Construindo Banda-Fôrra: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda paraibana Banda-Fôrra, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Cidadão Instigado“O Tempo” 
Cidadão Instigado inaugurou um jeito de fazer canção no Brasil. Letra e melodia emocionantes, e mais mil detalhes pra prestar atenção a cada nova audição.

Homeshake“Every Single Thing”
Melhor timbre pop que tem rolado por aí afora. Pra ouvir pensando na vida.

Cátia de França“20 Palavras Girando ao Redor do Sol”
Lembrete eterno de que não estamos inventando a roda e que a música paraibana sempre foi com os dois pés na porta.

Bob Marley“Slave Driver”
Aula de música, história e caráter. Recomendado em doses diárias.

Igor Stravinsky“A Sagração da Primavera”
Uma das muitas drogas pesadas que consumimos nos tempos de pré-produção do nosso EP de 2015, e que reverberou como referência em forma de vocalização na faixa ‘diz nos meus olhos’.

Milton Dornellas“Encanto”
O compositor que tento ser se divide entre antes e depois do disco que abre com essa canção. Sigo buscando a clareza e limpidez na articulação entre melodia e letra que Milton foi capaz de cometer nessa faixa.

Lô Borges“O Trem Azul”
Nessa lista valia pôr o Clube da Esquina inteiro, mas essa faixa fica sendo uma representante de peso da maneira como os mineiros influenciam nossa forma de harmonizar, e também por aquele solinho de guitarra incrível, que aprendi a cantar inteiro.

Guilherme Arantes – “O Melhor Vai Começar”
Nos releases que produzimos ao longo desse tempo de existência da banda, sempre falamos em ‘música brasileira sem estereótipos’. Acredito que a maneira como Guilherme Arantes faz conversar suas referências no rock progressivo, na nossa nova e na tradição da canção brasileira sintetizam bem essa nossa busca. As melodias são belíssimas, e as letras têm esse apelo por ser profundamente simples e irremediavelmente inteligíveis.

Cidadão Instigado“Besouros e Borboletas”
Persigo, observo e admiro as canções do Fernando Catatau. Escolhi essa por ela conseguir arrancar com doçura uma lágrima minha num show deles que assisti.

Gilberto Gil“No Norte da Saudade”
Nas últimas viagens que fiz escolhi essa canção pra ser o primeiro play.
Música pra cima e pra celebrar a instiga de se jogar na estrada.

BaianaSystem“Lucro: Descomprimindo”
Gosto de observar cada detalhe dos shows das bandas do mainstream. No da Bayana não consegui, pois fui sugado pro meio da multidão e me entreguei pras famosas rodinhas dos shows deles. Depois, com uma audição mais cuidadosa, passei a admirar essa música por ter uma crítica social muito forte, muito atual e por transmitir a mensagem através de refrão chiclete e estrofes certeiras.

Beto Guedes“Lumiar”
Essa eu gostaria de ter feito. É uma aula do beto ensinando ao mundo como deve ser o ser.

Gilberto Gil“Ilê Ayê”
Essa música, como boa parte da obra de gil, possui um aspecto interessantíssimo que é a força e o poder que a música (e cultura) afro-brasileira tem. Não só essa música, mas todo o disco ‘Refavela’, possui uma força muito incrível, tanto nas letras como em cada instrumento tocado.

Maglore“Calma”
Música que compõe o disco mais recente da Maglore. Sem dúvida nenhuma essa é a melhor música do disco, a palavra é algo muito presente nesse disco e nessa música não poderia ser diferente. Sem contar também com som da banda como um todo, os timbres maravilhosos que esse disco traz.

Caetano Veloso“Nine Out of Ten”
Essa é uma das minhas músicas preferidas de Caetano e lembro que só conheci esse disco por conta de Banda-Fôrra, que na época nem tinha esse nome, chamava-se Banda Uns. Lembro muito bem de assistir a um show dos meninos tocando o disco ‘Transa’ e depois do show ir correndo para casa ouvir incansavelmente essa maravilha.

Milton Nascimento“Escravos de Jó”
Música que abre o disco ‘Milagre dos Peixes’. Algo que acho muito incrível dessa música são as percussões de Naná Vasconcelos, grande percussionista que infelizmente não está mais entre nós. O que me fascina é a maneira que Nana orquestra toda a percussão da música, criando uma massa sonora incrível que sem dúvida nenhum faz com que a percussão não seja um mero instrumento de acompanhamento e sim que ela se torne um comunicador tal como a voz. Em resumo, a percussão pode não falar, mas ela diz muita coisa.

A Cor do Som“Beleza Pura”
As guitarras de Armandinho nas músicas d’A Cor do Som me impressionam muito. Bahia e Brasil numa fritação canção belíssimas. sempre tento trazer pra meu jeito de tocar a sensação que eu tenho quando escuto as guitarras dele. Não dá pra escutar essa versão de “Beleza Pura” e não querer sair dançando pela casa.

Gal Costa“Vatapá”
Uma das coisas que eu mais gosto na vida é a sensação do fim da tarde em João Pessoa. Principalmente por causa das cores e do brilho das coisas. De maneira geral, gosto de escutar (e fazer) músicas que me remetem a isso. Gal, Caymmi e a cereja do bolo: João Donato (produção musical e arranjos) me transportam diretamente pra um fim de tarde em João Pessoa. Vale escutar esse disco inteiro!

Red Hot Chili Peppers“Sick Love”
Um dos discos que eu mais escutei em 2017-18. Até eu escutar esse disco, Red Hot cumpria uma função mais nostálgica do que qualquer outra. Ouvia mais nos rocks quando alguém lembrava de “Scar Tissue”, “Under The Bridge” ou “Can’t Stop” ou quando o assunto eram os tempos áureos da MTV. Quando ouvi esse disco (“The Getaway”) pela primeira vez que percebi o quanto essa banda é muito foda. “Sick Love” foi a que mais gostei. A Partir desse disco que fui percebendo que as outras músicas e os outros discos são carregadíssimas em sentimentos. Muito verdadeiros. Frusciante (mesmo não estando presente nesse disco) me ensina muito sobre rock, groove e guitarras limpas.

Mac DeMarco“Let Her Go”
Esse disco é sempre à quem eu recorro quando passo mais de 5 segundos e não consigo pensar em alguma coisa pra ouvir. sempre. timbres lindos, sensibilidade altíssima. “Let Her Go” sintetiza bem a capacidade que esse disco tem de colocar meu dia pra cima. Altíssimo astral. Fica ainda mais alto astral se for ouvida naqueles finais de tarde super vermelhos de João Pessoa.

Festival Guaiamum Treloso ataca de CarnaIndie Feminista e agrada o público

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Cidadão Instigado

Prévia carnavalesca do Recife, a capital do frevo, apostou em artistas da cena independente para o line up e contou com discurso feminista

Fantasias, looks ousados, glitter e muita música boa. Foi assim o Festival Guaiamum Treloso, que aconteceu na Fazendo Bem-ti-vi, em aldeia. A festa, que é uma prévia carnavalesca tradicional em Pernambuco, nesta 18ª edição resolveu apostar em um line up diferenciado, trazendo para a terrinha do frevo sons da cena independente brasileira. Deu certo!

O Festival aconteceu em uma grande fazenda no meio de uma área de mata e armou uma grande estrutura com três palcos, uma tenda, praça de alimentação, bares, lojinhas e muitos banheiros para recepcionar e impressionar bem os seres da mata que habitaram o local. Esse espaço, embora seja distante da cidade e cheio de vibes boas, deu trabalho para a produção conseguir a liberação de alvarás, mas, como dito, além de Treloso, o Guaiamum é teimoso e manteve o endereço, o que acabou afetando um pouco a estrutura do evento. Os palcos acabaram ficando muito distantes e mal ornamentados. O público sentiu.

Festa pronta, os seres da mata chegaram cedo no evento, que estava previsto para começar às 13h. Mas, os shows atrasaram! E muito! Dessincronizou os horários e alguns shows aconteceram simultaneamente. Também aconteceu de não tocar nada por mais de meia hora em nenhum dos palcos principais. Mas, a magia do lugar e o astral da festa não deixou o público abatido.

A banda Marsa, que tocou com mais de 1h de atraso, reuniu um grande número de fãs. Tocaram as músicas do seu disco “Circular Movimento” e levou os Seres da Mata ao estado de êxtase. A voz única, doce, suave e especial de Tiago Martins causou grandes emoções. O show da Marsa foi um dos melhores do festival.

No outro palco, subia Jorge Cabeleira, banda da carrada do manguebeat, que passou muitos anos em stand by. Mas, que está de volta à cena. Esse ano estão com previsão de lançar disco novo. O show estava quente e quem viu gostou. No repertório, Dirceu Melo apresentou as músicas clássicas do Jorge e apresentou uma inédita.

O dia já era noite quando Cidadão Instigado subiu no palco e fez um show impecável. Mas, o público do Recife tem uma certa particularidade de ser difícil de ser conquistado. As bandas sentem isso e as produtoras mais ainda, quando nem sempre podem arriscar trazer nomes diferentes porque o público não comparece. Não tem interesse pelo novo. Um ponto negativo do Recife, que se diz uma capital multicultural. Homem velho, besouros e borboletas e outros sucessos da banda de Fernando Catatau embalou os fãs e os curiosos que lotaram o espaço ao redor do palco Bem-ti-vi.

Metá Metá subiu no Palco Skol e não surpreendeu. A incrível Juçara Maçal fez um show muito tímido, que não empolgou e nem atraiu muita gente. Fizeram uma apresentação curta e deixaram de lado o hit “São Jorge”, que o público tanto esperou. Aqui, não decolou.

Era a vez dela, a mulher do fim do mundo, mostrar porque está em dias com os palcos apesar da avançada idade. Deslumbrante, Elza Soares apareceu no palco como uma verdadeira rainha para apresentar seu show “Elza e a Máquina”. Ela, como sempre, chegou recheada de discursos feministas, e levou público a loucura. O show em particular não empolgou tanto o público no início. Essa versão de Elza remix pegou o público de surpresa e dessa vez não agradou a gregos e troianos. Mas, levou sua mensagem da melhor forma. “Maria de Vila Matilde” foi o ápice da apresentação. Seu show foi um verdadeiro ato de discurso feminista, enquanto embalava os Seres da Mata com as músicas, vídeos eram exibidos falando os dados do feminicídio. O conjunto da obra foi incrível!

Em tempo, a produção foi muito feliz na escolha do line up. Artistas com discursos engajados, fortes e grandes influenciadores. Todo o festival teve uma pegada feminista e é disso que precisamos mais.

Di Melo subiu ao palco Skol e mostrou que ainda vive. Não trouxe a sua banda oficial, mas representou bem. Levou o público a cantar em coro seus grandes clássicos como “Pernalonga” e “Kilariô”, entre outras. Nada de inovador, mas como dito, o público do Recife gosta do que já conhece. E Di Melo acaba sempre agradando.

Chegou a hora do Baco Exú do Blues mostar porque stá estourado. Um show esperadíssimo e que superou às expectativas. ‘Te Amo Desgraça’ levou o público ao delírio. O show foi empolgante e dançante o tempo inteiro. O Baco é realmente incrível e colocou o povo para pular, abrir roda, se tocar, sentir a energia. Por falar em roda e voltando ao discurso feminista, esse Exú abriu uma roda de mulheres. Só mulheres e glitteres. Um momento de reflexão. Uma ideia certa e muitos aplausos! Baco causou e ganhou, apesar de novidade, o carinho do recifense. Ponto altíssimo do festival.

Nação Zumbi chegou e chegou destruindo tudo. Fez um show instigante e afinadíssimo, o que ficou devendo desde a sua apresentação no Réveillon. O clima do carnaval colocou os mangueboys a dar o melhor e lacrar no palco. O batuque das alfaias em sincronia com as batidas do coração. Tocaram poucas músicas do seu último disco “Radiola”, que não empolgou muito. Mas, a versão “Refazenda” de Gilberto Gil ficou sensacional. “Da Lama ao Caos”, “Banditismo Por Uma Questão de Classe”, “Um Sonho”, “A Melhor Hora da Praia” e mais uma sequência de pedradas tirou o público do chão. Um dos melhores shows do dia.

Letrux e Francisco El Hombre, colocados como headliners do festival, acabaram tocando simultaneamente. Letrux, a feminista, rainha do soud out, a musa do climão, subiu incrível no palco e, se não fossem por atrapalhos técnicos no som, teria feito uma apresentação impecável. Ela estava lá, linda e perfomática representando a ala feminista e mandando a real com seus discursos. “Que Estrago”, “Vai Render”, “Ninguém Perguntou por Você” e quase todas do seu disco solo embalaram seu público fiel que estava ali afim de um climão. Que mulier é essa?!

Francisco El Hobre lacrou com chave de ouro. Que apresentação empolgante, feliz, extraordinária e agradável. Eles fizeram um dos melhores shows da noite, quiçá o melhor. “Calor da Rua”, “Bolso Nada”, “Soltas Bruxas”, “Triste, Louca ou Má”. Pera, uma pausa para esse momento. Ju foi incrível cantando esse hino: “Triste, Louca ou Má”. Deu uma aula de feminismo e pediu: “Homens falem menos e escutem mais as mulheres”. Ela foi ovacionada. Sem contar que ela arrasou com o seu gogó! Ápice da festa. Melhores momentos ever. Francisco El Hombre. Um lacre, é um lacre. Aqui, as portas vão estar sempre abertas!

A 18ª edição do Guaiamum Treloso Rural representou como prévia. Apresentaram uma grade de apresentações dignas de um verdadeiro carnaindie. A produção está de parabéns por ter conseguido realizar, apenas das brigas judiciais, o festival, como ter lotado e agraciado o público com uma vibe de paz e alegria. Pequenos ajustes na produção e a certeza de que a 19ª edição vai entrar para a história. Que venha!

Construindo Não Não Eu: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo Não Não Eu

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o trio de Belo Horizonte Não, Não Eu falando sobre as 20 músicas que mais influenciaram seu som. Não deixe de conferir a playlist com as músicas no Spotify no final do post!

Boy Harsher – “Morphine”
É um dos duos de eletrônico mais dark, intenso e visceral que já conhecemos. Foi uma grande inspiração mórbida e ao mesmo tempo dançante.

Clans Cassino“I’m God”
Devo ter visto esse clipe pelo menos umas 100 vezes durante o processo de composição do disco. Acho que é a música mais sublime e transcendental que já ouvi. Uma pulsão de morte e um desejo pela vida. E esse clipe com mais de 19 milhões de visualizações foi feito por um fã com cenas do filme “Lost in New York” (1989).

Lucas Santtana“Cira, Regina e Nana”
É um dos artistas brasileiros que mais nos influenciaram. Ele transita pelo eletrônico numa brasilidade, sensualidade e minimalismo com caídas precisas e sempre muito profundo. As melodias são simplesmente sensacionais. O show dele é incrível também! Maravilhosoooooo.

Cidadão Instigado “Besouros e Borboletas”
Eles nos estimularam a pensar no rock de novas maneiras, a fugir do óbvio.

Karina Buhr“Eu Sou Um Monstro”
Ela é uma referência de poder da mulher na música e abriu muitos caminhos para toda uma discussão do papel da mulher da música. Essa relação do feminismo foi uma grande inspiração para o disco também.

Jonathan Tadeu“Quase”
Nosso brother que sempre foi uma inspiração sobre como colocar emoções e muita verdade no som que faz.

CAN“Vitamin C”
Não dá para imaginar que eles faziam esse tipo de som já na década de 70. Eu descobri a banda recentemente e fiquei impressionada.

Kraftwerk“Computer World 2”
Não tem como deixar essa clássico de lado. Suas músicas ainda soam muito contemporâneas e tem uma magia que o tempo não é capaz de apagar

The Organ“Love, Love, Love”
É uma banda de mulheres que me fascina muito. Eu descobri o som no início dos anos 00 e desde então nunca parei de ouvir.

Interpol“Obstacle 1”
Quem nunca chorou ouvindo essa música que atire a primeira pedra!

Portishead“Machine Gun”
Me fascina muito a leveza da voz junto ao beat minimalista. Essa música nos ajudou a assumir e a lançar a música “Máquina”, que soa muito estranha ao mesmo tempo em que o vocal mantem uma linha melódica.

Nico“These Days”
É uma das vozes que eu mais amo e uma inspiração para assumir minha própria forma de cantar e fazer com que respirações, erros, desafinações façam parte de todo o conceito do disco.

Alceu Valença“Punhal de Prata”
Essa música traz novas perspectivas para a música brasileira que transcende o tradicional para uma poética visceral e envolvente. Me marcou principalmente a poesia e a relação com a música.

Siba“Preparando o Salto”
É outra grande inspiração para a poesia, a emoção e a visceralidade dos versos. Foi o disco que eu mais escutei em 2014.

Crim3s“Lost”
Como se fosse uma vertente punk do eletrônico, eles foram uma inspiração para explorar sons “estourados”. O que seria um erro foi incorporado como potência estética.

PJ Harvey“Down By The Water”
Ela é minha musa inspiradora principalmente por cantar sobre desejos, obscuridades e subjetividades que muitas vezes tentamos esconder.

Sofi Tukker“Drinkee”
Essa música é muito dançante, com uma guitarra super minimalista e uns beats muito envolventes. Foi uma descoberta recente muito interessante.

Night Drive“Part Time”
Fico chocada o quanto essa música é simples e maravilhosa.

Céu“Perfume do Invisível”
O “Tropix” ganhou vários prêmios e não foi à toa. Muita sensibilidade e muita precisão de arranjos, letra e melodia.

The Dø“Anita No!”
A Olivia Merilahti é maravilhosa e se reinventou no último lançamento da dupla. Vale muito a pena assistir os vídeos ao vivo.

Camila Garófalo respeita o pop e aposta em sua alma rock em “Sombras e Sobras”, seu primeiro disco

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Camila Garófalo

“Ser pop é encontrar o caminho do tesouro perdido”, conta Camila Garófalo. “Acho que fazer música fácil é a coisa mais difícil que existe. Criar um refrão grudento não é pra qualquer um”. A cantora, compositora e guitarrista admira quem consegue criar hits pop que estão no topo das paradas, mas sua alma é totalmente entregue ao rock em seu primeiro disco, “Sombras e Sobras”, produzido em conjunto com Dustan Gallas (Céu, Cidadão Instigado), Bruno Buarque (Céu, Karina Buhr), Thiago França (Metá Metá, MarginalS) e Danilo Prates.

Camila começou sua carreira quando se mudou de Ribeirão Preto para São Paulo, em 2008, e cantava versões de The Doors, Nirvana e Janis Joplin na noite palistana. A partir daí, começou o processo de “Sombras e Sobras”, que foi iniciado em 2010, quando morou em Londres, e virou disco físico em 2014, com lançamentos na Inglaterra, SESC Ribeirão Preto e no popular projeto Prata da Casa do SESC Pompeia, em São Paulo.

Conversei com Camila sobre sua carreira, a aposta no rock, o processo de “Sombas e Sobras” e a admiração pelo pop:

– Como começou sua carreira?
Comecei insistindo pra minha mãe que seria cantora e que queria fazer aula de viola na escola. Ela não botou muita fé e me comprou uma flauta porque era mais barato. Nos outros anos eu insistiria até ela comprar um violão. Na faculdade não estudei música, mas continuei compondo e fazendo meus contatos. Fui me assumir artista aos 22 anos, quando larguei tudo pra fazer só música.

– E isso só foi se concretizar depois que você saiu de Ribeirão Preto e veio pra São Paulo?
Eu vim pra São Paulo com 17 anos pra fazer faculdade de Comunicação. Quando cheguei aqui apenas começou esse processo. Apenas 5 anos depois que eu tomei coragem de encarar o mercado independente como cantora e compositora. Larguei meu emprego, no qual eu escrevia sobre música e me joguei! (Risos)

– Seu primeiro disco, “Sombras e Sobras”, começou a ser produzido em 2010 e foi lançado em 2014. Como foi esse processo?
Isso, foi um longo e doloroso processo. Justamente nesse momento que eu estava para abandonar minha carreira de redatora e encarnar o papel de cantora e compositora. Escolhi as musicas e procurei os caras que eu admirava pra produzir o disco, veio então o Dustan Gallas (Cidadão Instigado) e o Bruno Buarque (Karina Buhr). Gravamos em 4 dias aquilo que eu demorei 4 anos pra planejar. E assim tudo começou.

– Me fale um pouco mais mais sobre o disco.
Então, como foi o meu lançamento acho que o nome “Sombras e Sobras” se encaixa muito. Porque todas as musicas eu compus num momento sombrio, assim como foi sombria a minha caminhada para esse disco. Eu não sabia por onde começar. Fui perguntando e insistindo até dar luz à ele. Quem fez a arte do disco foi o fotógrafo Vitor Jardim e o designer Pepê Ferreira, ambos grandes amigos.

Camila Garófalo por Federico Gomez-1

– Quais são suas maiores influências musicais?
Gosto de citar as minas: PJ Harvey, Patti Smith, Janis Joplin. No Brasil, Cassia Eller e Rita Lee. Atualmente, Karina Buhr.

– Porque investir no rock?
Também não sei (risos). Tem muita gente que gosta, mas parece que não é o gênero mais aceito. Eu pretendo misturar as coisas num futuro próximo. Caí no rock porque não tive escolha, do nada eu estava mergulhada nele.

– Mas por gostar do estilo ou foi algo inconsciente?
Eu gostava de música caipira (risos), fui gostar de rock só com 17 anos quando vim pra São Paulo. Por isso foi ali totalmente inconsciente. Escrevi e o Dustan me disse que era rock. Subi no palco e cantei. Hoje o Rafael Castro (meu guitarrista) me fala que é punk. (Risos)

– O que você acha da cena musical independente brasileira hoje em dia?
Acho que tá todo mundo se ajudando muito. Pelo menos eu conheço artistas incríveis que estão querendo trabalhar juntos. Ficamos presos num sistema opressor que não paga pela arte, mas o povo quer que isso mude! Já não estamos sozinhos, pode não haver dinheiro, mas teremos energia o suficiente para reinventá-lo!

Camila Garófalo

– Você acha que a parada de sucessos está ficando mais pasteurizada hoje em dia?
Antes eu tinha preconceito com as músicas das paradas de sucesso, achava todas fáceis, linguagem acessível, pobre em poesia. Hoje minha ideia é outra. Acho que fazer música fácil é a coisa mais difícil que existe. Criar um refrão grudento não é pra qualquer um. Então há controversas sobre esse lance do que deve ou não deve fazer sucesso. Muitas vezes há uma assessoria de imprensa muito poderosa por trás, isso significa DINHEIRO. Não podemos generalizar. Ou seja, a Anitta é genial sim. Dentro da proposta dela ela é a melhor e por isso merece estar nas paradas de sucesso. (Risos) A gente fica com preconceito em tudo, mas começa a perceber que não é fácil ser pop… Ser pop é encontrar o caminho do tesouro perdido.

– O machismo ainda rola no mundo da música (e do rock)?
Rola muito machismo na música. Quantos convites recebo para promover minha música em troca de uns beijos? Muitos. Quantos músicos não acreditam na sua capacidade de artista apenas por ser mulher? Uma penca. Quantas brincadeiras idiotas escuto dos meus próprios amigos quando o assunto é mulher apenas por eu também gostar de mulher? Uma tonelada. O machismo é geral, e muitas vezes rola um esforço enorme para o identificamos, porque ele pode vir disfarçado também. Mas a gente vai aprendendo a desconstruí-lo e a passar isso adiante.

Camila Garófalo

– Quais os seus próximos passos em 2016?
Compor compulsivamente para que eu consiga começar a visualizar meu segundo disco. Ele ainda está distante mas, aos poucos, consigo me conectar com sua alma e conceito antes mesmo que ele nasça. É uma trabalho profundo e demorado. Enquanto isso a ideia é cair na estrada.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram a sua atenção nos últimos tempos.
Claro, artistas mulheres que admiro e que são minhas amigas: Luiza Lian, Lara e os Ultraleves, Tika, Sara Não Tem Nome, Larissa Baq, Verônica Ferriani, Laya, Bárbara Eugênia.

Ouça “Sombras e Sobras” de Camila Garófalo completo no Spotify: