Pseudo Banda mostra otimismo teatral na hora da bagunça em “Sobre Fracassos, Fiascos e Fossa”

Pseudo Banda mostra otimismo teatral na hora da bagunça em “Sobre Fracassos, Fiascos e Fossa”

21 de fevereiro de 2019 1 Por João Pedro Ramos

Quando se chega no fundo do poço, o único lugar para que se pode ir é para cima. Com uma uma visão otimista, a Pseudo Banda começou sua carreira com single e clipe “Sobre Fracassos, Fiascos e Fossa”, parte do EP “É Agora”, a ser lançado este ano e que traduzirá as múltiplas influências da banda em seis músicas.

A raiz do projeto musical vem do teatro: o trio Bea Pereira, Julia Rosa e Vinícius Árabe se conheceu quando trabalharam em uma montagem teatral em 2015. Eles se deram bem, bateram um papo fora do palco e saíram já com uma composição pronta, o que desencadeou no nascimento da Pseudo Banda. Desde então, o trio já fez a gravação de uma trilha sonora para um curta-metragem e participou do Festival Curta Santos, onde concorreu ao prêmio de Melhor Videoclipe.

A música “Sobre Fracassos, Fiascos e Fossa” surgiu em um momento em que toda a banda estava meio deprê e dividindo suas experiências, perceberam que levantar o astral faria mais bem do que entrar de cabeça na fossa. “Mesmo que façamos o nosso melhor, não há garantia de que não existirão falhas. Então, se a situação está ruim e tudo vai tombar, o que precisamos é olhar o lado positivo e fazer o melhor com o que dá. Afinal, tropeços fazem parte da jornada”, contam.

– Vamos falar do clipe. Como ele foi produzido? De quem foi a ideia?

Julia: A ideia da narrativa surgiu de muitas discussões nossas com a Karinna De Simone, a diretora, pois ela sempre acompanhou desde o início nossa jornada como banda, e conhece um pouco dos perrengues que já passamos também (risos). A gente achou importante nesse primeiro clipe estabelecer bem nossa identidade como banda. Dramáticos, divertidos, empenhados e bem Pseudos (risos).

Ana Beatriz: A produção do clipe foi uma loucura. Por sermos uma banda independente tínhamos um orçamento bem limitado para a estrutura que desejamos. Tivemos sorte em ter pessoas tão empenhadas na equipe que fizeram de tudo para esse sonho se realizar. Filmamos tudo em duas diárias, quase enlouquecemos, mas valeu super a pena.

– Como o clipe se liga à música, na opinião de vocês?

Vinícius: A música fala, com um tom divertido, sobre como encarar os desafios e os percalços de uma maneira otimista. No clipe mostramos essa mesma ideia, mesmo com tudo dando errado e despencando continuamos na batalha para fazer o melhor. No fim das contas o que há de comum entre o clipe e a música é essa questão de lidar de forma positiva com a inevitabilidade das coisas, criando saídas criativas e se reiventando dentro das dificuldades.

– Voltando ao clipe: como o fato de vocês serem atores influencia no som da Pseudo Banda e nos clipes? É um fator importante na construção da banda?

Ana Beatriz: De certa forma isso já faz parte de quem nós somos, está intrínseco na gente e acaba refletindo nas nossas composições e performances, porque altera a nossa visão de mundo. A gente se conheceu fazendo teatro, a Pseudo nasceu na coxia. Sentimos que por sermos atrizes existe uma disponibilidade e vontade grande de experimentar coisas novas sem medo do ridículo ou do erro.

– “Sobre Fracassos, Fiascos e Fossa” é um aperitivo do que vem por aí no EP “É Agora”. Podem falar mais sobre o que podemos esperar deste trabalho?

Julia: Esse primeiro single mostra uma das facetas da Pseudo, mais bem humorada, divertida e que trata de assuntos mais do cotidiano. As outras 5 faixas do EP exploram outros aspectos da banda, por exemplo como nosso próximo single “Ouvidos ao Mistério”, que tem uma pegada mais mística e etérea. Cada faixa do EP “É Agora” tem a sua própria temática, e estamos muito ansiosos pra compartilhar cada uma delas.

– De onde surgiu o nome Pseudo Banda?

Vinícius: O nome Pseudo Banda surgiu de uma brincadeira pela dificuldade de nos denominarmos músicos e de nos assumirmos como uma banda. Partindo do princípio de ser uma Pseudo Banda, “uma banda de mentira”, tudo é possível, podendo experimentar e unir outras artes além da música, não se limitando em rótulos e tendo como maior preocupação a experiência artística humana.

– Como vocês começaram?

Ana Beatriz: Estávamos ensaiando uma peça juntas e decidimos nos encontrar uma noite na minha casa para fazer um som e conversar sobre a vida. Eu tinha uma melodia e alguns versos compostos e resolvi mostrar para elas. Logo de cara trouxeram ideias para a música e começamos a compor juntas. Tudo fluiu tão bem que terminamos a música na mesma noite. Depois dessa experiência tão gostosa, decidimos nos reunir outras vezes para compor. Fomos percebendo que funcionamos bem juntas, que estávamos criando uma identidade nossa, uma identidade da banda. Foi repetindo e forte, e até hoje essa união nos motiva e nos potencializa.

foto por Juliana Lira

– Quais artistas vocês citariam como influências no som da banda?

Julia: Opa! Tem tantas, mas algumas delas são Os Mutantes, Rita Lee, O Terno e Francisco El Hombre.

– Agora, no teatro, quem você diria que inspirou a Pseudo Banda, seja nas letras ou na performance ao vivo e em clipes?

Vinícius: Uma companhia que temos como referência é a Barca dos Corações Partidos, pois eles mesclam o teatro e a música de uma forma sensível. Admiramos muito o trabalho deles e temos esse desejo grande de explorar essa fusão entre o teatro e a música, como eles fazem muito bem no espetáculo AUE. Fora isso em uma de nossas músicas temos uma influência bem clara de Brecht e até declamamos um de seus poemas.

– Podemos esperar mais clipes das músicas que vem por aí no EP?

Ana Beatriz: Com certeza! Em março vamos lançar o nosso próximo single e videoclipe, “Ouvidos ao Mistério”. O clipe já está em fase de produção. Estamos muito animados com tudo. Além disso, após o lançamento do EP já temos alguns planos para outros videoclipes. Estamos trabalhando muito para fazer projeto ficar lindo!

– Vocês já estão compondo mais músicas para depois do EP? 

Julia: Sim! Já temos alguns esboços engatilhados, mas por agora estamos deixando eles na gaveta enquanto trabalhamos nesse projeto. Acreditamos que ainda tem muita coisa pra acontecer dentro do EP “É Agora”.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vinícius: O que tem nos chamado a atenção no cenário independente é Tuyo, Xênia França, Luedji Luna, Josyara, Vó Tereza, Baco Exu do Blues, Biltre e Mahmundi.

Julia: Aaaah… GRATIDÃO! Queremos agradecer a todo mundo que faz esse projeto estar acontecendo, as pessoas que nos apoiam desde de sempre e as mensagem de carinho que estamos recebendo. Esta sendo muito gostoso ver a reação de cada um ao nosso trabalho. Valeu pelo contato e interesse em fazer essa entrevista!