Construindo La Burca: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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La Burca

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo La Burca, que indica suas 20 canções indispensáveis.

L7“Andreas”
Amanda: Um marco na minha pequena vida musical, nunca mais fui a mesma depois que comecei a escutar essas mulheres e as vi pela tela da TV esfregando um modess na cara da sociedade no Hollywood Rock. Tinha uns 12 anos quando comprei o CD “Hungry for Stink”, deixava no repeat sempre. L7 foi uma referência forte na minha construção sonora. Uma tatuagem sonora. Acho que a música “Similar” é um exemplo.

Come“Hurricane”
Amanda: As linhas de guitarra preguiçosas/nervosas e vocal largado-chapado de Thalia Zedek me arrebataram nos anos 2000, época que descobri a banda. Inebriante essa canção. Tem um som inédito “El Topo”, que foi bem influenciado por essa fase, lembro que estava viciada no disco “Near Life Experience” quando compus.

Ramones“53rd e 3rd”
Amanda: Os Ramones construíram toda a minha base para fazer música. Eu pensava, também posso criar, caramba! Esse som é um deles, um épico punk e tem todo o contexto junkie psicótico do Dee Dee. Eu sempre racho o bico na última estrofe porque é absurda e lembro que não podemos nos levar a sério o tempo todo com nossas letras. Bom, tomara que ele não tenha puxado a navalha de fato, né. “Gonzo Truth”, que é uma canção relativamente calma nossa, tem uma batida da bateria em “slow motion” inspirada nesse som, por exemplo.

Wipers“Soul’s Tongue”
Amanda: Esse som me leva para passear por dunas sonoras da alma e me inspira em vários momentos, Greg Sage é uma escola foda. Tem umas linhas de som instrumental livres que faço pra me soltar e que formam sons depois que vem dessa linguagem, bom, pelo menos eu tento e vou continuar tentando! (risos)

Patti Smith“Wings”
Amanda: O que falar dessa mulher e da sua importância na nossa (r)existência musical/ artística como como ser humana? She is a benediction. Obrigada pelas asas & baladas, Patti ❤

Mercenárias“Imagem”
Amanda: Esse som é fantástico e ímpar, gosto muito do tom da voz da Rosália. Aos poucos começo a cantar uns trechos dos sons em português, e Mercenárias me “ajudam” nessa transição. Sempre escuto pra dar um gás no pt/br e lembrar das origens também (risos)!

Durutti Column“Sketch for a Dawn I”
Amanda: Esses dias coloquei pra Duda (nova batera) escutar, e ela falou: “É daí que vem os graves que vc sempre pede”! Os tum-dum-dum dos tons, sempre marcantes na hora de construir as minhas baterias mentais…(risos). Na real, o álbum “LC” do Durutti Column é o meu preferido de todos os tempos. Me pega de um jeito atemporal, adoro a “fragilidade” tão intensa dos sons desse magrinho querido.

The Index“Israeli Blue”
Amanda: Quando decidi assumir o violão folk e esboçava formar a La Burca, vinha escutando incessantemente essa banda psych-garageira. Puta som visceralzão, só lançaram 2 discos no final dos 60´s. Me apaixonei por eles e sempre retorno pra me revigorar no violão, embora o som deles seja com guitarra. Mas faço essa conexão sempre entre Index e violão.

Hazel“Day Glo”
Amanda: Som que me abraça e faz eu voltar no tempo de descobertas sonoras: melódico, pungente e grunge. Puta-que-o-pariu, que trio, ou melhor, que quarteto com o louco dançarino! As linhas de vocal intercaladas entre a baita batera Jody e do guitarrista Pete são fodas demais pro meu coração, muita criação grungística veio daí. Banda muito querida na minha vida.

Dead Moon“Clouds of Dawn”
Amanda: Essas bandas de Portland, vou falar, viu (Wipers e Hazel too)! Passava horas nas tardes distraídas e descompromissadas de minha adolescência ouvindo esse trio maravilhoso! Vi eles no doc “Hype” e chapei no som meio garageiro tosco bem tocado. Gosto muito dos vocais do casal, é muito emocionante. Esse som me acompanha há muito tempo e não abro mão.

The Slits“Dub Beat”
Jiulian Regine: O que me agrada na pesquisa rítmica de Palmolive é a experimentação dentro do gênero post-punk, a cada disco percebe-se fisicamente a liberdade de investigação, rompendo todas as limitações e queimando todas as bandeiras com gosto e bruxaria.

Autolux – “Listen To The Order”
Jiulian Regine: Os grooves de Carla Azar são verdadeiras fontes de inspiração e pegada, muita dinâmica, notas fantasmas e muita precisão. Escuto sempre com a alma toda, com segurança e alegria nas composições dela.

Babes In Toyland – “Hello”
Jiulian Regine: Lori Barbero trás uma pegada que é muito natural pra mim, tanto nos timbres quanto no estilo, que é um flerte ao metal.

Blood Mary Una Chica Band“Take Me”
Jiulian Regine: A Mari me trás uma mistura de influências que vem do blues ao garage fuzz, se decupar o trabalho dela você encontra muita influência que se atravessa e resulta sempre em trabalhos fantásticos. Absorvo sempre a riqueza da simplicidade do que é possível fazer para acompanhar um beat predominante que é o da guitarra, ou violão, no caso da La Burca. E não confunda simplicidade com facilidade!

Deap Vally“Baby Can I Hell”
Jiulian Regine: Julie Edwards me faz investigar a postura corporal, acima de tudo. Uma potência performática!

The Coathangers“Hurricane”
Jiulian Regine: Essa música me faz pensar no timbre, com cadência rápida e suja sem perder a nitidez, chimbal aberto no groove todo com dinâmica sucinta. Tenho a impressão de que Rusty adoraria conhecer La Burca (risos).

Carangi“Seven”
Jiulian Regine: A Carol Doro é um orgulho, além de ser aquariana do mesmo dia que eu (risos) temos muito em comum, incluindo nosso amor pelos batuques. Gosto de como ela soa na bateria, com essa pegada de grunge delicioso que ela trouxe para o Carangi, com essa banda eu fecho os olhos e mergulho nas cores dos timbres dos pratos que ela tanto escolhe com atenção. Em todos os níveis a La Burca me proporciona investigar esses timbres mais abertos de pratos e chimbal, com a caixa mais seca e precisa. A relação é direta.

Sleater-Kinney“Steep Air”
Jiulian Regine: Bom, a Janet me faz querer rudimentos e mais rudimentos, amo a forma como ela traz as viradas pra dentro dos grooves, não só como delimitação das partes mas como composição das frases.

Lava Divers“Done”
Jiulian Regine: A Zump me encanta, quando você a vê tocando você sente todo o amor e toda a forma de expressão através da bateria, eu costumo fechar os olhos e viajar.

Hangovers“V de Vinagre”
Jiulian Regine: Ai ai, Liege. Determinação (se for pra definir e olha que definições não me convém). Pegada forte, dança de bumbos, sempre atenta aos timbres. Poderosa!

The Darts, o supergrupo do underground que aposta no Do It Yourself em seu estado mais puro

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The Darts

The Darts é uma banda de garage-psych-rock formada por Nicole Laurenne (The Love Me Nots, Motobunny, Zero Zero), Rikki Styxx (The Two Tens, The Dollyrots, Thee Outta Sites), Christina Nunez (The Love Me Nots, Casual Encounters, The Madcaps) e Michelle Balderrama (Brainspoon) que desde o ano passado está detonando com seu som único e barulhento. Depois de assistirem às bandas umas das outras por anos, Nicole e Michelle perceberam que seria ótimo começarem a compor juntas. Com seis músicas na bagagem, chamaram Rikki e Christina e os resultados podem ser conferidos no primeiro EP da banda, cheios de garage rock com o fuzz ligado no máximo e o órgão farfisa dando o tom, sempre com a bateria animalesca acompanhando.

Os singles que saíram deste trabalho, “Running Through Your Lies”, “Revolution” e “Take What I Need”, começaram a tocar bastante nas rádios americanas, com a última sendo nomeada “Coolest Song In The World” pela rádio Sirius e um veredito de “very cool” em um tweet do grande autor Stephen King. Agora parte do cast da Dirty Water Records de Londres, o quarteto prepara seu primeiro álbum, que deve sair ainda este ano, com turnê já agendada pelos Estados Unidos e Europa.

Conversei com Michelle sobre a carreira da banda, a influência dos outros trabalhos no som do quarteto, suas influências e a cena independente atual:

– Como a banda começou?

Somos grandes fãs das habilidades musicais umas das outras faz anos. Um dia nós apenas decidimos: ‘hey, vamos escrever algumas músicas juntos, gravá-las e cair na estrada!’ Imediatamente houve uma grande química musical entre nós quatro e isso só tem crescido desde então.

– Como vocês decidiram pelo nome The Darts?

Estávamos à procura de algo que só as meninas estão acostumadas a ouvir sobre, ou lidar com, que não fosse muito repugnante ou inapropriado, é claro… Aí percebemos que apenas as meninas têm as costuras do busto em suas camisas, que são chamadas de “darts” nos Estados Unidos. Parecia um bom jogo de palavras.

– Quais são suas principais influências musicais?

Tem tantas influências nesta banda! Mas apenas para citar algumas: Thee Tsunamis, Ty Segall, Wavves, The Trashwomen, Bleached, The Cramps, Billy Childish, The Headcoatees, Nick Cave, The Stooges, The Chesterfield Kings, The Ventures, Q65

– A banda é como um supergrupo do underground, com membros de bandas incríveis como The Two Tens, The Love Me Nots e Brainspoon. Como suas bandas refletem sobre o som do The Darts?

Essa é uma excelente pergunta! Nossas outras bandas estabeleceram uma base sólida para o som do The Darts. Na verdade, várias das músicas de nossos dois primeiros EPs foram faixas que escrevemos para nossas outras bandas ao mesmo tempo, mas nunca foram usadas. Então você definitivamente tem um gosto dos sons de nossas outras bandas combinadas em um único disco – o que nós achamos muito legal.

The Darts

– Conta mais sobre o primeiro álbum da banda.

Bem, o nosso primeiro EP de seis canções quase aconteceu por acidente, quase como uma gravidez inesperada (risos)… Mas muito melhor do que isso! Começou com Nicole e eu escrevendo algumas músicas juntas, “Revolution” e “Running Through Your Lies”, e então nós duas criamos mais músicas nos próximos meses porque estava tudo indo muito bem. Enviamos as demos para a banda para que todas gravassem suas partes (em duas cidades diferentes, nunca todas na mesma sala). O que conseguimos foi um EP de seis músicas, chamado de ‘The Darts”. Recebemos uma tonelada de atenção inesperada de lugares realmente legais, como o rádio Sirius XM e a Dirty Water Records.

– Como você descreveria a cena independente do rock hoje em dia?

Bem, nos últimos 20 anos, a tecnologia mudou imensamente o negócio da música, eu descreveria a cena rock independente com um tipo de abordagem “vai lá e faça sozinho”. E você agora realmente tem a liberdade de gravar um registro completamente em seu próprio país, se gerenciar e pegar a estrada, sem qualquer outra pessoa precisando se intrometer ou aprovar. É muito punk rock! Nós amamos isso. Descobrimos tantas bandas e pessoas e ideias em nossas carreiras musicais por causa de todos os DIY-ers por aí. Não queremos isso de nenhuma outra maneira.

The Darts

– Vocês são uma banda de garotas. O sexismo ainda está forte no mundo musical? Isso atrapalha para que mais mulheres formem bandas?

Eu diria que ser um bom músico tocando rock’n’roll é uma abordagem de marketing mais forte hoje em dia do que ser um homem, embora eu nunca tenha categorizado músicos por gênero. Mas para aqueles que o fazem, The Darts não são portadoras dos típicos estereótipos da música pop feminina. Nosso som não é o que o público espera ouvir quando vê as quatro entrarem no palco de vestidos e batom. Nós amamos apenas ser quem somos, e trazendo um pouco de mistério – para que as pessoas não sejam capazes de prever o que vem de nós.

– Vocês estão trabalhando em material novo?

Sim, estamos sempre trabalhando em material novo! Na verdade nós acabamos de gravar seis novas músicas para o nosso novo álbum e vamos gravar mais seis no início de maio! Definitivamente muito material quente chegando! Nicole e eu estamos constantemente escrevendo, é uma doença. Estamos sempre olhando para o próximo projeto.

– Quais são os próximos passos da banda?

Somos abelhas ocupadas! Além de gravar outro disco completo que estamos criando nesta primavera, temos um novo lançamento oficial de clipe e uma turnê européia começando no final de maio, seguido por mais viagens pelos EUA no verão e outono com algumas grandes bandas. Estamos esperando ter o novo álbum lançado pela Dirty Water Records em setembro. Gostaríamos de chegar ao Japão de alguma forma, mas ainda não sei como, ainda. Está vindo, entretanto!

– Recomendem bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Playboy Manbaby, Mean Motor Scooter, White Hills, Death Valley Girls, Shovel, Escobar, Wand, Holy Wave, Temples, Weird Omen, Electric Children, The Two Tens, The Dollyrots, Fu Manchu, Fat White Family e The Sold And Bones.

20 dos melhores projetos paralelos de membros de bandas que você conhece muito bem

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Tinted Windows

É normal ver músicos de grandes bandas fazerem diversos projetos paralelos. Seja para fazer um som diferente, dar um tempo na banda principal ou mesmo um jeito menos brusco de sair da banda, estes projetos são muito comuns e muitos são ótimos. Existem inclusive os que ganham grande exposição e estouram, como é o exemplo do Gorillaz, que começou como projeto paralelo de Damon Albarn, do Blur, e até hoje está lançando discos e aparecendo no topo das paradas. Conheça 20 projetos paralelos que são muito bons e, para muitos, até superam o trabalho “oficial” dos artistas envolvidos neles:

Kleiderman

Kleiderman

Com Sérgio Britto no vocal e guitarra e Branco Mello no baixo e vocal, o projeto paralelo dos membros dos Titãs contava com Roberta Parisi na bateria e tinha um som mais cru e puxado para o grunge, algo que o octeto de São Paulo havia feito nos discos “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” e “Titanomaquia”. Lançado em 1994, o disco “Con El Mundo A Mis Pies” foi bem recebido e chegou a ter o clipe de “Não Quero Mudar” exibido na Mtv Brasil e o trio se apresentou em um dos festivais independentes mais importantes historicamente na época, o Juntatribo. Infelizmente, até hoje não tivemos uma reunião do Kleiderman. Que tal, hein, Sérgio e Branco?

Nailbomb

Nailbomb

Nailbomb foi um projeto paralelo breve de Max Cavalera, na época no Sepultura, e Alex Newport, do Fudge Tunnel. O som da banda misturava a porradaria de sempre que Max fazia com elementos eletrônicos e samples. Igor Cavalera e Andreas Kisser foram os responsáveis pela bateria e guitarra da banda em seu primeiro (e único) álbum de estúdio, Point Blank”, lançado pela Roadrunner Records em 1994. O disco contou com participações especiais dos guitarristas Dino Cazares, do Fear Factory e Ritchie Bujnowski, do Wicked Death.

Tinted Windows

Tinted Windows

Uma superbanda com integrantes que ninguém imaginaria juntos: no baixo, Adam Schlesinger, do Fountains of Wayne, na guitarra James Iha, ex-Smashing Pumpkins, Bun E. Carlos do Cheap Trick na bateria e Taylor Hanson, o vocalista do trio Hanson! Em 2009, eles lançaram seu disco auto-intitulado, com canções power pop com pitadas de rock alternativo. Desde seu último show, em 2010, não se ouviu mais do quarteto estrelado.

Mondo Cane

Mondo Cane

Olha, se eu fosse falar de todos os projetos do Mike Patton esse post seria só dele, falando de coisas como o Tomahawk, Lovage, Fantomas e tantos outros. Mas escolhi um dos que eu mais curti e é inusitado demais: no Mondo Cane, Patton canta clássicos do pop italiano dos anos 50 e 60 acompanhado por uma orquestra. Claro, com aquela voz incrível que só ele tem. O disco de 2010 é impecável e esse projeto tocou por aqui no Rock In Rio em 2011, acompanhado pela Orquestra Jovem de Heliópolis.

Thunderbitch

Thunderbitch

Brittany Howard, vocalista e guitarrista do Alabama Shakes, faz no Thunderbitch um rock cru e rascante que foge um pouco do que cria em sua banda original. O disfarce, com peruca lisa e maquiagem exagerada, ajuda a deixá-la mais “incógnita”. O primeiro disco da banda saiu em 2015 e conta com a participação de amigos dela de Nashville, como membros das bandas Fly Golden Eagle e Clear Plastic Masks.

Them Crooked Vultures

Them Crooked Vultures

Mais uma superbanda de um cara que adora fazer projetos paralelos: Dave Grohl. O Them Crooked Vultures é o power trio dos powers trios, unindo ele em seu instrumento preferido, a bateria, com John Paul Jones, do Led Zeppelin, no baixo, e Josh Homme, líder do Queens Of The Stone Age, na guitarra e vocais. O som é uma mistura das bandas dos integrantes, puxando um pouco mais para o stoner rock em 90% do tempo em seu primeiro e único disco, de 2009.

Taylor Hawkins and The Coattail Riders

Taylor Hawkins and The Coattail Riders

O Foo Fighters é formado por pessoas muito talentosas e cheias de projetos paralelos, não tem jeito. O baterista Taylor Hawkins recentemente lançou seu segundo projeto paralelo, The Birds of Satan, mas eu tenho um carinho especial pelo Taylor Hawkins and the Coattail Riders, onde ele faz um som mais puxado para o Rush. Confira no disco de 2004, vale a pena!

Lieutenant

Lieutenant

Tá, juro que esse é o último projeto de integrante dos Foo Fighters dessa lista. Desta vez é obra do baixista Nate Mendel, que lançou em 2015 o disco If I Kill This Thing We’re All Going To Eat For a Week”. O álbum tem muita influência de college rock e do rock anternativo do final dos anos 80 e vale muito a pena ouvir.

Fat Les

Fat Les

O projeto do baixista do Blur Alex James conta com o ator Keith Allen e o artista Damien Hirst, além dos vocais convidados de Lily Allen, Andy Kane, Lisa Moorish e Michael Barrymore. O primeiro som deles, “Vindaloo”, foi criado como hino não oficial da Copa de 1998 e ganhou um clipe parodiando “Bittersweet Symphony”, do The Verve. Em 2000 veio “Jerusalem”, música para o time da Inglaterra na Euro 2000. Em 2012 mudaram o nome para Fit Les e gravaram “The Official Fit Les Olympic Anthem”, para as Olimpíadas. A banda não chegou a gravar um disco, somente singles.

The Creatures

The Creatures

O projeto paralelo de Siouxie e Budgie lançou diversos discos: “Feast” (1983), “Boomerang” (1990), “Anima Animus” (1999) e “Hái!” (2004). O som foi variando de disco em disco, com algo mais exótico no primeiro, uma curva mais espanhola, com toques de flamenco, no segundo, um tom mais urbano no terceiro… Sempre fugindo um pouco do que era feito na banda oficial, Siouxie and the Bansheees.

Banks & Steelz

Banks and Steelz

A improvável colaboração de Paul Banks (do Interpol) com RZA (do Wu Tang Clan) fez um dos melhores discos de 2016, “Anything But Words”. O som é uma mistura do som indie obscuro do Interpol com o hip hop de RZA, e é meio inexplicável o quanto essa união dá certo. Só ouvindo, mesmo.

The Fireman

The Fireman

Paul McCartney não é um cara que consegue ficar parado. Em 1990 ele se juntou com o músico e produtor Youth e e eles criaram The Fireman, que une rock com música eletrônica e lançou três discos: “Strawberries Oceans Ships Forest” (1993), “Rushes” (1998) e “Electric Arguments” (2008).

+44

Na primeira vez que Tom Delonge resolveu brigar com os membros do Blink-182 e sair para criar suas músicas cheias de efeitos a la U2, Mark Hoppus e Travis Barker se uniram com os guitarristas Shane Gallagher (The Nervous Return) e Craig Fairbaugh (Mercy Killers) e formaram o +44. Seu disco, apesar de ter suas similaridades com o Blink, tem mais camadas e elementos eletrônicos, além de temas mais soturnos.

The Network

The Network

Ao mesmo tempo em que preparava o sucesso “American Idiot”, o Green Day colocou máscaras, se uniu com um pessoal do Devo e lançaram incógnitos o projeto The Network. O disco “Money Money 2020” é, para muitos, um dos melhores trabalhos do trio de Billie Joe Armstrong. Ah, até hoje eles nunca se revelaram como o Green Day disfarçado, mas a voz e a movimentação dos membros não deixa dúvidas.

Little Joy

Little Joy

A combinação de Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Binky Shapiro e Fabrizio Moretti (Strokes) não lembra em nada as bandas de origem de seus integrantes, com um som “praiano” que pode ser conferido no único álbum do trio, de 2008. “Brand New Start” chegou a virar um hit e até em comercial entrou.

Ataxia

Ataxia

Uma das muitas colaborações dos super amigos e guitarristas do Red Hot Chili Peppers John Frusciante e Josh Klinghoffer é o Ataxia, que também conta em sua formação com Joe Lally, do Fugazi. A banda escreveu e gravou diversas músicas no período de duas semanas, e elas foram lançadas divididas em dois álbuns: “Automatic Writing” (2004) and “AW II” (2007). O som passeia entre o art rock, o experimental, a psicodelia e o pós-punk.

ZWAN

ZWAN

Billy Corgan é conhecido pela genialidade e pelos chiliques com todas bandas que tem. Durante o período de “fim” do Smashing Pumpkins, ele formou o Zwan, que nada mais era que uma versão da Terra 2 da banda, inclusive com uma baixista mulher e um guitarrista asiático. A banda foi formada por membros de bandas como  Slint, Tortoise, Chavez, e A Perfect Circle e lançou um disco: “Mary Star of The Sea”.

Blakroc

Blakroc

Mais uma mistura inusitada que dá bastante certo: o duo The Black Keys com vários rappers. Vamos ao elenco: Mos Def, Nicole Wray, Pharoahe Monch, Ludacris, Billy Danze do M.O.P., Q-Tip do A Tribe Called Quest, Jim Jones e NOE do ByrdGang, Raekwon, RZA e Ol’ Dirty Bastard, do Wu-Tang Clan. Preciso falar mais? Ouça.

3 na Massa

3 na Massa

O 3 na Massa é um projeto que reúne Dengue e Pupillo, da Nação Zumbi, e Rica Amabis, do Instituto. O disco “Na Confraria das Sedutoras” foi criado com diversas participações femininas nos vocais, como Leandra Leal, Thalma de Freitas, Céu, Pitty, Nina Becker, Cyz, Alice Braga e muitas outras.

The Frustrators

The Frustrators

Se você tem saudades do Green Day em seus dias mais punk, ouça o projeto Pinhead Gunpowder, de Billie Joe Armstrong, e The Frustrators, de Mike Dirnt. O Frustrators puxa mais para o lado Descendents da força, com um punk rock divertido e rápido.

Days of Dahmer prepara seu primeiro (e último) disco – e tem data para acabar

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Days of Dahmer

Vocês têm até o dia 9 de maio para assistir o Days of Dahmer se apresentar. Depois disso, a banda se dissolverá e ficaremos apenas com o registro do seu primeiro (e último disco), que foi gravado no Estúdio Costella. Nascida em Milwaukee, Samara St. John (vocal e guitarra) é a líder e responsável pelas letras da banda, formada por Gabriel (baixo), Layon (guitarra, vocal), Gilberto (guitarra, vocal) e Gabi Lima (bateria).

“This is it. Debut e fim”, explica Samara. “Eu vou para uma fazenda, casando com o baixista vamos cuidar dos animais em troca de lugar para morar e comida, até que eu ache um trabalho sério em Seattle. Na verdade é transitório esse projeto”. Ou seja: se você quer conferir a energia punk crua do grupo, tem até o dia 9 de maio para fazê-lo. “Tipo um cara que pegou câncer e sabe que tem ate X data para viver. Acho que por isso também os shows vão ser divertidos, intensos. Esse é nosso clímax!”, afirma.

Conversei com Samara sobre o disco que está por vir, a cena independente, as influências da banda e seu fim iminente:

– Como a banda começou?

Cheguei aqui em julho 2015 e fui procurando com quem tocar. Comecei a sair o com Gabriel Bivanco, da banda DVCO, e o cantor deles, Norton Bell, tinha montado uma banda, The Factory, e me pediu cantar o parte da Nico. Então fiz e tocamos uns shows. Um dia tocamos na Livraria Martins Fontes, eu estava conversando com os fãs de Velvet Underground e conheci o Gilberto. Ele estava com camisa de Sonic Youth… Sonic Youth é desproporcionalmente popular no Brasil, comparado com fora! Mas ele gosta da banda, eu também… Falou que tinha banda nos anos noventa e perguntou se eu queria fazer um som com ele. Naquela época estava ensaiando também com uma banda, do Carlos Reis, a Fraude, mas também ficava ensaiando sozinha minha músicas. Então falei, sim, OK, vamos tentar com minhas músicas. Ele conheceu o baterista também e começamos ensaiar no Luhmen, na Vila Mariana, em Agosto de 2016. Depois conheci o Layon no OK Cupid, transamos uma vez no julho, antes que eu pudesse aprender a falar português. Viramos amigos e ele tem uma banda, Maru, e às vezes ensaiava comigo. Sabia das minhas músicas, ele toca muito bem, então convidamos ele pra fazer o baixo. Logo depois mandamos o baterista embora porque ele furou em um show da gente que ia ser na Casa da Luz. Eu conhecia o Raul (Retrigger, DJ), que toca theremin, de Minas Gerais, e ele me apresentou a Gabi Lima, que é de Pelotas – e é musica de verdade, faz produção a sério. Então o Layon mudou para lead guitar, o Gil noise, a Gabi na batera, meu namorado Gabriel entrou com o baixo e eu faço guitarra base e canto. Temos essa formação desde… hmm… recente… Acho que dezembro. Então ficamos ensaiando – como ela trabalha no Costella – e ficou natural gravar um disco lá com ela como produtora.

– E de onde surgiu o nome da banda? O que significa?

Eu cresci no Milwaukee, Wisconsin, nos anos 90, e quando tinha 8 anos rolou um crime sinistro com um cara chamado Jeffrey Dahmer. Ficou sempre nas notícias, então minha lembrança disso foi quase surreal, porque eu ficava cortando as Barbies e guardando na geladeira, porque estava sempre nas notícias. Depois, quando era adolescente, minha mãe me chamou de psicopata porque eu sou artista, pinto coisas – muito grandes – nas paredes. Como “teenager”, eu tinha que conviver com os caras dela, que tinham muito dinheiro mas eram FDPs, então expressei isso pela arte. As músicas do Days of Dahmer contam dos eventos que rolaram na minha família e como eu me sentia quando adolescente. Eu não sou psicopata como Dahmer, mas expresso a verdade e os meus sentimentos, o que não foi permitido em casa, então coloquei esse nome. Porque o som da musica
é dos anos 90 e eu também sou de Milwaukee, além de expressar os sentimentos e acontecimentos que causam vergonha para algumas pessoas. É tabu como o Dahmer.

– Quais as principais influências musicais da banda?

A gente gosta muito do noise do Sonic Youth, as melodias bonitas do Dinosaur Jr… e punk também, tipo simples, como Mudhoney, Beat Happening, Pixies, Big Black – intenso – poesia como PJ Harvey… Eu gosto de ter uma dinâmica em cada musica. Acho que com as três guitarras conseguimos ter uma fusão de noise e melodia.

– Me conta um pouco mais sobre o material que você lançaram até agora.

Estamos no processo de lançar. Até agora temos 6 músicas pra nosso debut e álbum final, “Defrost”.
Eu tinhas as bases e a letra prontas para 5 delas. A outra, “Apt 213”, o Layon e o Gil compuseram e eu coloquei a letra depois. Essa é explicitamente sobre o Dahmer: conta como ele era criança normal e virou assassino. As outras músicas peguei das minhas experiências.., Escrevi diários desde que tinha 12 anos. Eu viajo muito e não tenho nada comigo, só os diários, então consultei eles para ver de novo as músicas. A Gabi mapeou cada uma comigo e assim conseguimos gravar. Nosso fã Ronaldo Miranda, que trabalhou muito tempo para a Mtv, fez 2 vídeos de “Apt 213” pra gente. Ele também corta o meu cabelo. Ele é legal. Apesar de termos feito Kickstarter, eu não recomendo lançar fundraisers do tipo no Brasil.

– Porque?

Temos 5 pessoas na banda, mas só meus amigos do resto do mundo (França, Suécia, Áustria, Austrália, Alemanha, EUA, Espanha, Holanda) doavam. (Risos) Parece que ninguém que conheço aqui tem dinheiro para doar para arte!

– Você acha que no Brasil hoje em dia as pessoas não estão valorizando a arte? Qual a sua impressão?

Não sei. Ou estou mais conectada do que eles, pois eu pelo menos valorizo muito as artistas que conheci aqui. Eles não tem apoio nenhum. Sim, tem pessoas de família rica que tem banda e todos os membros pagos pra tocar… Mas o som não é autêntico. As pessoas que realmente conseguem fazer arte nesse estado, parabéns – você é autêntico. Você cria não para alguém, mas porque tem que criar. Fora acho mais fácil fingir… Aqui encontrei autenticidade. Mas tem 2 extremos: a arte – e o outro – as cover bands. Lá fora, as pessoas veem as bandas cover como tios velhos tocando num casamento chato músicas do Simply Red. Aqui eu acho que são supervalorizados…

Days of Dahmer

– Como você vê a cena musical independente hoje em dia?

Toda coisa independente é difícil. Acho que depende muito da personalidade do grupo – as conexões deles – e também você tem que querer produzir não só para agradar, para ter um sucesso. Eu vejo o mesmo com meu trabalho de cientista. Sou bióloga molecular, fiz doutorado e tal, por isso cheguei aqui. Mas eu preciso lutar quando quero mostrar resultados que são fora do padrão, fora dos dogmas. Então, eu não estou aqui tempo suficiente para comentar da cena. Às vezes parece para mim meio dividido, como no colegial. Às vezes parece ter mais apoio e ser mais aberto, mas se você é independente tem que ser disposto a procurar o apoio certo, com outras bandas, nos estúdios, nos shows, etc. Não vai aparecer do nada. Acho que desde julho de 2015 eu já tinha tocado com 20 pessoas diferentes antes de achar as pessoas certas. Não é tão mau para alguém que não conhecia nada de SP, não fala português… Acho que por causa do meu foco, insistindo, e também porque estava disposta a arriscar pagando 2000 pela gravação, rolou muito rápido depois de ter achado as pessoas.

– Vocês estão gravando no Estúdio Costella, é isso? Como está sendo?

Gravamos já, em fevereiro, em 2 dias. Durante a gravação foi filmado o Indiegogo. Foi muito trabalho pra Gabi, não podíamos ter feito nada isso sem ela. Ela sacou o melhor de cada um, estamos esperando ela mixar e fazer a master. Acho que vai sair em maio ou junho.

– Como você descreveria um show do Days of Dahmer?

A verdade é que nunca tocamos juntos nessa formação, mas acho que vai ser intenso. Adrenalina. Se estiver como no ensaio… Eu fico arrepiada! Tinha muitos momentos assim com eles durante ensaio. Acho que temos algo bom para compartilhar.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Não. Como falei, this is it. Debut e fim. Eu vou para uma fazenda, casando com o baixista vamos cuidar dos animais em troca de lugar para morar e comida, até que eu ache um trabalho sério em Seattle. Não conheço a área… Faz 10 anos que não moro nos EUA. Mas essa região, o estado de Washington… Sabe, foi o primeiro estado para processar o Trump e o muslim ban. Também o lugar onde nasceu o grunge, um estilo pelo qual sinto um apego. Mas no futuro queria fazer coisas também mais experimentais, com voz, som, tudo. Mas vou ficar super orgulhosa do que a gente atingiu aqui.

– Então o Days of Dahmer já tem data pra acabar?

Sim, 10 de maio. Não fala pro Gilberto, ele vai chorar. Mas na verdade é transitório esse projeto.
Ah, pode falar sim. Mas imagina: banda independente levando 3 músicas pros EUA… Se uma label nos pegar nos EUA, talvez, mas não acho que a música está desenvolvida o suficiente para atingir um próximo nível.

Days of Dahmer

– Então é bom as pessoas irem nos shows que vocês têm marcados, antes que a banda acabe, né?

Sim. Na verdade até 9 de maio estamos disponíveis para tocar. O Gabriel, eu e o trashcat saímos daqui dia 10. Por isso estamos tocando tanto também em abril. Tipo um cara que pegou câncer e sabe que tem ate X data para viver. Acho que por isso também os shows vão ser divertidos, intensos. Queria ter mais músicas… Talvez vamos tocar as 6 duas vezes. Vamos ver. (Risos) Mas sim… isso é nosso clímax!

– Recomende bandas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Deixa eu ver aqui… Gostei muito de Sheila Cretina. Firefriend tem label agora, então nao são mais independentes, mas a Julia e o Yury vamos ver nos EUA. Preciso falar também do DVCO e Maru, bandas do Gabriel e Layon. Color for Shane… But my favorite most recent show was Porno Massacre. Edgar Pererê tem um show interessante também. É artista autêntico na minha opinião. O show do Retrigger também é incrível. E o show da sara não tem nome. Sempre ótimo ver mulher no palco!

RockALT #9 – Devilish, Color For Shane, O Grande Ogro e Clearance

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RockALT, por Helder Sampedro

Devilish
Eu adoro a expressão “abrir com o pé na porta” e quase nunca perco a chance de usá-la, na coluna de hoje não será diferente. O Devilish foi a atração surpresa que abriu o RockALT Fest que rolou no último domingo e os caras realmente causaram em sua apresentação. Formado por uma dupla de talento indubitável, Paulo Ratkiewicz (guitarra e voz) e Éder Chapolla (bateria) a dupla conta atualmente com um reforço de peso no baixo, ninguém menos que Caique Fermentão, vocal e guitarra do Corona Kings. Tudo na banda, desde o nome, imagem, postura e obviamente o som evoca algo primordial, maligno e impiedoso. Algo que a banda apropriadamente chama de Rock ‘n’ Hell. Realmente uma grata surpresa para mim e para todos que estavam presentes no show. Se você perdeu, não se preocupe, primeiro EP deles sai daqui dois dias. Fique com o excelente clipe de ‘The Wolf Has Willed It’.

Color For Shane
Gosto muito do vocal distorcido e carismático do Color For Shane, me lembra um pouco de The Vines e um pouco de Sex Pistols, algo que por si só já valeria a pena ouvir. O duo formado no ABC paulista em 2007 por Rafael Pires (guitarra e voz) e Henrique Gonzalez (bateria) lançou no início deste ano seu terceiro LP ‘Not An Embryo’ que solidifica a carreira da banda e apresenta um garage rock lo-fi de respeito que mistura barulheira com melodia de forma maestral. É sempre um prazer ver bandas formadas na década passada continuarem na ativa, sem desanimar e lançando trabalhos de qualidade, só quem vive essa cena sabe como é difícil seguir em frente mesmo quando tudo está contra você. Ouça o excelente terceiro LP da dupla paulistana aqui:

O Grande Ogro
É muito raro encontrar uma banda como O Grande Ogro hoje em dia. A banda consiste apenas em guitarra, baixo e bateria. Particularmente sempre gostei de bandas assim, sem vocal, elas nos dão a chance de colocar nossos próprios sentimentos nas músicas, nos apropriando delas conforme nosso âmago deseja. O som deles é uma como uma metamorfose metálica, uma sinfonia caótica que poderia ser a trilha sonora constante de uma cidade como São Paulo, por exemplo. Mas não se assuste com essa definição, há algo particularmente interessante em ouvir músicas assim, há um certo prazer no estranhamento, na confusão e na surpresa que nossos ouvidos têm quando escutamos algo tão original, imprevisível e sem amarras. Dê uma chance ao som dos caras e descubra o que você sente enquanto ouve.

Clearance
Mais uma vez indico aqui na coluna uma banda que o meu colega Allan Aguiar, criador do Wake The Dead Festival, me apresentou. Eu adoro quando amigos me indicam bandas, principalmente aqueles que manjam tanto de música quanto o Allan. Ao ouvir o som deste grupo de Chicago é impossível não pensar no Pavement, o cantar “falado” do vocalista e as músicas relaxadas que combinam com uma tarde preguiçosa, o álbum de 2015 é um deleite que vai agradar a qualquer pessoa que quiser ouvir. Se você gostou do som deles, está com sorte pois banda deve lançar o segundo LP em 2017 com direito a shows em São Paulo e Goiânia agora em maio!

Falando em show, se você é do Rio de Janeiro não perca o Wake The Dead Festival que rola em Magé neste sábado (15/04). Mais informações aqui no evento. https://www.facebook.com/events/642105552627939/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 100 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

Construindo Warmest Winter: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Warmest Winter

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Warmest Winter, que indica suas 20 canções indispensáveis.

Bloodhail“Have a Nice Life”
Denny Visser: Uma ambiência pesada com praticamente todos os instrumentos distorcidos e vocal profundo.

Galaxie 500“Temperature’s Rising”
Denny Visser: Simples com poucas variações de acorde mas envolvente e com uma melodia que prende na música.

Wild Nothing – “Shadow”
Denny Visser: Instrumentos mais cleans com vocal suave e batida baladinha. Mistura dos synths com efeitos de guitarra clean.

empire! empire! (I was a lonely state) – “The Loneliness Inside Me is a Place”
Denny Visser: O título e a letra da música são os maiores atrativos mais as particularidades da banda com bateria e guitarras com tempo quebrado.

Quiet“This Will Destroy You”
Denny Visser: A mistura de uma calmaria com um peso e agitação, uso do delay e bateria quebrando o tempo.

Siouxsie and the Banshees“Israel”
Luiz Badia: Música hipnótica onde baixo e guitarra banhados em flanger me influenciaram bastante. A bateria segue em expressivas variações e a voz da Siouxsie, sem ter uma grande potência, é minha cantora predileta. A letra sobre frio e desolação criam um universo mágico e sombrio.

Bauhaus“She’s in Parties”
Luiz Badia: Uma banda maravilhosa, cheia de energia agressiva e bela. Seu riff realizado pelo baixo e guitarra me encanta por revelar que bandas podem criar ótimos arranjos quando equilibram as forças de dois instrumentos em vez de enaltecer apenas a guitarra com instrumento principal.

The Cure“Charlotte Sometimes”
Luiz Badia: Robert Smith perambula pela sua melancólica atmosfera com ajuda de teclados chorosos e etéreos

Joy Division“Atmosphere”
Luiz Badia: Triste epílogo de Ian Curtis em seu derradeiro adeus… A bateria e o vocal são marcantes para a Warmest Winter

Interpol“Obstacle 1”
Luiz Badia: A banda resgata o som da primeira geração da cold wave, e esse hit inicial me chamou a atenção quando saiu, Carlos Dengler é uma baixista fantástico, simples e marcante.

Bob Dylan“Idiot Wind”
Tiago D. Dias: O “Blood on the Tracks” talvez seja o disco mais confessional do Dylan, e “Idiot Wind” talvez seja sua canção mais dolorida. A narrativa com quase 8 minutos de duração, na qual diferentes cenas são descritas, demonstra uma miríade de sentimentos do autor em relação a um relacionamento desfeito.

Cartola“O Mundo é um Moinho”
Tiago D. Dias: Nossos sonhos são sempre mesquinhos. E poucos são os que sobrevivem. Cartola sabia dessa triste verdade e escreveu sobre ela de maneira incrivelmente bela. Que a música tenha sido escrita para sua filha, torna tudo ainda mais poético.

Leonard Cohen“Chelsea Hotel #2”
Tiago D. Dias: A história do encontro fugaz entre o escritor/cantor canadense e Janis Joplin nos rendeu uma de suas músicas mais belas. Ambos partiram. Joplin nos anos 70 e Cohen ano passado. E mesmo assim, feios ou não, nós temos a música.

Tom Waits“Martha”
Tiago D. Dias: Martha é uma canção que é ao mesmo tempo datada em suas referências (ligações interurbanas), ela também é extremamente atual. Todos temos aquele relacionamento que não deu certo e sobre o qual nós sempre nos perguntaremos o que teria sido…

The National“Pink Rabbits”
Tiago D. Dias: The National talvez seja a banda que melhor resuma, em suas letras, o dilema entre se acomodar na mediocridade e falhar espetacularmente ao tentar algo acima disso. E “Pink Rabbits” não foge disso. Somos todos uma versão de TV de alguém de coração perdido.

Cream“We’re Going Wrong”
Daniel Vellutini: A primeira vez que eu parei pra ouvir Cream, o som já me virou a cabeça do avesso. A liberdade jazzística com que o Ginger Baker toca me pegou pelo calcanhar. Mudou minha ideia de bateria de rock. Em “We’re Going Wrong” dá pra perceber a importância da dinâmica numa música. Aprendi muito ouvindo esse disco e não canso de ouvir.

Jimi Hendrix“She’s So Fine”
Daniel Vellutini: Eu demorei a entender porque todo mundo falava tanto de Jimi Hendrix. Mas foi com esse álbum (“Axis: Bold as Love”) que aprendi a gostar muito. Aqui tem canções lindas e experimentações de sons que também não canso de ouvir. Mas uma coisa que as pessoas costumam esquecer é da importância da cozinha da Jimi Hendrix Experience. Em “She’s So Fine”, composta pelo baixista Noel Redding, ele e o baterista Mitch Mitchell mostram toda sua potência e carregam a música. Bom pra cacete.

Lô Borges“Trem de Doido”
Daniel Vellutini: Clube da Esquina é uma das coisas mais lindas que já aconteceu. Tem uma certa inocência, ao mesmo tempo que há temas tão complexos trabalhados nas composições de Milton, Lô e cia limitada que dava pra ficar dias falando sobre. Escolhi “Trem de Doido” pra essa lista porque é uma música que demorou um pouco a me pegar, sabe-se lá por quê, mas quando “bateu” pegou em cheio. Acho que é talvez o grande rock do disco. Esse fuzz e essas viradas de bateria sempre me pegam.

Blondie“Heart of Glass”
Daniel Vellutini: Cresci ouvindo rock oitentista, muito baseado na New Wave. E acho que Blondie é uma das bandas da segunda metade dos anos 70 que pavimentou o caminho pra todo o pop-rock dos anos seguintes. A levada dançante e umas quebrinhas de tempo aqui e ali de “Heart of Glass” dão uma aula de consistência sem ser quadradona. E a música toda soa absurdamente atual, mesmo quase 40 anos depois.

Supergrass“Sun Hits The Sky”
Daniel Vellutini: Supergrass é dessas bandas que eu quero saber o que eu tava fazendo que não ouvi antes. Os caras sabiam fazer bons riffs, letras interessantes e alternar entre momentos de segurar o groove e de sentar a mão em tudo. Tenho ouvido muito recentemente e acabo levando muito disso pros ensaios da banda.

Cantarolando: as cenas bucólicas de “Diamond Day”, de Vashti Bunyan (1970)

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British folk singer Vashti Bunyan, May 1965. (Photo by Evening Standard/Hulton Archive/Getty Images)

Cantarolando, por Elisa Oieno

Ouvindo essa linda melodia de apelo pop e imergindo em suas imagens sinceras pontualmente rurais e pastoris, é difícil entender porque na época do seu lançamento, em 1970, a canção “Diamond Day”, presente no disco “Just Another Diamond Day”, não se tornou um sucesso instantâneo e um hit que acompanharia a crista da onda do folk britânico.

Muito difícil entender, ainda mais considerando que o disco foi produzido pelo experiente Joe Boyd, que reuniu arranjadores de cacife que tinham expertise no gênero como Robin Williamson, do Incredible String Band, e Dave Swarbrick e Simon Nicol do Fairport Convention – bandas que estavam no auge e tinham importante relevância na disseminação do folk britânico para o mundo.

Não deu certo, pelo menos não até mais ou menos 35 anos depois do lançamento, quando o disco retomou a atenção da crítica e adquiriu um improvável público com seu status de clássico cult. Hoje em dia, por causa desta “redescoberta” de seu disco, a cantora até eventualmente faz pequenas em turnês e lançou outros álbuns: “Lookaftering” (2005) e “Heartleap” (2014).

Mas na época, isso foi uma grande decepção para a jovenzinha Vashti Bunyan, que já havia se decepcionado antes, com o total fracasso comercial do single “Some Things Just Stick In Your Mind” (1965), canção assinada por Jagger/Richards e produzida por Andrew Loog Oldham com a intenção de tornar Vashti uma nova Marianne Faithfull.

Desiludida com a indústria da música e seguindo suas inclinações mais reclusas, Vashti então partiu para uma road trip a cavalo e carroça com seu namorado e um cachorro através da Inglaterra para se instalar em uma comunidade “hippie” organizada pelo músico Donovan. A viagem durou quase um ano e meio, e, apesar de não ter alcançado o destino planejado – a idéia da ‘comuna’ não chegou a prosperar – rendeu a Vashti diversas canções que fariam parte do Diamond Day. Por causa disso, as cenas típicas da vida do campo no disco são bastante literais e cantadas com intimidade.

Just another field to plough
Just a grain of wheat
Just a sack of seed to sow
And the children eat
(só mais um campo para arar/só um grão de trigo/ só um saco de sementes para semear/ e as crianças comem)

Curiosamente, Vashti afirma que naquela época estava buscando uma carreira como cantora pop, e chegou a se decepcionar com o som alcançado em “Diamond Day”, que ficou com uma abordagem muito mais folk. Naquela época, os arranjos das músicas pop eram orquestrados e elaborados, em contraponto aos arranjos minimalistas e intimistas de “Diamond Day”.

Porém, hoje sabe-se que o disco não poderia servir melhor à personalidade e à voz de Vashti, que nesta canção soa tão íntima e sincera, com uma vibe campestre difícil de se conseguir a não ser que você realmente tenha estado lá, como ela esteve.

No fim das contas, na verdade, ouvindo “Diamond Day” é difícil imaginar Vashti Bunyan vivendo qualquer outra vida senão a que ela vive: longe do showbizz, praticamente reclusa e feliz no campo com sua família.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Claudio Cox, dos Giallos

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Claudio Cox, do Giallos
Claudio Cox, do Giallos

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Claudio Cox, dos Giallos.

Gonjasufi“SuzieQ”
“‘A Sufi and a Killer’ foi lançado em 2010 e pra mim é um dos discos mais instigantes dos últimos 10/15 anos, se pá…”

Demon Fuzz“Past, Present and Future”
“Anos 70, mano”.

Protomartyr“Free Supper”
“Foi o Mateus, vocal do Krias de Kafka, que me apresentou o Protomartyr… é aquelas: diga com quem andas e blá blá blá…”

Sleaford Mods“Jobseeker”
“Esses caras são muito estranhos, tenho medo…”

Test“As Vozes dos Tolos”
“Treta máxima! essa letra é do Catatau (Cidadão Instigado)… pra ouvir comendo bolo de manhã”.

Raíz de quase tudo que você ouve: Robert Johnson – “King of the Delta Blues Singers Vol.1 & 2”

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Robert Johnson

 

Bolachas Finas, por Victor José

Na verdade, o texto de hoje vai além de uma resenha. Falo de toda uma carreira.

Imagine a música pop como um grande edifício e encare Robert Leroy Johnson, este homem errático, como um dos fundamentos desta complexa estrutura.

Robert Johnson é muitas vezes citado como o maior compositor do século XX. Logo numa primeira impressão, pensamos em muitas razões para questionarmos este pretensioso título. Coisas como a ascensão de ícones posteriores como Chuck Berry, Bob Dylan, Lennon, McCartney e Bowie podem ser alguns dos válidos argumentos. Mas é certo que todos esses citados respeitam Johnson e sua obra, consciente ou inconscientemente, e muitos beberam dessa fonte antes de serem grandes estrelas.

Nós, que convivemos diariamente com a estética da cultura contemporânea o reverenciamos. É inevitável. Ou seja, esse é o cara.

Em termos de relevância, a inestimável atitude do que se ouve em seu blues vai muito além da falação em torno de seu hipotético pacto com o diabo em troca de talento, aliás, fato que se torna secundário por si só. O padrão repetitivo e envolvente do ritmo de seu violão, o imperfeito canto emotivo e mais próximo da linguagem falada, o conteúdo mundano das canções, sua origem… Esses sim são os ingredientes perfeitos para solidificar um símbolo capaz de sobreviver quase oitenta anos depois de seu último riff de blues tocado para uma ínfima plateia.

Robert Johnson, um rapaz que muitíssimo pouco se sabe de verdade sobre sua vida pessoal, registrou 29 canções em material fonográfico, sem contar algumas versões alternativas. Isso foi o que bastou para que ele ajudasse a transformar a arte de fazer música com sua mensagem dificilmente exemplar e muitas vezes amedrontadora e obscena. Mas por trás de sua persona violenta (“32-20 Blues”), embriagada (“Malted Milk”) e diabólica (“Me And The Devil Blues”), você pode encontrar um traço a vulnerabilidade de um sujeito amável (“Honeymoon Blues”) e solitário (“Love In Vain”), com um passado que o perseguia como um fantasma (“Drunken Hearted Man”). Johnson não tinha medo de expressar seu lado sombrio e escancarava suas emoções; no fim das contas, essa acabou sendo a principal lição do blues.

Por volta de 1936, em Jackson, Mississippi, um caçador de talentos e dono de uma venda, H. C. Speir, colocou Robert em contato com Ernie Oertle, que trabalhava no ARG (American Record Corporation). Oertle apresentou o rapaz ao produtor Don Law e firmaram um contrato para gravar suas primeiras sessões. Durante os dias 23, 26 e 27 de novembro daquele ano, no quarto 414 do Hotel Gunter em San Antonio, Texas, Robert Johnson executou clássicos como “Sweet Home Chicago”, “32-20 Blues” e “Kind Hearted Woman Blues”; 16 ao todo, além das versões alternativas.

Os takes alternativos foram gravados somente por precaução, em caso de algum problema com a master, que nesta época era fabricada com cera. As gravações, como produto final, eram transportadas de navio para o norte dos Estados Unidos para então serem produzidas em disco, mas muitas vezes a cera derretia no meio do trajeto.

Durante as sessões o tímido Robert supostamente tocou de frente para a parede, o que mais tarde alimentou o imaginário do público; há quem jure de pé junto que ele tocava de costas para sua plateia para esconder seus olhos vermelhos, por estar tomado pelo demônio. Mas é mais plausível que possa ter sido uma manobra para aprimorar a acústica obtida de sua voz e violão chamada pelos profissionais de áudio de corner loading.

Por outro lado, Don Law já chegou a confirmar que ele era de fato muito tímido e tinha medo de palco: “Ele era muito reticente. Esta [durante as sessões de gravação] foi a primeira vez que ele tinha ido para o que ele considerava uma cidade grande. Eu tinha comigo alguns músicos mexicanos no estúdio, então eu disse: ‘Robert, cante alguma coisa para nós’. Ele não nos encarava. Então ele virou as costas, foi para um canto da sala e aí cantou uma canção”.

Além da formatação quase religiosa dos 12 compassos no blues, uma das principais sacadas de Robert Johnson, embora sutil, tenha sido a consciência de que uma canção com três minutos de duração seria um padrão perfeito para um disco de 78 RPM (Rotações por Minuto). Isso nenhum de seus companheiros do delta blues chegou a pensar antes dele, e até hoje essa é uma das “regras fundamentais” de uma faixa pop. “Terraplane Blues” chegou a ser um sucesso regional, vendendo aproximadamente cinco mil cópias.

É bem provável que talvez ninguém venha a saber como de fato Robert soava a partir de seus registros em disco. Naquela época era comum selos de blues e jazz masterizarem o material coletado com a velocidade acima do normal, fazendo com que a faixa soasse mais “vibrante”. Por outro lado, muitos musicólogos descartam a hipótese deliberada e culpam a precariedade dos equipamentos de gravação disponíveis até então. Sendo assim, alguns especialistas no assunto acreditam que todo o catálogo de Johnson esteja adulterado, 20% mais rápido que sua verdadeira performance.

O ex-executivo da Sony Music Lawrence Cohn, vencedor de um Grammy em 1991 por ter reeditado toda a obra de Johnson, reconhece a possibilidade de as gravações terem sido aceleradas no produto final, pois o selo Vocalion, que originalmente lançou o material, costumava alterar a velocidade de seus lançamentos. “Às vezes era 78 RPM, às vezes 81 RPM”, disse Cohn. Não há mais como afirmar com certeza sobre essa informação, isso porque as matrizes de metal utilizadas para duplicar os discos originais de 78 RPM desapareceram.

Pouco depois, Robert ainda gravaria mais uma porção de canções, dessa vez nos dias 19 e 20 de junho de 1937, em um estúdio improvisado pela Brunswick Record Corporation no terceiro andar do 508 Park Avenue, prédio da Vitagraph, empresa da Warner Brothers. Era época do alto verão texano e, segundo quem estava lá, fazia tanto calor ao longo das sessões que toda a equipe e o músico gravaram somente usando roupa de baixo. Dessa vez Robert registraria canções fundamentais como “Love in Vain”, “Milkcow’s Calf Blues” e a controversa “Me And The Devil Blues”.

Alguns historiadores do blues e da indústria fonográfica dos Estados Unidos afirmam que a American Record Corporation tenha pago ao compositor entre e 10 e 15 dólares por cada uma das 29 músicas e as versões suplentes, sem royalties. Naquela época era muito dinheiro.

Finalmente tudo o que ele mais desejava estava se tornando realidade. Mas um ano após seu maior trunfo, Robert Johnson, aos 27 anos, morreria de maneira misteriosa (história que pretendo um dia contar em uma outra oportunidade, junto como todo o resto que sei sobre ele).

Seu modo honesto, puro e ingênuo de escrever e interpretar canções mostrou o caminho para muitos outros que depois dele abraçaram esse sentimento de urgência tão presente no blues. Em uma primeira análise, o excesso de coloquialismo e o insistente “grifo” de ideias ao repetir versos sem qualquer discriminação ou maiores pretensões podem parecer grosseria, mas é inegável que sejam virtudes que funcionam perfeitamente como veículo.

É claro, ele não foi o primeiro a cantar suas lamentações dessa maneira, mas seu talento à flor da pele fez dele peça fundamental para qualquer um que queira entender como se expressa marginalidade com certa classe. Escrever uma única boa letra de blues pode ser um desafio para toda uma vida. Pensa bem: quantos de fato conseguiram isso?

O interesse pela sua obra foi sendo construído aos poucos, praticamente no boca a boca. O depoimento de seus renomados colegas que chegaram a conhecê-lo, a consolidação do eletrificado blues de Chicago e também o posterior surgimento de um revolucionário gênero com raízes no blues – o rock ‘n’ roll – culminaram no surgimento de bandas fortemente inspiradas na música produzida pelos negros dos arredores do Mississipi.

Em 1961 seria lançado o LP “King of the Delta Blues Singers”, que muitos consideram como um dos maiores álbuns de todos os tempos. O disco com 16 das faixas gravadas entre 1936 e 1937 foi uma das grandes vitrines do catálogo de Johnson, pois coincidiu exatamente com o momento de “redescobrimento” do blues, liderado pelos jovens brancos da Inglaterra. Grupos como The Rolling Stones, Cream e John Mayall & the Bluesbreakers sempre reverenciaram seu legado.

Em 1971, em um período no qual o estilo já havia sido dissecado e repaginado por um sem-número de bandas de rock, seria lançado o “King of the Delta Blues Singers Vol. II”, com o restante das gravações que não haviam entrado na primeira edição e algumas versões alternativas.

Daí em diante ficou esclarecido que Robert Johnson é um importante emblema, mais verdadeiro que a própria vida e nem por isso isento de inúmeras boas e más interpretações acerca de quem de fato foi. A cada década surge uma espécie de revigoramento de sua herança, seja por meio de artistas buscando inspiração nas canções, de apreciadores fascinados pela pureza do som e das letras ou até pelos curiosos atraídos pelo macabro de toda essa mística. Quando nasceu? Como morreu? Como era sua aparência? Como conseguiu ser tão bom e influente em tão pouco tempo? As perguntas são muitas. Mas o que importa mesmo são aquelas 29 canções. Ponto. E acredite: já é muito.

Na arte, não há nada melhor que a honestidade, e Robert Johnson é isso.

5 marcas brasileiras para os apaixonados por camisetas de música

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Eu sempre fui apaixonado por camisetas de banda. Desde a minha primeira, dos Raimundos, aos 14 anos, nunca mais parei de colecionar camisetas estampadas com ilustrações que mostravam um pouco das minhas bandas preferidas. Hoje em dia, com a internet, a dificuldade em encontrar uma camiseta com uma bela estampa é bem menor (lembre-se que agora até nas C&A e Renner a gente encontra belas peças dos Ramones, Rolling Stones, Aerosmith e etc.). Selecionei 5 marcas que eu gosto e chamaram minha atenção pela criatividade e por fugirem um pouco do esquema clássico de só colocar o logo da banda.

Marca nova que foca em estampas que demonstram um pouco do estilo de vida do rock, não aludindo a nenhuma banda em específico. Com desenhos simples e com aquela cara de Do It Yourself, a marca busca um estudo urbano e jovem. Para quem é viciado nas clássicas estampas de caveiras, é um prato cheio!

Capitaneada por Daniel Ete, membro das bandas Muzzarelas e Drákula, a loja de discos e camisetas no centro de Campinas tem em seu interior muitas das clássicas estampas feitas pelo próprio. Se você não conhece o trabalho do Ete, tem que conhecer. Suas colagens e desenhos de caveiras derretidas com um monte de queijo, meleca, robôs, aliens e tudo o que você adora ouvir nas letras de suas bandas são imperdíveis.

  • – No Meu Tempo Era Assim

Tá, a famosa marca da Bárbara Savazzoni não é somente de música, e sim de nostalgia em geral, com estampas incríveis de desenhos como Doug, Cavalo de Fogo, O Fantástico Mundo de Bobby e muito mais. Mas é claro que a nostalgia passa pela música, com camisetas de David Bowie, Backstreet Boys, Shakira e até É o Tchan. Se você foi uma criança dos anos 90, com certeza vai gostar.

Aqui talvez você encontre aquela camiseta de uma banda clássica que você ama, mas com uma estampa um pouco diferente do que todas as outras lojas mais “padrão” ofereceriam.

Estampas mais que exclusivas de suas bandas preferidas, além de muitas sobre TV, cinema, animes, quadrinhos e etc. Nas camisetas musicais, estampas totalmente diferentes do que você já viu, com artes incríveis feitas por quem realmente gosta das bandas. Algumas têm até easter eggs para os fãs mais enlouquecidos sacarem.

As Baratas