5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Dani Buarque, do BBGG

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Dani Buarque BBGG

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Dani Buarque, guitarrista e vocalista da banda BBGG.

Reignwolf“Are You Satisfied”
Eu falo pra todo mundo OUÇAM ESSE CARA PELOAMORDEDEUS. Comece vendo esse vídeo.  Não preciso dizer mais nada se você for no youtube e dar play agora. DE NADA.

Mugison“I Want You”
Mugison é um cara da Islândia. Tanto ele quanto o Noisettes eu descobri lá em 2005, 2006 com o melhor algoritmo já inventado (LastFM). Ele tem uns sons bem doidos. Eu curto muito mostrar ele para as pessoas a partir dessa que é a mais “pop”. A voz dele é maravilhosa e os arranjos incríveis. Vale ouvir essa e se gostar dar uma navegada nos álbuns dele.

Noisettes “IWE”
Essa banda muita gente conhece mas acho que a maioria conhece a partir do album que pra mim já não é mais massa. Eles tem um álbum INCRÍVEL do começo ao final que se chama “What’s The Time Mr Wolf”. É difícil escolher a melhor musica do album mas essa toca fundo. A vocalista dessa banda alem de tocar e cantar muito tem uma coisa que acho o maior diferencial: interpretação. Nesse som é o que mais se destaca. Quando eu ouço essa música eu ouço pelo menos umas 3x.

Peach King“Mojo Thunder”
Essa banda conheci muito por acaso. Alguém escreveu pra página da BBGG que deveríamos fazer um som cover dessa banda (????) (risos) Super aleatório. A gente nem curte tocar cover mas acho que a Gringa (toca comigo na BBGG) ouviu e falou que era massa. Dei uma chance e amei. Eu gosto também porque lembro dela, a gente sempre ficava bêbada cantarolando ela por aí ❤.

Rizzle Kicks“Wind Up”
Saindo um pouco do rock: o álbum “Roaring 20s” pra mim é um dos melhores álbuns que ouvi em 2013. É um rap/funk com metais, sei lá definir. Eu amo e no meu Spotify e é a segunda banda que mais ouvi depois de Faith no More (risos) de tanto que ouvi esse álbum. Tentei ouvir outros sons deles mas não curti. Mas enfim essa música é uma das melhores do álbum bem dançante e animado.

Bonus Track:

Faltou o Har Mar Superstar. Não sei se ninguém conhece mesmo mas sempre que ponho em festas as pessoas dizem nunca ter ouvido falar. “Lady You Shot Me” é um musicão. Ouça os 5 primeiros segundos dela e se apaixone. É aquele tipo de música que te dá um mix de sensações tem parte pop, parte com metais, parte triste. Ele também só tem um álbum que eu acho foda que é o “Bye Bye 17”.

RockALT #18 – BBGG, Far From Alaska, gorduratrans e Sheer Mag

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RockALT, por Jaison Sampedro

Caros leitores do Crush em Hi-Fi, me perdoem mas essa semana me atolei de trabalho e tive pouco tempo para me dedicar a está querida coluna semanal. Porém, não é porque eu tive pouco tempo que eu deixei de pesquisar algumas coisas ali e acolá. Sábado passado foi Dia da Música e teve tanta atração legal que não deu nem pra contar nos dedos. Teve Ludovic, BRVNKS, Miêta, Macaco Bong, Sky Down e muitos outros. Nosso querido apresentador do RockALT, o queridíssimo Helder Sampedro quase perdeu a voz e mal consegui gravar o programa dessa semana. Mas vamos ao que interessa! Essa semana eu quero recomendar 4 bandas para vocês começando com:

BBGG
O grupo formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria), lançou um clipe novo na semana passada chamado “Caixa de Comentários” que foi dirigido pela própria banda. Por favor, não banque o cuzão e assista, preste atenção na letra você vai me entender.

Far From Alaska
O pessoal do Rio Grande do Norte está com a corda toda! Tocaram na edição francesa do Download Festival, gravaram o seu novo disco nos Estados Unidos e na semana passada mostraram um pouco do que está por vir com a musica “Cobra” do álbum “Unlikely” que será lançado provavelmente nos próximos meses.

gorduratrans
A cena autoral está passando por uma efervescência incrível. A prova disso é que a banda carioca de noise rock/shoegaze formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz) também lançou material semana passada. Ao escutar o álbum “paroxismos” eu fico pensando: como é que eu vou conseguir acompanhar tanta banda foda lançando disco quase que toda semana?

Sheer Mag
Acho que não é a primeira vez que eu falo dessa banda, mas não vá pensar que eu estou repetindo banda porque eu estou sem tempo. Não meu amigo, a razão de voltar a falar da querida banda punk da Filadélfia é que eles vão lançar o seu primeiro álbum no dia 14 de julho! E já tem duas musicas disponíveis pra ouvir no bandcamp do grupo, que são “Need to Feel Your Love” e “Just Can’t Get Enough”. Gosto demais dessa banda e mal vejo a hora de escutar esse disco na integra.

Curtiu a coluna? Então não deixe de escutar o programa do RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br, seguir a playlist da coluna no Spotify: https://goo.gl/lXZ69x e confira nossos mais de 100 programas disponíveis no link: www.mixcloud.com/rockalt/

RockALT #4 – BBGG, Moxine, Letty and The Goos, Winteryard e X-Ray Spex

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RockALT, por Jaison Sampedro

Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e a coluna do RockALT gostaria de homenagear e demonstrar todo o nosso respeito por esta data tão importante. Poderíamos citar inúmeras mulheres que pavimentaram o cenário musical e conquistaram um espaço merecido no panteão do rock como Patti Smith, Debbie Harry, Kim Gordon, Kathleen Hanna, Joan Jett, entre outras. Vou fazer um pouco diferente: na coluna de hoje eu vou falar de uma grande mulher que merece ser lembrada e também gostaria de apresentar algumas bandas recentes compostas ou lideradas por mulheres que estão carregando a tocha que foi acesa por essas grandes lendas citadas acima. Então vamos lá!

BBGG
Eu gostaria de começar as minhas recomendações com uma banda já mencionada aqui no blog Crush em Hi-Fi, BBGG é uma mistura de riot grrrl com grunge e um estilo vocal que me lembrou um pouco as britânicas do Girlschool. O grupo formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria) já tem 4 singles lançados e um cover de “Comida” dos Titãs lançado para a coletânea “O Pulso Ainda Pulsa”. BBGG me conquistou logo de cara e espero que a banda lance um álbum logo porque esse singles me deixaram com um gosto de quero mais.

Moxine
Mesmo tendo feito carreira e tocado um bom tempo em uma banda de reggae, Mônica Agena, ex-guitarrista do Natiruts, se juntou com Fabiana Lugli e formou o Moxine. Mônica aprendeu a tocar guitarra com Iron Maiden e Black Sabbath, e em seus trabalhos mais recentes pode-se perceber a incorporação de estilos variados como MPB, dub e até Motown. No ano passado a banda lançou o single “Marlon” com a participação de Marietta e tem um som bem dançante, diferente do álbum “Hot December” de 2013, que é puxado um pouco mais pro rock e indie. Moxine é uma grande banda e o talento de Mônica Agena é indiscutível, se você não conhece a banda, fica aí a nossa dica ;).

Letty and The Goos
Banda que já teve passagens recentes pelo RockALT e também no Crush em Hi-Fi, Letty começou sua carreira musical sozinha lançando vários covers de Beatles, Lou Reed e até Fugazi em sua página do Soundcloud. Agora Letty conta com Lívia Tellini (bateria) e Arian Nogueira (guitarra) formando o trio Letty and The Goos. Essa semana eles lançaram o single “No One Else” no Spotify, o trabalho foi gravado pela Dinamite Records. Gostei do single, gostei da forma que a música trabalha o vocal delicado com uma guitarra e bateria cheia de atitude, é mais uma banda pra ficar na expectativa e aguardar mais singles e espero em breve um EP ou álbum.

Winteryard
Até agora falamos de bandas inspiradas na atitude punk e movimento Riot Grrrl, mas também queremos falar de bandas que expressam o lado mais delicado, sensível e sincero das mulheres. E uma dessas bandas é o trio Winteryard, formado por Priscila Castro (Guitarras/Vocal), Rafael Fumagali (Bateria) e Brunella Martina (Baixo). A primeira vez que escutei o EP “Endless Winter”, especialmente a música “Gray Skies”, foi um completo e total deleite, a voz suave e os acordes minimalistas me cativaram instantaneamente e me fez lembrar um pouco dos trabalhos de PJ Harvey e Sharon Van Etten. Assim que eu terminei de escutar o EP a primeira coisa que fiz foi mandar uma mensagem para o meu irmão dizendo “Mano, escuta esse som aqui. Que coisa mais linda”. Sugiro a você, querido leitor, fazer a mesma coisa: escute o EP e mande uma mensagem para um amigo dizendo como o som de Winteryard é lindo.

X-Ray Spex
Como eu disse no começo da coluna, hoje quero homenagear e lembrar de uma grande mulher que sem sombra de dúvidas foi um grande ícone feminino na música. Me refiro a Marianne Elliot-Said, mais conhecida como Poly Styrene. A líder do X-Ray Spex foi um dos primeiros ícones femininos do punk, cujo estilo pouco ortodoxo ainda infeccioso foi altamente influente. Poly Styrene formou sua banda depois de assistir a um show do Sex Pistols em Hastings Pier no seu aniversário de 18 anos. A banda se tornou conhecida por seus vocais crus e gritos de mobilização energética contra o consumismo e a destruição ambiental. Ao escutar “Oh Bondage Up Yours!” é possível até afirmar que ela foi Riot Grrrl muito antes da criação do movimento. O X-Ray Spex teve curta duração e Poly seguiu carreira solo com “Translucence” em 1980. Seu último trabalho foi “Generation Indigo” em março de 2011, com Poly falecendo um mês depois do lançamento devido a um câncer na coluna. Poly Styrene e o X-Ray Spex marcaram uma geração e sem dúvida o grito de liberdade contra o sexismo. A atitude e coragem de Poly marcaram presença em um estilo musical formado, em sua maioria, por homens e influenciou muitas mulheres a seguirem o mesmo caminho.

Se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na planetmusicbrasil.com.br. E nossos 95 programas estão disponíveis no link! https://www.mixcloud.com/rockalt/

Reunimos uma porrada de gente pra eleger as melhores músicas nacionais e internacionais de 2016

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Melhores de 2016

Chegou aquele momento do ano em que todo mundo faz suas listas, retrospectivas e tentamos eleger o que aconteceu de melhor nos últimos 365 dias. Aqui no Crush em Hi-Fi eu preferi deixar a tarefa de escolher os grandes sons de 2016 com os próprios músicos, jornalistas, produtores e apaixonados por música. São mais de 50 pessoas que nos contaram quais foram os grandes sons nacionais e internacionais deste conturbado ano.

Na música nacional, Carne Doce, O Terno e Jonnata Doll e os Garotos Solventes foram os mais lembrados pelos entrevistados, enquanto David Bowie, Angel Olsen e Descendents foram os artistas estrangeiros que mais mexeram com o coração das mais de 50 pessoas consultadas. Confira as escolhas e sigam as playlists dos Melhores do Ano 2016 no Spotify do Crush em Hi-Fi!

Gustavo Cruz (Minuto Indie)

Quarto Negro “Filhos do Frio”
Conheci essa banda no projeto Orange Sessions e simplesmente me apaixonei. Respeito o trabalho deles e garanto que se você ainda não conhece, vai viciar.

Lorn“Acid Rain”
Não sei se são independentes, mas conheci recentemente e não consigo parar de ouvir. É a banda que resume o que gosto de encontrar sonoramente. Boa pra vários tipos de vibes.

Jaison Sampedro (RockALT)

Mustache & os Apaches“Time Is Monkey”
Embora eu esteja quebrando um pouco o protocolo, vou me aproveitar de uma falha técnica e falar de um álbum que foi lançado no final de dezembro do ano passado. E embora seja uma banda um tanto conhecida (isso se você dá uns rolês na Av. Paulista) acho que vale muito a pena dar uma conferida no Mustache & os Apaches. A saída do estilo acústico fez muito bem ao grupo paulistano formado em 2011. Com um estilo meio
bluegrass e folk rock, o seu mais recente álbum “Time Is Monkey” tem um som muito divertido, agradável e
descompromissado de se ouvir, algo que na minha opinião ganha uma pontuação elevado em meio a um monte de bandas que se levam a serio de mais e são um tédio completo quando se escuta. Por isso escolho essa banda, em um ano tão desgraçado como o de 2016, nada melhor do que uma banda festiva, alegre e descompromissada.

Sheer Mag“Can’t Stop Fighting”
Acredite em mim, Sheer Mag é do caralho! E sabe por que eu digo isso? Porque essa banda é a mais perfeita combinação do rock dos anos 70 com o estilo e a atitute punk. Formada na Philadelphia no ano de 2014 o grupo lançou até agora três EPs com 4 musicas cada, e não seria exagero dizer que todas, sim eu disse TODAS são muito boas. Vou focar no EP de 2016 o EP “III 7” já que o texto se trata das melhores do macabro ano de 2016, a musica “Can’t Stop Fighting” trata de violência contra mulheres na cidade de Juarez e a exploração econômica e trabalhista da região, é ai que entra atitude punk, as criticas são certeiras e o som é um power pop repleto de riffs que imediatamente te fazer lembrar Thin Lizzy. Outra musica que vale a pena conferir é “Nobody’s Baby”, a ultima canção do álbum, que mostra um pouco da realidade da vocalista Christina Halladay, descrevendo as suas desilusões, decepções e exclusão social em sua adolescência. Por mais que esses temas pareçam sérios, Sheer Mag é uma banda extremamente dançante e quando você escuta pela primeira vez não vai conseguir tirar da cabeça.

Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream)

Vitreaux“Eu Vi Um Beatle Outro Dia”
A também estréia da banda paulista Vitreaux, que é formada por Lucas Oliveira, Guib Silva, João Rocchetti e Ivo Liberato. ‘Pra Gente Poder Passear’ foi lançado em Maio e é um álbum belo que traz notas dosadas de romance, humor e psicodelia. E já que eu não perco oportunidade de fazer uma referenciazinha à Beatles em quase tudo que eu escrevo / falo / penso / respiro, indico a faixa ‘Eu Vi Um Beatle Outro Dia’ para quem quiser conhecer a face mais beatlesca e divertida da Vitreaux.

The Claypool Lennon Delirium“Captain Lariat”
O álbum de estréia da dupla The Claypool Lennon Delirium, formada por Les Claypool e Sean Lennon. ‘Monolith of Phobos’ foi lançado em Junho desse ano e oferece 11 faixas que unem o melhor dos mundos dos 2 músicos: a pegada teatral e o característico baixo de Claypool com a lisergia de Lennon. A faixa ‘Captain Lariat’ é uma de minhas favoritas e resume bem a vibe do álbum.

Marky Wildstone (Wildstone Productions)

Marco Butcher“The Needle”
Primeiro single do álbum solo do Marco Butcher, essa música prova a maturidade que este cantor, guitarrista e compositor atingiu e para onde o garage rock de outras épocas o levou. Com a promessa de uma turnê pelo Brasil em 2017 aguardo ansiosamente para vivencia-la ao vivo, em shows.

The Dirty Coal Train“Heat Spike Sputterin”
Sou suspeito para falar desta banda, já que produzi e toquei com eles na Europa e no Brasil neste ano, mas essa faixa do álbum “Super Scum”, lançado em Março pela Groovie Records de Portugal é simplesmente incendiária, tanto em seu registro de estúdio quanto na performance visceral que a Beatriz apresenta-a em apresentações ao vivo.

Zé Menezes (Thrills and The Chase)

Sabotage“Superar”
Coloca o fone, sai andando e dá o play. Vai estar respondido.

Motosierra“Buzo Nuevo”
Motosierra pesado, sujo e dançante, sim.

Ariel Machado (Incesto Andar)

Raça“Garras”
Pra mim o “Saboroso” é o disco do ano absoluto em escala nacional. Todas suas músicas são hinos, acabei elegendo “Garras” entre todas elas levando o ao vivo como critério. Um dos melhores shows que vi no cenário independente nos últimos tempos. Menos de dois minutos de música conseguem representar toda intensidade e pessoalidade desse segundo álbum. Os novos teclados, sintetizadores e outros elementos adotados enfatizam a mudança desde os registros anteriores. Raça é a maior banda de ‘dream emo’ desse país.

DIIV“Mire (Grant’s Song)”
Umas das muitas favoritas do “Is This The Are”, segundo disco da banda lançado em fevereiro. Sou fã desde o “Oshin” (2012), mas fui pescado de vez pelas melodias desse último álbum. A banda de fora que mais ouvi durante o ano. Por baixo dos riffs e coros de microfonia, Mire é guiada pela voz murmurada do Zachary Cole. Como se o Sonic Youth flertasse com o My Bloody Valentine.

Dija Dijones (Loyal Gun, Chabad, Penhasco, O ApátridaSchwarzenbach)

Jonathan Tadeu – “Ninguém Se Importa”
Essa foi difícil. Comecei a acompanhar com mais afinco algumas coisas de música brasileira e rap e muita coisa formidável foi lançada. Howlin’, Sinewave, TranstorninhoDinamite, Bichano e muitos outros selos lançaram muita, mas muita música acima da média. Me vi em inúmeros dilemas na hora de escolher uma única música e, no fim, acabei optando por não ser nepotista ao escolher uma canção de alguma banda da Howlin’ (selo do qual faço parte, mas ainda sim, recomendo os trabalhos que Gomalakka, Chalk Outlines, Blear, Bufalo, Poltergat e In Venus lançaram neste ano) e nem bairrista, escolhendo algo paulista, e “Ninguém Se Importa”, de Jonathan Tadeu acabou sendo a minha escolha. O disco, “Queda Livre”, deveria ser figurinha fácil em qualquer lista de melhores do ano em âmbito independente. As melodias são belíssimas, os arranjos de muito bom gosto e as letras de dilacerar os corações incautos e “Ninguém Se Importa” é dos grandes cartões de visita do rapaz. Jonathan Tadeu é o Lô Borges da nossa geração.

The Hotelier“Goodness Pt. 2”
“Home Is Like Noplace is There”, do The Hotelier, é um dos meus discos favoritos lançados nesta década. “Goodness”, o sucessor dele lançado neste ano, ao meu ver e ouvir, não o iguala em qualidade, mas trouxe essa canção primorosa: “Goodness Pt. 2”. Essa canção deve ter sido a canção internacional que eu mais ouvi neste ano. O que mais fascina nesta composição é sua estrutura: a bateria inicia os trabalhos com ritmo firme e serve de suporte para uma linha vocal que parece uma súplica; logo, uma guitarra, aparentemente dissonante, faz contraponto até que a segunda guitarra e o baixo dão forma à harmonia e, a seguir, a banda vai apresentando variações disso, até voltar para a bateria
pulsante do início. Fico extasiado quando a história de uma música é contada também no arranjo, não apenas na letra. E “Goodness Part. 2” é um excelente exemplar desta ideia de composição.

Raf F. Guimarães (músico, compositor)

Raf F. Guimarães e Amigas de Plástico“A Última Crisálida do Outono Estará Presa em uma Estrela”
Megalomania? ÓBVIO, mas pelo menos eu sou honesto… Acredito que dentro trabalho que eu estou desenvolvendo, esta música tenha tudo para ser um ótimo cartão de visitas, apesar de estar o mais longe possível do conceito de “single”. A dinãmica dela evolui de forma incrível e eu mesmo me espanto
com o que eu consegui fazer em termos de “dinâmica vs. orquestração”…É absurdo o número de pessoas que me abordam dizendo como que foram pegos com um frio no estômago com uma letra tão especificamente particular a mim…enfim, acho que em termos de composição essa canção é uma daquelas que você
escuta e pensa “putaqueopariu, isso está em OUTRO nível de realidade.

Wolvserpent“Aporia:Kãla:Ananta”
Atualmente, o Wolvserpent é uma das poucas bandas que me fazem ainda entender entender música como Arte. Para quem acompanha o trabalho do duo é mais que claro que eles conseguiram ir além do limite que já tinham alcançado. Para mim, este trabalho vai além de qualquer definição de sub-gêneros na música em que o projeto já foi “rotulado”: ele vai além do drone, do doom, do ambient e do extreme metal. Ele me remete diretamente à mesma ruptura que Strauss e vários outros compositores da 2a Escola de Viena estavam
interessados…

Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Pollux & Castor“Bruxa do Mar”
Um ano um tanto quanto apocalíptico e cheio de acontecimentos que levaram muitos a perder um pouco da esperança na humanidade: precisava de uma trilha sonora a altura. “Bruxa do Mar” tem uma atmosfera que te remete ao bandas como The XX e Real Estate mas sem esquecer do pós-rock de grupos como Mogwai e Sigúr Ros. As guitarras te levam para outra atmosfera, talvez para as profundezas do mar onde a bruxa se abriga. E ela vem para te buscar com a força da correnteza. O post-hardcore também mostra a força e a fúria do contraste entre o instrumental quase ambient indo de encontro com as guitarradas violentas e viscerais. É o transbordar do copo cheio… A ambição acaba se tornando uma forte ressaca da tormenta proveniente da desilusão.

The White Lung“Death Weight”
Não é difícil ver o White Lung nas principais listas de fim de ano. Mas eu creio que também pelo discurso firme de empoderamento feminino. Se as Coathangers são uma banda que tem subido em qualidade, eu acredito que a White Lung já chegou lá. Prova disso que a Domino Records ao perceber isto em 2014 integrou elas ao casting. E os temas são diversos, desde brigas dentro do lar com seu parceiro a distúrbios alimentares. É um papo reto de mina para mina. Achei foda.

Amanda Mont’alvão (Sounds Like Us)

Huey“Adeus Flor Morta”
Não vou negar minha parcialidade na escolha de uma música do Huey (risos), mas é que “Adeus Flor Morta” sintetiza, sonoramente, os humores de 2016. Que tempos conturbados, sufocantes e que demandam urgência! Mas a resposta não é a velocidade, mas sim, a possibilidade de pausa e contemplação. E o metal instrumental de “Adeus Flor Morta” tem tudo isso, mostrando como a música tantas vezes representa aquilo que tá engasgado na garganta.

Child Bite“Heretic Generation”
O Child Bite é uma banda de Detroit que conheci pela gravadora americana Joyful Noise, em 2013. “Heretic
Generation”, tirada de um dos melhores álbuns do ano, o “Negative Noise”, traz o desespero servido em doses espalhadas, mas não menos incisivas. Tem peso melódico e percussivo criativamente balanceados, e o disco, como um todo, me remete a um dos discos da vida, o “My War”, do Black Flag.

Vina (Sounds Like Us)

The Pessimists“Podridão Invisível”
O The Pessismists passa a impressão de que eles pegaram os instrumentos como quem pega em armas e despejaram um arsenal de músicas diretas e objetivas com base no punk e pós-punk. “Podridão Invisível” é uma das duas músicas em português do disco e também a que mais se destaca pra mim. Grande música!

Neurosis“Reach”
No mundo foi um ano de muita música boa, mas o Neurosis fez o melhor disco e dentro dele, a música mais incrível de 2016: “Reach”. É uma música que me lembra a vibe do “Eye of the Every Storm” e o “Given to the Rising” que são dois discos que eu gosto muito. Peso, melodia e uma opressão, e pressão, sonora absurdamente linda.

Bruno Agnoletti (Dum Brothers)

Muddy Brothers“Sweet Lover”
Pra mim o “Facing The Sky” é o melhor álbum do ano.

Red Hot Chili Peppers“Dark Necessities”
Os caras vieram com tudo nessa musica e mostraram que ainda são muito bons no que fazem.

Bruno Palma (Chalk Outlines)

Mudhill“Not About Survival”
Já tem um bom tempo que conheço o Zeek. Já admirava e acompanhava o cara desde a época do Shed. E o Mudhill é uma baita banda. “Not About Survival” foi um primeiro aperitivo do álbum de estreia da banda, “Expectations”, e veio com características que sempre me pegam: basicamente bastante guitarra e um refrão pra cantar junto. De quebra, a letra é muito do que a gente passa tocando em banda independente, no
underground. I’ts only about feeling alive. É um verdadeiro hino.

Anohni“Drone Bomb Me”
Anohni é a cantora trans que cantava à frente do Anthony and the Johnsons quando ainda se identificava como Anthony Hegarty. “Drone Bomb Me” traz aquela carga de drama pesadíssima já esperada de Anohni, envolta em camadas e camadas de sintetizadores, que dão um ar de mistério e melancolia à faixa. É uma canção fortíssima.

Bruno Carnovale (Black Cold Bottles)

Abacates Valvulados“O Canto Colapso”
Eu escolhi essa música porque ela foi um ponto de surpresa pra mim esse ano. Depois de um pequeno período de reestruturação, o agora trio são-bernardense mostrou que também sabem equilibrar bem o dinamismo de uma melodia com o peso do efeitos que estão à sua disposição. A parte lírica também orna muito bem com a melodia, e eu acho que isso fez com que eu considerasse essa música a melhor do ano na minha humilde opinião (não foi nem um pouco fácil).

Turtle Giant“Orange Grape”
Essa banda que, originalmente é de São Paulo mas que hoje está baseada em Macau (na China) fez o disco que, de longe, foi o que eu mais ouvi no ano. Um disco quase impecável, com uma delicadeza ímpar e arranjos excepcionais. E desse disco incrível, a minha favorita é “Orange Grape”, que é sublime em sua execução. Desde as notas oitavadas no piano até a bateria extremamente bem executada ganham os ouvidos pela excelência, e com certeza é a minha faixa favorita do ano no que se refere à músicas internacionais (e particularmente, é um orgulho poder escolher uma banda brasileira que se destaca mundialmente falando, não é?)

Claudio Cox (Giallos)

Zefa Véia“Sentimento Carpete”
Sou muito fã desses caras, eles conseguem fazer rock sem nenhuma preocupação estética, saca? Punk, garage, surf, aquela coisa toda! o Felipe é um cronista fudido, melhor banda!

MIA“Borders”
Essa mina é foda, trata de assuntos delicados no meio da mesmice da música pop, só por isso já tem minha audiência, mas vai além… Piro no flow dela, batidão pesado, famoso ranca tampa!

Pedro Gesualdi (Danger City)

FingerFingerrr“Quem te Convidou?”
As bandas de rock mais influentes dos anos 2000 não foram Strokes e Interpol; foram o White Stripes e o Death From Above. Resultado: hoje em dia, tem várias duplas afiadas que botam muita big band no bolso. O melhor exemplo aqui no Brasil é o FingerFingerrr, que em 2016 lançou um puta disco maduro, moderno, bem produzido e cheio de referências perspicazes. ‘Quem te Convidou?’ é minha favorita do álbum porque, mesmo talvez sem perceber, descreve tim-tim por tim-tim estes últimos tempos, quando tantas portas se fecharam e
tantas credenciais foram pedidas.

David Bowie“Blackstar”
A história toda dessa faixa e desse disco é puro 2016. Dramática, épica e cheia de expectativa, precedendo uma profunda sensação de perda. A gente fala brincando, mas pensando bem, não pode ser mera coincidência que este ano tenha começado com a morte de David Bowie. No mínimo, um tremendo agouro. Mas “Blackstar” também traz beleza na serenidade de um homem confortável com a mudança – em última instância, com a morte. Que em 2017 a gente tenha a mesma coragem do Bowie.

Cristina Martins (Abacates Valvulados)

Metá Metá“Três Amigos”
Metá Metá foi uma das grandes descobertas pra mim este ano. Esta música é uma das melhores do último álbum, lançado este ano. A voz da incrível Juçara Marçal me levou a uma viagem que eu ainda não tinha provado. Inspirador.

Dead Pirates – “Mel”
Este é um dos projetos músicas de um dos meus ilustradores favoritos, o Mcbess. Com influência de stoner, as guitarras levam a uma nova experiência mesmo despertando aquela nostalgia, como se a gente já conhecesse aqueles riffs. Mesmo assim surpreendente.

Gabriel Serapicos (Serapicos)

Tatá Aeroplano“Step Psicodélico”
Canção muito divertida. É uma imagem bonita da cena musical paulista. Hit da cena independente.

Radiohead“Burn The Witch”
Volta triunfal de Thom, Johnny e companhia. A letra tem um clima de linchamento que ilustra bem os tempos atuais. Por tempos atuais, quero dizer os últimos 10 mil anos.

Júlia Abrão (Bloodbuzz)

Miami Tiger“Amblose”
Gostei demais do EP do Miami Tiger. As músicas são pesadas e misturam bem demais com a voz doce e brava da Carox. Minha predileta do EP é “Amblose”, que dá nome ao EP. Posso dar uma puxada de sardinha pra mim também? Curti demais o single “Dead People”, da minha banda Bloodbuzz.

Juliette Lewis“Any Way You Want”
Ela é a rainha de lançar coisa sem divulgar direito, fazer show sem avisar, prometer coisa e não lançar… E aí no dia do meu aniversário (11/11) a Juliette Lewis soltou um EP que soa mais como os antigos Licks do que dos seus últimos trampos solo. Future Deep” tem 7 músicas, e minha predileta é a que abre o EP: “Any Way You Want”. Gostinho de “You’re Speaking My Language”.

Ana Malta (Porta Maldita)

O Terno“O Orgulho e o Perdão”
É foda mas os caras realmente surpreendem e quase nunca deixam a desejar. De longe, para mim, esse foi o melhor albúm d’ O Terno. Conta a história de uma vida inteira, passado, presente, futuro. Amores, desamores e sonhos. Foi difícil escolher uma música só, porque realmente me identifico com quase todas. O critério que usei para desempatar foi a inovação. Por isso acho que fico com “O Orgulho e O Perdão”. Porque os meninos se arriscam. Fizeram um samba à lá rock psicodélico que deu muitíssimo certo, o resultado ficou fino demais.

Jeff the Brotherhood“Portugal”
Sou fãzona de Jeff the Brotherhood. Os cara estão no corre da cena desde 2005 mas ficaram mais conhecidinhos de uns 3 anos pra cá. Porque essa música? Porque além dos irmãos Orral fazerem um som punk/psicodélico/rock da pesada, que apesar de ser na maior parte das vezes uma cacetada, eles conseguem
trazer também profundidade, originalidade e uma densidade muito característica. Soa bem aos ouvidos mas bate igualmente forte no peito. Acho que nesse álbum, essa música representa bem essa faceta. A faixa “Ox”, 7 do albúm, é uma das preferidas também. Pois é carregada de sentimentos e com certeza é a aposta sonora mais diferente e tranquila que a banda já fez.

Gil Luiz Mendes (FreakMarket)

Dorival“Academia da Berlinda”
Música do último disco da banda pernambucana de ritmos latinos. A canção que conta da relação de um pescador com a mulher que quer que ele deixe o trabalho no mar, foi uma homenagem aos 100 anos de Dorival Caymmi, comemorado em 2015. A faixa ainda conta com a participação de Lula Louise, filha de Chico Science.

Lake Street Dive – “Mistakes”
Além de ter a melhor cantora da atualidade, a banda lançou esse ano um álbum sensacional que une R&B, Disco, Jazz, Pop… Essa faixa é uma das mais melancólicas e graciosas do disco. Climinha intimista clássico.

Flavio Juliano (FingerFingerrr)

André Whoong“12 Milhões”
O André lançou seu segundo disco, ‘Justo Agora’, em dezembro, nos finalmentes do ano, e a música ’12 Milhões’ e seu riff não saem da minha cabeça. Sabe nas horas vagas do pensamento? Então, ela tá lá. Sinal de que é uma puta música e em 2017 vai ser “12 Bilhões”.

DJ Shadow ft. Run The Jewels“Nobody Speak”
Tirando as do disco do Kanye, a música que mais ouvi esse ano talvez tenha sido ‘Nobody Speak’, do DJ Shadow com Run the Jewels. Pelo menos ela tá sempre nos ícones da primiera fila toda vez que abro o YouTube. É um sinal então. Acho que ela deu um chute na bunda do rap mainstream, que precisa de vez
em quando, e acertou umas contas.

Bijou Monteiro (jornalista/produtora)

Guaiamum“Convenience”
A justificativa é a seguinte: o disco homônimo de Guaiamum levou dez anos inteiros para ser concebido e esse preciosismo aparece de cara nas canções. Encorpadas pelas raízes de Daniel Ribeiro no post-rock, as faixas têm baterias caudalosas por terem sido pensadas por um guitarrista e isso faz muita, muita diferença nos palcos. A proposta dele é de um folk personalíssimo, em que as fusões estilísticas (post-rock, prog por aí vai) criam o requinte sonoro do disco.

D’Alva“Mas Só Se Quiseres”
Sabe música com som de maresia, sorriso, gente feliz, frescobol e uma nostalgia boa? Pois bem. Assim é o duo
português D’alva. Conheci o som deles em 2013 (álbum autoral que recomendo muitíssimo) e esse ano os meninos voltaram com um single divertido e despretensioso. Leve, gostoso de ouvir e de dançar. Nostálgico porque escutar D’alva é meio que se ver nos anos 80, com polainas, meias de lurex e walkman Aiwa
no ouvido. É ver mil referências dançantes do passado honradas em um pós-moderno tranquilo. Que não quer ser nada além de ele mesmo. E é justamente por isso que a hashtag do duo é #somosdalva

Lucas Baranyi (GQ Brasil)

Emicida“Mandume”
A letra é incrível, a produção é gigante e tudo isso foi coroado com um clipe fantástico lançado ainda nesta semana, mas o que realmente chama a atenção é o time que o Emicida levou pra gravar com ele. Não só pelo talento de todo mundo, mas por deixar bem claro que o rap é miscigenado, tem espaço pra branco, pra negro, pra mulher e pra gay. “Mandume”, pra mim, coroa ele como o melhor rapper brasileiro da atualidade.

Chance The Rapper“No Problem”
O Chance the Rapper que é, pra mim, o maior destaque internacional de 2016. Ele finalmente explodiu pro mundo com essa mixtape (“Coloring Book”) e assumiu uma posição de extremo destaque neste ano. Se Kanye West tá surtando e o Kendrick Lamar já está com a coroa de atual rei do hip hop gringo, o Chance é o filho pródigo do gênero – e todo mundo está esperando por mais coisas brilhantes dele.

Elson Barbosa (Herod)

Macaco Bong“Baião de Stoner”
Tenho uma historinha particular com essa música: assisti ao show do Macaco Bong no Z Carniceria quando eles tocaram o novo disco na íntegra, antes mesmo de ser gravado. Nenhuma música tinha título ainda. Essa foi uma das que mais me chamaram a atenção, justamente por ser uma mistura inusitada de influências regionais com stoner rock. No dia seguinte, comentando no Facebook sobre o show, falei que a minha
favorita era uma espécie de “baião com stoner”. A banda leu o post, e batizou a música dessa forma. Maior honra ter feito parte dessa história.

Swans“The Glowing Man”
Quase 30 minutos de caos. “The Glowing Man” é a faixa-título do novo álbum do Swans – o último da formação atual da banda. Tive o privilégio de vê-los ao vivo ano passado tocando faixas desse disco em primeira mão, e fecharam o show com esse monumento à cacofonia e à catarse. Não se sabe qual vai ser o próximo capítulo da banda, mas estão encerrando o atual de forma monstruosa.

Fernanda Gamarano (Der Baum)

Jonnata Doll e Os Garotos Solventes“Swing de Fogo”
Eu escolhi essa como melhor nacional porque tive o prazer de conhecê-los e tocar por um dia com eles esse som! Tem participação do Dado Villa Lobos do Legião Urbana, e tem uma sonoridade que remete os anos 80-90 mas sem soar clichê! Os caras são muito bons! Recomendo!

White Lies“Big TV”
Conheci essa banda esse ano pelo Cesar Neves, tem um clima anos 80 a la Tears for Fears, banda nova muito boa e essa faixa é minha favorita!

Raphael Fernandes (Editora Draco)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Crocodilo”
Quem viu ao vivo, sabe que o Doll e seus Solventes são uma banda explosiva. De todo seu repertório atual, minha favorita é essa maluquice que rima Nilo com crocodilo e mamilo. Certamente, a banda mais punk da cena atual!

Truckfighters“Desert Cruise (Live)”
A música não é deste ano, mas o Truckfighters lançou um verdadeiro trator em forma de disco ao vivo com “Live in London”. Essa porrada sonora tem que acertar o máximo de orelhas que puder. A música nasceu de novo com essa versão!

Valciãn Calixto (Cantor e compositor)

Céu“A Nave Vai”
Não curto tanto os trabalhos anteriores da Céu, todavia durante muitas noites esse ano eu me vi ouvindo essa música antes de dormir. De alguma forma ela me deixa bem sereno. Vale acrescentar que esse disco todo da Céu é muito bem produzido, os timbres foram bem escolhidos e usados, nada sobra ou falta nos arranjos e nessa música em especial, sintetizadores e guitarras conversam muito bem. Claro que o disco dela é dos melhores de 2016, do disco eu fico com essa música.

Lady Gaga“Dancin’ In Circles”
Vou colocar essa aqui porque vindo de mim seria muito improvável. O fato é que tem pouco tempo comecei a me ligar mais nas artistas pop e nesse sentido poderia ter colocado a Rihanna aqui também, mas vou ficar com essa da Gaga porque sinto na música uma coisa bem latina no ritmo, tem um pouco do ragga, eu acho, até mesmo na harmonia. A batida tá bem na cara também junto com a voz, essa proximidade com a música latina foi o que me despertou os ouvidos assim que a canção tocou para mim na primeira vez. Esse ano fui até num evento que só rolou especial Lady Gaga a noite toda aqui em Teresina. Foi loucura!

Milton Rock (Drenna)

Drenna“Desconectar”
Além de ter uma ótima gravação toda feita no estúdio Toca do Bandido e mixado em Nova York por Aaron Bastineli, potencializando o som da faixa e deixando lado a lado de bandas do mainstream nacional no quesito técnico, a música aborda um tema super atual que é o fato de todos estarem conectados 24 por dia e quanto isso vale realmente. Quanto isso nos faz perder momentos únicos que vão ficar registrados em celulares mas não mais em nossas memorias? A questão da música fica ao redor de quanto custa desconectar.

Eruca Sativa“Antes Que Vuelva a Caer”
Essa música é foda, conta uma historia real, tem um puta peso e consegue ser pop com um refrãozão lindo. Mix e master tudo no lugar. Acho que é uma das grandes bandas de nossa epoca, pouco reconhecida aqui no Brasil.

Jairo Fajer (Autoramas)

Emicaeli“Varanda Gorfê”
Experimental, foda, minha banda preferida, tem 20 anos e pouca gente conhece. Original e feito como punk deve ser, pelos próprios braços.

The Twist Connection“Nite Shift”
Conheci em prtugal na tour com Autoramas, demais! Banda novissima.

Bruna Dourado (Hey, Take a Listen)

O Terno“Culpa”
É a minha música preferida de 2016. A melodia é sensacional e sai do lugar comum do rock alternativo nacional. A letra não poderia expressar melhor um sentimento que todos temos hora ou outra. A banda é um dos destaques do estilo e mostra que ainda podemos esperar muita coisa boa vinda de terras brasileiras.

Garbage“Blackout”
A faixa está no segundo disco em 10 anos da banda e mostra que eles estão em forma, voltando às origens sem deixar de lado a novidade. A música é incisiva e forte, mas carrega a doçura que a vocalista Shirley Manson consegue imprimir, apesar da imagem imponente.

Matheus Pinheiro (Cigana)

Carne Doce“Artemísia”
Essa música é muito forte em todos os sentidos…a sua letra e sua importância e relevância para tantas questões do “nosso hoje”, seu instrumental, dinâmico, delicado e inspiradíssimo… Essa é uma daquelas raras músicas que te conquistam, te agarram e fazem pensar muito logo na primeira ouvida…

Bones“FAT”
Descobri a Bones pelo disco novo do Jeff Beck, “Loud Hailer”, que pra mim é um dos melhores do ano. A Bones é uma dupla britânica, formada por uma baita de uma guitarrista (Carmen Vanderberg) e uma vocalista muito foda (Rosie Bones). Elas são a banda (e a voz) durante todo esse álbum do Jeff Beck, e escreveram todo o material junto com ele. Fui pesquisar mais sobre elas e descobri suas músicas, que apesar de poucas, são simplesmente animais, com uma pegada incrível.

Punk Mello (King Chong)

Tássia Reis“Ouça-Me”
Para mim o som nacional mais foda de 2016, foi a segunda faixa do CD “Outra Espera” da Tássia Reis a música “Ouça-me Remix” com produção de Dia & Grou, esse som é muito potente, vem para escancarar as portas, em um tom bem agressivo a Tássia da voz e visibilidade as minas negras que fazem um rap foda, e muitas vezes não conseguem atingir sua potencia máxima por conta do machismo, racismo e outros tipos de preconceito que o mundo da musica carrega em si! A música é inspiração total e uma overdose de animo para qualquer pessoa, quando ela começa a cantar e põe os pingos nos ‘i’ parece que a mensagem vai entrando na nossa cabeça de uma maneira bem positiva, faz a gente pensar em como consumimos a musica feita por mulheres por exemplo e como é importante um rap como esse tá circulando bastante por ai! Máximo respeito à Tássia Reis e sua banca que vem quebrando a banca de muito MC de plástico que temos por ai!

Noga Erez“Dance White You Shoot”
Para mim a melhor música do ano foi a “Dance While You Shoot”, da cantora e produtora Noga Erez, uma israelense muito talentosa que vem roubando a cena com seu som eletrônico, psicadélico, o som é animal , o beat é envolvente e bem produzido, tive o prazer de ver seu show de perto aqui no interior de São Paulo e sua performance ao vivo é muito boa, ela tá chegando com tudo, já participou de vários festivais fodas, inclusive do Primavera Sound, e aqui no Brasil participou do Boulevard Olímpico. Ela está atingindo um nível muito alto em suas produções. O clipe dessa musica é animal, mostra toda sua potência e o que me chama mais atenção nela é que ela já está circulando bastante e ainda não lançou nenhum álbum tem várias musicas ‘perdidas’ pelo net só, o que faz eu achar ela ainda mais foda!

Renato AC (Produtor, Diretor e Arroz-da-Balada 019)

Motor City Madness“Gravediggers”
Essa rapaziada do sul fez o melhor show ao vivo de 2016, além do clipe dessa música, com uma pegada doida de filme B de zumbi podre. Paulada na orelha !

Skating Polly“Pretective Boy”
Foi a banda nova que me fez pirar! São duas irmãs de Oklahoma que misturam todas as melhores influencias musicais de estéticas e atitude 90´s, sem ser só mais uma bandinha de internet. O clipe dessa música é muito bem produzido, e se inicia com melodias dançantes e vocais suaves da jovem vocalista, que gradativamente se torna em distorção e gritaria.

Gabriel Muchon (Poltergat)

Mudhill“Not About Survival”
Nem é o tipo de som que ouço mais, mas esse disco novo deles tá um primor. Muito bem gravado, mixado, masterizado… Enfim. Melhor disco de 2016 (by far), com a melhor música de 2016 na minha opinião!

Cabbage“Uber Capitalist Death Trade”
Vou na musica que mais me marcou nas ultimas semanas. Pra variar, banda de Manchester.

Jimmy Olden (Blind Beggars)

Molodoys“Quebra Arcos”
Eu sou louco por rock setentista e progressivo, essa música instrumental tem todos os elementos necessários: solo pirado de sintetizador, guitarras psicodélicas, baixo marchando e bateria jazzística.

Marillion“The Leavers”
Eu estava esperando algo novo dessa banda há muito tempo, o último lançamento foi o “Sounds That Can’t Be Made” de 2012 e é incrível como eles mexem nas entranhas dos sentimentos com as suítes deles. Eu sou louco por essa banda.

Leo Fazio (Molodoys)

Pedro Pastoriz“Revelações”
Vou escolher a música “Revelações”, quarta faixa do disco novo do Pedro Pastoriz, “Projeções”, inovador em vários aspectos e com composições muito boas e bem trabalhadas, é um dos melhores disco do ano pra mim. Sobre a faixa, escolhi a Revelações porque foi uma das que eu menos dei atenção na primeira ouvida, mas depois ela me pegou de jeito, gosto muito do peso que ela carrega em algumas partes, sem falar que as nuances e as melodias são muito bonitas.

Blank Banshee“My Machine”
Internacional eu escolho a “My Machine”, segunda faixa do terceiro disco do Blank Banshee, “MEGA”. Senti uma estranheza enorme (mas no bom sentido) quando ouvi ela da primeira vez, me passou um sentimento enorme de catarse e euforia. Acho o Blank Banshee um dos melhores projetos na ativa atualmente, recomendo demais.

Thiago Ones (Wiseman)

Sabotage “País da Fome, Humanos Animais”
É díficil (pra mim) conseguir lembrar de algum artista falecido que tenha deixado material póstumo tão relevante
quanto o que ele tenha lançado em vida. Normalmente são sobras de estúdio, gravações pessoais e coisas do tipo. Pois é, O mano Sabota conseguiu. Óbvio que o play contou com uma galera da pesada na produção, mas isso não diminui em nada o brilho e genialidade do saudoso Maurinho. “País da Fome (Humanos Animais)” começa com uma locução de rádio/TB Contando a morte do protagonista. A letra é simples: O dia-a-dia de quem viveu todas as dificuldades da pobreza extrema. É o cotidiano da miséria que gera conflitos, sofrimentos e
que acaba mostrando o caminho do crime. É a narração genuína de uma pessoa que VIVEU isso e não de alguém que tenta “pagar de favela” pra ser “COOL” malandrão! Como diz o som: “Boatos são boatos, Quem vive é guerreiro”!

Descendents“Without Love”
A música começa com “Long years waiting for it/Longos anos esperando por isso”, e foram longos anos esperando pelo show deles, né? Talvez esta nem seja a “melhor música de 2016” pra mim, mas é uma das melhores do play novo dos veteranos e foram longos anos esperando a chance de vê-los ao vivo. Esse
som é daqueles com refrão que você sai assoviando por aí, é punk rock, pop punk, hardcore melódico, chame como quiser. Descendents é clássico e ponto.

Helder Sampedro (RockALT)

Second Come“Oppenheimer Regret”
Mais de 22 anos após seu último trabalho, uma das bandas mais influentes do underground brasileiro voltou à ativa com o single “Oppenheimer Regret”. Os riffs que embalaram a geração grunge brasileira dos anos 90, a sonoridade que remete a grandes nomes da cena gringa tudo volta em grande estilo no novo trabalho dos, agora veteranos, músicos do Second Come. A música mostra porque a banda ganhou um ar mítico na cena
brasileira e nos deixa ansiosos por mais trabalhos, esperamos que Francisco Kraus e companhia sigam essa linha em um futuro e esperadíssimo álbum.

Iggy Pop“Sunday”
Se teve uma música que eu ouvi sem parar nesse ano certamente foi “Sunday”. O triunfo desse single do álbum mais recente de uma das últimas lendas vivas do autêntico rock alternativo é ser ao mesmo tempo chiclete e um “anti-single” que foge de qualquer clichê que uma canção feita pra “estourar” nas rádios teria. O hit coringa meio que se encaixa bem em qualquer hora do dia, refletindo o humor de quem ouve, dá pra bater o pezinho, dá pra arriscar uns passos de dança, ou apenas curtir as sacadas da letra que retratam um certo marasmo ou cansaço da repetição da vida cotidiana. Uma das melhores músicas de um ano que teve belos trabalhos de artistas consagrados, uma excelente maneira de curtir e celebrar a carreira daqueles que ainda estão com a gente
nessa histeria coletiva que a vida se tornou.

Emmily Barreto (Far From Alaska)

Inky“Skinned Alive”
O Inky é tão bom que a pessoa acha que não pode melhorar, aí eles lançam um álbum novo e o queixo cai do rosto de tão maravilhoso. Essa música me faz sentir uma sensação muito boa todas as vezes que eu ouço, não importa quantas vezes. O sintetizador é tipo uma luz que abduz a gente (risos).

Warpaint“Whiteout”
Não tenho como explicar o porque dessa, sério, só ouvindo e sentindo. Essas minas são surreais e as melodias nas vozes são muito muito muito muito boas. Eu trocaria o FFA pra tocar no Warpaint (risos)

Camilla Merlot (Molodoys)

Murilo Sá e Grande Elenco“Mundo Impressionista”
Nacional é a “Mundo Impressionista” do Murilo Sá e Grande Elenco, que é uma baita musica, cheia de arranjos doidos e frenéticos. Gosto muito das nuances eletrônicas dessa musica e dos arranjos de sax.

La Femme“Sphynx”
Internacional do La Femme, uma banda francesa bem grandinha até que lançou o disco 1 dia depois da Molodoys, a pegada deles é mais eletrônica, mas também é cheio de nuances e arranjos fodas, todas as musicas do disco novo são incríveis, mas escolhi a “Sphynx” que é a faixa de abertura, porque ela traz um bom equilíbrio entre o eletrônico e o orgânico, que eu senti muita falta em outras bandas nesses últimos tempos e pela melodia do vocal, que eu morro de amores!

Amanda Ramalho (Chá das 4 e 20 Músicas)

Medulla “Fim da Estrada”
Porque passa uma coisa maravilhosa. Eles imitam criancas no coro. A letra é simples e adorável.

Alicia Keys“Work On It”
Delícia de disco. Eu gostei dessa repaginada dela porque ela se desenfeitou fisicamente e deixou a música dela mais próxima da música que eu gosto. Leve, fluida as vezes pesada, mas essa música passa o mesmo que a anterior do Medulla.

Ian (Der Baum)

Jonnata Dolls e Os Garotos Solventes“Swing de Fogo”
A faixa que abre o álbum “Crocodilo” lançado esse ano e tem participação de Dado Villa-Lobos. Curto muito a pegada oitentista e obvio os climas de new wave dos teclados. Para mim uma das revelações desse ano no cenário nacional vale a pena conhecer todo o trabalho da banda de Fortaleza.

White Lies“Take It Out On Me”
A banda Inglesa que é de 2007 e eu acabei conhecendo tardiamente mas pude acompanhar o lançamento do quarto álbum chamado “Friends”. Curto muito a pegada das guitarras no fundo e os climinhas de teclado e lógico a batera com pegada de som de sessão da tarde.

Millena Kreutzfeld (Os Garotos de Liverpool)

FingerFingerrr“X”
Os paulistanos lançaram o primeiro CD este ano, chamado “MAR”. Não tinha dúvidas que o CD seria uma grata surpresa, mas mesmo assim fiquei assustada com a qualidade. A escolhida é “X”, que segundo Cifas (baterista), foi criada espontaneamente na gravação. Gosto como a letra conta uma história, a sensação de robôs cantando graças aos sintetizadores e como a voz da Luiza Lian explode, dando o toque feminino na música fazendo total diferença. Com certeza é uma das favoritas do play do ano.

Hanni El Khatib “Gonna Die Alone”
A escolha internacional são os queridos de Los Angeles, Hanni El Khatib. Os conheci através de Bass Drum Of Death, já que o selo deles é o mesmo. O projeto da banda esse ano foi lançar 5 EP’s chamados “Savage TImes Vol. 1”, “2”, “3” e assim respectivamente. De todas músicas, “Gonna Die Alone”, presente no primeiro EP é a minha favorita. Gosto como eles brincaram com o próprio estilo deles – que difere um pouco do dois primeiros CDs. Além disso, o ritmo otimista é o contraste perfeito com a letra que conta com um destino fatal. “I’m gonna die alone, really alone. If the ones that hate me don’t kill me first, the ones that love me gonna harm me worse.”

Yannick ou AfroSamurai (rapper)

Vivendo do Ócio“Batalha do Sono”
É uma musica que fala sobre as inspirações noturnas. Cheia de metáforas sobre a vida, sobre o amor, sonhos e as sensações da noite.

Ho99o9“Da Blue Nigga from Hell Boy”
Gosto de músicas estranhas que me chocam e que perturbam minha mente.

Mariana Ceriani (Dead Parrot)

Carne Doce“Artemísia”
“Artemísia” fala de um tema que voltou a ser palco de discussão recentemente: o aborto. Falar desse tema em uma música não é tarefa fácil, então só por isso já é louvável. A letra direta, o arranjo emocional das cordas e a voz da excelente cantora Salma Jô, que começa mansa, mas vai crescendo e tomando força, como se quisesse falar para o mundo de peito aberto sua escolha, se complementam nessa baita música. É o tipo de música que mexe com o emocional.

David Bowie“Lazarus”
Não poderia deixar de escolher uma música do melhor CD do ano, “Black Star”, em minha opinião. A música ”Lazarus” foi o último single de Bowie antes de morrer. Todo contexto é fascinante, como se fosse o grand finale da carreira e da vida dele. Na música, Bowie relembra alguns momentos da sua vida e sua voz transmite o pesar de ter que ir embora, mas, no final, abraça o alívio de ir e, finalmente, ser livre. A atmosfera melancólica, introduzida com graves bem definidos, o tom ‘jazzístico” e a guitarra ‘indie’ da introdução transmitem o que foi esse grande ídolo da música e da cultura pop: um músico que quebrou paradigmas, misturou estilos e nunca teve medo de ousar.

Dudx Babaloo (A Coisa Toda)

Davis feat. Cameo Culture“Blind”
Davis é um dos produtores mais refinados que o Brasil tem atualmente. À frente da festa ODD e do selo In Their Feelings, ele conseguiu criar um público específico juntamente com seus parceiros de selo e festa, esse ano ele lançou “Blind” e cativou mais ainda esse público com uma proposta sonora sofisticada e leve. Lançado pela Innervision, um dos mais respeitados selos de música eletrônica, ‘Blind’ é um single que nos fez ver o quanto o país tem a oferecer para o mercado da música.

Metronomy“Night Owl”
Após um festival de emoções que foi ‘Love Letters’, Metronomy retornou um pouco mais sóbrio e também melancólico em 2016. A banda sempre manteve esse equilíbrio entre um som animado mas que sempre toca na nossa tristeza interior, algo difícil de atingir. Esse sentimento dúbio, que está nas entrelinhas, faz com que a gente sinta e se comunique com a banda de maneira especial. É como nesse video, um passeio com a morte,
sem ter medo dela.

Priscila de Castro Faria (Winteryard)

BRVNKS“Freedom Is Just A Name”
Descobri há pouco o Brvnks e gostei. Me soou despretensioso, bem feito e me remeteu aquela brisa boa de bandas ensolaradas tipo Alvvays e Best Coast, só que um pouco mais “roqueiro”. Do EP acho que “Freedom is just a name” realmente ganha destaque. Ela me fez querer ouvir mais e , principalmente, ir em um show, ouvir ao vivo, dar uma dançada…

Angel Olsen“Sister”
Já era uma grande fã da Angel Olsen desde o álbum anterior (“Burn Your Fire for No Witness”) e então, quando ela lançou o “My Woman” ,fui bem empolgada ouvir o novo material. E ele realmente superou minhas expectativas. É um álbum bem revigorante, direto, onde conheci um outro lado da cantora mas também a reconheci em vários momentos. Minha música favorita é “Sister”, talvez por eu ter uma certa tendência a
gostar de músicas mais melódicas e sonoramente tristes (risos), mas certamente também é pelos maravilhosos últimos minutos onde se desenrola um desajeitado e barulhento solo de guitarra, que nos fazem relembrar o que há de mais sincero no espirito do indie/grunge.

Artie Oliveira (Don Ramón)

Huaska“Pode”
Tem uma pá de banda que lançou material novo este ano (eu me incluo nessa com o Don Ramón), mas se é pra escolher alguma que realmente me causou impacto, eu fico com a primeira música do disco novo do Huaska. Por quê? Porque eu achei extremamente válido da parte deles, que ganharam notoriedade de fundir Bossa Nova ao Nu Metal, gravar uma faixa que não tem nenhum elemento que caracterizou o disco anterior e ao mesmo tempo, retoma o tipo de som que se fazia no começo da banda, no caso, do EP “Mimosa Hostilis”.

Descendents “Without Love”
É mais pela questão emocional mesmo. Todo mundo tava esperando esse disco sair depois de um intervalo de doze anos do “Cool to be You” e ainda mais, pelos shows (maravilhosos) que rolaram no começo do mês. Eu estava lá e garanto: foi uma das raras vezes que uma banda das antigas tocou material novo e as músicas estavam na ponta da língua da galera MESMO! Fora que, é um dos melhores refrões do Descendents até hoje e ver os quatro ao vivo depois de anos de espera, vale a pena pra caralho!

Fernando Tucori (R7)

Mescalines“Serpente de Bronze”
O disco homônimo lançado pelo duo Mescalines em 2016 foi a melhor coisa que arrumei para andar na rua, para escrever sem freio e para botar pensamentos pra rolar. Parece nada, mas é absolutamente tudo. O destaque, apenas por primeiro impacto, vai para a faixa de abertura, “Serpente de Bronze”.

AJJ“Junkie Church”
Definitivamente rebatizados como AJJ, o Andrew Jackson Jihad reescreveu a Bíblia em 2016 e, se tem um disco que resume o refluxo azedo que voltou queimando a garganta neste ano, é este. Sean Bonnette, vocalista e letrista, amadureceu de um punk que odiava o mundo pra um cara que tenta entender a própria cabeça. Fico com “Junkie Church”, que é daquelas músicas que têm o poder de mudar teu dia se te pegar do jeito certo, no lugar certo e com o tipo divagante de raciocínio.

Victória Zav (Serapicos)

Marina Melo“Laura”
Nacional eu acredito que seja a música Laura, da Marina Melo, porque fala sobre os abusos que as mulheres sofrem e claramente 2016 teve muita discussão sobre isso e muitos avanços e retrocessos ao mesmo tempo no que diz respeito a igualdade de gênero, só movimento feminista.

Alev Lenz“Fall Into Me”
Internacional eu diria que foi a música “Fall Into Me”, da Alev Lenz, porque essa composição dela é simples mas ao mesmo tempo engenhosa e bem produzidaça, além de que ela conseguiu ir pra trilha sonora de Black Mirror, no último episódio da terceira temporada, o dias abelhas.

Mariô Onofre (Mescalines)

Jonnata Doll e os Garotos Solventes“Crocodilo”
Jonnata Doll é um multi artista e essa junção com os Garotos Solventes é incrível guitarras frenéticas, palhetadas e riffs que não ouvia faz tempo nessa onda bunda mole que está por aí, não sei se bunda mole é a palavra certa, bom que se foda. Os shows ao vivos do Jonnata Doll e Os Garotos Solventes é pura energia realmente é contagiante todo mundo que assiste ou fica chocado ou entra na onda. Recentemente eles lançaram o álbum “Crocodilo” ao qual estou escutando agora. Façam o mesmo:

Cavernoso Viñon“Ouvre la Gorge”
A banda Independe Internacional eu escolhi o Cavernoso Viñon onde a vocalista é uma paraguaia que canta em francês e seus músicos brasileiros da cidade de Curitiba, a noticia da volta deles recentemente foi uma grande surpresa pra mim e espero que a banda não acabe tão cedo, anseio por disco novo em 2017.

Amanda Abreu (Seis Músicas)

LAY“Chapei”
Na real, é muito recente essa minha decisão. Vi uma série de reportagens da ID MAGAZINE com a Grace Neutral e ela foi entrevistar a Lay, eu ainda não conhecia a Lay e fui pesquisar, achei foda e achei no spotify, que entrou recentemente. Então, uma artista independente pra mim, a melhor música é essa.

Tinashe “Cold Water”
A Tinashe tem uma música chamada “Cold Water” que eu acho foda. E ela foi uma que eu escutei muito em 2016, ela em si é uma mina muito forte, que tá começando e estourando o R&B vibes sexys e eu gosto muito. Esse álbum dela é sexy, e eu escuto sempre que posso pra me sentir assim também, então escolho essas pra internacional.

Mariana Cantini (Don’t Mind The Fuzz)

Fernando Maranho“Jodorowsky”
Sou meio suspeita pra falar, como grande fã de Cérebro Eletrônico… Esse é projeto solo do Fernando Maranho (voz e guitarra), acompanhado pelo Renato Cortez no baixo e Gustavo Souza na bateria. O show é uma experiência alucinante, cósmica e que me deixou com um sorriso quase infantil no rosto por mais umas 2 horas depois do show terminar. Super recomendo!

Ty Segall“Candy Sam”
É foda acompanhar os mil projetos dessa maquininha, mas acho que esse é o meu favorito. A performance ao vivo no KEXP é incrível e o Ty Segall como front man bebê babão é maravilhosa!

Jéssica Liar (Youtuber)

Quatro Negro“Benedito, 682”
Eu não gosto de musicas melancólicas mas me pego ouvindo essa música do Quarto Negro durante horas seguidas e acredito que seja porque me trazem memórias que eu nunca construí. A letra consegue transportar você pra a aquela situação, é quase que viver um clipe só ouvindo e nem é preciso estar triste para prestar atenção. É surreal como essa música entra no cérebro e deixa pensativa. Não recomendo ouvir pra dormir porque é insônia na certa, mas devo dizer que to escrevendo sobre ela enquanto deitada na cama tentando dormir pois vale a insônia. Música foda é aquela que mexe com os seus sentimentos até esquecidos!

Stephen“Fly Down”
Piano, bateria, guitarra, sintetizador, teclado, voz , ritmos lentos e mais agitados e conseguir uma música foda? Stephen faz isso em praticamente todas as suas músicas do álbum “Sincerely”. A música “Fly Down” eu acho que passei pelo menos uma semana ouvindo só ela, e mais nada. Depois eu voltei pro álbum inteiro do Stephen. Música come pelas beiradas e vai dominando sua atenção, se transforma em algo que você menos
espera a cada minuto que passa e te surpreende. É boa pra ouvir em qualquer momento, em casa tomando vinho, andar de skate, uma road trip e até pra transar.

Bá Monteiro (cantora e compositora)

Atlântico Lunar“Bilhão”
A dupla carioca Felipe Vellozo e Gabriel Luz fez um dos discos mais bonitos que eu já ouvi na vida. Eles tocam na banda da Mahmundi também (que é MARA). Quando ouvi esse disco pela primeira vez, fiquei tão surpresa que parei tudo que estava fazendo para prestar atenção na música. Ela me acalma e me deixa feliz. É lindo demais. O disco inteiro é maravilhoso, letras boas, instrumental rico. Mas a faixa de abertura é minha preferida e já te faz mergulhar nessa onda de good vibes e tranquilidade. Como passar uma tarde relaxante na praia no Rio de Janeiro, mas sem a breguice hippie de aplaudir o pôr do sol. É bonito e classudo. A música mais gostosa do ano! E uma das melhores surpresas que eu tive com música esse ano, também. Vi os caras ao vivo recentemente e o show não decepciona. Eles são felizões no palco, parecem super gente boa, empolgados e relaxados, bem na pegada solar da música. Merecem muito estar em uma lista de melhores do ano.

Jamie T “Tescoland”
O Clash é minha banda preferida da vida e “Tescoland”, do também londrino Jamie T, é a música que mais me lembra o Clash que eu já ouvi! Nenhum outro artista trouxe o som da Only Band That Matters de volta à vida de forma tão forte quanto ele. Joe Strummer ficaria orgulhoso. Essa faixa é muito semelhante sonoramente e também tem uma letra de crítica social com sotaque forte inglês que lembra muito o quarteto punk – e, principalmente, Joe Strummer. A letra fala de suicídio, desilusão amorosa, desesperança, crise econômica, aquela sensação de ansiedade, pânico e depressão de se sentir desajustado em uma sociedade cada vez mais
maluca e em um mundo que parece cada vez menor. Tesco é a maior rede de supermercados do Reino Unido, aliás. Daí o nome “Tescolândia”. Atualmente o Jamie T não é mais tão independente, ele assinou com a Virgin, mas possui um selo próprio e tem um som bem alternativo e ainda não vi ninguém no Brasil falando dele – apesar de ele já ter quase 10 anos de carreira, já estar relativamente famoso no Reino Unido e da BBC tocar suas músicas sem parar. Essa música é boa demais e merece ser divulgada por aqui. “OUVÃO!”

Victor José (Antiprisma)

Alambradas“Mapa dos Arredores”
Essa faixa do EP “Clíclica” já me chamou atenção antes de ser gravada. Nicole já havia lançado uma session tocando essa, só com piano. Mas na versão definitiva me chamou atenção a levadinha, que por algum motivo me lembrou logo de cara aquelas canções do Beach Boys. Sem contar a letra, que é muito honesta, verdadeira. Ouço frequentemente. Vale também destacar a participação do Victor e do Lucas do Bratislava no baixo e na bateria, respectivamente. Ficou uma vibe bem pop, mas um pop redondo e que não enjoa.

Charles Bradley“Nobody But You”
Poderia escolher qualquer uma do álbum “Changes” que ainda assim seria mais que justo. O que falar de uma voz como aquela? É um tipo de som que não tem erro. Pra quem gosta de soul das antigas então, nem se fala. Mas no caso dessa música, além do feeling de Bradley, o arranjo é uma maravilha. Aquela guitarrinha com tremolo, o naipe de metais… Tudo muito bom.

Elisa Oieno (Antiprisma)

Ale Sater“Filha do Dino”
Difícil escolher uma faixa do EP “Japão”, do Ale Sater. Escolhi a “Filha do Dino” e sua viola caipira. A melodia e letra lembram aquele som de raíz brasileira nordestina e sertaneja, e a guitarra ‘etérea’, que permeia por todo o EP, dando aquela ‘vibe’ meio melancólica. “Bão” demais.

Slowcoaches“54”

Eu conheci esta banda recentemente, e me pegou logo de cara. Slowcoaches é um trio de Londres com um som diretão e alto de pegada punk tradicional, ‘garageira’. Eles acertam na mosca em melodias junto com timbres e pesados e barulhentos, como nessa música ‘54’, um belo exemplo de noise pop. Essa faixa
está no EP “Nothing Gives”, que foi lançado este mês.

Roberta Artiolli (SETI)

Tagore“Mudo”
Gosto dos synths, dos timbres e da produção foda! Acho a canção uma bela representante do psicodélico Brazuca, alto nível.

Phoebe Sinclair “This Isn’t Love”
A música da inglesa que conheci esse ano é um mix de belezas. Melodia poderosa, atmosfera envolvente, levados por uma voz deliciosa. Adoro a dinâmica da música. Ah, e o clipe também me hipnotiza. Fuck yeah, Phoebe!

General Sade (Porno Massacre)

Blues Drive Monster“Negação”
Mas vamos lá, aqui na terra da aposentadoria post-mortem eu elejo a música “Negação”, do Blues Drive Monster. Porra! Que som! Pra começar ela tem umas quebradas no ritmo tão abissais, que parece que cê levou uma paulada e até reagir, ela já mudou de novo. Acho muito louco quando a quebra vem assim, tipo uma curva da Mogi Bertioga. E com o passar do tempo ela vai ficando mais caótica. Pô, se é divertido assim ouvir, imagino tocar essa música, com essa caoticidade toda, principalmente no final, Achei show. Outro ponto é a voz, que está colocada de uma forma que sempre me tira um sorriso, tem uns picos agudos no meio que acho geniais, depois uns guturais lá pelo meio.

Motorpsycho“Lacuna/Sunrise”
Já na gringa, eu gostei muito (acho que a faixa de 2016 que eu mais ouvi), “Lacuna/Sunrise” do Motorpsycho que tem um riff delicioso e maldito, porque é um chiclete desgraçado e você não consegue se livrar daquilo nunca mais durante o dia. Fora que ela é enorme, dá pra deixar tocando e esquecer, só deixar rolar. Mas é uma puta música pra, sei lá, ficar chapado no alto de algum lugar alto (com toda essa redundância possível mesmo)…

Dani Buarque (BBGG)

Overfuzz – “Evil Desires”
Overfuzz é uma das minhas bandas favoritas da cena. Eu escuto o álbum deles pelo menos 1x por semana. Essa faixa segue o mesmo que sinto quando escuto o álbum “Bastard Sons of Rock n Roll”, aqueles timbres lindos nas guitas, a cozinha maravilhosa e os vocais melódicos e rasgados do Brunno. Pra mim, a melhor música de 2016.

Reignwolf“Hardcore”
Eu sou APAIXONADA pelo som deles mas só tem umas 3 músicas de estúdio na internet, o resto vc só ouve nos shows. O Jordan Cook é inacreditavel na guitarra, o show é bem blues rock n roll e ele é um puta front man. Esse som é um pouco menos “guitar hero” que os outros mas eu curti bastante os efeitos da guita e o vocal dele sexy-agressive (risos), só deixou a galera mais ansiosa pelo álbum completo que tá de rosca pra sair.

Lucas Lerina (Der Baum)

Dingo Bells“Dinossauros”
“Dinossauros” do Dingo Bells, foi uma música que me gerou um sentimento de nostalgia e amor à primeira audição.

Kanye West“Ultralight Beam”
Também rolou uma coisa sentimental, pela ambiência e a letra, apesar do Kanye não ser flor que se cheire, o disco é muito bom!

Ciça Bracale (Gomalakka)

Raça“Dez”
Não sei se é a melhor, porque teve muita coisa boa mesmo, ouvi muito Carne Doce, Gorduratrans, Jonathan Tadeu, etc etc Mas marcou, porque tava no setlist preparado e ouvido no caminho do parto da Flora, nossa primeira filha.

Angel Olsen“Woman”
Foi um disco que toquei muito pq ti estudandonesse tipo de sonoridade pro meu projeto solo, além de curtir muito o ar jukebox das músicas dela com essa voz nostálgica, curto muito a poética, as letras, e essa é uma música extensa, mas nada cansativa, bem lírica que não canso de ouvir.

Boqa Santana (Penhasco)

Jonathan Tadeu (feat Sentidor) – “Sorriso Besta”
É importante que levar em conta quatro fatores: 1. Jonathan Tadeu é um gênio. 2. Essa música é foda, mas o disco todo te eleva espiritualmente se você realmente gosta de música! 3. “Queda Livre” é um dos melhores discos lançados nessa porra de década do roque independente. 4. Pelo amor de deus, Jonathan Tadeu!

Kevin Abstract“ECHO”
Eu conheci o “garoto do capacete” nesse ano. Ele faz um rap bem fora da curva, e uma das provas cabais é a canção “Echo”, uma balada sobre problemas familiares, depressão e fuga de casa. A faixa integra o disco “American Boyfriend: A Suburban Love Story”, um dos melhores do ano na minha opinião.

Debbie Hell (Música de Menina/Ouvindo Antes de Morrer/Debbie Records)

Cabin Fever Club“April”
Essa música é do álbum de estréia de Johann Vernizzi, lançado em julho de 2016 com 10 músicas junto com um 7′ de acetato de tiragem limitadíssima (só 20 cópias). Você pediu só uma música mas vale a pena ouvir o disco todo. É um som bem lo-fi, intimista, extremamente pessoal e despretensioso, que o Johann gravou em seu quarto, sozinho. Em algumas músicas ele chegou a usar o fone do iphone para captação de voz. O resultado é impressionante: se perdendo em todas as camadas da música, letra, melodia, clipe (tudo no DIY), é impossível ignorar o talento do garoto e a preciosidade do som.

Sheer Mag“Nobody’s Baby”
De novo estou só escolhendo uma música de um todo incrível. O Sheer Mag é uma banda da Filadelfia que lançou seu terceiro EP em Março deste ano. O som junta elementos de garage e power pop e a vocalista desafia os padrões da indústria não só com sua sonoridade, como com sua imagem fantástica e super inspiradora.

Fernando Sanches (CPM 22 / O Inimigo / El Rocha / Againe)

Hurtmold“7:30”
Olha o Queijo: Baixo meio Cólera, Bateria Free Jazz, Guitarras Minutemen Cracudo e de quebra Paulo Santos fodendo a porra toda.

Descendents“Spineless and Scarlet Red”
Bill Stevenson, meu compositor favorito em grande forma.

Alf Sá (ex-Rumbora, Supergalo, Raimundos)

Mahmundi“O Calor do Amor”
Canção pop das boas com uso de sintetizadores indiscriminado, sem perder a classe e letra em português. A Mahmundi além de compor bem é excelente produtora. O álbum todo é massa.

Michael Kiwanuka – “Cold Little Heart”
A introdução com ar cinematográfico já fisga a atenção de cara. Depois vem um clima Floydiano que emenda num soul rasgado de emocionar o mais duro dos seres humanos. Grande descoberta. Acho foda.

Amanda Rocha (La Burca)

Rakta“Filhas do Fogo/Conjuração do Espelho”
Então, eu tenho escutado pouca coisa nova gringa – fico meio nos 80´s / 90´s (risos), mas gosto de Thee Oh Sees, tem o novo dos medalhões Leonard Cohen, Nick Cave, Bowie…mas o que me pegou mesmo foram os nacionais. Me toca muito esse som, uma mistura intensa-cabrera-e-linda de raízes tribais post punk com um xamanismo empoderador. Essas minas são foda, uma das melhores bandas do Brasa.

Quarto Negro – “Obsessivo”
Esse som é demais, obsessão e imprevisibilidades sobre o relacionar, difícil ficar indiferente. Fiquei por um tempo escutando no repeat quando foi lançado e ainda ouço. Comecei a prestar atenção na banda por este som.

Coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa” traz tributo independente aos Titãs

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O Pulso Ainda Pulsa
Capa por Leo Buccia

Os blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos lançam hoje a coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo com 32 artistas independentes fazendo versões, covers e reconstruções de músicas de uma das maiores bandas que o rock brasileiro já ouviu: os Titãs. Uma das bandas mais camaleônicas de sua geração, o octeto permeou sua carreira indo de canções de amor à duras pauladas políticas, do punk à MPB, do experimentalismo ao rock puro. E, afinal, 30 anos depois do lançamento do clássico disco “Cabeça Dinossauro”, um verdadeiro divisor de águas na música nacional, o rock brasileiro continua vivo. O Pulso Ainda Pulsa.

O projeto é uma homenagem à obra de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Charles Gavin, Sérgio Britto, Branco Mello, Nando Reis e Paulo Miklos. Nas faixas, o grupo paulistano é reverenciado em versões que vão do bluegrass ao electro, passando pelo folk, punk, hard rock e experimentalismo. O pulso ainda pulsa abaixo dos radares da grande mídia musical.

O tributo conta com a participação 33 artistas e bandas: Abacates Valvuldos, Aletrix, All Acaso, BBGG, Camila Garófalo, Cigana, Color For Shane, Danger City, Der Baum, FingerFingerrr, Giallos, Gomalakka, Horror Deluxe, Jéf, Moblins, Mundo Alto, Nãda, Não Há Mais Volta (com participação do Badauí, vocalista do CPM22), Paula Cavalciuk, Pedroluts, Penhasco, Porno Massacre, Ruca Souza, SETI, Sky Down, Subburbia, Subcelebs, The Bombers, Thrills And The Chase, The Hangovern, O Bardo e o Banjo, Ostra Brains e Videocassetes. Cada uma fez a produção de sua faixa de forma independente e mais detalhes sobre cada gravação estão disponíveis no site www.opulsoaindapulsa.com.br

Ouça aqui o tributo “O Pulso Ainda Pulsa”:

Porque será que não se fala em uma grande cena do rock autoral hoje em dia?

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Porque será que hoje em dia parece que não há uma grande cena de rock autoral acontecendo, já que tantas bandas boas brotam no underground a cada segundo? Ou será que existe uma cena, e só a grande mídia que não está enxergando? Será culpa das casas de show, que preferem investir em bandas cover e discotecagens xerocadas do Top 10 das rádios comerciais? Ou talvez seja culpa das próprias bandas, que não se unem e comparecem aos shows umas das outras, algo que ajudou a criar movimentos como o punk, o grunge e o manguebit? Ou será que o rock morreu mesmo e só estamos prestando homenagens a um cadáver enterrado há anos?

São muitas questões que bandas de rock e o público que clama por uma retomada do rock no Brasil se fazem praticamente todo dia. Afinal, em um país com tantas bandas de qualidade pipocando no underground, porque não existe uma grande cena acontecendo? Por onde andam os Juntatribos dos dias de hoje? Fiz estas perguntas a diversos músicos e jornalistas musicais para tentar entender o que falta para que isso ocorra:

“Cena. Nunca fiz parte de cena e não vejo necessidade de existir. É ocasião. Pode surgir ou não. As bandas fortes continuarão” Rogério Ucraman (Horror Deluxe)

“Eu creio que o problema seja a forma com a qual as bandas se apresentam. Shows com 4 ou 5 bandas todas do mesmo estilo, por exemplo, afastam qualquer apreciador de boa música. Falta união e apoio entre bandas. Se você perceber, grande parte do publico underground também tem banda. O certo seria se apoiar, tentar encontrar uma maneira de atingir mais pessoas, mas não… Tem muita banda com mania de grandeza. Tipo: ‘foda-se eu vou tocar e quero que você vá’ e aí quando o cara vai tocar o superstar nem sai de casa. Eu acredito que o problema é muito mais complexo e envolve muitos motivos. Tem gente que diz: ‘no Brasil não tem roqueiro’, como forma de se livrar da culpa. Então porque temos tantas bandas de ‘rock cover’ por ai lotando casas de show? Precisamos retomar o rumo do gênero no Brasil, mas para isso, é necessário repensar a abordagem.” Matheus Krempel (The Bombers)

“Mas tá acontecendo. Já vem um tempo que ando comentando com as amigos músicos e no geral. Estamos vivendo uma fase muito interessante no rock nacional. Novas portas estão se abrindo, novos lugares pra tocar e galera tá tocando mais. Ficamos um tempo em um limbo, ou a banda era muito famosa e tocava em grandes festivais ou tocava cover. Hoje o crescimento da cena independente é bem notável. Até bandas maiores como Francisco El Hombre, Vivendo do Ócio, Scalene, Supercombo, Far From Alaska, tão com tudo conquistando não só aqui como Brasil afora. Tem muita coisa boa que ainda não é tão conhecida mas tá caminhando como: Water Rats, Mary Chase, Der Baum, Deb & The Mentals, Overfuzz e nós do BBGG cada vez com mais shows e com o apoio um do outro e do público. Vivemos uma fase linda que tende a crescer cada vez mais. Estou confiante e dedicada (risos)” Dani Buarque (BBGG)

“Sinergia, falta sinergia. Eu toco bastante por toda a Grande São Paulo e vejo muita coisa legal e o que eu reparo é que as bandas não se conhecem e não costumam tanto se juntar para fazer atividades que beneficiem todos. No entanto, preciso deixar muito claro que isto está mudando. Este ano já veremos algumas coisas legais. Novos discos vão ser lançados, algumas tours estão sendo organizadas e pequenos selos novos estão planejando algumas coisas.” Dija Dijones (Chabad, Penhasco)
“Eu acredito que em boa parte se deve à falta de união entre a cena. Esses dias eu tava vendo um doc sobre o Kurt Cobain, “Retrato de uma Ausência”. Em determinado momento, ele, já no auge do Nirvana, dizia algo do gênero: ‘Se o próprio underground não consegue se unir, como espera atingir a massa?’. Outro ponto que acho importante é: eu sinceramente acho que não existe identificação do público com o rock, porque o rock deixou de ser algo intimidador, no bom e no mau sentido da palavra. Talvez estejamos muito fechados em nós mesmos, eu não sei. Um terceiro ponto seria a grande mídia, que não tem interesse em disseminar informação que não gere grandes retornos. Mas eu acho que estamos passando por um momento muito bom. Acho que o surgimento e a força que vários selos independentes estão ganhando no Brasil podem ajudar a trazer uma nova cena rock nacionalmente consolidada”. Natasha Durski (The Shorts)

“Existe uma ‘cena’ de rock atual no Brasil, mas ela não está no mainstream. Os tempos são outros, as gravadoras foram pro buraco e não acontece mais aquela exposição toda de grande mídia, exposição essa que acabava alavancando todos em volta. Mesmo assim, basta um pouco de interesse que você vai descobrir uma produção incrível, acontecendo agora em algum porão e até em lugares mais estruturados como SESCs e Centros Culturais, gente lançando material em vinil, K7 e fazendo shows legais. Claro que existem problemas, falta de lugares pra tocar e aquela coisa toda que estamos cansados de saber, mas o momento é bem produtivo e com uma qualidade e diversidade muito interessante. Eu particularmente não tenho do que reclamar, estou vivendo intensamente esse momento, como músico e público, vendo shows, comprando discos, conhecendo pessoas legais, enfim”. Claudio Cox (Giallos)

“Porque a relação de ser bem sucedido no Brasil tá diretamente ligado a ganhar dinheiro. E colocando na balança o Rock dá pouco dinheiro em relação a outros estilos, e como a máxima é capitalizar acima de tudo, ninguém investe no som mesmo que ele seja bem feito.” Amanda Hawk (Ostra Brains)

“O pessoal tá tentando, viu. Tá tendo o movimento, é que ainda muita gente não consegue ver e enxergar. (risos) Mas aqui no ABC principalmente tem uma cena forte! Aqui no ABC tem muitas bandas! Sério! E poucos lugares pra tocar, o que acaba limitando e de alguma forma positiva juntar mais a galera, já SP também tem muitas bandas, mas os lugares são mais diapersos e fica difícil juntar a galera tendo muitas opções (é bom e ruim ao mesmo tempo)”. Fernanda Carrilho Gamarano (Der Baum)

“Ano passado produzi muitas coisas legais que tiveram uma visibilidade legal e que me fizeram entrar em contato com muitas bandas, ideologias, donos de casas de shows, técnicos de som e muito gente fina disposta a fazer simplesmente um bom rolê acontecer. Em contrapartida houve sim uma galera que de certa forma atrasa o lado ou simplesmente se põem a reclamar as vezes do próprio rolê que produz (por essas pessoas só podemos lamentar), esse lance de rock, de cena e de produção cultural foi se formatando na minha cabeça com alguns papos muito bons q tive por ai nessa jornada. Me lembro de um show do Magüerbes que fiz parte da produção e tive uma conversa de bar com o Haroldo (vocalista) que me fez ver algo que começou a fazer muito sentido no decorrer, o Magüerbes é uma banda que vem atrelada com um movimento de arte de rua e torna tudo muito interessante da maneira que isso se difunde, as coisas conversam mas não necessariamente se promovem, então ele me disse que encara a vida artística dele como uma troca e a cada lugar q ele vai ele troca um pouco de conhecimento e arte com as pessoas que ele encontra, trabalhando todos numa intenção positiva e simples de fazer acontecer e ser legal pra todos envolvidos o restante é consequência. Minha cabeça deu uma chacoalhada no momento, e por mais que pareça simples, aquilo me fez ver que realmente a palavra de ordem é JORNADA, o que acontece muito é que rola uma parada de objetivos monstruosos na cabeça da galera que tem banda, claro que com os anos todo mundo aprendeu a ser um pouco de empresario e aprendeu a gerenciar sua carreira e não dar moral pra produtores de meia tigela, mas colocar esse lance de objetivos na frente da sua arte tem afundado quase tudo e ofuscado o que as vezes o próprio artista não deixa acontecer que é o fluxo daquilo, onde o trabalho dele pode chegar naturalmente. O rock a meu ver absorve isso e expele com muita naturalidade o publico em potencial, me lembro de uma conversa com o pessoal do Ventre e a galera do Supercolisor, novamente em uma mesa de bar (risos), e a Larissa explanou algo que relacionava o rock acabar virando uma causa, que pela causa acaba sufocando ele mesmo e daqui a pouco estamos todos trabalhando na causa e deixando o próprio fruto disso meio que de lado. Pelo menos eu absorvi assim. Ai o que acontece, o rolê de rock muitas vezes é meio travado meio serião, ao meu ver, enquanto o rock for sisudo, cabeçudo e meio que fechado a ser muito seleto, no pais da alegria ela não vai muito longe mesmo. As pessoas querem sair de casa para se divertir para se alegrar e o rock e as vezes quem o produz (de uma maneira geral) repele isso até com um pouquinho de soberba. O rock não tem sido inclusivo e ai que transforma tudo numa coisa meio vazia e sem sentido. As bandas tem que amar mais o que fazem e fazer mais livres, os produtores de shows tem que pensar mais no entretenimento do rolê até mesmo pra captar a renda pra que isso aconteça, não só fazer um show lá e largar a banda no palco e ponto, tem que acabar os produtores que vislumbram enriquecer passando em cima da galera da banda. Acho que a saída é acreditar mais intrinsecamente e permanecer fazendo com amor e bem feito a sua música indiferente até se ela é rock. O resto é consequência do impacto que a sua verdade vai causar. Precisamos de caras saindo da caixa d’agua no rock, caras rolando no chão e se divertindo, sinto que temos muito mais punks fora do rock do que no rock atualmente (risos)” Thiago Silva (Dobro)

“Putz. correndo o risco de soar pessimista/drama queen/reclamona… eu acho que é uma vibe de preguiça generalizada que afeta a nossa geração e a geração dos “20 e poucos”. Uma preguiça que não afeta só a cena rock em relação a bandas como a baladas também… Preguiça de sair de casa, preguiça de falar com gente que você não conhece, ouvir som novo, preguiça de ser curioso. preguiça de gastar dinheiro com banda nacional. Coisa que eu percebo que a cena HC/Punk não perdeu e nunca vai perder, porque eles são muito unidos… E a música deles é também sobre essa união. A gente acaba ficando desunido até na hora de assistir ao show da banda que toca antes/depois da nossa, porra. bons tempos que a gente entrava na Outs sem fazer ideia de quais eram aquelas bandas. a impressão que eu tenho é que hj em dia vc tem que saber exatamente que banda vai tocar, se é do seu agrado, se é de graça, se é perto do metrô, se tem estacionamento de graça, se vc vai ganhar uma breja, se tem fumódromo, sei lá. e mesmo quando tem tudo isso, não vão. não sei mais o que a galera quer. e aí reclama de funk. porra!” Júlia Abrão (Bloodbuzz)

“Acredito que hoje o que mais impede a formação de uma nova cena seja a desorganização coletiva de quem tá no underground e o medo de quem detém as melhores formas de divulgação. nas rádios, a gente ouve musicas de bandas que nem sequer estão pra lançar discos novos porque é muito mais confortável tocarem os sucessos de ontem do que descobrir novos sucessos. Ainda existem as bandas que se deixam seduzir por programas como o The Voice, o Superstar… É complicado. e a desorganização fica exposta quando uma banda pensa unica e exclusivamente no seu proprio sucesso, mas graças a deus isso tem mudado – existe um interesse maior das bandas entre si, e é isso que vai trazer diferença pra cena”. Bruno Carnovale (Black Cold Bottles)

“O que falta acho que é principalmente trabalho de verdade. É muito fácil montar uma página no Facebook da sua banda, ficar amiguinho do rapaz do blog… Conseguir matéria falando sobre como sua banda é legal e como você é engajado no movimento tal, como a cena não sei o que lá. Aí o pessoal fica preso nessas armadilhas do ego, querendo apontar dedo e ser da galera legal que esquece que precisa gravar e fazer som também. Aí você vê nego que nem tem música gravada querendo botar camiseta da banda no Guitar Days… Acaba meio que virando um desfile de moda só. Se em vez de querer foder com os outros e se sentir reizinho a rapaziada fizesse o deles, pelo menos união a galera ia conseguir. A questão do publico que complica… Ninguém mais quer ir ver banda, todo mundo quer ir pra balada pegar mulher, música virou coisa supérflua hoje em dia. Não é que nem antigamente que o que tinha pra fazer era ouvir música, ai acho que o desinteresse fica maior… Quando uma coisa é de tao fácil acesso acho que perde o valor. Quando você tinha que procurar na puta que pariu pra conseguir um disco pra ouvir, acho que era bem mais importante pra você. Agora que tá a um clique de distância, 5 minutos cê baixa todos os discos da banda X vira uma coisa normal, que não merece tanta atenção quanto o disco que você teve que juntar sua grana pra comprar. Lembro de ouvir cada disco que comprava umas 30 vezes porque só tinha ele de novo.” Guilherme Maia (Troublemaker)

“É simples: ninguém ta nem aí. Tem muita banda legal, mas a maioria esmagadora é uma bosta sem tamanho e o público prefere ouvir qualquer bosta sem tamanho gringa do que uma banda realmente legal dos seus amigos. São muitos fatores que passam tanto pela vadiagem nacional quanto pela pagação de pau gringa, sem esquecer dos produtores noiabas e dos produtores canalhas. No meio de tudo isso estar num lugar legal vendo um show realmente bom virou um momento ainda mais mágico, dada a raridade do fenômeno. Mas na vida como um todo coisas realmente incríveis são difíceis de se encontrar então engole o choro e sai por aí em busca de algo massa”. Mairena (BBGG)

“Se você pegar a história do rock alternativo brasileiro as “cenas” sempre foram nascendo da necessidade. Pouco importava se a banda realmente tinha uma qualidade diferenciada ou não. Tanto que a formação delas era meio por acidente, muitas após se desentenderem com os membros, procuraram alguém para substituir na própria cena. E se engana quem pensa que necessariamente a pessoa em questão tocava num banda que fazia um som parecido ou tinha o mesmo background. Era um lance de QUERO ESTAR NUMA BANDA e amo o que faço. E daí rolava. Vai ter gente que dirá que nunca existiu uma “cena”, que o que existiu mesmo é gente tentando compilar bandas para justificar uma época. No punk inglês por exemplo as desavenças eram bastante claras e o lance de união parecia mais anárquico que o próprio discurso do punk. Mas voltando a pergunta principal. Eu acho que falta a camaradagem, a união das bandas independente do estilo que tocam. As vezes parece que tá cada um por si, no esquema: salve salve-se quem puder. Nós mesmo vemos outros fatores em 2016 que dificultam, antigamente uma banda conseguia se virar sem ter uma estrutura, como empresa mesmo, adequada. Hoje se a empresa não junta uma grana para divulgação, não produz redondinho, não trabalha a imagem, não constrói um público: é questão de tempo até ela morrer na praia. Mas as vezes acho que é isso no ROCK em si: virou uma competição de “Empresa”, sendo cada banda uma empresa, e vence a que fizer melhor balanço no fim do mês. E acho que nunca funcionou assim quando a coisa rolou de verdade. Os selos maiores e programas de TV “caça talentos” procuram bandas muito moldadinhas, superficiais e falemos assim: inofensivas. Logo para o grande público o rock virou um produto de boutique. Quem pesquisa um pouco e sai do mainstream consegue enxergar isso. Mas quantos de nós olhamos para ele de verdade? Eu acabo conhecendo bandas maravilhosas todo dia. Falta isso, falta um Lado B Mtv para a massa também ‘”pirar”. Ninguém quer caçar mais as coisas, se jogar em boteco sujo, arregaçar as mangas e conhecer algo novo. Preferem reclamar, e espero de verdade que isso mude. É algo URGENTE”. Rafael C (Hits Perdidos/Anchor Mixtapes)

“Bem, entendo que o rock sempre foi e sempre vai ser vilipendiado pela grande mídia, tanto pelo seu caráter contestador quanto pela fama de ser “barulhento, agressivo, do demo”. Querendo ou não a maioria da população ainda é influenciada por essa mídia e não busca na internet música nova. Aliado a isso o público do rock não tem se renovado, hj quem frequenta shows e escuta bandas novas já não é mais adolescente, dificilmente vejo esse público mais jovem nos eventos de rock e sem essa juventude dificilmente teremos uma cena grande e pujante. Além dessas questões as bandas ainda tem muita vaidade, não confiam umas nas outras, ainda existe muito mimimi, e sem união a chance de uma cena aparecer é muito pequena. Apesar disso tudo eu sou um otimista, enxergo que a cena está começando a ser formada, as bandas novas têm se unido e se profissionalizado, novos portais de mídia independente estão aparecendo e crescendo, como o seu blog”. Blacknail (Porno Massacre)

“O Brasil nunca estará configurado para ter uma cena rock de peso, mas isso não significa que não acontece ou esteja acontecendo uma cena rock de peso em algumas cidades. Lá em Goiânia, por exemplo, tá acontecendo bem algo grande. Os caras têm festivais como Goiânia Noise, Bananada e Vaca Amarela, todos com mais de dez anos de vida e transbordam bandas fodidas, público numeroso e assíduo e que apresentam bandas como Boogarins (que lançou disco exclusivo no site do “The New York Times”), Carne Doce, Hellbenders, entre tantas outras. Falando sobre São Paulo, recentemente rolou um show comemorativo de 15 anos do Ludovic num festival chamado “Banana Progressyva” no Superloft. Havia muita gente nesse show. Só que a maioria ali eram pessoas que já estão familiarizados com um rolê independente há 20 anos, ou seja, ainda não há uma renovação no público. Antigamente, tínhamos mais festivais, éramos mais abertos para conhecer bandas independentes e sempre haviam pessoas novas. A TV nos brindava com o programa Riff na MTV, programa do Gordo na 89FM, Musikaos, ou seja, uma série de alternativas de descobrir música independente nas mídias mais acessíveis. Se você sintonizar agora mesmo na 89FM, e tocar alguma banda de rock nacional, provavelmente serão bandas que lançaram algo relevante há 20 anos atrás. Daí a renovação no rock são pessoas de 12 anos com camisa do Legião Urbana que com alguma sorte chegarão no Ludovic. E alguns caras dizem que o rock morreu porque só duas bandas de “rock” atingiram a lista da Billboard, manja? Isso é bem imbecil! Todavia, eu vejo com bons olhos o que acontece hoje e o que pode vir a acontecer tanto em São Paulo como em algumas outras cidades do Brasil (olhos voltando também ao Rio de Janeiro). Algumas bandas entenderam que se você amar música é preciso entender música e mesmo que não exista um público hoje para grande parte das bandas independentes, elas não deixarão de se agilizar, gravar, tocar, organizar shows e viajar por aí. E também não vão dar boi pra casa que desrespeita e/ou diz que está tudo uma merda mesmo porque é rock e rock é isso! Desse modo, um público começa a surgir. E a gente pode sair desse estágio de público-banda-de-amigo. Olha o rap dos porões, por exemplo, o publico vai no show pelo RAP NACIONAL, né? Pelo que significa a parada toda, que é o mesmo reflexo do público das pequenas casas e festivais como os de Goiânia. Enfim, existe uma cena de peso sim – em algumas cidades, mas ela não enxerga através das vendas.” Eduardo Boqa (Penhasco)

“Meu posicionamento em relação a isso envolve uma questão de mercado. Enquanto bandas precisam investir de forma independente no seu próprio trabalho, outros seguimentos recebem incentivos e até recursos de origem escusas. Assim, o problema não é qualidade, mas divulgação e sobre quem tem mais dinheiro e tempo para divulgar seu trabalho. Não basta só ter página no Facebook, Instagram, Twitter, Youtube. Tem que usar essas e outras plataformas, levar seu som para diferentes lugares e mídias para criar um público. A banda gasta tudo o que tem ou não tem para gravar e não sobra nada para correr atrás da divulgação depois, fica complicado competir. Poderíamos falar de estrutura das casas, participação do público, profissionalismo das bandas, entre outras, mas é o dinheiro que manda. Não deveria, certo?” Maurício Martins (editor do Nada Pop)

“Antes de qualquer coisa, o rock não é pop. No meu último show que fizemos na festa Trackers sentimos a adrenalina e a liberdade de tocar mais pesado, quase punk. No fim do show um amigo me disse ‘Que fritação! Não consegui nem dançar de tão pesado’. Acho que a atual cena pede movimento, pede sensualidade. Todo mundo quer dançar enquanto assiste um show, ficar olhando sem participar se tornou chato. Acredito que o rock não esteja em evidência no momento, ser roqueiro já foi mais legal, simbolizava uma atitude forte, agressiva. A moda agora é falar de amor e de coisas leves. Um pouco de pop, um pouco de eletrônico e você já pode ser um cara cool. Aí depende do que a banda quer. Se quiser atingir um público maior sim. Se quiser tocar o que tem vontade não. Toda cena existe cada uma em sua proporção. Vai depender do tamanho e da natureza do seu objetivo”. Camila Garófalo

“No livro RCKNRLL do Yuri, tem uma passagem que um dos músicos fala isso, se não me engano é o Chuck que fala: não tem possibilidade nenhuma de uma banda fazer um bom show sem bons equipamentos, e eu concordo com ele. Ele usa como exemplo o DJ, o que usa uma música que foi gravada em um ótimo estúdio, foi mixada e masterizada, etc e etc… A música que ele usa na pick up tem toda qualidade necessária para uma boa audição e interpretação do ouvinte. Com os equipamentos oferecidos pelas casas de shows o que mais se tem é ruído, amplificadores velhos que apitam, microfones ruins que não dá pra entender o que o cara canta, isso tudo e mais um pouco afastou o publico que saia de casa para ver as bandas. A cena já existe há anos, ela evoluiu muito e o público também, todos nós nos tornamos mais exigentes. A cena de bandas está linda, falta esse profissionalismo. Mas isso não depende só das casas, as bandas têm a obrigação de terem seu set… Aliás, foi depois que começamos a levar nossos equipamentos que a qualidade dos shows melhoraram e tivemos um retorno de público. Você não precisa comprar equipamentos caros e importados, compre um que adeque a necessidade da sua banda”. Dom Orione (Videocassettes)

“A produção musical, assim como a cultural, nunca foi um problema para o brasileiro. Isso está em nossas veias! Acredito que houve uma mudança drástica de perfil de público. Não existem grandes nomes internacionais para popularizar a cena como um todo. Também não há mais a necessidade do encontro físico para trocar ideias, se relacionar e curtir um som. Muita gente nem tem saído de casa, resolvendo tudo pelas redes sociais. Outro fator que me incomoda muito é nas pessoas de 20 e 30 anos estarem muito caretas. O rock precisa de mais maldade, mas o próprio pessoal do rock de antes acha coisas como funk ofensivas. Por outro lado, deveríamos juntar com o funk e fazer algo ofensivo e com um puta som da hora”. Raphael Fernandes (Revista Mad)

“Ah, eu acho que falta aquela vontade mesmo. por parte das bandas / casas / festas etc. e público também. E não acho que seja por preguiça. É porque a gente acostumou a ter tudo fácil. Internet tá aí cheia de música de graça, filmes de graça, tudo na mão e na hora. Isso vai de encontro com a vontade de pensar em ir naquela festa e dar 15 conto pra ver a banda do amigo, saca? Há uns 10, 15 anos atrás, a gente ainda saía pela Augusta e Pinheiros e entrava nos bares pra descobrir coisas novas, ouvir bandas novas. Hoje a galera não sai sem propósito muito bem definido. Também tem o negócio das casas fecharem pra bandas e ter só DJ e festas. mas claro, todo mundo se adequando à demanda, né? Daí fica esse lance meio individualista de “se eu não ganhar nada não tem porque eu ir”. Isso em SP. Não falo sobre os outros estados porque eu não conheço. Aliás, outras cidades, porque sei que no interior rola umas ceninhas e em outros estados também. SP ta difícil, MAS vejo uma luz no fim do tunel com essa revitalização do centro, as casas abrindo pra bandas e novo e casas novas abrindo que dao espaço pra bandas… Acho que talvez tenha sido só uma fase de adequação da internet/celular na vida das pessoas e consumo de música. Quem sabe agora é a hora da cena se formar novamente, né?” Aecio de Souza (Bloodbuzz)

30 bandas e artistas que o Crush em Hi-Fi entrevistou em 2015 e você deveria estar ouvindo AGORA

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The Love Me Nots
The Love Me Nots

O Crush em Hi-Fi entrou no ar em janeiro de 2015 com a ideia de falar de música fugindo do que todos os outros grandes sites e blogs falam. E, em algum tempo, estávamos entrevistando bandas e artistas de todo o mundo, sendo elas independentes ou medalhões em suas respectivas regiões, com extensas discografias ou ainda preparando sua primeira demo. Com isso, descobrimos diversas pérolas sonoras que estavam ali, escondidinhas, e que merecem brilhar com toda a força e ganhar o mundo e seus ouvidos.

Para começar 2016 com o pé na porta, compilamos 30 desses entrevistados. São 30 bandas e artistas que merecem ser ouvidos. Com certeza algum deles vai fazer a sua cabeça neste ano!

Skating Polly

Skating Polly

As irmãs Kelli MayoPeyton Bighorse, de Oklahoma, formam o duo Skating Polly (entrevista aqui) se alternando na bateria, vocais, guitarra, baixo, teclados e todos os instrumentos que elas souberem (ou não) tocar. A dupla está preparando um novo disco para o início de 2016, sucessor dos ótimos “Taking Over The World” (2012), “Lost Wonderfuls” (2013) e “Fuzz Steilacoom” (2014). Não se engane pela pouca idade (Kelli tem 15 anos e Peyton, 19) das garotas: o som é de primeira qualidade e já foi elogiado por gente como Rosanne Cash, Kat Bjelland e Lori Barbero (Babes in Toyland, com quem as irmãs estão em turnê), Sean Lennon, Donita Sparks (L7), Kate Nash, John Doe (X), DJ Rodney Bingenheimer e até do ator Viggo Mortensen.

Screaming Females

Screaming Females

Formado por Jarrett Dougherty (bateria), King Mike (baixo) e a grande cantora e guitarrista Marissa Paternoster, o Screaming Females (entrevista aqui) surgiu em New Jersey e já tem seis álbums na bagagem  (“Baby Teeth”, “What If Someone Is Watching Their TV?”, “Power Move”, “Castle Talk”, “Ugly”, “Live at The Hideout” e, finalmente, “Rose Mountain”, lançado ano passado) e elogios de gente como Shirley Manson, do Garbage, banda com a qual gravaram uma versão de “Because The Night” para o Record Store Day de 2013. “Temos o som clássico de um trio. Todo mundo traz algo bastante integral para a mistura”, explica Jarrett.

Thee Dirty Rats

Thee Dirty Rats

Conheci a dupla Thee Dirty Rats  na Sensorial Discos, em um show da banda australiana Los Tones. Ao ver o cigar box feito à mão do Luis Tissot (voz e cigar box) e a batida primal de Fernando Hitman (bateria), fui obrigado a ir atrás dos caras para entrevistá-los (entrevista aqui). A dupla já lançou dois EPs: “The Fine Art Of Poisoning Vol. 1 e 2” e “Perfect Tragedy”. “O Dirty Rats flerta com o Garage 60’s back from the grave numa roupagem New Wave 80’s meio robótica. Tem bastante Devo, Buzzcocks, Gun Club… a gente tenta fazer músicas bem simples, curtas, quase infantil, baseada em um riff ou uma melodia de vocal apenas como um mini mantra de 1 minuto e meio”, descreve Luis.

Purple

Purple

O trio texano Purple mistura a distorção e falta de compromisso em se adequar a um estilo do rock alternativo com o ritmo hip hop e ânsia por diversão dos Beastie Boys. (entrevista aqui) O primeiro disco deles, “409”, lançado no final de 2014, demonstra bem isso, com músicas como “Leche Loco”, “Target”, “Thirteen” e “DMT”. Seu último lançamento até o momento é o clipe de “Mini Van”, mas eles já estão trabalhando em novas músicas. “Nós apenas queremos construir uma grande base de fãs e poder tocar em todo o mundo!”

Moriaty

Moriaty

O “filthy dirty blues” do duo Moriaty me chamou a atenção assim que apareceu ali do lado direito nas “sugestões” do Youtube (entrevista aqui). A banda de Devon formada por  Jordan West (vocal e guitarra) e Matthew Partridge (bateria e vocais) faz um som bem característico cheio de punch e ritmo, trazendo suas fortes influências de blues à tona misturados ao rock alternativo e britpop. Na bagagem, dois EPs (“Lord Blackwood” e “Esperanza”) e um disco (“The Devil’s Child”). A banda já está em estúdio preparando mais músicas para lançar em 2016. O último som até o momento é o single “Bones”:

The Hunted Crows

The Hunted Crows

Vou ter que repetir o que falei na entrevista com o The Hunted Crows: Quando dei o play em “Sniff You Out” pela primeira vez, jurei que era alguma banda que já estava nas paradas de sucesso. Afinal, o barulho dos australianos não deve nada ao do Royal Blood, que ganhou notoriedade após um elogio de Dave Grohl. Com o EP “The Hunted Crows” esbanjando riffs vigorosos e bateria violenta, o duo de Melbourne promete dominar o mundo em breve. A banda já trabalha em seu segundo EP e prepara um disco completo.

Petit Mort

Petit Mort

O Petit Mort é formado por argentinos, mas pode considerar o trio brasileiro, se quiser. Afinal, eles já fizeram mais de 100 shows por aqui e moram em Florianópolis (entrevista aqui). Na estrada desde 2007 e formada por Michelle Mendez na guitarra e vocal, Juan Recio no baixo e Jacques Blasetti, a banda lançou no ano passado seu ótimo quarto disco “Bite The Hook”, produzido pelo alemão Sebastian Benthin. Rock alternativo com pitadas de punk e grunge pra nenhum fã dos anos 90 botar defeito!

Los Chicos Problema

Los Chicos Problema

Quem precisa de uma guitarra quando um baixo cheio de fuzz se apresenta? Essa é a fórmula da dupla Los Chicos Problema, do México (entrevista aqui). O duo, formado por Ana (bateria e voz) e Geo (baixo e voz) já lançou os discos “Los Chicos Problema”, de 2012, e “Estremécete y Rueda”, de 2013, ano em que passaram pelo Brasil e tocaram no Astronete, uma das poucas casas da mítica Rua Augusta que ainda aposta em shows de bandas autorais. O som, um garage rock sujo e cheio de distorção, faz qualquer um dançar:

The Hyena Kill

The Hyena Kill

A dupla de Manchester The Hyena Kill (entrevista aqui) traz um som mais sujo que o lado de trás da privada do CBGBs em 1978. Com dois EPs lançados (“Gush” em 2012 e “Scrape My Bones”, em 2013), o duo formado por Steven Dobb (vocal e guitarra) e Lorna Blundell (bateria) é PhD em riffs grudentos, batidas retas e certeiras e refrões sujismundos da melhor qualidade. A banda está na ativa, fazendo shows pela Europa e em breve gravará mais sons para um novo EP.

Marcello Gugu

Marcello Gugu

Veloz nas rimas e nas referências e com batidas que vão do soul ao rock, Marcello Gugu impressiona em seu primeiro disco, “Até Que Enfim, Gugu” produzido por DJ Duh, Léo Cunha, Rodrigo Chiocki, DJ Caique, Jhow Produz e pelo próprio rapper, que pode ser baixado gratuitamente em seu site. Hoje em dia ele está preparando seu segundo trabalho, “Azul Índigo”, ainda sem previsão de lançamento, e continua rimando pelo Brasil afora. Foi uma bela entrevista com o cara. Leia aqui!

The Chuck Norris Experiment

The Chuck Norris Experiment

Gene Simmons declarou algumas vezes que “o rock está morto”. Para os suecos do The Chuck Norris Experiment, “Gene Simmons é só um velho rico e cuzão” (leia a entrevista completa aqui). Talvez você não concorde com a declaração, mas ouvindo o som do quinteto, dá pra ver que na Suécia o rock vive e muito bem. Rockão com o pé no acelerador como é necessário, sem medo de ser feliz. Qual não foi minha surpresa, depois de um mês da entrevista, receber o último disco da banda até o momento, “Right Between The Eyes”, em minha casa, com camiseta e autógrafo do vocalista Chuck Ramson!

Hurricane Love

Hurricane Love

O Hurricane Love é mais uma banda sueca, mas completamente diferente da mencionada acima (entrevista aqui). O grupo de Malmö, formado por NinaRasmusJohanna, TobiasMagnus e Robin, se define como “pop de arena”. Entre as bandas que são influência para as cinco músicas de seu EP de estreia estão Sigur Rós e ColdplayVale a pena ouvir e se perguntar: porque diabos músicas como “Nowhere To Go” ainda não estão tocando nas chamadas “rádios rock” do Brasil?

Muzzarelas

Muzzarelas

Esta aqui vocês já deveriam estar ouvindo faz tempo, mas em vez de dar puxão de orelha, vou recomendar novamente para os desavisados: os Muzzarelas (entrevista aqui) são uma das melhores e mais divertidas bandas de punk rock do Brasil. Com seis discos no currículo (sendo o mais recente “We Rock, You Suck”, de 2009), o quinteto campineiro mostra em seu som como pode-se falar de cerveja, aliens, insanidades, pizza, hippies mutantes, nudez, chá de cogumelo e muito mais em músicas que fazem seu cérebro chacoalhar.

The Vanjas

The Vanjas

Mais uma banda sueca. Sim, parece que acontece alguma coisa praqueles lados, já que brotam bandas bacanas do chão. The Vanjas, formada Vanja Lo nos vocais, Bon-Ton no baixo, Mr Magnatone na guitarra e Swingin’ Zack na bateria, está em turnê divulgando seu primeiro disco, “The Vanjas Sings And Plays Rock’n’Roll” (leia entrevista completa aqui)Um dos lugares que o grupo adoraria visitar? Isso mesmo, o Brasil. “Em meus sonhos já estou aí. Diga a todos sobre nós e diga-nos quem contatar no Brasil e estaremos aí mais cedo do que você imagina”, disse a líder do grupo, Vanja Lo.

Molho Negro

Molho Negro

Vem aí o terceiro disco do Molho Negro (entrevista aqui), banda nascida nas garagens do Belém do Pará. O sucessor de “Lobo” (2014) manterá a identidade do grupo, com muito rock garageiro. “Nada de rock cabeça. O negócio aqui é o melhor do estilo, na linha dos pioneiros como Chuck BerryLittle Richards, o objetivo é ser sedutor para os quadris e fazerem todos sacudirem com o som poderoso”. Quem disse que o som do norte é só tecnobrega e aparelhagens?

The Two Tens

The Two Tens

Los Angeles é um dos berços de bandas incríveis nos Estados Unidos, e também é o lar do The Two Tens (entrevista aqui), dupla que busca trazer a simplicidade elétrica do rock and roll em seu som. Formada por Adam Bones (guitarra/vocal) e Rikki Styxx (bateria) em 2014, a banda já lançou quatro EPs neste um ano de carreira (chamados, logicamente, “Volume 1”, “Volume 2”,“Volume 3” e, finalmente, “Volume 4”) e está preparando mais sons para 2016. “Garage punk em seu melhor”, disse o  Huffington Post. É, eu concordo.

Motobunny

Motobunny

“Tentamos juntar o poder energético e cru do rock’n’roll dos Stooges com uma pitada de glitter do pop”, diz Christa Collins, vocalista do Motobunny. Além de Christa (aka Roxy Moto), a banda também conta com Nicole Laurenne (aka Violet Moto) também nos vocais, Michael Johnny Walker (guitarras) e Rik Collins (baixo). Em maio de 2014, eles lançaram seu primeiro disco, auto-intitulado, gravado e produzido em Detroit por Jim Diamond, pela Rusty Knuckles Music. Confira a entrevista com o quarteto aqui!

BBGG

BBGG

Essa banda não é fraca: seu primeiro single, “Slippery Blonde” (que está prestes a ganhar um belo videoclipe), foi elogiado por ninguém menos que Shirley Manson, vocalista do Garbage! Formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria), o grupo aposta na mistura do som riot grrrl dos anos 90 com guitarras grunge e uma cozinha de respeito. A banda já está pronta para gravar seu primeiro álbum completo e participou da segunda coletânea da Motim Records com seu mais recente som, “It’s Not Me, It’s You”. Confira a entrevista do BBGG aqui.

Horror Deluxe

Horror Deluxe

A banda escolhida para a primeira edição da festa Crush em Hi-Fi no Morfeus Club (aguardem a segunda!) saiu de lá com todos os presentes apaixonados loucamente. O Horror Deluxe (entrevista aqui), formado por Prix Overkill (bateria) e Rogerio Ucraman (guitarra e vocal) bebe na fonte dos Cramps, Misfits e das pragas do dia do Zé do Caixão com toda a simplicidade punk possível. Vale a pena ouvir “Cabeça Zumbi” e ficar com a música grudada como um chiclete na cabeça pelas próximas horas.

Paula Cavalciuk

MPB, pop, rock nacional… tanto faz o rótulo: o EP “Mapeia”, estreia da cantora Paula Cavalciuk, merece ser ouvido. A faixa “Maria Invisível”, que fala das agruras de uma doméstica, possui uma letra triste que ganha ares de tragicomédia graças à adição de um kazoo. “Passa a mensagem e ao mesmo tempo é dançante, isso faz com que cada um tenha uma impressão diferente”, explica ela. “Cantei uma coisa que veio do coração e entrou pelos ouvidos da pessoa. Se um dia isso vai se transformar num tapa na cara, depende só da consciência de cada um”. Confira o papo com a cantora aqui.

Bike

Bike

A psicodelia cheia de LSD do BIKE está estourando por aí (entrevista aqui). Aliás, seu disco “1943”, masterizado por Rob Grant (responsável por trabalhos do Tame Impala e Pond), mostra perfeitamente as influências do da banda, que vão do Pink Floyd a Walter Franco. Formada por Julito Cavalcante, do Macaco Bong (guitarra e voz), Diego Xavier (guitarra e voz), Rafa Bulleto (baixo e voz) e Gustavo Athayde (bateria e voz), a banda promete o segundo disco para o semestre deste ano.

GASH

Gash

O GASH é uma banda punk com temática sadomasoquista (entrevista aqui). Não pense que é só nas letras: o grupo tem um show que é uma verdadeira sessão BDSM, contando inclusive com uma dominatrix fixa e um “bichinho de estimação” em sua formação! Formada por Tibbie X (vocais) por A.J Delinquent e Hit Cunningham (guitarras), Travis Travesty (baixo), Domme Stephxecutioner (dominatrix) e Chris Wiz (“bichinho de estimação”), a banda está preparando seu primeiro disco, “Astral  Liberation”, para este mês. O sucessor do EP “Subspace” estará disponível em seu site oficial www.gashofficial.com

Monique Maion

Monique Maion

A cantora Monique Maion mistura jazz com blues desde 2005, quando começou sua carreira no Syndikat Jazz Club, em São Paulo. Suas performances dramáticas, cheias de personalidade e atitude glam rock a levaram a ganhar muitos elogios, chegando a ser chamada pela revista Rolling Stone de “a nova voz paulistana”. Sua voz pode ter um timbre jazzy, mas a atitude é totalmente rocker. A cantora está preparando seu novo disco: “tenho material novo para mais de 5 álbuns”, diz. Confira a entrevista com ela aqui.

The Aquadolls

the aquadolls

Queridinhos de Kate Nash desde que sua vocalista Melissa Brooks invadiu o camarim da cantora, o The Aquadolls tem um EP e um disco (“We Are Free”, de 2013, pela Burger Records, e “Stoked On You”, de 2014) na bagagem e prepara o segundo álbum com o produtor de Hollywood Aaron Greene para o início deste ano. Confira a entrevista com a banda e ouça o psychedelic surf punk ensolarado que conquistou Nash e fez com que ela os convidasse para abrir seus shows:

Aletrix

Aletrix

Em seu primeiro disco, “Herpes Aos Hipsters”, Aletrix desferiu farpas certeiras aos hipsters (lógico), fãs de UFC e ex-BBBs. Formada por Alexandre Lemos (guitarra), Mia (baixo) e Ed Avian (baterista), a banda prepara seu segundo disco para este ano e desta vez, os alvos devem ser os famosos comentaristas de notícias de grandes portais. Homofóbicos, racistas e machistas receberão os pesados socos sarcásticos com guitarras noventistas que remetem ao rock alternativo. Confira a entrevista com a banda aqui.

The Love Me Nots

The Love Me Nots

Nicole Laurenne (vocal e órgão), Michael Johnny Walker (guitarra), Christina Nunez (vocal e baixo) e Jay Lien (bateria) possuem uma bela discografia no currículo do The Love Me Nots (entrevista aqui): In Black & White (2007), DETROIT (2008), Upsidedown Insideout (2009), Thringle (2011), The Demon and The Devotee (2011), Let’s Get Wrecked (2011) e, finalmente, Sucker (2014). Hoje, a banda continua fazendo o que faz de melhor: estudar o pop para usá-lo a favor do rock em seu próximo disco, que está em produção e deve sair ainda este ano.

Tits, Tats & Whiskers

Tits Tats & Whiskers

O Tits, Tats and Whiskers é uma verdadeira mistureba multicultural/multinacional: formada por um italiano, um americano e uma filipina, fazendo barulho na cena underground do… Japão. Formada por Ponzi (o americano) na guitarra e vocais, Mattia (o italiano) na bateria e Astrid (a moça das Filipinas) no baixo e vocais, o Tits, Tats and Whiskers lançou seu primeiro disco, “All The Things”, em 2014, e o ótimo sucessor, “Laugh, Dance & Cry”, em 2015. A entrevista com o trio você confere aqui.

Donna Duo

Donna Duo

A dupla Dani Zan e Naíra Debértolis define seu som como “pop milongueiro” (entrevista aqui). A mistura de MPB, pop, rock e milongas as levou a serem finalistas do reality show do Canal Sony Breakout Brasil e ao seu primeiro disco, lançado em 2015 patrocinado por um bem sucedido crowdfunding. “O duo surgiu sem direcionamento do que íamos fazer, como um hobby, um projeto parelelo das duas, experimentamos muita coisa, fizemos tudo o que queríamos e naturalmente nos tornamos um caldeirão musical”, explicou Naíra.

Deb & The Mentals

Deb and the Mentals

O Deb and The Mentals é quase um supergrupo formado por grandes nomes da cena underground paulistana: Deborah Babilonia (vocal, ex-Debbie and the Rocketeers), Stanislaw Tchaick(baixo, Water Rats), Guilherme Hipólitho (guitarra, irmão de Chuck Hipólitho, do Vespas Mandarinas) e G.G. Di Martino (bateria, ex-Veronica Kills). O som da banda é calcado no rock alternativo noventista, com toda a amplitude (e barulho) que o gênero permite. Seu primeiro EP, “Feel The Mantra”, foi lançado no ano passado e recebeu muitos elogios, aparecendo em muitas listas de “Melhores de 2015”. Confira a entrevista com eles aqui!

 

Coletânea Motim Records Vol. 2 traz faixas de Muzzarelas, BBGG, Francisco El Hombre e mais

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Motim Records Vol 2

Para fechar o ano com chave de ouro, a Motim Records preparou um ótimo disco para presentear os amigos do peito neste Natal: a coletânea “Motim Records Volume 2”. Depois do sucesso da coletânea virtual “Motim Records Volume 1”, a segunda edição ganhou versão em disco físico, com todo o dinheiro do projeto foi custeado entre o selo e as bandas. Na capa, mais uma doentia e incrível ilustração do artista Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula).

O Lomba Raivosa abre o disco com “Jovem indomável”, rock sujo e que desce queimando. Na sequência, os cariocas do Zander oferecem um pouco de conforto com “Hortelã”. O punk rock do Labataria ganha seu espaço, com o clássico dos shows “Papa”, com influências de Misfits e alfinetadas certeiras na igreja. O Box47, do selo Motim Records, vem na seguência com a faixa “O Último Aniversário”, pop punk para os fãs de CPM 22 e Blink 182 pré-franjinhas. A seguir, temos o La Makina com o hardcore “Palha no Arraial” e o post-hardcore do CHCL em “Espelho” e uma canção inédita cedida com exclusividade para a coletânea: “1,2-Now”, dos ícones do punk rock campineiro Muzzarelas. O Hurry-Up comparece com “Bad Parents”. O BBGG afirma que “Isso vai doer mais em você do que em mim” na música “It’s Not Me, It’s You”. O Golfo de Vizcaya traz seu som indefinível na sequência, e Francisco, El Hombre se apresenta botando todos para dançar. Para fechar bem a coletânea, a trinca “Geração Zumbi”, do Fast Falling, “Pai”, do No Time, e “All Power To The People”, do Diploma, pra finalizar com a energia lá em cima.

Motim Records Vol 2
Motim Records Vol 2

A coletânea tem o apoio do blog Nada Pop, Sailor Skateboard e Tape Studio. Para adquirir sua cópia, entre em contato com a Motim Records.

Você pode ouvir a coletânea completa aqui:

A festa Crush em Hi-Fi estreia sexta (04) no Morfeus Club com show do duo Horror Deluxe!

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A dupla Horror Deluxe

Sim, você leu direito: agora o Crush em Hi-Fi também terá uma festa! A estreia acontece no dia 04/12, sexta-feira, no Morfeus Club! A festa que busca fugir um pouco do lugar comum na noite paulistana, indo além do que as rádios e a televisão costumam oferecer quando o assunto é rock. Lógico que as bandas consagradas também aparecerão, mas não com aquele velho hit manjado que toca à exaustão em todas as baladas. Se nem Kurt Cobain aguentava mais ouvir “Smells Like Teen Spirit”, imagine o público da noite rocker paulistana?

Festa Crush em Hi-Fi 1

Além disso, a festa sempre terá espaço para bandas autorais. Para começar com o pé na porta, rola o show do duo HORROR DELUXE, destilando suas influências de psycho-punk-a-billy com muito filme B dos anos 50, The Cramps e José Mojica Marins na mistura! A dupla já foi entrevistada aqui no blog, confira aqui.

Nas discotecagens, o editor do blog João Pedro Ramos (Tiger Robocop,Combo Hits, No FUN), Mairena (baterista da banda BBGG) e Rafa 77 (autor do blog Hits Perdidos).

Ah, e tem uma promoção: Quem for ao CCXP – Comic Con Experience e comparecer com o crachá, ganha na faixa uma cerveja 1500 Cerveja Puro Malte!

A dupla Horror Deluxe
A dupla Horror Deluxe

 

Na festa do Crush em Hi-Fi, você ouve: Iggy and the Stooges – Pin Ups – T.Rex – Ramones – Thrills and The Chase – The Hunted Crows – The Clash – Faith No More – Undertones – Parliament – Supersuckers – Bionica – Transplants – Funkadelic – Turbonegro – Deb & The Mentals – Andrew W.K. – Rita Lee & Tutti Frutti – Muzzarelas – Forgotten Boys – Primus – Skating Polly – Violentures – Purple – Queens Of The Stone Age – Screaming Females – The Runaways – Oh! Gunquit – Hellacopters – L7 – Sly and The Family Stone – The Who – Jack White – The Love Me Nots – New York Dolls – Tits, Tats and Whiskers – Sonic Youth – The Chuck Norris Experiment – 13th Floor Elevators – Seeds – Autoramas – Sonics – Garage Fuzz – MC5 – Bowie – Hendrix – James Brown – Velvet Underground – Eagles of Death Metal – Deap Vally – The Rolling Stones – Raveonettes – Cramps – Ventures – The Two Tens – Wolfmother – La Femme – Carbona – Toni Tornado -Human Beinz – The Hyena Kill – The Nerves – Red Hot Chili Peppers – Veronica Kills – Buffalo Tom – Afghan Whigs – Superchunk – Pavement – Kleiderman – Supergrass – Blondie – Titãs – Nirvana – B-52s – The Hives – Stray Cats – Os Mutantes – Killing Chainsaw – Beastie Boys – Pulp – Manic Street Preachers – Molotov – Garbage – The Kinks – Party Up – Pixies – Stone Roses – Little Quail and The Mad Birds – Weezer – Hole – Ride – Dinosaur Jr – Fugazi – Happy Mondays – Sugarcubes – The Pogues – Fu Manchu – Teenage Fanclub – The Cure – Smashing Pumpkins – Primal Scream – Devotos DNSA e muito mais!

Serviço:

Crush em Hi-Fi @ Morfeus Club
Quando: 04/12/2015 (sexta-feira)
Horário: a partir das 22h

Show: Horror Deluxe
DJs: João Pedro Ramos (Tiger Robocop, Combo Hits, No Fun)
Mairena (BBGG)
Rafa 77 (Hits Perdidos)

Fotos: Amanda Costa
Arte: Leo Buccia

Preços:
*Com lista: R$15 (entrada)
*Sem Lista: R$20 (entrada)
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Festival Distúrbio Feminino combate o machismo no meio musical neste sábado em São Paulo

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Festival Distúrbio Feminino

Neste sábado acontecerá em São Paulo a primeira edição do festival Distúrbio Feminino. Organizado pela autora do programa de rádio/blog, Mariângela Carvalho, Supernova Produções e pelo Tsunami Coletivo, o evento vai rolar na Praça do Ouvidor, que fica no Largo São Francisco, na Sé, das 14h às 19h. O festival é gratuito. “O objetivo é mostrar a qualidade dos trabalhos realizados por mulheres em diferentes áreas das artes”, explicou a produtora. “O evento procura evidenciar o poder das garotas, que nunca deixaram a desejar no quesito talento e originalidade. Queremos mostrar que as mulheres estão em completa equidade criativa e artística com os homens, e que muitas mulheres juntas podem mudar o sistema e as noções de machismo”.

O line-up contará com 4 bandas paulistas independentes: do interior, La Burca (Bauru) e Travelling Wave (Piracicaba), e da capital, BBGG e Fronte Violeta, bandas que surgem com força no cenário autoral do rock em 2015. Além disso, as garotas do Coletivo Efêmmera farão um grafite ao vivo durante o evento e o selo Contra Boots registrará um bootleg com os shows do dia, que será lançado em fitas K7 limitadas posteriormente.  Conversei com Mariângela sobre o evento:

 

– Como surgiu a ideia do festival?

Quando o Distúrbio Feminino surgiu ele tinha muitos propósitos: ser um zine artesanal, uma festa, programa de rádio, blog, festival. Começou como programa de rádio (atividade que sempre exerci desde formada) e ficou no ar por cerca de um ano e meio. Como a ideia nasceu para ser pluralista mesmo, envolvendo diferentes formatos e mídias, já estava na hora de expandir o foco e estrear como festival. Os objetivos continuam iguais (assim como eram enquanto programa radiofônico): mostrar a qualidade dos trabalhos realizados por mulheres em diferentes áreas das artes; por isso o festival traz música e artes visuais, com as garotas do Coletivo Efêmmera promovendo um grafite ao vivo durante o evento.

– Como este projeto busca combater o machismo, que continua tão em alta no Brasil (e em todo o mundo)?
O evento procura evidenciar o poder das garotas, que nunca deixaram a desejar no quesito talento e originalidade. Queremos mostrar que as mulheres estão em completa equidade criativa e artística com os homens, e que muitas mulheres juntas podem mudar o sistema e as noções de machismo. Hoje sabemos que podemos fazer e ser tudo aquilo que queremos.:)

BBGG
BBGG

– Pode me falar um pouco mais sobre as bandas que vão participar?

Quando o festival começou a ser formado a ideia era que tivéssemos 4 bandas vindas de lugares diferentes do Brasil para mostrar as diferentes produções que temos hoje em dia. Grupos do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram convidados, mas com nenhum deles foi possível (os motivos eram os mais variados, mas o que pesou mesmo foi o preço das passagens, pq realmente ainda é muito caro viajar pelo país). Depois dessa fase com várias respostas negativas (que também fugiam do controle das próprias bandas), grupos próximos foram convidados e aos poucos pudemos fechar o line-up em 4 nomes. Os estilos das 4 bandas são bem variados entre si mas todos carregam a essência do rock. BBGG é um nome recente no circuito mas tem um potencial enorme. Com 3 garotas à frente, a aposta deles é numa pegada mais classic rock, riffões e refrão para ser gritado. La Burca e Fronte Violeta são dois duos, de Bauru e SP capital, respectivamente. O La Burca tem uma proposta que considero bem original no país que é fazer punklore, um punk acústico (muito produzido nas terras gringas mas por aqui ainda sem muito destaque), e o Fronte Violeta faz experimentações eletrônicas e brinca muito com colagens sonoras, synths, delays. E o Travelling Wave é um quarteto de Piracicaba. A onda deles é mais psychedelic com muitas teclas e reverb, fazem um show bem intenso e têm 2 garotas de destaque.
La Burca
La Burca

– Nos anos 90, festivais com bandas independentes pipocavam em todo o país e geraram diversas cenas musicais. Porque isso parou? Tem como recuperar?

Acho que o ritmo foi diminuindo ao  longo dos anos, mas nunca chegou a parar. Muitos fatos podem ser creditados a esse déficit como, por exemplo, o rock ter passado uns bons 15 anos na geladeira no Brasil. Há anos não temos um nome forte e que chegue às massas mesmo, isso enfraquece o movimento e a vontade de fazer. Nos primeiros 5 anos dos anos 2000 surgiram muitos festivais de rock independente mas eles perderam a força quando se notou que a movimentação era mais política do que artística. Isso tb enfraqueceu quem estava a fim de produzir. Hoje em dia eu acho que o momento é outro mesmo, com agentes culturais e bandas levando o faça-vc-mesmo ao pé da letra e concretizando vontades que antes só existiam no plano das ideias.

– Você pretende levar o projeto para a frente, fazer mais edições do festival?
Com certeza! O Distúrbio Feminino (como um todo) sempre obteve mais sucesso do que eu imaginava e próximas edições estão certamente nos planos, com vontade de ser cada vez maior e dar mais visibilidade para as mulheres nas artes.

Travelling Wave
Travelling Wave

 

 – Onde será o festival? As casas de SP oferecem auxílio para bandas autorais?
O festival acontecerá na rua, melhor lugar para expressar as artes. Ali próximo ao metrô Sé, no Largo São Francisco, existe um espaço muito bom que é a Praça Ouvidor Pacheco, que já tem um tablado perfeito para usar como palco e é um lugar bem amplo, dá pra muitas pessoas circularem livremente. Sim, a maioria das casas em SP oferecem um certo auxílio para as bandas, mas cada uma tem seu esquema: algumas dão uma porcentagem da bilheteria, algumas dão toda a bilheteria e outras (a minoria) garante o cachê fixo.
Fronte Violeta
Fronte Violeta

– Além dos shows, também vão ter outras atrações, correto?

Isso! Mantendo a ideia de ser multimídia, o Distúrbio Feminino Fest tem também a participação das meninas do Coletivo Efêmmera, uma galera talentosa que se divide por diferentes cidades para articular sobre artes visuais, cultura urbana e, claro, empoderamento feminino. No dia do eventos elas estarão grafitando telas com temas feministas e depois vamos deixar esses trabalhos expostos em casas alternativas da cidade. Além das Efêmmeras, também teremos a galera do selo Contra Boots. O trabalho que eles realizam é daqueles “simples mas geniais – como ninguém pensou nisso antes?!?!”. O selo grava e lança bootlegs de shows em fitas K7, com edição limitada, arte caprichada e esquemas de distribuição, e eles farão isso com os shows do festival, que depois se tornarão ‘obras físicas’. A ideia é registrar o evento e guardar para a posteridade.

Coletivo Effêmera
Coletivo Effêmera

– Onde o pessoal vai poder comprar estes registros?
Diretamente com os meninos do selo. A princípio vamos fazer apenas 30 cópias, sendo que 14 ficarão com as bandas (uma por integrante), 10 para mim e 6 para o selo. as minhas eu ainda não sei o que vou fazer (risos). Mas quero presentear algumas pessoas que estão me ajudando nessa.

– Quem fez a arte do flyer?
A arte foi feita pela Micha Oliveira, conhecida como Teenage Micha. Ela é artista visual e zineira no RJ e participa de coletivos feministas também. As figuras das meninas que constam na arte do festival foram feitas a mão e depois ela digitalizou.

 

Festival Distúrbio Feminino
Onde: Praça do Ouvidor – Largo São Francisco – Sé – São Paulo
Quando: 17 de outubro (sábado) das 14h às 19h
Quanto: Gratuito
Classificação livre