OZU traz para a cena paulistana o downbeat, vertente do trip hop em ascenção em Tóquio

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Formada em 2015, a banda OZU resgata em seu som o trip hop inglês que tomou o mundo nos anos 90, trazendo à cena paulistana o downbeat, gênero que está em ascenção na cena musical de Tóquio. “Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio em que vários DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som”, contam.

O quinteto, formado por Felipe Pagliato (bateria), Kiko Cabral (picapes/teclado), Gustavo Santos (guitarra), João Amaral (baixo), Juliana (voz) e o DJ RTA, três vezes campeão nacional de Scratch Freestyle, lançou em agosto seu primeiro EP, “The DownBeat Sessions Vol. 01”, com quatro faixas que remetem à obra de grupos como Portishead e Goldfrapp. Ah, e The DownBeat Sessions Vol. 02″ já está em pré-produção. Confira a entrevista que fiz com Kiko:

– Como a banda começou?
A banda começa lá por 2015 quando eu \volto de Manaus e mando um e-mail pro Gustavo (guitarrista), já com intenções de reunir um pessoal pra tocar alguns beats que eu já vinha fazendo. Depois, conheci a Juliana (vocalista) quando trabalhamos juntos numa websérie e ficamos ensaiando lá em Cotia (nossa cidade natal) por um tempo nessa formação mesmo – teclado/programação, guitarra e voz. Quando a coisa já estava mais consolidada chamamos o Felipe (baterista) e o João (baixista) que já conhecia da faculdade e fizemos alguns shows com essa formação. No começo desse ano o Ronan (DJ) entrou na banda.

– O que significa OZU e como o nome surgiu?
Ozu vem do cineasta japonês Yasujiro Ozu, um cineasta que nos inspira muito na questão de ritmo/composição.

– Me fala mais desse último trabalho que vocês lançaram! Tá sendo elogiado pra caramba.

Resolvemos lançar esse vídeo para disponibilizar um material mais orgânico e ao vivo da banda. Como instrumentistas temos um passado e uma relação forte com o jazz e, por isso, quando tocamos ao vivo nos damos algumas liberdades em questão de dinâmica e arranjo o que, por motivos óbvios, soa bem diferente de um material gravado em estúdio. Quem assina á direção é Os Carcassone, com a produção de Breno Zaccaro e Andre Natali.

– Porque seguir o trip-hop? O que esse estilo diz pra vocês? Ou vocês definiriam a banda com outro estilo?
O trip-hop inglês é o começo de tudo e é o que o pessoal mais conhece e por isso é a primeira associação que fazem com o nosso som. Mas se procurarem saber sobre DJ Krush, Kemuri Productions ou os mais atuais Pretty Lights, Jhfly e Flughand vão ver que a nossa influencia apesar de ser sim bem forte no trip-hop inglês ela não acaba por ai.

– Me fala um pouco mais sobre esse downbeat que vocês falaram que tá rolando em Tóquio.
Se você aprofundar a sua busca no trip-hop você vai eventualmente encontrar uma galera no Japão fazendo um som que tem muitos nomes e nenhum nome definido. DownBeat Sessions é o nome de uma festa que rola em Tóquio que varios DJs e instrumentistas se reúnem para fazer uma espécie de jam session seguindo essa linha de som.
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– Como vocês veem a cena independente brasileira hoje em dia?

Não sei se sou a pessoa certa pra responder essa pergunta. A OZU é o primeiro contato que eu tenho com a cena independente mas pelo pouco que vi percebi que existem uns heróis aí que com pouquíssimo retorno financeiro e praticamente nenhum apoio publico fazem um trabalho enorme pra coisa se movimentar e que se a gente não ficar ligado esses heróis não vão durar muito. É bom ficar ligado também que geralmente as mesmas cabeças que lutam pela cultura lutam também pelas mudanças e renovações da nossa sociedade. Se deixarmos esses cabeças desaparecerem, conservadores aparecem de uma forma oportunista e hipócrita e se apropriam do discurso de renovação, veja aí o prefeito de São Paulo.

– O mainstream ainda é necessário? As bandas ainda devem procurar alcançar o mainstream?
Depende do que você esta classificando como mainstream. Existe sim a necessidade da banda pertencer a um nicho que receba um mínimo de atenção e retorno financeiro pra que ela possa sobreviver.

– Qual o processo de composição da banda?
Eu faço os Beats, letras e linhas de voz e passo pra banda. Daí a gente toca elas algumas vezes e ajusta o que precisa..

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– Quais os próximos passos da banda?
A agenda de shows está bem movimentada mas temos mais dois clipes a caminho e o disco já está quase pronto.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Recentemente tocamos com um projeto chamado The Smell Of Dust. O som deles é incrível.


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