Pessoas Cinzas Normais não tem medo do brega e prepara o lado B do EP “Breegas”

Pessoas Cinzas Normais não tem medo do brega e prepara o lado B do EP “Breegas”

23 de julho de 2018 0 Por João Pedro Ramos

O trio Pessoas Cinzas Normais, de Mitchell Assis (voz e guitarra), Daniel Gachet (baixo) e Felipe Malaman (bateria), elenca em suas maiores influências artistas tão díspares quanto Belchior e Nirvana, ou Sonic Youth e Odair José. Afinal, eles não tem nenhuma vergonha de assumirem que a música dita “brega” tem, sim, grande influência em seu som. E porque deveriam ter?

Em seu primeiro EP, “Breegas”, a banda de Limeira mostra que tem uma ótima construção de letras em português com um rock que ecoa Belchior nas entrelinhas. Afinal, o nome da banda é derivado da música “Alucinação”, faixa-título do disco de 1976 do cantor, então não teria como ser diferente. Além dele, podemos ouvir nas faixas camadas que remetem aos anos 60 e 70 de artistas como Roberto Carlos e The Who. Agora, a banda prepara um novo EP, que será algo como o um “lado B” de “Breegas”, a ser lançado em breve.

– O nome da banda vem do Belchior. Como ele influenciou o som de vocês?

Sim, o nome eu tirei da música “Alucinação” do álbum homônimo de 76. Porém não temos influência direta na estética do som. Nossas referências sonoras, é mais rock mesmo. Foi mais um lance de achar o nome legal e principalmente a sonoridade.

– Mas além do rock, vocês também se inspiram em músicas ditas “cafonas” dos anos 70 e 80, certo?

Certíssimo. Essas são as nossas maiores influências da música brasileira. Na verdade, os anos 80 do Brasil nem tanto. É mais o 60 e 70.

– Quem você citaria como influência nesse lado “brega” da força?

O principal nome, para nós, certamente é o Roberto/Erasmo. E depois tem o Raul, Odair José, e até Mutantes e Tim Maia, que fizeram muita coisa boa nesse sentido, e que nos influencia. Aí, nas composições dos arranjos, tem muita coisa que nos influencia além dessa esfera brega.

– Me conta mais sobre o disco que vocês lançaram. Como foi a composição e gravação dele?

Eu fiz todas as músicas e letras sozinho, ao longo de mais ou menos 10 anos atrás, até que mostrei essas composições para o Felipe Malaman, que é o baterista da banda. Desde então começamos a ensaiar para montar todos os arranjos com a banda: definir timbres, pedais e passagens. Mas esse processo levou muito tempo porque ao longo desse caminho tive filho, o Malaman foi estudar fora e trabalhar, então fomos fazendo aos poucos.
Depois disso tudo pronto o Daniel Gachet (baixista) entrou na banda e gravamos o EP “–Breegas-“ (que chamamos de lado A do disco) há um ano atrás. A ideia original era gravar o disco todo de uma vez, porém fizemos esse lance de lançar o lado A e depois o lado B, como se fosse um vinil. Isso foi por falta de grana. Fizemos a gravação em um estúdio aqui em Limeira. Vamos começar agora a gravar o lado B.

– E como o Lado B difere do Lado A?

Do ponto de vista das composições, não difere nada. Todas as músicas estavam prontas. Foi só uma questão de falta de grana para gravar tudo junto. A gente acha que o lado B soa mais rock, mais barulho. Vamos ver o que o público vai achar…

– Como vocês veem a cena independente em São Paulo hoje em dia?

Nós sempre frequentamos a cena como espectadores. Agora, fazendo parte da cena, percebemos que o caminho é a união das bandas, assim como já acontece em outros estilos como o sertanejo e funk. Aqui em Limeira-SP vemos que esse processo está acontecendo e contribui pra cena continuar.

– Estar no interior é uma dificuldade para a cena independente ou a cena aí ainda é forte?

Acho que não há dificuldade, devido à internet. Não que a internet consiga formar uma cena, muito menos um público, mas ajuda muito. Hoje conseguimos ficar em contato com várias bandas e tomar conhecimento dos eventos/shows possíveis de participar. É lógico que não dá para participar de tudo que rola em São Paulo, por exemplo, por estarmos no interior. Por isso tentamos nos unir para criar algumas possibilidades por aqui.

– Então o streaming e as redes sociais atuam como heróis e vilões ao mesmo tempo, né.

Sim, é uma faca de dois gumes. Hoje precisamos além de estudar música, estudar também as mídias sociais. Eu mesmo achei que apenas fazendo uma música legal bastaria, mas vi que não é assim. Quando nós ficarmos mais famosos que Jesus, vamos cancelar todas as mídias sociais, não gravar mais disco e apenas fazer show (risos).

– Quais os próximos passos da banda?

Vamos gravar as 5 músicas que formam o lado B pra poder lançar o cd físico completo. Já estamos compondo o disco volume 2 também. E além do trabalho autoral, fazemos tributos de bandas que gostamos muito, para ampliar nosso público. Temos um tributo pro Belchior e um tributo pro Roberto Carlos. Mais pra frente vamos começar a ensaiar um tributo aos Mutantes.

– Recomendem bandas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vou recomendar a banda mais famosa aqui da cidade, que é o Laranja Oliva. Tem o Muito Antes de Laura, de Rio Claro. Tem o Beeguas, de Piracicaba. Tem o Vitreaux, de SP. Escolhemos uma só de cada cidade. Ah, do Rio de Janeiro tem o Biltre!