Petit Mort comemora 10 anos de carreira em novo formato duo com crueza e peso extra no seu som

A banda argentina radicada no Brasil Petit Mort está comemorando nada menos que 10 anos de carreira dedicada ao rock, sempre independente e vigoroso. Para celebrar, mudanças na formação da banda, que virou um duo (Juan Racio foi do baixo para a bateria), a aposentadoria do figurino clássico de peruca rosa e vestido da vocalista e guitarrista Michelle Mendez e um som ainda mais pesado e distorcido. “A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo, conta Michu. “O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições”. Conversei com ela sobre a nova formação da banda e as novas músicas que virão no novo trabalho da banda e já estão aparecendo nos shows:

– Como está essa nova fase do Petit Mort, como uma dupla?

Tá muito massa! A gente na real queria ir mais devagarzinho, ficar mais tempo no estúdio testando o duo e ensaiando antes de sair e tocar ao vivo… Mas apareceram muitos convites massa, então estamos nos conhecendo como duo ao vivo mesmo. A gente toca junto há 10 anos, então aquela conexão tá intacta, quem tem mais desafios é o Juan, que mudou do baixo pra bateria, mas ele tá tocando muito e se sentindo muito bem com o novo instrumento. A galera tá nos motivando muito ao vivo!

– E porque você aposentou a peruca rosa, que era uma marca meio “registrada” da banda?

Porque tava me derretendo de calor nos shows! (Risos) Cachoeira de suor! Mas também para acompanhar essa mudança na banda.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas? Vai sair disco ou EP novo?

Sim, compondo muito, muitas musicas novas. A maioria das músicas nos shows são novas. Muita vontade de lançar disco novo este ano, a vida bota muitas dificuldades no meio, mas vamos achar o jeito de fazer!

– O que pode me falar sobre as músicas novas? Conta mais!

Muita energia. Tentamos compor nos ensaios do mesmo jeito que faríamos a música na hora do show, sentindo o que ela vai precisando pra aumentar a energia de nossos corpos ao vivo. A prioridade é fazer músicas pra nos divertir, e pular, rebolar, descarregar as traves do som e toda a raiva e todos os sentimentos fortes que temos dentro por morar neste mundo injusto. A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo. O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições.

– E como o som mudou com essa mudança pro formato duo?

O som virou um só, tudo pra frente, pesado, baixo forte, guita forte, bateria forte, unificado. É muito envolvente.

– Pode falar do nome de algumas músicas novas? Tipo, o nome das músicas, do que elas falam?

As músicas novas que estamos fazendo ao vivo são “Right Now”, “Through the Hill”, “Last Stop”, “Surprise”, “The Sixth Time “, “Breaking Legs”, “Good Days”, “So Deep”, “Get On the Road” e “To My Neighbors”.
Falam de buscas, falta de ar, opressões injustas, a necessidade de fugir para algum lugar e salvar a todos, a resistência, a luta, o desamor, a vida, o mundo. Muitas imagens e paisagens, atmosferas.

– Como o Brasil influenciou o som e as letras da banda?

O Brasil vem mudando a minha vida desde a primeira turnê, lá em 2012. A gente é muito fã das bandas daqui, então com certeza são parte importante da nossa influência no som. Quem vive a cena autoral no dia a dia absorve muito. Admiramos muitas bandas e músicos. O Macaco Bong mudou o meu jeito de sentir a música, me abriu muitos novos universos. A cena stoner e instrumental daqui também. Mas, principalmente o Brasil me mudou como mulher. O machismo aqui é extremamente forte, e isso me fez repensar muitas coisas. O Brasil tem um monte de mulher foda fazendo música que admiro, me empoderam todo dia. Fizemos 135 shows aqui, em 12 estados, e isso tem influenciado em praticamente tudo nas nossas vidas. Ver os contrastes de realidades, ter vivenciado o golpe, o assassinato da Marielle, a luta dos índios em defesa da suas terras e sua identidade, o assassinato de milhões de espécies no Amazonas pela mineração/soja/gado, a tragédia ambiental de Mariana, a intervenção no Rio, etc… Tudo isso influencia na nossa ira, na nossa personalidade, na nossa profunda tristeza e raiva. A gente tá com muita dor do caminho em que o mundo tá indo e é tudo isso é refletido no som, nas letras e na energia do show.


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