Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura (parte 2)

"O Hobbit", de Tolkien
"O Hobbit", de Tolkien

Sinestesia, por Rafael Chiocarello


livros

Na semana passada a SINESTESIA trouxe uma lista com 7 músicas que foram inspiradas em livros. Muitas canções ficaram de fora, claro. Vocês pediram e o pedido de vocês é uma ordem: teremos parte 2.

O Senhor Dos Anéis

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Em 1988, no primeiro álbum da banda de speed metal alemão Blind Guardian, já tivemos homenagem a um dos livros preferidos dos nerds: “O Senhor dos Anéis” de Tolkien. O disco Battalions of Fear” (1988)  conta com quatro faixas que fazem referências diretas a lenda épica. São elas: “Battalions of Fear“, “Run For The Night”. Já “By the Gates of Moria” e “Gandalf’s Rebirth”, que são canções instrumentais, têm a referência no próprio nome.

Dois anos depois eles lançaram o disco Tales from the Twilight” (1990) que contém  “Lost in the Twilight Hall” esta que detalha de uma maneira um tanto quanto poética: a épica batalha entre Gandalf e o Balrog.

Confira os trechos que não deixam dúvidas sobre a inspiração:

“Caçado pelos Orcs, sem Gandalf para ajudar com as espadas da noite
Oh! A última parte do jogo, decisão de morte e vida, 
sangue de Souron eles pedirão esta noite

O grito da batalha final.” – “Battalions of Fear”Blind Guardian

“Eu vejo a colina mas ela está tão longe, eu sei que não posso alcança-la
Mas eu tento várias vezes em meus sonhos sombrios
Ele está destruindo minha última vontade, até quando eu poderei ficar aqui?
Quando o mais poderoso de todos chegar”  – “Run For The Night”Blind Guardian

 Mas não foi só o Blind Guardian que trouxe o tema “O Senhor dos Anéis” a suas letras. Temos um fã de Tolkien que não cansou de citar referências a ele em sua obra, e esse senhor atende pelo nome de Robert Plant. Sim, Led Zeppelin tem uma porção de letras com referências a “O Hobbit”, algumas são teorias de fãs após ele ter admitido a inspiração. Porém vamos falar de uma que deixou isso um tanto quanto claro: “Ramble On”:

“Foi nas profundezas mais obscuras de Mordor,
Eu conheci uma garota tão atraente
Mas Gollum, e o maligno se aproximaram
sorrateiramente e fugiu com ela, ela, ela, yeah”“Ramble On”Led Zeppelin
O Hobbit

hooo

Os temas épicos e aventuras épicas se repetem nas obra do Blind Guardian com inspirações em outros escritores como Stephen King, mas eles nos provam ser devotos de Tolkien. Dessa vez, o livro muda. Sai de cena “O Senhor dos Anéis” e entra “O Hobbit”.

Assim temos  “The Bard’s Song – The Hobbit” (Somewhere Far Beyond” – 1992) que fala sobre as aventuras de Bilbo Bolseiro do Tolkien.

“O amanhã nos levará embora, longe do ar, ninguém jamais saberá o nosso nome, mas as canções do Bardo permanecerão, o amanhã o levará embora, o medo de hoje, ele desaparecerá em nossas canções mágicas.” –“The Bard’s Song – The Hobbit”Blind Guardian

Mas de nerds o rock está repleto, afirmação que é mais verdadeira do que parece. O Rush é mais um exemplo de banda que deixou claro sua preferência pela literatura épica de Tolkien. Em “The Necromancer” do disco Caress Of Steel” (1975) temos referência a épica aventura de Frodo, Sam e Gollum em Mordor.
“…Os três viajantes, homens de Willowdale,
Surgem da sobra da floresta.
Passando pelo Rio Dawn, eles se viram para o sul, entrando
Nas escuras e proibidas terras do Necromante…””…O silêncio encobre a floresta
Enquanto os pássaros anunciam a alvorada
Três viajantes passaram pelo rio
E continuaram viajando para sul
A estrada é forrada de perigos
O ar é carregado com medo
A sombra de sua proximidade
Pesa como lágrimas de ferro”
“….O Necromante continua observando com olhos mágicos de prisma.Ele vê toda sua terra e já tem conhecimento
Dos três desamparados invasores presos em seu covil…
Meditando em sua torre
Observando toda a sua terra
Segurando cada criatura
Sem esperanças eles ficam
Olham destro dos prismas
Sabendo que estão perto
Leva-os até as masmorras
Espectros tomados pelo medo
Eles se curvam, derrotados” – “The Necromancer” – Rush

The Forbidden (“O Proibido”)

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Talvez esse livro seja mais conhecido dos amantes da literatura de terror do que dos fãs da literatura em geral. E foi em “The Forbidden” (de Clive Barker), um livro de “terror”, que Paul Weller se inspirou para escrever “Dreams Of Children”. A faixa entrou no disco Compact SNAP!” (1983).

Em 1992, o livro ganhou uma adaptação para cinema “Candyman” (“O Mistério de Candyman”), um filme que tem todos elementos do terror slasher/thriller. O filme, que completou 14 anos no último dia 11/09, no site do IMDB está avaliado com um 6,5.

Na história do livro, um vendedor de doces mata criancinhas para ter a reputação de assombrar os sonhos delas.

“Sentei-me sozinho com os sonhos das crianças
salgueiros e alto edifício escuro
Eu peguei uma forma de os sonhos das crianças
Mas acordei suando deste pesadelo moderno e
eu estava sozinho, não havia ninguém lá

 Tive um vislumbre dos sonhos das crianças
 Eu tenho um sentimento de otimismo
 Mas acordei com uma imagem cinzenta e solitária
 As ruas abaixo me fazem sentir sujo,
 eu estava sozinho, não tinha ninguém ali” – “Dreams Of Children” – The Jam

Yertle The Turtle

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O livro “Yertle The Turtle” (1958) de Dr. Seuss (Theodor Seuss Geisel) é um livro repleto de ilustrações, mas nem por isso fez com que os Red Hot Chili Peppers deixassem passar batido. Em 1985, os californianos lançaram em “Freaky Styley” uma faixa de mesmo nome da obra de Dr. Seuss.

A história do livro é simples e a personagem é um pouco digamos “do mal”. A tartaruga macho Yertle não fica contente com a sua posição e então instrui as outras tartarugas para que virem seu trono para que assim ele possa ver melhor. Claramente com essa ideia de jerico ele acaba machucando as outras tartarugas… Só que ele não dá a mínima. Como uma boa fábula, ele tem seu revés. Uma hora a tartaruga que está na base – sobrecarregada com o peso de todas as outras – se cansa e começa a se mexer para sair lá debaixo. Nisso, Yertle é arremessado para longe do trono… Caindo literalmente na lama. Assim ele se torna Yertle, o “rei da lama”.

O Senhor das Moscas

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Acredite se quiser, mas até o Offspring tem letras com referências literárias. Em 2008 eles lançaram o disco Rise and Fall, Rage and Grace” e ele continha uma canção que pode ser considerada um hit menor dentro da discografia do conjunto californiano, “You Gonna Go Far, Kid”.

Poucos sabem, mas a canção tem referências a um livro vencedor de prêmio Nobel – da edição de 1983 – “O Senhor das Moscas” (1954) de William Golding. Uma curiosidade é que neste sábado (17) a obra completa 52 anos de sua primeira publicação. A obra de ficção juvenil inclusive teve duas adaptações para o cinema, a primeira em 1963 e a segunda em 1990.
Além da referência estar presente logo no nome com uma das principais linhas do livro temos outras frases que são transcritas diretamente da obra para a canção. “Álibis espertos / Senhor das moscas“, “Virando todos contra um” que se refere a todas crianças virando as costas para Piggy e Simon. Já “Com mil mentiras / E um bom disfarce / Acerte ela bem no meio dos olhos” se refere ao plot do livro por si só, sendo um breve resumo da obra.
Mas claro que o refrão que ia ser o trecho mais significativo: “E agora você foca o caminho / Mostre a luz do dia / Fez um bom trabalho / Você vai longe, garoto

O Jogo do Exterminador

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Se começamos a lista com o pesado do metal, vamos terminar com algo mais leve, acústico e bastante emotivo. Quem desta vez apelou para o recurso literário como influência direta em sua criação foi o Dashboard Confessional em “Ender Will Save Us All”.

No título em inglês, o livro chama “Ender’s Game” e foi publicado em 1985 por Orson Scott Card. Tendo anteriormente se originado como o conto “Ender’s Game”, publicado em 1977 na edição de agosto de revista de ficção científica Analog Science Fiction and Fact.

Na saga, Ender tem supostamente a missão de salvar o mundo acabando com uma espécie inteira. A letra da canção em sua maioria interpreta o sentimento conflitivo de Ender tem enquanto lutava para o  “salvar o mundo”.

Afinal de contas, durante esta solitária batalha, ele está sendo completamente rejeitado por ele.Tudo isso se traduz nessa linha com certa intensidade: “Um olhar de esperança envolto em desprezo”. Uma outra referência que fica divertida de saber é que Ender é o nome do meio de um dos membros do Dashboard, então fica de certa forma uma letra um pouco “ambígua” e confessional.


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