Shai leva o esquema DIY a sério em seu EP: “Consegui deixar da maneira como concebi na minha cabeça”

Shai leva o esquema DIY a sério em seu EP: “Consegui deixar da maneira como concebi na minha cabeça”

22 de fevereiro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Shai, cujo nome real é Paloma Ribeiro, começou a tocar graças à Freddie Mercury e ao Queen, quando era pequena. A partir daí, pegou a guitarra e não parou mais, passando por diversas bandas e assim moldando o tipo de som que gostaria de fazer. No ano passado, gravou praticamente sozinha seu primeiro EP, com cinco faixas. “No meu caso, o fato de estar sem banda na época da gravação contribuiu . Mas achei a experiência válida por que consegui deixar o disco 100% da maneira como concebi na minha cabeça”, explica.

Disponível no Soundcloud, o EP conta com quatro músicais autorais e uma cover de “Rockin’ In The Free World”, clássico de Neil Young. “Apesar de falarem sobre experiência pessoal, acho que as músicas tem como fundo coisas que atingem o ser humano no geral. Principalmente essa sensação de tempo perdido, que acho que todo mundo atualmente tem”, conta a artista. “Outro tema que abordo é como o mercado ainda nos dias de hoje têm relutância com relação a mulheres no rock, algo que vejo muito em casas de shows e festivais”.

Conversei com Shai sobre o EP, a gravação no esquema Do It Yourself, a vida de artista independente e seus próximos trabalhos:

– Como começou sua carreira?
Eu comecei muito cedo na música depois de ver pela primeira vez o Queen tocando. Decidi que era o que eu queria fazer e passei por alguns instrumentos antes de chegar finalmente a guitarra/vocal. Já tive muitas bandas ao longo dos anos, e fui moldando o tipo de som que quero arrancar da minha guitarra com o tempo. Mas desde aquele dia sempre soube que precisava de rock.

– Você gravou todas suas músicas sozinha?
Todos os instrumentos com exceção da bateria, que foi gravada pela Daniely Simões. Gravamos por linha, e levou mais ou menos 1 mês pra ficar tudo pronto e mixado, já que eu precisava tocar cada um dos instrumentos, e depois os vocais (risos).

Shai

– Me fale um pouco mais sobre esse material que você lançou.
O material todo levou aproximadamente 1 ano pra ganhar a forma que ganhou. Apesar de falarem sobre experiência pessoal, acho que as músicas tem como fundo coisas que atingem o ser humano no geral. Principalmente essa sensação de tempo perdido, que acho que todo mundo atualmente tem. Acho que o efeito que a música causa é justamente esse, você pode até falar sobre algo que aconteceu com você ou algum sentimento que tem, e sempre terá alguém que passou por algo parecido, ou que de alguma forma lembrou de algo por conta daquilo. Outro tema que abordo é como o mercado ainda nos dias de hoje têm relutância com relação a mulheres no rock, algo que vejo muito em casas de shows e festivais.

– Quais as suas maiores influências musicais?
Queen e Joan Jett são com certeza os meus top #1 ! Mas Também pode incluir na lista David Bowie, Stooges e Chuck Berry. São músicos que amam a música e isso fica nítido no som! Por isso são minhas influencias!

Shai

– Quais as maiores vantagens e desvantagens de ser uma artista independente no Brasil hoje em dia?
A maior vantagem com certeza é a liberdade de criação. Vê, você pode compor, tocar, escrever exatamente como imaginou, sem intervenção externa na sua música. Isso com certeza é ótimo, afinal você pode levar o seu som pro lugar que quer. A desvantagem é a dificuldade que grande parte dos artistas independentes sofrem em entrar nas casas de shows, e todo tipo de evento e veículo de comunicação, sem um suporte de peso por trás. Apesar de todo o acesso que temos hoje em dia, grande parte das pessoas ainda utiliza somente grandes meios de comunicação para ouvir as novidades, e acaba perdendo muita coisa fenomenal que esta acontecendo na cena underground.

– Como você usa a internet para divulgar seu trabalho? A internet é aliada ou vilã na vida dos músicos?
Tenho usado muito os veículos de divulgação gratuitos e as redes sociais num geral. É um pouco complicado pra um artista independente pagar sites de divulgação. Mas de fato hoje temos uma gama grande de ferramentas disponíveis para isso. Acredito que a internet acaba sendo um aliado, se for usada da forma correta. Isso porque ela permite que o artist independente não fique preso aos grandes meios de comunicação. Funciona, se bem direcionada.

Shai

– Você está fazendo shows? Como estão sendo?
Agora estou em processo de juntar um grupo pra poder agendar shows do EP. Mas fiz alguns shows com essas músicas no segundo semestre de 2015 (no Fofinho e alguns em bares da Freguesia do Ó), shows agitados, com certeza (risos) e percebi que a aceitação das pessoas foi bem grande! Inclusive algumas já me pediram o disco impresso. Percebo uma vontade do público em geral por novidades, a maioria só não sabe muito bem onde encontrá-las.

– Se você pudesse trabalhar com qualquer pessoa do mundo da música, quem seria?
Trabalhar com alguém que você admira seria ótimo! Acho que Joan Jett e Dave Grohl seriam duas pessoas interessantes de trabalhar. Aqui no âmbito nacional, uma parceria com a Banda Cruz seria de fato algo enriquecedor. Acho o som deles poderoso e criativo.

Shai

– Quais seus planos para 2016?
Bem, pretendo juntas um grupo e realmente cair na estrada para divulgar o EP. A principio por casas de shows e festivais em SP, mas se rolar shows fora do estado, com certeza eu vou. Já tenho trabalhado em material novo, mas ainda muito fresco. O plano pra 2016 é mesmo esse: shows e mais shows (risos).

– Recomende bandas/artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
De bandas internacionais, tenho escutado muito Dead Sara, que na minha opinião é uma das melhores bandas que ouvi nos últimos tempos. No meio nacional existem muitas bandas boas que as pessoas não estão sabendo ouvir! Acho que as 1as que vem a mente são: Banda Cruz, que acho realmente sensacionais, Far From Alaska, Cracker Blues, Suricato, todas independentes e com som potente. Vale a pena conferir.