Rock Rocket lança clipe de “Uma Luz No Fim do Túnel”, faixa de “Citadel”, seu quarto disco

Rock Rocket lança clipe de “Uma Luz No Fim do Túnel”, faixa de “Citadel”, seu quarto disco

21 de dezembro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Em 2002, o Rock Rocket era uma das bandas que lideravam uma nova cena do rock autoral de qualidade no underground paulistano. Sem amarras e sem frescuras, o trio conseguiu emplacar diversos hits (como “Por Um Rock and Roll Mais Alcoólatra e Inconsequente” e “Puro Amor em Alto Mar”) e seus clipes divertidíssimos estavam em alta rotação na finada Mtv que ainda se importava com música. O Rock Rocket continuou na atividade desde então, mesmo com o rock indo para escanteio nas paradas de sucesso cada vez mais desde então.

O trio, formado por Noel Rouco (guitarra e vocal), Alan Feres (bateria e vocal) e Jun Santos (baixo e vocal), evoluiu e demonstra isso em “Citadel”, seu quarto disco, com um som mais cheio e encorpado, mas sem perder a sujeira e autenticidade que sempre foram marca registrada da banda. Com a adição de naipe de metais e incursões por ritmos um pouco incomuns até então para o grupo, o Rock Rocket mostra que não está nem um pouco cansado e ainda tem muita lenha para queimar.

Conversei com Noel sobre o novo disco, o clipe “Uma Luz No Fim do Túnel” e a atual parada de sucessos brasileira:

-Vocês acabaram de lançar “Citadel”, seu quarto disco. Podem me contar um pouco mais sobre esse trabalho?
“Citadel” foi sem dúvida o disco mais trabalhoso que fizemos até hoje e o processo inteiro foi muito legal. Durante a pré produção no Estúdio Lamparina (onde também gravamos o álbum) percebemos que as músicas permitiam um pouco mais em termos de arranjo, então quando fomos gravar não tivemos pressa, deixamos as ideias surgirem, convidamos músicos amigos muito bons pra participar e todos deixaram a alma ali dentro. O resultado foi um disco mais elaborado mas que manteve a energia pra cima que sempre foi uma marca do Rock Rocket, não foi uma situação forçada que muitas vezes acaba tornando um álbum chato de se escutar, pelo contrário. Na minha opinião conseguimos reunir faixas com características bem diferentes mas que formaram uma unidade dentro da bagagem  que a banda já carrega a tanto tempo.

– Como foi fazer o clipe de “Uma Luz No Fim do Túnel” com o artista plástico Carlos Dias?
Essa pergunta na verdade tem que ser feita para o próprio Carlos Dias, como é um clipe totalmente feito em animação foi um trabalho bem pessoal, nossa participação foi apenas na música. Pra gente foi incrível, somos fãs do trabalho dele e não conseguiria pensar em um clipe melhor pra esse som.

– Como o som do Rock Rocket evoluiu desde o primeiro disco, “Por Um Rock And Roll Mais Alcoólatra e Inconsequente”?
Acho que hoje em dia somos melhores músicos e temos um leque maior de referências do que quando começamos, nosso primeiro disco é muito mais cru, era pura fúria juvenil. Ainda hoje me identifico bastante com nosso primeiro álbum, tem músicas ali que vamos tocar pra sempre enquanto a banda existir. Evoluímos mas aquele passado ainda é presente pra mim, mesmo nas músicas atuais mais trabalhadas com naipe de metais, teclado e etc consigo identificar o Rock Rocket de 13 anos atrás. Um exemplo do que estou falando é que pegamos algumas das músicas antigas e arranjamos com naipe de metais para apresentações ao vivo, e funcionou! É muito legal conseguir enxergar elementos na música que antes simplesmente não existiam na nossa cabeça.

– No primeiro e segundo discos, haviam músicas mais ~irreverentes~ como “Quem Depilou Meu Rabo”. Essa veia mais “engraçada” do Rock Rocket é coisa do passado?
Não tenho problema em tocar essas músicas antigas que fiz quando tinha 16, 17 anos mas hoje em dia seria forçar tentar fazer letras da mesma forma, apesar do meu senso de humor ainda ser bem adolescente já tenho 32 anos. Na real quando era mais novo não me preocupava muito com a letra, o foco era total nos riffs de guitarra e em cantar gritado, hoje em dia acho que componho de maneira mais equilibrada.

Rock Rocket

– Vocês fazem parte de uma das últimas cenas fortes de rock nacional que a mídia (como a Mtv) abraçou. Porque esse tipo de apoio à bandas autorais diminui desde então?
Um dos fatores que ajudou a diminuir a cena foi o fato da grande indústria fonográfica começar a ocupar os espaços que antes eram das bandas de rock e colocar umas bandas/produtos ridículas 100% baseado no visual (também horrível por sinal). Isso reverbera no underground também, não é pior do que jogar lama toxica num rio mas também demora pra recuperar. Imagina um adolescente que conheceu o “rock” por uma daquelas bandas (não lembro dos nomes mas era algo do tipo “download”, “ctrl+C, ctrl+V”, óbvio que vai acabar num show do Wesley Safadão invés de um show do Charles Bradley.

– Como a adição de novos instrumentos na banda influiu no crescimento e mudança do som?
Foi todo um processo, eu não teria colocado naipe de metais se antes não tivesse começado a escutar mais soul, por exemplo. Quanto mais abrimos a nossa cabeça para outros tipos de sons, mais começamos a ter essas idéias e a nossa música cresceu também. Pra acompanhar esse “amadurecimento” musical precisamos colocar mais instrumentos, veio junto.

– Quais são suas principais influências musicais?
Aprendi a tocar no punk rock, é a minha maior influência até hoje. Também gosto muito de surf music, reggae, soul, garagem e rock dos anos 50.

– Como a banda começou?
O Rock Rocket começou num bar. O Alan (baterista) veio conversar comigo porque eu estava com uma camiseta dos Stooges. Aí papo vai, papo vem e ele disse que tocava bateria, decidimos montar a banda ali na hora. Já tinha umas músicas meio prontas e no nosso primeiro ensaio tocamos 3 sons próprios e duas dos Replicantes (“Motel da Esquina” e “Boy do Subterrâneo”). No começo era desculpa pra ficar bebendo com os amigos mas vimos que deu liga e a banda começou a ir pra frente.

Rock Rocket

– Quais os planos do Rock Rocket para 2016?
Acabamos de lançar nosso disco “Citadel”, o plano é continuar na tour de divulgação, gravar clipe novo e por aí vai. Tem 3 coisas que adoro fazer na música: show, gravar disco e gravar clipe, meu plano é sempre continuar fazendo isso.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer.
Uma cena que está muito forte no independente é a de Manaus, ali o pessoal movimenta de verdade, enchem os shows e fazem todo o corre com as próprias pernas. Vou citar duas que conheço a mais tempo mas tem várias outras bandas que estão ali fazendo acontecer: O Antiga Roll e o Dpeids. Se o meu selo (Rouco Records) tivesse uma estrutura melhor nesse momento traria eles pra cá.