“Piratas do Rock” (2009): a primeira vez que vi meu pai chorar

Piratas do Rock

The Boat That Rocked (Piratas do Rock)
Lançamento: 2009
Diretor: Richard Curtis
Roteiro: Richard Curtis
Elenco Principal: Tom Sturridge, Philip Seymour HoffmanBill NighyRhys IfansNick FrostKatherine ParkinsonTalulah RileyTom BrookeChris O’DowdRhys DarbyWill AdamsdaleTom Wisdom and Ralph Brown

Antes do Big Boy aqui nas rádios tupiniquins nos anos 70 e bem antes do refrão “Kiss FM: depois de um rock, sempre vem outro rock”, na Inglaterra o filho do blues já tocava via antena. Contudo, em 1966, durante o auge do pop rock inglês, a tal música era ainda muito mal vista no país da rainha, e estações como a BBC tocavam o som “degenerado” apenas uma hora por dia. Mas o rock é o rock, não é? Foi respondendo a essa pergunta que malucos se jogaram em barcos no mar fora da região da legislação britânica e transmitiram Kinks, Turtles, Who, Stones e mais uma porrada de coisa.

O filme “Piratas do Rock” de 2009, remonta esse cenário e mostra a vida dentro dum desses barcos e a guerra constante com o parlamento. Carl (Tom Sturridge), um “fine young man” que foi recentemente expulso da escola por ter sido encontrado fumando maconha, é mandado pela mãe para o barco onde é esperado por Quentin (Bill Nighy), seu padrinho e comandante da rádio e do navio. É nessa marítima estação roqueira que o menino se envolve com o bando de caras, no melhor espírito camaradagem cuzona, num ambiente 100% da zuera, 50% da parceragem e 50% da cuzisse dos fura-olhos (mas porra, todo mundo tem aquele amigo cuzão e fura-olho). Sobre o título, é em parte por conta de todo esse espírito sempre cheio de rock, desafiando um parlamento babaca, que meu pai chorou na última cena (eu e meu irmão, com uns 12 anos, achamos aquilo incrível). Contudo, devo parar por aqui, a fim de não dizer mais nada sobre o final…

Obviamente que a trilha é do caralho! Com Cream, Who, Turtles, Otis Redding, Hollies, Jeff Beck, Jimi Hendrix, Procol Harum, Cat Stevens e mais uma porrada de coisa (ao todo o filme conta com mais de 30 sons diferentes), o musical recria fantasticamente o ambiente sessentista do rock britânico. Vale, contudo, ressaltar algumas das músicas, em parte por elas mesmas, em parte pelas cenas que acompanham.

“Lazy Sunday Afternoon” da banda Small Faces, toca no longa numa cena que explica a alma do rolê dos caras do barco. Eles andando juntos, a cada corte de cena mais bêbados e desalinhados, marchando no ritmo da música é o tipo de imagem que faz todo mundo lembrar de algum rolê da hora que tenha dado com os parças.

“Sunny Afternoon” do Kinks, é outra que toca mostrando o espírito do barco. Ao som desse som é que eles jogam futebol no convés e obviamente perdem a bola pra Poseidon. Além disso, a música ainda acompanha a reação do público em solo, em todos os lugares da Inglaterra, dançando fantasticamente a linda música.

Sem enrolar muito, só pra falar de mais uma, vale citar “So Long Marianne” do canadense Leonard Cohen, o som que acompanha ninguém mais ninguém menos que a jovem Marianne (Talulah Riley), sobrinha do capitão Quentin, quando ela faz uma visita ao barco e é apresentada ao jovem Carl.

Ainda, o filme é cheio de pequenas referências imagéticas ao rock’nroll. Os próprios radialistas, há quem diga que sejam homenagens aos membros da banda The Turtles (sua música “Eleanor”, toca no musical). Além disso, há uma cena que “lembra de leve” o encarte do disco “Eletric Ladylandda banda Jimi Hendrix Experience: o cara que faz o programa da meia noite, Gavin (Rhys Ifans), conhecido como sex symbol, aparece em seu quarto rodeado por uma série de mulheres nuas (uma vez por semana o barco recebe um grupo de fãs da rádio).
             

Segue em link o filme e a trilha sonora!

Filme: http://putlockers.fm/watch/EdZD29xp-the-boat-that-rocked.html

Trilha sonora:

Bom, é isso aí galera. Ouçam, assistam e curtam!


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *