Músicas com plot twists que você vai gostar mesmo depois desses spoilers

Read More

O termo se tornou familiar. Qualquer um que já assistiu a uma série – ou acompanhou as últimas temporadas desse longa chamado VIDA –  sabe bem a que se refere. Plot twist é aquela virada inesperada no enredo, aquele momento que traz uma surpresa agradável – “The One With Obama’s Triumph” S08E12 – ou não –  “The One With Trump Winning”, S16E09.

Verdade seja dita, está difícil superar os últimos plot twists deste não ficção do qual fazemos parte. A boa notícia é que a arte está aí para nos salvar (yey!). Então, quando bater aquela desesperança, já sabe né? O melhor a fazer é buscar refúgio em uma playlist delicinha, tipo essa que reúne as reviravoltas (reais ou não) em músicas de bandas que amamos.

“Funny Little Frog”, Belle & Sebastian

Belle & Sebastian, com sua poesia confessional e arranjos delicados, é um abracinho quente quando a gente precisa. O líder da banda escocesa, Stuart Murdoch é, para mim, um dos melhores compositores/cantores/dançarinos-desajeitados/crushes do indie pop mundial. “Funny Little Frog“, faixa do disco “The Life Pursuit” (2006), é prova disso.

A música descreve uma paixão arrebatadora, uma quase-devoção (com direito a fotografia pendurada na parede) de um homem por um crush enigmático. No desenrolar da letra você tem alguns indícios de que existe algo de platônico no romance. Mas é só nos segundos finais da canção que ele decreta isso.

“You are the cover of my magazine

You’re my fashion tip, a living museum

I’d pay to visit you on rainy Sundays

I’ll maybe tell you all about it someday”

(Eu também pagaria para ter ver em um domingo chuvoso, Stuart <3)

“Babies”, Pulp

Saímos do amorzinho fofinho do Stuart, para as primeiras aventuras sexuais de um Jarvis Cocker adolescente e pervertido. Em “Babies”, faixa do “His’n’Hers” (1994), ele conta como, junto com uma amiga, costumavam ouvir atrás da porta a irmã mais velha dela com garotos no quarto. Mas, jovem e excitado, Jarvis Cocker (ou o cock do Jarvis) queria mais: “I want to see as well as hear/ And so I hid inside her wardrobe”.

Em uma dessas, ele acabou transando com a irmã da amiga. Só no trecho final da música ele revela que foi tudo uma confusão, e que, na real, era da amiga que ele gostava, não da irmã.

“I know you won’t believe it’s true,

I only went with her ‘cause she looks like you.”

(Desculpa equivalente ao “baixei o Tinder sem querer”, Jarvis.)

“Cooking Up Something Good”, Mac Demarco

“Mommy’s in the kitchen, cooking up something good/ And daddy’s on the sofa, pride of the neighborhood”. Quem conhece as letras do Mac percebe de cara um tom irônico nesse retrato da família ‘de bem’. A relação conturbada com o pai, que por conta do alcoolismo e uso de drogas o abandonou quando criança, está presente em grande parte do trabalho do músico canadense.

Quem sabe disso, já espera a virada nessa bela cena de família que vem na segunda parte da música. “Daddy’s in the basement, cooking up something fine”. A gente sabe que não é um ranguinho esperto que ele está fazendo no porão. “Cooking up”,  em inglês, é gíria para ‘preparar drogas’, especificamente as que precisam de aquecimento. Em um show, Mac termina a música dizendo: “This song is about my dad’s methamphetamine habit”. Aí não resta dúvida, né.

“A Boy Named Sue”, Johnny Cash

Todo mundo conhece alguém que já teve problemas na infância ou adolescência por ter um nome diferentão.  Não adianta, se tem uma coisa que a quinta série A não perdoa é um nome diferentão. O ‘contadô de causo’, Johnny Cash, fala sobre esse ‘fardo’ que um garoto chamado Sue teve que carregar durante a vida.

Aparentemente, Sue teve que aguentar muita TRETA. “It got a lot of laughs from a’ lots of folk/ It seems I had to fight my whole life through”. Sua missão na vida passou a ser encontrar o pai que o abandonou e escolheu o seu nome. Quando ele finalmente o encontra, mais TRETA. Os dois se pegam no bar, mas antes que a coisa ficasse feia mesmo, o pai explica porque deu a ele esse nome:

“Son, this world is rough

And if a man’s gonna make it, he’s gotta be tough

And I know I wouldn’t be there to help ya along

So I give ya that name and I said goodbye

I knew you’d have to get tough or die

And it’s the name that helped to make you strong”

Yeah he said, “Now you just fought one hell of a fight

And I know you hate me, and you got the right

To kill me now, and I wouldn’t blame you if you do

But ya ought to thank me, before I die

For the gravel in ya guts and the spit in ya eye

‘Cause I’m the son-of-a-bitch that named you “Sue”.

Resumindo, um nome com potencial para virar chacota foi a forma que o pai encontrou para fazer o filho aprender a enfrentar as coisas duras e injustas da vida. Não é uma metodologia muito Waldorf, mas parece que funcionou.

“Space Oddity”, David Bowie

A virada dessa história é bem triste. Só não tão triste quanto outro plot twist do Bowie que pegou o mundo inteiro de surpresa em janeiro do ano passado 🙁 🙁

Um dos maiores clássicos do compositor/cantor/ator/produtor/crush conta a história de Major Tom, um astronauta fictício em uma missão espacial que, apesar de bem sucedida no começo, não tem um final feliz. Depois de ‘flutuar pelas estrelas de um jeito peculiar’ e ver de longe a Terra azul, Major Tom perde contato com a base de controle.

Já ouvi a música inúmeras vezes, e nessa parte sempre rola aquele arrepiozinho nos pêlos:

“Ground control to Major Tom,

Your circuit’s dead, there’s something wrong

Can you hear me Major Tom?”

Dá o play e sente.

“Christiane F.” (1981) – David Bowie numa trilha sonora prostituída e drogada

Read More
Christiane F

Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo (Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída)
Lançamento: 1981
Direção: Uli Edel
Roteiro: Uli Edel, Kai Hermann, Horst Rieck e Herman Weiegel
Elenco Principal: Eberhard Auriga, Natja Brunckhorst, Peggy Bussieck, Lothar Chamski e Rainer Woelk

 
Na ansiedade comum ao início da adolescência, Christiane F., aos 13 anos enganou a mãe com o chavão “vou dormir na casa da minha amiga” e saiu com a amiga pruma balada na noite de Berlim. O lugar, habitado por uma galera usuária de heroína, é um antro de “decadência moral” que espanta e impressiona a menina. Mal criada a
David Bowie e fã do mesmo, a adolescente vai, enquanto se apaixona por um dos “degenarados”, se interessando cada vez mais pela possibilidade da siringa. Experimenta, experimenta de novo, se vicia, faz de tudo pra conseguir um pouco, tenta sair do vício, vê amigos morrerem e etc.

Feito a partir da autobiografia de 1982 “Christiane F: Autobiography of a Girl of the Streets and Heroin Addict” e metendo aflição pacas em quem assiste (principalmente nas cenas de abstinência), o filme pop é recheado com o som pop do pop David Bowie. Contando com a aparição do próprio num show onde vai a menina, parte do filme se constrói com as músicas do camaleão que dão o tom da descoberta da vida na juventude e todas suas consequências.

Vale a pena destacar a cena de “Heroes”. Invadindo uma galeria de madrugada, Christiane, seu “crush”, a amiga e mais uma galera correm, quebram vidros, roubam umas poucas moedas e fogem da polícia até o terraço do prédio onde ficam até amanhecer. Talvez uma das melhores versões dessa música!

Além do mais, “Look Back in Anger” tocando durante o show é outra que levanta o astral do filme com um pique meio 15 anos…

Segue em link o trailer e a trilha sonora do filme.

Trailer:

Trilha sonora:

Vejam e ouçam! Valeu!

Construindo Fu_k the Zeitgeist: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Construindo F_ck the Zeitgeist

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o F_ck the Zeitgeist, de Porto Alegre. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Tobacco“Gods in Heat”
Eu conheci o trabalho do Tom Fec/Black Moth Super Rainbow pelo fantástico podcast “Song Exploder”, justamente dissecando esta faixa. Foi um daqueles sons que mudou meu jeito de produzir. Eu já vidrado em K7/lo-fi, mas aí eu chutei o balde de vez, comprei um Tascam Portastudio e comecei a usar direto nas minhas faixas.

Nine Inch Nails“The Hand That Feeds”
Quando se fala em Nine Inch Nails, geralmente se celebra a fase mais antiga em torno ali do “Downward Spiral”. Curto muito, mas confesso que tenho uma atração forte pelo NIN mais recente, mais eletrônico. Essa faixa me pegou de jeito desde a primeira vez que ouvi. Sempre acabo voltando nela.

Autolux“Soft Scene”
Eu já era super fã da banda desde os outros dois albuns, mas este terceiro acima de tudo me apresentou o trabalho do Boots como produtor. É um cara que venho seguindo a carreira de perto desde então, muito inspirador. Essa foi a primeira faixa que ouvi do “Pussy’s Dead” e nunca mais me saiu da cabeça.

Peter Gabriel“Darkness”
Sendo “do contra” mais uma vez meu album preferido do mestre é o “Up”, o último album de estúdio valendo dele. Essa faixa de abertura acho avassaladora. Mexeu bastante comigo e me abriu a cabeça pro uso de samples estratégicos na minha música.

Silverchair“Across the Night”
O Silverchair “grunge” dos primeiros discos nunca me atraiu, mas quando ouvi o “Diorama” levei uma voadora. Arranjos de cordas de Van Dyke Parks + produção do David Bottrill também não fazem mal algum. Ouvi um podcast com David recentemente onde ele comentou que o Daniel nem sabia tocar piano quando fez este álbum, aprendeu na raça. Abrir um álbum com um épico destes é o sonho de qualquer artista (o meu ao menos).

North Atlantic Oscillation“Drawing Maps From Memory”
Eu já não nutro mais aquela ansiedade da juventude sobre novos discos, mas esta banda foi uma das últimas que eu pré-comprei o primeiro album e esperei babando a chegada tendo ouvindo apenas uma faixa (“Drawing Maps From Memory”). Quando o  CD (“Grappling Hooks”) chegou, viciei instaneamente e eventualmente acabei fazendo até remixes pros caras. O baterista deles até participa numa faixa do meu próximo album.

Genesis“Entangled”
Muita gente me olha torto quando eu digo que minha fase favorita do Genesis é 1975-1980 quando o Phil Collins assume os vocais. “A Trick of the Tail” é um disco maravilhoso e o mellotron de coro do Tony Banks no final dessa faixa é fácil das coisas mais lindas já gravadas. 

Refused“New Noise”
Punk rock é um tipo de som que eu nunca consegui me interessar muito. Mas esta banda é uma bela exceção. “A Shape of Punk to Come” é um album que eu descobri na base da curiosidade. Ele estava destacado no site All Music um determinado dia que eu tive a sorte de passar por lá. Eu resolvi procurar algo na web e tomei um nocaute que ainda não me recuperei. Escolhi essa faixa porque foi a primeira que ouvi. Amo este album de ponta a ponta. 

Som Imaginário“Armina”
Quando faço uma lista de músicas assim sempre tem um camarada pra dizer: “E as bandas brasileiras, cadê?”. Então aqui vai uma faixa do meu disco brazuca predileto de todos os tempos, “A Matança do Porco”. Um sonho: remixar esse disco para um relançamento.

I Mother Earth“Meat Dreams”
Essa é a banda obscura que eu mostro pra todo mundo esperando que todos amem o tanto quanto eu e ninguém liga a mínima. Ele foi produzido/mixado pelo gigante David Bottrill mais ou menos na época que ele também fez o “Lateralus” do Tool. Pra mim é um encontro de Tool com Jane’s Addiction e não tem um milésimo de segundo deste album que eu não adore. Esta faixa é o “épico prog” do disco.

Radiohead“The National Anthem”
Quando eu era bem jovem eu tinha um gosto musical bastante diferente e detestava Radiohead. Felizmente eu amadureci e rapidamente se tornou uma das minhas bandas prediletas. Essa faixa foi uma das primeiras a me fazer mudar de ideia.

King Crimson“Indiscipline”
Eu confesso que as letras das músicas são o último elemento que eu levo em consideração. Mas como o King Crimson é uma banda que acho todos os discos bons (desde 69 nenhuma bola fora!), vou trazer essa faixa que tem minha letra favorita de todos os tempos. Vale muito procurar a história por trás dela! 

St. Vincent“Black Rainbow”
Annie Clark é amor a primeira ouvida, né? Que artista extraordinária! “Black Rainbow” é outra, que assim como “Entangled”, tem uma seção final avassaladora. Uso este aspecto então pra me ajudar a escolher uma faixa apenas num cânone tão rico.

David Bowie“Subterraneans”

Eu me tornei fã do camaleão do jeito mais “errado” possível. Eu vivia meio alheio ao trabalho dele até que um grande amigo e colaborador me sugeriu assistir “O Homem Que Caiu na Terra”, filme que imediatamente se tornou um dos meus favoritos. Pesquisando sobre a obra, descobri que David compusera faixas para a trilha e elas acabaram não sendo usadas. Só que parte do material acabou reciclado no “Low” e aí tava feito o estrago.

Frank Zappa“Florentine Pogen”
Escolher uma do mestre é barra, mas “Florentine Pogen” é uma daquelas que contém tudo que eu adoro na obra dele. Tem um tema lindaço, tem humor, tem vocais destruidores, quebradeira e locuragem. Minha formação favorita dos Mothers e meu disco predileto, o “One Size Fits All”.

Steven Wilson“The Raven That Refused to Sing”
Steven Wilson foi meu “guru” por muitos anos, o cara que me direcionou nesta carreira de artista/produtor/multintrumentista. O meu trabalho favorito dele é o album “Grace For Drowning” de 2011, mas esta faixa pra mim é a mais incrível composição de toda a carreira dele (incluindo o Porcupine Tree).

Chrisma“Sharon Tate”
Esta composição do meu amado Diego Medina neste duo brilhante com o Michel Vontobel é minha composição brasileira favorita dos últimos 30 anos (talvez mais). Não vou nem falar do clipe genial.  Agora que temos uma nova banda juntos, estou na torcida por fazermos uma versão ao vivo desta pepita.

OSI“Wind Won’t Howl”
Sou fã de carteirinha do Kevin Moore desde que ele abandonou o prog metal pra se tornar a mente por trás do Chroma Key e eventualmente metade da identidade do OSI. Uma das minhas maiores frustrações na vida é não saber cantar e se eu soubesse e tivesse um bom timbre, gostaria de usar a voz desta maneira fria e quase monotônica que ele usa. “Wind Won’t Howl” é uma daquelas faixas que eu queria ter composto. 

Susanne Sundfor“The Silicone Veil”
A essa altura já deu pra perceber que composicões/produções “over the top” são minha kryptonita e a parte final desta faixa é incrível. Este clima Kate Bush escandinava deste disco me atrai muito. Ela está mais eletrônica atualmente, mas sigo gostando de tudo que ela lança. Voz belíssima.

Bjork“Bachelorette”
Uma das minhas assinaturas de produção mais recorrentes é usar tímpanos de orquestra nas músicas. Adiciono sempre que possível, sem moderação. Como é muito difícil escolher uma faixa da Bjork, vou me apegar a este aspecto pois este combo beat eletrônico + orquestra deste som é impressionante e uma referência constante pra mim.

Velvet Goldmine enche a tela de glitter em um panorama não-oficial do glam de Ziggy Stardust

Read More
Velvet Goldmine

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Velvet Goldmine (Velvet Goldmine)
Lançamento: 1998
Diretor: Todd Haynes
Roteiro: Todd Haynes e James Lyons
Elenco Principal: Ewan McGregor, Jonathan Rhys Mayers, Toni Collette e Christian Bale

Recomendações…

O glam rock da década de 70: marcado por guitarras distorcidas dum jeito que até o Hendrix se tivesse visto ia olhar feio, glitter no ar misturado com o O2, sapatos plataformas que levavam pra ainda mais longe as cabeças dos popstars e uma androginia que enojava os velhos caretas esforçados em esconder as ereções que o pau bombava quando passavam os proto-Bowies pela rua. Foi o movimento performático que ,dando o próximo passo na rebeldia roqueira, inventou o comportamento desregrado, romântico e desesperado que gritava nas noites como um beatnik bêbado mandando o refrão “paz & amor (inc.)” pra tonga da mironga do kabuletê, do qual participaram Brian Eno, T-Rex, David Bowie, Iggy Pop, Sweet, Lou Reed, Suzi Quatro, New York Dolls e mais uma galera aê.

O glam é também o protagonista do filme “Velvet Goldmine”, de 1998. A história, que segue um modelo de investigação jornalística com referência à “Cidadão Kane”, é sobre um jornalista que, dez anos após o falso assassinato do popstar Brian Slade (Jonathan Rhys Meyersdurante um show, é convocado pelo editor-chefe pra fazer uma matéria sobre o cantor: o que aconteceu com ele? Por que forjou a própria morte? Onde tava?.

O jornalista Arthur Stuart, interpretado pelo Christian Bale (sim, é o Batman), através de entrevistas com pessoas que fizeram parte do passado do “morto”, vai montando a história do cara e lembrando de sua própria ligação com o universo do glam: a rebeldia contra os pais caretas, a fuga de casa quando os mesmos o descobrem gay, sua fissura pela figura do popstar sobre o qual está escrevendo, seu convívio com personagens importantes da cena da época, a homofobia regente versus a androginia do movimento, etc.

(Um parênteses: homofobia esta que até hoje ainda é a mesma, que ainda mata e contra a qual é necessário manter uma luta constante, do modo que cada um puder, em função dum dia onde ninguém acorde com medo de beijar um namorado (a) em público, devido à possibilidade de apanhar dos tacos de neo-nazis escrotos)

Voltando aos primeiros parágrafos sobre a história, vale dizer que vários dos personagens que aparecem, são referências explícitas à músicos e pessoas que fizeram parte do movimento cultural.

Brian Slade: David Bowie (na fase Ziggy; o falso assassinato no palco é uma referência ao momento em que durante um show, Bowie declarou que aquele seria o último do Ziggy Stardust, o que todos entenderam como “é o meu último show”).

Curt Wild: Iggy Pop

Mandy Slade: Angela Bowie

Jerry Devine (o empresário): Tony Defries (empresário da companhia que representava o Bowie e o Iggy)

Jack Fairy: Brian Eno

(fonte pra lista e lista mais detalhada: http://www.5years.com/velvetfilm2.htm)

Bom, agora já tendo dito um pouco e talvez até mais que se devesse a respeito do enredo, sigo para entrar no assunto que deveria, quem sabe, ter sido o foco desde o início: a trilha sonora. Embora Brian Slade seja fortemente baseado em David Bowie, o próprio Bowie não gostou do roteiro e vetou a proposta de que suas músicas aparecessem no filme. A trilha sonora é absurdamente boa e é um elemento essencial ao filme (sério?), que junto com o figurino (indicado ao Oscar em 1999) e os cenários compõe a energia roqueira andrógina que o filme passa não só no nível do roteiro. Ela inclui músicas de glam rock e faixas influenciadas pelo glam.

Os músicos ingleses que tocaram sob o nome de The Venus in Furs na trilha sonora foram Thom Yorke e Jonny Greenwood, do Radiohead, Clune, da David Gray Band, Bernard Butler, do Suede, e Andy Mackay, da Roxy Music. Os músicos americanos que tocaram como o Wylde Ratttz (a referência aos Stooges) de Curt Wild na trilha sonora foram Ron Asheton dos próprios Stooges, Thurston Moore e Steve Shelley, do Sonic Youth, Mike Watt, do Minutemen, Don Fleming, do Gumball, e Mark Arm, do Mudhoney. Além dos clássicos do glam, a trilha sonora apresenta novas músicas escritas para o filme do Pulp, Shudder to Think e Grant Lee Buffalo.

Os três membros do Placebo também apareceram no filme, com Brian Molko e Steve Hewitt como membros da Flaming Creatures (Malcolm e Billy, respectivamente) e Stefan Olsdal como o baixista da Polly Small.

Seguem os links pro filme e pra trilha sonora em playlist no YouTube:

Filme:

Trilha: 

Assistam, dancem, ouçam e curtam pacas!

O som de hoje 40 anos atrás: David Bowie – “Low” (1977)

Read More
David Bowie - Low

Bolachas Finas, por Victor José

Mesmo que a icônica capa de Aladdin Sane” (1973) tenha sobrevivido intacta e soberana no imaginário da cultura pop e levado a personagem de David Bowie quase que à banalidade em termos visuais, o legado do britânico ecoa ainda mais forte por conta de seu extraordinário conteúdo musical. Se por algum motivo a incessante busca por sintéticas texturas sonoras entra e sai de moda entre bandas de rock e de outros gêneros, muito disso é fruto das sugestões apontadas por Bowie e sua essencial “Trilogia de Berlim”, sobretudo o álbum Low”, de 1977.

Parece redundante hoje em dia destacar a importância do britânico para a música popular, mas fato é que neste ano Low fez 40 anos e permanece ileso e incontestavelmente rico em proposta estética. Aliás, por mais que Bowie seja um gigante da música do século XX, este disco jamais deixará de ser assunto de uma infindável discussão sobre até onde pode chegar um cantor pop.

Produzido pelo próprio Bowie e seu parceiro de longa data, Tony Visconti, “Low” abriu um novo caminho na carreira do músico. Se antes já havia causado espanto geral por flertar facilmente com pop barroco, soul e glam rock, a partir de 1977 passaram a vê-lo como um artista desafiador, que expandia os limites sugerindo à música o uso expansivo da artificialidade sonora.

Com o objetivo maior de largar seu vício em cocaína, Bowie viveu modestamente na Alemanha Ocidental, em Berlim, recluso e longe dos holofotes. Como forma de ocupação, em meados de 1976 chegou a produzir o álbum solo de seu amigo Iggy Pop, o fundamental The Idiot”. Logo ali já podia ser notada uma pitada do que David estava preparando.

Fortemente influenciado pelo som de grupos como Neu! e Kraftwerk, Bowie reuniu uma série de músicos como Carlos Alomar (guitarras), George Murray (baixo), Ricky Gardener (guitarras) e Brian Eno (sintetizadores) para recriar a seu modo a atmosfera dessas bandas. O resultado foi “Low”, um disco metade instrumental, metade pop experimental e distinto por completo.

O curioso é que alguns atribuem a Eno importância igual ou maior que o próprio Bowie na concepção de “Low”. Polêmicas à parte, certamente o modo de criação do ex-Roxy Music foi uma grande influência, tanto que o próprio alega que participou da produção do LP e não foi creditado.

Não é que bandas do rock progressivo, expoentes do krautrock ou o próprio Eno com sua ambient music não houvessem sugerido aquilo até então, mas o fato surpreendente (além do resultado final do LP) foi a abrupta ruptura de David Bowie, que há um ano antes vinha fazendo soul e mesmo assim assumiu o eletrônico sem quaisquer restrições.

Outro fator que contribui para a notoriedade de “Low” é a incessante capacidade de algumas de suas canções se ajustarem naturalmente ao presente momento, como no caso de “A New Career in a New Town” ou “Breaking  Glass”, que com seus quase dois minutos representa o que inúmeras bandas contemporâneas tentam recriar direta ou indiretamente. “Sound and Vision” e “Be My Wife”, mesmo sem seguirem a fórmula linear de canção pop, traçaram no panorama musical da época o que viria a ressoar com muita força em conjuntos de pós-punk e new wave do início dos anos 1980.

Todas as onze composições são capazes de levar o ouvinte a uma interessante experiência sensorial, mas de fato as últimas quatro faixas de “Low”, “Warszawa”, “Art Decade”, “Weeping Wall” e “Subterraneans”, verdadeiros exemplos de ambient music, carregam peso maior do status de obra-prima atribuído ao LP. Qualquer um acostumado apenas com as irresistíveis facilidades do camaleão do rock (coisas como “The Jean Genie”, “Rebel Rebel” ou “Changes”) passará pela primeira vez pelo desfecho de “Low” e a partir de então encarará Bowie de maneira absolutamente diferente.

Com todo o reconhecimento obtido anos depois, a desconfiança da RCA (então gravadora do músico) para com o disco virou mero detalhe. Das onze faixas, seis eram basicamente instrumentais e a empresa teve sérias dificuldades em encontrar na obra alguma “música de trabalho”. No final das contas, “Sound and Vision” foi a escolhida como single.

O disco saiu em janeiro de 1977. Inicialmente seria lançado em dezembro de 1976, porém a RCA cancelou com a justificativa de que não via “Low” com um potencial presente de Natal.

Seria “Low” o ápice criativo de Bowie? O próprio afirma que sim, e até chegou a tocá-lo na íntegra em 2002, num único show em Londres. Mas fato é que, gostando ou não gostando, ao escutar o álbum todo não há como relevá-lo e não perceber nele uma infinidade de outros artistas.

David Bowie - Low

Construindo Sky Down: conheça as 21 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Construindo Sky Down

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Sky Down indicando suas 21 canções indispensáveis. “Mesmo sendo 21 musicas com certeza esta faltando várias coisas ai, como em qualquer lista”, diz Caio, vocalista e guitarrista.

The Stooges“Loose”
Caio: Sky Down começou comigo e com André combinando de ficarmos num estúdio tocando Stooges.

David Bowie“Life On Mars”
André: Colocar uma briga de salão de dança envolvendo marinheiros e “homens da lei” espancando o cara errado, tudo no mesmo caldeirão, transformando isso em uma epopéia digna de um show de horrores.

The Cure“Shake Dog Shake”
Amanda: Acho dançante, acho sensual e é uma das bandas favoritas, né.

Christian Death“Figurative Theater”
Amanda: Nem sei o que dizer, apenas RECEBA essa música como um presente. Esse disco quase furou de tanto que ouvi. Baixo estralano o côro.

Young Marble Giants“Credit In The Straight World”
Caio: Menos é mais.

The Clash“Complete Control”
André: A essência de Joe Strummer e Mick Jones está aqui. Música pra você levantar, pensar e seguir em frente.

CAN“Moonshake”
Amanda: De quando me apaixonei pelo motorik 4/4. Krautlovers.

Pin Ups“Feel So Strange”
Caio: Em algum ponto da adolescência caí no Pin Ups, obviamente pelas coisas que ouvia de rock alternativo, grunge, punk, etc, na época. Entrou no bolo das bandas que mais gosto.

PJ Harvey“Rid Of Me”
Caio: Quando gravamos o “…nowhere” o “Rid Of Me” era uma das referências que tinha na cabeça na época. Uma banda sendo gravada tocando numa sala, cru, meio que mesmo nesse meio digital moderno de hoje, ir pelo caminho do básico.

Plexi“Star Star”
André: Tão controversa é a música da letra, a banda mostra pra gente que é possível misturar um desabafo pesado com uma melodia maravilhosa.
Caio: Tô nessa, e com boa parte desse disco “Cheer Up”. “Peel” pra mim é o ápice deles ali.

Kid Kong and the Pink Monkey Birds  – “Lurch”
Amanda: Melodia bonita, tava numas de melodias lindas e pirei nesse disco.

Wipers“Wait a Minute”
André: A melhor música dessa banda que até hoje não foi sacada.
Caio: Eu ia falar do Youth Of America”, então vou aproveitar o espaço dessa aqui. Acho os três primeiros do Wipers “intocáveis”. Tem show nosso às vezes que escolhemos umas 5 musicas e “Youth Of America” pra ficar uns 10 minutos tocando ela, é uma boa desculpa pra terminar um show. Uma das coisas que gosto no “Youth Of America” também é como ele vai na contramão do que estava sendo feito no punk ou mesmo hardcore que começava a criar corpo na época (1981).

Pixies“Hey”
Caio: Meu objetivo de pop perfeito.

Raul Seixas“Quando Você Crescer”
André: Um tapa na cara da sociedade.

Sisters of Mercy“Alice”
Amanda: Eu amo Sisters of Mercy e nunca vou enjoar.

The Gun Club“Yellow Eyes”
Amanda: Uma linha de baixo triste e linda. Eu amo.

Siouxsie and the Banshees“Israel”
Caio: Rainha.

Jah Wobble“Subcode”
Amanda: Baixista do PIL, fudido. Recomendo demais esse disco com o Bill Laswell, inclusive.

The Brian Jonestown Massacre“Anemone”
Amanda: Ouvia direto esse som no 74club. Achava bonita. Um dia fui lá perguntar o que que era e quando saquei ouvi demais também!

X“Come Back To Me” 
André: Receber a notícia que a sua irmã faleceu momentos antes de subir ao palco e ir ao banheiro escrever a letra dessa música. Não preciso dizer mais nada.

Sex Pistols“No Feelings”
Caio: Gravamos essa lá no primeiro EP em 2012. Parece que toda vez que o assunto cai neles vira uma polemiquinha, vejo que a maior parte da galera vai pelo senso comum (que é uma banda de mentira, montada, etc). A maioria comprou a ideia que o empresário Malcolm vendeu deles (ponto pra ele) e pouco ouviram o que a banda em si diz ou mesmo no (óbvio) impacto que ela teve na cena musical inglesa e posteriormente no resto do mundo. Adoro as letras e o sarcasmo do John Lydon, ele tinha 20 anos quando teve que encontrar sua voz e escrever algo como “God Save The Queen”. Gosto muito do PiL também, que é onde ele realmente se mostrou algo além de alguém que ataca as instituições.

Reunimos uma porrada de gente pra eleger as melhores músicas nacionais e internacionais de 2016

Read More
Melhores de 2016

Chegou aquele momento do ano em que todo mundo faz suas listas, retrospectivas e tentamos eleger o que aconteceu de melhor nos últimos 365 dias. Aqui no Crush em Hi-Fi eu preferi deixar a tarefa de escolher os grandes sons de 2016 com os próprios músicos, jornalistas, produtores e apaixonados por música. São mais de 50 pessoas que nos contaram quais foram os grandes sons nacionais e internacionais deste conturbado ano.

Na música nacional, Carne Doce, O Terno e Jonnata Doll e os Garotos Solventes foram os mais lembrados pelos entrevistados, enquanto David Bowie, Angel Olsen e Descendents foram os artistas estrangeiros que mais mexeram com o coração das mais de 50 pessoas consultadas. Confira as escolhas e sigam as playlists dos Melhores do Ano 2016 no Spotify do Crush em Hi-Fi!

Gustavo Cruz (Minuto Indie)

Quarto Negro “Filhos do Frio”
Conheci essa banda no projeto Orange Sessions e simplesmente me apaixonei. Respeito o trabalho deles e garanto que se você ainda não conhece, vai viciar.

Lorn“Acid Rain”
Não sei se são independentes, mas conheci recentemente e não consigo parar de ouvir. É a banda que resume o que gosto de encontrar sonoramente. Boa pra vários tipos de vibes.

Jaison Sampedro (RockALT)

Mustache & os Apaches“Time Is Monkey”
Embora eu esteja quebrando um pouco o protocolo, vou me aproveitar de uma falha técnica e falar de um álbum que foi lançado no final de dezembro do ano passado. E embora seja uma banda um tanto conhecida (isso se você dá uns rolês na Av. Paulista) acho que vale muito a pena dar uma conferida no Mustache & os Apaches. A saída do estilo acústico fez muito bem ao grupo paulistano formado em 2011. Com um estilo meio
bluegrass e folk rock, o seu mais recente álbum “Time Is Monkey” tem um som muito divertido, agradável e
descompromissado de se ouvir, algo que na minha opinião ganha uma pontuação elevado em meio a um monte de bandas que se levam a serio de mais e são um tédio completo quando se escuta. Por isso escolho essa banda, em um ano tão desgraçado como o de 2016, nada melhor do que uma banda festiva, alegre e descompromissada.

Sheer Mag“Can’t Stop Fighting”
Acredite em mim, Sheer Mag é do caralho! E sabe por que eu digo isso? Porque essa banda é a mais perfeita combinação do rock dos anos 70 com o estilo e a atitute punk. Formada na Philadelphia no ano de 2014 o grupo lançou até agora três EPs com 4 musicas cada, e não seria exagero dizer que todas, sim eu disse TODAS são muito boas. Vou focar no EP de 2016 o EP “III 7” já que o texto se trata das melhores do macabro ano de 2016, a musica “Can’t Stop Fighting” trata de violência contra mulheres na cidade de Juarez e a exploração econômica e trabalhista da região, é ai que entra atitude punk, as criticas são certeiras e o som é um power pop repleto de riffs que imediatamente te fazer lembrar Thin Lizzy. Outra musica que vale a pena conferir é “Nobody’s Baby”, a ultima canção do álbum, que mostra um pouco da realidade da vocalista Christina Halladay, descrevendo as suas desilusões, decepções e exclusão social em sua adolescência. Por mais que esses temas pareçam sérios, Sheer Mag é uma banda extremamente dançante e quando você escuta pela primeira vez não vai conseguir tirar da cabeça.

Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream)

Vitreaux“Eu Vi Um Beatle Outro Dia”
A também estréia da banda paulista Vitreaux, que é formada por Lucas Oliveira, Guib Silva, João Rocchetti e Ivo Liberato. ‘Pra Gente Poder Passear’ foi lançado em Maio e é um álbum belo que traz notas dosadas de romance, humor e psicodelia. E já que eu não perco oportunidade de fazer uma referenciazinha à Beatles em quase tudo que eu escrevo / falo / penso / respiro, indico a faixa ‘Eu Vi Um Beatle Outro Dia’ para quem quiser conhecer a face mais beatlesca e divertida da Vitreaux.

The Claypool Lennon Delirium“Captain Lariat”
O álbum de estréia da dupla The Claypool Lennon Delirium, formada por Les Claypool e Sean Lennon. ‘Monolith of Phobos’ foi lançado em Junho desse ano e oferece 11 faixas que unem o melhor dos mundos dos 2 músicos: a pegada teatral e o característico baixo de Claypool com a lisergia de Lennon. A faixa ‘Captain Lariat’ é uma de minhas favoritas e resume bem a vibe do álbum.

Marky Wildstone (Wildstone Productions)

Marco Butcher“The Needle”
Primeiro single do álbum solo do Marco Butcher, essa música prova a maturidade que este cantor, guitarrista e compositor atingiu e para onde o garage rock de outras épocas o levou. Com a promessa de uma turnê pelo Brasil em 2017 aguardo ansiosamente para vivencia-la ao vivo, em shows.

The Dirty Coal Train“Heat Spike Sputterin”
Sou suspeito para falar desta banda, já que produzi e toquei com eles na Europa e no Brasil neste ano, mas essa faixa do álbum “Super Scum”, lançado em Março pela Groovie Records de Portugal é simplesmente incendiária, tanto em seu registro de estúdio quanto na performance visceral que a Beatriz apresenta-a em apresentações ao vivo.

Zé Menezes (Thrills and The Chase)

Sabotage“Superar”
Coloca o fone, sai andando e dá o play. Vai estar respondido.

Motosierra“Buzo Nuevo”
Motosierra pesado, sujo e dançante, sim.

Ariel Machado (Incesto Andar)

Raça“Garras”
Pra mim o “Saboroso” é o disco do ano absoluto em escala nacional. Todas suas músicas são hinos, acabei elegendo “Garras” entre todas elas levando o ao vivo como critério. Um dos melhores shows que vi no cenário independente nos últimos tempos. Menos de dois minutos de música conseguem representar toda intensidade e pessoalidade desse segundo álbum. Os novos teclados, sintetizadores e outros elementos adotados enfatizam a mudança desde os registros anteriores. Raça é a maior banda de ‘dream emo’ desse país.

DIIV“Mire (Grant’s Song)”
Umas das muitas favoritas do “Is This The Are”, segundo disco da banda lançado em fevereiro. Sou fã desde o “Oshin” (2012), mas fui pescado de vez pelas melodias desse último álbum. A banda de fora que mais ouvi durante o ano. Por baixo dos riffs e coros de microfonia, Mire é guiada pela voz murmurada do Zachary Cole. Como se o Sonic Youth flertasse com o My Bloody Valentine.

Dija Dijones (Loyal Gun, Chabad, Penhasco, O ApátridaSchwarzenbach)

Jonathan Tadeu – “Ninguém Se Importa”
Essa foi difícil. Comecei a acompanhar com mais afinco algumas coisas de música brasileira e rap e muita coisa formidável foi lançada. Howlin’, Sinewave, TranstorninhoDinamite, Bichano e muitos outros selos lançaram muita, mas muita música acima da média. Me vi em inúmeros dilemas na hora de escolher uma única música e, no fim, acabei optando por não ser nepotista ao escolher uma canção de alguma banda da Howlin’ (selo do qual faço parte, mas ainda sim, recomendo os trabalhos que Gomalakka, Chalk Outlines, Blear, Bufalo, Poltergat e In Venus lançaram neste ano) e nem bairrista, escolhendo algo paulista, e “Ninguém Se Importa”, de Jonathan Tadeu acabou sendo a minha escolha. O disco, “Queda Livre”, deveria ser figurinha fácil em qualquer lista de melhores do ano em âmbito independente. As melodias são belíssimas, os arranjos de muito bom gosto e as letras de dilacerar os corações incautos e “Ninguém Se Importa” é dos grandes cartões de visita do rapaz. Jonathan Tadeu é o Lô Borges da nossa geração.

The Hotelier“Goodness Pt. 2”
“Home Is Like Noplace is There”, do The Hotelier, é um dos meus discos favoritos lançados nesta década. “Goodness”, o sucessor dele lançado neste ano, ao meu ver e ouvir, não o iguala em qualidade, mas trouxe essa canção primorosa: “Goodness Pt. 2”. Essa canção deve ter sido a canção internacional que eu mais ouvi neste ano. O que mais fascina nesta composição é sua estrutura: a bateria inicia os trabalhos com ritmo firme e serve de suporte para uma linha vocal que parece uma súplica; logo, uma guitarra, aparentemente dissonante, faz contraponto até que a segunda guitarra e o baixo dão forma à harmonia e, a seguir, a banda vai apresentando variações disso, até voltar para a bateria
pulsante do início. Fico extasiado quando a história de uma música é contada também no arranjo, não apenas na letra. E “Goodness Part. 2” é um excelente exemplar desta ideia de composição.

Raf F. Guimarães (músico, compositor)

Raf F. Guimarães e Amigas de Plástico“A Última Crisálida do Outono Estará Presa em uma Estrela”
Megalomania? ÓBVIO, mas pelo menos eu sou honesto… Acredito que dentro trabalho que eu estou desenvolvendo, esta música tenha tudo para ser um ótimo cartão de visitas, apesar de estar o mais longe possível do conceito de “single”. A dinãmica dela evolui de forma incrível e eu mesmo me espanto
com o que eu consegui fazer em termos de “dinâmica vs. orquestração”…É absurdo o número de pessoas que me abordam dizendo como que foram pegos com um frio no estômago com uma letra tão especificamente particular a mim…enfim, acho que em termos de composição essa canção é uma daquelas que você
escuta e pensa “putaqueopariu, isso está em OUTRO nível de realidade.

Wolvserpent“Aporia:Kãla:Ananta”
Atualmente, o Wolvserpent é uma das poucas bandas que me fazem ainda entender entender música como Arte. Para quem acompanha o trabalho do duo é mais que claro que eles conseguiram ir além do limite que já tinham alcançado. Para mim, este trabalho vai além de qualquer definição de sub-gêneros na música em que o projeto já foi “rotulado”: ele vai além do drone, do doom, do ambient e do extreme metal. Ele me remete diretamente à mesma ruptura que Strauss e vários outros compositores da 2a Escola de Viena estavam
interessados…

Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Pollux & Castor“Bruxa do Mar”
Um ano um tanto quanto apocalíptico e cheio de acontecimentos que levaram muitos a perder um pouco da esperança na humanidade: precisava de uma trilha sonora a altura. “Bruxa do Mar” tem uma atmosfera que te remete ao bandas como The XX e Real Estate mas sem esquecer do pós-rock de grupos como Mogwai e Sigúr Ros. As guitarras te levam para outra atmosfera, talvez para as profundezas do mar onde a bruxa se abriga. E ela vem para te buscar com a força da correnteza. O post-hardcore também mostra a força e a fúria do contraste entre o instrumental quase ambient indo de encontro com as guitarradas violentas e viscerais. É o transbordar do copo cheio… A ambição acaba se tornando uma forte ressaca da tormenta proveniente da desilusão.

The White Lung“Death Weight”
Não é difícil ver o White Lung nas principais listas de fim de ano. Mas eu creio que também pelo discurso firme de empoderamento feminino. Se as Coathangers são uma banda que tem subido em qualidade, eu acredito que a White Lung já chegou lá. Prova disso que a Domino Records ao perceber isto em 2014 integrou elas ao casting. E os temas são diversos, desde brigas dentro do lar com seu parceiro a distúrbios alimentares. É um papo reto de mina para mina. Achei foda.

Amanda Mont’alvão (Sounds Like Us)

Huey“Adeus Flor Morta”
Não vou negar minha parcialidade na escolha de uma música do Huey (risos), mas é que “Adeus Flor Morta” sintetiza, sonoramente, os humores de 2016. Que tempos conturbados, sufocantes e que demandam urgência! Mas a resposta não é a velocidade, mas sim, a possibilidade de pausa e contemplação. E o metal instrumental de “Adeus Flor Morta” tem tudo isso, mostrando como a música tantas vezes representa aquilo que tá engasgado na garganta.

Child Bite“Heretic Generation”
O Child Bite é uma banda de Detroit que conheci pela gravadora americana Joyful Noise, em 2013. “Heretic
Generation”, tirada de um dos melhores álbuns do ano, o “Negative Noise”, traz o desespero servido em doses espalhadas, mas não menos incisivas. Tem peso melódico e percussivo criativamente balanceados, e o disco, como um todo, me remete a um dos discos da vida, o “My War”, do Black Flag.

Vina (Sounds Like Us)

The Pessimists“Podridão Invisível”
O The Pessismists passa a impressão de que eles pegaram os instrumentos como quem pega em armas e despejaram um arsenal de músicas diretas e objetivas com base no punk e pós-punk. “Podridão Invisível” é uma das duas músicas em português do disco e também a que mais se destaca pra mim. Grande música!

Neurosis“Reach”
No mundo foi um ano de muita música boa, mas o Neurosis fez o melhor disco e dentro dele, a música mais incrível de 2016: “Reach”. É uma música que me lembra a vibe do “Eye of the Every Storm” e o “Given to the Rising” que são dois discos que eu gosto muito. Peso, melodia e uma opressão, e pressão, sonora absurdamente linda.

Bruno Agnoletti (Dum Brothers)

Muddy Brothers“Sweet Lover”
Pra mim o “Facing The Sky” é o melhor álbum do ano.

Red Hot Chili Peppers“Dark Necessities”
Os caras vieram com tudo nessa musica e mostraram que ainda são muito bons no que fazem.

Bruno Palma (Chalk Outlines)

Mudhill“Not About Survival”
Já tem um bom tempo que conheço o Zeek. Já admirava e acompanhava o cara desde a época do Shed. E o Mudhill é uma baita banda. “Not About Survival” foi um primeiro aperitivo do álbum de estreia da banda, “Expectations”, e veio com características que sempre me pegam: basicamente bastante guitarra e um refrão pra cantar junto. De quebra, a letra é muito do que a gente passa tocando em banda independente, no
underground. I’ts only about feeling alive. É um verdadeiro hino.

Anohni“Drone Bomb Me”
Anohni é a cantora trans que cantava à frente do Anthony and the Johnsons quando ainda se identificava como Anthony Hegarty. “Drone Bomb Me” traz aquela carga de drama pesadíssima já esperada de Anohni, envolta em camadas e camadas de sintetizadores, que dão um ar de mistério e melancolia à faixa. É uma canção fortíssima.

Bruno Carnovale (Black Cold Bottles)

Abacates Valvulados“O Canto Colapso”
Eu escolhi essa música porque ela foi um ponto de surpresa pra mim esse ano. Depois de um pequeno período de reestruturação, o agora trio são-bernardense mostrou que também sabem equilibrar bem o dinamismo de uma melodia com o peso do efeitos que estão à sua disposição. A parte lírica também orna muito bem com a melodia, e eu acho que isso fez com que eu considerasse essa música a melhor do ano na minha humilde opinião (não foi nem um pouco fácil).

Turtle Giant“Orange Grape”
Essa banda que, originalmente é de São Paulo mas que hoje está baseada em Macau (na China) fez o disco que, de longe, foi o que eu mais ouvi no ano. Um disco quase impecável, com uma delicadeza ímpar e arranjos excepcionais. E desse disco incrível, a minha favorita é “Orange Grape”, que é sublime em sua execução. Desde as notas oitavadas no piano até a bateria extremamente bem executada ganham os ouvidos pela excelência, e com certeza é a minha faixa favorita do ano no que se refere à músicas internacionais (e particularmente, é um orgulho poder escolher uma banda brasileira que se destaca mundialmente falando, não é?)

Claudio Cox (Giallos)

Zefa Véia“Sentimento Carpete”
Sou muito fã desses caras, eles conseguem fazer rock sem nenhuma preocupação estética, saca? Punk, garage, surf, aquela coisa toda! o Felipe é um cronista fudido, melhor banda!

MIA“Borders”
Essa mina é foda, trata de assuntos delicados no meio da mesmice da música pop, só por isso já tem minha audiência, mas vai além… Piro no flow dela, batidão pesado, famoso ranca tampa!

Pedro Gesualdi (Danger City)

FingerFingerrr“Quem te Convidou?”
As bandas de rock mais influentes dos anos 2000 não foram Strokes e Interpol; foram o White Stripes e o Death From Above. Resultado: hoje em dia, tem várias duplas afiadas que botam muita big band no bolso. O melhor exemplo aqui no Brasil é o FingerFingerrr, que em 2016 lançou um puta disco maduro, moderno, bem produzido e cheio de referências perspicazes. ‘Quem te Convidou?’ é minha favorita do álbum porque, mesmo talvez sem perceber, descreve tim-tim por tim-tim estes últimos tempos, quando tantas portas se fecharam e
tantas credenciais foram pedidas.

David Bowie“Blackstar”
A história toda dessa faixa e desse disco é puro 2016. Dramática, épica e cheia de expectativa, precedendo uma profunda sensação de perda. A gente fala brincando, mas pensando bem, não pode ser mera coincidência que este ano tenha começado com a morte de David Bowie. No mínimo, um tremendo agouro. Mas “Blackstar” também traz beleza na serenidade de um homem confortável com a mudança – em última instância, com a morte. Que em 2017 a gente tenha a mesma coragem do Bowie.

Cristina Martins (Abacates Valvulados)

Metá Metá“Três Amigos”
Metá Metá foi uma das grandes descobertas pra mim este ano. Esta música é uma das melhores do último álbum, lançado este ano. A voz da incrível Juçara Marçal me levou a uma viagem que eu ainda não tinha provado. Inspirador.

Dead Pirates – “Mel”
Este é um dos projetos músicas de um dos meus ilustradores favoritos, o Mcbess. Com influência de stoner, as guitarras levam a uma nova experiência mesmo despertando aquela nostalgia, como se a gente já conhecesse aqueles riffs. Mesmo assim surpreendente.

Gabriel Serapicos (Serapicos)

Tatá Aeroplano“Step Psicodélico”
Canção muito divertida. É uma imagem bonita da cena musical paulista. Hit da cena independente.

Radiohead“Burn The Witch”
Volta triunfal de Thom, Johnny e companhia. A letra tem um clima de linchamento que ilustra bem os tempos atuais. Por tempos atuais, quero dizer os últimos 10 mil anos.

Júlia Abrão (Bloodbuzz)

Miami Tiger“Amblose”
Gostei demais do EP do Miami Tiger. As músicas são pesadas e misturam bem demais com a voz doce e brava da Carox. Minha predileta do EP é “Amblose”, que dá nome ao EP. Posso dar uma puxada de sardinha pra mim também? Curti demais o single “Dead People”, da minha banda Bloodbuzz.

Juliette Lewis“Any Way You Want”
Ela é a rainha de lançar coisa sem divulgar direito, fazer show sem avisar, prometer coisa e não lançar… E aí no dia do meu aniversário (11/11) a Juliette Lewis soltou um EP que soa mais como os antigos Licks do que dos seus últimos trampos solo. Future Deep” tem 7 músicas, e minha predileta é a que abre o EP: “Any Way You Want”. Gostinho de “You’re Speaking My Language”.

Ana Malta (Porta Maldita)

O Terno“O Orgulho e o Perdão”
É foda mas os caras realmente surpreendem e quase nunca deixam a desejar. De longe, para mim, esse foi o melhor albúm d’ O Terno. Conta a história de uma vida inteira, passado, presente, futuro. Amores, desamores e sonhos. Foi difícil escolher uma música só, porque realmente me identifico com quase todas. O critério que usei para desempatar foi a inovação. Por isso acho que fico com “O Orgulho e O Perdão”. Porque os meninos se arriscam. Fizeram um samba à lá rock psicodélico que deu muitíssimo certo, o resultado ficou fino demais.

Jeff the Brotherhood“Portugal”
Sou fãzona de Jeff the Brotherhood. Os cara estão no corre da cena desde 2005 mas ficaram mais conhecidinhos de uns 3 anos pra cá. Porque essa música? Porque além dos irmãos Orral fazerem um som punk/psicodélico/rock da pesada, que apesar de ser na maior parte das vezes uma cacetada, eles conseguem
trazer também profundidade, originalidade e uma densidade muito característica. Soa bem aos ouvidos mas bate igualmente forte no peito. Acho que nesse álbum, essa música representa bem essa faceta. A faixa “Ox”, 7 do albúm, é uma das preferidas também. Pois é carregada de sentimentos e com certeza é a aposta sonora mais diferente e tranquila que a banda já fez.

Gil Luiz Mendes (FreakMarket)

Dorival“Academia da Berlinda”
Música do último disco da banda pernambucana de ritmos latinos. A canção que conta da relação de um pescador com a mulher que quer que ele deixe o trabalho no mar, foi uma homenagem aos 100 anos de Dorival Caymmi, comemorado em 2015. A faixa ainda conta com a participação de Lula Louise, filha de Chico Science.

Lake Street Dive – “Mistakes”
Além de ter a melhor cantora da atualidade, a banda lançou esse ano um álbum sensacional que une R&B, Disco, Jazz, Pop… Essa faixa é uma das mais melancólicas e graciosas do disco. Climinha intimista clássico.

Flavio Juliano (FingerFingerrr)

André Whoong“12 Milhões”
O André lançou seu segundo disco, ‘Justo Agora’, em dezembro, nos finalmentes do ano, e a música ’12 Milhões’ e seu riff não saem da minha cabeça. Sabe nas horas vagas do pensamento? Então, ela tá lá. Sinal de que é uma puta música e em 2017 vai ser “12 Bilhões”.

DJ Shadow ft. Run The Jewels“Nobody Speak”
Tirando as do disco do Kanye, a música que mais ouvi esse ano talvez tenha sido ‘Nobody Speak’, do DJ Shadow com Run the Jewels. Pelo menos ela tá sempre nos ícones da primiera fila toda vez que abro o YouTube. É um sinal então. Acho que ela deu um chute na bunda do rap mainstream, que precisa de vez
em quando, e acertou umas contas.

Bijou Monteiro (jornalista/produtora)

Guaiamum“Convenience”
A justificativa é a seguinte: o disco homônimo de Guaiamum levou dez anos inteiros para ser concebido e esse preciosismo aparece de cara nas canções. Encorpadas pelas raízes de Daniel Ribeiro no post-rock, as faixas têm baterias caudalosas por terem sido pensadas por um guitarrista e isso faz muita, muita diferença nos palcos. A proposta dele é de um folk personalíssimo, em que as fusões estilísticas (post-rock, prog por aí vai) criam o requinte sonoro do disco.

D’Alva“Mas Só Se Quiseres”
Sabe música com som de maresia, sorriso, gente feliz, frescobol e uma nostalgia boa? Pois bem. Assim é o duo
português D’alva. Conheci o som deles em 2013 (álbum autoral que recomendo muitíssimo) e esse ano os meninos voltaram com um single divertido e despretensioso. Leve, gostoso de ouvir e de dançar. Nostálgico porque escutar D’alva é meio que se ver nos anos 80, com polainas, meias de lurex e walkman Aiwa
no ouvido. É ver mil referências dançantes do passado honradas em um pós-moderno tranquilo. Que não quer ser nada além de ele mesmo. E é justamente por isso que a hashtag do duo é #somosdalva

Lucas Baranyi (GQ Brasil)

Emicida“Mandume”
A letra é incrível, a produção é gigante e tudo isso foi coroado com um clipe fantástico lançado ainda nesta semana, mas o que realmente chama a atenção é o time que o Emicida levou pra gravar com ele. Não só pelo talento de todo mundo, mas por deixar bem claro que o rap é miscigenado, tem espaço pra branco, pra negro, pra mulher e pra gay. “Mandume”, pra mim, coroa ele como o melhor rapper brasileiro da atualidade.

Chance The Rapper“No Problem”
O Chance the Rapper que é, pra mim, o maior destaque internacional de 2016. Ele finalmente explodiu pro mundo com essa mixtape (“Coloring Book”) e assumiu uma posição de extremo destaque neste ano. Se Kanye West tá surtando e o Kendrick Lamar já está com a coroa de atual rei do hip hop gringo, o Chance é o filho pródigo do gênero – e todo mundo está esperando por mais coisas brilhantes dele.

Elson Barbosa (Herod)

Macaco Bong“Baião de Stoner”
Tenho uma historinha particular com essa música: assisti ao show do Macaco Bong no Z Carniceria quando eles tocaram o novo disco na íntegra, antes mesmo de ser gravado. Nenhuma música tinha título ainda. Essa foi uma das que mais me chamaram a atenção, justamente por ser uma mistura inusitada de influências regionais com stoner rock. No dia seguinte, comentando no Facebook sobre o show, falei que a minha
favorita era uma espécie de “baião com stoner”. A banda leu o post, e batizou a música dessa forma. Maior honra ter feito parte dessa história.

Swans“The Glowing Man”
Quase 30 minutos de caos. “The Glowing Man” é a faixa-título do novo álbum do Swans – o último da formação atual da banda. Tive o privilégio de vê-los ao vivo ano passado tocando faixas desse disco em primeira mão, e fecharam o show com esse monumento à cacofonia e à catarse. Não se sabe qual vai ser o próximo capítulo da banda, mas estão encerrando o atual de forma monstruosa.

Fernanda Gamarano (Der Baum)

Jonnata Doll e Os Garotos Solventes“Swing de Fogo”
Eu escolhi essa como melhor nacional porque tive o prazer de conhecê-los e tocar por um dia com eles esse som! Tem participação do Dado Villa Lobos do Legião Urbana, e tem uma sonoridade que remete os anos 80-90 mas sem soar clichê! Os caras são muito bons! Recomendo!

White Lies“Big TV”
Conheci essa banda esse ano pelo Cesar Neves, tem um clima anos 80 a la Tears for Fears, banda nova muito boa e essa faixa é minha favorita!

Raphael Fernandes (Editora Draco)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Crocodilo”
Quem viu ao vivo, sabe que o Doll e seus Solventes são uma banda explosiva. De todo seu repertório atual, minha favorita é essa maluquice que rima Nilo com crocodilo e mamilo. Certamente, a banda mais punk da cena atual!

Truckfighters“Desert Cruise (Live)”
A música não é deste ano, mas o Truckfighters lançou um verdadeiro trator em forma de disco ao vivo com “Live in London”. Essa porrada sonora tem que acertar o máximo de orelhas que puder. A música nasceu de novo com essa versão!

Valciãn Calixto (Cantor e compositor)

Céu“A Nave Vai”
Não curto tanto os trabalhos anteriores da Céu, todavia durante muitas noites esse ano eu me vi ouvindo essa música antes de dormir. De alguma forma ela me deixa bem sereno. Vale acrescentar que esse disco todo da Céu é muito bem produzido, os timbres foram bem escolhidos e usados, nada sobra ou falta nos arranjos e nessa música em especial, sintetizadores e guitarras conversam muito bem. Claro que o disco dela é dos melhores de 2016, do disco eu fico com essa música.

Lady Gaga“Dancin’ In Circles”
Vou colocar essa aqui porque vindo de mim seria muito improvável. O fato é que tem pouco tempo comecei a me ligar mais nas artistas pop e nesse sentido poderia ter colocado a Rihanna aqui também, mas vou ficar com essa da Gaga porque sinto na música uma coisa bem latina no ritmo, tem um pouco do ragga, eu acho, até mesmo na harmonia. A batida tá bem na cara também junto com a voz, essa proximidade com a música latina foi o que me despertou os ouvidos assim que a canção tocou para mim na primeira vez. Esse ano fui até num evento que só rolou especial Lady Gaga a noite toda aqui em Teresina. Foi loucura!

Milton Rock (Drenna)

Drenna“Desconectar”
Além de ter uma ótima gravação toda feita no estúdio Toca do Bandido e mixado em Nova York por Aaron Bastineli, potencializando o som da faixa e deixando lado a lado de bandas do mainstream nacional no quesito técnico, a música aborda um tema super atual que é o fato de todos estarem conectados 24 por dia e quanto isso vale realmente. Quanto isso nos faz perder momentos únicos que vão ficar registrados em celulares mas não mais em nossas memorias? A questão da música fica ao redor de quanto custa desconectar.

Eruca Sativa“Antes Que Vuelva a Caer”
Essa música é foda, conta uma historia real, tem um puta peso e consegue ser pop com um refrãozão lindo. Mix e master tudo no lugar. Acho que é uma das grandes bandas de nossa epoca, pouco reconhecida aqui no Brasil.

Jairo Fajer (Autoramas)

Emicaeli“Varanda Gorfê”
Experimental, foda, minha banda preferida, tem 20 anos e pouca gente conhece. Original e feito como punk deve ser, pelos próprios braços.

The Twist Connection“Nite Shift”
Conheci em prtugal na tour com Autoramas, demais! Banda novissima.

Bruna Dourado (Hey, Take a Listen)

O Terno“Culpa”
É a minha música preferida de 2016. A melodia é sensacional e sai do lugar comum do rock alternativo nacional. A letra não poderia expressar melhor um sentimento que todos temos hora ou outra. A banda é um dos destaques do estilo e mostra que ainda podemos esperar muita coisa boa vinda de terras brasileiras.

Garbage“Blackout”
A faixa está no segundo disco em 10 anos da banda e mostra que eles estão em forma, voltando às origens sem deixar de lado a novidade. A música é incisiva e forte, mas carrega a doçura que a vocalista Shirley Manson consegue imprimir, apesar da imagem imponente.

Matheus Pinheiro (Cigana)

Carne Doce“Artemísia”
Essa música é muito forte em todos os sentidos…a sua letra e sua importância e relevância para tantas questões do “nosso hoje”, seu instrumental, dinâmico, delicado e inspiradíssimo… Essa é uma daquelas raras músicas que te conquistam, te agarram e fazem pensar muito logo na primeira ouvida…

Bones“FAT”
Descobri a Bones pelo disco novo do Jeff Beck, “Loud Hailer”, que pra mim é um dos melhores do ano. A Bones é uma dupla britânica, formada por uma baita de uma guitarrista (Carmen Vanderberg) e uma vocalista muito foda (Rosie Bones). Elas são a banda (e a voz) durante todo esse álbum do Jeff Beck, e escreveram todo o material junto com ele. Fui pesquisar mais sobre elas e descobri suas músicas, que apesar de poucas, são simplesmente animais, com uma pegada incrível.

Punk Mello (King Chong)

Tássia Reis“Ouça-Me”
Para mim o som nacional mais foda de 2016, foi a segunda faixa do CD “Outra Espera” da Tássia Reis a música “Ouça-me Remix” com produção de Dia & Grou, esse som é muito potente, vem para escancarar as portas, em um tom bem agressivo a Tássia da voz e visibilidade as minas negras que fazem um rap foda, e muitas vezes não conseguem atingir sua potencia máxima por conta do machismo, racismo e outros tipos de preconceito que o mundo da musica carrega em si! A música é inspiração total e uma overdose de animo para qualquer pessoa, quando ela começa a cantar e põe os pingos nos ‘i’ parece que a mensagem vai entrando na nossa cabeça de uma maneira bem positiva, faz a gente pensar em como consumimos a musica feita por mulheres por exemplo e como é importante um rap como esse tá circulando bastante por ai! Máximo respeito à Tássia Reis e sua banca que vem quebrando a banca de muito MC de plástico que temos por ai!

Noga Erez“Dance White You Shoot”
Para mim a melhor música do ano foi a “Dance While You Shoot”, da cantora e produtora Noga Erez, uma israelense muito talentosa que vem roubando a cena com seu som eletrônico, psicadélico, o som é animal , o beat é envolvente e bem produzido, tive o prazer de ver seu show de perto aqui no interior de São Paulo e sua performance ao vivo é muito boa, ela tá chegando com tudo, já participou de vários festivais fodas, inclusive do Primavera Sound, e aqui no Brasil participou do Boulevard Olímpico. Ela está atingindo um nível muito alto em suas produções. O clipe dessa musica é animal, mostra toda sua potência e o que me chama mais atenção nela é que ela já está circulando bastante e ainda não lançou nenhum álbum tem várias musicas ‘perdidas’ pelo net só, o que faz eu achar ela ainda mais foda!

Renato AC (Produtor, Diretor e Arroz-da-Balada 019)

Motor City Madness“Gravediggers”
Essa rapaziada do sul fez o melhor show ao vivo de 2016, além do clipe dessa música, com uma pegada doida de filme B de zumbi podre. Paulada na orelha !

Skating Polly“Pretective Boy”
Foi a banda nova que me fez pirar! São duas irmãs de Oklahoma que misturam todas as melhores influencias musicais de estéticas e atitude 90´s, sem ser só mais uma bandinha de internet. O clipe dessa música é muito bem produzido, e se inicia com melodias dançantes e vocais suaves da jovem vocalista, que gradativamente se torna em distorção e gritaria.

Gabriel Muchon (Poltergat)

Mudhill“Not About Survival”
Nem é o tipo de som que ouço mais, mas esse disco novo deles tá um primor. Muito bem gravado, mixado, masterizado… Enfim. Melhor disco de 2016 (by far), com a melhor música de 2016 na minha opinião!

Cabbage“Uber Capitalist Death Trade”
Vou na musica que mais me marcou nas ultimas semanas. Pra variar, banda de Manchester.

Jimmy Olden (Blind Beggars)

Molodoys“Quebra Arcos”
Eu sou louco por rock setentista e progressivo, essa música instrumental tem todos os elementos necessários: solo pirado de sintetizador, guitarras psicodélicas, baixo marchando e bateria jazzística.

Marillion“The Leavers”
Eu estava esperando algo novo dessa banda há muito tempo, o último lançamento foi o “Sounds That Can’t Be Made” de 2012 e é incrível como eles mexem nas entranhas dos sentimentos com as suítes deles. Eu sou louco por essa banda.

Leo Fazio (Molodoys)

Pedro Pastoriz“Revelações”
Vou escolher a música “Revelações”, quarta faixa do disco novo do Pedro Pastoriz, “Projeções”, inovador em vários aspectos e com composições muito boas e bem trabalhadas, é um dos melhores disco do ano pra mim. Sobre a faixa, escolhi a Revelações porque foi uma das que eu menos dei atenção na primeira ouvida, mas depois ela me pegou de jeito, gosto muito do peso que ela carrega em algumas partes, sem falar que as nuances e as melodias são muito bonitas.

Blank Banshee“My Machine”
Internacional eu escolho a “My Machine”, segunda faixa do terceiro disco do Blank Banshee, “MEGA”. Senti uma estranheza enorme (mas no bom sentido) quando ouvi ela da primeira vez, me passou um sentimento enorme de catarse e euforia. Acho o Blank Banshee um dos melhores projetos na ativa atualmente, recomendo demais.

Thiago Ones (Wiseman)

Sabotage “País da Fome, Humanos Animais”
É díficil (pra mim) conseguir lembrar de algum artista falecido que tenha deixado material póstumo tão relevante
quanto o que ele tenha lançado em vida. Normalmente são sobras de estúdio, gravações pessoais e coisas do tipo. Pois é, O mano Sabota conseguiu. Óbvio que o play contou com uma galera da pesada na produção, mas isso não diminui em nada o brilho e genialidade do saudoso Maurinho. “País da Fome (Humanos Animais)” começa com uma locução de rádio/TB Contando a morte do protagonista. A letra é simples: O dia-a-dia de quem viveu todas as dificuldades da pobreza extrema. É o cotidiano da miséria que gera conflitos, sofrimentos e
que acaba mostrando o caminho do crime. É a narração genuína de uma pessoa que VIVEU isso e não de alguém que tenta “pagar de favela” pra ser “COOL” malandrão! Como diz o som: “Boatos são boatos, Quem vive é guerreiro”!

Descendents“Without Love”
A música começa com “Long years waiting for it/Longos anos esperando por isso”, e foram longos anos esperando pelo show deles, né? Talvez esta nem seja a “melhor música de 2016” pra mim, mas é uma das melhores do play novo dos veteranos e foram longos anos esperando a chance de vê-los ao vivo. Esse
som é daqueles com refrão que você sai assoviando por aí, é punk rock, pop punk, hardcore melódico, chame como quiser. Descendents é clássico e ponto.

Helder Sampedro (RockALT)

Second Come“Oppenheimer Regret”
Mais de 22 anos após seu último trabalho, uma das bandas mais influentes do underground brasileiro voltou à ativa com o single “Oppenheimer Regret”. Os riffs que embalaram a geração grunge brasileira dos anos 90, a sonoridade que remete a grandes nomes da cena gringa tudo volta em grande estilo no novo trabalho dos, agora veteranos, músicos do Second Come. A música mostra porque a banda ganhou um ar mítico na cena
brasileira e nos deixa ansiosos por mais trabalhos, esperamos que Francisco Kraus e companhia sigam essa linha em um futuro e esperadíssimo álbum.

Iggy Pop“Sunday”
Se teve uma música que eu ouvi sem parar nesse ano certamente foi “Sunday”. O triunfo desse single do álbum mais recente de uma das últimas lendas vivas do autêntico rock alternativo é ser ao mesmo tempo chiclete e um “anti-single” que foge de qualquer clichê que uma canção feita pra “estourar” nas rádios teria. O hit coringa meio que se encaixa bem em qualquer hora do dia, refletindo o humor de quem ouve, dá pra bater o pezinho, dá pra arriscar uns passos de dança, ou apenas curtir as sacadas da letra que retratam um certo marasmo ou cansaço da repetição da vida cotidiana. Uma das melhores músicas de um ano que teve belos trabalhos de artistas consagrados, uma excelente maneira de curtir e celebrar a carreira daqueles que ainda estão com a gente
nessa histeria coletiva que a vida se tornou.

Emmily Barreto (Far From Alaska)

Inky“Skinned Alive”
O Inky é tão bom que a pessoa acha que não pode melhorar, aí eles lançam um álbum novo e o queixo cai do rosto de tão maravilhoso. Essa música me faz sentir uma sensação muito boa todas as vezes que eu ouço, não importa quantas vezes. O sintetizador é tipo uma luz que abduz a gente (risos).

Warpaint“Whiteout”
Não tenho como explicar o porque dessa, sério, só ouvindo e sentindo. Essas minas são surreais e as melodias nas vozes são muito muito muito muito boas. Eu trocaria o FFA pra tocar no Warpaint (risos)

Camilla Merlot (Molodoys)

Murilo Sá e Grande Elenco“Mundo Impressionista”
Nacional é a “Mundo Impressionista” do Murilo Sá e Grande Elenco, que é uma baita musica, cheia de arranjos doidos e frenéticos. Gosto muito das nuances eletrônicas dessa musica e dos arranjos de sax.

La Femme“Sphynx”
Internacional do La Femme, uma banda francesa bem grandinha até que lançou o disco 1 dia depois da Molodoys, a pegada deles é mais eletrônica, mas também é cheio de nuances e arranjos fodas, todas as musicas do disco novo são incríveis, mas escolhi a “Sphynx” que é a faixa de abertura, porque ela traz um bom equilíbrio entre o eletrônico e o orgânico, que eu senti muita falta em outras bandas nesses últimos tempos e pela melodia do vocal, que eu morro de amores!

Amanda Ramalho (Chá das 4 e 20 Músicas)

Medulla “Fim da Estrada”
Porque passa uma coisa maravilhosa. Eles imitam criancas no coro. A letra é simples e adorável.

Alicia Keys“Work On It”
Delícia de disco. Eu gostei dessa repaginada dela porque ela se desenfeitou fisicamente e deixou a música dela mais próxima da música que eu gosto. Leve, fluida as vezes pesada, mas essa música passa o mesmo que a anterior do Medulla.

Ian (Der Baum)

Jonnata Dolls e Os Garotos Solventes“Swing de Fogo”
A faixa que abre o álbum “Crocodilo” lançado esse ano e tem participação de Dado Villa-Lobos. Curto muito a pegada oitentista e obvio os climas de new wave dos teclados. Para mim uma das revelações desse ano no cenário nacional vale a pena conhecer todo o trabalho da banda de Fortaleza.

White Lies“Take It Out On Me”
A banda Inglesa que é de 2007 e eu acabei conhecendo tardiamente mas pude acompanhar o lançamento do quarto álbum chamado “Friends”. Curto muito a pegada das guitarras no fundo e os climinhas de teclado e lógico a batera com pegada de som de sessão da tarde.

Millena Kreutzfeld (Os Garotos de Liverpool)

FingerFingerrr“X”
Os paulistanos lançaram o primeiro CD este ano, chamado “MAR”. Não tinha dúvidas que o CD seria uma grata surpresa, mas mesmo assim fiquei assustada com a qualidade. A escolhida é “X”, que segundo Cifas (baterista), foi criada espontaneamente na gravação. Gosto como a letra conta uma história, a sensação de robôs cantando graças aos sintetizadores e como a voz da Luiza Lian explode, dando o toque feminino na música fazendo total diferença. Com certeza é uma das favoritas do play do ano.

Hanni El Khatib “Gonna Die Alone”
A escolha internacional são os queridos de Los Angeles, Hanni El Khatib. Os conheci através de Bass Drum Of Death, já que o selo deles é o mesmo. O projeto da banda esse ano foi lançar 5 EP’s chamados “Savage TImes Vol. 1”, “2”, “3” e assim respectivamente. De todas músicas, “Gonna Die Alone”, presente no primeiro EP é a minha favorita. Gosto como eles brincaram com o próprio estilo deles – que difere um pouco do dois primeiros CDs. Além disso, o ritmo otimista é o contraste perfeito com a letra que conta com um destino fatal. “I’m gonna die alone, really alone. If the ones that hate me don’t kill me first, the ones that love me gonna harm me worse.”

Yannick ou AfroSamurai (rapper)

Vivendo do Ócio“Batalha do Sono”
É uma musica que fala sobre as inspirações noturnas. Cheia de metáforas sobre a vida, sobre o amor, sonhos e as sensações da noite.

Ho99o9“Da Blue Nigga from Hell Boy”
Gosto de músicas estranhas que me chocam e que perturbam minha mente.

Mariana Ceriani (Dead Parrot)

Carne Doce“Artemísia”
“Artemísia” fala de um tema que voltou a ser palco de discussão recentemente: o aborto. Falar desse tema em uma música não é tarefa fácil, então só por isso já é louvável. A letra direta, o arranjo emocional das cordas e a voz da excelente cantora Salma Jô, que começa mansa, mas vai crescendo e tomando força, como se quisesse falar para o mundo de peito aberto sua escolha, se complementam nessa baita música. É o tipo de música que mexe com o emocional.

David Bowie“Lazarus”
Não poderia deixar de escolher uma música do melhor CD do ano, “Black Star”, em minha opinião. A música ”Lazarus” foi o último single de Bowie antes de morrer. Todo contexto é fascinante, como se fosse o grand finale da carreira e da vida dele. Na música, Bowie relembra alguns momentos da sua vida e sua voz transmite o pesar de ter que ir embora, mas, no final, abraça o alívio de ir e, finalmente, ser livre. A atmosfera melancólica, introduzida com graves bem definidos, o tom ‘jazzístico” e a guitarra ‘indie’ da introdução transmitem o que foi esse grande ídolo da música e da cultura pop: um músico que quebrou paradigmas, misturou estilos e nunca teve medo de ousar.

Dudx Babaloo (A Coisa Toda)

Davis feat. Cameo Culture“Blind”
Davis é um dos produtores mais refinados que o Brasil tem atualmente. À frente da festa ODD e do selo In Their Feelings, ele conseguiu criar um público específico juntamente com seus parceiros de selo e festa, esse ano ele lançou “Blind” e cativou mais ainda esse público com uma proposta sonora sofisticada e leve. Lançado pela Innervision, um dos mais respeitados selos de música eletrônica, ‘Blind’ é um single que nos fez ver o quanto o país tem a oferecer para o mercado da música.

Metronomy“Night Owl”
Após um festival de emoções que foi ‘Love Letters’, Metronomy retornou um pouco mais sóbrio e também melancólico em 2016. A banda sempre manteve esse equilíbrio entre um som animado mas que sempre toca na nossa tristeza interior, algo difícil de atingir. Esse sentimento dúbio, que está nas entrelinhas, faz com que a gente sinta e se comunique com a banda de maneira especial. É como nesse video, um passeio com a morte,
sem ter medo dela.

Priscila de Castro Faria (Winteryard)

BRVNKS“Freedom Is Just A Name”
Descobri há pouco o Brvnks e gostei. Me soou despretensioso, bem feito e me remeteu aquela brisa boa de bandas ensolaradas tipo Alvvays e Best Coast, só que um pouco mais “roqueiro”. Do EP acho que “Freedom is just a name” realmente ganha destaque. Ela me fez querer ouvir mais e , principalmente, ir em um show, ouvir ao vivo, dar uma dançada…

Angel Olsen“Sister”
Já era uma grande fã da Angel Olsen desde o álbum anterior (“Burn Your Fire for No Witness”) e então, quando ela lançou o “My Woman” ,fui bem empolgada ouvir o novo material. E ele realmente superou minhas expectativas. É um álbum bem revigorante, direto, onde conheci um outro lado da cantora mas também a reconheci em vários momentos. Minha música favorita é “Sister”, talvez por eu ter uma certa tendência a
gostar de músicas mais melódicas e sonoramente tristes (risos), mas certamente também é pelos maravilhosos últimos minutos onde se desenrola um desajeitado e barulhento solo de guitarra, que nos fazem relembrar o que há de mais sincero no espirito do indie/grunge.

Artie Oliveira (Don Ramón)

Huaska“Pode”
Tem uma pá de banda que lançou material novo este ano (eu me incluo nessa com o Don Ramón), mas se é pra escolher alguma que realmente me causou impacto, eu fico com a primeira música do disco novo do Huaska. Por quê? Porque eu achei extremamente válido da parte deles, que ganharam notoriedade de fundir Bossa Nova ao Nu Metal, gravar uma faixa que não tem nenhum elemento que caracterizou o disco anterior e ao mesmo tempo, retoma o tipo de som que se fazia no começo da banda, no caso, do EP “Mimosa Hostilis”.

Descendents “Without Love”
É mais pela questão emocional mesmo. Todo mundo tava esperando esse disco sair depois de um intervalo de doze anos do “Cool to be You” e ainda mais, pelos shows (maravilhosos) que rolaram no começo do mês. Eu estava lá e garanto: foi uma das raras vezes que uma banda das antigas tocou material novo e as músicas estavam na ponta da língua da galera MESMO! Fora que, é um dos melhores refrões do Descendents até hoje e ver os quatro ao vivo depois de anos de espera, vale a pena pra caralho!

Fernando Tucori (R7)

Mescalines“Serpente de Bronze”
O disco homônimo lançado pelo duo Mescalines em 2016 foi a melhor coisa que arrumei para andar na rua, para escrever sem freio e para botar pensamentos pra rolar. Parece nada, mas é absolutamente tudo. O destaque, apenas por primeiro impacto, vai para a faixa de abertura, “Serpente de Bronze”.

AJJ“Junkie Church”
Definitivamente rebatizados como AJJ, o Andrew Jackson Jihad reescreveu a Bíblia em 2016 e, se tem um disco que resume o refluxo azedo que voltou queimando a garganta neste ano, é este. Sean Bonnette, vocalista e letrista, amadureceu de um punk que odiava o mundo pra um cara que tenta entender a própria cabeça. Fico com “Junkie Church”, que é daquelas músicas que têm o poder de mudar teu dia se te pegar do jeito certo, no lugar certo e com o tipo divagante de raciocínio.

Victória Zav (Serapicos)

Marina Melo“Laura”
Nacional eu acredito que seja a música Laura, da Marina Melo, porque fala sobre os abusos que as mulheres sofrem e claramente 2016 teve muita discussão sobre isso e muitos avanços e retrocessos ao mesmo tempo no que diz respeito a igualdade de gênero, só movimento feminista.

Alev Lenz“Fall Into Me”
Internacional eu diria que foi a música “Fall Into Me”, da Alev Lenz, porque essa composição dela é simples mas ao mesmo tempo engenhosa e bem produzidaça, além de que ela conseguiu ir pra trilha sonora de Black Mirror, no último episódio da terceira temporada, o dias abelhas.

Mariô Onofre (Mescalines)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Crocodilo”
Jonnata Doll é um multi artista e essa junção com os Garotos Solventes é incrível guitarras frenéticas, palhetadas e riffs que não ouvia faz tempo nessa onda bunda mole que está por aí, não sei se bunda mole é a palavra certa, bom que se foda. Os shows ao vivos do Jonnata Doll e Os Garotos Solventes é pura energia realmente é contagiante todo mundo que assiste ou fica chocado ou entra na onda. Recentemente eles lançaram o álbum “Crocodilo” ao qual estou escutando agora. Façam o mesmo:

Cavernoso Viñon“Ouvre la Gorge”
A banda Independe Internacional eu escolhi o Cavernoso Viñon onde a vocalista é uma paraguaia que canta em francês e seus músicos brasileiros da cidade de Curitiba, a noticia da volta deles recentemente foi uma grande surpresa pra mim e espero que a banda não acabe tão cedo, anseio por disco novo em 2017.

Amanda Abreu (Seis Músicas)

LAY“Chapei”
Na real, é muito recente essa minha decisão. Vi uma série de reportagens da ID MAGAZINE com a Grace Neutral e ela foi entrevistar a Lay, eu ainda não conhecia a Lay e fui pesquisar, achei foda e achei no spotify, que entrou recentemente. Então, uma artista independente pra mim, a melhor música é essa.

Tinashe “Cold Water”
A Tinashe tem uma música chamada “Cold Water” que eu acho foda. E ela foi uma que eu escutei muito em 2016, ela em si é uma mina muito forte, que tá começando e estourando o R&B vibes sexys e eu gosto muito. Esse álbum dela é sexy, e eu escuto sempre que posso pra me sentir assim também, então escolho essas pra internacional.

Mariana Cantini (Don’t Mind The Fuzz)

Fernando Maranho“Jodorowsky”
Sou meio suspeita pra falar, como grande fã de Cérebro Eletrônico… Esse é projeto solo do Fernando Maranho (voz e guitarra), acompanhado pelo Renato Cortez no baixo e Gustavo Souza na bateria. O show é uma experiência alucinante, cósmica e que me deixou com um sorriso quase infantil no rosto por mais umas 2 horas depois do show terminar. Super recomendo!

Ty Segall“Candy Sam”
É foda acompanhar os mil projetos dessa maquininha, mas acho que esse é o meu favorito. A performance ao vivo no KEXP é incrível e o Ty Segall como front man bebê babão é maravilhosa!

Jéssica Liar (Youtuber)

Quatro Negro“Benedito, 682”
Eu não gosto de musicas melancólicas mas me pego ouvindo essa música do Quarto Negro durante horas seguidas e acredito que seja porque me trazem memórias que eu nunca construí. A letra consegue transportar você pra a aquela situação, é quase que viver um clipe só ouvindo e nem é preciso estar triste para prestar atenção. É surreal como essa música entra no cérebro e deixa pensativa. Não recomendo ouvir pra dormir porque é insônia na certa, mas devo dizer que to escrevendo sobre ela enquanto deitada na cama tentando dormir pois vale a insônia. Música foda é aquela que mexe com os seus sentimentos até esquecidos!

Stephen“Fly Down”
Piano, bateria, guitarra, sintetizador, teclado, voz , ritmos lentos e mais agitados e conseguir uma música foda? Stephen faz isso em praticamente todas as suas músicas do álbum “Sincerely”. A música “Fly Down” eu acho que passei pelo menos uma semana ouvindo só ela, e mais nada. Depois eu voltei pro álbum inteiro do Stephen. Música come pelas beiradas e vai dominando sua atenção, se transforma em algo que você menos
espera a cada minuto que passa e te surpreende. É boa pra ouvir em qualquer momento, em casa tomando vinho, andar de skate, uma road trip e até pra transar.

Bá Monteiro (cantora e compositora)

Atlântico Lunar“Bilhão”
A dupla carioca Felipe Vellozo e Gabriel Luz fez um dos discos mais bonitos que eu já ouvi na vida. Eles tocam na banda da Mahmundi também (que é MARA). Quando ouvi esse disco pela primeira vez, fiquei tão surpresa que parei tudo que estava fazendo para prestar atenção na música. Ela me acalma e me deixa feliz. É lindo demais. O disco inteiro é maravilhoso, letras boas, instrumental rico. Mas a faixa de abertura é minha preferida e já te faz mergulhar nessa onda de good vibes e tranquilidade. Como passar uma tarde relaxante na praia no Rio de Janeiro, mas sem a breguice hippie de aplaudir o pôr do sol. É bonito e classudo. A música mais gostosa do ano! E uma das melhores surpresas que eu tive com música esse ano, também. Vi os caras ao vivo recentemente e o show não decepciona. Eles são felizões no palco, parecem super gente boa, empolgados e relaxados, bem na pegada solar da música. Merecem muito estar em uma lista de melhores do ano.

Jamie T “Tescoland”
O Clash é minha banda preferida da vida e “Tescoland”, do também londrino Jamie T, é a música que mais me lembra o Clash que eu já ouvi! Nenhum outro artista trouxe o som da Only Band That Matters de volta à vida de forma tão forte quanto ele. Joe Strummer ficaria orgulhoso. Essa faixa é muito semelhante sonoramente e também tem uma letra de crítica social com sotaque forte inglês que lembra muito o quarteto punk – e, principalmente, Joe Strummer. A letra fala de suicídio, desilusão amorosa, desesperança, crise econômica, aquela sensação de ansiedade, pânico e depressão de se sentir desajustado em uma sociedade cada vez mais
maluca e em um mundo que parece cada vez menor. Tesco é a maior rede de supermercados do Reino Unido, aliás. Daí o nome “Tescolândia”. Atualmente o Jamie T não é mais tão independente, ele assinou com a Virgin, mas possui um selo próprio e tem um som bem alternativo e ainda não vi ninguém no Brasil falando dele – apesar de ele já ter quase 10 anos de carreira, já estar relativamente famoso no Reino Unido e da BBC tocar suas músicas sem parar. Essa música é boa demais e merece ser divulgada por aqui. “OUVÃO!”

Victor José (Antiprisma)

Alambradas“Mapa dos Arredores”
Essa faixa do EP “Clíclica” já me chamou atenção antes de ser gravada. Nicole já havia lançado uma session tocando essa, só com piano. Mas na versão definitiva me chamou atenção a levadinha, que por algum motivo me lembrou logo de cara aquelas canções do Beach Boys. Sem contar a letra, que é muito honesta, verdadeira. Ouço frequentemente. Vale também destacar a participação do Victor e do Lucas do Bratislava no baixo e na bateria, respectivamente. Ficou uma vibe bem pop, mas um pop redondo e que não enjoa.

Charles Bradley“Nobody But You”
Poderia escolher qualquer uma do álbum “Changes” que ainda assim seria mais que justo. O que falar de uma voz como aquela? É um tipo de som que não tem erro. Pra quem gosta de soul das antigas então, nem se fala. Mas no caso dessa música, além do feeling de Bradley, o arranjo é uma maravilha. Aquela guitarrinha com tremolo, o naipe de metais… Tudo muito bom.

Elisa Oieno (Antiprisma)

Ale Sater“Filha do Dino”
Difícil escolher uma faixa do EP “Japão”, do Ale Sater. Escolhi a “Filha do Dino” e sua viola caipira. A melodia e letra lembram aquele som de raíz brasileira nordestina e sertaneja, e a guitarra ‘etérea’, que permeia por todo o EP, dando aquela ‘vibe’ meio melancólica. “Bão” demais.

Slowcoaches“54”

Eu conheci esta banda recentemente, e me pegou logo de cara. Slowcoaches é um trio de Londres com um som diretão e alto de pegada punk tradicional, ‘garageira’. Eles acertam na mosca em melodias junto com timbres e pesados e barulhentos, como nessa música ‘54’, um belo exemplo de noise pop. Essa faixa
está no EP “Nothing Gives”, que foi lançado este mês.

Roberta Artiolli (SETI)

Tagore“Mudo”
Gosto dos synths, dos timbres e da produção foda! Acho a canção uma bela representante do psicodélico Brazuca, alto nível.

Phoebe Sinclair “This Isn’t Love”
A música da inglesa que conheci esse ano é um mix de belezas. Melodia poderosa, atmosfera envolvente, levados por uma voz deliciosa. Adoro a dinâmica da música. Ah, e o clipe também me hipnotiza. Fuck yeah, Phoebe!

General Sade (Porno Massacre)

Blues Drive Monster“Negação”
Mas vamos lá, aqui na terra da aposentadoria post-mortem eu elejo a música “Negação”, do Blues Drive Monster. Porra! Que som! Pra começar ela tem umas quebradas no ritmo tão abissais, que parece que cê levou uma paulada e até reagir, ela já mudou de novo. Acho muito louco quando a quebra vem assim, tipo uma curva da Mogi Bertioga. E com o passar do tempo ela vai ficando mais caótica. Pô, se é divertido assim ouvir, imagino tocar essa música, com essa caoticidade toda, principalmente no final, Achei show. Outro ponto é a voz, que está colocada de uma forma que sempre me tira um sorriso, tem uns picos agudos no meio que acho geniais, depois uns guturais lá pelo meio.

Motorpsycho“Lacuna/Sunrise”
Já na gringa, eu gostei muito (acho que a faixa de 2016 que eu mais ouvi), “Lacuna/Sunrise” do Motorpsycho que tem um riff delicioso e maldito, porque é um chiclete desgraçado e você não consegue se livrar daquilo nunca mais durante o dia. Fora que ela é enorme, dá pra deixar tocando e esquecer, só deixar rolar. Mas é uma puta música pra, sei lá, ficar chapado no alto de algum lugar alto (com toda essa redundância possível mesmo)…

Dani Buarque (BBGG)

Overfuzz – “Evil Desires”
Overfuzz é uma das minhas bandas favoritas da cena. Eu escuto o álbum deles pelo menos 1x por semana. Essa faixa segue o mesmo que sinto quando escuto o álbum “Bastard Sons of Rock n Roll”, aqueles timbres lindos nas guitas, a cozinha maravilhosa e os vocais melódicos e rasgados do Brunno. Pra mim, a melhor música de 2016.

Reignwolf“Hardcore”
Eu sou APAIXONADA pelo som deles mas só tem umas 3 músicas de estúdio na internet, o resto vc só ouve nos shows. O Jordan Cook é inacreditavel na guitarra, o show é bem blues rock n roll e ele é um puta front man. Esse som é um pouco menos “guitar hero” que os outros mas eu curti bastante os efeitos da guita e o vocal dele sexy-agressive (risos), só deixou a galera mais ansiosa pelo álbum completo que tá de rosca pra sair.

Lucas Lerina (Der Baum)

Dingo Bells“Dinossauros”
“Dinossauros” do Dingo Bells, foi uma música que me gerou um sentimento de nostalgia e amor à primeira audição.

Kanye West“Ultralight Beam”
Também rolou uma coisa sentimental, pela ambiência e a letra, apesar do Kanye não ser flor que se cheire, o disco é muito bom!

Ciça Bracale (Gomalakka)

Raça“Dez”
Não sei se é a melhor, porque teve muita coisa boa mesmo, ouvi muito Carne Doce, Gorduratrans, Jonathan Tadeu, etc etc Mas marcou, porque tava no setlist preparado e ouvido no caminho do parto da Flora, nossa primeira filha.

Angel Olsen“Woman”
Foi um disco que toquei muito pq ti estudandonesse tipo de sonoridade pro meu projeto solo, além de curtir muito o ar jukebox das músicas dela com essa voz nostálgica, curto muito a poética, as letras, e essa é uma música extensa, mas nada cansativa, bem lírica que não canso de ouvir.

Boqa Santana (Penhasco)

Jonathan Tadeu (feat Sentidor) – “Sorriso Besta”
É importante que levar em conta quatro fatores: 1. Jonathan Tadeu é um gênio. 2. Essa música é foda, mas o disco todo te eleva espiritualmente se você realmente gosta de música! 3. “Queda Livre” é um dos melhores discos lançados nessa porra de década do roque independente. 4. Pelo amor de deus, Jonathan Tadeu!

Kevin Abstract“ECHO”
Eu conheci o “garoto do capacete” nesse ano. Ele faz um rap bem fora da curva, e uma das provas cabais é a canção “Echo”, uma balada sobre problemas familiares, depressão e fuga de casa. A faixa integra o disco “American Boyfriend: A Suburban Love Story”, um dos melhores do ano na minha opinião.

Debbie Hell (Música de Menina/Ouvindo Antes de Morrer/Debbie Records)

Cabin Fever Club“April”
Essa música é do álbum de estréia de Johann Vernizzi, lançado em julho de 2016 com 10 músicas junto com um 7′ de acetato de tiragem limitadíssima (só 20 cópias). Você pediu só uma música mas vale a pena ouvir o disco todo. É um som bem lo-fi, intimista, extremamente pessoal e despretensioso, que o Johann gravou em seu quarto, sozinho. Em algumas músicas ele chegou a usar o fone do iphone para captação de voz. O resultado é impressionante: se perdendo em todas as camadas da música, letra, melodia, clipe (tudo no DIY), é impossível ignorar o talento do garoto e a preciosidade do som.

Sheer Mag“Nobody’s Baby”
De novo estou só escolhendo uma música de um todo incrível. O Sheer Mag é uma banda da Filadelfia que lançou seu terceiro EP em Março deste ano. O som junta elementos de garage e power pop e a vocalista desafia os padrões da indústria não só com sua sonoridade, como com sua imagem fantástica e super inspiradora.

Fernando Sanches (CPM 22 / O Inimigo / El Rocha / Againe)

Hurtmold“7:30”
Olha o Queijo: Baixo meio Cólera, Bateria Free Jazz, Guitarras Minutemen Cracudo e de quebra Paulo Santos fodendo a porra toda.

Descendents“Spineless and Scarlet Red”
Bill Stevenson, meu compositor favorito em grande forma.

Alf Sá (ex-Rumbora, Supergalo, Raimundos)

Mahmundi“O Calor do Amor”
Canção pop das boas com uso de sintetizadores indiscriminado, sem perder a classe e letra em português. A Mahmundi além de compor bem é excelente produtora. O álbum todo é massa.

Michael Kiwanuka – “Cold Little Heart”
A introdução com ar cinematográfico já fisga a atenção de cara. Depois vem um clima Floydiano que emenda num soul rasgado de emocionar o mais duro dos seres humanos. Grande descoberta. Acho foda.

Amanda Rocha (La Burca)

Rakta“Filhas do Fogo/Conjuração do Espelho”
Então, eu tenho escutado pouca coisa nova gringa – fico meio nos 80´s / 90´s (risos), mas gosto de Thee Oh Sees, tem o novo dos medalhões Leonard Cohen, Nick Cave, Bowie…mas o que me pegou mesmo foram os nacionais. Me toca muito esse som, uma mistura intensa-cabrera-e-linda de raízes tribais post punk com um xamanismo empoderador. Essas minas são foda, uma das melhores bandas do Brasa.

Quarto Negro – “Obsessivo”
Esse som é demais, obsessão e imprevisibilidades sobre o relacionar, difícil ficar indiferente. Fiquei por um tempo escutando no repeat quando foi lançado e ainda ouço. Comecei a prestar atenção na banda por este som.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura

Read More
Kate Bush
Kate Bush

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O mais lindo do mundo das artes talvez seja como o olhar clínico de seu receptor altera toda a perspectiva sobre algum fato, ato ou história. Isso é mágico e de certa forma quando alguém com um repertório significativo e um universo imaginativo livre de limites e preconceitos compartilha esse conhecimento: se transforma em mais arte.

Hoje vamos viajar pelo mundo fantástico das entrelinhas, não necessariamente no realismo fantástico de Neil Gaiman ou Gabriel Garcia Marquez mas em como o mundo da literatura – na mão de bons compositores – ganha uma nova página na história da música. Nada mais propício após o encerramento da vigésima quarta edição da Bienal do Livro de São Paulo.

literatura

A canção “Killing An Arab” do The Cure foi escrita em 1978 e inspirada pelo livro “O Estrangeiro” (1942) da fase filosófica “absurdista”/existencialista do escritor francês Albert Camus.

A história é simples porém intrigante e atual de certa forma, se vermos os recorrentes conflitos entre França e o mundo árabe. Para quem não sabe, a Argélia é um país onde aconteceu uma dominação/colonização francesa e seus colonizados se tornaram súditos do reino francês. No roteiro, um homem franco-argelino é o protagonista. E dias após o funeral de sua mãe, mata um árabe que estava em um conflito com um amigo.

O personagem, que atende pelo nome de Meursault, é preso e sentenciado a pena de morte. O autor utiliza de um recurso literário interessante – e intrigante – em que a história é a subdividida em duas partes. A primeira contando sua perspectiva e pensamentos em primeira pessoa dos ocorridos antes e outra depois do assassinato.

Um fato interessante é que o livro inicialmente não foi um sucesso comercial, tendo vendido apenas cerca de 4 mil cópias. Mas nada como o livro cair na mão da pessoa certa, não é mesmo?  No caso foi ninguém mais ninguém menos que Jean-Paul Sartre, que escreveu um artigo explicando o livro com suas interpretações pessoais. Depois disso, o livro teve seu sucesso por assim dizer, sendo considerado um clássico da literatura do século XX.

A canção do The Cure é polêmica e gerou certa dor de cabeça para Robert Smith. Tudo isso por pura ignorância de quem leva a canção literalmente ao pé da letra. Alguns alegaram que a faixa promove violência contra os árabes, chegando ao disco de singles, Standing On The Beach” (1986) a ser comercializado com um adesivo alertando sobre o conteúdo “racista”.

Ao saber desse fato ~queima filme~ Smith mandou descontinuar essa prensagem com medo de que as vendas do álbum se tornassem um grande fracasso. Após anos colecionando polêmicas pós-acontecimentos midiáticos como a guerra do golfo e o 11 de setembro, em 2005 eles voltaram a incluir a canção em seus sets porém com a letra modificada para “Kissing An Arab”. Por essa Albert Camus jamais sonharia.

Após o sucesso da trajetória meteórica de Ziggy Stardust por esse planeta e um dos mais incríveis álbuns da carreira de David Bowie, chegávamos ao ano de 1973. E ele continuava na crista da onda, numa fase regada de excessos, purpurina e viagens psicodélicas, a ponto de, conectado ao art rock nova iorquino, se aventurar a fazer um álbum inteiro baseado em um dos maiores clássicos da literatura mundial: 1984″ (1948) de George Orwell.

Claro que este só foi o ponto de partida para Diamond Dogs” (1973), pois ele reimaginou a versão glam pós apocalíptica dos temas totalitários da obra do escritor. Como a maioria das pessoas sabe, Bowie era um artista completo e moda, cinema, teatro e música eram extensões de sua arte. A ideia inicial era fazer uma produção teatral do livro, porém Orwell barrou. Sério gente, que ERRO! Teria com certeza ficado incrível, algo na linha “Rocky Horror Picture Show de 1984.

O álbum também marca o fim da era do personagem Ziggy Stardust. Em seu lugar entra Halloween Jack e teve como um dos primeiros singles a ser lançados “Rebel Rebel”. Preciso descrever o visual de Bowie nessa nova fase? Acho que todos já mentalizaram.

Um detalhe interessante é que a prensagem original do disco termina com o barulho: “Bruh/bruh/bruh/bruh/bruh“, que para quem já leu o livro ou viu o filme do 1984 logo identifica como primeira sílaba de “(Big) Brother” sendo repetida incessantemente. Tão o jeito Bowie de perturbar.

Com certeza você já ouviu “Sympathy for the Devil”, sendo fã dos Rolling Stones ou não. Mas poucos sabem a origem da canção: alguns mais preconceituosos cravam como Jagger vendendo a alma para diabo ou algo do tipo, pois desconhecem a real inspiração para a canção que vem diretamente do mundo da literatura.

A faixa que integra o disco Beggars Banquet” (1968) foi composta pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. Originalmente, a canção chamava – durante o período de composição – “The Devil In Me” e Jagger cantava seus versos sendo o diabo em pessoa e se gabava do seu controle sobre os eventos da humanidade. Não sei o que seria do mundo se essa versão tivesse sido a final, mas o caos estaria instaurado, já que na versão mais “light” deu toda a polêmica satanista que temos conhecimento.

Em 2012, Mick Jagger afirmou que na verdade a inspiração para a letra veio de dois escritores: o poeta francês (e tradutor de Edgar Allan Poe) Charles Baudelaire e de “O Mestre e a Margarita” do russo Mikhail Bulgakov, além de creditar o estilo a narrativa do estilo das composições de Bob Dylan. Para deixar a atmosfera mais quebradiça e “torta”, Keith Richards deu a ideia de mudar o tempo da canção e adicionar percussão, assim transformando a antes canção folk em algo perto de um samba feito por britânicos.

O livro russo traz uma curiosidade um tanto quanto diferente. Escrito entre os anos de 1928 e 1940, ele só foi publicado em 1967. Alguns dirão claramente que foi por censura, devido ao teor político bastante forte, já que seu roteiro fala sobre a visita do demônio à URSS durante o período de crescimento do ateísmo na região. Alguns críticos consideram a obra uma das melhores do século XX, muito por conta das sátiras bem humoradas da descrição dos arquétipos soviéticos.

Se você gosta de Florence & The Machine, Cat Power, Bjork, St Vincent, PJ Harvey, Madonna, Ladyhawke, Bat For Lashes e Goldfrapp, deveria agradecer pela existência da Kate Bush. Todas artistas foram influenciadas crucialmente pela artista. A canção “Wuthering Heights” foi o single de estreia da Kate para o mundo em 1978 e foi direto pro topo das paradas do UK.

A composição foi escrita por Kate Bush aos 18 anos e é inspirada num livro de mesmo nome, que em português foi traduzido como “Morro dos Ventos Uivantes”. Mas o que poucos sabem é que até então ela nem tinha tido contato com a obra literária e sim com uma adaptação para mini-série feita pela rede de televisão britânica BBC.

A letra é inspirada nos últimos 10 minutos da adaptação que foi ao ar em 1967. Sim, a letra já tinha 10 anos quando tivemos o lançamento consumado. Depois claro que Kate foi atrás do livro e descobriu um fato: ela faz aniversário no mesmo dia da escritora Emily Brontë, 30 de Julho.

O livro trata-se de um romance do período gótico da literatura, é a única obra da escritora, e foi lançado em 1847. Ou seja: no ano em que Bush assistiu a mini-série na TV a obra estava completando seus 120 anos. Hoje em dia é considerado um dos clássicos da literatura inglesa do século XIX. Em 1993, os metaleiros do Angra regravaram a canção para seu álbum de estreia, Angels Cry”. Repare na apresentadora do programa da Rede Mulher tirando onda com André e Kiko (que fazem um playback  muito do safado, já que o programa não tem nada a ver com a banda).

Vocês com certeza já ouviram falar da Clarice Lispector, mas talvez não da canção “A Hora da Estrela” do Pato Fu. 30 anos depois do lançamento do último livro publicado em vida da escritora, a faixa está presente no álbum, “Daqui pro Futuro” (2007).

Durante entrevista com a banda em 2007 para o portal UOL em que questionaram o fato eles responderam:

“Tem a ver e dá para se fazer uma leitura. Quem conhece a obra dela vai encontrar a história do livro. Mas também tem outra leitura sobre pessoas que querem virar estrelas e fazer sucesso. Elas acham que parece fácil virar a vida em um clique, mas isto exige talento. O livro é uma referência muito preciosa. Sobre a literatura: nós lemos desde Stephen King a Clarice Lispector, de tudo um pouquinho, os temas são muito variados. Como viajamos muito, temos que ter sempre um livro a mão.”

“Epitáfio” dos Titãs teve sua inspiração em um poema de Nadine Stair. O curioso foi que a poetisa americana no momento que escreveu sua prosa tinha 85 anos de idade. Realmente, se pararmos para ler o poema, notamos a similaridade com a composição de Sérgio Britto:

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade
bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria em mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos.

Não percam o agora.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, como sabem, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.” Poema datado de 1935

Um clássico de Marisa Monte, “Amor I Love You” também bebe das fontes literárias. Se você já fez vestibular em algum momento de sua vida provavelmente lembrará do famoso trecho que Marisa homenageia na canção. Afinal de contas, “Primo Basílio” (1878) de Eça de Queiroz é recorrente nas listas de livros obrigatórios para o processo seletivo.

A canção que foi hit no ano 2000 em todo país chegou a ser indicada na categoria de melhor canção brasileira no Grammy Latino, foi tema da novela “Laços de Família” (TV Globo) e teve seu videoclipe premiado na categoria “Melhor Videoclipe de MPB” no VMB.

Na faixa o trecho é recitado pelo Arnaldo Antunes, ex-Titãs, de maneira poética:

“…tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.”

Para fechar escolhi uma música nada óbvia de um dos grandes artistas do Brasil, Zé Ramalho. “Admirável Gado Novo” (1979), consegue fazer a história da agricultura do interior do país dialogar com logo dois clássicos da literatura mundial: “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley) e “1984” (George Orwell).

O romance de Huxley narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.

Assim vemos o tom forte da canção criticando a falta de mobilidade social. A ilusão de que as coisas vão melhorar mesmo trabalhando abaixo de circustâncias sub-humanas. Em “Cidadão”, Zé também mostra o sofrimento e dificuldade da classe operária em conseguir cravar seu espaço na sociedade.

A canção ganhou um fôlego em 1996 quando entrou para a trilha da novela “O Rei do Gado”. Cássia Eller no ano seguinte regravou para o álbum Música Urbana” (1997).

“Almost Famous”: o espírito sexo, drogas e rock’n’roll à flor da pele

Read More
Almost Famous, Quase Famosos

Depois de duas longas semanas sem posts por aqui, quem volta com tudo é a Sinestesia. Tem sido tudo muito louco desde que O Pulso Ainda Pulsa, um projeto elaborado pelo Hits Perdidos e o Crush em Hi-Fi, ganhou vida. Mas voltemos ao que interessa nesta coluna!

Nada como um filme que tenta – e consegue – nos levar direto para os anos 70, mais precisamente no “boom” da indústria fonográfica. Cheio de rock stars, jornalistas e chairmans de gravadoras nadando literalmente em dinheiro.

O funk ostentação é troco de pinga perto do que estes junkies, rockers e groupies viveram 24/7 durante aqueles anos de ouro. “Almost Famous” (“Quase Famosos”, de 2000tem o papel de retratar toda essa loucura rock’n’roll e todo seu entorno de maneira criativa e envolvente.

ALMOST BUS

“Um fã ávido por rock’n’roll consegue um trabalho na revista americana Rolling Stone para acompanhar a banda Stillwater em sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Porém, quanto mais ele vai se envolvendo com a banda, mais vai perdendo a objetividade de seu trabalho e logo estará fazendo parte do cenário rock dos anos 70″ – Sinopse por Adoro Cinema

O que as pessoas muitas vezes deixam de saber são curiosidades sobre este filme que chegou a ganhar até Oscar. Primeiramente, o filme é praticamente autobiográfico – com uma dose de fantasia, claro – sobre as histórias e experiências pessoais como jornalista juvenil na revista Rolling Stone do diretor, Cameron Crowe, que contou para o site The Uncool sobre nomes terríveis que ele pensou antes de chegar ao “Almost Famous”“My Back Pages” foi o primeiro e convenhamos seria um título um quanto óbvio. “The Uncool” foi outro um pouco melhorzinho, mas ainda fraco, baseado numa fala de Lester Bangs – lendário crítico da revista. Alguns outros já caíram no contexto musical, como “Tangerine”, uma canção do Led Zeppelin – que inclusive toca nos letreiros finais do filme – e “A Thousand Words”: título do primeiro artigo escrito pelo protagonista, William Miller, em resenha feita sobre um show do Black Sabbath.

Guita

Mas vamos à trilha sonora – e que baita trilha, diga-se de passagem.

O pontapé inicial da soundtrack lançada no dia 12 de setembro de 2000 via Dream Works é com “America” do Simon & Garfunkel. A canção foi composta para o álbum Brokends” (1968) e produzida pelo duo e Rory Halee. Assim como o livro “On The Road”, a canção fala sobre dois jovens apaixonados cruzando os Estados Unidos à procura da “América” nos sentidos literal e figurativo.  A inspiração é genuína, visto que em 1964, Simon fez esta viagem com sua namorada, Kathy Chitty. O amor é lindo, não é mesmo?

TOMMY

Logo na segunda faixa já vem um petardo com selo Tommy” (1969) de qualidade. Sim, The Who para ninguém botar defeito com um dos maiores discos de ópera rock de todos os tempos. A densidade de “Sparks” te faz viajar por outras dimensões e poderia ter entrado até na trilha de “Stranger Things”.

A próxima canção é uma das queridinhas do pessoal da Rolling Stone: Todd Rundgren com It Wouldn’t Have Made Any Difference”, faixa título do álbum duplo lançado em 1972. As ondas do rock progressivo a la Yes dão o tom da batida. Este som foi gravado no ano anterior em Los Angeles, Nova Iorque e em Woodstock. Todd toca as guitarras e os teclados no álbum. Sucesso na crítica e aclamado pela Billboard, além de conseguir posição 173 entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos na lista da Rolling Stone.

E já que falamos em Yes, adivinhem quem aparece na próxima faixa? Eles mesmo com “I’ve See All Good People: Your Move”. Sua primeira aparição foi no The Yes Album” (1971) e originalmente foi lançada apenas a segunda parte da canção como “single”, o que fez alcançar um número significativo no top 40 da Billboard. A canção usa a metáfora de comparar os relacionamentos com jogos de xadrez, tendo seu destaque nas harmonias de um rock progressivo viajante e sem freios. Em 1991, quando todos integrantes originais se reuniram para o DVD da turnê “The Union”, a canção não ficou de fora do set!

Saindo do progressivo e encontrando as ondas da praia temos uma das maiores bandas injustiçadas do rock sessentista – sim, pelo episódio The Pet Sounds” (1966) x Beatles – os Beach Boys com uma canção lançada para o disco Surf’s Up” (1971), “Feel Flows”. A música flerta com a surf music, psicodelia e flautinhas folclóricas.

A próxima canção é simplesmente genial por um fator ímpar: é de uma banda ficcional feita especialmente para o filme. A Stillwater, banda com quem o protagonista viaja e realiza suas desaventuras rock’n’roll – e serve como mote – consegue imprimir em sua faixa “Fever Dog” uma energia similar a do Led Zeppelin. E sinceramente eu acredito que se o Led estivesse na ativa, o diretor teria convidado eles para se auto-interpretar.

Inclusive em sua história original, o jornalista acompanhou o Led, The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd, Poco The Eagles em turnês. Eu imagino que por impasse de “ficar em cima do muro” e facilitar as gravações ele optou por montar uma banda especialmente para o longa – como registro de um tempo rock’n’roll que não volta mais.

O single “Every Picture Tells A Story” do inglês Rod Steward não fica de fora da trilha. Gravada em 1971 para um álbum de mesmo nome em parceria com Ron Wood, a canção foi lançada como single na Espanha tendo como lado B “Reason To Believe”.

Em sua letra, “Every Picture Tells A Story” conta suas aventuras com mulheres ao redor do mundo – tão rock’n’roll este lado mulherengo – e fala sobre o retorno para casa após aprender diversas lições de moral.

A próxima banda deveria ter mais atenção porque é APAIXONANTE. The Seeds é mais uma daquelas que vieram para chacoalhar tudo, destruir os quartos de hotel e sair após atear fogo. O espírito rock’n’roll mais destruidor vive em sua essência de uma maneira que a música que entrou na soundtrack  tem até polêmica envolvida em sua história.

DRUGS

Enquanto o mundo tava naquele clima paz e amor dos Beatles, eles estavam sendo BANIDOS da rádio com o single “Mr. Farmer”. Muito mais garageiro e sujo que os meninos de Liverpool. Lançada em 1967, a razão pela repressão foram as menções à drogas nas letras. Alguns interpretam o nome como “apologia aos fazendeiros plantadores de maconha”.

A canção foi escrita por Sonny Boy Williamson II e outra lenda do R&B, Elmore James, e foi lançada originalmente abaixo do nome G.L. Crockett. Porém quem fez esta pérola da música mundial ganhar a atenção que merecia foi o The Allman Brothers Band.

Uma banda que não poderia ficar de fora da trilha do filme é o Lynyrd Skynyrd. Tanto por Crowe ter se atirado na estrada com eles na década de 70, como por sua importância no cenário pós-Woodstock no contexto da história do rock americano.

A canção escolhida para a trilha foi “Simple Man”, uma das preferidas dos fãs. Tanto que não é de se surpreender que ela foi escolhida para entrar no jogo “Rock Band”, na série “Supernatural” e ter ganhado versões do Deftones e do Shinedown.

A próxima é uma pedrada na cara, afinal se trata de um hit do Led Zeppelin. Escrita por duas lendas do rock, Jimmy Page e Robert Plant, ela entrou no clássico “Led Zeppelin III” (1970). Com uma levada mais folk/rock, violão e voz é uma das mais melosas da carreira da banda.

Segundo Page a canção foi escrita no País de Gales naqueles dias após uma longa caminhada de volta para casa vindo do campo. “Tínhamos uma guitarra conosco, estávamos cansados da caminhada, e paramos para nos sentar. Eu toquei um acorde e Robert cantou o primeiro verso ‘na lata’. Nós tínhamos um gravador de fita conosco, e gravamos aquele esboço ali mesmo.”

O mestre do piano vermelho, Elton John, também não fica de fora de “Almost Famous”. A canção escolhida desta vez inicialmente não era um single inicialmente, porém depois de ganhar certa popularidade se tornou um.

tiny

“Tiny Dancer”, que viria a se tornar um dos maiores clássicos do Elton John, foi escrita por Bernie Taupin. Nela, Bernie captou o espírito dos anos 70 na Califórnia no qual ele conheceu muitas mulheres bonitas. Nos créditos do álbum Madman Across The Water” (1971), Bernie dedicou a música a sua primeira mulher, Maxine Feibelman.

Dave Grohl e Red Hot Chilli Peppers já fizeram versões deste clássico. No vídeo abaixo, Dave Grohl inclusive conta que conheceu a canção através da trilha sonora de “Almost Famous” e agradece ao diretor Cameron Crowe por isto. Além de comentar algumas cenas no vídeo, vale a pena ver o vídeo inteiro.

Nancy Wilson, que também foi a compositora das canções da Stillwater – banda de mentirinha do filme – também tem uma canção própria na trilha sonora: “Lucky Trumble”, composição instrumental de violão flertando com teclados.

Para quem viu o filme sabe que David Bowie aparece “fugindo dos jornalistas”, e claro que ia ter Bowie na trilha sonora do filme de uma forma ou de outra. A “sacada” genial foi a escolha de uma canção escrita por Lou Reed (Velvet Underground), “Waiting For The Man” para a trilha.

A versão que toca no filme é ao vivo em Santa Mônica (Califórnia) em 1972.  “Por coincidência”, naquele ano Lou Reed lançava um dos seus discos solos mais aclamados: Transformer”.

A próxima canção é de Cat Stevens, mais precisamente do álbum Teaser And The Firecat” (1971). Mas erra quem pensa que a canção está entre os três considerados hits do disco. Porém o crítico da Rolling Stone Timothy Crouse gostou do aspecto distinto e introspectivo de “The Wind”. Uma outra curiosidade é que o álbum foi lançado juntamente com um livro infantil escrito e ilustrado pelo próprio Cat Stevens.

Quem vem em seguida é Clarence Carter com “Slip Away” (1968), um dos grandes sucessos da carreira do artista que se destaca dentro do blues/soul. O músico de 80 anos – que lançou seu primeiro disco em 1968 – ainda está na ativa tendo lançado o álbum Dance To The Blues” no ano passado.

Para fechar com chave de ouro essa incrível trilha sonora nada como um pouco mais de Pete Townshend. Mas não estamos falando de uma canção do The Who, e sim de seu outro projeto “One Hit Wonder”, Thunderclap Newman.

O projeto ainda conta em sua formação o “manager” do The Who, Kit Lambert, e Jimmy McCulloch, músico do projeto The Wings do Paul McCartneyJohn David Percy “Speedy” Keen, que ficou mais conhecido por este projeto paralelo do líder do Who.

O sucesso da faixa “Something in the Air” (1969) foi tão enorme que a faixa além de alcançar o primeiro lugar das paradas no UK, recheou diversas coletâneas, comerciais e trilhas sonoras. Quem canta a faixa não é Pete Townshend e sim Speedy Keen. O grupo lançou apenas um álbum em sua curta carreira: Holllywood Dream” (1969).

Jimmy veio a falecer em 1979 através de uma overdose de heroína aos 26 anos de idade. Nada mais sexo, drogas e rock’n’roll do que esse desfecho, não é mesmo?

A viagem no túnel do tempo da trilha sonora de “As Vantagens de Ser Invisível”

Read More
The Perks Of Being a Wallflower

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje vamos falar sobre um filme voltado para o público adolescente. Mas nem por isso a trilha deixa a desejar. Muito pelo contrário, assim como “500 Dias Com Ela”, apesar de ser um drama/romance que flerta com comédia, a trilha é uma tremenda viagem no tempo e traz excelentes hits do dream pop, new wave e do rock alternativo.

“The Perks of Being a Wallflower”, em português “As Vantagens de ser Invisível”, é um longa metragem lançado em 2012 pelo diretor Stephen Chbosky. Dessa vez ele não procurou ou foi procurado por ninguém para fazer o filme. Afinal de contas, ele é baseado num livro de sua autoria lançado em 1999. Foi sucesso comercial devido a alguns fatores além de uma boa história sobre a juventude com todos seus dramas, passagens e percalços: a boa escolha do elenco e a sua trilha sonora. Afinal de contas, para quem já viu o filme, fica difícil esquecer o momento em que Sam (Emma Watson) sai pelo teto solar do carro – dentro do túnel – e começa a cantar “Heroes” do David Bowie, não é mesmo?

Emma

Sinopse por AdoroCinema: “Charlie (Logan Lerman) é um jovem que tem dificuldades para interagir em sua nova escola. Com os nervos à flor da pele, ele se sente deslocado no ambiente. Sua professora de literatura, no entanto, acredita nele e o vê como um gênio. Mas Charlie continua a pensar pouco de si… até o dia em que dois amigos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), passam a andar com ele.”

O filme se passa em Pittsburg, na Pensilvânia, e alguns de seus dramas passam por temas “bobinhos” como o dilema do primeiro beijo, as paixonites de adolescência, fins de relacionamento e o drama da dança de formatura (Saddie Hawkins Dance), temida e amada por muitos americanos, super tradicional e “cafona”, diga-se de passagem. Mas tradições, né? Vamos falar o quê? Apenas aceitamos. Mas também temos bons ganchos, como quando a turma no colégio ensaia para apresentar sua versão da peça The Rocky Horror Picture Show. (Inclusive aqui na SINESTESIA já falamos sobre a novela original que deu origem a peça, o musical, suas homenagens, tributo, filme e remake a caminho!)

Porém, a trama também toca em temas bastante delicados e importantes, como a homofobia e o abuso sexual sofrido durante a infância. Esses conjuntos de fatores que eu acho super importantes de serem discutidos nessa faixa etária para que a intolerância aos poucos vire um problema do passado. Tão triste ver os acontecimentos recentes e a estatística alta de mortes e agressões por motivo de opção sexual. Um dia chegamos lá!

O filme conta com uma trilha maravilhosa – que você pode conferir direto da página da IMDB. Vamos focar nas 12 faixas que compõe o disco lançado pela Atlantic Records no dia primeiro de agosto de 2012. Impressiona, pois esta coletânea chegou a sétima posição das melhores trilhas sonoras publicadas no período entre 2012/2013 da Billboard.

Cantar

A faixa que abre o disco é do The Samples com Could It Be Another Change, que sinceramente eu desconhecia. São da época do college rock pelo que parece, uma mistura de The Police com Grateful DeadAgradável, mas nada de mais. Influências de folk e reggae são perceptíveis em sua sonoridade. A banda existe até hoje, mas com apenas um membro original, o vocalista Sean Kelly.

Em seguida temos uma canção tão clássica que periga você estar na Tiger Robocop 90 (que rola no Lab Club) e ouvir tocando a versão que a banda de ska – Save Ferris – fez nos anos 90. Bem, na trilha contamos com a versão original da banda de Birmingham Dexy’s Midnight Runners, que impressiona pela versatilidade de estilos, abraçando o folk, o ska, influenciado pelo “Combat Rock” do The Clash, e a música folclórica irlandesa, popularizada pelo The Pogues naquela década. Com o artifício de violinos, batida new waver, teclados e um pouco de música caipira a canção justifica a fama das pistas de dança. É envolvente como os vocais dialogam e você se vê levado pela canção sem titubear.

Em seguida temos um verdadeiro clássico do dream Pop/shoegaze, “Tugboat”, da emblemática e meteórica Galaxie 500. Influenciados por Velvet Underground, Spacemen 3 e Jonathan Richman, em apenas 5 anos viram sua estrela cadente virar história. O grupo durou de 1986 a 1991 e deixou um legado de bandas que foram influenciadas pelo som deles como Sonic Youth, Liz Phair, Neutral Milk Hotel, British Sea Power, Joanna Gruesome, The Submarines e tantas outras. A canção tem uma atmosfera meio My Bloody Valentine encontra The Pastels enquanto toma um café com Lou Reed. Ou seja: coisa mais do que boa.

A próxima música é do New Order, a dançante e emblemática “Temptation” que inclusive também entrou na trilha de Trainspotting. (filme que comentamos a trilha outro dia por aqui). Lançada originalmente em 1982, ela ganhou em 2013 este clipe:

“Evensong”, da pouco conhecida The Innocence Mission tem uma atmosfera densa a la Cocteau Twins, Mazzy Star e PJ Harvey. Ou seja, aquela vibe rock alternativo/dream pop flutuante do começo da década de 90. Cheia de angústia, a canção controla os ânimos do espectador, já que é sofrida e introspectiva. 

The Smiths

O clássico ~das bads~ “Asleep” do The Smiths não poderia ficar de fora da confusa e triste história de Charlie. É o hino dos dilemas pessoais, das desilusões com o mundo exterior. A vontade de se isolar, se trancar no quarto, deitar na cama e nunca mais acordar. A faixa foi originalmente como um B-Side do single “The Boy with the Thorn in His Side” e mostra uma atmosfera mais dark que o piano que acompanha Morrissey nos leva direto para o fundo do poço. Talvez um dos seus trunfos seja fazer com que os ouvintes chorem e afoguem suas mágoas.

Ainda no ritmo do slowcore/dream pop – e provavelmente da adolescência do diretor do filme – temos Low com “Cracker”. Influenciados por post-rock, blues e Neil Young, vemos os contrastes que isso adiciona ao som que tem a cara da época pré explosão do grunge.

Logo em seguida vem uma canção que eu sou mais do que suspeito para comentar, “Teenage Riot”. De um disco que eu tive que comprar o box de vinil para apreciar todas versões e mixagens, Daydream Nation” (1988). A canção é o primeiro single escolhido para divulgar o disco produzido pelo emblemático produtor Nick Sansano, um cara que pouco antes tinha se envolvido com bandas de rap do calibre do Public Enemy e quando pegou essa encrenca não manjava nada do tipo de som do Sonic Youth. Segredo para o sucesso? Talvez. O grupo teve um ganho criativo que depois desse disco os conduziu para o estrelato. Depois ele foi até chamado para produzir o Goo” (1990) e o resto é história.

“Dear God” do XTC é daquelas músicas que eu conheci assistindo as madrugadas da MTV Brasil – ah, que saudade desses tempos. Um one hit wonder de uma injustiçada banda com outros potenciais hits pops. Uma letra forte e dura sobre ateísmo e uma levada folk/new waver/pop barroco lançada em 1986, sendo censurada e proibida em diversas rádios ao redor do mundo por fazer apologia ao ateísmo com sua falta de Deus. Sem usar nenhuma palavra de baixo calão. Quão punk é isso?

E de clássico em clássico do rock alternativo a lista do disco vai ficando ainda mais interessante. O próximo é Pearly Dewdrops’ Drops”, a banda de post-punk inglês Cocteau Twins é fruto da mistura de influências de The Birthday Party com Siouxsie and The Banshees e a delicadeza da estrela do pop Kate BushPara quem desconhece a origem do nome do grupo, eis a resposta: vem de uma canção do Simple Minds. O Cocteau Twins nesta canção tem sua marca no vocal que ecoa no ar – a la coral de igreja – e traz os beats e as trevas dos sintetizadores. Ah, os anos 80!

A próxima canção no filme chamada de “Charlie Last Letter” foi composta pelo guitarrista de música ambient, experimental e instrumental Michael Brook. Ela é rápida e meio “chatinha”. Originalmente ela chama “Pouter”, mas para o filme foi renomeada para encaixar com a parte mais dramática da trama. Michael é conhecido por gravar guitarras para trilhas de filme e por ter colaborado com artistas como David Sylvain e Brian Eno. Inclusive já ganhou um Grammy por co-compor “Night Song” do paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan e teve a trilha de “Into The Wild”, composta por ele, nomeada como melhor trilha.

Para fechar a trilha com chave de ouro, temos talvez uma das canções mais fantásticas escritas do rock: “Heroes”, do David Bowie. Para quem não sabe, a música fala sobre um amor dividido pelo nefasto muro de Berlim, onde o namorado e a namorada estão separados pelo muro, um morando na Berlim Oriental e outro na Berlim Ocidental.

A música é tão poderosa e emblemática para a cidade de Berlim que em janeiro deste ano, após saber da morte de David Bowie, o governo da Alemanha agradeceu ao artista com os seguintes dizeres: “Por ter ajudado a derrubar o muro de Berlim”. E dizendo: “você agora está entre os heróis”.

E é dessa maneira emotiva e cheia de sentimentalismo que terminamos o post de hoje. Afinal de contas, “Heroes” entrou na trilha não só por ser uma simples canção de amor sem limites mas como uma canção de emancipação do ser sem limites. É, o cara sabia compor como poucos.