Segundo single do disco novo do Weezer tira o “susto” do primeiro ao voltar às raízes de “Pinkerton”

Segundo single do disco novo do Weezer tira o “susto” do primeiro ao voltar às raízes de “Pinkerton”

10 de novembro de 2015 0 Por Daniel Feltrin

Quem não se lembra da primeira vez que ouviu “Pinkerton”, o álbum mais pessoal (e para muitos o melhor) do Weezer? A sujeira aliada às canções do power pop renovado que já faziam no “Blue Album” decorando letras até constrangedoras de tão pessoais. O segundo disco que é tão temido pelos artistas por ser a confirmação do seu lugar no panteão dos grandes ou a simples continuidade da vida de rock star que vira e mexe é invejada nas primeiras canções.

Em 1996 quando Rivers Cuomo se alternava entre o estúdio (em aparições raras, mas produtivas) e sua vida solitária e atormentada de um estudante de Harvard que acabara de fazer uma cirurgia para corrigir um defeito de nascença no tamanho das suas pernas e andava por aí de muletas como um velho, rabugento, os outros membros do Weezer se alternavam entre projetos paralelos e depressões pós-fama bem encaminhadas. Depois de “Pinkerton” sobreviveram os que seguiram Cuomo na sua jornada ao pop, enquanto Matt Sharp, o icônico baixista dos backing vocals agudos, se mandava pra cuidar do The Rentals, que mantinha as raízes de geek mal amado dos primórdios do Weezer.

O Weezer seguiu em frente lançando disco após disco, alguns com muitas boas canções, mas nenhum com a mesma verve atormentada e dramática dos dois primeiros álbuns. Rivers se tornou o típico pai americano de bigode e tudo e a banda se enveredou por cada seguimento da música pop americana, cada vez mais se distanciando das suas raízes numa espécie de odisseia pra fugir do tédio (ou talvez dos traumas relatados em “Pinkerton”). O resultado foram discos tão frequentes quanto eram chatos.

Mas então Rivers ficou velho e se viu entediado com a fuga do próprio tédio e assim como muitas bandas já fizeram resolveu voltar às raízes com o bom disco “Everything Will Be Allright in the End”. Canções de bom power pop, com a volta das guitarras sujas e a coreia de raio tão icônica do nerd rock star que sempre foi a melhor persona de Cuomo. Particularmente eu achei o disco regular. A tentativa é válida e produziu grandes hinos, mas há muito mais de Mea Culpa ali do que volta às raízes. No entanto, era um disco bom Weezer depois de tantos anos…

Até agora. No último mês o Weezer lançou dois singles que segundo seu frontman não fazem parte de um álbum novo. O primeiro, “Thank God For Girls”, pareceu uma continuação da eterna busca de Cuomo pela fuga do tédio, mas como single achei bom como algumas das canções do “Red Album”. Longe dos primórdios, mas rock’n’roll de muita boa qualidade. Mas então veio o segundo single…

No primeiro acorde de Do You Wanna Get High? algo do Weezer Boy que fui quando ouvi “Pinkerton” pela primeira vez despertou em mim automaticamente. A canção permeada pelas guitarras sujas dando base pro vocal melancólico de Cuomo me fez pensar que estava em 1997, pela primeira vez desde 1999 senti que o velho Weezer estava de volta. Toda a verve que fez o Weezer ter sua legião de fãs leais está ali, baixo alto dobrando os acordes pesados, vocais agudos e melancólicos alinhados com backings sensacionais, um solo de guitarra que me lembra o de “The Good Life” e uma letra genial que você vai cantar pelos próximos 15 anos.

Conhecendo Rivers como conheço já espero esse evento de nostalgia como único e logo virão mais singles cobrindo as mais variadas fases da banda, mas o garoto de 15 anos em mim sussurra baixinho: “Holly Molly, I think I’ve got one here…”