Phantom Phunk mistura rock, indie, hip hop e tudo o que vier às suas cabeças em “Struggle With Me”

Phantom Phunk mistura rock, indie, hip hop e tudo o que vier às suas cabeças em “Struggle With Me”

10 de maio de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Desde seu início, em 2015, o Phantom Phunk se definiu como uma força musical que não precisa ter rosto, o que justificava o nome da banda. Essa ideia foi uma mão na roda quando tiveram uma inesperada mudança de formação e conseguiram se reinventar brilhantemente, mudando seu som e transformando-o em algo que lembra No Doubt, Gorillaz e Yeah Yeah Yeahs.

Formada atualmente por Hector Alexander (guitarra, baixo e synth), Alexa Toro (vocal), Nick Emiliozzi (bateria) e Wayne “Cloud” Price (vocal), a banda de Tampa Bay, na Flórida, lançou recentemente seu primeiro EP com a atual formação, “Struggle With Me”, reinventando seu som completamente. Antes, o grupo já havia lançado “Arboles Ossific” (2016), mais puxado para o rock, e “Turtle Stand” (2017), que já dava indícios do que viria a se tornar a banda no momento atual. “Fizemos o registro (de “Struggle With Me”) enquanto estávamos nos juntando como um novo grupo, então houve muito “reconhecimento” entre nós enquanto estávamos criando”, conta Hector. “Por exemplo, a música “Cheap Thrills” é um remake de uma das nossas músicas mais antigas do “Turtle Stand”, chamada “Back Seat Sax”. Nós mudamos totalmente a instrumentação. Colocamos um baixo de sintetizador, programamos uma bateria eletrônica para imitar como Nick normalmente toca, regravamos as guitarras e as colocamos no máximo”, explica.

– Como a banda começou?
O projeto começou em 2015 quando terminamos de construir nosso estúdio caseiro, o Harmonic Factory. O grupo foi co-fundado por Hector e Sasha, e logo adicionamos o Nick na bateria. Passamos o primeiro ano e meio escrevendo e gravando nosso primeiro disco, “Ossific Trees”. Em 2017, começamos a trabalhar em nosso segundo disco, “Turtle Stand”, mas aí nossa antiga vocalista Sasha Cheine deixou o grupo pouco antes da produção. Foi difícil sem um vocalista, mas completamos o EP, de qualquer forma. Durante os seis meses que não tivemos nenhum cantor, começamos a experimentar com outros artistas, incluindo o rapper Wayne “Cloud” Price. Eventualmente um amigo nos conectou com nossa nova vocalista, Alexa Toro. Nós trabalhamos juntos como um novo quarteto (Hector, Nick, Cloud e Alexa) pela primeira vez e saímos com Struggle With Me” em 2018.

– Como surgiu o nome da banda?
Phantom Phunk era o nome certo e ele meio que veio. O conceito original para o grupo era ser uma banda de compositores que apresentava vários vocalistas. A ideia era que pudéssemos ser um grupo sem rosto, sem que ninguém nos representasse. Portanto, seríamos fantasmas sem uma imagem. De certa forma, isso ainda acontece, porque não temos apenas um vocalista, mas temos um conjunto fixo de membros da banda atualmente. Nós ainda usamos o fantasma de dinossauro como nosso logotipo com a esperança de que um dia possamos nos apresentar através de personagens animados mais do que as fotos da banda e tal (especialmente porque não somos muito bons em fotos de banda)…

– Quais são suas principais influências musicais?
Nós quatro temos gostos e origens musicais muito diferentes. Nick cresceu ouvindo hard rock clássico e grupos punks como o Green Day. As influências de Hector são mais indie-eletrônicas, apreciando artistas como o Gorillaz, Foster the People e Beck. Alexa tem um gosto muito grande pela música, e gosta de artistas eletrônicos de chillwave e bandas que entram em jams, como Pretty Lights e Fleetwood Mac. Cloud ouve quase que exclusivamente Hip-Hop, crescendo com artistas como Lil Wayne e Kid Cudi.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Nosso som é uma mistura de nossas influências, por isso pode ser um pouco “pra todo lado”. Dado o nosso estilo mais rock/grunge, temos alguma semelhança com o Yeah Yeah Yeah’s ou No Doubt. Com as nossas faixas mais produzidas que estão começando a incluir mais do Cloud, soamos um pouco mais como Kid Cudi ou o Gorillaz.

Phantom Phunk

– Como anda a cena do rock independente na sua região?
A cena musical independente na área de Tampa Bay está crescendo. Novos locais de música como o Hooch e o Hive estão surgindo e os antigos como o Blue Note estão ganhando nova propriedade. Esses lugares estão fazendo o que podem para renovar a cena musical e dar aos jovens artistas um lugar para tocar. Há também uma camaradagem de apoio entre as bandas e um interesse em trabalhar em conjunto para crescer a cena. Ainda assim, estamos à espera de alguém estourar aqui pela área, mas esperamos que role em seu tempo.

– Vocês podem me contar mais sobre o mais recente trabalho da banda?
Definitivamente! Então, nosso último disco, “Struggle With Me”, é o nosso favorito no momento, porque contém a formação atual da banda. Nós temos viajado e tocado extensivamente para promovê-lo e até agora valeu a pena. Fizemos o registro enquanto estávamos nos juntando como um novo grupo, então houve muito “reconhecimento” entre nós enquanto estávamos criando. Por exemplo, a música “Cheap Thrills” é um remake de uma das nossas músicas mais antigas do “Turtle Stand”, chamada “Back Seat Sax”. Nós mudamos totalmente a instrumentação. Colocamos um baixo de sintetizador, programamos uma bateria eletrônica para imitar como Nick normalmente toca, regravamos as guitarras e as colocamos no máximo. Nós tínhamos o instrumental pronto por um tempo, mas não tínhamos nenhuma ideia para os vocais. Alexa tinha acabado de entrar no grupo e nós ainda estávamos experimentando com o Cloud antes que cada um deles gravasse os vocais para a música separadamente. Cloud escreveu apenas um verso (o suficiente para metade da música) e Alexa improvisou sem qualquer preparação, sem letras ou qualquer coisa. Ela acabou de entrar no estande e cantou a primeira coisa que veio à sua mente “SHAKE IT!” Nós cortamos as gravações, demos um verso pra cada um e ficamos muito felizes com a forma como saiu.

– Quais são seus próximos passos? Você está trabalhando em alguma música nova?
Nossos planos para este ano são viajar e fazer o maior número possível de shows. Temos a intenção de lançar 3 novos singles ao longo do ano, pouco antes de cada turnê principal que fazemos. Nosso próximo single, chamado “Memory’s a Ghost”, será lançado em meados de maio, pouco antes da nossa viagem pelo sudeste. É muito melódico e cheio de vibrações positivas, e parece um pouco com Outkast. Estamos muito orgulhosos dele e mal podemos esperar para ver as pessoas se divertirem também.

– Como vocês se sentem sobre a era do streaming?
Nós temos sentimentos mistos sobre isso. Por um lado, é bom poder tocar qualquer música a qualquer momento em seu telefone, mas não é legal quando você está tentando ganhar a vida fazendo música. Isso tornou as coisas muito mais competitivas porque agora todos estão fazendo tudo sozinhos, então temos que fazer tudo sozinhos também. Temos que escrever, produzir, tocar, anunciar, promover, vender merch, marcar shows, criar vídeos, cuidar de nossas plataformas on-line e por isso é um grande desafio. Espero que todo o nosso trabalho valha a pena e esperamos que as empresas de mídia encontrem uma maneira de fazer com que todos que estão trabalhando muito possam obter algo também.

– Vocês planejam vir para o Brasil? Conhecem alguma música brasileira?
Seria ótimo ir ao Brasil e tocar aí. É uma longa viagem e nós nunca tocamos tão longe de casa, então pode demorar um pouco até chegarmos lá. No entanto, notamos que as pessoas no Brasil e no México realmente gostam de nossa música, e achamos que esses são os tipos de pessoas com quem queremos entrar em contato e nos conectar. Nosso conhecimento da música brasileira é um pouco limitado… Mas temos um amigo que encontra boa música brasileira e nos mostra. Mallu Magalhães tem algumas músicas que realmente gostamos. “Versinho de Número Um” é uma ótima música.

– Recomendem algumas bandas independentes que chamaram sua atenção recentemente.
Sim! Tem uma banda da nossa área que é simplesmente encantadora toda vez que a vemos, chama Spirit and the Cosmic Heart. Outra boa banda com a qual tocamos são as Sagas, e são mais rock/soul/funk, mas ótimos caras e muito talentosos. Há artistas maiores também que temos visto, como Guerilla Toss e Rubblebucket. Eles têm estilos muito interessantes.