A importância do sampling: como ele nasceu e os processos envolvendo Kraftwerk

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Como vimos semana passada, o ato de samplear uma música sempre existiu, apesar de só ter recebido este nome lá pela década de 80, quando o processo explodiu de forma tão maluca com a popularização do hip-hop e outros ritmos que “pegavam emprestado” loops de bateria, ou guitarra, ou voz, ou qualquer coisa proveniente de alguma música lançada há alguns anos, para se criar uma nova música.

Em 2010, Adam “Ad-Rock” Horovitz, dos Beastie Boys, deu uma entrevista à Propellerhead onde ele conta como que ele criou seu processo de sampling. “Pause tapes é basicamente quando você possui aqueles rádios com dois toca-fitas, e aquilo era o equipamento mais avançado que você tinha, ao menos era o que eu tinha, que eu podia comprar. Você basicamente fazia loops com a batida tocando do lado esquerdo, o lado que tocava, e gravando no lado direito, o lado que gravava. Você precisava apertar o botão de pausa exatamente no momento que a batida começava e apertava pausa de novo quando a batida terminava, exatamente antes da música começar. Então você voltava a fita esquerda e fazia de novo, repetidamente, e você tinha pequenos loops rolando na fita cassete. É um negócio de homem das cavernas.”

Dentre as histórias engraçadas, há uma de quando ele chegou na casa de outro beastie boy, Adam “MCA” Yauch, e viu uma fita literalmente rodando pela sala, usando pedestais de microfone como suporte, para que essa fita ficasse esticada, numa posição que fosse possível ser tocada infinitamente, com um loop da batida inicial de “When The Levee Breaks”, do Led Zeppelin. “Quem sabia? Quem sabia que você podia fazer aquilo? Eu não sabia!” Segundo Ad-Rock, Yauch ainda exemplificou: “Jimi Hendrix fazia isso! Sly Stone fazia isso!” Até que ele encontra dois grandes problemas: direitos autorais e processos legais.

Adam acredita que o Beastie Boys foi a primeira banda a sofrer um processo judical por sampling. Jimmy Castor Bunch foi um dos artistas que entrou com processo contra ele. Jimmy e outros artistas queriam receber parte dos lucros das músicas. Assim sendo, os Beastie Boys descobriram que, pagando, você pode samplear o que quiser.

Voltando um pouquinho no tempo, em 1977 o Kraftwerk seguia um caminho com um petardo atrás do outro ao lançar “Trans-Europe Express”. O quarteto alemão vinha ganhando um destaque mundial, chegando a ter a música “The Hall of Mirrors” no comercial dos calçados Starsax, tanto nos EUA, quanto no Brasil. No ano seguinte lançavam “The Man Machine” e, em 1982, “Computer Love”, que permaneciam com a mesma criatividade iniciada em “Autobahn”, de 1974.

Em 1982, Afrika BambaataaArthur Baker recriaram trechos das faixas “Trans-Europe Express” e “Numbers”, ambas dos alemães, para compor seu maior hit até os dias de hoje: “Planet Rock”. Esta faixa se tornou pioneira por juntar o hip-hop à música eletrônica, rompendo barreiras entre estilos que não conversavam. Pouco tempo depois era acionado um processo contra a dupla, por não dar créditos e nem dinheiro, ao Kraftwerk.

Maxime Schmitt, da gravadora EMI, e Karl Bartos, do Kraftwerk, comentam sobre o episódio no livro Creative License: The Law and Culture of Digital Sampling, dos autores Kembrew McLeod e Peter DiCola. “Ele [Bambaataa] sabia muito bem o que estava fazendo” diz Schmitt, “ele não colocou os nomes dos autores e não declarou nada”. Bartos adiciona: “era perfeitamente a melodia de ‘Trans-Europe Express’ e a batida de ‘Numbers’. A gente se sentiu muito irritado com isso. Se você lê um livro e copia algo dele, você faz como um cientista, você tem que citar de onde tirou aquilo, qual era a fonte.”

O caso se arrastou por anos, com a vitória dos alemães. Porém, este foi só um dos processos que o Kraftwerk moveu contra outros artistas. A decisão mais recente aconteceu em 2016 onde, desta vez, eles perderam. Este processo se arrastou durante 19 anos e foi contra o produtor de hip-hop Moses Pelham, pelo uso de um sample em “Nur Mir”, single da rapper Sabrina Setlur, lançado em 1997. A corte entendeu que “a liberdade artística se sobrepõe ao interesse dos donos do direito autoral” e que “samplear é um aspecto essencial para a expressão artística de músicos de hip hop”.

Pra não falar só de processos envolvendo samples, Ralf Hütter, co-fundador do Kraftwerk, recentemente entrou com um processo judicial contra uma campanha no Kickstarter de um carregador de baterias que promete ser uma “usina de energia”. “Usina de energia”, em alemão, é “Kraftwerk”. A palavra, que consta no dicionário, é registrada e pertence ao grupo de música eletrônica. A campanha se encontra atualmente suspensa devido ao processo judicial, mesmo após ter arrecadado mais de U$ 1,5 milhão.

A construção de “Sure Shot” (1994), dos Beastie Boys

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Beastie Boys

O Beastie Boys nasceu no Brooklyn, em 1981, como uma banda punk hardcore, e entrou pra história como uma das maiores bandas de hip-hop do planeta. Ela se consagrou com Mike D, Ad-Rock e MCA, este último falecido em 2012, vítima de complicações decorrentes de um câncer. Esse também foi o ano em que o fim da banda foi decretado, e que seus membros foram induzidos ao Rock and Roll Hall of Fame, sendo o terceiro grupo de hip-hop a receber tal honra, após Run-DMC e Grandmaster Flash.

“Ill Communication”, lançado em 1994, foi o segundo disco da banda a alcançar o primeiro lugar na parada americana da Billboard, e já começava com uma grande música, “Sure Shot”. Com uma letra quilométrica, que cita desde coisas do cotidiano, apoio às mulheres, a uma declaração de amor ao vinil, a música é composta de 6 samples, e conheceremos alguns deles agora.

O primeiro sample é “Howling for Judi”, do flautista de jazz nova iorquino Jeremy Steig, lançada em 1970. Ele começa nos 20 primeiros segundos do vídeo e é, curiosamente, também a base da música de Steig. Durante seus 4 minutos e 38 segundos, a faixa vai repetindo as mesmas notas, que recebem uma camada extra de flautas virtuosas.

O sample de bateria é um trecho curtíssimo da música “ESG”, do UFO. Tida como uma das mais influentes bandas de rock de todos os tempos, os ingleses permanecem na ativa. A faixa original foi produzida por Martin Hannett, conhecido como o criador do som de Manchester, e também é um dos principais nomes por trás do lendário Joy Division.

Outro sample que compõe a faixa, mas que aparentemente não está disponível para o Brasil em plataforma alguma, é do disco “The Funny Sides”, da comediante Jackie “Moms” Mabley. Na música a citação aparece em um scratch aos 1:48. Moms nasceu na Carolina do Norte em 1894, ou seja, 100 anos antes do lançamento da música dos Beastie Boys.

Vale a pena citar também “Rock the House”, do Run-DMC. Ela aparece na última parte de “Sure Shot”, iniciando aos 2:58. O trio iniciou suas atividades também em 1981, e entrou para o estrelato pop ao ajudar o Aerosmith a voltar para os holofotes em 1985, quando resolveram adicionar uma nova batida a “Walk This Way”, lançada originalmente em 1975. A mistureba deu tão certo que levou o Run-DMC ao quinto lugar do Billboard Hot 100, um feito inédito pra um grupo de hip-hop.

O resultado de “Sure Shot” você confere no vídeo abaixo.

15 discos de mashups que são verdadeiras obras-primas musicais

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Um mashup, também conhecido como mesh, mash up, mash-up, blend, bootleg e bastard pop, é uma música criada a partir da mistura de duas ou mais canções já existentes, normalmente usando o vocal de uma em cima do instrumental de outra, para que se combinem e criem algo novo. Esse tipo de criação ficou famosa no começo dos anos 2000, com a mistura de Christina Aguilera e The Strokes “A Stroke Of Genius”, que unia “Genie In A Bottle” e “Hard To Explain” e trazia à luz algo totalmente novo, unindo o rock garageiro com o pop plastificado. A partir daí os mashups tomaram o mundo, chegando até à grande mídia com discos como “Collision Course”, que unia Jay Z e Linkin Park, e o espetáculo “Love”, do Cirque du Soleil, com um grande mashup da obra dos Beatles.

Existem diversos discos completos usando o mashup como base, e alguns são verdadeiras obras-primas. Selecionei 15 deles:

Team Teamwork“Ocarina of Rhyme”

Misturar Dr. Dre, Mike Jones, Jay Z, Clipse e outros rappers renomados com a trilha sonora de Zelda é algo que só uma mente genial e divertida conseguiria fazer. Lançado em 2009, o disco é ótimo mesmo para quem não é fã da saga de Link.

DJ Danger Mouse“The Grey Album”

Hoje em dia o Danger Mouse é um reconhecido produtor e fez trabalhos como o último disco dos Red Hot Chili Peppers, “The Getaway”, do ano passado. Em 2004, no auge dos mashups, ele caía de boca unindo o disco “The Black Album” do Jay Z com o clássico “The White Album” dos Beatles, resultando no premiado “The Grey Album”. A junção de faixas como “What More Can I Say” com “While My Guitar Gently Weeps” são impecáveis.

Alex Hodowanec“Yeezer”

O estudante da Universidade de Ohio Alex Hodowanec se inspirou no “Grey Album” pra criar “Yeezer”, com 10 faixa que unem Kanye West com Weezer de uma forma nunca antes imaginada. “A primeira música que trabalhei foi misturando ‘Through The Wire’ do Kanye com ‘Beverly Hills’. Assim que essa fechou, eu pensei ‘já que fiz esse, melhor fazer mais nove, certo?'” Hoje em dia é incrivelmente difícil de achar para baixar ou assistir mesmo no Youtube.

Wugazi“13 Chambers”

Inacreditavelmente, este disco de 2011 consegue unir com perfeição os raps do Wu Tang Clan com o hardcore do Fugazi. Faixas como “Sleep Rules Everyything Around Me” são sensacionais.

Dean Gray “American Edit”

Em novembro de 2005 o Dean Gray (uma piadinha com um anagrama de Green Day) foi lançado, misturando o disco de 2003 que levou o trio de punk rock de volta aos topos das paradas com tudo o que você pode imaginar. Lógico que deu rolo com a gravadora, que fez questão de tirar do ar o disco. A faixa “Boulevard Of Broken Songs”, misturando Green Day com Oasis, chegou a ser um semi-hit.

The Kleptones“A Night At The Hip Hopera”

Misturando a música do Queen com rap e muitos trechos de filmes como “Curtindo A Vida Adoidado”, “A Night At The Hip Hopera”, de 2004, foi banido pela Hollywood Records, é claro, pelo uso de seus samples. Dá pra ouvir no Soundcloud:

Fela Soul“Amerigo Gazaway”

“Fela Soul” é, além de um ótimo trocadilho, uma união incrível. Fela Kuti com certeza é uma influência no De La Soul, então fazer essa mistura era praticamente algo natural. Ainda bem que aconteceu.

Otaku Gang“Life After Death Star”

Criado pelo rapper Richie Branson e o produtor Solar Slim, o disco reune as clássicas músicas de John Williams para a saga Star Wars com os versos pesados do Notorious B.I.G.

DJ BC“The Beastles”

Quem diria que o quarteto de Liverpool soaria tão bem quando misturado com o trio de Nova Iorque, hein? O “The Beastles” criado pelo DJ BC já tem três discos completos que misturam Beastie Boys com Beatles de forma maestral.

The Kleptones“Yoshimi Battle the Hip Hop Robots”

Uma improvável colisão entre o Flaming Lips com vários rappers e o resultado é “Yoshimi Battle The Hip Hop Robots”. Aliás, improvável na época, já que hoje em dia uma das maiores colaboradoras da banda é a super improvável Miley Cyrus.

DJ Max Tannone“Jaydiohead”

Radiohead e Jay-Z unidos pelo DJ Max Tannone, de Nova Iorque, também conhecido pelo seu antigo nome de guerra Minty Fresh Beats. Surpreendentemente bom.

Seanh2k11“Sadevillian”

O disco pega os raps pesados e inusitados de MF DOOM e traz toda a sensualidade da rainha do R&B Sade para dar o clima. Funciona perfeitamente bem. Confira nas sete faixas do álbum:

Coins“Daft Science”

O DJ e produtor de Toronto Coins ficou dois anos preparando o disco que mistura as rimas certeiras dos Beastie Boys com samples de tudo que o Daft Punk já fez. “Daft Science” foi lançado em 2016 e pode ser ouvido no Bandcamp:

Wait What“Notorious XX”

O par The XX e Notorious B.I.G. pode parecer fora do comum, mas o produtor de São Francisco Wait What conseguiu fazer com que a união parecesse feita para acontecer. Lançado em 2010, “The Notorious XX” teve mais de um milhão de downloads e ganhou do The Guardian o título de “melhor disco de mashup de 2010”.

João Brasil“Big Forbidden Dance”

O DJ brasileiro que tocou até nas Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016 pega um monte de funk carioca e mistura perfeitamente com Madonna, Raimundos, The Strokes, Iron Maiden, The Offspring e muito mais. Inacreditável de tão bacana. Hoje em dia tá difícil de achar pra baixar.

A fita K7 com “No Alternative” e uma das melhores introduções ao rock alternativo

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No Walkman, por Luis Bortotti

“No Alternative” é uma compilação lançada em 1993 em prol da luta de combate à AIDS, da Red Hot Organization, pelo selo Arista. Idealizada por Paul Heck e Chris Mundy, que passaram 2 anos montando o projeto todo, a obra trouxe grandes nomes do rock alternativo que dominava as paradas mundiais no começo da década de 90.

Meu primeiro contato com o álbum foi totalmente inconsciente, afinal, emprestei de um amigo a fita K7 que tinha uma música inédita do Nirvana. Era apenas uma música que eu queria escutar (ainda mais porque na época eu praticamente só escutava o trio de Aberdeen), entretanto, acabei recebendo de bandeja uma dezena de músicas sensacionais de bandas e artistas que passaria a escutar nos anos seguintes.

A tal música do Nirvana, de fato, é uma das principais do disco. Não creditada na versão original da compilação, “Sappy” é uma sobra de estúdio do In Utero” (também de 1993). Entretanto, já era tocada pela banda desde 1989, tendo versões rejeitadas pré-Nevermind”. Na época do lançamento do disco, ela ficou conhecida pelos fãs como “Verse Chorus Verse”, que viria ser o nome dado a outra canção da banda.

Claro que escutei à exaustão a música, afinal, era uma música inédita da minha banda preferida. Ainda mais em uma época em que a internet ainda caminhava em downloads lentos e com poucas fontes de B-sides e raridades. Mas, com o tempo, arrisquei conhecer o que aquela pequena fita tinha a me oferecer. E foi amor à primeira ouvida de várias músicas.

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Entre faixas inéditas, sobras de estúdios e versões ao vivo, “No Alternative” se mostrou um disco incrível. Mesmo eu mal conhecendo quem estava ali.

Uma das primeiras que fez eu viciar o botão de rewind foi “Iris”, do The Breeders, em uma poderosa versão ao vivo. Com ela, os caminhos para se viciar em The Breeders e Pixies estavam mais do que abertos.

O mesmo com o Pavement, que aqui marca presença com “Unseen Power of The Picket Fence”, b-side do single, que ainda seria lançado, “Shady Lane”, em plena declaração ao REM. Mal havia parado de ouvir e logo ganhei o Wowee Zowee” (sem encarte ou caixinha) de um ex namorado da minha irmã.

“No Alternative” é realmente um passeio por grandes ápices dos anos 90. A fita K7, com ele gravado, me apresentou o mundo do The Smashing Pumpkins, de Billy Corgan, graças a “Glynis”, “Zero” e “Bullet with Butterfly Wings”, que também estavam gravadas com o disco, e reforçou as primeiras escutadas de Soundgarden, afinal, eu estava descobrindo o grunge. O baixista doidão, Ben Shepherd, assina “Show Me”.

Do rock ao hip hop alternativo, com “It’s The New Style” dos Beastie Boys, de quem eu sempre adorava os clipes e depois iria pirar com o punk hop (???) do Licensed to Ill”, indo até o folk canadense de Sarah McLachlan, que me lembrava muito Alanis.

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O disco ainda conta com um dos pais do rock alternativo, Bob Mould, com “Cant Fight It”, Buffalo Tom, com “For All To See” e até Goo Goo Dolls fazendo cover de “Bitch” do Rolling Stones.

No total, são 19 fantásticas faixas lançadas no dia 26 de outubro de 1993, ou seja, na explosão da cena alternativa. No ano seguinte foi lançado um VHS, em parceria com a MTV, com videoclipes e performances ao vivo de algumas canções da compilação e de apresentações de outras dos artistas participantes e apoiadores da causa. O home video também vinha com informações sobre o combate à AIDS.

E fica a minha oferta de você adentrar aos anos 90 ao som da excelente compilação “No Alternative”, da Red Hot AIDS Benefit Series, uma coleção de compilações dos mais diversos gêneros musicais que arrecada, anualmente, importantíssimos apoios aos portadores de AIDS, além de conscientizar toda uma sociedade através da cultura pop.

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NO ALTERNATIVE 1993 | CURIOSIDADES

– O disco possui duas versões de capas diferentes. A versão com o garoto censurado não possui a faixa do Nirvana listada, já algumas versões do CD com a garota censurada na capa, possuem o nome gravado como “Verse Chorus Verse”.

– No Record Store Day 2013, “No Alternative” foi relançada pela primeira vez em vinil, em uma edição especial comemorativa de 20 anos. Curiosamente, algumas dessas versões também saíram sem os créditos ao Nirvana, mantendo assim a arte das primeiras prensagens.

– A versão em K7 possui duas músicas adicionais: “Burning Spear”, do Sonic Youth, e “Hot Nights”(live), de Jonathan Richman.

NO ALTERNATIVE 1993 | #TEMQUEOUVIR

1. “Superdermormed” (Matthew Sweet)
2. “For All to See” (Buffalo Tom)
7. “Unseen Power of the Picket Fence” (Pavement)
8. “Glynis” (The Smashing Pumpkins)
9. “Can’t Fight It” (Bob Mould)
10. “Hold On” (Sarah McLachlan)
11. “Show Me” (Soundgarden)
16. “It’s The New Style” (Beastie Boys and DJ Hurricane)
17. “Iris” (The Breeders)
19. “Sappy” (Nirvana)

NO ALTERNATIVE | OUÇA AGORA!

5 playlists incríveis no Spotify para fazer a trilha sonora de sua quinta-feira

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Um dia desses aí o Spotify me convidou pra ir lá em sua residência brasileira. É lógico que eu topei na hora, já que hoje em dia ele é um companheiro de todas as horas e tá cheio de músicas, discos e artistas pra fazer a trilha sonora sempre que necessário (ou seja, sempre).

Mas uma coisa que falaram lá realmente tocou meu coração: precisamos fazer mais playlists. Lembram das mixtapes feitas em fita K7 que ajudavam todo mundo a conhecer novas músicas e artistas? Lembram das seleções gravadas com CD-R que eram copiadas a torto e a direito entre seus amigos quando rolava uma playlist incrível? Pois é, isso agora está muito mais fácil e ao alcance de todos lá no Spotify (mesmo os que não pagam assinatura Premium e usam o aplicativo de graça, viu?)!

Escolhi 5 belas playlists feitas no Spotify para acompanhar a sua quinta-feira e, porque não, seu final de semana.

P.S. – Aliás, se você tiver feito alguma playlist sensacional ou acabou trombando com uma playlist incrível por lá, manda aqui nos comentários!

1. The New Retro

Esta playlist do Spotify mostra novidades com sabor de pérola antiga. Músicas cheias de inspiração em soul, blues, folk, funk e por aí vai. Entre as bandas e artistas, The Cactus Blossoms, Benjamin Booker, Lake Street Dive e Foy Vance.

2. Beastie Boys Samples

Mike D, MCA e Adrock sempre foram conhecidos pela criatividade tremenda de onde buscavam os samples para suas músicas, especialmente em seu segundo disco, “Paul’s Boutique”. Pois é, o Danilo Cabral compilou mais de 170 músicas que foram sampleadas pelo trio em suas músicas, em ordem:

3. I FEEL GOOD

Beto Chuquer mostra o melhor das playlists que rolam na festa I FEEL GOOD. Muito funk, soul e suíngue. Prepare os quadris e rebole ao som de Aretha Franklin, De La Soul, Al Green, Stevie Wonder e Snoop Dogg.

4. Mulheres na Música

A Debbie Hell, dos blogs Ouvindo Antes de Morrer e Música de Menina e das festas Gimme Danger (Squat) e No FUN (Clube Outs), além de mentora do programa Debbie Records na Brasil 2000 e mil e um outros projetos criou essa playlist de mulheres extraordinárias no mundo da música. Do soul ao funk, do rap ao rock, de Joan Jett a Tati Quebra Barraco, a Debbie compilou tudo:

5. The Funky Crimes of the RHCP

Quem me conhece sabe que minha banda preferida é Red Hot Chili Peppers, e apesar de também curtir as baladas e as influências punk da banda, o lado preferido do grupo de Anthony Kiedis e Flea é a veia funk que nunca deixou a banda. Fiz uma playlist com as músicas mais funky do quarteto de Los Angeles, indo do primeiro disco, de 1983, até o mais atual, “I’m With You”, de 2011:

Quando os Beastie Boys juntaram “Sweet Leaf” do Sabbath com “When The Levee Breaks” do Zeppelin

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O primeiro disco dos Beastie Boys, “Licensed To Ill’, colocou o trio em um pedestal. Os três rappers foram alçados à condição de estrelas e fizeram o maior sucesso com clássicos como “No Sleep ‘Til Brooklyn” e a paródia dos headbangers “Fight For Your Right To Party”, além da festeira “Brass Monkey”. O disco vendeu que nem água e a música que abre o álbum com os dois pés na porta amassando latinha de cerveja na testa é “Rhymin and Stealin'”.

Se você reparar bem, conseguirá desvendar os dois samples que, unidos, fizeram desta música uma das melhores aberturas de discos de rap de todos os tempos.

A primeira é a bateria destruidora de John Bonham em “When The Levee Breaks”, do Led Zeppelin. Uma das grandes forças do Zep sempre foi a bateria firme e pesada de Bonham, que deixava qualquer música mais completa. É o caso dessa, do disco “Led Zeppelin IV”, em que a introdução feita pelo baterista é reconhecível na hora. Ah, inclusive essa bateria foi sampleada por mais de 100 artistas, entre eles Eminem, Björk, Dr. Dre, Alphex Twin

Pra deixar a música ainda mais incrível, que tal misturá-la com outros deuses do rock? A segunda música que criou “Rhymin’ and Stealin'” é um clássico do disco “Master Of Reality”, do Black Sabbath. A ode do quarteto inglês à maconha contém os sempre criativos e grudentos riffs sombrios de Tony Iommi, que casaram incrivelmente com a bateria de Bonham. Ou seja: o som dos Beastie Boys é quase um precursor do mashup!

O duo FingerFingerrr abre com o pé na porta a estreia da festa Rock Lobster, no Neu Club

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Foto: Daniela Ometto

No dia 02 de maio, sábado, estreia no Neu Club a festa Rock Lobster, onde este que vos fala e Raul Ramone (do Degenerando Neurônios) colocarão nas pickups o melhor do rock alternativo, tentando fugir um pouco dos hits repetidos à exaustão na noite paulista. Para inaugurar esta empreitada com o pé na porta, a banda FingerFingerrr fará o show do esquenta, prometendo deixar os tímpanos mais sensíveis zumbindo.

Formado por Flavio Juliano (voz/guitarra/baixo) e Ricardo Cifas (bateria/voz/teclados), o duo FingerFingerrr possui um som que mistura influências de punk rock e hip hop. Em 2013, a banda lançou seu EP de estreia, “The Lick It EP”, partindo na sequência para os EUA, onde fizeram uma série de show, inclusive na lendária casa de discos Cactus, em Houston, além de participar do circuito alternativo do SXSW. No Brasil, os shows continuaram nas principais casas indie de São Paulo, dentre elas a Casa do Mancha, Puxadinho e Beco 203, onde dividiram o palco com a banda francesa The Plasticines. Em 2014, uma nova tour pelos EUA, dessa vez com diversas datas por Nova York e Los Angeles.

Em 2015 a banda lançou seu novo single, “Buck You”, e está preparando seu disco de estreia até o final do ano.

Conversei com Flavio e Cifas sobre a carreira da banda, o single “Buck You” e o circuito independente de São Paulo:

– Como a banda começou?

CIFAS: Eu e o Flavio tocamos juntos desde 2008, tivemos algumas bandas e projetos com outros parceiros. Dentre esses trabalhos a gente montou o FingerFingerrr que, no começo, era um quarteto. Com essa formação gravamos “The Lick It EP” e fizemos diversos shows. Há cerca de um ano nos tornamos um duo e começamos a trabalhar de forma integral na banda.

– Como surgiu o nome FingerFingerrr?

FLAVIO: Eu queria um nome que tivesse uma palavra muito fácil mas que ao mesmo tempo tivesse uma particularidade na sua escrita. Cheguei na palavra “Finger”, que eu sempre gostei e que a maioria das pessoas conhece a tradução. Falei pro Cifas e rapidamente a gente chegou ao FingerFingerrr. É tão legal que tem que ser escrito duas vezes. O nome não é pra ter um significado claro e concreto mas é incrível como a palavra “dedo” sugere um monte de coisa para as pessoas.

– Quais são as principais influências musicais da banda?

FLAVIO: Qualquer música, de qualquer banda ou artista, ou fração de som pode ser uma influência. Mas em termos de sonoridade, dá pra dizer que um ponto de partida pra entender nosso som é baseado em tudo que eu ouvia quando comecei a entender música, de Chili Peppers e Guns N’ Roses, até Blur e Radiohead; e algumas características do rap/punk do Beastie Boys e aquela pressão e atitude do Hip Hop e Rap dos anos 90, e como ele evoluiu até agora.

– Vocês acabaram de lançar o single “Buck You”. Podem falar um pouco mais sobre esta música?

FLAVIO: A primeira versão dela foi feita em 2012 no meu lap. Os timbres eram muito mais puxados para o hip hop do que qualquer coisa. Quando chegou a hora de realmente gravar em estúdio, não estava soando bem. O Gianni Dias, que formou o FingerFingerrr com a gente, produziu a faixa e chegamos num novo arranjo – mais banda, menos computador. O Gianni mixou e masterizamos em Nova York. A história da composição mesmo aconteceu baseada num encontro inesperado que tive com uma ex-namorada numa época que morei em Paris. Eu estava amargo, crítico e tentando entender o coração quebrado – então fui pra Paris ficar mais ‘perto‘ da cultura e cidade dela, mas sem encontrá-la pois a gente não estava se falando. Então, totalmente sem querer, a gente trombou um no outro num protesto em Paris. Conversamos rápida e cordialmente, e pronto… não a vi mais. Alguns meses depois veio a música… o instrumental primeiro, logo em seguida a melodia e boa parte da letra juntos.

– Como é o processo de composição de vocês?

CIFAS: A gente usa várias formas de compor tanto a letra quanto a música e elas sempre se misturam durante o processo. Tem vezes que eu chego com uma ideia, ou o Flavio muitas vezes chega com ideias ou a gente faz jams e começamos uma ideia juntos. A partir dai a gente pega esse material e tenta desenvolver ele ao máximo criando outras partes e caminhos para aquela ideia inicial que pode ser um refrão, um verso, uma melodia ou riff. Nesse processo a gente grava tudo, desde a primeira vez que aquela ideia foi executada até como ela se transformou após um mês tocando e gravando. A gente ouve tudo e bate o martelo de como a musica soou melhor no processo e pronto!

– Se vocês pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?

CIFAS: Tem várias musicas que a gente gosta, “Tender” do Blur é demais, a gente já tocou “National Anthem” do Radiohead, que é muito boa, “AA UU”, do Titãs é muito foda também. Acho que o que não falta nesse mundo é música boa pra se tocar. Mas quanto a isso, acho que o público e as bandas tem que valorizar a música autoral. O “culto” ao cover e principalmente as bandas cover é uma das coisas mais nocivas ao mercado independente e autoral. Primeiro porque essas bandas acrescentam muito pouco pra cena musical da sua cidade, elas apenas reverberam o que já é sucesso e dão subemprego para alguns músicos. Muitas vezes as casas/bares/bandas fazem isso afirmando que o cover atinge mais público e lota a casa. Isso é subestimar o público, é chama-lo de burro. E não somente isso, é querer se eximir de produzir cultura e ganhar dinheiro com isso. Ainda bem que existem diversas casas de sucesso que são voltadas para a música autoral e é cada vez mais crescente a vontade do público de ver coisas novas.

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– O rock pode voltar ao topo das paradas no Brasil?

CIFAS: Isso é uma questão de mercado, não sei se necessariamente isso seria bom pro rock. Prefiro fazer parte do processo que está consolidando o circuito independente de música no Brasil para que as bandas e compositores consigam viver de seus trabalhos em todas as esferas de sucesso, desde o cara que produz um grande hit até o artista independente que tem uma inserção de mercado bem pequena. Não adianta o rock bombar e um artista ganhar milhões e todos os outros não ganharem nada, ou muito pouco. Essa equação está mudando e isso só faz com que as pessoas produzam mais e vivam da sua arte.

FLAVIO: E se o rock voltar ao topo, a banda ícone que bombar tem que fazer muita questão de trazer o gênero inteiro consigo – apoiando, criando um selo, vendendo etc.

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma banda independente?

CIFAS: Existem muitas dificuldades para se ter uma banda. Acho que antes de mais nada você deve ter a plena convicção do que quer, da sua ideia, e pensar que música é a sua expressão, é a forma que vai traduzir essa ideia. Sinceridade e honestidade com o que você faz e com o seu público sempre. Ah, e trabalhar quase 24 horas por dia, todos os dias… (risos)

– Quais são os próximos passos da FingerFingerrr?

FLAVIO: Esse ano vamos fazer a turnê de divulgação do nosso novo single “Buck You” pelo Brasil e América do Sul. Também já temos datas marcadas em junho nos EUA. Em setembro entramos em estúdio para gravar nosso primeiro disco mas ainda não sabemos se vamos lançar ainda esse ano ou no começo de 2016.

– No dia 02 vocês se apresentam no Neu Club abrindo a festa Rock Lobster. A casa sempre conta com “esquentas” com bandas autorais. Vocês acham que este tipo de apoio a bandas autorais está em falta em São Paulo?

CIFAS: Eu acho que é crescente a demanda de casas autorais em SP, o público tem ouvido cada vez mais as bandas independente e as bandas estão se propondo a serem cada vez mais profissionais. Essa é uma receita de sucesso. A iniciativa da Neu é super legal, tem tudo pra dar certo e somar com todas as alternativas independentes que estão acontecendo na cidade de São Paulo.

– Quais bandas novas e independentes vocês recomendariam para que todo mundo ouvisse?

CIFAS: Tem muitas: Mel Azul, Pure, Garotas Suecas, VRUUMM, Eduardo Barretto, Inky, Far From Alaska, Vitreaux, Boom Project, Bixiga 70, Bárbara Eugênia, Carne Doce, André Whoong, Nana Rizinni, Holger, Leo Cavalcanti, Moxine, Karina Buhr, Tatá Aeroplano, Wolfgang, DaVala e o Núcleo Sujo, Single Parents, Sheila Cretina, Apanhador Só, Vivendo do Ócio… Isso é que dá pra lembrar de agora…

Ouça “The Lick It EP” aqui:

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Serviço:

Rock Lobster @ Neu Club
Quando: 02/05/2015 (sábado)
Esquenta: FingerFingerrr (22h, grátis – quem chegar para o esquenta não paga para ficar na festa)
Preços:
*Com lista: R$15 (entrada) ou R$40 (consumação)
Sem Lista: R$25 (entrada) ou R$60 (consumação)
Lista: Mande seu nome para [email protected]
*Confirmação no evento do Facebook já garante seu nome na lista https://www.facebook.com/events/1709576705936445/
Endereço: Rua Dona Germaine Burchard, 421, Barra Funda

Amsteradio parodia o samba em seu disco “Fight For Your Right… to Samba” e renega comparações com Los Hermanos

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A Amsteradio veio do Rio de Janeiro, fez PUC, cria letras em português e cita Weezer entre suas experiências, mas não ouse compará-los ao Los Hermanos. “Dois terços da banda detesta eles”, disse o vocalista Gabriel Franco. Com letras divertidas e cutucadas certeiras na enxurrada de bandas que vieram surfando na onda dos barbudos cariocas, o Amsteradio apresenta seu rock cheio de influências de britpop, shoegaze e rock alternativo dos anos 90 em “Fight For Your Right… To Samba”, lançado em junho de 2014, e em seu recém-lançado novo single, “Pedante Bounce”.

A banda é formada por Gabriel Franco (guitarra e voz), Igor Duarte (baixo) e Antonio Cheskis (bateria) e está na ativa desde 2010. Conversei com Gabriel sobre a carreira da banda, Los Hermanos (só pra irritar) e rock em português:

– Como a banda começou?

A banda começou no final de 2010 quando estávamos na escola ainda. Eram 3 integrantes, Eu na guitarra (Gabriel), Antonio Cheskis na bateria e o Pedro Motta no baixo. Depois o Motta virou o segundo guitarrista e o Igor Duarte entrou no baixo. Lá pelo final de 2011 o Motta saiu e ficamos como um trio até então, e aí sim começamos a compor mais até que em 2012 gravamos e lançamos o primeiro EP (“Sino ou Pilotis”).

– Como surgiu o nome Amsteradio?

O nome surgiu de um grupo em que os nossos amigos usavam pra compartilhar música no Facebook. O nome que a gente usava antes era “POW!”, porque queríamos algo que remetesse a power pop, mas acabou que ninguém curtia o nome e alguém sugeriu Amsteradio. Não que Amsteradio seja um nome muito melhor (risos). Mas acabou ficando e é fácil de achar a gente no Google, se você souber como escreve o nome certo (esse é mais um problema).

– Quais são as principais influências musicais da banda?

Variaram um bocado ao longo do tempo de existência da banda. Mas algo que a gente ouvia desde o colégio e que todos os integrantes sempre gostaram é Libertines e Weezer. Acho que do que temos gravado até agora, essas duas as duas principais referências. Uma banda daqui do Rio, chamada Los Bife, também foi bem importante como inspiração, principalmente na parte do humor nas letras e aquela coisa toda. Depois começamos a diversificar mais nas influências, no disco acho que já entrou umas coisas mais surf rock, aquele reverb na guitarra e tal. Quanto às letras, eu sempre gostei daquele negócio cheio de referências e bem cotidiano, como essas músicas são antigas e muitas foram feitas entre 2011 e 2013, ainda têm muito daquela temática adolescente, e aí entram todos aqueles que serviram de inspiração, como o primeiro disco do Violent Femmes, o “Pinkerton” do Weezer e o primeiro dos Arctic Monkeys. Pras coisas novas eu acho que a gente tem assimilado algo dos anos 90, mais pro lado do Pavement ou sei lá, talvez um pouco de shoegaze também.

– As matérias que vi sobre a banda citam muito o Los Hermanos quando vão falar de vocês. Vocês foram influenciados por eles?

Poxa, sinceramente a gente não ouviu muito isso não. Inclusive, dois terços da banda detestam bastante Los Hermanos. Pessoalmente, acho que se a gente tirou algo deles foi do primeiro CD, que é bem diferente do resto. Acho que a gente ficou bem cansado da estética toda dos Los Hermanos e das bandas dos nossos conhecidos que vieram depois e resolveram adotar essa estética do brasileirismo e das melodias arrastadas. Inclusive as faixas que dão nome ao nosso disco, as “Samba Part.1” e “Samba Part.2” são paródias de uma banda dessas “pós-Los Hermanos”, a gente tá fingindo tocar e cantar como uma dessas bandas e dá uma zoada nelas na letra.

Talvez quem fale que lembra Los Hermanos é apenas pelo fato de sermos cariocas, estudarmos na PUC e aquela coisa, mas isso é meio preguiçoso de se comparar, porque sinceramente quem conhece bem Los Hermanos e conhece bem nossa banda, saca que não tem muito a ver não (risos).

– Como é o processo de composição de vocês?

Normalmente eu faço um esboço da música e letra em casa e no ensaio a gente termina, com todo mundo opinando e criando sua parte até chegar no resultado final e a gente ficar satisfeito.

– As letras bem-humoradas saem naturalmente ou vocês já compõem buscando que as músicas sejam dessa forma?

O tal do humor nas letras começou com a fato de que quando formamos a banda, queríamos fazer algo que nossos amigos próximos da escola pudessem curtir e achar divertido. Daí entram aquelas referências e os arquétipos da Menina Indie, do maconheiro que termina a noite no Fornalha, as saídas por Botafogo, o bairro que a gente frequenta, e por aí vai. As pessoas riem porque se identificam e já viveram algo parecido com aquilo, até porque as coisas que a gente relatou em sua maioria aconteceram de verdade. Acho que o humor sai naturalmente, até porque se a gente quiser compor uma coisa mais triste, vai sair tão natural quanto, porque eu escrevo sobre o que eu acho relevante no momento, a gente nunca se considerou uma banda de “rock comédia”, longe disso na verdade. Nos próximos lançamentos não vai ter tanto bom-humor assim, pode ser que haja ainda uma certa ironia nas letras, mas acho que está mais perto de um mau-humor do que de um bom-humor.

– O trocadilho com Beastie Boys no título “Fight For Your Right… to Samba” é incrível.

Então, existe essa música dos Beastie Boys chamada “Fight For Your Right (To Party)” que parodia os grupos de hair metal na época. Houve um grande mal entendido com ela e acabou que o próprio público que eles estavam zoando curtiu a música, transformou ela num hino, e não entendeu a paródia. A gente tentou fazer algo parecido, só que com o tal do “indie-sambinha”, esse negócio, muito frequente por aqui no Rio de que você tem que colocar brasileirismo em tudo pra ser relevante. Aí nossos conhecidos metem uma escaleta, e um pandeiro no meio de uma música que não tem nada a ver só pra soar mais brasileiro. A gente achou que essa parada tava saturada demais e tava começando a ficar muito farofa, e resolvemos dar uma gastada neles. Aí criamos a música “Samba Part.1” em que a gente simula tocar igual a uma banda desses conhecidos e brincamos com a atitude deles na letra. Em “Samba Part. 2” vem o verso que dá nome ao cd: “Fight For Your Right (TO SAMBA)”. É a mesma ideia que os Beastie Boys tiveram na época de zoar seus contemporâneos ou assim como o Blur fez em “Song 2” parodiando o grunge. Eu tava ciente de que muita gente poderia não pegar a piada, e muita gente não pegou, mas essa que é a graça, porque nego ouve a “Samba Part 1” sem prestar atenção, ou não ouve o álbum todo, o que é super normal, e não saca que a gente na verdade tá gastando quem curte indie-sambinha.

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– Se vocês pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?

Eu queria tocar qualquer coisa do Pavement (risos). Mas acho que se for pra pegar algo que a banda toda curta, a gente tocaria alguma menos óbvia no Norvanão ou do Sonic Youth, Weezer antigo, ou sei lá.

– Parece que hoje em dia poucas bandas de rock novas estão cantando em português. Porque isso ocorre?

O português soa meio estranho aos ouvidos às vezes. Nem todas as melodias ficam boas de verdade em português e muita coisa que você escreve pode soar meio ridícula. Tem que se tomar mais cuidado ao escrever em português e aí muita gente acaba cantando em Inglês porque realmente é mais confortável. Outro motivo é que hoje, com internet, se você cantar em inglês pode atingir um público mais amplo, e aí é com cada um, se a banda busca isso, tudo bem também. Eu tinha mais problema com banda brasileira que cantava em inglês há uns anos atrás, mas deixei isso de lado, tem muita coisa interessante por aí, é besteira ficar com preconceito por isso.

– O rock pode voltar ao topo das paradas no Brasil?

Hoje o mercado é dominado por sertanejo universitário e o funk. Acho que o Rock vai ficando cada vez mais de nicho. Não creio que vá atingir um público tão grande quanto o sertanejo e funk tão cedo, e sinceramente as bandas de “Rock” e estão assinando com as gravadoras maiores tipo Banda Malta, Suricato e essas coisas, a gente acha um saco.

Mas é por aí, é um público de nicho e é limitado. Mas mesmo que não volte a ser algo super relevante como nos anos 80, ainda tem muita coisa boa, tipo Apanhador Só e O Terno, eu consigo ver alguma dessas duas com algum single que possa atingir mais gente algum dia.

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma banda independente?

Tem que gastar muito dinheiro, tudo é caro pra caramba. Acho que esse é o principal problema (risos).

– Vocês estão em turnê atualmente?

Atualmente não, mas depois que lançarmos nosso próximo material, queremos ir pra São Paulo inicialmente e aonde mais for possível. Tem uma boa galerinha de internet ouvindo a gente por aí e dá muita vontade de fazer show pra esse pessoal.

– Quais são os próximos passos da Amsteradio?

Terminar o nosso single duplo novo e fazer um clipe pra ele. Vai ser um clipe duplo, tipo um curta pra essas duas músicas que se ligam. Tá meio diferente e mais viagem. A primeira música inédita é uma versão mais dream pop e mais triste do Amsteradio antigo, e a segunda é um shoegaze bizarro.

Ouça mais do Amsteradio aqui:

O que andei ouvindo – 17 a 23/03

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https://twitter.com/joaopedroramos/status/579967540228669440

De La Soul – Ouvi bastante o “3 Feet High and Rising”. O que eu mais me perguntei enquanto ouvia foi “porque diabos não ouvi isso antes?” Na verdade, o moleque de 13 anos fã dos Beastie Boys que eu fui deveria ter colocado as mãos neste grande disco de 1989, pra fazer par com o “Licensed to Ill” que não saía do toca-discos. Bom, antes tarde do que nunca.

Dinosaur Jr. – O disco que eu ouvi foi o “Bug”, de 1988. É, essa semana eu fiquei bem ouvindo as coisas lançadas lá no finzinho dos anos 80. Pra juntar com um fato atual que tá em alta, esse disco contém “Freak Scene”, música o Blink-182 coverizou em uma de suas primeiras demos (e hoje a banda tá desmantelando, ou pelo menos o Tom Delonge está). Ah, “Bug” tá na lista dos “1001 Discos Pra Ouvir Antes de Morrer“, como muitos outros que ouvi ultimamente.

Jane’s Addiction – YEAH! Poxa, fazia tempo que eu não ouvia o “Ritual de Lo Habitual”, que é um dos melhores discos da banda (junto com o “Nothing’s Shocking”). Mas acho que o “Ritual” vence, especialmente por causa de duas músicas: a abertura pé na porta “Stop” e o mega hit “Been Caught Stealing”.

15 artistas e bandas que mudaram seu som da água para o vinho (ou vice-versa)

Hair Pantera e Thrash Pantera / Katy Hudson e Katy Perry
Hair Pantera e Thrash Pantera / Katy Hudson e Katy Perry

Nem sempre o som de um artista se mantém o mesmo por muito tempo. Afinal, nem todo mundo consegue ser o AC/DC ou o Motörhead, que mantém o mesmo som desde o começo e continuam enlouquecendo seus fãs sem grandes surpresas. Se isso é bom ou ruim, cabe a você julgar, mas muitos artistas mudam completamente seu som em uma transformação radical que pode ou não incluir seu visual.

Listei 15 exemplos de bandas e artistas que mudaram da água para o vinho. Evitei artistas e bandas que sempre estão em mutação (e esse é o estilo deles) como Madonna ou David Bowie, já que a cada disco eles assumem um som, persona e estilo diferente (e conseguem ser geniais, na maioria das vezes).

Bee Gees
Antes: Rock psicodélico doido
Depois: A maior banda de disco music com voz fina

Antes de tocarem em todo lugar com a trilha sonora do filme de Tony Manero “Os Embalos de Sábado à Noite” e virarem os reis da disco music, o trio Bee Gees usava as vozes dos irmãos Gibb a favor da psicodelia sessentista. Ouça por exemplo “Turn Of The Century”, do primeiro disco do trio, e compare com “Night Fever”.

Roberto Carlos
Antes: O roqueiro mais famoso do Brasil
Depois: O cantor romântico que não usa marrom e come carne Friboi, se pagarem bem

No começo, Roberto Carlos bebia da fonte da british invasion do rock de terninho, e junto com Erasmo Carlos e Wanderléa foi um dos responsáveis pela criação do termo “Jovem Guarda”. Lá pelos anos 70, enveredou (muito bem, diga-se de passagem) pelo funk e soul, com o auxílio de Tim Maia, e a partir daí foi apostando cada vez mais nas baladas e menos no som rocker ou no swing do funk. Uma pena.

Katy Perry
Antes: A loirinha cristã que tocava violão
Depois: A cantor pop multicolorida das multidões

Em 2001, Katy Perry ainda se apresentava como Katy Hudson. Na época, o som se aproximava mais do rock cristão e do gospel, com músicas como “Faith Won’t Fail” e afins. Depois se tornou um dos maiores sucessos do pop atual com o disco “One Of The Boys” e a mudança completa de direção musical com “I Kissed A Girl”, que a levou ao estrelato. Fez o caminho contrário de Rodolfo Abrantes, se pensarmos bem.

Beastie Boys
Antes: O grupo de punk anárquico desafinado
Depois: O trio de rap branquelo cheio de criatividade

Antes de serem um dos grupos mais mais respeitados do rap (e do rock), Mike D, MCA e AdRock faziam um som bem punk sujo e desordenado. Contavam com Kate Schellenbach na bateria, que depois foi para o Luscious Jackson. Em 1994, os Beastie lançaram o disco “Some Old Bullshit”, uma compilação que mostrava como eram seus anos de punk gritado e cheio de barulho.

Nelly Furtado
Antes: Cantora que misturava pop, rock e folk
Depois: Cantora rebolativa com batidas Timbaland

Nelly Furtado estourou com “Like A Bird”, uma boa música pop que dominou as rádios e levou o disco “Whoa, Nelly” ao topo das paradas com sua mistura de hip hop, rock, folk e até fado português. Quando o segundo disco, “Folklore”, não foi tão bem, veio a hora de render-se ao que vende: o pop com produtores de sucesso. Deu certo: a virada pop de Mtv de Nelly gerou “Promiscuous Girl” parceria com Timbaland, seu maior sucesso.

Pantera
Antes: Hair metal pufante
Depois: Thrash metal porrada

Sim, é verdade: antes de serem os “Cowboys From Hell”, o Pantera adotava um visual meio Poison, com músicas mais direcionadas ao hair metal do que ao thrash machão que os levou ao estrelato. Sim, até Dimebag Darrell (R.I.P.) lotava o cabelo de laquê no comecinho do Pantera.

Genesis
Antes: Rock progressivo artsy-fartsy
Depois: Pop rock chumbrega para as rádios

O Genesis começou como uma banda de rock progressivo que inseria arte e teatro em seus shows, com Peter Gabriel nos vocais. Fez muito sucesso, até que Gabriel resolveu pedir as contas e o baterista Phil Collins assumiu os vocais. A partir daí a banda foi caminhando para o “jeito Collins”, ficando bem mais pop e pronta para as FMs de Adult Oriented Rock.

Kraftwerk
Antes: Experimental, avantgarde e kraut rock
Depois: Os robôs pais da música eletrônica

Sim, os robots alemães do Kraftwerk já fizeram um rock bem do hippongo! Sim, o negócio dos caras já era bem experimental e inovador desde o começo, mas antes puxava mais para a psicodelia do que para a música eletrônica (que eles ajudaram a criar).

NXZero
Antes: Hardcore melódico (ou emo, vai)
Depois: Um sub-Charlie Brown Jr.

O NXZero começou como qualquer banda de hardcore melódico: músicas rapidinhas, letras convencionais, nada de diferente. O público comprou a ideia e a gravadora os convenceu que o caminho era apostar nas baladas. Depois de algum tempo fora da mídia, a banda voltou este ano com um som que… bom, parece MUITO com Charlie Brown Jr.

Os Mutantes
Antes: Uma das bandas mais importantes do tropicalismo
Depois: Tentativa de ser o Pink Floyd brasileiro

O trio Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias foi um dos mais geniais do rock brasileiro. Ajudaram a revolucionar a música feita no Brasil e foram reconhecidos internacionalmente por sua música experimental e divertidíssima. Com a saída de Rita Lee, a banda enveredou por um caminho mais progressivo. Arnaldo Baptista também acabou saindo, e o negócio ficou mais prog ainda, com longos solos de teclado e virtuosidade máxima. Não é ruim, mas não chega aos pés do ápice criativo da banda.

Alanis Morissette
Antes: A Hannah Montana do Canadá
Depois: A garota raivosa com violão em punho

Você acha que “Jagged Little Pill” é o disco de estreia de Alanis Morissette? Nananinanão. Antes de surgir como uma garota que botava a boca no mundo com letras confessionais cheias de raiva e paixão, Alanis era apenas uma cantora de dance pop. Dois discos foram gravados com essa persona dançante: “Alanis” e “Now Is The Time”.

Shakira
Antes: A Alanis colombiana
Depois: A cantora rebolativa cujos quadris não mentem

Shakira começou com o violão sempre em mãos e letras confessionais como “Pies Descalzos”. Para as rádios, o interessante eram os remixes das músicas da morena colombiana. De repente, tudo mudou: Shakira ficou loira, aderiu ao pop dançante (com um ~quê~ colombiano, é verdade) e deixou o violão de lado, mostrando mais sua habilidade na dança do ventre do que nas cordas. Resultado: sucesso, sucesso e Waka Waka.

Vanilla Ice
Antes: Uma enganação do hip hop
Depois: Uma enganação do nu metal

Robbie Van Winkle foi uma enganação desde o começo. “Ice Ice Baby” é um rap com um sample de Queen que não empolga, mas fez grande sucesso em 1991. O ~rapper~ então fez um sofrível filme autobiográfico (“Cool As Ice”, horrendo) e apareceu no filme “As Tartarugas Ninja 2 – O Segredo do Ooze”, cantando “Ninja Rap”. Desapareceu por alguns anos, voltando no auge do nu metal tentando enganar novamente o público como um rocker angustiado que imitava Fred Durst no disco “Hard To Swallow” (o título define bem o disco). Não colou, novamente, e Ice tá sumido desde então (e todo dia a gente agradece ao Senhor por isso).

http://www.youtube.com/watch?v=wgFbSJg4XD4

Avril Lavigne
Antes: A nova aposta do punk rock para as rádios
Depois: Pop desesperado para vender (sem sucesso)

Avril Lavigne apareceu como uma “roqueirinha” para as massas, com músicas como “Sk8er Boi”, um roquinho safado que encantou todos adolescentes da época, que saíram dançando e usando gravatinhas e etc, além das baladas ao violão, que nem eram tão ruins quanto os críticos chatos falavam. Mas aí veio “Girlfriend”, uma chupada violenta de “Hey Mickey” da Toni Basil, e a partir daí Avril passou a ser a cantora pop que não consegue emplacar um sucesso pop. Taí a última tentativa, a vergonhosa “Hello Kitty”, que não me deixa mentir.

Goo Goo Dolls
Antes: Punk rock divertido e porradeiro
Depois: Rock baladeiro pronto para as rádios

Se você conheceu o Goo Goo Dolls na trilha de “Cidade dos Anjos” com “Iris” vai se surpreender, assim como os fãs de Goo Goo Dolls antes dessa música se surpreenderam quando ela saiu. No começo, a banda mandava um punk rock bem descompromissado e muito divertido, sem baladas ou violões. Fazia a cabeça do povo do skate e dos punks dos anos 90. Aí veio “Iris”… e o som mudou completamente. Os fãs punks choraram, desconsolados, enquanto o Goo Goo Dolls passou a embalar casais apaixonados e a embolsar milhões.