Rumbora volta com tudo e promete novos sons em breve: “é preciso renovar, senão vira peça de museu”

Rumbora volta com tudo e promete novos sons em breve: “é preciso renovar, senão vira peça de museu”

3 de maio de 2019 0 Por João Pedro Ramos

20 anos depois do lançamento de seu primeiro disco, “71”, e mais de 10 anos após se separar, o Rumbora está de volta à ativa e pronto pra continuar criando. Na formação, os fundadores Alf Sá (guitarra e vocal) e Beto (baixo) estão agora acompanhados por Iuri Rio Branco na bateria e João Bento na segunda guitarra e já começaram uma turnê em comemoração ao aniversário de duas décadas do primeiro álbum.

“O aniversário do “71” é um motivo maravilhoso pra botarmos o bloco na rua”, conta Alf, “mas será um show da história do Rumbora misturando músicas dos 3 álbuns”, completa. As duas primeiras apresentações, realizadas no SESC 24 de Maio, foram completamente lotadas e mostraram que a banda ainda tem muita lenha para queimar. E não pensem que este retorno vai ficar só na celebração da obra: segundo eles, vem coisa nova por aí. “O momento agora é de celebração e reconexão, mas as idéias já estão germinando. É questão de tempo”, conclui Alf. Conversei um pouco com ele sobre o retorno e o futuro do grupo:

– A reunião do Rumbora vem sido pedida por fãs há algum tempo. Como se desenrolou o processo até finalmente acontecer?

Era uma vontade antiga, mas sempre esbarrava em desencontros profissionais e pessoais. Um vai e vem de alguns ensaios e conversas que se arrastou por anos até chegar um momento em que ou se fazia de uma vez por todas ou se desistia.

– Como estão sendo os shows deste retorno? O set vai passar por toda carreira?

Sim, não será aquele show-padrão em volta de um disco celebrado. O aniversário do “71” é um motivo maravilhoso pra botarmos o bloco na rua, mas será um show da história do Rumbora misturando músicas dos 3 álbuns.

– Como chegaram à formação que vai fazer este retorno? Todos membros anteriores foram convidados?

Todos os que passaram pela banda participaram em algum momento, mas esbarramos em problemas que foram de disponibilidade à afinidade de idéias. Rumbora hoje é formado pelo núcleo Alf e Beto. São os membros fundadores que levaram o Rumbora do primeiro até o último dia. Seguimos em frente com o Iuri Rio Branco na bateria que é um parceiro antigo do meu projeto solo e o músico recifense João Bento, como convidado na segunda guitarra.

– Vocês estão trabalhando em novas músicas? Esta é uma volta oficial do Rumbora à ativa?

Sim, o momento agora é de celebração e reconexão, mas as idéias já estão germinando. É questão de tempo.

– Queria que vocês descrevessem um pouco o que acham de cada um dos três discos do Rumbora e o que eles representam na carreira da banda.

O primeiro álbum (“71”) é um trampo cheio de energia de uma galera que tava ali celebrando e muito a fim de mostrar serviço. Um disco quente e divertido. Mas que, dentro de um senso de humor comum na época, através de músicas com letras simples como “Chapírous”, por exemplo, já apontava um diferencial. Foi aí que descobrimos nossa identidade e uma mensagem que passou a ser desenvolvida posteriormente. O som era mais compacto também. Todas as músicas eram ao mesmo tempo porradas e melódicas. Já no segundo (“Exército Positivo Operante”) a idéia da banda já estava mais desenvolvida. Ainda existia a diversão do primeiro em músicas como “O Passo do Azuilson” mas já vínhamos também com “Mal do Mundo”, “Tá Com Medo” (com versos do mestre Arnaldo Antunes) e a própria canção que batiza o álbum. No aspecto sonoro, as músicas vieram mais destrinchadas, no sentido de não querer tacar tudo no mesmo caldeirão. E aí pudemos explorar desde os sons mais sutis aos mais agressivos. No terceiro álbum (“Trio Elétrico”) viramos um trio e o som foi fruto da influência que a música eletrônica de origem jamaicana exerceu na gente. Muito dancehall, ragga e drum’n’bass com guitarra além de trip-hop, carimbó, hip-hop e samba com algumas das melhores letras do Rumbora como “Mó Valor”, “Fora do Ar” e “Sete Palmos”.

– Quantos shows vão ser feitos nesta comemoração de 20 anos do 71?

Não existe uma conta certa. Estamos seguindo o fluxo e a vontade dos fãs. A tour foi feita pra essa galera.

– Quais bandas vocês têm ouvidos que podem influenciar os novos sons que vem por aí?

Nos influenciamos mais por estilos do que artistas em si, pra não ficar aquela coisa genérica, e aí cabe de tudo. Do rock alternativo ao funk latinha, psicodelia, eletrônica, música brasileira, hip hop, batuque… A gente acredita que o rock está mais na urgência e na expressão de uma arte urbana e contemporânea do que em uma estética estática. Talvez o que defina mais seja o uso da guitarra de forma mais agressiva, de resto vale tudo. Senão vira peça de museu. É preciso renovar.

– Como vocês veem o rock brasileiro hoje em dia?

Firme e forte seguindo seu caminho independente de tendências ou modas. Não se pode depender do mercado. É tudo muito instável e cíclico.

– Quais bandas brasileiras têm feito a cabeça de vocês nos últimos tempos?

Baiana System só melhora. Esse último álbum é muito poderoso. Os caras tão afiadíssimos e a produção do Ganja tá foda. O trabalho solo do Chuck Hipolitho (Chuck & Os Crush) tá incrível também. Canções de rock muito boas. Letras bem sacadas, arranjos interessantes, melodias idem. Vale a pena conhecer.