Os famigerados “complete os espaços” da música brasileira

23 de janeiro de 2015 2 Por João Pedro Ramos

Às vezes, o público se sente no direito de ajudar o compositor. Mesmo com a música pronta, rolando nas rádios, bombando, a galera faz questão de inventar um novo refrão, uma frase, uma palavra de ordem que “encaixe” na música.

Eu explico. Você deve conhecer algumas músicas que, ao vivo, ganham a indefectível participação da plateia. Como os “ô-ô-ô-ô” no começo de “Fear Of The Dark”, do Iron Maiden, ou os “ôôôôô” no refrão de “Pobre Paulista”, do Ira!. Tudo bem, Isso é bacana, promove interação entre músicos e plateia e ajuda a agitar o show. Porém, existe uma forma maligna de participação da plateia: a “frasezinha que completa”. Uma parte da letra que não está no CD, não foi escrita pela banda e que os músicos normalmente odeiam que sejam cantadas, mas que a multidão acha engraçadíssimo gritar nos shows. Entendeu? Não? Seguem alguns dos piores exemplos de músicas que ganham complementos. Entre parênteses, fica o que os renomados menestréis da plateia gritam a plenos pulmões.

– Kid Abelha – “Pintura Íntima
A canção pop açucarada dos anos 80 da trupe de Paula Toller foi sucesso em todo o Brasil. E todo mundo sabe: o que é sucesso ganha paródias e versões. Nesse caso, algum gênio do humor conseguiu deixar a musiquinha mais “divertida” para ser cantada no recreio da 3ª série.

“Fazer amor de madrugada
(Em cima da cama, embaixo da escada)
Amor com jeito de virada
(Primeiro a patroa, depois a empregada)”

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– Skank – “É Proibido Fumar
O Skank reinventou o clássico do rei perneta Roberto Carlos com uma levada meio Apache Indian, lembrando o sucesso “Boom-Shak-A-Lak”. O problema é que a versão chamou a atenção dos adolescentes, que resolveram deixar explícito o que ficava sutilmente subentendido na letra original. Afinal, duplo sentido é coisa de velho.

“É proibido fumar
(MACONHA!)
Diz o aviso que eu li”

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– Tchakabum – “Olha a Onda (Tesouro de Marinheiro)
Baixei o nível aqui, mas foi necessário. Essa tem um dos exemplos mais clássicos de complemento feito por plateia. No caso, a massa enfurecida busca denegrir a imagem da garota citada nessa contagiante canção dos anos 90. Ah, e eu aposto que você sabe a coreografia desta música de cabo a rabo.

“Molhou o seu rostinho
(Cara feia!)
Molhou a barriguinha
(Barriguda!)
Molhou o seu pezinho
(Que chulé!)
Molhou todo o corpinho, deixe que eu vou te enxugar”

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– Legião Urbana – “Que País É Esse

A banda de Renato Russo também recebeu essa homenagem tão desnecessária. Provavelmente o vocalista ficava puto quando a plateia respondia após o refrão, já que ele aparentemente levava muito à sério suas canções. E, realmente, essa respostinha é das mais babacas da lista. Quem manda fazer um refrão interrogativo, doutor Renato?

Que país é esse?
(É a porra do Brasil!)

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– Ira! – “Dias de Luta

Este caso é especialíssimo, por isso vou encerrar com ele. Neste caso, a participação da plateia não responde ao refrão nem complemente a letra. Na verdade, os fãs criaram um refrão para “Dias de Luta”, seguindo o riff de Scandurra. Porém… o refrão que criaram é um lixo e não tem nada a ver com a música. A banda, inclusive, pediu à plateia que não cantasse o verso quando gravaram seu DVD.

“Porra, caralho
Cadê meu baseado”

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P.S. – O Denis Romani me deu o toque de um “complete o espaço” regional. Quando o Skank toca “Garota Nacional” no Sul, o verso “eu quero te provar” é acompanhado de um “Mariana vagabunda!”. “Eu não entendi porra nenhuma quando fui no Planeta Atlântida“, disse ele. Parece que isso acontece em todos os shows do Skank por lá. Veja no vídeo que até Samuel Rosa comenta “a Mariana está processando o Skank, mas é a versão gaúcha, vamos fazer o quê?”.

Say-what

E você, conhece mais alguma música que ganha um “complemento” da plateia quando é apresentada ao vivo? Qual a que você mais odeia? Você curte? Responda nos comentários!