Demonia, de Natal, prepara-se para dominar o mundo com single “Reptilianos Malditos”

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Demonia

“Reptilianos Malditos” é o pontapé inicial do quinteto de Natal Demonia, formada por Karina Moritzen (vocal), Nanda Fagundes (guitarra), Isabela Graça (guitarra), Karla Farias (baixo) e Quel Soares (bateria). O som fala sobre assuntos conspiratórios como os Iluminatti, a Nova Ordem Mundial e a Elite Oculta, coisas que sempre aparecem na internet em teorias interessantíssimas, mesmo que muitas vezes malucas.

O quinteto está atualmente trabalhando em novas músicas que em breve serão lançadas. “Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso”, conta Quel. “Estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos”, completa.

– Como a banda começou?

Quel: A banda começou de uma ideia de Karina, ela queria montar uma banda só de meninas. Antes disso ela teve um outro projeto (também de meninas) que era a Monstra, porém não deu certo e acabou que ela nos convidou para fazer parte dessa banda, o que acabou dando certo.

Karina: Amanda Lisboa, uma amiga minha aqui de Natal, fez um post no Facebook querendo montar uma banda só de minas. Chamava Monstra e ensaiamos algumas vezes, mas não tava indo muito pra frente, então eu puxei a Karla, que tava na Monstra e chamei as outras meninas. Eu conhecia Quel da Joseph Little Drop porque sempre curti muito a banda, e a Karla e Quel são amigas de longa data. Não conhecia muito bem a Nanda, porque ela é bem mais nova (tem 19, eu acho), mas sabia que ela tocava guitarra e chamei pra tocar. A Isa eu sabia que tocava baixo e ela tava falando no Twitter que queria tocar, mas como precisávamos de guitarrista, chamei ela e ela topou também.

– Agora me expliquem um pouco da letra do primeiro single, “Reptilianos Malditos”!

Isa: A música foi feita porque eu sempre gostei do assunto, Iluminatti e Nova Ordem Mundial, Elite Oculta e etc… Eu vi um site sobre isso chamado Danizudo, onde ele expõe essa galera, faz uns videos e textos sobre isso e com base nisso eu decidi fazer uma música com essa temática, que é meio que expondo a raça dos reptilianos, que eles vieram pra cá há muito tempo atrás e construíram as pirâmides e até hoje eles formam a Nova Ordem Mundial, que controla todas as pessoas.

– E vão rolar outras músicas falando sobre temas conspiratórios assim? O que podemos esperar das próximas músicas do Demonia?

Quel: Estamos em processo de gravação de mais umas músicas nossas.

– Podem adiantar alguma coisa?

Quel: Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso. e estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos.

– Isso me leva a perguntar: como vocês veem a cena musical independente hoje em dia?

Quel: Ainda está caminhando devagar, porem a gente ver que a cena vem de um certo modo avançando. Tem uma galera ai fazendo o rolê acontecer. Karina também tem um selo (Brasinha Discos) no qual produz muitos eventos, e esses eventos sempre são abertos a bandas novas, isso ajuda a incentivar mais a galera a produzir musica própria e dar o gás para continuar também.

– Como chegaram ao nome Demonia e o que ele significa para a banda?

Quel: O nome Demonia é mais uma afronta, vivemos em um mundo bem machista e o nome é bem impactante, e como falamos sobre machismo e outros assuntos o nome é mais pra afrontar essa galera mesmo. Mostrar que somos mesmo as demônias que irão tocar nesses assuntos aí, quer queira, quer não. E isso é muito foda, porque as meninas se sentem bem confortáveis em nossos shows, às vezes falamos o que elas gostariam de falar e não tem coragem.

– Como vocês veem esse crescimento do conservadorismo e o machismo ainda presente no mundo da música (e fora dele)?

Quel: Isso é um puta retrocesso na humanidade, e vemos isso na política e infelizmente alguns desses personagem políticos acabam influenciando a sociedade, é tanto que a gente pode ver um candidatos a presidência do Brasil que é basicamente isso, o Bolsolixo. Um machista conservador que vem tendo muita visibilidade… É foda, e muita gente cai nas conversas desse bicho. Isso reflete muito na sociedade, quando você tem uma mídia que também é manipulada, a maioria da sociedade que tem acesso a esses canais acabam sendo influenciados.

Karina: Quanto a isso de conservadorismo e machismo, a gente vê com muita raiva e tristeza. É um tema muito recorrente nas nossas músicas, falamos sobre o golpe parlamentar, sobre o abuso no Supremo Tribunal Federal de Gilmar Mendes, sobre como é difícil nos sentir seguras em um mundo de homens. Ao mesmo tempo usamos bom humor pra deixar tudo mais leve, porque a gente não pode deixar essas pessoas ruins ganharem e tornarem o mundo da gente escuro como o deles é. A banda tem esse objetivo: afrontar quem quer defender retrocesso e entreter quem quer progredir se divertindo.

Demonia

– Como anda a cena independente em Natal?

Quel: A cena independente de Natal tá crescendo, podemos ver muitas bandas se sobressaindo, muitos nomes do meio underground fazendo sucesso, atingindo públicos. Nós somos uma dessas bandas e é muito lindo de ver esse progresso conjunto. Tem muito o que crescer, mas tá acontecendo devagar.

Karina: Faço mestrado em estudos da mídia e estudo como a internet tem dado destaque a nova música independente nacional. Eu sou bem otimista quanto à isso, acho muito massa ver os selos independentes ganhando espaço em festivais pelo brasil e arrematando cada vez mais público. A cena independente de Natal é linda. a gente tem muita história, tem um livro chamado “100 Discos Potiguares Pra Ouvir Sem Precisar Morrer” que documenta o rock daqui desde os anos 60.

– Quais são as principais influências do som da Demonia?

Quel: Então, somos 5 pessoas com estilos bem diferentes. Eu e Karla temos alguns gostos em comum: gostamos de umas tosqueiras como Os Pedrero, Mukeka di Rato, Skate Aranha e uns punk lo-fizão. A Nanda gosta de uns hardcore melódico e emo. A Karina é mais pro indie, e Isa tem muita influência afro e ritmos tropicais… E assim somos as Demônias!

Karina: A Isa eu acho que tá mais pro pop do que pra música afro (risos). Uma das bandas preferidas ela é Alabama Shakes. A Karla curte punk mas também ouve rap, ela coloca às vezes lá na casa dela, né, Quel? Atualmente eu tô bem empolgada com a Botoboy, acho incrível a performance do vocalista no palco. Mas temos artistas e bandas incríveis que nós somos muito fãs e são uma espécie de mainstream daqui, que o resto do Brasil não faz nem ideia que existe. Calistoga, Koogu, Fukai, são todas bandas incríveis que a gente acompanha há tempos a própria Joseph Little Drop que Quel toca é irada também.

– Quais os próximos passos da Demonia?

Karina: No momento estamos bolando uma session, mas tentando fazer com ajuda de amigos, pois não temos essa grana pra investir. É ralado, mas esperamos trazer um material profissional pro Youtube, que é onde a música está sendo mais popularidade hoje em dia. Queremos tocar em festivais também! Esse ano tocamos no Guaiamum Treloso em Recife e ainda não foi anunciado, mas vamos tocar no MADA aqui em Natal!

– Como vocês veem isso dos serviços de streaming e Youtube tomando conta?

Karina: Eu vejo com muito entusiasmo! Na minha pesquisa eu falo sobre como o Napster tirou o poder das grandes gravadoras e democratizou o mundo da música. Foi uma coisa incrível, um cara de um dormitório de faculdade criar um programa que destruiu toda uma indústria que era baseada em vendas de discos, obrigando-os a se remodelar. Antigamente você precisava que uma gravadora apostasse em você pra chegar em algum lugar. Hoje em dia
você tem total liberdade criativa pra criar o que quiser e jogar na internet, pra que pessoas que se identificam com o que você produz possam te ouvir e te acompanhar. Isso mudou tudo! É claro que as gravadoras se reformularam e não é nada um paraíso perfeito, mas que melhorou muito pro artista independente, melhorou. O Eduardo Vicente da USP tem um artigo chamado “A Vez dos Independentes” onde ele fala da cena de música independente do Brasil antes da internet. Era ralado, o músico independente precisava bater na porta das lojas de discos e pedir pra venderem o disco dele, coisas assim. Hoje em dia não tem mais isso, tá tudo muito mais horizontalizado, isso faz com que MC Loma, por exemplo, saia do interior de Pernambuco e vire o hit do Carnaval que produtores passam o ano inteiro tentando criar. Enfim, é tudo bem incrível e eu acho que esse retrocesso e conservadorismo é em parte uma reação do avanço rápido e repentino das pautas progressistas trazido pela internet.

– Tudo depende do “viralizar”, né.

Karina: Depende e não depende. Essa é uma discussão que tivemos num curso que fiz na UFRJ com o Jeder Janotti Jr da UFPE. Eu acho que existe hoje uma espécie de mainstream de nicho, onde você não precisa ter o alcance da MC Loma pra conseguir atingir seu objetivo como músico independente. Como exemplo disso eu cito o Boogarins. É uma banda que não tá na Globo, mas tá rodando o Brasil inteiro e enche casas de show por onde passa. Eu suponho que eles estejam bem satisfeitos onde estão, são a banda mais bem sucedida dessa cena atualmente, mas não são exatamente “virais”. Mas sim, com certeza os vídeos no Youtube deles terem varias visualizações é algo que ajudou a eles chegarem onde estão, a popularizar a banda. O Boogarins na minha opinião seria mainstream nesse nosso nicho dessa cena independente específica.

– Por fim: recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Karina: O disco d’O Grande Babaca tá sensacional, não vi falarem muito sobre mas tá com certeza um dos melhores da cena atual. O novo do menores atos também tá a coisa mais maravilhosa do mundo. Internacional eu sou apaixonada pelo Kane Strang e o Cosmo Pyke, mas eu acho que o Cosmo assinou com gravadora. Eu sou muito fã do Raça também, tô super ansiosa pelo disco novo. Letrux nós amamos e tivemos a oportunidade de conhecer no Guaiamum, foi genial! Bex, artista potiguar! Ela é paulista mas mora aqui em Natal Potyguara Bardo, uma drag que em breve sai um EP dela. Ela tem um talento absurdo, tem várias musicas no Soundcloud. Potyguara Bardo é uma drag que tem um hit no youtube (100k visualizações) chamado “Você Não Existe”, é uma lombra e Poty é uma fofa amamos muito. Ela gravou um EP recentemente e vai soltar muito em breve! Luan Battes, Joseph Little Drop. Bex, que é uma voz assim que sinceramente você vê ao vivo e parece coisa de outro mundo. E a Concílio de Trento, a outra banda de Nanda, hardcore melódico lindíssimo, acabaram de soltar um EP que tá com uma qualidade animal chamado “Tomara Que Não Chova”. Eu queria só agradecer você por se interessar na gente e se dispor a nos entrevistar! Você foi um dos primeiros a nos notar então muito obrigada por estar atento e buscando bandas novas pra fortalecer a cena!