Sammliz alça novos voos musicais fora do Madame Saatan em seu primeiro disco solo, “Mamba”

Sammliz alça novos voos musicais fora do Madame Saatan em seu primeiro disco solo, “Mamba”

16 de novembro de 2016 0 Por João Pedro Ramos
Sammliz passou 11 anos sendo conhecida como a poderosa frontwoman da banda paraense Madame Saatan e agora segue em frente em carreira solo. Em “Mamba”, seu primeiro disco, pode-se ouvir ecos de stoner rock, indie, tons eletrônicos e muita criatividade.
O álbum conta com 10 músicas, sendo 9 assinadas por Sammliz, entre elas a faixa-título, inspirada em um poema escrito pela própria cantora,  “Oyá”, que traz o rock’n’roll misturado com yorubá e uma bateria devastadora, “Fucking Lovers”, uma canção de amor com ecos de indie rock, e “Quando o Amanhã Chegar”, que demonstra como a voz da vocalista é versátil, se atirando em um brega oitentista cheio de sensualidade e um tiquinho assim de cafonice. O disco conta com a participação dos guitarristas Leo Chermont (Strobo) e João Lemos (Molho Negro) e a direção artística é de Carlos Eduardo Miranda.
Conversei com Sammliz sobre o disco “Mamba”, a decisão de seguir em carreira solo, seu processo de composição, feminismo, influências e a cena independente de Belém:
– Me conta mais sobre “Mamba”! Como foi a composição das músicas?
O processo começou enquanto ainda estava morando em São Paulo. Quando retornei à Belém, há 3 anos, já vim com esqueletos de algumas músicas, e principalmente com o espírito para me dedicar totalmente à essa nova etapa. Aqui o conceito sonoro do disco foi criado.
– Como rolou a gravação desse novo trabalho?
As gravações foram feitas entre Belém e São Paulo, com uma parte significativa da pré produção feita em Salinas (PA), município que fica há 4 horas de Belém, onde eu e mais os outros dois produtores do disco (Leo Chermont e João Lemos), nos internamos pra compor e gravar.

 – O projeto Natura Musical têm apostado em ótimos nomes da cena independente brasileira. Como rola esse contato?
A Natura Musical abre editais, nacionais e regionais, onde artistas podem se inscrever. Mandei meu material, fui contemplada e pude lançar meu primeiro trabalho solo com o suporte dessa excelente plataforma.
– Como você se sente fazendo um trabalho solo após tantos anos com o Madame Saatan?
Muito feliz de poder estar com meu disco em mãos e com tantos novos sonhos e planos. Meu ciclo no MS foi maravilhoso e agora sigo em frente atrás de novos desafios.
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– Como você começou sua carreira?
Muito cedo, sempre quis e soube que iria seguir na carreira musical. Aos 15 tive minha primeira banda e daí em diante nunca mais parei, entre projetos autorais e trabalhos em bares, tocando de tudo um pouco, até definitivamente somente me dedicar a projetos meus.
– Como o Madame Saatan influenciou sua carreira solo?
Não influenciou, mas foi parte do processo pra chegar nela.

– Como o feminismo te inspira em suas composições?
Era feminista desde quando eu não tinha ideia do que significava ser feminista. Veja bem, sou uma mulher que sempre esteve à frente do seu trabalho, claro, também entre parcerias, e essa forma de estar e ver o mundo, sentir como ele te trata e atinge, influencia diretamente no cotidiano e, logo, nas composições.
– Quais as suas principais influências musicais?
Rock do final das década de 70, soul…blues, post punk/punk,  música eletrônica 80/90, ritmos brasileiros, latinos e africanos.
– Como você vê a cena rock independente de Belém?
Uma das mais ferozes e interessantes do Brasil, com certeza. Somos um estado extremamente musical, do underground ao som popular, e estamos em uma daquelas ótimas safras novamente.
Snao Paulo, SP, BRASIL 27.01.2016 : Sammliz (Foto: Julia Rodrigues)

Snao Paulo, SP, BRASIL 27.01.2016 : Sammliz (Foto: Julia Rodrigues)

– Já está trabalhando em novas músicas?
Sim. Já entro novamente em estúdio em novembro para gravar parcerias e uma surpresa, que lanço ano que vem.
– Quais os próximos passos de Sammliz?
Circular o máximo que puder pra divulgar esse disco, tentar pegar uns festivais,  produzir clipes e mais músicas.
– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
D. Onete, Strobo, Molho Negro, Jaloo, Luê, Aíla, Lucas Estrela, Felipe e Manoel Cordeiro, Blocked Bones.
https://open.spotify.com/album/60PcTYox7hnNLgW1YFUGVH