Depeche Mode faz show histórico no Brasil após 24 anos de espera

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Show Depeche Mode no Allianz Park, foto por Fernanda Gamarano

Tudo começou em uma terça-feira chuvosa com trânsito em SP, uma semana atrás. Mas os fãs de Depeche Mode não estavam ligando para o caos paulistano, afinal, foram 24 anos de espera desde a ultima passagem da banda pelo Brasil! Depois de uma fase conturbada, o Depeche Mode voltou com seu 14° álbum e sua nova turnê mundial, a “Spirit Tour”, com Martin Gore, Andrew Fletcher e Dave Gahan na formação atual, acompanhados dos seus músicos de apoio que já estão na banda a 20 anos, fez os paulistanos chorarem, dançarem, sonharem e flutuarem em uma noite cheias de saudades nostálgicas.

Pontualmente às 21:45, foi só apagar as luzes do Allianz Park e aparecer um telão com uma arte linda toda colorida para a silhueta de Dave Gahan aparecer e a galera pirar aos berros. Abrindo a noite ao som de “Going Backwards”, nova musica do novo álbum “Spirit”. Mas não demorou muito para tocarem um de seus hits, “It’s No Good”, do álbum “Ultra”, veio logo em seguida pra deixar o publico louco e dar aquele gostinho de que vinha mais e prometia deixar todo mundo emocionado ao longo da apresentação.

A chuva deu um descanso logo ao inicio do show, mas os fãs não estavam nem um pouco preocupados, afinal quem se importa com chuva se tem Dave Gahan dançando muito, arriscando umas reboladas (típicas de Gahan em suas apresentações desde dos anos 80), rodopiando, fazendo caras e bocas e agitando o publico praticamente o show INTEIRO? E que frontman: as únicas pausas foram apenas para dar espaço para seu companheiro de banda Martin Gore assumir os vocais em “Insight” e “Home” (que teve direito a um lindo coro do publico regido por ele, um dos ápices da noite)! Estava na cara da banda e do público que todos estavam se divertindo muito e curtindo aquele momento que demorou tanto pra chegar. Foi uma entrega do público e banda, com músicas cantadas do começo ao fim seguidas de palmas e muitos celulares (risos)!

Antes de chegar o momento mais esperado pelos fãs, o show do Depeche Mode teve lindos vídeos, sendo quase um videoclipe ao vivo para cada música, feitos pelo Anton Corbin! O show foi esquentando cada vez mais, com o novo single “Where’s the Revolution?”, o clássico “Everything Counts” (que teve um hino com publico cantando ao fim) e “Stripped”. Pausa aqui porque tá vindo o esperado….

Enfim chegou o momento: foi apenas tocar a primeira nota de “Enjoy the Silence” que os fãs foram à loucura! Um hino cantado com toda a força do começo ao fim, tanto que os vocais de Dave foram cobertos pelo coro! Que energia! Que noite!

E quem disse que acabou por ai? Logo em seguida mandaram “Never Let Me Down Again!” Pausa pro bis, mas não teve pausa pro publico, que ainda estava todo eufórico após “Enjoy the Silence”!

Foto Fernanda Gamarano

E voltaram com nada mais que “Strangelove”, porém com uma versão mais leve, apenas com piano e voz, e quem mandou nos vocais foi Martin. Que voz! Confesso que achei por um momento ia vir aquela pancada que a original tem, mas foi um lindo momento onde todos em uníssono cantaram com Gore!

Foto Fernanda Gamarano

Seguindo o bis, veio aquela para mim uma das musicas que eu mais admiro do Depeche Mode, “Walking in my Shoes”, um momento marcado por um vídeo que mostra um artista binário se maquiando e se arrumando para fazer um show em um bar, colocando um salto lindo e bem alto, pra casar com aquela frase “Try walking in my shoes”, que ao pé da letra quer dizer “tente se colocar no meu lugar”, afinal, vivemos em um mundo onde somos julgados pelos nossos atos o tempo todo.

Para a tristeza de todos. o show estava chegando ao fim. Veio a clássica “A Question of Time”, seguida da segunda mais esperada da noite, “Personal Jesus”, que dispensa comentários. Foi desfecho perfeito pra um show tão energético!

Era o fim do show, mas parecia não ter fim para o publico. Depois do Depeche se despedir do palco, com um caloroso tchau, a galera ficou gritando, cantando e aplaudindo mesmo depois do fim. Será que com esse show histórico eles voltam mais vezes sem uma pausa de 24 anos? É o que todos queremos!

Setlist:
Intro: Revolution (música dos Beatles) / Cover Me (Alt Out)
Going Backwards
It’s No Good
Barrel of a Gun
A Pain That I’m Used To
Useless
Precious
World in My Eyes
Cover Me
Insight (acústica)
Home
In Your Room
Where’s the Revolution
Everything Counts
Stripped
Enjoy the Silence
Never Let Me Down Again
Bis:
Strangelove (acústica)
Walking in My Shoes
A Question of Time
Personal Jesus

Reunimos uma porrada de gente pra eleger as melhores músicas nacionais e internacionais de 2017

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Chegou aquele momento do ano em que todo mundo faz suas listas, retrospectivas e tentamos eleger o que aconteceu de melhor nos últimos 365 dias. Aqui no Crush em Hi-Fi eu deixei a tarefa de escolher os grandes sons de 2017 com os próprios colaboradores do blog, músicos, jornalistas, produtores, DJs e apaixonados por música. São mais de 70 pessoas que nos contaram quais foram os grandes sons nacionais e internacionais deste conturbado ano.

Na música nacional, Tim Bernardes, Renato Godá, Molho Negro, Letrux e Far From Alaska foram os mais lembrados pelos entrevistados, enquanto King Gizzard & The Lizard Wizard, Kendrick Lamar, Bjork Liam Gallagher foram os artistas estrangeiros que mais mexeram com o coração das pessoas consultadas. Confira as escolhas e sigam as playlists dos Melhores do Ano 2017 no Spotify do Crush em Hi-Fi!

Nacionais

Luccas Carlos“Neblina”
Rashid: O Luccas é um dos artistas mais talentosos que surgiram nos últimos tempos, na minha opinião. Tem um potencial gigantesco pra bater pesado nas rádios. Gosto bastante desse som, letra boa, refrãozão, melodia da hora. Sou fã.

Jr Black“Arrendado”
Gil Mendes (Baião de Dois/Crush em Hi-Fi): A multiartista pernambucano manda nessa samba bem balançado uma crônica sobre o atual cenário do país abusando das metáforas, fazendo uma analogia de como o Brasil fosse uma grande e abandonado parque de diversões pronto para ser destruído. A faixa ainda conta com a participação de Fred 04, do Mundo Livre S/A.

NP Vocal – “Veja Bem”
Kamau: Com certeza essa é a música que mais ouvi num certo período de tempo em 2017. Veio como uma surpresa, já que conhecia o NP de vista mas não tinha ouvido ainda nada dele. O beat cabuloso do DJ Fire serviu bem pra sua narrativa entrelaçada que nitidamente remete ao Sabotage mas tem seu DNA, suas características próprias. A facilidade com que NP passa do rimado ao melódico também chamou-me bastante a atenção. Talvez não seja o melhor som em nenhuma lista mas, com certeza, deve ser ouvido por quem ainda não teve a oportunidade de fazê-lo.

Far From Alaska “Bear”
Chris Lopo (Crush em Hi-Fi): “Unlikely” soa muito diferente de seu antecessor, “ModeHuman”, mostrando uma evolução tanto na pegada quanto na produção e no vocal de Emmily Barreto. “Cobra”, a música de trabalho, é legal mas, quando chegou “Bear”, a segunda do disco, meu mundo parou. Eu fiquei, sem mentira, uma tarde inteira e amanhã do dia seguinte com essa música no repeat. Sempre que rolava o comecinho de “Flamingo” eu voltava uma faixa. Valeu a pena ter enfrentado a neve, desta vez mais perto do Alasca, para gravar com a Sylvia Massy.
Ian Veiga (Der Baum): Muita coisa de qualidade lançada e se teve algo que marcou foi o álbum do Far From Alaska, “Unlikely”. O single “Cobra” foi matador e manteve muito o estilão do primeiro álbum, mas a música “Bear” mostra a verdadeira faceta atual da banda. Com muito experimentalismo na masterização e sonoridade diferentona, o resultado é incrível e adoro quando a banda se arrisca sem medo assim.

Rimas e Melodias – “Coroação”
Mariângela Carvalho (Supernova): Tava no aguarde do debut do Rimas e assim que ouvi pela primeira vez, no final minha sensação resumida era: uma experiência ultra empoderada. Nunca poderei sentir na pele, literalmente falando, o que elas compartilham e, por isso mesmo, pra mim esse álbum veio acrescentar mais visões sobre o feminismo;  musicalmente a produção é muito fina, várias escolas do ritmo e poesia revisitadas nos 30 e poucos minutos de duração. A segunda faixa, “Coroação”, tem um tema bem forte, o refrão + coro me fazem arrepiar toda vez que ouço.

Francisco El Hombre“Triste, Louca Ou Má”
Alexandre Becker Klein (Lamusia): Acho que “Triste, Louca ou Má”, do Francisco El Hombre, devido a música ter acordes tristes e bonitos, sem falar da letra com uma importância bem grande pro público feminino.

Projeto Rivera“Zeravida”
Caike Falcão (Empire): Além de eu ter achado uma música foda, ela é muito representativa. Projeto Rivera vem em uma crescente linda, e eu consegui ver de perto a luta dos meninos. É uma banda que me orgulha e inspira, e envolve quem tá por perto. E essa música é o ponta-pé inicial do segundo disco deles, que é um novo marco na carreira da banda. O Brasil ainda vai ouvir falar muito deles.

Guilhemoso Wild – “Caos, Caos”
Douglas Mam (Douglas Mam & Os Famigerados): Indico! A letra falado tudo sobre a situação da humanidade.

Figueroas“Boneca Selvagem”
Fabrício Bizu (Psico BR) – Por trazer música pra cima e dançante como flamingos rosas em ponche psicodélico.
Alê Lima (Aletrix): Figueroas tem o vantajoso diferencial de lançar músicas viciantes. O aguardado segundo disco é contagiante e igualmente grudento. “Boneca Selvagem” é uma música para se ouvir várias vezes seguidas, suando e mexendo partes do corpo.

Arnaldo Tifu“O Rap Salva”
Carol Tavares (Jazz House): Acho difícil dizer a melhor de todas. A produção nacional está fervilhando. Muitos estilos, muita gente nova e boa. Eu sempre tive um lance secreto com rap e, trabalhando mais de perto com o Tifu, fiquei arrepiada com “O Rap Salva”. Tem força, letra e aquele pé no peito. Fica minha sugestão.

Merda“O Diabo Está Sempre Ao Meu Lado”
Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula): A gang do Merda e suas cagadas magníficas. Em tempos de Reich evangélico nada melhor que essa bela canção sobre amizade.

Rico Dalasam – “Fogo em Mim”
Guilherme Tintel (It Pop): O Carnaval se foi, mas o fogo de Rico Dalasam não se apagou. No ano em que o pop brasileiro emplacou até hits internacionais, “Fogo em Mim” se garante pela singularidade de sua letra e batida, sob a produção de Mahal Pita, do sempre incrível BaianaSystem.

Deltafoxx “Fade Away”
Diego Veríssimo (Outro Indie): O mais recente lançamento do duo brasiliense que vem crescendo em destaque na cena independente com suas faixas originais e remixes.

Molho Negro“Escrevo Mal”
Pedro Spadoni (Cat Vids): A Molho representa bem demais a cena independente do país em tudo o que fazem, e essa música é a cara deles porque tira sarro deles mesmos e de mim e de você e de qualquer um que se meta a fazer música. Eu vejo esse tipo de proposta como um recado legal pra cena de não se levar tão a sério assim e só, sei lá, se divertir. Sem contar que o João é o cara mais legal do rock (risos).

Bike“A Montanha Sagrada”
Denão Fonseca (3 Olhos Festival): Depois de ouvir esse som, você só tem vontade de subir a montanha para ficar mais perto do céu. Hino da psicodelia moderna.

Letrux“Que Estrago”
Hanilton Medeiros (Crush em Hi-Fi): “Letrux em Noite de Climão” é de longe o melhor álbum de 2017. A canção conta a história e a experiência após um encontro entre duas mulheres. Com letra provocativa e video clipe psicodélico, “Que Estrago” é a faixa perfeita para resumir esse trabalho, premiado como “Melhor Disco do Ano” pelo Prêmio Multishow.

Preta Gil & Gal Costa “Vá Se Benzer”
Hanilton Medeiros (Crush em Hi-Fi): Preta Gil declarou em várias entrevistas a emoção que foi cantar com sua madrinha, a diva da MPB, Gal Costa. A canção tem um teor político, que foi potencializado ao ganhar um clipe manifesto, cuja repercussão na internet garantiu a colocação entre os mais vídeos no YouTube no dia de seu lançamento.

Skrotes“Procissão dos Ossos”
Michelle Mendez (Petit Mort): Melhor banda catarinense, e uma das melhores do brasil sem duvida. Admiro muito o talento dos musicos da banda e as suas composições, musica pra voar a mente, sem limites.

ProjetoNave “Revolução Humana”
Claudio Cox (Giallos): “20 Voltas” celebra os 20 anos de uma das bandas mais importantes aqui do ABC Paulista, o Projetonave. Não bastasse isso (20 ANOS caralho!), o disco também marca a volta de um dos letristas mais importantes da minha geração, um cara que me influenciou, me influencia e me influenciará para todo o sempre, Marcopablo. Escolhi uma porque não posso escolher todas. “Revolução Humana” tem uma frase que define bem essa nova fase da banda e da minha vida também: “amanhece cedo, o sol fortalece”.

Jazz Beat“Loud Owl”
Pedro H. Rabelo (Bang Bang Babies): Delta blues com punk primitivo (isso existe?). Pra mim soa desse jeito.

Quasar“Aurora”
Ari Holtz Neto (Medrar): Tem um caos espontâneo, digno de um ser humano qualquer andando desgovernado pela cidade olhando pra própria nuca. Um recorte que me fisga da produção autoral brasileira, fala comigo na poesia, na melodia, nas distorções, na impertinência e no desacerto.

Renato Godá“Longe Eu Vou”
Calvin Kilivitz (Thrills & the Chase): Quando o Goda surgiu, disseram que ele era o Tom Waits brasileiro. Com esse disco novo, ele também é o Johnny Cash brasileiro, e muito mais.

Ralo“Mais”
André Astro (O Grande Ogro): A banda de São Paulo de rock instrumental Ralo lançou esse ano o disco “Hell is Real” com a música “Mais”, tem tem um belo vídeo da produção do disco.

Hammerhead Blues“Rat”
Rê Becca Tavares: A banda paulistana Hammerhead Blues lançou seu primeiro álbum este ano e “Rat”, uma das faixas mais poderosas, ganhou um clipe sensacional para acompanhar. Rock com pegada setentista para ouvir no máximo!

Tagore“Apocalipse Jeans”
Adriano Eliezer (Pampas Deer): O Tagore só melhora na escrita e na interpretação. É uma lapa de talento. E o João Felipe Cavalcanti, como produtor e realizador da coisa sônica, tem baixos lindos, ambientações e texturas que pra mim são fora de série.

Raquel Reis“Sorte”
Ana Júlia Tolentino (Tenho Mais Discos Que Amigos): Eu esperei por um bom tempo o lançamento desse disco e ele tem uma produção visual impecável (sério, olha no canal dela)! Essa música particularmente me remete a tudo que aconteceu esse ano, 2017 foi um ano de contemplação. No trecho “No seu silêncio, eu escuto o infinito” é como se o silêncio fosse meu, também.

Tim Bernardes“Tanto Faz”
Laura Damasceno (Música Tem Vídeo): Foi a primeira música de trabalho do disco solo do Tim Bernardes e mesmo sendo lentinha, tem aquela letra chiclete à la O Terno que não sai da cabeça por nada. Além disso, chama atenção por retratar bem o Brasil de 2017, com sua população apática diante do mar de problemas políticos e sociais: “Vai ter Copa, vai ter carnaval, mas continua errado / Nada é justo ou injusto se não há justiça de fato / Tanto faz, tanto faz”. Sério, genial.
Bruna Manfre (Shelter): Em meio à apatia e escapismo atuais, Tim Bernardes trouxe seu “Tanto Faz” – música que pode ser interpretada de diversas formas, inclusive como crítica à política. O desassossego lírico, que por si só já garantiria seu posto como melhor do ano, é acompanhado por violão de cordas de aço, surdo e violinos.

Renato Godá“Chegada”
Zé Menezes (Thrills & The Chase): Simplesmente a declaração de amor mais bonita dos últimos tempos. Se não conhece, vá atrás que você não vai se arrepender.

Ludovic“Inexorcizável (Um Zumbido Ensurdecedor)”
Shamil Carlos (Stay Free): Tinha um grande medo do que viria, ainda mais por saber que o Jair passa por uma fase de vida bem diferente da época do “Idioma Morto” mas a música é foda! Letra desesperançosa e melancólica, do jeito que a gente ama.

Luedji Luna“Banho de Folhas”
Bárbara Monteiro (Wabi Sabi): Eu tô completamente apaixonada pela Luedji Luna! Ela é baiana e fica numa ponte Salvador – São Paulo. Acabou de lançar seu primeiro disco, que se chama “Um Corpo no Mundo” e é maravilhoso. Ela é compositora e tem uma voz incrível. Eu já era muito fã quando um dia, do nada, encontrei com ela num boteco em Pinheiros almoçando PF. Não resisti, tietei e ela foi tão simpática que só me fez admirar mais ainda.

Tim Bernardes“Ela”
Carolina Santos (Noize Media/Crush em Hi-Fi): O Tim já vem fazendo um trabalho excelente na banda O Terno, e agora em disco solo, denominado “Recomeçar”, lançado em setembro, pode soltar a mão em composições um pouco mais melancólicas e lindas. Ela é muito suave, quase um abraço para dias difíceis. O álbum todo é lindíssimo, um dos grandes destaques do ano.
Fernando Sanches (CPM22/O Inimigo): Porque é super simples e linda. E toda acústica, nesse mundo eletrônico, né?

Black Cold Bottles“Black Bones Blues”
Alejandro Cadena (The Ash Tre): Mesmo que a letra não fale necessariamente disso, eu sempre ouço essa música e me imagino no velho oeste, andando num cavalo rumo ao horizonte. Os vocais do Bruno Carnovale e da Larissa Lobo derretem e se misturam trazendo uma sensação de paz que se preenche com essas guitarras maravilhosas.

Yesomar“Pra Sempre”
Wendell Pivetta (Metal Etílico/Crush em Hi-Fi): Boa parte dos gigantes aqui é um resgate inovador do Rock Gaúcho da capital. Yesomar vem com o “Vol.2” de um super projeto que merece respeito e ouvidos atentos em um discão! Uma banda que faz uma correria gigante para agitar a cena da capital. Destaco a faixa “Pra Sempre” que para mim, já nasceu clássico! Firme e especial.

Negro Leo“Action Lekking A”
Uiu Lopes: Nacional foi o Negro Léo que eu sempre piro nas ideias dele e esse ano ele lançou um álbum chamado “Action Lekking A” que tá com um time pesado, vale muito a pena escutar no meio de uma multidão na Avenida Paulista ou qualquer outro lugar cheio de gente (risos).

Nevilton“Melhorar”
Millena Kreutzfeld (GDL – Tudo Sobre Música): Esperança e melancolia é o que traduz essa faixa do novo disco do Nevilton lançado recentemente. Apesar da vida caótica que a maioria leva na cidade maluca que é SP, precisamos ser conscientes com o todo pra vida melhorar e pra felicidade vir beber a estante dos vinhos que guardamos. ha-ha.

Paulo Miklos“Vou Te Encontrar”
Jéssica Mar (A Menina Que Colecionava Discos): O cantor fez um mergulho na música brasileira e lançou o que considera, de fato, seu primeiro trabalho individual na música. Gravado entre março e abril de 2017 e lançado oficialmente em agosto, veio após uma série de acontecimentos marcantes na vida do cantor (a morte de seus pais e de sua esposa, além da própria saída dos Titãs) e tem elementos de autobiografia, o álbum é um dos melhores discos brasileiros lançados esse ano.

Sepultura“Phantom Self”
Jéssica Mar (A Menina Que Colecionava Discos): Gravado na Suécia, é o primeiro álbum de estúdio da banda em mais de três anos desde “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013), marcando a maior distância entre dois álbuns de estúdio em sua carreira. Conceito do álbum, segundo a banda: “A principal inspiração em torno de “Machine Messiah” é a robotização da sociedade hoje em dia. O conceito de uma ‘Máquina Divina’ que criou a humanidade e agora parece que este ciclo está se fechando, retornando ao ponto de partida. Nós viemos de máquinas e estamos indo de volta para de onde viemos. O Messias, quando ele voltar, vai ser um robô, ou um humanóide, nosso salvador biomecânico”.

Gagged“Cidade Sem Lugar”
Sérgio Costa (Vinyl Style): Primeiro single do álbum que saí no ano que vem. Hardcore bem tocado, bem gravado e com letras fodas (coisa que tem faltado em boa parte da nova geração de bandas dessa cena).
Não é de hoje que conheço o trabalho da Gagged e aposto muito nesse álbum que vem aí. Não é por acaso que eles vão abrir o aguardado show do Strung Out em Dezembro em São Paulo ao lado do Statues on Fire.

NDR“O Homem Comum”
Thiagones (Wiseman): Soco no estômago! Música rápida e texto agressivo, sem soar “Culto Intangível” ou “Simplista pânque”.

Pitty e Elza Soares“Na Pele”
Carol Marinho (Trilha Sonora da Carol): Como feminista, não poderia deixar de citar esse encontro entre duas mulheres que admiro muito. Elza Soares é a deusa da música brasileira e a letra elaborada da Pitty descreve não só a história de Elza mas a de muitas mulheres: “Se essas são marcas externas / Imagine as de dentro”. Imaginemos juntas!

Letrux“Ninguém Perguntou Por Você”
Siso: Letícia Novaes é pessoa gênia e isso ficou claro pra muita gente com “Letrux em Noite de Climão”. Nessa faixa, ela faz um inventário maravilhoso da intimidade de um casal imaginário, indo do romântico ao hilário sobre uma batida disco.
Lara Aufranc: Essa foi a música escolhida pra gente cantar juntas no meu show, adoro. Me identifico com a letra, que escancara as projeções. Porque às vezes só acontece na minha cabeça mesmo.
Ana Maria Nakaza (Azoofa): A gente ama a Letícia Novaes e tudo o que ela faz, seja na música ou na escrita, ela sempre tem muita coisa pra dizer. “Ninguém Perguntou Por Você” é a cara dela, mostra a potência da sua voz e o poder das palavras. Dá vontade de soltar a voz junto com ela e continuar cantarolando aquele refrão o resto do dia. Ela fez uma versão acústica no nosso live e arrasou!

Maquinamente“Voar Alto”
Crys Gonçalves (Guitar Talks): O Maquinamente colocou essa música na boca de todo mundo em 2017. Música boa, refrão pegajoso e uma qualidade vocal incrível.

Ciro e a Cidade“Lascado”
Karina Moritzen (Brasinha Discos): Ciro e a Cidade é das bandas mais impressionantes do cenário alternativo do RN. letras e melodias envolventes que te fazem sentir coisas que você nem sabia que estavam lá. Vale a pena o EP inteiro, que foi lançado no início de 2017 produzido pelos também potiguares do Mahmed.

Sudário“Baden Powell”
Karina Moritzen (Brasinha Discos): Sudário é o primeiro lançamento da Brasinha Discos. Adriano traz toda a introspectividade e sensibilidade dele e te entrega de bandeja. é como se ele te pegasse pela mão e te mostrasse o quarto dele. o disco foi produzido por Walter Nazário, e demorou anos pra sair, era uma lenda urbana na cidade. ainda bem que saiu, e foi um dos melhores lançamentos potiguares do ano.

Criolo“Menino Mimado”
Bruno Carnovale (Black Cold Bottles): O ano de 2017 nos rendeu muitas reflexões a respeito de vários momentos que o nosso país atravessa. e em “Espiral de Ilusão”, um disco tão bonito quanto inusitado, Criolo diz muito sobre o que se deveria pensar a respeito do que tem sido feito na política do Brasil.

Rincon Sapiência“A Coisa Tá Preta”
Alessandra Braz (Favorite): Para mim, o Rincon fez o melhor disco de 2017 no âmbito nacional, “Galanga Livre”. A grande sacada desse disco é falar de racismo exaltando a beleza negra essa música em específico é genial, porque ela pega uma expressão racista, que ficou conhecida por explicitar que as coisas não vão bem e troca o seu significado. Rincon canta: “Se eu te falar que a coisa tá preta, a coisa tá boa, pode acreditar”.

Boogarins“Foimal”
Sand Lêycia (Supervibe): Enfim, Boogarins é a banda nacional que mais me atrai. “Foimal” segue o tipo de composição simples que tanto gosto, o synth bass casou demais com a textura da banda.

Maglore“Aquela Força”
Raul Zanardo (Dum Brothers): Fui no show de lançamento que rolou no Sesc Pompeia e quando tocaram essa musica a galera, inclusive eu, pirou demais.

Ekena“Todxs Putxs”
Dani Buarque (BBGG): Esse ano se criou um grupo no Whatsapp com as minas da música. Conheci muita coisa foda mas um som que me fez derramar lágrimas e meu coraçãozinho bater mais forte foi o som “Todxs Putxs” da Ekena. A letra é maravilhosa, a voz dela é incrível e a música como um todo umas das melhores coisas que já ouvi no Brasil. Fui DJ de um evento What Design Can Do e a Ekena entrou pra tocar essa música. Me arrepia só de lembrar. Era ela e o violão. As pessoas começaram aplaudir no meio da música e depois no final de novo. Eu nunca vi isso na vida. Que força essa mulher tem, eu tô A-P-A-I–X-O-N-A-D-A pelo som dela. É muito nítido como ela se entrega pra arte e isso inevitavelmente toca a gente.

Cinnamon Tapes“Cinnamon Sea”
Camila Mazzini (Garotas no Poder): Acompanhei o comecinho da carreira da Susan e a delicadeza com que ela cuida de tudo, desde a sonoridade até o visual. Tudo doce e lindo.

Satiro“Flúor”
Bruno Trchmnn (Leila): Dá pra ouvir pelo menos 20 vezes em 1 hora, o que é sempre bom. Esse disco tem duas coisas que eu curto: aquela ponta de Urinals e o Matias Picon (Animal Cracker, Sonora Scotch). Ouvi milhares de vezes (em umas 2 horas e meia).

Miêta“Messenger Bling”
André Luiz Souza Silva (Fita): A “Messenger Bling” do Miêta tem um que de nostalgia pra mim. Tbm é o tipo de som que cria umas cenas na minha cabeça, já imaginei um mega video de downhill numa estrada na Califórnia e a mistura desse baixão e essa voz suave ficaram perfeitas.

Porcas Borboletas“Cara Pra Casar”
Gabriel Serapicos (Serapicos): O álbum todo é a mais pura e sincera poesia. Cadê esses meninos do programa da Fátima Bernardes?

Tati Góis “Mãe Preta”
Tânia Seles (Sopa Alternativa): A líder da banda Útero Punk saiu em carreira solo com o álbum “Negra e Favelada”. O seu primeiro single fala de racismo e violência, denunciando o sofrimento das mães da favela. Essencial para o momento que estamos vivendo.

Deb And The Mentals“Bleeding”
Paula Holanda (Crush em Hi-Fi): Como é bom um som direto, sem firulas, filho do punk, do grunge e do garage. Eu não costumo gostar de bandas brasileiras que compõem em inglês, mas “Mess” foi um dos meus discos nacionais preferidos de 2017 (e Deb And The Mentals, anotem esse nome, um dos melhores shows que vi). “Bleeding” foi uma ótima escolha para a faixa de abertura — é a música mais crua e urgente do disco, ou seja, um excelente cartão de visitas para quem quiser conhecê-lo.

Maglore“Calma”
Alinne Anno (Chuchu): 2017 não foi dos mais fáceis, creio que pra mim e a muitos por ai. Minhas escolhas refletem muito no que eu passei e vi outros passando nesse longo ano. “Calma” da Maglore, virou um mantra que me fez/faz chorar, dançar, refletir… É difícil descrever com poucas palavras, sem contextualizar a parada, sem citar mais do que um ou dois momentos, sem que outras músicas entrem no meio. Vai parecer piegas esse papo todo, mas é real. O Lucas, baixista da Maglore e guitarra/vocais da Vitreaux, tocou pra mim, voz e violão, num momento muito sensível e eu senti toda a emoção. Fez muito sentido naquele momento, mas a bala no peito veio mesmo uns meses depois. Essa música me ajudou sair das fossas desse segundo semestre e a entender coisas que passei no primeiro. Foi uma luta ouvir uma música tão pra cima em momentos que você só quer ouvir uns emo/shoegaze. E de volta a pieguice: eu acredito profundamente no poder da música (gente como eu sou brega).

Whatever Happened to Baby Jane“Deixa Ela em Paz”
Lúcia Vulcano (Pata): Conheci Whatever Happened to Baby Jane esse ano e é uma das bandas que eu mais gostei de descobrir. Essa música é um belo hino de resistência e eu gostaria que cantassem para 2017: Deixa ela em paz!

Marginal Attack“I Want You”
Matheus Krempel (The Bombers): O Marginal Attack resgata aquele sabor do Punk rock do meio dos anos 90 com bastante propriedade. “I Want You” é uma balada punk com um dos refrões mais gostosos do ano.

Muddy Brothers“What I Want”
Bruno Agnoletti (Dum Brothers): Muddy é uma das melhores do cenário nacional e eles tem uma pegada 70’s que eu curto pra caramba sem contar que o vocal, guitarra e batera do Muddy é sensacional.

Old Kitchen“Outra Voz”
Dan Menezes (Vênus Café): Saindo do internacional mainstream para o underground nacional. Essa canção é uma pérola, de ficar cantarolarando por dias. No dia em que foi lançada, fiquei ouvindo ela no repeat umas dez vezes, e fiquei esse tempo todo arrepiado (isso é sério). Disparada a canção que mais ouvi em 2017.

Corazones Muertos“Spikes & Dogs”
Cristiano Vicente (Crasso Records): Apesar de não ser 100% nacional, dá pra considerar. Faixa do disco “Carnival Killers” lançado pela Crasso Records, além de ser uma BAITA faixa e um BAITA refrão, a música e o clipe são uma grande homenagem (em vida) ao ratodeporão/forgottenboy/lobotomizado/porcocego: Fralda!

Baco Exu do Blues – “Te Amo Disgraça”
Amauri Eugênio Jr. (Yahoo): “Esú”, do Baco Exu do Blues, é uma das mais bem-vindas novidades da cena musical brasileira, a começar pela origem, que rompe o eixo Centro-Sul: o cara mostrou que tem rap de qualidade na Bahia. O álbum é coeso, transgressor, erótico e com groove pesado, e tem a faixa “Te Amo Disgraça” como uma espécie de síntese e um de seus melhores momentos. Dá para dizer, parafraseando um verso, que essa música e o álbum são manifestos contra o tédio de domingo e dos demais dias da semana.

Electro Bromance“Supermodel”
Bruno Romani (S.E.T.I.): Esse aqui é o Depeche Mode do Nordeste! Um duo de João Pessoa fazendo synthpop clássico numa região onde o senso comum jamais esperaria que isso fosse possível. Eles lançaram um disco no começo do ano, “We Are Like a Bomb!”, que tem outras vertentes eletrônicas. Mas eu curti muito esse single, que saiu no último mês de setembro mas poderia ser de 1987.

Sereno“Se Tudo Der Errado”
Paloma Vasconcellos (LuvBugs): Os irmãos Victor e Vinícius Damazio arrebentaram com esse lançamento de estreia deles e do selo Violeta Discos. “Adivinhar o Futuro das Estrelas” é lindo do início ao fim. Eu escolhi a faixa de número 4 em particular porque ela transmite uma melancolia e ao mesmo tempo uma alegria gostosa de sentir que remete direto aos anos 90.

Scalene“Cartão Postal”
Ingrid Natalie (Female Rock Squad): Já para o destaque nacional indico a banda Scalene. O quarteto de Brasília fez uma performance impecável no Rock in Rio, provando que o rock brasileiro está mais vivo que nunca e lançou o álbum “Magnetite” que traz novos elementos ao som post-hardcore da banda. A música “Cartão Postal” é uma reflexão linda sobre a carreira da banda.

Matheus Flemming“1985”
Sara Não Tem Nome: Conhecia o trabalho do Matheus no Câmera e esse ano ele lançou seu trabalho solo com o disco “O Estado das Coisas”. As músicas são construídas por meio de várias camadas/ linhas de guitarra, sons sutis e ruídosos. No show do disco, é muito interessante acompanhar a construção das músicas feitas por Matheus. O show é super intimista e conta com projeções lindas.

Tantão e os Fita“Espectro”
Sara Não Tem Nome: Tantão é artista plástico e músico. Nos anos 80 fez parte do Black Future, banda de pós punk da cena no wave. Em 2017 lançou o ‘Espectro’, seu primeiro álbum autoral. Me impressionaram sua performance em palco, a força de sua voz e sua letras impactantes.

Beto Cupertino“Memes”
Dija Dijones (Penhasco, Chabad, Loyal Gun, O Apátrida): Não bastasse o fato de grandes discos como “Grandes Infiéis”, “Tribunal Surdo” e “Greve Das Navalhas”, do Violins, terem tido menos repercussão do que deveriam, “Tudo Arbitrário”, belo disco do Beto Cupertino, a voz e a guitarra da banda goiana, parece trilhar o mesmo caminho. Em tempos de redes sociais como arena para embates, debates e inutilidades mil, esta é uma letra que poderia estar na língua de muita gente por aí. Na minha, pelo menos, está.

Cinnamon Tapes“Sol”
Victor José (Antiprisma/Crush em Hi-Fi): Já falei aqui espontaneamente sobre o álbum de estreia da Susan. E realmente, continuo com a mesma sensação de que esse disco (principalmente este single) tem algo especial. É simples, honesto, melodioso, estético e confessional. Muito difícil entrar três minutos de música essas cinco qualidades juntas e de modo convincente. É óbvio que em “Sol” está uma artista de mão cheia que muito tem a oferecer. A cena alternativa local só tem a comemorar.

Molho Negro“Mainstream”
Helder Sampedro (RockALT/Crush em Hi-Fi): Curto, cru, rápido e direto ao ponto. É o que podemos falar desse som dos Paraenses do Molho Negro. As letras irreverentes e cruelmente verdadeiras dessa música são característica do álbum lançado esse ano, mas não se engane, a banda é bem versátil e as músicas são bem diferentes entre si. Essa variedade musical do álbum foi justamente o que me atraiu e é um dos meus favoritos do ano.

Pablo Vittar“K.O.”
Micaela Alvariza (Micadélica): Acho incrível ver uma drag fazendo um estilo bem tipico daqui, com letra em português e batida brasileira, sem se sentir na necessidade de se regufiar na cultura gringa. Isso faz a mensagem ser mais democrática, afinal, quem fez ela famosa foi o pessoal daqui, e acho legal ela manter esse interesse pela aprovação do povo.

Negro Leo“Lek Lover”
Pedro Pastoriz: Se eu tivesse um minuto para escolher um disco brasileiro feito nesse ano pra lançar em um foguete pra lua, eu acho que seria esse: “Action Lekking” do Negro Leo tem essa tal coisa LEK, arranjos, banda, composições muito boas! “Lek Lover” é uma faixa que ficou na minha cabeça.

Curumim“Boca de Groselha”
Pedro Vivas (Crush em Hi-Fi): Diálogos com o corpo, diálogos com a “Boca”. Diálogos com a GROSELHA – groselha que às vezes é bacana, quiçá necessária, para sair da seriedade do dia-dia, mas, que também é ruim – que enche o saco e estraga nossos dias. “Boca de Groselha” fica no campo da primeira, é groselha boa, da mais alta qualidade, que pode acompanhar tranquilamente bons drinks (risos). Curumin (junto com os aipins) inova mais uma vez. Nacionalmente foi um dos sons, entre vários outros, que mais me chamaram atenção nesse ano. Com certeza merece menção.

LAY –  “Daraxaclan”
Yannick aka Afrosamurai: LAY é uma grande artista, destemida, ousada e explicita. O rap nacional precisa de uma mulher assim.

Bratislava“Enterro”
Lennon Fernandes: O crime ambiental ocorrido em Mariana/MG deveria ser tema de composição para todas as bandas. Parabéns pra Bratislava pela sensibilidade.

Castello Branco“Do Interior” (feat. Verônica Bonfim)
Otavio Cardoso (Carinae): A gente acompanha Castello Branco desde o primeiro lançamento, em 2013. Essa música em especial foi lançada no segundo álbum e tem um ritmo que encaixa muito bem com a melodia forte do refrão. A letra tem uma interpretação mais aberta e passa uma sensação boa, cantada junto com essa melodia.
Marcos Xi (Brasileiríssimos): Num período onde a nova MPB ou desata totalmente para o comercial ou descampa para uma auto provação de genialidade desnecessária, Lucas resolveu se inspirar na sua própria terra para chegar num material que envolve, emociona e liberta. “Sintoma” pode não ter os singles matadores e clássicos instantâneos que seu irmão “Serviço”, mas entrega um material muito mais coeso, conciso e inteligente que seu autor já conseguiu mostrar.

Monstros do Ula Ula“Não Posso Ficar”
Bacalhau (Monstros do Ula Ula): Banda mitológica que voltou com um disco ótimo.

menores atos“Pressa”
Enzo Marco di Berardo (Crush em Hi-Fi): Após 3 anos sem lançar material novo, a banda nos presenteou esse ano com o single “Pressa”. É importante destacar aqui que em nenhum momento a banda soa como um trio. Com a quantidade de riffs, efeitos, mudanças bruscas no andamento e backing vocais das músicas, eles ressoam como um grupo que tem no mínimo dois integrantes a mais. A sonoridade do single permeia simultaneamente a calmaria e o caos. O peso das guitarras de Cyro Sampaio (voz e guitarra) remete melodias de hardcore, ao mesmo tempo, as viagens dos pedais de efeito se assemelha às bandas: Circa Survive e Brand New. O papel do baixo de Celso Lehneman – por se tratar de um power trio — , tem mais presença e linhas consistentes do que normalmente dispõem as bandas de rock. A bateria Ricardo Mello (voz e bateria) além de somar na dosagem final da porrada, também passeia por linhas quebradas e incertas. Além do instrumental devastador, as letras das composições – a maioria discorre sobre relacionamentos — , causam uma identificação sem igual no público que sempre entoa os versos das músicas junto da banda.

Elza Soares“Maria da Vila Matilde” (Remix)
Rodrigo Reis e Bárbara Ribeiro (Crush em Hi-Fi): Elza finalmente recebendo o devido respeito. Artista que melhor representa o país lá fora não é a Anitta não, tá? É a Elza.

Felipe S“Anedota Yanomami”
Cainan Willy (Pacóvios): Depois de tanto tempo admirando de longe o trabalho da Mombojó, fiquei empolgado ao saber que o Felipe divulgaria seu primeiro disco solo. Quando saiu fiquei apaixonado pela forma que ele misturou o samba e pagode ao psicodélico em “Anedota Yanomami”, uma faixa que confronta realidades do imaginário com a realidade. Escutei muito esse ano.

André Whoong“Herói”
Flávio Juliano (FingerFingerrr): No Brasil, a que mais gostei esse ano foi a música ‘Herói’, do André Whoong. Lançada agora em dezembro, foi a que me impactou mais. Tem sentido pessoal, porque ouvi a demo em outubro(?) num momento marcante, e saquei o que ele queria dizer de primeira. Ela é aquela categoria de música que parece que você já ouviu, mas quanto mais elementos debaixo das pedras vão saindo, você se transporta um pouco. Você dá um shift pro lado, e quando uma música faz isso comigo, é especial.

The Bombers“Exodus”
João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi): Eu já gostava muito do “All About Love”, disco anterior dos Bombers, mas o “Embracing The Sun”, deste ano, mostrou a banda abrindo os braços e topando todo tipo de mistura musical que viesse à cabeça. Em “Exodus” eles misturam o punk rock que é a base do som da banda com um forró acelerado e o negócio casa tão bem que fica difícil não amar.

Internacionais

Jay Z“Story Of O.J.”
Rashid: O retorno do Jay Z por si só já é um bom motivo, mas nessa faixa ele vem falando do dinheiro dentro da comunidade negra, usando a situação do O.J Simpson como uma metáfora pro ponto de onde todos partimos nessa corrida, de um jeito (e uma perspectiva) que só ele pode e sabe falar.

Próxima Parada“Errs, Trials & Trials”
Gil Mendes (Baião de Dois/Crush em Hi-Fi): Apesar do nome, a banda é da Califórnia e mescla R&B, jazz e música pop. “Errs Trials & Trials” é uma música que parece harmônica simples, mas é de uma complexidade ímpar. A letra é sobre um belo pé na bunda. Um lindo clichê.

Rapsody– “Black & Ugly”
Kamau: Acompanho a carreira da Rapsody desde o Kooley High, seu primeiro grupo. (O produtor) 9th Wonder tomou como missão apresentar essa mulher pro mundo e o fez de maneira magistral no álbum Laila’s Wisdom. Rapsody rima à sua maneira pra certamente figurar entre os melhores discos desse ano. “Black & Ugly” é um desabafo em grande estilo de quem agora é percebidx por quem antes desprezava. Na minha lista, sem dúvida, é uma das melhores do ano, junto com o restante do álbum.

Depeche Mode“Going Backwards”
Chris Lopo (Crush em Hi-Fi): Se tem uma banda velha, com quase 40 anos de estrada, que consegue se manter criativa nos dias de hoje, esta é o Depeche Mode. “Going Backwards” é a faixa de abertura de “Spirit”, último álbum do trio inglês, e fala muito bem sobre o retrocesso que a sociedade está vivenciando. Tudo é muito redondo e muito bem produzido. O espírito da banda, liderada por Dave Gahan, dá o aviso que todo mundo já sabe: “ainda não chegamos lá / onde precisamos estar / estamos em débito / para com nossas insanidades.”

girlSperm“Theme from girSperm”/”I’m supposed to be alone”
Mariângela Carvalho (Supernova): Essa é a banda nova da Tobi Vail, muito musa e inspiração pra mim. Quem poderia saber que ela voltaria com uma banda f*da em 2017?! O girlSperm me deixou fascinada por condensar um monte de estilos que curto muito: post-punk, noise, tosco, gritado, letras insanas e sarcásticas, com uns agudos de guitarra que deixam uma tensão no ar. Punk no talo, na indumentária e no som. O nome da banda acho simplesmente genial. As músicas são tão rápidas que tive que escolher as duas primeiras do EP porque são complementares, o tema da segunda é bem anárquico e rolam uns gritos bem noventeiros. Indispensável.

At The Drive-In“Hostage Stamps”
Alexandre Becker Klein (Lamusia): No ramo do rock mainstream internacional, acho que é um dos sons mais complexos e bem trampados que saíram esse ano.

Roger Waters“Is This The Life We Really Want?”
Caike Falcão (Empire): Eu sei que o ideal seria falar de uma galera mais nova e tal, mas o Roger veio com uma pancada impossível de deixar passar. Acho que o disco todo veio com um peso reflexivo, que considero super importante com o eterno anos 80 que estamos vivendo hoje.

Lady Gaga“Joanne”
Douglas Mam (Douglas Mam & Os Famigerados): Assisti o documentário sobre a Gaga no Netflix e ela mostra a música para sua avó que perdeu a filha que sofreu de lúpus e morreu.

King Gizzard & The Lizard Wizard“Gamma Knife”
Fabricio Bizu (Psico BR): Por estar criando um inusitado novo gênero: o Medieval Espacial!

Walk The Moon“Kamizake”
Carol Tavares (Jazz House): Eu tenho mania de deixar rolando o flow sem saber ao certo o que está rolando. Mas Walk The Moon, com a faixa “Kamikaze”, tem a minha receita preferida de sucesso, que é esse timbre metalizado em todas as sonoridades. Aquele som a la Lollapalooza.

Cosmic Psychos“Fuckwit City”
Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula): Aussie rock colosso feito por cabras que amam tratores e cervejas. Tiozão Power! Uma aula de como ficar velho sem ser um bunda mole de sapatênis.

J. Balvin“Mi Gente”
Guilherme Tintel (It Pop): Mesmo antes da bênção de Beyoncé, o cantor colombiano já nos fazia dançar sobre diversidade e união dos povos, no que se tornou um dos maiores hits do ano em plena América de Trump. Genial.

Pond“Paint Me Silver”
Diego Veríssimo (Outro Indie): A arte de samplear com maestria e ainda assim criar uma atmosférica cósmica única.

Alex G“Proud”
Pedro Spadoni (Cat Vids): Eu amo o “Trick” e toda a atmosfera meio triste meio bonita do Alex, mas o disco desse ano trouxe um outro lado dele mais otimista, às vezes upbeat, mais “quente” e feliz. Essa música marcou muito o que vem sendo o meu ano, bem pra cima e do lado de gente que eu gosto. A letra é massa também porque toda vez que ouço penso em amigos próximos e pessoas especiais que conheci ultimamente e tenho orgulho demais da conta.

Benjamin Booker“Witness”
Denão Fonseca (3 Olhos Festival): Depois de um belo disco de estréia, o americano nos brindou com um segundo disco maduro e bem produzido. “Witness” foi o primeiro single do disco. O som é cheio de groove e a voz rouca de Benjamin Booker é um caso a parte.

The Black Angels“Comanche Moon”
Claudio Cox (Giallos): Ando meio out de lançamentos gringos (nacionais também), não fico procurando, esperando ansiosamente, essas coisas, geralmente alguém dá um toque quando é uma parada que sabem que eu gosto, enfim. Esse Black Angels é uma dessas, mas fui ouvir o disco por causa do show, não tinha parado ainda para uma audição descente. Deuzépai, que disco bonito! O show foi uma maravilha também, os mano são zica ao vivo. “Comanche Moon” é a minha preferida, fala sobre a invasão da América, coincidência ou não, é um tema que também estou abordando no próximo do Giallos.

Billy Corgan“Aeronaut”
Ari Holtz Neto (Medrar): Billy Corgan é o tipo de gente que é massa ouvir hoje em dia, depois de tudo foi um pouco tocante ouvir essa música e sacar o quanto a incerteza espreita todas pessoas sob o céu, ele soa sincero e selvagem como só uma puta insegurança tremenda pode fazer soar.

Kimbra“Everybody Knows”
Calvin Kilivitz (Thrills & the Chase): Num mundo justo, a Kimbra seria a diva pop do momento. “Everybody Knows” é aquela combinação rara de gema pop com uma personalidade fortíssima. Ela é um gênio.

Tera Melos“System Preferences”
André Astro (O Grande Ogro): O disco “Trash Generator” da bandas Tera Melos, depois dos discos que eram instrumentais a banda incluiu a voz em seu últimos discos, sendo esse disco que conseguiram sincronizar voz com o instrumental da banda.

Greta Van Fleet “Highway Tune”
Rê Becca Tavares: O primeiro EP dos americanos da Greta Van Fleet veio cheio de referências ao hard rock e uma inspiração inegável em Led Zeppelin. Música boa para ouvir na estrada.

Temples“Certainty”

Adriano Eliezer (Pampas Deer): Eu acho que nesse disco inteiro eles conseguiram chegar em sons e melodias com assinaturas muito fortes. Você escuta qualquer instrumento e sabe que sao eles. E essa música parece ser a síntese de onde o disco todo deriva. Além disso, as letras meio rebuscadas do James Bagshaw deixam o pop espacial ainda mais curioso.

Queens Of The Stone Age“Fortress”
Ana Júlia Tolentino (Tenho Mais Discos Que Amigos):  Por eu ter me identificado 100% inteiramente na letra, e o instrumental ser tão bom quanto. Foi a música que mais me tocou esse ano, e por eu ter esperado tanto esse disco depois do “rasga-peito” que foi o “Like Clockwork” pra mim (risos).

Pink“What About Us”
Laura Damasceno (Música Tem Vídeo): Primeiro single do sétimo álbum de estúdio da cantora, “Beautiful Trauma”, a música é oficialmente uma critica ao atual cenário político norte-americano e com seu refrão simples e forte que questiona: “What about love? What about trust? What about us?” consegue ser, ao mesmo tempo, uma canção de protesto e uma canção sobre amor, confiança e responsabilidade.

Noel Gallagher’s High Flying Birds“Holy Mountain”
Zé Menezes (Thrills & The Chase): Absurdo como o Noel consegue se reinventar de um álbum para outro. Composição, produção e timbres incríveis.

Quicksand“Illuminant”
Shamil Carlos (Stay Free): A volta quase de secreta da banda pra mim foi um choque, essa foi a primeira musica que lançaram do discasso novo gravado sem nenhum alarde de midia me bateu em cheio. É pesado, denso e lindo! Walther > Deus

The Regrettes“Hot”
Bárbara Monteiro (Wabi Sabi): Depois de alguns EPs independentes, esse ano a banda californiana The Regrettes assinou com a Warner e lançou seu primeiro álbum cheio, que se chama “Feel Your Feelings, Fool!”. Essa banda foi uma das melhores descobertas musicais que eu tive recentemente. O grupo é formado por 3 garotas e um cara e o que eles não têm de idade, têm de talento. A líder da banda, vocalista e guitarrista Lydia, tem só 16 anos e já escreve canções geniais, com letras feministas e um som que mistura punk, grunge e anos 60. Os clipes também são sensacionais!

Lorde“Liability”
Carolina Santos (Noize Media/Crush em Hi-Fi): Todo o “Melodrama” é incrível, composições muito boas, observar o crescimento da Lorde e como todas as canções parecem ter sido cuidadosamente adicionadas ao álbum. É uma cantora tão diferenciada quanto a Sia, habitando o território do pop e conseguindo se diferenciar pela profundidade das músicas.

Gorillaz“Sleeping Powder”
Alejandro Cadena (The Ash Tre): Depois do lançamento do “Humanz”, por conta da má recepção do público, Damon Albarn e Jamie Hewlett lançaram essa música alegando que 2D, o cantor virtual da banda, não tinha se sentido representado nesse ultimo disco e compôs uma faixa extra. “Sleeping Powder” me saciou como fã doente de Gorillaz. Foi bom ouvir de novo essa vibe antiga da banda.

Kali Uchis“Hit Rewind”
Uiu Lopes: Eu gostei muito de ter conhecido uma cantora colombiana, a Kali Uchis, que pra mim tem uma voz de cantora dos anos 50, repertório dela é ótimo!

Liam Gallagher“Wall Of Glass”
Wendell Pivetta (Metal Etílico/Crush em Hi-Fi): Um dos lados marrentos do rock retorna com um grande álbum. A música “Wall Of Glass” faz parte da nova geração do rock com elementos eletrônicos deste belo 2017.

Vacations“Movin Out”
Millena Kreutzfeld (GDL – Tudo Sobre Música): Música escrita após a saída do vocalista e mais dois amigos da casa dos pais para uma casa deles. Na letra, Campbell (vocalista) diz que teve suas dúvidas na época, mas que um menino tem que se tornar o homem da casa eventualmente e que não podemos ficar pra sempre embaixo das asas dos pais. Traz uma melancolia e uma certa esperança, que apesar das dificuldades enfrentadas, tudo acabará bem. A melodia nos leva aos anos 90, com uma guitarra poderosa e muito reverb, além da voz de Campbell que nos deixa com o refrão na cabeça, por ser uma voz agradável, traquila e ter uma letra franca.

Propagandhi“Failed Imagineer”
Sérgio Costa (Vinyl Style): Depois de 5 anos sem lançar nada, o Propagandhi volta com essa pedrada. Minha música favorita do disco novo (Victory Lap”) que marca a estreia da nova guitarrista da banda Sulynn Hago.

At The Drive-In“Incurably Innocent”
Thiagones (Wiseman): Pegada caótica, guitarras dissonantes e as letras fortes do At the Drive-In, mas somando também a parte melódica (principalmente no refrão) desenvolvida no Mars Volta. Gênios!

Luis Fonsi e Daddy Yankee“Despacito”
Carol Marinho (Trilha Sonora da Carol): Sou obrigada a mencionar “Despacito” por uma série de razões. A música é mais reproduzida em streaming da história, o vídeo tem quase 5 bilhões de visualizações no Youtube e é uma música que escuto em absolutamente todos os lugares a que vou (academia, salão de beleza, restaurante, balada). E ainda tem remix com Justin Bieber!

Lomelda“Thx”
Marcos Xi (Brasileiríssimos): Aquela máxima do ‘pouco é muito’ vale muito neste disco. Dotado de nuances de voz e melodias simples, sem muitos efeitos ou firulas, “Thx” é um chill-indie gostoso e repleto de hits. A promissora banda vai te seduzindo aos poucos com as canções de seu disco de estreia e, automaticamente, você deixa o trabalho repetir por conta do seu gostinho infinito de ‘quero mais’.

Sampha“(No One Knows Me Like) The Piano”
Siso: Sampha cometeu um álbum emocionantíssimo com o “Process”, em que ele lida com perdas e questões de família nas letras. “(No One Knows Me) Like the Piano” é a peça central, em que ele lembra de como o piano na casa da mãe era seu refúgio infantil e de como ele acabou retornando para esse lugar com a doença da mãe, falecida pouco antes do lançamento do disco.

The Killers“Run For Cover”
Crys Gonçalves (Guitar Talks): Depois de um tempo sem lançar algo novo, os Killers apresentaram em 2017 a animada “Run For Cover” e me fez relembrar um pouco os discos mais antigos.

Kendrick Lamar“DNA”
Bruno Carnovale (Black Cold Bottles): Talvez a música mais visceral e mais significativa de “DAMN.”, de abril desse ano. num ano em que a discussão a respeito do racismo esteve tanto em voga como em 2017, essa música se torna ainda mais relevante – não apenas para esse ano, mas também para os próximos.

Khalid“Location”
Alessandra Braz (Favorite): Poderia usar esse espaço para falar do Kendrick Lamar, porque, nossa! Que disco! Mas vou aproveitar para dar uma dica. Uma das coisas que mais gosto na música internacional é como
o R&B vai se renovando e um dos artistas que vem com esse sangue novo e com um discáço é o Khalid. O cara tem apenas 19 anos e já estreou com “American Dream”, álbum cheio de suingue, que inclusive virou aposta da Apple Music e eu só o conheci no programa do Elton “fucking” John! “Location” é uma daquelas canções que são feitas para dançar coladinho, rebolando gostoso, com um vinhozinho, ou seja lá qual for a sua fantasia. Escute!

Twin Peaks“Tossing Tears”
Sand Lêycia (Supervibe): Descobri a banda recentemente (vergonha minha) e me impressionei bastante com a sonoridade e textura dessa música: simples e direta. As vocalizações me agradam muito, junta isso tudo com lindos arranjos de piano e violino, emocionante.

Elder“The Falling Veil”
Raul Zanardo (Dum Brothers): O disco inteiro é foda, mas essa musica saiu primeiro como single ai fiquei ouvindo bastante, tipo varias vezes por dia, até sair o disco, ai ouvia o disco varias vezes por dia.

Nine Inch Nails“Less Than”
Dani Buarque (BBGG): NIN é uma daquelas bandas que não tem nada que já lançou que não me agrade. Toda vez que vejo um lançamento chegando meio que já me preparo pra aceitar caso eu não goste pela primeira vez hahah E esse ano de novo não foi o caso. O EP todo é foda. A faixa que mais curto é “Less Than”. Vida longa ao NIN.

Laura Marling“Nouel”
Camila Mazzini (Garotas no Poder): Voz e melodias encantadoras se unem nessa garota super talentosa e jovem. É muito gostoso de ouvir e de ver.

Arcade Fire“Electric Blue”
Ian Veiga (Der Baum): Pessoalmente esperei muito pelo lançamento do álbum “Everything Now” do Arcade Fire. Depois de toda pirotecnia no lançamento, que teve até sites de notícias fake que a própria banda fez para “vazar” o álbum antes da estreia mundial (risos), no fim pra mim decepcionou, sendo que metade do álbum não me interessou muito. Mas além da faixa que leva o nome do álbum o som “Eletric Blue” que canta sobre a luz que os smartphones emite é incrível. Com uma voz quase angelical e alcance impossível de atingir, a base que me lembrou muito Ton Ton Club a junção das referencias é incrível e apaixonante.

Priests“Lelia 20”
Bruno Trchmnn (Leila): Amo tudo aqui, as guitarras, a voz, as letras (que geralmente eu nem ligo) e é dançante, de um jeito meio B’52’s, sei lá, é agressivo e acolhedor. Queria tocar nessa banda. Ouvi milhares de vezes.

John Maus“The Combine”
André Luiz Souza Silva (Fita): Pra mim a melhor música internacional do ano é “The Combine” do John Maus, porque junto do clipe, a música cria uma atmosfera muito foda. Quando ouvi, queria muito ter sido eu a pessoa que compôs. É um som foda. Épico.

Secret Sisters“Tennessee River Runs Low”
Gabriel Serapicos (Serapicos): Duo vocal feminino bem no estilo country americano. Melodias e harmonias de cortar o coração.

The New Respects“Money”
Tânia Seles (Sopa Alternativa): The New Respects é a nova banda para ficar de olho nos próximos anos. O grupo faz um blues-rock de respeito, a música “Money” fala das armadilhas do dinheiro fácil. E dinheiro é uma coisa que estamos precisando no momento.

Aborted Tortoise“Responsabilities”
Paula Holanda (Crush em Hi-Fi): Eu ouvi muitos lançamentos em 2017 — entre EPs e LPs, posso dizer seguramente que foram mais de 50 — e, sem dúvida alguma, o disco de estreia do Aborted Tortoise, homônimo, foi o melhor deles. “Responsabilities” é seu ápice, por mostrar o melhor dos vários lados da banda
(punk, garage, surf) em uma única faixa. Influenciados pelos célebres Ramones, Black FlagStooges, além de ícones do “lado B” como Sonics, Mummies e Dick Dale (tem como isso dar errado?), os australianos têm também dois EPs em sua discografia.

Ian Sweet“If You’re Crying”
Alinne Anno (Chuchu): Se eu tivesse um disco deles, teria gasto, riscado, com respingo de tinta… Ian Sweet em “If You’re Crying”. Gosto muito do primeiro EP, que leva o mesmo nome da banda, por completo, só que essa música em especial veio com algumas coisas que se desfizeram, por muita teimosia e falta de comunicação, e não no momento que rolaram as tretas, mas quando as coisas fizeram sentido na minha cabeça tempos depois. Fala muito também da minha amizade com o Steve, Moblins, e nossa casa, do meu relacionamento com a família… É uma música sobre relacionamentos próximo, que foi uma das pautas principais desse ano. É esse ano foi treta (risos).

Bjork“The Gate”
Lúcia Vulcano (Pata): Tudo o que a Bjork faz me encanta.

Kasabian“You’re In Love With a Psycho”
Matheus Krempel (The Bombers): O Kasabian com seu disco novo e em especial com essa musica, me ganharam desde os primeiros acordes. Rock com batidas dançantes estreitando os limites entre os gêneros.

Kadavar“Die Baby Die”
Bruno Agnoletti (Dum Brothers): Essa musica eu achei foda desde a primeira vez que ouvir os caras mandam muito.

The Darkness“All the Pretty Girls”
Dan Menezes (Vênus Café): Ano estranho, onde todas as minhas bandas favoritas lançaram álbum, mas todos os álbuns foram uma bosta. O único que se salvou foi o do fabuloso Darkness, com essa canção rápida, divertida e old-fashioned. Ou seja, Darkness.

King Gizzard and the Lizard Wizard“Rattlesnake”
Julito Cavalcante (Bike): É a banda do ano no mundo, lançaram 4 discos, fizeram inúmeras turnês, tem um selo e um festival itinerante na Austrália. É a banda que mais trampa.
Bacalhau (Monstros do Ula Ula): Ouvi esse riff e fiquei hipnotizado.

Salsa Big Band“Nadie Sabe”
Cristiano Vicente (Crasso Records): Do disco que levou o Grammy Latino do ano mas parece que veio de outra época. Nem só de “Despacito” vivem os latinos, mas esse ano, o Salsa Big Band mostrou que o brasileiro “nadie sabe” sobre seus vizinhos…

Liam Gallagher – “For What It’s Worth”
Amauri Eugênio Jr. (Yahoo Brasil): Liam Gallagher dispensa qualquer tipo de apresentação, pompa e circunstância. Assim como nos últimos anos, ele atraiu os holofotes graças às intermináveis brigas e desentendimentos com Noel Gallagher – ele ter colocado um fã para descascar batatas como uma provocação ao irmão, que incluiu sons de tesouras em seu novo trabalho, foi o ápice cômico e galhofeiro dessa história. Mas quando ele decide entrar em estúdio, o resultado é muito bom. O álbum “As You Were” e a faixa “For What It’s Worth”, em particular, são grandes exemplos disso. A música em questão chega a remeter os fãs do Oasis ao auge da banda, mas por causa do DNA de Liam – é algo próximo do que seria o Beady Eye se tivesse melhor sorte. Em defesa do Gallagher caçula, suas intenções musicais foram boas, ao menos. Os fãs reconhecem que a demora e a galhofa valeram a pena no fim das contas.

IAMX “Hysteria”
Bruno Romani (S.E.T.I.): Na minha opinião, Chris Corner, a mente por trás do IAMX, é um dos artistas mais subestimados dos últimos 15 anos. Esse ano, ele resolveu lançar um disco instrumental, no qual valoriza todo o seu trampo com bases eletrônicas. Li por aí que ele criou um disco de techno do inferno. Concordo plenamente. É dark, melancólico, esquisito. E tudo isso é feito sem ele dizer uma única palavra. Gênio. Escolhi esse som para representar o disco, mas poderia ser qualquer uma das 13 faixas.

Courtney Barnett & Kurt Vile – “Over Everything”
Paloma Vasconcellos (LuvBugs): Escolhi a da Courtney & Kurt Vile porque além de já ser fã da carreira dos dois, nesse trabalho juntos, eles conseguiram alcançar um patamar lindo de sutileza e timbres tão perfeitos que ao ouvir a gente reconhece bem a individualidade de cada um ainda mantida.

Hanson“I Was Born”
Ingrid Natalie (Female Rock Squad): Meu lado noventista e saudosista indica a banda Hanson como um dos destaques de 2017. Os irmãos Isaac, Taylor e Zac lançaram no início do ano o single “I Was Born” que encanta com a sua letra positiva e melodia agitada. O vídeo da música já conta com mais de 1 milhão de visualizações no Youtube.

Chicano Batman“Freedom Is Free”
Lara Aufranc: Eu ouvi esse disco compulsivamente esse ano. Essa é a música título. Gosto muito das texturas no som dessa banda. É despretensioso, criativo, vale a pena conhecer.

Partner“Comfort Zone”
Dija Dijones (Penhasco, Chabad, Loyal Gun, O Apátrida): Escolher essa foi bastante difícil, há muitas opções, mas vou ficar com este duo canadense por vários motivos: porque eu sou muito fã de bom pop com guitarras e isto não é lá algo fácil de se fazer; e porque não dá para resistir a uma banda que se descreve como parte banda, parte diário adolescente e 100% queer. Juntar estes elementos e fazer um tremendo disco de estreia não é para quaisquer umas ou uns. Para mim, estas garotas foram das melhores novidades que ouvi da gringa neste ano.

Robert Plant“The May Queen”
Victor José (Antiprisma/Crush em Hi-Fi): Gostaria de ter selecionado alguma banda nova, mas neste caso Plant prova mais uma vez que é um cara foda sem ajuda da gigantesca sombra do Led, e isso nem Page conseguiu. “The May Queen”, faixa que abre o ótimo “Carry Fire”, é um folk totalmente renovado, moderno, com peso e um monte de texturas interessantes. Vale a pena.

Wolf Alice“Don’t Delete The Kisses”
Helder Sampedro (RockALT/Crush em Hi-Fi): Eis uma música que ficou na minha cabeça por muito tempo, o vocal da Ellie Rowsell é angelical nesse som e dá um clima surreal a essa faixa. Esse porém é mais um som que engana, o álbum tem músicas carregadas de peso e energia que deixam qualquer roqueirão no chinelo. Uma das bandas que mais se destacou pra mim no cenário internacional.

Paramore“Rose Colored Boy”
Micaela Alvariza (Micadélica): Além de ser parte de um álbum que considero muito bacana e uma grande surpresa do Paramore, consegue ser um popzinho um pouquinho mais profundo e complicadinho em sua melodia ainda chiclete, que tô ató sentindo um pouco de saudades depois de passar anos escutando coisas mais simples e chicletes. Também porque curto muito a estética dos anos 80, então meio que sou o público target (risos).

Kendrick Lamar“HUMBLE”
Bruna Manfre (Shelter): Não se deixe enganar pelo título, que de “humble” essa música do Kendrick Lamar não tem nada. Ela é o centro de um álbum todo muito bem construído (e com uma veia pop maior, se comparado com os demais de sua discografia) e fez o rapper disparar para o topo das paradas por um bom tempo. Mas talvez o que tenha me pego mesmo é a linha de piano.

King Gizzard and the Lizard Wizard“Flying Microtonal Banana”
Pedro Pastoriz: Dessa banda de nome difícil que eu tive que recorrer ao site wikipedia para escrever (King Gizzard and the Lizard Wizard), também é imprevisível e interessante. Os caras mudaram as afinações das guitarras, foram a algum luthier em alguma quebrada de Melbourne pra recolocar os trastes no lugar e as músicas tem essas escalas microtonais. Até a metade do disco parece tudo desafinado na real, mas é autêntico. Você ouve duas vezes o disco e quando vai ouvir outra coisa parece que tudo fica meio afinadinho demais, meio natalino. “Nuclear Fusion” é uma baita faixa. Essa banda deve ser um exemplo para novas bandas que pensam muito para acertar na escolha do nome, esqueçam! Se for bom as pessoas acham.

Mac DeMarco“Still Beating”
Pedro Vivas (Crush em Hi-Fi): Um álbum em que Mac dialoga mais com a esfera familiar, com os conflitos vividos com o pai e com os tradicionais sintetizadores e instrumentalidade que produzem um som espetacular. “Still Beating”, em especial, é uma das minhas favoritas do disco. Uma das melhores músicas de 2017 na gringa, que gruda na mente, e que se destacou na minha memória entre tantas outras que poderiam merecer menção.

Benjamim Clementine“God Save The Jungle”
Yannick aka Afrosamurai: Benjamim Clementine é um artista único, honesto e extremamente sentimental, ouço todos os dias, queria ser ele por um dia (risos)”

Gov’t Mule“Stone Cold Rage”
Lennon Fernandes: Sem segredo. Timbres clássicos em 2017. Uma aula de seis minutos. Guitarra, baixo, bateria e hammond em perfeita sintonia.

Manchester Orchestra “The Gold”
Otavio Cardoso (Carinae): É uma banda que a gente acompanha há algum tempo. Essa música tem um andamento diferente do comum 4/4. O que mais chamou a atenção foi a presença dos acordes vocais, que fizeram essa música se destacar e se tornar um dos lançamentos mais legais desse ano, dentro dessa proposta de som.

Bjork“Utopia”
Ana Maria Nakaza (Azoofa): Antes, uma confissão: em 2017 a quantidade de música nacional ouvida por aqui foi exponencialmente maior do que a de lançamentos internacionais. Escolhemos a Letrux em 2 minutos e levamos 2 semanas para escolher uma internacional, e finalmente a escolha foi para uma outra mulher, a Björk com a música “Utopia’, tema do seu último álbum de mesmo nome.

Grizzly Bear“Neighbors”
Enzo Marco Di Berardo (Crush em Hi-Fi): Definitivamente 2017 foi o ano do Grizzly Bear com o lançamento de seu aclamado disco “Painted Ruins”. O nível de popularidade dos norte-americanos certamente ultrapassou as
expectativas da banda quando eles se depararam, em agosto, com um enorme outdoor no prédio do Spotify, na cidade de Toronto, divulgando seu novo trabalho de estúdio. Segundo uma publicação do quarteto em seu perfil no Instagram “Nós nunca estivemos em um outdoor”. Não à toa, as paisagens sonoras contidas em “Neighbors” – single do disco que ganhou um belo videoclipe — , sintetiza a evolução sonora do grupo em relação ao álbum antecessor, “Shields” (2012). “Neighbors” é densa e composta por um começo orquestrado seguido de uma camada de vozes em coro. O que traz uma atmosfera celeste à música. A bateria fragmentada aliada a guitarra de Daniel Rossen — que possui um timbre acústico característico — , serve de cama para as viagens psicodélicas dos sintetizadores. Os backing vocais do refrão passeiam pela música de forma intrínseca. Texturas únicas e mudanças de tempo fazem parte da canção que vai do pop ao folk. Lembre-se, quando estiver disposto a conhecer o som do Grizzly Bear, a audição de “Neighbors” é obrigatória.

John Carpenter“The Thing”
Bárbara Ribeiro (Crush em Hi-Fi): O trabalho de John Carpenter em trilhas sonoras aos longos dos anos é abismal e este ano saiu a bela coletânea
“John Carpenter – Anthology: Movie Themes 1974 – 1998”
. Sua turnê deveria vir ao Brasil.

Queens of Stone Age“Villains of Circumstance”
Rodrigo Reis (Crush em Hi-Fi): Música que fecha um álbum bom, de uma banda boa, capitaneada por, ao que tudo indica um idiota, que curiosamente se diz “vilão das circunstâncias”. Talvez a música que mais represente esse ano de 2017.

Arcade Fire“Everything Now”
Cainan Willy (Pacóvios): Eles ficaram um tempão sem novidades, dai lançaram um disco novo que destoa totalmente da discografia. Valorizo essa coragem em inovar, é um registro bem dançante e funciona maravilhosamente bem ao vivo.

Descendents“Who We Are”
Fernando Sanches (CPM22/O Inimigo): Além de eles serem a minha banda favorita da vida, quando vieram aqui no ano passado conversamos muito sobre política e alguns meses depois veio essa música. Acho que de alguma forma contar o que nós sentimos sobre toda a onda Trump inspirou eles.

Circus Devils“Do The Nixon”
Alê Lima (Aletrix): Excelente primeiro single do álbum de despedida do Circus Devils, seu 14. Impressionavam a cada lançamento pelas composições e também pelo sempre notável aprimoramento na produção. É uma pena o fim da banda, o Circus Devils era uma união de mentes brilhantes. A voz, a letra e a forma como as guitarras se comunicam são meus destaques preferidos em “Do the Nixon”.

Jonwayne“Afraid of Us” (feat. Zeroh)
Flavio Juliano (FingerFingerrr): 2017 passou tão rápido e foi tão intenso que tive que lembrar o que saiu e o que ouvi. Foi mais rápido que 2016, acho que pra muita gente! Vou colocar uma descoberta recente que não paro de ouvir. Essa música do Jonwayne não é revolucionária, mas é feel-good e me ajuda a refletir sobre umas coisas na minha vida. Nesses momentos intensos no mundo, curto ouvir coisas que me jogam de volta para mim mesmo. A simplicidade do beat e a letra biográfica é perfeito pra isso.

Skating Polly feat. Louise Post and Nina Gordon “Louder In Outer Space”
João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi): Uma das bandas mais legais que eu descobri graças ao blog e que não cansa de surpreender. As irmãs do Skating Polly agora contam com o irmão na bateria e fizeram esse belo EP em parceria com Louise Post e Nina Gordon (do Veruca Salt). Essa é a primeira música do álbum e já começa maravilhosamente bem. Ano que vem tem disco novo!

Construindo Luan Bates: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o seu som

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Luan Bates

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje convidamos o Luan Bates, músico de Natal-RN do selo Nightbird Records.

Oasis“The Hindu Times” (2002)
Escolhi essa do Oasis por ter sido a primeira faixa que ouvi deles. Foi a primeira banda pela qual me apaixonei e que me tornou fanático por rock e por música. A partir disso, tudo na minha vida mudou e eu não tive outra obsessão a não ser me tornar um músico.

Black Crowes“Nonfiction” (1994)
Em termos de “música acústica”, é o som que sempre almejo. É provavelmente minha música favorita, de todos os tempos. A voz do Chris Robinson com a do Andy Sturmer (Jellyfish) harmonizam de uma forma tão bela… E gosto muito como a parte melódica é tão simples, mas ao mesmo tempo cheia de nuances. E o modo como a letra retrata uma paranoia romântica também é genial.

Jeff Buckley“Grace” (1994)
Ser sensível e ao mesmo tempo impor tanta intensidade em um som é algo que nunca vou esquecer. Foi mais ou menos por isso que escrevi “Listen Up, Mates”, é definitivamente influência do Jeff.

Laura Marling“Devil’s Spoke” (2010)
Outra influência para “Listen Up, Mates” e que relaciono com essa questão de identidade. É um folk que vem como avalanche aos seus ouvidos. É uma honra acompanhar uma compositora tão foda da nossa geração.

Ryan Adams“La Cienega Just Smiled” (2001)
Antes de conhecer o trabalho do Ryan Adams, eu nunca tinha usado um capotraste na vida. Eu sei que isso parece algo bem idiota, mas foi a partir da influência dele que decidi jogar um monte de coisa fora e escrever da melhor forma que podia; e isso também passou pelo fato de ter finalmente comprado um capotraste e ter começado a tocar em “afinações diferentes” (eu não sabia nada de teoria musical, por exemplo). Além disso, o Ryan me ensinou a ser, acima de tudo, honesto com o que digo ou canto, independente do quão brega uma letra pode soar.

Jamiroquai“Just Another Story” (1994)
Minha maior referência de bateria é essa música. Virtuosa, sólida e efetiva. Apenas ouçam e apreciem Derrick McKenzie.

The Verve“Sonnet” (1997)
Acho que o Verve é uma das poucas bandas que conseguem transmitir muita emoção em cada música. Escolhi “Sonnet” por talvez ser minha preferida deles, apenas para representar o peso que eles tem nas minhas composições.

Lemonheads“If I Could Talk I’d Tell You” (1996)
O Evan Dando é um maluco que admiro muito enquanto músico. Ele conseguia fazer melodias tão doces e letras ora clichês, ora estranhas se unirem perfeitamente. Eu sempre adorei como “If I Could Talk I’d Tell You” consegue ser implícita e explícita ao mesmo tempo, é outro aspecto que gosto de destacar enquanto compositor.

Transmissor“Eu e Você” (2008)
Acredito que esta música e a Transmissor me fizeram ter vontade de começar a escrever músicas em português. Era uma missão muito difícil pra mim, graças as influências internacionais que sempre tive; acho que antes não havia encontrado uma banda brasileira pela qual tivesse verdadeira identificação, e só fui encontrar isso quando me deparei com o clipe dessa música.

The Music“The People” (2002)
Tenho uma relação engraçada com essa banda: já tinha escutado uma música deles há muito tempo, em 2003, cujo clipe nunca se apagou da minha cabeça; o nome da faixa é “Getaway”. E aí, muito tempo depois, lá pra 2012, decidi procurar novamente a música e os sons da banda, e acabei pirando nos caras! Escolhi “The People” para esta lista, pois essa música me fez sentir o que era o rock and roll novamente: um chute no balde e uma confiança que te faz desfilar na calçada mesmo bêbado. OK, essa não foi boa, mas foi esse tom de “lad” que o The Music reavivou na minha vida.

Stone Temple Pilots“Trippin on a Hole in a Paper Heart” (1996)
Falando sobre sentir novamente o que era o rock, o Stone Temple Pilots me deu força pra pegar numa guitarra com tesão. O Dean DeLeo é um dos melhores guitarristas das últimas décadas: o estilo dele engloba o glam rock, rock alternativo, blues, bossa nova, jazz e hard rock, abordando tudo isso numa discografia linda que é a do STP.

Tears for Fears“Advice for the Young at Heart” (1989)
Estranhamente não é minha música favorita do Tears for Fears, mas tem o meu solo de guitarra favorito de todos os tempos, e isso é o suficiente. Eu tenho essa fixação por solos curtos e marcantes, essa é uma das “filosofias” que desejo seguir por muito tempo.

Massive Attack“Karmacoma” (1994)
Trip-hop virou minha cabeça ao avesso, especialmente com o modo como muitos “rimavam” balbuciando. “Karmacoma” é o melhor exemplo disso, gosto muito dos trabalhos do Massive Attack e do Tricky, e pretendo expor melhor essa influência nos próximos trabalhos.

Mahmed“Recreio dos Deuses” (2014)
Eu sei que os boys da Mahmed tem muita influência de John Frusciante, mas sempre os terei como referência de guitarra. É minha banda preferida do RN e me livrou de um preconceito com música instrumental, além de ter apresentado uma nova maneira de tocar, com a qual não havia me identificado antes. Sempre fui um cara que toca acordes e acordes – meu próprio EP tem essa “levada” -, sem inserir solos e riffs, e a Mahmed cativou isso em mim com sua sonoridade.

Lô Borges“Como o Machado” (1972)
Essa faixa e o disco do tênis foram minhas melhores companhias em tempos difíceis. “Como o Machado” comprime um estado doído e intenso em menos de dois segundos. Talvez não seja influência, mas um reflexo do que permeia minha mente. Mas enfim, o Lô Borges é meu compositor nacional favorito, e tenho a sensação de que ele antecipou em duas décadas o que o Elliott Smith faria (?). Fica a teoria aí pra vocês.

Blind Melon – “Change” (1992)
Tenho falado muito sobre como as músicas listadas trazem sentimentos à tona, mas nenhuma se compara a esta. É o som mais puro e sincero que já ouvi, ninguém retratou tão bem o quão difícil, o que se exige ao querer mudar quanto o Shannon Hoon.

Counting Crows“Perfect Blue Buildings” (1993)
Falando em sinceridade, ninguém supera o Adam Duritz nesse aspecto. Ele sempre aborda coisas muito íntimas nas músicas do Counting Crows, inserindo-as dentro de alguma história, oferecendo sempre essa ficção confessional. Essa banda está na minha vida desde sempre e o Adam inspirou muito o meu jeito de escrever, de colocar certos detalhes que só guardamos para si em canções.

New Radicals“Mother, We Just Can’t Enough” (1998)
Sem pensar, eu levaria o CD do New Radicals para uma ilha deserta (bem clichê, eu sei). É a minha coleção preferida de músicas pop e sempre quis captar a energia (e ironia) desta música.

OutKast“Ms. Jackson” (2000)
A maior dupla da história, tal qual Bebeto e Romário, ou Jairzinho e Pelé. Tem nem o que falar, é observar e tentar alcançar 1/5 da qualidade do trabalho deles.

Depeche Mode“Goodnight Lovers” (2001)
Martin Gore é deus, ponto.

Construindo O Apátrida: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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O Apátrida

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano O Apátrida, que indica suas 20 canções indispensáveis. A banda é formada por Santiago Laranjeira (voz/teclado), Dija Dijones (guitarra/backing vocal), Luciano Portela (baixo) e Bruno Duarte (bateria) e está trabalhando em seu primeiro disco.

Sisters Of Mercy“Amphetamine Logic”
Poderíamos dizer que é praticamente impossível para uma banda de pós-punk, gótico, coldwave, darkwave, deathrock ou qualquer gênero ou subgênero musical do tipo não ser influenciada por Andrew Eldritch, Doktor Avalanche (a bateria eletrônica mais famosa do rock) e companhia. Nós não fugimos da regra.

Fellini“História do Fogo”
O “Adeus de Fellini” é um disco de valor sacro no nosso acervo de influências. Além de toda a musicalidade presente no disco, tem um fator muito positivo de ser um disco de pós-punk que só faria sentido cantado em português da maneira como ele foi feito. Como temos uma forte influência literária, era importante ter este tipo de trabalho como referência na hora de produzir nosso trabalho.

Joy Division“Disorder”
Podemos dizer que Joy Division está no mesmo panteão de referências do Sisters Of Mercy: como ouvir “Unknown Pleasures” e “Closer” e não tê-los como discos relevantes na vida? No começo da banda, tocávamos esta música. No entanto, ela tem um caráter tão valioso que resolvemos parar de tocá-la, pois parecia um pecado imperdoável executá-la. É, literalmente, uma canção intocável para nós.

Mercenárias“Inimigo”
Facilmente, uma das bandas brasileiras dos anos 80 e, ao nosso ver, ainda muito subestimada, por mais que sua importância histórica seja reconhecida por muitas das bandas atuantes por aí hoje em dia. Pouco depois que começamos a tocar juntos, fomos todos a um show delas, em um ritual de agradecimento.

The Smiths“Handsome Devil”
Tanto quanto o lirismo das letras de Morrissey, quanto às linhas de baixo de Andy Rourke, a técnica de guitarra que Johnny Marr empregou nas guitarras das canções dos Smiths é uma referência definitiva na hora em que compomos. Os temas, os arpejos e as harmonias inspiradíssimas fazem muito a nossa cabeça.

Magazine“Motorcade”
Também gostamos do Magazine brasileiro (descanse em paz, Kid!), porém o Magazine que é referência para gente é este aqui. Howard Devoto precisava de fato sair do Buzzcocks para nos brindar com este trabalho primoroso. Esta é uma das favoritas por conta da maneira como a banda se diverte com o andamento da música, assim como com os solos tortos e fora da escala da guitarra. Tocar com banda é isso: se divertir, mesmo em um contexto aparentemente sombrio.

Killing Joke “European Super Estate”
Killing Joke é uma das bandas mais fascinantes surgidas nas últimas 4 décadas: seus discos dos anos 80 são pedras fundamentais do pós-punk; mantiveram sua relevância quando migraram para o industrial e flertaram com o metal; retornaram nos anos 2010 com sua formação original, lançando discos excelentes; e o Jaz Coleman continua desaparecendo e aparecendo no deserto, escrevendo ótimas letras e fazendo shows insanos. Um exemplo a ser seguido.

Echo And The Bunnymen “Villiers Terrace”
Falar-se em pós-punk e letras de forte inspiração literária e não citar os homens-coelho é demonstrar pouco conhecimento de causa. Em um mundo ideal, “Crocodiles”, “Heaven Up Here”, “Porcupine” e “Ocean Rain” seriam mais ouvidos do que Cid Moreira fazendo locução de salmos.

Depeche Mode“A Question Of Time”
Certo dia, o Santiago chegou e disse: “eu quero uma música para dançar”. Para ele, nossas músicas não permitiriam este tipo de coisa. No mesmo dia, conversávamos sobre como Depeche Mode é bom e tal… E ficamos com esta música na cabeça, pensando, como seria bom ter uma música como esta em um repertório. Esperamos poder estar neste show, cantando junto com o Dave Gahan. E dançando muito, obviamente.

Gang Of Four“I Love A Man In Uniform”
Nós até tentamos fazer algo dançante inspirados no Depeche Mode, mas nosso fanatismo por Asylum Party (que não está nessa lista por não ter música no Spotify) e outras obscuridades não nos permite algo neste nível. É nessas horas que Gang Of Four acaba soando como a referência ideal de algo para se tocar numa pista de dança. Não sabemos se as pessoas dançam ouvindo-os, mas aqui se dança.

Christian Death“Romeo Distress”
A bíblia do deathrock, “Only Theatre Of Pain”, é disco de alta rotação na nossa discoteca básica. Junto com “Pure Joy In My Heart”, do Asylum Party, e “Disorder”, do Joy Division, “Romeo Distress” era uma das músicas que escolhemos para tocar nos primeiros ensaios para nos entrosarmos. Destas três, paramos de tocar apenas “Disorder”, por motivos já declarados. Agora esta é uma daquelas que é sempre bom poder tocar.

The Cleaners From Venus“Only A Shadow”
Pérola perdida dos anos 80 que aqueles mais antenados que acompanham esta atual geração de bandas revivalistas dos anos 80, sobretudo as bandas da Captured Tracks, já devem ter redescoberto. Mac DeMarco e uma galera de bandas como DIIV, Beach Fossils e Wild Nothing até formaram um grupo, o Shitfather, só para tocar este e outros tesouros desconhecidos dos anos 80.

Finis Africae“Armadilha”
Para alguns, é apenas mais uma banda de um hit só dos anos 80. Para nós, é uma das melhores bandas da geração de Brasília que sucedeu aquela turma que todo mundo conhece (Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, etc.). Infelizmente, lançaram apenas um full-length, em 1987. Quem puder, ouça-o.

R.E.M.“Feeling Gravitys Pull”
Para 50% da banda, Santiago (vocal/teclado) e Dija (guitarra/backing vocal), R.E.M. é um item essencial no conjunto de influências d’O Apátrida. Tanto que eles até têm um projeto paralelo, onde tocam principalmente músicas da fase pré-Green do quarteto americano do estado da Geórgia.

Holograms“Meditations”
Junto com os americanos do Protomartyr, os suecos do Holograms é destas bandas gringas mais atuais de pós-punk que nós mais ouvimos. Tanto é que, no começo da banda, nós tínhamos incluído “Meditations” numa playlist que usamos como referência para o que tínhamos em mente para constituir uma sonoridade para nossa banda.

The Cure“All I Want”
Seria um tremendo sacrilégio não ter uma música do The Cure nesta lista. No entanto, escolher algo da famosa “trilogia gótica” (“Pornography”, “Disintegration” e “Bloodflowers”) poderia ser um tanto óbvio numa playlist como esta. Por isso, escolhemos uma faixa do “Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me”, um disco que muito fã de primeira hora não entende e que os fãs mais ardorosos colocam um pouco de lado. Ambos deveriam rever seus conceitos sobre este disco.

Fields Of The Nephilim“Slow Kill”
O roteiro para quem conhece esta banda inglesa costuma ser o seguinte: você conheceu o Sisters Of Mercy e adorou; então o Fields Of The Nephilim é a banda que te indicam como a mais apropriada para este momento trevoso da sua vida. De fato, até é o vocal é muito parecido com o do Andrew Eldritch, um cara que já tem um estilo bem particular de cantar, mas não devemos tirar os méritos destes alunos tão aplicados da escola gótica.

She Past Away “Asimilasyon”
Este duo turco é mais uma banda que bebe e muito da fonte inesgotável de referências típicas do pós-punk e do gótico que é o Sisters Of Mercy. No entanto, o She Past Away cumpre bem também a tarefa de revisitar a coldwave francesa e outras obscuridades dos anos 80. O fato de cantarem em sua língua nativa dá ainda um charme especial às canções.

Kafka “Gregor”
O nome da banda e da música escolhida deixam bem clara a importância da referência: o Luciano Portela (baixo) é escritor (lançou “Carolina Foi Para o Bar Exibir Seus Lindos Pés” em 2014 e agora, em 2017, está lançando seu primeiro romance, “Tudo Que Afeta O Movimento”) e a ideia de formar a banda partiu dele. Daí a simbiose presente entre literatura e música que representa a banda. Kafka, a banda, apesar de não ter emplacado ao menos um grande hit como seus contemporâneos do Finis Africae, tem em “Musikanervosa” uma estreia marcante e influente para nós.

Cocteau Twins“Cicely” 
Das bandas mais instigantes dos anos 80. Os climas ímpares, a sonoridade etérea e até a métrica das letras feitas com as palavras inventadas por Elizabeth Fraser são fascinantes e servem de referência e lição: para fazer música, não é necessária seguir regras ou receitas, basta exteriorizar o que tem em mente e colocar sentimento nisso para que ela tenha significado para você; ter significado para mais alguém é mera consequência.

Com influências de pós-punk e rock alternativo, Pure prepara novo EP com letras em português

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Pure

Com influências que vão do pós-punk ao rock alternativo dos anos 90, os paulistanos do Pure estão na ativa há relativamente pouco tempo (desde 2014), mas já fazem barulho na cena independente. Formado por Bela Fern (vocal), Icaro Scagliusi (guitarra), Fernando Freire (baixo), Ricardo Shalom (bateria) e Mauro Chevis (teclados), o grupo luta para manter o rock vivo e tomar de volta o lugar que hoje é dominado por bandas covers na noite paulistana.

“Fazemos por puro amor ao rock. Ruim com ele desse jeito, pior sem ele. Não dá pra levar a vida sem, independente se estiver aqui, Londres ou no Iêmen”, disse Icaro em entrevista ao blog de Luiz Cesar Pimentel no R7. “Não vale a pena ser músico no Brasil do ponto de vista financeiro, mas isso é o que temos pra oferecer, nossa verdade. Se vale a pena ou não, você que me diz”, completou Bela. Conversei com Icaro sobre a carreira da banda, a cena independente brasileira, a proliferação das bandas cover na cena e o novo EP do grupo, a ser lançado em breve:

– Como a banda começou?
A banda surgiu no estúdio de um nosso amigo, tínhamos a ideia de gravar algumas músicas, acabamos nos empolgando e fizemos o disco todo.

– De onde surgiu o nome Pure?
O nome Pure vem de uma musica da Siouxsie, que é uma grande influencia pra banda e a Isabela, nossa cantora.

Pure

 

– Quais são suas principais influências musicais?
Muitas , mas basicamente todas vem do rock. De bandas clássicas como The Who, Led, Stones, bandas do pós-punk como Siouxsie, Joy Division e os “alternativas” como Pixies e Smashing Pumpkins.

– Como é o processo de composição?
Geralmente tenho riffs e mando pra Isabela e ela completa com as melodias e letra. Mas às vezes pode ser diferente, às vezes eu venho com uma melodia pré definida e ela muda a harmonia…

Pure

 

– Se pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?
Fizemos quatro mas gravamos apenas duas. “The Message” do Grandmaster Flash ,“Waiting for the Sirens Call” do New Order, “Personal Jesus” do Depeche Mode e “Queen Bitch” do David Bowie.

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma artista independente?
Todas! Entrar nas rádios é muito difícil se você não tem na mão um produtor filiado a uma grande gravadora. Internet é bom mas muito disperso. Tem poucas casas de shows de bandas com musicas próprias, isso acabou acostumando o publico que já não quer mais ouvir coisas novas. Sem falar na grana que é zero e você tem pagar tudo

– Existem espaços suficientes para bandas autorais hoje em dia no Brasil? O que vocês acham da proliferação de bandas covers?
Muito poucos lugares, mas não é o suficiente e você não consegue viver disso, tirando algumas poucas. É por isso que muitos entram nesse universo das bandas cover, as pessoas precisam pagar as contas e acabam indo pra esse lado porque preferem tocar do que arrumar um emprego normal. E como disse antes, a maioria das casas noturnas querem que toque cover porque é o que as pessoas conhecem. Não existe interesse de divulgar nada, apenas agitar a noite. É uma bola de neve…

– Qual a sua opinião sobre a música pop que está nas paradas hoje em dia?
Um horror. A música parece que não é mais feita por músicos!

– Quais são os próximos passos do Pure?
Vamos gravar um EP até o fim do ano, alguma coisa em português também.

– Indiquem algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes!
Gosto dos meninos do Racons!

Ouça o disco “Control” completo aqui:

Algumas das melhores participações de John Frusciante em músicas de outros artistas

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John Frusciante

John Frusciante já foi menino prodígio, guitar hero, junkie genial, a força que movia o Red Hot Chili Peppers, o prolífico artista solo, o experimentalista… Entre tudo isso, devemos concordar que o cara é talentoso e versátil como poucos no mundo da música, conseguindo ir do funk ao acid house, passando pelo rap e pelo rock clássico. Além de seu trabalho solo e com o RHCP, Frusciante participou de diversas músicas de outros artistas dos mais variados estilos. Confira algumas:

Swahili Blonde – “Red Money” – O Swahili Blonde é uma banda experimental da esposa de John, Nicole Turley. Frusciante tocou guitarra em todas as músicas do projeto, inclusive em “Red Money”, cover de David Bowie, presente no disco “Man Meat”, de 2010.

Kimono Kult – “La Vida Es Una Caja Hermosa” – Frusciante é parte da banda Kimono Kult, projeto que reúne membros do Swahili Blonde, Bosnian Rainbows e Dante Vs Zombies, incluindo Nicole Turley, Dante White-Aliano, Laena Geronimo, Omar Rodriguez-Lopez e Teri Gender Bende. O EP “Hiding In The Light” saiu em 2014 e a guitarra de Frusciante na experimental “La Vida Es Una Caja Hermosa” é bem bacana:

Black Knights – “Shadows of a Panther” – John Frusciante produziu e colaborou nos discos “Medieval Chamber” (2014) e “The Almighty” (2015) e “All Skills No Luck” (a ser lançado) do grupo de rap Black Knights, amigos do Wu Tang Clan. Em “Shadows Of A Panther”, o rap experimental cheio de texturas do grupo ganha um belo solo de guitarra do ex-Red Hot Chili Peppers.

Kristen Vigard – “Slave To My Emotions” – Antes de gravar o disco “Mother’s Milk” com o Red Hot Chili Peppers, Frusciante gravou o violão em “Slave To My Emotions”, do álbum de 1988 de Kristen Vigard. Pois nessa música o trabalho do guitarrista lembra muito mais o que ele viria a fazer em “BloodSugarSexMagik” do que as guitarradas enlouquecidas que apareceram no primeiro disco deles com o RHCP:

Baryan – “Grease The System” – A gravação das participações no álbum “Anytime At All” do Baryan, junto com o disco “Californication”, foram as primeiras obras de Frusciante depois de sua saída do vício da heroína que rendeu os chapadíssimos “Niandra Lades and Usually Just a T-Shirt” e “Smiles From The Streets You Hold”. Aqui já dá pra perceber o caminho que ele seguiria nos próximos anos em seu trabalho solo e com os Peppers.

Perry Farrell – “Rev” – John divide as guitarras desta faixa com Tom Morello (Rage Against The Machine) e Stephen Perkins (Jane’s Addiction e Porno For Pyros). Reza a lenda que a guitarra dele é a menos audível da música de Perry Farrell, com Morello dominando sem dó nem piedade.

The Bycicle Thief – “The Cereal Song” – O The Bycicle Thief é um projeto de Bob Forrest com Josh Klinghoffer, amigo de Frusciante que viria a o substituir no posto de guitarrista do Red Hot Chili Peppers. Frusciante toca guitarra em “The Cereal Song”, tirado do único disco da banda, “You Come And Go Like A Pop Song”, de 1999.

Fishbone – “Shakey Ground” – Em 2000 o Fishbone lançou essa cover do Temptations e chamou não só John Frusciante como também o baixista Flea para dar um ar mais “Pepper” à canção.

Tricky – “Girls” – Frusciante toca guitarra e Anthony Kiedis canta nesta música do disco “Blowback”, de 2001. Tricky conseguiu trazer o ~feeling~ do Red Hot Chili Peppers sem deixar a peteca cair em uma das melhores canções do álbum.

Tricky – “#1 Da Woman” – A música que homenageia o tema de “Mulher Maravilha” na série clássica com Lynda Carter nos anos 70 conta com a guitarra inconfundível e um verso cantado por Frusciante. Se eu fosse o produtor do nosso filme da Liga da Justiça que parece que vem aí, colocava essa como tema sem a menor sombra de dúvidas.

Macy Gray & Erikah Badu – “Sweet Baby” – O disco “The Id”, de 2001, tem esta faixa deliciosa com a voz de Erikah Badu e Macy Gray mostrando todo seu poder vocal embalada pela guitarra inconfundível de John Frusciante. Uma das melhores da lista inteira.

24 Hour Party People Soundtrack – “New Dawn Fades” – A trilha de “24 Hour Party People” contou com essa cover de Joy Division juntando Frusciante, Billy Corgan (Smashing Pumpkins) e Moby. Uma bela homenagem, sem dúvidas.

Johnny Cash – “Personal Jesus” – Frusciante é o responsável pelo violão da versão de Johnny Cash para o clássico do Depeche Mode que Rick Rubin produziu no disco “American VI: The Man Comes Around”, de 2002. É claro que a mistura deu samba e a faixa é uma das melhores do disco (que é ótimo).

Ziggy Marley – “Rainbow In The Sky” – O disco “Dragonfly”, de 2003, trouxe o guitarrista na faixa “Rainbow In The Sky”. Curiosamente, Frusciante acrescenta à faixa funky a sua faceta mais experimental, que já estava transparecendo em sua coleção de discos solo e até nos álbuns “By The Way” e “Stadium Arcadium” dos Chili Peppers.

Glenn Hughes – “Nights In White Satin” – O disco “Music For The Divine”, de 2006, foi todo produzido pelo baterista do Red Hot Chili Peppers, Chad Smith. Daí quando precisou de um guitarrista, lógico que  ele chamou John Frusciante pra tocar em “Nights In White Satin”, uma cover do Moody Blues, e “This Is How I Feel”. O resultado? Confira:

Satellite Party – “Hard Life Easy” – O Satellite Party acertou na mosca quando chamou Frusciante e Flea para tocar na faixa “Hard Life Easy” do disco “Ultra Payloaded” de 2007. Se eles queriam uma música festiva, a dupla de ataque conseguiu com louvor deixar o negócio com cara de festa de rua.

Wu Tang Clan – “The Heart Gently Weeps” – O Wu Tang Clan preferiu não samplear “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, em “The Heart Gently Weeps”, do disco “8 Diagrams” de 2007. Fizeram melhor: chamaram John Frusciante pra recriar os riffs e solos de George Harrison, dando seu toque pessoal. A parceria deu certo:

N.A.S.A. – “Way Down” – O N.A.S.A. é um duo de hip hop que conta com Squeak E. Clean e o brasileiro DJ Zegon (ex-Planet Hemp). No disco “The Spirit Of Apollo” os dois contaram com diversas parcerias em cada música, indo de David Byrne a Chuck D, de Seu Jorge a M.I.A. Em “Way Down”, chamaram RZA, Barbie Hatch e John Frusciante.

RZA – “You Can’t Stop Me Now” – O mesmo RZA que cantou com John na faixa do N.A.S.A. chamou o guitarrista pra “You Can’t Stop Me Now”, presente em “Digi Snacks”, de 2008. Além disso, ele também produziu junto com George Clinton e Kinetic 9 a faixa “Up Again”.

BIGDOXX – “Indigenous Rhythm” – O BIG DOXX é Kehinde “Doxx” Cunningham & Nicole Turley e Frusciante é o guitarrista convidado em “Indigenous Rhythm”, do disco “DOXXOLOGY”, de 2012: