Construindo Banda-Fôrra: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda paraibana Banda-Fôrra, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Cidadão Instigado“O Tempo” 
Cidadão Instigado inaugurou um jeito de fazer canção no Brasil. Letra e melodia emocionantes, e mais mil detalhes pra prestar atenção a cada nova audição.

Homeshake“Every Single Thing”
Melhor timbre pop que tem rolado por aí afora. Pra ouvir pensando na vida.

Cátia de França“20 Palavras Girando ao Redor do Sol”
Lembrete eterno de que não estamos inventando a roda e que a música paraibana sempre foi com os dois pés na porta.

Bob Marley“Slave Driver”
Aula de música, história e caráter. Recomendado em doses diárias.

Igor Stravinsky“A Sagração da Primavera”
Uma das muitas drogas pesadas que consumimos nos tempos de pré-produção do nosso EP de 2015, e que reverberou como referência em forma de vocalização na faixa ‘diz nos meus olhos’.

Milton Dornellas“Encanto”
O compositor que tento ser se divide entre antes e depois do disco que abre com essa canção. Sigo buscando a clareza e limpidez na articulação entre melodia e letra que Milton foi capaz de cometer nessa faixa.

Lô Borges“O Trem Azul”
Nessa lista valia pôr o Clube da Esquina inteiro, mas essa faixa fica sendo uma representante de peso da maneira como os mineiros influenciam nossa forma de harmonizar, e também por aquele solinho de guitarra incrível, que aprendi a cantar inteiro.

Guilherme Arantes – “O Melhor Vai Começar”
Nos releases que produzimos ao longo desse tempo de existência da banda, sempre falamos em ‘música brasileira sem estereótipos’. Acredito que a maneira como Guilherme Arantes faz conversar suas referências no rock progressivo, na nossa nova e na tradição da canção brasileira sintetizam bem essa nossa busca. As melodias são belíssimas, e as letras têm esse apelo por ser profundamente simples e irremediavelmente inteligíveis.

Cidadão Instigado“Besouros e Borboletas”
Persigo, observo e admiro as canções do Fernando Catatau. Escolhi essa por ela conseguir arrancar com doçura uma lágrima minha num show deles que assisti.

Gilberto Gil“No Norte da Saudade”
Nas últimas viagens que fiz escolhi essa canção pra ser o primeiro play.
Música pra cima e pra celebrar a instiga de se jogar na estrada.

BaianaSystem“Lucro: Descomprimindo”
Gosto de observar cada detalhe dos shows das bandas do mainstream. No da Bayana não consegui, pois fui sugado pro meio da multidão e me entreguei pras famosas rodinhas dos shows deles. Depois, com uma audição mais cuidadosa, passei a admirar essa música por ter uma crítica social muito forte, muito atual e por transmitir a mensagem através de refrão chiclete e estrofes certeiras.

Beto Guedes“Lumiar”
Essa eu gostaria de ter feito. É uma aula do beto ensinando ao mundo como deve ser o ser.

Gilberto Gil“Ilê Ayê”
Essa música, como boa parte da obra de gil, possui um aspecto interessantíssimo que é a força e o poder que a música (e cultura) afro-brasileira tem. Não só essa música, mas todo o disco ‘Refavela’, possui uma força muito incrível, tanto nas letras como em cada instrumento tocado.

Maglore“Calma”
Música que compõe o disco mais recente da Maglore. Sem dúvida nenhuma essa é a melhor música do disco, a palavra é algo muito presente nesse disco e nessa música não poderia ser diferente. Sem contar também com som da banda como um todo, os timbres maravilhosos que esse disco traz.

Caetano Veloso“Nine Out of Ten”
Essa é uma das minhas músicas preferidas de Caetano e lembro que só conheci esse disco por conta de Banda-Fôrra, que na época nem tinha esse nome, chamava-se Banda Uns. Lembro muito bem de assistir a um show dos meninos tocando o disco ‘Transa’ e depois do show ir correndo para casa ouvir incansavelmente essa maravilha.

Milton Nascimento“Escravos de Jó”
Música que abre o disco ‘Milagre dos Peixes’. Algo que acho muito incrível dessa música são as percussões de Naná Vasconcelos, grande percussionista que infelizmente não está mais entre nós. O que me fascina é a maneira que Nana orquestra toda a percussão da música, criando uma massa sonora incrível que sem dúvida nenhum faz com que a percussão não seja um mero instrumento de acompanhamento e sim que ela se torne um comunicador tal como a voz. Em resumo, a percussão pode não falar, mas ela diz muita coisa.

A Cor do Som“Beleza Pura”
As guitarras de Armandinho nas músicas d’A Cor do Som me impressionam muito. Bahia e Brasil numa fritação canção belíssimas. sempre tento trazer pra meu jeito de tocar a sensação que eu tenho quando escuto as guitarras dele. Não dá pra escutar essa versão de “Beleza Pura” e não querer sair dançando pela casa.

Gal Costa“Vatapá”
Uma das coisas que eu mais gosto na vida é a sensação do fim da tarde em João Pessoa. Principalmente por causa das cores e do brilho das coisas. De maneira geral, gosto de escutar (e fazer) músicas que me remetem a isso. Gal, Caymmi e a cereja do bolo: João Donato (produção musical e arranjos) me transportam diretamente pra um fim de tarde em João Pessoa. Vale escutar esse disco inteiro!

Red Hot Chili Peppers“Sick Love”
Um dos discos que eu mais escutei em 2017-18. Até eu escutar esse disco, Red Hot cumpria uma função mais nostálgica do que qualquer outra. Ouvia mais nos rocks quando alguém lembrava de “Scar Tissue”, “Under The Bridge” ou “Can’t Stop” ou quando o assunto eram os tempos áureos da MTV. Quando ouvi esse disco (“The Getaway”) pela primeira vez que percebi o quanto essa banda é muito foda. “Sick Love” foi a que mais gostei. A Partir desse disco que fui percebendo que as outras músicas e os outros discos são carregadíssimas em sentimentos. Muito verdadeiros. Frusciante (mesmo não estando presente nesse disco) me ensina muito sobre rock, groove e guitarras limpas.

Mac DeMarco“Let Her Go”
Esse disco é sempre à quem eu recorro quando passo mais de 5 segundos e não consigo pensar em alguma coisa pra ouvir. sempre. timbres lindos, sensibilidade altíssima. “Let Her Go” sintetiza bem a capacidade que esse disco tem de colocar meu dia pra cima. Altíssimo astral. Fica ainda mais alto astral se for ouvida naqueles finais de tarde super vermelhos de João Pessoa.

O desenvolvimento da nova Refavela baiana

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O rapper baiano Hiran

Em 1996, Gilberto Gil, no documentário “Tempo Rei”, entra numa grande viagem. O documentário é fantástico e aborda toda a carreira de Gil falando de muitos aspectos importantes de sua carreira e do Brasil. Mas um tópico em especial chama atenção – o da Refavela. Num movimento muito doido, ao lado de Carlinhos Brown são tecidos comentários sobre o que é exatamente a Refavela, que em 1977 foi nome de faixa, que deu nome a disco, no meio da “trilogia Re”. Brown afirma que a Refavela é “refazer o barco, refazer a vela”, regressar no caminho da diáspora, saindo ou não do Brasil. Gil afirma que Brown é a “prova viva” do que ele viu tantos anos antes na Nigéria com Fela Kuti e no Brasil com o “Black Jovem, o Black Rio”. A nova geração de pretos e pretas em “blocos do CNH”, periféricos, que traçavam seus caminhos na música popular.

A Refavela é a diáspora e se faz presente e se renova a todo tempo. Hoje, pretas e pretos do Brasil todo “refazem o barco, refazem a vela”. Quero falar nesse texto sobre a minha Bahia, especificamente. Dentro dela, posso falar de quatro movimentos no presente momento (dentre tantos outros) – o movimento de Luedji Luna, o movimento de Russo Passapusso (Baiana System), o movimento de Hiran e o movimento Attøxxá. Há interseções entre esses quatro movimentos, mas cada um traça caminhos muito próprios e peculiares.

Luedji, há três anos em São Paulo, traça caminhos que dialogam com o que Gil fazia em 77 na Refavela. É a Refavela em sua renovação! O batuque e o ritmo tipicamente africano se faz presente na sua música, mas aliado a um tom moderno e típico da geração em que vivemos – conectado e da era das redes sociais. Luedji, em entrevista ao site Cult.E.T.C, disse que começou a escrever num movimento de busca por expressão, por existência – uma resposta aos racistas de sua escola. A escrita se transformou muito tempo depois em cantoria e os racistas de merda devem se arrepender de terem acordado em Luedji o potencial revolucionário que todo fruto da diáspora carrega consigo. Revolução (também) musical que se faz presente no excepcional disco “Um Corpo no Mundo”, de 2017. A faixa de mesmo nome vai no mais profundo da alma dialogando com a travessia do Atlântico e com São Paulo (“E a palavra amor, cadê?”). Mulher, preta, nordestina e foda demais!

Russo Passapusso, por sua vez, traça dois caminhos distintos. No caminho solo e no Baiana System há interseções, mas os resultados finais são diferentes. Se na carreira solo há a sutileza de “Areia” e “Flor de Plástico” (“Paraíso da Miragem”, 2014), no Baiana System o movimento é outro, contrastando a cidade alta e a cidade baixa, no batidão eletrônico (“Duas Cidades”, 2016). “Autodidata” que fecha o “Paraíso da Miragem” é o que se assemelha mais com Baiana System, mas ao mesmo tempo é muito diferente. São escolhas que seguem caminhos diferentes, mas que guardam uma semelhança: o fato de que a Baiana System e o “Paraíso da Miragem” são sons “brasileirinhos pelo sotaque, mas de língua internacional”. São sons mundiais, globais, mas ao mesmo tempo que não perdem as raízes. É mais uma vez a Refavela em ação!

Não é à toa que está estourando tanto Brasil afora. O som é da mais alta qualidade nos dois projetos. Quem sabe Russo seja o Chico Science de nossa era. O tempo dirá.

Attoxxa segue o caminho do pagodão baiano. O “samba paradoxal” da Refavela e o ritmo moderno da “popa da bunda”. Durante o show, usam como sample de uma das músicas “Feeling Good” de Nina Simone e fazem questão de afirmar isso. Se Márcio Vitor mudou a cena da música baiana no início dos anos 2000, Attoxxa dá outro tom a cena em 2018. Convoca inclusive o próprio Márcio Vitor para fazer essa mudança de tom em conjunto. “Rebolar a Raba” também faz parte da diáspora, afinal, foi o branco europeu que inventou que a ginga africana era pecado. “Rebolar a Raba” também faz parte da revolução antiracista.

Hiran. LGBT e vindo do interior da Bahia traça caminhos belos e ambiciosos. Há duas semanas lançou o clipe de “Tem Mana no Rap” – simplesmente sensacional. Dá pra chamar de um “Abre Alas” dos nossos tempos. No beat dá pra escutar em loop os gritos de “Ilê, Ilê, Ilê, Ilê”. As referências são claras e estão na Bahia e na África (Ilê Aiyê, procure que você vai entender). Lançou na ultima semana o seu primeiro disco e no dia anterior a postagem deste texto foi ao ar o “Cultura Livre” com a sua presença. Hiran grita: “eu não sou pauta pras suas ofensas!” e afirma “baiano pode mudar o Brasil”. Assino embaixo. Não só pode como já está mudando. Desde a invenção do samba, passando pela Refavela até chegar na nossa geração.

A diáspora, a luta, o potencial revolucionário e a excelente qualidade musical são pontos em comum para todos os citados acima.
A renovação sem perder as raízes é regra. Ainda bem.

Confira uma playlist sobre a Refavela baiana:

referências e links extras:

Entrevista com Luedji Luna, cantora baiana que

Assista!

“Tem Mana no Rap” Sim!! Conheça o primeiro álbum do rapper baiano Hiran

Construindo Zé Bigode: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Zé Bigode, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Criolo“subirusdoistiozin”
Primeira musica que ouvi do Criolo, logo de cara achei o nome bem diferente, quando conferi o som ouvi uma base bem orgânica com uma pegada jazz, com aquele som de Fender Rhodes curti de cara e depois fui baixar o disco nó na orelha que foi bem importante pra mudar minha visão musical

Gil Scott Heron“Lady Day and John Coltrane”
Uma das minhas musicas favoritas do disco “Pieces of a Man”, clássico do Gill Scott Heron, essa musica toda vez que me sinto meio pra baixo serve de estímulo, assim como na letra ouvir “Lady Day and John Coltrane” levam os problemas pra longe, Gill Scott também o faz muito bem.

Oasis“Live Forever”
Ouvi muito Oasis na minha vida, e essa música sem duvida é uma das que mais escutei deles, lançada em 1994 no disco de estreia, o “Definitely Maybe”, escrita por Noel Gallagher, é uma homenagem a estar vivo.

John Coltrane“Acknowledgement”
Uma das músicas mais perfeitas da história da humanidade. É só isso que consigo dizer quando a ouço, muitos sentimentos nesse som aí! Sem contar que faz parte de um dos maiores discos da história, o “A Love Supreme”.

BaianaSystem“Playsom”
Só quem já foi num show do Baiana sabe a energia que é, e essa música pra mim é a que melhor define o som deles. Pedrada pura!

Nina Simone“I Put a Spell on You”
Nina Simone, né? Dispensa comentários, rainha!

Gilberto Gil“Drão”
Já era fã da musica desde sempre, quando descobri que era uma musica falando da separação dele com a Sandra Gadelha, um pedido de desculpas, tem vários jogos de palavras geniais.

Céu“Lenda”
Essa tem um groove que pega de primeira ouvida, lembro que quando descobri esse som e o disco de estréia dela, ouvi sem parar.

Elton John“Razor Face”
Eu podia indicar qualquer faixa do disco “Madman Across The Water”, que é um dos meus discos favoritos, mas vai “Razor Face”. Acho que é a que melhor representa essa fase do Elton John, quando ele tinha o timbre de voz bem agudo e lançava um clássico atrás do outro.

Gal Costa“Tuareg”
Se não me engano essa musica é do Jorge Ben. “Tuareg” mostra quanto o Brasil estava num ótimo momento musical no fim da década de 60, experimentando sonoridades de várias regiões do mundo e mesclando com a nossa musica tradicional. Os anos 60 foram bem intensos pra musica popular, apesar de politicamente estarmos em um dos piores momentos de nossa história.

Belchior“Alucinação”
Faz parte do álbum de mesmo nome, eu citaria o disco todo, mas escolho essa, que mostra o Belchior na sua melhor forma poética, dando o papo reto numa crítica ácida e certeira. “A minha alucinação é suportar o dia a dia”.

Chico Science e Nação Zumbi“Manguetown”
Chico Science talvez seja uma das minhas maiores influências, a sensacional analogia da parabólica fincada na lama… A música é isso, é universal, é um pouco de tudo que já escutamos nessa vida independente de território. Poucos souberam mesclar o tradicional com a vanguarda como Chico Science fez, um verdadeiro alquimista.

Jorge Ben“5 Minutos”
Falando em alquimista musical, aqui temos outro. “5 Minutos” chama minha atenção pela harmonia dela, diferente de quase tudo que ele fez. É torta mas tem groove, vê se pode?

Metá Metá“Oyá”
Metá Metá é uma das melhores coisas que a musica brasileira nos proporcionou nesse novo século. É punk? É samba? Música de terreiro? Escolhi “Oyá” por ter uma dinâmica entre a porrada e a calmaria.

Planet Hemp“Stab”
Nunca tive uma formatura, mas se tivesse certamente entraria com essa música. Escutei bastante quando andava de skate, me dá uma motivação enorme pra enfrentar as dificuldades.

Fela Kuti“Army Arrangement”
Essa música é quase um disco (risos). Com quase meia hora de duração, algo muito comum pro Fela Kuti, icone negro de resistência contra as opressões do governo e do imperialismo eurocêntrico.

Herbie Hancock“Dolphin Dance”
Uma mistura entre musica modal e musica tonal, um tema bem complexo de se improvisar, mostrando a verstatilidade harmônica do Herbie, uma lenda do jazz.

Miles Davis“So What”
Faz parte do essencial “Kind Of Blue”. Recomendo escutar esse disco a todos que querem saber mais sobre jazz. Ou melhor: a todos que gostam de ouvir música, recomendo a audição. Uma guinada que mudou o jazz, quebrando o virtuosismo técnico e cheio de progressões do bebop, inserindo o modalismo.

Led Zeppelin“Going To California”
Essa musica faz parte do clássico disco “IV”, amo todas desse disco, mas essa me marcou positivamente por bons momentos que tive embalados por esse som.

Milton Nascimento“Travessia”
Escolher uma do Milton é complicado, poderia fazer essa lista só com musicas dele que ainda faltariam mais 20! Mas “Travessia” é a minha favorita, desde a letra do Fernando Brant, que é uma das coisas mais lindas já musicadas, quanto a harmonia e arranjo. O trompete nessa faixa é algo de outro mundo.

BaianaSystem abre programação musical de 2018 do SESC Pompeia

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Em circulação com a turnê do disco “Duas Cidades” (2016), o grupo BaianaSystem ocupou o palco da Comedoria do Sesc Pompeia entre os dias 4 e 6 de janeiro, em uma série de três shows que abriu a programação musical da unidade em 2018.

Além de tocar o mais recente disco, a banda soteropolitana criada em 2009 propõe novas inserções sonoras, trechos instrumentais inusitados e as mais recentes faixas “Capim Guiné” (com Titica e Margareth Menezes), ”Invisível” e “Forasteiro”. Para esses shows, BaianaSystem convidou o rapper carioca BNegão, parceiro de longa data e artista homenageado em “Duas Cidades”. Além dele, também subiram ao palco Flora Matos e Rico Dalasam.

Mais do que um simples show, a apresentação da BaianaSystem é uma verdadeira experiência audiovisual, com seus telões e projeções que dialogam diretamente com os temas abordados pelo grupo em suas composições. A distribuição de máscaras para o público presente garantiu a sincronia com o projeto gráfico da banda.

Russo Passapusso demonstra um domínio absurdo de palco, além de ocupar todos os espaços existentes, o vocalista interage com a plateia e levanta questões importantes, na apresentação do dia 05 de janeiro o cantor questionou a nossa relação com a América Latina e o distanciamento do Brasil com os demais países latinos.

Musicalmente falando, a performance do grupo impressiona com a sua mistura de riffs da guitarra baiana, os beats do combo e o peso da bass culture com o tempero baiano: a palavra das ruas para as ruas. As participações especiais, totalmente integradas com a proposta da banda, elevaram os shows realizados no SESC Pompeia.

Essa temporada provou porque a BaianaSystem tem sido um dos nomes mais comentados no cenário musical brasileiro. “Duas Cidades” já se tornou um disco clássico, agora é momento de curtir o restante dessa turnê e aguardar os próximos passos na carreira do grupo.