“Sheila Cretina Vol. II” e o transtorno sonoro necessário

“Sheila Cretina Vol. II” e o transtorno sonoro necessário

1 de setembro de 2017 0 Por Pedroluts

Aquilo que te pediram hoje é para hoje mesmo, mas não se esqueça das pendências de ontem e nem do combinado para mais tarde, já que dessa vez não é possível adiar, principalmente depois do que aconteceu pois esperam que você não se esqueça de tudo o que foi dito, escrito, convidado, notificado e, é claro, de tudo aquilo que você deveria ter feito e não fez justamente por conta da pressão do que te pediram hoje que é para hoje mesmo.

Assim é “Vol.II” do quarteto Sheila Cretina: urgente, tenso e, principalmente agora, necessário. Depois de seis anos desde o “Vol. I”, a banda está de volta com a continuação da saga. “Vol. II” é um chute no cu com conhecimento técnico, mas também com intenção escusa. Tudo é garagemente cheio, barulhento e pesado.

Mais do que fazer barulho, “Vol.II” é uma expressão do momento, mas sem ser datado. Não há espaço para superficialidades. As canções não tem nome, mas batizadas por meros números. As letras são curtas, mas precisas. É uma ideia por canção, um argumento por música. Não entendeu? Foda-se e siga em frente. As faixas instrumentais possuem o mesmo vigor e intenção. Sem espaço para o que não se deve.

(Agora seria a hora de falar dos destaques do disco, mas puta que pariu… o álbum só tem petardos fodas. É realmente muito difícil escolher. Apenas invista seu tempo e ouça ele inteiro e seguidamente!)

Para aqueles que não aguentam a bundamolice atual, “Vol.II” é uma putaria desenfreada e cretina. Para aqueles que desconfortáveis com a correria paulistana, “Vol.II” é o afago caótico necessário.

“Vol. II” é o antídoto perfeito para o veneno do agora.

Ouça: