Construindo Cachalote Fuzz: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda mineira Cachalote Fuzz, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Within You Without You”
Arthur: Música lançada numa coletânea chamada “Sgt Pepper Knew My Father”, de 1988 que tinha o Sonic Youth e outros grandes nomes. Conheci o Guilherme (guitarrista) a uns seis anos atrás e resolvemos formar a banda. Eu como fã de Sonic Youth, ele fã de Beatles, essa música foi o encontro sonoro que fez tudo fluir.

Jupiter Apple“As Tortas e As Cucas”
Arthur: Hino dentro da Cachalote Fuzz. A gente discute mil coisas, mas quando o assunto é Jupiter na banda, ninguém discorda de nada. Amamos esse maluco e concordamos que ele é um dos maiores da psicodelia brasileira, sem mais.

Velvet Underground“I Can’t Stand It”
Arthur: A gente já fez frituras e frituras com esse som bicho, desde o começo da banda, até hoje. Velvet Underground é escola pra todos nós e uma grande influência no nosso jeito de tocar.

Caetano Veloso“Mora Na Filosofia”
Arthur: O “Transa” é um dos maiores discos da música brasileira. Caetano Veloso tava em sua melhor fase e o Jards Macalé arrebentou nos arranjos. Tocamos essa música no primeiro ensaio da banda.

Brian Jonestown Massacre“Anemone”
Iuri: O estilo de composicão, a textura dos timbres e as performances desses caras, sempre foram influências pra gente. Anemone é uma canção de apenas dois acordes que te levam longe, de vez enquanto apresentamos ela nos nossos shows e é sempre uma viagem.

Tame Impala“Elephant”
Iuri: Tanto “Elephant” quanto o disco inteiro “Lonerism” do Tame Impala, deu um boom no cenário neo psicodélico e abriu novas portas para outras bandas que vieram numa onda parecida. A pegada firme na batera e o baixo marcante de “Elephant”, forma o ápice da música, além também de todos aqueles synths e guitarras ardidas, é foda demais.

CAN“Vitamin C”
Iuri: Indo mais atrás no tempo agora, a banda Can sempre pirou a gente com aquela fritura setentista na parte instrumental e também nos vocais excêntricos do japonês Damo Suzuki. “Vitamin C” cria uma atmosfera tão estranha e peculiar, que a gente não poderia deixá-la de fora dessa lista.

Erasmo Carlos“É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo”
Guilherme: Continuando nos anos 70, que é uma época realmente influente no nosso som, a sonzeira brazuca fervia demais também. Essa canção do Erasmo de 1971, permanece atual até hoje, tanto na poesia contestadora e direta, como nos belos arranjos.

The Stooges“No Fun”
Guilherme: Entre as referências de rock’n’roll, The Stooges e Velvet Underground sempre foi as mais presentes. Essa música representa uma grande influencia na construção da sonoridade da banda, principalmente nas nossas primeiras gravações. Acredito que a banda toda curte trabalhar com riffs simples.

Black Sabbath“Planet Caravan”
Guilherme: Foi o Vini que me aplicou esse som. Black Sabbath psicodélico! A estrutura e a atmosfera da música favorece alguns trechos de jam e improviso, que nos ajudava a trabalhar nossa comunicação e entrosamento. Foi um destaque no show de lançamento da revista Paralela.

Tagore“Pineal”
Arthur: O som do Tagore chegou na gente bem na época que a gente tava começando a pirar nas psicodelias do nordeste, principalmente nas bandas do chamado movimento Udigrudi (Alceu, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, etc). O choque foi momentâneo, piramos. E depois quando eles foram lançar o “Pineal”, fizemos uma miniturnê juntos. E acabou que hoje todo mundo da banda é de casa: Tagore, Caramuru, Julião, Xandão, João Felipe. Rolou a parada sensacional de participarem do nosso disco e produzirem também. A gente é fã desses caras.

Porcas Borboletas“Menos”
Arthur: Esses são nossos professores da cena independente do Triângulo Mineiro, por vários fatores. Lembro ver o show deles no lançamento do disco (A Passeio), numa época que nem frequentava tanto shows de bandas independentes. Essa música mudou tudo, virei frequentador assíduo dos eventos locais e quis trabalhar com música independente desde então.

Radiohead “Everything In Its Right Place”
Arthur: Eu sou grande fã, mas nem todo mundo da banda gosta, mas concordamos que não tem como ignorar essa gigantesca banda. O Radiohead revolucionou a música pós anos 90, acreditamos ser uma das maiores bandas da nossa geração. E essa música em si é um hit das festinhas depois dos shows.

Cachorro Grande“Que Loucura!”
Arthur: Tivemos vários shows memoráveis que fizemos na nossa cidade, mas alguns são foda. Um deles foi com o Cachorro Grande. Que um noite sensacional. A festa no camarim, as loucuras, várias conversas malucas. Acho que são uma grande influência pra todo mundo no rock’n’roll brasileiro. Esses caras são foda.

Lou Reed“Vicious”
Arthur: Já falamos de Velvet, eu sei. Mas essa música é praticamente um hino pra todos nós. Descreve muita coisa de cada um da banda, em vários aspectos. Loucura pura, bicho.

Almirante Shiva“Ziggy”
Arthur: Acho que nem dá pra expressar em palavras a admiração que todos nós temos por estes caras. Foram uma das primeiras bandas que trouxemos pra nossa cena, demos altos rolês juntos aqui por Minas Gerais, mais de uma vez. E a gente sempre pirou no jeito dos caras tocarem, no som que cada um faz, neles no palco. Uma banda especial pra gente, sem dúvidas. E mais uma coisa: PEDRO VIVE!

Alceu Valença“Veneno”
Arthur: Se o Brasil alguma vez teve um rei na música, jamais foi Roberto Carlos, e sim Alceu Valença. Bicho, não tem nem como querer falar da obra deste maluco aqui, pelas inúmeras fases nos 50 anos de carreira, e admiramos todas. Mas dois dos maiores discos da psicodelia brasileira, são sem dúvidas “Espelho Cristalino” e “Vivo”, ambos de 1976.

Stealers Wheel“Stuck in the Middle of You”
Iuri: Essa banda escocesa com essa canção principalmente, representa a nata do rock setentista e da cena underground que rolava na época. Somos admiradores do folk e da música caipira, Stealers Wheel é uma mistura de tudo que é bom e criativo.

Holy Wave“Do You Feel It”
Iuri: Uma mescla de instrumentais neo-psicodélicos com a levada marcante do rock 4×4 formam o diferencial dessa banda Texana. “Do You Feel it” abre o álbum “RELAX” que é um dos melhores discos da banda, que é relativamente nova ainda.

The Cure“The Lovecats”
Iuri: Fãs dos anos 80 também que somos, The Cure pra representar essa turma boa. “The Lovecats” une jazz, 80’s, teatro, e gera uma atmosfera peculiar do som “geral” do Cure. Fecha com chave de ouro nossa lista!

Um biscoito da sorte foi a faísca do disco “Good Fortune”, do trio The Forty Nineteens

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Um verdadeiro liquidificador que mistura Dramarama, Elvis Costello, Smithereens e Iggy and the Stooges. Este é o The Forty Nineteens, da California, que lançou recentemente seu disco “Good Fortune”, produzido por David Newton do Mighty Lemon Drops, praticamente um membro não-oficial da banda.

Formada por John (vocais), Chuck (guitarra e vocais) e Nick (bateria e vocais), a banda começou sua carreira lançando “No Expiration Date” em 2012, seguido por “Spin It” em 2014 e finalmente “Rebooted” em 2016. A música “I’m Free”, deste último, chegou a ser nomeada a “Música Mais Legal do Mundo” pelo programa de rádio Little Steven’s Underground Garage. Agora, a banda prepare-se para uma turnê em apoio ao lançamento de “Good Fortune” e sonha em vir ao Brasil. “Nos falem mais sobre agentes de ou promotores para irmos atrás!”, falou Nick, com quem conversei um pouco.

– Como você começou sua carreira?
Eu comecei a tocar bateria com 14 anos, depois de assistir bandas tocarem na minha comunidade local em dias de piquenique. Polka, country, rock’n’roll. Fui atraído pela bateria e me sentava atrás dos bateristas observando como eles se apresentavam. Com 10 a 12 anos, juntei-me à banda do ensino médio e aprendi o controle do pescoço e leitura da vista. Nosso professor era o irmão de Henry Mancini. Ele foi paciente e fez com que a música fosse divertida. Nós só tocávamos em almofadas de prática, então, infelizmente, fiquei entediado e encerrei a banda. Dois anos depois, veio a coceira novamente e comprei uma bateria de baixo custo. Eu tocava 3 horas por dia, sete dias por semana. Mamãe e papai saíam de casa por uma hora ou duas para eu poder praticar. Minha família era muito solidária, e também músicos. Papai tocava gaita e bateria, minha mãe e meu irmão tocaram guitarra, minha irmã tocava violão. A música sempre estava em volta da casa. Meu cachorro acabou se acalmando depois de alguns meses e me observava praticar. Aparentemente, me tornei um baterista melhor, e comecei a tocar com bandas pela cidade. Uma coisa levou a outra e me mudei para Los Angeles para começar minha carreira musical.

– Como surgiu o nome The Forty Nineteens?
O vocalista John e o Chuck trabalham no campo legal, e 4019 é o código legal da Califórnia para créditos de bom comportamento. Exemplo: digamos que alguém está cumprindo uma pena de 6 meses por fazer bebidas ilegamente, você recebe um dia de folga em sua sentença por todos os dias que você fica sem problemas. É o nosso lema. “Todo mundo merece algum tempo por bom comportamento”.

– Quais são as maiores influências da banda?
O John curte Graham Parker, The Beatles, The Romantics. Já o Chuck gosta de bandas californianas de punk como Social Distortion. Eu gosto de The Who, rock’n’roll dos 1950s e garage rock.

– Me contem um pouco mais sobre “Good Fortune”.
John estava comendo em um restaurante chinês e seu biscoito da sorte dizia “seu talento musical será exibido em breve”. Com uma mensagem tão positiva, ele sugeriu que “Good Fortune” fosse o título do novo disco. Nós concordamos. A banda não é política, mas promovemos a positividade com nossas músicas e perspectivas em geral. Você não pode esperar que as pessoas mudem, mas você tem a capacidade de se mudar para melhor. Como sugere a faixa 7, “se você deixar amor, o amor ganhará”. O disco tem sido tocando por Genya Ravan e Rodney Bingenheimer na Little Steven’s Underground Garage Sirius XM e no programa de Bill Kelly na WFMU Jersey City.

– E o que vocês já tinham lançado antes desse trabalho, como foi?
Todos os nossos discos foram produzidos por David Newton, do The Mighty Lemon Drops. Ele é um ótimo produtor/engenheiro, além de um grande cara. Ele nos ajuda tremendamente. No ano passado, lançamos “Rebooted”, com 12 músicas que entraram nas paradas das college radios e nas rádios comerciais. Little Steven’s Undergound Garage escolheu “I’m Free” como “Música Mais Legal do Mundo” na semana de 3 de junho de 2016. Nós tocamos no Yankee Stadium neste ano e nos divertimos muito. Em 2014 lançamos “Spin It”, com 8 faixas que também tocaram nas rádios. “No Expiration Date”, de 2012, tem 11 faixas. Este disco é o que fez a bola rolar para nós. Foi nossa primeira gravação com Dave Newton, e também nosso tecladista Kevin McCourt. Ele fez turnês com Stevie Wonder, entre outros. Paul du Greis fez a masterização dos discos. Ele começou sua carreira trabalhando com X, Bruce Springsteen, The Blasters e muitos outros artistas de destaque. Nós sempre estivemos com ele.

– Como é seu processo de composição?
John geralmente vem com os riffs ou ideias de música. Eu costumo levar as músicas e organizá-las. Chuck também acrescenta muito. Nós descobrimos acordes ou arranjos juntos também. Depende apenas de quando a idéia flui. Todos nós tentamos fazemos o melhor que podemos. Dave traz seus muitos anos de experiência e nos oferece essa experiência de uma forma muito fácil e divertida. Nós adoramos gravar com ele, e estamos ansiosos para o próximo projeto.

– O que você acha da a cena musical independente hoje em dia?
As bandas têm ferramentas incríveis disponíveis para a sua criação de música, promoção e outros. A(s) cena(s) são brilhantes. Eu, por exemplo, curto muito os sons indie que saem de Cleveland. Muitas grandes bandas, que espero que sejam ouvidas fora de Cleveland.

– Qual é a sua opinião sobre a era de streaming em que vivemos?
Eu gosto. No passado, fazíamos mixtapes e passávamos para amigos ou vice-versa. Agora você pode chegar ao mundo e ouvir mil bandas diferentes em apenas um dia, se você tiver tempo. É muito legal isso!

– Descreva um show do Forty Nineteens para alguém que nunca viu. Talvez possamos nos ver no Brasil algum dia?
Aprendemos a fazer shows abrindo para bandas como Red Hot Chili Peppers, Bash and Pop, The Blasters, Beat Farmers e muitos outros. Nós tentamos mostrar esse espírito de curtição em nossos shows. A vida é muito curta para se preocupar com as coisas em um show de rock. Só queremos que todos se divirtam, dancem e esqueçam um pouco do mundo. Gostaríamos de apresentar no Brasil, nos falem sobre agentes de ou promotores para irmos atrás. Nós tocamos no Double Nueve no Peru também, então espero que possamos chegar ao seu lindo país! Esperamos em um futuro muito próximo, obrigado por perguntar!

– Quais são os seus próximos passos musicais?
A banda está nos estágios iniciais de escrever o próximo disco. Nós também planejamos fazer uma turnê de nosso novo álbum, e estamos nos preparando para estar em fevereiro para a costa oeste, e abril para o leste dos Estados Unidos e, possivelmente, o Brasil!

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Eu realmente gosto de uma banda de Pittsburgh chamada The Gothees. Eles são um cruzamento entre The Monkees e Joy Division. Vão atrás de ouvir.

Splendora, a banda underground da trilha sonora do desenho da menina niilista Daria

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Daria

Daria, a animação da MTV dos anos 90, se tornou um símbolo da cultura pop underground, em parte pela estética, em parte pelas pesonagens e em parte pela icônica música de abertura “You’re Standing on My Neck“. Contudo, pouco se fala sobre a banda.

Formada pelas irmão Tricia e Janet Wygal, Delissa Santos, Cindy Brolsma e Jennifer Richardson a girl-band Splendora se destaca como banda underground da última década do século. Tendo sido deixada de lado pela Geffen Records em prol da atenção ao Beck e à Lisa Loeb, assinaram com a Koch Records e lançaram em 95 seu único álbum de estúdio, In The Grass (o nome da banda junto ao nome do disco, faz uma referencia ao filme “Splendor In The Grass” de 1961).

Sem ter feito muito sucesso, inclusive pela dificuldade encontrada por falta de um agente, um ano depois do lançamento de “In The Grass” a banda conseguiu algo. Cindy Brolsma, a violinista que na época trabalhava na produção do spin-off de Beavis & Butthead, Daria, colocou estrategicamente um CD da Splendora na mesa do produtor. Sem muito dinheiro pra investir na trilha sonora e buscando uma sonoridade que combinasse com o tom niilista contemporâneo da animação, acabou que a banda escolhida foi essa mesma.
Além da abertura, a banda conta com outras duas músicas na animação, nos filmes da série: “Turn The sun Down” e “College Try“, as duas, assim como “Standing On My Neck”, nunca lançadas oficialmente. “Eu acho que seria ótimo se alguém da MTV/Viacom reunisse tudo isso. Mas acho que todos os seus trabalhos estavam tão compartimentados …” diz Janet sobre a trilha da série que nunca foi lançada oficialmente.

Ainda sobre a soundtrack, vale citar a banda ficcional de um dos personagens da série. A Mystic Spiral que aparece em vários episódios, se consagra (ao menos pra mim) com “Freakin Friends“, que apesar do título, não abre mão do som sujo e pesado, com uma letra surreal que todas as músicas da Daria apresentam.

Por fim, vale dizer que tudo o que se pode fazer é lamentar. A ótima banda não seguiu carreira, contudo nos presenteou com esse disco que é uma pérola do grunge.

A raiz da questão: Buddy Holly & The Crickets – The “Chirping” Crickets (1957)

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Ele está impregnado em nossas vidas desde que apareceu. A gente pode nem sempre notar sua presença, mas quando escutamos maneirismos no vocal de algum cantor ou cantora ocidental lá está Buddy Holly, fazendo escola com seu modo soluçado de apimentar e uma canção. Quando alguém empenha a função de frontman e guitarrista, lá está ele também, indiretamente evocado. Quando você observa as vitrines das lojas de instrumentos musicais e se depara quase que fatalmente com uma guitarra Stratocaster, lá está ele também, homenageado de modo subliminar. Ou então se você tem esse visual meio desajustado e nerd e acha que tem algo a dizer por meio das suas canções, é muito provável que seu cérebro esbarrou em algum momento nesse sujeito.

Bastou um ano e meio para que o texano Buddy Holly se tornasse um dos maiores compositores da história da música do século XX. Tratando-se de rock, talvez tal feito tenha se repetido apenas uma vez, com o surgimento dos Sex Pistols duas décadas depois.

Buddy Holly também foi um dos pioneiros no uso de técnicas de gravação alternativas, como a dobra de vocal, palhetadas em primeiro plano e uso controlado de reverb (vide como o efeito entra e sai da bateria em “Peggy Sue”). Outra coisa bastante notável é que ele ia um pouco além da fórmula do blues, ou seja, às vezes inseria um acorde inusitado na música que acabava fazendo toda diferença.

Enfim, pensando nisso vamos falar do único e sensacional álbum de Buddy Holly & The Crickets: “The “Chirping” Crickets”. Lançado em novembro de 1957, esse monumento do rock é uma espécie de síntese do que esse gênero significa. “The “Chirping” Crickets” está para a música pop como A Primeira Noite de Um Homem” (1967) está para a Nova Hollywood. Assim como o filme, tudo o que você precisa saber para entender o contexto está lá muito bem inserido. Alguém pode argumentar dizendo que o rock mudou muito, a ponto de bandas muitas vezes não terem nenhum traço dos pioneiros… Olha, sem caras como Holly, Sigur Rós não existiria nem em pensamento, pois não teria My Bloody Valentine, que por sua vez não teria assimilado Brian Eno, que por sua vez não passaria por Velvet Underground, tampouco por Bob Dylan, que por sua vez não seria quem foi sem Buddy Holly.

Algo como “Oh Boy!” vai muito além do simples sentimento de juventude. Isso é uma afirmação artística até então quase inédita, de modo que chega a soar surpreendentemente estarrecedor, se levarmos em consideração o contexto da época. Aí temos um jovem falando de algo do seu convívio para uma infinidade de jovens. Lembrem-se: antes do rock, ser menor de idade era o mesmo que não ter voz. Quanto a música pode estar atrelada a essa conquista?

Considerando a sonoridade apenas, o álbum é um trabalho incrível de ponta a ponta. “That’Il Be The Day” é um verdadeiro standard do século XX. A guitarra magra de Buddy Holly, combinada com seus vocais expressivos dão um ar cool um pouco diferente de Chuck Berry, por exemplo. Enquanto Berry investia numa sonoridade mais erótica e selvagem, Holly tinha mostrava o rock ‘n’ roll básico com uma sofisticação irresistível.

As baladas também ganham lugar de destaque, como é o caso de “An Empty Cup”, que além de mostrar o cativante feeling vocal de Holly, também indica o bom guitarrista imortalizado como o primeiro herói munido de uma Fender Stratocaster.

Todos sabem que ele foi uma das principais influências dos Beatles, e ouvindo “Maybe Baby” é fácil saber o motivo. A faixa poderia estar em qualquer disco da fase engravatada do quarteto de Liverpool. Os Stones também beberam muito dessa fonte, tanto que “Not Fade Away” foi escolhida para ser um dos primeiros singles do grupo, sendo executada ao vivo até hoje. E aqui no álbum dos Crickets a canção não tem a mesma malícia dos ingleses, mas brilha com o vocal soluçado e o clima despretensioso.

O curioso em Buddy Holly é que seu som não é tão vibrante como Little Richard, por exemplo, mas em “Rock Me My Baby” tem muito do espírito daquelas festas de salão dos anos 1950. Aliás, é uma faixa meio Elvis Presley.

“The “Chirping” Crickets” é de certa forma bastante diversificado. Seu resultado é uma salada de country com r&b e blues muito bem estruturada. Se você curte sons antigos é quase certo que vai querer repetir tudo de novo e de novo e de novo… Esse cara tem carisma! Queria voltar no tempo e escutar tudo isso pela primeira vez. Imagina?

Após sua saída dos Crickets, Buddy ainda faria mais um disco solo, igualmente excelente e ainda mais sofisticado e pop, porém um acidente de avião tiraria sua vida aos 22 anos. Mas o “estrago” já estava feito: a música jamais seria a mesma.

[Exclusivo] Dead Parrot absorve novas influências e voa mais alto em seu segundo EP, “Inner Battles”

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foto: Gustavo Cangani

Formada por Mariana Ceriani (vocal), Victor Vianna (guitarra), Matheus Stoshy (baixo e vocal) e Bruno Bronzatti (bateria), a banda de Campinas Dead Parrot lança hoje seu segundo EP, “Inner Battles”, gravado no Estúdio Dalla Sound. O novo trabalho conta com quatro faixas e mostra um som mais amplo que a estreia em “Dead Parrot”, inserindo novas influências e sonoridades no classic rock com pitadas de blues do quarteto.

“Nesse EP, cada um compôs a letra de uma música, o que é bem bacana”, conta a vocalista. “A ‘Buckley List’ é de minha autoria, “Headstrong Rebel” do Bill, “Mindless” é do Victor e a “Presence” do Stoshy. O título “Inner Battles” tem a ver com essas quatro músicas, pois todas elas falam de certa maneira de batalhas pessoais, e como elas se conectam com o mundo atual também”.

Conversei com a banda sobre o novo EP, que você pode ouvir no final da matéria e já está disponível nas maiores plataformas de streaming e no Youtube.

– Me contem mais sobre o novo EP que vocês estão lançando!

Bruno: Então, esse é o nosso segundo EP, e acho que posso dizer por todos os integrantes da banda que este lançamento é nossa maior realização musical até agora. Estamos focados nesta empreitada desde o começo do ano, decidindo como poderíamos fazer para tirar o máximo proveito desta experiência, e estamos de fato muito orgulhosos do resultado. Estamos ansiosos pra mostrar finalmente os frutos de nosso esforço durante este ano.

– Como foram as gravações do EP?

Victor: Foram bem tranquilas e rápidas, as 4 músicas já estavam bem sedimentadas na cabeça de todo mundo, cada um sabia bem sua parte, e o Cauê Pitorri do Estúdio Dalla Sound nos ajudou bastante também com dicas e alguns toques pra ficar o mais profissional possível. A guitarra e o baixo fizemos as linhas em casa mesmo e levamos as faixas prontas para re-amplificar no estúdio. A bateria e a voz foram captadas pelo Cauê direto no estúdio, e ele ficou responsável pela mix e master do trabalho inteiro também, sempre dando bastante espaço para o que nós queríamos pro nosso EP.

– Como foi a composição das novas músicas?

Mariana: Geralmente nosso processo de composição ocorre em um primeiro momento individual, e depois acertamos as linhas quando nos reunimos. Nesse EP, cada um compôs a letra de uma música, o que é bem bacana. A “Buckley List” é de minha autoria, “Headstrong Rebel” do Bill (baterista), “Mindless” é do Victor (guitarra) e a “Presence” do Stoshy (baixo). O título do album “Inner Battles” tem a ver com essas quatro músicas pois todas elas falam de certa maneira de batalhas pessoais, e como elas se conectam com o mundo atual também. Apesar de serem escritas individualmente, nos conectamos por esse tema em comum, e na verdade isso foi inconsciente, quando nos reunimos para discutir o nome do album vimos que todas as letras tinham essas características.

foto: Gustavo Cangani

– Como esse EP difere do trabalho anterior da Dead Parrot?

Mariana: Eu destacaria que estamos mais entrosados e alinhados como banda, o que permitiu que trabalhássemos com mais calma nas músicas, já que o processo durou um ano inteiro. Nos reunimos diversas vezes para alinhar o som antes de entrar em estúdio. Também investimos mais no produto final, já que tivemos o apoio do pessoal do Dalla Sound Studio, de Campinas, pra nos auxiliar em todo processo de gravação, mix e master.

– Ouvi o EP e acredito que vocês tenham se destacado um pouco do classic rock do primeiro, incluindo novas influências. É isso mesmo?

Matheus: Isso aconteceu mesmo, Difícil rastrear, o porquê, mas o fato de cada música ter um compositor diferente da banda pode ser um motivo. Também rola o fato de ter uma vontade geral de colocar novos elementos, adicionar características do progressivo moderno tem sido comum nos nossos sons.

– Quais novas influências vocês citariam?

Victor: Pra esse EP acho que é mais difícil dizer, pq as músicas ja estão prontas faz quase um ano, e nesse tempo as coisas mudam bastante, principalmente o que temos ouvido ultimamente, pra vc ter ideia, além das 4 do primeiro EP e dessas 4 do novo, temos mais 11 músicas praticamente terminadas, então as influências não são constantes, estão sempre mudando. Acho que ultimamente o que tem tido mais influência nas nossas criações são bandas como Tool, Them Crooked Vultures, Mars Volta, Jeff Buckley, Soundgarden e Queens of the Stone Age para citar algumas.

– E quando começam os shows desse novo EP? O que podemos esperar? 🙂

Victor: Estamos montando nossa agenda de lançamento do EP, já já vamos anunciar alguns shows para apresentar o novo EP e também experimentar com algumas das novas músicas que estamos compondo ultimamente. Vontade da banda de tocar não falta, esperamos poder tocar bastante para divulgar bem nosso trabalho e dar continuidade no ano que vem com novas composições.

Ouça “Inner Battles”:

Tamanho não é documento: cantarolando 10 músicas curtinhas

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Esta semana estava relembrando esse disco que já dá para ser considerado um clássico independente brasileiro, o “Noisecoregroovecocoinvenenado(2006) da banda paraibana Zefirina Bomba, e reparei que a maioria das músicas têm menos de 2 minutos. Aliás, boa parte delas nem chega a 1 minuto. Pauleiras na medida certa, direto ao ponto e que deixam um aftertaste de satisfação. Tipo um bocado caprichado ou um Yakult.

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Algumas músicas curtas, apesar de deixarem aquele gostinho de quero-mais, são tão redondinhas que nos dão a sensação de que se fossem maiores, estragaria. É sobre este sentimento que trata a coluna de hoje, que, em vez de gastar as tintas com uma canção só, vai homenagear 10 faixas curtíssimas para cantarolar o dia inteiro sem enjoar.

A primeira delas é a hipnótica “O Que é que tem pra tu ver na TV”, do Zefirina Bomba. No mundo do hardcore, não é incomum as canções serem curtas, diretas intensas e imediatas. Essa do Zefirina se destaca porque passa uma ideia tão simples quanto sincera, a letra é “O que é que tem pra tu ver na TV? Comercial.” – não precisa dizer mais nada. Mas principalmente, a bateria foge daquela batida reta típica de HC para dar um peso estilo Dave Grohl arretado – alias, Guga é um dos melhores bateristas que já vi ao vivo. O resultado, depois que a música termina é um grande “minha nossa”.

Ainda no mundo do punk/hardcore, a canção “Wasted”, do Black Flag é uma expressiva e suficiente canção de 51 segundos sobre um cara que fez muitas merdas enquanto estava bêbado. Considerando outras canções do BF, como a “Drinking and Driving”, talvez a letra na verdade esteja zombando desse moleque que faz um monte de merda para parecer “cool”, em vez de estar enaltecendo suas realizações. Mas também pode ser uma letra absolutamente literal, o que não a deixa menos interessante e franca. Aliás, o EP de estréia do Black Flag, Nervous Breakdown (1979) em que está a Wasted, é um ótimo exemplo de concisão e suficiência, já que só tem 5 minutos de duração.

Na lista também tem Beatles, com a singela hidden track de 23 segundos no disco Abbey Road” (1969), intitulada “Her Majesty”. É uma mini-canção satírica sobre a rainha Elizabeth II escrita pelo Paul McCartney. Essa faixa era para ficar entre a “Mean Mr. Mustard” e a Polythene Pam” – aliás, duas canções curtinhas de pouco mais de 1 minuto, que muito bem poderiam fazer parte desta lista também. Mas o Sir Paul não achou que combinou, e pediu que a cançãozinha fosse destruída. Porém, a gravadora EMI tinha uma política de não destruir nada que fosse gravado pelos Beatles, então a pequena “Her Majesty” foi inserida no disco após um trecho de silêncio depois da última faixa, sem ser listada na tracklist, tornando-se a primeira hidden track da história. Os Beatles inventando moda (meio sem querer), pra variar.

A próxima faixa é uma verdadeira obra-prima de 1:55 minutos. “Renaissance Fair” (1967), do Byrds. Essa canção é aparentemente simples, mas na verdade é cheia de detalhes nos lugares certos. Ela fala de uma feira renascentista – provavelmente em um sonho – com várias cores, música, aromas de especiarias e pessoas com flores no cabelo. Esse cenário descrito na canção é embalado pelas impecáveis harmonias vocais, e um mix de guitarras com um saxophone, que dão um climão e te levam pro sonho junto com eles. Essa dá pra ouvir em loop.

Mantendo o clima ‘renascentista’ da lista, outra pérola de 1:23 minutos é a “Cheap Day Return” do Jethro Tull. A canção acústica, assim como várias do “Aqualung” (1970), tem uma influência forte dos violões do Bert Jansch e Roy Harper, ou seja, folkão britânico de primeira, trazendo essa vibe medieval perfeito para as flautas do Ian Anderson e seu vocal com muita expressão.

Ainda nos folkões britânicos, não poderia faltar uma do Incredible String Band, a “Son of Noah’s Brother” (1968). Possivelmente uma referência bíblica, a letra da canção mais curta desta lista é a frase “Many were the lifetimes of the Son of Noah’s brother/
See his coat the ragged riches of the soul [muitas foram as vidas do filho do irmão de Noé/ veja seu casaco, as riquezas esfarrapadas da alma]”. A linguagem solene contrasta com a simplicidade da canção, mas a letra é uma frase tão completa que já se faz suficiente pra sustentar e dar força para a faixa, tanto que é uma cançãozinha muito querida do disco “Wee Tam and The Big Huge”.

Em uma vibe parecida está a “El Rey” (1973), do Secos e Molhados. É outro caso, assim como a do Incredible String Band, em que a concisão da música faz você pensar mais ainda no que ela significa. Nessa dos Secos e Molhados, é pintada uma cena de um rei, ou alguém com muito poder, passando diante do observador. A letra é repleta de símbolos e imagens concretas, como uma poesia barroca dessacralizada, como os modernistas faziam. Logo de cara, ele joga a decadência do poder para nós com a imagem do “rei andar de quatro”, causando um choque inicial que em seguida é quebrada com o “quatro caras diferentes”, que pode significar algo como as máscaras do poder. Sem contar nas imagens das celas cheias de gente, e das velas, representando as mortes causadas pelo monarca. Isso ainda num contexto da ditadura militar… Essa música dá para viajar muito, merece um post só pra ela. Brilhante.

A próxima música é do meu maldito favorito, Walter Franco. A faixa “Água e Sal” está no disco “Ou Não” (1973). Eu sempre involuntariamente cantarolo esta música enquanto tomo bando de sal para neutralizer as energias – às vezes precisa, recomendo muito. Mesmo sem querer, muitas músicas do Walter Franco têm meio que uma função de mantra, e essa é uma delas.

Eu já fiz um post aqui nesta coluna sobre a representante Britpop dessa lista [veja aqui], a “Far Out” do Blur. Ela tem a versão extendida, mas eu não consigo me acostumar com ela maior do que os 1:40 min que estão no disco “Parklife” (1994) . É a essência do Syd Barrett suficientemente capturada pra deixar qualquer um satisfeito depois de ouvir.

Para fechar, “Horn” do Nick Drake. Que coisa mais linda, gente. Essa faixa instrumental, lenta, violão simples mas muito característico do estilo de Nick Drake. Apenas ouçam.

Playlist:

Construindo Aramà: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora ítalo-brasileira Aramà, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Carmen Miranda“Chica Chica Boom Chic”
Em 2005 foi a primeira vez que eu viajei pro Brasil. Fiquei tão feliz de ter visitado o museu da Carmen Miranda no Rio que eu quis pesquisar mais sobre essa artista maravilhosa. Até tirei fotos que agora viraram quadros na minha casa . A música “Chica Chica Boom Chic” me acompanhou por muito tempo. A música tão incrível, desta artista tão carismática, entrou na minha playlist e nunca saiu!

Margareth Menezes“Maimbe Danda”
O contato com a Bahia, quando morei em Salvador, em 2005, foi muito importante para influenciar meu som. Uma das artistas que mais me influenciou foi a Margareth. Quando voltei pra Itália, em seguida coloquei essa música nos meus shows. E cantei até enjoar (risos)!

Roberta Sá“Cicatrizes”
Uma amiga brasileira sempre cantava essa música pra mim, dizendo que eu deveria aprendê-la! O amor que nunca cicatriza todo mundo provou, né?

Major Lazer“Lean On”
Fiquei impressionada quando essa música saiu. Obcecada, eu me lembro que não parava de ouvi- la. E pensei “eu preciso fazer um som desse”, até hoje as rádios na Itália não param de tocá-la, hit de muito sucesso mesmo!

Giorgia“Marzo”
Música suave, foi uma das primeiras que eu aprendi a cantar quando comecei a cantar de verdade, fazer aulas e etc. É uma música bem triste que está ligada com a morte do namorado da cantora Giorgia, Alex Baroni. O videoclipe está lindíssimo, de uma elegância refinada. Impactante e poderosa, essa música me faz lembrar como é importante viver a vida plenamente sem medo .

Janet Jackson“Velvet Rope”
Fez parte da minha infância, eu dançava e cantava a música na cozinha da minha vó. Entrou como uma onda no meu estômago. A voz da Janet é única, parece que ela vem de um mundo paralelo com um beat totalmente envolvente.

Erykah Badu“Orange Moon”
Descobri essa música quando fui ao show da Erykah Badu, em Milão, na Arena Cívica . No final do show fomos pro camarim comprimentá-la. Ela saiu com a criança dela no braço e uma fã gritou “você não cantou pra nós Orange Moon!”, ela com a criança no braço, começou cantar assim no meio da gente e até nos convidou para ir ao hotel dela pra fazer uma jam e beber algo! Que mulher incrível!!

Sara Tavares“Balance”
Um amigo meu DJ cabo-verdiano me mostrou um dia essa música. Fiquei totalmente apaixonada pela vibe. Quando, em março, fui pra Cabo Verde pra fazer a tour, pude ouvir essa corrente da música cabo-verdiana que é cheia de artistas bacanas que infelizmente não tocam nas nossas rádios italianas.

Buraka Som Sistema feat Blaya & Roses Gabor“We Stay Up All Night”
Essa música da banda portuguesa Buraka Som Sistema, cuja sonoridade se integra no gênero musical Kuduro, é um mix de eletrônica com várias influências. Adoro ouvir mix de estilos e sonoridades .

Fernanda Porto“Samba Assim”
Essa música ouvi pela primeira vez quando eu estava na Bahia, em 2005, numa pousada na Ilha de Morro São Paulo, perto de Salvador. Amei as sonoridades tanto que perguntei pro dono da pousada qual era o álbum e fui rápido pro Pelorinho comprar! Meu samba começou assim.

Fernanda Abreu“Veneno da Lata”
Eu estava no Rio, em 2005, ouvindo no táxi essa música. Ainda não falava bem português e um amigo meu me explicou o que significava lata. Essas latas ainda estão tocando no meu coração!

Gilberto Gil“Toda Menina Baiana”
Foi meu hino! Que música incrível, não tem como ficar parado!

Ivete Sangalo“Céu da Boca”
Salvador, show de Ivete Sangalo com participação de Gilberto Gil. A Ivete com a perna quebrada pulando igual sapo e eu no público pulando com ela! Essa música e esse momento ficaram gravados na memória! Simplesmente foda!

MC Leozinho“Ela Só Pensa Em Beijar”
No castelo das pedras, dancei essa música ouvindo ao vivo pela primeira vez o “funk do Rio” e os MCs que se apresentavam aquela noite! O Funk foi uma das maiores inspirações que tive até agora, não com as letras, mas com as batidas.

Walmir Borges“Princesa”
Conheci o Walmir Borges tocando essa música maravilhosa no canal no YouTube do querido amigo Rafael Kent, no projeto do Studio62. Quando conheci o Walmir, ele me propôs cantar essa música com ele ao vivo no club Grazie a Dio. Eu chorei de tanta emoção mas não falei isso ainda pra ele!!

Luciana Mello“Na Veia da Nega”
Música que me acompanhou por vários anos até eu cantá-la com minha banda e inclui-la no repertório. Adoro!

Kaleidoscópio“Tem que Valer”
Foi no Festival Bar, na Itália, que conheci essa música. Quando o Ramilson Maia produziu 2 faixas pra mim, realizei um dos sonhos da minha vida! Acredite sempre porque tudo pode acontecer!

Maria Gadú“Shimbalaiê”
Meu verão 2012 foi acompanhado pela voz da Maria Gadú. Gostosa de ouvir, virou um dos hits do verão italiano. As rádios tocavam, os supermercados tocavam, as praias tocavam, os carros, todo mundo. Tenho certeza que entrou tanto no meu corpo essa música que de qualquer jeito me influenciou.

Demônios da Garoa“Trem das Onze”
No Rio de Janeiro cantando até ficar sem voz no bar Carioca da Gema. Que boa lembrança !

Carlinhos Brown “Carlito Marron”
Comprei esse disco no Pelourinho junto com o disco da Fernanda Porto. Adorei o mix de influências que esse disco tem! Dancei até arrastar as sandálias…

Condessa Safira celebra a vida de Breno Bolan e a história da banda no disco “11”

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Condessa Safira em 2007 (à direita, o baixista Breno Bolan)

“Quando o Breno se foi, a Condessa Safira travou”, explica um post na página oficial da banda, sobre o falecimento do baixista Breno Bolan, peça chave na formação do grupo. “Cada um de nós lidou com o luto de maneiras diferentes, e as músicas que planejávamos gravar com o Breno ficaram ‘on hold’. Aos poucos a gente voltou a trabalhar nelas, mas foi mais difícil do que a gente podia imaginar. Tão difícil que durou anos”. Pois é, 2017 foi o ano em que a banda conseguiu concluir este trabalho, chamado “11”, que já está disponível em todos os serviços de streaming. “Modéstia à parte, fechamos um albão da porra, com participações e colaborações maravilhosas e 14 músicas phodauras”, concluem.

A banda, formada por Júlia Jups (vocal), Bruna Mariani (guitarra) e Zé Menezes (bateria) agora se prepara para uma apresentação especial com as composições do debut da banda. A apresentação acontecerá no dia 03 de dezembro, no Bar da Avareza, e promete fechar o ciclo do grupo. “O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim”, contam.

– Como vocês decidiram voltar e fazer esse show de reunião?
O álbum “11” começou a ser concebido antes de o Breno falecer. Quando ele se foi a gente ficou perdido, não sabíamos se iríamos concluir o álbum, seguir com a banda, nada. O tempo foi passando e chegamos à conclusão que deveríamos ao menos fechar esse trabalho, em memória da banda e do grande amigo e compositor que o Breno foi. O show acabou sendo uma consequência da conclusão desse trabalho. Queremos compartilhar com vocês e fechar esse ciclo de um jeito bacana.

– Como vai ser o disco?
O álbum tem 14 músicas, 12 próprias e 2 versões (“Péssima”, dos Sex Beatles e “Can’t Put Your Arms Around a Memory”, do Johnny Thunders). Algumas composições a gente chegou a tocar nos shows da Condessa lá nos idos de dois-mil-e-pouco, como “Assassina por Natureza”, “Crise 7.7”, “Diga O Que Quiser” e “A Última Canção”. As outras são composições mais “recentes”, que foram tomando corpo e forma nesses 8 anos.

– Esse projeto todo pode ser visto como uma grande homenagem ao Breno Bolan, baixista da banda que infelizmente nos deixou. Vocês podem me falar um pouco dele e como ele ainda permanece no som da banda?
Na verdade o álbum é o filho da Condessa, sem querer soar como uma homenagem. O Breno foi um dos maiores compositores de rock nacional que tivemos o prazer de dividir nossas vidas, e seria puro egoísmo não colocarmos no mundo as letras dele por causa do nosso luto. Por mais difícil que tenha sido, conseguimos fechar esse trabalho com muito orgulho. Temos certeza que ele também estaria orgulhoso do resultado. Grande parte das letras são dele, com exceção de “Sweet Bloody Mary” que ele compôs em parceira com a Cris Braun do Sex Beatles, “Diga O Que Quiser” do nosso ex-guitarrista Rene Dechiare, “Péssima” composta pelo Alvin L. do Sex Beatles e a versão de “You Can’t Put Your Arms Around A Memory”. A sonoridade tem muito da nossa história da Condessa juntos, todas as influências que cada um de nós trazíamos para a banda, e muito do que amadurecemos nesse tempo depois que o Breno se foi.

– Me contem um pouco mais sobre o começo da banda. Como rolou?
O Breno formou a Condessa em 2001, com a ideia de ser uma banda de rock com letras em português e vocal feminino. A Júlia entrou em 2002, A Bruna em 2003 e o Zé em 2005. A gente costumava dizer que demorou um pouco, mas conseguimos a formação perfeita pra banda. Entre idas e vindas de outras pessoas, nós quatro conseguimos a sonoridade que queríamos e trazíamos as mais diversas influências pro som da banda.

– De onde surgiu o nome Condessa Safira?
O Breno costumava dizer que teve um sonho que o nome da banda tinha que ser Princesa “alguma coisa”, mas ele achava princesas tolas na sua grande maioria e mudou para “Condessa”. O “Safira” apareceu porque ele gostava de bandas com 2 nomes, também por influência de bandas dos anos 80.

– Quais as principais influências do som da banda?
A principal banda que influenciou desde o começo é a banda carioca Sex Beatles. Além deles: Marina Lima, Capital Inicial, Guns N’ Roses, The Donnas, Sahara Hotnights, The Ramones, The Rolling Stones, Iggy & The Stooges, The Runaways.

– Quais as principais diferenças do mundo independente da primeira encarnação e dessa reunião? Como vocês veem a cena hoje em dia?
Temos a sensação de que na época tínhamos mais opções de lugar para tocar, e que a galera tinha mais pique para ir a shows. Hoje as (poucas) casas de show são muito boas, mas também são caras, o que dificulta bastante. Hoje temos muitas bandas nacionais excelentes, e da mesma maneira que tínhamos “bandas irmãs” naquela época, temos algumas cenas parecidas atualmente. Mas a impressão que temos é que o famoso “conhecer alguém pra te colocar no circuito” tá cada vez mais difícil.

– Falem um pouco mais de como vai ser o show que está chegando!
Estamos bastante ansiosos e empolgados, ensaiando que nem uns condenados para tirar o atraso de tantos anos! Felizmente estamos contando com a parceria de vários amigos para esse show, o Rodrigo Palmieri (Cyber Jack, Liberta, Drosophila, Pousatigres, Shepherd’s Pie) e o Tavinho (KiLLi) vão comandar o baixo, e teremos participação do Paulo Senoni (KiLLi, Mundo Alto) e do Bob (ex-guitarrista da Condessa e atual Shepherd’s Pie) na guitarra. Podemos dizer que o show vai ser recheado de músicas mais recentes e mais antigas.

– Vocês pretendem continuar com a banda depois dessa reunião? Quais são os planos?
O show é para celebrar o ciclo de vida da Condessa e o nascimento do álbum “11”. Foi uma história linda, triste e cheia de orgulho, mas que chegou ao fim.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Júlia: Acho a banda do Zé, Thrills & the Chase, do caralho. Também piro na Mundo Alto, Miami Tiger e Monocelha. Cada uma com uma vibe diferente, mas que representam muito bem diferentes vertentes do rock nacional.
Zé: Toquei em Santos esse ano com o Thrills e conosco tocou uma banda de lá chamada OZU. Um trip hop pegada Portishead, demais.

Ouça o disco “11” do Condessa Safira:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Mariana Cantini, do Dinamite Panda

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Mariana Cantini
Mariana Cantini, do Dinamite Panda

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Mariana Cantini, baixista da banda Dinamite Panda!

Sofiapop“Bomba no Odeon”

Meu primeiro show da Sofiapop foi saindo do colégio, com uns 15 anos, de uniforme, no ateliê de artes da UERJ. Foi do caralho. O calor era absurdo, a cerveja baratinha (e quente) e todo mundo se porrava. Foi parecido no Odeon, quando uns amigos me empurraram pra rodinha no meio de “Bomba no Odeon”.

Ênio Berlota e a Nóia“Homem Baile”

Com a Astrovenga como banda, o grande “Homem Baile” Ênio Berlota tem letras fodidas e os melhores passinhos do RJ. O disco “Continue Rasgando” é daqueles de ouvir do começo até o final e depois ouvir de novo.

Blastfemme“I Don’t Love You Baby”

Fico triste de ter saído do Rio de Janeiro antes da formação da Blastfemme 🙁 Eu penso no empoderamento feminino como uma voz muito alta e firme com um discurso de liberdade e força. Blastfemme é tipo isso, exponencialmente.

Os Vulcânicos“Das Model”

Todas as quintas feiras na Sinuca Tico Taco, na Lapa (RJ), tinha show dos Vulcânicos. Do lado rolava anarkofunk. Eu ia quase todas as quintas, e todo show era um novo show e era mais foda que o da semana anterior.

The Lirious“Cecília”

Uma das bandas relâmpago na pegada “quem viu, viu” alucinante. Power trio instrumental, de ocupação. Show para moradores de rua na Praça da Sé. Foi um dos momentos mais interessantes do meu 1 ano e meio em São Paulo. A gente sabe quando a galera tá fazendo um som porque ama, né?

“Os Famosos E Os Duendes da Morte” (2009) – Um sad boy no Sul e o Bob Dylan

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Os Famosos E Os Duendes da Morte
Lançamento: 2009
Direção: Esmir FIlho
Roteiro: Ismael Canepelle
Elenco Principal: Ismael Canepelle, Henrique Larré, Tuane Eggers, Aurea Baptista e Samuel Reginatto

 

Meio que seguindo a linha de filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, Os Famosos E Os Duendes da Morte conta da vida e das suas descobertas cobertas pelas suas angústias durante a adolescência. O Mr. Tambourine Man (o nome sob o qual assina o protagonista), se equilibra entre um riso emaconhado com o amigo nas madrugadas frias e uma forte sensação angustiante. Tudo isso, numa pequena cidade do interior gaúcho, cheia de antigas moralidades, histórias mais que mal resolvidas e um desespero que parece rondar a cabeça de todos os personagens.

De um jeito lindo, Esmir Filho, o diretor, constrói a trama como uma espécie de solução pra todas angústias do menino. Impulsionado pelo desejo de ir ao show do Dylan, o fã mirim de alguma forma consegue um estado interessante que lhe permite uma sobreposição do riso acima da angústia, uma visão duma vida fora daquele universo que o filme apresenta como tóxico e doente.

E é lógico que, se o garoto curte Dylan, o filme precisa duma boa trilha. Mesmo sem nenhum som do cara da gaita, as músicas arrasam e se encaixam “feito luva” no longa, elaborando emoções no espectador que causam um estranho e confortável desconforto. O gaúcho Nelo Johann, nascido no interior do Rio Grande do Sul e compositor da trilha, é essencialmente um desses indies sad boys, mas ainda assim é um absurdo dizer que as notas do cara não trazem originalidade nenhuma. Com uma série de efeitos, atonalidades e letras carregadas de metáforas oníricas, ele consegue atingir um desespero nos ouvidos de quem ouve que poucos conseguem… Por sinal, a influência do som do Pink Floyd em sua fase Barret é bem clara!

“O convite veio através do Ismael Canepelle, que roteirizou o filme e me conhecia de infância… Então o Esmir me conheceu, entrou em contato comigo e começamos a trabalhar na idéia, bem antes do filme ser rodado… Fiquei felicíssimo, claro. A idéia do filme me agradou muito logo de cara, depois só se confirmou o prazer de trabalhar com pessoas tão talentosas e queridas.” (http://meio-bossanovaerockandroll.blogspot.com.br/2010/05/entrevista-nelo-johann.html). Depoimento do músico Nelo Johann em entrevista ao blog Meio Bossa Nova.

Trailer:

Trilha sonora: (João, salva aê, please!)