Quinteto paulistano Grená apresenta ecos de rock e ritmos brasileiros em seu primeiro EP, “Azul”

Grená

A Grená – formada por Uirá Ozzetti (violão, guitarra e vocal), Rodrigo Lavorato (baixo e vocal), Dau Morelli (teclado e efeitos), Thiago Boemeke (violão, guitarra e vocais) e Leandro Amorim (bateria e percussão) – é o fruto de uma amizade transformada em música. Formada em 2012, a banda lançou seu primeiro trabalho, o EP ‘Azul’ em 2016 e desde então tem se apresentado incansavelmente, levando sua mistura de rock, MPB e ritmos brasileiros a toda e qualquer plateia que esteja disposta a abrir seus ouvidos.

O Grená apareceu nas listas ‘Os Discos de Abril de 2016’ do site Criado Mundo e ‘Melhores Discos’ do Hominis Canidae e já começou a preparar seu primeiro disco. “Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias”, contam.

– Como a banda começou?
A Grená surgiu através da amizade do Rodrigo e Uirá e começou a se tornar projeto nos idos de 2012.

– Porque o nome Grená?
A história é super engraçada! O Uirá e o Rodrigo estavam reunidos, pensando numas músicas mas ainda não tinham um nome e não sabiam o que fazer. Com esses problema nas mãos tiveram uma ideal genial: Abrir o dicionário, numa página aleatória, e o nome da banda seria o primeiro nome que surgisse no canto superior esquerdo. Assim o nome da banda surgiu, a gente jura! (risos). Óbvio que se fosse um nome muito ruim nós não teríamos levado à frente, porém, à partir desse nome muito do universo que criamos para o projeto foi sendo definido.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem nunca ouviu?
Misturamos sons do baião até o rock progressivo, onde elementos timbrísticos que tenham uma personalidade própria são muito bem vindos.

– Quais as principais influências musicais de vocês?
No geral, a música que a gente compõe, enquanto arranjo compartilhado, é ampla e que não estão, as vezes, completamente ligadas a música de forma idiomática. O Dau estuda Engenharia Civil na Politécnica da USP, o Rodrigo é cineasta e já tocou em grupos de jazz, o Thiago é designer e também já tocou em grupos instrumentais, o Leandro além de tocar bateria é percussionista contemporâneo e toca em orquestras, o Uirá é violinista e também já tocou em orquestras. Enfim, talvez a gente veja essa nossa relação com a composição de forma mais ampla, onde a relação do que chega ao público em forma de linguagem musical é essencialmente composta por uma infinitude de interações com outras áreas que podem ou não ser artísticas e, claro, tudo que a gente ouve está inserido nesse ambiente.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
O EP teve um processo natural de criação enquanto foi tomando forma no estúdio. Muito do que foi gravado lá e hoje compõe o que a gente apresenta como resultado do nosso trabalho foi acontecendo durante o tempo de gravação. Nós contamos muito com a ajuda do Bruno Prado na hora de inserir novas relações timbrísticas como as guitarras e a percussão e isso foi fundamental para que ele assinasse também a produção. Quando fizemos o lançamento em 2016, o Lê tinha acabado de entrar na banda e trouxe mais um elemento, a bateria.

– Vocês estão trabalhando em novos sons, é verdade?
Sim, estamos aumentando nosso repertório autoral e estamos com projeto para gravar nosso primeiro disco. Acreditamos que é um processo natural que lateja em meio a esse momento de criação que vem rolando desde o EP até o que estamos compondo agora.

Grená

– Vocês hoje em dia estão em turnê, fazendo shows em vários lugares. Como tá sendo?
Esse ano tem sido bastante especial, estamos rodando bastante com o show que contém as músicas do EP e as canções novas que vão pro disco e, tem sido bastante intenso trabalhar em função de cada show. Agora queremos expandir um pouco, tentar sair das fronteiras de São Paulo e continuar trabalhando.

– Como vocês veem o desenvolvimento da cena independente?
Depois dos anos 2000 essa é a cena que mais se fortaleceu em diversas regiões do País. Muito disso, sem dúvidas, faz parte da conexão imediata que a internet trás. É um percurso natural.

– Qual a opinião de vocês sobre a música mainstream hoje em dia? Porque ela se descolou tanto dos novos artistas que o mundo independente vem lançando?
O mainstream funciona como sempre foi, porém, sem tanto impulso de gravadoras. Ele tá aí e ainda é muito forte, no entanto os artistas que ainda despontam num mercado global são aqueles que trouxeram pra si o papel dessas gravadoras. É difícil definir porque se descolou mas quem já estava no mainstream antes da dissolução das gravadoras soube lidar com um caminho muito particular. Aparentemente, quem tá vindo precisa lidar com a escolha desse caminho e traçar um planejamento para que isso aconteça, não é nada tão de outro mundo assim, basta lembrar de uma entrevista do Cesinha (baterista e produtor de vários artistas independentes) há uns 4 anos atrás, ele falava algo como “faça você mesmo”, o cara fez cursos, se aperfeiçoou, aprendeu a gravar, montou um estúdio e foi seguindo o trabalho dele. A gente vai aprendendo com o mercado porque ele não é estático, ele é composto por todos nós.

Grená

– Quais os próximos passos da banda?
Temos uma série de shows até o final do ano e no início de 2018 vamos gravar o disco. Em breve nós vamos lançar um crowdfunding e partiremos para a concepção fora do campo das ideias.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Essa é uma bem difícil, e já deu para perceber que nós temos várias direções. Mas ouçam Divina Supernova, Marinho, Necro, Papisa, Versos que Compomos na Estrada, Amanticidas.


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