Overalive lança seu segundo disco, “Transmutation”, englobando novas influências sem deixar o rock de lado

OverAlive

A banda OverAlive, de Curitiba, lançou neste ano seu segundo disco, “Transmutation”, onde foge um pouco do hard rock direto e reto de seu primeiro trabalho, auto-intitulado, abraçando novas influências, elementos e ritmos. Tudo isso, claro, sem deixar o rock que caracteriza o querteto de lado.

Formada por Diego Porres (baixo), Fernanda Hay (vocal) Rafa Dachary. (bateria) e Luis Follmann (guitarra), a banda está na ativa desde 2013 e luta por um espaço na cena independente autoral brasileira. “É preciso bastante foco e determinação para efetuar um trabalho assim. Mas a necessidade de se criar algo e mostrar isso ao público sempre supera as dificuldades”, conta Luis, que conversou um pouco comigo sobre a carreira do quarteto, seu som, a vida de artista independente e como a proeminência de bandas covers entra no caminho das bandas autorais:

– Como a banda começou?

OverAlive começou em 2013, na época ainda com outro nome (Overdrive). Eu já conhecia o Diego Porres (baixista) desde 2010, e desde então já costumávamos nos reunir para tocar juntos. Em 2013 nós conseguimos fechar uma banda e gravamos o primeiro álbum da banda, também chamado ‘Overdrive’.

– Como surgiu o nome da banda?

Ambos os nomes foram sugestões do Diego. O primeiro foi por causa de uma música nossa que já existia antes de escolhermos algum nome pra banda. Entretanto, tempos depois resolvemos mudar de nome pois percebemos que já haviam muitas bandas espalhadas mundo afora com o nome ‘Overdrive’. Pensamos em manter alguma referencia com o primeiro nome, então ‘OverAlive’ surgiu na pauta e resolvemos adotá-lo!

– Quais as suas principais influências?

Eu costumo escutar muita música, dos mais variados estilos. Como boa parte dos guitarristas, comecei escutando muito rock, tanto nacional quanto de bandas de fora. Ao mesmo tempo, sempre tive contato com música brasileira. De lá pra cá já ouvi muitas coisas diferentes, de modo que cada semana tento escutar algo novo. Esses últimos dias tenho ouvido um pianista cubano fantástico chamado Gonzalo Rubalcaba e algumas coisas do Einojuhani Rautavaara.

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram.

No primeiro disco da banda, tivemos uma abordagem mais direta e simples. As músicas eram claramente voltadas pro hard rock, apesar de já poder se perceber algumas influências externas. No nosso novo disco ‘Transmutation’, que está recém-lançado, acredito que mudamos bastante a cara musical da banda. Ao compor as músicas, resolvi sair do nicho muito voltado pro rock tradicional e procurar envolver mais sonoridades através das influências musicais que ouvi ao longo dos anos. O resultado ficou muito satisfatório e acredito que pessoas com diferentes gostos musicais consigam de algum modo se identificar com alguma coisa desse álbum. Continuamos uma banda de rock, mas você irá encontrar muitos outros elementos envolvidos nas composições.

Overalive

– Como é seu processo de composição?

No caso do OverAlive, eu componho toda a parte sonora da música primeiro (linha dos instrumentos e melodia da voz), e depois passo pra Fernanda Hay (vocalista da banda) para inserir as letras na melodia já criada. Ao compor, costumo transcrever todos os instrumentos na partitura, depois monto a batera em midi. O legal disso é que antes mesmo de tocarmos pela primeira vez algo, já temos uma versão midi da música. Facilita pra todo mundo e costuma acelerar o processo dos ensaios.

– A internet ajuda ou atrapalha a vida de bandas independentes?

Eu acredito que ajuda, e muito! Ainda não tive a experiência de lançar algo por uma gravadora, mas na esfera de produção independente, a internet é um veículo fantástico. É claro que a ‘concorrência’ aumenta, mas isso é bom por quê de certo modo te força a tentar criar algo diferente.

– Como é a vida de banda independente hoje em dia?

Fácil não é! Financiar a produção de um álbum não é algo barato. Fora isso, é difícil você se colocar entre as bandas já correntes em determinado cenário musical e fazer com que novos ouvintes voltem suas atenções para você. É preciso bastante foco e determinação para efetuar um trabalho assim. Mas a necessidade de se criar algo e mostrar isso ao público sempre supera as dificuldades.

– Existe muita dificuldade em encontrar casas de shows que topem receber bandas autorais?

Ainda não fizemos shows para esse álbum novo, mas para o primeiro álbum felizmente conseguimos uma série de shows. Mas mesmo assim, de um modo geral eu claramente percebo que o problema existe. E é um problema complexo. Acredito que não recaia apenas nos ombros dos contratantes; vem de um emaranhado de fatores que acabam por deixar o ambiente musical para as novas bandas bastante difícil. Pode não parecer, mas esse tipo de problema vai desde a educação musical defasada no sistema de educação do nosso país, até a baixa divulgação pelas grandes mídias de trabalhos artísticos de qualidade, até a propagação de produtos artísticos tidos como ‘virais’ nas redes sociais e que infelizmente, na sua grande maioria, tem um cunho intelectual próximo a zero. Isso faz com que muitas vezes não haja interesse por parte do grande público em procurar ouvir coisas novas de qualidade, tampouco assistirem aos shows. Tudo isso acaba por prejudicar novas bandas de muita qualidade que surgem o tempo todo, e que encontram um cenário desfavorável quando tentam vender seus shows.

Overalive

– Quais os próximos passos da Overalive?

Lançamos nesse ano o álbum ‘Transmutation’, e estamos em processo de divulgação. A banda agora está um pouco espalhada: o Rafa Dachary, grande baterista que entrou pro time recentemente, mora em Ijuí, Rio Grande do Sul; a Fernanda está em Los Angeles. Nossos planos são de nos reunirmos no início do próximo ano e realizarmos shows desse novo álbum. Enquanto isso cada um trabalha nos seus projetos musicais paralelos. Eu estou em processo inicial de um primeiro trabalho solo. Não dá pra parar!

– Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Muita gente! Não sei ao certo que tem produção independente ou não, mas para citar alguns: Alessandro Kramer, Trio Curupira, Henrik Andersen, André Nieri, Mohini Dey, House of Waters, entre vários outros.


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