Sim, o trio Hanson está muito vivo (e vai muitíssimo bem, obrigado)

Hanson

Em 1996, era meio impossível ligar o rádio ou a TV e não ser tomado de assalto pelo fenômeno musical Hanson. O trio de irmãos de Tulsa estourou com “Mmmbop” antes de Zac (bateria), Isaac (guitarra) e Taylor (teclados) completarem 18 anos. Aliás, longe disso: quando a banda começou, em 1992, o baterista tinha apenas 7 anos! A partir daí, veio o primeiro álbum, produzido pelos Dust Brothers, “Middle Of Nowhere”, que estourou e levou o trio a algo próximo de uma neo-Beatlemania. Como todas as boy bands e girl bands dos anos 90, o grupo aos poucos foi sumindo dos holofotes aos poucos depois do segundo disco, “This Time Around”, e foi deixado de lado pela mídia. Mas você acha que o grupo parou? É claro que não!

Apesar de serem colocados na mesma prateleira que os grupos pop dos anos 90, o Hanson tinha um diferencial: além de serem todos músicas, majoritariamente escreviam suas próprias músicas. E isso foi essencial para que eles não parassem, mesmo quando saíram da gravadora Island Def Jam. Afinal, eles saíram de lá procurando maior liberdade criativa, já que a gravadora havia recusado cerca de 80 músicas do trio por considerarem “não vendáveis”. Agora independentes, os Hanson começaram a trabalhar por seu próprio selo independente, o 3CG Records. Então vieram o inevitável disco acústico, em 2003, e “Underneath”, de 2004, que ficou em primeiro lugar na parada de discos independentes da Billboard assim que saiu.

O disco ganhou o single “Penny & Me” que ficou em segundo lugar no Hot 100 Singles Sales e chegou a 10º no UK Top 40. Apesar disso, é até hoje o disco que menos vendeu do grupo. A própria banda diz que durante a turnê via o álbum nas banquinhas de desconto… Já com um som diferente do que eles faziam anteriormente, é um disco de transição, mostrando o amadurecimento musical da banda em letras e arranjos. O disco conta com uma letra de Gregg Alexander, do New Radicals, abrindo em “Strong Enough to Break”.

Em 2007, depois da turnê do disco ao vivo “Live and Electric”, o grupo lançou “The Walk”. Um pouco mais pesado que “Underneath”, o álbum mostra que os garotos que criaram “Mmmbop” haviam ficado pra trás. Suas raízes de R&B, soul, blues e rock & roll aparecem mais no som. “Does it move you/Does it soothe you/Does it fill your heart and soul/With the roots of rock & roll?”, diz a letra de “Been There Before” Sim, as letras sobre amor e etc continuam lá, mas o disco mostra a evolução dos garotos de Tulsa muito mais do que o disco anterior já havia feito.

Em 2009 Taylor Hanson deu uma passeada cantando em um supergrupo de rock alternativo: o Tinted Windows, com James Iha (ex-Smashing Pumpkins) na guitarra, Adam Schlesinger (Fountains Of Wayne) e Bun E. Carlos (Cheap Trick) na bateria. O disco auto-intitulado saiu no mesmo ano e o som é no mínimo divertido:

Em 2010 o grupo se reuniu para o lançamento de “Shout It Out”. O disco foi muito bem recebido e foi inclusive meio como um “comeback” do trio, já que o single “Thinkin’ Bout Something” fez sucesso, mostrando que o Hanson ainda tinha muita lenha pra queimar. O trio se mostrava muito mais funky e cheio de balanço, com naipes de metais e algo meio Jackson 5 (influência dos três desde o começo, em 1992) sendo adicionado em faixas como “Give a Little”. Com todo o cowbell que as músicas pedem!

O último disco do Hanson até o momento é “Anthem”, de 2013. O funkeado do disco anterior se mantém, e “Get The Girl Back” só não entrou nas paradas de sucesso porque… Bom, eu não faço ideia do motivo. Deveria ter sido um dos hits de 2013, sem dúvidas. O Hanson se mostra maduro e mandando bem em pérolas como “I’ve Got Soul” e no power pop “Cut Right Trough Me”.

Atualmente em turnê, o trio está inclusive fazendo algumas covers bem inusitadas… como de The Darkness!

Além disso, em 2015, o Hanson apareceu no disco de ninguém menos que Blues Traveler“Blow Up the Moon”, sendo co-autores da música “Top of the World”. Ah, e eles agora também têm sua própria marca de cerveja, a Mmmhops. Tá bom ou quer mais?


12 thoughts on “Sim, o trio Hanson está muito vivo (e vai muitíssimo bem, obrigado)”

  1. João Pedro, vc está de parabéns!! Vc pesquisou muito sobre a banda e escreveu um texto ótimo, gostoso de ser lido!! Amei!! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

    1. Mas é verdade, oras! Nada contra as outras, mas os garotos nasceram praticamente já tocando instrumentos e cantando, eles vivem disso. As outras boy bands foram criadas por empresários buscando garotos talentosos pra levantar uma grana, em sua maioria…

  2. A melhor matéria que li sobre o Hanson em muito tempo, mostram informações verídicas, nada do achismo de outras matérias que tive o desgosto de ler. Tenho orgulho de seguir o trabalho dessa banda e ter acompanhado sua evolução, as pessoas deveriam dar uma chance ao Hanson, tenho certeza que não se arrependeriam!

  3. O mais legal, além de o texto ser ótimo, é que ele usou vídeos / clipes que sustentam o que ele está falando. No último mês tenho ouvido bastante Hanson no trânsito, para “transitar” de meu stress diário nas ruas e eu acabei fazendo um mix de todas as fases da banda, não tem uma faixa sequer que não me surpreenda de novo e de novo todas as vezes que escuto. É um saco ouvir bandas que deram certo mas que não se renovam, nem inovam. Quem precisa prestar atenção no que bandas assim lançam? Tudo soa muito igual. Hanson se renova a cada cd e podem dar aula de música a muitos sucessinhos midiáticos por aí. Quem são mesmo os que falam mal de Hanson? A crítica musical está sempre desajustada, ou no mínimo, no âmbito pessoal, essa pessoa não quer ser criticada por seus amigos por admitir que uma banda injustiçada, cujo apelo artístico perdeu para seu apelo visual, é, de fato, EXCELENTE. Portanto, se essas pessoas são idiotas e medrosas a esse ponto, vamos continuar ouvindo e apoiando quem faz arte com qualidade. O resto é mídia e daqui dois anos passa. Hanson, como defende bem este artigo, permanece há mais de belíssimas duas décadas.

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