Piadistas Th’ Losin Streaks pisam fundo no garage rock e tentam há 10 anos lançar seu 2º disco

Th' Losin Streaks
Th' Losin Streaks

O quarteto Th’ Losin Streaks, de Sacramento, lançou em 2004 seu primeiro disco, “Sounds Of Violence”, pela Slovenly Recordings. O álbum, cheio de garage punk sessentista da melhor qualidade, levou a banda a fazer diversos shows matadores nos Estados Unidos, fazendo com que eles fossem nomeados como “melhor banda de Sacramento” pelo site News Review.

Mas desde então, os veteranos da cena Tim Foster (guitarra e vocal), Stan Tindall (baixo), Matt Shrugg (bateria) e Mike Farrell (guitarra) ainda não conseguiram lançar seu segundo álbum. Dedões quebrados, perda de fitas, prisões por contrabando de calças jeans de designers famosos e tráfico de arraias elétricas são algumas das “desculpinhas” que os quatro me deram para tanta demora para lançar novos sons. Será que algum é verdade? Bem, não importa. O importante é que a banda voltou com tudo e está “reaprendendo os sons antigos”, segundo eles, para “assassinar alguns palcos” por aí.

Entre piadas, trocadilhos e zombaria, conversei com a banda sobre sua carreira, suas influências, “Sounds Of Violence”, baixos sendo lambidos, um certo ódio pelo Kiss e seu amor pelos Mutantes:

– Como a banda começou?

Mike: Éramos todos de bandas diferentes, exceto Tim e Stan. Tínhamos interesses musicais semelhantes, então pensamos “por que não?”. Acho que foi o Tim, no entanto, que inicialmente teve a ideia para a banda.

Matt: Foi ideia do Tim. Ele queria começar uma banda que tocasse algo na linha do Downliners Sect, mas na época soamos como se fôssemos os “Downliners Suct” (~os Downliners São Uma Droga~)  em vez disso.

Tim: Eu queria começar uma banda que era uma espécie de versão de do Thee Headcoats, de Sacramento: som bruto, equipamentos antigos e, como disse Matt, muito influenciou a influência de Downliners Sect.

– E como vocês se conheceram?

Mike: Nós conhecemos há muito tempo em uma festa que o Tim fez, acho. Éramos de bandas diferentes, como eu disse, e Tim era geralmente o frontman. Acho que ele queria tocar guitarra e veio pra mim um dia e perguntou se eu estaria interessado em começar uma banda com ele chamada Th ‘Losin’ Streaks. Um nome tirado de uma letra de uma música dos Rolling Stones (“Satisfaction”).

– Quais são suas principais influências musicais?

Mike: Varia. São muitas. Eu estava ouvindo Pandora e no aleatório veio uma música do Billy Childish e eu pensei que fosse uma das bandas de Tim.

Tim: Inicialmente, a Sect, o Sonics e o Billy Childish foram mais fortes – mas assim que Mike entrou, mudamos de marcha muito rápido. Dá pra notar que Stan sempre quis algo com uma pegada um pouco mais Archies.

– Atualmente, mais e mais bandas de rock estão investindo em uma abordagem mais eletrônica. Por que ir na direção contrária, tocando um som mais calcado no garage rock?

Mike: Nós temos uma abordagem eletrônica … Conectamos nossos amplificadores.

Matt: Essa merda eletrônica não tem alma.

Mike: E a gente não sabe dançar.

Tim: Eu não ouço nada disso. Acho que eles deveriam tentar algo novo com os velhos três acordes.

– Contem mais sobre o material que vocês lançaram até agora!

Matt: Está fora de catálogo.

Mike: O nosso único disco lançado até agora foi gravado quando tínhamos só duas semanas de banda, acho.

Matt: É rock de garagem eletrônico. Não compre o single. Tem uma faixa do álbum nele.

Mike: É, o remix dance com cerca de 36 minutos de duração.

Stan: Um LP até agora e mais um em que estamos trabalhando há mais de uma década.

– Então o registro contém as ideias da sua primeira música.

Mike: Sim. E alguns covers.

Matt: As masters do segundo álbum foram perdidas, mas recentemente encontramos um armário de vassouras na estação de trem da Amtrak. Foram as mesmas ideias do segundo…

Tim: Sim, primeiro LP eram músicas em que eu trabalhava há alguns anos mais algumas covers, como The Stoics e Guess Who. Foi gravado por Chris Woodhouse, com quem trabalhamos no álbum “Trouble Makers”. Naquela época, ele tinha todas as suas máquinas de gravação em algumas malas que ele levava por aí!

Th' Losin Streaks

– E porque o segundo disco está demorando tanto?

Mike: Porque a Amtrak não devolve nossas masters! Brincadeira. Porque eu fui para a cadeia por traficar jeans de designers famosos.

Matt: Explicando porque vai demorar mais: acho que a TMOQ vai lançar o segundo.

Stan: Eu acho que havia pelo menos um polegar quebrado e uma caixa de som quebrada envolvida na história.

Tim: A resposta curta é que as músicas no segundo disco são um pouco mais complicadas, e quando chegamos para a gravação, não estávamos ensaiando tanto. Então, começamos a ir em direções diferentes – Matt e Mike queriam algo com cara do Who de 1969 e eu queria que fôssemos o The South Bay Surfers. E sim, o polegar quebrado de Matt não ajudou!

Matt: Na verdade, eu queria ser o The Who de por volta de março de 68… Coisas de antes de usarem macacão!

Tim: Matt só gosta das roupas de aniversário.

Matt: Nunca fiquei muito feliz com o jeito de tocar do Mike…

Stan: Quem acordou o Matt?

Matt: Eu estou bem acordado, cara.

Mike: Caralho… nem eu estou feliz com o meu jeito de tocar.

Matt: Cala a boca, cara… Seu Jimmy Page. Ou Jimi Hendrix.

Mike: Assim é melhor!

– Como você descreveria um show de Losin Streaks para alguém que nunca assistiu?

Matt: (Ainda pensando)

Mike: Eeesh.

Matt: Uma banda de nerds de cabelos grisalhos tentando assassinar o palco. Não, uh… Desculpe, nerds de meia idade de cabelos grisalhos…

Mike: Tentando assassinar algo.

Matt: Para mim, no palco, tudo o que eu odeio são as peles da bateria e eu tento matá-las.

– Você estão trabalhando em músicas novas?

Matt: Estamos trabalhando em músicas velhas.

Tim: Ainda estamos tentando reaprender músicas de 10 anos atrás.

Mike: Verdade, verdade.

Matt: Verdade.

Tim: Tivemos cerca de 8 anos de folga, então…

Matt: Aprender algo novo pode levar uns 10 anos.

Mike: Sim, como eu disse, acabei de sair da prisão por contrabandear arraias.

– Então, o que podemos esperar da banda nos próximos meses?

Matt: Ensaios.

Mike: Verdade novamente.  Temos novas músicas a serem trabalhadas. Nós só precisamos passar a reaprender as antigas…

Tim: Nós estamos nos preparando para fazer shows na cidade natal – não tocamos em Sacramento faz um bom tempo.

Matt: Vamos tocar em nossa turnê de reunião de 2027.

Mike: (Risos)

Stan: Tenho alguns licks de baixo novos na minha cabeça.

Tim: Stan, são cowlicks (“lambidas de vaca”).

Mike: Agora nós só precisamos tirá-los da cabeça do Stan.

Matt: Você lambe seu baixo? Cara bruto…

Stan: É saboroso.

Matt: Uma ordem restritiva.

Mike: Ele acha que ele é Gene Simmons.

Stan: E eu não sou?

Tim: Mike, você acabou de descobrir isso?

Mike: Não. Eu pensei que ele era o Paul Stanley.

Tim: Eu pensei que ele era o Dot Wiggins, mas não.

Matt: Kiss é uma merda.

Tim: Obviamente.

Matt: Sem maquiagem, ninguém se importaria. OK, fim do discurso sobre o Kiss.

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– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.

Stan: The Rantouls.

Matt: Dock Boggs.

Stan e Mike: Kiss.

Tim: Pergunta difícil – eu tenho fuçado em tanta coisa velha ultimamente…

Matt: Realmente não consigo pensar em ninguém… O mesmo que Tim, basicamente.

Tim: Concordo com o Rantouls, aliás.

Matt: Um mês atrás, eu teria dito Drug Apts. Mas isso foi há um mês atrás.

Stan: Nós deveríamos ter iniciado esta entrevista há um mês.

Matt: “Bodyguard” do The I.L.Y.S. é bom.

Tim: Há duas bandas locais com as quais tenho obsessão: Mental Defective League, que toca hardcore dos anos 80, e The Tropicali Flames, que faz jazz country, soam como Jimmy Bryant. Não tem nada gravado. Fora isso, eu ouço The Five Royales e The Falcons uma ou outra vez.

Matt: Agora acho que estamos só contando um pro outro o que estamos ouvindo.

Stan: Tento assistir o Giuda sempre que estão tocando por perto.

Tim: Não é tão novo, mas adoro algumas coisas do Nick Waterhouse. Gravações perfeitas.

Stan: Alguma chance de uma turnê em nosso futuro?

Matt: Você é vidente?

Tim: TODOS SEGREDOS SERÃO REVELADOS.

Stan: Eu preciso saber?

Matt: “Existe um cantor no nosso futuro?”

Tim: “Você nunca saberá”. O João está totalmente lamentando essa ideia de entrevistar a gente.

Stan: Podemos começar de novo?

Matt: Ei, o que eu faço com a senhora idosa sem cabeça? AH MERDA! Quero dizer, uh… Esquece.

Stan: Oi. Eu sou o Stan e toco o baixo.

Matt: Eu sou Matt e toco a bateria. Às vezes faço papel de babaca também.

Tim: E… fechamos.

Matt: Meu nome é Matt e eu estou aqui para dizer…

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– Querem mandar qualquer mensagem para os brasileiros?

Matt: Posso me mudar para aí?

Mike: Sim… queremos assassinar seus palcos por aí.

Matt: Esperamos vê-los no futuro.

Tim: Vocês não precisam de nós, você tem Os Mutantes!

Mike: Mas eles não estão mais juntos.

Matt: Tour conjunta! (Sem trocadilhos)

Mike: Então, sim… Os palcos aí precisam de alguém para assassiná-los?

Matt: Só agora percebi que Os Mutantes significa os mutantes… Nada mal, nada mal.

Stan: Comprem nosso disco!


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