Saint Agnes mistura garage, blues, psych e rock’n’roll com um tiquinho de Ennio Morricone

Saint Agnes mistura garage, blues, psych e rock’n’roll com um tiquinho de Ennio Morricone

16 de janeiro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Com uma crueza punk, o quarteto londrino Saint Agnes entrega um rock cheio de distorção com influência de psych e blues. “E muito Ennio Morricone“, acrescentam. Tudo começou com a união de Jon Tufnell (vocais, guitarra, gaita), da banda The Lost Souls e Kitty Arabella Austen (vocais, guitarra, percussão), do Lola Colt. Depois de lançarem os singles “Old Bone Rattle” e “A Beautiful Day For Murder” (2014) com um duo, entraram em cena o baixista Ben Chernett e do baterista Andy Head, completando a formação que lançaria “Sister Electric” e “Merry Mother of God Go Round” (2016).

O Louder Than War definiu o som dos quatro como “Tarantino/Lynch, viajante, doentio, inspirado em westerns que em um momento é pesado e sulista, e no próximo te leva para um deserto, atordoado pelo sol, desidratação e alucinações com cobras falantes”. É uma definição bem psicodélica, mas ouvindo o que eles têm a mostrar você vai entender o que eles quiseram dizer. Conversei com Jon sobre a carreira da banda, planos para 2017, distribuição por streaming e mais:

– Como a banda começou?

Conheci Kitty quando nossas antigas bandas fizeram um show juntas. Eu estava procurando um quarto em Londres e acabei indo morar com ela. Decidimos que queríamos fazer algum dinheiro extra tocando nas ruas, mas ao invés de tirar covers acabamos escrevendo muitas músicas e nunca fomos fazer o busking. As primeiras músicas que gravamos eram apenas eu e ela, mas percebemos que para tocar ao vivo precisávamos de um baixista e um baterista. Eu conhecia Andy de uma banda antiga com que tínhamos feito turnê juntos e Kitty encontrou Ben. Ela estava andando pelo rio em Londres e ouviu alguém tocar guitarra de blues em uma pequena casa flutuante e parou para conversar. Eles se tornaram amigos e ele se juntou à banda.

– Como surgiu o nome da banda?

Eu fui a uma pré-escola que era dirigida por um convento. Uma das freiras, chamada Agnes, era uma mulher realmente cruel e ela veio à mente quando começamos a escrever essas músicas sobre matar pessoas.

– Quais são suas principais influências musicais?

Tudo o que você já tocou influencia o que você faz agora, mas nós tendemos a citar blues, rock’n’roll e trilhas sonoras de filmes como nosso principal ponto de referência. Bandas como Black Sabbath, The Who, Hendrix até metal como Down e Metallica se misturaram com toda a cena psych de Londres e coisas mais recentes como The White Stripes, o Black Rebel Motorcycle Club. Ah, e muito Ennio Morricone.

– Conte-me mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós estamos lançando apenas singles até agora, mas faremos um álbum este ano. Os últimos dois singles foram os nossos primeiros com esta formação e agora nos sentimos como nós mesmos. Eles são “Sister Electric” e “Merry Mother of God Go Round”. Ambos têm lados B exclusivos que colocamos nos vinis.

Saint Agnes

– Como você definiria seu som?

Garage blues psyche rock’n’roll.

– Como está a cena independente em seu país?

Isso é realmente difícil de definir. Eu fui músico independente por toda a minha vida e parece haver mais e mais bandas agora, mas se é melhor ou mais saudável é muito difícil dizer. Nós só fazemos a nossa coisa e tentamos fazer as melhores canções que podemos e os melhores shows que podemos. Nós nos concentramos em fazer sons únicos e experimentar e se isso se traduz em popularidade, legal, mas não é o objetivo principal.

– Como você vê os serviços de streaming e como isso mudou o mundo musical?

Eles existem agora e não vão desaparecer em breve, então nós apenas trabalhamos com isso. Pessoalmente eu não gosto muito, mas não vou desperdiçar energia lutando contra isso. O tipo de pessoas que gostam da nossa banda ainda querem discos e ainda querem nos ver ao vivo, então é assim que vamos continuar mantendo as pessoas felizes. Na época em que o Lars Ulrich detonou o Napster ele estava totalmente certo sobre tudo isso mudar a indústria da música de uma maneira ruim. Agora é apenas segurar firme, fazer suas coisas e ver o que acontece no final.

– Como é ser uma banda independente em 2016?

É a minha razão mais importante de viver. Fazer e tocar música é a razão pela qual eu me levanto de manhã e faço tudo o que eu preciso fazer para que isso aconteça. Estar em uma banda é caro e pode ser um trabalho ridiculamente difícil, mas eu escolho fazê-lo porque nada mais toca minha alma da mesma maneira. Quanto a estar em 2016/17? Bem, é o momento em que estamos vivos, talvez tivesse sido melhor em 1977, mas não temos esse luxo.

Saint Agnes

– Quais são os próximos passos da banda?

Escrever mais músicas e gravar um álbum. Ainda estaremos fazendo shows para promover “Merry Mother of God Go Round”, que foi o último single.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Em Londres, o que sempre vamos ver é The Sly Persuaders. Recentemente eu comecei a curtir The Picture Books, de Alemanha. No show do nosso single mais recente, tivemos uma banda chamada Horsefight abrindo e eles são incríveis ao vivo. Eles estão lançando um álbum em breve e estou ansioso para ouvir o que eles vão fazer nele.