “Better Than Something”, mostra muito a preocupação do Jay em botar as ideias em prática, registrar o que está acontecendo no momento e seguir em frente, mesmo que não seja nas condições mais ideais. Fico triste quando lembro das bandas legais que vimos ao vivo e não deixaram nada registrado…. Esse senso de urgência do Jay guia a maneira como seguimos com a Sereno e a Violeta Discos.

Julia Brown“Library” (“to be close to you”, 2013)
Victor: “Library” é uma obra prima do lo-fi. O arranjo conta com vários elementos diferentes no que poderia ser só mais uma música com bateria-baixo-guitarra. E também serve para mostrar como a gravação pode contribuir para a atmosfera da música. A regravação do EP “Library B/W I Wanna be a Witch”, mais hi-fi, não captura tão bem a essência da música como a original faz.

Melt“Rewind” (“Riffer”, 2016)
Vinícius: O Dylan White soltou as primeiras demos do Melt no mesmo período em que compomos as músicas do “Adivinhar o Futuro das Estrelas”. Ele também é adepto do lo-fi e do it yourself, então é um disco que a gente não só gosta, mas se espelha também. Altas guitarras.

My Vitriol“Always: Your Way” (“Finelines”, 2001)
Victor: O mais legal do My Vitriol é como souberam incorporar o shoegaze no som deles sem soarem totalmente genéricos, mesmo que fosse um elemento fundamental nas músicas. Nessa música dá para perceber isso, há as guitarras cheias de delay e reverb nos versos, mas um refrão que nenhuma banda de shoegaze faria.

DIIV“Bent (Roi’s Song)” (“Is The Is Are”, 2016)
Vinícius: Normalmente associam o DIIV ao shoegaze, mas a maneira como eles empilham cada elemento no arranjo das músicas tem muito de krautrock, especialmente do Neu! Os licks de guitarra são lindos e a ideia de gravar em mid-fi é algo que vai de encontro com o que queremos fazer.

Supercar“Automatic Wing” (“Three Out Change!!!”, 1998)
Victor: Se fosse feita por alguma banda ocidental, essa poderia ser só mais uma baladinha de indie rock dos anos 90. Porém, o interessante são os elementos claramente tirados do rock japonês que o Supercar incorpora na mistura, como as linhas de voz doces e letras que sempre têm um tom mais poético e folk, e lembram mais um filme do que uma música.

lostage“手紙 [Tegami]” (“P.S. I Miss You”, 2004)
Victor: O lostage faz tudo nessa música. Viradas de bateria dignas de air drum, riffs com pausas dramáticas, build-ups para o refrão, vocais quase gritados e um arranjo de guitarras bem típico do rock japonês. “Tegami” é um exemplo de como uma banda pode soar tão interessante tanto individualmente quanto em grupo num contexto emo.

SHAZNA“Kokoro” (“10th Melty Life”, 2007)
Vinícius: É engraçado quando apontam algum detalhe de uma música nossa com muita convicção de que aquilo foi influência da banda emo americana “x” ou do indie rock “y”, mas, para nós dois, tem mais a ver com um lado-b do Asian Kung Fu Generation ou uma baladinha do SHAZNA como essa.

Dinosaur Jr.“The Lung” (“You’re Living All Over Me”, 1987)
Vinícius: O Dino é uma daquelas bandas fundamentais, que a gente quer saber detalhes de como os discos foram gravados e aprender as músicas nota por nota. De certo modo, eles são como o Experience do Jimi Hendrix, as pessoas só falam do J Mascis, mas o Murph e o Lou Barlow são tão fundamentais quanto para o som. Sempre estamos discutindo uns detalhes, como o timbre de baixo do Lou ou como ele toca as linhas sempre no final do braço (risos)…

The Smashing Pumpkins“Mayonaise” (“Siamese Dream”, 1993)
Victor: “Mayonaise” é a epítome das baladinhas do Smashing Pumpkins, tanto que o Billy Corgan nunca fez melhor depois. Um muro de guitarras com fuzz, progressões de acorde simples e uma linha de voz cativante. O careca pode ser um mala hoje em dia, mas houve um tempo em que era uma máquina de boas músicas, e a influência da banda é inquestionável.

hide“FLAME” (“PSYENCE”, 1996)
Vinícius: Passei boa parte da adolescência aprendendo as guitarras do hide, então o DNA dele sempre vai se infiltrar nas nossas músicas. Mesmo quase 20 anos após a morte dele, ainda aparecem informações que nunca soubemos antes e os discos revelam algum colorido que não havíamos notado. Ele ainda é o maior de todos.

Built to Spill“Some” (“Untethered Moon”, 2015)
Victor: Nessa música dá para perceber claramente todas as grandes influências do Doug Martsch: Dinosaur Jr., Neil Young, Pavement e classic rock. Mas, ao mesmo tempo, é um som muito particular e com vários clichês sendo utilizados de uma forma que não soam nada manjados. Os solos de guitarra, as transições verso calmo–refrão barulhento e trechos instrumentais maiores que o resto da música.

Weezer“The World Has Turned And Left Me Here” (“Blue Album”, 1994)
Victor: Essa é uma das músicas que te faz eternamente associar uma progressão de acordes a uma banda, como se pertencesse a ela, de tão marcante que é. Ainda tem todo o arranjo: o riff do violão, o solo de guitarra, o final com a mesma frase sendo repetida várias vezes etc. O tipo de coisa que realmente te inspira a fazer um arranjo legal para sua música.

Jim O’ Rourke “Therefore, I Am” (“Insignificance”, 2001)
Vinícius: Também poderia escolher alguma música do “Halfway to a Threeway” ou “Bad Timing”, porque o Jim é uma inspiração constante, mas ouvimos muito o “Insignificance” durante as gravações do EP. O coração até pulsa junto naquele trecho quase aos dois minutos que a música engasga e começa a crescer hahaha.

Toby Fox“Undertale” (“Undertale Soudtrack”, 2015)
Victor: Utilizar os sons de jogos antigos de Super Nintendo e Playstation sem pretensão de soar retrô ou chiptune é algo que poucos fazem hoje, mas que sempre achamos muito legal. O Toby Fox é um dos caras que faz isso muito bem e ainda incorpora samples de jogos como Chrono Trigger e Final Fantasy VI.

Steep Leans“Nightmare City” (“Grips On Heat”, 2015)
Vinícius: É o segundo lançamento da Ghost Ramp na lista, que é uma grande referência para como nós operamos a Violeta Discos. Fora isso, as letras e os arranjos do Jeffrey Gray Somers têm esse tom de nostalgia que tentamos passar nas nossas músicas. Mil guitarras maneiras também, né? Não tem como não gostar.

O que andei ouvindo – 17 a 23/03

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De La Soul – Ouvi bastante o “3 Feet High and Rising”. O que eu mais me perguntei enquanto ouvia foi “porque diabos não ouvi isso antes?” Na verdade, o moleque de 13 anos fã dos Beastie Boys que eu fui deveria ter colocado as mãos neste grande disco de 1989, pra fazer par com o “Licensed to Ill” que não saía do toca-discos. Bom, antes tarde do que nunca.

Dinosaur Jr. – O disco que eu ouvi foi o “Bug”, de 1988. É, essa semana eu fiquei bem ouvindo as coisas lançadas lá no finzinho dos anos 80. Pra juntar com um fato atual que tá em alta, esse disco contém “Freak Scene”, música o Blink-182 coverizou em uma de suas primeiras demos (e hoje a banda tá desmantelando, ou pelo menos o Tom Delonge está). Ah, “Bug” tá na lista dos “1001 Discos Pra Ouvir Antes de Morrer“, como muitos outros que ouvi ultimamente.

Jane’s Addiction – YEAH! Poxa, fazia tempo que eu não ouvia o “Ritual de Lo Habitual”, que é um dos melhores discos da banda (junto com o “Nothing’s Shocking”). Mas acho que o “Ritual” vence, especialmente por causa de duas músicas: a abertura pé na porta “Stop” e o mega hit “Been Caught Stealing”.