Quando os Mamonas Assassinas enfiaram Rush e Dream Theater em sua “Bois Don’t Cry”

Quando os Mamonas Assassinas enfiaram Rush e Dream Theater em sua “Bois Don’t Cry”

12 de junho de 2015 14 Por João Pedro Ramos

O sample desvendado de hoje não é exatamente um sample. É mais uma… “inspiração”. Uma “influência”. Ou, se você quer falar o nome certo: um pequeno plágio. Uma chupinhadinha entre colegas de profissão.

Quando o primeiro disco do quinteto de Guarulhos Mamonas Assassinas saiu, em 1995, todo mundo sabia de cor e salteado as letras do grupo. TODAS. Do começo do disco, com a Chili Pepperiana “1406”, até seu final, com o pagode-rock “Lá Vem o Alemão” (com língua presa vinda diretamente do Raça Negra), os Mamonas dominaram as paradas e podiam tocar o disco inteiro na TV sem medo, sempre dando recordes de audiência e rios de dinheiro para os envolvidos.

Em “Bois Don’t Cry”, uma canção que passeava pelo brega e brincava com o maior hit do The Cure em uma letra dolorosa sobre traição, Dinho e seus amigos colocaram metais característicos (que acabaram sendo sampleados em alguns funks como “Agora Eu Tô Solteira”, da Gaiola das Popozudas), vocal chorado com piadas adolescentes e um final mais pesado (como era comum nas composições do grupo):

O sample dos metais foi parar no hit do grupo de Valesca Popozuda. Agora ela é solteira e ninguém vai segurar:

O momento em que a música muda de andamento com a frase “Vejam só como é que é a ingratidão de uma mulher” é literalmente chupado (sem dar crédito, é lógico) do Rush e seu eterno hit e tema da série McGyver “Tom Sawyer”, que toca até cansar em algumas rádios rock brasileiras. É inclusive uma forma de usar o teclado de Júlio Rasec de forma mais ~criativa~ e menos “churrascaria” do que acontecia normalmente:

Já o trecho que vem a seguir é um riff tirado diretamente com boticão de uma música do grupo de prog metal Dream Theater, “The Mirror”. Provavelmente coisa do guitarrista Bento Hinoto, fã de metal em geral e rock progressivo.